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sábado, 29 de março de 2014

Evangelho do IV Domingo da Quaresma - Ano A


São João 9, 1-41

Naquele tempo, Jesus encontrou no seu caminho um cego de nascença. Os discípulos perguntaram-Lhe: "Mestre, quem é que pecou para ele nascer cego? Ele ou os seus pais?" Jesus respondeu-lhes: "Isso não tem nada que ver com os pecados dele ou dos pais; mas aconteceu assim para se manifestarem nele as obras de Deus. É preciso trabalhar, enquanto é dia, nas obras d’Aquele que Me enviou. Vai chegar a noite, em que ninguém pode trabalhar. Enquanto Eu estou no mundo, sou a luz do mundo". Dito isto, cuspiu em terra, fez com a saliva um pouco de lodo e ungiu os olhos do cego. Depois disse-lhe: "Vai lavar-te à piscina de Siloé"; Siloé quer dizer "Enviado". Ele foi, lavou-se e ficou a ver. Entretanto, perguntavam os vizinhos e os que antes o viam a mendigar: "Não é este o que costumava estar sentado a pedir esmola?" Uns diziam: "É ele". Outros afirmavam: "Não é. É parecido com ele". Mas ele próprio dizia: "Sou eu". Perguntaram-lhe então: "Como foi que se abriram os teus olhos?" Ele respondeu: "Esse homem, que se chama Jesus, fez um pouco de lodo, ungiu-me os olhos e disse-me: ‘Vai lavar-te à piscina de Siloé’. Eu fui, lavei-me e comecei a ver". Perguntaram-lhe ainda: "Onde está Ele?" O homem respondeu: "Não sei". Levaram aos fariseus o que tinha sido cego. Era sábado esse dia em que Jesus fizera lodo e lhe tinha aberto os olhos. Por isso, os fariseus perguntaram ao homem como tinha recuperado a vista. Ele declarou-lhes: "Jesus pôs-me lodo nos olhos; depois fui lavar-me e agora vejo". Diziam alguns dos fariseus: "Esse homem não vem de Deus, porque não guarda o sábado". Outros observavam: "Como pode um pecador fazer tais milagres?" E havia desacordo entre eles. Perguntaram então novamente ao cego: "Tu que dizes d’Aquele que te deu a vista?" O homem respondeu: "É um profeta". Os judeus não quiseram acreditar que ele tinha sido cego e começara a ver. Chamaram então os pais dele e perguntaram-lhes: "É este o vosso filho? É verdade que nasceu cego? Como é que ele agora vê?" Os pais responderam: "Sabemos que este é o nosso filho e que nasceu cego; mas não sabemos como é que ele agora vê, nem sabemos quem lhe abriu os olhos. Ele já tem idade para responder; perguntai-lho vós". Foi por medo que eles deram esta resposta, porque os judeus tinham decidido expulsar da sinagoga quem reconhecesse que Jesus era o Messias. Por isso é que disseram: "Ele já tem idade para responder; perguntai-lho vós". Os judeus chamaram outra vez o que tinha sido curado e disseram-lhe: "Dá glória a Deus. Nós sabemos que esse homem é pecador". Ele respondeu: "Se é pecador, não sei. O que sei é que eu era cego e agora vejo". Perguntaram-lhe então: "Que te fez Ele? Como te abriu os olhos?" O homem replicou: "Já vos disse e não destes ouvidos. Porque desejais ouvi-lo novamente? Também quereis fazer-vos seus discípulos?" Então insultaram-no e disseram-lhe: "Tu é que és seu discípulo; nós somos discípulos de Moisés; mas este, nem sabemos de onde é". O homem respondeu-lhes: "Isto é realmente estranho: não sabeis de onde Ele é, mas a verdade é que Ele me deu a vista. Ora, nós sabemos que Deus não escuta os pecadores, mas escuta aqueles que O adoram e fazem a sua vontade. Nunca se ouviu dizer que alguém tenha aberto os olhos a um cego de nascença. Se Ele não viesse de Deus, nada podia fazer". Replicaram-lhe então eles: "Tu nasceste inteiramente em pecado e pretendes ensinar-nos?" E expulsaram-no. Jesus soube que o tinham expulsado e, encontrando-o, disse-lhe: "Tu acreditas no Filho do homem?" Ele respondeu-Lhe: "Senhor, quem é Ele, para que eu acredite?" Disse-lhe Jesus: "Já O viste: é Quem está a falar contigo". O homem prostrou-se diante de Jesus e exclamou: "Eu creio, Senhor". Então Jesus disse-lhe: "Eu vim para exercer um juízo: os que não vêem ficarão a ver; os que vêem ficarão cegos". Alguns fariseus que estavam com Ele, ouvindo isto, perguntaram-Lhe: "Nós também somos cegos?" Respondeu-lhes Jesus: "Se fôsseis cegos, não teríeis pecado. Mas como agora dizeis: ‘Nós vemos’, o vosso pecado permanece".





Catequese com o Papa Francisco - 26.03.2014


Praça de São Pedro
Quarta-feira, 26 de Março de 2014








Estimados irmãos e irmãs

Já tivemos a ocasião de recordar que os três Sacramentos do Batismo, da Confirmação e da Eucaristia, juntos, constituem o mistério da «iniciação cristã», um único e grande acontecimento de graça que nos regenera em Cristo. Esta é a vocação fundamental que irmana todos na Igreja, como discípulos do Senhor Jesus. Além disso, há dois Sacramentos que correspondem a duas vocações específicas: eles são o da Ordem e do Matrimônio. Eles constituem dois caminhos grandiosos através dos quais o cristão pode fazer da própria vida um dom de amor, a exemplo e no nome de Cristo, cooperando assim para a edificação da Igreja.

Cadenciada nos três graus de episcopado, presbiterado e diaconado, a Ordem é o Sacramento que habilita para o exercício do ministério, confiado pelo Senhor Jesus aos Apóstolos, de apascentar a sua grei, no poder do Espírito e segundo o seu coração. Apascentar o rebanho de Jesus não com o poder da força humana, nem com o próprio poder, mas com o poder do Espírito, e segundo o seu coração, o coração de Jesus, que é um coração de amor. O sacerdote, o bispo e o diácono devem apascentar a grei do Senhor com amor. Se não o fizerem com amor é inútil. E neste sentido, os ministros que são escolhidos e consagrados para este serviço prolongam no tempo a presença de Jesus, se o fizerem com o poder do Espírito Santo, em nome de Deus e com amor.

Um primeiro aspecto. Quem é ordenado é posto como chefe da comunidade. No entanto, é «chefe», mas para Jesus significa pôr a própria autoridade ao serviço, como Ele mesmo demonstrou e ensinou aos seus discípulos com estas palavras: «Vós sabeis que os chefes das nações as subjugam, e que os grandes as governam com autoridade. Não seja assim entre vós. Todo aquele que quiser tornar-se grande entre vós, seja vosso servo. E quem quiser tornar-se o primeiro entre vós, seja vosso escravo. Assim como o Filho do Homem veio, não para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos» (Mt 20, 25-28; Mc 10, 42-45). O bispo que não está ao serviço da comunidade não pratica o bem; o sacerdote, o presbítero que não está ao serviço da sua comunidade não faz bem, erra.

Outra característica que deriva sempre desta união sacramental com Cristo é o amor apaixonado pela Igreja. Pensemos naquele trecho da Carta aos Efésios, onde são Paulo diz que Cristo «amou a Igreja e se entregou por ela, para a santificar, purificando-a pela água do batismo com a palavra, e para a apresentar a si mesmo toda gloriosa, sem mácula, sem ruga, sem qualquer outro defeito semelhante» (5, 25-27). Em virtude da Ordem, o ministro dedica-se inteiramente à própria comunidade, amando-a com todo o seu coração: é a sua família. O bispo e o sacerdote amam a Igreja na sua comunidade, amam-na fortemente. Como? Como o próprio Cristo ama a Igreja. São Paulo dirá a mesma coisa acerca do matrimônio: o esposo ama a sua esposa como Cristo ama a Igreja. Trata-se de um grande mistério de amor: do ministério sacerdotal e do matrimônio, dois Sacramentos que constituem a vereda pela qual, habitualmente, as pessoas se encaminham rumo ao Senhor.

