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sábado, 22 de fevereiro de 2014

Evangelho do VII Domingo do Tempo Comum - Ano A


São Mateus 5, 38-48

"Ouvistes que foi dito aos antigos: ‘Olho por olho e dente por dente’. Eu, porém, digo-vos: Não resistais ao homem mau. Mas se alguém te bater na face direita, oferece-lhe também a esquerda. Se alguém quiser levar-te ao tribunal, para ficar com a tua túnica, deixa-lhe também o manto. Se alguém te obrigar a acompanhá-lo durante uma milha, acompanha-o durante duas. Dá a quem te pedir e não voltes as costas a quem te pede emprestado. Ouvistes que foi dito: ‘Amarás o teu próximo e odiarás o teu inimigo’. Eu, porém, digo-vos: Amai os vossos inimigos e orai por aqueles que vos perseguem, para serdes filhos do vosso Pai que está nos Céus; pois Ele faz nascer o sol sobre bons e maus e chover sobre justos e injustos. Se amardes aqueles que vos amam, que recompensa tereis? Não fazem a mesma coisa os publicanos? E se saudardes apenas os vossos irmãos, que fazeis de extraordinário? Não o fazem também os pagãos? Portanto, sede perfeitos, como o vosso Pai celeste é perfeito".






Catequese com o Papa Francisco - 19.02.2014


Praça de São Pedro
Quarta-feira, 19 de Fevereiro de 2014






Amados irmãos e irmãs, bom dia!

Através dos Sacramentos da iniciação cristã, do Batismo, da Confirmação e da Eucaristia, o homem recebe a vida nova em Cristo. Pois bem, todos nós sabemos que trazemos esta vida «em vasos de barro» (2 Cor 4, 7), ainda estamos submetidos à tentação, ao sofrimento, à morte e, por causa do pecado, até podemos perder a nova vida. Por isso, o Senhor Jesus quis que a Igreja continuasse a sua obra de salvação também a favor dos próprios membros, em particular com os Sacramentos da Reconciliação e da Unção dos enfermos, que podem ser unidos sob o nome de «Sacramentos de cura». O Sacramento da Reconciliação é um Sacramento de cura. Quando me confesso é para me curar, para curar a minha alma, o meu coração e algo de mal que cometi. O ícone bíblico que melhor os exprime, no seu vínculo profundo, é o episódio do perdão e da cura do paralítico, onde o Senhor Jesus se revela médico das almas e, ao mesmo tempo, dos corpos (cf. Mc 2, 1-12; Mt 9, 1-8; Lc 5, 17-26).

O Sacramento da Penitência e da Reconciliação brota directamente do mistério pascal. Com efeito, na noite de Páscoa o Senhor apareceu aos discípulos, fechados no cenáculo e, depois de lhes dirigir a saudação: «A paz esteja convosco!», soprou sobre eles e disse: «Recebei o Espírito Santo! A quantos perdoardes os pecados, ser-lhes-ão perdoados» (Jo 20, 21-23). Este trecho revela a dinâmica mais profunda contida neste Sacramento. Antes de tudo, a constatação de que o perdão dos nossos pecados não é algo que podemos dar-nos a nós mesmos. Não posso dizer: perdoo os meus pecados. O perdão é pedido a outra pessoa, e na Confissão pedimos o perdão a Jesus. O perdão não é fruto dos nossos esforços, mas uma dádiva, um dom do Espírito Santo, que nos enche do lavacro de misericórdia e de graça que brota incessantemente do Coração aberto de Cristo Crucificado e Ressuscitado. Em segundo lugar, recorda-nos que só se nos deixarmos reconciliar no Senhor Jesus com o Pai e com os irmãos, conseguiremos verdadeiramente alcançar a paz. E todos nós sentimos isto no coração, quando nos confessamos com um peso na alma, com um pouco de tristeza; e quando recebemos o perdão de Jesus, alcançamos a paz, aquela paz da alma tão boa que somente Jesus nos pode dar, só Ele!

Ao longo do tempo, a celebração deste Sacramento passou de uma forma pública — porque no início era feita publicamente — para a pessoal, para a forma reservada da Confissão. Contudo, isto não deve fazer-nos perder a matriz eclesial, que constitui o contexto vital. Com efeito, a comunidade cristã é o lugar onde o Espírito se torna presente, que renova os corações no amor de Deus, fazendo de todos os irmãos um só em Cristo Jesus. Eis, então, por que motivo não é suficiente pedir perdão ao Senhor na nossa mente e no nosso coração, mas é necessário confessar humilde e confiadamente os nossos pecados ao ministro da Igreja. Na celebração deste Sacramento, o sacerdote não representa apenas Deus, mas toda a comunidade, que se reconhece na fragilidade de cada um dos seus membros, que ouve comovida o seu arrependimento, que se reconcilia com eles, os anima e acompanha ao longo do caminho de conversão e de amadurecimento humano e cristão. Podemos dizer: eu só me confesso com Deus. Sim, podes dizer a Deus «perdoa-me», e confessar os teus pecados, mas os nossos pecados são cometidos também contra os irmãos, contra a Igreja. Por isso, é necessário pedir perdão à Igreja, aos irmãos, na pessoa do sacerdote. «Mas padre, eu tenho vergonha...». Até a vergonha é boa, é saudável sentir um pouco de vergonha, porque envergonhar-se é bom. Quando uma pessoa não se envergonha, no meu país dizemos que é um «sem-vergonha»: um «sin verguenza». Mas até a vergonha faz bem, porque nos torna mais humildes, e o sacerdote recebe com amor e com ternura esta confissão e, em nome de Deus, perdoa. Até do ponto de vista humano, para desabafar, é bom falar com o irmão e dizer ao sacerdote estas coisas, que pesam muito no nosso coração. E assim sentimos que desabafamos diante de Deus, com a Igreja e com o irmão. Não tenhais medo da Confissão! Quando estamos em fila para nos confessarmos, sentimos tudo isto, também a vergonha, mas depois quando termina a Confissão sentimo-nos livres, grandes, bons, perdoados, puros e felizes. Esta é a beleza da Confissão! Gostaria de vos perguntar — mas não o digais em voz alta; cada um responda no seu coração: quando foi a última vez que te confessaste? Cada um pense nisto... Há dois dias, duas semanas, dois anos, vinte anos, quarenta anos? Cada um faça as contas, mas cada um diga: quando foi a última vez que me confessei? E se já passou muito tempo, não perca nem sequer um dia; vai, que o sacerdote será bom contigo. É Jesus que está ali presente, e é mais bondoso que os sacerdotes, Jesus receber-te-á com muito amor. Sê corajoso e vai confessar-te!

