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sábado, 30 de agosto de 2014

Evangelho do XXII Domingo do Tempo Comum – Ano A


São Mateus 16, 21-27

Naquele tempo, Jesus começou a explicar aos seus discípulos que tinha de ir a Jerusalém e sofrer muito da parte dos anciãos, dos príncipes dos sacerdotes e dos escribas; que tinha de ser morto e ressuscitar ao terceiro dia. Pedro, tomando-O à parte, começou a contestá-l’O, dizendo: "Deus Te livre de tal, Senhor! Isso não há-de acontecer!" Jesus voltou-Se para Pedro e disse-lhe: "Vai-te daqui, Satanás. Tu és para mim uma ocasião de escândalo, pois não tens em vista as coisas de Deus, mas dos homens". Jesus disse então aos seus discípulos: "Se alguém quiser seguir-Me, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e siga-Me. Porque, quem quiser salvar a sua vida há-de perdê-la; mas quem perder a sua vida por minha causa, há-de encontrá-la. Na verdade, que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro, se perder a sua vida? Que poderá dar o homem em troca da sua vida? O Filho do homem há-de vir na glória de seu Pai, com os seus Anjos, e então dará a cada um segundo as suas obras".





Catequese com o Papa Francisco - 27.08.2014


Praça de São Pedro
Quarta-feira, 27 de Agosto de 2014








Prezados irmãos e irmãs, bom dia

Cada vez que renovamos a nossa profissão de fé, recitando o «Credo», afirmamos que a Igreja é «una» e «santa». É una, porque tem a sua origem em Deus Trindade, mistério de unidade e de comunhão completas. Além disso, a Igreja é santa, porque está fundada em Jesus Cristo, animada pelo seu Espírito Santo, cheia do seu amor e da sua salvação. Mas ao mesmo tempo, é santa e composta de pecadores, todos nós, pecadores, que fazemos a experiência diária das nossas fragilidades e misérias. Então, esta fé que professamos impele-nos à conversão, a ter a coragem de viver quotidianamente a unidade e a santidade, e se não vivemos unidos, se não somos santos, é porque não somos fiéis a Jesus. Mas Ele, Jesus, não nos deixa sós, não abandona a sua Igreja! Ele caminha ao nosso lado, Ele compreende-nos. Entende as nossas debilidades e os nossos pecados, e perdoa-nos todas as vezes que nos deixamos perdoar. Está sempre ao nosso lado, ajudando-nos a ser menos pecadores e mais santos, mais unidos.

O primeiro conforto vem-nos da constatação que Jesus rezou muito pela unidade dos discípulos. Trata-se da prece da última Ceia, na qual Jesus pediu insistentemente: «Pai, que eles sejam um só». Rezou pela unidade, e fê-lo precisamente na iminência da Paixão, quando estava prestes a oferecer a sua vida inteira por nós. É o que somos convidados a reler e meditar continuamente, numa das páginas mais intensas e comovedoras do Evangelho de João, o capítulo 17 (cf. vv. 11. 21-23). Como é bom saber que o Senhor, um pouco antes de morrer, não se preocupou consigo mesmo, mas pensou em nós! E no seu diálogo intenso com o Pai, orou precisamente para que pudéssemos ser um só com Ele e entre nós. Eis: com estas palavras, Jesus fez-se nosso intercessor junto do Pai, a fim de que também nós pudéssemos entrar na plena comunhão de amor com Ele; ao mesmo tempo, confia-as a nós como seu testamento espiritual, para que a unidade possa tornar-se cada vez mas a nota distintiva das nossas comunidades cristãs e a resposta mais bonita a quem quer que pergunte a razão da nossa esperança (cf. 1 Pd 3, 15).