Um último aspecto. O apóstolo Paulo recomenda ao discípulo Timóteo que não descuide, aliás, que reavive sempre o seu dom. A dádiva que lhe foi confiada mediante a imposição das mãos (cf. 1 Tm 4, 14; 2 Tm 1, 6). Quando não se alimenta o ministério, o ministério do bispo, o ministério do sacerdote com a oração, com a escuta da Palavra de Deus e com a celebração quotidiana da Eucaristia, mas também com uma frequentação do Sacramento da Penitência, acaba-se inevitavelmente por perder de vista o sentido autêntico do próprio serviço e a alegria que deriva de uma profunda comunhão com Jesus.

O bispo que não reza, o prelado que não escuta a Palavra de Deus, que não celebra todos os dias, que não se confessa regularmente e, do mesmo modo, o sacerdote que não age assim, a longo prazo perdem a união com Jesus, adquirindo uma mediocridade que não é positiva para a Igreja. Por isso, devemos ajudar os bispos e os sacerdotes a rezar, a ouvir a Palavra de Deus, que é pão quotidiano, a celebrar todos os dias a Eucaristia e a confessar-se de maneira habitual. Isto é muito importante porque diz respeito precisamente à santificação dos bispos e dos presbíteros.

Gostaria de concluir com um pensamento que me vem à mente: mas como se deve fazer para ser sacerdote, onde se vende o acesso ao sacerdócio? Não, não se vende! Trata-se de uma iniciativa que o Senhor toma. É o Senhor que chama. E chama cada um daqueles que Ele deseja como presbíteros. Talvez aqui haja alguns jovens que sentiram no seu coração este apelo, o desejo de se tornar sacerdotes, a vontade de servir os outros em tudo aquilo que vem de Deus, o desejo de estar durante a vida inteira ao serviço para catequizar, baptizar, perdoar, celebrar a Eucaristia, curar os enfermos... e assim durante a vida inteira! Se algum de vós sentiu isto no seu coração, foi Jesus que o pôs ali. Esmerai-vos por este convite e rezai a fim de que ele prospere e dê frutos na Igreja inteira.

Saudações

Queridos amigos de língua portuguesa, que hoje tomais parte neste encontro: obrigado pela vossa presença e sobretudo pelas vossas orações! A todos saúdo, especialmente ao grupo de Brasília, encorajando-vos a apostar em ideais grandes de serviço, que engrandecem o coração e tornam fecundos os vossos talentos. Sobre vós e vossas famílias desça a Bênção do Senhor!

Dirijo uma sentida saudação aos irmãos e irmãs de expressão árabe, de modo especial aos provenientes da Jordânia e do Iraque: os ministros sagrados são homens para o povo, segundo o Evangelho. Oremos pelos bispos, sacerdotes e diáconos, a fim de que vivam fielmente na Igreja do Senhor esta sua vocação, ao serviço da humanidade, seguindo o exemplo do Bom Pastor, que lavou os pés aos seus discípulos e ofereceu a sua vida na Cruz, para a salvação do mundo. O Senhor abençoe todos os seus ministros, restituindo coragem a quantos se sentem desanimados!

Dirijo um pensamento especial aos jovens, aos doentes e aos recém-casados. Ontem pudemos celebrar a Solenidade da Anunciação do Senhor à Virgem Maria. Estimados jovens, particularmente vós escoteiros aqui presentes, sabei pôr-vos à escuta da vontade de Deus, a exemplo de Maria; amados doentes, não percais a coragem nos momentos mais difíceis, conscientes de que o Senhor não dá uma cruz superior às próprias forças; e vós, queridos recém-casados, edificai a vossa vida matrimonial na rocha sólida da Palavra de Deus.





Fonte: Vaticano





Angelus com o Papa Francisco - 23.03.2014


Praça de São Pedro
III Domingo de Quaresma, 23 de Março de 2014








Amados irmãos e irmãs, bom dia!

O Evangelho de hoje apresenta-nos o encontro de Jesus com a mulher samaritana, que aconteceu em Sicar, junto de um antigo poço onde a mulher ia todos os dias buscar água. Naquele dia, encontrou lá Jesus, sentado, «cansado devido à viagem» (Jo 4, 6). Ele diz-lhe imediatamente: «Dá-me de beber» (v. 7). Deste modo supera as barreiras de hostilidade que existiam entre judeus e samaritanos e rompe os esquemas do preconceito em relação às mulheres. O pedido simples de Jesus é o início de um diálogo genuíno, mediante o qual Ele, com grande delicadeza, entra no mundo interior de uma pessoa à qual, segundo os esquemas sociais, não deveria nem sequer ter dirigido a palavra. Mas Jesus fá-lo! Jesus não tem medo. Jesus quando vê uma pessoa vai em frente, porque ama. Ama-nos a todos. Nunca se detém diante de uma pessoa por preconceitos. Jesus coloca-a diante da sua situação, sem a julgar mas fazendo-a sentir-se considerada, reconhecida, e deste modo suscitando nela o desejo de ir além da rotina diária.

A sede de Jesus não era tanto de água, quanto de encontrar a Samaritana para lhe abrir o coração: pede-lhe de beber para evidenciar a sede que havia nela mesma. A mulher comove-se com este encontro: dirige a Jesus aquelas perguntas profundas que todos temos dentro, mas que muitas vezes ignoramos. Também nós temos tantas perguntas para fazer, mas não encontramos a coragem de as dirigir a Jesus! A Quaresma, queridos irmãos e irmãs, é o tempo oportuno para olhar para dentro de nós, para fazer emergir as nossas necessidades espirituais mais verdadeiras, e pedir a ajuda do Senhor na oração. O exemplo da Samaritana convida-nos a expressar-nos do seguinte modo: «Jesus, dá-me aquela água que me saciará eternamente».

O Evangelho diz que os discípulos ficaram surpreendidos que o seu Mestre falasse com aquela mulher. Mas o Senhor é superior aos preconceitos, e por isso não receou falar com a Samaritana: a misericórdia é maior do que o preconceito. Devemos aprender bem isto! A misericórdia é maior do que o preconceito, e Jesus é muito misericordioso, tanto! O resultado daquele encontro junto do poço foi que a mulher se transformou: «deixou a sua ânfora» (v. 28), com a qual ia buscar água, e foi depressa à cidade contar a sua experiência extraordinária. «Encontrei um homem que me disse todas as coisas que eu fiz. Será o Messias?». Estava entusiasmada. Tinha ido buscar água ao poço, e encontrou outra água, a água viva que jorra para a vida eterna. Encontrou a água que procurava desde sempre! Corre à aldeia, àquela aldeia que a julgava, a condenava e a rejeitava, e anuncia que encontrou o Messias: alguém que lhe mudou a vida. Porque cada encontro com Jesus nos muda a vida, sempre. É um passo em frente, um passo mais próximo de Deus. E assim cada encontro com Jesus nos muda a vida. É sempre assim.

Também nós encontramos neste Evangelho o estímulo para «deixar a nossa ânfora», símbolo de tudo o que aparentemente é importante, mas que perde valor diante do «amor de Deus». Todos temos uma, ou mais que uma! Pergunto a vós, e também a mim: «Qual é a tua ânfora, a que te pesa, a que te afasta de Deus?». Deixemo-la um pouco de lado e com o coração ouçamos a voz de Jesus que nos oferece outra água, outra água que aproxima do Senhor. Somos chamados a redescobrir a importância e o sentido da nossa vida cristã, que começou com o baptismo e, como a Samaritana, a testemunhar aos nossos irmãos. O quê? A alegria! Testemunhar a alegria do encontro com Jesus, porque disse que cada encontro com Jesus muda a nossa vida, e também cada encontro com Jesus enche de alegria, aquela alegria que vem de dentro. E o Senhor é assim. E contar quantas coisas maravilhosas o Senhor faz no nosso coração, quando temos a coragem de pôr de lado a nossa ânfora.

