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sábado, 27 de dezembro de 2014

Evangelho da Sagrada Família


São Lucas 2, 41-51a

Os pais de Jesus iam todos os anos a Jerusalém, pela festa da Páscoa. Quando Ele fez doze anos, subiram até lá, como era costume nessa festa. Quando eles regressavam, passados os dias festivos, o Menino Jesus ficou em Jerusalém, sem que seus pais o soubessem. Julgando que Ele vinha na caravana, fizeram um dia de viagem e começaram a procurá-l’O entre os parentes e conhecidos. Não O encontrando, voltaram a Jerusalém, à sua procura. Passados três dias, encontraram-n’O no templo, sentado no meio dos doutores, a ouvi-los e a fazer-lhes perguntas. Todos aqueles que O ouviam estavam surpreendidos com a sua inteligência e as suas respostas. Quando viram Jesus, seus pais ficaram admirados e sua Mãe disse-Lhe: "Filho, porque procedeste assim connosco? Teu pai e eu andávamos aflitos à tua procura". Jesus respondeu-lhes: "Porque Me procuráveis? Não sabíeis que Eu devia estar na casa de meu Pai?". Mas eles não entenderam as palavras que Jesus lhes disse. Jesus desceu então com eles para Nazaré e era-lhes submisso.





sábado, 20 de dezembro de 2014

Evangelho do IV Domingo do Advento – Ano B


São Lucas 1, 26-38

Naquele tempo, o Anjo Gabriel foi enviado por Deus a uma cidade da Galileia chamada Nazaré, a uma Virgem desposada com um homem chamado José. O nome da Virgem era Maria. Tendo entrado onde ela estava, disse o Anjo: "Ave, cheia de graça, o Senhor está contigo". Ela ficou perturbada com estas palavras e pensava que saudação seria aquela. Disse-lhe o Anjo: "Não temas, Maria, porque encontraste graça diante de Deus. Conceberás e darás à luz um Filho, a quem porás o nome de Jesus. Ele será grande e chamar-Se-á Filho do Altíssimo. O Senhor Deus Lhe dará o trono de seu pai David reinará eternamente sobre a casa de Jacob e o seu reinado não terá fim". Maria disse ao Anjo: "Como será isto, se eu não conheço homem?". O Anjo respondeu-lhe: "O Espírito Santo virá sobre ti e a força do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra. Por isso o Santo que vai nascer será chamado Filho de Deus. E a tua parenta Isabel concebeu também um filho na sua velhice e este é o sexto mês daquela a quem chamavam estéril porque a Deus nada é impossível". Maria disse então: "Eis a escrava do Senhor faça-se em mim segundo a tua palavra".





Catequese com o Papa Francisco - 17.12.2014


Praça de São Pedro
Quarta-feira, 17 de Dezembro de 2014








A Família - 1. Nazaré

Amados irmãos e irmãs, bom dia!

O Sínodo dos Bispos sobre a Família, recém-celebrado, foi a primeira etapa de um caminho, que terminará em Outubro próximo com a celebração de mais uma Assembleia sobre o tema «Vocação e missão da família na Igreja e no mundo». A oração e a reflexão que devem acompanhar este caminho comprometem todo o Povo de Deus. Gostaria que também as habituais meditações das audiências de quarta-feira se inserissem neste caminho comum. Por isso, decidi ponderar convosco, durante este ano, precisamente sobre a família, sobre este dom grandioso que o Senhor ofereceu ao mundo desde os primórdios, quando conferiu a Adão e Eva a missão de se multiplicar e encher a terra (cf. Gn 1, 28). Um dom que Jesus confirmou e selou no seu Evangelho.

A proximidade do Natal acende uma luz forte sobre este mistério. A encarnação do Filho de Deus abre um novo início na história universal do homem e da mulher. E este novo início tem lugar no seio de uma família, em Nazaré. Jesus nasceu numa família. Ele podia ter vindo de modo espectacular, ou como um guerreiro, um imperador... Mas não: veio como filho, numa família. Isto é importante: ver no presépio esta cena tão bonita!

Deus quis nascer numa família humana, que Ele mesmo formou. Forjou-a num longínquo povoado da periferia do Império romano. Não em Roma, que era a capital do Império, não numa cidade grande, mas numa periferia quase invisível, aliás, bastante famigerada. Recordam-no também os Evangelhos, praticamente como um modo de dizer: «Pode porventura vir algo de bom de Nazaré?» (Jo 1, 46). Talvez, em muitas regiões do mundo, nós mesmos ainda falemos assim, quando ouvimos o nome de um lugar periférico de uma cidade grande. Pois bem, precisamente aí, na periferia do grande Império, começou a história mais santa e boa, a de Jesus entre os homens! E essa família vivia ali.

Jesus permaneceu naquela periferia durante trinta anos. O evangelista Lucas assim resume este período: Jesus «vivia submetido a eles» [ou seja, a Maria e José]. E poder-se-ia dizer: «Mas este Deus que vem para nos salvar perdeu trinta anos ali, naquela periferia de má fama?». Perdeu trinta anos! Ele quis que fosse assim. O caminho de Jesus era no seio daquela família. «A Mãe conservava tudo isto no seu coração, e Jesus crescia em sabedoria, idade e graça diante de Deus e dos homens» (2, 51-52). Não se fala de milagres ou curas, de pregações — não fez alguma nessa época — de multidões que acorrem; Em Nazaré tudo parece acontecer «normalmente», segundo os costumes de uma família israelita piedosa e diligente: trabalhava-se, a mãe cozinhava, ocupava-se dos afazeres de casa, passava a ferro... coisas de mãe. O pai, carpinteiro, labutava, ensinava o filho a trabalhar. Trinta anos. «Mas que desperdício, Padre!». Os caminhos de Deus são misteriosos. Mas ali o importante era a família! E isto não constituía um desperdício! Eram grandes santos: Maria, a mulher mais santa, Imaculada, e José, o homem mais justo... A família.

Sem dúvida, enternece-nos a narração do modo como Jesus, adolescente, enfrentava os encontros da comunidade religiosa e os deveres da vida social; saber como, jovem operário, trabalhava com José; e depois, o seu modo de participar na escuta das Escrituras, na oração dos Salmos e em muitos outros hábitos da vida diária. Na sua sobriedade, os Evangelhos nada falam sobre a adolescência de Jesus, deixando esta tarefa à nossa meditação afectuosa. A arte, a literatura e a música percorreram este caminho da imaginação. Sem dúvida, não é difícil imaginar o que as mães poderiam aprender do esmero de Maria pelo seu Filho! E quanto os pais poderiam aprender do exemplo de José, homem justo, que dedicou a sua vida para apoiar e defender o Menino e a Esposa — a sua família — nas horas difíceis! Sem mencionar quanto os jovens poderiam ser encorajados por Jesus adolescente a entender a necessidade e a beleza de cultivar a sua vocação mais profunda, e de fazer sonhos grandiosos! E nestes trinta anos Jesus cultivou a sua vocação, para a qual o Pai o enviara. E nessa época Jesus nunca desanimou, mas cresceu em coragem, para ir em frente com a sua missão.

Cada família cristã — como Maria e José — pode primeiro acolher Jesus, ouvi-lo, falar com Ele, conservá-lo, protegê-lo e crescer com Ele, e assim melhorar o mundo. Deixemos espaço ao Senhor no nosso coração e nos nossos dias. Assim fizeram também Maria e José, mas não foi fácil: quantas dificuldades tiveram que superar! Não era uma família fictícia, nem uma família irreal. A família de Nazaré compromete-nos a redescobrir a vocação e missão da família, de cada família. E, come aconteceu naqueles trinta anos em Nazaré, assim também pode ocorrer para nós: fazer com que o amor se torne normal, e não o ódio, fazer com que se a entreajuda se torne comum, não a indiferença ou a inimizade. Então, não é por acaso que «Nazaret» significa «Aquela que conserva», como Maria, que — diz o Evangelho — «conservava tudo isto no seu coração» (cf. Lc 2, 19.51). A partir de então, quando uma família preserva este mistério, até na periferia do mundo, entra em ação o mistério do Filho de Deus, o mistério de Jesus que vem salvar-nos. E vem para salvar o mundo. Esta é a grande missão da família: deixar lugar a Jesus que vem, acolher Jesus na família, na pessoa dos filhos, do marido, da esposa, dos avós... Jesus está aí. É preciso acolhê-lo ali, para que cresça espiritualmente naquela família. Que o Senhor nos conceda tal graça nestes últimos dias antes do Natal. Obrigado!

Saudações

Queridos peregrinos de língua portuguesa, sede bem-vindos! De coração vos saúdo a todos, confiando ao bom Deus a vossa vida e a dos vossos familiares. Muito obrigado pelos votos formulados pelo meu aniversário e para as próximas Festas natalícias, que retribuo desejando-vos um Santo Natal e um Ano Novo repleto das bênçãos do Deus Menino!

Dirijo uma saudação especial aos jovens, aos doentes e aos recém-casados. Confiemo-nos a Maria, Mãe da esperança e modelo de fiel perfeita. Estimados jovens, acolhei o mistério de Belém com a mesma fé com a qual Maria recebeu o anúncio do Arcanjo Gabriel. Caros doentes, hauri dela aquela alegria e paz íntima que Jesus vem trazer ao mundo. Prezados recém-casados, imitai o exemplo da Mãe de Jesus com a oração e as virtudes.