«Para que todos sejam um só, assim como Tu, Pai, estás em mim e Eu em ti, para que também eles estejam em nós e o mundo creia que Tu me enviaste» (Jo 17, 21). A Igreja procurou desde o início realizar este propósito, que está a peito de Jesus. Os Actos dos Apóstolos recordam-nos que os primeiros cristãos se distinguiam pelo facto de terem «um só coração e uma só alma» (Act 4, 32); além disso, o apóstolo Paulo exortava as suas comunidades a não se esquecerem de que constituem «um só corpo» (1 Cor 12, 13). No entanto, a experiência revela-nos que se cometem muitos pecados contra a unidade. E não pensemos unicamente nos cismas, mas também nas faltas muito comuns cometidas nas nossas comunidades, nos pecados «paroquiais», nos pecados que se cometem nas paróquias. Com efeito, às vezes as nossas paróquias, chamadas a ser lugares de partilha e de comunhão, são tristemente marcadas por invejas, ciúmes, antipatias... E as bisbilhotices estão ao alcance de todos. Quantas intrigas há nas paróquias! Isto não é bom. Por exemplo, quando alguém é eleito presidente de uma associação, tagarela-se contra ele. E se uma outra pessoa é eleita presidente da catequese, as outras mexericam contra ela. Mas esta não é a Igreja! Isto não se deve fazer, não devemos agir assim! É necessário pedir ao Senhor a graça de não agir deste modo. Isto acontece quando aspiramos aos primeiros lugares; quando nos pomos a nós mesmos no centro, com as nossas ambições pessoais e com os nossos modos de ver a realidade, quando julgamos o próximo; quando observamos os defeitos dos irmãos, e não as suas qualidades; quando atribuímos maior importância ao que nos divide, do que àquilo que nos irmana...

Certa vez, na minha Diocese precedente, ouvi um comentário interessante e bonito. Falava-se de uma idosa que, durante a sua vida inteira, tinha trabalhado na paróquia; uma pessoa que a conhecia bem disse: «Esta mulher nunca falou mal de ninguém, nunca bisbilhotou e sorria sempre». Uma mulher como esta pode ser canonizada amanhã! Trata-se de um bonito exemplo. E quando vemos a história da Igreja, quantas divisões houve entre nós, cristãos! Até hoje vivemos divididos. Inclusive na história nós cristãos fizemos guerras entre nós por causa de divisões teológicas. Pensemos na guerra dos trinta anos. Mas isto não é cristão! Temos que trabalhar também em prol da unidade de todos os cristãos, caminhar ao longo da senda da unidade, da vereda que Jesus quer e pela qual rezou.

Diante de tudo isto, devemos fazer um sério exame de consciência. Numa comunidade cristã, a divisão é um dos pecados mais graves, porque a torna sinal não da obra de Deus, mas do Diabo, o qual é por definição aquele que separa, que arruína os relacionamentos, que insinua preconceitos... A divisão numa comunidade cristã, quer se trate de uma escola, de uma paróquia ou de uma agremiação, constitui um pecado gravíssimo, porque é obra do Diabo. Deus, ao contrário, quer que cresçamos na capacidade de nos aceitarmos, de perdoarmos e de nos amarmos uns aos outros, para nos assemelharmos cada vez mais Àquele que é comunhão e caridade. Eis no que consiste a santidade da Igreja: em reconhecer-se à imagem de Deus, repleta da sua misericórdia e graça.

Caros amigos, deixemos ressoar no nosso coração estas palavras de Jesus: «Bem-aventurados os pacíficos, porque serão chamados filhos de Deus!» (Mt 5, 9). Peçamos sinceramente perdão por todas as vezes que constituímos ocasião de divisão ou de incompreensão no seio das nossas comunidades, conscientes de que não chegaremos à comunhão, a não ser através de uma conversão contínua. Em que consiste a conversão? Consiste em pedir ao Senhor a graça de não bisbilhotar, de não criticar, de não fazer mexericos, de amar a todos. É uma graça que o Senhor nos concede. É nisto que consiste a conversão do coração. E peçamos que o tecido diário dos nossos relacionamentos possa tornar-se um reflexo cada vez mais bonito e alegre da relação entre Jesus e o Pai.