Depois do Angelus

Agora recordemos duas frases: cada encontro com Jesus muda a nossa vida e cada encontro com Jesus enche-nos de alegria. Digamo-las juntos? Cada encontro com Jesus muda a nossa vida; cada encontro com Jesus enche-nos de alegria. É assim.

Celebra-se amanhã o Dia Mundial da Tuberculose: rezemos por todas as pessoas atingidas por esta doença, e por quantos de diversos modos lhes dão apoio.

Sexta-feira e sábado próximos viveremos um momento especial de penitência, chamado «24 horas pelo Senhor». Terá início com a Celebração na Basílica de São Pedro, sexta-feira à tarde, depois no final da tarde e durante a noite algumas igrejas do centro de Roma estarão abertas para a oração e as Confissões. Será — podemos chamá-la assim, uma festa do perdão, que terá lugar também em muitas dioceses e paróquias do mundo. O perdão que o Senhor nos dá deve ser festejado, como fez o pai da parábola do filho pródigo, que quando o filho voltou para casa fez festa, esquecendo todos os seus pecados. Será a festa do perdão.

Desejo a todos feliz domingo e bom almoço. Até à próxima!




Fonte: Vaticano





sábado, 22 de março de 2014

Evangelho do III Domingo da Quaresma - Ano A


São João 4, 5-42

Naquele tempo, chegou Jesus a uma cidade da Samaria, chamada Sicar, junto da propriedade que Jacob tinha dado a seu filho José, onde estava a fonte de Jacob. Jesus, cansado da caminhada, sentou-Se à beira do poço. Era por volta do meio-dia. Veio uma mulher da Samaria para tirar água. Disse-lhe Jesus: "Dá-Me de beber". Os discípulos tinham ido à cidade comprar alimentos. Respondeu-Lhe a samaritana: "Como é que Tu, sendo judeu, me pedes de beber, sendo eu samaritana?" De facto, os judeus não se dão com os samaritanos. Disse-lhe Jesus: "Se conhecesses o dom de Deus e quem é Aquele que te diz: ‘Dá-Me de beber’, tu é que Lhe pedirias e Ele te daria água viva". Respondeu-Lhe a mulher: "Senhor, Tu nem sequer tens um balde, e o poço é fundo: donde Te vem a água viva? Serás Tu maior do que o nosso pai Jacob, que nos deu este poço, do qual ele mesmo bebeu, com os seus filhos e os seus rebanhos? Disse-Lhe Jesus: "Todo aquele que bebe desta água voltará a ter sede. Mas aquele que beber da água que Eu lhe der nunca mais terá sede: a água que Eu lhe der tornar-se-á nele uma nascente que jorra para a vida eterna". "Senhor, – suplicou a mulher – dá-me dessa água, para que eu não sinta mais sede e não tenha de vir aqui buscá-la". Disse-lhe Jesus: "Vai chamar o teu marido e volta aqui". Respondeu-lhe a mulher: "Não tenho marido". Jesus replicou: "Disseste bem que não tens marido, pois tiveste cinco e aquele que tens agora não é teu marido. Neste ponto falaste verdade". Disse-lhe a mulher: "Senhor, vejo que és profeta. Os nossos antepassados adoraram neste monte, e vós dizeis que é em Jerusalém que se deve adorar". Disse-lhe Jesus: "Mulher, podes acreditar em Mim: Vai chegar a hora em que nem neste monte nem em Jerusalém adorareis o Pai. Vós adorais o que não conheceis; nós adoramos o que conhecemos, porque a salvação vem dos judeus. Mas vai chegar a hora – e já chegou – em que os verdadeiros adoradores hão-de adorar o Pai em espírito e verdade, pois são esses os adoradores que o Pai deseja. Deus é espírito e os seus adoradores devem adorá-l’O em espírito e verdade". Disse-Lhe a mulher: "Eu sei que há-de vir o Messias, isto é, Aquele que chamam Cristo. Quando vier, há-de anunciar-nos todas as coisas". Respondeu-lhe Jesus: "Sou Eu, que estou a falar contigo". Nisto, chegaram os discípulos e ficaram admirados por Ele estar a falar com aquela mulher, mas nenhum deles Lhe perguntou: "Que pretendes?" ou então: "Porque falas com ela?" A mulher deixou a bilha, correu à cidade e falou a todos: "Vinde ver um homem que me disse tudo o que eu fiz. Não será Ele o Messias?" Eles saíram da cidade e vieram ter com Jesus. Entretanto, os discípulos insistiam com Ele, dizendo: "Mestre, come". Mas Ele respondeu-lhes: "Eu tenho um alimento para comer que vós não conheceis". Os discípulos perguntavam uns aos outros: "Porventura alguém Lhe trouxe de comer?" Disse-lhes Jesus: "O meu alimento é fazer a vontade d’Aquele que Me enviou e realizar a sua obra. Não dizeis vós que dentro de quatro meses chegará o tempo da colheita? Pois bem, Eu digo-vos: Erguei os olhos e vede os campos, que já estão loiros para a ceifa. Já o ceifeiro recebe o salário e recolhe o fruto para a vida eterna e, deste modo, se alegra o semeador juntamente com o ceifeiro. Nisto se verifica o ditado: ‘Um é o que semeia e outro o que ceifa’. Eu mandei-vos ceifar o que não trabalhastes. Outros trabalharam e vós aproveitais-vos do seu trabalho". Muitos samaritanos daquela cidade acreditaram em Jesus, por causa da palavra da mulher, que testemunhava: "Ele disse-me tudo o que eu fiz". Por isso os samaritanos, quando vieram ao encontro de Jesus, pediram-Lhe que ficasse com eles. E ficou lá dois dias. Ao ouvi-l’O, muitos acreditaram e diziam à mulher: "Já não é por causa das tuas palavras que acreditamos. Nós próprios ouvimos e sabemos que Ele é realmente o Salvador do mundo".





Catequese com o Papa Francisco - 19.03.2014


Praça de São Pedro
Quarta-feira, 19 de Março de 2014







Prezados irmãos e irmãs, bom dia!

Hoje, 19 de Março, celebramos a festa solene de são José, Esposo de Maria e Padroeiro da Igreja universal. Por conseguinte, dedicamos esta catequese a ele, que merece todo o nosso reconhecimento e a nossa devoção, pelo modo como ele soube proteger a Virgem Santa e o Filho Jesus. O ser guardião é a característica de são José: é a sua grande missão, ser guardião, como eu recordava precisamente há um ano.

Hoje, gostaria de retomar o tema da protecção, a partir de uma perspectiva particular: a perspectiva da educação. Olhemos para José como o modelo do educador, que protege e acompanha Jesus no seu caminho de crescimento, «em sabedoria, idade e graça», como reza o Evangelho de Lucas (2, 52). Ele era o pai de Jesus: o pai de Jesus era Deus, mas ele desempenhava o papel de pai de Jesus, era pai de Jesus para o fazer crescer. E como o fez crescer? Em sabedoria, idade e graça. E podemos procurar utilizar precisamente estas três palavras — sabedoria, idade e graça — como uma base para a nossa reflexão.

Comecemos pela idade, que constitui a dimensão mais natural, o crescimento físico e psicológico. Juntamente com Maria, José cuidava de Jesus antes de tudo a partir deste ponto de vista, ou seja, «criou-o», preocupando-se a fim de que não lhe faltasse o necessário para um desenvolvimento sadio. Não esqueçamos que a tutela cheia de esmero da vida do Menino comportou também a fuga para o Egipto, a dura experiência de viver como refugiados — José foi um refugiado, juntamente com Maria e Jesus — para fugir da ameaça de Herodes. Depois, quando voltaram para a pátria, estabelecendo-se em Nazaré, há outro período da vida escondida de Jesus na sua família, no seio da Sagrada Família. Naqueles anos, José ensinou a Jesus também o seu trabalho, e Jesus aprendeu a profissão de carpinteiro, juntamente com o seu pai José. Foi assim que José educou Jesus, a tal ponto que, quando era adulto, lhe chamavam «o filho do carpinteiro» (Mt 13, 55).

