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quinta-feira, 29 de março de 2012

Orações de Todos os Tempos


Alma de Cristo

Alma de Cristo, santificai-me,
Corpo de Cristo, salvai-me,
Sangue de Cristo, inebriai-me,
Água do lado de Cristo, lavai-me,
Paixão de Cristo, confortai-me,
Ó bom Jesus, ouvi-me,
Dentro de vossas chagas escondei-me,
Não permitais que de Vós me separe.
Do espírito maligno, defendei-me.
Na hora de minha morte chamai-me,
E mandai-me ir para vós,
Para que com os vossos Santos vos louve
Por todos os séculos dos séculos. 
Amém.



As Bem-aventuranças do Político



“As Bem-aventuranças do Político” foram escritas anos atrás pelo Cardeal Francisco Javier Van Thuan. É uma reflexão muito importante para os políticos de todos os países.

O Cardeal Francisco Javier Van Thuan foi um bispo vietnamita que passou treze anos em uma prisão durante o regime comunista do Vietnam, e que em seguida, libertado, foi nomeado pelo Papa João Paulo II como Presidente do Pontifício Conselho Justiça e Paz. O Cardeal vietnamita “elaborou algumas Bem-aventuranças do Político fundando-se nas Bem-aventuranças do Evangelho”.

“Bem-aventurado o dirigente político que entende seu papel no mundo“. Parece uma definição geral mas assinala ou para que está e qual é sua função. Quer dizer que é um servidor de seus irmãos, de seu país, de seu povo.

“Bem-aventurado o dirigente político que exemplifica pessoalmente a credibilidade“. Não a reclama mas sim com seu exemplo se faz exemplar.

“Bem-aventurado o dirigente político que trabalha pelo bem comum e não por interesses pessoais".

“Bem-aventurado o dirigente político que é sincero consigo mesmo, com sua fé e com suas promessas eleitorais“.

“Bem-aventurado o dirigente político que trabalha pela unidade e faz de Jesus o apoio de sua defesa“.  O Cardeal Van Thuan estava se referindo, sobretudo “aos políticos que se consideram cristãos ou aos cristãos que se introduzem na arena política”.

“Bem-aventurado o dirigente político que trabalha pela mudança profunda, das raízes, nega-se a chamar bom o que é mau e utiliza o Evangelho como guia“.

“Bem-aventurado o dirigente político que escuta ao povo antes, durante e depois da eleições e que sempre escuta a Deus na oração“.

“Bem-aventurado o dirigente político que não tem medo da verdade nem dos meios de comunicação, porque no momento do julgamento responderá só ante Deus, não ante os meios de comunicação”.

Há uma grande diferença entre Política e politicagem; o político é aquele que faz da vida pública uma maneira de “servir ao povo”, de buscar o bem comum; por outro lado, o politiqueiro, é aquele que “se serve do povo”, e usa do poder político que o povo lhe confere para se enriquecer, traficando influências, corrompendo, roubando, subornando e até mesmo ameaçando e promovendo represálias e ameaças contra os que combatem os seus erros.

O político honesto pode ser um santo, um homem de Deus a serviço da nação; o politiqueiro, mal intencionado, é o lado oposto da santidade, e um dia sentará no Tribunal de Cristo, para prestar contas dos seus atos.




Contato com o Catecismo


MARIA – MÃE DE CRISTO
MÃE DA IGREJA


963. Depois de termos falado do papel da Virgem Maria no mistério de Cristo e do Espírito, é conveniente considerarmos agora o seu lugar no mistério da Igreja. “Efetivamente, a Virgem Maria [...] é reconhecida e honrada como verdadeira Mãe de Deus e do Redentor [...]. Ao mesmo tempo, porém, é verdadeiramente "Mãe dos membros (de Cristo) [...], porque cooperou com o seu amor para que na Igreja nascessem os fiéis, membros daquela Cabeça"”. “Maria, [...] Mãe de Cristo e Mãe da Igreja”.

I. A maternidade de Maria em relação à Igreja

INTEIRAMENTE UNIDA A SEU FILHO...

964. O papel de Maria em relação à Igreja é inseparável da sua união com Cristo e decorre dela diretamente. “Esta associação de Maria com o Filho na obra da salvação, manifesta-se desde a concepção virginal de Cristo até à sua morte”. Mas é particularmente manifesta na hora da sua paixão:

“A Bem-aventurada Virgem avançou na peregrinação de fé, e manteve fielmente a sua união como Filho até à Cruz, junto da qual esteve de pé, não sem um desígnio divino; padeceu acerbamente com o seu Filho único e associou-se com coração de mãe ao seu sacrifício, consentindo amorosamente na imolação da vítima que d'Ela nascera; e, por fim, foi dada por mãe ao discípulo pelo próprio Jesus Cristo, agonizante na Cruz, com estas palavras: "Mulher, eis aí o teu filho" (Jo 19, 26-27)”.

965. Depois da Ascensão do seu Filho, Maria “assistiu com suas orações aos começos da Igreja”. E, reunida com os Apóstolos e algumas mulheres, vemos “Maria implorando com as suas orações o dom daquele Espírito, que já na Anunciação a cobrira com a Sua sombra”.

... TAMBÉM NA SUA ASSUNÇÃO...

966. “Finalmente, a Virgem Imaculada, preservada imune de toda a mancha da culpa original, terminado o curso da vida terrena, foi elevada ao céu em corpo e alma e exaltada pelo Senhor como rainha, para assim se conformar mais plenamente com o seu Filho, Senhor dos senhores e vencedor do pecado e da morte”. A Assunção da santíssima Virgem é uma singular participação na ressurreição do seu Filho e uma antecipação da ressurreição dos outros cristãos:

“No teu parto guardaste a virgindade e na tua dormição não abandonaste a mundo, ó Mãe de Deus: alcançaste a fonte da vida. Tu que concebeste o Deus vivo e que, pelas tuas orações, hás-de livrar as nossas almas da morte”.

... ELA É NOSSA MÃE NA ORDEM DA GRAÇA

967. Pela sua plena adesão à vontade do Pai, à obra redentora do Filho e a todas as moções do Espírito Santo, a Virgem Maria é para a Igreja o modelo da fé e da caridade. Por isso, ela é “membro eminente e inteiramente singular da Igreja” e constitui mesmo “a realização exemplar”, o typus, da Igreja.

968. Mas o seu papel em relação à Igreja e a toda a humanidade vai ainda mais longe. Ela “cooperou de modo inteiramente singular, com a sua fé, a sua esperança e a sua ardente caridade, na obra do Salvador, para restaurar nas almas a vida sobrenatural. É, por essa razão, nossa Mãe, na ordem da graça”.

969. “Esta maternidade de Maria na economia da graça perdura sem interrupção, desde o consentimento, que fielmente deu na anunciação e que manteve inabalável junto da Cruz, até à consumação perpétua de todos os eleitos. De fato, depois de elevada ao céu, não abandonou esta missão salvadora, mas, com a sua multiforme intercessão, continua a alcançar-nos os dons da salvação eterna [...]. Por isso, a Virgem é invocada na Igreja com os títulos de advogada, auxiliadora, socorro e medianeira”.