Saudações

Amanhã terá lugar nos Jardins do Vaticano a colocação de uma imagem da Virgem da Caridade do Cobre, Padroeira de Cuba. Saúdo carinhosamente os bispos de Cuba, vindos a Roma para esta ocasião, enquanto lhes peço que transmitam aos fiéis cubanos a minha proximidade e bênção. Jesus vos abençoe e a Virgem Santa vos proteja. Muito obrigado!

Saúdo cordialmente os peregrinos de língua portuguesa, de modo especial os grupos brasileiros de Porto Alegre e de Santo André, que aqui vieram movidos pelo desejo de afirmar e consolidar a sua fé e adesão a Jesus Cristo: o Senhor vos encha de alegria e ilumine as decisões da vossa vida, para realizardes fielmente a vontade do Pai celeste a vosso respeito. Rezai por mim. Não vos faltará a minha oração e a Bênção de Deus. Obrigado!

Dirijo cordiais boas-vindas aos peregrinos de expressão árabe, em especial aos provenientes do Médio Oriente! Caros amigos, peçamos sinceramente perdão por todas as vezes que fomos ocasião de divisão ou de incompreensão nas nossas comunidades, conscientes de que só se alcança a comunhão através de uma conversão permanente. Que o Senhor vos abençoe!

Dirijo-me finalmente aos jovens, aos doentes e aos recém-casados. Hoje celebramos a memória de Santa Mônica, mãe de Santo Agostinho. O seu amor pelo Senhor vos indique, prezados jovens, a centralidade de Deus na vossa vida; encoraje-vos amados enfermos, a enfrentar com fé os momentos de sofrimento e estimule-vos, diletos recém-casados, a educar cristãmente os filhos que o Senhor vos quiser dar. Obrigado!




Fonte: Vaticano




Angelus com o Papa Francisco - 24.08.2014


Praça de São Pedro
Domingo, 24 de Agosto de 2014







Caros irmãos e irmãs, bom dia!

O Evangelho deste domingo (Mt16, 13-20) é o célebre trecho, central na narração de Mateus, em que Simão em nome dos Doze professa a sua fé em Jesus como «Cristo, Filho de Deus vivo»; e Jesus chama Simão «bem-aventurado» por esta sua fé, reconhecendo nela uma dádiva especial do Pai, e diz-lhe: «Tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja».

Meditemos um momento precisamente acerca deste ponto, sobre a constatação de que Jesus atribui a Simão este nono nome: «Pedro», que na língua de Jesus se diz «Cefas», uma palavra que significa «rocha». Na Bíblia este termo, «rocha», é referido a Deus. Jesus atribui-o a Simão não pelas suas qualidades, nem pelos seus méritos humanos, mas pela sua fé genuína e sólida, que lhe advém do Alto.

Jesus sente no seu coração uma profunda alegria, porque reconhece em Simão a mão do Pai, a obra do Espírito Santo. Reconhece que Deus Pai conferiu a Simão uma fé «confiável», sobre a qual Ele, Jesus, poderá construir a sua Igreja, ou seja, a sua comunidade, isto é todos nós. Jesus tem a intenção de dar vida à «sua» Igreja, um povo assente não já na descendência, mas na fé, ou seja, na relação com Ele mesmo, uma relação de amor e de confiança. A nossa relação com Jesus constrói a Igreja. E por conseguinte, para dar início à sua Igreja Jesus tem necessidade de encontrar nos discípulos uma fé sólida, uma fé «confiável». É isto que Ele deve averiguar nesta altura do caminho.

O Senhor tem em mente a imagem do construir, a imagem da comunidade como um edifício. Eis por que motivo, quando ouve a profissão de fé pura de Simão, o designa rocha» e manifesta a intenção de construir a sua Igreja sobre aquela mesma fé.

