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sábado, 25 de janeiro de 2014

Evangelho do III Domingo do Tempo Comum - Ano A


São Mateus 4, 12-23

Quando Jesus ouviu dizer que João Batista fora preso, retirou-Se para a Galileia. Deixou Nazaré e foi habitar em Cafarnaum, terra à beira-mar, no território de Zabulão e Neftali. Assim se cumpria o que o profeta Isaías anunciara, ao dizer: "Terra de Zabulão e terra de Neftali, estrada do mar, além do Jordão, Galileia dos gentios: o povo que vivia nas trevas viu uma grande luz; para aqueles que habitavam na sombria região da morte, uma luz se levantou". Desde então, Jesus começou a pregar: "Arrependei-vos, porque o reino de Deus está próximo". Caminhando ao longo do mar da Galileia, viu dois irmãos: Simão, chamado Pedro, e seu irmão André, que lançavam as redes ao mar, pois eram pescadores. Disse-lhes Jesus: "Vinde e segui-Me e farei de vós pescadores de homens". Eles deixaram logo as redes e seguiram-n’O. Um pouco mais adiante, viu outros dois irmãos: Tiago, filho de Zebedeu, e seu irmão João, que estavam no barco, na companhia de seu pai Zebedeu, a consertar as redes. Jesus chamou-os e eles, deixando o barco e o pai, seguiram-n’O. Depois começou a percorrer toda a Galileia, ensinando nas sinagogas, proclamando o Evangelho do reino e curando todas as doenças e enfermidades entre o povo.





Catequese do Papa Francisco - 22.01.2014


Praça de São Pedro
Quarta-feira, 22 de Janeiro de 2014








Caros irmãos e irmãs, bom dia!

No sábado passado teve início a Semana de oração pela unidade dos cristãos, que se encerrará no próximo sábado, festa da Conversão do apóstolo são Paulo. Esta iniciativa espiritual, mais preciosa do que nunca, envolve as comunidades cristãs há mais de cem anos. Trata-se de um tempo dedicado à oração pela unidade de todos os baptizados, segundo a vontade de Cristo: «Para que todos sejam um só» (Jo 17, 21). Cada ano, um grupo ecumênico de uma região do mundo, sob a guia do Conselho Ecumênico das Igrejas e do Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos, sugere o tema e prepara subsídios para a Semana de oração. Este ano tais subsídios são oferecidos pelas Igrejas e Comunidades eclesiais do Canadá, e fazem referência à pergunta dirigida por são Paulo aos cristãos de Corinto: «Estaria Cristo dividido?» (1 Cor 1, 13).

Sem dúvida, Cristo não foi dividido. Contudo, devemos reconhecer sincera e dolorosamente que as nossas comunidades continuam a viver divisões que são escandalosas. As divisões entre nós, cristãos, são um escândalo! Não há outra palavra: um escândalo! «Cada um de vós — escrevia o apóstolo — diz: “Eu sou [discípulo] de Paulo”, “eu, de Apolo”, “eu de Cefas”, “eu de Cristo”» (1, 12). Nem aqueles que professavam Cristo como o seu chefe são aplaudidos por Paulo, porque usavam o nome de Cristo para se separar dos outros no interior da comunidade cristã. Mas o nome de Cristo cria comunhão e unidade, não divisão! Ele veio para fazer comunhão entre nós, não para nos dividir. O Batismo e a Cruz são elementos centrais do discipulado cristão, que temos em comum. As divisões, ao contrário, debilitam a credibilidade e a eficácia do nosso compromisso de evangelização e correm o risco de esvaziar a Cruz do seu poder (cf. 1, 17).

Paulo repreende os coríntios pelas suas contendas, mas também dá graças ao Senhor, «pela graça divina que vos foi dada em Jesus Cristo. Nele fostes ricamente contemplados com todos os dons da palavra e da ciência» (1, 4-5). Estas palavras de Paulo não são uma simples formalidade, mas o sinal de que ele vê antes de tudo — e alegra-se sinceramente por isto — os dons concedidos por Deus à comunidade. Esta atitude do apóstolo é um encorajamento para nós e para cada comunidade cristã a reconhecer com júbilo as dádivas de Deus presentes noutras comunidades. Apesar do sofrimento das divisões, que infelizmente ainda subsistem, acolhamos as palavras de Paulo como um convite a alegrar-nos sinceramente pelas graças concedidas por Deus a outros cristãos. Temos o mesmo Batismo, o mesmo Espírito Santo que nos infundiu a Graça: reconheçamo-lo e alegremo-nos!

É bom reconhecer a graça com que Deus nos abençoa e, ainda mais, encontrar noutros cristãos algo de que temos necessidade, algo que poderíamos receber como dom dos nossos irmãos e irmãs. O grupo canadense que preparou os subsídios desta Semana de oração não convidou as comunidades a pensar naquilo que poderiam oferecer aos seus vizinhos cristãos, mas exortou-as a encontrar-se para compreender o que todas, a seu tempo, podem receber umas das outras. Isto exige algo mais. Requer muita oração, humildade, reflexão e conversão contínua. Vamos em frente por este caminho, rezando pela unidade dos cristãos, para que este escândalo desapareça e deixe de existir entre nós.

Saudações

Nesta Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos é-me particularmente grato poder saudar os estudantes provenientes do Instituto universitário de Bossey. Faço votos a fim de que os vossos estudos ajudem a promover a compreensão e o diálogo ecumênico!

Saúdo cordialmente os peregrinos de língua portuguesa, especialmente os sacerdotes da diocese brasileira de Catanduva: obrigado pela vossa presença e sobretudo pelas vossas orações! À Virgem Maria confio os vossos passos ao serviço do crescimento rumo à unidade do Povo de Deus. Sobre vós, vossas famílias e paróquias desça a Bênção do Senhor!

Hoje inaugura-se em Montreux, na Suíça, uma Conferência internacional de apoio à paz na Síria, à qual se seguirão as negociações que se realizarão em Genebra a partir de 24 do corrente mês de Janeiro. Oro ao Senhor para que sensibilize o coração de todos a fim de que, procurando unicamente o maior bem do povo sírio, tão provado, não poupem esforço algum para alcançar urgentemente a cessação da violência e o termo do conflito, que já causou demasiados sofrimentos. Desejo à amada Nação síria um decidido caminho de reconciliação, concórdia e reconstrução, com a participação de todos os cidadãos, onde cada um possa encontrar no outro não um inimigo, nem um concorrente, mas sim um irmão para acolher e abraçar.

