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segunda-feira, 29 de abril de 2013

Santa Catarina de Sena

 
Catarina era apenas uma irmã leiga da Ordem Terceira Dominicana. Mesmo analfabeta, talvez tenha sido a figura feminina mais impressionante do cristianismo do segundo milênio. Nasceu em 25 de março de 1347, em Sena, na Itália. Seus pais eram muito pobres e ela era uma dos vinte e cinco filhos do casal. Fica fácil imaginar a infância conturbada que Catarina teve. Além de não poder estudar, cresceu franzina, fraca e viveu sempre doente. Mas, mesmo que não fosse assim tão debilitada, certamente a sua missão apostólica a teria fragilizado. Carregava no corpo os estigmas da Paixão de Cristo.
Desejando seguir o caminho da perfeição, aos sete anos de idade consagrou sua virgindade a Deus. Tinha visões durante as orações contemplativas e fazia rigorosas penitências, mesmo contra a oposição familiar. Aos quinze anos, Catarina ingressou na Ordem Terceira de São Domingos. Durante as orações contemplativas, envolvia-se em êxtase, de tal forma que só esse fato possibilitou que convertesse centenas de almas durante a juventude. Já adulta e atuante, começou por ditar cartas ao povo, orientando suas atitudes, convocando para a caridade, o entendimento e a paz. Foi então que enfrentou a primeira dificuldade que muitos achariam impossível de ser vencida: o cisma católico.

Dois papas disputavam o trono de Pedro, dividindo a Igreja e fazendo sofrer a população católica em todo o mundo. Ela viajou por toda a Itália e outros países, ditou cartas a reis, príncipes e governantes católicos, cardeais e bispos, e conseguiu que o papa legítimo, Urbano VI, retomasse sua posição e voltasse para Roma. Fazia setenta anos que o papado estava em Avignon e não em Roma, e a Cúria sofria influências francesas.

Outra dificuldade, intransponível para muitos, que enfrentou serenamente e com firmeza, foi a peste, que matou pelo menos um terço da população européia. Ela tanto lutou pelos doentes, tantos curou com as próprias mãos e orações, que converteu mais algumas centenas de pagãos. Suas atitudes não deixaram de causar perplexidade em seus contemporâneos. Estava à frente, muitos séculos, dos padrões de sua época, quando a participação da mulher na Igreja era quase nula ou inexistente.

Em meio a tudo isso, deixou obras literárias ditadas e editadas de alto valor histórico, místico e religioso, como o livro "Diálogo sobre a Divina Providência", lido, estudado e respeitado até hoje. Catarina de Sena morreu no dia 29 de abril de 1380, após sofrer um derrame aos trinta e três anos de idade. Sua cabeça está em Sena, onde se mantém sua casa, e seu corpo está em Roma, na Igreja de Santa Maria Sopra Minerva. Foi declarada "doutora da Igreja" pelo papa Paulo VI em 1970. 
 
 
 
 
 
Fonte: Paulinas
 
 
 

Regina Coeli do Papa Francisco – 28.04.2013


Praça São Pedro – Vaticano
Domingo, 28 de abril de 2013
 
 
 



Antes de concluir esta celebração, gostaria de confiar à Maria os crismandos e todos vocês. A Virgem Maria nos ensina o que significa viver no Espírito Santo e o que significa acolher a novidade de Deus em nossa vida. Ela concebeu Jesus por obra do Espírito Santo, e cada cristão, cada um de nós é chamado a acolher a Palavra de Deus, a acolher Jesus dentro de si e depois levá-Lo a todos. Maria invocou o Espírito aos Apóstolos no Cenáculo: também nós, toda vez que nos reunimos em oração, somos apoiados pela presença espiritual da Mãe de Jesus, para receber o dom do Espírito Santo e ter a força de testemunhar Jesus ressuscitado. Isso o digo de modo particular a vocês, que hoje receberam a Crisma: Maria ajude-vos a estarem atentos àquilo que o Senhor vos pede, e a viver e caminhar sempre segundo o Espírito Santo!

Gostaria de estender a minha saudação afetuosa a todos os peregrinos presentes, vindos de tantos países. Saúdo em particular os rapazes que se preparam para a Crisma, o grande grupo conduzido pelas Irmãs da Caridade, os fiéis de algumas paróquias polonesas e aqueles de Bisignano, bem como a KatholischeakademischeVerbindung Capitolina.

Neste momento, um momento especial, desejo elevar uma oração pelas numeorsas vítimas causadas pelo trágico desabamento de uma fábrica em Bangladesh. Exprimo a minha solidariedade e profunda proximidade às famílias que estão de luto pelos seus entes queridos e dirijo do fundo do coração um forte apelo a fim de que seja sempre protegida a dignidade e a segurança do trabalhador.

Agora, na luz pascal, fruto do Espírito, dirijamo-nos juntos à Mãe do Senhor.
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

sábado, 27 de abril de 2013

Evangelho do V Domingo da Páscoa - Ano C


São João 13, 31-33a.34-35



Quando Judas saiu do Cenáculo, disse Jesus aos seus discípulos: "Agora foi glorificado o Filho do homem  e Deus foi glorificado n’Ele. Se Deus foi glorificado n’Ele, Deus também O glorificará em Si mesmo e glorificá-l’O-á sem demora. Meus filhos, é por pouco tempo que ainda estou convosco. Dou-vos um mandamento novo: que vos ameis uns aos outros. Como Eu vos amei, amai-vos também uns aos outros. Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos: se vos amardes uns aos outros".








Durante todo o tempo pascal a Igreja nos faz contemplar o Ressuscitado e o fruto da sua obra: o dom do Espírito, a nossa santificação, os sacramentos que nascem do seu lado aberto, a Igreja, sua Esposa, desposada no leito da cruz…

Hoje, precisamente, é para a Igreja, comunidade nascida da morte e ressurreição de Cristo, que a Palavra de Deus orienta o nosso olhar.

Primeiramente, é necessário que se diga sem arrodeios: Cristo sonhou com a Igreja, a amou e fundou-a. A Igreja, portanto, é obra do Cristo, foi por ele fundada e a ele pertence! Ela não se pertence a si mesma, não se pode fundar a si própria, não pode estabelecer ela própria a sua verdade. Tudo nela deve referir-se a Cristo e a ele deve conduzir! Mas, há mais: não é muito preciso, não é muito correto dizer que Cristo “fundou” a Igreja. Não! A fundação da Igreja não terminou ainda: Cristo continua fundando, Cristo funda-a ainda hoje, ainda agora, nesta Eucaristia sagrada! Continuamente, o Cordeiro de pé como que imolado, Cabeça da Igreja que é o seu Corpo, funda, renova, sustenta, santifica, sua dileta Esposa pela Palavra e pelos sacramentos: “Cristo amou a Igreja e se entregou por ela, a fim de purificá-la com o banho da água e santificá-la pela Palavra, para apresentá-la a si mesmo a Igreja, gloriosa, se mancha nem ruga, ou coisa semelhante, mas santa e irrepreensível!” (Ef 5,25-27). São afirmações impressionantes, belas, profundas: (1) Cristo amou a sua Igreja e, por ela, morreu e ressuscitou; (2) pela sua morte e ressurreição, de amor infinito, ele purifica continuamente a sua Igreja, santifica-a totalmente, sem desfalecer. Por isso a Igreja é santa, será sempre santa e não poderá jamais perder tal santidade, apesar das infidelidades de seus membros! (3) Este processo de contínua fundação e santificação da Igreja em Cristo dá-se pelo “banho da água” – símbolo do Batismo e dos sacramentos em geral – e pela “Palavra” – símbolo da pregação do Evangelho. Então, Cristo continua edificando sua Igreja neste mundo pela Palavra e pelos sacramentos, sobretudo o Batismo e a Eucaristia. A Igreja não se pertence: ela é de Cristo! E, como esposa de Cristo, é nossa Mãe: ela nos gerou para Cristo no Batismo, para Cristo ela nos alimenta na Eucaristia e de Cristo ela nos fala na sua pregação! Ela é a nossa Mãe católica, desposada pelo Cordeiro imolado na sua Páscoa, como diz o Apocalipse: “estão para realizar-se as núpcias do Cordeiro e sua Esposa já está pronta: concederam-lhe vestir-se com linho puro, resplandecente!” (19,7s).

Pois bem, esta Igreja, tão amada por Cristo, tão nossa Mãe, deve caminhar neste mundo nas dores de parto. Temos um exemplo disso na primeira leitura da Missa de hoje. Paulo e Barnabé vão animando as comunidades,“encorajando os discípulos … a permaneceram firmes na fé”, pois “é preciso que passemos por muitos sofrimentos para entrar no Reino de Deus”. Assim caminha o Povo de Deus, Comunidade fundada por Cristo e vivificada pelo seu Espírito: entre as tribulações do mundo e as consolações de Deus. Muitas vezes, a Igreja enfrentará dificuldades por parte de seus inimigos externos – aqueles que a perseguem direta ou veladamente, aqueles que desejam o seu fim e, vendo-a com antipatia, trabalham para difamá-la. Mas, também, muitas vezes, a provação vem de dentro da própria Igreja: das fraquezas de seus membros, dos escândalos provocados pela humana fraqueza daqueles que deveriam dar exemplo de uma vida nova em Cristo Jesus. Se é verdade que isto não fere a santidade da Igreja – porque essa santidade vem de Cristo e não de nós -, por outro lado, é verdade também que nossos escândalos e maus exemplos atrapalham e muito a credibilidade do nosso anúncio do Evangelho e a credibilidade do próprio Evangelho como força que renova a humanidade! Infelizmente, enquanto o mundo for mundo, enquanto a Igreja estiver a caminho, experimentará em si a debilidade de seus membros. Assim, foi no grupo dos Doze, assim, nas comunidades do Novo Testamento, assim é hoje. É interessante que o Evangelho de hoje começa com Judas, o nosso irmão, que traiu o Senhor, saindo do Cenáculo, saindo do grupo dos Doze, saindo da Comunidade: “Depois que Judas saiu do cenáculo”… – são as primeiras palavras do Evangelho… E, no entanto, apesar da fraqueza de Judas e dos Doze, apesar da nossa fraqueza, Jesus continua nos amando e crendo em nós: “Eu vos dou um novo mandamento: amai-vos uns aos outros. Como eu vos amei, assim também vós deveis amar-vos uns aos outros. Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos, se tiverdes amor uns pelos outros”. Não tenhamos medo, não desanimemos, não nos escandalizemos: o Senhor está conosco, ama-nos, porque somos o seu rebanho, as suas ovelhas, a sua Igreja. Ama-nos e derramou sobre nós o seu amor e sua força que é o Espírito Santo!