Passemos à segunda dimensão da educação de Jesus, a da «sabedoria». Diz a Escritura que o princípio da sabedoria é o temor do Senhor (cf. Pr 1, 7; Eclo 1, 14). Temor não tanto no sentido de medo, mas de respeito sagrado, de adoração e de obediência à sua vontade, que procura sempre o nosso bem. José foi para Jesus exemplo e mestre desta sabedoria, que se alimenta da Palavra de Deus. Podemos pensar no modo como José educou o pequeno Jesus a ouvir as Sagradas Escrituras, principalmente acompanhando-o aos sábados à sinagoga de Nazaré. E José acompanhava-o para que Jesus ouvisse a Palavra de Deus na sinagoga. E a prova da escuta profunda de Jesus em relação a Deus, José e Maria tiveram-na — de uma maneira que os surpreendeu — quando ele, com doze anos, permaneceu no templo de Jerusalém sem que eles o soubessem; e encontraram-no depois de três dias, enquanto dialogava com os doutores da lei, os quais ficaram admirados com a sua sabedoria. Eis: Jesus está repleto de sabedoria, porque é o Filho de Deus, mas o Pai celeste valeu-se da colaboração de são José, a fim de que o seu Filho pudesse crescer «cheio de sabedoria» (Lc 2, 40).

E por fim, a dimensão da «graça». Diz ainda são Lucas, referindo-se a Jesus: «A graça de Deus estava sobre Ele» (2, 40). Aqui, certamente a parte reservada a são José é mais limitada do que aos âmbitos da idade e da sabedoria. Todavia, seria um erro grave pensar que um pai e uma mãe nada podem fazer para educar os filhos a crescer na graça de Deus. Crescer em idade, crescer em sabedoria, crescer em graça: este é o trabalho que José levou a cabo em relação a Jesus: fazê-lo crescer nestas três dimensões, ajudá-lo a crescer. José fê-lo de um modo verdadeiramente único, insuperável. Com efeito, ele tinha desposado a mulher «cheia de graça» (Lc 1, 28), e sabia bem que Jesus tinha sido concebido por obra do Espírito Santo. Portanto, neste campo da graça, a sua obra educativa consistia em secundar a obra do Espírito no coração e na vida de Jesus, em sintonia com Nossa Senhora. Este âmbito educativo é o mais específico da fé, da oração, da adoração e da aceitação da vontade de Deus e do seu desígnio. Também e sobretudo nesta dimensão da graça, José educou Jesus primariamente com o exemplo: o exemplo de um «homem justo» (Mt 1, 19), que se deixa sempre guiar pela fé, e sabe que a salvação não deriva da observância da lei, mas da graça de Deus, do seu amor e da sua fidelidade.

Queridos irmãos e irmãs, a missão de são José é sem dúvida única e irrepetível, porque Jesus é absolutamente único. E todavia, protegendo Jesus, educando-o a crescer em idade, sabedoria e graça, ele constitui um modelo para cada educador, em especial para cada pai. São José é o modelo do educador e do pai. Portanto, confio à sua salvaguarda todos os pais, os sacerdotes — que são pais — e aqueles que desempenham uma tarefa educativa na Igreja e na sociedade. De modo especial, gostaria de saudar hoje, dia dos pais, todos os pais: saúdo-vos de coração! Vejamos: há pais na praça? Pais, erguei a mão! Mas quantos pais! Parabéns, parabéns a vós neste vosso dia! Peço para vós a graça de permanecer sempre muito próximos dos vossos filhos, deixando-os crescer, mas próximos, próximos! Eles têm necessidade de vós, da vossa presença, da vossa proximidade e do vosso amor. Sede para eles como são José: guardiões do seu crescimento em idade, sabedoria e graça. Guardiões do seu caminho, educadores; e caminhai com eles. E com esta proximidade, sereis verdadeiros educadores. Obrigado por tudo aquilo que vós fazeis pelos vossos filhos: obrigado! Muitas felicitações a vós, e boa festa dos pais a todos os pais que estão aqui presentes, a todos os pais. Que são José vos abençoe e vos acompanhe. E alguns de nós perderam o pai, que já partiu porque o Senhor o chamou; muitas pessoas que estão na praça não têm pai. Podemos rezar por todos os pais do mundo, pelos pais vivos e também por aqueles defuntos, e pelos nossos pais; e podemos fazê-lo juntos, cada qual recordando o seu próprio pai, quer esteja vivo quer já tenha falecido. E oremos ao grande Pai de todos nós, o Pai. Um «Pai-Nosso» pelos nossos pais: Pai nosso...

E muitos parabéns aos pais!

Saudação

Dou as boas-vindas a todos os peregrinos de língua portuguesa, nominalmente aos brasileiros da Diocese de Botucatu, e confio à proteção de São José todos os educadores, em particular os pais, para que, com o seu exemplo, ajudem os mais jovens a crescerem em sabedoria, estatura e graça. Que Deus vos abençoe!





Fonte: Vaticano




Angelus com o Papa Francisco - 16.03.2014


Praça de São Pedro
Domingo, 16 de Março de 2014








Amados irmãos e irmãs, bom dia!

Hoje o Evangelho apresenta-nos o evento da Transfiguração. É a segunda etapa do caminho quaresmal: a primeira, as tentações no deserto, no domingo passado; a segunda, a Transfiguração. Jesus «tomou consigo Pedro, Tiago e João e levou-os, em particular, a um alto monte» (Mt 17, 1). A montanha na Bíblia representa o lugar da proximidade com Deus e do encontro íntimo com Ele; o lugar da oração, no qual estar na presença do Senhor. Lá no monte, Jesus mostra-se aos três discípulos, luminoso, lindíssimo; e depois aparecem Moisés e Elias, que conversam com Ele. O seu rosto é tão esplendoroso e as suas vestes tão cândidas, que Pedro fica fulgurado, a ponto que queria permanecer ali, como que parar aquele momento. Imediatamente ressoa do alto a voz do Pai que proclama Jesus seu Filho predilecto, dizendo: «ouvi-O» (v. 5). Esta palavra é importante! O nosso Pai que disse a estes apóstolos, e diz também a nós: «Ouvi Jesus, porque é o meu Filho predilecto». Mantenhamos, esta semana, esta palavra na mente e no coração: «Ouvi Jesus!». E isto não é o Papa que o diz, é Deus Pai, a todos: a mim, a vós, a todos, todos! É como uma ajuda para ir em frente pelo caminho da Quaresma. «Ouvi Jesus!». Não esqueçais.

É muito importante este convite do Pai. Nós, discípulos de Jesus, somos chamados a ser pessoas que ouvem a sua voz e levam a sério as suas palavras. Para ouvir Jesus, é preciso estar próximos dele, segui-lo, como faziam as multidões do Evangelho que o seguiam pelas estradas da palestina. Jesus não tinha uma cátedra ou um púlpito fixos, era um mestre itinerante, que propunha os seus ensinamentos, que eram os ensinamentos que o Pai lhe tinha dado, ao longo das estradas, percorrendo trajectos nem sempre previsíveis e por vezes pouco fáceis. Seguir Jesus para o ouvir. Mas também ouvimos Jesus na sua Palavra escrita, no Evangelho. Faço-vos uma pergunta: vós leis todos os dias um trecho do Evangelho? Sim, não... sim, não... Metade e metade... Alguns sim e alguns não. Mas é importante! Leis o Evangelho? É bom; é bom ter um pequeno Evangelho, pequeno, e levá-lo connosco, no bolso, na carteira, e ler um pequeno trecho em qualquer momento do dia. Em qualquer momento do dia tiro do bolso o Evangelho e leio algo, um pequeno trecho. Nele é Jesus que fala, no Evangelho! Pensai nisto. Não é difícil, nem sequer necessário que sejam os quatro: um dos Evangelhos, pequeníssimo, connosco. Sempre o Evangelho connosco, porque é a Palavra de Jesus, para a poder ouvir.