Irmãos e irmãs, aquilo que aconteceu de modo singular em são Pedro acontece também em cada cristão que amadurece uma fé sincera em Jesus Cristo, Filho de Deus vivo. O Evangelho de hoje interpela também cada um de nós. Como está a tua fé? Cada um responda no seu próprio coração. Como está a tua fé? Como encontra o Senhor os nossos corações? Um coração sólido como a pedra, ou um coração arenoso, ou seja duvidoso, desconfiado, incrédulo? No dia de hoje far-nos-á bem pensar sobre isto. Se o Senhor encontrar no nosso coração uma fé não digo perfeita, mas sincera, genuína, então Ele verá em nós pedras vivas com as quais construir a sua comunidade. A pedra fundamental desta comunidade é Cristo, única pedra angular. Por sua vez, Pedro é pedra, enquanto fundamento visível da unidade da Igreja; mas cada baptizado é chamado a oferecer a Jesus a própria fé, pobre mas sincera, para que Ele possa continuar a construir a sua Igreja hoje, em todas as partes do mundo.

Também nos nossos dias muitas pessoas pensam que Jesus é um grande profeta, um mestre de sabedoria, um modelo de justiça... E ainda hoje Jesus pergunta aos seus discípulos, ou seja, a todos nós: «Mas vós, quem dizeis que Eu sou?». O que responderemos? Pensemos nisto. Mas sobretudo rezemos a Deus Pai, por intercessão da Virgem Maria; oremos a fim de que Ele nos conceda a graça de responder, com um coração sincero: «Tu és Cristo, o Filho de Deus vivo». Esta é uma confissão de fé, este é precisamente «o credo». Repitamos juntos três vezes: «Tu és Cristo, o Filho de Deus vivo».

Depois do Angelus

Prezados irmãos e irmãs

Agora, dirijo o meu pensamento de maneira particular à amada terra da Ucrânia, da qual hoje se celebra a festa nacional, a todos os seus filhos e filhas, aos seus anseios de paz e de serenidade, ameaçados por uma situação de tensão e de conflito que não dá sinais de diminuir, gerando um grande sofrimento no meio da população civil. Confiemos ao Senhor Jesus e a Nossa Senhora a Nação inteira e oremos unidos sobretudo pelas vítimas, pelas suas famílias e por quantos sofrem. Recebi a missiva de um Bispo que descreve todo este sofrimento. Rezemos juntos a Nossa Senhora pela amada terra da Ucrânia no dia da sua festa nacional:Ave Maria... Maria, Rainha da paz, intercede por nós!

Saúdo cordialmente todos os peregrinos romanos e os fiéis provenientes de vários países.

Carinhosamente, saúdo os novos seminaristas do Pontifício Colégio Norte-Americano, vindos a Roma para empreender os seus estudos teológicos.

E saúdo os seiscentos jovens de Bérgamo que, a pé, juntamente com o seu Bispo, vieram a Roma de Assis, ou seja, «de Francisco a Francisco», como está escrito ali. Parabéns! Queridos jovens, voltai para casa com o desejo de testemunhar a todos a beleza da fé cristã!

Peço-vos, por favor, que não vos esqueçais de rezar por mim. Desejo-vos feliz domingo e bom almoço. Até à vista!




Fonte: Vaticano




sábado, 23 de agosto de 2014

Evangelho do XXI Domingo do Tempo Comum - Ano A


São Mateus 16, 13-19

Naquele tempo, Jesus foi para os lados de Cesareia de Filipe e perguntou aos seus discípulos: "Quem dizem os homens que é o Filho do homem?". Eles responderam: "Uns dizem que é João Batista, outros que é Elias, outros que é Jeremias ou algum dos profetas". Jesus perguntou: "E vós, quem dizeis que Eu sou?". Então, Simão Pedro tomou a palavra e disse: "Tu és o Messias, o Filho de Deus vivo". Jesus respondeu-lhe: "Feliz de ti, Simão, filho de Jonas, porque não foram a carne e o sangue que to revelaram, mas sim meu Pai que está nos Céus. Também Eu te digo: Tu és Pedro sobre esta pedra edificarei a minha Igreja e as portas do inferno não prevalecerão contra ela. Dar-te-ei as chaves do reino dos Céus: tudo o que ligares na terra será ligado nos Céus, e tudo o que desligares na terra será desligado nos Céus".





