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quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Contato com o Catecismo

Sobre O juízo particular



1021. A morte põe termo à vida do homem, enquanto tempo aberto à aceitação ou à rejeição da graça divina, manifestada em Jesus Cristo. O Novo Testamento fala do juízo, principalmente na perspectiva do encontro final com Cristo na sua segunda vinda. Mas também afirma, reiteradamente, a retribuição imediata depois da morte de cada qual, em função das suas obras e da sua fé. A parábola do pobre Lázaro e a palavra de Cristo crucificado ao bom ladrão, assim como outros textos do Novo Testamento, falam dum destino final da alma, o qual pode ser diferente para umas e para outras.



1022. Ao morrer, cada homem recebe na sua alma imortal a retribuição eterna, num juízo particular que põe a sua vida em referência a Cristo, quer através duma purificação, quer para entrar imediatamente na felicidade do céu, quer para se condenar imediatamente para sempre.

“Ao entardecer desta vida, examinar-te-ão no amor”.




JMJ no Rio vai maravilhar o povo brasileiro, afirma Cardeal Rylko



O presidente do Pontifício Conselho para os Leigos (PCL), Cardeal Stanislaw Rylko, em visita ao Rio de Janeiro desde o dia 27 afirmou nesta terça-feira, 28, após reunir-se com o prefeito e o governador do Rio de Janeiro, que a Jornada Mundial da Juventude (JMJ) vai maravilhar o povo brasileiro e felicitou o Comitê Local Organizador pelos trabalhos de preparação.

Na entrevista aparecida na página da Arquidiocese carioca, o purpurado afirmou que “A JMJ é um evento extraordinário, é uma manifestação da Igreja jovem, cheia de entusiasmo e de ardor missionário. Eu tenho certeza de que a JMJ vai maravilhar o povo brasileiro com a quantidade de jovens que virão de todo o mundo, especialmente da América Latina e do Brasil. Conhecendo a realidade das jornadas e do Brasil, nós temos certeza de que será um exemplo de grande participação dos jovens”.

De acordo com o Cardeal Rilko — que junto com representantes do PCL veio à Cidade- Sede da próxima JMJ para saber sobre o andamento dos trabalhos de preparação para 2013 —, “o Comitê Organizador Local (Col) faz um trabalho maravilhoso a nível de competência e entusiasmo”, especialmente com relação à “preparação pastoral do evento”. 

O Cardeal presidente também afirmou que o Papa Bento XVI acompanha todos os preparativos para a JMJ 2013com muita atenção e interesse, e expressou a gratidão do Sumo Pontífice:

“Eu queria, em nome do Papa, agradecer ao Rio de Janeiro e ao Brasil por esse grande dom que faz a Igreja do mundo inteiro acolher a próxima edição da JMJ”, disse.

O Presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Cardeal Raymundo Damasceno, acrescentou que as “impressões do Cardeal Rilko são altamente positivas”. Ele está impressionado com a cidade, com os trabalhos que já foram feitos até agora e com a colaboração das autoridades.

“O Cardeal Rilko está muito impressionado, sobretudo, com essa participação tanto do governo municipal como também do governo estadual em colaborar com a Igreja e a Arquidiocese para preparar este grande evento”, afirmou Dom Damasceno.

Para o Arcebispo do Rio e Presidente do Instituto JMJ, Dom Orani João Tempesta, a colaboração das entidades governamentais têm sido eficazes.

“O governo está ajudando a preparação para a JMJ dando a estrutura necessária, que compete ao governo do estado, ao governo federal e municipal, com relação a locais, a deslocamentos, às vias públicas, à segurança (...), de modo que o governo se empenha também em fazer do Rio de Janeiro um lugar ainda mais seguro para que os jovens do mundo todo venham participar com tranquilidade”, afirmou o arcebispo o Rio.

De acordo com o Bispo Auxiliar da Arquidiocese do Rio e animador do Setor Juventude, Dom Antonio Augusto Dias Duarte, um momento importante da visita do PCL à cidade poderá acontecer no dia 1º de março, às 19h30, no Santuário Nacional de Adoração Perpétua, na Igreja de Sant´Ana, no Centro.

“O Cardeal Rilko manifestou seu interesse em estar com os jovens, num momento de oração como o da Igreja de Sant´Ana, que será uma ocasião oportuna para ele sentir o entusiasmo e a vibração dos jovens cariocas para a jornada do próximo ano”, destacou o bispo.

Entre as atividades da comitiva – que conta ainda com o Padre Eric Jacquinet, responsável pela Seção Jovem, Marcello Bedescci, presidente da Fundação João Paulo II para a Juventude e os Padres João Chagas e Anísio José – estão previstas reuniões com os representantes da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e visita a locais cotados para receber as cerimônias com a presença do Papa Bento XVI. 

No dia1º de março, quando a cidade comemora seu aniversário de 447 anos, Stanislaw Rilko presidirá uma missa no Santuário Arquidiocesano do Cristo Redentor do Corcovado. A visita segue até o dia 2 de março.



Palavra Católica - Santo Ambrósio


“Verdadeiro arrependimento é parar de pecar.”

 “A Igreja é o navio que navega bem neste mundo, ao sopro do Espírito Santo com as velas da Cruz do Senhor plenamente afastadas”.

 “No início se davam sinais aos não crentes. A nós, porém, na plenitude da Igreja, importa compreender a verdade. Já não por sinais, mas pela fé”.

“Da mesma forma que Eva foi formada do lado de Adão adormecido, assim a Igreja nasceu do coração transpassado de Cristo morto na cruz.” (Luc. 2, 85-89).
 “As coisas que não se vêem são muito maiores do que as que se vêem, ‘porque as que se vêem são temporais, as que não se vêem, porém, eternas’. (2 Cor 4,18) “

“Onde está Pedro, aí está a Igreja, e onde está a Igreja não reina a morte, mas a vida eterna”.

 “Eu que sempre peco,  preciso sempre do remédio ao meu alcance”.

  “O sábio, para falar, antes medita o que dizer, ou a quem dizer, em que lugar e tempo.”

 “As lágrimas não pedem perdão, mas o alcançam.”

“Aquele que luta tem o que esperar. Onde há luta, há coroa” 


segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Papa postará uma mensagem por dia durante a Quaresma



Por 40 dias, começando na quarta-feira de Cinzas, a conta do Twitter @Pope2YouVatican disponibilizará uma mensagem do Papa Bento XVI sobre a Quaresma. Serão um por dia até a sexta-feira santa, data que finaliza este tempo litúrgico, contabilizando ao todo 40 "tweets" do Santo Padre aos fiéis.

A iniciativa partiu do dos Pontifícios Conselhos para as Comunicações Sociais e Cor Unum. Eles explicaram que a ideia do projeto é que não apenas os usuário do Tiwitter recebam diretamente as palavras do Papa em seus computadores, smartphones, e tablets, mas, sobretudo, difundam "entre seus contatos e amigos mensagens com um forte conteúdo existencial".


Ao todo, serão 40 "tweets" do Santo Padre durante o tempo litúrgico

O presidente do Pontifício Conselho para as Comunicações Sociais, Dom Claudio Maria Celli, concedeu uma entrevista recentemente à Rádio Vaticano, na qual deu mais detalhes sobre a iniciativa. "Nosso desejo era fazer que utilizando as novas tecnologias, a Mensagem do papa para a Quaresma pudesse ressoar amplamente, chegar ao coração dos jovens, e frutificar em seus corações", explicou o prelado. Para isso, segundo ele, foram escolhidas "pequenas frases, ou ‘tweets' como sabemos, de 140 caracteres".