Dirijo um pensamento especial aos jovens, aos doentes e aos recém-casados. No próximo sábado celebraremos a Festa da Conversão de São Paulo. Estimados jovens, a figura de Paulo seja para todos vós modelo do discipulado missionário. Amados doentes, oferecei os vossos sofrimentos pela causa da unidade da Igreja de Cristo. E vós, diletos recém-casados, inspirai-vos no exemplo do apóstolo das nações, reconhecendo na vossa vida familiar o primado a Deus e ao seu amor.




Fonte: Vaticano





Angelus com o Papa Francisco - 19.01.2014


Praça de São Pedro
Domingo, 19 de Janeiro de 2014







Prezados irmãos e irmãs, bom dia!

Com a festividade do Batismo do Senhor, celebrada no domingo passado, entramos no tempo litúrgico chamado «comum». Neste segundo domingo, o Evangelho apresenta-nos a cena do encontro entre Jesus e João Batista, à margem do rio Jordão. Quem a narra é a testemunha ocular, João Evangelista, que antes de ser discípulo de Jesus era discípulo de João Batista, juntamente com o seu irmão Tiago, com Simão e André, todos da Galileia, todos pescadores. Portanto, João Batista vê Jesus que se aproxima no meio da multidão e, inspirado pelo Alto, reconhece nele o Enviado de Deus; por isso, indica-o como as seguintes palavras: «Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo!» (Jo 1, 29).

Literalmente, o verbo que é traduzido como «tira» significa «levantar», «carregar sobre si». Jesus veio ao mundo para cumprir uma missão específica: para o libertar da escravidão do pecado, assumindo as culpas da humanidade. De que forma? Amando. Não há outro modo para vencer o mal e o pecado, a não ser através do amor, que impele ao dom da própria vida pelo próximo. No testemunho de João Batista, Jesus manifesta as características do Servo do Senhor, que «tomou sobre si as nossas enfermidades, carregou os nossos sofrimentos» (Is 53, 4), a ponto de morrer na Cruz. Ele é o verdadeiro Cordeiro pascal, que mergulha no rio dos nossos pecados para nos purificar.

João Batista vê diante de si um homem que se põe em fila juntamente com os pecadores para se fazer baptizar, embora não tivesse necessidade de o fazer. Um homem que Deus enviou ao mundo como Cordeiro imolado. No Novo Testamento o termo «cordeiro» aparece várias vezes, e sempre em referência a Jesus. Esta imagem do cordeiro poderia causar admiração; com efeito, um animal que certamente não se caracteriza pela força nem pela robusteza carrega sobre os seus ombros um peso tão oprimente. A massa enorme do mal é levantada e carregada por uma criatura débil e frágil, símbolo de obediência, docilidade e amor inerme, que chega até ao sacrifício de si. O cordeiro não é um dominador, mas é dócil; não é agressivo, mas pacífico; não mostra as garras nem os dentes diante de qualquer ataque, mas suporta e é remissivo. Assim é Jesus! Assim é Jesus, como um cordeiro!

Que significa para a Igreja, para nós hoje, ser discípulos de Jesus, Cordeiro de Deus? Significa pôr no lugar da malícia a inocência, no lugar da força o amor, no lugar da soberba a humildade, no lugar do prestígio o serviço. E uma boa obra! Nós, cristãos, temos que agir assim: pôr no lugar da malícia a inocência, no lugar da força o amor, no lugar da soberba a humildade, no lugar do prestígio o serviço. Ser discípulo do Cordeiro significa não viver como que numa «cidadela cercada», mas como numa cidade posta sobre o monte, aberta, hospitaleira e solidária. Quer dizer não assumir atitudes de fechamento, mas propor o Evangelho a todos, dando testemunho com a nossa própria vida de que seguir Jesus nos torna mais livres e mais jubilosos.

Depois do Angelus

Hoje celebra-se o Dia Mundial dos Migrantes e Refugiados, sobre o tema «Migrantes e refugiados: rumo a um mundo melhor», que desenvolvi na Mensagem publicada já há tempos. Dirijo uma saudação especial aos representantes de várias comunidades étnicas aqui congregadas, de modo particular as comunidades católicas de Roma. Caros amigos, vós estais próximos do coração da Igreja, porque a Igreja é um povo a caminho rumo ao Reino de Deus, que Jesus Cristo trouxe para o meio de nós. Não percais a esperança de um mundo melhor! Faço votos a fim de que vivais em paz nos países que vos acolhem, conservando os valores das vossas culturas de origem. Gostaria de agradecer àqueles que trabalham com os migrantes para os acolher e acompanhar nos seus momentos difíceis, para os defender de quantos o beato Scalabrini definia «mercadores de carne humana», que querem escravizar os migrantes! De maneira particular, gostaria de agradecer à Congregação dos Missionários de São Carlos, os sacerdotes e as religiosas Scalabrinianos, que fazem um grande bem à Igreja, tornando-se migrantes com os migrantes.

Neste momento pensemos nos numerosos migrantes e refugiados, nos seus sofrimentos e na sua vida, muitas vezes desempregados, sem documentos, com tantos sofrimentos; e todos juntos podemos dirigir uma oração pelos migrantes e refugiados que vivem situações mais graves e difíceis: Ave Maria...

A todos desejo feliz domingo e bom almoço. Até à vista!




Fonte: Vaticano





segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

Evangelho do II Domingo do Tempo Comum - Ano A


São João 1, 29-34

Naquele tempo, João Batista viu Jesus, que vinha ao seu encontro, e exclamou: "Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo. Era d’Ele que eu dizia: ‘Depois de mim virá um homem, que passou à minha frente, porque existia antes de mim’. Eu não O conhecia, mas para Ele Se manifestar a Israel é que eu vim baptizar em água". João deu mais este testemunho: "Eu vi o Espírito Santo descer do Céu como uma pomba e repousar sobre Ele. Eu não O conhecia, mas quem me enviou a baptizar em água é que me disse: ‘Aquele sobre quem vires o Espírito Santo descer e repousar é que baptiza no Espírito Santo’. Ora, eu vi e dou testemunho de que Ele é o Filho de Deus".