Catequese com o Papa Francisco - 20.08.2014


Sala Paulo VI
Quarta-feira, 20 de Agosto de 2014








Prezados irmãos e irmãs, bom dia!

Nos dias passados realizei uma viagem apostólica à Coreia e hoje, juntamente convosco, dou graças ao Senhor por este dom. Pude visitar uma Igreja jovem e dinâmica, fundada no testemunho dos mártires e animada pelo espírito missionário, num país onde se encontram antigas culturas asiáticas e a novidade perene do Evangelho: encontram-se ambas.

Desejo manifestar novamente a minha gratidão aos amados Bispos da Coreia, à Senhora Presidente da República, às demais Autoridades e a todos aqueles que colaboraram para esta minha visita.

O significado desta viagem apostólica pode ser resumido em três palavras: memória, esperança e testemunho.

A República da Coreia é um país que teve um desenvolvimento económico notável e rápido. Os seus habitantes são grandes trabalhadores, disciplinados, metódicos e devem conservar a força herdada dos seus antepassados.

Em tal situação, a Igreja é guardiã da memória e da esperança: é uma família espiritual na qual os adultos transmitem aos jovens a chama da fé recebida dos idosos; a memória das testemunhas do passado torna-se novo testemunho no presente e esperança de futuro. É nesta perspectiva que se podem ler os dois acontecimentos principais desta viagem: a beatificação de 124 Mártires coreanos, que se acrescentam aos já canonizados há 30 anos por são João Paulo II; e o encontro com os jovens, por ocasião da Sexta Jornada Asiática da Juventude.

O jovem é sempre uma pessoa à procura de algo pelo que valha a pena viver, e o Mártir dá testemunho de algo, aliás, de Alguém por quem vale a pena dar a vida. Esta realidade é o Amor de Deus, que se encarnou em Jesus, Testemunha do Pai. Nos dois momentos da viagem dedicados aos jovens, o Espírito do Senhor Ressuscitado encheu-nos de alegria e esperança, que os jovens levarão aos seus vários países e que farão muito bem!

A Igreja na Coreia conserva também a memória do papel primário desempenhado pelos leigos, quer nos alvores da fé, quer na obra de evangelização. Com efeito, nessa terra a comunidade cristã não foi fundada por missionários, mas por um grupo de jovens coreanos na segunda metade de 1700; fascinados por alguns textos cristãos, estudaram-nos a fundo e escolheram-nos como regra de vida. Um deles foi enviado para Pequim a fim de receber o Baptismo, e depois este leigo baptizou por sua vez os companheiros. Daquele primeiro núcleo desenvolveu-se uma grande comunidade, que desde o início e durante cerca de um século padeceu perseguições violentas, com milhares de mártires. Por conseguinte, a Igreja na Coreia está fundamentada na fé, no compromisso missionário e no martírio dos fiéis leigos.

Os primeiros cristãos coreanos propuseram-se como modelo a comunidade apostólica de Jerusalém, praticando o amor fraternoque supera todas as diferenças sociais. Por isso, encorajei os cristãos de hoje a ser generosos na partilha com os mais pobres e excluídos, segundo o Evangelho de Mateus, no capítulo 25: «Todas as vezes que fizestes isto a um destes meus irmãos mais pequeninos, foi a mim mesmo que o fizestes» (v. 40).

Caros irmãos, na história da fé na Coreia vê-se que Cristo não anula as culturas, nem suprime o caminho dos povos que ao longo dos séculos e milénios procuram a verdade e praticam o amor a Deus e ao próximo. Cristo não extingue o que é bom, mas leva-o em frente, completa-o.

Ao contrário, o que Cristo combate e derrota é o maligno, que semeia joio entre os homens, entre os povos; que gera exclusão por causa da idolatria do dinheiro; que lança o veneno do nada no coração dos jovens. Foi isto que Jesus Cristo combateu e venceu com o seu Sacrifício de amor. E se permanecermos nele, no seu amor, também nós, como os Mártires, podemos viver e testemunhar a sua vitória. Com esta fé pudemos rezar, e também agora oremos a fim de que todos os filhos da terra coreana, que padecem as consequências de guerras e divisões, possam percorrer um caminho de fraternidade e reconciliação.