Segundo o prelado, o projeto é destinado principalmente a jovens e está intimamente ligado ao site Pope2you.net, que desde 2009 "tem como finalidade principal fazer o Papa conhecido entre os jovens".

Conforme Dom Celli, seu dicastério crê que os jovens têm uma capacidade ressonância muito grande e vê o twitter como uma boa ferramental para fazer difundir a mensagem da Igreja, já que o "tweet" pode ser "reformulado, distribuído, relançado, espalhado". O prelado acredita "que isto reclama a imagem do Evangelho: o pequeno grão de mostarda que espalhado no terreno produz arbustos onde também os pássaros do céu podem descansar".

O presidente do Pontifício Conselho para as Comunicações Sociais afirmou ainda que por meio do Twitter "estas palavras podem chegar ao coração de muitas pessoas, que, normalmente longínquas, talvez nunca leriam um discurso do Papa". "É uma nova forma de estar presentes no mundo da comunicação", asseverou.

Canal no Youtube

Durante sua entrevista à Rádio Vaticano, Dom Celli falou também sobre o canal da Santa Sé no Youtube. O prelado explicou como foi proposto esta ideia para o Papa Bento XVI e como ele a aceitou rapidamente. "É interessante como uma Papa que a primeira vista não parece midiático como o seu predecessor, o Beato João Paulo II, que é mais um Papa reservado, entendeu em seguida que a comunicação hoje em dia através das novas tecnologias pode ter uma grande ressonância", disse.



Fundação católica apresenta sete projetos de desenvolvimento para a África

Na Pontifícia Universidade da Santa Cruz foram apresentados sete projetos que a Fundação Harambee para a África Internacional, nascida dentro do seio da Igreja, impulsionará este ano para promover o desenvolvimento do continente africano.

Harambee tem sua sede em Roma e está espalhada por vários países do mundo como Estados Unidos, Espanha, Itália, Irlanda, Portugal, França, Áustria ou Suíça. Ela busca exercer um trabalho de sensibilização entre os mais favorecidos mediante iniciativas como fórums, exposições e conferências.

Em uma entrevista concedida ao grupo ACI, Rosella Miranda, encarregada de comunicação da fundação, explicou que o projeto nasceu "no ano 2002 durante a canonização de São José María Escrivá de Balaguer para ajudar a África sempre com o objetivo de aprofundar em seu desenvolvimento mediante o reforço da educação".

A fundação Harambee assiste a África mediante uma campanha de recolhimento de recursos, estes posteriormente são investidos em distintos projetos escolhidos em concurso em base ao seu máximo rendimento e alcance.

Para o ano 2012 foram escolhidos sete projetos que serão destinados ao Benin, Quênia, Nigéria, R.D. do Congo, São Tomé, Camarões e Costa do Marfim, e servirão para reforçar a educação nas escolas, a formação profissional de jovens, a criação de escolas de ensino fundamental, e a formação das mulheres.

Desde sua fundação, até o momento, Harambee financiou 39 projetos desempenhados em 17 países distintos da África: Angola, Benin, Burkina Faso, Camarões, Costa do Marfim, Guiné Bissau, Quênia, Madagascar, Moçambique, Nigéria, República Democrática do Congo, Ruanda, São Tomé e Príncipe, Serra Leoa, África do Sul, Sudão e Uganda.

Em declarações ao grupo ACI, o jornalista nigeriano membro da Harambee, Eugene Ohu, explicou a maior contribuição da Harambee para a África é "mostrar a verdadeira realidade do continente. Se eu pedir cinco conceitos que descrevam a África apareceriam: corrupção, caos, guerra, fome, ódio entre religiões…mas eu quero dar a conhecer outros cinco: alegria, laços familiares fortes, solidariedade, companheirismo, e irmandade".

Finalmente ele denunciou o grave problema da corrupção que se vive na África, "os políticos não têm interesse em desaparecer com a pobreza", e por isso "investir em educação é o melhor modo para ajudar a África, e possivelmente o único", concluiu.



Angelus do Papa Bento XVI

Praça de São Pedro - Vaticano
Domingo, 26 de fevereiro de 2012



Queridos irmãos e irmãs!

Neste primeiro domingo de Quaresma, encontramos Jesus que, depois de ter recebido o batismo no Rio Jordão, por meio de João Batista (cfr Mc 1,9), é tentado no deserto (cfr Mc 1,12-13).

A narração de São Marcos é concisa, priva dos detalhes que lemos nos outros dois Evangelhos de Mateus e de Lucas. O deserto do qual fala há diversos significados, pode indicar o estado de abandono e de solidão, o “lugar” da fraqueza do homem onde não há apoios e seguranças, onde a tentação se faz mais forte. Mas isso pode indicar também um lugar de refugio e abrigo, como foi para o povo de Israel escapar da escravidão egípcia, onde se pode experimentar, de modo particular, a presença de Deus. Jesus, no deserto, “esteve quarenta dias, tentado pelo demônio” (Mc 1,13).

São Leão Magno comenta que “o Senhor quis sofrer o ataque do tentador para defender com sua ajuda e ensinar pelo seu exemplo” (Tractatus XXXIX,3 De ieiunio quadragesimae: CCL 138/A, Turnholti 1973, 214-215).

O que pode nos ensinar este episódio? Como lemos no livro Imitação de Cristo, “o homem nunca é totalmente livre da tentação, até o fim da vida... Mas com paciência e verdadeira humildade, se tornará mais forte do que qualquer inimigo” (Liber I, c. XIII Cidade do Vaticano 1982, 37); a paciência e a humildade de seguir todos os dias o Senhor, aprendendo a construir a nossa vida não sem Ele ou como se Ele não existisse, mas Nele e com Ele, porque é a fonte da verdadeira vida.

A tentação de remover Deus, conduzindo as coisas no mundo, contando apenas com suas próprias habilidades, está sempre presente na história do homem.

Jesus proclama que “o tempo se cumpriu e o reino de Deus está próximo” (Mc 1,15), anuncia que Nele acontece algo novo: Deus se fez homem, de modo inesperado, com uma proximidade única e concreta, plena de amor; Deus se encarna e entra no mundo como homem e pega para si o pecado, para vencer o mal e reconduzir o homem ao mundo de deus.

Mas este anúncio é acompanhado por uma exigência: corresponder a esse dom tão grande. Jesus, de fato, acrescenta: “convertei-vos e crede no evangelho” (Mc 1,15); é o convite a ter fé em Deus e a converter todos os dias nossa vida a Sua vontade, orientando, para o bem, cada ação nossa e cada pensamento.

O tempo da Quaresma é um momento propício para renovar e melhorar o equilíbrio do nosso relacionamento com Deus, por meio da oração cotidiana, os gestos de penitência e as obras de caridade fraterna.

Supliquemos com fervor a Maria Santíssima para que acompanhe o nosso caminho quaresmal com sua proteção e nos ajude a imprimir em nosso coração e em nossa vida a Palavra de Jesus Cristo, para convertermos a Ele. Confio, por fim, as vossas orações pela semana de exercícios espirituais que iniciarei nesta noite junto aos meus colaboradores da Cúria Roma.










sábado, 25 de fevereiro de 2012

Mensagem do Papa Bento XVI ao presidente da Conferência dos Bispos do Brasil por ocasião da campanha da fraternidade de 2012




Ao Venerado Irmão
Cardeal Raimundo Damasceno Assis
Arcebispo de Aparecida (SP) e Presidente da CNBB

Fraternas saudações em Cristo Senhor!

