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sábado, 27 de setembro de 2014

Evangelho do XXVI Domingo do Tempo Comum – Ano A


São Mateus 21, 28-32

Naquele tempo, disse Jesus aos príncipes dos sacerdotes e aos anciãos do povo: "Que vos parece? Um homem tinha dois filhos. Foi ter com o primeiro e disse-lhe: ‘Filho,vai hoje trabalhar na vinha’. Mas ele respondeu-lhe: ‘Não quero’. Depois, porém, arrependeu-se e foi. O homem dirigiu-se ao segundo filho e falou-lhe do mesmo modo. Ele respondeu: ‘Eu vou, Senhor’. Mas de facto não foi. Qual dos dois fez a vontade ao pai?" Eles responderam-Lhe: "O primeiro". Jesus disse-lhes: "Em verdade vos digo: Os publicanos e as mulheres de má vida irão diante de vós para o reino de Deus. João Batista veio até vós, ensinando-vos o caminho da justiça, e não acreditastes nele; mas os publicanos e as mulheres de má vida acreditaram. E vós, que bem o vistes, não vos arrependestes, acreditando nele".





Catequese com o Papa Francisco - 24.09.2014


Praça de São Pedro
Quarta-feira, 24 de Setembro de 2014








Amados irmãos e irmãs, bom dia!

Hoje gostaria de falar da Viagem Apostólica que realizei à Albânia no domingo passado. Faço-o antes de tudo como acto de agradecimento a Deus, que me concedeu fazer esta Visita para demonstrar, também fisicamente e de modo tangível, a proximidade, minha e de toda a Igreja, a este povo. Desejo depois renovar o meu reconhecimento fraterno ao Episcopado albanês, aos sacerdotes e aos religiosos e religiosas que trabalham com tanta intrepidez. O meu pensamento grato dirige-se também às Autoridades que me receberam com tanta gentileza, assim como a quantos cooperaram para a realização da Visita.

Esta Visita surgiu do desejo de ir a um país que, depois de ter sido opresso por muito tempo por um regime ateu e desumano, está a viver uma experiência de convivência pacífica entre as suas diversas componentes religiosas. Pareceu-me importante encorajá-lo por este caminho, para que o prossiga com tenacidade e aprofunde todos os seus aspectos em benefício do bem comum. Por isto no centro da Viagem esteve um encontro inter-religioso no qual pude constatar, com grande satisfação, que a convivência pacífica e frutuosa entre pessoas e comunidades pertencentes a religiões diversas não só é desejável, mas concretamente possível e praticável. Eles praticam-na! Trata-se de um diálogo autêntico e frutuoso que evita o relativismo e tem em consideração as identidades de cada um. Com efeito, o que acomuna as várias expressões religiosas é o caminho da vida, a boa vontade de praticar o bem ao próximo, sem renegar nem diminuir as respectivas identidades.

O encontro com os sacerdotes, as pessoas consagradas, os seminaristas e os movimentos laicais foi a ocasião para recordar com gratidão, com momentos de particular emoção, os numerosos mártires da fé. Graças à presença de alguns idosos, que viveram na sua pele as terríveis perseguições, ressoou a fé de tantas testemunhas heróicas do passado, as quais seguiram Cristo até às consequências extremas. Precisamente da união íntima com Jesus, da relação de amor com Ele brotou para estes mártires — assim como para qualquer mártir — a força de enfrentar os acontecimentos dolorosos que os levaram ao martírio. Também hoje, como ontem, a força da Igreja não provém tanto das capacidades organizativas ou das estruturas, que contudo são necessárias: a Igreja não encontra ali a sua força. A nossa força é o amor de Cristo! Uma força que nos ampara nos momentos de dificuldade e que inspira a hodierna acção apostólica para oferecer a todos bondade e perdão, testemunhando assim a misericórdia de Deus.

Percorrendo a avenida principal de Tirana que do aeroporto conduz à grande praça central, pude ver os retratos dos quarenta sacerdotes assassinados durante a ditadura comunista e para os quais já foi iniciada a causa de beatificação. Estes somam-se às centenas de religiosos cristãos e muçulmanos assassinados, torturados, aprisionados e deportados unicamente porque acreditavam em Deus. Foram anos obscuros, durante os quais foi arrasada a liberdade religiosa e era proibido crer em Deus, milhares de igrejas e mesquitas foram destruídas, transformadas em armazéns e cinemas que propagavam a ideologia marxista, os livros religiosos foram queimados e os pais foram proibidos de dar aos filhos os nomes religiosos dos antepassados. A recordação destes eventos dramáticos é essencial para o futuro de um povo. A memória dos mártires que resistiram na fé é garantia para o destino da Albânia; porque o seu sangue não foi derramado em vão, mas é uma semente que dará frutos de paz e de colaboração fraterna. Com efeito, hoje a Albânia é um exemplo não só de renascimento da Igreja, mas também de convivência pacífica entre as religiões. Por conseguinte, os mártires não são pessoas derrotadas, mas vitoriosas: no seu testemunho heróico resplandece a omnipotência de Deus que conforta sempre o seu povo, abrindo caminhos novos e horizontes de esperança.

Confiei esta mensagem de esperança, fundada na fé em Cristo e na memória do passado, a toda a população albanesa que vi entusiasta e jubilosa nos lugares dos encontros e das celebrações, assim como nas ruas de Tirana. A todos encorajei a obter energias sempre novas do Senhor ressuscitado, para poder ser fermento evangélico na sociedade e comprometer-se, como já acontece, em atividades caritativas e educativas.

Agradeço mais uma vez ao Senhor porque, com esta Viagem, concedeu que me encontrasse com um povo corajoso e forte, que não se deixou abater pela dor. Aos irmãos e irmãs da Albânia renovo o convite à coragem do bem, para construir o presente e o futuro do seu país e da Europa. Confio os frutos da minha visita a Nossa Senhora do Bom Conselho, venerada no homónimo Santuário de Scútari, para que ela continue a guiar o caminho deste povo mártir. A difícil experiência do passado o radique cada vez mais na abertura aos irmãos, sobretudo dos mais débeis, e o torne protagonista daquele dinamismo da caridade tão necessário no actual contexto sociocultural. Gostaria que todos nós hoje saudássemos este povo corajoso, trabalhador, e que procura a unidade em paz.

Apelo

O meu pensamento dirige-se agora para aqueles países da África que estão a sofrer por causa da epidemia do ébola. Estou próximo das numerosas pessoas atingidas por esta terrível doença. Convido-vos a rezar por elas e por quantos perderam de modo tão trágico a vida. Desejo que não venha a faltar a ajuda necessária da Comunidade Internacional para aliviar os sofrimentos destes nossos irmãos e irmãs. Por estes nossos irmãos e irmãs doentes rezemos a Nossa Senhora. [Ave-Maria]

Saudação

Dirijo uma saudação cordial aos peregrinos de língua portuguesa, em particular aos brasileiros vindos de Novo Hamburgo, Jundiaí, Santo André e da Bahia, com votos de que esta peregrinação seja para vós uma oportunidade de contemplar a beleza da fé e da união com Cristo, para viver plenamente a vossa vocação cristã. Que Deus vos abençoe!




