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sábado, 26 de julho de 2014

Evangelho do XVII Domingo do Tempo Comum – Ano A


São Mateus 13, 44-52

Naquele tempo, disse Jesus às multidões: "O reino dos Céus é semelhante a um tesouro escondido num campo. O homem que o encontrou tornou a escondê-lo e ficou tão contente que foi vender tudo quanto possuía e comprou aquele campo. O reino dos Céus é semelhante a um negociante que procura pérolas preciosas. Ao encontrar uma de grande valor, foi vender tudo quanto possuía e comprou essa pérola. O reino dos Céus é semelhante a uma rede que, lançada ao mar, apanha toda a espécie de peixes. Logo que se enche, puxam-na para a praia e, sentando-se, escolhem os bons para os cestos e o que não presta deitam-no fora. Assim será no fim do mundo: os Anjos sairão a separar os maus do meio dos justos e a lançá-los na fornalha ardente. Aí haverá choro e ranger de dentes. Entendestes tudo isto?" Eles responderam-Lhe: "Entendemos". Disse-lhes então Jesus: Por isso, todo o escriba instruído sobre o Reino dos Céus é semelhante a um pai de família que tira do seu tesouro coisas novas".




Angelus com o Papa Francisco - 20.07.2014


Praça de São Pedro
Domingo, 20 de Julho de 2014







Prezados irmãos e irmãs, bom dia!

Durante estes domingos a liturgia propõe algumas parábolas evangélicas, ou seja, breves narrações que Jesus utilizava para anunciar o Reino dos céus às multidões. Entre aquelas presentes no Evangelho de hoje, há uma bastante complexa, cuja explicação Jesus oferece aos discípulos: é a do trigo e do joio, que enfrenta o problema do mal no mundo, pondo em evidência apaciência de Deus (cf. Mt 13, 24-30.36-43). A cena desenrola-se num campo onde o senhor lança a semente; mas certa noite chega o inimigo e semeia o joio, termo que em hebraico deriva da mesma raiz do nome «Satanás», evocando o conceito de divisão. Todos nós sabemos que o diabo é um «semeador de joio», aquele que procura sempre dividir as pessoas, as famílias, as nações e os povos. Os empregados gostariam de arrancar imediatamente a erva daninha, mas o senhor impede-o com a seguinte motivação: «Ao extirpardes o joio, correis o risco de arrancar também o trigo» (Mt 13, 29). Pois todos nós sabemos que o joio, quando cresce, se assemelha muito ao trigo, e existe o perigo de se confundirem.

O ensinamento da parábola é dúplice. Antes de tudo recorda que o mal existente no mundo não deriva de Deus, mas do seu inimigo, o Maligno. É curioso, o Maligno sai à noite para semear o joio, na escuridão, na confusão; sai para semear o joio onde não há luz. Este inimigo é astuto: semeou o mal no meio do bem, de tal forma que para nós, homens, é impossível separá-lo claramente; mas no final Deus conseguirá fazê-lo!

E aqui chegamos ao segundo tema: a oposição entre a impaciência dos empregados e a espera paciente do dono do campo, que representa Deus. Às vezes temos uma grande pressa de julgar, classificar, pôr de um lado os bons e do outro os maus. Mas recordai-vos da oração daquele homem soberbo: «Graças a Vós ó Deus, eu sou bom, não sou como os outros homens, maus...» (cf. Lc 18, 11-12). Ao contrário, Deus sabe esperar. Ele olha para o «campo» da vida de cada pessoa com paciência e misericórdia: vê muito melhor do que nós a sujeira e o mal, mas vê também os germes do bem e espera com confiança que eles amadureçam. Deus é paciente, sabe esperar. Como isto é bom! O nosso Deus é um Pai paciente que nos espera sempre, que nos aguarda com o coração na mão para nos receber e perdoar. Perdoa-nos sempre se formos ter com Ele.

