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sábado, 26 de abril de 2014

Evangelho do II Domingo da Páscoa - Ano A


São João 20, 19–31

Na tarde daquele dia, o primeiro da semana, estando fechadas as portas da casa onde os discípulos se encontravam, com medo dos judeus, veio Jesus, colocou–Se no meio deles e disse–lhes: "A paz esteja convosco". Dito isto, mostrou–lhes as mãos e o lado. Os discípulos ficaram cheios de alegria ao verem o Senhor. Jesus disse–lhes de novo: "A paz esteja convosco. Assim como o Pai Me enviou, também Eu vos envio a vós". Dito isto, soprou sobre eles e disse–lhes: "Recebei o Espírito Santo: àqueles a quem perdoardes os pecados ser–lhes–ão perdoados; e àqueles a quem os retiverdes serão retidos". Tomé, um dos Doze, chamado Dídimo, não estava com eles quando veio Jesus. Disseram–lhe os outros discípulos: "Vimos o Senhor". Mas ele respondeu–lhes: "Se não vir nas suas mãos o sinal dos cravos, se não meter o dedo no lugar dos cravos e a mão no seu lado, não acreditarei". Oito dias depois, estavam os discípulos outra vez em casa e Tomé com eles. Veio Jesus, estando as portas fechadas, apresentou–Se no meio deles e disse: "A paz esteja convosco". Depois disse a Tomé: "Põe aqui o teu dedo e vê as minhas mãos; aproxima a tua mão e mete–a no meu lado; e não sejas incrédulo, mas crente". Tomé respondeu–Lhe: "Meu Senhor e meu Deus!" Disse–lhe Jesus: "Porque Me viste acreditaste: felizes os que acreditam sem terem visto". Muitos outros milagres fez Jesus na presença dos seus discípulos, que não estão escritos neste livro. Estes, porém, foram escritos para acreditardes que Jesus é o Messias, o Filho de Deus, e para que, acreditando, tenhais a vida em seu nome.





sábado, 19 de abril de 2014

Evangelho do Domingo de Páscoa - Ano A


São João 20, 1-9

No primeiro dia da semana, Maria Madalena foi de manhãzinha, ainda escuro, ao sepulcro e viu a pedra retirada do sepulcro. Correu então e foi ter com Simão Pedro e com o discípulo predileto de Jesus e disse-lhes: "Levaram o Senhor do sepulcro e não sabemos onde O puseram". Pedro partiu com o outro discípulo e foram ambos ao sepulcro. Corriam os dois juntos, mas o outro discípulo antecipou-se, correndo mais depressa do que Pedro, e chegou primeiro ao sepulcro. Debruçando-se, viu as ligaduras no chão, mas não entrou. Entretanto, chegou também Simão Pedro, que o seguira. Entrou no sepulcro e viu as ligaduras no chão e o sudário que tinha estado sobre a cabeça de Jesus, não com as ligaduras, mas enrolado à parte. Entrou também o outro discípulo que chegara primeiro ao sepulcro: viu e acreditou. Na verdade, ainda não tinham entendido a Escritura, segundo a qual Jesus devia ressuscitar dos mortos.





sábado, 12 de abril de 2014

Evangelho do Domingo de Ramos - Ano A


São Mateus 21, 1-11

Quando se aproximaram de Jerusalém e chegaram a Betfagé, junto ao Monte das Oliveiras, Jesus enviou dois discípulos, dizendo-lhes: "Ide à povoação que está em frente e encontrareis uma jumenta presa e, com ela, um jumentinho. Soltai-os e trazei-mos. E se alguém vos disser alguma coisa, respondei que o Senhor precisa deles, mas não tardará em devolvê-los". Isto sucedeu para se cumprir o que o profeta tinha anunciado: "Dizei à filha de Sião: ‘Eis o teu Rei, que vem ao teu encontro, humildemente montado num jumentinho, filho de uma jumenta’". Os discípulos partiram e fizeram como Jesus lhes ordenara: trouxeram a jumenta e o jumentinho, puseram-lhes em cima as suas capas e Jesus sentou-Se sobre elas. Numerosa multidão estendia as capas no caminho; outros cortavam ramos de árvores e espalhavam-nos pelo chão. E, tanto as multidões que vinham à frente de Jesus como as que O acompanhavam, diziam em altos brados: "Hossana ao Filho de David! Bendito O que vem em nome do Senhor! Hossana nas alturas!" Quando Jesus entrou em Jerusalém, toda a cidade ficou em alvoroço. "Quem é Ele?" perguntavam. E a multidão respondia: "É Jesus, o profeta de Nazaré da Galileia".