Se agora vivemos entre tribulações e desafios, nossa esperança é firmemente alicerçada em Cristo; nele, venceremos, nele, a Mãe católica, um dia, triunfará, totalmente glorificada e tendo em seu regaço materno toda a humanidade. Ouçamos – é comovente: “Vi um n ovo céu e uma nova terra… O primeiro céu e a primeira terra passaram e o mar já não existe” – o Senhor nos promete um mundo renovado, sem a marca do pecado, simbolizado pelo mar. “Vi a Cidade santa, a nova Jerusalém, que descia do céu, de junto de Deus, vestida qual esposa enfeitada para o seu marido”. – É a Igreja, totalmente renovada pela graça de Cristo, totalmente Esposa, numa eterna aliança de amor, realizada na Páscoa e consumada no fim dos tempos! “Esta é a morada de Deus entre os homens. Deus vai morar no meio deles. Eles serão seu povo, e o próprio Deus estará com eles”. – A Igreja é o “lugar”, o “espaço” onde o Reino acontece visivelmente: Deus, em Cristo, habita no nosso meio e será sempre “Deus-com-eles”, Deus-conosco, Emanuel! “Deus enxugará toda lágrima dos seus olhos. A morte não existirá mais, e não haverá mais luto, nem choro, nem dor, nem morte, porque passou o que havia antes. Aquele que está sentado no trono disse: ‘Eis que eu faço novas todas as coisas’”.

Caríssimos, olhem para mim, olhem-se uns para os outros! Somos a cara da Igreja, o cheiro da Igreja, a fisionomia da Igreja, a fraqueza e a força, a fidelidade e a infidelidade, a glória e a vergonha da Igreja! Tão pobre, tão frágil, tão deste mundo… mas também tão destinada à glória, tão divina, tão santa, tão católica, tão de Cristo! Coragem! Vivamos profundamente nossa vida de Igreja; é o único modo de ser cristão como Cristo sonhou! Soframos as dores e desafios da Igreja agora, para sermos partícipes da vitória que Cristo dará a Igreja na glória! Como diz o Apocalipse, “estas palavras são dignas de fé e verdadeiras”. Amém.



Por D. Henrique Soares da Costa




Fonte: Presbíteros



Catequese do Papa Francisco – 24.04.2013


Praça São Pedro – Vaticano
Quarta-feira, 24 de abril de 2013






Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

No Credo, nós professamos que Jesus “de novo virá na glória para julgar os vivos e os mortos”. A história humana começou com a criação do homem e da mulher à imagem e semelhança de Deus e se conclui com o juízo final de Cristo. Muitas vezes, esquecemo-nos destes dois pólos da história, sobretudo, da fé no retorno de Cristo e no juízo final, os quais, às vezes, não são assim tão claros e fortes no coração dos cristãos.

Jesus, durante a vida pública, concentrou-se sempre na realidade da sua última vinda. Hoje, gostaria de refletir sobre três textos evangélicos que nos ajudam a entrar neste mistério: aquele das dez virgens, dos talentos e aquele sobre o juízo final. Todos os três fazem parte do discurso de Jesus sobre o fim dos tempos no Evangelho de São Mateus.

Antes de tudo, recordamos que, com a Ascensão, o Filho de Deus levou para junto do Pai a nossa humanidade por Ele assumida e quer atrair todos a si, chamar todo mundo a ser acolhido entre os braços abertos de Deus, a fim de que, ao final da história, toda a realidade seja entregue ao Pai. Há , porém, este “tempo imediato” entre a primeira vinda de Cristo e a última, que é propriamente o tempo que estamos vivendo. Neste contexto do “tempo imediato”, coloca-se a parábola das dez virgens (cfr Mt 25,1-13). Trata-se das dez moças que esperavam a chegada do Esposo, mas estes demoram e elas adormecem. Ao anúncio repentino de que o Esposo está chegando, todas se preparam para acolhê-lo, mas, enquanto cinco dessas, prudentes, levaram o óleo para alimentar as próprias lâmpadas, as outras, tolas, permanecem com as luzes apagadas, porque não o têm; e, enquanto o procuram, chega o Esposo e as virgens tolas encontram fechada a porta que introduz à festa de casamento. Batem insistentemente, mas agora é tarde demais, o Esposo responde: não vos conheço. O Esposo é o Senhor e o tempo de espera pela sua chegada é o tempo que Ele nos dá, a todos nós, com misericórdia e paciência, antes de sua vinda final; é um tempo de vigilância; tempo no qual devemos ter acesas as lâmpadas da fé, da esperança e da caridade, no qual é preciso ter aberto o coração ao bem, à beleza e à verdade; tempo de viver segundo Deus, porque não conhecemos nem o dia, nem a hora do retorno de Cristo. Aquilo que nos foi pedido é para estarmos preparados para o encontro – preparados para um encontro, para um belo encontro com Jesus – , que significa saber ver os sinais da sua presença, ter viva a nossa fé com a oração, com os sacramentos, ser vigilantes para não adormecer, para não nos esquecermos de Deus. A vida de cristãos adormecidos é uma vida triste, não é uma vida feliz. O cristão deve ser feliz, a alegria de Jesus. Não nos adormeçamos!

A segunda parábola, aquela dos talentos, faz-nos refletir sobre a relação entre como usamos os dons recebidos de Deus e o Seu retorno, no qual nos perguntará como os utilizamos (cfr Mt 25,14-30). Conhecemos bem a parábola: antes da partida, o patrão dá a cada servo alguns talentos, a fim de que sejam utilizados bem durante a sua ausência. Ao primeiro doa cinco, ao segundo dois e ao terceiro um. No primeiro dia de ausência, os dois primeiros servos multiplicam os seus talentos – estes são moedas antigas – , enquanto o terceiro prefere enterrar o próprio e conservá-lo intacto para o patrão. Com o seu retorno, o patrão julga os seus operários: elogia os dois primeiros, enquanto o terceiro é lançado às trevas exteriores, porque escondeu por medo o talento, fechando-se em si mesmo. Um cristão que se fecha em si mesmo, que esconde tudo aquilo que o Senhor lhe deu não é cristão! É um cristão que não agradece a Deus por tudo aquilo que lhe deu! Isto nos faz dizer que a espera pelo retorno do Senhor é o tempo de ação – nós estamos no tempo de ação – , o tempo no qual colher os frutos dos dons de Deus não para nós mesmos, mas para Ele, para a Igreja, para os outros, o tempo no qual procurar sempre fazer crescer o bem no mundo. E em particular, neste tempo de crises, hoje, é importante não se fechar em si mesmo, enterrando o próprio talento, as próprias riquezas espirituais, intelectuais, materiais, tudo aquilo que o Senhor nos deu, mas abrir-se, ser solidários, ser atentos ao outro. Na Praça, vi que há muitos jovens: é verdade isto? Há muitos jovens? Onde estão? A vocês, que estão no início do caminho da vida, pergunto: já pensaram nos talentos que Deus deu a vocês? Já pensaram em como podem colocá-los a serviços dos outros? Não enterrem os talentos! Apostem em grandes ideais, aqueles que alargam o coração, aqueles ideais de serviço que tornam fecundos os vossos talentos. A vida não é dada para que a conservemos para nós mesmos, mas para que a doemos. Queridos jovens, tenham uma grande alma! Não tenham medo de sonhar com coisas grandes!

Enfim, uma parábola sobre o trecho do juízo final, no qual vem descrita a segunda vinda do Senhor, quando Ele julgará todos os seres humanos vivos e mortos (cfr Mt 25,31-46). A imagem utilizada pelo evangelista é aquela do pastor que separa as ovelhas dos cabritos. À direita estão colocados aqueles que agiram segundo a vontade de Deus, socorrendo o próximo que tem fome, sede, o estrangeiro, nu, doente, encarcerado – disse “estrangeiro”: penso que tantos estrangeiros que estão aqui na diocese de Roma: o que fazemos por eles? – enquanto para a esquerda vão aqueles que não socorreram o próximo. Isto nos diz que nós seremos julgados por Deus sobre a caridade, sobre como o temos amado nos nossos irmãos, especialmente os mais frágeis e necessitados. Certo, devemos sempre ter bem presente que nós somos justificados, somos salvos pela graça, por um ato de amor gratuito de Deus que sempre nos precede; sozinhos não podemos fazer nada. A fé é, antes de tudo, um dom que nós recebemos. Mas para dar frutos, a graça de Deus pede sempre a nossa abertura a Ele, a nossa resposta livre e concreta. Cristo vem trazer-nos a misericórdia de Deus que salva. A nós é pedido para nos confiarmos a Ele, para corresponder ao dom do seu amor com uma vida boa, feita de ações animadas pela fé e pelo amor.

Queridos irmãos e irmãs, olhar para o juízo final não nos cause medo; impulsione-nos para viver melhor o presente. Deus nos oferece com misericórdia e paciência este tempo, a fim de que aprendamos, a cada dia, a reconhecê-Lo nos pobres e nos pequenos, a fim de que nos comprometamos com o bem e sejamos vigilantes na oração e no amor. O Senhor, ao término da nossa existência e da história, possa reconhecer-nos como servos bons e fiéis. Obrigado.








segunda-feira, 22 de abril de 2013

Regina Coeli do Papa Francisco – 21.04.2013


Praça São Pedro, Vaticano
Domingo, 21 de abril de 2013






Queridos irmãos e irmãs,
Bom dia!