Catequese com o Papa Francisco - 15.01.2014


Praça de São Pedro
Quarta-feira, 15 de Janeiro de 2014








Prezados irmãos e irmãs, bom dia!

Na quarta-feira passado demos início a uma breve série de catequeses sobre os Sacramentos, começando pelo Batismo. E também hoje gostaria de meditar sobre o Batismo, para ressaltar um fruto muito importante deste Sacramento: ele leva-nos a ser membros do Corpo de Cristo e do Povo de Deus. S. Tomás de Aquino afirma que quantos recebem o Batismo são incorporados a Cristo quase como seus próprios membros e agregados à comunidade dos fiéis (cf. Summa Theologiae, III, q. 69, art. 5; q. 70, art. 1), ou seja, ao Povo de Deus. Na escola do Concílio Vaticano II, hoje dizemos que o Batismo nos faz entrar no Povo de Deus, levando-nos a ser membros de um Povo a caminho, um Povo peregrino na história.

Com efeito, assim como a vida se transmite de geração em geração, também de geração em geração, através do renascimento na pia baptismal, é transmitida a graça, e com esta graça o Povo cristão caminha no tempo como um rio que irriga a terra e propaga no mundo a bênção de Deus. Desde que Jesus disse o que ouvimos do Evangelho, os discípulos partiram para baptizar; e desde aquela época até hoje há uma cadeia na transmissão da fé mediante o Batismo. E cada um de nós é um elo daquela corrente: um passo em frente, sempre; como um rio que irriga. Assim é a graça de Deus, assim é a nossa fé, que devemos transmitir aos nossos filhos, às crianças, para que elas, quando forem adultas, possam transmiti-la aos seus filhos. Assim é o batismo. Porquê? Porque o batismo nos faz entrar neste Povo de Deus, que transmite a fé. Isto é deveras importante. Um Povo de Deus que caminha e transmite a fé.

Em virtude do Batismo nós tornamo-nos discípulos missionários, chamados a levar o Evangelho ao mundo (cf. Exortação Apostólica Evangelii gaudium, 120). «Cada um dos baptizados, independentemente da própria função na Igreja e do grau de instrução da sua fé, é um sujeito ativo de evangelização... A nova evangelização deve implicar um novo protagonismo» (ibid.) da parte de todos, de todo o Povo de Deus, um novo protagonismo de cada baptizado. O Povo de Deus é um Povo discípulo — porque recebe a fé — e missionário — porque transmite a fé. É isto que o Batismo faz entre nós: confere-nos a Graça, transmite-nos a Fé. Todos na Igreja somos discípulos, e somo-lo sempre, a vida inteira; e todos nós somos missionários, cada qual no lugar que o Senhor lhe confiou. Todos: até o mais pequenino é missionário; e aquele que parece maior é discípulo. Mas algum de vós dirá: «Os Bispos não são discípulos, eles sabem tudo; o Papa sabe tudo, e não é discípulo». Não, até os bispos e o Papa devem ser discípulos, pois se não forem discípulos não farão o bem, não poderão ser missionários nem transmitir a fé. Todos nós somos discípulos e missionários.

Existe um vínculo indissolúvel entre as dimensões mística e missionária da vocação cristã, ambas arraigadas no Batismo. «Ao receber a fé e o batismo, os cristãos acolhem a ação do Espírito Santo, que leva a confessar a Jesus como Filho de Deus e a chamar Deus “Abba”, Pai. Todos os batizados e batizadas... são chamados a viver e a transmitir a comunhão com a Trindade, pois “a evangelização é um chamado à participação da comunhão trinitária”» (Documento final de Aparecida, n. 157).

Ninguém se salva sozinho. Somos uma comunidade de fiéis, somos Povo de Deus e nesta comunidade experimentamos a beleza de compartilhar a experiência de um amor que nos precede a todos, mas que ao mesmo tempo nos pede para ser «canais» da graça uns para os outros, apesar dos nossos limites e pecados. A dimensão comunitária não é apenas uma «moldura», um «contorno», mas constitui uma parte integrante da vida cristã, do testemunho e da evangelização. A fé cristã nasce e vive na Igreja, e no Batismo as famílias e as paróquias celebram a incorporação de um novo membro a Cristo e ao seu corpo, que é a Igreja (cf. ibid., n. 175b).

A propósito da importância do Batismo para o Povo de Deus, é exemplar a história da comunidade cristã no Japão. Ela padeceu uma perseguição árdua no início do século XVII. Houve numerosos mártires, os membros do clero foram expulsos e milhares de fiéis foram assassinados. No Japão não permaneceu nem sequer um sacerdote, todos foram expulsos. Então, a comunidade retirou-se na clandestinidade, conservando a fé e a oração no escondimento. E quando nascia um filho, o pai ou a mãe baptizavam-no, pois todos os fiéis podem baptizar em circunstâncias particulares. Quando, depois de cerca de dois séculos e meio, 250 anos mais tarde, os missionários voltaram para o Japão, milhares de cristãos saíram do escondimento e a Igreja conseguiu reflorescer. Sobreviveram com a graça do seu Batismo! Isto é grande: o Povo de Deus transmite a fé, baptiza os seus filhos e vai em frente. E apesar do segredo, mantiveram um vigoroso espírito comunitário, porque o Batismo os tinha levado a constituir um único corpo em Cristo: viviam isolados e escondidos, mas eram sempre membros do Povo de Deus, membros da Igreja. Podemos aprender muito desta história!

Saudações

Dirijo uma cordial saudação aos peregrinos de língua portuguesa, presentes nesta audiência, especialmente aos grupos vindos do Brasil. Queridos amigos, todos os batizados estão chamados a ser discípulos missionários, vivendo e transmitindo a comunhão com Deus, transmitindo a fé. Em todas as circunstâncias, procurai oferecer um testemunho alegre da vossa fé. Que Deus vos abençoe!

