Início

terça-feira, 30 de julho de 2013

Evangelho do XVII Domingo do Tempo Comum - Ano C


São Lucas 11, 1-13

Naquele tempo, estava Jesus em oração em certo lugar. Ao terminar, disse-Lhe um dos discípulos: "Senhor, ensina-nos a orar, como João Batista ensinou também os seus discípulos". Disse-lhes Jesus: "Quando orardes, dizei: ‘Pai, santificado seja o vosso nome; venha o vosso reino; dai-nos em cada dia o pão da nossa subsistência; perdoai-nos os nossos pecados, porque também nós perdoamos a todo aquele que nos ofende; e não nos deixeis cair em tentação’". Disse-lhes ainda: "Se algum de vós tiver um amigo, poderá ter de ir a sua casa à meia-noite, para lhe dizer: ‘Amigo, empresta-me três pães, porque chegou de viagem um dos meus amigos e não tenho nada para lhe dar’. Ele poderá responder lá de dentro: ‘Não me incomodes; a porta está fechada, eu e os meus filhos estamos deitados e não posso levantar-me para te dar os pães’. Eu vos digo: Se ele não se levantar por ser amigo, ao menos, por causa da sua insistência, levantar-se-á para lhe dar tudo aquilo de que precisa. Também vos digo: Pedi e dar-se-vos-á; procurai e encontrareis; batei à porta e abrir-se-vos-á. Porque quem pede recebe; quem procura encontra e a quem bate à porta, abrir-se-á. Se um de vós for pai e um filho lhe pedir peixe, em vez de peixe dar-lhe-á uma serpente? E se lhe pedir um ovo, dar-lhe-á um escorpião? Se vós, que sois maus, sabeis dar coisas boas aos vossos filhos, quanto mais o Pai do Céu dará o Espírito Santo àqueles que Lho pedem!".




Basta recordar a primeira leitura e o evangelho para ver claramente que a Palavra de Deus deste domingo fala da oração. Abraão reza, intercedendo por Sodoma e Gomorra; Cristo ensina seus discípulos a rezar. Portanto, a oração.

É impressionante não somente o fato de Jesus nos ter mandado rezar, nos ter ensinado a rezar, mas sobretudo, o fato de ele mesmo ter rezado com muitíssima freqüência. Basta recordar o início do evangelho de hoje: “Jesus estava rezando num certo lugar”. Nós sabemos que ele passava noites inteiras em oração, que rezava antes dos grandes momentos de sua vida, que morreu rezando.

Afinal, por que rezar? Para nos abrir para Deus, para nos fazer tomar consciência dele com todo o nosso ser, para que percebamos com cada fibra do nosso ser, do nosso consciente e do nosso inconsciente que não nos bastamos a nós mesmos, mas somos seres chamados a viver a vida em comunhão com o Infinito, em relação com o Senhor. Sem a oração, perderíamos nossa referência viva a Deus, cairíamos na ilusão que somos o centro da nossa vida e reduziríamos o Senhor Deus a uma simples idéia abstrata, distante e sem força. Todo aquele que não reza, seja leigo, seja religioso, seja padre, perde Deus, perde a relação viva com ele. Pode até falar dele, mas fala como quem fala de uma idéia, de uma teoria e não de alguém vivo e próximo, que enche a vida de alegria, ternura, paz e amor. Sem a oração, Deus morre em nós. Sem a oração é impossível uma experiência verdadeira e profunda de Deus e, portanto, é impossível ser cristão. Por tudo isso, a oração tem que ser diária, perseverante e fiel.

Assim, quando agradecemos, reconhecemos que tudo recebemos de Deus; quando suplicamos, reconhecemos e aprendemos que dependemos dele e da sua providência; quando intercedemos, aprendemos e experimentamos que tudo e todos estão nas mãos amorosas de Deus; quando pedimos perdão, reconhecemos que nossa vida é vivida diante dele e a ele devemos prestar contas da existência que recebemos. Portanto, a oração nos abre, nos educa, nos amadurece, nos faz viver em parceria com o Senhor.

Quanto aos modos de rezar, são variados. A melhor forma é com a Sagrada Escritura: tomando a Palavra de Deus, lendo-a com os lábios, meditando-a com o coração e procurando vivê-la na existência. Tome diariamente a Bíblia, leia-a com fé, repita as palavras ou frases que tocaram seu coração e derrame sua alma diante do Senhor. Nunca esqueçamos que essa Palavra de Deus é viva e eficaz, transformando a nossa vida e dando-lhe um novo sentido. Também é importante a oração espontânea, com nossas palavras e a oração vocal, aquela decorada, como o Pai-nosso e a Ave-Maria. Aqui, é bom recordar o terço, que tanto bem tem feito ao longo dos séculos. Mas, a oração por excelência é a própria missa. Aí, de modo pleno, nós somos unidos à própria oração de Cristo, participando do seu sacrifico pela salvação nossa e do mundo inteiro.

Mas, recordemos que a oração não é uma negociata com Deus nem é para dobrar Deus aos nossos caprichos. É, antes, para nos tornar disponíveis à vontade do Senhor a nosso respeito. Uma das coisas muito belas da oração é que, tendo rezado e pedido, o que acontecer depois podemos saber com certeza que é vontade de Deus! É nesse sentido que Nosso Senhor afirmou que tudo quanto pedirmos em seu nome, o Pai no-lo concederá. Ora, o que é pedir em nome de Jesus? É pedir como Jesus; “Pai, não se faça a minha, mas a tua vontade”. Rezar assim é entrar no cerne da oração de Jesus. Então, tudo que nos vier, saberemos que é vontade do Pai, pois sabemos que nossa oração foi atendida; e nisto teremos paz.