Deste episódio da Transfiguração gostaria de indicar dois elementos significativos, que sintetizo em duas palavras:subida e descida. Precisamos de ir para um lugar apartado, de subir ao monte num espaço de silêncio, para nos reencontrarmos a nós mesmos e ouvir melhor a voz do Senhor. Fazemos isto na oração. Mas não podemos permanecer ali! O encontro com Deus na oração estimula-nos de novo a «descer do monte» e voltar para baixo, para a planície, onde encontramos tantos irmãos sobrecarregados por canseiras, doenças, injustiças, ignorâncias, pobreza material e espiritual. A estes nossos irmãos que estão em dificuldade, estamos chamados a levar os frutos da experiência que fizemos com Deus, partilhando a graça recebida. E isto é curioso. Quando ouvimos a palavra de Jesus, escutamos a Palavra de Jesus e a temos no coração, aquela Palavra cresce. E sabeis como cresce? Oferecendo-a ao próximo! A Palavra de Cristo em nós cresce quando a proclamamos, quando a oferecemos aos outros! É esta a vida cristã. É uma missão para toda a Igreja, para todos os baptizados, para todos nós: ouvir Jesus e oferecê-lo aos outros. Não esqueçais: esta semana, ouvi Jesus! E pensai no Evangelho: fá-lo-eis? Fareis isto? Depois no próximo domingo dir-me-eis se fizestes isto: ter um pequeno Evangelho no bolso ou na carteira para ler um pequeno trecho durante o dia.

E dirijamo-nos agora à nossa Mãe Maria, e recomendemo-nos à sua guia para prosseguir com fé e generosidade este itinerário da Quaresma, aprendendo a «subir» um pouco mais com a oração e a ouvir Jesus, e a «descer» com a caridade fraterna, anunciando Jesus.




Fonte: Vaticano




sábado, 15 de março de 2014

Evangelho do II Domingo da Quaresma - Ano A


São Mateus 17, 1-9

Naquele tempo, Jesus tomou consigo Pedro, Tiago e João seu irmão e levou-os, em particular, a um alto monte e transfigurou-Se diante deles: o seu rosto ficou resplandecente como o sol e as suas vestes tornaram-se brancas como a luz. E apareceram Moisés e Elias a falar com Ele. Pedro disse a Jesus: "Senhor, como é bom estarmos aqui! Se quiseres, farei aqui três tendas: uma para Ti, outra para Moisés e outra para Elias". Ainda ele falava, quando uma nuvem luminosa os cobriu com a sua sombra e da nuvem uma voz dizia: "Este é o meu Filho muito amado, no qual pus toda a minha complacência. Escutai-O". Ao ouvirem estas palavras, os discípulos caíram de rosto por terra e assustaram-se muito. Então Jesus aproximou-se e, tocando-os, disse: "Levantai-vos e não temais". Erguendo os olhos, eles não viram mais ninguém, senão Jesus. Ao descerem do monte, Jesus deu-lhes esta ordem: "Não conteis a ninguém esta visão, até o Filho do homem ressuscitar dos mortos".





Angelus com o Papa Francisco - 09.03.2014


Praça de São Pedro
I Domingo de Quaresma, 9 de Março de 2014







Amados irmãos e irmãs, bom dia!

O Evangelho do primeiro domingo da Quaresma apresenta cada ano o episódio das tentações de Jesus, quando o Espírito Santo, que desceu sobre Ele depois do batismo no Jordão, o levou a enfrentar abertamente Satanás no deserto, por quarenta dias, antes de iniciar a sua missão pública.

O tentador procura desencorajar Jesus do projeto do Pai, isto é, do caminho do sacrifício, do amor que oferece a si mesmo em expiação, para lhe fazer empreender um caminho fácil, de sucesso e poder. O duelo entre Jesus e Satanás dá-se com uma troca de citações da Sagrada Escritura. Com efeito, para desencorajar Jesus do caminho da cruz, o diabo recorda-lhe as falsas esperanças messiânicas: o bem-estar econômico, indicado pela possibilidade de transformar as pedras em pão; o estilo espetacular e milagroso, com a ideia de se lançar do ponto mais alto do templo de Jerusalém e de se fazer salvar pelos anjos; e por fim o atalho do poder e do domínio, em troca de um ato de adoração a Satanás. São os três grupos de tentações: também nós os conhecemos bem!

Jesus rejeita com decisão todas estas tentações e reafirma a vontade decidida de seguir o percurso estabelecido pelo Pai, sem qualquer compromisso com o pecado e com a lógica do mundo. Observai bem como Jesus responde. Ele não dialoga com Satanás, como tinha feito Eva no paraíso terrestre. Jesus sabe bem que com Satanás não se pode dialogar, porque é muito astuto. Por isso Jesus, em vez de dialogar como tinha feito Eva, escolhe refugiar-se na Palavra de Deus e responde com a força desta Palavra. Recordemo-nos disto: no momento da tentação, das nossas tentações, nenhum diálogo com Satanás, mas defendidos sempre pela Palavra de Deus! E isto nos salvará. Nas suas respostas a Satanás, o Senhor, usando a Palavra de Deus, recorda-nos antes de tudo que «não só de pão vive o homem, mas de toda a palavra que sai da boca de Deus» (Mt 4, 4: cf. Dt 8, 3); e isto dá-nos a força, ampara-nos na luta contra a mentalidade mundana que abaixa o homem ao nível das necessidades primárias, fazendo-lhe perder a fome do que é verdadeiro, bom e belo, a fome de Deus e do seu amor. Recorda ainda que «está escrito também: “Não porás à prova o Senhor teu Deus” (v. 7), porque o caminho da fé passa também pela escuridão, pela dúvida, e alimenta-se de paciência e expectativa perseverante. Por fim, Jesus recorda que «está escrito: “Adorarás ao Senhor, teu Deus: a Ele unicamente prestarás culto”» (v. 10); ou seja, devemos abandonar os ídolos, as coisas vãs, e construir a nossa vida sobre o essencial.

Depois estas palavras de Jesus encontrarão confirmação concreta nas suas ações. A sua fidelidade total ao desígnio de amor do Pai conduzi-lo-á após cerca de três anos à prestação de contas final com o «príncipe deste mundo» (Jo16, 11), na hora da paixão e da cruz, e ali Jesus alcançará a sua vitória definitiva, a vitória do amor!

Queridos irmãos, o tempo da Quaresma é ocasião propícia para todos nós cumprirmos um caminho de conversão, confrontando-nos sinceramente com esta página do Evangelho. Renovemos as promessas do nosso Batismo: renunciemos a Satanás e a todas as suas obras e seduções — porque ele é um sedutor — para caminhar pelas veredas de Deus e «chegar à Páscoa na alegria do Espírito» (Oração colecta do 1º domingo de Quaresma do Ano A).

Depois do Angelus

Durante esta Quaresma, tenhamos presente o convite da Caritas internationalis na sua campanha contra a fome no mundo. Desejo a todos que o caminho quaresmal há pouco iniciado seja rico de frutos; e peço-vos uma recordação na oração por mim e pelos meus colaboradores da Cúria Romana, nesta semana de Exercícios espirituais que iniciaremos esta tarde. Obrigado

Feliz domingo e bom almoço. Até à próxima!





Fonte: Vaticano





sábado, 8 de março de 2014

Evangelho do I Domingo da Quaresma - Ano A


São Mateus 4, 1-11

Naquele tempo, Jesus foi conduzido pelo Espírito ao deserto, a fim de ser tentado pelo Demônio. Jejuou quarenta dias e quarenta noites e, por fim, teve fome. O tentador aproximou-se e disse-lhe: "Se és Filho de Deus, diz a estas pedras que se transformem em pães". Jesus respondeu-lhe: "Está escrito: ‘Nem só de pão vive o homem, mas de toda a palavra que sai da boca de Deus’". Então o Demônio conduziu-O à cidade santa, levou-O ao pináculo do templo e disse-Lhe: "Se és Filho de Deus, lança-Te daqui abaixo, pois está escrito: ‘Deus mandará aos seus Anjos que te recebam nas suas mãos, para que não tropeces em alguma pedra’". Respondeu-lhe Jesus: "Também está escrito: ‘Não tentarás o Senhor teu Deus’". De novo o Demônio O levou consigo a um monte muito alto, mostrou-Lhe todos os reinos do mundo e a sua glória, e disse-Lhe: "Tudo isto Te darei, se, prostrado, me adorares". Respondeu-lhe Jesus: "Vai-te, Satanás, porque está escrito: ‘Adorarás o Senhor teu Deus e só a Ele prestarás culto’". Então o Demônio deixou-O e logo os Anjos se aproximaram e serviram Jesus.