São Mateus 26, 14 – 27, 66

N Naquele tempo, um dos doze, chamado Judas Iscariotes, foi ter com os príncipes dos sacerdotes e disse-lhes: "Que estais dispostos a dar-me para vos entregar Jesus?" Eles garantiram-lhe trinta moedas de prata. E a partir de então, Judas procurava uma oportunidade para O entregar. No primeiro dia dos Ázimos, os discípulos foram ter com Jesus e perguntaram-Lhe: "Onde queres que façamos os preparativos para comer a Páscoa?" Ele respondeu: "Ide à cidade, a casa de tal pessoa, e dizei-lhe: ‘O Mestre manda dizer: O meu tempo está próximo. É em tua casa que Eu quero celebrar a Páscoa com os meus discípulos’". Os discípulos fizeram como Jesus lhes tinha mandado, e prepararam a Páscoa. Ao cair da noite, sentou-Se à mesa com os Doze. Enquanto comiam, declarou: "Em verdade vos digo: Um de vós há-de entregar-Me". Profundamente entristecidos, começou cada um a perguntar-Lhe: "Serei eu, Senhor? "Jesus respondeu: "Aquele que meteu comigo a mão no prato é que há-de entregar-Me. O Filho do homem vai partir, como está escrito acerca d’Ele. Mas ai daquele por quem o Filho do homem vai ser entregue! Melhor seria para esse homem não ter nascido". Judas, que O ia entregar, tomou a palavra e perguntou: "Serei eu, Mestre? "Respondeu Jesus: "Tu o disseste". Enquanto comiam, Jesus tomou o pão, recitou a bênção, partiu-o e deu-o aos discípulos, dizendo: "Tomai e comei: Isto é o meu Corpo". Tomou em seguida um cálice, deu graças e entregou-lho, dizendo: "Bebei dele todos, porque este é o meu Sangue, o Sangue da aliança, derramado pela multidão, para remissão dos pecados. Eu vos digo que não beberei mais deste fruto da videira, até ao dia em que beberei convosco o vinho novo no reino de meu Pai". Cantaram os salmos e seguiram para o Monte das Oliveiras. Então, Jesus disse-lhes: "Todos vós, esta noite, vos escandalizareis por minha causa, como está escrito: ‘Ferirei o pastor e dispersar-se-ão as ovelhas do rebanho’. Mas, depois de ressuscitar, preceder-vos-ei a caminho da Galileia". Pedro interveio, dizendo: "Ainda que todos se escandalizem por tua causa, eu não me escandalizarei". Jesus respondeu-lhe: "Em verdade te digo: Esta mesma noite, antes do galo cantar, Me negarás três vezes". Pedro disse-lhe: "Ainda que tenha de morrer contigo, não Te negarei". E o mesmo disseram todos os discípulos. Então, Jesus chegou com eles a uma propriedade, chamada Getsémani e disse aos discípulos: "Ficai aqui, enquanto Eu vou além orar". E, tomando consigo Pedro e os dois filhos de Zebedeu, começou a entristecer-Se e a angustiar-Se. Disse-lhes então: "A minha alma está numa tristeza de morte. Ficai aqui e vigiai comigo". E adiantando-Se um pouco mais, caiu com o rosto por terra, enquanto orava e dizia: "Meu Pai, se é possível, passe de Mim este cálice. Todavia, não se faça como Eu quero, mas como Tu queres". Depois, foi ter com os discípulos, encontrou-os a dormir e disse a Pedro: "Nem sequer pudestes vigiar uma hora comigo! Vigiai e orai, para não cairdes em tentação. O espírito está pronto, mas a carne é fraca". De novo Se afastou, pela segunda vez, e orou, dizendo: "Meu Pai, se este cálice não pode passar sem que Eu o beba, faça-se a tua vontade". Voltou novamente e encontrou-os a dormir, pois os seus olhos estavam pesados de sono. Deixou-os e foi de novo orar, pela terceira vez, repetindo as mesmas palavras. Veio então ao encontro dos discípulos e disse-lhes: "Dormi agora e descansai. Chegou a hora em que o Filho do homem vai ser entregue às mãos dos pecadores. Levantai-vos, vamos. Aproxima-se aquele que Me vai entregar". Ainda Jesus estava a falar, quando chegou Judas, um dos Doze, e com ele uma grande multidão, com espadas e varapaus, enviada pelos príncipes dos sacerdotes e pelos anciãos do povo. O traidor tinha-lhes dado este sinal: "Aquele que eu beijar, é esse mesmo. Prendei-O". Aproximou-se imediatamente de Jesus e disse-Lhe: "Salve, Mestre!" E beijou-O. Jesus respondeu- lhe: "Amigo, a que vieste?" Então avançaram, deitaram as mãos a Jesus e prenderam-n’O. Um dos que estavam com Jesus levou a mão à espada, desembainhou-a e feriu um servo do sumo sacerdote, cortando-lhe a orelha. Jesus disse-lhe: "Mete a tua espada na bainha, pois todos os que puxarem da espada morrerão à espada. Pensas que não posso rogar a meu Pai que ponha já ao meu dispor mais de doze legiões de Anjos? Mas como se cumpririam as Escrituras, segundo as quais assim tem de acontecer?" Voltando-Se depois para a multidão, Jesus disse: "Viestes com espadas e varapaus para Me prender como se fosse um salteador! Eu estava todos os dias sentado no templo a ensinar e não Me prendestes... Mas, tudo isto aconteceu para se cumprirem as Escrituras dos profetas". Então todos os discípulos O abandonaram e fugiram. Os que tinham prendido Jesus levaram-n’O à presença do sumo sacerdote Caifás, onde os escribas e os anciãos se tinham reunido. Pedro foi-O seguindo de longe, até ao palácio do sumo sacerdote. Aproximando-se, entrou e sentou-se com os guardas, para ver como acabaria tudo aquilo. Entretanto, os príncipes dos sacerdotes e todo o Sinédrio procuravam um testemunho falso contra Jesus para O condenarem à morte, mas não o encontravam, embora se tivessem apresentado muitas testemunhas falsas. Por fim, apresentaram-se duas que disseram: "Este homem afirmou: ‘Posso destruir o templo de Deus e reconstruí-lo em três dias’". Então, o sumo sacerdote levantou-se e disse a Jesus: "Não respondes nada? Que dizes ao que depõem contra Ti?" Mas Jesus continuava calado. Disse-Lhe o sumo sacerdote: "Eu Te conjuro pelo Deus vivo, que nos declares se és Tu o Messias, o Filho de Deus". Jesus respondeu-lhe: "Tu o disseste. E Eu digo-vos: vereis o Filho do homem sentado à direita do Todo-poderoso, vindo sobre as nuvens do céu". Então, o sumo sacerdote rasgou as vestes, dizendo: "Blasfemou. Que necessidade temos de mais testemunhas? Acabais de ouvir a blasfêmia. Que vos parece?" Eles responderam: "É réu de morte". Cuspiram-Lhe então no rosto e deram-Lhe punhadas. Outros esbofeteavam-n’O, dizendo: "Adivinha, Messias: quem foi que Te bateu?" Entretanto, Pedro estava sentado no pátio. Uma criada aproximou-se dele e disse-lhe: "Tu também estavas com Jesus, o galileu". Mas ele negou diante de todos, dizendo: "Não sei o que dizes". Dirigindo-se para a porta, foi visto por outra criada que disse aos circunstantes: "Este homem estava com Jesus de Nazaré". E, de novo, ele negou com juramento: "Não conheço tal homem". Pouco depois, aproximaram-se os que ali estavam e disseram a Pedro: "Com certeza tu és deles, pois até a fala te denuncia". Começou então a dizer imprecações e a jurar: "Não conheço tal homem". E, imediatamente, um galo cantou. Então, Pedro lembrou-se das palavras que Jesus dissera: "Antes do galo cantar, tu Me negarás três vezes". E, saindo, chorou amargamente. Ao romper da manhã, todos os príncipes dos sacerdotes e os anciãos do povo se reuniram em conselho contra Jesus, para Lhe darem a morte. Depois de Lhe atarem as mãos, levaram-n’O e entregaram-n’O ao governador Pilatos. Então Judas, que entregara Jesus, vendo que Ele tinha sido condenado, tocado pelo remorso, devolveu as trinta moedas de prata aos príncipes dos sacerdotes e aos anciãos, dizendo: "Pequei, entregando sangue inocente". Mas eles replicaram: "Que nos importa? É lá contigo". Então arremessou as moedas para o santuário, saiu dali e foi-se enforcar. Mas os príncipes dos sacerdotes apanharam as moedas e disseram: "Não se podem lançar no tesouro, porque são preço de sangue. E, depois de terem deliberado, compraram com elas o Campo do Oleiro. Por este motivo se tem chamado àquele campo, até ao dia de hoje, "Campo de Sangue". Cumpriu-se então o que fora dito pelo profeta: "Tomaram trinta moedas de prata, preço em que foi avaliado Aquele que os filhos de Israel avaliaram e deram-nas pelo Campo do Oleiro, como o Senhor me tinha ordenado". Entretanto, Jesus foi levado à presença do governador, que lhe perguntou: "Tu és o Rei dos judeus?" Jesus respondeu: "É como dizes". Mas, ao ser acusado pelos príncipes dos sacerdotes e pelos anciãos, nada respondeu. Disse-Lhe então Pilatos: "Não ouves quantas acusações levantam contra Ti?" Mas Jesus não respondeu coisa alguma, a ponto de o governador ficar muito admirado. Ora, pela festa da Páscoa, o governador costumava soltar um preso, à escolha do povo. Nessa altura, havia um preso famoso, chamado Barrabás. E, quando eles se reuniram, disse-lhes: "Qual quereis que vos solte? Barrabás, ou Jesus, chamado Cristo? "Ele bem sabia que O tinham entregado por inveja. Enquanto estava sentado no tribunal, a mulher mandou-lhe dizer: "Não te prendas com a causa desse justo, pois hoje sofri muito em sonhos por causa d’Ele". Entretanto, os príncipes dos sacerdotes e os anciãos persuadiram a multidão a que pedisse Barrabás e fizesse morrer Jesus. O governador tomou a palavra e perguntou-lhes: "Qual dos dois quereis que vos solte?" Eles responderam: "Barrabás". Disse-lhes Pilatos: "E que hei-de fazer de Jesus, chamado Cristo?" Responderam todos: "Seja crucificado". Pilatos insistiu: "Que mal fez Ele?" Mas eles gritavam cada vez mais: "Seja crucificado". Pilatos, vendo que não conseguia nada e aumentava o tumulto, mandou vir água e lavou as mãos na presença da multidão, dizendo: "Estou inocente do sangue deste homem. Isso é lá convosco". E todo o povo respondeu: "O seu sangue caia sobre nós e sobre os nossos filhos". Soltou-lhes então Barrabás. E, depois de ter mandado açoitar Jesus, entregou-lh’O para ser crucificado. Então os soldados do governador levaram Jesus para o pretório e reuniram à volta d’Ele toda a coorte. Tiraram-Lhe a roupa e envolveram-n’O num manto vermelho. Teceram uma coroa de espinhos e puseram-Lha na cabeça e colocaram uma cana na sua mão direita. Ajoelhando diante d’Ele, escarneciam-n’O, dizendo: "Salve, Rei dos judeus!" Depois, cuspiam-Lhe no rosto e, pegando na cana, batiam-Lhe com ela na cabeça. Depois de O terem escarnecido, tiraram-Lhe o manto, vestiram-Lhe as suas roupas e levaram-n’O para ser crucificado. Ao saírem, encontraram um homem de Cirene, chamado Simão, e requisitaram-no para levar a cruz de Jesus. Chegados a um lugar chamado Gólgota, que quer dizer lugar do Calvário, deram-Lhe a beber vinho misturado com fel. Mas Jesus, depois de o provar, não quis beber. Depois de O terem crucificado, repartiram entre si as suas vestes, tirando-as à sorte, e ficaram ali sentados a guardá-l’O. Por cima da sua cabeça puseram um letreiro, indicando a causa da sua condenação: "Este é Jesus, o Rei dos judeus". Foram crucificados com Ele dois salteadores, um à direita e outro à esquerda. Os que passavam insultavam-n’O e abanavam a cabeça, dizendo: "Tu, que destruías o templo e o reedificavas em três dias, salva-Te a Ti mesmo; se és Filho de Deus, desce da cruz". Os príncipes dos sacerdotes, juntamente com os escribas e os anciãos, também troçavam d’Ele, dizendo: "Salvou os outros e não pode salvar-Se a Si mesmo! Se é o Rei de Israel, desça agora da cruz e acreditaremos n’Ele. Confiou em Deus: Ele que O livre agora, se O ama, porque disse: ‘Eu sou Filho de Deus’". Até os salteadores crucificados com Ele O insultavam. Desde o meio-dia até às três horas da tarde, as trevas envolveram toda a terra. E, pelas três horas da tarde, Jesus clamou com voz forte: "Eli, Eli, lema sabachtani!", que quer dizer: "Meu Deus, meu Deus, porque Me abandonastes?" Alguns dos presentes, ouvindo isto, disseram: "Está a chamar por Elias". Um deles correu a tomar uma esponja, embebeu-a em vinagre, pô-la na ponta duma cana e deu-Lhe a beber. Mas os outros disseram: "Deixa lá. Vejamos se Elias vem salvá-l’O". E Jesus, clamando outra vez com voz forte, expirou. Então, o véu do templo rasgou-se em duas partes, de alto a baixo; a terra tremeu e as rochas fenderam-se. Abriram-se os túmulos e muitos dos corpos de santos que tinham morrido ressuscitaram; e, saindo do sepulcro, depois da ressurreição de Jesus, entraram na cidade santa e apareceram a muitos. Entretanto, o centurião e os que com ele guardavam Jesus, ao verem o tremor de terra e o que estava a acontecer, ficaram aterrados e disseram: "Este era verdadeiramente Filho de Deus". Estavam ali, a observar de longe, muitas mulheres que tinham seguido Jesus desde a Galileia, para O servirem. Entre elas encontrava-se Maria Madalena, Maria, mãe de Tiago e de José, e a mãe dos filhos de Zebedeu. Ao cair da tarde, veio um homem rico de Arimateia, chamado José, que também se tinha tornado discípulo de Jesus. Foi ter com Pilatos e pediu-lhe o corpo de Jesus. E Pilatos ordenou que lho entregassem. José tomou o corpo, envolveu-o num lençol limpo e depositou-o no seu sepulcro novo que tinha mandado escavar na rocha. Depois rolou uma grande pedra para a entrada do sepulcro, e retirou-se. Entretanto, estavam ali Maria Madalena e a outra Maria, sentadas em frente do sepulcro. No dia seguinte, isto é, depois da Preparação, os príncipes dos sacerdotes e os fariseus foram ter com Pilatos e disseram-lhe: "Senhor, lembramo-nos do que aquele impostor disse quando ainda era vivo: ‘Depois de três dias ressuscitarei’. Por isso, manda que o sepulcro seja mantido em segurança até ao terceiro dia, para que não venham os discípulos roubá-lo e dizer ao povo: ‘Ressuscitou dos mortos’. E a última impostura seria pior do que a primeira'. Pilatos respondeu: "Tendes à vossa disposição a guarda: ide e guardai-o como entenderdes". Eles foram e guardaram o sepulcro, selando a pedra e pondo a guarda.