Caros amigos, celebrar o Sacramento da Reconciliação significa ser envolvido por um abraço caloroso: é o abraço da misericórdia infinita do Pai. Recordemos aquela bonita parábola do filho que foi embora de casa com o dinheiro da herança; esbanjou tudo e depois, quando já não tinha nada, decidiu voltar para casa, não como filho, mas como servo. Ele sentia muita culpa e muita vergonha no seu coração! Surpreendentemente, quando ele começou a falar, a pedir perdão, o pai não o deixou falar mas abraçou-o, beijou-o e fez uma festa. E eu digo-vos: cada vez que nos confessamos, Deus abraça-nos, Deus faz festa! Vamos em frente por este caminho. Deus vos abençoe!


Saudações

Queridos peregrinos de língua portuguesa, sede bem-vindos! A todos vos saúdo, especialmente aos fiéis de São Sebastião do Rio de Janeiro com o vosso Pastor Dom Orani João Tempesta, desejando-vos que nada e ninguém possa impedir-vos de viver e crescer na amizade de Deus Pai; mas deixai que o seu amor sempre vos regenere como filhos e vos reconcilie com Ele, com vós mesmos e com os irmãos. Desça, sobre vós e vossas famílias, a abundância das suas bênçãos.

Com espírito de preocupação acompanho o que, nestes dias, decorre em Kiev. Asseguro a minha proximidade ao povo ucraniano e rezo pelas vítimas das violências, pelos seus familiares e pelos feridos. Convido todas as partes a cessar qualquer gesto de violência e a procurar a concórdia e a paz no país.

Enfim, saúdo os jovens, os doentes e os recém-casados. Prezados jovens, a Virgem Maria vos ajude a compreender cada vez mais o valor do sacrifício na vossa formação humana e cristã; que vos ajude, queridos doentes, a enfrentar a dor e a doença com serenidade e fortaleza; e que vos guie, caros recém-casados, na construção da vossa família sobre as bases sólidas da fidelidade à vontade de Deus.




Fonte: Vaticano





Angelus com o Papa Francisco - 16.02.2014


Praça de São Pedro
Domingo, 16 de Fevereiro de 2014








Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

O Evangelho deste domingo faz ainda parte do chamado «sermão da montanha», a primeira grande pregação de Jesus. Hoje o tema é a atitude de Jesus em relação à Lei judaica. Ele afirma: «Não cuideis que vim destruir a lei ou os profetas: não vim ab-rogar, mas cumprir» (Mt 5, 17). Portanto Jesus não quer cancelar os mandamentos que o Senhor deu por meio de Moisés, mas deseja levá-los à sua plenitude. E logo a seguir acrescenta que este «cumprimento» da Lei exige uma justiça superior, uma observância mais autêntica. Com efeito, diz aos seus discípulos: «Porque vos digo que, se a vossa justiça não exceder a dos escribas e fariseus, de modo nenhum entrareis no reino dos céus» (Mt 5, 20).

Mas o que significa este «pleno cumprimento» da Lei? E em que consiste esta justiça superior? O próprio Jesus nos responde com alguns exemplos. Jesus era prático, falava sempre com exemplos para se fazer compreender, pondo em confronto a Lei antiga e o que Ele nos diz. Começa pelo quinto mandamento do decálogo: «Ouvistes que foi dito aos antigos: “Não matarás”... Eu, porém, vos digo que qualquer um que, sem motivo, se encolerizar contra o seu irmão, será réu de juízo» (vv. 21-22). Com isto, Jesus recorda-nos que também as palavras podem matar! Quando se diz que uma pessoa tem língua de serpente, o que significa? Que as suas palavras matam! Portanto, não só não se deve atentar contra a vida do próximo, mas nem sequer fazer cair sobre ele o veneno da ira e da calúnia. Nem sequer falar mal dele. Chegamos às indiscrições: também os mexericos podem matar, porque matam a reputação das pessoas! É tão feio falar mal! No início pode parecer uma coisa agradável, até divertida, como comer um rebuçado. Mas no final, enche-nos o coração de amargura, e envenena também a nós. Digo-vos a verdade, estou certo de que se cada um de nós fizesse o propósito de evitar os mexericos, tornar-se-ia santo! É um bom caminho! Queremos tornar-nos santos? Sim ou não? [Praça: Sim!] Queremos viver apegados aos mexericos como costume? Sim ou não? [Praça: Não!] Então estamos de acordo: nada de indiscrições! A quem o segue, Jesus propõe a perfeição do amor: um amor cuja única medida é não ter medida, ir além de qualquer cálculo. O amor ao próximo é uma atitude tão fundamental que Jesus chega a afirmar que a nossa relação com Deus não pode ser sincera se não quisermos fazer as pazes com o próximo. E diz assim: «Portanto, se trouxeres a tua oferta ao altar, e aí te lembrares de que o teu irmão tem alguma coisa contra ti, deixa ali diante do altar a tua oferta, e vai reconciliar-te primeiro com o teu irmão e, depois, vem e apresenta a tua oferta» (vv. 23-24). Por isso somos chamados a reconciliar-nos com os nossos irmãos antes de manifestar a nossa devoção ao Senhor na oração.

De tudo isto compreende-se que Jesus não dá importância simplesmente à observância disciplinar e à conduta exterior. Ele vai à raiz da Lei, apostando sobretudo na intenção e por conseguinte no coração humano, onde têm origem as nossas ações boas e más. A fim de obter comportamentos bons e honestos não são suficientes as normas jurídicas, mas são necessárias motivações profundas, expressão de uma sabedoria escondida, a Sabedoria de Deus, que pode ser acolhida graças ao Espírito Santo. E nós, através da fé em Cristo, podemos abrir-nos à ação do Espírito, que nos torna capazes de viver o amor divino.

À luz deste ensinamento de Cristo, cada preceito revela o seu pleno significado como exigência de amor, e todos se reconhecem no maior mandamento: ama a Deus com todo o coração e ama o próximo como a ti mesmo.




Fonte: Vaticano




Catequese com o Papa Francisco - 12.02.2014


Praça de São Pedro
Quarta-feira, 12 de Fevereiro de 2014






Caros irmãos e irmãs, bom dia!

Na última catequese elucidei o modo como a Eucaristia nos introduz na comunhão real com Jesus e o seu mistério. Agora podemos formular algumas interrogações a propósito da relação entre a Eucaristia que celebramos e a nossa vida, como Igreja e como simples cristãos. Como vivemos a Eucaristia? Quando vamos à Missa aos domingos, como a vivemos? É apenas um momento de festa, uma tradição consolidada, uma ocasião para nos encontrarmos, para estarmos à vontade, ou então é algo mais?