O Quarto Domingo do Tempo da Páscoa é caracterizado pelo Evangelho do Bom Pastor que se lê a cada ano. O trecho de hoje reporta estas palavras de Jesus: “As minhas ovelhas escutam a minha voz, eu as conheço e elas me seguem. Eu dou-lhes a vida eterna e elas jamais se perderão. E ninguém vai arrancá-las de minha mão. Meu Pai, que me deu estas ovelhas, é maior que todos, e ninguém pode arrebatá-las da mão do Pai. Eu e o Pai somos um só” (10,27-30). Nestes quatro versículos está toda a mensagem de Jesus, está o núcleo central do seu Evangelho: Ele nos chama a participar do seu relacionamento com o Pai, e esta é a vida eterna.

Jesus quer estabelecer com os seus amigos uma relação que seja o reflexo daquela que Ele mesmo tem com o Pai: uma relação de recíproco pertencimento na confiança plena, na íntima comunhão. E para exprimir este entendimento profundo, esta relação de amizade, Jesus usa a imagem do pastor com as suas ovelhas: ele as chama e elas escutam a sua voz, respondem ao seu chamado e o seguem. É belíssima esta parábola! O mistério da voz é sugestivo: pensemos que desde o ventre de nossa mãe aprendemos a reconhecer a sua voz e a do papai; no tom de uma voz percebemos o amor ou o desprezo, o afeto ou a frieza. A voz de Jesus é única! Se aprendemos a distingui-la, Ele nos guia no caminho da vida, um caminho que ultrapassa também o abismo da morte.

Mas Jesus, em um certo ponto, disse, referindo-se às suas ovelhas: “Meu Pai, que me deu estas ovelhas…” (Jo 10, 29). Isto é muito importante, é um mistério profundo, não fácil de compreender: se eu me sinto atraído por Jesus, se a sua voz aquece meu coração, é graças a Deus Pai, que colocou dentro de mim o desejo de amor, de verdade, de vida, de beleza… e Jesus é tudo isso em plenitude! Isto nos ajuda a compreender o mistério da vocação, especialmente dos chamados a uma especial consagração. Às vezes Jesus nos chama, nos convida a segui-lo, mas talvez acontece que não nos damos conta de que é Ele, propriamente como aconteceu com o jovem Samuel. Há muitos jovens hoje, aqui na Praça. São tantos vocês, não? Vê-se… É isso aí! São tantos jovens hoje aqui na Praça. Gostaria de perguntar a vocês: alguma vez vocês ouviram a voz do Senhor que através de um desejo, uma inquietude, vos convidava a segui-lo mais de perto? Escutaram-na? Não escutam? Então… Vocês tiveram a vontade de ser apóstolos de Jesus? À juventude é necessário propor grandes ideais. Vocês pensam nisso? Estão de acordo? Pergunte a Jesus que coisa ele quer de ti e seja corajoso! Seja corajosa! Perguntem a Ele! Atrás e antes de cada vocação ao sacerdócio ou à vida consagrada, tem sempre a oração forte e intensa de alguém: de uma avó, de um avó, de uma mãe, de um pai, de uma comunidade… Eis porque disse Jesus: “Orai ao Senhor para que mande operários à sua messe” (Mt 9,38). As vocações nascem na oração e da oração; e somente na oração podem perseverar e dar fruto. Eu gosto de destacar isso hoje, que é o “Dia Mundial de oração pelas vocações”. Rezemos em particular pelos novos Sacerdotes da Diocese de Roma que tive a alegria de ordenar nesta manhã. E invoquemos a intercessão de Maria. Hoje havia 10 jovens que disseram “sim” a Jesus e foram ordenados padres esta manhã… É bonito isto! Invoquemos a intercessão de Maria que é a Mulher do “sim”. Maria disse “sim”, toda a vida! Ela aprendeu a reconhecer a voz de Jesus desde quando O carregava no ventre. Maria, nossa mãe, ajude-nos a conhecer sempre melhor a voz de Jesus e a segui-la, para caminhar no caminho da vida! Obrigado.

Muito obrigado pelas saudações, mas saúdem também Jesus. Gritem “Jesus”, forte … Rezemos todos juntos à Maria.









sábado, 20 de abril de 2013

Evangelho do IV Domingo de Páscoa - Ano C




São João 10, 27-30


Naquele tempo, disse Jesus: "As minhas ovelhas escutam a minha voz. Eu conheço as minhas ovelhas e elas seguem-Me. Eu dou-lhes a vida eterna e nunca hão-de perecer e ninguém as arrebatará da minha mão. Meu Pai, que Mas deu, é maior do que todos e ninguém pode arrebatar nada da mão do Pai. Eu e o Pai somos um só".









Uma imagem muito comum neste tempo pascal é aquela do Cordeiro “de pé, como que imolado” (Ap 5,6). Este Cordeiro, eternamente diante do trono do Pai, é o Cristo no seu estado de perpétua imolação e glória, de entrega sacrifical e ao mesmo tempo vitoriosa, por nós. Mas, misteriosamente, este Cordeiro é também Pastor: “O Cordeiro que está no meio do trono será o seu pastor e os conduzirá às fontes da água da vida”. Que imagem impressionante: um cordeiro que é pastor que dá vida às ovelhas. Pois bem, Jesus afirmou: “Eu sou o bom pastor. O bom pastor dá a vida pelas suas ovelhas” (Jo 10,11). Estejamos atentos: este dar a vida possui dois sentidos: primeiro: Cristo nos dá a vida porque morre por nós, por nós entrega sua vida humana: “Eu dou minha vida pelas minhas ovelhas” (Jo 10,15). É, portanto, um pastor que ama profundamente o seu rebanho: “As minhas ovelhas escutam a minha voz, eu as conheço e elas me seguem”. Num segundo sentido, Cristo dá a vida porque transmite às ovelhas a vida divina, a vida eterna, a vida glorificada que ele recebeu do Pai na ressurreição: “Eu dou-lhes a vida eterna e elas jamais se perderão. E ninguém vai arrancá-las de minha mão!” Que afirmações estupendas! Nosso Pastor, que por nós se fez Cordeiro imolado, dá-nos a vida eterna e imperecível, uma vida que nos saciará eternamente! Cristão, compreende: como é grande, como é concreta, como é verdadeira a tua esperança, como é certa a tua herança!

Esta vida, que o Cordeiro-Pastor nos prepara, é para todos, é em abundância. Isto já aparece na primeira leitura: diante da recusa dos judeus como um todo em acolher o Evangelho da salvação em Jesus, o Apóstolo volta-se para os pagãos: “Era preciso anunciar a palavra de Deus primeiro a vós, judeus. Mas, como a rejeitais e vos considerais indignos da vida eterna, sabei que vamos dirigir-nos aos pagãos”. E estes, cheios do Espírito Santo, ficaram cheios de alegria. Eis! A salvação que Cristo nos trouxe, com sua morte e ressurreição, com seu mistério pascal, é plena, é total e é para todos[1]!

É com estas idéias e sentimentos no coração que devemos, agora, contemplar a estupenda imagem que o Apocalipse nos apresenta na liturgia de hoje. Toda a humanidade, “uma multidão imensa de gente de todas as nações, tribos, povos e línguas, que ninguém podia contar”… de pé, diante do trono e do Cordeiro”. Pensemos bem! É toda esta humanidade tão sofrida, de vida tão frágil, de esperança tão incerta, que é chamada a este momento tão grandioso: de pé (posição de quem venceu, de quem está vivo) diante do trono de Deus e do Cordeiro, o Cristo nosso Senhor, Aquele que venceu! Observem que nossa esperança nada tem de espírito de seita. A salvação não é para um grupinho de eleitos que excluem os demais farisaicamente! Não! Nunca! Deus quer “que todos os homens sejam salvos e cheguem ao conhecimento da verdade” (1Tm 2,4). Os cristãos têm o dever de olhar o mundo com amor benevolente. Nós, amados por Deus em Cristo, não podemos guardar só para nós esse amor e essa salvação: é preciso anunciá-la, comunicá-la, e com um coração bom, benévolo para com o mundo: nunca uma atitude de seita, de acusação, de fechamento! Dizer a verdade, sim; anunciar a verdade, sim; denunciar o erro e o pecado, sim; mas,com uma atitude de amor e respeito, de benignidade, como o coração do Bom Pastor, que deu a vida pelas ovelhas e quis morrer pelo rebanho!

Estes eleitos “trajavam vestes brancas” símbolos da glória, de vida, da pureza e da imortalidade; “traziam palmas na mão”, símbolo da vitória. Quem são eles? “São os que vieram da grande tribulação. Lavaram e alvejaram as suas vestes no sangue do Cordeiro”. Que imagem fantástica! É a multidão dos cristãos de todos os tempos, que perseveraram e vencerão no combate das tribulações desta vida… às vezes, até à morte! Pensemos: somos nós, se formos fiéis no combate do Cristo; somos nós, se perseverarmos e guardarmos a fé e a esperança no Senhor nas lutas e provações desta vida! Estejamos atentos: “lavaram e alvejaram as vestes no sangue do Cordeiro!” Sangue bendito e precioso, que lava, que purifica, que alveja! Nenhum de nós chegará diante do trono limpo por sua própria limpeza, mas sim pelo sangue do Cordeiro que é nosso pastor! “Nunca mais terão fome, nem sede. Nem os molestará o sol, nem algum calor ardente”. Bendito Cordeiro, bendito Pastor, bendito Cristo-Senhor, que nos dá uma vida tão plena! Ele mesmo nos tinha prometido: “Quem vem a mim nunca mais terá fome e quem crê em mim nunca mais terá sede” (Jo 6,35). Bendito Jesus, que é tão fiel! “E o Cordeiro, que está no meio do trono, será seu pastor e os conduzirá às fontes da água da vida”. Aonde nos conduzirá o Pastor? Que lugar é este, com tanta vida e tanto frescor e consolação? Escutem a Palavra: “Aquele que está sentado no trono os abrigará na sua tenda… E Deus enxugará as lágrimas de seus olhos!” Eis, irmãos, aonde o Cristo imolado e ressuscitado nos conduz: à tenda do coração do Pai, para nos aconchegar, para nos consolar, para nos enxugar as lágrimas, para nos dar a vida em abundância: “Meu Pai, que me deu estas ovelhas, é maior que todos, e ninguém pode arrebatá-las da mão do Pai. Eu e o Pai somos uma só coisa!”