Catequese com o Papa Francisco - 05.03.2014


Praça de São Pedro
Quarta-feira de Cinzas, 5 de Março de 2014








Prezados irmãos e irmãs, bom dia!

Começa hoje, Quarta-feira de Cinzas, o itinerário quaresmal de quarenta dias, que nos conduzirá até ao Tríduo pascal, memória da Paixão, Morte e Ressurreição do Senhor, âmago do mistério da nossa salvação. A Quaresma prepara-nos para este momento tão importante, e é por este motivo que ela constitui um «tempo forte», um ponto de reviravolta que pode favorecer a mudança, a conversão, em cada um de nós. Todos nós temos necessidade de nos aperfeiçoarmos, de melhorar. A Quaresma ajuda-nos e assim abandonamos os hábitos cansados e a dependência indolente do mal que nos ameaça. No tempo quaresmal, a Igreja dirige-nos dois convites importantes: adquirir uma consciência mais profunda da obra redentora de Cristo; e viver o próprio Baptismo com maior comprometimento.

A consciência das grandes obras que o Senhor realizou para a nossa salvação dispõe a nossa mente e o nosso coração para uma atitude de acção de graças a Deus, pelo que Ele nos concedeu, por tudo aquilo que leva a cabo em benefício do seu Povo e da humanidade inteira. É aqui que tem início a nossa conversão: ela é a resposta reconhecida ao mistério maravilhoso do amor de Deus. Quando nos damos conta deste amor que Deus tem por nós, sentimos a vontade de nos aproximarmos dele: é nisto que consiste a conversão.

Viver o Baptismo até ao fundo — eis o segundo convite — significa também não se habituar com as situações de degradação e de miséria que encontramos, quando caminhamos pelas ruas das nossas cidades e dos nossos povoados. Persiste o risco de aceitar passivamente determinados comportamentos, sem nos surpreendermos perante as realidades tristes que nos circundam. Habituamo-nos com a violência, como se ela fosse uma notícia diária normal; acostumamo-nos com os irmãos e as irmãs que dormem ao relento, que não dispõem de um abrigo onde se refugiar. Habituamo-nos com os refugiados em busca de liberdade e de dignidade, que não são acolhidos como deveriam. Acostumamo-nos com uma sociedade que pretende viver sem Deus, na qual os pais já não ensinam aos seus filhos a rezar, e nem sequer a fazer o sinal da cruz. Pergunto-vos: os vossos filhos, as vossas crianças sabem fazer o sinal da cruz? Pensai nisto! Os vossos netos sabem fazer o sinal da cruz? Ensinaste-los a fazer o sinal da cruz? Pensai e respondei dentro do vosso coração. Sabem eles recitar o Pai-Nosso? Sabem rezar a Nossa Senhora com a Ave-Maria? Pensei e respondei a vós mesmos. Esta dependência de comportamentos não cristãos, cómodos, narcotiza o nosso coração!

A Quaresma chega-nos como um tempo providencial para mudar de rota, para recuperar a capacidade de reagir diante da realidade do mal que nos desafia sempre. A Quaresma deve ser vivida como tempo de conversão, de renovação pessoal e comunitária, mediante a aproximação a Deus e a confiante adesão ao Evangelho. Deste modo, ele permite-nos considerar com olhos novos os irmãos e as suas necessidades. Por isso, a Quaresma é um momento favorável para se converter ao amor a Deus e ao próximo; um amor que saiba fazer sua a atitude de gratuidade e de misericórdia do Senhor, que «se fez pobre para nos enriquecer mediante a sua pobreza» (cf. 2 Cor 8, 9). Se meditarmos os mistérios centrais da fé, da paixão, da cruz e da ressurreição de Cristo, dar-nos-emos conta de que a dádiva incomensurável da Redenção nos foi concedida por uma iniciativa gratuita de Deus.

Acção de graças a Deus pelo mistério do seu amor crucificado; fé autêntica, conversão e abertura do coração aos irmãos: eis os elementos essenciais para viver o tempo da Quaresma. Neste caminho, queremos invocar com confiança especial a salvaguarda e o auxílio da Virgem Maria: que Ela, a primeira que acreditou em Cristo, nos acompanhe nos dias de oração intensa e de penitência, para chegarmos a celebrar, purificados e renovados no Espírito, o grande mistério da Páscoa do seu Filho.

Saudações

Com ânimo feliz e agradecido, saúdo o grupo vindo de Riberão e Guimarães, e também os professores e os alunos das comunidades escolares de Lourinhã e Viana do Castelo. Sobre vós e demais peregrinos de língua portuguesa, invoco a proteção da Virgem Maria. Que Ela vos tome pela mão durante os próximos quarenta dias, ajudando-vos a ficar mais parecidos com Jesus ressuscitado. Desejo-vos uma santa e frutuosa Quaresma!

Dirijo uma saudação especial aos irmãos e irmãs de expressão árabe, particularmente aos provenientes do Egito e do Médio Oriente: o tempo da Quaresma constitui uma oportunidade que a Providência nos oferece para alcançarmos a conversão do coração e para nos purificarmos do pecado da indiferença perante a dor e o sofrimento do próximo. Que o Senhor vos oriente, mediante a intercessão da Virgem Maria, a viver uma Quaresma repleta de frutos!

Dirijo um pensamento particular aos jovens, aos doentes e aos recém-casados. Hoje, Quarta-Feira de Cinzas, tem início o itinerário quaresmal. Estimados jovens, formulo-vos bons votos a fim de que vivais este tempo de graça com um autêntico espírito penitencial, como um retorno ao Pai, que a todos espera de braços abertos. Amados doentes, encorajo-vos a oferecer os vossos sofrimentos pela conversão de quantos vivem distantes de Deus; e desejo a todos vós, queridos recém-casados, que edifiqueis com coragem e generosidade a vossa família sobre a rocha sólida do Amor divino.




Fonte: Vaticano




Angelus com o Papa Francisco - 02.03.2014


Praça de São Pedro
Domingo, 2 de Março de 2014







Amados irmãos e irmãs, bom dia!

No centro da liturgia deste domingo encontramos uma das verdades mais confortadoras: a Providência divina. O profeta Isaías apresenta-a com a imagem do amor materno cheio de ternura, e diz assim: «Porventura pode uma mulher esquecer-se tanto de seu filho que cria, que não se compadeça dele, do filho do seu ventre? Mas ainda que esta se esquecesse dele, contudo eu não me esquecerei de ti» (49, 15). Como isto é bonito! Deus não se esquece de nós, de cada um de nós! De cada um de nós com nome e sobrenome. Ama-nos e não nos esquece. Que lindo pensamento... Este convite à confiança em Deus encontra um paralelo na página do Evangelho de Mateus: «Olhai para as aves do céu — diz Jesus: não semeiam, nem ceifam, nem recolhem em celeiros; e o vosso Pai do céu alimenta-as... Observai como crescem os lírios do campo! Não trabalham nem fiam. Pois Eu vos digo: nem Salomão, em toda a sua magnificência, se vestiu como qualquer deles» (Mt 6, 26.28-29).

Mas pensando em tantas pessoas que vivem em condições precárias, ou até na miséria que ofende a sua dignidade, estas palavras de Jesus poderiam parecer abstractas, ou até ilusórias. Mas na realidade são actuais como nunca! Recordam-nos que não se pode servir a dois senhores: a Deus e à riqueza. Enquanto cada um procurar acumular para si, nunca haverá justiça. Devemos ouvir bem isto! Enquanto cada um procurar acumular para si, nunca haverá justiça. Se ao contrário, confiando na Providência de Deus, procurarmos juntos o seu Reino, então não faltará a ninguém o necessário para viver dignamente.