Que nesta Missa, nós peçamos, humildemente, como os primeiros discípulos: “Senhor, ensina-nos a rezar”. E aqui não se trata de fórmulas, mas de atitudes. Observemos que a oração que Jesus ensinou, o Pai-nosso, é toda ela centrada não em nós, mas no Pai: no seu Reino, na sua vontade, na santificação do seu nome. Somente depois, quando aprendermos a deixar que Deus seja tudo na nossa vida, é que experimentaremos que somos pessoas novas, transformadas pela graça do Senhor.

Cuidemos, pois de avaliar nossa vida de oração e retomar nosso caminho de busca de intimidade com o Senhor, ele que é a fonte e a razão de ser da nossa existência. Amém.



Por Dom Henrique Soares da Costa




Fonte: Presbíteros




segunda-feira, 22 de julho de 2013

Angelus com o Papa Francisco – 21.07.2013







Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

Neste domingo continuamos a leitura do décimo capítulo do evangelista Lucas. O trecho de hoje é aquele de Marta e Maria. Quem são estas duas mulheres? Marta e Maria, irmãs de Lázaro, são parentes e fiéis discípulas do Senhor, que moravam em Betânia. São Lucas as descreve deste modo: Maria, aos pés de Jesus, “escutava a sua palavra”, enquanto Marta estava ocupada em muitos trabalhos (dcr Lc 10, 39-40). Ambas oferecem acolhimento ao Senhor que passava, mas o fazem de maneira diferente. Maria se coloca aos pés de Jesus, em escuta, Marta ao invés se deixa absorver pelas coisas que precisava preparar, e é assim ocupada em dirigir-se a Jesus dizendo: “Senhor, não se importa nada que minha irmã me deixe sozinha no serviço? Diga a ela que me ajude” (v. 40). E Jesus a responde reprovando-a com doçura: “Marta, Marta, você se preocupa e se agita por muitas coisas, mas uma coisa… só é necessária” (v. 41).

O que Jesus quer dizer? Qual é esta coisa só de que precisamos? Antes de tudo é importante entender que não se trata da contraposição entre duas atitudes: a escuta da palavra do Senhor, a contemplação, e o serviço concreto ao próximo. Não são duas atitudes contrapostas, mas, ao contrário, são dois aspectos ambos essenciais para nossa vida cristã; aspectos que não se separam jamais, mas vividos em profunda harmonia. Mas então por que Marta recebe a reprovação, apesar de feita com doçura? Porque considerou essencial só o que estava fazendo, era isto é absorvida demais e preocupada pelas coisas a “fazer”. Em um cristão, as obras de serviço e de caridade não são jamais separadas pela fonte principal de cada nossa ação: isto é, a escuta da Palavra do Senhor, o estar – como Maria – aos pés de Jesus, na atitude do discípulo. E por isto Marta é reprovada.

Também em nossa vida cristã, oração e ação sejam sempre profundamente unidas. Uma oração que não leva à ação concreta em direção ao irmão pobre, enfermo, necessitado de ajuda, o irmão em dificuldade, é uma oração estéril e incompleta. Mas, ao mesmo modo, quando no serviço eclesial se está atento só ao fazer, se dá mais peso às coisas, às funções, às estruturas, e se esquece da centralidade de Cristo, não se reserva tempo para o diálogo com Ele na oração, se arrisca servir a si mesmo e não Deus presente no irmão necessitado. São Bento resumia o estilo de vida que indicava aos seus monges em duas palavras: “ora et labora”, reza e trabalha. É da contemplação, de uma forte relação de amizade com o Senhor que nasce em nós a capacidade de viver e de levar o amor de Deus, sua misericórdia, sua ternura para com os outros. E também o nosso trabalho com o irmão necessitado, o nosso trabalho de caridade nas obras de misericórdia, nos leva ao Senhor, porque nós vemos exatamente o Senhor no irmão e na irmã necessitados.

Peçamos à Virgem Maria, Mãe da escuta e do serviço, que nos ensine a meditar em nosso coração a Palavra de seu Filho, a rezar com fidelidade, para estar sempre atentos concretamente às necessidades dos irmãos.

Após o Angelus

Saúdo com afeto todos os peregrinos presentes: famílias, paróquias, associações, movimentos e grupos. Especialmente, saúdo os fiéis de Florença, Foggia e Villa Castelli, e os coroinhas de Conselve com os familiares. Eu vejo escrito, lá embaixo: “Boa viagem!”. Obrigado! Obrigado! Peço que me acompanhem espiritualmente com a oração na Viagem que realizarei a partir de amanhã. Como sabem, me dirigirei ao Rio de Janeiro no Brasil, por ocasião da 28ª Jornada Mundial da Juventude. Haverão tantos jovens, lá, vindos de todas as partes do mundo. E penso que esta possa se chamar de Semana da Juventude: por isso, exatamente a Semana da Juventude! Os protagonistas nesta semana serão os jovens. Todos aqueles que vem ao Rio querem ouvir a voz de Jesus, escutar Jesus: “Senhor, o que devo fazer da minha vida? Qual é o caminho para mim?”. Também vocês – não sei se há jovens, hoje, aqui, na praça! Tem jovens aqui? Estão ali: também vocês, jovens que estão na praça, façam a mesma pergunta ao Senhor: “Senhor Jesus, o que devo fazer da minha vida? Qual é o caminho para mim?”. Confiemos à intercessão da Bem-aventurada Virgem Maria, tão amada e venerada no Brasil, estes pedidos: aquela que farão os jovens que lá estarão, e esta que vocês farão, hoje. E que Nossa Senhora nos ajude nesta nova etapa de peregrinação. A todos vocês desejo um bom domingo! Bom almoço. Até breve!