É por isso, caríssimos, que a Páscoa de Cristo é também nossa: sua vitória é penhor da nossa, é certeza de nossa esperança agora e plenitude um dia. Vivamos fielmente os combates do presente, deixemo-nos guiar pelo Bom Pastor, lavemos nossas vestes no sangue do Cordeiro e sejamos herdeiros da vida que ele nos prepara. Ele, bendito pelos séculos dos séculos. Amém



Por D. Henrique Soares da Costa




Fonte: Presbíteros



quarta-feira, 17 de abril de 2013

Santa Sé apresenta novos selos dedicados ao Papa Francisco



O Escritório Filatélico e Numismático do Estado da Cidade do Vaticano apresentou os primeiros selos dedicados ao Papa Francisco pelo início de seu pontificado, que no último 13 de março cumpriu um mês.

Conforme se informou, estes selos serão emitidos e postos à venda a partir do dia 2 de maio, e terão um custo de 70 e 85 centavos e outros de 2 e 2,5 euros.


Estes selos sucedem assim os que o Escritório Filatélico e Numismático lançou no dia 1º de março com ocasião da Sede Vacante, depois da renúncia de Bento XVI ao Pontificado.




Fonte: ACI Digital




Catequese do Papa Francisco – 17.04.2013


Praça São Pedro – Vaticano
Quarta-feira, 17 de abril de 2013







Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

No Credo, encontramos a afirmação de que Jesus “subiu aos céus e está sentado à direita do Pai”. A vida terrena de Jesus culmina no evento da Ascensão, quando, isso é, Ele passa deste mundo ao Pai e é elevado à sua direita. Qual é o significado deste acontecimento? Quais são as consequências para a nossa vida? O que significa contemplar Jesus sentado à direita do Pai? Sobre isto, deixemo-nos guiar pelo evangelista Lucas.

Partamos do momento no qual Jesus decide embarcar em sua última peregrinação a Jerusalém. São Lucas anota: “Aproximando-se o tempo em que Jesus devia ser arrebatado deste mundo, ele resolveu dirigir-se a Jerusalém” (Lc 9, 51). Enquanto “ascende” à Cidade santa, onde se cumprirá o seu “êxodo” desta vida, Jesus vê já a meta, o Céu, mas sabe bem que o caminho que o leva de volta à glória do Pai passa pela Cruz, pela obediência ao desígnio divino de amor pela humanidade. O Catecismo da Igreja Católica afirma que “a elevação sobre a cruz significa e anuncia a elevação da ascensão ao céu” (n. 661). Também nós devemos ter claro, na nossa vida cristã, que o entrar na glória de Deus exige a fidelidade cotidiana à sua vontade, mesmo quando requer sacrifício, requer às vezes mudar os nossos programas. A Ascensão de Jesus acontece concretamente no Monte das Oliveiras, próximo ao lugar onde havia se retirado em oração antes da paixão para permanecer em profunda união com o Pai: mais uma vez vemos que a oração nos dá a graça de viver fiéis ao projeto de Deus.

Ao final do seu Evangelho, São Lucas narra o evento da Ascensão de modo muito sintético. Jesus conduz os discípulos “para Betânia e, levantando as mãos, os abençoou. Enquanto os abençoava, separou-se deles e foi arrebatado ao céu. Depois de o terem adorado, voltaram para Jerusalém com grande júbilo. E permaneciam no templo, louvando e bendizendo a Deus” (24, 50-53); assim diz São Lucas. Gostaria de salientar dois elementos da história. Antes de tudo, durante a Ascensão Jesus cumpre o gesto sacerdotal da benção e seguramente os discípulos exprimem a sua fé com a prostração, ajoelham-se inclinando a cabeça. Este é um primeiro ponto importante: Jesus é o único e eterno Sacerdote que com a sua paixão atravessou a morte e o sepulcro e ressuscitou e ascendeu ao Céu; está junto de Deus Pai, onde intercede para sempre a nosso favor (cfr Eb 9,24). Como afirma São João na sua Primeira Carta, Ele é o nosso advogado: que belo ouvir isto! Quando alguém é chamado por um juiz ou pelo tribunal, a primeira coisa que faz é procurar um advogado para que o defenda. Nós temos um, que nos defende sempre, defende-nos das ciladas do diabo, defende-nos de nós mesmos, de nossos pecados! Caríssimos irmãos e irmãs, temos este advogado: não tenhamos medo de ir até Ele e pedir perdão, pedir a benção, pedir misericórdia! Ele nos perdoa sempre, é o nosso advogado: defende-nos sempre! Não se esqueçam disso! A Ascensão de Jesus ao Céu nos faz conhecer então esta realidade tão reconfortante para o nosso caminho: em Cristo, verdadeiro Deus e verdadeiro homem, a nossa humanidade foi levada junto a Deus; Ele nos abriu a passagem; Ele é como uma corda quando se escala uma montanha, que chegou ao topo e nos atrai para si conduzindo-nos a Deus. Se confiamos a Ele a nossa vida, se nos deixamos guiar por Ele, estamos certos de estar em mãos seguras, nas mãos do nosso salvador, do nosso advogado.

Um segundo elemento: São Lucas refere que os Apóstolos, depois de terem visto Jesus subir ao céu, retornaram a Jerusalém “com grande alegria”. Isto nos parece um pouco estranho. Em geral, quando estamos separados dos nossos familiares, dos nossos amigos, para uma partida definitiva e sobretudo por causa da morte, há em nós uma tristeza natural, porque não veremos mais a face deles, não escutaremos mais a sua voz, não poderemos mais desfrutar do afeto deles, da presença deles. Em vez disso, o evangelista destaca a profunda alegria dos Apóstolos. Mas como? Propriamente porque, com o olhar da fé, esses compreendem que, embora removido de seus olhos, Jesus permanece para sempre com eles, não os abandona e, na glória do Pai, sustenta-lhes, guia-lhes e intercede por eles.

São Lucas narra o fato da Ascensão também no início dos Atos dos Apóstolos, para destacar que este acontecimento é como o anel que envolve e conecta a vida terrena de Jesus àquela da Igreja. Aqui São Lucas também menciona a nuvem que levou Jesus para fora da vista dos discípulos, os quais permanecem a contemplar o Cristo que ascende para Deus (cfr At 1,9-10). Intervêm então dois homens em vestes brancas que os convidam a não permanecer imóveis a olhar para o céu, mas a nutrir a vida deles e o testemunho deles com a certeza de que Jesus voltará do mesmo modo com o qual o viram subir ao céu (cfr At 1,10-11). É propriamente o convite para partir da contemplação do Senhorio de Cristo, para ter Dele a força de levar e testemunhar o Evangelho na vida de cada dia: contemplar e agir, reza e trabalha, ensina São Benedito, são ambos necessários na nossa vida de cristãos.

Queridos irmãos e irmãs, a Ascensão não indica a ausência de Jesus, mas nos diz que Ele está vivo em meio a nós de modo novo; não está mais em um lugar preciso no mundo como o era antes da Ascensão; agora está no senhorio de Deus, presente em cada espaço e tempo, próximo a cada um de nós. Na nossa vida não estamos nunca sozinhos: temos este advogado que nos espera, que nos defende. Não estamos nunca sozinhos: o Senhor crucificado e ressuscitado nos guia; conosco há tantos irmãos e irmãs que no silêncio e na ocultação, em sua vida de família e de trabalho, em seus problemas e dificuldades, em suas alegrias e esperanças, vivem cotidianamente a fé e levam, juntos a nós, ao mundo o senhorio do amor de Deus, em Cristo Jesus ressuscitado, que subiu ao Céu, advogado para nós. Obrigado.









segunda-feira, 15 de abril de 2013

Regina Coeli do Papa Francisco - 14.04.2013


Praça de São Pedro, no Vaticano
Domingo, 14 de abril de 2013






Caros irmãos e irmãos, Bom dia!

Gostaria de permanecer primeiramente na página dos Atos dos Apóstolos que está na liturgia deste terceiro Domingo de Páscoa. Este texto relata que a primeira oração dos Apóstolos em Jerusalém encheu a cidade da notícia que Jesus era verdadeiramente ressuscitado, segundo as Escrituras, e era o Messias anunciado pelos profetas.

Os sumos sacerdotes e os chefes da cidade buscaram bloquear o nascimento da comunidade de credentes em Cristo e aprisionaram os Apóstolos, ordenando a eles de não ensinarem mais o Seu nome. Mas Pedro e os outros onze responderam: “Mais importa obedecer a Deus do que aos homens. O Deus de nossos pais ressuscitou a Jesus (…) Deus com a sua destra o elevou a Príncipe e Salvador (…) E nós somos testemunhas acerca destas palavras, nós e também o Espírito Santo, que Deus deu àqueles que lhe obedecem” (At 5, 29-32). Então flagelaram os apóstolos e deram novamente a ordem de não falarem mais no nome de Jesus. E eles partiram, assim diz a Escritura, “Retiraram-se, pois, da presença do conselho, regozijando-se de terem sido julgados dignos de padecer afrontas pelo nome de Jesus” (Atos 5, 41)

Eu me pergunto: onde os primeiros discÍpulos encOntravam a força para este testemunho? Não apenas: de onde vinha a alegria e a coragem deles para o anúncio, apesar dos obstáculos e das violências? Não esqueçamos que os Apóstolos eram pessoas simples, não eram escribas, doutores da lei, nem faziam parte da classe sacerdotal. Como podiam, com os seus limites e com oposição das autoridades, encherem Jerusalém com seus ensinamentos (cfr At 5, 28)? É claro que somente a presença com eles de Jesus Ressuscitado e a ação do Espírito Santo poderia explica este fato. O Senhor que era com eles e o Espírito que os empurrava para a pregação explica este fato extraordinário. A fé deles se baseava em uma forte experiência pessoal com Cristo morto e ressuscitado, que não tinham medo de nada nem de ninguém, e até mesmo viam as perseguições como um motivo de honra, que lhes permitia seguir os passos de Jesus e assemelhar-se a Ele, testemunhando com a vida.