Catequese com o Papa Francisco - 09.04.2014


Praça de São Pedro
Quarta-feira, 9 de Abril de 2014








Prezados irmãos e irmãs, bom dia!

Hoje damos início a um ciclo de catequeses sobre os dons do Espírito Santo. Vós sabeis que o Espírito Santo constitui a alma, a linfa vital da Igreja e de cada cristão: é o Amor de Deus que faz do nosso coração a sua morada e entra em comunhão com cada um de nós. O Espírito Santo está sempre connosco, em nós, no nosso coração.

O próprio Espírito é «o dom de Deus» por excelência (cf. Jo 4, 10), um pressente de Deus e, por sua vez, transmite vários dons a quantos o acolhem. A Igreja identifica sete, número que simbolicamente significa plenitude, totalidade; são aqueles que aprendemos quando nos preparamos para receber o sacramento da Confirmação e que invocamos na antiga prece da chamada «Sequência ao Espírito Santo». Os dons do Espírito Santo são os seguintes: sabedoria, entendimento, conselho, fortaleza, ciência, piedade e temor de Deus.

Portanto o primeiro dom do Espírito Santo, de acordo com este elenco, é a sabedoria. Mas não se trata simplesmente da sabedoria humana, que é fruto do conhecimento e da experiência. Na Bíblia narra-se que, no momento da sua coroação como rei de Israel, Salomão tinha pedido o dom da sapiência (cf. 1 Rs 3, 9). E a sapiência consiste precisamente nisto: é a graça de poder ver tudo com os olhos de Deus. É simplesmente isto: ver o mundo, as situações, as conjunturas e os problemas, tudo, com os olhos de Deus. Nisto consiste a sabedoria. Às vezes nós vemos a realidade segundo o nosso prazer, ou em conformidade com a situação do nosso coração, com amor ou com ódio, com inveja... Não, este não é o olhar de Deus. A sabedoria é aquilo que o Espírito Santo realiza em nós, a fim de vermos todas as realidades com os olhos de Deus. Este é o dom da sabedoria.

E obviamente ele deriva da intimidade com Deus, da relação íntima que temos com Deus, da nossa relação de filhos com o Pai. E quando mantemos esta relação, o Espírito Santo concede-nos o dom da sabedoria. Quando estamos em comunhão com o Senhor, é como se o Espírito Santo transfigurasse o nosso coração, levando-o a sentir toda a sua veemência e predilecção.

Assim, o Espírito Santo torna o cristão «sábio». Mas isto não no sentido que ele tem uma resposta para cada coisa, que sabe tudo, mas no sentido que «sabe» de Deus, sabe como Deus age, distingue quando algo é de Deus e quando não o é; tem aquela sabedoria que Deus infunde nos nossos corações. O coração do homem sábio, neste sentido, tem o gosto e o sabor de Deus. E como é importante que nas nossas comunidades haja cristãos assim! Neles tudo fala de Deus, tornando-se um sinal bonito e vivo da Sua presença e do Seu amor. É algo que não podemos improvisar, que não conseguimos alcançar sozinhos: é um dom que Deus concede àqueles que se tornam dóceis ao Espírito Santo. O Espírito Santo está dentro de nós, no nosso coração; podemos ouvi-lo, podemos escutá-lo. Se prestarmos ouvidos ao Espírito, Ele ensinar-nos-á o caminho da sabedoria, incutir-nos-á a sabedoria, que consiste em ver com os olhos de Deus, ouvir com os ouvidos de Deus, amar com o Coração de Deus, julgar com o juízo de Deus. Esta é a sabedoria que nos confere o Espírito Santo, e todos nós podemos tê-la. Só devemos pedi-la ao Espírito Santo.

Pensai numa mãe, em casa com os seus filhos; quando um deles faz algo, o segundo pensa noutra travessura e a pobre mãe vai de um lado para o outro, com os problemas das crianças. E quando as mães se cansam e repreendem os filhos, qual é a sabedoria? Ralhar com os filhos — pergunto-vos — é sabedoria? O que dizeis: é sabedoria ou não? Não! Ao contrário, quando a mãe pega no seu filho e o repreende docilmente, dizendo-lhe: «Não faças isto, por este motivo...», explicando-lhe com muita paciência, isto é sabedoria de Deus? Sim! É quanto nos dá o Espírito Santo na vida! Além disso, por exemplo no matrimónio, os dois cônjuges — o esposo e a esposa — brigam e depois não se olham no rosto, ou quando se olham fazem-no de cara torta: isto é sabedoria de Deus? Não! Ao contrário, quando dizem: «Bem, passou a tempestade, façamos as pazes», e retomam o caminho em frente, em paz: isto é sabedoria? [o povo: sim!]. Eis no que consiste o dom da sabedoria! Que haja em casa, com as crianças e com todos nós!

E isto não se aprende: trata-se de um dom do Espírito Santo. Por isso, devemos pedir ao Senhor que nos conceda o Espírito Santo e nos confira a dádiva da sabedoria, daquela sapiência de Deus que nos ensina a ver com os olhos de Deus, a sentir com o Coração de Deus e a falar com as palavras de Deus. E assim, com esta sabedoria, vamos em frente, construamos a família, edifiquemos a Igreja santificando-nos a todos. Hoje peçamos a graça da sabedoria. E peçamo-la a Nossa Senhora, que é a Sede da sabedoria, deste dom: que Ela nos conceda esta graça. Obrigado!