Agora, um momento de silêncio e depois, com um Pai-Nosso, gostaria de rezar juntamente convosco pelas vítimas dos desumanos gestos terroristas perpetrados nos dias passados na Austrália, no Paquistão e no Iêmen. Que o Senhor receba na sua paz os defuntos, conforte os familiares e converta o coração dos violentos que não se detêm nem sequer diante das crianças. Entoemos um Pai-Nosso, pedindo esta graça!




Fonte: Vaticano




Angelus com o Papa Francisco - 14.12.2014


Praça de São Pedro
III Domingo de Advento "Gaudete", 14 de Dezembro de 2014








Queridos irmãos e irmãs, queridas crianças e jovens, bom dia!

São já duas semanas que o tempo de Advento nos convida à vigilância espiritual para preparar o caminho para o Senhor que vem. Neste terceiro domingo a liturgia propõe-nos outra atitude interior com a qual viver esta expectativa do Senhor, ou seja a alegria. A alegria de Jesus, como diz aquele cartaz; «Com Jesus temos a alegria em casa». Eis que nos propõe a alegria de Jesus!

O coração do homem deseja a alegria. Todos desejamos a alegria, cada família, cada povo aspira à felicidade. Mas qual é a alegria que o cristão está chamado a viver e a testemunhar? É a que vem da proximidade de Deus, da sua presença na nossa vida. Desde quando Jesus entrou na história, com o seu nascimento em Belém, a humanidade recebeu o germe do Reino de Deus, como um terreno que recebe a semente, promessa da colheita futura. Não é preciso continuar a procurar noutra parte! Jesus veio trazer a alegria para todos e para sempre. Não se trata de uma alegria apenas esperada ou adiada para o paraíso: aqui na terra somos tristes mas no paraíso seremos jubilosos. Não! Não é esta, mas uma alegria já real e que pode ser experimentada agora, porque o próprio Jesus é a nossa alegria, e com Jesus temos a alegria em casa, como diz o vosso cartaz: «com Jesus temos a alegria em casa». Digamos todos: «Com Jesus temos a alegria em casa». Outra vez «Com Jesus temos a alegria em casa». E sem Jesus há alegria? Não! Muito bem! Ele está vivo, é o Ressuscitado, e age em nós e entre nós sobretudo com a Palavra e com os Sacramentos.

Todos nós baptizados, filhos da Igreja, somos chamados a acolher sempre de novo a presença de Deus no meio de nós e a ajudar os outros a descobri-la, ou a redescobri-la no caso que a tenham esquecido. Trata-se de uma missão muito bela, semelhante à de João Baptista: orientar o povo para Cristo — não para nós mesmos! — porque é Ele a meta para a qual tende o coração do homem quando procura a alegria e a felicidade.

Ainda são Paulo, na liturgia de hoje, indica as condições para ser «missionários da alegria»: pregar com perseverança, dar sempre graças a Deus, obedecer ao seu Espírito, procurar o bem e evitar o mal (cf.1 Ts 5, 17-22). Se for este o nosso estilo de vida, então a Boa Nova poderá entrar em tantas casas e ajudar as pessoas e as famílias a redescobrir que em Jesus há a salvação. N’Ele é possível encontrar a paz interior e a força para enfrentar todos os dias as diversas situações da vida, também as mais pesadas e difíceis. Nunca se ouviu falar de um santo triste ou de uma santa com a cara de enterro. Nunca se ouviu falar disto! Seria um absurdo. O cristão é uma pessoa que tem o coração repleto de paz porque sabe pôr a sua alegria no Senhor também quando atravessa os momentos difíceis da vida. Ter fé não significa não ter momentos difíceis mas ter força para os enfrentar sabendo que não estamos sós. E é esta a paz que Deus concede aos seus filhos.

Com o olhar dirigido para o Natal já próximo, a Igreja convida-nos a testemunhar que Jesus não é uma personagem do passado; Ele é a Palavra de Deus que continua hoje a iluminar o caminho do homem; os seus gestos — os Sacramentos — são a manifestação da ternura, do conforto e do amor do Pai para com todos os seres humanos. A Virgem Maria, «causa da nossa alegria», nos torne cada vez mais alegres no Senhor, que nos vem libertar de tantas escravidões interiores e exteriores.

Depois do Angelus

Saúdo com afeto as crianças que vieram para a bênção dos «Bambinelli», organizada pelo Centro Oratórios Romanos. Parabéns! Fostes excelentes, estivestes alegres aqui na praça, muito bem! E agora levai o presépio abençoado. Queridas crianças, agradeço-vos pela vossa presença e desejo-vos bom Natal! Quando rezardes em casa, diante do vosso presépio, recordai-vos também de rezar por mim, como eu me recordo de vós. A oração é o respiro da alma: é importante encontrar momentos ao longo do dia para abrir o coração a Deus, também com orações simples e breves do povo cristão. Por isso, hoje pensei fazer uma prenda a todos vós que estais aqui na praça, uma surpresa, um dom: dar-vos-ei um pequeno livrinho de bolso que contém algumas orações, para os vários momentos do dia e para as diversas situações da vida. É este. Alguns voluntários distribuem-no. Um para cada um e levai-o sempre convosco, como ajuda para viver o dia inteiro com Deus. E para que não esqueçamos aquela mensagem tão bonita que fizestes aqui com o cartaz: «Com Jesus temos a alegria em casa», Outra vez: «Com Jesus temos a alegria em casa». Muito bem!

Desejo a todos feliz domingo e bom almoço. Não vos esqueçais, por favor, de rezar por mim. Até à próxima! E muita alegria!




Fonte: Vaticano




sábado, 13 de dezembro de 2014

Evangelho do III Domingo do Advento – Ano B


São João 1, 6-8.19-28

Apareceu um homem enviado por Deus, chamado João. Veio como testemunha, para dar testemunho da luz, a fim de que todos acreditassem por meio dele. Ele não era a luz, mas veio para dar testemunho da luz. Foi este o testemunho de João, quando os judeus lhe enviaram, de Jerusalém, sacerdotes e levitas, para lhe perguntarem: "Quem és tu?" Ele confessou a verdade e não negou; ele confessou: "Eu não sou o Messias". Eles perguntaram-lhe: "Então, quem és tu? És Elias?", "Não sou", respondeu ele. "És o Profeta?". Ele respondeu: "Não". Disseram-lhe então: "Quem és tu? Para podermos dar uma resposta àqueles que nos enviaram, que dizes de ti mesmo?" Ele declarou: "Eu sou a voz do que clama no deserto: ‘Endireitai o caminho do Senhor’, como disse o profeta Isaías". Entre os enviados havia fariseus que lhe perguntaram: "Então, porque batizas, se não és o Messias, nem Elias, nem o Profeta?" João respondeu-lhes: "Eu batizo em água, mas no meio de vós está Alguém que não conheceis: Aquele que vem depois de mim, a quem eu não sou digno de desatar a correia das sandálias". Tudo isto se passou em Betânia, além Jordão, onde João estava a batizar.





Catequese com o Papa Francisco - 10.12.2014


Praça de São Pedro
Quarta-feira, 10 de Dezembro de 2014









A Assembleia Extraordinária do Sínodo dos Bispos sobre a Família

Prezados irmãos e irmãs, bom dia!

Concluímos um ciclo de catequeses sobre a Igreja. Demos graças ao Senhor que nos fez percorrer este caminho, redescobrindo a beleza e a responsabilidade de pertencer à Igreja, de ser Igreja todos juntos.

Agora começamos uma nova etapa, uma nova série, e o tema será a família; um assunto que se insere neste período intermédio entre as duas Assembleias do Sínodo dedicadas a esta realidade tão importante. Por isso, antes de encetar o percurso sobre os vários aspectos da vida familiar, hoje desejo recomeçar precisamente a partir da Assembleia sinodal do passado mês de Outubro, sobre este tema: «Os desafios pastorais sobre a família no contexto da nova evangelização». É importante recordar como ela se realizou e o que produziu, como foi e quais foram os seus frutos.

Durante o Sínodo, os mass media fizeram o seu trabalho — havia muita expectativa, muita atenção — e agradecemos-lhe, porque trabalharam abundantemente, difundindo numerosas notícias! Isto foi possível graças à Sala de Imprensa, que cada dia realizou um briefing. Mas muitas vezes a visão dos mass media era um pouco segundo o estilo das crónicas desportivas ou políticas: falava-se com frequência de dois grupos, pró e contra, conservadores e progressistas, etc. Hoje, gostaria de descrever como foi o Sínodo.

Antes de tudo, pedi aos Padres sinodais que falassem com franqueza e coragem, e que ouvissem com humildade, dizendo com coragem tudo aquilo que tinham no coração. No Sínodo não houve censura prévia, mas todos podiam — melhor, deviam — dizer o que tinham no coração, o que pensavam sinceramente. «Mas isto provocará discussão!». É verdade, ouvimos como discutiam os Apóstolos. Diz o texto: houve um forte debate. Os Apóstolos ralhavam entre si, porque buscavam a vontade de Deus sobre os pagãos, se eles podiam ou não entrar na Igreja. Era uma novidade. Sempre, quando se procura a vontade de Deus, numa Assembleia sinodal, existem diversos pontos de vista e há debate, mas isto não é feio, contanto que seja feito com humildade e espírito de serviço à comunidade fraterna. A censura prévia teria sido algo negativo. Não, cada um devia dizer o que pensava. Após o Relatório inicial do Cardeal Erdö, houve um primeiro momento fundamental, no qual todos os Padres puderam falar, e todos ouviram. E aquela atitude de escuta da parte dos Padres foi edificante. Um momento de grande liberdade, em que cada qual expôs o seu pensamento com parrésia e confiança. Na base das intervenções estava o «Instrumento de trabalho», fruto da precedente consulta de toda a Igreja. E por isto devemos dar graças à Secretaria do Sínodo pelo grande trabalho que levou a cabo, quer antes quer durante a Assembleia. Verdadeiramente, foram muito eficazes!

