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sábado, 25 de outubro de 2014

Evangelho do XXX Domingo do Tempo Comum – Ano A


São Mateus 22, 34-40



Naquele tempo, os fariseus, ouvindo dizer que Jesus tinha feito calar os saduceus, reuniram-se em grupo, e um doutor da Lei perguntou a Jesus, para O experimentar: "Mestre, qual é o maior mandamento da Lei?" Jesus respondeu: "‘Amarás o Senhor teu Deus com todo o teu coração, com toda a tua alma e com todo o teu espírito’. Este é o maior e o primeiro mandamento. O segundo, porém, é semelhante a este: ‘Amarás o teu próximo como a ti mesmo’. Nestes dois mandamentos se resumem toda a Lei e os Profetas".






Catequese com o Papa Francisco - 22.10.2014


Praça de São Pedro
Quarta-feira, 22 de Outubro de 2014








Prezados irmãos e irmãs, bom dia!

Quando se deseja salientar como os elementos que compõem uma realidade estão intimamente unidos uns aos outros, formando uma só realidade, usa-se com frequência a imagem do corpo. A partir do apóstolo Paulo, esta expressão foi aplicada à Igreja e reconhecida como a sua característica distintiva mais profunda e mais bonita. Então, hoje queremos interrogar-nos: em que sentido a Igreja forma um corpo? E por que é definida «corpo de Cristo»?

No Livro de Ezequiel é descrita uma visão um pouco especial, impressionante, mas capaz de infundir confiança e esperança nos nossos corações. Deus mostra ao profeta uma planície de ossos, separados uns dos outros, secos. Um cenário desolador... Imaginai uma planície cheia de ossos. Então, Deus pede-lhe que invoque o Espírito sobre eles. Naquele instante, os ossos movem-se, começam a aproximar-se e a unir-se entre si, neles crescem primeiro os nervos e depois a carne, formando-se assim um corpo, completo e cheio de vida (cf. Ez 37, 1-14). Eis, assim é a Igreja! Recomendo-vos que hoje, em casa, pegueis na Bíblia, no capítulo 37 do profeta Ezequiel; não vos esqueçais e lede-o, é muito bonito! Esta é a Igreja, uma obra-prima, a obra-prima do Espírito, que infunde em cada um a vida nova do Ressuscitado, pondo-nos uns ao lado dos outros, uns ao serviço e em ajuda dos outros, fazendo assim de todos nós um único corpo, edificado na comunhão e no amor.

Mas a Igreja não é apenas um corpo edificado no Espírito: a Igreja é o corpo de Cristo! E não se trata simplesmente de um modo de dizer: mas somo-lo verdadeiramente! É o grande dom que recebemos no dia do nosso Baptismo! Com efeito, no sacramento do Baptismo Cristo faz-nos seus, recebendo-nos no âmago do mistério da cruz, o mistério supremo do seu amor por nós, para depois nos fazer ressurgir com Ele, como novas criaturas. Eis: assim nasce a Igreja, é assim que a Igreja se reconhece como corpo de Cristo! O Baptismo constitui um renascimento autêntico, que nos regenera em Cristo, nos torna parte dele e nos une intimamente entre nós, como membros do mesmo corpo, cuja Cabeça é Ele (cf. Rm 12, 5; 1 Cor 12, 12-13).

Então, daqui brota uma profunda comunhão de amor. Neste sentido é iluminador que Paulo, exortando os maridos a «amarem as suas esposas como o próprio corpo», afirme: «Como Cristo faz à sua Igreja, porque somos membros do seu corpo» (Ef 5, 28-30). Como seria bom se recordássemos mais frequentemente o que somos, o que o Senhor Jesus fez de nós: somos o seu corpo, aquele corpo do qual nada nem ninguém pode privá-lo e que Ele cobre com toda a sua paixão e todo o seu amor, precisamente como um esposo faz com a sua esposa. Mas este pensamento deve fazer nascer em nós o desejo de corresponder ao Senhor Jesus e de compartilhar o seu amor entre nós, como membros vivos do seu próprio corpo. Na época de Paulo, a comunidade de Corinto encontrava muitas dificuldades neste sentido, vivendo, como também nós tantas vezes, a experiência das divisões, das invejas, das incompreensões e da marginalização. Nada disto é bom porque, em vez de edificar e levar a Igreja a crescer como corpo de Cristo, fragmenta-a em muitas partes, desmembrando-a. E isto acontece inclusive nos dias de hoje. Pensemos nas comunidades cristãs, nalgumas paróquias, pensemos nos nossos bairros, quantas divisões, quantos ciúmes, como se critica, quanta incompreensão e marginalização! E o que comporta isto? Desmembra-nos uns dos outros. É o início da guerra. A guerra não começa no campo de batalha: a guerra, as guerras têm início no coração, com incompreensões, divisões, invejas e com esta luta contra o próximo! A comunidade de Corinto era assim, eles eram campeões nisto! O apóstolo Paulo deu aos Coríntios alguns conselhos concretos que são válidos também para nós: não ser invejosos, mas nas nossas comunidades apreciar os dons e as qualidades dos nossos irmãos. Os ciúmes: «Aquele comprou um carro» e sinto aqui uma inveja; «Este ganhou na lotaria», e outra inveja; «E aquele é bem sucedido nisto», e mais uma inveja. Tudo isto desmembra, faz mal, e não se deve fazê-lo, pois assim os ciúmes aumentam e enchem o coração! E um coração ciumento é um coração amargo, um coração que em vez de sangue parece conter vinagre; é um coração que nunca está feliz, é um coração que desmembra a comunidade. Mas então que devo fazer? Apreciar nas nossas comunidades os dons e as qualidades dos outros, dos nossos irmãos. E quando sinto inveja — porque todos sentem, todos somos pecadores — devo dizer ao Senhor: «Obrigado, Senhor, porque concedestes isto àquela pessoa»! Estimar as qualidades, tornar-se próximo e participar no sofrimento dos últimos e dos mais necessitados; manifestar a própria gratidão a todos. O coração que sabe dizer obrigado é um coração bom, um coração nobre, um coração feliz! Pergunto-vos: todos nós sabemos dizer obrigado, sempre? Nem sempre, porque a inveja, os ciúmes nos limitam um pouco. E, finalmente, eis o conselho que o apóstolo Paulo dá aos Coríntios e que também nós devemos dar-nos uns aos outros: não consideres ninguém superior aos outros. Quanta gente se sente superior aos outros! Também nós, muitas vezes, dizemos como aquele fariseu da parábola: «Obrigado, Senhor, porque não sou como aquele, sou superior!». Mas isto é feio, nunca se deve agir assim! E quando estiveres prestes a fazê-lo, recorda-te dos teus pecados, daqueles que ninguém conhece, envergonha-te diante de Deus e diz: «Mas Tu, Senhor, Tu sabes quem é superior, eu fecho a boca!». E isto faz bem. E, sempre na caridade, consideremo-nos membros uns dos outros, que vivem e se entregam para o bem de todos (cf.1 Cor 12–14).