Estimados irmãos e irmãs de expressão árabe, provenientes da Jordânia e da Terra Santa: aprendei da Igreja no Japão que, devido às perseguições no século XVII, se retirou no escondimento durante aproximadamente dois séculos e meio, transmitindo de geração em geração a chama da fé sempre acesa. Quando são vividas com confiança, convicção e esperança, as dificuldades e as perseguições purificam a fé e fortalecem-na. Sede verdadeiras testemunhas de Cristo e do seu Evangelho, filhos autênticos da Igreja, sempre prontos para dar razão da vossa esperança com amor e respeito. O Senhor preserve a vossa vida e vos abençoe!

Dirijo uma saudação especial aos jovens, aos doentes e aos recém-casados. No domingo passado pudemos celebrar a Solenidade do Batismo do Senhor, ocasião propícia para reconsiderar a própria pertença a Cristo, na fé da Igreja. Amados jovens, voltai a descobrir diariamente a graça que deriva do Batismo. Vós, diletos enfermos, hauri do Batismo a força para enfrentar momentos de dor e de desalento. E vós, queridos recém-casados, sabei traduzir os compromissos do Batismo no vosso caminho de vida familiar.




Fonte: Vaticano





Angelus com o Papa Francisco - 12.01.2014


Praça de São Pedro
Domingo, 12 de Janeiro de 2014







Estimados irmãos e irmãs, bom dia!

Hoje é a festa do Batismo do Senhor, e hoje de manhã batizei trinta e dois recém-nascidos. Dou graças ao Senhor, juntamente convosco, por estas criaturas e por cada nova vida. Eu gosto de batizar crianças. Gosto muito! Cada criança que nasce é um dom de alegria e de esperança, e cada criança que é baptizada constitui um prodígio da fé e uma festa para a família de Deus.

A hodierna página do Evangelho ressalta que, quando Jesus recebeu o baptismo de João no rio Jordão, «eis que os céus se lhe abriram» (Mt 3, 16). Isto realiza as profecias. Com efeito, há uma invocação que a liturgia nos faz repetir no tempo de Advento: «Oh! Se rasgásseis os céus, se descêsseis!» (Is 64, 1). Se os céus permanecessem fechados, o nosso horizonte nesta vida terrena seria obscuro, sem esperança. Ao contrário, celebrando o Natal, a fé confere-nos mais uma vez a certeza de que os céus se rasgaram com a vinda de Jesus. E no dia do baptismo de Cristo ainda contemplamos os céus abertos. A manifestação do Filho de Deus na terra assinala o início do grande tempo da misericórdia, depois que o pecado tinha fechado os céus, elevando como que uma barreira entre o ser humano e o seu Criador. Com o nascimento de Jesus abrem-se os céus! Deus concede-nos em Cristo a garantia de um amor indestrutível. Portanto, desde que o Verbo se fez carne é possível ver os céus abertos. Foi possível para os pastores de Belém, para os Magos do Oriente, para João Baptista, para os Apóstolos de Jesus, para santo Estêvão, o protomártir que exclamou: «Eis que contemplo os céus abertos!» (At 7, 56). E será possível também para cada um de nós, se nos deixarmos invadir pelo amor de Deus, que nos é concedido pela primeira vez mediante o Baptismo, por meio do Espírito Santo. Deixemo-nos invadir pelo amor de Deus! Este é o grande tempo da misericórdia! Não o esqueçais: este é o grande tempo da misericórdia!

Quando Jesus recebeu o baptismo de penitência de João Baptista, solidarizando com o povo penitente — Ele, sem pecado e não necessitado de conversão — Deus Pai fez ouvir a sua voz descida do céu: «Eis o meu Filho muito amado, em quem pus a minha complacência!» (v. 17). Jesus recebe a aprovação do Pai celeste, que O enviou precisamente para que aceitasse compartilhar a nossa condição, a nossa pobreza. Compartilhar é o verdadeiro modo de amar. Jesus não se dissocia de nós, considera-nos irmãos e compartilha connosco. E assim, juntamente com Ele, torna-nos filhos de Deus Pai. Esta é a revelação e a fonte do amor autêntico. E este é o grande tempo da misericórdia!

Não vos parece que, neste nosso tempo, há necessidade de um suplemento de partilha fraternal e amorosa? Não vos parece que todos nós precisamos de um suplemento de caridade? Não daquela que se contenta com a ajuda extemporânea, que não compromete, que não põe em jogo, mas daquela caridade que compartilha, que assume as dificuldades e o sofrimento do irmão. Que sabor adquire a vida, quando nos deixamos inundar pelo amor de Deus!

Peçamos à Virgem Santa que nos sustente com a sua intercessão no nosso compromisso de seguir Cristo ao longo do caminho da fé e da caridade, na senda traçada pelo nosso Baptismo.

Depois do Angelus

Dirijo a todos a minha saudação cordial, de modo particular às famílias e aos fiéis vindos de diferentes paróquias da Itália e de outros países, assim como às associações e aos vários grupos.

Hoje, dirijo um pensamento especial aos pais que trouxeram os seus filhos para baptizar e àqueles que se preparam para o Baptismo de um filho. Uno-me à alegria destas famílias e, juntamente com elas, dou graças ao Senhor e rezo a fim de que o Baptismo das crianças ajude os próprios pais a redescobrir a beleza da fé e a voltar de modo novo aos Sacramentos e à comunidade.

Como já tinha sido anunciado, no próximo dia 22 de de Fevereiro, festividade da Cátedra de São Pedro, terei a alegria de presidir a um Consistório, durante o qual nomearei 16 Cardeais que — pertencentes a 12 Nações de todas as partes do mundo — representam a profunda relação eclesial entre a Igreja de Roma e as demais Igrejas espalhadas pelo mundo.

No dia seguinte, presidirei a uma solene concelebração com os novos Cardeais, enquanto nos dias 20 e 21 de Fevereiro realizarei um Consistório com todos os Purpurados, para meditar sobre o tema da família.

Eis os nomes dos novos Cardeais:

1. D. Pietro Parolin, Arcebispo Titular de Acquapendente, Secretário de Estado.

2. D. Lorenzo Baldisseri, Arcebispo Titular de Diocleziana, Secretário-Geral do Sínodo dos Bispos.

3. D. Gerhard Ludwig Müller, Arcebispo-Bispo Emérito de Regensburg, Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé.