Nenhuma intervenção pôs em discussão as verdades fundamentais do Sacramento do Matrimónio, ou seja: a indissolubilidade, a unidade, a fidelidade e a abertura à vida (cf. Conc. Ecum. Vat. II, Gaudium et spes, 48; Código de Direito Canónico, 1055-1056). Não se tocou nisto!

Todas as intervenções foram reunidas e assim pudemos chegar ao segundo momento, isto é, a um esboço que se chamaRelatório após o debate. Também este Relatório foi apresentado pelo Cardeal Erdö, subdividido em três pontos: a escuta do contexto e dos desafios da família; o olhar fixo em Cristo e no Evangelho da família; o confronto com as perspectivas pastorais.

A partir desta primeira proposta de síntese teve lugar o debate em grupos, que foi o terceiro momento. Como sempre, os grupos foram divididos por línguas, porque é melhor assim, comunica-se melhor: italiano, inglês, espanhol e francês. No final do seu trabalho, cada grupo apresentou um relatório, e todos os relatórios dos grupos foram publicados imediatamente. Tudo foi divulgado, em nome da transparência, para que se soubesse o que acontecia.

Nessa altura — o quarto momento — uma comissão examinou todas as sugestões feitas pelos grupos linguísticos e redigiu o Relatório final, que manteve o esquema precedente — escuta da verdade, olhar fixo no Evangelho e compromisso pastoral — mas procurou captar o fruto dos debates feitos em grupos. Como sempre, foi aprovada também uma Mensagem final do Sínodo, mais breve e informativa em relação ao Relatório.

Assim se realizou a Assembleia sinodal. Alguns de vós podem perguntar-me: «Os Padres desentenderam-se?». Não sei se o fizeram, mas falaram verdadeiramente em voz alta! É nisto que consiste a liberdade, a liberdade que há na Igreja. Tudo aconteceu «cum Petro et sub Petro», ou seja na presença do Papa, que para todos é garante de liberdade e confiança, garante da ortodoxia. E no final, com uma intervenção, fiz uma leitura sintética da experiência sinodal.

Portanto, os documentos oficiais divulgados pelo Sínodo são três: a Mensagem final, o Relatório final e o discurso conclusivo do Papa. Não há outros.

O Relatório final, que foi o ponto de chegada de toda a reflexão das Dioceses até àquele momento, foi publicado ontem e agora será enviado às Conferências Episcopais, que o debaterão em vista da próxima Assembleia, a Ordinária, em Outubro de 2015. Digo que foi publicado ontem — já tinha sido divulgado — mas ontem foi publicado com as perguntas dirigidas às Conferências Episcopais, e assim torna-se os Lineamenta do próximo Sínodo.

Devemos saber que o Sínodo não é um parlamento, onde vem o representante desta Igreja, dessa Igreja, daquela Igreja... Não, não é assim! Sim, vem o representante, mas a estrutura não é parlamentar, é totalmente diversa. O Sínodo é um espaço protegido, a fim de que o Espírito Santo possa agir; não houve oposição entre facções, como num parlamento onde isto é lícito, mas um confronto entre os Bispos, depois de uma longa tarefa de preparação, e que agora continuará com outro trabalho, para o bem das famílias, da Igreja e da sociedade. É um processo, é o normal caminho sinodal. Agora este Relatório volta às Igrejas particulares e nelas continua a labuta de oração, reflexão e debate fraterno, para preparar a próxima Assembleia. Nisto consiste o Sínodo dos Bispos. Confiemo-lo à tutela da Virgem, nossa Mãe. Que Ela nos assista a cumprir a vontade de Deus, tomando as decisões pastorais que ajudam mais e melhor a família. Peço-vos que acompanheis com a oração este percurso sinodal até ao próximo Sínodo. Que o Senhor nos ilumine e nos faça caminhar rumo à maturidade daquilo que, como Sínodo, devemos dizer a todas as Igrejas. E para isto a vossa oração é importante.

Saudação

Amados peregrinos de língua portuguesa, saúdo-vos cordialmente a todos, nomeadamente ao grupo de jovens angolanos guiados pelo padre Estêvão Francisco Tollu, e peço-vos que acompanheis com a oração o caminho sinodal inteiro. A Virgem Mãe nos ajude a seguir a vontade de Deus, tomando as decisões que melhor convêm à família. Rezai também por mim. Deus vos abençoe!

Dou cordiais boas-vindas aos peregrinos de língua árabe, em particular aos provenientes do Médio Oriente! Estimados irmãos e irmãs, a família que vive a alegria da fé e a comunica espontaneamente é sal da terra e luz do mundo, é fermento para a sociedade inteira. Vivei sempre com fé e simplicidade, como a Sagrada Família de Nazaré. A alegria e a paz do Senhor estejam sempre convosco!

Dirijo um pensamento especial aos jovens, aos doentes e aos recém-casados. Hoje celebramos a memória da Bem-Aventurada Virgem de Loreto. Queridos jovens, imitai a Mãe de Jesus a fim de vos preparardes com alegria para o Natal; a sua salvaguarda celestial vos ajude, amados enfermos, a carregar a vossa cruz diária; e o seu abandono à vontade do Pai vos recorde, prezados recém-casados, a presença fecunda da Providência na vossa família.




Fonte: Vaticano





Angelus com o Papa Francisco - 08.12.2014


Praça de São Pedro
Segunda-feira, 8 de Dezembro de 2014








Amados irmãos e irmãs, bom dia! Boa festa!

A mensagem da hodierna festa da Imaculada Conceição da Virgem Maria pode resumir-se com estas palavras: tudo é dom gratuito de Deus, tudo é graça, tudo é dom do seu amor por nós. O Arcanjo Gabriel chama Maria «cheia de graça» (Lc 1, 28): nela não há lugar para o pecado, porque Deus a escolheu desde sempre como mãe de Jesus e preservou-a do pecado original. E Maria corresponde à graça e a ela se abandona dizendo ao Anjo: «Faça-se em mim segundo a tua palavra» (v. 38). Não diz: «farei segundo a tua palavra»: não! Mas: «Faça-se em mim...». E o Verbo fez-se carne no seu seio. Também a nós é pedido que ouçamos Deus que nos fala e que acolhamos a sua vontade; segundo a lógica evangélica nada é mais activo e fecundo do que ouvir e acolher a Palavra do Senhor, que vem do Evangelho, da Bíblia. O Senhor fala-nos sempre!

A atitude de Maria de Nazaré mostra-nos que o ser vem antes do fazer, e que é preciso deixar que Deus faça para ser verdadeiramente como Ele quer. É Ele quem faz em nós tantas maravilhas. Maria é receptiva, mas não passiva. Assim como, a nível físico, recebe o poder do Espírito Santo mas depois doa carne e sangue ao Filho de Deus que se forma nela, também a nível espiritual, acolhe a graça e corresponde a ela com a fé. Por isso santo Agostinho afirma que a Virgem «concebeu primeiro no coração e depois no seio» (Discursos, 215, 4). Concebeu primeiro a fé e depois o Senhor. Este mistério do acolhimento da graça, que em Maria, por um privilégio único, era sem o obstáculo do pecado, é uma possibilidade para todos. Com efeito, são Paulo abre a sua Carta aos Efésios com estas palavras de louvor: «Bendito seja Deus, Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo, que nos abençoou com todas as bênçãos espirituais no céu em Cristo» (1, 3). Como Maria é saudada por santa Isabel, assim também nós fomos desde sempre «abençoados», ou seja, amados, e por isso «escolhidos antes da criação do mundo para ser santos e imaculados» (Ef 1, 4). Maria foi preservada, enquanto nós fomos salvos graças ao Batismo e à fé. Mas todos, tanto ela como nós, por meio de Cristo, «em louvor do esplendor da sua graça» (v. 6), daquela graça da qual a Imaculada foi colmada em plenitude.

Diante do amor, face à misericórdia, à graça divina derramada nos nossos corações, a consequência que se impõe é uma só: a gratuitidade. Ninguém pode comprar a salvação! A salvação é um dom gratuito do Senhor, um dom gratuito de Deus que vem em nós e habita em nós. Assim como recebemos gratuitamente, também gratuitamente somos chamados a dar (cf. Mt 10, 8); à imitação de Maria que, logo depois de ter acolhido o anúncio do Anjo, vai partilhar o dom da fecundidade com a sua prima Isabel. Porque, se tudo nos foi doado, tudo deve ser doado de novo. De que modo? Deixando que o Espírito Santo faça de nós um dom para os outros. O Espírito é dom para nós e nós, com a força do Espírito, devemos ser dom para os outros e deixar que o Espírito Santo nos torne instrumentos de acolhimento, instrumentos de reconciliação, instrumentos de perdão. Se a nossa existência se deixa transformar pela graça do Senhor, porque a graça do Senhor nos transforma, não podemos reter para nós a luz que vem do seu rosto, mas deixaremos que ela passe para que ilumine os outros. Aprendamos de Maria, que manteve o olhar fixo constantemente no Filho e o seu rosto tornou-se «a face que mais se assemelha a Cristo» (Dante, Paraíso, XXXII, 87). E a ela nos dirijamos agora com a oração que recorda o anúncio do Anjo.