Fonte: Vaticano




Angelus com o Papa Francisco - 21.09.2014



Tirana
Domingo, 21 de Setembro de 2014







Amados irmãos e irmãs!

Antes de concluir esta Celebração, desejo saudar a todos vós que viestes da Albânia e dos países vizinhos. Obrigado pela vossa presença e pelo testemunho da vossa fé!

De modo particular, dirijo-me a vós, jovens! Dizem que a Albânia é o país mais jovem da Europa e por isso me dirijo a vós. Convido-vos a construir a vossa vida sobre Jesus Cristo, sobre Deus: quem constrói sobre Deus constrói sobre a rocha, porque Ele é sempre fiel, mesmo quando falha a nossa fidelidade (cf. 2 Tim 2, 13). Jesus conhece-nos melhor do que ninguém; quando erramos, não nos condena mas diz: «Vai e de agora em diante não tornes a pecar» (Jo 8, 11). Queridos jovens, vós sois a nova geração, a nova geração da Albânia, o futuro da Pátria. Com a força do Evangelho e o exemplo dos vossos antepassados e o exemplo dos vossos mártires, sabei dizer não à idolatria do dinheiro – não à idolatria do dinheiro! –, não à falsa liberdade individualista, não às dependências e à violência; e, pelo contrário, sabei dizer sim à cultura do encontro e da solidariedade, sim à beleza inseparável do bem e da verdade; sim à vida gasta com ânimo grande, mas fiel nas pequenas coisas. Deste modo, construireis uma Albânia melhor e um mundo melhor, seguindo as pegadas dos vossos antepassados.

Dirijamo-nos agora à Virgem Mãe, que venerais sobretudo com o título de «Nossa Senhora do Bom Conselho». Em espírito, dirijo-me ao seu Santuário de Escutári, que vos é muito querido, e confio-Lhe toda a Igreja na Albânia e todo o povo albanês, especialmente as famílias, as crianças e os idosos, que são a memória viva do povo. Nossa Senhora vos guie para caminhardes, «junto com Deus, rumo à esperança que nunca desilude».




Fonte: Vaticano




sábado, 20 de setembro de 2014

Evangelho do XXV Domingo do Tempo Comum – Ano A


São Mateus 20, 1-16a

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos a seguinte parábola: "O reino dos Céus pode comparar-se a um proprietário, que saiu muito cedo a contratar trabalhadores para a sua vinha. Ajustou com eles um denário por dia e mandou-os para a sua vinha. Saiu a meia manhã, viu outros que estavam na praça ociosos e disse-lhes: ‘Ide vós também para a minha vinha e dar-vos-ei o que for justo’. E eles foram. Voltou a sair, por volta do meio-dia e pelas três horas da tarde, e fez o mesmo. Saindo ao cair da tarde, encontrou ainda outros que estavam parados e disse-lhes: ‘Porque ficais aqui todo o dia sem trabalhar?’ Eles responderam-lhe: ‘Ninguém nos contratou’. Ele disse-lhes: ‘Ide vós também para a minha vinha’. Ao anoitecer, o dono da vinha disse ao capataz: "Chama os trabalhadores e paga-lhes o salário, a começar pelos últimos e a acabar nos primeiros’.Vieram os do entardecer e receberam um denário cada um. Quando vieram os primeiros, julgaram que iam receber mais, mas receberam também um denário cada um. Depois de o terem recebido, começaram a murmurar contra o proprietário, dizendo: ‘Estes últimos trabalharam só uma hora e deste-lhes a mesma paga que a nós, que suportamos o peso do dia e o calor’. Mas o proprietário respondeu a um deles: ‘Amigo, em nada te prejudico. Não foi um denário que ajustaste comigo? Leva o que é teu e segue o teu caminho. Eu quero dar a este último tanto como a ti. Não me será permitido fazer o que quero do que é meu? Ou serão maus os teus olhos porque eu sou bom?’ Assim, os últimos serão os primeiros e os primeiros serão os últimos".





Catequese com o papa Francisco - 17.09.2014


Praça de São Pedro
Quarta-feira, 17 de Setembro de 2014








Prezados irmãos e irmãs, bom dia!

Esta semana continuamos a falar sobre a Igreja. Quando professamos a nossa fé, afirmamos que a Igreja é «católica» e«apostólica». Mas qual é realmente o significado destas duas palavras, destas duas notas características da Igreja? E que valor têm elas para as comunidades cristãs e para cada um de nós?

Católica significa universal. Uma definição completa e clara é-nos oferecida por um dos Padres da Igreja dos primeiros séculos, são Cirilo de Jerusalém, quando afirma: «Sem dúvida, a Igreja é definida católica, ou seja universal, porque está espalhada por toda a parte, de lés a lés da terra; e porque universalmente e sem falta ensina todas as verdades que devem chegar ao conhecimento dos homens, quer em relação às realidades celestiais, quer às terrestres» (Catequese XVIII, 23).

Sinal evidente da catolicidade da Igreja é que ela fala todas as línguas. E este é simplesmente o efeito do Pentecostes (cf. At 2, 1-13): de facto, foi o Espírito Santo que tornou os Apóstolos e a Igreja inteira capazes de fazer ressoar a todos, até aos confins da terra, a Boa Notícia da salvação e do amor de Deus. Assim a Igreja nasceu católica, isto é «sinfónica» desde as origens, e não pode deixar de ser católica, orientada para a evangelização e para o encontro com todos. Hoje, a Palavra de Deus lê-se em todas as línguas, todos dispõem do Evangelho para o ler na própria língua. E insisto sobre este conceito: é sempre bom ter connosco um Evangelho pequeno, no bolso, na bolsa, para ler um seu trecho durante o dia. Isto faz-nos bem! O Evangelho é propagado em todas as línguas porque a Igreja, o anúncio de Jesus Cristo Redentor, está no mundo inteiro. É por isso que se diz que a Igreja écatólica, porque é universal.