A atitude do dono do campo é aquela da esperança fundada na certeza de que o mal não é a primeira nem a última palavra. E é graças a esta esperança paciente de Deus que o próprio joio, ou seja, o coração maldoso, com muitos pecados, no final pode tornar-se uma boa semente. Mas atenção: a paciência evangélica não é indiferença diante do mal; não se pode fazer confusão entre o bem e o mal! Perante o joio presente no mundo, o discípulo do Senhor é chamado a imitar a paciência de Deus, a alimentar a esperança com o alento de uma confiança inabalável na vitória final do bem, ou seja, de Deus.

Com efeito, no final o mal será arrancado e eliminado: no tempo da colheita, isto é do juízo, os ceifeiros cumprirão a ordem do senhor, separando o joio para o queimar (cf. Mt 13, 30). Naquele dia da ceifa final o Juiz será Jesus, Aquele que lançou a boa semente no mundo e, tornando-se Ele mesmo «grão de trigo», morreu e ressuscitou. No final, todos nós seremos julgados com a mesma medida com a qual tivermos julgado: a misericórdia que tivermos usado em relação aos outros será utilizada também para connosco. Peçamos a Nossa Senhora, nossa Mãe, que nos ajude a crescer na paciência, na esperança e na misericórdia com todos os irmãos.

Depois do Angelus

Caros irmãos e irmãs!

Foi com preocupação que recebi as notícias provenientes das Comunidades cristãs de Mossul (Iraque) e de outras regiões do Médio Oriente onde elas, desde o início do cristianismo, conviveram com os seus concidadãos oferecendo uma contribuição significativa para o bem da sociedade. Hoje elas são perseguidas; os nossos irmãos são perseguidos, são expulsos e devem deixar as suas casas sem ter a possibilidade de levar nada consigo. A estas famílias e a tais pessoas desejo manifestar a minha proximidade e a minha oração constante. Caríssimos irmãos e irmãs tão perseguidos, sei quanto sofreis, sei que sois despojados de tudo! Estou convosco na fé n’Aquele que venceu o mal! E a vós reunidos aqui na praça e a quantos nos acompanham através da televisão, dirijo o convite a recordar na oração estas Comunidades cristãs. Além disso, exorto-vos a perseverar na oração pelas situações de tensão e de conflito que persistem em várias regiões do mundo, especialmente no Médio Oriente e na Ucrânia. O Deus da paz suscite em todos um autêntico desejo de diálogo e de reconciliação. A violência não se vence com a violência! A violência só se vence com a paz! Oremos em silêncio, pedindo a paz; todos, em silêncio... Maria, Rainha da Paz, intercede por nós!

Dirijo uma saudação cordial a todos vós, peregrinos provenientes da Itália e de outros países.

Por favor, não vos esqueçais de rezar por mim. Desejo a todos feliz domingo e bom almoço. Até à vista!




Fonte: Vaticano





sábado, 19 de julho de 2014

Evangelho do XVI Domingo do Tempo Comum – Ano A


São Mateus 13, 24-43

Naquele tempo, Jesus disse às multidões mais esta parábola: "O reino dos Céus pode comparar-se a um homem que semeou boa semente no seu campo. Enquanto todos dormiam, veio o inimigo, semeou joio no meio do trigo e foi-se embora. Quando o trigo cresceu e deu fruto, apareceu também o joio. Os servos do dono da casa foram dizer-lhe: ’Senhor, não semeaste boa semente no teu campo? Donde vem então o joio?’ Ele respondeu-lhes: ’Foi um inimigo que fez isso’. Disseram-lhe os servos: ’Queres que vamos arrancar o joio?’ ‘Não! – disse ele – não suceda que, ao arrancardes o joio, arranqueis também o trigo. Deixai-os crescer ambos até à ceifa e, na altura da ceifa, direi aos ceifeiros: Apanhai primeiro o joio e atai-o em molhos para queimar; e ao trigo, recolhei-o no meu celeiro’". Jesus disse-lhes outra parábola: "O reino dos Céus pode comparar-se a um grão de mostarda que um homem tomou e semeou no seu campo. Sendo a menor de todas as sementes, depois de crescer, é a maior de todas as hortaliças e torna-se árvore, de modo que as aves do céu vêm abrigar-se nos seus ramos". Disse-lhes outra parábola: "O reino dos Céus pode comparar-se ao fermento que uma mulher toma e mistura em três medidas de farinha, até ficar tudo levedado". Tudo isto disse Jesus em parábolas, e sem parábolas nada lhes dizia, a fim de se cumprir o que fora anunciado pelo profeta, que disse: "Abrirei a minha boca em parábolas e proclamarei verdades ocultas desde a criação do mundo". Jesus deixou então as multidões e foi para casa. Os discípulos aproximaram-se d'Ele e disseram-Lhe: "Explica-nos a parábola do joio no campo". Jesus respondeu: "Aquele que semeia a boa semente é o Filho do homem e o campo é o mundo. A boa semente são os filhos do reino, o joio são os filhos do Maligno e o inimigo que o semeou é o Demônio. A ceifa é o fim do mundo e os ceifeiros são os Anjos. Como o joio é apanhado e queimado no fogo, assim será no fim do mundo: o Filho do homem enviará os seus Anjos, que tirarão do seu reino todos os escandalosos e todos os que praticam a iniquidade, e hão-de lançá-los na fornalha ardente; aí haverá choro e ranger de dentes. Então, os justos brilharão como o sol no reino do seu Pai. Quem tem ouvidos, oiça".