Fonte: Vaticano




Angelus com o Papa Francisco - 07.12.2014


Praça de São Pedro
II Domingo de Advento, 7 de Dezembro de 2014







Amados irmãos e irmãs, bom dia!

Este domingo assinala a segunda etapa de Advento, um tempo maravilhoso que desperta em nós a expectativa da vinda de Cristo e a memória da sua vinda histórica. A liturgia de hoje apresenta-nos uma mensagem cheia de esperança. É o convite do Senhor expresso pelos lábios do profeta Isaías: «Confortai, confortai o meu povo, diz o vosso Deus» (40, 1). Com estas palavras abre-se o Livro da consolação, no qual dirige ao povo no exílio o anúncio jubiloso da libertação. O tempo da tribulação acabou; o povo de Israel pode olhar com confiança para o futuro: espera-o finalmente o regresso à pátria. Por isso o convite é para se deixar confortar pelo Senhor.

Isaías dirige-se ao povo que atravessou um período tenebroso, que sofreu uma provação muito dura; mas agora chegou o tempo do consolo. A tristeza e o medo podem deixar o lugar à alegria, porque o próprio Senhor guiará o seu povo pelo caminho da libertação e da salvação. E como fará tudo isto? Com a solicitude e a ternura de um pastor que cuida do rebanho. Com efeito, ele dará unidade e segurança ao rebanho, apascentá-lo-á, reunirá no seu redil seguro as ovelhas dispersas, dedicará especial atenção às mais frágeis e débeis (v. 11). É esta a atitude de Deus para com cada um de nós, suas criaturas. Por isso o profeta convida quem o ouve — inclusive nós, hoje — a difundir entre o povo esta mensagem de esperança: que o Senhor nos conforta. E dar lugar ao conforto que vem do Senhor.

Mas não podemos ser mensageiros do consolo de Deus se não experimentarmos primeiro a alegria de ser consolados e amados por Ele. Isto acontece sobretudo quando ouvimos a sua Palavra, o Evangelho, que devemos levar no bolso: não esqueçais isto! O Evangelho no bolso ou na bolsa, para o ler continuamente. E isto dá-nos consolo: quando estamos em oração silenciosa na sua presença, quando nos encontramos com Ele na Eucaristia ou no sacramento do Perdão. Tudo isto nos conforta.

Deixemos então que o convite de Isaías — «Consolai, consolai o meu povo» — ressoe no nosso coração neste tempo de Advento. Hoje há necessidade de pessoas que sejam testemunhas da misericórdia e da ternura do Senhor, que incentiva os resignados, reanima os desanimados, acende o fogo da esperança. Ele acende o fogo da esperança! Não nós. Tantas situações exigem o nosso testemunho confortador. Ser pessoas jubilosas, consoladas. Penso em quantos estão oprimidos por sofrimentos, injustiças e abusos; em quantos são escravos do dinheiro, do poder, do sucesso, da mundanidade! Coitados! Têm consolações mascaradas, não a verdadeira do Senhor! Todos estamos chamados a confortar os nossos irmãos, testemunhando que só Deus pode eliminar as causas dos dramas existenciais e espirituais. Ele pode fazê-lo! É poderoso!

A mensagem de Isaías, que ressoa neste segundo domingo de Advento, é um bálsamo sobre as nossas feridas e um estímulo a preparar com intrepidez o caminho do Senhor. Com efeito, o profeta fala hoje ao nosso coração para nos dizer que Deus se esquece dos nossos pecados e nos conforta. Se nos confiarmos a Ele com coração humilde e arrependido, Ele derrubará os muros do mal, preencherá as lacunas das nossas omissões, aplanará os declives da soberba e da vaidade e abrirá o caminho do encontro com Ele. É curioso, mas muitas vezes temos medo do conforto, de ser consolados. Aliás, sentimo-nos mais seguros na tristeza e na desolação. Sabeis porquê? Porque na tristeza quase nos sentimos protagonistas. Na consolação o protagonista é o Espírito Santo! É Ele quem nos consola, é Ele que nos infunde a coragem de sair de nós mesmos. É Ele quem nos leva à fonte de qualquer consolação verdadeira, ou seja, o Pai. Esta é a conversão. Por favor, deixai-vos consolar pelo Senhor! Deixai-vos confortar pelo Senhor!

A Virgem Maria é o «caminho» que o próprio Deus preparou para vir ao mundo. Confiemos a ela a expectativa de salvação e de paz de todos os homens e mulheres do nosso tempo.




Fonte: Vaticano




terça-feira, 9 de dezembro de 2014

Evangelho do II Domingo do Advento – Ano B


São Marcos 1, 1-8

Princípio do Evangelho de Jesus Cristo, Filho de Deus. Está escrito no profeta Isaías: "Vou enviar à tua frente o meu mensageiro, que preparará o teu caminho. Uma voz clama no deserto: ‘Preparai o caminho do Senhor, endireitai as suas veredas’". Apareceu João Batista no deserto a proclamar um batismo de penitência para remissão dos pecados. Acorria a ele toda a gente da região da Judeia e todos os habitantes de Jerusalém e eram baptizados por ele no rio Jordão, confessando os seus pecados. João vestia-se de pelos de camelo, com um cinto de cabedal em volta dos rins, e alimentava-se de gafanhotos e mel silvestre. E, na sua pregação, dizia: "Vai chegar depois de mim quem é mais forte do que eu, diante do qual eu não sou digno de me inclinar para desatar as correias das suas sandálias. Eu batizo-vos na água, mas Ele batizar-vos-á no Espírito Santo".





Catequese com o Papa Francisco - 03.12.2014


Praça de São Pedro
Quarta-feira, 3 de Dezembro de 2014








Amados irmãos e irmãs, bom dia!

Este dia não parece muito bom, aliás, é um pouco feio... Mas vós sois corajosos e fazeis boa cara ao mau dia; e vamos em frente! Esta audiência tem lugar em dois lugares diferentes, como fazemos quando chove: aqui na praça, enquanto os doentes estão na sala Paulo VI. Já me encontrei com eles, já os saudei, e agora eles acompanham a audiência através de uma grande tela, porque são doentes e não podem estar debaixo da chuva. Saudemo-los daqui com um aplauso!

Hoje, gostaria de compartilhar convosco alguns aspectos da peregrinação que realizei na Turquia, de sexta-feira passada a domingo. Como eu tinha pedido para o preparar e acompanhar com a oração, agora convido-vos a dar graças ao Senhor pela sua realização e para que possam nascer frutos de diálogo quer nas nossas relações com os irmãos ortodoxos e muçulmanos, quer no caminho rumo à paz entre os povos. Em primeiro lugar, sinto que devo renovar a expressão do meu reconhecimento ao Presidente da República turca, ao Primeiro-Ministro, ao Presidente para os Assuntos Religiosos e às outras Autoridades, que me receberam com respeito e garantiram o bom andamento dos acontecimentos. Isto exige trabalho, e eles desempenharam-no de bom grado. Estou fraternalmente grato aos Bispos da Igreja católica na Turquia, ao Presidente da Conferência Episcopal, muito atento, e agradeço-lhes o seu compromisso a favor das comunidades católicas, assim como agradeço ao Patriarca Ecuménico, Sua Santidade Bartolomeu I, o seu acolhimento cordial. O Beato Paulo VI e São João Paulo II, que visitaram a Turquia, e São João XXIII, que foi Delegado Pontifício naquela Nação, protegeram do Céu a minha peregrinação, ocorrida oito anos depois da visita do meu predecessor Bento XVI. Essa terra é querida a todos os cristãos, especialmente por ter dado à luz o apóstolo Paulo, por ter hospedado os primeiros sete Concílios e pela presença, perto de Éfeso, da «casa de Maria». A tradição diz-nos que ali viveu Nossa Senhora depois da vinda do Espírito Santo.

No primeiro dia da viagem apostólica saudei as Autoridades do país, de vasta maioria muçulmana, mas cuja Constituição afirma a laicidade do Estado. E com as Autoridades pudemos falar sobre a violência. É precisamente o esquecimento de Deus, e não a sua glorificação, que gera a violência. Por isso, insisti sobre a importância de que cristãos e muçulmanos se comprometam juntos pela solidariedade, pela paz e pela justiça, afirmando que cada Estado deve garantir aos cidadãos e às comunidades religiosas uma liberdade de culto real.

Hoje, antes de ir saudar os doentes, encontrei-me com um grupo de cristãos e muçulmanos que fazem uma reunião organizada pela Congregação para o Diálogo Inter-Religioso, sob a chefia do Cardeal Tauran, e também eles manifestaram o desejo de prosseguir este diálogo fraterno entre católicos, cristãos e muçulmanos.

No segundo dia visitei alguns lugares-símbolo das várias confissões religiosas presentes na Turquia. Fi-lo sentindo no coração a invocação ao Senhor, Deus do céu e da terra, Pai misericordioso da humanidade inteira. Centro desse dia foi a Celebração Eucarística, que viu reunidos na Catedral pastores e fiéis dos diversos Ritos católicos presentes na Turquia. Assistiram também o Patriarca Ecuménico, o Vigário Patriarcal Arménio Apostólico, o Metropolita Sírio-Ortodoxo e representantes protestantes. Juntos pudemos invocar o Espírito Santo, Aquele que faz a unidade da Igreja: unidade na fé, unidade na caridade, unidade na coesão interior. O Povo de Deus, na riqueza das suas tradições e articulações, é chamado a deixar-se guiar pelo Espírito Santo, em constante atitude de abertura, de docilidade e de obediência. No nosso caminho de diálogo ecuménico e inclusive da nossa unidade, da nossa Igreja católica, quem faz tudo é o Espírito Santo. Nós devemos deixá-lo agir, recebê-lo, seguir as suas inspirações.