4. D. Beniamino Stella, Arcebispo Titular de Midila, Prefeito da Congregação para o Clero.

5. D. Vincent Gerard Nichols, Arcebispo de Westminster (Grã-Bretanha).

6. D. Leopoldo José Brenes Solórzano, Arcebispo de Manágua (Nicarágua).

7. D. Gérald Cyprien Lacroix, Arcebispo de Quebec (Canadá).

8. D. Jean-Pierre Kutwa, Arcebispo de Abidjan (Costa do Marfim).

9. D. Orani João Tempesta, O.Cist., Arcebispo do Rio de Janeiro (Brasil).

10. D. Gualtiero Bassetti, Arcebispo de Perugia-Città della Pieve (Itália).

11. D. Mario Aurelio Poli, Arcebispo de Buenos Aires (Argentina).

12. D. Andrew Yeom Soo Jung, Arcebispo de Seul (Coreia).

13. D. Ricardo Ezzati Andrello, S.D.B., Arcebispo de Santiago (Chile).

14. D. Philippe Nakellentuba Ouédraogo, Arcebispo de Ouagadougou (Burkina Faso).

15. D. Orlando B. Quevedo, O.M.I., Arcebispo de Cotabato (Filipinas).

16. D. Chibly Langlois, Bispo de Les Cayes (Haiti).

Juntamente com eles, unirei aos membros do Colégio Cardinalício três Arcebispos Eméritos que se distinguiram pelo seu serviço à Santa Sé e à Igreja:

D. Loris Francesco Capovilla, Arcebispo Titular de Mesembria;

D. Fernando Sebastian Aguillar, Arcebispo Emérito de Pamplona;

D. Kelvin Edward Felix, Arcebispo Emérito de Castries, nas Antilhas.

Oremos pelos novos Purpurados a fim de que, revestidos das virtudes e dos sentimentos do Senhor Jesus, Bom Pastor, possam ajudar mais eficazmente o Bispo de Roma no seu serviço à Igreja universal.

A todos desejo feliz domingo e bom almoço. Até à vista!





Fonte: Vaticano





sábado, 11 de janeiro de 2014

Evangelho da Solenidade do Batismo do Senhor - Ano A


São Mateus 3, 13-17


Naquele tempo, Jesus chegou da Galileia e veio ter com João Batista ao Jordão, para ser baptizado por ele. Mas João opunha-se, dizendo: "Eu é que preciso de ser baptizado por Ti e Tu vens ter comigo?" Jesus respondeu-lhe: "Deixa por agora; convém que assim cumpramos toda a justiça". João deixou então que Ele Se aproximasse. Logo que Jesus foi baptizado, saiu da água. Então, abriram-se os céus e Jesus viu o Espírito de Deus descer como uma pomba e pousar sobre Ele. E uma voz vinda do céu dizia: "Este é o meu Filho muito amado, no qual pus toda a minha complacência".








Cresce o número de pessoas que percebem o matrimônio como instituição religiosa, revela estudo no EUA


Uma nova pesquisa realizada nos Estados Unidos revelou que 57 por cento de cidadãos eleitores assinalam que o matrimônio é uma instituição religiosa e não meramente social. Esta porcentagem indica que neste país o matrimônio é altamente valorizado.

A pesquisa realizou-se no dia 22 de dezembro 2013 por Rasmussen Reports, uma das pesquisadoras de opinião mais sérias dos EUA, também assinala que os que só consideram o matrimônio como uma união civil são 40 por cento, uma cifra que baixou comparada à última pesquisa que mostrava 45 por cento dos entrevistados.

Por outro lado, 71 por cento dos que afirmaram que o matrimônio é uma instituição religiosa também se opõem à união de casais do mesmo sexo, enquanto que 75 por cento dos que disseram que o matrimônio para eles é apenas uma instituição civil, estão a favor da redefinição do matrimônio.

Perto de 77 por cento dos pesquisados afirmaram estar casados ou havê-lo estado, dos quais 57 por cento disse estar de acordo que o matrimônio é uma instituição religiosa, enquanto que o que os que nunca se casaram indicaram que o matrimônio para eles é uma união civil.

Os participantes também foram indagados se consideravam importante ou muito importante casar-se antes de ter filhos. O resultado foi que 73 por cento responderam que sim era importante, à diferença dos outros 25 por cento que opiniaram que o matrimônio não é uma condição prévia para a paternidade.

Além disse, 79 por cento dos entrevistados qualificou que o matrimônio é de alguma forma algo importante para a sociedade e 45 por cento destes que o qualificou como importantíssimo para a sociedade.




Fonte: ACI Digital




Catequese do Papa Francisco - 08.01.2014


Praça de São Pedro
Quarta-feira, 8 de Janeiro de 2014






Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

Hoje começamos uma série de Catequeses sobre os Sacramentos, e a primeira diz respeito ao Batismo. Por uma feliz coincidência, no próximo domingo celebra-se precisamente a festa do Batismo do Senhor.

O Batismo é o sacramentos sobre o qual se fundamenta a nossa própria fé e que nos insere como membros vivos em Cristo e na sua Igreja. Juntamente com a Eucaristia e com a Confirmação forma a chamada «Iniciação cristã», a qual constitui como que um único, grande evento sacramental que nos configura com o Senhor e nos torna um sinal vivo da sua presença e do seu amor.

Pode surgir em nós uma pergunta: mas o Batismo é realmente necessário para viver como cristãos e seguir Jesus? Não é no fundo um simples rito, uma ato formal da Igreja para dar o nome ao menino ou à menina? É uma pergunta que pode surgir. E a este propósito, é esclarecedor quanto escreve o apóstolo Paulo: «Ignorais, porventura, que todos nós, que fomos baptizados em Jesus Cristo, fomos baptizados na Sua morte? Pelo batismo sepultamo-nos juntamente com Ele, para que, assim como Cristo ressuscitou dos mortos, mediante a glória do Pai, assim caminhemos nós também numa vida nova» (Rm 6, 3-4). Por conseguinte, não é uma formalidade! É um ato que diz profundamente respeito à nossa existência. Uma criança baptizada ou uma criança não baptizada não é a mesma coisa. Uma pessoa baptizada ou uma pessoa não baptizada não é a mesma coisa. Nós, com o Batismo, somos imergidos naquela fonte inesgotável de vida que é a morte de Jesus, o maior ato de amor de toda a história; e graças a este amor podemos viver uma vida nova, já não à mercê do mal, do pecado e da morte, mas na comunhão com Deus e com os irmãos.