sábado, 20 de julho de 2013

Evangelho do XVI Domingo do Tempo Comum - Ano C


São Lucas 10, 38-42

Naquele tempo, Jesus entrou em certa povoação e uma mulher chamada Marta recebeu-O em sua casa. Ela tinha uma irmã chamada Maria, que, sentada aos pés de Jesus, ouvia a sua palavra. Entretanto, Marta atarefava-se com muito serviço. Interveio então e disse: "Senhor, não Te importas que minha irmã me deixe sozinha a servir? Diz-lhe que venha ajudar-me". O Senhor respondeu-lhe: "Marta, Marta, andas inquieta e preocupada com muitas coisas, quando uma só é necessária. Maria escolheu a melhor parte, que não lhe será tirada".








O Senhor hoje nos acolhe em sua Casa, hospeda-nos ao redor do seu Altar sagrado, para nos falar de hospitalidade. Aquele que nos hospeda bate à nossa porta, humildemente, como hóspede, esperando ser acolhido por nós: “Eis que estou à porta e bato: se alguém ouvir minha voz e abrir a porta, entrarei em sua casa e cearei com ele, e ele comigo” (Ap 3,20). Abramos para ele nosso coração e nossa vida.

A Palavra de Deus apresenta-nos, nas leituras deste Domingo, dois modos de acolher o Senhor; dois modos distintos, mas que se relacionam e mutuamente se condicionam. O primeiro, é acolhendo-o na sua Palavra, como Maria, a irmã de Marta e de Lázaro. Para nós, ela é modelo do discípulo perfeito, pois “sentou-se aos pés do Senhor, e escutava sua palavra”. Marta também acolheu Jesus, mas é um acolhimento exterior e, portanto, superficial, como o daqueles que são cristãos tão empenhados em trabalhar por Cristo e em falar de Cristo, que esquecem de estar com Cristo, de realmente dar-lhe atenção na escuta da Palavra e na oração. Ora, é nisto, precisamente, que Maria, hoje, é exemplo para nós: “sentou-se aos pés do Senhor”. – Vejam a disponibilidade, à atenção à Pessoa de Cristo, a disposição em acolher a Palavra que brota do coração do Salvador: “escutava sua palavra”. Aqui, cabe-nos perguntar: neste mundo dispersivo e agitado, neste mundo da competição e do estresse, tenho tido tempo, realmente, para acolher o Cristo que bate à minha porta? “Eis que estou à porta e bato: se alguém ouvir minha voz e abrir a porta, entrarei…” Não tenhamos dúvida que grande parte da crise de fé e de entusiasmo de muitos cristãos decorre da falta desse acolhimento íntimo em relação ao Senhor, da incapacidade de hospedá-lo no nosso afeto e no nosso coração pela escuta da Palavra que se torna oração amorosa e perseverante. Talvez sirva para todos nós, ativos em excesso e dispersos contumazes, a advertência de Jesus: “Marta, Marta! Tu te preocupas e andas agitada por muitas coisas. Porém, uma só coisa é necessária”. Qual? Que coisa é a única necessária? Estar aos pés do Senhor, abrindo-se à sua Palavra: “O homem não vive somente de pão, mas de toda Palavra que sai da boca de Deus” (Mt 4,4). É esta a parte que Maria escolheu e que, por nós escolhida, jamais nos será tirada, porque Deus é fiel!

Mas, há um outro modo de acolher Aquele que está à porta e bate. Este modo deve decorrer da escuta da Palavra e mostra se essa Palavra é eficaz na nossa vida. Trata-se de acolher os outros, de hospedá-los no nosso coração e na nossa vida. Recordemos a cena de Abraão, nosso pai na fé. Colhamos os detalhes! Abraão estava sentado, talvez descansando do almoço, “no maior calor do dia”. Ao ver os estrangeiros que lhe estão próximos, corre ao encontro deles. Observem a solicitude de nosso pai na fé: não os conhecia, mas corre, com pressa, até eles e os reverencia: “Assim que os viu, correu ao seu encontro e prostrou-se por terra”. Observem a insistência no convite para que os estranhos comam de sua mesa; notem a solicitude em preparar rápido o melhor que tem: entrou logo na tenda, tomou farinha fina, correu ao rebanho e pegou um dos bezerros mais tenros e melhores, pegou coalhada e colocou tudo diante dos hóspedes… Por que fez isso? Porque tem fé! Para Abraão, não existe acaso. Notem como ele diz aos estrangeiros: “Foi para isso mesmo que vos aproximastes do vosso servo”. Ou seja: fizestes-vos próximos de mim para que eu me faça próximos de vós e vos sirva! Notem ainda como a situação se inverte: ao início, Abraão estava sentado e os hóspedes, de pé; agora, Abraão está de pé, servindo, e os hóspedes, comodamente sentados. Sem saber, naqueles estrangeiros, acolhidos desinteressadamente, Abraão estava acolhendo o próprio Senhor. E, ao fazê-lo, ao esquecer-se de si para preocupar-se com os outros, tornou-se fecundo: “Onde está Sara, tua mulher? Voltarei, sem falta, no ano que vem, por esse tempo, e sara, tua mulher, já terá um filho!” Bendita hospitalidade, que gera vida! Bendito sair de nós, que nos torna fecundos!