970. “Mas a função maternal de Maria para com os homens, de modo algum ofusca ou diminui a mediação única de Cristo, mas antes manifesta a sua eficácia. Com efeito, todo o influxo salutar da Virgem santíssima [...] deriva da abundância dos méritos de Cristo, funda-se na sua mediação e dela depende inteiramente, haurindo aí toda a sua eficácia”. “Efetivamente, nenhuma criatura pode ser equiparada ao Verbo Encarnado e Redentor; mas, assim como o sacerdócio de Cristo é participado de diversos modos pelos ministros e pelo povo fiel, e assim como a bondade de Deus, sendo uma só, se difunde variamente pelos seres criados, assim também a mediação única do Redentor não exclui, antes suscita nas criaturas, uma cooperação variada, que participa dessa fonte única”.

II. O culto à Santíssima Virgem

971. “Todas as gerações me hão-de proclamar ditosa (Lc 1, 48): “a piedade da Igreja para com a santíssima Virgem pertence à própria natureza do culto cristão”. A santíssima Virgem “é com razão venerada pela Igreja com um culto especial. E, na verdade, a santíssima Virgem é, desde os tempos mais antigos, honrada com o título de "Mãe de Deus", e sob a sua proteção se acolhem os fiéis implorando-a em todos os perigos e necessidades [...]. Este culto [...], embora inteiramente singular, difere essencialmente do culto de adoração que se presta por igual ao Verbo Encarnado, ao Pai e ao Espírito Santo, e favorece-o poderosamente”. Encontra a sua expressão nas festas litúrgicas dedicadas à Mãe de Deus  e na oração mariana, como o santo rosário, “resumo de todo o Evangelho”.

III. Maria - ícone escatológico da Igreja

972. Depois de termos falado da Igreja, da sua origem, missão e destino, não poderíamos terminar melhor do que voltando a olhar para Maria, a fim de contemplar nela o que a Igreja é no seu mistério, na sua “peregrinação da fé”, e o que será na pátria ao terminar a sua caminhada, onde a espera, na “glória da santíssima e indivisa Trindade” e “na comunhão de todos os santos”, Aquela que a mesma Igreja venera como Mãe do seu Senhor e como sua própria Mãe:

“Assim como, glorificada já em corpo e alma, a Mãe de Jesus é imagem e início da igreja que se há-de consumar no século futuro, assim também, brilha na terra como sinal de esperança segura e de consolação, para o povo de Deus ainda peregrino”.




terça-feira, 27 de março de 2012

Palavra Católica - São João Bosco


“A palavra escândalo quer dizer tropeço, se chama escandaloso
aquele que dá aos outros ocasião, com palavras e fatos, de ofender a
Deus.”

“Quem com palavras, conversas e ações der escândalos, não é um
amigo, mas um assassino de almas.”

“Enquanto alguém se conserva casto, tem sempre fé viva, firme
esperança e ardente caridade.”

“Tenham coragem diante de sua fé e suas convicções. São os maus
que devem temer diante dos bons, e não os bons diante dos maus.”

“Vocês leem no ofício de Nossa Senhora: 'Meu nardo exalou um
suave perfume'. O nardo só exala perfume quando é amassado, por
isso não se importem se forem maltratadas pelo mundo."

“Quando você tiver espinhos, ponha-os
na coroa de Jesus.”

“A formação dos jovens consiste em duas coisas: doçura e
comunhão e confissão frequentes.”


Angelus do Papa Bento XVI

Viagem Apostólica de Bento XVI ao México e à República de Cuba 
Praça do Bicentenário
León, México
Domingo, 25 de março de 2012



Amados irmãos e irmãs!

No Evangelho deste domingo, Jesus fala do grão de trigo que cai na terra, morre e se multiplica, respondendo a alguns gregos que se aproximam do apóstolo Filipe para lhe pedir: “Nós queríamos ver Jesus” (Jo 12, 21). Hoje nós, dirigindo-nos a Maria Santíssima, também Lhe suplicamos: “Mostrai-nos Jesus”.
Com efeito, ao rezarmos agora o Angelus, que recorda a Anunciação do Senhor, em espírito também os nossos olhos se dirigem para a colina de Tepeyac, o lugar onde a Mãe de Deus, sob o título de “a sempre Virgem Santa Maria de Guadalupe”, há séculos que é honrada fervorosamente como sinal de reconciliação e da infinita bondade de Deus pelo mundo.

Os meus Predecessores na Cátedra de São Pedro honraram-Na com títulos especiais como Senhora do México, Padroeira celeste da América Latina, Mãe e Imperatriz deste Continente. Por sua vez, os seus filhos fiéis, que experimentam a sua ajuda, invocam-Na, cheios de confiança, com nomes tão carinhosos e familiares como Rosa do México, Senhora do Céu, Virgem Morena, Mãe de Tepeyac, Nobre Indiazinha.

Amados irmãos, não esqueçais que a verdadeira devoção à Virgem Maria aproxima-nos sempre de Jesus, e “não consiste numa emoção estéril e passageira, mas nasce da fé, que nos faz reconhecer a grandeza da Mãe de Deus e nos incita a amar filialmente a nossa Mãe e a imitar as suas virtudes” (Lumen gentium, 67). Amá-La é comprometer-se a escutar o seu Filho; venerar a “Guadalupana” é viver segundo as palavras do fruto bendito do seu ventre.

Neste tempo em que tantas famílias se encontram divididas ou forçadas a emigrar, quando muitas sofrem por causa da pobreza, da corrupção, da violência doméstica, do narcotráfico, da crise de valores ou da criminalidade, recorramos a Maria à procura de conforto, fortaleza e esperança. É a Mãe do verdadeiro Deus, que nos convida a permanecer à sua sombra pela fé e a caridade, para deste modo superarmos todo o mal e instaurarmos uma sociedade mais justa e solidária.

Com estes sentimentos, desejo colocar de novo sob o doce olhar da Nossa Senhora de Guadalupe este país e toda a América Latina e o Caribe. Confio cada um dos seus filhos à Estrela da primeira e da nova evangelização, que animou com o seu amor materno a história cristã destas terras, dando características particulares aos grandes acontecimentos da sua história, às suas iniciativas comunitárias e sociais, à vida familiar, à devoção pessoal e à Missão Continental que está em curso agora nestas nobres terras. Em tempos de tribulação e sofrimento, Ela foi invocada por tantos mártires que, ao grito “Viva Cristo Rei e Maria de Guadalupe”, deram testemunho de inquebrantável fidelidade ao Evangelho e entrega à Igreja. Agora, suplico-Lhe que a sua presença nesta querida nação continue a ser apelo ao respeito, defesa e promoção da vida humana e à consolidação da fraternidade, evitando a vingança inútil e desterrando o ódio que divide. Santa Maria de Guadalupe nos abençoe e obtenha, com a sua intercessão, abundantes graças do Céu.










sábado, 24 de março de 2012

Evangelho do V Domingo da Quaresma - (ano B)


São João 12, 20-33

Naquele tempo, alguns gregos que tinham vindo a Jerusalém para adorar nos dias da festa, foram ter com Filipe, de Betsaida da Galileia, e fizeram-lhe este pedido: “Senhor, nós queríamos ver Jesus”. Filipe foi dizê-lo a André; e então André e Filipe foram dizê-lo a Jesus. Jesus respondeu-lhes: “Chegou a hora em que o Filho do homem vai ser glorificado. Em verdade, em verdade vos digo: Se o grão de trigo, lançado à terra, não morrer, fica só; mas se morrer, dará muito fruto. Quem ama a sua vida, perdê-la-á, e quem despreza a sua vida neste mundo conservá-la-á para a vida eterna. Se alguém Me quiser servir, que Me siga, e onde Eu estiver, ali estará também o meu servo. E se alguém Me servir, meu Pai o honrará. Agora a minha alma está perturbada. E que hei-de dizer? Pai, salva-Me desta hora? Mas por causa disto é que Eu cheguei a esta hora. Pai, glorifica o teu nome”. Veio então do Céu uma voz que dizia: “Já O glorifiquei e tornarei a glorificá-l’O”. A multidão que estava presente e ouvira dizia ter sido um trovão. Outros afirmavam: “Foi um Anjo que Lhe falou”. Disse Jesus: “Não foi por minha causa que esta voz se fez ouvir; foi por vossa causa. Chegou a hora em que este mundo vai ser julgado. Chegou a hora em que vai ser expulso o príncipe deste mundo. E quando Eu for elevado da terra, atrairei todos a Mim”. Falava deste modo, para indicar de que morte ia morrer.