De bom grado me associo à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil que lança uma nova Campanha da Fraternidade, sob o lema “que a saúde se difunda sobre a terra” (cf. Eclo 38, 8), com o objetivo de suscitar, a partir de uma reflexão sobre a realidade da saúde no Brasil, um maior espírito fraterno e comunitário na atenção dos enfermos e levar a sociedade a garantir a mais pessoas o direito de ter acesso aos meios necessários para uma vida saudável.

Para os cristãos, de modo particular, o lema bíblico é uma lembrança de que a saúde vai muito além de um simples bem estar corporal. No episódio da cura de um paralítico (cf. Mt 9, 2-8), Jesus, antes de fazer com que esse voltasse a andar, perdoa-lhe os pecados, ensinando que a cura perfeita é o perdão dos pecados, e a saúde por excelência é a da alma, pois ! “que adianta ao homem ganhar o mundo inteiro, mas perder a sua alma?” (Mt 16, 26). Com efeito, as palavras saúde e salvação têm origem no mesmo termo latino salus e não por outra razão, nos Evangelhos, vemos a ação do Salvador da humanidade associada a diversas curas: “Jesus andava por toda a Galiléia, ensinando em suas sinagogas, pregando o Evangelho do Reino e curando todo o tipo de doença e enfermidades do povo” (Mt 4, 23).

Com o seu exemplo diante dos olhos, segundo o verdadeiro espírito quaresmal, possa esta Campanha inspirar no coração dos fiéis e das pessoas de boa vontade uma solidariedade cada vez mais profunda para com os enfermos, tantas vezes sofrendo mais pela solidão e abandono do que pela doença, lembrando que o próprio Jesus quis Se identificar com eles: “pois Eu estava doente e cuidastes de Mim” (Mt 25, 36). Ajudando-lhes ao mesmo tempo a descobrir que se, por um lado, a doença é prova dolorosa, por outro, pode ser, na união com Cristo crucificado e ressuscitado, uma participação no mistério do sofrimento d’Ele para a salvação do mundo. Pois, “oferecendo o nosso sofrimento a Deus por meio de Cristo, nós podemos colaborar na vitória do bem sobre o mal, porque Deus torna fecunda a nossa oferta, o nosso ato de amor” (Bento XVI, Discurso aos enfermos de Turim, 2 de maio de 2010).

Associando-me, pois, a esta iniciativa da CNBB e fazendo minhas as alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias de cada um, saúdo fraternalmente quantos tomam parte, física ou espiritualmente, na Campanha “Fraternidade e Saúde Pública”, invocando ­ pela intercessão de Nossa Senhora Aparecida ­ para todos, mas de modo especial para os doentes, o conforto e a fortaleza de Deus no cumprimento do dever de estado, individual, familiar e social, fonte de saúde e progresso do Brasil tornando-se fértil na santidade, próspero na economia, justo na participação das riquezas, alegre no serviço público, equânime no poder e fraterno no desenvolvimento. E, para confirmar a todos estes bons propósitos, envio uma propiciadora Bênção Apostólica.

Vaticano, 11 de fevereiro de 2012 






Fonte: Vaticano


Evangelho do I Domingo da Quaresma - (Ano B)

São Marcos 1, 12-15





Naquele tempo, o Espírito Santo impeliu Jesus para o deserto. Jesus esteve no deserto quarenta dias e era tentado por Satanás. Vivia com os animais selvagens e os Anjos serviam-n’O. Depois de João ter sido preso, Jesus partiu para a Galileia e começou a pregar o Evangelho, dizendo: Cumpriu-se o tempo e está próximo o reino de Deus. Arrependei-vos e acreditai no Evangelho”.