Domingo passado, a Palavra nos fazia perguntar: quem é o meu próximo? Pois hoje, a pergunta volta, insistente: quem são aqueles e aquelas que estão de pé, à porta da minha tenda esperando que eu os acolha no meu coração e na minha atenção? Pensemos nos pobres, nos desvalidos, nos sem amor, nos que caíram, nos que se sentem sozinhos, nos que batem à nossa porta pedindo uma esmola e nos que pedem atenção, respeito, compreensão, perdão e amor… Somos tão tentados ao fechamento no nosso mundo e nas nossas preocupações! E, no entanto, neles, o Senhor bate à nossa porta, pede-nos hospedagem: “Eis que estou à porta e bato!” E isso não é de hoje nem de ontem: desde Belém, que ele está à porta, desde Belém, que ele procura o nosso acolhimento! Desde Belém, não “havia lugar para ele na hospedaria” (Lc 2,7).

Então, somente poderemos hospedar Jesus em plenitude quando estes dois modos se completam: hospedá-lo na escuta da Palavra e no silêncio da oração e hospedá-lo naqueles que vêm a nós pelos caminhos da vida. Calha maravilhosamente hoje o conselho do Autor da Carta aos Hebreus: “O amor fraterno permaneça. Não vos esqueçais da hospitalidade, porque graças ela alguns, sem saber, acolheram anjos” (Hb 13,1s). Mais que anjos: acolheram o próprio Deus, aquele que disse: “Em verdade vos digo: cada vez que o fizestes a um desses irmãos mais pequeninos, a mim o fizestes!” (Mt 25,40).

Que o Senhor nos conceda hospedar sempre, para que encontremos hospedagem no seu coração. A ele a glória para sempre. Amém.




Por Dom Henrique Soares da Costa




Fonte: Presbíteros




segunda-feira, 15 de julho de 2013

Angelus com o Papa Francisco – 14.07.2013


Domingo, 14 de julho de 2013
Castel Gandolfo








Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

Hoje o nosso encontro dominical do Angelus vivemos aqui em Castel Gandolfo. Eu saúdo os habitantes desta linda cidadezinha! Gostaria de vos agradecer, sobretudo pelas vossas orações, e o mesmo faço com todos vocês peregrinos, que vieram em grande número aqui.

O Evangelho de hoje – estamos no capítulo 10 de Lucas – é a famosa parábola do Bom Samaritano. Quem era esse homem? Era alguém, que descia de Jerusalém em direção à Jericó na estrada que atravessa o deserto da Judéia. Há pouco, nesta estrada, um homem havia sido atacado por bandidos, roubado, espancado e deixado quase morto. Antes do samaritano, passaram um sacerdote e um levita, ou seja, duas pessoas envolvidas com o culto no Templo do Senhor. Eles vêem aquele pobre homem, mas seguem sem parar. Em vez disso, o samaritano, quando viu o homem, “teve compaixão” (Lc 10:33), diz o Evangelho. Ele aproximou-se e enfaixou as feridas, derramando um pouco de azeite e vinho, depois e colocou-o em seu próprio animal e levou-o para uma hospedaria, e pagou para ele o alojamento … Quer dizer, cuidou dele: é o exemplo de amor ao próximo. Mas porque Jesus escolheu um samaritano como protagonista desta parábola? Por que os samaritanos eram desprezados pelos judeus, por causa de diferentes tradições religiosas; e Jesus faz ver que o coração daquele Samaritano é bom e generoso e que – ao contrário do sacerdote e do levita – ele coloca em prática a vontade de Deus, que quer a misericórdia e não o sacrifício (cf. Mc 12:33). Deus sempre quer a misericórdia e não a condenação. Quer a misericórdia do coração, porque Ele é misericordioso e sabe entender bem as nossas misérias, as nossas dificuldades e também os nossos pecados. Dá a todos nós este coração misericordioso! O samaritano faz exatamente isto: imita a misericórdia de Deus, a misericórdia para com aqueles que têm necessidade.

Um homem que viveu plenamente este Evangelho do Bom Samaritano é o Santo que hoje recordamos: São Camilo de Léllis, fundador dos Ministros dos Enfermos, o padroeiro dos doentes e dos profissionais de saúde. São Camilo morreu 14 de julho de 1614 e exatamente hoje se abre a celebração do seu quarto centenário, que terá o seu ápice em um ano. Saúdo com grande afeto a todos os filhos e filhas espirituais de São Camilo, que vivem o seu carisma de caridade no contato diário com os doentes. Sejam como ele bons samaritanos! E também aos médicos, aos enfermeiros e àqueles que trabalham em hospitais e asilos, desejo serem animados pelo mesmo espírito. Confiemos esta intenção à intercessão de Maria Santíssima.