Caríssimos, às portas da Semana Santa, concentremos, neste Domingo, todo o nosso olhar no Senhor nosso, Jesus Cristo, e na sua missão salvadora. Para isto, comecemos pelo belíssimo evangelho deste hoje. Contemplemos o Senhor! Contemplemo-lo com os olhos, contemplemo-lo com a fé, contemplemo-lo com o coração!

Jesus estava no interior do Templo de Jerusalém, no pátio interno, chamado Pátio de Israel. Ali, nenhum pagão podia entrar, sob pena de morte. Pois bem, dois gregos, dois pagãos, aproximaram-se de Filipe, que certamente estava na parte mais externa, no chamado Pátio dos Gentios, até onde qualquer pessoa podia chegar. Dois gentios, que procuravam com fervor o Deus de Israel, tanto que “tinham subido a Jerusalém para adorar durante a festa”. Com humildade, eles pedem: “Gostaríamos de ver Jesus!” Eles não podiam entrar no Templo, não poderiam ver Jesus, a não ser que este saísse e viesse aonde eles estavam. Filipe, então, foi a Jesus e lhe relatou o pedido dos gregos. Jesus, então, afirmou, de modo misterioso: “Chegou a hora em que o Filho do Homem vai ser glorificado!” Que mistério, caríssimos: para que os pagãos vejam Jesus, isto é, para que o contemplem com os olhos da fé, para que nele creiam e nele tenham a vida, é necessário que Jesus seja glorificado pela cruz e pela ressurreição! É necessário que Jesus, grão de trigo, que se faz Eucaristia, morra de dê fruto – e este fruto é toda a humanidade, judeus e gentios que nele acreditarão e nele terão a vida eterna:“Se o grão de trigo que cai na terra não morre, ele continua só um grão de trigo; mas, se morre, então produz fruto”. Jesus entregará ao Pai a sua vida, para frutificar em salvação para nós, para que possamos vê-lo, contemplá-lo e experimentá-lo como nossa Luz e nossa Vida!
Mas, não foi fácil a sua missão! A vida de Nosso Senhor foi toda ela uma entrega de amor, que culminou com a entrega mais absoluta na cruz. E isso custou! Como não nos impressionar com as misteriosas palavras da Epístola aos Hebreus? “Cristo, nos dias de sua vida terrestre, dirigiu preces e súplicas com forte clamor e lágrimas, àquele que era capaz de salvá-lo da morte. Mesmo sendo Filho, aprendeu o que significa a obediência a Deus por aquilo que ele sofreu. Mas, na consumação de sua vida, tornou-se causa de salvação eterna para todos os que lhe obedecem!”Que mistério tão grande, tão adorável! O Filho foi se consumindo durante toda a vida, fazendo-se, por nós, obediente ao Pai, até a morte e morte de cruz. O Filho amado, durante toda a sua existência humana foi, humildemente, buscando a vontade do Pai e a ela se entregando, mesmo quando foi percebendo que a vontade do Pai querido apontava para a cruz! Assim, tornou-se causa de salvação para todos nós, para os judeus e para os pagãos! Quanto tudo isso custou: “Agora sinto-me angustiado. E que direi? ‘Pai, livra-me desta hora?’ Mas foi precisamente para esta hora que eu vim. Pai, glorifica o teu nome!” Em Cristo, caríssimos, vai cumprir-se a promessa que o Senhor fizera pelo Profeta Jeremias: “Eis que virão dias em que concluirei com a casa de Israel e a casa de Judá uma nova aliança: imprimirei minha lei em suas entranhas e hei de inscrevê-la em seu coração. Todos me reconhecerão, pois perdoarei sua maldade e não mais lembrarei o seu pecado”. Eis, irmãos e irmãs: é na morte de Cristo que judeus e gentios entrarão para a nova e eterna Aliança no sangue do Senhor! Quanto somos valiosos, quanto custamos em dores e sacrifício, em doação e trabalhos ao Senhor! Quanto deveríamos amar àquele que nos amou até a morte e morte de cruz! Por isso mesmo São Pedro exclamará: “Sabeis que não foi com coisas perecíveis, com prata ou com ouro, que fostes resgatados da vida fútil que herdastes dos vossos pais, mas pelo sangue precioso de Cristo” (1Pd 1,18).

E, no entanto, caríssimos em Cristo, é a cruz do Senhor, é seu sacrifício amoroso ao Pai por nós, o critério do julgamento do mundo. Como dizia o Santo Padre Bento XVI, não são os grandes, os crucificadores, que salvam, mas o pobre e impotente Crucificado: “É agora o julgamento deste mundo. Agora o Chefe deste mundo vai ser expulso, e eu, quando for elevado da terra, atrairei todos a mim”. Compreendem, meus caros, o que o Senhor está dizendo? Sua cruz é o critério do julgamento do mundo: tudo aquilo que não couber na cruz, tudo aquilo que fugir da lógica da cruz, é lixo, é palha para ser queimada! É o amor manifestado e derramado na cruz que vence Satanás, que vence o pecado, que vence a morte e nos dá a vida plena. Não é a força, o sucesso, as razões humanas, o prestígio que salvam! Eis a loucura de Deus: é Cristo elevado na cruz quem libertará os gregos que estavam do lado de fora, sem poder entrar no povo da antiga aliança. Cristo morrerá por eles, por nós, para que todos, atraídos a ele, formemos um novo povo, a Igreja, povo da Nova e Eterna Aliança, selada no sacrifico do Senhor, neste mesmo Sacrifício Eucarístico que agora estamos celebrando nos ritos da sagrada liturgia! Quanta bondade, quanta misericórdia! Que dom tão grande recebemos do Senhor! Na cruz, de braços abertos, o Salvador nosso une judeus e pagãos num só povo, o novo Povo, a Igreja, sua amada esposa una, santa, católica e apostólica!

É este, caríssimos, o mistério que a Palavra do Senhor nos convida a contemplar neste último Domingo antes do início da Grande Semana. Mas, do alto da contemplação, o Senhor nos surpreende com um convite, um desafio, quase que uma ordem inesperada: “Se alguém me quer servir, siga-me, onde eu estou estará também o meu servo”. – Nós queremos, sim, te servir, Senhor nosso! Dá-nos a força de te seguir até onde estás: estás na cruz e estás na glória. Jamais chegaremos a esta sem passar por aquela, porque quem não ama a tua cruz não verá a tua luz, a luz da tua glória! Senhor, concede-nos, como fruto da santa Quaresma, um coração generoso para ir contigo, fazendo, como tu, a vontade do Pai na nossa vida! Senhor, dá-nos a graça de unirmo-nos mais intensamente a ti nestes benditos e santos dias que se aproximam, nos quais faremos memorial nos santos mistérios, da tua Paixão, Morte e Ressurreição, pelas quais fomos salvos e libertos! “Dai-nos caminhar com alegria na mesma caridade que te levou a entregar-te à morte no teu amor pelo mundo”. A ti a glória, ó Cristo Deus, hoje e para sempre!