Se a Igreja nasceu católica, quer dizer que nasceu «em saída», que nasceu missionária. Se os Apóstolos tivessem permanecido ali no cenáculo, sem sair para anunciar o Evangelho, a Igreja seria apenas daquele povo, daquela cidade, daquele cenáculo. Mas todos saíram pelo mundo fora, desde o instante do nascimento da Igreja, da descida do Espírito Santo sobre eles. Por isso a Igreja nasceu «em saída», ou seja, missionária. É isto que dizemos quando a qualificamos como apostólica, porque o apóstolo é quem anuncia a Boa Notícia da Ressurreição de Jesus. Este termo recorda-nos que a Igreja, assente nos Apóstolos e em continuidade com eles — foram os Apóstolos que partiram e fundaram novas Igrejas, constituindo novos bispos, e assim no mundo inteiro, em continuidade. Hoje, todos nós vivemos em continuidade com aquele grupo de Apóstolos que recebeu o Espírito Santo e depois «saiu» para pregar — a Igreja é enviada a anunciar a todos os homens esta notícia do Evangelho, acompanhando-o com os sinais da ternura e do poder de Deus. Também isto deriva do evento do Pentecostes: com efeito, é o Espírito Santo que nos faz superar toda a resistência, vencer a tentação de nos fecharmos em nós mesmos, entre poucos escolhidos, e de nos considerarmos os únicos destinatários da Bênção de Deus. Se, por exemplo, alguns cristãos fazem isto, dizendo: «Nós somos os eleitos, só nós», no final morrerão. Primeiro na alma e depois no corpo, porque não têm vida, não são capazes de gerar a vida, outras pessoas, outros povos: não são apostólicos. É precisamente o Espírito que nos leva ao encontro dos irmãos, até daqueles mais distantes em todos os sentidos, para que possam compartilhar connosco o amor, a paz e a alegria que o Senhor Ressuscitado nos concedeu.

Que comporta, para as nossas comunidades e para cada um de nós, fazer parte de uma Igreja que é católica e apostólica? Antes de tudo, significa preocupar-se com a salvação da humanidade inteira, sem nos sentirmos indiferentes ou alheios diante do destino de tantos dos nossos irmãos, mas abertos e solidários para com eles. Além disso, significa ter o sentido da plenitude, da integridade e da harmonia da vida cristã, rejeitando sempre as posições parciais, unilaterais, que nos fecham em nós mesmos.

Fazer parte da Igreja apostólica quer dizer estar conscientes de que a nossa fé se encontra ancorada no anúncio e no testemunho dos próprios Apóstolos de Jesus, está ancorada lá, é uma longa cadeia que começa lá; e por isso sentir-nos sempre enviados, mandados, em comunhão com os sucessores dos Apóstolos, para anunciar com o coração cheio de alegria Cristo e o seu amor por toda a humanidade. E aqui gostaria de recordar a vida heróica de numerosos missionários e missionárias que deixaram a sua pátria para ir anunciar o Evangelho noutros países, noutros Continentes. Dizia-me um Cardeal brasileiro que trabalha frequentemente na Amazónia, que quando vai a um lugar, a um povoado ou a uma cidade da Amazónia, visita sempre o cemitério e ali vê os túmulos dos missionários, sacerdotes, irmãos e irmãs que partiram para anunciar o Evangelho: apóstolos. E pensa: todos eles podem ser canonizados agora, pois deixaram tudo para anunciar Jesus Cristo. Demos graças ao Senhor porque a nossa Igreja tem e teve muitos missionários, mas ainda precisa de muitos mais! Demos graças ao Senhor por isso! Talvez no meio de tantos jovens, de tantas jovens que estão aqui, algum tenha a vontade de se tornar missionário: vá em frente! É bonito anunciar o Evangelho de Jesus! Que seja corajoso, seja corajosa!

Então, peçamos ao Senhor que renove em nós o dom do seu Espírito, a fim de que todas as comunidades cristãs e cada baptizado sejam expressão da santa Mãe Igreja católica e apostólica.

Saudações

Com grande estima, saúdo os peregrinos de língua portuguesa, em particular os grupos paroquiais vindos de Faro, Campo Limpo Paulista, Paraná e Passo Fundo, invocando sobre vós e sobre as vossas famílias a abundância dos dons do Espírito Santo, para que tenhais o sentido da plenitude e da harmonia da vida cristã, rejeitando as posições parciais e unilaterais que nos fecham em nós mesmos. O Senhor vos abençoe, para serdes sempre e em toda a parte fiel expressão da santa Mãe Igreja católica e apostólica.

Dou boas-vindas aos fiéis de língua árabe, em especial aos provenientes da Terra Santa e do Médio Oriente. A Igreja é católica e apostólica porque abre os seus braços a todos os homens; anuncia firme e gratuitamente a Boa Nova, sem imposição nem constrangimento; e chama todos à fé no Filho de Deus que se fez homem, com caridade, ternura e paciência! Ó, filhos daquelas Terras Santas, de onde a luz do anúncio saiu até aos confins da terra, não obstante as dificuldades, sede sempre portadores intrépidos e alegres da Mensagem da salvação, da verdade e da bênção. O Senhor vos abençoe e proteja sempre!

No próximo domingo, se Deus quiser, irei à Albânia. Decidi visitar aquele país porque sofreu muito por causa de um terrível regime ateu, e agora atravessa uma fase de convivência pacífica entre os seus vários componentes religiosos. Saúdo desde já com carinho o povo albanês e agradeço-lhe a preparação desta visita. Peço a todos que me acompanhem com a oração, por intercessão de Nossa Senhora do Bom Conselho. Obrigado!

Enfim, dirijo-me aos jovens, aos doentes e aos recém-casados. Hoje celebramos a memória de São Roberto Belarmino, Doutor da Igreja. A sua adesão ao Senhor vos indique, caros jovens, que Ele é o Caminho, a Verdade e a Vida; que vos anime, amados doentes... a enfrentar na fé os momentos obscuros da cruz; e que vos estimule, queridos recém-casados, a fundar em Cristo o vosso lar conjugal.




Fonte: Vaticano




Angelus com o Papa Francisco - 14.09.2014


Praça de São Pedro
Domingo, 14 de Setembro de 2014








Amados irmãos e irmãs, bom dia!

A 14 de Setembro a Igreja celebra a festa da Exaltação da Santa Cruz. Talvez alguma pessoa não cristã nos pergunte: porque «exaltar» a cruz? Podemos responder que não exaltamos uma cruz qualquer, ou todas as cruzes: exaltamos a Cruz de Jesus, porque nela se revelou ao máximo o amor de Deus pela humanidade. É o que nos recorda o Evangelho de João na liturgia de hoje: «Deus amou tanto o mundo, que deu o seu Filho único, para que todo o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna» (3, 16). O Pai «deu» o Filho para nos salvar, e isto significou a morte de Jesus, e morte de cruz. Porquê? Por que foi necessária a Cruz? Por causa da gravidade do mal que nos mantinha escravos. A Cruz de Jesus exprime as duas coisas: toda a força negativa do mal, e toda a mansidão omnipotente da misericórdia de Deus. A Cruz parece decretar a falência de Jesus, mas na realidade marca a vitória. No Calvário, quantos o escarneciam dizendo: «se és Filho de Deus desce da cruz» (cf. Mt 27, 40). Mas era verdade o contrário: precisamente porque era o Filho de Deus Jesus estava ali, na cruz, fiel até ao fim ao desígnio de amor do Pai. E precisamente por isto Deus «exaltou» Jesus (Fl 2, 9), conferindo-lhe uma realeza universal.