Existem sinais muito concretos para compreender como vivemos tudo isto, como vivemos a Eucaristia; sinais que nos dizem se vivemos bem a Eucaristia, ou se não a vivemos muito bem. O primeiro indício é o nosso modo de ver e considerar os outros. Na Eucaristia Cristo oferece sempre de novo o dom de si que já concedeu na Cruz. A sua vida inteira é um gesto de partilha total de si mesmo por amor; por isso, Ele gostava de estar com os discípulos e com as pessoas que tinha a oportunidade de conhecer. Para Ele, isto significava compartilhar os seus desejos, os seus problemas, aquilo que agitava as suas almas e vidas. Pois bem, quando participamos na Santa Missa nós encontramo-nos com homens e mulheres de todos os tipos: jovens, idosos e crianças; pobres e abastados; naturais do lugar e estrangeiros; acompanhados pelos familiares e pessoas sós... Mas a Eucaristia que eu celebro, leva-me a senti-los todos verdadeiramente como irmãos e irmãs? Faz crescer em mim a capacidade de me alegrar com quantos rejubilam, de chorar com quem chora? Impele-me a ir ao encontro dos pobres, dos enfermos e dos marginalizados? Ajuda-me a reconhecer neles o rosto de Jesus? Todos nós vamos à Missa porque amamos Jesus e, na Eucaristia, queremos compartilhar a sua paixão e ressurreição. Mas amamos, como deseja Jesus, os irmãos e irmãs mais necessitados? Por exemplo, nestes dias vimos em Roma muitas dificuldades sociais, ou devido às chuvas, que causaram prejuízos enormes para bairros inteiros, ou devido à falta de trabalho, consequência da crise económica no mundo inteiro. Pergunto-me, e cada um de nós deve interrogar-se: eu que vou à Missa, como vivo isto? Preocupo-me em ajudar, em aproximar-me, em rezar por quantos devem enfrentar este problema? Ou então sou um pouco indiferente? Ou, talvez, preocupo-me em tagarelar: reparaste como se veste esta pessoa, ou como está vestido aquela? Às vezes é isto que se faz depois da Missa, mas não podemos comportar-nos assim! Devemos preocupar-nos com os nossos irmãos e irmãs que têm necessidade por causa de uma doença, de um problema. Hoje, far-nos-á bem pensar nos nossos irmãos e irmãs que devem enfrentar estes problemas aqui em Roma: problemas devidos à tragédia provocada pelas chuvas, questões sociais e de trabalho. Peçamos a Jesus, que recebemos na Eucaristia, que nos ajude a ajudá-los!

Um segundo indício, muito importante, é a graça de nos sentirmos perdoados e prontos para perdoar. Por vezes, alguém pergunta: «Por que deveríamos ir à igreja, visto que quem participa habitualmente na Santa Missa é pecador como os outros?». Quantas vezes ouvimos isto! Na realidade, quem celebra a Eucaristia não o faz porque se considera ou quer parecer melhor do que os outros, mas precisamente porque se reconhece sempre necessitado de ser acolhido e regenerado pela misericórdia de Deus, que se fez carne em Jesus Cristo. Se não nos sentirmos necessitados da misericórdia de Deus, se não nos sentirmos pecadores, melhor seria não irmos à Missa! Nós vamos à Missa porque somos pecadores e queremos receber o perdão de Deus, participar na redenção de Jesus e no seu perdão. Aquele «Confesso» que recitamos no início não é um «pro forma», mas um verdadeiro acto de penitência! Sou pecador e confesso-o: assim começa a Missa! Nunca devemos esquecer que a Última Ceia de Jesus teve lugar «na noite em que Ele foi entregue» (1 Cor 11, 23). Naquele pão e naquele vinho que oferecemos, e ao redor dos quais nos congregamos, renova-se de cada vez a dádiva do corpo e do sangue de Cristo, para a remissão dos nossos pecados. Temos que ir à Missa como pecadores, humildemente, e é o Senhor que nos reconcilia.

Um último indício inestimável é-nos oferecido pela relação entre a celebração eucarística e a vida das nossas comunidades cristãs. É preciso ter sempre presente que a Eucaristia não é algo que nós fazemos; não é uma nossa comemoração daquilo que Jesus disse e fez. Não! É precisamente uma acção de Cristo! Ali, é Cristo quem age, Cristo sobre o altar! É um dom de Cristo, que se torna presente e nos reúne ao redor de si, para nos alimentar com a sua Palavra e a sua vida. Isto significa que a própria missão e identidade da Igreja derivam dali, da Eucaristia, e ali sempre adquirem forma. Uma celebração pode até ser impecável sob o ponto de vista exterior, maravilhosa, mas se não nos levar ao encontro com Jesus corre o risco de não oferecer alimento algum ao nosso coração e à nossa vida. Através da Eucaristia, ao contrário, Cristo quer entrar na nossa existência e permeá-la com a sua graça, de tal modo que em cada comunidade cristã haja coerência entre liturgia e vida.

O coração transborda de confiança e de esperança, pensando nas palavras de Jesus, citadas no Evangelho: «Quem comer a minha carne e beber o meu sangue terá a vida eterna; e Eu ressuscitá-lo-ei no último dia» (Jo 6, 54). Vivamos a Eucaristia com espírito de fé, de oração, de perdão, de penitência, de júbilo comunitário, de solicitude pelos necessitados e pelas carências de numerosos irmãos e irmãs, na certeza de que o Senhor cumprirá aquilo que nos prometeu: a vida eterna. Assim seja!


Saudações

Queridos peregrinos de língua portuguesa, de coração lhes desejo as boas-vindas, com votos, para quantos participam da Eucaristia nos domingos, de a viverem com espírito de fé e de oração, sabendo que quem come a carne de Jesus tem a vida eterna e será ressuscitado por Ele no último dia. Sobre vós e sobre vossas comunidades, desça a benção do Senhor.

Dirijo cordiais boas-vindas aos peregrinos de língua árabe, de modo particular a quantos vieram do Médio Oriente. Deixemos que Cristo, presente na Eucaristia, nos transforme e nos oriente para sairmos de nós mesmos, para não termos medo de doar, de compartilhar e de amar.