Amém.

Por Dom Henrique Soares da Costa






quinta-feira, 22 de março de 2012

A Igreja acreditava que a Terra era quadrada?



Fonte: Santa Igreja

Orações de Todos os Tempos





Santo Anjo



Santo Anjo do Senhor, meu zeloso guardador. Se a ti me confiou a piedade Divina, Sempre me rege, me guarde, me governe, me ilumine. Amém









Bispos americanos declaram 30 de março como dia de oração e jejum pela liberdade religiosa



A Conferencia dos Bispos Católicos dos Estados Unidos (USCCB) fez um apelo aos católicos e a "todas as pessoas de Fé" a se unirem em oração e jejum no próximo dia 30 de março para pedir a Deus a derrogação que desrespeitam a liberdade religiosa e de consciência no país.

A violações de liberdade referidas pelos bispos se relacionam com o mandato do Governo norte americano de obrigar os empregadores a contratar serviços de saúde que incluam anticoncepcionais, esterilização e fármaco abortivos. Esta medida não tem em conta as justa as justas objeções dos crentes e, até o momento, não foi proposta uma alternativa moralmente válida por parte das autoridades civis.

A jornada de jejum e oração foi anunciada em uma declaração chamada "Unidos pela Liberdade Religiosa", aprovada no último dia 14 pelo Comitê Administrativo da USCCB.

Os prelados incentivaram os fiéis a unirem-se a eles em "oração e penitencia por nossos líderes e a completa proteção de nossa primeira liberdade --a liberdade religiosa-- que não só está protegida nas leis e costumes de nossa nação, mas também está arraigada nos ensinamentos de nossa grande tradição".

Os bispos também se dispuseram a oferecer diferentes ajudas de oração que que estão colocadas na página WEB da USCCB e incluem duas estampas da Santíssima Virgem além de um Santo.

Trata-se de uma estampa da Imaculada Conceição, Patrona dos Estados Unidos; de uma estampa de Nossa Senhora de Guadalupe, Imperatriz da América e Patrona dos meninos por nascer; e uma outra estampa de São Tomás Morus, Patrono dos governantes e políticos, que recebeu o martírio por permanecer fiel a sua Fé católica.

Para baixar as estampas oficiais para a jornada de oração podem ser utilizados os seguintes links:







quarta-feira, 21 de março de 2012

Solenidade de São José - Patrono Universal da Igreja

Foi celebrado ontem, 19 de março, a Solenidade de São José. Neste dia, a Igreja, espalhada pelo mundo todo, recorda solenemente a santidade de vida do seu patrono.

Modelo de pai e esposo, protetor da Sagrada Família, São José foi escolhido por Deus para ser o patrono de toda a Igreja de Cristo.







Contato com o Catecismo


O FILHO DE DEUS FEZ-SE HOMEM

I. Porque é que o Verbo encarnou?

456. Com o Credo Niceno-Constantinopolitano, respondemos confessando: “Por nós, homens, e para nossa salvação, desceu dos céus; e encarnou pelo Espírito Santo no seio da Virgem Maria e Se fez homem”.

457. O Verbo fez-Se carne para nos salvar, reconciliando-nos com Deus: “Foi Deus que nos amou e enviou o seu Filho como vítima de expiação pelos nossos pecados” (1 Jo 4, 10). “O Pai enviou o Filho como salvador do mundo” (1 Jo 4, 14). “E Ele veio para tirar os pecados” (1 Jo 3, 5):

“Enferma, a nossa natureza precisava de ser curada; decaída, precisava de ser elevada; morta, precisava de ser ressuscitada. Tínhamos perdido a posse do bem; era preciso que nos fosse restituído. Encerrados nas trevas, precisávamos de quem nos trouxesse a luz; cativos, esperávamos um salvador: prisioneiros, esperávamos um auxílio; escravos, precisávamos dum libertador. Seriam razões sem importância? Não seriam suficientes para comover a Deus, a ponto de O fazer descer até à nossa natureza humana para a visitar, já que a humanidade se encontrava em estado tão miserável e infeliz?”.

458. O Verbo fez-Se carne, para que assim conhecêssemos o amor de Deus: “Assim se manifestou o amor de Deus para conosco: Deus enviou ao mundo o seu Filho Unigênito, para que vivamos por Ele” (I Jo 4, 9). “Porque Deus amou tanto o mundo, que entregou o seu Filho Unigênito, para que todo o homem que acredita n'Ele não pereça, mas tenha a vida eterna” (Jo 3,16).

459. O Verbo fez-Se carne, para ser o nosso modelo de santidade: “Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de Mim [...]” (Mt 11, 29). “Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém vai ao Pai senão por Mim” (Jo 14, 6). E o Pai, na montanha da Transfiguração, ordena: “Escutai-o” (Mc 9, 7). De fato, Ele é o modelo das bem-aventuranças e a norma da Lei nova: “Amai-vos uns aos outros como Eu vos amei” (Jo 15, 12). Este amor implica a oferta efetiva de nós mesmos, no seu seguimento.

460. O Verbo fez-Se carne, para nos tornar “participantes da natureza divina” (2 Pd 1, 4): “Pois foi por essa razão que o Verbo Se fez homem, e o Filho de Deus Se fez Filho do Homem: foi para que o homem, entrando em comunhão com o Verbo e recebendo assim a adoção divina, se tornasse filho de Deus”. “Porque o Filho de Deus fez-Se homem, para nos fazer deuses”. “Unigenitus [...] Dei Filias, suae divinitatis volens nos esse participes, naturam nostram assumpsit, ut homines deos faceret factos homo – O Filho Unigênito de Deus, querendo que fôssemos participantes da sua divindade, assumiu a nossa natureza para que, feito homem, fizesse os homens deuses”.




Palavra Católica - São Luís de Maria G. de Montfort






"O Rosário é mais valioso que os salmos, pois: Assim como a realidade é mais importante que a prefiguração, e o corpo mais importante do que a sombra, da mesma forma o Rosário é mais grandioso que o Saltério de Davi que nada mais fez que prefigurá-lo."


"O cristão que não medita sobre os mistérios do Rosário é muito ingrato a Nosso Senhor e mostra o quão pouco ele se preocupa por tudo que o Salvador Divino sofreu para salvar o Mundo."


“Se, pela graça de Deus, você já alcançou um alto nível de oração, mantenha a prática de rezar o Santo Rosário. Pois nunca ninguém que reza o Rosário diariamente se tornou um herege formal ou foi enganado pelo demônio. Esta é uma declaração que eu alegremente assino com meu sangue.”

“É lamentável ver como a maioria das pessoas rezam o Santo Rosário, extremamente rápido e murmurando, fazendo com que as palavras não sejam pronunciadas claramente.”

“A oração pública é muito mais poderosa que a oração individual para apaziguar a ira de Deus e obter Sua Misericórdia”. 


Vaticano adverte os teólogos



O Vaticano retomou um tema importante em um novo pronunciamento através da “Sagrada Congregação da Fé” e da sua “Comissão Teológica Internacional”, onde deixa claro que os teólogos devem se submeter aos bispos porque são “os autênticos intérpretes da fé”.