E uma outra intenção eu gostaria de confiar à Nossa Senhora, junto a todos vocês. Está próxima a Jornada Mundial da Juventude do Rio de Janeiro. Se vê que existem tantos jovens de idade, mas todos vocês são jovens no coração! Eu partirei em oito dias, mas muitos jovens irão ao Brasil antes. Rezemos então por esta grande peregrinação que começa, para que Nossa Senhora Aparecida, Padroeira do Brasil, guie os passos dos participantes e abra os seus corações para acolher a missão que Cristo dará a eles.










Evangelho do XV Domingo do Tempo Comum - Ano C


São Lucas 10, 25-37

Naquele tempo, levantou-se um doutor da lei e perguntou a Jesus para O experimentar: "Mestre, que hei-de fazer para receber como herança a vida eterna?" Jesus disse-lhe: "Que está escrito na lei? Como lês tu?" Ele respondeu: "Amarás o Senhor teu Deus com todo o teu coração e com toda a tua alma, com todas as tuas forças e com todo o teu entendimento; e ao próximo como a ti mesmo". Disse-lhe Jesus: "Respondeste bem. Faz isso e viverás". Mas ele, querendo justificar-se, perguntou a Jesus: "E quem é o meu próximo?" Jesus, tomando a palavra, disse: "Um homem descia de Jerusalém para Jericó e caiu nas mãos dos salteadores. Roubaram-lhe tudo o que levava, espancaram-no e foram-se embora, deixando-o meio morto. Por coincidência, descia pelo mesmo caminho um sacerdote; viu-o e passou adiante. Do mesmo modo, um levita que vinha por aquele lugar, viu-o e passou também adiante. Mas um samaritano, que ia de viagem, passou junto dele e, ao vê-lo, encheu-se de compaixão. Aproximou-se, ligou-lhe as feridas deitando azeite e vinho, colocou-o sobre a sua própria montada, levou-o para uma estalagem e cuidou dele. No dia seguinte, tirou duas moedas, deu-as ao estalajadeiro e disse: ‘Trata bem dele; e o que gastares a mais eu to pagarei quando voltar’. Qual destes três te parece ter sido o próximo daquele homem que caiu nas mãos dos salteadores?" O doutor da lei respondeu: "O que teve compaixão dele". Disse-lhe Jesus: Então vai e faz o mesmo".




A Palavra de Deus proposta neste Domingo é surpreendente. Tudo começa com uma pergunta que, apesar de mal intencionada, é válida, necessária, sempre urgente; pergunta que brota do mais profundo da nossa angústia: “Que devo fazer para receber a vida? Como devo viver para viver de verdade, para que minha vida valha a pena e não seja uma paixão inútil?” Apesar de um mundo que procura nos distrair dessa pergunta, não há como sufocá-la, como fazer de conta que ela não perturba nosso coração! Pelo amor de Deus, responda o mundo tão animado e cheio de distrações: onde está a felicidade duradoura? Onde está a vida, a realização da existência? Que caminho seguir, para ser feliz de verdade?

Jesus indica o caminho: “O que está escrito na Torah? Como lês?” – Aqui, há algo importantíssimo. Jesus está falando com um escriba judeu; por isso, manda-o à Lei de Moisés. Uma coisa ele quer deixar clara: a vida não está no homem, mas na vontade de Deus! O homem somente será feliz, somente encontrará a vida se procurar lealmente a vontade de Deus. Por isso, no Salmo 118, o Salmista pede, de modo comovente: “Sou apenas peregrino sobre a terra; de mim não oculteis vossos preceitos!” Perder de vista o projeto de Deus para nós, é perder de vista a própria vida, o sentido da existência! Não esqueçamos, para não sermos enganados: fechados para a vontade do Senhor, não encontraremos a realização verdadeira! E este é o drama do mundo atual, que se julga maior de idade e, portanto, independente de Deus. Na verdade, é um mundo ateu, porque é um mundo auto-suficiente, que só confia de verdade na sua filosofia, na sua tecnologia, na sua racionalidade pagã e na sua moral fechada para o Infinito!

Ao invés, Jesus nos força a abrir o coração para o Alto, para o Altíssimo; convida-nos a respirar fundo o ar novo e puro, que brota das narinas de Deus e dá novo alento ao ser humano cansado e envelhecido pelo pecado! “Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração e com toda a tua alma, com toda a tua força e com toda a tua inteligência”. Esta abertura para Deus dilata e realiza o coração humano, que foi criado para dar e receber amor, amor na relação com Deus, que desemboca, generoso, no amor em relação aos outros: “Amarás o teu próximo como a ti mesmo”. – “Faze isto e viverás!” Os filósofos ateus dos séculos XIX e XX – de Feuerbach a Sartre – gostavam de insistir que Deus escraviza o homem, desumaniza a humanidade, impedindo-a de ser ela própria, de ser feliz. É mentira! É um triste mal-entendido! A verdadeira abertura para Deus nos faz crescer, nos faz superar nossos estreitos limites, nos lança de verdade em relação a Deus e nos compromete com os outros! Os mandamentos de Deus realizam o mais profundo anseio do nosso coração, que é a vida: “Converte-te ao Senhor, teu Deus, com todo o teu coração e com toda a tua alma! Na verdade, o mandamento que hoje te dou não é difícil demais, nem está fora do teu alcance!” O próprio Deus – acreditem – nos deu o desejo e a capacidade de amar ao nos criar à sua imagem!