Saudações e Apelo

Queridos peregrinos de língua portuguesa, sede bem-vindos! A todos vos saúdo, especialmente aos fiéis brasileiros de Belém e de Rio Bonito e aos universitários de Portugal, desejando-vos que prospereis na sabedoria que vem de Deus, a fim de que, tornados peritos nas coisas de Deus, possais comunicar aos outros a sua doçura e o seu amor. Desça, sobre vós e vossas famílias, a abundância das suas bênçãos.

Na segunda-feira passada em Homs, na Síria, foi assassinado o Reverendo Padre Frans van der Lugt, meu irmão de hábito jesuíta holandês de 75 anos; tendo chegado à Síria há cerca de 50 anos, sempre fez o bem a todos, com gratuidade e amor, e por este motivo era amado e estimado tanto por cristãos como por muçulmanos.

A sua morte brutal encheu-me de dor profunda, levando-me a pensar de novo em todas as pessoas que sofrem e morrem naquele país martirizado, a minha amada Síria, já há demasiado tempo vítima de um conflito sanguinolento, que continua a ceifar morte e destruição. Penso também nas numerosas pessoas raptadas, cristãs e muçulmanas, sírias e de outros países, entre as quais até Bispos e Sacerdotes. Oremos ao Senhor para que possam voltar depressa para junto dos seus entes queridos, para as suas famílias e comunidades.

Convido todos vós de coração a unir-vos à minha prece pela Síria e naquela região, enquanto lanço um apelo urgente aos responsáveis sírios e à Comunidade internacional: por favor, calem-se as armas, ponha fim à violência! Nunca mais a guerra! Nunca mais a destruição! Respeitem-se os direitos humanitários, ajude-se a população necessitada de assistência humanitária, alcance-se a almejada paz através do diálogo e da reconciliação. À nossa Mãe Maria, Rainha da Paz, peçamos-lhe que nos conceda este dom para a Síria, e agora oremos todos juntos: Ave Maria...

Dirijo um pensamento especial aos jovens, aos doentes e aos recém-casados. Vivemos agora o tempo da graça da Quaresma. Caros jovens, não vos canseis de pedir na Confissão o perdão de Deus! Queridos doentes, uni as vossas dores aos sofrimentos da cruz de Cristo. E vós, amados recém-casados, competi no perdão e na entreajuda. Obrigado!





Fonte: Vaticano




Angelus com o Papa Francisco - 06.04.2014


Praça de São Pedro
V Domingo de Quaresma, 6 de Abril de 2014







Amados irmãos e irmãs, bom dia!

O Evangelho deste quinto domingo de Quaresma narra-nos a ressurreição de Lázaro. É o ápice dos «sinais» prodigiosos realizados por Jesus: trata-se de um gesto muito, demasiado grande, claramente divino para ser tolerado pelos sumos sacerdotes, os quais, tendo sabido do facto, tomaram a decisão de matar Jesus (cf. Jo 11, 53).

Lázaro já estava morto há três dias; e às irmãs Marta e Maria Ele disse palavras que se gravaram para sempre na memória da comunidade cristã. Jesus diz assim: «Eu sou a ressurreição e a vida; quem acredita em Mim, mesmo morrendo, viverá; todo aquele que vive e crê em Mim, não morrerá eternamente» (Jo 11, 25). Sobre esta Palavra do Senhor nós acreditamos que a vida de quem crê em Jesus e segue os seus mandamentos, depois da morte será transformada numa vida nova, plena e imortal. Assim como Jesus ressuscitou com o próprio corpo, mas não voltou a uma vida terrena, também nós ressurgiremos com os nossos corpos que serão transfigurados em corpos gloriosos. Ele espera por nós junto do Pai, e a força do Espírito Santo, que O ressuscitou, ressuscitará também quem estiver unido a Ele.

Diante do túmulo fechado do amigo Lázaro, Jesus «bradou em voz alta: Lázaro, sai para fora! E o morto saiu, com os pés e as mãos ligados com faixas, e o rosto coberto com um sudário» (vv. 43-44). Este brado peremptório é dirigido a cada homem, porque todos estamos marcados pela morte, todos nós; é a voz d’Aquele que é o dono da vida e quer que todos «a tenhamos em abundância» (Jo 10, 10). Cristo não se resigna com os sepulcros que nos construímos com as nossas escolhas de mal e de morte, com os nossos erros, com os nossos pecados. Ele não se resigna a isto! Ele convida-nos, quase nos ordena, que saiamos do túmulo no qual os nossos pecados nos fizeram cair. Chama-nos insistentemente a sair da escuridão da prisão na qual nos fechamos, contentando-nos com uma vida falsa, egoísta, medíocre. «Sai!», diz-nos, «Sai!». É um bom convite à verdadeira liberdade, a deixar-nos alcançar por estas palavras de Jesus que hoje repete a cada um de nós. Um convite a deixar-nos libertar das «faixas», das faixas do orgulho. Porque o orgulho torna-nos escravos, escravos de nós mesmos, escravos de tantos ídolos, de tantas coisas. A nossa ressurreição começa por aqui: quando decidimos obedecer a este mandamento de Jesus saindo para a luz, para a vida; quando caem do nosso rosto as máscaras — muitas vezes nós estamos mascarados pelo pecado, as máscaras devem cair! — e não encontramos a coragem do nosso rosto original, criado à imagem e semelhança de Deus.

O gesto de Jesus que ressuscita Lázaro mostra até onde pode chegar a força da Graça de Deus, e portanto até onde pode chegar a nossa conversão, a nossa mudança. Mas reparai: não há limite algum à misericórdia divina oferecida a todos! Não há limite algum à misericórdia divina oferecida a todos! Recordai-vos bem desta frase. E podemos dizê-la todos juntos: «Não há limite algum à misericórdia divina oferecida a todos». Digamo-lo juntos: «Não há limite algum à misericórdia divina oferecida a todos». O Senhor está sempre pronto a levantar a pedra do sepulcro dos nossos pecados, que nos separa d’Ele, a luz dos vivos.