Muitos de nós não recordam minimamente a celebração deste Sacramento, e é óbvio, se fomos baptizados pouco depois do nascimento. Fiz esta pergunta duas ou três vezes, aqui, na praça: quem de vós conhece a data do próprio Batismo, levante a mão. É importante conhecer o dia no qual eu fui imergido precisamente naquela corrente de salvação de Jesus. E permito-me dar um conselho. Mas, mais do que um conselho, trata-se de uma tarefa para hoje. Hoje, em casa, procurai, perguntai a data do Batismo e assim sabereis bem o dia tão bonito do Batismo. Conhecer a data do nosso Batismo significa conhecer uma data feliz. Mas o risco de não o conhecer significa perder a memória daquilo que o Senhor fez em nós, a memória do dom que recebemos. Então acabamos por considerá-lo só como um evento que aconteceu no passado — e nem devido à nossa vontade, mas à dos nossos pais — por conseguinte, já não tem incidência alguma sobre o presente. Devemos despertar a memória do nosso Batismo. Somos chamados a viver o nosso Batismo todos os dias, como realidade atual na nossa existência. Se seguimos Jesus e permanecemos na Igreja, mesmo com os nossos limites, com as nossa fragilidades e os nossos pecados, é precisamente graças ao Sacramento no qual nos tornamos novas criaturas e fomos revestidos de Cristo. Com efeito, é em virtude do Batismo que, libertados do pecado original, somos inseridos na relação de Jesus com Deus Pai; que somos portadores de uma esperança nova, porque o Batismo nos dá esta nova esperança: a esperança de percorrer o caminho da salvação, a vida inteira. E esta esperança que nada e ninguém pode desiludir, porque a esperança não decepciona. Recordai-vos: a esperança no Senhor nunca desilude. É graças ao Batismo que somos capazes de perdoar e amar também quem nos ofende e nos faz mal; que conseguimos reconhecer nos últimos e nos pobres o rosto do Senhor que nos visita e se faz próximo. O Batismo ajuda-nos a reconhecer no rosto dos necessitados, dos sofredores, também do nosso próximo, a face de Jesus. Tudo isto é possível graças à força do Batismo!

Um último elemento, que é importante. E faço uma pergunta: uma pessoa pode baptizar-se a si mesma? Ninguém pode baptizar-se a si mesma! Ninguém. Podemos pedi-lo, desejá-lo, mas temos sempre a necessidade de alguém que nos confira este Sacramento em nome do Senhor. Porque o Batismo é um dom que é concedido num contexto de solicitude e de partilha fraterna.

Ao longo da história sempre um baptiza outro, outro, outro... é uma corrente. Uma corrente de Graça. Mas, eu não me posso baptizar sozinho: devo pedir o Batismo a outra pessoa. É um ato de fraternidade, uma ato de filiação à Igreja. Na celebração do Batismo podemos reconhecer os traços mais característicos da Igreja, a qual como uma mãe continua a gerar novos filhos em Cristo, na fecundidade do Espírito Santo.

Peçamos então de coração ao Senhor podermos para experimentar cada vez mais, na vida diária, esta graça que recebemos com o Batismo. Que os nossos irmãos ao encontrar-nos possam encontrar verdadeiros filhos de Deus, verdadeiros irmãos e irmãs de Jesus Cristo, verdadeiros membros da Igreja. E não esqueçais a tarefa de hoje: procurar, perguntar a data do próprio Batismo. Assim como eu conheço a data do meu nascimento, devo conhecer também a data do meu Batismo, porque é um dia de festa.




Fonte: Vaticano





Angelus com o Papa Francisco - 06.01.2014


Praça de São Pedro
Segunda-feira, 6 de Janeiro de 2014







Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

Hoje celebramos a Epifania, isto é, a «manifestação» do Senhor. Esta solenidade está ligada à narração bíblica da vinda dos magos do Oriente a Belém para prestar homenagem ao Rei dos Judeus: um episódio que o Papa Bento comentou magnificamente no seu livro sobre a infância de Jesus. Aquela foi precisamente a primeira «manifestação» de Cristo aos povos. Por isso a Epifania evidencia a abertura universal da salvação trazida por Jesus. A Liturgia deste dia aclama: «Adoram-te, Senhor, todos os povos da terra», porque Jesus veio para todos nós, para todos os povos, para todos!

Com efeito, esta festa faz-nos ver um movimento duplo: por um lado o movimento de Deus rumo ao mundo, à humanidade — toda a história da salvação, que culmina em Jesus — e por outro, o movimento dos homens em direcção a Deus — pensemos nas religiões, na busca da verdade, no caminho dos povos rumo à paz, à paz interior, à justiça e à liberdade. E este dúplice movimento é suscitado por uma atracção recíproca. Da parte de Deus, o que o atrai? É o amor por nós: somos seus filhos, ama-nos e quer libertar-nos do mal, das doenças, da morte, e levar-nos para a sua casa, para o seu reino. «Deus, por pura graça, atrai-nos para nos unir a Si» (Exort. ap. Evangelii gaudium, 112). E existe também da nossa parte um amor, um desejo: o bem atrai-nos sempre, a verdade atrai-nos, a vida, a felicidade, a beleza atraem-nos... Jesus é o ponto de encontro desta atracão recíproca, e deste movimento duplo. É Deus e homem: Jesus. Deus e homem. Mas quem toma a iniciativa? Sempre Deus! O amor de Deus vem sempre antes do nosso! Ele toma sempre a iniciativa. Ele espera-nos, convida-nos, a iniciativa é sempre sua. Jesus é Deus que se fez homem, se encarnou, nasceu para nós. A estrela nova que apareceu aos magos era o sinal do nascimento de Cristo. Se não tivessem visto a estrela, aqueles homens não teriam partido. A luz precede-nos, a verdade precede-nos, a beleza precede-nos. Deus precede-nos. O profeta Isaías dizia que Deus é como a flor da amendoeira. Porquê? Porque naquela terra a amendoeira é a primeira árvore que floresce. E Deus precede, procura-nos sempre primeiro, Ele dá o primeiro passo. Deus precede-nos sempre. A sua graça precede-nos e esta graça surgiu em Jesus. Ele é a epifania. Ele, Jesus Cristo, é a manifestação do amor de Deus. Está connosco.