Dirijo um pensamento especial aos jovens, aos doentes e aos recém-casados. Na próxima sexta-feira celebraremos a festa dos Santos Cirilo e Metódio, evangelizadores dos povos eslavos e Padroeiros da Europa. O seu testemunho vos ajude, queridos jovens, a tornar-vos discípulos missionários em todos os ambientes; que vos encoraje, amados doentes, a oferecer os vossos sofrimentos pela conversão dos pecadores; e que vos sirva de exemplo, estimados recém-casados, para fazer do Evangelho a regra fundamental da vossa vida familiar.





Fonte: Vaticano





Angelus com o Papa Francisco - 09.02.2014


Praça de São Pedro
Domingo, 9 de Fevereiro de 2014






Irmãos e irmãs, bom dia!

No Evangelho deste domingo, que vem logo a seguir às bem-aventuranças, Jesus diz aos seus discípulos: «Vós sois o sal da terra... Vós sois a luz do mundo» (Mt 5, 13.14). Isto faz-nos admirar um pouco, se pensarmos em quem Jesus tinha perante si quando proferiu estas palavras. Quem eram os discípulos? Eram pescadores, pessoas simples... Mas Jesus fita-os com os olhos de Deus, e a sua afirmação compreende-se precisamente como consequência das Bem-Aventuranças. Ele quer dizer: se fordes pobres de espírito, se fordes mansos, se fordes puros de coração, se fordes misericordiosos... sereis o sal da terra e a luz do mundo!

Para compreender melhor estas imagens, tenhamos presente que a Lei judaica prescrevia que se colocasse um pouco de sal em cima da oferenda apresentada a Deus, em sinal de aliança. Depois, a luz para Israel era o símbolo da revelação messiânica que triunfa sobre as trevas do paganismo. Os cristãos, novo Israel, recebem portanto uma missão em relação a todos os homens: com a fé e com a caridade podem orientar, consagrar, tornar fecunda a humanidade. Todos nós, baptizados, somos discípulos e missionários e estamos chamados a tornar-nos no mundo um evangelho vivente: com uma vida santa daremos «sabor» aos diversos ambientes e defendê-los-emos da corrupção, como faz o sal; e levaremos a luz de Cristo com o testemunho de uma caridade genuína. Mas se nós cristãos perdermos sabor e cancelarmos a nossa presença de sal e luz, perderemos a eficiência. Como é bonita esta missão de levar a luz ao mundo! É uma missão nossa. É bela! É também muito bom conservar a luz que recebemos de Jesus, guardá-la e preservá-la. O cristão deveria ser uma pessoa luminosa, que dá luz, que dá sempre luz! Uma luz que não é sua, mas é a prenda de Deus, é a prenda de Jesus. E nós levamos esta luz. Se o cristão apagar esta luz, a sua vida não terá sentido: é cristão só de nome, que não leva a luz, uma vida sem sentido. Mas agora eu gostaria de vos perguntar como pretendeis viver? Como uma lâmpada acesa ou como uma lâmpada apagada? Acesa ou apagada? Como quereis viver? [as pessoas responderam: acesa!] Lâmpada acesa! É precisamente Deus que nos dá esta luz e nós devemos levá-la aos outros. Lâmpada acesa! Eis a vocação cristã.

Depois do Angelus

Depois de amanhã, 11 de Fevereiro, celebraremos a memória da Bem-Aventurada Virgem de Lourdes, e viveremos o Dia Mundial do Doente. É a ocasião propícia para pôr no centro da comunidade as pessoas doentes. Rezar por elas e com elas, estar-lhes próximos. A Mensagem para este Dia inspira-se numa expressão de são João: Fé e caridade: «Também nós devemos dar a vida pelos nossos irmãos» (1 Jo 3, 16). Em particular, podemos imitar a atitude de Jesus para com os doentes, doentes de todos os tipos: o Senhor ocupa-se de todos, partilha o seu sofrimento e abre o coração à esperança.

Penso também em todos os agentes no campo da saúde: como é precioso o seu trabalho! Muito obrigado pelo vosso precioso trabalho. Eles encontram todos os dias nos doentes não só corpos marcados pela fragilidade, mas pessoas, às quais oferecer atenção e respostas adequadas. A dignidade da pessoa nunca se limita às suas faculdades ou capacidades, e não desaparece quando a pessoa é frágil, inválida e necessitada de ajuda. Penso também nas famílias, nas quais é normal ocupar-se de quem está doente; mas por vezes as situações podem ser mais difíceis... Muitos escrevem-me, e hoje gostaria de garantir uma oração por todas estas famílias, e digo-lhes: não tenhais medo da fragilidade! Não tenhais medo da fragilidade! Ajudai-vos uns aos outros com amor e sentireis a presença confortadora de Deus.

A atitude generosa e cristã para com os doentes é sal da terra e luz do mundo. A Virgem Maria nos ajude a praticá-la, e obtenha paz e alívio para todos os sofredores.

Nestes dias estão a decorrer em Sochi, na Rússia, os Jogos Olímpicos Invernais. Gostaria de fazer chegar a minha saudação aos organizadores e a todos os atletas, com os votos de que seja uma verdadeira festa do desporto e da amizade.

Saúdo todos os peregrinos presentes hoje, as famílias, os grupos paroquiais, as associações. Em particular saúdo os professores e os estudantes provenientes da Inglaterra; o grupo de teólogas cristãs de diversos países europeus, presentes em Roma para um congresso de estudos.

E antes de me despedir, vem-me ao pensamento a pergunta que fiz: lâmpada acesa ou lâmpada apagada? Que quereis? Acesa ou apagada? O cristão leva a luz! É uma lâmpada acesa! Sempre em frente com a luz de Jesus!

Desejo a todos feliz domingo e bom almoço. Até à vista!