Angelus com o Papa Francisco - 13.07.2014


Praça de São Pedro
Domingo, 13 de Julho de 2014








Caros irmãos e irmãs, bom dia!

O Evangelho deste domingo (Mt 13, 1-23) mostra-nos Jesus que prega à margem do lago da Galileia, e dado que é circundado por uma grande multidão, Ele entra numa embarcação, afasta-se um pouco da margem e dali anuncia. Quando fala ao povo, Jesus recorre a muitas parábolas: uma linguagem que todos podem compreender, com imagens tiradas da natureza e das situações da vida diária.

A primeira que Ele narra é uma introdução a todas as parábolas: é aquela do semeador, que sem poupar lança as suas sementes em todos os tipos de terreno. E o verdadeiro protagonista desta parábola é precisamente a semente, que produz mais ou menos frutos, em conformidade com o terreno onde ela caiu. Os primeiros três terrenos são improdutivos: ao longo da estrada a semente é comida pelos pássaros; no terreno pedregoso, os rebentos secam-se imediatamente porque não têm raízes; no meio dos arbustos a semente é sufocada pelos espinhos. O quarto terreno é fértil, e somente ali a semente medra e produz fruto.

Neste caso, Jesus não se limitou a apresentar a parábola; também a explicou aos seus discípulos. A semente que caiu ao longo do caminho indica quantos ouvem o anúncio do Reino de Deus, mas não o acolhem; assim, sobrevém o Maligno e leva-a embora. Com efeito, o Maligno não quer que a semente do Evangelho germine no coração dos homens. Esta é a primeira comparação. A segundo consiste na semente que caiu no meio das pedras: ela representa as pessoas que escutam a palavra de Deus e que a acolhem imediatamente, mas de modo superficial, porque não têm raízes e são inconstantes; e quanto chegam se apresentam as dificuldades e as tribulações, estas pessoas deixam-se abater repentinamente. O terceiro caso é o da semente que caiu entre os arbustos: Jesus explica que se refere às pessoas que ouvem a palavra mas, por causa das preocupações mundanas e da sedução da riqueza, é sufocada. Finalmente, a semente que caiu no terreno fértil representa quantos escutam a palavra, aqueles que a acolhem, cultivam e compreendem, e ela dá fruto. O modelo perfeito desta terra boa é a Virgem Maria.

Hoje esta parábola fala a cada um de nós, como falava aos ouvintes de Jesus há dois mil anos. Ela recorda-nos que nós somos o terreno onde o Senhor lança indefessamente a semente da Palavra e do seu amor. Com que disposições a acolhemos? E podemos levantar a seguinte pergunta: como é o nosso coração? Com qual dos terrenos ele se assemelha: uma estrada, um terreno pedregoso, um arbusto? Depende de nós, tornar-nos um terreno bom ou sem espinhos sem pedregulhos, mas desbravado e cultivado com esmero, a fim de poder produzir bons frutos para nós e para os nossos irmãos.