Chegaram, para nós, os sagrados dias da Quaresma: dias de oração, penitência, esmola, combate aos vícios e leitura espiritual. Esses dias tão intensos nos preparam para as alegrias da Santa Páscoa do Senhor. Estejamos atentos, pois não celebrará bem a Páscoa da Ressurreição quem não combater bem nos dias roxos da Quaresma.
A Palavra que o Senhor nos dirige já neste Primeiro Domingo é uma séria advertência neste sentido. A leitura do Gênesis nos mostrou como Deus é cheio de boas intenções e bons sentimentos em relação a nós: depois de haver lavado todo pecado da terra pelo dilúvio, misericordiosamente, o Senhor nosso Deus fez aliança com toda a humanidade e com todas as criaturas: “Eis que vou estabelecer minha aliança convosco e com todos os seres vivos! Nunca mais criatura alguma será exterminada pelas águas do dilúvio.” E, de modo poético, comovente, o Senhor colocou no céu o seu arco, o arco-íris, como sinal de paz, de ponte que liga a criatura ao Criador: “Ponho meu arco nas nuvens, como sinal de aliança entre mim e a terra!” Com esta imagem tão sugestiva, a Escritura Sagrada nos diz que os pensamentos do Senhor em relação a nós são de paz e salvação. Podemos rezar como o Salmista: “Mostrai-me, ó Senhor, vossos caminhos; sois o Deus da minha salvação! Recordai, Senhor, meu Deus, vossa ternura e a vossa salvação, que são eternas! O Senhor é piedade e retidão, e reconduz ao bom caminho os pecadores!”
Ora, caríssimos, se já a aliança após o dilúvio revelava a benignidade do coração de Deus, é em Cristo que tal bondade, tal misericórdia, tal compaixão se nos revelam totalmente: “Cristo morreu, uma vez por todas, por causa dos pecados, o justo pelos injustos, a fim de nos conduzir a Deus!” Não é este Mistério tão grande que vamos celebrar na Santa Páscoa? Nosso Senhor, morto na sua natureza humana, isto é, morto na carne, foi justificado, ressuscitado pelo Pai no Espírito Santo para nos dar a salvação definitiva, selando conosco a aliança eterna, da qual aquela de Noé era apenas uma prefiguração. Deus nos salvou em Cristo, dando-nos o seu Espírito Santo, recebido por nós nas águas do Batismo, que purificam mais que aquelas outras, do dilúvio! Nunca esqueçamos: fomos lavados, purificados, gerados de novo, no santo Batismo. Somos membros do povo da aliança nova e eterna, somos uma humanidade nova, nascida “não da vontade do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus” (Jo 1,12). Somos o povo santo de Deus, povo resgatado pelo sangue de Cristo, povo que vive no Espírito Santo que o Ressuscitado derramou sobre nós. Uma grande miséria dos cristãos destes tempos nossos é terem perdido a consciência que somos um povo sagrado, vivendo entre os outros povos do mundo. Brasileiros, argentinos, mexicanos, estadunidenses, europeus, asiáticos, africanos… não importa: aqueles que creem em Cristo e nele foram batizados, são a sua Igreja, são o povo santo de Deus, congregado no Corpo do Senhor Jesus, para formar um só templo santo no Espírito de Cristo! Somos um povo que vive entre os pagãos, um povo que vive espalhado por toda a terra, Igreja dispersa pelo mundo inteiro, que deve viver no mundo sem ser do mundo! A miséria nossa é querermos ser como todo mundo, viver como todo mundo, pensar e agir como todo mundo. Isso é trair a nossa vocação de povo sagrado, povo sacerdotal, povo que deve, com a vida e a boca cantar as maravilhas daquele que nos chamou das trevas para a sua luz admirável! (cf. 2Pd 2,9) Convertamo-nos! Sejamos dignos da nossa vocação!
Eis o tempo da Quaresma! Somos convidados nestes dias a retomar a consciência de ser este povo santo. E como fazê-lo? Como Jesus, o Santo de Deus, que passou quarenta dias no deserto em combate espiritual, sendo tentado por Satanás. A Quaresma é um tempo de deserto, de provação, de combate espiritual contra Satanás, o Pai da mentira, o enganador da humanidade. Sem combate não há vitória e não há vida cristã de verdade! A Igreja, dá-nos as armas para o combate: a oração, a penitência e a esmola. A Igreja nos pede neste tempo, que combatamos nossos vícios com mais atenção e empenho; a Igreja nos recomenda a leitura da Sagrada Escritura e de livros edificantes, que unjam o nosso coração. Deixemos a preguiça, cuidemos do combate espiritual! Que cada um programe o que fazer a mais de oração. Há tantas possibilidades: rezar um salmo todos os dias, rezar todo o saltério ao longo da Quaresma, rezar a via-sacra às quartas e sextas-feiras. Quanto à penitência, não enganemos o Senhor! Que cada um tire generosamente algo da comida durante todos os dias da Quaresma (exceto aos domingos); que se abstenha da carne às sextas-feiras, como sempre pediu a tradição ascética da Igreja, que tire também algo das conversas inúteis, dos pensamentos levianos, dos programas de TV tão nocivos à saúde da alma! E a esmola, isto é, a caridade fraterna? Há tanto que se pode fazer: acolher melhor quem bate à nossa porta, aproximar-nos de quem necessita de nossa ajuda, reconciliarmo-nos com aqueles de quem nos afastamos, visitar os doentes e presos… No Brasil, a Igreja procura também dá um tema e uma direção comunitária à caridade fraterna, com a Campanha da Fraternidade. Assim, os Bispos pedem que, neste ano, nossa caridade comunitária esteja atenta ao problema da segurança pública e sua causas. Que nós estejamos mais atentos aos problemas ligados à segurança, recordando sempre que a paz verdadeira e duradoura é fruto da justiça: justiça como obediência ao Senhor Deus e justiça como reto comportamento em relação ao próximo, que significa respeito pela dignidade do outro, espírito de partilha e de solidariedade que socorre nas necessidades. Quanto ao combate dos vícios, que cada um veja um vício dominante e cuida de combatê-lo com afinco nesses dias! Escolha também uma leitura espiritual para o tempo quaresmal, leitura que alimente a mente e o coração. Esta leitura, mais que um estudo, deve ser uma oração, um refrigério para o coração, uma leitura edificante, que nos faça tomar mais gosto pelas coisas de Deus… Vamos! Deixemos a preguiça, combatamos o combate da nossa salvação! Finalmente, que ninguém esqueça a confissão sacramental, para celebrar dignamente a Páscoa sagrada. Se alguém não puder se confessar por se encontrar em situação irregular perante Cristo e a Igreja, que não se sinta excluído! Procure o sacerdote para uma direção espiritual, uma revisão de vida e peça uma bênção, que, certamente, não lhe será negada. Não é a confissão, não permite o acesso à comunhão sacramental, mas é também um modo medicinal de aliviar o coração e ajudar no caminho do Senhor!
O importante, caríssimos, em Cristo, é que ninguém fique indiferente a mais essa oportunidade que a misericórdia do Senhor nos concede! Notem que somente depois do combate no deserto é que Jesus nosso Senhor saiu para anunciar a Boa Nova do Reino. Também cada um de nós e a Igreja como um todo, somente poderá testemunhar o Reino que Cristo nos trouxe se tiver a coragem de enfrentar o deserto interior e combater o combate da fé! Não recebamos em vão a graça de Deus! Que ele, na sua imensa misericórdia, nos conceda uma santa Quaresma! Amém.
 Por D. Henrique Soares



sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Arquidiocese de Natal prepara posse do novo Arcebispo


A Arquidiocese de Natal empossa, neste dia 26 de fevereiro de 2012, o sexto Arcebispo: Dom Jaime Vieira Rocha. A celebração acontece às 9 horas, na Catedral Metropolitana, contando com a participação de bispos, padres, diáconos, religiosos e centenas de fiéis.

Quem é o sexto Arcebispo de Natal?

Dom Jaime Vieira Rocha, filho de José Patrício de Melo e Maria Nini Rocha, nasceu aos 30 de março de 1947, na cidade de Tangará-RN. 

Cursou Filosofia e Teologia na Faculdade de Teologia Nossa Senhora da Assunção, em São Paulo-SP; Ciências So-ciais, na Universidade Federal do Rio Grande do Norte – UFRN; IBRADES, no Rio de Janeiro-RJ; e Atualização para Formadores de Seminários, em Roma, Itália. Ordenou-se Padre em 01 de fevereiro de 1975, em Natal-RN; e nomeado Bispo da Diocese de Caicó-RN, no dia 29 de novembro de 1995; Ordenação episcopal, no dia 06 de janeiro de 1996, na Basílica de São Pedro, em Roma, pelo então Papa João Paulo II. Lema episcopal: “Scio cui credidi” (Sei em quem acreditei).

Antes do Episcopado, foi pároco da Paróquia de São João Batista, de Pendências-RN; membro da Comissão Regional de CEBs; coordenador diocesano de CEBs, em Natal; Reitor do Seminário de São Pedro, em Natal; vigário episcopal para as pastorais sociais; coordenador diocesano de Vocações e Ministérios e diretor Espiritual do ECC.

Foi Bispo de Caicó, de 1996 a 2005; e Bispo de Campina Grande (PB), de 2005 a 2011; nomeado pelo Papa Bento XVI para Arcebispo de Natal, em 21 de dezembro de 2011; de 2007 a 2008, acumulou o cargo de Administrador Apostólico de Guarabira (PB); foi Bispo Referencial da Comissão Episcopal Regional para a Vida e a Família; Vice-Presidente do Regional Nordeste 2; e atualmente é o Bispo Referencial da Comissão Episcopal para os Ministérios Ordenados e a Vida Consagrada; e, em nível nacional, é membro da Comissão Episcopal para a Amazônia.

Rito de Posse

Neste domingo, às 8h30, Dom Jaime chegará à Catedral Metropolitana de Natal e será recepcionado pelo pároco, Padre Aerton Sales. Logo após, haverá o hasteamento das bandeiras e execução do Hino Nacional. Em seguida, a prefeita do Natal, Micarla de Sousa entregará ao Arcebispo as chaves da cidade. No mesmo local, Dom Jaime será saudado pela Governadora do Estado, Rosalba Ciarlini.

Depois, Dom Jaime será conduzido até a Capela do Santíssimo Sacramento, no interior da Catedral. Após momento de oração, ele se paramentará para o início da celebração da missa.
No Rito Inicial da celebração, o chanceler, Padre Júlio César Cavalcante, apresentará ao Colégio de Consultores e aos fiéis as Letras Apostólicas (bula do Papa nomeando Dom Jaime como Arcebispo de Natal). O até então Administrador Apostólico, Dom Matias Patrício de Macêdo, passará o báculo para Dom Jaime. “Este momento significa justamente a passagem do governo pastoral. Será o momento em que Dom Matias passará o governo pastoral da Arquidiocese de Natal para Dom Jaime”, explica Padre Júlio. Após, o novo Arcebispo será saudado pelo Padre Edilson Soares Nobre. Em seguida, todo o clero da Arquidiocese se aproximará de Dom Jaime para lhe manifestar obediência e respeito. Depois, a missa segue o rito normal. No final, haverá a leitura da ata da posse.