Um coração ocupado pela cupidez de possuir é um coração cheio desta cobiça de possuir, mas vazio de Deus. Por isso Jesus admoestou várias vezes os ricos, porque para eles é alto o risco de ancorar a própria segurança nos bens deste mundo, e a segurança, a segurança definitiva, está em Deus. Num coração possuído pelas riquezas, não há lugar para a fé. Se ao contrário se deixa a Deus o lugar que lhe compete, isto é, o primeiro, então o seu amor leva a partilhar também as riquezas, a pô-las ao serviço de projectos de solidariedade e de progresso, como demonstram tantos exemplos, até recentes, na história da Igreja. E assim a Providência de Deus passa através do nosso serviço aos outros, do nosso partilhar com os outros. Se cada um de nós não acumular riquezas só para si mas as puser ao serviço dos outros, neste caso a Providência de Deus torna-se visível neste gesto de solidariedade. Se ao contrário cada um acumular só para si, o que lhe acontecerá quando for chamado por Deus? Não poderá levar as riquezas consigo, porque — sabeis — o sudário não tem bolsos! É melhor partilhar, porque nós só levamos para o Céu aquilo que partilhamos com os outros.

O caminho que Jesus indica pode parecer pouco realista em relação à mentalidade comum e aos problemas da crise económica; mas, se pensarmos bem, reconduz-nos à justa escala de valores. Ele diz: «Porventura não é o corpo mais do que o vestido e a vida mais do que o alimento?» (Mt 6, 25). Para fazer de maneira que a ninguém falte o pão, a água, o vestuário, a casa, o trabalho, a saúde, é preciso que todos nos reconheçamos filhos do Pai que está nos céus e por conseguinte irmãos entre nós, e que nos comportemos de modo consequente. Recordei isto na Mensagem para a Paz de 1 de Janeiro: o caminho para a paz é a fraternidade: este andar juntos, partilhar as coisas juntos.

À luz da Palavra de Deus deste domingo, invoquemos a Virgem Maria como Mãe da divina Providência. A ela confiemos a nossa existência, o caminho da Igreja e da humanidade. Em particular, invoquemos a sua intercessão para que todos nos esforcemos por viver com um estilo simples e sóbrio, com o olhar atento às necessidades dos irmãos mais carentes.

Depois do Angelus

Peço-vos que rezeis pela Ucrânia, que está a viver uma situação delicada: ao desejar que todos os componentes do país se comprometam para superar as incompreensões e para construir juntos o futuro da Nação, dirijo à comunidade internacional um apelo urgente para que apoie qualquer iniciativa a favor do diálogo e da concórdia.

Iniciamos esta semana a Quaresma, que é o caminho do Povo de Deus rumo à Páscoa, um caminho de partilha, de luta contra o mal com as armas da oração, do jejum, da misericórdia. A humanidade precisa de justiça, de reconciliação, de paz, e só as poderá ter voltando de todo o coração para Deus, que é a sua fonte. Também todos nós precisamos do perdão de Deus. Entremos na Quaresma em espírito de adoração a Deus e de solidariedade fraterna com quantos, nestes tempos, estão mais provados pela indigência e por conflitos violentos.

Desejo a todos vós feliz domingo e bom almoço. Até à próxima!





Fonte: Vaticano




sábado, 1 de março de 2014

Evangelho do VIII Domingo do Tempo Comum - Ano A


São Mateus 6, 24-34

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: "Ninguém pode servir a dois senhores, porque ou há-de odiar um e amar o outro, ou se dedicará a um e desprezará o outro. Vós não podeis servir a Deus e ao dinheiro. Por isso vos digo: Não vos preocupeis, quanto à vossa vida, com o que haveis de comer ou de beber, nem, quanto ao vosso corpo, com o que haveis de vestir. Não é a vida mais do que o alimento e o corpo mais do que o vestuário? Olhai para as aves do céu: não semeiam nem ceifam nem recolhem em celeiros; o vosso Pai celeste as sustenta. Não valeis vós muito mais do que elas? Quem de entre vós, por mais que se preocupe, pode acrescentar um só côvado à sua estatura? E porque vos inquietais com o vestuário? Olhai como crescem os lírios do campo: não trabalham nem fiam; mas Eu vos digo: nem Salomão, em toda a sua glória, se vestiu como um deles. Se Deus assim veste a erva do campo, que hoje existe e amanhã é lançada ao forno, não fará muito mais por vós, homens de pouca fé? Não vos inquieteis, dizendo: ‘Que havemos de comer? Que havemos de beber? Que havemos de vestir?’ Os pagãos é que se preocupam com todas estas coisas. Bem sabe o vosso Pai celeste que precisais de tudo isso. Procurai primeiro o reino de Deus e a sua justiça, e tudo o mais vos será dado por acréscimo. Portanto, não vos inquieteis com o dia de amanhã, porque o dia de amanhã tratará das suas inquietações. A cada dia basta o seu cuidado".






Terroristas muçulmanos matam 59 estudantes cristãos na Nigéria


O grupo terrorista muçulmano Boko Haram assassinou nesta terça-feira na Nigéria 59 estudantes de um colégio cristão ao norte do país. 50 homens assaltaram o centro educativo e, com extrema crueldade, dispararam nos estudantes e funcionários, depois colocaram fogo nas instalações com vários dos estudantes dentro.

Semanas atrás, o Arcebispo de Abuja, Cardeal John Olorunfemi Onaiyekan, concedeu uma roda de imprensa na qual criticou o modo como o governo nacional prevê resolver a alarmante situação. Do mesmo modo, apelou aos líderes religiosos para que trabalhem juntos para resolver o problema: “de uma forma ou de outra, alguém tem que romper o círculo vicioso e assessorar ao governo neste momento”.

O Cardeal se manifestou logo depois de que 130 pessoas morreram por ataques realizados contra um templo católico em Wada Chakawa e um assalto à aldeia de Kauwuri.

“O governo gastou bilhões para comprar todo tipo de dispositivos eletrônicos de segurança, mas não importa tanto a quantidade de dinheiro que se gaste enquanto seguimos raciocinando em termos de poder contra poder, fogo contra fogo, assim não se pode resolver o problema da segurança”, disse o Arcebispo de Abuja.

Segundo informações locais, é a quarta escola atacada nesta região desde maio de 2013. Boko Haram, cujo nome significa "a educação ocidental é pecado”, é um grupo islamista radical vinculado a Al- Qaeda.

Levam mais de dois anos aterrorizando a população cristã do país e destroçando as infraestruturas do país para criar maior caos e confusão. Pretendem impor um estado islâmico e seus ataques cada vez são mais sofisticados e cruéis.




Fonte: ACI Digital





Catequese com o Papa Francisco - 26.02.2014


Praça de São Pedro
Quarta-feira, 26 de Fevereiro de 2014








Amados irmãos e irmãs, bom dia!

Gostaria de vos falar hoje do Sacramento da Unção dos enfermos, que nos permite ver concretamente a compaixão de Deus pelo homem. No passado era chamado «Extrema Unção», porque era entendido como conforto espiritual na iminência da morte. Ao contrário, falar de «Unção dos enfermos» ajuda-nos a alargar o olhar para a experiência da doença e do sofrimento, no horizonte da misericórdia de Deus.