E far-nos-á bem não esquecer que também nós somos semeadores. Deus lança sementes boas, e também aqui podemos interrogar-nos: que tipo de semente sai do nosso coração e da nossa boca? As nossas palavras podem fazer muito bem mas inclusive muito mal; podem curar e podem ferir; podem animar e podem deprimir. Recordai-vos: o que conta não é aquilo que entra, mas o que sai da nossa boca e do nosso coração.

Com o seu exemplo, Nossa Senhora nos ensine a acolher a Palavra, a cultivá-la e a fazê-la frutificar em nós e nos outros!

Apelo

Dirijo a todos vós um apelo urgente a continuar a rezar com insistência pela paz na Terra Santa, à luz dos trágicos acontecimentos destes últimos dias. Ainda conservo na memória a profunda lembrança do encontro que teve lugar no dia 8 de Junho passado, com o Patriarca Bartolomeu, o Presidente Peres e o Presidente Abbas, juntamente com os quais invocamos a dádiva da paz e ouvimos a chamada a interromper a espiral do ódio e da violência. Alguém poderia pensar que este encontro teve lugar em vão. Pelo contrário! A oração ajuda-nos a não nos deixarmos vencer pelo mal, a não nos resignarmos ao predomínio da violência e do ódio sobre o diálogo e a reconciliação. Exorto as partes interessadas e todos aqueles que têm funções de responsabilidade política a níveis local e internacional, a não poupar oração nem esforço algum para fazer cessar toda a hostilidade e alcançar assim a paz desejada, para o bem de todos. E convido todos a unir-vos na oração. Em silêncio, oremos todos juntos. (Prece silenciosa). Agora, Senhor, ajudai-nos Vós! Concedei-nos Vós a paz, ensinai-nos Vós a paz, orientai-nos Vós rumo à paz. Abri os nossos olhos e os nossos corações, e incuti-nos a coragem de dizer: «Nunca mais a guerra!»; «com a guerra tudo está destruído!». Infundi em nós a coragem de realizar gestos concretos para edificar a paz... Tornai-nos disponíveis para ouvir o clamor dos nossos cidadãos que nos pedem para transformar as nossas armas em instrumentos de paz, os nossos temores em confiança e as nossas tensões em perdão. Assim seja!

Depois do Angelus

Saúdo-vos todos cordialmente, romanos e peregrinos!

Hoje celebra-se o «Domingo do Mar». Dirijo o meu pensamento aos marítimos, aos pescadores e às suas famílias. Exorto as comunidades cristãs, em especial as costeiras, a fim de que permaneçam atentas e sensíveis em relação àquelas. Convido os capelães e os voluntários do Apostolado do Mar a continuarem o seu trabalho na atenção pastoral a estes irmãos e irmãs. Confio todos, especialmente quantos se encontram em dificuldade e labutam em casa, à salvaguarda maternal de Maria, Estrela do Mar.

Uno-me em oração aos Pastores e aos fiéis que participam na peregrinação da Família, da Rádio Maria em Jasna Góra, Czestochowa. Agradeço-vos as vossas orações, enquanto vos abençoo de coração.

Agora saúdo com grande carinho todos os filhos e filhas espirituais de são Camilo de Lellis, de cuja morte amanhã recordaremos o 400° aniversário. Convido a Família camiliana, no apogeu deste Ano jubilar, a ser sinal do Senhor Jesus que, como bom samaritano, se debruça sobre as feridas do corpo e do espírito da humanidade sofredora, derramando o azeite da consolação e o vinho da esperança. A vós congregados aqui na praça de São Pedro, assim como aos agentes no campo da saúde que prestam serviço nos vossos hospitais e casas de cura, formulo votos a fim de que cresçais cada vez mais no carisma de caridade, alimentado pelo contacto diria com os enfermos. E, por favor, não vos esqueçais de rezar por mim. Desejo feliz domingo e bom almoço a todos. Até à vista!