O terceiro e último dia, festa de santo André Apóstolo, ofereceu o contexto ideal para consolidar as relações fraternas entre o Bispo de Roma, Sucessor de Pedro, e o Patriarca Ecuménico de Constantinopla, Sucessor do Apóstolo André, irmão de Simão Pedro, que fundou aquela Igreja. Renovei com Sua Santidade Bartolomeu I o compromisso recíproco a prosseguir o caminho rumo ao restabelecimento da plena comunhão entre católicos e ortodoxos. Juntos subscrevemos uma Declaração conjunta, mais uma etapa deste caminho. Foi particularmente significativo que tal gesto tenha ocorrido no final da solene Liturgia da festa de santo André, à qual assisti com grande alegria, e à qual se seguiu a dupla Bênção concedida pelo Patriarca de Constantinopla e pelo Bispo de Roma. De facto, a oração é a base de todo o fecundo diálogo ecuménico sob a guia do Espírito Santo que, como eu disse, faz a unidade.

O último encontro — bonito e também doloroso — foi com um grupo de jovens hóspedes dos Salesianos. Era muito importante para mim encontrar alguns refugiados das áreas de guerra do Médio Oriente, quer para lhes manifestar a proximidade minha e da Igreja, quer para frisar o valor da hospitalidade, na qual também a Turquia se comprometeu em grande medida. Agradeço mais uma vez à Turquia o acolhimento de tantos refugiados e, de coração, aos Salesianos de Istambul. Estes Salesianos trabalham muito pelos refugiados, parabéns! Encontrei-me também com outros sacerdotes alemães, um dos quais jesuíta, e com outros que trabalham com os refugiados, mas aquele oratório salesiano dos refugiados é muito bonito, é um trabalho escondido. Estou deveras grato a todas as pessoas que trabalham com os refugiados. E oremos por todos os prófugos e refugiados, e para que sejam eliminadas as causas deste flagelo doloroso.

Caros irmãos e irmãs, Deus todo-poderoso e misericordioso continue a proteger o povo turco, os seus governantes e os representantes das várias religiões. Possam construir juntos um porvir de paz, de modo que a Turquia represente um lugar de coexistência pacífica entre diversas religiões e culturas. Além disso, rezemos para que, por intercessão da Virgem Maria, o Espírito Santo torne fecunda esta viagem apostólica e favoreça na Igreja o ardor missionário, para anunciar a todos os povos, no respeito e no diálogo fraterno, que o Senhor Jesus é verdade, paz e amor. Só Ele é o Senhor!

Saudação

Dirijo uma saudação cordial aos peregrinos de língua portuguesa, particularmente aos membros das Romarias Quaresmais de São Miguel, no Arquipélago dos Açores. Queridos amigos, obrigado pela vossa presença e sobretudo pelas vossas orações! Peçamos ao Espírito Santo, artífice da unidade da Igreja, que aplane a estrada para a plena comunhão de todos os cristãos no Senhor Jesus. Que Deus vos abençoe a vós e a vossos entes queridos. Obrigado!

Dou cordiais boas-vindas aos peregrinos de língua árabe, em especial aos provenientes do Médio Oriente. Caríssimos, olhemos além das diferenças que ainda nos separam, invocando de Deus o dom da plena unidade e a capacidade de o receber na nossa vida. O Senhor vos abençoe!

Dirijo um pensamento especial aos jovens, aos doentes e aos recém-casados. Hoje celebramos a memória de São Francisco Xavier, Padroeiro das Missões. Queridos jovens... o seu vigor espiritual vos estimule a levar a sério a fé na vossa vida; a sua confiança em Cristo Salvador vos sustente, amados doentes, nos momentos de maior dificuldade; e a sua dedicação apostólica vos recorde, caríssimos recém-casados, a necessidade da entrega recíproca na relação conjugal. Que Deus abençoe todos!




Fonte: Vaticano




sábado, 29 de novembro de 2014

Evangelho do I Domingo do Advento – Ano B


São Marcos 13, 33-37



Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: "Acautelai-vos e vigiai, porque não sabeis quando chegará o momento. Será como um homem que partiu de viagem: ao deixar a sua casa, deu plenos poderes aos seus servos, atribuindo a cada um a sua tarefa, e mandou ao porteiro que vigiasse. Vigiai, portanto, visto que não sabeis quando virá o dono da casa: se à tarde, se à meia-noite, se ao cantar do galo, se de manhãzinha; não se dê o caso que, vindo inesperadamente, vos encontre a dormir. O que vos digo a vós, digo-o a todos: Vigiai!"

Catequese com o Papa Francisco - 26.11.2014


Praça de São Pedro
Quarta-feira, 26 de Novembro de 2014








Amados irmãos e irmãs, bom dia!

Este dia é um pouco feio, mas vós sois corajosos, parabéns! Esperemos que possamos rezar juntos hoje.

Ao apresentar a Igreja aos homens do nosso tempo, o Concílio Vaticano II estava perfeitamente consciente de uma verdade fundamental, que nunca podemos esquecer: a Igreja não é uma realidade estática, parada, com finalidade em si mesma, mas está continuamente a caminho na história, rumo à meta derradeira e maravilhosa, que é o Reino dos Céus, do qual a Igreja na terra é o germe e o início (cf. Conc. Ecum. Vat. II, Const. dogm. sobre a Igreja Lumen gentium, 5). Quando dirigimos o nosso olhar para este horizonte, sentimos que a nossa imaginação se detém, revelando-se capaz unicamente de intuir o esplendor do mistério que excede os nossos sentidos. E em nós brotam espontaneamente algumas interrogações: quando terá lugar esta passagem final? Como será a nova dimensão na qual a Igreja entrará? Então, o que será da humanidade? E da criação que nos circunda? Mas estas perguntas não são novas, dado que já os discípulos as dirigiam a Jesus naquela época: «Mas quando acontecerá isto? Quando chegará o triunfo do Espírito sobre a criação, sobre as criaturas, sobre todas as coisas...». São interrogações humanas, perguntas antigas. Também nós as fazemos!

Perante estas perguntas que ressoam desde sempre no coração do homem, a Constituição conciliar Gaudium et spes afirma: «Ignoramos o tempo em que a terra e a humanidade atingirão a sua plenitude, e também não sabemos que transformação sofrerá o universo. Porque a figura deste mundo, deformada pelo pecado, passa certamente, mas Deus ensina-nos que se prepara uma nova habitação, uma nova terra, na qual reinará a justiça e cuja felicidade satisfará e superará todos os desejos de paz que se levantam no coração dos homens» (n. 39). Eis a meta para a qual a Igreja tende: é, como se diz na Bíblia, a «nova Jerusalém», o «Paraíso». Mais que de um lugar, trata-se de uma «condição» da alma em que as nossas expectativas mais profundas serão realizadas de modo superabundante e o nosso ser, como criaturas e como filhos de Deus, alcançará o seu pleno amadurecimento. Seremos finalmente revestidos da alegria, da paz e do amor de Deus, de maneira completa, já sem qualquer limite, e estaremos face a face com Ele! (cf. 1 Cor 13, 12). É bom pensar nisto, pensar no Céu! Todos nos encontraremos lá, todos. Isto é bom, revigora a alma!

Nesta perspectiva, é bom compreender que já existem uma continuidade e uma comunhão de fundo entre a Igreja que está no Céu e aquela ainda a caminho na terra. Com efeito, aqueles que já vivem na presença de Deus podem sustentar-nos e interceder por nós, rezar por nós. Por outro lado, também nós somos sempre convidados a oferecer boas obras, preces e a própria Eucaristia para aliviar a tribulação das almas que ainda se encontram à espera da Bem-Aventurança sem fim. Sim, porque na perspectiva cristã a distinção não se faz mais entre quantos já estão mortos e aqueles que ainda vivem, entre quem está em Cristo e quem não se encontra n’Ele! Este é elemento determinante, verdadeiramente decisivo para a nossa salvação, para a nossa felicidade.

Ao mesmo tempo, a Sagrada Escritura ensina-nos que o cumprimento deste desígnio maravilhoso não pode deixar de abranger também tudo aquilo que nos circunda e que saiu do pensamento e do Coração de Deus. O apóstolo Paulo afirma-o de forma explícita, quando diz que «também ela (a criação, será) libertada do cativeiro da corrupção, para participar da gloriosa liberdade dos filhos de Deus» (Rm 8, 21). Outros textos utilizam a imagem do «novo céu» e da «nova terra» (cf. 2 Pd 3, 13; Ap 21, 1), no sentido que o universo inteiro será renovado e libertado de uma vez para sempre de todos os vestígios de mal e da própria morte. Por conseguinte, aquela que se prepara como cumprimento de uma transformação que na realidade já está em acção a partir da morte e ressurreição de Cristo, é uma nova criação; portanto, não se trata de aniquilar o cosmos e tudo o que nos circunda, mas de levar todas as coisas à sua plenitude de ser, de verdade e de beleza. Este é o desígnio que Deus Pai, Filho e Espírito Santo, desde sempre, deseja realizar e já está a concretizar.

Estimados amigos, quando pensamos nestas realidades maravilhosas que nos esperam, damo-nos conta de que pertencer à Igreja é verdadeiramente uma dádiva admirável, que traz inscrita em si uma vocação excelsa! Então peçamos à Virgem Maria, Mãe da Igreja, que vele sempre sobre o nosso caminho e que nos ajude a ser, como Ela, um jubiloso sinal de confiança e de esperança no meio dos nossos irmãos.