Fonte: Vaticano




sábado, 15 de fevereiro de 2014

Evangelho do VI Domingo do Tempo Comum - Ano A


São Mateus 5, 17-37

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: "Não penseis que vim revogar a Lei ou os Profetas; não vim revogar, mas completar. Em verdade vos digo: Antes que passem o céu e a terra, não passará da Lei a mais pequena letra ou o mais pequeno sinal, sem que tudo se cumpra. Portanto, se alguém transgredir um só destes mandamentos, por mais pequenos que sejam, e ensinar assim aos homens, será o menor no reino dos Céus. Mas aquele que os praticar e ensinar será grande no reino dos Céus. Porque Eu vos digo: Se a vossa justiça não superar a dos escribas e fariseus, não entrareis no reino dos Céus. Ouvistes que foi dito aos antigos: ‘Não matarás; quem matar será submetido a julgamento’. Eu, porém, digo-vos: Todo aquele que se irar contra o seu irmão será submetido a julgamento. Quem chamar imbecil a seu irmão será submetido ao Sinédrio, e quem lhe chamar louco será submetido à Geena de fogo. Portanto, se fores apresentar a tua oferta sobre o altar e ali te recordares que o teu irmão tem alguma coisa contra ti, deixa lá a tua oferta diante do altar, vai primeiro reconciliar-te com o teu irmão e vem depois apresentar a tua oferta. Reconcilia-te com o teu adversário, enquanto vais com ele a caminho, não seja caso que te entregue ao juiz, o juiz ao guarda, e sejas metido na prisão. Em verdade te digo: Não sairás de lá, enquanto não pagares o último centavo. Ouvistes que foi dito: ‘Não cometerás adultério’. Eu, porém, digo-vos: Todo aquele que olhar para uma mulher desejando-a, já cometeu adultério com ela no seu coração. Se o teu olho é para ti ocasião de pecado, arranca-o e lança-o para longe de ti, pois é melhor perder-se um dos teus membros do que todo o corpo ser lançado na Geena. E se a tua mão direita é para ti ocasião de pecado, corta-a e lança-a para longe de ti, porque é melhor que se perca um só dos teus membros, do que todo o corpo ser lançado na Geena. Também foi dito: ‘Quem repudiar sua mulher dê-lhe certidão de repúdio’. Eu, porém, digo-vos: Todo aquele que repudiar sua mulher, salvo em caso de união ilegal, fá-la cometer adultério. Ouvistes ainda que foi dito aos antigos: ‘Não faltarás ao que tiveres jurado, mas cumprirás os teus juramentos para com o Senhor’. Eu, porém, digo-vos que não jureis em caso algum: nem pelo Céu, que é o trono de Deus; nem pela terra, que é o escabelo dos seus pés; nem por Jerusalém, que é a cidade do grande Rei. Também não jures pela tua cabeça, porque não podes fazer branco ou preto um só cabelo. A vossa linguagem deve ser: ‘Sim, sim; não, não’. O que passa disto vem do Maligno".





sábado, 8 de fevereiro de 2014

Evangelho do V Domingo do Tempo Comum - Ano A


São Mateus 5, 13-16

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: "Vós sois o sal da terra. Mas se ele perder a força, com que há-de salgar-se? Não serve para nada, senão para ser lançado fora e pisado pelos homens. Vós sois a luz do mundo. Não se pode esconder uma cidade situada sobre um monte; nem se acende uma lâmpada para a colocar debaixo do alqueire, mas sobre o candelabro, onde brilha para todos os que estão em casa. Assim deve brilhar a vossa luz diante dos homens, para que, vendo as vossas boas obras, glorifiquem o vosso Pai que está nos Céus".







Catequese com o Papa Francisco - 05.02.2014


Praça de São Pedro
Quarta-feira, 5 de Fevereiro de 2014








Prezados irmãos e irmãs, bom dia!

Hoje, falar-vos-ei da Eucaristia. A Eucaristia insere-se no âmago da «iniciação cristã», juntamente com o Batismo e a Confirmação, constituindo a nascente da própria vida da Igreja. Com efeito, é deste Sacramento do Amor que derivam todos os caminhos autênticos de fé, de comunhão e de testemunho.

O que vemos quando nos congregamos para celebrar a Eucaristia, a Missa, já nos faz intuir o que estamos prestes a viver. No centro do espaço destinado à celebração encontra-se o altar, que é uma mesa coberta com uma toalha, e isto faz-nos pensar num banquete. Sobre a mesa há uma cruz, a qual indica que naquele altar se oferece o sacrifício de Cristo: é Ele o alimento espiritual que ali recebemos, sob as espécies do pão e do vinho. Ao lado da mesa encontra-se o ambão, ou seja o lugar de onde se proclama a Palavra de Deus: e ele indica que ali nos reunimos para ouvir o Senhor que fala mediante as Sagradas Escrituras, e portanto o alimento que recebemos é também a sua Palavra.

Na Missa, Palavra e Pão tornam-se uma coisa só, como na Última Ceia, quando todas as palavras de Jesus, todos os sinais que Ele tinha realizado, se condensaram no gesto de partir o pão e de oferecer o cálice, antecipação do sacrifício da cruz, e naquelas palavras: «Tomai e comei, isto é o meu corpo... Tomai e bebei, isto é o meu sangue».

O gesto levado a cabo por Jesus na Última Ceia é a extrema acção de graças ao Pai pelo seu amor, pela sua misericórdia. Em grego, «acção de graças» diz-se «eucaristia». É por isso que o Sacramento se chama Eucaristia: é a suprema acção de graças ao Pai, o qual nos amou a tal ponto, que nos ofereceu o seu Filho por amor. Eis por que motivo o termo Eucaristia resume todo aquele gesto, que é de Deus e ao mesmo tempo do homem, gesto de Jesus Cristo, verdadeiro Deus e verdadeiro homem.

Por conseguinte, a celebração eucarística é muito mais do que um simples banquete: é precisamente o memorial da Páscoa de Jesus, o mistério fulcral da salvação. «Memorial» não significa apenas uma recordação, uma simples lembrança, mas quer dizer que cada vez que nós celebramos este Sacramento participamos no mistério da paixão, morte e ressurreição de Cristo. A Eucaristia constitui o apogeu da obra de salvação de Deus: com efeito, fazendo-se pão partido para nós, o Senhor Jesus derrama sobre nós toda a sua misericórdia e todo o seu amor, a ponto de renovar o nosso coração, a nossa existência e o nosso próprio modo de nos relacionarmos com Ele e com os irmãos. É por isso que geralmente, quando nos aproximamos deste Sacramento, dizemos que «recebemos a Comunhão», que «fazemos a Comunhão»: isto significa que no poder do Espírito Santo, a participação na mesa eucarística nos conforma com Cristo de modo singular e profundo, levando-nos a prelibar desde já a plena comunhão com o Pai, que caracterizará o banquete celestial, onde juntamente com todos os Santos teremos a felicidade de contemplar Deus face a face.