Fonte: Vaticano




Evangelho do XV Domingo do Tempo Comum – Ano A


São Mateus 13, 1-23

Naquele dia, Jesus saiu de casa e foi sentar-Se à beira-mar. Reuniu-se à sua volta tão grande multidão que teve de subir para um barco e sentar-Se, enquanto a multidão ficava na margem. Disse muitas coisas em parábolas, nestes termos: "Saiu o semeador a semear. Quando semeava, caíram algumas sementes ao longo do caminho: vieram as aves e comeram-nas. Outras caíram em sítios pedregosos, onde não havia muita terra, e logo nasceram porque a terra era pouco profunda; mas depois de nascer o sol, queimaram-se e secaram, por não terem raiz. Outras caíram entre espinhos e os espinhos cresceram e afogaram-nas. Outras caíram em boa terra e deram fruto: umas, cem; outras, sessenta; outras, trinta por um. Quem tem ouvidos, oiça." Os discípulos aproximaram-se de Jesus e disseram-Lhe: "Porque lhes falas em parábolas?". Jesus respondeu-lhes: "Porque a vós é dado conhecer os mistérios do reino dos Céus, mas a eles não. Pois àquele que tem dar-se-á e terá em abundância; mas àquele que não tem, até o pouco que tem lhe será tirado. É por isso que lhes falo em parábolas, porque vêem sem ver e ouvem sem ouvir nem entender. Neles se cumpre a profecia de Isaías que diz: 'Ouvindo ouvireis, mas sem compreender; olhando olhareis, mas não vereis. Porque o coração deste povo tornou-se duro: endureceram os seus ouvidos e fecharam os seus olhos, para não acontecer que, vendo com os olhos e ouvindo com os ouvidos e compreendendo com o coração, se convertam e Eu os cure'. Quanto a vós, felizes os vossos olhos porque vêem e os vossos ouvidos porque ouvem! Em verdade vos digo: muitos profetas e justos desejaram ver o que vós vedes e não viram e ouvir o que vós ouvis e não ouviram. Vós, portanto, escutai o que significa a parábola do semeador: Quando um homem ouve a palavra do reino e não a compreende, vem o Maligno e arrebata o que foi semeado no seu coração. Este é o que recebeu a semente ao longo do caminho. Aquele que recebeu a semente em sítios pedregosos é o que ouve a palavra e a acolhe de momento, mas não tem raiz em si mesmo, porque é inconstante, e, ao chegar a tribulação ou a perseguição por causa da palavra, sucumbe logo. Aquele que recebeu a semente entre espinhos é o que ouve a palavra, mas os cuidados deste mundo e a sedução da riqueza sufocam a palavra, que assim não dá fruto. E aquele que recebeu a palavra em boa terra é o que ouve a palavra e a compreende. Esse dá fruto e produz ora cem, ora sessenta, ora trinta por um".




Angelus com o Papa Francisco - 06.07.2014


Praça de São Pedro
Domingo, 6 de Julho de 2014







Prezados irmãos e irmãs, bom dia!

No Evangelho deste domingo encontramos o convite de Jesus. Ele diz assim: «Vinde a mim, vós todos que estais aflitos e oprimidos, e Eu aliviar-vos-ei» (Mt 11, 28). Quando Jesus pronuncia estas palavras, tem diante dos seus olhos as pessoas que encontra todos os dias pelas estradas da Galileia: muita gente simples, pobre, doente, pecadora, marginalizada... Este povo sempre acorreu a Ele para ouvir o sua palavra — uma palavra que incutia esperança! As palavras de Jesus incutem sempre esperança! — mas também para tocar pelo menos numa orla da sua veste. O próprio Jesus ia em busca destas multidões cansadas e desgarradas, como ovelhas sem pastor (cf. Mt 9, 35-36), e procurava-as para lhes anunciar o Reino de Deus e para curar muitos no corpo e no espírito. Agora, chama-os todos a Si: «Vinde a mim», prometendo-lhes alívio e consolação.