Caros irmãos e irmãs, como o profeta Ezequiel e como o apóstolo Paulo, invoquemos também nós o Espírito Santo, para que a sua graça e a abundância dos seus dons nos ajudem a viver verdadeiramente como corpo de Cristo, unidos como família, mas uma família que é o corpo de Cristo, e como sinal visível e belo do amor de Cristo.

Saudações

Dirijo uma saudação cordial a todos os peregrinos de língua portuguesa, particularmente os fiéis das várias paróquias do Brasil. Queridos amigos, somos verdadeiramente o Corpo de Cristo! Não deixemos de nos fazer solidários com os mais necessitados, lembrando as palavras de São Paulo: «se um membro sofre, todos os membros sofrem com ele; se um membro é honrado, todos os membros se regozijam com ele». Assim Deus vos abençoe. Obrigado!

Saúdo de coração os fiéis polacos vindos para esta audiência. Hoje celebramos a memória litúrgica de São João Paulo II, que convidou todos a abrir as portas a Cristo; na sua primeira visita à vossa Pátria, invocou o Espírito Santo para que renovasse a terra polaca, recordando ao mundo inteiro o mistério da Misericórdia Divina. A sua herança espiritual não seja esquecida, mas leve-nos à reflexão e ao agir concreto para o bem da Igreja, da família e da sociedade. Louvado seja Jesus Cristo!

Desejo unir-me à comunidade diocesana de Tempio-Ampurias, manifestando profundas proximidade e solidariedade aos funcionários da Companhia aérea «Meridiana», que vivem horas de apreensão pelo seu futuro de trabalho. Desejo vivamente que se encontre uma solução justa, que tenha em conta sobretudo a dignidade da pessoa humana e as necessidades imprescindíveis de tantas famílias. Por favor, lanço um apelo a todos os responsáveis: nenhuma família fique sem trabalho!

Antes de me despedir, recordo um conselho que vos dei: pegai hoje na Bíblia, procurai no profeta Ezequiel o capítulo 37 e lede-o. Concordais? Enfim, dirijo o meu pensamento aos jovens, aos doentes e aos recém-casados. O mês de Outubro convida-nos a renovar a nossa cooperação concreta para a missão da Igreja. Com as energias viçosas da mocidade, com a força da oração e do sacrifício e com as potencialidades da vida conjugal, sabei ser missionários do Evangelho, oferecendo o vosso auxílio concreto a quantos têm dificuldade de o levar àqueles que ainda não o conhecem.




Fonte: Vaticano




Angelus com o Papa Francisco - 19.10.2014


Praça de São Pedro
Domingo, 19 de Outubro de 2014








Amados irmãos e irmãs!

No final desta solene celebração, desejo saudar os peregrinos da Itália e dos vários países, com um pensamento deferente às Delegações oficiais. Em particular, saúdo os fiéis das dioceses de Brescia, Milão e Roma, relacionadas de modo significativo com a vida e o ministério do Papa Montini. A todos agradeço a presença e exorto a seguir fielmente os ensinamentos e o exemplo do novo Beato.

Ele foi um defensor denodado da missão ad gentes; disto dá testemunho sobretudo a Exortação apostólica Evangelii nuntiandi com a qual pretendeu despertar o impulso e o compromisso pela missão da Igreja. Esta Exortação ainda é actual, conserva toda a sua actualidade! É significativo considerar este aspecto do Pontificado de Paulo VI, precisamente hoje, que se celebra o Dia Missionário Mundial.

Antes de invocar todos juntos Nossa Senhora com a oração do Angelus, apraz-me frisar a profunda devoção mariana do BeatoPaulo VI. A este Pontífice o povo cristão será sempre grato pela Exortação apostólica Marialis cultus e por ter proclamado Maria «Mãe da Igreja», por ocasião do encerramento da terceira sessão do Concílio Vaticano II.

Maria, Rainha dos Santos e Mãe da Igreja, nos ajude a realizar fielmente na nossa vida a vontade do Senhor, assim como fez o novo Beato.