Saudações

Com grande afeto, saúdo os peregrinos de língua portuguesa, com votos de que possais vós todos dar-vos sempre conta do dom maravilhoso que é pertencer à Igreja. Vele sobre o vosso caminho a Virgem Maria e vos ajude a ser sinal de confiança e esperança no meio dos vossos irmãos. Sobre vós e vossas famílias desça a Bênção de Deus!

Dirijo cordiais boas-vindas aos peregrinos de expressão árabe, de modo particular aos provenientes do Iraque e do Médio Oriente. A violência, o sofrimento e a gravidade do pecado devem-nos induzir a depositar toda a confiança na justiça de Deus, que julgará cada um em conformidade com as respectivas obras. Sede fortes e agarrai-vos à Igreja e à vossa fé, de maneira a purificar o mundo com a vossa confiança; transformai com a vossa esperança e purificai com o vosso perdão, com o amor e a paciência do vosso testemunho. Que o Senhor vos proteja e sustente!

Como sabeis, a partir da próxima sexta-feira, até domingo, realizarei uma Viagem Apostólica à Turquia. Convido todos a rezar para que esta Visita de Pedro ao Irmão André produza frutos de paz, de diálogo sincero entre as religiões e de concórdia na Nação turca.

Dirijo um pensamento especial aos jovens, aos doentes e aos recém-casados. No próximo Domingo terá início do Tempo litúrgico do Advento. Amados jovens, a espera do Salvador encha os vossos corações de alegria; prezados doentes, nunca vos canseis de adorar o Senhor, que vem inclusive na provação; e vós, recém-casados, aprendei a amar, a exemplo d’Aquele que por amor se fez homem para a nossa salvação!




Fonte: Vaticano





Angelus com o Papa Francisco - 23.11.2014


Praça de São Pedro
Domingo, 23 de Novembro de 2014









Prezados irmãos e irmãs

No final desta celebração, desejo saudar todos vós que viestes prestar homenagem aos novos Santos, de modo particular as Delegações oficiais da Itália e da Índia.

O exemplo dos quatro Santos italianos, naturais das Províncias de Vicenza, Nápoles, Cosenza e Rímini, ajude o querido povo italiano a reavivar o espírito de colaboração e de concórdia para o bem comum e a olhar com esperança para o futuro, na unidade, confiando na proximidade de Deus que nunca nos abandona, nem sequer nos momentos mais difíceis.

Por intercessão dos dois Santos indianos, provenientes do Kerala, grande terra de fé e de vocações sacerdotais e religiosas, o Senhor conceda um novo impulso missionário à Igreja que está na Índia — a qual é muito capaz! — a fim de que, inspirando-se no seu exemplo de concórdia e de reconciliação, os cristãos da Índia prossigam pelo caminho da solidariedade e da convivência fraternal.

Saúdo com afecto os Cardeais, os Bispos, os sacerdotes, assim como as famílias, os grupos paroquiais, as associações e as escolas aqui presentes. Com amor filial, dirijamo-nos agora à Virgem Maria, Mãe da Igreja, Rainha dos Santos e modelo de todos os cristãos.

Desejo-vos feliz domingo, em paz, com a alegria destes novos Santos. E peço-vos, por favor, que rezeis por mim. Bom almoço e até à vista!




Fonte: Vaticano




terça-feira, 25 de novembro de 2014

Evangelho da Solenidade de Cristo Rei


São Mateus 25, 31-46

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: "Quando o Filho do homem vier na sua glória com todos os seus Anjos, sentar-Se-á no seu trono glorioso. Todas as nações se reunirão na sua presença e Ele separará uns dos outros, como o pastor separa as ovelhas dos cabritos; e colocará as ovelhas à sua direita e os cabritos à sua esquerda. Então o Rei dirá aos que estiverem à sua direita: ‘Vinde, benditos de meu Pai; recebei como herança o reino que vos está preparado desde a criação do mundo. Porque tive fome e destes-Me de comer; tive sede e destes-Me de beber; era peregrino e Me recolhestes; não tinha roupa e Me vestistes; estive doente e viestes visitar-Me; estava na prisão e fostes ver-Me’. Então os justos Lhe dirão: ‘Senhor, quando é que Te vimos com fome e Te demos de comer, ou com sede e Te demos de beber? Quando é que Te vimos peregrino e Te recolhemos, ou sem roupa e Te vestimos? Quando é que Te vimos doente ou na prisão e Te fomos ver?’. E o Rei lhes responderá: ‘Em verdade vos digo: Quantas vezes o fizestes a um dos meus irmãos mais pequeninos, a Mim o fizestes’. Dirá então aos que estiverem à sua esquerda: ‘Afastai-vos de Mim, malditos, para o fogo eterno, preparado para o demônio e os seus anjos. Porque tive fome e não Me destes de comer; tive sede e não Me destes de beber; era peregrino e não Me recolhestes; estava sem roupa e não Me vestistes; estive doente e na prisão e não Me fostes visitar’. Então também eles Lhe hão-de perguntar: ‘Senhor, quando é que Te vimos com fome ou com sede, peregrino ou sem roupa, doente ou na prisão, e não Te prestamos assistência?’ E Ele lhes responderá: ‘Em verdade vos digo: Quantas vezes o deixastes de fazer a um dos meus irmãos mais pequeninos, também a Mim o deixastes de fazer’. Estes irão para o suplício eterno e os justos para a vida eterna".






Catequese com o Papa Francisco - 19.11.2014


Praça de São Pedro
Quarta-feira, 19 de Novembro de 2014








Prezados irmãos e irmãs, bom dia!

Um grande dom do Concílio Vaticano II foi ter recuperado uma visão de Igreja fundada na comunhão e ter voltado a entender também o princípio da autoridade e da hierarquia em tal perspectiva. Isto ajudou-nos a compreender melhor que, enquanto baptizados, todos os cristãos têm igual dignidade diante do Senhor e são irmanados pela mesma vocação, que é a santidade (cf. Const. Lumen gentium, 39-42). Agora, interroguemo-nos: em que consiste esta vocação universal a sermos santos? E como a podemos realizar?

Antes de tudo, devemos ter bem presente que a santidade não é algo que nos propomos sozinhos, que nós obtemos com as nossas qualidades e capacidades. A santidade é um dom, é a dádiva que o Senhor Jesus nos oferece, quando nos toma consigo e nos reveste de Si mesmo, tornando-nos como Ele é. Na Carta aos Efésios, o apóstolo Paulo afirma que «Cristo amou a Igreja e se entregou por ela para a santificar» (Ef 5, 25-26). Eis que, verdadeiramente, a santidade é o rosto mais bonito da Igreja, o aspecto mais belo: é redescobrir-se em comunhão com Deus, na plenitude da sua vida e do seu amor. Então, compreende-se que a santidade não é uma prerrogativa só de alguns: é um dom oferecido a todos, sem excluir ninguém, e por isso constitui o cunho distintivo de cada cristão.

Tudo isto nos leva a compreender que, para ser santo, não é preciso ser bispo, sacerdote ou religioso: não, todos somos chamados a ser santos! Muitas vezes somos tentados a pensar que a santidade só está reservada àqueles que têm a possibilidade de se desapegar dos afazeres normais, para se dedicar exclusivamente à oração. Mas não é assim! Alguns pensam que a santidade é fechar os olhos e fazer cara de santinho! Não, a santidade não é isto! A santidade é algo maior, mais profundo, que Deus nos dá. Aliás, somos chamados a tornar-nos santos precisamente vivendo com amor e oferecendo o testemunho cristão nas ocupações diárias. E cada qual nas condições e situação de vida em que se encontra. Mas tu és consagrado, consagrada? Sê santo vivendo com alegria a tua entrega e o teu ministério. És casado? Sê santo amando e cuidando do teu marido, da tua esposa, como Cristo fez com a Igreja. És baptizado solteiro? Sê santo cumprindo com honestidade e competência o teu trabalho e oferecendo o teu tempo ao serviço dos irmãos. «Mas padre, trabalho numa fábrica; trabalho como contabilista, sempre com os números, ali não se pode ser santo...». «Sim, pode! Podes ser santo lá onde trabalhas. É Deus quem te concede a graça de ser santo, comunicando-se a ti!». Sempre, em cada lugar, é possível ser santo, abrir-se a esta graça que age dentro de nós e nos leva à santidade. És pai, avô? Sê santo, ensinando com paixão aos filhos ou aos netos a conhecer e a seguir Jesus. E é necessária tanta paciência para isto, para ser um bom pai, um bom avô, uma boa mãe, uma boa avó; é necessária tanta paciência, e é nesta paciência que chega a santidade: exercendo a paciência! És catequista, educador, voluntário? Sê santo tornando-te sinal visível do amor de Deus e da sua presença ao nosso lado. Eis: cada condição de vida leva à santidade, sempre! Em casa, na rua, no trabalho, na igreja, naquele momento e na tua condição de vida foi aberto o caminho rumo à santidade. Não desanimeis de percorrer esta senda. É precisamente Deus quem nos dá a graça. O Senhor só pede isto: que permaneçamos em comunhão com Ele e ao serviço dos irmãos.