O documento é intitulado “Teologia hoje: Perspectivas, princípios e critérios”, com 35 páginas, foi aprovado em novembro passado e sua publicação foi autorizada pelo cardeal William Levada, Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, com o aval do Papa Bento XVI.

O novo documento da Comissão Teológica Internacional propõe  “critérios metodológicos determinantes para a teologia católica em relação a outras disciplinas afins, como as ciências religiosas”. E faz isso em três capítulos: a teologia pressupõe a escuta da palavra de Deus amparada na fé (capítulo 1); se realiza em comunhão com a Igreja (2); tem como fim dar razão à verdade de Deus (3).

Certamente virão muitas criticas ao Papa e à Congregação da Fé por este documento, especialmente por aquelas escolas de teologia que não obedecem o Magistério da Igreja e não respeitam os dogmas como ensinamentos perenes, e fazem teologia segundo os “seus” critérios e não os da Igreja. Mas a Santa Sé tem a missão de guardar “o deposito da fé”, a “sã doutrina” (1Tim 1, 10; 6,20; Tt 1,9; 2,1.7) intacto como o recebeu de Cristo. Os dogmas são as colunas e o fundamento da nossa fé, revelados por Deus, e não podem se alterados ou esquecidos. Quando era Prefeito da Congregação da Fé, em 1985, o atual papa disse:

“Numa visão subjetiva da teologia, o dogma é muitas vezes considerado como uma camisa-de-força intolerável, um atentado à liberdade do estudioso, individualmente considerado. Perdeu-se de vista o fato de que a definição dogmática é , ao contrário, um serviço à verdade, um dom oferecido aos crentes pela autoridade querida por Deus. Os dogmas, disse alguém, não são muralhas que nos impedem a visão, mas ao contrário, janelas abertas que dão para o infinito.” (A Fé em Crise? O Cardeal Ratzinger se interroga”; J. Ratzinger/ V. Messori; Ed. Pedagógica e Universitária LTDA; E.P.U.; 1985, pg. 49/50)

O documento salienta que os teólogos, para realizar seu trabalho, devem reconhecer a jurisdição dos bispos para “uma interpretação autêntica da palavra de Deus transmitida pela escritura e a tradição”.

O documento da Santa Sé não trás nada de novo, mas reafirma a necessidade dos teólogos não se afastarem dos dogmas da fé, o que alguns mais “modernos” se arriscam. Se o trem sair do trilho, descarrilha.

Falando aos membros da Comissão Teológica Internacional, em 2006, o Papa Bento XVI advertiu que os teólogos devem “procurar a obediência à verdade” e não desvirtuar a palavra e a alma “ao falar obedecendo à ditadura das opiniões comuns”. O Santo Padre lembrou que “falar para encontrar aplausos, falar orientando-se ao que os homens querem escutar, falar obedecendo à ditadura das opiniões comuns, considera-se como uma espécie de prostituição da palavra e da alma”. (ACI, Vaticano, 06 out 06)

Disse o Papa que “o teólogo deve seguir a disciplina dura da obediência à verdade, que nos faz colaboradores” e “bocas da verdade”.

O teólogo é um pesquisador que procura aprofundar o sentido das verdades da fé reveladas por Deus através dos Patriarcas, dos Profetas e da pregação de Jesus Cristo. Estas verdades estão na Tradição (= transmissão) oral e nas Sagradas Escrituras. Por isso o teólogo estuda a Bíblia Sagrada e suas ciências auxiliares (a lingüística, a arqueologia, a história…) assim como os documentos emanados da Igreja através dos séculos e a Filosofia, a fim de ilustrar e transmitir ao Povo de Deus o conteúdo dos artigos  da fé.

Em 24 maio 1990 a  Congregação para a Doutrina da Fé, quando o seu Prefeito era o Papa Bento XVI, publicou uma Instrução “Sobre a Vocação Eclesial do Teólogo”, onde chama a atenção dos teólogos para vários pontos importantes, como:

“O teólogo, de modo particular, tem a função de adquirir, em comunhão com o Magistério, uma compreensão sempre mais profunda da Palavra de Deus contida na Escritura inspirada e transmitida pela Tradição viva da Igreja” (N.º 6).

“O objeto da teologia é dado pela Revelação, transmitida e interpretada na Igreja sob a autoridade do Magistério, e acolhida pela fé. Descurar estes dados, que têm valor de princípio, seria equivalente a deixar de fazer teologia”. (n.12)

Portanto, não é lícito a um teólogo opor-se ao Magistério da Igreja, A teologia  professa a assistência do Senhor ao Magistério da Igreja (cf. Jo 14, 15.25; 16,12-13), assistência de que ele, teólogo, pessoalmente não goza.

Infelizmente os maus teólogos recorrerem aos meios de comunicação para exercer pressão sobre a  opinião pública contra o Papa e a Santa Sé. A Instrução alerta que a Igreja não é uma simples democracia onde tudo se resolve pelo voto e pelo gosto da maioria:

“Não se podem aplicar à Igreja, pura e simplesmente, critérios de conduta que têm a sua razão de ser na sociedade civil ou nas regras de funcionamento de uma democracia. Menos ainda se podem inspirar as relações no interior da Igreja à mentalidade do mundo circunstante (cf. Rm 12,2). Indagar da opinião da maioria o que convém pensar e fazer, recorrer, à revelia do Magistério, à pressão exercida pela opinião pública, aduzir como pretexto um consenso dos teólogos, sustentar que o teólogo é o porta-voz profético de uma base ou comunidade autônoma que seria assim a única fonte da verdade, tudo isto revela uma grave perda do sentido da verdade e do sentido da Igreja” (n.º 39).

“O pluralismo não é legitimo a não ser na medida em que é salvaguardada a unidade da fé no seu significado objetivo” (n.º 34).

“Não se pode recorrer aos direitos humanos para fazer oposição às intervenções do Magistério. Um tal comportamento desconhece a natureza e a missão da Igreja” (n.º 36).

“Falar neste caso de violação dos direitos humanos não têm sentido, porque se estaria desconhecendo a exata hierarquia desses direitos, como também a natureza da comunidade eclesial e do seu bem comum. Além disso, o teólogo que não está em sintonia com o “sentire cum Ecclesia” se põe em contradição com o compromisso, livre e conscientemente assumido por ele, de ensinar em nome da Igreja” (n.º 37).

“A argumentação que alude ao dever de seguir a própria  consciência, não pode legitimar a dissensão. Antes de tudo, porque este dever se exerce quando a consciência ilumina o juízo prático em vista de uma decisão a ser tomada, enquanto aqui se trata da verdade de um enunciado doutrinal. Além disso, se o teólogo deve, como qualquer fiel, seguir a sua consciência, ele é também obrigado a formá-la. A consciência não é uma faculdade independente e infalível… A reta consciência do teólogo católico supõe, portanto, a fé na Palavra de Deus, cujas riquezas ele deve  penetrar, mas também o amor à Igreja, da qual ele recebe sua missão, e o respeito pelo Magistério divinamente assistido” (n.º 38).

“Às vezes, o Magistério pode ser levado a tomar graves providências, como, por exemplo, quando retira a um teólogo que se afasta da doutrina da fé, a missão canônica ou o mandato do ensinamento que lhe havia confiado, ou ainda quando declara que alguns escritos não estão de acordo com esta doutrina. Agindo dessa forma, o Magistério entende ser fiel à sua missão, porque defende o direito do Povo de Deus a receber a mensagem da Igreja na sua pureza e na sua integridade, e, assim, a não ser perturbado por uma perigosa opinião particular”  (n.º 37).