Esta viagem foi iluminada pela festividade da Assunção de Maria ao Céu. Do alto, onde reina com Cristo, a Mãe da Igreja acompanha o caminho do povo de Deus, sustém os passos mais cansativos, conforta quantos vivem na provação e mantém aberto o horizonte da esperança. Pela sua intercessão materna, o Senhor abençoe sempre o povo coreano, concedendo-lhe paz e prosperidade; e abençoe a Igreja que vive naquela terra, para que seja sempre fecunda e cheia da alegria do Evangelho.

Saudações

Saúdo cordialmente os peregrinos de língua portuguesa, em particular o grupo de Vilar de Andorinho. A minha viagem à Coreia foi iluminada pela festa da Assunção de Maria ao Céu: lá do Alto, onde reina com Cristo, a Mãe da Igreja conforta todos aqueles que estão na provação e mantém aberto o horizonte da esperança. Enquanto vos entrego, a vós e às vossas famílias à sua protecção, invoco sobre todos a Bênção de Deus.

Agradeço-vos também as orações e as condolências por aquilo que aconteceu na minha família. Também o Papa tem uma família! Nós éramos cinco irmãos; tenho dezasseis sobrinhos e um deles sofreu um acidente rodoviário: faleceram a sua esposa e os seus dois filhos pequeninos, um de dois anos e o outro de poucos meses de idade, enquanto neste momento ele mesmo está em condições críticas. Estou-vos profundamente grato, tanto pelos pêsames como pelas preces!




Fonte: Vaticano




sábado, 16 de agosto de 2014

Evangelho da Solenidade da Assunção de Nossa Senhora


São Lucas 1, 39-56

Naqueles dias, Maria pôs-se a caminho e dirigiu-se apressadamente para a montanha, em direção a uma cidade de Judá. Entrou em casa de Zacarias e saudou Isabel. Quando Isabel ouviu a saudação de Maria, o menino exultou-lhe no seio. Isabel ficou cheia do Espírito Santo e exclamou em alta voz: "Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre. Donde me é dado que venha ter comigo a Mãe do meu Senhor? Na verdade, logo que chegou aos meus ouvidos a voz da tua saudação, o menino exultou de alegria no meu seio. Bem-aventurada aquela que acreditou no cumprimento de tudo quanto lhe foi dito da parte do Senhor". Maria disse então: "A minha alma glorifica o Senhor e o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador, porque pôs os olhos na humildade da sua serva: de hoje em diante me chamarão bem-aventurada todas as gerações. O Todo-Poderoso fez em mim maravilhas: Santo é o seu nome. A sua misericórdia se estende de geração em geração sobre aqueles que O temem. Manifestou o poder do seu braço e dispersou os soberbos. Derrubou os poderosos de seus tronos e exaltou os humildes. Aos famintos encheu de bens e aos ricos despediu de mãos vazias. Acolheu a Israel, seu servo, lembrado da sua misericórdia, como tinha prometido a nossos pais, a Abraão e à sua descendência para sempre". Maria ficou junto de Isabel cerca de três meses e depois regressou a sua casa.