E quando dirigimos o olhar para a Cruz onde Jesus foi pregado, contemplamos o sinal do amor, do amor infinito de Deus por cada um de nós e a raiz da nossa salvação. Daquela Cruz brota a misericórdia do Pai que abraça o mundo inteiro. Por meio da Cruz de Cristo o maligno é vencido, a morte é derrotada, a vida é-nos doada, a esperança é-nos restituída. Isto é importante: por meio da Cruz de Cristo é-nos restituída a esperança. A Cruz de Jesus é a nossa única esperança verdadeira! Eis por que a Igreja «exalta» a santa Cruz, e eis por que nós cristãos abençoamos com o sinal da cruz. Ou seja, nós não exaltamos as cruzes, mas a Cruz gloriosa de Jesus, sinal do amor imenso de Deus, sinal da nossa salvação e caminho rumo à Ressurreição. E é esta a nossa esperança.

Ao contemplar e celebrar a santa Cruz, pensamos com emoção nos tantos irmãos e irmãs nossos que são perseguidos e assassinados por causa da sua fidelidade a Cristo. Isto acontece especialmente onde a liberdade religiosa ainda não está garantida ou plenamente realizada. Mas acontece também em países e ambientes que em princípio tutelam a liberdade e os direitos humanos, mas onde concretamente os crentes, e sobretudo os cristãos, encontram limites e discriminações. Por isso hoje os recordamos e rezamos de modo particular por eles.

No Calvário, aos pés da cruz, estava a Virgem Maria (cf. Jo 19, 25-27). É a Virgem das Dores, que amanhã celebraremos na liturgia. A ela confio o presente e o futuro da Igreja, para que todos saibam descobrir e acolher sempre a mensagem de amor e de salvação da Cruz de Jesus. Confio-lhe em particular os casais que tive a alegria de unir em matrimônio esta manhã, na Basílica de São Pedro.

Depois do Angelus

Amados irmãos e irmãs!

Amanhã, na República Centro-Africana, terá início oficialmente a Missão querida pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas para favorecer a pacificação do país e proteger a população civil, que está gravemente a sofrer as consequências do conflito em curso. Ao garantir o compromisso e a oração da Igreja católica, encorajo o esforço da Comunidade internacional, que ajuda de boa vontade os centro-africanos. A violência ceda quanto antes o lugar ao diálogo; as facções opostas ponham de lado os interesses particulares e comprometam-se para que cada cidadão, seja qual for a etnia e religião a que pertença, possa colaborar para a edificação do bem comum. O Senhor acompanhe este trabalho pela paz!

Ontem fui a Redipuglia, ao Cemitério austro-húngaro. Lá rezei pelos mortos por causa da Grande Guerra. Os números são assustadores: fala-se de cerca de 8 milhões de jovens soldados mortos e cerca de 7 milhões de pessoas civis. Isto faz-nos compreender que a guerra é uma loucura! Uma loucura da qual a humanidade ainda não aprendeu a lição, porque depois dela houve uma segunda mundial e muitas outras que ainda hoje se estão a verificar. Mas quando aprenderemos, nós, esta lição? Convido todos a olhar para Jesus Crucificado a fim de compreender que o ódio e o mal são derrotados com o perdão e o bem, para compreender que a resposta da guerra faz unicamente aumentar o mal e a morte!

E agora saúdo cordialmente todos vós, fiéis romanos e peregrinos da Itália e de vários países. Por favor, peço-vos que rezeis por mim. A todos desejo bom domingo e bom almoço. Adeus!




Fonte: Vaticano




sábado, 13 de setembro de 2014

Evangelho da Festa da Exaltação da Santa Cruz


São João 3, 13-17



Naquele tempo, disse Jesus a Nicodemos: "Ninguém subiu ao Céu senão Aquele que desceu do Céu: o Filho do homem. Assim como Moisés elevou a serpente no deserto, também o Filho do homem será elevado, para que todo aquele que acredita tenha n’Ele a vida eterna. Deus amou tanto o mundo que entregou o seu Filho Unigênito, para que todo o homem que acredita n’Ele não pereça, mas tenha a vida eterna. Porque Deus não enviou o seu Filho ao mundo para condenar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por Ele".







Catequese com o Papa Francisco - 10.09.2014


Praça de São Pedro
Quarta-feira, 10 de Setembro de 2014








Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

No nosso itinerário de catequeses sobre a Igreja, estamos a refletir sobre o facto de que a Igreja é mãe. Na semana passada frisamos como a Igreja nos faz crescer e, com a luz e a força da Palavra de Deus, nos indica o caminho da salvação, e nos defende do mal. Hoje gostaria de ressaltar um aspecto particular desta ação educativa da nossa mãe Igreja, ou seja, como ela nos ensina as obras de misericórdia.

Um bom educador vai ao essencial. Não se perde nos pormenores, mas quer transmitir o que deveras conta para que o filho ou o aluno encontre o sentido e a alegria de viver. É a verdade. E o essencial, segundo o Evangelho, é a misericórdia. O essencial do Evangelho é a misericórdia. Deus enviou o seu Filho, Deus fez-se homem para nos salvar, ou seja, para nos dar a sua misericórdia. Jesus diz isto claramente, resumindo o seu ensinamento para os discípulos: «Sede misericordiosos, como o vosso Pai é misericordioso» (Lc 6, 36). Pode existir um cristão que não seja misericordioso? Não. O cristão deve ser necessariamente misericordioso, porque este é o centro do Evangelho. E fiel a este ensinamento, a Igreja não pode deixar de repetir a mesma coisa aos seus filhos: «Sede misericordiosos», como o vosso Pai, e como o foi Jesus. Misericórdia.

E então a Igreja comporta-se como Jesus. Não dá lições teóricas sobre o amor, sobre a misericórdia. Não difunde no mundo uma filosofia, um caminho de sabedoria... Certamente, o Cristianismo é também tudo isto, mas por consequência, de reflexo. A mãe Igreja, como Jesus, ensina com o exemplo, e as palavras servem para iluminar o significado dos seus gestos.