“Às vezes a dissensão recorre também a uma argumentação sociológica, segundo a qual a opinião de um grande número de cristãos seria uma expressão direta e adequada do senso sobrenatural da fé… O fiel pode  ter opiniões errôneas, porque nem todos os seus pensamentos procedem da fé. Nem todas as ideias que circulam entre o Povo de Deus são coerentes com a fé, tanto mais que podem facilmente sofrer a influência de uma opinião pública veiculada pelos modernos meios de comunicação” (n.º 35).

Enfim, a missão do teólogo não é contestar as verdades de fé confirmadas pela Igreja e seu Magistério, assistido permanentemente pelo Espírito Santo, mas ajudar a Igreja a entendê-las cada vez melhor.

Por Prof. Felipe Aquino



Angelus do Papa Bento XVI

Praça de São Pedro - Vaticano
Domingo, 18/03/2012




Queridos irmãos e irmãs!

Em nosso itinerário em direção à Páscoa, chegamos ao quarto domingo de Quaresma. È um caminho com Jesus atravessando o ‘deserto’, isto é, um tempo para escutar mais a voz de Deus e também esmagar as tentações que falam dentro de nós. Ao horizonte deste deserto se aproxima a Cruz. Jesus sabe que essa é o auge de sua missão: de fato, a Cruz de Cristo é o ápice do amor, que nos doa a salvação. Ele mesmo diz no Evangelho de hoje: “Como Moisés levantou a serpente no deserto, assim deve ser levantado o Filho do homem, para que todo homem que nele crê tenha vida eterna” (Jo 3,14-15). 

A referência é ao episódio em que, durante o êxodo do Egito, os judeus foram atacados por serpentes venenosas, e muitos morreram; então, Deus ordena a Moisés que faça uma serpente de bronze e a coloque sobre uma haste: se um era mordido pelas serpentes, olhava para a serpente de bronze e era curado (cfr Nm 21,4-9). 

Também Jesus será elevado sobre a Cruz, para que qualquer um que está em perigo de morte por causa do pecado, voltando-se com fé a Ele, que morreu por nós, seja salvo “Pois Deus não enviou o Filho ao mundo para condená-lo, mas para que o mundo seja salvo por ele” (Jo 3,17).

Santo Agostinha comenta: “O médico, para aqueles que dependem dele, vem para salvar o doente. Se um não segue a prescrição do médico, se arruína sozinho. O Salvador veio ao mundo... Se você não quer ser salvo por ele, você será julgado por si mesmo” (Sobre o Evangelho de João 12, 12: PL 35, 1190). 

Assim, se infinito é o amor misericordioso de Deus, que chegou ao ponto de dar seu Filho único em resgate a nossa vida, grande é também a nossa responsabilidade: cada um, de fato, deve reconhecer que é doente, para poder ser curado; cada um deve confessar o próprio pecado, para ter o perdão de Deus, já doado sobre a Cruz, possa ter efeito sobre seu coração e sobre sua vida.

Escreve ainda Santo Agostinho: “Deus condena os teus pecados, e você também os condena, une-te a Deus...Quando você começar a desprezar o que faz, e logo começar a fazer boas obras, porque condena suas obras ruis. As obras começam com o reconhecimento das obras ruins” (ibid., 13: PL 35, 1191). 

Às vezes o homem ama mais as trevas que a luz, porque é atacado por seus pecados. Mas somente abrindo-se à luz, somente confessando sinceramente as próprias culpas a Deus, que se encontra a verdadeira paz e a verdadeira alegria. È importante então estar regularmente próximo ao Sacramento da Penitência, especialmente na Quaresma, para receber o perdão do Senhor e intensificar o nosso caminho de conversão.

Queridos irmão, amanhã celebraremos a festa solene de São José. Agradeço de coração todos aqueles que recordarão de mim particularmente em oração, no dia do meu onomástico. Em particular, peço-lhes que rezem pela viagem apostólica no México e em Cuba, que começarei a partir da próxima sexta-feira. Confiamos esta viagem à intercessão da Beata Virgem Maria, tão amada e venerada nestes dois países que vou visitar.










sexta-feira, 16 de março de 2012

Evangelho do IV Domingo da Quaresma - (ano B)

São João 3, 14-21

Naquele tempo, disse Jesus a Nicodemos:  “Assim como Moisés elevou a serpente no deserto, também o Filho do homem será elevado, para que todo aquele que acredita tenha n’Ele a vida eterna. Deus amou tanto o mundo que entregou o seu Filho Unigênito, para que todo o homem que acredita n’Ele não pereça, mas tenha a vida eterna.Porque Deus não enviou o Filho ao mundo para condenar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por Ele. Quem acredita n’Ele não é condenado, mas quem não acredita já está condenado, porque não acreditou no nome do Filho Unigênito de Deus. E a causa da condenação é esta: a luz veio ao mundo e os homens amaram mais as trevas do que a luz, porque eram más as suas obras. Todo aquele que pratica más ações odeia a luz e não se aproxima dela, para que as suas obras não sejam denunciadas. Mas quem pratica a verdade aproxima-se da luz, para que as suas obras sejam manifestas, pois são feitas em Deus.”



“Alegra-te, Jerusalém! Reuni-vos, vós todos que a amais; vós que estais tristes, exultai de alegria! Saciai-vos com a abundância de suas consolações” (Is 66,10s). Caríssimos em Cristo, estas palavras de Isaías dão o tom da liturgia deste Domingo, chamado pela liturgia de Domingo Laetare – Domingo “Alegra-te!” No meio da Quaresma, na metade do caminho para a celebração da Ressurreição do Senhor, a Igreja nos convida à alegria pela aproximação da Santa Páscoa. Daí hoje a cor rosa e as flores na igreja. “Alegra-te, Jerusalém!” – Jerusalém é a Igreja,é o Povo santo de Deus, o novo Israel, é cada um de nós… Alegremo-nos, apesar das tristezas da vida, apesar da consciência dos nossos pecados! Alegremo-nos, porque a misericórdia do Senhor é maior que nossa miséria humana!

Como o povo da Antiga Aliança, também nós tantas vezes somos infiéis – já devíamos ter visto isso claramente a essa altura da Quaresma! É trágico, na primeira leitura, o resumo que o Livro das Crônicas traçou da história de Israel: “Todos os chefes dos sacerdotes e o povo multiplicaram suas infidelidades, imitando as práticas abomináveis das nações pagãs. O Senhor Deus dirigia-lhes a palavra por meio de seus mensageiros, porque tinha compaixão do seu povo. Mas, eles zombavam dos enviados de Deus, até que o furor do Senhor se levantou contra o seu povo e não teve mais jeito”. Com estas palavras dramáticas, o Autor sagrado nos explica o motivo do terrível e doloroso exílio da Babilônia: Israel fez pouco de Deus, virou-lhe as costas; por isso mesmo, foi expulso do aconchego do Senhor na Terra que lhe fora prometida, perdeu a liberdade, o Templo, a Cidade Santa, e tornou-se escravo no Exílio de Babilônia. Aqui aparece toda a gravidade do pecado, que provoca a ira de Deus! É sempre essa a consequência do pecado: o exílio do coração, a escravidão da vida! A Escritura nos ensina, caríssimos, que Deus nunca faz pouco do nosso pecado, nunca passa a mão na nossa cabeça, jamais faz de conta que não pecamos! Jamais despensa de modo leviano as nossas infidelidades! E por quê? Porque realmente nos ama, nos leva a sério, faz conta de nós! Ora, o pecado, afastando-nos de Deus, nos desfigura e nos faz perder o rumo e o sentido da existência. Por isso mesmo, causa a ira de Deus! Pois bem, o Senhor levou, então, seu povo para o terrível deserto do Exílio para corrigi-lo e fazê-lo voltar de todo o coração para Aquele que é seu único bem, sua verdadeira riqueza – aquele que é o seu Deus! É por misericórdia que ele corrige Israel, por misericórdia que nos corrige: “Pois o Senhor não rejeita para sempre: se ele aflige, ele se compadece, segundo sua grande bondade. Pois não é de bom grado que ele humilha e que aflige os filhos do homem” (Lm 3,31-33). Deus é amor e misericórdia. A leitura do Livro das Crônicas nos mostrou que, uma vez Israel convertido, corrigido, o Senhor fá-lo voltar para a Terra sempre prometida. Sim, efetivamente, “não é de bom grado que ele humilha e que aflige os filhos do homem”.

