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sábado, 14 de junho de 2014

Regina Coeli com o Papa Francisco - 08.06.2014


Praça de São Pedro
Domingo, 8 de Junho de 2014








Amados irmãos e irmãs, bom dia!

A festa de Pentecostes comemora a efusão do Espírito Santo sobre os Apóstolos reunidos no Cenáculo. E a Páscoa, é um acontecimento que teve lugar durante a preexistente festa judaica, e que traz um cumprimento surpreendente. O livro dos Atos dos Apóstolos descreve os sinais e os frutos daquela extraordinária efusão: o vento forte e as chamas de fogo; o medo desaparece e deixa o lugar à coragem; as línguas soltam-se e todos compreendem o anúncio. Onde chega o Espírito de Deus, tudo renasce e se transfigura. O evento do Pentecostes marca o nascimento da Igreja e a sua manifestação pública; e chamam a nossa atenção duas características: é uma Igreja que surpreende e perturba.

Um elemento fundamental do Pentecostes é a surpresa. O nosso Deus é o Deus das surpresas, sabemo-lo. Ninguém esperava mais nada dos discípulos: depois da morte de Jesus eram um pequeno grupo insignificante, órfãos do seu Mestre, derrotados. Ao contrário, verifica-se um acontecimento inesperado que suscita admiração; o povo permanece perturbado porque cada um ouvia os discípulos falar a própria língua, contando as grandes obras de Deus (cf. Act 2, 6-7.11). A Igreja que nasce no Pentecostes é uma comunidade que suscita admiração porque, com a força que lhe vem de Deus, anuncia uma mensagem nova — a Ressurreição de Cristo — com uma linguagem nova — a universal, do amor. Um anúncio novo: Cristo está vivo, ressuscitou; uma linguagem nova: a linguagem do amor. Os discípulos estão revestidos de poder do alto e falam com coragem — poucos minutos antes todos eram cobardes, mas agora falam com coragem e franqueza, com a liberdade do Espírito Santo.

Assim a Igreja está chamada a ser sempre: capaz de surpreender anunciando a todos que Jesus Cristo venceu a morte, que os braços de Deus estão sempre abertos, que a sua paciência está sempre ali à nossa espera para nos curar, e para nos perdoar. Jesus ressuscitou e doou o seu Espírito à Igreja precisamente para esta missão.

Atenção: se a Igreja está viva, deve surpreender sempre. É característico da Igreja viva surpreender. Uma Igreja que não tenha a capacidade de surpreender é uma Igreja frágil, doente, moribunda e deve ser internada na unidade de terapia intensiva, quanto antes!

Em Jerusalém, havia quem preferisse que os discípulos de Jesus, impedidos pelo medo, permanecessem fechados em casa para não criar confusão. Também hoje muitos querem isto dos cristãos. Ao contrário, o Senhor ressuscitado estimula-os a ir pelo mundo: «Assim como o Pai Me enviou, também Eu vos envio a vós» (Jo 20, 21). A Igreja do Pentecostes é uma Igreja que não se resigna a ser inócua, demasiado «destilada». Não, não se resigna a isto! Não quer ser um elemento decorativo. É uma Igreja que não hesita em sair, em ir ao encontro das pessoas, para anunciar a mensagem que lhe foi confiada, mesmo se aquela mensagem perturba ou desassossega as consciências, mesmo se aquela mensagem talvez traga problemas e também, por vezes, nos leve ao martírio. Ela nasce una e universal, com uma identidade determinada, mas aberta, uma Igreja que abraça o mundo mas não o captura; deixa-o livre, mas abraça-o como a colunata desta praça: dois braços que se abrem para acolher, mas não se fecham para reter. Nós, cristãos, somos livres, e a Igreja quer-nos livres!

Dirijamo-nos à Virgem Maria, que naquela manhã de Pentecostes estava no Cenáculo, e a Mãe estava com os filhos. Nela a força do Espírito Santo fez deveras «coisas grandiosas» (Lc 1, 49). Ela mesma o tinha dito. Ela, Mãe do Redentor e Mãe da Igreja, obtenha pela sua intercessão uma renovada efusão do Espírito de Deus sobre a Igreja e sobre o mundo.




Fonte: Vaticano





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