A Igreja inteira está dentro deste movimento de Deus para com o mundo: a sua alegria é o Evangelho, é refletir a luz de Cristo. A Igreja é o povo de quantos experimentaram esta atracão e a trazem dentro de si, no coração e na vida. «Gostaria — sinceramente — gostaria de dizer àqueles que se sentem distantes de Deus e da Igreja — dizer respeitosamente — àqueles que têm medo e são indiferentes: o Senhor chama também a ti, chama-te para fazer parte do seu povo e fá-lo com grande respeito e amor!» (ibid., 113) O Senhor chama-te. O Senhor procura-te. O Senhor espera-te. O Senhor não faz proselitismo, oferece amor, e este amor procura-te, espera-te, tu que neste momento não crês ou estás distante. Este é o amor de Deus.

Peçamos a Deus, por toda a Igreja, peçamos a alegria de evangelizar, porque «por Cristo foi enviada a revelar e a comunicar a caridade de Deus a todos os povos» (Ad gentes, 10). A Virgem Maria nos ajude a sermos todos discípulos-missionários, pequenas estrelas que refletem a sua luz. E rezemos a fim de que os corações se abram para receber o anúncio, e todos os homens sejam «partícipes da promessa por meio do Evangelho» (Ef 3, 6).




Fonte: Vaticano





Angelus com o Papa Francisco - 05.01.2014


Praça de São Pedro
Domingo, 5 de Janeiro de 2014







Estimados irmãos e irmãs bom dia!

A liturgia deste domingo propõe-nos, no Prólogo do Evangelho de são João, o significado mais profundo do Natal de Jesus. Ele é a Palavra de Deus que se fez homem e estabeleceu a sua «tenda», a sua morada entre os homens. Escreve o Evangelista: «O Verbo fez-se carne e veio habitar no meio de nós» (Jo 1, 14). Nestas palavras, que sempre nos causam admiração, está todo o Cristianismo! Deus fez-se mortal, frágil como nós, partilhou a nossa condição humana, excepto no pecado, mas assumiu sobre si os nossos, como se fossem próprios. Entrou na nossa história, tornou-se plenamente Deus-connosco! Portanto, o nascimento de Jesus mostra-nos que Deus quis unir-se a cada homem e mulher, a cada um de nós, para nos comunicar a sua vida e a sua alegria.

Assim Deus é Deus connosco, Deus que nos ama, Deus que caminha connosco. Esta é a mensagem de Natal: o Verbo fez-se carne. Deste modo o Natal revela-nos o amor imenso de Deus pela humanidade. Disto deriva também o entusiasmo, a esperança de nós cristãos, que na pobreza sabemos que somos amados, visitados e acompanhados por Deus; e olhamos para o mundo e para a história como o lugar no qual caminhar juntamente com Ele e entre nós, rumo aos novos céus e à nova terra. Com o nascimento de Jesus nasceu uma promessa nova, nasceu um mundo novo, mas também um mundo que pode ser renovado sempre. Deus está sempre presente a suscitar homens novos, a purificar o mundo do pecado que o envelhece, do pecado que o corrompe. Mesmo que a história humana e pessoal de cada um de nós possa estar marcada pelas dificuldades e fragilidades, a fé na Encarnação diz-nos que Deus é solidário com o homem e com a sua história. Esta proximidade de Deus ao homem, a cada homem, a cada um de nós, é um dom que nunca acaba! Ele está connosco! Ele é Deus connosco! E esta proximidade nunca acaba. Eis o alegre anúncio do Natal: a luz divina, que inundou os corações da Virgem Maria e de são José, e guiou os passos dos pastores e magos, brilha também hoje para nós.

No mistério da Encarnação do Filho de Deus há também um aspecto ligado à liberdade humana, à liberdade de cada um de nós. De facto, o Verbo de Deus coloca a sua tenda entre nós, pecadores e carentes de misericórdia. E todos nós devemos apressar-nos a receber a graça que Ele nos oferece. Ao contrário, continua o Evangelho de são João «os seus não o ouviram» (v. 11). Também nós muitas vezes o rejeitamos, preferimos permanecer no fechamento dos nossos erros e na angústia dos nossos pecados. Mas Jesus não desiste e não cessa de se oferecer a si mesmo e a sua graça que nos salva! Jesus é paciente, sabe esperar, espera-nos sempre. Esta é uma mensagem de esperança, uma mensagem de salvação, antiga e sempre nova. E nós somos chamados a testemunhar com alegria esta mensagem do Evangelho da vida, do Evangelho e da luz, da esperança e do amor. Porque a mensagem de Jesus é: vida, luz, esperança e amor.

Maria, Mãe de Deus e nossa terna Mãe, nos apoie sempre para que permaneçamos fiéis à vocação cristã e possamos realizar os desejos de justiça e paz que trazemos em nós no início deste novo ano.



Depois do Angelus

Irmãos e irmãs

No clima de alegria, típico deste tempo natalício, desejo anunciar que de 24 a 26 de Maio próximo, se Deus quiser, realizarei uma peregrinação à Terra Santa. A finalidade principal é comemorar o histórico encontro entre o Papa Paulo VI e o Patriarca Atenágoras, realizado exatamente a 5 de Janeiro, como hoje, há 50 anos. As etapas são três: Amã, Belém e Jerusalém. Três dias. Junto do Santo Sepulcro celebraremos um Encontro Ecumênico com todos os representantes das Igrejas cristãs de Jerusalém, juntamente com o Patriarca Bartolomeu de Constantinopla. Desde já peço-vos que rezeis por esta peregrinação, que será uma peregrinação de oração.

Nas últimas semanas, de todas as partes do mundo, chegaram muitas mensagens de bons votos para o Santo Natal e para o Ano novo. Gostaria de responder a todas, mas infelizmente é impossível! Por isso desejo agradecer de coração às crianças, os seus lindos desenhos. São bonitos deveras! As crianças fazem desenhos lindos! Lindos, lindos, lindos! Agradeço às crianças em primeiro lugar. Agradeço aos jovens, aos idosos, às famílias, às comunidades paroquiais e religiosas, às associações, aos movimentos e aos diversos grupos que me quiseram manifestar afeto e proximidade. Peço a todos que continueis a rezar por mim, tenho necessidade disto, e a rezar por este serviço à Igreja.