A mãe Igreja ensina-nos a dar de comer e de beber a quem tem fome e sede, a vestir quem está nu. E como o faz? Com o exemplo de tantos santos e santas que fizeram isto de modo exemplar; e também com o exemplo de tantíssimos pais e mães, que ensinam aos seus filhos que o que sobeja a nós é para quem não tem o necessário. É importante saber isto. Nas famílias cristãs mais simples sempre foi sagrada a regra da hospitalidade: nunca falta um prato e um leito para quem precisa. Certa vez uma mãe contou-me — na outra diocese — que queria ensinar isto aos seus filhos e dizia-lhes que ajudassem e dessem de comer a quem tinha fome; ela tinha três. E um dia ao almoço — o pai estava fora por trabalho, estava ela com os três filhos, pequeninos, 7, 5, 4 anos mais ou menos — e batem à porta: era um senhor que pedia de comer. E a mãe disse-lhes: «Espera um momento». Entrou e disse aos filhos: «Está ali um senhor que pede de comer, que fazemos?», «Damos-lhe, mãe, damos-lhe!». Cada um tinha no prato um bife com batatas fritas. «Muito bem — disse a mãe — damos-lhe metade de cada um de vós». «Ah, não, mãe, assim não está bem!». «É assim, tu deves dar do teu». E deste modo, esta mãe ensinou aos seus filhos a dar de comer do próprio. Este é um bonito exemplo que me ajudou muito. «Mas não me sobeja nada...». «Dá do teu!». É assim que nos ensina a mãe Igreja. E vós, numerosas mães que estais aqui, sabeis o que deveis fazer para ensinar aos vossos filhos para que partilhem as suas coisas com quem tem necessidade.

A mãe Igreja ensina a estar próximos de quem é doente. Quantos santos e santas serviram Jesus deste modo! E quantos homens e mulheres simples, todos os dias, põem em prática esta obra de misericórdia num quarto de hospital, ou de uma casa de repouso, ou na própria casa, assistindo uma pessoa doente.

A mãe Igreja ensina a estar próximo de quem está na prisão. «Mas, Padre, não, este é perigoso, é gente má». Mas cada um de nós é capaz... Ouvi bem isto: cada um de nós é capaz de fazer o mesmo que fez aquele homem ou aquela mulher que está na prisão. Todos temos a capacidade de pecar e de fazer o mesmo, de errar na vida. Não é mais maldoso do que tu e do que eu! A misericórdia supera qualquer muro, qualquer barreira, e leva-te a procurar sempre o rosto do homem, da pessoa. E é a misericórdia que muda o coração e a vida, que pode regenerar uma pessoa e permitir que ela se insira de maneira nova na sociedade.

A mãe Igreja ensina a sermos próximos de quem está abandonado e morre sozinho. Foi quanto fez a beata Teresa pelas estradas de Calcutá; e foi o que fizeram tantos cristãos que não têm medo de apertar a mão a quem está para deixar este mundo. E também aqui, a misericórdia doa a paz a quem parte e a quem fica, fazendo-nos sentir que Deus é maior do que a morte, e que permanecendo n’Ele também a última separação é um «adeus»... Tinha compreendido bem isto a beata Teresa! Diziam-lhe: «Madre, isto é perder tempo!». Encontrava pessoas moribundas pela estrada, pessoas às quais os ratos de rua começavam a comer o corpo, e ela levava-as para casa para que morressem limpos, tranquilos, acariciados, em paz. Ela dava-lhes o «adeus», a todas elas... E tantos homens e mulheres como ela fizeram isto. E eles esperam-no, lá [indica o céu], à porta, para lhes abrir a porta do Céu. Ajudar as pessoas a morrer bem, em paz.

Amados irmãos e irmãs, assim a Igreja é mãe, ensinando aos seus filhos as obras de misericórdia. Ela aprendeu de Jesus este caminho, aprendeu que isto é essencial para a salvação. Não basta amar quem nos ama. Jesus diz que os pagãos o fazem. Não é suficiente fazer o bem a quem pratica connosco o bem. Para mudar o mundo para melhor é preciso fazer bem a quem não é capaz de retribuir, como fez o Pai connosco, dando-nos Jesus. Quanto pagamos pela nossa redenção? Nada, tudo de graça! Fazer o bem sem esperar algo em troca. Assim fez o Pai connosco e nós devemos fazer o mesmo. Pratica o bem e vai em frente!

Como é bonito viver na Igreja, na nossa mãe Igreja que nos ensina estas coisas que Jesus nos ensinou. Agradeçamos ao Senhor, que nos concede a graça de ter a Igreja como mãe, ela que nos ensina o caminho da misericórdia, que é o caminho da vida. Agradeçamos ao Senhor.

Saudações

Dirijo uma saudação cordial aos peregrinos de língua portuguesa, em particular aos tripulantes do Navio-escola Brasil e a todos os fiéis brasileiros e de Portugal. Queridos amigos, as obras de misericórdia são essenciais para a nossa vida cristã. Olhai ao vosso redor, há sempre alguém que precisa de uma mão estendida, de um sorriso, de um gesto de amor. Quando somos generosos, nunca nos faltam as bênçãos de Deus. Obrigado!



Fonte: Vaticano




Angelus com o Papa Francisco - 07.09.2014


Praça de São Pedro
Domingo, 7 de Setembro de 2014








Prezados irmãos e irmãs, bom dia!

O Evangelho deste domingo, tirado do capítulo 18 de Mateus, apresenta o tema da correcção fraterna no seio da comunidade dos fiéis: ou seja, como devo corrigir outro cristão, quando ele faz algo que não é bom. Jesus ensina-nos que se o meu irmão cristão comete uma culpa contra mim, quando me ofende, eu devo ter caridade para com ele e, antes de tudo, falar-lhe pessoalmente, explicando-lhe que quanto ele disse ou fez não é bom. E se o irmão não me ouve? Jesus sugere uma intervenção progressiva: primeiro, volta a falar-lhe, com mais duas ou três pessoas, para que esteja mais consciente do erro cometido; se, não obstante isto, ele não aceitar a exortação, é necessário dizê-lo à comunidade; e se ele não ouvir nem sequer a comunidade, é preciso levá-lo a compreender a ruptura e a separação que ele mesmo provocou, faltando à comunhão com os irmãos na fé.