Este convite de Jesus estende-se até aos nossos dias, para alcançar numerosos irmãos e irmãs oprimidos por condições de vida precárias, por situações existenciais difíceis e às vezes desprovidas de pontos de referência válidos. Nos países mais pobres, mas também nas periferias dos países mais ricos encontram-se muitas pessoas cansadas e abatidas, sob o peso insuportável do abandono e da indiferença. A indiferença: como a indiferença humana faz mal aos necessitados! E pior ainda é a indiferença dos cristãos! Às margens da sociedade há muitos homens e mulheres provados pela indigência, mas inclusive pela insatisfação da vida e da frustração. Numerosas pessoas são obrigadas a emigrar da sua Pátria, pondo em perigo a própria vida. Um número muito maior delas suportam todos os dias o fardo de um sistema económico que explora o homem e impõe um «jugo» insuportável, que os poucos privilegiados não querem carregar. A cada um destes filhos do Pai que está no Céu, Jesus repete: «Vinde a mim, vós todos!». Mas di-lo também àqueles que possuem tudo, mas cujo coração está vazio, sem Deus. Inclusive a eles, Jesus dirige este convite: «Vinde a mim!». A exortação de Jesus está destinada a todos. Mas de modo especial àqueles que sofrem em maior medida.

Jesus promete dar alívio a todos, mas dirige-nos também um convite, que se parece com um mandamento: «Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração» (Mt 11, 29). O «jugo» do Senhor consiste em carregar o peso dos outros com amor fraterno. Quando recebemos o alívio e a consolação de Cristo, por nossa vez somos chamados a tornar-nos alívio e consolação para os irmãos, com atitude mansa e humilde, à imitação do Mestre. A mansidão e a humildade do coração ajudam-nos não apenas a carregar o fardo dos outros, mas também e não pesar sobre eles com os nossos pontos de vista pessoais, os nossos juízos, as nossas críticas ou a nossa indiferença.

Invoquemos Maria Santíssima, que acolhe sob o seu manto todas as pessoas cansadas e abatidas a fim de que, através de uma fé iluminada e testemunhada na própria vida, possamos servir de alívio para quantos têm necessidade de ajuda, ternura e esperança.

Depois do Angelus

Caros irmãos e irmãs

Saúdo-vos todos cordialmente, romanos e peregrinos!

Saúdo os fiéis da paróquia de Salzano, na diocese de Treviso, onde foi pároco o padre Giuseppe Sarto, que depois se tornou o Papa Pio X e foi proclamado Santo, de cujo falecimento se celebra o primeiro centenário.

Gostaria de saudar de maneira particular e afetuosa toda a «boa gente» de Molise, que ontem me recebeu na sua terra tão bonita, e também no seu coração. Tratou-se de uma hospitalidade entusiasmante, calorosa: nunca a esquecerei! Muito obrigado.

Por favor, não vos esqueçais de rezar por mim: também eu oro por vós.

Desejo a todos feliz domingo e bom almoço.

Até à vista!




Fonte: Vaticano




sábado, 5 de julho de 2014

Evangelho do XIV Domingo do Tempo Comum - Ano A


São Mateus 11, 25-30


Naquele tempo, Jesus exclamou: "Eu Te bendigo, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste estas verdades aos sábios e inteligentes e as revelaste aos pequeninos. Sim, Pai, porque assim foi do teu agrado. Tudo me foi entregue por meu Pai. E ninguém conhece o Filho senão o Pai e ninguém conhece o Pai senão o Filho e aquele a quem o Filho o quiser revelar. Vinde a Mim, todos os que andais cansados e oprimidos, e Eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de Mim, que sou manso e humilde de coração, e encontrareis descanso para as vossas almas. Porque o meu jugo é suave e a minha carga é leve".









Angelus com o Papa Francisco - 29.06.2014


Praça de São Pedro
Domingo, 29 de Junho de 2014







Caros irmãos e irmãs, bom dia!