sábado, 9 de agosto de 2014

Evangelho do XIX Domingo do Tempo Comum – Ano A


São Mateus 14, 22-33

Depois de ter saciado a fome à multidão, Jesus obrigou os discípulos a subir para o barco e a esperá-lo na outra margem, enquanto Ele despedia a multidão. Logo que a despediu, subiu a um monte, para orar a sós. Ao cair da tarde, estava ali sozinho. O barco ia já no meio do mar, açoitado pelas ondas, pois o vento era contrário. Na quarta vigília da noite, Jesus foi ter com eles, caminhando sobre o mar. Os discípulos, vendo-O a caminhar sobre o mar, assustaram-se, pensando que fosse um fantasma. E gritaram cheios de medo. Mas logo Jesus lhes dirigiu a palavra, dizendo: "Tende confiança. Sou Eu. Não temais". Respondeu-Lhe Pedro: "Se és Tu, Senhor, manda-me ir ter contigo sobre as águas". "Vem!" disse Jesus. Então, Pedro desceu do barco e caminhou sobre as águas, para ir ter com Jesus. Mas, sentindo a violência do vento e começando a afundar-se, gritou: "Salva-me, Senhor!" Jesus estendeu-lhe logo a mão e segurou-o. Depois disse-lhe: "Homem de pouca fé, porque duvidaste?" Logo que saíram para o barco, o vento amainou. Então, os que estavam no barco prostraram-se diante de Jesus, e disseram-Lhe: "Tu és verdadeiramente o Filho de Deus".



sábado, 2 de agosto de 2014

Evangelho do XVIII Domingo do Tempo Comum – Ano A


São Mateus 14, 13-21

Naquele tempo, quando Jesus ouviu dizer que João Batista tinha sido morto, retirou-Se num barco para um local deserto e afastado. Mas logo que as multidões o souberam, deixando as suas cidades, seguiram-n’O a pé. Ao desembarcar, Jesus viu uma grande multidão e, cheio de compaixão, curou os seus doentes. Ao cair da tarde, os discípulos aproximaram-se de Jesus e disseram-Lhe: "Este local é deserto e a hora avançada. Manda embora toda esta gente, para que vá às aldeias comprar alimento". Mas Jesus respondeu-lhes: "Não precisam de se ir embora; dai-lhes vós de comer". Disseram-Lhe eles: "Não temos aqui senão cinco pães e dois peixes". Disse Jesus: "Trazei-mos cá". Ordenou então à multidão que se sentasse na relva. Tomou os cinco pães e os dois peixes, ergueu os olhos ao Céu e recitou a bênção. Depois partiu os pães e deu-os aos discípulos e os discípulos deram-nos à multidão. Todos comeram e ficaram saciados. E, dos pedaços que sobraram, encheram doze cestos. Ora, os que comeram eram cerca de cinco mil homens, sem contar mulheres e crianças.





Angelus com o Papa Francisco - 27.07.2014


Praça de São Pedro
Domingo, 27 de Julho de 2014







Amados irmãos e irmãs, bom dia!

As breves semelhanças propostas pela liturgia hodierna são a conclusão do capítulo do Evangelho de Mateus, dedicado àsparábolas do Reino de Deus (13, 44-52). Entre elas há duas pequenas obras-primas: as parábolas do tesouro escondido no campo e da pérola de grande valor. Elas dizem-nos que a descoberta do Reino de Deus pode acontecer repentinamente, como para o camponês que arando, encontra o tesouro inesperado; ou então depois de uma longa busca, como para o comerciante de pérolas, que finalmente encontra a pérola de inestimável valor, há muito desejada! Mas tanto no primeiro como no segundo caso, permanece o dado primário que o tesouro e a pérola valem mais do que todos os demais bens e, portanto quando os encontram, o camponês e o comerciante renunciam a tudo o resto para poder comprá-los. Não têm necessidade de fazer raciocínios, nem de pensar nisto ou de meditar: dão conta imediatamente do valor incomparável daquilo que encontraram e estão dispostos a perder tudo para o poder comprar.

Assim é para o Reino de Deus: quem o encontra não tem dúvidas, sente que é aquilo que procurava, que esperava e que corresponde às suas aspirações mais autênticas. E é deveras assim: quem conhece Jesus, quem o encontra pessoalmente,permanece fascinado, atraído por tanta bondade, tanta verdade e tanta beleza, e tudo numa grande humildade e simplicidade. Procurar Jesus, encontrar Jesus: eis o grande tesouro!