Foto da Semana

No último domingo o Papa Bento XVI criou 22 novos cardeais para a Igreja Católica, entre eles o brasileiro  Dom João Braz de Aviz




quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Orações de Todos os Tempos


Salve Rainha

Salve, Rainha, Mãe de Misericórdia!

Vida, doçura e esperança nossa, salve!

A vós bradamos, os degredados, os filhos de Eva.

A vós suspiramos, gemendo e chorando neste vale de lágrimas.

Eia, pois, advogada nossa,

esses vossos olhos misericordiosos a nós volvei!
E depois deste desterro, mostrai-nos Jesus,
bendito fruto do vosso ventre,
ó clemente, ó piedosa, ó doce sempre virgem Maria.

V. Rogai por nós, Santa Mãe de Deus

R. Para que sejamos dignos das promessas de Cristo
Amém.



Catequese do Papa Bento XVI

Sala Paulo VI
Quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012



Queridos irmãos e irmãs

Nesta catequese gostaria de deter-me brevemente sobre o tempo da Quaresma, que inicia-se hoje com a liturgia da quarta-feira de cinzas. Se trata de um itinerário de quarenta dias que nos conduzirá ao Tríduo Pascal, memória da paixão, morte e ressurreição do Senhor, o coração do mistério da nossa salvação. Nos primeiros séculos de vida da Igreja, este era o tempo no qual aqueles que tinha escutado e acolhido o anúncio de Cristo, iniciavam passo a passo, o caminho de fé e de conversão para chegar ao Sacramento do Batismo. Se tratava de uma aproximação ao Deus vivo e de uma iniciação à fé que deveria cumprir-se gradualmente, mediante uma mudança interior por parte dos catecúmenos, isto é, daqueles que desejavam tornarem-se cristãos e serem incorporados ao Cristo e à Igreja.

Sucessivamente, também os penitentes e depois todos os fieis foram convidados a viver este itinerário de renovação espiritual, para conformar sempre mais a própria existência àquela de Cristo. A participação de toda a comunidade nas diversas passagens do percurso quaresmal sublinha uma dimensão importante da espiritualidade cristã: é a redenção não de alguns, mas de todos graças à morte e ressurreição de Cristo. Portanto, caso fossem aqueles que percorriam um caminho de fé como catecúmenos para receber o Batismo, ou aqueles que estavam distantes de Deus e da comunidade de fé e procuravam a reconciliação, ou mesmo aqueles que viviam a fé em plena comunhão com a Igreja, todos juntos sabiam que o tempo que precede a Páscoa, é um tempo de Metanóia, isto é de mudança interior, do arrependimento, o tempo que identifica a nossa vida humana e toda a nossa história como um processo de conversão e coloca em movimento agora para encontrar o Senhor nos fins dos tempos.

Com uma expressão que se tornou típica na Liturgia, a Igreja denomina o período no qual entramos hoje “Quadragésima”, isto é tempo de quarenta dias e com uma clara referência à Sagrada Escritura, nos introduz assim em um precioso contexto espiritual. Quarenta é de fato, o numero simbólico com o qual o Antigo e o Novo Testamento representam os momentos fortes da experiência de fé do Povo de Israel. È um numero que exprime o tempo de espera, da purificação, do retorno ao Senhor, da consciência que Deus é fiel às suas promessas. Este numero não representa um tempo cronológico exato, uma soma de dias. Indica mais que isso, uma paciente perseverança, uma longa prova, um período suficiente para ver as obras de Deus, um tempo no qual é necessário decidir-se e a assumir as próprias responsabilidades. È um tempo de decisões maduras.

O número quarenta aparece antes de tudo na história de Noé. Este homem justo, que por causa do dilúvio transcorre quarenta dias e quarenta noites na arca, junto à sua família e aos animais que Deus havia dito de leva-los consigo. E espera outros quarenta dias, depois do dilúvio, antes de tocar na terra firme, que foi salva da destruição (Gen 7,4.12;8,6). Depois, a próxima etapa: Moisés fica sobre o Monte Sinai, diante da presença do Senhor, quarenta dias e quarenta noites, para acolher a Lei. Em todo este tempo jejua (Ex 24,18). Quarenta são os anos de viagem do povo hebreu do Egito à Terra prometida, tempo de experimentar a fidelidade de Deus. “Recorda-te de todo o caminho que o Senhor, teu Deus, te fez percorrer nestes quarenta anos. O teu manto não se rasgou pelo seu uso nem os pés se incharam nestes quarenta anos” (Dt 8,2.4). Os anos de paz que Israel experimenta em Juízes são quarenta (Jz 3,11.30), mas transcorrido este tempo, inicia o esquecimento dos dons de Deus e o retorno ao pecado. O profeta Elias leva quarenta dias para atingir o Oreb, o monte onde encontra Deus (I Re 19,8). Quarenta são os dias durante os quais os cidadãos de Nínive fazem penitência para obterem o perdão de Deus. Quarenta também são os anos dos reinos de Saul, de Davi e de Salomão, os três primeiros reis de Israel. Também os Salmos refletem sobre o significado bíblico dos quarenta dias, como por exemplo o Salmo 95, do qual ouvimos o trecho: “Se escutásseis hoje a sua voz! “Nao endureceis o coração como em Meriba, como no dia de Massa no deserto, onde me tentaram os vossos pais: me colocaram à prova, mesmo tendo visto as minhas obras. Por quarenta anos me desgostou aquela geração e eu disse: são um povo de coração transviado, não conhecem as minhas vias” (v 7c-10).

No Novo Testamento, Jesus, antes de iniciar a vida pública, se retira no deserto por quarenta dias, sem comer, nem beber (Mt 4,2), se nutre da Palavra de Deus, que usa como arma para vencer o diabo. As tentações de Jesus fazem referência àquelas que o povo hebraico enfrentou no deserto, mas que não souberam vencer. Quarenta são os dias durante os quais Jesus Ressuscitado instruiu os seus, antes de ascender ao Céu e enviar o Espírito Santo (At 1,3).

Com este recorrente numero de quarenta é descrito um contexto espiritual que permanece atual e valido, e a Igreja, exatamente mediante os dias do período quaresmal, mantém o perdurante valor e os tornam a nós presente a eficácia. A liturgia cristã da Quaresma tem o objetivo de favorecer um caminho de renovação espiritual, à luz desta longa experiência bíblica e sobretudo para aprender a imitar Jesus, que nos quarenta dias transcorridos no deserto ensinou a vencer a tentação com a Palavra de Deus. Os quarenta dias da peregrinação de Israel no deserto apresentam atitudes e situações ambivalentes. De uma parte essas são a estação do primeiro amor com Deus e entre Deus e seu povo, quando Ele falava ao coração, indicando-lhes continuamente a estrada a ser percorrida. Deus havia tomado, por assim dizer, morada em meio a Israel, o precedia dentre de uma nuvem ou uma coluna de fogo, providenciava todos os dias o necessário fazendo descer o maná e fazendo brota a água da rocha. Portanto, os anos transcorridos por Israel no deserto se podem ver como o tempo da especial eleição de Deus e da adesão a Ele da parte do povo: tempo do primeiro amor. Por outro lado, a Bíblia mostra também uma outra imagem da peregrinação de Israel no deserto: é também o tempo das tentações e dos perigos maiores, quando Israel murmura contra o seu Deus e quer voltar ao paganismo e constroem os próprios ídolos, diante da exigência de venerar um Deus mais próximo e tangível. E também um tempo da rebelião contra Deus grande e invisível.