Caríssimos, esta mesma ideia que tantas vezes aparece no Antigo Testamento, cumpre-se de modo definitivo em Cristo Jesus. Hoje, o Senhor, com palavras comoventes, explica a Nicodemos a sua missão: “Deus amou tanto o mundo, que entregou o seu Filho unigênito, para que não morra todo aquele que nele crer, mas tenha a vida eterna. De fato, Deus não enviou o seu Filho ao mundo para condenar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por ele”.Porque “estávamos mortos por causa de nossos pecados”, Deus, na sua imensa misericórdia, nos deu a vida no seu Filho único. Vede, irmãos: há duas realidades que são bem concretas na nossa existência. Primeiro, a realidade do nosso pecado. Nesta metade de caminho quaresmal, é preciso que tenhamos a coragem de reconhecer que somos pecadores, que temos profundas quebraduras interiores, paixões desordenadas, desejos desencontrados que combatem em nós… Quantas incoerências, quantos fechamentos para Deus e para os outros, quantas resistências à graça, quantas máscaras! A humanidade é isso! Não somos bonzinhos! Somos todos feridos, todos doentes, todos pecadores, todos necessitados da salvação! Mas, ao lado dessa realidade tão triste, há uma outra: Deus não se cansa de nós; estende-nos a mão para nos tirar do nosso atoleiro e nos salvar! Essa mão estendida é o seu Filho Jesus! Deus amou tanto o mundo, levou-nos tão a sério, que entregou o seu Filho, o Amado, o Único, o Santo! Grande o nosso pecado, imensa a misericórdia de Deus em Cristo; grande a nossa treva, imensa a Luz de Deus que nela brilhou em Cristo; grande o nosso egoísmo; imenso o amor de Deus manifestado em Cristo; grande a nossa morte; imensa a Vida que nos foi dada em Cristo Jesus, nosso Senhor!

Amados em Cristo, a grande tentação de nossa época é fazer pouco de Deus e, cinicamente, mascarar nosso pecado. Quantos cristãos adulteram, roubam, fornicam, abortam, negligenciam seus deveres para com Deus e com a Igreja, desobedecem aos mandamentos, e não estão nem aí. É um espírito de descrença, de falta de atenção e delicadeza para com o Senhor. Vemos isso em tanta gente de Igreja… Aqueles que nos corrigem são chamados logo de reacionários, fechados, sem misericórdia, duros, insensíveis para o mundo atual… E no entanto, a Palavra do Senhor é clara: é necessário que fixemos o olhar em Cristo que se entregou por nós e reconheçamos a gravidade e a concretude do nosso pecado! Volta, Israel! Volta, Igreja de Cristo! Volta, povo do Senhor! Voltemos, irmãos e irmãs! Em Cristo Jesus, nosso Salvador, “Deus quis mostrar a incomparável riqueza da sua graça!” Não brinquemos com o amor de Deus, não recebamos em vão a sua correção!

Recordemos que hoje, no Evangelho, após mostrar o imenso amor de Deus pelo mundo, a ponto de entregar o Filho amado, Jesus nos previne duramente: Quem nele crê, não é condenado, mas, quem não crê, já está condenado, porque não acreditou no nome do Filho unigênito”. Ora, caríssimos, acreditar no nome de Jesus não é aderir a uma teoria, mas levá-lo a sério na vida pelo esforço contínuo de conversão à sua Pessoa divina e à sua Palavra santa! Crede, irmãos, crede, irmãs! Crede não com palavras vãs! Crede com o afeto, crede com o coração, crede com os lábios, mas, sobretudo, crede com as mãos, com os vossos atos, com a prática da vossa vida! De verdade creremos na medida em que de verdade nos abrirmos para a sua luz; pois “o julgamento é este: a luz veio ao mundo, mas os homens preferiram as trevas à luz”.

Que o Senhor nos dê a graça de ver realisticamente nossos pecados, reconhecê-los humildemente e confessá-los sinceramente, para celebrarmos verdadeiramente a Páscoa que se aproxima e dela participar eternamente na glória do céu. Amém.

Por D. Henrique Soares




quinta-feira, 15 de março de 2012

Orações de Todos os Tempos


"Regina Coeli" (oração do meio dia no Tempo Pascal)


V. Rainha do Céu, alegrai-vos, Aleluia!
R. Porque Aquele que merecestes trazer em Vosso ventre, Aleluia!

V. Ressuscitou como disse, Aleluia!
R. Rogai por nós a Deus, Aleluia!

V. Alegrai-vos e exultai, ó Virgem Maria, Aleluia!
R. Porque o Senhor ressuscitou verdadeiramente, Aleluia!

Oremos.
Ó Deus, que Vos dignastes alegrar o mundo com a Ressurreição do vosso Filho, Nosso Senhor Jesus Cristo, concedei-nos, Vos suplicamos, a graça de alcançarmos pela proteção da Virgem Maria, Sua Mãe, a glória da vida eterna. Pelo mesmo Cristo Nosso Senhor. Amem.


quarta-feira, 14 de março de 2012

Catequese do Papa Bento XVI

Praça São Pedro
Quarta-feira, 14 de março de 2012



Queridos irmãos e irmãs,

Com a Catequese de hoje gostaria de começar a falar da oração nos Atos dos Apóstolos e nas Cartas de São Paulo. São Lucas nos concedeu, como sabemos, um dos quatro Evangelhos, dedicado à vida terrena de Jesus, mas nos deixou também aquele que foi definido como primeiro livro sobre a história da Igreja, isto é, os Atos dos Apóstolos. 

Em ambos este livros, um dos elementos recorrentes é justamente a oração, desde aquela de Jesus àquela de Maria, dos discípulos, das mulheres e da comunidade cristã. O caminho inicial da Igreja permaneceu, antes de tudo, é conduzido pela ação do Espírito Santo, que transforma os Apóstolos em testemunhas do Ressuscitado, até a efusão do sangue, e pela rápida difusão da Palavra de Deus no Oriente e no Ocidente.

Todavia, antes que o anúncio do Evangelho se difunda, Lucas traz o episódio da Ascensão do Ressuscitado (cfr At 1,6-9). Aos discípulos, o Senhor entrega o programa de existência deles: a dedicação à evangelização. E diz: “Descerá sobre vós o Espírito Santo e vos dará força; e sereis minhas testemunhas em Jerusalém, em toda Judéia e Samaria e até os confins do mundo” (At 1,8). 