Estimados amigos, nunca daremos suficientemente graças ao Senhor pela dádiva que nos concedeu através da Eucaristia! Trata-se de um dom deveras grandioso e por isso é tão importante ir à Missa aos domingos. Ir à Missa não só para rezar, mas para receber a Comunhão, o pão que é o corpo de Jesus Cristo que nos salva, nos perdoa e nos une ao Pai. É bom fazer isto! E todos os domingos vamos à Missa, porque é precisamente o dia da Ressurreição do Senhor. É por isso que o Domingo é tão importante para nós! E com a Eucaristia sentimos esta pertença precisamente à Igreja, ao Povo de Deus, ao Corpo de Deus, a Jesus Cristo. Nunca compreenderemos todo o seu valor e toda a sua riqueza. Então, peçamos-lhe que este Sacramento possa continuar a manter viva na Igreja a sua presença e a plasmar as nossas comunidades na caridade e na comunhão, segundo o Coração do Pai. E fazemos isto durante a vida inteira, mas começamos a fazê-lo no dia da nossa primeira Comunhão. É importante que as crianças se preparem bem para a primeira Comunhão e que cada criança a faça, pois trata-se do primeiro passo desta pertença forte a Jesus Cristo, depois do Batismo e da Crisma.

Saudações

Saúdo cordialmente os peregrinos de língua portuguesa, desejando-vos que cresçais sempre mais no amor e na adoração da Eucaristia, para que este Sacramento possa continuar a plasmar as vossas comunidades na caridade e na comunhão, segundo o coração do Pai. De bom grado vos abençoo a vós e aos vossos entes queridos!

Dirijo cordiais boas-vindas aos peregrinos de expressão árabe, de modo particular a quantos são provenientes do Médio Oriente. Jesus fala-nos no Mistério da Eucaristia, e recorda-nos sempre que segui-lo quer dizer sairmos de nós mesmos, transformando a nossa vida num dom a Ele e aos irmãos.

Quero dirigir um pensamento especial também às numerosas pessoas, nossos irmãos e irmãs, que sofrem as consequências de tanta chuva na região da Toscana e aqui em Roma. Todos nós rezamos e permanecemos próximos de vós através do nosso esforço, da nossa solidariedade e do nosso amor.


Dirijo um pensamento especial aos jovens, aos doentes e aos recém-casados. Hoje os doentes, por causa da chuva, encontram-se reunidos na Sala Paulo VI e já os pude saudar antes de chegar aqui, e agora eles participam na Audiência através de um ecrã. Hoje celebramos a memória de Santa Águeda, virgem e mártir. Que a sua virtude heroica vos estimule, estimados jovens, de forma especial os estudantes das Escolas da Congregação de São João Batista, a compreender a importância da pureza e da virgindade; que vos ajude, amados doentes, a aceitar a cruz em união espiritual com o Coração de Cristo; e que vos encoraje, diletos recém-casados, a entender o papel da mulher na vossa vida familiar.




Fonte: Vaticano





Angelus com o Papa Francisco - 02.02.2014


Praça de São Pedro
Domingo, 2 de Fevereiro de 2014







Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

Celebramos hoje a festa da Apresentação de Jesus no templo. Hoje é também o Dia da vida consagrada, que evoca a importância para a Igreja de quantos acolheram a vocação de seguir Jesus de perto pelo caminho dos conselhos evangélicos. O Evangelho de hoje narra que, quarenta dias depois do nascimento de Jesus, Maria e José levaram o Menino ao templo para o oferecer e consagrar a Deus, como prescrito pela Lei judaica. Este episódio evangélico constitui também um ícone da doação da própria vida por parte de quantos, por um dom de Deus, assumem as características típicas de Jesus casto, pobre e obediente.

Esta oferenda de si mesmo a Deus diz respeito a cada cristão, porque todos somos consagrados a Ele mediante o Baptismo. Todos estamos chamados a oferecer-nos ao Pai com Jesus e como Jesus, fazendo da nossa vida um dom generoso, na família, no trabalho, no serviço à Igreja, nas obras de misericórdia. Contudo, tal consagração é vivida de modo particular pelos religiosos, monges, leigos consagrados, que com a profissão dos votos pertencem a Deus de modo pleno e exclusivo. Esta pertença ao Senhor permite que quantos a vivem de maneira autêntica ofereçam um testemunho especial ao Evangelho do Reino de Deus. Totalmente consagrados a Deus, são inteiramente entregues aos irmãos, para levar a luz de Cristo onde as trevas são mais densas e para difundir a sua esperança nos corações desanimados.

As pessoas consagradas são sinal de Deus nos diversos ambientes de vida, são fermento para o crescimento de uma sociedade mais justa e fraterna, são profecia de partilha com os pequeninos e os pobres. Entendida e vivida desta forma, a vida consagrada parece-se precisamente como é realmente: um dom de Deus, um dom de Deus à Igreja, um dom de Deus ao seu Povo! Cada pessoa consagrada é um dom para o Povo de Deus a caminho. Há tanta necessidade destas presenças, que fortalecem e renovam o compromisso da difusão do Evangelho, da educação cristã, da caridade para com os mais necessitados, da oração contemplativa; o compromisso da formação humana, da formação espiritual dos jovens, das famílias; o compromisso pela justiça e pela paz na família humana. Mas pensemos um pouco no que aconteceria se não houvesse religiosas nos hospitais, nas missões, nas escolas. Mas considerai, uma Igreja sem religiosas! Não se pode imaginar: elas são este dom, este fermento que leva em frente o Povo de Deus. São grandes estas mulheres que consagram a sua vida a Deus, que levam em frente a mensagem de Jesus!

A Igreja e o mundo precisam deste testemunho do amor e da misericórdia de Deus. Os consagrados, os religiosos, as religiosas são o testemunho de que Deus é bom e misericordioso. Por isso é necessário valorizar com gratidão as experiências de vida consagrada e aprofundar o conhecimento dos diversos carismas e espiritualidades. É preciso rezar para que muitos jovens respondam «sim» ao Senhor que os chama a consagrar-se totalmente a Ele para um serviço abnegado aos irmãos; consagrar a vida para servir Deus e os irmãos.

Portanto, como já foi anunciado, o próximo ano será dedicado de modo especial à vida consagrada. Confiemos desde já esta iniciativa à intercessão da Virgem Maria e de são José que, como pais de Jesus, foram os primeiros por Ele consagrados e que consagraram a sua vida a Ele.

Depois do Angelus

Celebra-se hoje na Itália o Dia pela Vida, que tem por tema «Gerar futuro». Dirijo a minha saudação e encorajamento às associações, aos movimentos e aos centros culturais comprometidos na defesa e promoção da vida. Uno-me aos Bispos italianos ao reafirmar que «cada filho é rosto do Senhor amante da vida, dom para a família e para a sociedade» (Mensagem para o XXXVI Dia Nacional pela Vida). Cada um, no próprio papel e âmbito, se sinta chamado a amar e servir a vida, a acolhê-la, respeitá-la e promovê-la, sobretudo quando é frágil e necessitada de atenções e curas, desde o seio materno até ao seu fim nesta terra.