Esta ambivalência, tempo de especial proximidade a Deus – tempo do primeiro amor - , e tempo da tentação – tentação do retorno ao paganismo - , a encontramos em modo surpreendente no caminho terreno de Jesus, naturalmente sem nenhum comprometimento com o pecado. Depois do batismo de penitência do Jordão, no qual assume sobre si o destino do Servo de Deus que renuncia a si mesmo e vive pelos outros e se coloca entre os pecadores para tomar sobre si o pecado do mundo, Jesus se refugia no deserto para estar quarenta dias em profunda união com o Pai, repetindo assim a história de Israel, todos aquelas sequências de quarenta dias ou anos os quais citei. Esta dinâmica é uma constante na vida terrena de Jesus, que procura sempre um momento de solidão para orar ao seu Pai e permanecer em intima comunhão, em intima solidão com Ele, em exclusiva comunhão com Ele, para depois retornar para o meio das pessoas. Mas neste tempo de “deserto” e de encontro especial com o Pai, Jesus se encontra exposto ao perigo e é invadido pela tentação e pela sedução do Maligno, o qual o propõe uma outra via messiânica, longe do projeto de Deus, porque passa através do poder, do sucesso, do dinheiro, do domínio e não através do dom total na cruz. Esta é a alternativa: um messianismo de poder, de sucesso ou um messianismo de amor, de dom de si.

Esta situação de ambivalência descreve também a condição da Igreja no caminho no “deserto’ do mundo e da história”. Neste deserto, nós cristãos temos certamente a oportunidade de fazer uma profunda experiência com Deus que faz forte o espírito, confirma a fé, nutre a esperança, anima a caridade; uma experiência que nos faz participantes da vitoria de Cristo sobre o pecado e sobre a morte mediante o sacrifício de amor na cruz. Mas o “deserto" É também o aspecto negativo da realidade que nos circunda: a aridez, a pobreza das palavras de vida e de valores, o secularismo e a cultura materialista, que fecham a pessoa no horizonte mundano do existir diminuindo toda referência à transcendência. É este também o ambiente no qual o céu que está sobre nós é obscuro, porque está coberto pelas nuvens do egoísmo, da incompreensão e do engano. Apesar disso, também para a Igreja de hoje, o tempo do deserto pode transformar-se em tempo de graça, já que temos a certeza que também da rocha mais dura, Deus pode fazer brotar água vida que mata a sede e restaura.

Queridos irmãos e irmãs, nestes quarenta dias que nos conduzirão à Páscoa podemos encontrar nova coragem para aceitar com paciência e com fé todas as situações de dificuldade, de aflições e de prova, na consciência que das trevas o Senhor faz surgir um dia novo. E se tivermos sido fiéis a Jesus seguindo-o na vida da Cruz, o claro mundo de Deus, o mundo da luz, da verdade e da alegria nos será restabelecido: será a aurora nova criada pelo próprio Deus. Bom caminho quaresmal a todos.









Contato com o Catecismo

Sobre os Anjos


A EXISTÊNCIA DOS ANJOS UMA VERDADE DE FÉ

 328. A existência dos seres espirituais, não corporais, a que a Sagrada Escritura habitualmente chama anjos, é uma verdade de fé. O testemunho da Escritura é tão claro como a unanimidade da Tradição.

 QUEM SÃO OS ANJOS?

 329. Santo Agostinho diz a respeito deles: “Angelus [...] officii nomen est, non naturae. Quaeris nomen naturae, spiritus est; quaeris officium, angelus est: ex eo quod est, spiritus est: ex eo quod agit, angelus –Anjo é nome de ofício, não de natureza. Desejas saber o nome da natureza? Espírito. Desejas saber o do ofício? Anjo. Pelo que é, é espírito: pelo que faz, é anjo (anjo = mensageiro)”. Com todo o seu ser, os anjos são  servos e mensageiros de Deus. Pelo fato de contemplarem “continuamente o rosto do meu Pai que está nos céus” (Mt 18, 10), eles são “os poderosos executores das suas ordens, sempre atentos à sua palavra” (Sl 103, 20).

 330. Enquanto criaturas puramente espirituais, são dotados de inteligência e vontade: são criaturas pessoais e imortais . Excedem em perfeição todas as criaturas visíveis. O esplendor da sua glória assim o atesta.

CRISTO "COM TODOS OS SEUS ANJOS"

331. Cristo é o centro do mundo dos anjos (angélico). Estes pertencem-Lhe: “Quando o Filho do Homem vier na sua glória, acompanhado por todos os [seus] anjos...”  (Mt 25, 31). Pertencem-Lhe, porque criados por e para Ele: “em vista d'Ele é que foram criados todos os seres, que há nos céus e na terra, os seres visíveis e os invisíveis, os anjos que são os tronos, senhorias, principados e dominações. Tudo foi criado por seu intermédio e para Ele” (Cl 1, 16), E são d'Ele mais ainda porque Ele os fez mensageiros do seu plano salvador: “Não são eles todos espíritos ao serviço de Deus, enviados a fim de exercerem um ministério a favor daqueles que hão-de herdar a salvação?”  (Heb  1,  14).

332. Ei-los, desde a criação e ao longo de toda a história da salvação, anunciando de longe ou de perto esta mesma salvação, e postos ao serviço do plano divino da sua realização: eles fecham o paraíso terrestre; protegem Lot, salvam Agar e seu filho, detêm a mão de Abraão pelo seu ministério é comunicada a Lei, são eles que conduzem o povo de Deus, anunciam nascimentos e vocações assistem os profetas – para não citar senão alguns exemplos. Finalmente, é o anjo Gabriel que anuncia o nascimento do Precursor e o do próprio Jesus.

333. Da Encarnação à Ascensão, a vida do Verbo Encarnado é rodeada da adoração e serviço dos anjos. Quando Deus “introduziu no mundo o seu Primogênito, disse: Adorem-n'O todos os anjos de Deus” (Heb  1, 6). O seu cântico de louvor, na altura do nascimento de Cristo, nunca deixou de se ouvir no louvor da Igreja: “Glória a Deus [...]”  (Lc  2,  14). Eles protegem a infância de Jesus, servem-n'O no deserto e confortam-n'O na agonia no momento em que por eles poderia ter sido salvo das mãos dos inimigos como outrora Israel. São ainda os anjos que “evangelizam”, anunciando a Boa-Nova da Encarnação e da Ressurreição de Cristo. E estarão presentes a quando da segunda vinda de Cristo, que anunciam, ao serviço do seu juízo.

 OS ANJOS NA VIDA DA IGREJA

334. Daqui resulta que toda a vida da Igreja beneficia da ajuda misteriosa e poderosa dos anjos.

335. Na sua liturgia, a Igreja associa-se aos anjos para adorar a Deus três vezes santo; invoca a sua assistência (como na oração "In paradisum deducant te angeli – conduzam-te os anjos ao paraíso" da Liturgia dos Defuntos, ou ainda no “Hino querubínico” da Liturgia bizantina), e festeja de modo mais particular a memória de certos anjos (São Miguel, São Gabriel, São Rafael e os Anjos da Guarda).