Esta história da primeira comunidade cristã nos diz uma coisa muito importante, que vale para a Igreja de todos os tempos, até para nós: quando uma pessoa conhece verdadeiramente Jesus Cristo e crê Nele, experimenta a Sua presença na vida e a força da Sua Ressurreição, e não pode ficar sem comunicar esta experiência. E, se encontra incompreensões ou adversidades, se comporta como Jesus na Sua Paixão: responde com o amor e com a força da verdade.

Rezando juntos o Regina Coeli, peçamos a ajuda de Maria Santíssima para que a Igreja em todo o mundo anuncie com franqueza e coragem a Ressurreição do Senhor e dê um eficaz testemunho com sinal de amor fraterno. O amor fraterno é o testemunho mais próximo que podemos dar de que Jesus está conosco vivo, que Jesus ressuscitou. Rezemos de modo particular pelos cristãos que sofrem perseguições, neste tempo existem tantos cristãos que sofrem perseguições, tantos, tantos, em tantos países: rezemos por eles, com amor, do nosso coração. Sinta a presença viva e confortante do Senhor Ressuscitado.










sábado, 13 de abril de 2013

Evangelho do III Domingo de Páscoa - Ano C


São João 21, 1-19

Naquele tempo, Jesus manifestou-Se outra vez aos seus discípulos, junto do mar de Tiberíades. Manifestou-Se deste modo: Estavam juntos Simão Pedro e Tomé, chamado Dídimo, Natanael, que era de Caná da Galileia, os filhos de Zebedeu e mais dois discípulos de Jesus. Disse-lhes Simão Pedro: "Vou pescar". Eles responderam-lhe: "Nós vamos contigo". Saíram de casa e subiram para o barco, mas naquela noite não apanharam nada. Ao romper da manhã, Jesus apresentou-Se na margem, mas os discípulos não sabiam que era Ele. Disse-lhes Jesus: "Rapazes, tendes alguma coisa de comer?" Eles responderam: "Não". Disse-lhes Jesus: "Lançai a rede para a direita do barco e encontrareis". Eles lançaram a rede e já mal a podiam arrastar por causa da abundância de peixes. O discípulo predileto de Jesus disse a Pedro: "É o Senhor". Simão Pedro, quando ouviu dizer que era o Senhor, vestiu a túnica que tinha tirado e lançou-se ao mar. Os outros discípulos, que estavam apenas a uns duzentos côvados da margem, vieram no barco, puxando a rede com os peixes. Quando saltaram em terra, viram brasas acesas com peixe em cima, e pão. Disse-lhes Jesus: "Trazei alguns dos peixes que apanhastes agora". Simão Pedro subiu ao barco e puxou a rede para terra, cheia de cento e cinquenta e três grandes peixes; e, apesar de serem tantos, não se rompeu a rede. Disse-lhes Jesus: "Vinde comer". Nenhum dos discípulos se atrevia a perguntar-Lhe: "Quem és Tu?", porque bem sabiam que era o Senhor. Jesus aproximou-Se, tomou o pão e deu-lho, fazendo o mesmo com os peixes. Esta foi a terceira vez que Jesus Se manifestou aos seus discípulos, depois de ter ressuscitado dos mortos. Depois de comerem, Jesus perguntou a Simão Pedro: "Simão, filho de João, tu amas-Me mais do que estes?" Ele respondeu-Lhe: "Sim, Senhor, Tu sabes que Te amo". Disse-lhe Jesus: "Apascenta os meus cordeiros". Voltou a perguntar-lhe segunda vez: "Simão, filho de João, tu amas-Me?" Ele respondeu-Lhe: "Sim, Senhor, Tu sabes que Te amo". Disse-lhe Jesus: "Apascenta as minhas ovelhas". Perguntou-lhe pela terceira vez: "Simão, filho de João, tu amas-Me?". Pedro entristeceu-se por Jesus lhe ter perguntado pela terceira vez se O amava e respondeu-Lhe: "Senhor, Tu sabes tudo, bem sabes que Te amo". Disse-lhe Jesus: "Apascenta as minhas ovelhas. Em verdade, em verdade te digo: Quando eras mais novo, tu mesmo te cingias e andavas por onde querias; mas quando fores mais velho, estenderás a mão e outro te cingirá e te levará para onde não queres". Jesus disse isto para indicar o gênero de morte com que Pedro havia de dar glória a Deus. Dito isto, acrescentou: "Segue-Me".



A liturgia, neste santo tempo pascal, concentra nossa atenção naquele que por nós morreu e ressuscitou; na glória que ele agora possui, como Senhor do céu e da terra: “O Cordeiro imolado é digno de receber o poder, a riqueza, a sabedoria e a força, a honra, a glória e o louvor. Ao que está sentado no trono e ao Cordeiro, o louvor e a honra, a glória e o poder para sempre!” Estejamos atentos, porém: afirmar a glória de Cristo, não é algo de folclórico ou triunfalístico, mas é uma proclamação convicta e clara do seu senhorio sobre nós, sobre nossa pobre vida, sobre a vida da Igreja, sobre o mundo e sobre toda a história. A Igreja e cada cristão vivem desta certeza: Jesus ressuscitou dos mortos, é o Vivente, é o Senhor; nós existimos nele e para ele; ele é o referencial último absoluto de nossa existência!

É este Jesus vitorioso, que vem ao encontro dos seus às margens do Mar da Galiléia; é este Senhor nosso que os apóstolos experimentam no evangelho de hoje. Cada detalhe deste texto de João é cheio de significado. Vejamos: os apóstolos pescam e nada conseguem apanhar… A pescaria é imagem da ação missionária da Igreja. Sem Jesus, estamos sozinhos, sem Jesus a pescaria é estéril, as tentativas são vãs… Sem Jesus, pescamos na noite escura.. Mas, pela manhã, Jesus vem ao encontro dos seus. Notemos que os discípulos não conseguem reconhecer o Senhor ressuscitado. Somente quando Cristo se dá a conhecer é que os seus conseguem compreender e experimentar sua presença viva e atuante. E Jesus dá-se a conhecer sempre na Palavra e no Pão partido, na refeição em comum, isto é, na Celebração Eucarística. É aqui, é agora, nesta Eucaristia sagrada, que o Senhor nos fala e parte o Pão conosco. Toda Celebração eucarística é celebração pascal, é encontro com o ressuscitado! Como seria bom que, a cada Domingo, revivêssemos esta experiência, esta certeza da presença do Senhor vivo entre nós!

Os discípulos ainda não haviam reconhecido Jesus. Este lhes ordenou: “Lançai a rede!” Eles lançaram-na e já“não conseguiam puxá-la para fora, por causa da quantidade de peixes”. Notem: o Discípulo Amado, diante do sinal, reconhece o Ressuscitado: “É o Senhor!” Mas, é Simão Pedro – sempre ele, o chefe do grupo, o chefe da Comunidade dos discípulos, o que comanda a pescaria – faz-se ao mar, para encontrar Jesus. Jesus ordena que arrastem a rede para a terra. Notemos: o barco é um só, como uma só é a Igreja de Cristo; também a rede é uma só, como única é a obra da evangelização; e quem comanda a pescaria é Pedro, sob a ordem de Jesus! E a rede não se rompe, apesar de cheia de 150 peixes grandes. O número é exagerado, significando a plenitude da obra evangelizadora. E, então, Jesus repete, diante dos discípulos, os gestos da Eucaristia: “tomou o pão e distribuiu entre eles”.

Depois, três vezes, o Ressuscitado pergunta a Pedro – e pergunta aos sucessores de Pedro, os Bispos de Roma, pergunta a João Paulo II: “Simão, filho de João, tu me amas mais do que estes?” Pedro responde que sim, e abandona-se no Senhor: “Senhor, tu sabes tudo; tu sabes que te amo!” Senhor, antes coloquei minha confiança em minhas próprias forças, em meu próprio amor e terminei te traindo… Tu disseste que oravas por mim para que minha fé não desfalecesse, mas fui presunçoso, e contei mais com minhas forças que com tua oração… Mas, agora, te digo: “Tu sabes tudo; tu sabes que te amo”, apesar de minha fraqueza! É naquilo que tu sabes, que tu podes, que tu em mim realizas que te digo: te amo! – E três vezes, Jesus o incumbe, diante dos outros, de uma missão toda particular: “Apascenta as minhas ovelhas!” Que ninguém duvide – a menos que deseje fazer pouco da vontade do Senhor nosso – que Pedro é o primeiro pastor do rebanho de Cristo. O rebanho é de Cristo, o Bom Pastor, e Cristo o confiou a Pedro! Quem não está em comunhão com o Sucessor de Pedro, certamente, age de modo contrário ao que Cristo desejou para a sua Igreja e para seus discípulos. Pouco adianta uma Bíblia debaixo do braço, se contrariando a Palavra de Deus, se nega a presença real do Cristo na Eucaristia (cf. Jo 6,53-57), o papel materno de Maria Virgem junto a cada discípulo amado do Senhor (cf. Jo 19,25-27), a indissolubilidade do matrimônio (cf. Mc 10,1-12) , a sucessão apostólica e o papel de Pedro e seus sucessores na Igreja de Cristo (cf. Mt 16,13-20)! Estejamos atentos: não é a Pedro super-homem que o Senhor confia a sua Igreja; mas a Pedro frágil, a Pedro que o negou, a Pedro humilhado… a Pedro que pode servir até de pedra de tropeço (cf. Mt 16,23). Pedro é a pedra da Igreja, mas a Rocha inabalável é somente Cristo! E Cristo o convida a segui-lo até o martírio, até levantar as mãos na cruz…

Assim foi com Pedro, assim com os discípulos, assim, agora, conosco… Não tenhamos medo! É possível que muitas vezes nos sintamos sozinhos, desamparados, pescando numa pescaria estéril de noite escura… Coragem: o Senhor está conosco: é ele quem nos manda à pesca, é ele quem pode encher nossas redes e dá-lhes consistência para que não se rompam, é ele quem nos revela sua presença e nos enche de coragem! Recordemos dos nossos primórdios, da coragem dos santos apóstolos que se sentiam “contentes por terem sido considerados dignos de injúrias por causa do nome de Jesus”. É que eles sabiam por experiência que o Senhor estava vivo, que o Senhor caminhava com eles. Também nós, hoje, podemos escutá-lo nas Escrituras e reconhecê-lo entre nós no Pão partido da Eucaristia. É este Jesus que nos envia à pesca, é este Jesus que caminhará sempre com sua Igreja, nossa Mãe católica, até o fim dos tempos!