Nesta altura, cada um de nós pode fazer um breve exame de consciência, podemos fazê-lo agora, e cada qual responda dentro de si mesmo, em silêncio: como respondemos até agora ao apelo do Senhor à santidade? Desejo ser um pouco melhor, mais cristão, mais cristã? Este é o caminho da santidade. Quando o Senhor nos convida a ser santos, não nos chama para algo pesado, triste... Ao contrário! É o convite a compartilhar a sua alegria, a viver e a oferecer com júbilo cada momento da nossa vida, levando-o a tornar-se ao mesmo tempo um dom de amor pelas pessoas que estão ao nosso lado. Se entendermos isto, tudo mudará, adquirindo um significado novo, bonito, um significado a começar pelas pequenas coisas de cada dia. Um exemplo. Uma senhora vai ao mercado para fazer as compras, encontra uma vizinha, começam a falar e então chegam as bisbilhotices, e a senhora diz: «Não, não falarei mal de ninguém!». Este é um passo rumo à santidade, ajuda-nos a ser santos! Depois, em casa, o filho pede para te falar das suas fantasias: «Oh, estou muito cansado, hoje trabalhei tanto...». «Mas acomoda-te e ouve o teu filho que precisa disto!». Acomoda-te e ouve-o com paciência: é um passo rumo à santidade. Depois, acaba o dia, todos estamos cansados, mas há a oração. Recitemos uma prece: também este é um passo para a santidade. Então, chega o domingo e vamos à Missa, recebamos a Comunhão, às vezes precedida por uma boa confissão, que nos purifica um pouco! Este é outro passo rumo à santidade. Depois, pensemos em Nossa Senhora, tão boa e bela, e recitemos o Rosário. Também este é um passo para a santidade. Então, vou pelo caminho, vejo um pobre, um necessitado, paro, faço-lhe uma pergunta, dou-lhe algo: é um passo rumo à santidade! São pequenas coisas, mas muitos pequenos passos para a santidade. Cada passo rumo à santidade fará de nós pessoas melhores, livres do egoísmo e do fechamento em nós mesmos, abertos aos irmãos e às suas necessidades.

Caros amigos, a primeira Carta de são Pedro dirige-nos esta exortação: «Como bons dispensadores das diversas graças de Deus, cada um de vós ponha à disposição dos outros o dom que recebeu: a palavra, para anunciar as mensagens de Deus; um ministério, para o exercer com uma força divina, a fim de que em todas as coisas Deus seja glorificado por Jesus Cristo» (4, 10-11). Eis o convite à santidade! Aceitemo-lo com alegria e sustentemo-nos uns aos outros porque o caminho para a santidade não o percorremos sozinhos, cada qual por sua conta, mas juntos, no único corpo que é a Igreja, amada e santificada pelo Senhor Jesus Cristo. Vamos em frente com ânimo, neste caminho da santidade.

Saudações

Dirijo uma saudação cordial aos peregrinos de língua portuguesa, particularmente aos fiéis das paróquias Nossa Senhora «Stella Maris» e Santa Rita de Cássia. Queridos amigos, recordem que nunca estamos sozinhos, mas caminhamos juntos, ajudando-nos uns aos outros a viver segundo o Evangelho de Jesus para nos tornarmos santos, fazendo da própria vida um dom de amor para as pessoas que nos rodeiam. Que Deus vos abençoe a vós e a vossos entes queridos!

Sigo com solicitude o alarmante aumento da tensão em Jerusalém e noutras regiões da Terra Santa, com inaceitáveis episódios de violência que não poupam nem sequer os lugares de culto. Garanto uma prece especial por todas as vítimas desta dramática situação e por quantos mais sofrem as suas consequências. Do íntimo do coração, lanço às partes implicadas um apelo para que se ponha fim à espiral de ódio e violência, tomando decisões intrépidas em prol da reconciliação e da paz. Construir a paz é difícil, mas viver sem paz é um tormento!

A 21 de Novembro, memória litúrgica da Apresentação de Maria Santíssima no Templo, celebraremos o Dia pro Orantibus, dedicado às comunidades religiosas de clausura. É uma ocasião oportuna para dar graças ao Senhor pelo dom de tantas pessoas que, nos mosteiros e eremitérios, se dedicam a Deus na oração e no silêncio operoso, reconhecendo-lhe o primado que só a Ele compete. Demos graças ao Senhor pelos testemunhos de vida claustral, sem lhes fazer faltar o nosso auxílio espiritual e material, para cumprir esta importante missão.

Dirijo um pensamento especial aos jovens, aos doentes e aos recém-casados.





Fonte: Vaticano




Angelus com o Papa Francisco - 16.11.2014


Praça de São Pedro
Domingo, 16 de Novembro de 2014








Amados irmãos e irmãs, bom dia!

O Evangelho deste domingo narra a parábola dos talentos, tirada de são Mateus (25, 14-30). Fala de um homem que, antes de partir para uma viagem, convoca os seus empregados e confia-lhes o seu património em talentos, moedas antigas de enorme valor. Aquele senhor confia ao primeiro servo cinco talentos; ao segundo, dois; e ao terceiro, um. Durante a sua ausência, os três servos devem fazer frutificar esse património. O primeiro e o segundo duplicam as respectivas quantias iniciais; o terceiro, ao contrário, tendo medo de perder tudo, enterra num buraco o talento recebido. Quando o senhor volta, os primeiros dois servos recebem a recompensa, enquanto o terceiro, que restitui apenas a moeda recebida, é repreendido e até punido.

O significado disto é claro. O homem da parábola representa Jesus; os servos somos nós; e os talentos são o património que o Senhor nos confia. Qual é o património». A sua Palavra, a Eucaristia, a fé no Pai celestial, o seu perdão... em síntese, muitas coisas, os seus bens mais preciosos. Este é o património que Ele nos confia. Que não devemos só conservar, mas também multiplicar! Enquanto, segundo o uso comum, o termo «talento» indica uma acentuada qualidade individual — por exemplo, talento na música, no desporto, etc. — na parábola os talentos representam os bens do Senhor, que Ele nos confia para os fazermos frutificar. O buraco escavado no terreno pelo «servo mau e preguiçoso» (v. 26) indica o medo do risco que bloqueia a criatividade e a fecundidade do amor. Sim, o medo dos ricos do amor bloqueia-nos! Jesus não nos pede que conservemos a sua graça num cofre! Jesus não nos pede isto, mas deseja que a utilizemos em vantagem do próximo. Todos os bens que recebemos devem, ser transmitidos aos outros, porque só assim crescem. É como se Ele nos dissesse: «Eis-te a minha misericórdia, a minha ternura, o meu perdão: toma-os e usa-os com magnanimidade». E nós, o que fazemos disto? Quem «contagiamos» com a nossa fé? Quantas pessoas encorajamos com a nossa esperança? Quanto amor compartilhamos com o nosso próximo? São perguntas que nos fará bem formular. Qualquer ambiente, até o mais distante e impraticável, pode tornar-se um lugar onde fazer frutificar os talentos. Não existem situações nem lugares fechados à presença e ao testemunho cristão. O testemunho que Jesus nos pede não é fechado, mas aberto, depende de nós.

Esta parábola anima-nos a não esconder a nossa fé nem a nossa pertença a Cristo, a não enterrar a Palavra do Evangelho, mas a fazê-la circular na nossa vida, nos relacionamentos, nas situações concretas, como uma força que põe em crise, que purifica e renova. Assim também o perdão, que o Senhor nos oferece especialmente no Sacramento da Reconciliação: não o conservemos fechado em nós mesmos, mas permitamos que ele transmita a sua força, que faça ruir aqueles muros elevados pelo nosso egoísmo, que nos leve a dar o primeiro passo nos relacionamentos bloqueados e retomar o diálogo onde já não há comunicação... E assim por diante. Devemos fazer com que estes talentos, estes presentes, estes dons que o Senhor nos concedeu cheguem aos outros, cresçam e dêem fruto através do nosso testemunho.

Acho que hoje seria um bonito gesto se cada um de vós pegasse no Evangelho em casa, no Evangelho de São Mateus, capítulo 25, versículos 14-30 — Mateus 25, 14-30 — o lesse e meditasse um pouco: «Os talentos, as riquezas, tudo aquilo que Deus me concedeu de espiritual, de bondade, a Palavra de Deus: como levo isto a crescer nos outros? Ou limito-me a conservá-lo no cofre?».

Além disso, o Senhor não concede a todos as mesmas coisas e do mesmo modo: Ele conhece-nos pessoalmente e confia-nos aquilo que é bom para nós; mas em todos, em todos há algo de igual: uma única, imensa confiança. Deus confia em nós, Deus espera em nós! E isto é igual para todos. Não o decepcionemos! Não nos deixemos enganar pelo medo, mas retribuamos a confiança com a confiança! A Virgem Maria encarna esta atitude do modo mais excelso e completo. Ela recebeu e acolheu a dádiva mais sublime, Jesus em Pessoa e, por sua vez, ofereceu-o à humanidade com um Coração generoso. Peçamos-lhe que nos ajude a ser «servos bons e fiéis», para participarmos na «alegria de nosso Senhor».

Depois do Angelus

Caros irmãos e irmãs

Durante estes dias, em Roma, houve tensões bastante fortes entre residentes e imigrantes. Trata-se de episódios que se verificam em várias cidades europeias, especialmente em bairros periféricos marcados por outras dificuldades. Convido as instituições de todos os níveis a assumir como prioridade aquela que já representa uma emergência social e que, se não for enfrentada quanto antes e de modo adequado, corre o risco de degenerar cada vez mais. A comunidade cristã compromete-se de modo concreto para que não haja desencontro, mas encontro. Cidadãos e imigrantes, juntamente com os representantes das instituições, podem encontrar-se até num salão paroquial para enfrentar esta situação. O importante é não ceder à tentação do conflito, evitando qualquer violência. É possível dialogar, ouvir uns aos outros, fazer programas conjuntos e deste modo superar a suspeita e o preconceito e construir uma convivência cada vez mais segura, pacífica e inclusiva.