Quantas pessoas, quantos santos e santas, lendo o Evangelho com o coração aberto, foram literalmente conquistados por Jesus, e converteram-se a Ele. Pensemos em são Francisco de Assis: ele já era cristão, mas um cristão «ao sabor da corrente». Quando leu o Evangelho, num momento decisivo da sua juventude, encontrou Jesus e descobriu o Reino de Deus, e então todos os seus sonhos de glória terrena esvaeceram. O Evangelho leva-nos a conhecer o Jesus verdadeiro, faz-nos conhecer o Jesus vivo; fala-nos ao coração e muda a nossa vida. E então, sim, deixamos tudo. Podemos mudar de vida concretamente, ou então continuar a fazer aquilo que fazíamos antes, mas nós somos outra pessoa, renascemos: encontramos aquilo que dá sentido, sabor e luz a tudo, inclusive às dificuldades, aos sofrimentos e até à morte.

Leiamos o Evangelho. Leiamos o Evangelho. Já falamos sobre isto, recordais-vos? Cada dia devemos ler um trecho do Evangelho; e também trazer connosco um pequeno Evangelho, no bolso, na bolsa, contudo ao alcance da mão. E ali, lendo um trecho encontraremos Jesus. Ali, no Evangelho, tudo adquire sentido e encontramos aquele tesouro, ao qual Jesus chama «o Reino de Deus», ou seja, Deus que reina na tua vida, na nossa vida; Deus que é amor, paz e alegria em cada homem e em todos os homens. É isto que Deus quer, foi por isto que Jesus se entregou a si mesmo, a ponto de morrer numa Cruz, para nos libertar do poder das trevas e nos transferir para o reino da vida, da beleza, da bondade e da alegria. Ler o Evangelho significa encontrar Jesus e ter aquela alegria cristã, que é um dom do Espírito Santo.

Caros irmãos e irmãs, a alegria de ter encontrado o tesouro do Reino de Deus transparece, vê-se. O cristão não pode manter a sua fé escondida, porque ela transparece em cada palavra, em cada gesto, até nos mais simples e quotidianos: transparece o amor que Deus nos concedeu mediante Jesus. Por intercessão da Virgem Maria, oremos para que venha a nós e ao mundo inteiro o seu Reino de amor, justiça e paz.

Depois do Angelus

Amanhã celebra-se o centenário do início da primeira guerra mundial, que causou milhões de vítimas e destruições imensas. Depois de quatro longos anos esse conflito, que o Papa Bento XV definiu um «massacre inútil», levou a uma paz mais frágil. Amanhã será um dia de luto para recordar aquele drama. Enquanto lembramos esse trágico acontecimento, faço votos a fim de que não se repitam os erros do passado, mas que sejam recordadas as lições da história, fazendo prevalecer sempre as razões da paz através de um diálogo paciente e intrépido.

Hoje, em particular, dirijo o meu pensamento a três áreas de crise: médio-oriental, iraquiana e ucraniana. Peço-vos que permaneçais unidos à minha oração para que o Senhor conceda às populações e às Autoridades daquelas regiões a sabedoria e a força necessárias para prosseguir com determinação o caminho da paz, enfrentando todas as desavenças com a tenacidade do diálogo e da negociação, e com o vigor da reconciliação. No âmago de cada decisão não se devem pôr os interesses particulares, mas o bem comum e o respeito pela pessoa. Recordemos que tudo se perde com a guerra e nada se perde com a paz!

Irmãos e irmãs, nunca mais a guerra! Nunca mais a guerra! Penso sobretudo nas crianças, que são desprovidas da esperança de uma vida digna, de um futuro: crianças mortas, crianças feridas, crianças mutiladas, crianças órfãs, crianças que têm como brinquedos os resíduos de guerras, crianças que não sabem sorrir. Detende-vos, por favor! É quanto vos peço de todo o coração! Chegou a hora de terminar. Detende-vos, por favor!

Dirijo uma saudação cordial a todos vós, peregrinos provenientes da Itália e de outros países.

Desejo bom domingo a todos vós. E não vos esqueçais de rezar por mim.

Bom almoço e até à vista!




Fonte: Vaticano




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