A ele a glória e o louvor, a adoração, a riqueza e a sabedoria, a força e a honra para sempre. Amém.



Por D. Henrique Soares da Costa








quarta-feira, 10 de abril de 2013

Catequese do Papa Francisco – 10.04.2013


Praça São Pedro 
Quarta-feira, 10 de abril de 2013






Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

Na catequese passada nossa atenção foi para o evento da Ressurreição de Jesus, no qual as mulheres tiveram uma lugar especial. Hoje gostaria de refletir sobre a realidade salvífica. O que significa para a nossa vida a Ressurreição? E porque sem ela é vã a nossa fé? A nossa fé se fundamenta sobre a Morte e Ressurreição de Cristo, assim como uma casa se apoia sobre a fundação: cedendo esta, cai toda a casa. Sobre a cruz, Jesus ofereceu-se a si mesmo levando sobre si os nossos pecados e descendo ao abismo da morte e na Ressureição os venceu, os tirou e nos abriu a via para renascer para uma vida nova. São Pedro se expressa sinteticamente no início de sua Primeira Carta, como nós escutamos: “Bendito seja Deus, o Pai de nosso Senhor Jesus Cristo! Na sua grande misericórdia ele nos fez renascer pela ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos, para uma viva esperança, para uma herança incorruptível, incontaminável e imarcescível.” (I Pd 1, 3-4).

O apóstolo nos diz que com a Ressurreição de Jesus algo absolutamente novo acontece: somos libertos da escravidão do pecado e nos tornamos filhos de Deus, somos gerados para uma vida nova. Quando se realiza isto em nós? No Sacramento do Batismo. Antigamente, este era recebido normalmente por imersão. Aquele que deveria ser batizado descia na grande piscina do Batistério, deixando as suas vestes, e o Bispo ou Presbítero derramava por três vezes água na sua cabeça, batizando-o em nome do Pai, do Filho e do Espirito Santo. Depois o batizado saía da piscina e vestia vestes brancas novas: tinha nascido para uma vida nova, imergindo-se na Morte e Ressurreição de Cristo. Tornava-se filho de Deus. São Paulo na Carta aos Romanos escreve: “vós recebestes o Espírito de adoção pelo qual clamamos: Aba! Pai!” (Rm 8, 15). E é o Espírito que nós recebemos no batismo que nos ensina, nos impulsiona, a dizer a Deus: “Pai”, ou melhor “Abbá!” que significa “Paizinho”. Assim é o nosso Deus: é um Pai para nós. O Espírito Santo realiza em nós esta nova condição de filho de Deus. E este é o maior dom que recebemos do Mistério Pascal de Jesus. Deus nos trata como filhos, nos compreende, nos perdoa, nos abraça, nos ama também quando erramos. Já no Antigo Testamento, o profeta Isaías afirmava que se ainda uma mãe se esquecesse dos filhos, Deus jamais se esqueceria de nós, em nenhum momento (cfr 49,15). E isto é muito bonito!

Todavia, esta relação de filiação com Deus não é como um tesouro que conservamos num canto de nossa vida, mas deve crescer, deve ser alimentada a cada dia através da escuta da Palavra de Deus, a oração, a participação aos Sacramentos, especialmente da Penitência e da Eucaristia, e a caridade. Nós podemos viver como filhos! Isto quer dizer que cada dia devemos deixar que Cristo nos transforme e nos faça como Ele; quer dizer procurar viver como cristãos, buscar segui-lo, ainda que vejamos os nossos limites e as nossas fraquezas. A tentação de deixar Deus de lado para colocar no centro nós mesmos está sempre às portas e a experiência do pecado fere a nossa vida cristã, o nosso ser filhos de Deus. Por isto devemos ter a coragem da fé e não nos deixar conduzir pela mentalidade que nos diz: Deus não serve, não é importante para você”, e assim por diante. É exatamente o contrário: somente comportando-nos como filhos de Deus, sem desanimar com as nossas quedas, com os nossos pecados, sentindo-nos amados por Ele, a nossa vida será nova, animada pela serenidade e pela alegria. Deus é a nossa força! Deus é a nossa esperança!

Queridos irmãos e irmãs, devemos, nós em primeiro lugar, ter firmes esta esperança e devemos ser um sinal visível, claro, luminoso para todos, O Senhor Ressuscitado é a esperança que não nos engana (cfr. Rm 5,5). A esperança não nos engana. Aquela do Senhor! Quantas vezes na nossa vida as esperanças se vão, quantas vezes as expectativas que temos no coração não se realizam! A esperança de nós cristãos é forte, segura, sólida nesta terra, onde Deus nos chamou a caminhar, e é aberta para a eternidade, porque é fundada em Deus, que é sempre fiel. Não podemos esquecer: Deus é sempre fiel; Deus é sempre fiel conosco. Ser ressuscitado com Cristo mediante o Batismo, com o dom da fé, para uma herança que não se corrompe, nos leva a buscar as coisas de Deus, a pensar mais Nele, a pensar como Ele, agir como Ele, amar como Ele; é deixar que Ele tome posse da nossa vida e a mude, a transforme, a livre das trevas do mal e do pecado.

Queridos irmãos e irmãs, a quem nos pedir as razões da esperança que está em nós (cfr Pd 3, 15), indiquemos o Cristo Ressuscitado. Indiquemos com o anúncio da Palavra, mas sobretudo com a nossa vida de ressuscitados. Mostremos a alegria de sermos filhos de Deus, a liberdade que nos doa o viver em Cristo, que é a verdadeira liberdade, que nos salva da escravidão do mal, do pecado, da morte! Olhemos para a Pátria celeste, teremos uma nova luz e força também no nosso compromisso e nas nossas tarefas cotidianas. É um serviço precioso que devemos dar a este nosso mundo, que normalmente não consegue mais levantar o olhar para o alto, não consegue mais levantar o olhar para Deus.








domingo, 7 de abril de 2013

Regina Coeli do Papa Francisco - 07.04.2013


Praça São Pedro
Domingo, 7 de abril de 2013





Queridos irmãos e irmãs! Bom dia!

Neste domingo que conclui a Oitava de Páscoa, renovo a todos o voto pascal com as palavras do próprio Jesus Ressuscitado: “Paz a vocês” (Gv 20,19.21.26). Não é uma saudação nem mesmo um simples augúrio: é um dom, ou melhor, o dom precioso que Cristo oferece aos seus discípulos depois de ter passado através da morte. Doa a paz, como havia prometido: “Deixo-vos a paz, eu vos dou a minha paz. Não vo-la dou como o mundo a dá, eu a dou a vós” (Gv 14,27). Esta paz é o fruto da vitória do amor de Deus sobre o mal, é o fruto do perdão. E é justamente assim: a verdadeira paz, aquela profunda, vem do fazer a experiência da misericórdia de Deus. Hoje é o Domingo da Divina Misericórdia, por vontade do Beato João Paulo II, que fechou os olhos a este mundo justamente na véspera desta festa.

O Evangelho de João nos refere que Jesus aparece duas vezes aos Apóstolos fechados no Cenáculo: a primeira, na mesma noite da Ressurreição, e naquela vez não estava presente Tomé, o qual disse: se eu não vejo e não toco, não creio. A segunda vez, oito dias depois, estava também Tomé. E Jesus se dirigiu a ele, convidou-o a olhar as feridas, a tocá-las; e Tomé exclamou: “Meu Senhor e meu Deus!” (Gv 20,28). Jesus então disse: “Porque me viu, tu crestes; bem aventurados aqueles que não viram e creram!” (v. 29). E quem eram estes que acreditaram sem ver? Outros discípulos, outros homens e mulheres de Jerusalém que, mesmo não tendo encontrado Jesus ressuscitado, acreditaram no testemunho dos Apóstolos e das mulheres. Esta é uma palavra muito importante sobre a fé, podemos chamá-la a beatitude da fé. Bem aventurados aqueles que não viram e acreditaram: esta é a beatitude da fé! Em todo tempo e em todo lugar são bem aventurados aqueles que, através da Palavra de Deus, proclamada na Igreja e testemunhada pelos cristãos, creem que Jesus Cristo é o amor de Deus encarnado, a Misericórdia encarnada. E isto vale para cada um de nós!

Aos Apóstolos Jesus doou, junto com a sua paz, o Espírito Santo, para que pudessem difundir no mundo o perdão dos pecados, aquele perdão que somente Deus pode dar, e que custou o Sangue do Filho (cfr Gv 20,21-23). A Igreja é enviada por Cristo ressuscitado para transmitir aos homens a remissão dos pecados, e assim fazer crescer o Reino do amor, semear a paz nos corações, para que se afirme também nos relacionamentos, na sociedade, nas instituições. E o Espírito de Cristo ressuscitado lança para fora o medo nos corações dos Apóstolos e os impele a sair do Cenáculo para levar o Evangelho. Tenhamos também nós mais coragem de testemunhar a fé em Cristo Ressuscitado! Não devemos ter medo de ser cristãos e de viver como cristãos! Nós devemos ter essa coragem, de ir e anunciar Cristo Ressuscitado, porque Ele é a nossa paz, Ele fez a paz, com o seu amor, com o seu perdão, com o seu sangue, com a sua misericórdia.