Fonte: Vaticano





sábado, 4 de janeiro de 2014

Evangelho da Solenidade da Epifania do Senhor


São Mateus 2, 1-12

Tinha Jesus nascido em Belém da Judeia, nos dias do rei Herodes, quando chegaram a Jerusalém uns Magos vindos do Oriente. "Onde está – perguntaram eles – o rei dos judeus que acaba de nascer? Nós vimos a sua estrela no Oriente e viemos adorá-l’O". Ao ouvir tal notícia, o rei Herodes ficou perturbado e, com ele, toda a cidade de Jerusalém. Reuniu todos os príncipes dos sacerdotes e escribas do povo e perguntou-lhes onde devia nascer o Messias. Eles responderam: "Em Belém da Judeia, porque assim está escrito pelo profeta: ‘Tu, Belém, terra de Judá, não és de modo nenhum a menor entre as principais cidades de Judá, pois de ti sairá um chefe, que será o Pastor de Israel, meu povo’". Então Herodes mandou chamar secretamente os Magos e pediu-lhes informações precisas sobre o tempo em que lhes tinha aparecido a estrela. Depois enviou-os a Belém e disse-lhes: "Ide informar-vos cuidadosamente acerca do Menino; e, quando O encontrardes, avisai-me, para que também eu vá adorá-l’O". Ouvido o rei, puseram-se a caminho. E eis que a estrela que tinham visto no Oriente seguia à sua frente e parou sobre o lugar onde estava o Menino. Ao ver a estrela, sentiram grande alegria. Entraram na casa, viram o Menino com Maria, sua Mãe, e, caindo de joelhos, prostraram-se diante d’Ele e adoraram-n’O. Depois, abrindo os seus tesouros, ofereceram-Lhe presentes: ouro, incenso e mirra. E, avisados em sonhos para não voltarem à presença de Herodes, regressaram à sua terra por outro caminho.




Angelus com o Papa Francisco - 01.01.2014


Praça de São Pedro
Quarta-feira, 1º de Janeiro de 2014







Queridos irmãos e irmãs, bom dia e bom ano!

No início do novo ano dirijo a todos vós os bons votos mais cordiais de paz e de todo bem. Os meus votos são os da Igreja, cristãos! Não está relacionado ao sentido meio mágico e fatalista de um novo ciclo que inicia. Sabemos que a história tem um centro: Jesus Cristo, encarnado, morto e ressuscitado, que está vivo no meio de nós; tem um fim: o Reino de Deus, Reino de paz, justiça e liberdade no amor; e tem uma força que se move rumo a este fim: a força é o Espírito Santo. Todos nós temos o Espírito Santo que recebemos no Baptismo, e Ele impele-nos a ir em frente na estrada da vida cristã, na estrada da história rumo ao Reino de Deus.

Este Espírito é o poder do amor que fecundou o ventre da Virgem Maria; e é o mesmo que anima os projectos e as obras de todos os construtores de paz. Onde estiver um homem ou uma mulher construtores de paz, é precisamente o Espírito Santo que os ajuda, os impele a promover a paz. Duas estradas que se cruzam hoje: festa de Maria Santíssima Mãe de Deus e Dia Mundial da Paz. Há oito dias ressoou o anúncio evangélico: «Glória a Deus e paz aos homens»; hoje ouvimo-lo de novo através da Mãe de Deus, que «conservava todas estas coisas, meditando-as no seu coração» (cf. Lc 2, 19), para fazer dele o nosso compromisso durante o ano que inicia.

O tema deste Dia Mundial da Paz é «Fraternidade, fundamento e caminho para a paz». Fraternidade: desenvolvi o tema numa Mensagem, já publicada e que hoje vos entrego idealmente, no seguimento dos meus Predecessores, a partir de Paulo VI. Disto deriva para cada um a responsabilidade de agir a fim de que o mundo se torne uma comunidade de irmãos que se respeitam, se aceitam nas próprias diversidades e se cuidem uns aos outros. Somos chamados também a dar-nos conta das violências e injustiças presentes em muitas partes do mundo e que não nos podem deixar indiferentes ou imóveis: é necessário o compromisso de todos para construir uma sociedade deveras mais justa e solidária. Ontem recebi uma carta de um senhor, talvez um de vós, que ao me contar uma tragédia familiar, sucessivamente enumerava muitas tragédias e guerras de hoje, no mundo, e me perguntava: que acontece no coração do homem que faz tudo isto? E, no final, dizia: «É hora que acabe». Também eu acredito que nos fará bem acabar com esta estrada de violência e procurar a paz. Irmãos e irmãs, faço minhas as palavras desse homem: que acontece no coração do homem? Que acontece no coração da humanidade? É hora de acabar!

Hoje, de todos os cantos da terra, os crentes elevam orações para pedir ao Senhor o dom da paz e a capacidade de a levar em todos os âmbitos. Neste primeiro dia do ano, o Senhor nos ajude a dirigirmo-nos todos juntos com mais decisão para o caminho da justiça e da paz. E comecemos em casa! Justiça e paz em casa, entre nós. Comecemos em casa e depois nos alargamos a toda a humanidade. Mas devemos iniciar em casa. O Espírito Santo aja nos corações, abra os fechamentos e as durezas e conceda que nos enterneçamos diante da fragilidade do Menino Jesus. De facto, a paz requer a força da mansidão, a força não-violenta da verdade e do amor.

Nas mãos de Maria, Mãe do Redentor, coloquemos as nossa esperanças com confiança filial. A Ela, que estende a sua maternidade a todos os homens, confiemos o brado de paz das populações oprimidas pela guerra e pela violência, para que a coragem do diálogo e da reconciliação prevaleça sobre as tentações de vingança, de prepotência e de corrupção. A Ela peçamos que o Evangelho da fraternidade, anunciado e testemunhado pela Igreja, possa falar a cada consciência e abater os muros que impedem aos inimigos que se reconheçam irmãos.




Fonte: Vaticano





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