Início

sábado, 29 de novembro de 2014

Evangelho do I Domingo do Advento – Ano B


São Marcos 13, 33-37



Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: "Acautelai-vos e vigiai, porque não sabeis quando chegará o momento. Será como um homem que partiu de viagem: ao deixar a sua casa, deu plenos poderes aos seus servos, atribuindo a cada um a sua tarefa, e mandou ao porteiro que vigiasse. Vigiai, portanto, visto que não sabeis quando virá o dono da casa: se à tarde, se à meia-noite, se ao cantar do galo, se de manhãzinha; não se dê o caso que, vindo inesperadamente, vos encontre a dormir. O que vos digo a vós, digo-o a todos: Vigiai!"

Catequese com o Papa Francisco - 26.11.2014


Praça de São Pedro
Quarta-feira, 26 de Novembro de 2014








Amados irmãos e irmãs, bom dia!

Este dia é um pouco feio, mas vós sois corajosos, parabéns! Esperemos que possamos rezar juntos hoje.

Ao apresentar a Igreja aos homens do nosso tempo, o Concílio Vaticano II estava perfeitamente consciente de uma verdade fundamental, que nunca podemos esquecer: a Igreja não é uma realidade estática, parada, com finalidade em si mesma, mas está continuamente a caminho na história, rumo à meta derradeira e maravilhosa, que é o Reino dos Céus, do qual a Igreja na terra é o germe e o início (cf. Conc. Ecum. Vat. II, Const. dogm. sobre a Igreja Lumen gentium, 5). Quando dirigimos o nosso olhar para este horizonte, sentimos que a nossa imaginação se detém, revelando-se capaz unicamente de intuir o esplendor do mistério que excede os nossos sentidos. E em nós brotam espontaneamente algumas interrogações: quando terá lugar esta passagem final? Como será a nova dimensão na qual a Igreja entrará? Então, o que será da humanidade? E da criação que nos circunda? Mas estas perguntas não são novas, dado que já os discípulos as dirigiam a Jesus naquela época: «Mas quando acontecerá isto? Quando chegará o triunfo do Espírito sobre a criação, sobre as criaturas, sobre todas as coisas...». São interrogações humanas, perguntas antigas. Também nós as fazemos!

Perante estas perguntas que ressoam desde sempre no coração do homem, a Constituição conciliar Gaudium et spes afirma: «Ignoramos o tempo em que a terra e a humanidade atingirão a sua plenitude, e também não sabemos que transformação sofrerá o universo. Porque a figura deste mundo, deformada pelo pecado, passa certamente, mas Deus ensina-nos que se prepara uma nova habitação, uma nova terra, na qual reinará a justiça e cuja felicidade satisfará e superará todos os desejos de paz que se levantam no coração dos homens» (n. 39). Eis a meta para a qual a Igreja tende: é, como se diz na Bíblia, a «nova Jerusalém», o «Paraíso». Mais que de um lugar, trata-se de uma «condição» da alma em que as nossas expectativas mais profundas serão realizadas de modo superabundante e o nosso ser, como criaturas e como filhos de Deus, alcançará o seu pleno amadurecimento. Seremos finalmente revestidos da alegria, da paz e do amor de Deus, de maneira completa, já sem qualquer limite, e estaremos face a face com Ele! (cf. 1 Cor 13, 12). É bom pensar nisto, pensar no Céu! Todos nos encontraremos lá, todos. Isto é bom, revigora a alma!

Nesta perspectiva, é bom compreender que já existem uma continuidade e uma comunhão de fundo entre a Igreja que está no Céu e aquela ainda a caminho na terra. Com efeito, aqueles que já vivem na presença de Deus podem sustentar-nos e interceder por nós, rezar por nós. Por outro lado, também nós somos sempre convidados a oferecer boas obras, preces e a própria Eucaristia para aliviar a tribulação das almas que ainda se encontram à espera da Bem-Aventurança sem fim. Sim, porque na perspectiva cristã a distinção não se faz mais entre quantos já estão mortos e aqueles que ainda vivem, entre quem está em Cristo e quem não se encontra n’Ele! Este é elemento determinante, verdadeiramente decisivo para a nossa salvação, para a nossa felicidade.