Fonte: Vaticano




sábado, 18 de outubro de 2014

Evangelho do XXIX Domingo do Tempo Comum – Ano A


São Mateus 22, 15-21

Naquele tempo, os fariseus reuniram-se para deliberar sobre a maneira de surpreender Jesus no que dissesse. Enviaram-Lhe alguns dos seus discípulos, juntamente com os herodianos, e disseram-Lhe: "Mestre, sabemos que és sincero e que ensinas, segundo a verdade, o caminho de Deus, sem te preocupares com ninguém, pois não fazes acepção de pessoas. Diz-nos o teu parecer: É lícito ou não pagar tributo a César?" Jesus, conhecendo a sua malícia, respondeu: "Porque Me tentais, hipócritas? Mostrai-me a moeda do tributo". Eles apresentaram-Lhe um denário e Jesus perguntou: "De quem é esta imagem e esta inscrição?" Eles responderam: "De César". Disse-Lhes Jesus: "Então, dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus".





Catequese com o Papa Francisco - 15.10.2014


Praça de São Pedro
Quarta-feira, 15 de Outubro de 2014







Estimados irmãos e irmãs, bom dia!

Durante este período pudemos falar da Igreja, da nossa santa mãe Igreja hierárquica, do povo de Deus a caminho. Hoje queremos interrogar-nos: no final, o que acontecerá com o povo de Deus? Com cada um de nós? O que devemos esperar? O apóstolo Paulo animava os cristãos da comunidade de Tessalonica, que faziam estas mesmas perguntas, e depois da sua argumentação diziam estas palavras, que estão entre as mais bonitas do Novo Testamento: «E assim estaremos para sempre com o Senhor!» (1 Ts 4, 17). Trata-se de palavras simples, mas com uma imensa densidade de esperança! «E assim estaremos para sempre com o Senhor!». Acreditais nisto? ... Parece que não. Credes? Vamos repeti-lo juntos, três vezes? «E assim estaremos para sempre com o Senhor!». «E assim estaremos para sempre com o Senhor!». «E assim estaremos para sempre com o Senhor!». É emblemático o modo como no livro do Apocalipse, retomando a intuição dos Profetas, João descreve a dimensão, derradeira, definitiva, segundo os termos da «nova Jerusalém, eu vi descer do céu, de junto de Deus, a Cidade Santa, como uma esposa ornada para o seu esposo» (Ap 21, 2). É isto que nos espera! Então, eis quem é a Igreja: ela é o povo de Deus que segue o Senhor Jesus e que, dia após dia, se prepara para o encontro com Ele, como uma esposa em relação ao seu esposo. E não é apenas um modo de dizer: celebrar-se-ão núpcias autênticas! Sim, porque Cristo, fazendo-se homem como nós, e tornando-nos todos um só com Ele, com a sua morte e ressurreição, desposou-nos verdadeiramente e fez de nós, como povo, sua esposa. E isto resume-se no cumprimento do desígnio de comunhão e de amor tecido por Deus ao longo da história inteira, da história do povo de Deus e também da história pessoal de cada um de nós. É o Senhor que leva isto em frente.

No entanto, há mais um elemento, que nos conforta ulteriormente e nos abre o coração: João diz-nos que na Igreja, esposa de Cristo, se torna visível a «nova Jerusalém». Isto significa que a Igreja, além de esposa, é chamada a tornar-se cidade, símbolo por excelência da convivência e da relacionalidade humana. Então, como é bonito poder contemplar desde já, segundo outra imagem deveras sugestiva do Apocalipse, todas as nações e povos reunidos nessa cidade, como que numa tenda, «a tenda de Deus (cf. Ap21, 3)! E nesta moldura gloriosa já não haverá isolamentos, prevaricações nem distinções de qualquer tipo — de natureza social, étnica ou religiosa, mas seremos todos um só em Cristo.

Perante este cenário inaudito e maravilhoso, o nosso coração não pode deixar de se sentir vigorosamente confirmado na esperança. Vede, a esperança cristã é simplesmente um desejo, um auspício, não é optimismo: para o cristão, a esperança significa expectativa, espera fervorosa e apaixonada do cumprimento derradeiro e definitivo do mistério do amor de Deus, no qual renascemos e já vivemos. E é expectativa de Alguém que está prestes a chegar: é o Cristo Senhor que se faz cada vez mais próximo de nós, dia após dia, e que vem para finalmente nos introduzir na plenitude da sua comunhão e da sua paz. Então, a Igreja tem a tarefa de manter acesa e bem visível a lâmpada da esperança, para que possa continuar a resplandecer como sinal seguro de salvação e iluminar para a humanidade inteira a vereda que conduz rumo ao encontro com o semblante misericordioso de Deus.

Caros irmãos e irmãs, eis então do que estamos à espera: que Jesus volte! Como esposa, a Igreja aguarda o seu esposo! No entanto, devemos interrogar-nos com profunda sinceridade: somos verdadeiramente testemunhas luminosas e credíveis desta expectativa, desta esperança? As nossas comunidades ainda vivem no sinal da presença do Senhor Jesus e à espera da sua vinda, ou então parecem cansadas, entorpecidas sob o peso da fadiga e da resignação? Corremos também nós o risco de esgotar o azeite da fé, o óleo da alegria? Tomemos cuidado!

Invoquemos a Virgem Maria, Mãe da esperança e rainha do céu, para que nos preserve sempre numa atitude de escuta e esperança, de maneira a podermos ser desde já permeados do amor de Cristo e participar um dia no júbilo sem fim, na plena comunhão de Deus. Mas nunca vos esqueçais: «E assim estaremos para sempre com o Senhor!» (1 Ts 4, 17). Vamos repeti-lo mais três vezes juntos? «E assim estaremos para sempre com o Senhor!». «E assim estaremos para sempre com o Senhor!». «E assim estaremos para sempre com o Senhor!».