Em Jerusalém, os Apóstolos permaneceram em onze, por causa da traição de Judas Iscariotes, eles permaneceram em casa para rezar, e é justamente na oração que esperam o dom prometido por Cristo Ressuscitado: o Espírito Santo.

Neste contexto de espera, entre a Ascensão e o Pentecostes, São Lucas menciona por fim, Maria, a Mãe de Jesus e seus familiares (v. 14). A Maria é dedicado o início de seu Evangelho, do anúncio do Anjo ao nascimento e a infância do Filho de Deus que se fez homem. Com Maria inicia a vida terrena de Jesus e com Maria iniciam-se também os primeiros passos da Igreja; em ambos os momento,s o clima é de escuta de Deus, de recolhimento. 

Hoje, portanto, queria dedicar-me a esta presença orante da Virgem no grupo dos discípulos que serão a primeira Igreja nascente. Maria seguiu com discrição todo o caminho de seu Filho durante a vida pública até os pés da cruz, e agora continua a seguir, com uma oração silenciosa, o caminho da Igreja. 

Na Anunciação, na casa de Nazaré, Maria recebe o Anjo de Deus, é atenta às suas palavras, as acolhe e responde ao projeto divino, manifestando sua plena disponibilidade: “Eis aqui a serva do Senhor: faça-se em mim segundo Sua vontade” (cfr Lc 1,38). 

Maria, por uma atitude interior de escuta, é capaz de ler a própria história, reconhecendo com humildade que é o Senhor a agir. Ao visitar a prima Isabel, ela exorta numa oração de louvor e alegria, de celebração pela graça divina, que encheu seu coração de vida, rendendo-a Mãe do Senhor (cfr Lc 1,46-55). 
Louvor, agradecimento e alegria: no canto do Magnificat, Maria não olha só aquilo que Deus operou nela, mas também aquilo que se cumpriu e se cumpre continuamente na história.

Santo Ambrósio, em um célebre comentário sobre o Magnificat, convida a ver o mesmo espírito de oração e escreve: “Esteja em cada um a alma de Maria que engrandece o Senhor, esteja em todos o espírito de Maria que exulta em Deus” (Expositio Evangelii secundum Lucam 2, 26: PL 15, 1561).
Mesmo no Cenáculo, em Jerusalém, no “quarto no piso superior, onde normalmente se reuniam”, os discípulos de Jesus (cfr At 1,13), em um clima de escuta e oração, ela estava presente, antes de abrirem-se as portas e começar a anunciar Cristo Senhor a todos os povos, ensinando a observar tudo aquilo que Ele havia ordenado (cfr Mt 28,19-20).

As etapas do caminho de Maria, da casa de Nazaré àquela de Jerusalém, passando pela Cruz onde o Filho a confia ao apóstolo João, são marcadas pela capacidade de manter um perseverante clima de recolhimento, para meditar cada acontecimento no silêncio de seu coração, diante de Deus (cfr Lc 2,19-51) e na meditação diante de Deus também compreende a vontade de Deus e a capacidade de aceitá-la interiormente. 

A presença da Mãe de Deus com os Onze, depois da Ascensão, não é uma simples anotação histórica de uma coisa do passado, mas assume um significado de grande valor, porque com eles, ela partilha aquilo que para ela é mais precioso: a memória vida de Jesus, na oração; partilha a missão de Jesus, conserva a memória de Jesus e, assim, conserva sua presença.

A última referência a Maria nos dois escritos de São Lucas é colocado no dia de sábado: o dia do descanso de Deus, depois da Criação, o dia do silêncio depois da Morte de Jesus e de espera de Sua Ressurreição. É sobre este episódio que se enraíza a tradição de Santa Maria no Sábado. 

Entre a Ascensão do Ressuscitado e o primeiro Pentecostes cristão, os Apóstolos e a Igreja se reúnem com Maria para esperar com ela pelo dom do Espírito Santo, sem o qual não se pode tornar testemunha. Ela que já o reconhece por ter gerado o Verbo encarnado, divide com toda Igreja este mesmo dom, para que no coração de cada crente “seja formado Cristo” (cfr Gal 4,19). Se não há Igreja sem Pentecostes, não há também Pentecostes sem a Mãe de Jesus, porque Ela viveu de modo único aquilo que a Igreja experimenta todos os dias sob a ação do Espírito Santo. 

São Cromácio de Aquiléia comenta assim sobre o registro dos Atos dos Apóstolos: “Na verdade, a Igreja foi congregada na quarto do andar superior com Maria, que era a Mãe de Jesus e com os Seus irmãos. Não se pode, portanto, falar de Igreja se aí não estiver presente Maria, a mãe do Senhor... Na Igreja de Cristo é pregada a Encarnação de Cristo na Virgem, e onde pregam os apóstolos, que são irmãos do Senhor, lá se escuta o Evangelho”(Sermo 30,1: SC 164, 135).

O Concílio Vaticano II quis destacar, de modo particular, esta ligação que se manifesta visivelmente na oração de Maria junto aos apóstolos, no mesmo lugar, na espera pelo Espírito Santo. A Constituição dogmática Lumen gentium afirma: “Tendo sido do agrado de Deus não manifestar solenemente o mistério da salvação humana antes que viesse o Espírito prometido por Cristo, vemos que, antes do dia de Pentecostes, os Apóstolos “perseveravam unanimemente em oração, com as mulheres, Maria Mãe de Jesus e Seus irmãos” (At. 1,14); e vemos também Maria implorando, com as suas orações, o dom daquele Espírito, que já sobre si descera na anunciação” (n. 59).  “O lugar privilegiado de Maria é a Igreja, onde é “saudada como membro eminente e inteiramente singular... e modelo perfeitíssimo na fé e na caridade” (ibid., n. 53).

Venerar a Mãe de Jesus na Igreja significa ainda aprender com ela a ser comunidade que reza: é esta uma das notas essenciais da primeira descrição da comunidade cristã delineada nos Atos dos Apóstolos (cfr 2,42). 

Normalmente a oração é ditada a partir de situações de dificuldade, problemas pessoais que levam a dirigir-se ao Senhor para ter luz, conforto e ajuda. Maria convida a abrir as dimensões da oração, a dirigir-se a Deus não somente na necessidade e não somente para si mesmo, mas de modo unânime, perseverante, fiel, com um “coração só e uma alma só” (cfr At 4,32).

Queridos amigos, a vida humana atravessa diversas fases de passagem, normalmente difíceis e empenhativas, que pedem escolhas obrigatórias, renuncias e sacrifícios. A Mãe de Jesus foi colocada pelo Senhor em momentos decisivos da história da salvação e ela soube responder sempre com plena disponibilidade, fruto de uma ligação profunda com Deus amadurecida na oração assídua e intensa.

Entre a Sexta-feira da Paixão e o Domingo da Ressurreição, a ela foi confiado o discípulo predileto e com ele toda a comunidade dos discípulos (cfr Jo 19,26). 
Entre a Ascensão e o Pentecostes, ela se encontra com e na Igreja em oração (cfr At 1,14). Mãe de Deus e Mãe da Igreja, Maria exercita esta sua maternidade até o fim da história. Confiamos a ela cada fase da passagem da nossa existência pessoal e eclesial, até nossa passagem final. Maria nos ensina a necessidade de orar e nos indica que só com a ligação constante, íntima, plena de amor com seu Filho podemos sair da “nossa casa”, de nós mesmos, com coragem, para conquistar os confins do mundo e anunciar em qualquer lugar o Senhor Jesus Salvador do mundo. Obrigado.











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