As etapas deste itinerário indicam o esforço que o Senhor pede à sua comunidade para acompanhar quem erra, a fim de que não se perca. Antes de tudo, é necessário evitar o clamor da crónica e a bisbilhotice da comunidade — esta é a primeira coisa que devemos evitar. «Vai e repreende-o, somente entre ti e ele» (v. 15). A atitude é de delicadeza, prudência, humildade e atenção àquele que cometeu uma culpa, evitando que as palavras possam ferir e até matar o irmão. Pois vós sabeis que até as palavras matam! Quando falo mal de alguém, quando faço uma crítica injusta, quando «esfolo» um irmão com a minha língua, isto significa matar a sua reputação. Até as palavras matam! Prestemos atenção a isto. Ao mesmo tempo, esta discrição de lhe falar a sós tem a finalidade de não mortificar inutilmente o pecador. Quando se fala a sós com ele, ninguém se dá conta e tudo acaba. É à luz desta exigência que se compreende também a série sucessiva de intervenções, que prevê a participação de algumas testemunhas e depois até a própria comunidade. A finalidade é ajudar a pessoa a dar-se conta daquilo que cometeu, e que com a sua culpa ofendeu não apenas um indivíduo, mas todos. Mas também tem a finalidade de nos ajudar a libertar-nos da ira ou do rancor, que só fazem mal: aquela amargura do coração que alberga a ira e o rancor, e que nos leva a insultar e a agredir. É muito feio ver sair da boca de um cristão um insulto ou uma agressão. É feio! Compreendestes? Nenhum insulto! Insultar não é cristão. Entendestes? Insultar não é cristão.

Na realidade, diante de Deus somos todos pecadores e necessitados de perdão. Todos. Com efeito, Jesus disse-nos que não devemos julgar. A correcção fraterna é um aspecto do amor e da comunhão que devem reinar no seio da comunidade cristã, é um serviço recíproco que podemos e devemos oferecer uns aos outros. Corrigir os irmãos é um serviço, e só será possível e eficaz se cada um se reconhecer pecador e necessitado do perdão do Senhor. A própria consciência, que me leva a reconhecer o erro cometido por outrem, recorda-me primeiro que eu mesmo errei e erro muitas vezes.

Por isso no início da Missa somos sempre convidados a reconhecer diante do Senhor que somos pecadores, expressando com palavras e com gestos o arrependimento sincero do coração. Dizemos: «Tende piedade de mim, Senhor. Sou pecador! Deus Todo-Poderoso, confesso os meus pecados». E não dizemos: «Senhor, tende piedade daquele ou daquela que está ao meu lado, pois são pecadores». Não! «Tende piedade de mim!». Todos nós somos pecadores e necessitados do perdão do Senhor. É o Espírito Santo que fala ao nosso espírito e nos leva a reconhecer as nossas culpas, à luz da palavra de Jesus. E é o próprio Jesus que convida todos nós, santos e pecadores, à sua mesa congregando-nos das encruzilhadas das estradas, das várias situações de vida (cf. Mt22, 9-10). E entre as condições que irmanam os participantes na celebração eucarística, duas são fundamentais, duas são as condições para ir bem à Missa: todos nós somos pecadores; e a todos Deus concede a sua misericórdia. Trata-se de duas condições que abrem de par em par a porta para entrarmos bem na Missa. Devemos recordar sempre isto, antes de ir ter com o irmão para a correcção fraterna.

Peçamos tudo isto por intercessão da Bem-Aventurada Virgem Maria, que amanhã celebraremos na memória litúrgica da sua Natividade!

Depois do Angelus

Durante estes últimos dias foram dados passos significativos na busca de uma trégua nas regiões atingidas pelo conflito na Ucrânia oriental, embora eu tenha ouvido hoje notícias pouco confortadoras. No entanto, faço votos a fim de que eles possam dar alívio à população e contribuir para os esforços em prol de uma paz duradoura. Oremos para que, na lógica do encontro, o diálogo encetado possa continuar e produzir os frutos almejados. Maria, Rainha da Paz, intercede por nós!

Além disso, uno a minha voz à dos Bispos do Lesoto, que lançaram um apelo a favor da paz no seu país. Condeno todos os gestos de violência e peço ao Senhor para que no Reino do Lesoto seja restabelecida a paz na justiça e na fraternidade.

Este domingo um grupo de cerca de trinta voluntários da Cruz Vermelha Italiana parte para a região de Dohuk, nos arredores de Erbil no Iraque, onde se concentraram dezenas de milhares de deslocados iraquianos. Manifestando o meu apreço sincero por esta obra generosa e concreta, concedo a bênção a todos eles e às pessoas que procuram ajudar consistentemente os nossos irmãos perseguidos e oprimidos. O Senhor vos abençoe!

Saúdo todos os peregrinos provenientes da Itália e de vários países, de maneira particular o grupo de brasileiros.

Dirijo uma saudação cordial ao Cardeal Arcebispo de Lima e aos seus diocesanos, que hoje inauguram o XX Sínodo da Arquidiocese de Lima. O Senhor vos acompanhe ao longo deste caminho de fé, de comunidade e de crescimento.

E recordai-vos que amanhã — como eu já disse — se celebra a memória litúrgica da Natividade de Nossa Senhora. Seria o seu aniversário! E o que fazemos quando a nossa mãe celebra o seu aniversário? Saudamo-la, transmitimos-lhe as nossas felicitações... Portanto amanhã recordai-vos, de manhã cedo, do vosso coração e com os vossos lábios, de saudar Nossa Senhora e de lhe dizer: «Muitos parabéns!». E de lhe recitar uma Ave-Maria, que brote do vosso coração de filho e de filha. Recordai-vos bem disto!

Peço a todos vós, por favor, que rezeis por mim. Desejo-vos feliz domingo e bom almoço.




Fonte: Vaticano




sábado, 6 de setembro de 2014

Evangelho do XXIII Domingo do Tempo Comum – Ano A


São Mateus 18, 15-20

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: "Se o teu irmão te ofender, vai ter com ele e repreende-o a sós. Se te escutar, terás ganho o teu irmão. Se não te escutar, toma contigo mais uma ou duas pessoas, para que toda a questão fique resolvida pela palavra de duas ou três testemunhas. Mas se ele não lhes der ouvidos, comunica o caso à Igreja; e se também não der ouvidos à Igreja, considera-o como um pagão ou um publicano. Em verdade vos digo: Tudo o que ligardes na terra será ligado no Céu; e tudo o que desligardes na terra será desligado no Céu. Digo-vos ainda: Se dois de vós se unirem na terra para pedirem qualquer coisa, ser-lhes-á concedida por meu Pai que está nos Céus. Na verdade, onde estão dois ou três reunidos em meu nome, Eu estou no meio deles".






Catequese com o Papa Francisco - 03.09.2014


Praça de São Pedro
Quarta-feira, 3 de Setembro de 2014








Prezados irmãos e irmãs, bom dia!

Nas catequeses precedentes tivemos a oportunidade de frisar várias vezes que não nos tornamos cristãos sozinhos, ou seja, com as nossas próprias forças, autonomamente, e nem sequer nos tornamos cristãos no laboratório, mas somos gerados e crescemos na fé no interior do grande corpo que é a Igreja. Neste sentido, a Igreja é verdadeiramente mãe, a nossa mãe Igreja — é bonito dizê-lo assim: a nossa mãe Igreja — uma mãe que nos dá vida em Cristo e que nos faz viver com todos os outros irmãos na comunhão do Espírito Santo.