Saudações

Queridos peregrinos de língua portuguesa e em particular os fiéis das paróquias e associações do Brasil, sede bem-vindos! De coração vos saúdo a todos, confiando ao bom Deus a vossa vida e a dos vossos familiares. Rezai também vós por mim! Que as vossas famílias se reúnam diariamente para a recitação do terço sob o olhar da Virgem Mãe, para que nelas não se acabe jamais o óleo da fé e da alegria, que brota da vida dos seus membros em comunhão com Deus!

Dirijo cordiais boas-vindas aos peregrinos de língua árabe, de modo especial aos provenientes do Médio Oriente! Caros irmãos e irmãs, vivei sempre no sinal da presença do Senhor Jesus e na expectativa calorosa da sua vinda, e sede testemunhas luminosas e credíveis desta esperança. O Senhor vos abençoe!

Saúdo cordialmente os fiéis polacos. Hoje recordamos santa Teresa de Jesus, carmelita descalça, virgem e doutora da Igreja. E amanhã celebraremos o aniversário da eleição de são João Paulo II para a Sé de Pedro. Estes dois santos estão unidos pela entrega de si mesmos a Deus, pela dedicação à Igreja e pela vida mística. Aprendamos deles a radicalidade evangélica e o crescimento na plena comunhão com Deus. Abençoo todos vós aqui presentes e os vossos entes queridos.

Dirijo uma saudação cordial aos peregrinos de expressão italiana. Saúdo de modo especial os participantes no IV Congresso da Fundação Ratzinger — Bento XVI, que terá lugar em Medellín, enquanto os exorto a estudar percursos que edifiquem a paz e promovam a dignidade da pessoa humana.

Finalmente, dirijo um pensamento especial aos jovens, aos doentes e aos recém-casados. Continuemos a invocar a intercessão da Virgem Maria sobre o Sínodo da Família. Estimados jovens, de modo especial vós, do «Istituto Cicerone, San Nilo e San Giuseppe al Trionfale», dai sempre graças ao Senhor pela dádiva da família; queridos enfermos, uni a oferta do vosso sofrimento às intenções de oração pela paz nas famílias; e vós, amados recém-casados, edificai o vosso lar conjugal sobre a rocha da Palavra de Deus.





Fonte: Vaticano




Angelus com o Papa Francisco - 12.10.2014


Praça de São Pedro
Domingo, 12 de Outubro de 2014








Amados irmãos e irmãs, bom dia!

No Evangelho deste domingo, Jesus fala-nos da resposta que se dá ao convite de Deus — representado por um rei — para participar num banquete de núpcias (cf. Mt 22, 1-14). O convite tem três características: a gratuidade, a generosidade, auniversalidade. Os convidados são muitos, mas verifica-se algo surpreendente: nenhum dos escolhidos aceita participar na festa, dizendo que têm outras coisas para fazer; aliás, alguns demonstram indiferença, estraneidade e até incómodo. Deus é bom para connosco, oferece-nos gratuitamente a sua amizade, concede-nos gratuitamente a sua alegria, a salvação, mas muitas vezes não recebemos os seus dons, colocando em primeiro lugar as nossas preocupações materiais, os nossos interesses, e também quando o Senhor nos chama, muitas vezes parece que nos incomoda.

Alguns dos convidados até maltratam e chegam a matar os servos que comunicam o convite. Mas não obstante a falta de adesões da parte dos convidados, o plano de Deus não se interrompe. Diante da rejeição dos primeiros convidados, Ele não desanima, não suspende a festa, mas volta a propor o convite, ampliando-o para além de qualquer limite racional, e manda os seus empregados às praças e às encruzilhadas das estradas para reunir todos aqueles que encontram. Trata-se de pessoas simples, pobres, abandonadas e deserdadas, bons e maus — inclusive os maus são convidados — sem qualquer distinção. E a sala enche-se de «excluídos». Rejeitado por alguns, o Evangelho recebe o acolhimento inesperado em muitos outros corações.

A bondade de Deus não conhece confins e não discrimina ninguém: por isso, a festa dos dons do Senhor é universal para todos! A todos é oferecida a possibilidade de responder ao seu convite, ao seu chamamento; ninguém tem o direito de se sentir privilegiado, nem de reivindicar uma exclusividade. Tudo isto nos induz a vencer o hábito de nos inserirmos comodamente no centro, como faziam os chefes dos sacerdotes e os fariseus. Isto não se deve fazer; nós devemos abrir-nos às periferias, reconhecendo que até quantos estão nas margens, também aquele que é rejeitado e desprezado pela sociedade, constitui objecto da generosidade de Deus. Todos nós somos chamados a não reduzir o Reino de Deus aos confins da «igrejinha» — a nossa «igrejinha» — mas a dilatar a Igreja às dimensões do Reino de Deus. Só há uma condição: revestir-se com o hábito nupcial, ou seja, dar testemunho da caridade para com Deus e com o próximo.

Confiemos à intercessão de Maria Santíssima os dramas e as esperanças de tantos nossos irmãos e irmãs, excluídos, frágeis, rejeitados e desprezados, inclusive aqueles que são perseguidos por causa da fé, e invoquemos a sua salvaguarda também sobre os trabalhos do Sínodo dos bispos, congregado nestes dias no Vaticano.

Depois do Angelus

Saúdo todos os peregrinos, principalmente as famílias e os grupos paroquiais. Saúdo o numeroso grupo da Associação dos amigos de são Columbano para a Europa, vindos por ocasião da inauguração do XIV centenário da morte de são Columbano, grande evangelizador do Continente europeu.

Feliz domingo a todos! Por favor, peço-vos que oreis por mim. Bom almoço e até à vista!