Jesus insiste ainda em algo muito importante: nossa relação com Deus, se é verdadeira, deve abrir-nos aos irmãos: “Quem é o meu próximo?” – A resposta de Jesus é clara: nosso próximo são aqueles que a vida fez próximos de nós. Nosso próximo são os próximos! Ou os amamos de verdade, ou não há próximo para amar. O próximo viraria uma idéia abstrata e sem valor algum. Não esqueçamos: o próximo tem rosto, tem cheiro, tem problemas e, às vezes, nos incomoda, nos atrapalha, nos desafia, nos causa raiva e contradição. É a este próximo, concreto como uma rocha, que eu devo amar! Mas, atenção: um judeu deve amar o próximo como a si mesmo: é isto que está escrito na Lei. Um cristão, não! Ele deve amar o próximo como Jesus: até dar a vida: “Amai-vos como eu vos amei. Dei-vos o exemplo para que, como eu vos fiz, façais vós também!” (Jo 13,34.15).

Recordemos que o próprio Senhor nos deu o exemplo; ele mesmo se fez próximo de nós: sendo Deus se fez homem, veio viver a nossa aventura, partilhar a nossa sorte, para nos dar a sua vida: “Cristo é a imagem do Deus invisível… porque Deus quis habitar nele com toda a sua plenitude”. Ele não viu nossa miséria de longe, não nos amou à distância: desceu e veio viver a nossa vida, fazendo-se Deus-conosco! Por isso, ele é o verdadeiro Bom Samaritano, o verdadeiro modelo daquele que “se faz próximo” do próximo: viu-nos à margem do caminho da vida; viu-nos roubados e despojados de nossa dignidade de imagem de Deus; viu-nos totalmente perdidos… Ele se compadeceu de nós, desceu à nossa miséria, fez-se homem, para nos curar e elevar. Nele, se revela a plenitude do amor a Deus e aos outros: “Deus quis por ele reconciliar consigo todos os seres que estão na terra e no céu, realizando a paz pelo sangue da sua cruz”. Então, somente em Cristo, encontramos a vida verdadeira e a realização pela qual tanto almejamos. Só ele nos reconcilia com Deus e no abre uns para os outros, aproximando-nos no seu amor!

Quando os cristãos não conseguem viver isso, quando não conseguem deixar que essa realidade maravilhosa transpareça, é porque estão sendo infiéis, estão sendo uma caricatura de discípulos do Senhor Jesus. Que responsabilidade a nossa! Saiamos daqui, hoje, com essa pergunta: quem são os meus próximos? Que tenho feito com eles? Pensemos em Jesus que veio ser próximo, e ainda se faz próximo hoje, em cada Eucaristia. Pensemos nele: “Vai, tu também, e faze o mesmo!” Amém.



Por D. Henrique Soares da Costa




Fonte: Presbíteros




domingo, 7 de julho de 2013

Papa Francisco aprova a canonização de João Paulo II e João XXIII


O Papa Francisco aprovou o decreto de canonização do Beato João Paulo II e João XXIII, conforme explicou o porta-voz do Escritório de Imprensa do Vaticano, Padre Federico Lombardi. Os cardeais e bispos da Congregação para as Causas dos Santos aprovaram nesta terça-feira o segundo milagre atribuído ao Beato João Paulo II e que abre as portas para sua canonização, como relatado por fontes do Vaticano.

Embora não tenha havido confirmação oficial, as mesmas fontes disseram como possíveis datas para a canonização de João Paulo II o dia 24 de novembro, no fim da celebração do Ano da Fé, ou dia 08 de dezembro.

Além disso, a imprensa italiana já indicava nesta terça-feira que a cerimônia de canonização de João Paulo II poderia ser feita junto com a de João XXIII, conhecido como o "Papa Bom".

Assim, o jornal italiano "La Stampa", observou nesta terça-feira que "Inesperadamente, os cardeais e bispos também terão que discutir outro caso, o da canonização de João XXIII", o Pontífice que convocou o Concílio Vaticano II, falecido há 50 anos e cuja beatificação ocorreu em 2000.

Nessa linha, afirmava que essa mudança "não prevista" demonstra "a vontade de celebrar juntas" as duas cerimônias de canonização e assinala que Roncalli e Wojtyla "poderiam ser canonizados em dezembro de 2013, imediatamente após o final do Ano da Fé, visto que a hipótese inicial de outubro parece cada vez menos plausível pela falta de tempo e problemas organizacionais".

Karol Wojtyla foi beatificado no dia 1 º de maio de 2011, depois da aprovação do seu primeiro milagre com a assinatura do agora Bispo Emérito de Roma Bento XVI. Naquela ocasião, se tratou de uma cura, dois meses após sua morte, da religiosa francesa Marie Simon Pierre, que sofria da doença de Parkinson desde 2001, a mesma que João Paulo II sofreu em seus últimos anos.

Por sua parte, João XXIII foi beatificado por João Paulo II em setembro de 2000, durante o Jubileu, na mesma celebração da beatificação de Pio IX. Na ocasião, o milagre aprovado para a sua beatificação foi a cura da Irmã Caterina Capitani em 1966.