Nesta sua maternidade, a Igreja tem como modelo a Virgem Maria, o modelo mais bonito e mais excelso que possa existir. Foi o que já as primeiras comunidades cristãs esclareceram e o Concílio Vaticano II expressou de modo admirável (cf. Const. Lumen gentium, 63-64). A maternidade de Maria é sem dúvida única, singular, cumprindo-se na plenitude dos tempos, quando a Virgem deu à luz o Filho de Deus, concebido por obra do Espírito Santo. E todavia, a maternidade da Igreja insere-se precisamente em continuidade com a de Maria, como uma sua prolongação na história. Na fecundidade do Espírito, a Igreja continua a gerar novos filhos em Cristo, sempre à escuta da Palavra de Deus e em docilidade ao seu desígnio de amor. A Igreja é mãe. Com efeito, o nascimento de Jesus no ventre de Maria, é prelúdio do nascimento de cada cristão no seio da Igreja, dado que Cristo é o primogénito de uma multidão de irmãos (cf. Rm 8, 29) e o nosso primeiro irmão Jesus nasceu de Maria, é o modelo, e todos nós nascemos na Igreja. Então, compreendemos que a relação que une Maria à Igreja é mais profunda do que nunca: contemplemos Maria, descubramos o rosto mais belo e mais terno da Igreja; e olhemos para a Igreja, reconheçamos os lineamentos sublimes de Maria. Nós, cristãos, não somos órfãos, temos uma mãe, temos uma mãe, e isto é sublime! Não somos órfãos! A Igreja é mãe, Maria é mãe.

A Igreja é nossa mãe, porque nos deu à luz no Batismo. Cada vez que baptizamos uma criança, ela torna-se filha da Igreja, entra na Igreja. E a partir daquele dia, como mãe cheia de desvelo, faz-nos crescer na fé e indica-nos com a força da Palavra de Deus o caminho de salvação, defendendo-nos do mal.

A Igreja recebeu de Jesus o tesouro precioso do Evangelho, não para o conservar para si mesma, mas para o oferecer generosamente aos outros, como faz uma mãe. Neste serviço de evangelização manifesta-se de modo peculiar a maternidade da Igreja, comprometida como mãe em oferecer aos seus filhos a alimento espiritual que nutre e faz fecundar a vida cristã. Portanto, todos nós somos chamados a acolher com mente e coração abertos a Palavra de Deus que a Igreja dispensa todos os dias, porque esta Palavra tem a capacidade de nos mudar a partir de dentro. Somente a Palavra de Deus tem esta capacidade de nos transformar positivamente a partir de dentro, das nossas raízes mais profundas. A Palavra de Deus tem este poder. E quem nos dá a Palavra de Deus? A mãe Igreja. Com esta palavra ela amamenta-nos como crianças, cuida de nós durante a vida com esta Palavra, e isto é sublime! É precisamente a mãe Igreja que, com a Palavra de Deus, nos muda a partir de dentro. A Palavra de Deus que recebemos da mãe Igreja transforma-nos, tornando a nossa humanidade não palpitante segundo a mundanidade da carne, mas segundo o Espírito.

Na sua solicitude materna, a Igreja esforça-se por mostrar aos crentes o caminho a percorrer para viver uma existência fecunda de alegria e de paz. Iluminados pela luz do Evangelho e sustentados pela graça dos Sacramentos, especialmente pela Eucaristia, nós podemos orientar as nossas opções para o bem e atravessar com coragem e esperança os momentos de obscuridade e as veredas mais tortuosas. O caminho de salvação, através do qual a Igreja nos guia e acompanha com a força do Evangelho e o sustentáculo dos Sacramentos, confere-nos a capacidade de nos defendermos do mal. A Igreja tem a coragem de uma mãe consciente de que deve defender os seus filhos dos perigos que derivam da presença de satanás no mundo, para os conduzir ao encontro com Jesus. Uma mãe defende sempre os seus filhos. Esta defesa consiste inclusive em exortar à vigilância: velar contra o engano e a sedução do maligno. Pois embora Deus tenha derrotado satanás, ele volta sempre com as suas tentações; como sabemos, todos somos tentados, fomos tentados e somos tentados. Satanás vem «como um leão que ruge» (1 Pd 5, 8), diz o apóstolo Pedro, e temos o dever de não ser ingénuos, mas de vigiar e resistir firmes na fé. Resistir com os conselhos da mãe Igreja, resistir com a ajuda da mãe Igreja que, como uma boa mãe, sempre acompanha os seus filhos nos momentos difíceis.

Caros amigos, esta é a Igreja, esta é a Igreja que todos nós amamos, esta é a Igreja que eu amo: uma mãe que tem a peito o bem dos seus filhos e é capaz de dar a própria vida por eles. No entanto, não devemos esquecer que a Igreja não é composta só por sacerdotes, nem por nós bispos, não, somos todos nós! A Igreja somos todos! Concordais? E também nós somos filhos, mas também mães de outros cristãos. Todos nós baptizados, homens e mulheres, formamos juntos a Igreja. Quantas vezes na nossa vida não damos testemunho desta maternidade da Igreja, desta coragem materna da Igreja! Quantas vezes somos cobardes! Então, confiemo-nos a Maria para que Ela, como mãe do nosso Irmão primogénito, Jesus, nos ensine a ter o seu mesmo espírito materno em relação aos nossos irmãos, com a capacidade sincera de acolher, de perdoar, de dar força e de infundir confiança e esperança. É isto que faz uma mãe!

Saudações

Queridos peregrinos de língua portuguesa, bem-vindos! Saúdo cordialmente os fiéis moçambicanos de Maputo, os vários grupos paroquiais e também a Família Franciscana do Brasil, os fiéis portugueses da Baixa da Banheira e os crismandos de Cristo Rei da Portela. O Senhor vos abençoe, para serdes em toda a parte farol de luz do Evangelho para todos. Possa esta peregrinação fortalecer nos vossos corações o sentir e o viver com a Igreja. Nossa Senhora acompanhe e proteja a vós todos e aos vossos entes queridos!

Dou boas-vindas aos peregrinos de língua árabe, de modo especial aos provenientes do Iraque. A Igreja é Mãe e, como todas as mães, sabe acompanhar o filho em necessidade, levantar o filho que caiu, curar o doente, procurar o perdido, despertar o adormecido e defender os filhos inermes e perseguidos. Hoje gostaria de assegurar a proximidade especialmente a estes últimos: estais no coração da Igreja; a Igreja sofre convosco e sente-se orgulhosa de vós, de ter filhos como vós; sois a sua força e o testemunho concreto e autêntico da sua mensagem de salvação, perdão e amor. Abraço todos vós, todos! O Senhor vos abençoe e proteja sempre!