Queridos amigos, hoje à tarde celebrarei a Eucaristia na Basílica de São João de Latrão, que é a Catedral do Bispo de Roma. Rezemos juntos à Virgem Maria, para que nos ajude, Bispo e Povo, a caminhar na fé e na caridade, confiantes sempre na misericórdia do Senhor: Ele sempre nos espera, nos ama, nos perdoou com o seu sangue e nos perdoa todas as vezes que vamos a Ele e pedimos o perdão. Tenhamos confiança na sua misericórdia!








sábado, 6 de abril de 2013

Evangelho do II Domingo de Páscoa - Ano C


São João 20, 19-31

Na tarde daquele dia, o primeiro da semana, estando fechadas as portas da casa onde os discípulos se encontravam, com medo dos judeus, veio Jesus, colocou-Se no meio deles e disse-lhes: "A paz esteja convosco". Dito isto, mostrou-lhes as mãos e o lado. Os discípulos ficaram cheios de alegria ao verem o Senhor. Jesus disse-lhes de novo: "A paz esteja convosco. Assim como o Pai Me enviou, também Eu vos envio a vós". Dito isto, soprou sobre eles e disse-lhes: "Recebei o Espírito Santo: àqueles a quem perdoardes os pecados ser-lhes-ão perdoados; e àqueles a quem os retiverdes serão retidos". Tomé, um dos Doze, chamado Dídimo, não estava com eles quando veio Jesus. Disseram-lhe os outros discípulos: "Vimos o Senhor". Mas ele respondeu-lhes: "Se não vir nas suas mãos o sinal dos cravos, se não meter o dedo no lugar dos cravos e a mão no seu lado, não acreditarei". Oito dias depois, estavam os discípulos outra vez em casa, e Tomé com eles. Veio Jesus, estando as portas fechadas, apresentou-Se no meio deles e disse: "A paz esteja convosco". Depois disse a Tomé: "Põe aqui o teu dedo e vê as minhas mãos; aproxima a tua mão e mete-a no meu lado; e não sejas incrédulo, mas crente". Tomé respondeu-Lhe: "Meu Senhor e meu Deus!" Disse-lhe Jesus: "Porque Me viste acreditaste: felizes os que acreditam sem terem visto". Muitos outros milagres fez Jesus na presença dos seus discípulos, que não estão escritos neste livro. Estes, porém, foram escritos para acreditardes que Jesus é o Messias, o Filho de Deus, e para que, acreditando, tenhais a vida em seu nome.



Há oito dias atrás, no primeiro dia após o Sábado dos judeus, ao anoitecer, Jesus ressuscitado entrou onde estavam os discípulos e lhes disse: “A paz esteja convosco!” Há oito dias, no Dia da Ressurreição, o nosso Jesus, vencedor da morte, enviado pelo Pai no Espírito Santo, soprou esse mesmo Espírito sobre seus discípulos, sua Igreja, e disse: “Como o Pai me enviou, também eu vos envio. Recebei o Espírito Santo!” Há oito dias atrás, Tomé, teimoso e incrédulo, afirmou peremptoriamente: “Se eu não vir as marcas dos pregos e não puser a mão no seu lado, não acreditarei!” Todas essas coisas que ouvimos no Evangelho deste hoje, ocorreram no Domingo de Páscoa, no Dia da Ressurreição, há precisamente uma semana.

Hoje é a Oitava da Festa pascal, o Domingo seguinte. E como no Domingo passado, também hoje, neste Domingo, o Senhor vem ao encontro dos seus discípulos e coloca-se no meio deles. Será sempre assim: a cada oito dias os cristãos reunidos experimentarão na Palavra proclamada e no Sacrifício eucarístico celebrado, a presença real, viva e atuante Daquele que ressuscitou e caminha conosco, ou melhor, caminha à nossa frente. E como Tomé, nós, a cada Domingo, admirados, exclamamos: “Meu Senhor e meu Deus!” E queremos, emocionados, ouvi-lo novamente dizer a nossa respeito: “Acreditaste porque me viste, Tomé. Bem-aventurados os que creram sem terem visto!” Bem-aventurados nós, caríssimos meus em Cristo aqui presentes! Bem-aventurados nós que firmemente cremos no Senhor e participamos do seu Sacrifício eucarístico, ainda que não tenhamos visto o Senhor com os olhos da carne!

Eis precisamente aqui a mensagem deste Domingo da Oitava: fazer-nos conscientes do nosso encontro, da nossa comunhão real, íntima, transformante, com o Senhor ressuscitado. Este encontro que ocorre de modo mais intenso a cada Domingo na Eucaristia – e, por isso mesmo, faltar à Missa dominical é excluir-se da Comunidade dos discípulos, é “ex-comungar-se”, é colocar-se fora da Comunhão com o Ressuscitado e aqueles aos quais ele chama de “meus irmãos”… Este encontro que ocorre de modo mais intenso a cada Domingo nesta Eucaristia, não começou aqui; iniciou-se no nosso Batismo, quando recebemos, no símbolo da água, o Espírito Santo do Ressuscitado, passando a viver nele que, no seu Espírito, veio realmente viver em nós! Três misteriosas palavras da Missa de hoje exprimem este mistério. Ei-los: (1) A palavra da segunda leitura: o Autor sagrado afirma que quem crê em Jesus nasceu de Deus e vive uma vida de amor aos irmãos. Quem crê em Jesus, diz ele, vence o mundo, vence o pecado, vence a tragédia de uma vida sem sentido, distraída apenas com eventos, futilidades e copas do mundo. Eis as suas palavras: “Quem é o vencedor do mundo, senão aquele que crê que Jesus é o Filho de Deus?” E, então, acrescenta de modo belo, forte, surpreendente e misterioso: “Este é o que veio pela água e pelo sangue: Jesus Cristo. Não veio somente com a água, mas com a água e o sangue. E o Espírito é que dá testemunho, porque o Espírito é a Verdade”. Caríssimos, que palavras impressionantes! Se nossos irmãos protestantes as compreendessem pediam imediatamente a comunhão com a Igreja de Cristo! Aqui o Autor sagrado está falando do Batismo e da Eucaristia. Vence o mundo quem crê em Jesus; não num Jesus do passado, mas num Jesus que está vivo e na força do Espírito Santo, o Espírito da Verdade, que ele derramou sobre nós, vem ao nosso encontro, habita em nosso íntimo. Como? Pelos sacramentos! É nos sacramentos que recebemos o Espírito Santo, é nos sacramentos que o Senhor entra em comunhão conosco e nós com ele. Ele vem continuamente, vivo e vivificador pela água do Batismo e o Sangue da Eucaristia! Nos santos sacramentos, nós experimentamos Jesus, recebemos a vida de Jesus e podemos testemunhar ao mundo que Jesus está vivo e atuante! Que realidade tão misteriosa; que graça tão grande: Jesus é o que vem sempre à sua Igreja na água e no sangue; e ambos nos dão o Espírito Santo de Jesus! (2) A segunda palavra desta liturgia é da oração inicial. Ali a Igreja nos ensinou a pedir ao Pai que compreendêssemos melhor “o Batismo que nos lavou, o Espírito que nos deu nova vida e o sangue que nos redimiu”. Mais uma vez o Batismo e a Eucaristia que, dando-nos o Espírito de Jesus, nos colocam em comunhão íntima com ele. (3) Finalmente, as palavras da Entrada da Missa de hoje, como aparecem no Missal, tiradas da Primeira Epístola de são Pedro: “Como crianças recém-nascidas, desejai o puro leite espiritual para crescerdes na salvação! (2,2). A Igreja pensa nos que foram batizados na Vigília Pascal, nossos irmãozinhos em Cristo, criancinhas no Senhor. Que recebendo a cada Domingo a Eucaristia, puro alimento espiritual, possam – eles e nós – crescer na salvação.

Ora, caríssimos, se vivemos mergulhados nesse mistério tão grande, que é a real e íntima comunhão com o Senhor ressuscitado, se experimentamos sua força e sua graça nos sacramentos, se nele, Vencedor da morte, somos criaturas nova, então vivamos de modo novo. E não somente de modo individual, mas como Comunidade dos salvos e redimidos por Cristo. Vede, irmãos meus, o exemplo descrito na Primeira leitura, a Igreja católica de Jerusalém, logo após a Ressurreição e o Dom do Espírito: nós éramos “um só coração e uma só alma”, sabíamos repartir amor e bens, colocando a vida em comum, e toda a nossa vida comunitária era uma clara proclamação da novidade, da alegria e da esperança de quem sabia e vivia a Ressurreição do Senhor. Dois mil anos após, não damos mais a impressão de um bando de discípulos sonolentos e cansados? Não parecemos mais uns conformados e desanimados, mornos pelo peso do tempo? Nossa vida, será que não exprime mais comodismo e falta de fé, que aquela feliz exultação de quem tem sempre Jesus diante dos olhos? Sabem o motivo disso, meus caros? Falta de comunhão viva com o Senhor na sua Palavra, na oração e, sobretudo, nos sacramentos! Muitos de nós temos uma fé fria, formal, burocrática, teórica. Não é a idéia, mas o amor que dá sentido e gosto à vida!

Caros meus, aprendamos a nos reaproximar de Jesus! Ele está vivo aqui, na Palavra, na Eucaristia, nos irmãos, na vida. Se aprendermos a vê-lo, mais uma vez, cheios de pasmos, exclamaremos como o duro Tomé:“Meu Senhor e meu Deus!” Que ele no-lo conceda por sua graça. Amém.


Por Dom Henrique Soares da Costa




Fonte: Presbíteros



sexta-feira, 5 de abril de 2013

Células-tronco serão tema de Conferência internacional no Vaticano


O Pontifício Conselho para a Cultura anunciou a realização da 2ª Conferência interacional sobre células-tronco adultas nos dias 11 a 13 de abril.

O evento será realizado no Vaticano, sobre o tema “Medicina Regenerativa – uma mudança fundamental na Ciência e na Cultura”.

Com especialistas, políticos, diplomatas e pesquisadores de institutos e universidades renomados, a finalidade da Conferência é aumentar a consciência global acerca da capacidade das células-tronco adultas, explorando suas possíveis consequências culturais. 

Cientistas apresentarão os progressos médicos em todo o mundo, entre os quais a renovação de órgãos doentes e danificados, a regeneração de tecidos para as vítimas de queimaduras, reequilíbrio dos sistemas imunitários, progressos nos tumores pediátricos, prevenção na rejeição de órgãos e outros desafios, como o mal de Parkinson e lesões cerebrais. Também haverá testemunhos de pacientes aos quais foram aplicados tratamentos inovadores. 