Depois do Angelus

Terá lugar amanhã no Ruanda a comemoração do XX aniversário do início do genocídio perpetrado contra os Tutsi em 1994. Nesta circunstância desejo expressar a minha paterna proximidade ao povo ruandês, encorajando-o a prosseguir, com determinação e esperança, o processo de reconciliação que já manifestou os seus frutos, e o compromisso de reconstrução humana e espiritual do país. A todos digo: não tenhais medo! Sobre a rocha do Evangelho construí a vossa sociedade, no amor e na concórdia, porque só assim se gera uma paz duradoura! Invoco sobre toda a amada Nação ruandesa a materna protecção de Nossa Senhora de Kibeho. Recordo com afecto os Bispos ruandeses que vieram aqui, ao Vaticano, na semana passada. E convido todos, agora, a rezar a Nossa Senhora, a Nossa Senhora de Kibeho.

Rezemos também pelas vítimas do vírus ébola que se desenvolveu na Guiné e nos países confinantes. O Senhor apoie os esforços para combater este início de epidemia e para garantir cura e assistência a todos os necessitados.

Saúdo também o grupo de brasileiros Fraternidade tráfico humano.

E agora gostaria de fazer um gesto simples. Nos domingos passados sugeri a todos que se munissem de um pequeno Evangelho, para levar convosco durante o dia, para o poder ler com frequência. Depois voltei a pensar na antiga tradição da Igreja, durante a Quaresma, de entregar o Evangelho aos catecúmenos, a quantos se preparam para o Baptismo. E hoje desejo oferecer a vós que estais aqui na Praça — mas como sinal para todos — um Evangelho de bolso [mostra o livrinho]. Ser-vos-á distribuído gratuitamente. Há pontos na praça onde estão a ser distribuídos. Eu vejo-os lá, lá e lá... Aproximai-vos desses pontos e aceitai um Evangelho. Aceitai-o, levai-o convosco, e lede-o todos os dias: é precisamente Jesus que nele vos fala! É a Palavra de Jesus: esta é a Palavra de Jesus!

E com Ele digo-vos: recebestes de graça, dai de graça, dai a mensagem do Evangelho! Mas talvez haja entre vós quem não acredita que seja gratuito. «Mas quanto custa?» Quanto devo pagar, Padre?». Façamos o seguinte: em troca desta oferta, fazei um acto de caridade, um gesto de amor gratuito, uma oração pelos inimigos, uma reconciliação, algo...

Hoje podemos ler o Evangelho também com muitos instrumentos tecnológicos. Pode-se levar connosco a Bíblia inteira num telemóvel, num tablet. Importante é ler a Palavra de Deus, com todos os meios, mas ler a Palavra de Deus: é Jesus que nela nos fala! E aceitá-la de coração aberto. Assim o boa semente dá fruto!

Desejo-vos bom domingo e bom almoço! Até à próxima!





Fonte: Vaticano




sábado, 5 de abril de 2014

Evangelho do V Domingo da Quaresma - Ano A


São João 11, 1-45

Naquele tempo, estava doente certo homem, Lázaro de Betânia, aldeia de Marta e de Maria, sua irmã. Maria era aquela que tinha ungido o Senhor com perfume e Lhe tinha enxugado os pés com os cabelos. Era seu irmão Lázaro que estava doente. As irmãs mandaram então dizer a Jesus: "Senhor, o teu amigo está doente". Ouvindo isto, Jesus disse: "Essa doença não é mortal, mas é para a glória de Deus, para que por ela seja glorificado o Filho do homem". Jesus era amigo de Marta, de sua irmã e de Lázaro. Entretanto, depois de ouvir dizer que ele estava doente, ficou ainda dois dias no local onde Se encontrava. Depois disse aos discípulos: "Vamos de novo para a Judeia". Os discípulos disseram-Lhe: "Mestre, ainda há pouco os judeus procuravam apedrejar-Te e voltas para lá?" Jesus respondeu: "Não são doze as horas do dia? Se alguém andar de dia, não tropeça, porque vê a luz deste mundo. Mas se andar de noite, tropeça, porque não tem luz consigo". Dito isto, acrescentou: "O nosso amigo Lázaro dorme, mas Eu vou despertá-lo". Disseram então os discípulos: "Senhor, se dorme, estará salvo". Jesus referia-se à morte de Lázaro, mas eles entenderam que falava do sono natural. Disse-lhes então Jesus abertamente: "Lázaro morreu; por vossa causa, alegro-Me de não ter estado lá, para que acrediteis. Mas vamos ter com ele". Tomé, chamado Dídimo, disse aos companheiros: "Vamos nós também, para morrermos com Ele". Ao chegar, Jesus encontrou o amigo sepultado havia quatro dias. Betânia distava de Jerusalém cerca de três quilômetros. Muitos judeus tinham ido visitar Marta e Maria, para lhes apresentar condolências pela morte do irmão. Quando ouviu dizer que Jesus estava a chegar, Marta saiu ao seu encontro, enquanto Maria ficou sentada em casa. Marta disse a Jesus: "Senhor, se tivesses estado aqui, meu irmão não teria morrido. Mas sei que, mesmo agora, tudo o que pedires a Deus, Deus To concederá". Disse-lhe Jesus: "Teu irmão ressuscitará". Marta respondeu: "Eu sei que há-de ressuscitar na ressurreição, no último dia". Disse-lhe Jesus: "Eu sou a ressurreição e a vida. Quem acredita em Mim, ainda que tenha morrido, viverá; e todo aquele que vive e acredita em Mim, nunca morrerá. Acreditas nisto?" Disse-Lhe Marta: "Acredito, Senhor, que Tu és o Messias, o Filho de Deus, que havia de vir ao mundo". Dito isto, retirou-se e foi chamar Maria, a quem disse em segredo: "O Mestre está ali e manda-te chamar". Logo que ouviu isto, Maria levantou-se e foi ter com Jesus. Jesus ainda não tinha chegado à aldeia, mas estava no lugar em que Marta viera ao seu encontro. Então os judeus que estavam com Maria em casa para lhe apresentar condolências, ao verem-na levantar-se e sair rapidamente, seguiram-na, pensando que se dirigia ao túmulo para chorar. Quando chegou aonde estava Jesus, Maria, logo que O viu, caiu-Lhe aos pés e disse-Lhe: "Senhor, se tivesses estado aqui, meu irmão não teria morrido". Jesus, ao vê-la chorar, e vendo chorar também os judeus que vinham com ela, comoveu-Se profundamente e perturbou-Se. Depois perguntou: "Onde o pusestes?" Responderam-Lhe: "Vem ver, Senhor". E Jesus chorou. Diziam então os judeus: "Vede como era seu amigo". Mas alguns deles observaram: "Então Ele, que abriu os olhos ao cego, não podia também ter feito que este homem não morresse?" Entretanto, Jesus, intimamente comovido, chegou ao túmulo. Era uma gruta, com uma pedra posta à entrada. Disse Jesus: "Tirai a pedra". Respondeu Marta, irmã do morto: "Já cheira mal, Senhor, pois morreu há quatro dias". Disse Jesus: "Eu não te disse que, se acreditasses, verias a glória de Deus?" Tiraram então a pedra. Jesus, levantando os olhos ao Céu, disse: "Pai, dou-Te graças por Me teres ouvido. Eu bem sei que sempre Me ouves, mas falei assim por causa da multidão que nos cerca, para acreditarem que Tu Me enviaste". Dito isto, bradou com voz forte: "Lázaro, sai para fora". O morto saiu, de mãos e pés enfaixados com ligaduras e o rosto envolvido num sudário. Disse-lhes Jesus: "Desligai-o e deixai-o ir". Então muitos judeus, que tinham ido visitar Maria, ao verem o que Jesus fizera, acreditaram n’Ele.