Saúdo todos vós, famílias, paróquias, associações e fiéis individualmente, provenientes da Itália e de muitas regiões do mundo. Desejo um feliz domingo a todos! Por favor, não vos esqueçais de rezar por mim. Bom almoço e até à vista!




Fonte: Vaticano




segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Evangelho do XXXIII Domingo do Tempo Comum – Ano A


São Mateus 25, 14-30

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos a seguinte parábola: "Um homem, ao partir de viagem, chamou os seus servos e confiou-lhes os seus bens. A um entregou cinco talentos, a outro dois e a outro um, conforme a capacidade de cada qual; e depois partiu. O que tinha recebido cinco talentos fê-los render e ganhou outros cinco. Do mesmo modo, o que recebera dois talentos ganhou outros dois. Mas, o que recebera um só talento foi escavar na terra e escondeu o dinheiro do seu senhor. Muito tempo depois, chegou o senhor daqueles servos e foi ajustar contas com eles. O que recebera cinco talentos aproximou-se e apresentou outros cinco, dizendo: ‘Senhor,confiaste-me cinco talentos: aqui estão outros cinco que eu ganhei’. Respondeu-lhe o senhor: ‘Muito bem, servo bom e fiel. Porque foste fiel em coisas pequenas, confiar-te-ei as grandes. Vem tomar parte na alegria do teu senhor’. Aproximou-se também o que recebera dois talentos e disse: ‘Senhor, confiaste-me dois talentos: aqui estão outros dois que eu ganhei’. Respondeu-lhe o senhor: ‘Muito bem, servo bom e fiel. Porque foste fiel em coisas pequenas, confiar-te-ei as grandes. Vem tomar parte na alegria do teu senhor’. Aproximou-se também o que recebera um só talento e disse: ‘Senhor, eu sabia que és um homem severo, que colhes onde não semeaste e recolhes onde nada lançaste. Por isso, tive medo e escondi o teu talento na terra. Aqui tens o que te pertence’. O senhor respondeu-lhe: ‘Servo mau e preguiçoso, sabias que ceifo onde não semeei e recolho onde nada lancei; devias, portanto, depositar no banco o meu dinheiro e eu teria, ao voltar, recebido com juro o que era meu. Tirai-lhe então o talento e dai-o àquele que tem dez. Porque, a todo aquele que tem, dar-se-á mais e terá em abundância; mas, àquele que não tem, até o pouco que tem lhe será tirado. Quanto ao servo inútil, lançai-o às trevas exteriores. Aí haverá choro e ranger de dentes’".





Catequese com o Papa Francisco - 12.11.2014


Praça de São Pedro
Quarta-feira, 12 de Novembro de 2014








Prezados irmãos e irmãs, bom dia!

Na catequese precedente pusemos em evidência como o Senhor continua a apascentar a sua grei através do ministério dos bispos, coadjuvados pelos presbíteros e diáconos. É neles que Jesus se faz presente, no poder do seu Espírito, e continua a servir a Igreja alimentando nela a fé, a esperança e o testemunho da caridade. Portanto, estes ministérios constituem um grande dom do Senhor para cada comunidade cristã e para a Igreja inteira, pois são um sinal vivo da sua presença e amor.

Hoje queremos perguntar-nos: o que se pede a estes ministros da Igreja, para que possam viver o seu serviço de modo genuíno e fecundo?

Nas «Cartas pastorais» enviadas aos seus discípulos Timóteo e Tito, o apóstolo Paulo pondera atentamente sobre a figura dos bispos, dos presbíteros e dos diáconos — e também sobre a figura dos fiéis, dos idosos e dos jovens. Descreve cada cristão na Igreja, delineando o objecto da chamada dos bispos, presbíteros e diáconos, e as prerrogativas que devem ser reconhecidas em quantos são escolhidos e investidos de tais ministérios. Pois bem, é emblemático que para além dos dotes inerentes à fé e à vida espiritual — que não podem ser desatendidas, porque são a própria vida — sejam enumeradas algumas qualidades requintadamente humanas: acolhimento, sobriedade, paciência, mansidão, confiança e magnanimidade. Este é o alfabeto, a gramática básica de cada ministério! Deve ser a gramática básica de cada bispo, sacerdote, diácono. Sim, porque sem esta predisposição boa e genuína para encontrar, conhecer, dialogar, apreciar e relacionar-se com os irmãos de modo respeitoso e sincero, não é possível oferecer um serviço e um testemunho deveras jubilosos e credíveis.

Além disso, há uma atitude de fundo que Paulo recomenda aos seus discípulos e, por conseguinte, a todos aqueles que são investidos deste ministério pastoral, quer sejam bispos, sacerdotes, presbíteros ou diáconos. O apóstolo exorta a reavivar continuamente o dom recebido (cf. 1 Tm 4, 14; 2 Tm 1, 6). Isto significa que deve ser sempre viva a consciência de que não somos bispos, sacerdotes ou diáconos porque somos mais inteligentes, capazes, melhores que os outros, mas só em virtude de um dom, de uma dádiva de amor conferida por Deus no poder do seu Espírito, para o bem do seu povo. Esta consciência é deveras importante e constitui uma graça que devemos pedir cada dia! Com efeito, o Pastor consciente de que o seu ministério brota unicamente da misericórdia e do Coração de Deus, nunca poderá assumir uma atitude autoritária, como se todos estivessem aos seus pés, como se a comunidade fosse sua propriedade, seu reino pessoal.

A consciência de que tudo é dom, tudo é graça, ajuda o pastor também a não cair na tentação de se pôr no centro da atenção e de confiar só em si mesmo. São as tentações da vaidade, do orgulho, da suficiência, da soberba. Deus não permita que um bispo, um sacerdote ou um diácono pense que sabe tudo, que tem sempre a resposta certa para tudo e que não precisa de ninguém! Ao contrário, a consciência de ser o primeiro objecto da misericórdia e da compaixão de Deus deve levar o ministro da Igreja a ser sempre humilde e compreensivo em relação ao próximo. Embora tenha a consciência de ser chamado a preservar com coragem o depósito da fé (cf. 1 Tm 6, 20), ele deve pôr-se à escuta do povo. Com efeito, está consciente de ter sempre algo a aprender, inclusive daqueles que ainda podem estar longe da fé e da Igreja. Depois, com os seus irmãos de hábito tudo isto deve levar a assumir uma atitude nova, caracterizada pela partilha, co-responsabilidade e comunhão.

Caros amigos, devemos estar sempre gratos ao Senhor, porque na pessoa e no ministério dos bispos, dos sacerdotes e dos diáconos Ele continua a guiar e formar a sua Igreja, levando-a a crescer ao longo do caminho da santidade. Ao mesmo tempo, devemos continuar a rezar, para que os pastores das nossas comunidades possam ser imagens vivas da comunhão e do amor de Deus.

Saudações

Amados peregrinos de língua portuguesa, saúdo-vos cordialmente a todos, com menção especial para os paroquianos de Nossa Senhora de Guadalupe de Curitiba e os diocesanos de Tubarão, os fiéis da Capela Militar Nossa Senhora da Conceição e da paróquia Jardim da Imaculada. Não nos cansemos de vigiar sobre os nossos pensamentos e atitudes para saborear desde já o calor e o esplendor do rosto de Deus, que havemos de contemplar em toda a sua beleza na vida eterna. Desça, generosa, a sua Bênção sobre vós e vossas famílias!

Acompanho com grande trepidação as dramáticas vicissitudes dos cristãos que, em várias regiões do mundo, são perseguidos e assassinados por causa do seu credo religioso. Sinto a necessidade de manifestar a minha profunda proximidade espiritual às comunidades cristãs duramente atingidas por uma violência absurda que não dá sinais de diminuir, enquanto encorajo os pastores e os fiéis a ser fortes e firmes na esperança. Mais uma vez, dirijo um forte apelo a quantos têm responsabilidades políticas à nível local e internacional, assim como a todas as pessoas de boa vontade, a fim de que haja uma vasta mobilização das consciências a favor dos cristãos perseguidos. Eles têm o direito de reencontrar a segurança e a tranquilidade nos seus países, professando livremente a nossa fé. Agora convido-vos a recitar o Pai-Nosso por todos os cristãos, perseguidos porque são cristãos.

Os fiéis que participam nesta audiência estão em dois lugares: uns aqui na praça — todos podemos ver-nos uns aos outros — e outros na sala Paulo VI, onde se encontram mais de duzentos enfermos. E dado que o tempo era tão incerto, não se sabia se havia perigo de chuva ou não, eles estão lá, abrigados, e acompanham a audiência através de uma grande tela. Convido-vos a saudar com um aplauso os nossos irmãos que estão na sala Paulo VI.

Dirijo um pensamento aos jovens, aos doentes e aos recém-casados. Ontem pudemos celebrar a memória de São Martinho, Bispo de Tours. A sua grande caridade sirva de exemplo para vós, amados jovens, para levardes a vida como uma oferta; o seu abandono em Cristo Salvador vos sustente, queridos doentes, nos momentos obscuros do sofrimento; e o seu vigor espiritual vos recorde, estimados recém-casados, a centralidade da fé no caminho conjugal.




Fonte: Vaticano




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