336. Desde o seu começo até à morte, a vida humana é acompanhada pela sua assistência e intercessão. “Cada fiel tem a seu lado um anjo como protetor e pastor para o guiar na vida”. Desde este mundo, a vida cristã participa, pela fé, na sociedade bem-aventurada dos anjos e dos homens, unidos em Deus.



Mensagem do Papa Bento XVI para a quaresma de 2012


Para ver a mensagem clique no Brasão.









Palavra Católica - Beato João Paulo II


Se quisermos redescobrir em toda a sua riqueza a relação íntima entre a Igreja e a Eucaristia, não podemos esquecer Maria, Mãe e modelo da Igreja. Na carta apostólica Rosarium Virginis Mariæ, depois de indicar a Virgem Santíssima como Mestra na contemplação do rosto de Cristo, inseri também entre os mistérios da luz a instituição da Eucaristia. Com efeito, Maria pode guiar-nos para o Santíssimo Sacramento porque tem uma profunda ligação com ele.

À primeira vista, o Evangelho nada diz a tal respeito. A narração da instituição, na noite de Quinta-feira Santa, não fala de Maria. Mas sabe-se que Ela estava presente no meio dos Apóstolos, quando, “unidos pelo mesmo sentimento, se entregavam assiduamente à oração” (At 1, 14), na primeira comunidade que se reuniu depois da Ascensão à espera do Pentecostes. E não podia certamente deixar de estar presente, nas celebrações eucarísticas, no meio dos fiéis da primeira geração cristã, que eram assíduos à “fração do pão” (At 2, 42).

Para além da sua participação no banquete eucarístico, pode-se delinear a relação de Maria com a Eucaristia indiretamente a partir da sua atitude interior. Maria é mulher “eucarística” na totalidade da sua vida. A Igreja, vendo em Maria o seu modelo, é chamada a imitá-La também na sua relação com este mistério santíssimo.

 Mysterium fidei! Se a Eucaristia é um mistério de fé que excede tanto a nossa inteligência que nos obriga ao mais puro abandono à palavra de Deus, ninguém melhor do que Maria pode servir-nos de apoio e guia nesta atitude de abandono. Todas as vezes que repetimos o gesto de Cristo na Última Ceia dando cumprimento ao seu mandato: “Fazei isto em memória de Mim”, ao mesmo tempo acolhemos o convite que Maria nos faz para obedecermos a seu Filho sem hesitação: “Fazei o que Ele vos disser” (Jo 2, 5). Com a solicitude materna manifestada nas bodas de Caná, Ela parece dizer-nos: “Não hesiteis, confiai na palavra do meu Filho. Se Ele pôde mudar a água em vinho, também é capaz de fazer do pão e do vinho o seu corpo e sangue, entregando aos crentes, neste mistério, o memorial vivo da sua Páscoa e tornando-se assim ‘pão de vida’”.


Angelus do Papa Bento XVI

Praça de São Pedro - Vaticano
19/02/2012 




Queridos irmãos e irmãs!

Este domingo é particularmente festivo aqui no Vaticano, por causa do Consistório, que aconteceu ontem, no qual criei 22 novos cardeais. Com eles, tive a alegria, esta manhã, de concelebrar a Eucaristia na Basílica de São Pedro, ao redor da Tumba do Apóstolo que Jesus chamou para ser a "pedra" sobre a qual construir a sua Igreja (Mt 16,18). Por isso, convido todos vocês a unirem também a vossa oração por esses veneráveis irmãos, que agora estão ainda mais empenhados em colaborar comigo na direção da Igreja Universal e a dar testemunho ao Evangelho até o fim da própria vida. Isto significa a cor vermelha das vestes deles: a cor do sangue e do amor. Alguns deles trabalharão em Roma, a serviço da Santa Sé; outros são pastores importantes nas Igrejas diocesanas; outros são distintos pela longa e importante atividade de estudo e ensino. Agora fazem parte do Colégio que mais diretamente auxilia o Papa no seu ministério de comunhão e de evangelização: os acolhemos com alegria, recordando aquilo que disse Jesus aos doze apóstolos: "Quem quer ser o primeiro entre vós, será servidor de todos. Também o Filho do Homem de fato, não veio para ser servido, mas para servir e dar a própria vida para o resgate de muitos" (Mc 10,44-45).

Este evento eclesial se coloca-se na festa da Cátedra de São Pedro, antecipada para hoje, porque no dia 22 de fevereiro, data da festa, será a quarta-feira de cinzas, início da Quaresma. A cátedra é a poltrona reservada ao bispo, da qual é derivado o nome catedral, a igreja na qual o bispo preside a liturgia e ensina o povo. A Cátedra de São Pedro, representada no fundo da Basílica Vaticana por uma monumental escultura de Bernini, é símbolo da especial missão de Pedro e dos seus Sucessores de pastorear o rebanho de Cristo conduzindo-o unido na fé e na caridade. Desde o inicio do segundo século, Santo Inácio de Antioquia atribuía à Igreja de Roma um singular primado, saudando-a, na sua carta aos romanos, como aquela que "preside a caridade". Tal especial papel de serviço atribuido à Igreja Romana e ao seu bispo provém do fato que nesta cidade foi derramado o sangue dos Apóstolos Pedro e Paulo, além de numerosos mártires. Retornemos, assim, ao testemunho do sangue e da caridade. A Cátedra de Pedro, portanto, é sinal de autoridade, mas daquela de Cristo, baseada sobre a fé e sobre o amor.

Caros amigos, confiemos os novos cardeais à materna proteção de Maria Santíssima, para que os assista sempre no seu serviço eclesial e os sustente nas provas. Maria, Mãe da Igreja, ajude a mim e aos meus colaboradores a trabalhar incansavelmente pela unidade do Povo de Deus e para anunciar a todas as gentes a mensagem de salvação, cumprindo humildemente e corajosamente o serviço da verdade na caridade.









sábado, 18 de fevereiro de 2012

Evangelho do VII Domingo do Tempo Comum – (Ano B)


Marcos 2, 1-12

Quando Jesus entrou de novo em Cafarnaum e se soube que Ele estava em casa, juntaram-se tantas pessoas que já não cabiam sequer em frente da porta; e Jesus começou a pregar-lhes a palavra. Trouxeram-Lhe um paralítico, transportado por quatro homens; e, como não podiam levá-lo até junto d’Ele, devido à multidão, descobriram o teto por cima do lugar onde Ele Se encontrava e, feita assim uma abertura, desceram a enxerga em que jazia o paralítico. Ao ver a fé daquela gente, Jesus disse ao paralítico: “Filho, os teus pecados estão perdoados”. Estavam ali sentados alguns escribas, que assim discorriam em seus corações: “Porque fala Ele deste modo? Está a blasfemar. Não é só Deus que pode perdoar os pecados?” Jesus, percebendo o que eles estavam a pensar, perguntou-lhes: “Porque pensais assim nos vossos corações? Que é mais fácil? Dizer ao paralítico ‘Os teus pecados estão perdoados’ ou dizer ‘Levanta-te, toma a tua enxerga e anda’? Pois bem. Para saberdes que o Filho do homem tem na terra o poder de perdoar os pecados, ‘Eu to ordeno disse Ele ao paralítico levanta-te, toma a tua enxerga e vai para casa’”. O homem levantou-se, tomou a enxerga e saiu diante de toda a gente, de modo que todos ficaram maravilhados e glorificavam a Deus, dizendo: “Nunca vimos coisa assim”.