Fonte: Vaticano




sábado, 11 de outubro de 2014

Evangelho da Solenidade de Nossa Senhora Aparecida


Jo 2,1-11

No terceiro dia, houve um casamento em Caná da Galileia, e a mãe de Jesus estava lá. Também Jesus e seus discípulos foram convidados para o casamento. Faltando o vinho, a mãe de Jesus lhe disse: “Eles não têm vinho!” Jesus lhe respondeu: “Mulher, para que me dizes isso? A minha hora ainda não chegou”. Sua mãe disse aos que estavam servindo: “Fazei tudo o que ele vos disser!” Estavam seis talhas de pedra colocadas aí para a purificação que os judeus costumam fazer. Em cada uma delas cabiam mais ou menos cem litros. Jesus disse aos que estavam servindo: “Enchei as talhas de água!” E eles as encheram até a borda. Então disse: “Agora, tirai e levai ao encarregado da festa”. E eles levaram. O encarregado da festa provou da água mudada em vinho, sem saber de onde viesse, embora os serventes que tiraram a água o soubessem. Então chamou o noivo e disse-lhe: “Todo mundo serve primeiro o vinho bom e, quando os convidados já beberam bastante, serve o menos bom. Tu guardaste o vinho bom até agora”. Este início dos sinais, Jesus o realizou em Caná da Galileia. Manifestou sua glória, e os seus discípulos creram nele.





Catequese com o Papa Francisco - 08.10.2014


Praça de São Pedro
Quarta-feira, 8 de Outubro de 2014








Prezados irmãos e irmãs, bom dia!

Nas últimas catequeses, quisemos esclarecer a natureza e a beleza da Igreja, perguntando-nos o que comporta para cada um de nós, fazer parte deste povo, do povo de Deus que é a Igreja. Contudo, não podemos esquecer que numerosos irmãos compartilham connosco a fé em Cristo, mas que pertencem a outras confissões ou tradições diferentes da nossa. Muitos já se resignaram a esta divisão — e resignaram-se inclusive no seio da nossa Igreja católica — que ao longo da história foi com frequência causa de conflitos e de sofrimentos, e até de guerras, e isto é uma vergonha! Ainda hoje os relacionamentos nem sempre estão caracterizados pelo respeito e pela cordialidade... No entanto, interrogo-me: e nós, como nos pomos diante de tudo isto? Também nós estamos resignados, ou até somos indiferentes? Ou, ao contrário, cremos firmemente que podemos e devemos caminhar rumo à reconciliação e à plena comunhão? A plena comunhão, ou seja, poder participar todos juntos no corpo e sangue de Cristo.

Enquanto ferem a Igreja, as divisões entre os cristãos ferem também Cristo, e divididos nós provocamos uma ferida a Cristo: com efeito, a Igreja é o Corpo cuja Cabeça é Cristo. Sabemos bem como Jesus fazia questão que os seus discípulos permanecessem unidos no Seu amor. É suficiente pensar nas suas palavras, citadas no capítulo 17 do Evangelho de João, na oração dirigida ao Pai na iminência da paixão: «Pai santo, guarda em teu nome aqueles que me deste a fim de que, como nós, também eles sejam um só» (Jo 17, 11). Esta unidade já estava ameaçada enquanto Jesus ainda se encontrava no meio dos seus: com efeito, no Evangelho recorda-se que os Apóstolos discutiam entre si sobre quem era o maior, o mais importante (cf. Lc 9, 46). No entanto, o Senhor insistiu muito sobre a unidade em nome do Pai, levando-nos a compreender que o nosso anúncio e o nosso testemunho serão tanto mais credíveis, quanto mais nós formos os primeiros a tornar-nos capazes de viver em comunhão e de nos amarmos uns aos outros. Foi aquilo que os seus Apóstolos, com a graça do Espírito Santo, depois entenderam profundamente e levaram no seu coração, a tal ponto que são Paulo chegará a implorar a comunidade de Corinto com estas palavras: «Rogo-vos, irmãos, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo, que todos estejais em pleno acordo e que entre vós não haja divisões. Vivei em boa harmonia, no mesmo espírito e com os mesmos sentimentos» (1 Cor 1, 10).

Ao longo do seu caminho na história, a Igreja é tentada pelo maligno, que procura dividi-la, e infelizmente foi marcada por separações graves e dolorosas. Trata-se de visões que às vezes se prolongaram no tempo, até hoje, pelo que já é difícil reconstruir todas as suas motivações e sobretudo encontrar soluções possíveis. As razões que levaram às rupturas e às separações podem ser as mais variadas: divergências sobre os princípios dogmáticos e morais e sobre diferentes conceitos teológicos e pastorais, motivos políticos e de conveniência, atritos devidos a antipatias e ambições pessoais... O que é certo é que, de uma forma ou de outra, por detrás de tais dilacerações encontram-se sempre a soberba e o egoísmo, que constituem a causa de todos os desacordos e que nos tornam intolerantes, incapazes de ouvir e de aceitar quem tem uma visão ou uma posição diferente da nossa.

Pois bem, diante de tudo isto, existe algo que cada um de nós, como membros da santa mãe Igreja, podemos e devemos fazer? Sem dúvida, não pode faltar a oração, em comunidade e em comunhão com a prece de Jesus, a oração pela unidade dos cristãos. E além da oração, o Senhor também nos pede uma abertura renovada: pede-nos que não nos fechemos ao diálogo nem ao encontro, mas que aceitemos tudo o que de válido e positivo nos é oferecido, inclusive por quantos pensam diversamente de nós ou por aqueles que se colocam em posições diferentes das nossas. Pede-nos que não fixemos o nosso olhar no que nos divide mas, ao contrário, no que nos une, procurando conhecer e amar melhor Jesus e compartilhar a riqueza do seu amor. E isto comporta concretamente a adesão à verdade, juntamente com a capacidade de nos perdoarmos, de nos sentirmos parte de uma mesma família cristã, de nos considerarmos uns dádivas para os outros e, juntos, fazermos tantas boas acções e obras de caridade.