O Papa João XXIII convocou o Concílio Vaticano II, e morreu, enquanto o Concílio estava em andamento, muitos bispos propuseram proclamar o "Papa Bom" como santo por aclamação, mas seu sucessor, Paulo VI, optou por seguir as vias canônicas, por isso começou o processo canônico, em seguida, foi beatificado pelo seu antecessor Pio XII.





Fonte: ACI Digital



Angelus com Papa Francisco – 07.07.2013


Praça São Pedro
Domingo, 7 de julho de 2013






Queridos irmãos e irmãs! Bom dia!

Antes de tudo desejo partilhar convosco a alegria de ter encontrado, ontem e hoje, uma peregrinação especial do Ano da Fé: aquela dos seminaristas, noviços e noviças. Peço-vos para rezarem por eles, para que o amor de Cristo amadureça sempre mais na vida deles e eles se tornem verdadeiros missionários do Reino de Deus.

O Evangelho deste domingo (Lc 10,1-12.17-20) nos fala propriamente sobre isto: do fato de que Jesus não é um missionário isolado, não quer cumprir sozinho a sua missão, mas envolve os seus discípulos. E hoje vemos que, além dos Doze apóstolos, chama outros setenta e dois, e os manda às aldeias, dois a dois, para anunciar que o Reino de Deus está próximo. Isto é muito belo! Jesus não quer agir sozinho, veio para trazer ao mundo o amor de Deus e quer difundi-lo com o estilo da comunhão, com o estilo da fraternidade. Por isto forma imediatamente uma comunidade de discípulos, que é uma comunidade missionária. Imediatamente os prepara para a missão, para ir.

Mas atenção: o foco não é socializar, passar o tempo juntos, não, o foco é anunciar o Reino de Deus, e isto é urgente! E também hoje é urgente! Não há tempo a perder batendo papo, não é preciso esperar o consenso de todos, é preciso ir e anunciar. A todos se leva a paz de Cristo, e se não a acolhem, se segue em frente. Aos doentes se leva a cura, porque Deus quer curar o homem de todo mal. Quantos missionários fazem isto! Semeiam vida, saúde, conforto às periferias do mundo. Que belo é isto! Não viver para si mesmo, não viver para si mesma, mas vive para ir e fazer o bem! São tantos jovens hoje na Praça: pensem nisso, perguntem: Jesus me chama para ir, para sair de mim e fazer o bem? A vocês, jovens, a vocês rapazes e moças, pergunto: vocês são corajosos para isto, têm a coragem de ouvir a voz de Jesus? É belo ser missionários! Ah, são bravos! Eu gosto disso!

Estes setenta e dois discípulos, que Jesus envia à sua frente, quem são? Quem representam? Se os Doze são os Apóstolos, e também representam os Bispos, seus sucessores, estes setenta e dois podem representar os outros ministros ordenados, presbíteros e diáconos; mas em sentido mais amplo, podemos pensar nos outros ministérios na Igreja, nos catequistas, nos fiéis leigos que se empenham nas missões paroquiais, em quem trabalha com os doentes, com as diversas formas de desconforto e alienação; mas sempre como missionários do Evangelho, com a urgência do Reino que está próximo. Todos devem ser missionários, todos podem ouvir aquele chamado de Jesus e seguir adiante e anunciar o Reino!

Diz o Evangelho que aqueles setenta e dois voltaram da sua missão repletos de alegria, porque tinham experimentado o poder do Nome de Cristo contra o mal. Jesus confirma isso: a estes discípulos Ele dá a força para derrotar o maligno. Mas acrescenta: “Contudo, não vos alegreis porque os espíritos vos estão sujeitos, mas alegrai-vos de que os vossos nomes estejam nos céus” (Lc 10, 20). Não devemos vangloriar-nos como se fôssemos nós os protagonistas: protagonista é um só, é o Senhor! Protagonista é a graça do Senhor! Ele é o único protagonista! E a nossa alegria é somente esta: ser seus discípulos, seus amigos. Ajude-nos Nossa Senhora a sermos bons operários do Evangelho.

Queridos amigos, a alegria! Não tenham medo de ser alegres! Não tenham medo da alegria! Aquela alegria que nos dá o Senhor quando O deixamos entrar na nossa vida, deixamos que Ele entre na nossa vida e nos convide a sair de nós rumo às periferias da vida e anunciar o Evangelho. Não tenham medo da alegria. Alegria e coragem!