Saúdo os fiéis polacos. Caros amigos, nestes dias em várias cidades da Polônia recorda-se o 75° aniversário do início da tragédia da segunda guerra mundial. Confiemos à misericórdia de Deus todos aqueles que deram a vida por amor à pátria e aos irmãos, invocando o dom da paz para todas as nações da Europa e do mundo. Hoje temos particularmente necessidade de paz! Invoquemos a dádiva da paz por intercessão de Maria, Rainha da Paz. Louvado seja Jesus Cristo!

Saúdo finalmente os jovens, os doentes e os recém-casados, especialmente vós crismandos de Lucca acompanhados do vosso Arcebispo; regressando das férias às habituais atividades diárias, retomai também o ritmo regular do vosso diálogo íntimo com Deus, difundindo a sua luz ao vosso redor. Vós, queridos doentes, encontrai apoio no Senhor Jesus, que continua a sua obra de redenção na vida de cada homem. E vós, amados recém-casados — digo-vos que sois intrépidos, pois é preciso ter coragem para casar hoje. Sois corajosos! — esforçai-vos por manter um contacto vivo com Deus, a fim de que o vosso amor seja cada vez mais autêntico e duradouro.




Fonte: Vaticano





Angelus com o Papa Francisco - 31.08.2014


Praça de São Pedro
Domingo, 31 de Agosto de 2014







Prezados irmãos e irmãs!


No itinerário dominical com o Evangelho de Mateus, hoje chegamos ao ponto crucial em que Jesus, depois de ter verificado que Pedro e os outros onze tinham acreditado nele como Messias e Filho de Deus, «começou a explicar aos seus discípulos que tinha de ir a Jerusalém e sofrer muito... teria morrido e ressuscitaria no terceiro dia» (16, 21). Trata-se de um momento crítico no qual sobressai o contraste entre o modo de pensar de Jesus e o dos discípulos. Pedro chega a sentir que tem o dever de repreender o Mestre, porque não pode atribuir ao Messias um fim tão ignóbil. Então Jesus, por sua vez, admoesta severamente Pedro, chama-o à «obediência», pois não pensa «segundo Deus, mas segundo os homens» (v. 23) e, sem se dar conta, desempenha o papel de satanás, o tentador.

Sobre este ponto insiste, na liturgia deste domingo, também o apóstolo Paulo que, escrevendo aos cristãos de Roma, lhe diz: «Não vos conformeis com este mundo — não entreis nos esquemas deste mundo — mas transformai-vos pela renovação do vosso espírito, para que possais discernir qual é a vontade de Deus» (Rm 12, 2).

Com efeito, nós cristãos vivemos no mundo, estamos plenamente inseridos na realidade social e cultural do nosso tempo, e isto é bom; no entanto, isto comporta o risco de nos tornarmos «mundanos», o risco de que «o sal perca o seu sabor», como diria Jesus (cf. Mt 5, 13), ou seja, que o cristão se «dilua», perca a sua carga de novidade que lhe advém do Senhor e do Espírito Santo. Na realidade, deveria ser o contrário: quando nos cristãos permanece viva a força do Evangelho, ela pode transformar «os critérios de julgar, os valores que contam, os centros de interesse, as linhas de pensamento, as fontes inspiradoras e os modelos de vida» (Paulo VI, Exortação Apostólica Evangelii nuntiandi, 19). É triste encontrar cristãos «diluídos», que se parecem com o vinho aguado, e já não se sabe se são cristãos ou mundanos, como o vinho aguado, que não se sabe se é vinho ou água! Isto é triste. É triste encontrar cristãos que já não são o sal da terra, e sabemos que quando o sal perde o seu sabor, não serve para mais nada. O seu sal perdeu o sabor, porque cederam ao espírito do mundo, ou seja, tornaram-se mundanos.

Por isso é necessário renovar-se continuamente, haurindo a linfa do Evangelho. E como se pode realizar isto a nível prático? Antes de tudo, precisamente lendo e meditando o Evangelho todos os dias, de tal forma que a palavra de Jesus esteja sempre presente na nossa vida. Recordai-vos: servir-vos-á de ajuda, trazer sempre convosco o Evangelho: um pequeno Evangelho, no bolso, na bolsa, para dele ler um trecho durante o dia. Mas sempre com o Evangelho, porque isto significa trazer a Palavra de Jesus, poder lê-la. Além disso, participando na Missa dominical, onde encontramos o Senhor na comunidade, ouvimos a sua Palavra e recebemos a Eucaristia que nos une a Ele e entre nós; e depois são muito importantes para a renovação espiritual os dias de retiro e de exercícios espirituais. Evangelho, Eucaristia e oração. Não esqueçais: Evangelho, Eucaristia e oração. Graças a estes dons do Senhor nós podemos conformar-nos não com o mundo, mas com Cristo, e segui-lo ao longo do seu caminho, a vereda do «perder a própria vida» para a encontrar (cf. Mt 15, 25). «Perdê-la» no sentido de entregá-la, oferecê-la por amor e no amor — e isto requer o sacrifício e até a cruz — para voltar a recebê-la purificada, livre do egoísmo e da hipoteca da morte, repleta de eternidade.
A Virgem Maria precede-nos sempre ao longo deste caminho; deixemo-nos orientar e acompanhar por Ela.

Depois do Angelus

Caros irmãos e irmãs

Amanhã celebra-se na Itália o Dia dedicado à tutela da criação, promovido pela Conferência episcopal. O tema deste ano é muito importante: «Educar para a tutela da criação, para a saúde dos nossos países e das nossas cidades». Faço votos a fim de que se fortaleça o compromisso de todos, instituições, associações e cidadãos, a fim de que sejam salvaguardadas a vida e a saúde das pessoas, também no respeito pelo meio ambiente e pela natureza.

Saúdo todos os fiéis provenientes da Itália e de vários países... bem como o numeroso grupo de Motociclistas da Polícia e a Banda da Polícia. Seria bonito, no final, ouvi-la tocar...

Dirijo uma saudação especial aos parlamentares católicos, reunidos para o seu quinto encontro internacional, enquanto os encorajo a assumir o delicado papel de representantes do povo em conformidade com os valores evangélicos.

Ontem, recebi uma família numerosa de Mirabella Imbaccari, que me transmitiu a saudação da sua localidade inteira. Agradeço o carinho de todos os habitantes daquele povoado. Saúdo os participantes no encontro de «Scholas»: dai continuidade ao vosso compromisso em prol das crianças e dos jovens, trabalhando nos campos da educação, do desporto e da cultura; e desejo-vos um bom jogo amanhã, no estádio Olímpico!

Peço-vos a todos, por favor, que rezeis por mim, enquanto vos desejo feliz domingo. Peço-vos que oreis por mim, e desejo-vos bom almoço. Até à vista!


Fonte: Vaticano




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