Desejo a todos feliz domingo e bom almoço. Até à vista!




Fonte: Vaticano




sábado, 1 de fevereiro de 2014

Evangelho da Festa da Apresentação do Senhor - Ano A


São Lucas 2, 22-40

Ao chegarem os dias da purificação, segundo a Lei de Moisés, Maria e José levaram Jesus a Jerusalém, para O apresentarem ao Senhor, como está escrito na Lei do Senhor: "Todo o filho primogênito varão será consagrado ao Senhor", e para oferecerem em sacrifício um par de rolas ou duas pombinhas, como se diz na Lei do Senhor. Vivia em Jerusalém um homem chamado Simeão, homem justo e piedoso, que esperava a consolação de Israel e o Espírito Santo estava nele. O Espírito Santo revelara-lhe que não morreria antes de ver o Messias do Senhor e veio ao templo, movido pelo Espírito. Quando os pais de Jesus trouxeram o Menino para cumprirem as prescrições da Lei no que lhes dizia respeito, Simeão recebeu-O em seus braços e bendisse a Deus, exclamando: "Agora, Senhor, segundo a vossa palavra, deixareis ir em paz o vosso servo, porque os meus olhos viram a vossa salvação, que pusestes ao alcance de todos os povos: luz para se revelar às nações e glória de Israel, vosso povo". O pai e a mãe do Menino Jesus estavam admirados com o que d’Ele se dizia. Simeão abençoou-os e disse a Maria, sua Mãe: "Este Menino foi estabelecido para que muitos caiam ou se levantem em Israel e para ser sinal de contradição – e uma espada trespassará a tua alma – assim se revelarão os pensamentos de todos os corações". Havia também uma profetiza, Ana, filha de Fanuel, da tribo de Aser. Era de idade muito avançada e tinha vivido casada sete anos após o tempo de donzela e viúva até aos oitenta e quatro. Não se afastava do templo, servindo a Deus noite e dia, com jejuns e orações. Estando presente na mesma ocasião, começou também a louvar a Deus e a falar acerca do Menino a todos os que esperavam a libertação de Jerusalém. Cumpridas todas as prescrições da Lei do Senhor, voltaram para a Galileia, para a sua cidade de Nazaré. Entretanto, o Menino crescia e tornava-Se robusto, enchendo-Se de sabedoria. E a graça de Deus estava com Ele.




Catequese com o Papa Francisco - 29.01.2014


Praça de São Pedro
Quarta-feira, 29 de Janeiro de 2014








Prezados irmãos e irmãs, bom dia!

Nesta terceira catequese sobre os Sacramentos, meditemos sobre a Confirmação ou Crisma, que deve ser entendida em continuidade com o Batismo, ao qual ela está vinculada de modo inseparável. Estes dois Sacramentos, juntamente com a Eucaristia, formam um único acontecimento salvífico, que se denomina «iniciação cristã», no qual somos inseridos em Jesus Cristo morto e ressuscitado, tornando-nos novas criaturas e membros da Igreja. Eis por que motivo, na origem destes três Sacramentos, eram celebrados num único momento, no final do caminho catecumenal, normalmente na Vigília pascal. Era assim que se selava o percurso de formação e de inserção gradual no seio da comunidade cristã, que podia durar até alguns anos. Procedia-se passo a passo para chegar ao Batismo, depois à Crisma e enfim à Eucaristia.

Em geral, fala-se de Sacramento da «Crisma», palavra que significa «unção». E com efeito através do óleo, chamado «Crisma sagrado», nós somos confirmados no poder do Espírito, em Jesus Cristo, o Único verdadeiro «Ungido», o «Messias», o Santo de Deus. Além disso, o termo «Confirmação» recorda-nos que este Sacramento contribui com um aumento da graça baptismal: une-nos mais solidamente a Cristo; leva a cumprimento o nosso vínculo com a Igreja; infunde em nós uma especial força do Espírito Santo para difundir e defender a fé, para confessar o nome de Cristo e para nunca nos envergonharmos da sua Cruz (cf. Catecismo da Igreja Católica, n. 1.303).

Por isso, é importante prestar atenção a fim de que as nossas crianças, os nossos jovens recebam este Sacramento. Todos nós prestamos atenção para que eles sejam baptizados, e isto é bom, mas talvez não nos preocupemos muito a fim de que recebam a Crisma. Deste modo, eles permanecerão a meio caminho e não receberão o Espírito Santo, que é muito importante na vida cristã, porque nos concede a força para ir em frente. Pensemos um pouco nisto, cada um de nós: preocupamo-nos verdadeiramente para que as nossas crianças, os nossos jovens recebam a Crisma! Isto é importante, é importante! E se vós, em casa, tendes crianças e jovens que ainda não a receberam, e que já estão na idade de a receber, fazei todo o possível para que levem a cumprimento a iniciação cristã e recebam a força do Espírito Santo. É importante!

Naturalmente, é necessário oferecer aos crismandos uma boa preparação, que deve ter em vista levá-los a uma adesão pessoal à fé em Cristo e despertar neles o sentido da pertença à Igreja.

Como cada Sacramento, a Confirmação não é obra dos homens mas de Deus, que cuida da nossa vida, de maneira a plasmar-nos à imagem do seu Filho, para nos tornar capazes de amar como Ele. E fá-lo infundindo em nós o seu Espírito Santo, cuja acção permeia cada pessoa e a vida inteira, como transparece dos sete dons que a Tradição, à luz da Sagrada Escritura, sempre evidenciou. Eis os sete dons: não quero perguntar-vos se vos recordais quais são os sete dons. Talvez todos vós saibais... Mas cito-os em vosso nome. Quais são estes dons? A Sabedoria, a Inteligência, o Conselho, a Fortaleza, a Ciência, a Piedade e o Temor de Deus. E estes dons são concedidos precisamente através do Espírito Santo no Sacramento da Confirmação. Além disso, a estes dons tenciono dedicar as catequeses que se seguirão às reservadas aos Sacramentos.

Quando acolhemos o Espírito Santo no nosso coração e deixamos que Ele aja, é o próprio Cristo que se torna presente em nós e adquire forma na nossa vida; através de nós será Ele, o próprio Cristo, que rezará, perdoará, infundirá esperança e consolação, servirá os irmãos, estará próximo dos necessitados e dos últimos, que criará comunhão e semeará paz. Pensai como isto é importante: mediante o Espírito Santo, é o próprio Cristo que vem para fazer tudo isto no meio de nós e por nós. Por isso, é importante que as crianças e os jovens recebam o Sacramento da Crisma.