sábado, 6 de julho de 2013

Evangelho do XIV Domingo do Tempo Comum - Ano C


São Lucas 10, 1-12.17-20

Naquele tempo, designou o Senhor setenta e dois discípulos e enviou-os dois a dois à sua frente, a todas as cidades e lugares aonde Ele havia de ir. E dizia-lhes: "A seara é grande, mas os trabalhadores são poucos. Pedi ao dono da seara que mande trabalhadores para a sua seara. Ide: Eu vos envio como cordeiros para o meio de lobos. Não leveis bolsa nem alforge nem sandálias, nem vos demoreis a saudar alguém pelo caminho. Quando entrardes nalguma casa, dizei primeiro: ‘Paz a esta casa’. E se lá houver gente de paz, a vossa paz repousará sobre eles; senão, ficará convosco. Ficai nessa casa, comei e bebei do que tiverem, que o trabalhador merece o seu salário. Não andeis de casa em casa. Quando entrardes nalguma cidade e vos receberem, comei do que vos servirem, curai os enfermos que nela houver e dizei-lhes: ‘Está perto de vós o reino de Deus’. Mas quando entrardes nalguma cidade e não vos receberem, saí à praça pública e dizei: ‘Até o pó da vossa cidade que se pegou aos nossos pés sacudimos para vós. No entanto, ficai sabendo: Está perto o reino de Deus’. Eu vos digo: Haverá mais tolerância, naquele dia, para Sodoma do que para essa cidade". Os setenta e dois discípulos voltaram cheios de alegria, dizendo: "Senhor, até os demônios nos obedeciam em teu nome". Jesus respondeu-lhes: "Eu via Satanás cair do céu como um relâmpago. Dei-vos o poder de pisar serpentes e escorpiões e dominar toda a força do inimigo; nada poderá causar-vos dano. Contudo, não vos alegreis porque os espíritos vos obedecem; alegrai-vos antes porque os vossos nomes estão escritos nos Céus".



O Evangelho (Lc 10, 1-12. 17-20) relata a partida dos discípulos para anunciarem a chegada do Reino de Deus. Com a sua passagem, multiplicam-se os milagres: cegos que recuperam a vista, leprosos que ficam limpos, pecadores que decidem fazer penitência. E vão levando por toda a parte a paz de Cristo. O próprio Senhor os encarrega disso, antes de deixá-los partir para essa missão apostólica: Em qualquer casa em que entrardes, dizei primeiro: A paz esteja nesta casa! Se ali morar um amigo da paz, a vossa paz repousará sobre ele… Esta mensagem será repetida pela Igreja até o fim dos tempos.

Depois de tantos anos, ainda vemos que o mundo não está em paz; anseia e clama por ela, mas não a encontra.

Poucas vezes como no nosso tempo se mencionou tanto a palavra paz, e talvez poucas vezes como no nosso tempo a paz esteja tão longe do mundo.

Talvez o mundo esteja buscando a paz onde não a pode encontrar; talvez a confunda com a tranquilidade; talvez a faça depender de circunstâncias externas e alheias ao próprio homem. A paz vem de Deus e é um dom divino “que supera todo entendimento” (Fil. 4,7), e que se concede somente aos homens de boa vontade (Lc 2,14), aos que procuram com todas as suas forças conformar a sua vida com o querer divino.

Ensinava São Josemaria Escrivá: “A paz, que traz consigo a alegria, o mundo não a pode dar.

- Os homens estão sempre fazendo pazes, e andam sempre enredados em guerras, porque esqueceram o conselho de lutar por dentro, de recorrer ao auxílio de Deus, para que Ele vença, e assim consigam a paz no seu próprio eu, no seu próprio lar, na sociedade e no mundo.

- Se nos comportamos deste modo, a alegria será tua e minha, porque é propriedade dos que vencem. E com a graça de Deus – que não perde batalhas – chamar-mos-emos vencedores, se formos humildes” (Forja, 102).

Então seremos portadores da paz verdadeira, e a levaremos como um tesouro inestimável aos lugares onde estivermos: à família, ao local de trabalho, aos amigos…, ao mundo inteiro.

“A violência e a injustiça, frisa o Beato João Paulo II, têm raízes profundas no coração de cada indivíduo, de cada um de nós.” Do coração procedem “todas as desordens que os homens são capazes de cometer contra Deus, contra os irmãos e contra eles próprios, provocando no mais íntimo das suas consciências uma ferida, uma profunda amargura, uma falta de paz que necessariamente se reflete no entrançado da vida social. Mas é também do coração humano, da sua imensa capacidade de amar, da sua generosidade para o sacrifício, que podem surgir – fecundados pela graça de Cristo – sentimentos de fraternidade e obras de serviço aos homens que como rio de paz (Is 66,12), cooperem para a construção de um mundo mais justo, onde a paz tenha foro de cidadania e impregne todas as estruturas da sociedade.” (A. Del Portillo, Homilia). A paz é consequência da graça santificante, como a violência, em qualquer das suas manifestações, é consequência do pecado.

A vida do cristão converte-se, então, numa luta alegre por rejeitar o mal e alcançar Cristo. Nessa luta, encontra uma segurança cheia de otimismo, mas quando pactua com o pecado e os seus erros, acaba por perdê-la, e converte-se numa fonte de mal-estar ou de violência para si próprio e para os outros.

Unicamente em Cristo encontraremos a paz de que tanto necessitamos para nós mesmos e para que os que estão mais perto. Recorramos a Ele quando as contrariedades da vida pretenderem tirar-nos a serenidade da alma. Recorramos ao Sacramento da Penitência (Confissão) e à direção espiritual se, por não termos lutado suficientemente, a inquietação e o desassossego entrarem no nosso coração.

A presença de Cristo no coração dos seus discípulos é a origem da verdadeira paz, que é riqueza e plenitude, e não simples tranquilidade ou ausência de dificuldades e de luta. São Paulo afirma que o próprio Cristo é a nossa paz (Ef 2,14); possuí-Lo e amá-Lo é a origem de toda a serenidade verdadeira.

Peçamos a Nossa Senhora, Rainha da Paz, que saibamos recorrer, com humildade, às fontes da paz: o Sacrário, a Confissão, a direção espiritual.



Por Mons. José Maria Pereira




Fonte: Presbíteros




Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...