É doloroso, mas existem divisões, cristãos separados, e nós mesmos vivemos divididos entre nós. Mas todos dispomos de algo em comum: todos nós cremos em Jesus Cristo, o Senhor. Todos cremos no Pai e no Filho e no Espírito Santo, e todos nós caminhamos juntos, estamos a caminho. Ajudemo-nos uns aos outros! Mas tu pensas deste modo, e tu pensas daquela maneira... Em todas as comunidades existem bons teólogos: que eles debatam, que procurem a verdade teológica, porque se trata de um dever, mas nós caminhemos juntos, rezando uns pelos outros, levando a cabo obras de caridade. E assim construamos a comunhão, ao longo do caminho. Isto chama-se ecumenismo espiritual: percorrer o caminho da vida todos juntos na nossa fé, no Senhor Jesus Cristo. Diz-se que não devemos falar de coisas pessoais, mas não resisto à tentação. Falamos de comunhão... de comunhão entre nós. E estou deveras grato ao Senhor porque hoje festejo o 70º aniversário da minha primeira Comunhão. Mas todos nós devemos saber que receber a primeira Comunhão significa entrar em comunhão com os outros, em comunhão com os irmãos da nossa Igreja, mas inclusive em comunhão com todos aqueles que pertencem a diferentes comunidades, mas que acreditam em Jesus. Demos graças ao Senhor pelo nosso Baptismo, agradeçamos ao Senhor a nossa comunhão, e para que esta comunhão chegue a ser de todos nós juntos.

Então, caros amigos, vamos em frente rumo à plena unidade! A história separou-nos, mas estamos a caminho no sulco da reconciliação e da comunhão! Esta é a verdade. E devemos defender isto! Todos nós estamos a caminho rumo à comunhão. E quando a meta nos pode parecer demasiado distante, quase inatingível, e nos sentimos arrebatados pelo desânimo, anime-nos a ideia de que Deus não pode fechar os seus ouvidos à voz do próprio Filho Jesus, não pode deixar de atender à sua e nossa oração, a fim de que todos os cristãos sejam verdadeiramente um só!

Saudações

Dirijo uma saudação cordial aos peregrinos de língua portuguesa, particularmente aos fiéis de Amarante e Viana do Castelo, aos membros da Federação Portuguesa de Folclore e Etnografia e da ACEGE, e a todos os brasileiros presentes nesta Audiência! Peço vossa oração para que cresçam a solidariedade e a colaboração entre os cristãos, dando ao mundo um testemunho comum de Jesus Cristo morto e ressuscitado por todos. Que Deus vos abençoe. Obrigado!

Dou cordiais boas-vindas aos peregrinos de língua árabe, em especial aos provenientes do Médio Oriente! Amados irmãos e irmãs, recordai-vos sempre que o nosso anúncio e testemunho serão tanto mais credíveis, quanto mais nos tornarmos capazes de viver em comunhão e de nos amar-nos uns aos outros. Que o Senhor vos abençoe!

Por fim, dirijo um pensamento especial aos jovens, aos doentes e aos recém-casados. O mês de Outubro é dedicado à recitação do Rosário. Estimados jovens, invocai sempre a intercessão da Virgem Maria, para que vos ilumine em todas as necessidades; queridos doentes, especialmente vós da Cooperativa de Cura e Reabilitação, que o alívio da prece mariana esteja diariamente presente na vossa vida; e vós, caros recém-casados, fortalecei com a oração o vosso vínculo conjugal.




Fonte: Vaticano




Angelus com o Papa Francisco - 05.10.2014


Praça de São Pedro
Domingo, 5 de Outubro de 2014








Prezados irmãos e irmãs, bom dia!


Esta manhã, com a concelebração eucarística na Basílica de São Pedro, inauguramos a Assembleia Geral Extraordinária do Sínodo dos Bispos. Os Padres sinodais, provenientes de todas as partes do mundo, juntamente comigo, viverão duas intensas semanas de escuta e de diálogo, fecundadas pela oração, a respeito deste tema: «Os desafios pastorais sobre a família no contexto da evangelização».

Hoje a Palavra de Deus apresenta a imagem da vinha como símbolo do povo que o Senhor escolheu. Como vinha, o povo exige muito cuidado, requer um amor paciente e fiel. É assim que Deus faz com cada um de nós, e deste modo nós Pastores somos chamados a agir. Também o esmerar-se pela família é uma maneira de trabalhar na vinha do Senhor, a fim de que produza os frutos do Reino de Deus (cf. Mt21, 33-43).

Contudo, para que a família possa caminhar bem, com confiança e esperança, é necessário que seja alimentada pela Palavra de Deus. Por isso, é uma feliz coincidência que precisamente hoje os nossos irmãos paulinos tenham desejado proceder a uma grande distribuição da Bíblia, aqui na praça e em muitos outros lugares. Estamos gratos aos nossos irmãos paulinos! Fazem-no por ocasião do Centenário da sua fundação, por parte do beato Giacomo Alberione, grande apóstolo da comunicação. Então hoje, enquanto se inaugura o Sínodo para a família, com a ajuda dos irmãos paulinos podemos dizer: uma Bíblia em cada família! «Mas Padre, nós já temos duas, três...». Mas onde as escondestes? ... A Bíblia não pode ser posta numa estante, mas deve estar ao alcance das nossas mãos, para a ler com frequência, cada dia, quer individualmente quer em conjunto, marido e esposa, pais e filhos, talvez à noite, de forma particular aos domingos. Assim a família cresce, caminha, com a luz e a força da Palavra de Deus!