1. Há um ícone bíblico que expressa em toda a sua profundidade o mistério que transparece na Unção dos enfermos: é a parábola do «bom samaritano», no Evangelho de Lucas (10, 30-35). Todas as vezes que celebramos este Sacramento, o Senhor Jesus, na pessoa do sacerdote, torna-se próximo de quem sofre e está gravemente doente, ou é idoso. Diz a parábola que o bom samaritano se ocupa do homem sofredor derramando sobre as suas feridas óleo e vinho. O óleo faz-nos pensar no que é abençoado pelos bispos todos os anos, na Missa crismal da Quinta-Feira Santa, precisamente em vista da Unção dos enfermos. O vinho, ao contrário, é sinal do amor e da graça de Cristo que brota do dom da sua vida por nós e expressam em toda a sua riqueza na vida sacramental da Igreja. Por fim, a pessoa sofredora é confiada a um hoteleiro, a fim de que continue a ocupar-se dela, sem se preocupar com a despesa. Mas, quem é este hoteleiro? É a Igreja, a comunidade cristã, somos nós, aos quais todos os dias o Senhor Jesus confia aqueles que estão aflitos, no corpo e no espírito, para que possamos continuar a derramar sobre eles, sem medida, toda a sua misericórdia e salvação.

2. Este mandato é reafirmado de maneira explícita e clara na Carta de Tiago, na qual se recomenda: «Está alguém entre vós doente? Chame os presbíteros da igreja, e estes façam oração sobre ele, ungindo-o com óleo, em nome do Senhor. E a oração da fé salvará o enfermo, e o Senhor o levantará; e, se houver cometido pecados, ser-lhe-ão perdoados» (5, 14-15). Por conseguinte, trata-se de uma prática que já se usava na época dos Apóstolos. Com efeito, Jesus ensinou aos seus discípulos a ter a sua mesma predilecção pelos doentes e pelos sofredores e transmitiu-lhes a capacidade e a tarefa de continuar a conceder no seu nome e segundo o seu coração alívio e paz, através da graça especial deste Sacramento. Mas isto não nos deve fazer cair na busca obstinada do milagre ou na presunção de poder obter sempre e apesar de tudo a cura. Mas é a certeza da proximidade de Jesus ao doente e também ao idoso, porque cada idoso, cada pessoa com mais de 65 anos, pode receber este Sacramento, mediante o qual é o próprio Jesus que se aproxima.

Mas na presença de um doente, por vezes pensa-se: «chamemos o sacerdote para que venha»; «Não, dá azar, não o chamemos», ou então, «o doente assusta-se». Por que se pensa assim? Porque um pouco há a ideia de que depois do sacerdote venha a agência funerária. E isto não é verdade. O sacerdote vem para ajudar o doente ou o idoso; por isto é tão importante a visita dos sacerdotes aos doentes. É preciso chamar o sacerdote para junto do doente e dizer: «venha, dê-lhe a unção, abençoe-o». É o próprio Jesus que chega para aliviar o doente, para lhe dar força, para lhe dar esperança, para o ajudar; também para lhe perdoar os pecados. E isto é muito bonito! E não se deve pensar que isto seja um tabu, porque é sempre bom saber que no momento da dor e da doença não estamos sós: com efeito, o sacerdote e quantos estão presentes durante a Unção dos enfermos representam toda a comunidade cristã que, como um único corpo se estreita em volta de quem sofre e dos familiares, alimentando neles a fé e a esperança, e apoiando-os com a oração e com o calor fraterno. Mas o maior conforto provém do facto de que quem está presente no Sacramento é o próprio Senhor Jesus, que nos guia pela mão, nos acaricia como fazia com os doentes e nos recorda que já lhe pertencemos e que nada — nem sequer o mal nem a morte — jamais nos poderá separar d’Ele. Temos este hábito de chamar o sacerdote para que aos nossos doentes — não digo doentes de gripe, uma doença de 3-4 dias, mas quando é uma doença séria — e também para os nossos idosos, venha lhes conferir este Sacramento, este conforto, esta força de Jesus para ir em frente? Façamo-lo!


Saudações

Sigo com particular apreensão quanto está a acontecer nestes dias na Venezuela. Desejo vivamente que cessem quanto antes as violências e as hostilidades e que todo o Povo venezuelano, a partir dos responsáveis políticos e institucionais, se comprometam para favorecer a reconciliação, através do perdão recíproco e de um diálogo sincero, respeitador da verdade e da justiça, capaz de enfrentar temas concretos para o bem comum. Ao garantir a minha constante e fervorosa oração, em particular por quantos perderam a vida nos confrontos e pelas suas famílias, convido todos os crentes a elevar súplicas a Deus, pela materna intercessão de Nossa Senhora de Coromoto, para que o país reencontre imediatamente paz e concórdia.

Queridos peregrinos de língua portuguesa: sede bem vindos! Em cada um dos sacramentos da Igreja, Jesus está presente e nos faz participar da sua vida e da sua misericórdia. Procurem conhecê-Lo sempre mais, para poderem servi-Lo nos irmãos, especialmente nos doentes. Sobre vós e sobre vossas comunidades, desça a benção do Senhor!




Fonte: Vaticano






Angelus com o Papa Francisco - 23.02.2014


Praça de São Pedro
Domingo, 23 de Fevereiro de 2014






Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

Na segunda Carta deste domingo, são Paulo afirma: «Ninguém, pois, se glorie nos homens, pois tudo é vosso: quer Paulo, quer Apolo, quer Cefas, quer o mundo, quer a vida, quer a morte, quer o presente quer o futuro, tudo é vosso; mas vós sois de Cristo, e Cristo é de Deus» (1 Cor 3, 21-23). Por que diz isto o Apóstolo? Porque o problema que tem à sua frente é o das divisões na comunidade de Corinto, onde se tinham formado grupos que se referiam aos vários pregadores considerando-os seus chefes; diziam: «Eu sou de Paulo, eu sou de Apolo, eu sou de Cefas...» (1, 12). São Paulo explica que este modo de pensar é errado, porque a comunidade não pertence aos apóstolos, mas são eles — os apóstolos — que pertencem à comunidade; mas a comunidade, na sua totalidade, pertence a Cristo!

Desta pertença deriva que nas comunidades cristãs — dioceses, paróquias, associações, movimentos — as diferenças não podem contradizer o facto de que todos, pelo Baptismo, temos a mesma dignidade: todos, em Jesus Cristo, somos filhos de Deus. E esta é a nossa dignidade: em Jesus Cristo somos filhos de Deus! Todos os que receberam um ministério de guia, de pregação, de administração dos Sacramentos, não devem considerar-se proprietários de poderes especiais, donos, mas devem pôr-se ao serviço da comunidade, ajudando-a a percorrer com alegria o caminho da santidade.

Hoje a Igreja confia o testemunho deste estilo de vida pastoral aos novos Cardeais, com os quais celebrei esta manhã a santa Missa. Podemos saudar todos os novos Cardeais, com um aplauso. Saudemos todos! O Consistório de ontem e a odierna Celebração eucarística ofereceram-nos a ocasião preciosa para experimentar a catolicidade, a universalidade da Igreja, bem representada pela variegada proveniência dos membros do Colégio Cardinalício, reunidos em estreita comunhão em volta do Sucessor de Pedro. E que o Senhor nos conceda a graça de trabalhar pela unidade da Igreja, de construir esta unidade, porque a unidade é mais importante que os conflitos! A unidade da Igreja é de Cristo, os conflitos são problemas que nem sempre são de Cristo.

Os momentos litúrgicos e de festa, que tivemos a oportunidade de viver durante os últimos dias, reforcem em todos nós a fé, o amor a Cristo e à sua Igreja! Convido-vos também a apoiar estes Pastores e a assisti-los com a oração, para que guiem sempre com zelo o povo que lhes foi confiado, mostrando a todos a ternura e o amor do Senhor. Mas quanto precisa de oração um Bispo, um Cardeal, um Papa, para que possa ajudar o Povo de Deus a ir em frente! Digo «ajudar», isto é, servir o Povo de Deus, porque a vocação do Bispo, do Cardeal e do Papa é precisamente esta: ser servo, servir em nome de Cristo. Rezai por nós, para que sejamos bons servos: bons servos, não bons donos! Todos juntos, Bispos, presbíteros, pessoas consagradas e fiéis leigos devemos oferecer o testemunho de uma Igreja fiel a Cristo, animada pelo desejo de servir os irmãos e pronta para ir ao encontro com coragem profética das expectativas e das exigências espirituais dos homens e das mulheres do nosso tempo. Nossa Senhora nos acompanhe e nos proteja neste caminho.




Fonte: Vaticano





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