Estimados irmãos e irmãs, recordemo-nos que recebemos a Confirmação. Todos nós! Recordemo-lo antes de tudo para dar graças ao Senhor por esta dádiva, e além disso para lhe pedir que nos ajude a viver como cristãos autênticos e a caminhar sempre com alegria segundo o Espírito Santo que nos foi concedido.

Saudações

Queridos peregrinos de língua portuguesa: uma cordial saudação para todos! Lembrai-vos de agradecer ao Senhor o dom do sacramento da Crisma, pedindo-lhe que vos ajude a viverdes sempre come verdadeiros cristãos, para confessar por todo o lado o nome de Cristo! Desça sobre vós a Bênção do Senhor!

Dirijo um pensamento especial aos jovens, aos doentes e aos recém-casados. Na próxima sexta-feira celebraremos a memória de São João Bosco. Amados jovens, a sua figura de pai e de mestre vos acompanhe ao longo dos anos de estudo e de formação. Queridos doentes, não percais a esperança nem sequer nos momentos mais árduos do sofrimento. E vós, diletos recém-casados, inspirai-vos no modelo salesiano do amor preventivo na educação integral dos vossos filhos.




Fonte: Vaticano





Angelus com o Papa Francisco - 26.01.2014


Praça de São Pedro
Domingo, 26 de Janeiro de 2014








Amados irmãos e irmãs, bom dia!

O Evangelho deste domingo narra o início da vida pública de Jesus nas cidades e aldeias da Galileia. A sua missão não começa em Jerusalém, ou seja, no centro religioso, social e político, mas numa zona periférica, uma região desprezada pelos judeus mais observantes, devido à presença naquela região de diversas populações estrangeiras; por isto o profeta Isaías a indica como «Galileia dos povos» (Is 8, 23).

É uma terra de fronteira, uma zona de trânsito na qual se encontram pessoas diversas por raça, cultura e religião. A Galileia torna-se assim o lugar simbólico devido à abertura a todos os povos. Sob este ponto de vista, a Galileia assemelha-se ao mundo de hoje: co-presença de diversas culturas, necessidade de confronto e necessidade de encontro. Também nós estamos imersos todos os dias numa «Galileia dos povos», e neste tipo de contexto podemos assustar-nos e ceder à tentação de construir recintos para estarmos mais seguros, mais protegidos. Mas Jesus ensina-nos que a Boa Nova, que Ele traz, não está reservada a uma parte da humanidade, deve ser comunicada a todos. É um feliz anúncio destinado a quantos o esperam, mas também a quantos talvez já não esperem mais nada, nem sequer têm a força para procurar e perguntar.

Partindo da Galileia, Jesus ensina que ninguém está excluído da salvação de Deus, aliás, que Deus prefere partir da periferia, dos últimos, para alcançar a todos. Ensina-nos um método, o seu método, que contudo expressa o conteúdo, ou seja, a misericórdia do Pai. «Cada cristão e cada comunidade discernirá qual é o caminho que o Senhor pede, mas todos estamos convidados a aceitar esta chamada. Sair do próprio conforto e ter a coragem de chegar a todas as periferias que precisam da luz do Evangelho» (Exort. ap. Evangelii gaudium, 20).

Jesus começa a sua missão não só por um lugar descentralizado, mas também por homens que se diriam, pode-se dizer assim, «de perfil baixo». Para escolher os seus primeiros discípulos e futuros apóstolos, não se dirige às escolas dos escribas e dos doutores da Lei, mas às pessoas humildes e simples, que se preparam com empenho para a vinda do Reino de Deus. Jesus vai chamá-los lá onde eles trabalham, nas margens do lago: são pescadores. Chama-os e eles seguem-no, imediatamente. Deixam as redes e vão com Ele: a sua vida tornar-se-á uma aventura extraordinária e fascinante.

Queridos amigos e amigas, o Senhor chama também hoje! O Senhor passa pelas estradas da nossa vida diária. Também hoje neste momento, aqui, o Senhor passa pela praça. Chama-nos para andar com Ele, para trabalhar com Ele pelo Reino de Deus, nas «Galileias» dos nossos tempos. Cada um de vós pense: o Senhor passa hoje, o Senhor olha para mim, observa-me! Que me diz o Senhor? E se algum de vós sente que o Senhor lhe diz «segue-me» seja corajoso, vá com o Senhor. O Senhor nunca desilude. Ouvi no vosso coração se o Senhor vos chama para o seguir. Deixemo-nos alcançar pelo seu olhar, pela sua voz, e sigamo-lo! «Para que a alegria do Evangelho chegue até aos extremos confins da terra e nenhuma periferia seja privada da sua luz» (ibid., 288)

Depois do Angelus

Agora vedes que não estou sozinho: estou em companhia de dois de vós, que vieram aqui. São bons estes jovens!

Celebra-se hoje o Dia mundial dos doentes de lepra. Esta doença, mesmo estando a diminuir, infelizmente ainda atinge muitas pessoas em condições de grave miséria. É importante manter viva a solidariedade com estes irmãos e irmãs. A eles garantimos a nossa oração; e rezemos também por quantos os assistem e, de diversos modos, se comprometem a combater esta doença.

Estou próximo com a oração à Ucrânia, em particular a quantos perderam a vida nestes dias e às suas famílias. Desejo que se desenvolva um diálogo construtivo entre as instituições e a sociedade civil e, evitando qualquer recurso a ações violentas, prevaleçam no coração de cada um o espírito de paz e a busca do bem comum!

Hoje há tantas crianças na praça! Muitas! Também com elas gostaria de dirigir um pensamento a Cocò Campolongo, menino de três anos, que foi queimado vivo num carro em Cassano allo Jonio. Esta fúria em relação a uma criança tão pequena parece não ter precedentes na história da criminalidade. Rezemos com Cocò, que certamente está com Jesus no céu, pelas pessoas que cometeram este crime, para que se arrependam e se convertam ao Senhor.

Nos próximos dias, milhões de pessoas, que vivem no Extremo Oriente e espalhadas em várias partes do mundo, entre as quais chineses, coreanos e vietnamitas, celebram o fim do ano lunar. Desejo a todos uma existência cheia de alegria e de esperança. O anseio insuprimível pela fraternidade, que se alberga no seu coração, encontre na intimidade da família o lugar privilegiado no qual pode ser descoberto, educado e realizado. Esta será uma contribuição preciosa para a construção de um mundo mais humano, no qual reina a paz.




Fonte: Vaticano





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