A Santa Sé apoia a pesquisa realizada no respeito dos valores morais, na dignidade da pessoa humana, com a finalidade de contribuir com benefícios para o humanidade. A Conferência será aberta pelo Presidente do Pontifício Conselho para a Cultura, Card. Gianfranco Ravasi, e está prevista uma audiência com o Papa Francisco no sábado, 13 de abril. 

O evento é fruto da colaboração, há cinco anos, entre o Pontifício Conselho e a empresa NeoStem, através de organizações sem fins lucrativos, como STOQ (Ciência, Teologia e a Questão ontológica).







Religiosas ameaçadas de serem multadas por alimentar os pobres em Miami


Há poucos dias, a cidade de Miami (Estados Unidos) notificou as missionárias da caridade, que servem os pobres na cidade, alimentando mais de 300 pessoas diariamente, que poderiam ser multadas por gerenciar o seu "negócio" de alimentar os pobres.

A insólita notificação foi colocada em um poste de luz de fora da casa, onde as irmãs servem os indigentes e desabrigados que, se não fosse pelas Irmãs da família espiritual fundada por Madre Teresa de Calcutá, simplesmente teriam nada para comer.

O aviso de 20 de março foi recentemente publicado nesta quarta-feira, 2 de abril pelo jornal El Nuevo Herald em sua íntegra. Esta afirma que a operação de um ‘negócio´ sem uma licença é ilegal perante a lei estadual e Municipal; por isso exigem legaliza-lo e solicitar permissão das autoridades para continuar seu trabalho com os pobres.

O documento adverte as irmãs que se elas continuam seu "negócio" de alimentar os indigentes gratuitamente, poderiam receber uma multa de até 100 dólares diárias.

"Não estamos operando um negócio. Nosso negócio é fazer o bem", disse a Madre Superiora da casa dos missionárias da caridade, Irmã Lima Marie, ao El Nuevo Herald.

O que estamos violando?", pergunta a freira e lembra que a única missão desta congregação católica religiosa fundada em 1950, para ajudar "os mais pobres entre os pobres" é "saciar a sede de Jesus na Cruz, trabalhando para a salvação e a santificação daa almaa".

As Missionárias da caridade possuem 710 centros em mais de 133 países ao redor do mundo onde ajudam os menos favorecidos de diversas formas e estão presentes nos Estados Unidos desde a década de 70.



Fonte: ACI Digital



quarta-feira, 3 de abril de 2013

Catequese do Papa Francisco - 03.04.2013


Praça São Pedro – Vaticano
Quarta-feira, 3 de abril de 2013







Queridos irmãos e irmãs, bom dia,

Hoje retomamos as Catequeses do Ano da Fé. No Credo repetimos esta expressão: “Ressuscitou ao terceiro dia, conforme as Escrituras”. É propriamente o evento que estamos celebrando: a Ressurreição de Jesus, centro da mensagem cristã, ecoando desde o início e transmitido porque se estende até nós. São Paulo escreve aos cristãos de Corinto: “A vós…transmiti, antes de tudo, aquilo que também eu recebi; isso é, que Cristo morreu pelos nossos pecados, segundo as Escrituras, e que foi sepultado e que ressuscitou ao terceiro dia segundo as Escrituras e que apareceu a Cefas e aos Doze” (1 Cor 15, 3-5). Esta breve confissão de fé anuncia propriamente o Mistério Pascal, com as primeiras aparições do Ressuscitado a Pedro e aos Doze: a Morte e a Ressurreição de Jesus são propriamente o coração da nossa esperança. Sem esta fé na morte e na ressurreição de Jesus a nossa esperança será frágil, mas não haverá esperança nenhuma, e propriamente a morte e a ressurreição de Jesus são o coração da nossa esperança. O Apóstolo afirma: “Se Cristo não ressuscitou, vã é a nossa fé e vós estais ainda em vossos pecados” (v. 17). Infelizmente, sempre se procurou obscurecer a fé na Ressurreição de Jesus, e também entre os próprios crentes se insinuaram dúvidas. Um pouco daquela fé “água de rosas”, como dizemos nós; não é a fé forte. E isto por superficialidade, às vezes por indiferença, ocupados por mil coisas que são consideradas mais importantes que a fé, ou por uma visão somente horizontal da vida. Mas é propriamente a Ressurreição que nos abre à esperança maior, porque abre a nossa vida e a vida do mundo ao futuro eterno de Deus, à felicidade plena, à certeza de que o mal, o pecado, a morte podem ser vencidos. E isto leva a viver com mais confiança as realidades cotidianas, enfrentá-las com coragem e com compromisso. A Ressurreição de Cristo ilumina com uma luz nova estas realidades cotidianas. A Ressurreição de Cristo é a nossa força!

Mas como nos foi transmitida a verdade de fé da Ressurreição de Cristo? Há dois tipos de testemunho no Novo Testamento: alguns são na forma de profissão de fé, isso é, de fórmulas sintéticas que indicam o centro da fé; outras, porém, são em forma de relatos do acontecimento da Ressurreição e de fatos ligados a ela. A primeira: a forma da profissão de fé, por exemplo, é aquela que escutamos há pouco, ou aquela da Carta aos Romanos na qual São Paulo escreve: “Se com a tua boca proclamarás: ‘Jesus é o Senhor!’, e com o teu coração creres que Deus o ressuscitou dos mortos, serás salvo” (10, 9). Desde os primeiros passos da Igreja está bem clara e firme a fé no Mistério de Morte e Ressurreição de Jesus. Hoje, porém, gostaria de concentrar-me sobre a segunda, sobre o testemunho na forma de relatos, que encontramos nos Evangelhos. Antes de tudo, notamos que as primeiras testemunhas deste acontecimento foram as mulheres. Ao amanhecer, essas vão ao sepulcro para ungir o corpo de Jesus, e encontram o primeiro sinal: o túmulo vazio (cfr Mc 16,1). Segue depois o encontro com um Mensageiro de Deus que anuncia: Jesus de Nazaré, o Crucificado, não está aqui, ressuscitou (cfr vv. 5-6). As mulheres são movidas por amor e estão prontas para aceitar este anúncio com fé: acreditam, e imediatamente o transmitem, não o guardam para si mesmas, transmitem-no. A alegria de saber que Jesus está vivo, a esperança que enche o coração, não se pode conter. Isto também deve ser feito na nossa vida. Sintamos a alegria de ser cristãos! Nós cremos em um Ressuscitado que venceu o mal e a morte! Tenhamos a coragem de “sair” para levar esta alegria e esta luz a todos os lugares da nossa vida! A Ressurreição de Cristo é a nossa maior certeza; é o tesouro mais precioso! Como não compartilhar com os outros este tesouro, esta certeza? Não é somente para nós, é para transmiti-la, para doá-la aos outros, compartilhá-la com os outros. É propriamente o nosso testemunho.

Um outro elemento. Nas profissões de fé do Novo Testamento, como testemunhas da Ressurreição são recordados somente homens, os Apóstolos, mas não as mulheres. Isto porque, segundo a Lei judaica daquele tempo, as mulheres e as crianças não podiam dar testemunho confiável, credível. Nos Evangelhos, em vez disso, as mulheres têm um papel primário, fundamental. Aqui podemos colher um elemento a favor da historicidade da Ressurreição: se fosse um fato inventado, no contexto daquele tempo não estaria ligado ao testemunho das mulheres. Os evangelistas, em vez disso, narram simplesmente isso que aconteceu: são as mulheres as primeiras testemunhas. Isto mostra que Deus não escolhe segundo os critérios humanos: as primeiras testemunhas do nascimento de Jesus são os pastores, gente simples e humilde; as primeiras testemunhas da Ressurreição são as mulheres. E isto é belo. E isto é um pouco a missão das mulheres: das mamães, das mulheres! Dar testemunho aos filhos, aos sobrinhos, que Jesus está vivo, está vivo, ressuscitou. Mães e mulheres, sigam adiante com este testemunho! Para Deus conta o coração, o quanto estamos abertos a Ele, se somos como as crianças que confiam. Mas isto nos faz refletir também sobre como as mulheres, na Igreja e no caminho de fé, tiveram e têm também hoje um papel particular no abrir as portas ao Senhor, no segui-Lo e no comunicar a sua Face, porque o olhar de fé tem sempre necessidade do olhar simples e profundo do amor. Os apóstolos e os discípulos encontraram dificuldades para acreditar. As mulheres não. Pedro corre ao sepulcro, mas para diante do túmulo vazio; Tomé precisa tocar com as suas mãos as feridas do corpo de Jesus. Também no nosso caminho de fé é importante saber e sentir que Deus nos ama, não ter medo de amá-Lo: a fé se professa com a boca e com o coração, com a palavra e com o amor.

Depois das aparições às mulheres, seguem outras: Jesus torna-se presente de modo novo: é o Crucificado, mas o seu corpo é glorioso; não tornou à vida terrena, mas sim em uma nova condição. No início não O reconhecem, e somente através de suas palavras e os seus gestos os olhos se abrem: o encontro com o Ressuscitado transforma, dá uma nova força à fé, um fundamento inabalável. Também para nós há tantos sinais no qual o Ressuscitado se faz reconhecer: a Sagrada Escritura, a Eucaristia, os outros Sacramentos, a caridade, aqueles gestos de amor que trazem um raio do Ressuscitado. Deixemo-nos iluminar pela Ressurreição de Cristo, deixemo-nos transformar pela sua força, para que também através de nós no mundo os sinais de morte deixem o lugar aos sinais de vida. Vi que há tantos jovens na praça. Aqui estão eles! A vocês digo: levem adiante esta certeza: o Senhor está vivo e caminha ao nosso lado na vida. Essa é a missão de vocês! Levem adiante esta esperança. Estejam ancorados nesta esperança: esta âncora que está no céu; segurem forte a corda, estejam ancorados e levem adiante a esperança. Vocês, testemunhas de Jesus, levem adiante o testemunho de que Jesus está vivo e isto nos dará esperança, dará esperança a este mundo um pouco envelhecido pelas guerras, pelo mal, pelo pecado. Avante, jovens!








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