Catequese com o Papa Francisco - 02.04.2014


Praça de São Pedro
Quarta-feira, 2 de Abril de 2014








Caros irmãos e irmãs, bom dia!

Hoje concluímos o ciclo de catequeses sobre os Sacramentos, falando sobre o Matrimónio. Este Sacramento leva-nos ao cerne do desígnio de Deus, que é um plano de aliança com o seu povo, com todos nós, um desígnio de comunhão. No início do livro do Génesis, o primeiro livro da Bíblia, coroando a narração sobre a criação, afirma-se: «Deus criou o homem à sua imagem; criou-o à imagem de Deus, criou o homem e a mulher... Por isso, o homem deixa o seu pai e a sua mãe para se unir à sua mulher; e os dois serão uma só carne» (Gn 1, 27; 2, 24). A imagem de Deus é o casal no matrimónio: o homem e a mulher; não só o homem, não somente a mulher, mas os dois juntos. Esta é a imagem de Deus: o amor, a aliança de Deus connosco está representada na aliança entre o homem e a mulher. Isto é muito bonito! Somos criados para amar, como reflexo de Deus e do seu amor. Na união conjugal o homem e a mulher realizam esta vocação no sinal da reciprocidade e da comunhão de vida plena e definitiva.

Quando um homem e uma mulher celebram o sacramento do Matrimónio, Deus, por assim dizer, «espelha-se» neles, imprime neles os seus lineamentos e o carácter indelével do seu amor. O matrimónio é o ícone do amor de Deus por nós. Com efeito, também Deus é comunhão: as três Pessoas do Pai, Filho e Espírito Santo vivem desde sempre e para sempre em unidade perfeita. É precisamente nisto que consiste o mistério do Matrimónio: dos dois esposos Deus faz uma só existência. A Bíblia usa uma expressão forte e diz «uma só carne», tão íntima é a união entre o homem e a mulher no matrimónio! Eis precisamente o mistério do matrimónio: o amor de Deus reflecte-se no casal que decide viver junto. Por isso, o homem deixa a sua casa, a casa dos seus pais, e vai viver com a sua mulher, unindo-se tão fortemente a ela que os dois se tornam — reza a Bíblia — uma só carne.

Na Carta aos Efésios, São Paulo frisa que nos esposos cristãos se reflecte um mistério grandioso: a relação instaurada por Cristo com a Igreja, uma relação nupcial (cf. Ef 5, 21-33). A Igreja é a esposa de Cristo. Esta é a relação. Isto significa que o Matrimónio corresponde a uma vocação específica e deve ser considerado uma consagração (cf.Gaudium et spes, 48; Familiaris consortio, 56). É uma consagração: o homem e a mulher são consagrados no seu amor. Com efeito, em virtude do Sacramento, os esposos são revestidos de uma autêntica missão, para que possam tornar visível, a partir das realidades simples e ordinárias, o amor com que Cristo ama a sua Igreja, continuando a dar a vida por ela na fidelidade e no serviço.

No sacramento do Matrimónio há um desígnio deveras maravilhoso! E realiza-se na simplicidade e até na fragilidade da condição humana. Bem sabemos quantas dificuldades e provas enfrenta a vida de dois esposos... O importante é manter viva a união com Deus, que está na base do vínculo conjugal. E verdadeira unidade é sempre com o Senhor. Quando a família reza, o vínculo mantém-se. Quando o esposo reza pela esposa, e a esposa ora pelo esposo, aquela união revigora-se; um reza pelo outro. É verdade que na vida matrimonial existem muitas dificuldades, muitas; que o trabalho, que o dinheiro não é suficiente, que os filhos enfrentam problemas. Tantas dificuldades! E muitas vezes o marido e a esposa tornam-se um pouco nervosos e brigam entre si. Discutem, é assim, sempre se alterca no matrimónio, e às vezes até voam pratos! Mas não devem entristecer-se por isso, pois a condição humana é mesmo assim! E o segredo é que o amor é mais forte do que o momento do litígio, e é por isso que eu aconselho sempre aos cônjuges: não deixeis que termine o dia em que discutistes, sem fazer as pazes. Sempre! E para fazer as pazes não é necessário chamar as Nações Unidas, que venham a casa para instaurar a paz. É suficiente um pequeno gesto, uma carícia... E até amanhã! E amanhã tudo recomeça! Esta é a vida. É preciso levá-la adiante assim, levá-la em frente com a coragem de querer vivê-la juntos. E isto é grandioso, é bonito! A vida matrimonial é realmente bela, e devemos preservá-la sempre, cuidando dos filhos. Outras vezes eu já disse nesta Praça algo que contribui muito para a vida matrimonial. Trata-se de três palavras que é necessário pronunciar sempre, três palavras que devem existir sempre em casa: com licença, obrigado, desculpa. Eis as três palavras mágicas. Com licença: para não se intrometer na vida dos cônjuges. Com licença, como te parece isto? Com licença, permite-me. Obrigado: agradecer ao cônjuge; obrigado por aquilo que fizeste por mim, obrigado por isto. A beleza da gratidão! E dado que todos nós erramos, há outra palavra um pouco difícil de pronunciar, mas necessária: desculpa. Com licença, obrigado e desculpa. Com estas três palavras, com a oração do esposo pela esposa e vice-versa, voltando a fazer as pazes sempre antes que o dia termine, o matrimónio irá em frente. As três palavras mágicas, a oração e fazer as pazes sempre! Que o Senhor vos abençoe e orai por mim!