Convido todos a ajudar os trabalhos do Sínodo com a oração, invocando a intercessão maternal da Virgem Maria. Neste momento, associamo-nos espiritualmente a quantos, no Santuário de Pompeia, elevam a tradicional «Súplica» à Nossa Senhora do Rosário. Que Ela obtenha a paz para as famílias e para o mundo inteiro!


Depois do Angelus:


Hoje, na Itália, celebra-se o Dia para a remoção de barreiras arquitetônicas. Encorajo quantos se esforçam para garantir iguais oportunidades de vida para todos, independentemente da condição física de cada indivíduo. Faço votos a fim de que tanto as instituições como os cidadãos individualmente estejam cada vez mais atentos a esta importante finalidade social.

Por favor, não vos esqueçais: orai pelo Sínodo e rezai a Nossa Senhora a fim de que Ela proteja esta Assembleia sinodal. A todos desejo feliz domingo. Rezai por mim. Bom almoço e até à vista!




Fonte: Vaticano



 

sábado, 4 de outubro de 2014

Evangelho do XXVII Domingo do Tempo Comum – Ano A


São Mateus 21, 33-43

Naquele tempo, disse Jesus aos príncipes dos sacerdotes e aos anciãos do povo: "Ouvi outra parábola: Havia um proprietário que plantou uma vinha, cercou-a com uma sebe, cavou nela um lagar e levantou uma torre; depois, arrendou-a a uns vinhateiros e partiu para longe. Quando chegou a época das colheitas, mandou os seus servos aos vinhateiros para receber os frutos. Os vinhateiros, porém, lançando mão dos servos, espancaram um, mataram outro, e a outro apedrejaram-no. Tornou ele a mandar outros servos, em maior número que os primeiros. E eles trataram-nos do mesmo modo. Por fim, mandou-lhes o seu próprio filho, dizendo: ‘Respeitarão o meu filho’. Mas os vinhateiros, ao verem o filho, disseram entre si: ‘Este é o herdeiro; matemo-lo e ficaremos com a sua herança’. E, agarrando-o, lançaram-no fora da vinha e mataram-no. Quando vier o dono da vinha, que fará àqueles vinhateiros?" Eles responderam: "Mandará matar sem piedade esses malvados, e arrendará a vinha a outros vinhateiros, que lhe entreguem os frutos a seu tempo". Disse-lhes Jesus: "Nunca lestes na Escritura: ‘A pedra que os construtores rejeitaram tornou-se a pedra angular; tudo isto veio do Senhor e é admirável aos nossos olhos’? Por isso vos digo: Ser-vos-á tirado o reino de Deus e dado a um povo que produza os seus frutos. Quem cair sobre esta pedra ficará despedaçado e aquele sobre quem ela cair será esmagado".




Catequese com o Papa Francisco - 01.10.2014


Praça de São Pedro
Quarta-feira, 1º de Outubro de 2014








Caros irmãos e irmãs, bom dia!

Desde o início, o Senhor encheu a Igreja com as dádivas do seu Espírito, tornando-a assim sempre viva e fecunda com os dons do Espírito Santo. Entre estes dons, distinguem-se alguns que são particularmente preciosos para a edificação e o caminho da comunidade cristã: trata-se dos carismas. Nesta catequese, queremos interrogar-nos: o que é exactamente um carisma? Como podemos reconhecê-lo e acolhê-lo? E, sobretudo: a constatação de que na Igreja existe uma diversidade e uma multiplicidade de carismas deve ser visto em sentido positivo, como algo bom, ou como um problema?

Na linguagem comum, quando se fala de «carisma», entende-se muitas vezes um talento, uma habilidade natural. Afirma-se: «Esta pessoa tem um carisma especial para ensinar. Tem um talento». Deste modo, diante de uma pessoa particularmente brilhante e influente, costuma-se dizer: «É uma pessoa carismática». «O que significa?». «Não sei, mas é carismática». Dizemos assim. Não sabemos o que falamos, mas dizemos: «É carismática». No entanto, na perspectiva cristã o carisma é muito mais que uma qualidade pessoal, uma predisposição da qual alguém pode ser dotado: o carisma é uma graça, um dom conferido por Deus Pai, por obra do Espírito Santo. Trata-se de uma dádiva concedida a alguém, não porque é melhor que os outros, nem porque a mereceu: é um presente que Deus lhe oferece para que, com a mesma gratuidade e com o mesmo amor, o possa pôr ao serviço da comunidade inteira, para o bem de todos. Falando de modo um pouco humano, diz-se assim: «Deus concede esta qualidade, este carisma a tal pessoa, e não para si mesma, mas para que esteja ao serviço de toda a comunidade». Hoje, antes de chegar à praça, encontrei-me com numerosas crianças deficientes na sala Paulo VI. Havia muitas, com uma Associação que se dedica ao cuidado de tais crianças. Do que se trata? Esta Associação, estas pessoas, estes homens e mulheres têm o carisma de cuidar de crianças deficientes. É um carisma!