Desde os tempos antigos a Igreja de Roma celebra os Apóstolos Pedro e Paulo numa única festa, no mesmo dia 29 de Junho. A fé em Jesus Cristo tornou-os irmãos e o martírio levou-os a ser um só. São Pedro e São Paulo, tão diferentes entre si no plano humano, foram escolhidos pessoalmente pelo Senhor Jesus e responderam ao chamamento oferecendo a sua vida inteira. Em ambos, a graça de Cristo realizou grandes coisas, transformou-os. E como os transformou! Simão negara Jesus no momento dramático da Paixão; Saulo perseguira duramente os cristãos. Mas ambos acolheram o amor de Deus, deixando-se transformar pela sua misericórdia; assim, tornaram-se amigos e apóstolos de Cristo. Por isso, eles continuam a falar à Igreja e indicam-nos, até hoje, o caminho da salvação. Também a nós, se por um acaso caíssemos nos pecados mais graves e na noite mais obscura, Deus é sempre capaz de nos transformar, como transformou Pedro e Paulo; de nos transformar no coração e de nos perdoar tudo, transformando assim a nossa escuridão do pecado num alvorecer de luz. Deus é assim: transforma-nos, perdoa-nos sempre, como fez com Pedro e Paulo.

O livro dos Actos dos Apóstolos apresenta muitas características do seu testemunho. Por exemplo, Pedro ensina-nos a fitar os pobres com um olhar de fé e a comunicar-lhes aquilo que possuímos de mais precioso: o poder do nome de Jesus. Foi o que fez àquele paralítico: ofereceu-lhe tudo o que possuía, ou seja, Jesus (cf. At 3, 4-6).

Sobre Paulo, narra-se três vezes o episódio da vocação no caminho de Damasco, a qual transforma a sua vida marcando claramente um antes e um depois. Antes, Paulo é um acérrimo inimigo da Igreja. Depois, põe a sua existência inteira ao serviço do Evangelho. Também no nosso caso, o encontro com a Palavra de Cristo é capaz de transformar completamente a nossa vida. Não é possível ouvir esta Palavra e ficar parado no mesmo lugar, permanecer bloqueado nos próprios hábitos. Ela impele-nos a vencer o egoísmo que se abriga no nosso coração para seguir com determinação aquele Mestre que deu a própria vida pelos seus amigos. Mas é Ele que, com a sua palavra, nos transforma; é Ele que nos muda; é Ele que nos perdoa tudo, quando nós abrimos o nosso coração e pedimos perdão.

Prezados irmãos e irmãs, esta festividade suscita em nós uma alegria imensa, porque nos põe diante da obra da misericórdia de Deus no coração de dois homens. É a obra da misericórdia de Deus nestes dois homens, que eram grandes pecadores. E Deus deseja que também nós sejamos repletos da sua graça, como fez com Pedro e Paulo. A Virgem Maria nos ajude a acolhê-la como eles o fizeram, com um coração aberto, para não a receber em vão! E que nos sustente na hora da provação, para dar testemunho de Jesus Cristo e do seu Evangelho. Peçamo-lo hoje, em particular para os Arcebispos Metropolitanos nomeados no último ano, que hoje de manhã celebraram comigo a Eucaristia em São Pedro. Saudemo-los todos carinhosamente, com os seus fiéis e familiares, e oremos por eles!

Depois do Angelus

Infelizmente, as notícias que chegam do Iraque são muito dolorosas. Uno-me aos Bispos desse país, dirigindo um apelo aos governantes para que, através do diálogo, se possa preservar a unidade nacional e evitar a guerra. Estou próximo das milhares de famílias, especialmente cristãs, que foram obrigadas a abandonar as suas casas e estão em grave perigo. A violência gera mais violência; o diálogo é o único caminho para a paz. Rezemos a Nossa Senhora, para que proteja o povo do Iraque.

[Ave Maria...].

Saúdo todos vós, de modo especial os fiéis de Roma, na festa dos Santos Padroeiros, assim como os familiares dos Arcebispos Metropolitanos, que hoje de manhã receberam o Pálio, e as Delegações que os acompanharam.

Saúdo os artistas de muitas partes do mundo que realizaram um enorme tapete de flores, e estou grato à «Pro Loco» de Roma pelo patrocínio. Como são hábeis estes artistas, parabéns!

Felicitações também pela tradicional exibição de fogos de artifício que terá lugar à noite no Castelo do Santo Anjo, cuja angariação servirá para promover uma iniciativa a favor dos jovens da Terra Santa.

A todos vós desejo bom Domingo e boa festa dos Padroeiros. E, por favor, não vos esqueçais de rezar por mim. Bom almoço e até à vista!




Fonte: Vaticano





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