Saudações

Dou as boas-vindas a todos os peregrinos de língua portuguesa, nominalmente aos grupos escolares de Portugal e à delegação ítalo-brasileira. Rezemos por todas as famílias, especialmente por aquelas que passam por dificuldades, na certeza de que estas são um dom de Deus nas nossas comunidades cristãs. Que Deus vos abençoe!

Saúdo os jovens, os doentes e os recém-casados, recordando com a liturgia são Francisco de Paula. Estimados jovens, especialmente vós, do Grupo juvenil de Maddaloni, aprendei dele que a humildade é força, não debilidade! Amados doentes, não vos canseis de pedir na oração a ajuda do Senhor. E vós, queridos recém-casados, competi na estima recíproca e na entreajuda.





Fonte: Vaticano




Angelus com o Papa Francisco - 30.03.2014


Praça de São Pedro
IV Domingo de Quaresma, 30 de Março de 2014







Estimados irmãos e irmãs, bom dia!

O Evangelho de hoje apresenta-nos o episódio do homem cego de nascença, a quem Jesus confere a vista. Esta longa narração tem início com um cego que começa a ver e termina — isto é curioso — com alguns presumíveis videntes que continuam a ser cegos na alma. O milagre é narrado por João em apenas dois versículos, porque o evangelista quer chamar a atenção não apenas para o prodígio em si mesmo, mas para aquilo que acontece em seguida, para os debates que isto suscita; e também para o falatório, pois muitas vezes uma obra, um gesto de caridade provoca murmurações e debates, porque alguns não querem ver a verdade. O evangelista João quer chamar a atenção para aquilo que acontece até nos dias de hoje, quando se realiza uma obra boa. O cego curado é primeiro interrogado pela multidão admirada — viram o milagre e interrogam-no — e depois pelos doutores da lei, que interrogam também os seus pais. No final, o cego curado chega à fé, a maior graça que lhe é concedida por Jesus: não apenas de ver, mas de O conhecer, de O ver como «a luz do mundo» (Jo 9, 5).

Enquanto o cego se aproxima gradualmente da luz, os doutores da lei, ao contrário, afundam cada vez mais na sua cegueira interior. Fechados na sua presunção, já julgam possuir a luz; por isso, não se abrem à verdade de Jesus. E fazem de tudo para negar a evidência. Põem em dúvida a identidade do homem curado; em seguida, negam a obra de Deus na cura, alegando como desculpa que Deus não age aos sábados; chegam até a duvidar que aquele homem fosse cego de nascença. O seu fechamento à luz torna-se agressivo e acaba na expulsão do homem curado para fora do templo.

Ao contrário, o caminho do cego é um percurso por etapas, que começa com o conhecimento do nome de Jesus. Nada mais sabe dele; com efeito, diz: «Aquele homem que se chama Jesus fez lodo e ungiu-me os olhos» (v. 11). A seguir às perguntas insistentes dos doutores da lei, considera-o primeiro um profeta (v. 17) e em seguida um homem que está próximo de Deus (v. 31). Depois de ter sido afastado do templo, excluído da sociedade, Jesus encontra-se novamente com ele e «abre os seus olhos» pela segunda vez, revelando-lhe a sua própria identidade: «Eu sou o Messias», assim lhe diz! Nesta altura, aquele que era cego exclama: «Creio, Senhor!» (v. 38), e prostra-se diante de Jesus. Trata-se de um trecho do Evangelho que mostra o drama da cegueira interior de muitas pessoas, inclusive da nossa, porque às vezes também nós vivemos momentos de cegueira interior.

Às vezes a nossa vida é semelhante à existência do cego que se abriu à luz, que se abriu a Deus, que se abriu à sua graça. Por vezes, infelizmente, é um pouco como a vida dos doutores da lei: do alto do nosso orgulho julgamos os outros, e até o próprio Senhor! Hoje, somos convidados a abrir-nos à luz de Cristo para dar fruto na nossa vida, para eliminar os comportamentos que não são cristãos; todos nós somos cristãos, mas todos nós — todos! — às vezes temos comportamentos não cristãos, atitudes que são pecados. Devemos arrepender-nos disto, eliminar estes comportamentos para caminhar decididamente pela vereda da santidade. Ela tem a sua origem no Batismo. Com efeito, também nós fomos «iluminados» por Cristo no Batismo, como no-lo recorda são Paulo, a fim de nos podermos comportar como «filhos da luz» (Ef 5, 8), com humildade, paciência e misericórdia. Aqueles doutores da lei não tinham humildade, nem paciência e nem sequer misericórdia!

Hoje, quando voltardes para casa, sugiro-vos que pegueis no Evangelho de João para ler este trecho do capítulo 9. Isto far-vos-á bem, porque assim vereis este caminho da cegueira para a luz, e a outra senda errada, rumo a uma cegueira ainda mais profunda. Interroguemo-nos: como é o nosso coração? Tenho um coração aberto ou fechado? Aberto ou fechado para Deus? Aberto ou fechado para o próximo? Temos sempre em nós mesmos algum fechamento que nasce do pecado, dos equívocos, dos erros. Não devemos ter medo! Abramo-nos à luz do Senhor! Ele espera-nos sempre para nos levar a ver melhor, para nos dar mais luz, para nos perdoar. Não podemos esquecer isto! Confiemos à Virgem Maria o caminho quaresmal para que também nós, como o cego curado, com a graça de Cristo, possamos «vir à luz», progredir rumo à luz e renascer para uma vida nova.

Depois do Angelus

Saúdo de coração as famílias, os grupos paroquiais, as associações e os fiéis individualmente, provenientes da Itália e de muitos países, e os imigrantes portugueses de Londres.

E hoje não esqueçais: em casa, pegai no Evangelho de João, capítulo 9, para ler a história do cego que adquiriu a vista e dos presumíveis videntes que afundaram ainda mais na sua cegueira.

Desejo feliz domingo e bom almoço a todos. Até à vista!





Fonte: Vaticano




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