Algo importante que deve ser realçado imediatamente é a constatação de que nós não conseguimos compreender sozinhos se temos um carisma, e qual. Muitas vezes ouvimos pessoas que dizem: «Tenho esta qualidade, sei cantar muito bem». Mas ninguém tem a coragem de lhe dizer: «É melhor que te cales, porque nos atormentas quando cantas!». Ninguém pode dizer: «Eu tenho este carisma!». É no âmbito da comunidade que desabrocham e florescem os dons que o Pai nos concede em abundância; e é no seio da comunidade que aprendemos a reconhecê-los como um sinal do seu amor por todos os seus filhos. Então, é bom que cada um se interrogue: «Há algum carisma que o Senhor fez florescer em mim, na graça do seu Espírito, e que os meus irmãos, na comunidade cristã, reconheceram e encorajaram? E como me comporto em relação a tal dom: vivo-o com generosidade, pondo-o ao serviço de todos, ou então desleixo-me e acabo por me esquecer dele? Ou talvez se torne em mim motivo de orgulho, a ponto de me queixar sempre dos outros e de pretender que na comunidade se faça à minha maneira?». São perguntas que nós devemos fazer: se em mim existe um carisma, se tal carisma é reconhecido pela Igreja, se me sinto feliz com este carisma ou tenho um pouco de inveja dos carismas dos outros, se eu queria ou quero ter aquele carisma. O carisma é um dom: só Deus o concede!

No entanto, a experiência mais bonita é descobrir quantos carismas diversos e quantos dons do seu Espírito o Pai confere à sua Igreja! Isto não deve ser visto como um motivo de confusão e de transtorno: são todos presentes que Deus oferece à comunidade cristã, para que possa crescer harmoniosa, na fé e no seu amor, como um único corpo, o corpo de Cristo. O mesmo Espírito que confere esta diferença de carismas faz a unidade da Igreja. É sempre o mesmo Espírito. Por conseguinte, diante desta multiplicidade de carismas, o nosso coração deve abrir-se à alegria, levando-nos a pensar: «Que bonito! Tantos dons diferentes, pois somos todos filhos de Deus, e todos somos amados de um modo único!». Então, ai de nós se tais dons se tornarem motivo de inveja, de divisão, de ciúmes! Como recorda o apóstolo Paulo no capítulo 12 da sua primeira Carta aos Coríntios, todos os carismas são importantes aos olhos de Deus e, do mesmo modo, ninguém é insubstituível. Isto quer dizer que na comunidade cristã temos necessidade uns dos outros, e que cada dádiva recebida se realiza plenamente quando é compartilhada com os irmãos, para o bem de todos. A Igreja é assim! E quando a Igreja, na variedade dos seus carismas, se exprime em comunhão, não pode errar: é a beleza e a força do sensus fidei, daquele sentido sobrenatural da fé, que é conferido pelo Espírito Santo a fim de que, juntos, possamos entrar no cerne do Evangelho e aprender a seguir Jesus na nossa vida.

Hoje, a Igreja celebra a festa de santa Teresa do Menino Jesus. Esta santa, que faleceu com vinte e quatro anos e amava intensamente a Igreja, desejava ser missionária, mas desejava possuir todos os carismas, e dizia: «Gostaria de fazer isto, isso e aquilo», queria ter todos os carismas. Na oração, sentiu que o seu carisma era o amor! E pronunciou esta linda frase: «No coração da Igreja, serei o amor!». Mas todos nós temos este carisma: a capacidade de amar. Peçamos hoje a santa Teresa do Menino Jesus esta capacidade de amar intensamente a Igreja, de a amar muito e de aceitar todos os carismas com o amor de filhos da Igreja, da nossa santa mãe Igreja hierárquica.

Saudações

Amados peregrinos de língua portuguesa, saúdo-vos cordialmente a todos, com menção especial para os brasileiros presentes e para os membros da Associação cristã de Empresários e Gestores, de Portugal. Agradeço a vossa presença e convido-vos a continuar a dar o vosso fiel testemunho cristão na sociedade. Deixai-vos guiar pelo Espírito Santo, para entenderdes o verdadeiro sentido da história. De bom grado abençoo a vós e aos vossos entes queridos, encorajando-vos na recitação do terço ao anoitecer de cada dia!

Dirijo uma saudação especial aos jovens, aos doentes e aos recém-casados. Hoje é a memória litúrgica de Santa Teresa do Menino Jesus, padroeira das missões. Prezados jovens, o seu amor pela Igreja seja um ensinamento para a vossa vida espiritual; amados doentes, a oração constitua o instrumento para enfrentar os momentos mais difíceis, como foi para esta santa a oração; e vós, queridos recém-casados, fundai o vosso lar conjugal no respeito e na fidelidade recíproca.




Fonte: Vaticano




Angelus com o Papa Francisco - 28.09.2014


Praça de São Pedro
Domingo, 28 de Setembro de 2014








Antes de encerrar esta celebração, desejo saudar todos os peregrinos, de maneira especial vós, idosos, provenientes de numerosos países. Obrigado de coração!

Dirijo uma saudação cordial aos participantes no congresso-peregrinação «Cantar a fé», promovido por ocasião do trigésimo aniversário do coro da Diocese de Roma. Obrigado pela vossa presença, e obrigado por terdes animado esta celebração, acompanhando o coro da Capela Sistina. Continuai a desempenhar com alegria e generosidade este serviço litúrgico no seio das vossas comunidades!

Ontem, em Madrid, foi proclamado Beato o Bispo Álvaro del Portillo; o seu exemplar testemunho cristão e presbiteral possa suscitar em muitas pessoas o desejo de aderir cada vez mais a Cristo e ao Evangelho.

No próximo domingo terá início a Assembleia sinodal sobre o tema da família. Está aqui presente o responsável principal, Cardeal Baldisseri: rezai por ele. Convido todos, individualmente e em comunidade, a orar por este importante acontecimento, enquanto confio esta intenção à intercessão de Maria Salus Populi Romani.

Agora recitemos juntos o Angelus. Com esta oração, invoquemos a salvaguarda de Maria para os idosos do mundo inteiro, de maneira particular para aqueles que vivem situações de maior dificuldade.




Fonte: Vaticano




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