Quatro idéias dominam hoje a Liturgia da Palavra.

A primeira: a humanidade é pecadora. Claramente e de modo comovente, o Senhor se queixa do seu povo na primeira leitura: “Tu, Jacó, não me invocaste, e tu, Israel, de mim te fatigaste. Com teus pecados, trataste-me como servo, cansando-me com tuas maldades”. Não é esta, caríssimos em Cristo, a nossa situação? Quantas vezes não invocamos o Senhor, isto é, não nos abrimos para ele, vivemos e decidimos como se ele não existisse… Isto, porque somos auto-suficientes, porque, na prática, nos julgamos donos da nossa vida e senhores do nosso próprio destino. “De mim te cansaste” – queixa-se Deus. Será irreal, tal queixa? Será sem razão, tal reclamação? O mundo de hoje aborreceu-se de Deus, cansou-se dele. Pronto! Simplesmente virou-lhe as costas… E nós, na nossa existência, quantas vezes já não fizemos isto?
Caríssimos, se a Palavra tem insistido em nos mostrar nossos pecados, nossas lepras, nossas infidelidades, não é para nos deprimir ou humilhar inutilmente. É para que tomemos consciência de nossa situação de infidelidade e, arrependidos, voltemo-nos para o Senhor, que é bom, que enche nosso coração, que salva a nossa vida da falta de sentido e da morte eterna. Vivemos tanto mergulhados numa humanidade orgulhosa de si mesma, consigo mesma satisfeita, que corremos o grave risco de nem mais perceber que somos pecadores e infiéis. Tudo vai parecendo normal, lícito, aceitável, tudo tem uma desculpa psicológica, tudo vai sendo colocado na conta do inconsciente e no direito de ser feliz e não se reprimir… Esse discurso, essa conversa não serve para um cristão! Olhemo-nos à luz da Palavra de Deus, avaliemos nossa vida com os olhos e o coração fixos na cruz, que nos revela até onde Deus nos ama e nos leva a sério e, então, veremos que não amamos a Deus o bastante, que não lhe demos tudo, como ele tudo nos deu em Jesus; veremos que somos egoístas, incoerentes, presos pelas paixões, lentos para crer, tardos para nos abandonar nas mãos do Senhor. Então, diremos: Senhor, sou pecador! Piedade de mim!

E aqui nos deparamos com a segunda idéia deste Domingo: Deus é carinho, é misericórdia, é vontade e desejo de nos perdoar. Basta que nos reconheçamos pecadores, basta que lhe estendamos as mãos e ele está disposto a apagar os pecados que mancham nosso passado. Ouvi que palavras comoventes, que declaração de amor o Senhor nos faz: “Não relembreis coisas passadas, não olheis para fatos antigos. Eis que eu farei coisas novas! Sou eu, eu mesmo, que cancelo tuas culpas por minha causa e já não me lembrarei de teus pecados!”. Eis como o Senhor age conosco: desde que nos reconheçamos pecadores e lhe imploremos o perdão, ele nos perdoa! Se formos cínicos, se dissermos: “Não tenho pecado”, ficaremos sem o perdão; mas, se, humildemente, reconhecermos o que somos, pecadores, o Senhor inclina-se para nós com o bálsamo do seu perdão. Notai bem: Deus não desculpa o nosso pecado; ele o perdoa! Tem diferença? Muita! Qual? Ei-la: desculpar seria fazer de conta que não pecamos, seria passar a mão na nossa cabeça. Primeiro, seria uma falta de verdade, um mascaramento da nossa realidade. Depois, seria nos desvalorizar, não acreditar que somos capazes de nos superar, de caminhar para o melhor, de crescer sempre mais em direção a uma plenitude, a uma maior humanização. Quanto ao perdão, é diferente da desculpa, é de Deus: perdoar é dizer: Você errou, mas eu continuo acreditando em você; dou-lhe a oportunidade de melhorar, de crescer de ser mais maduro, ser mais livre em relação às suas incoerências; eu perdôo porque espero muito de você e sei que você poderá crescer! Eis aqui, caríssimos, o modo de agir de Deus: ele perdoa, ele é perdão. É assim também que ele espera que façamos com os outros. De modo particular, assim os pais deveriam fazer com seus filhos…

Agora, sim, podemos entrar na terceira idéia deste hoje. É em Cristo – e somente em Cristo – que podermos ver toda gravidade do nosso pecado e toda força do perdão de Deus. Na segunda leitura, São Paulo nos disse que “o Filho de Deus, Jesus Cristo, nunca foi ‘sim-e-não’, mas somente ‘sim’. Com efeito, é nele que todas as promessas de Deus têm o seu ‘sim’ garantido”. Caríssimos, que idéia tão profunda! Tudo quanto Deus preparou e prometeu no Antigo Testamento encontra sua realização plena em Cristo morto e ressuscitado! Contemplemos Jesus, cravemos os olhos na sua cruz! Aí veremos o quanto somos pecadores, aí compreendemos o quanto nosso pecado é grave, o quanto nossa infidelidade fere o coração de Deus! O homem nunca descobrirá a gravidade do pecado se não olhar para a cruz, fruto do pecado meu e do mundo! Mas, também na cruz, todas as promessas de amor de Deus encontram seu “sim”, sua verdade, sua confirmação! A cruz nos mostra a dimensão da gravidade do pecado, mas nos revela simultaneamente, a profundidade e magnitude da misericórdia de Deus. Na cruz, Deus não esqueceu nosso pecado; antes, mostrou sua gravidade – tão grande a ponto de provocar a morte do Senhor! Mas, também na cruz, o Senhor mostra toda a seriedade do seu amor, do seu perdão e da sua misericórdia. Se o Senhor Jesus disse hoje ao paralítico: “Filho, tem confiança, teus pecados te são perdoados”, é porque estava disposto a morrer por ele, para que ele tivesse o perdão e, curado, pudesse caminhar, caminhar na vida, caminhar para Deus! Eis, portanto: na cruz, Cristo, o “Sim” do Pai para nós, torna-se também nosso “sim” ao Pai, desde que, unidos a ele, nos deixemos por ele curar, por ele perdoar, como o paralítico do Evangelho de hoje.
Finalmente, a quarta idéia que a Palavra nos apresenta. Por que Jesus curou o paralítico? Que diz o Evangelho? Escutai: “Quando viu a fé daqueles homens, Jesus disse ao paralítico…” É surpreendente: é pela fé dos homens que carregavam o paralítico que Jesus vai perdoar e curar! Eis o mistério da comunhão dos santos! Nós somos fruto não somente da cruz do Senhor, mas também da oração e da santidade de tantos irmãos que formam a Igreja do Senhor! Por isso, podemos dizer: “Senhor, não olhes os meus pecados, mas a fé da tua Igreja!” Quando fraquejamos, quando estamos em  crise, é a fé da Igreja, é a santidade e a força de tantos irmãos que, misteriosamente, na comunhão dos santos, nos mantêm! – Obrigado, Jesus, por sermos membros do teu Corpo, que é a Igreja! Obrigado porque nesse Corpo encontramos o perdão e a paz, nesse Corpo encontramos a força para nos levantarmos do pecado que nos paraliza!

Eis, caríssimos as lições que o Senhor hoje nos dá! Saberemos aproveitá-las? Saberemos vivê-las? Que o Senhor no-lo conceda pela sua graça. Amém.

Por D. Henrique Soares        
 
 
 

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