Ao mesmo tempo, a Sagrada Escritura ensina-nos que o cumprimento deste desígnio maravilhoso não pode deixar de abranger também tudo aquilo que nos circunda e que saiu do pensamento e do Coração de Deus. O apóstolo Paulo afirma-o de forma explícita, quando diz que «também ela (a criação, será) libertada do cativeiro da corrupção, para participar da gloriosa liberdade dos filhos de Deus» (Rm 8, 21). Outros textos utilizam a imagem do «novo céu» e da «nova terra» (cf. 2 Pd 3, 13; Ap 21, 1), no sentido que o universo inteiro será renovado e libertado de uma vez para sempre de todos os vestígios de mal e da própria morte. Por conseguinte, aquela que se prepara como cumprimento de uma transformação que na realidade já está em acção a partir da morte e ressurreição de Cristo, é uma nova criação; portanto, não se trata de aniquilar o cosmos e tudo o que nos circunda, mas de levar todas as coisas à sua plenitude de ser, de verdade e de beleza. Este é o desígnio que Deus Pai, Filho e Espírito Santo, desde sempre, deseja realizar e já está a concretizar.

Estimados amigos, quando pensamos nestas realidades maravilhosas que nos esperam, damo-nos conta de que pertencer à Igreja é verdadeiramente uma dádiva admirável, que traz inscrita em si uma vocação excelsa! Então peçamos à Virgem Maria, Mãe da Igreja, que vele sempre sobre o nosso caminho e que nos ajude a ser, como Ela, um jubiloso sinal de confiança e de esperança no meio dos nossos irmãos.

Saudações

Com grande afeto, saúdo os peregrinos de língua portuguesa, com votos de que possais vós todos dar-vos sempre conta do dom maravilhoso que é pertencer à Igreja. Vele sobre o vosso caminho a Virgem Maria e vos ajude a ser sinal de confiança e esperança no meio dos vossos irmãos. Sobre vós e vossas famílias desça a Bênção de Deus!

Dirijo cordiais boas-vindas aos peregrinos de expressão árabe, de modo particular aos provenientes do Iraque e do Médio Oriente. A violência, o sofrimento e a gravidade do pecado devem-nos induzir a depositar toda a confiança na justiça de Deus, que julgará cada um em conformidade com as respectivas obras. Sede fortes e agarrai-vos à Igreja e à vossa fé, de maneira a purificar o mundo com a vossa confiança; transformai com a vossa esperança e purificai com o vosso perdão, com o amor e a paciência do vosso testemunho. Que o Senhor vos proteja e sustente!

Como sabeis, a partir da próxima sexta-feira, até domingo, realizarei uma Viagem Apostólica à Turquia. Convido todos a rezar para que esta Visita de Pedro ao Irmão André produza frutos de paz, de diálogo sincero entre as religiões e de concórdia na Nação turca.

Dirijo um pensamento especial aos jovens, aos doentes e aos recém-casados. No próximo Domingo terá início do Tempo litúrgico do Advento. Amados jovens, a espera do Salvador encha os vossos corações de alegria; prezados doentes, nunca vos canseis de adorar o Senhor, que vem inclusive na provação; e vós, recém-casados, aprendei a amar, a exemplo d’Aquele que por amor se fez homem para a nossa salvação!




Fonte: Vaticano





Angelus com o Papa Francisco - 23.11.2014


Praça de São Pedro
Domingo, 23 de Novembro de 2014









Prezados irmãos e irmãs

No final desta celebração, desejo saudar todos vós que viestes prestar homenagem aos novos Santos, de modo particular as Delegações oficiais da Itália e da Índia.

O exemplo dos quatro Santos italianos, naturais das Províncias de Vicenza, Nápoles, Cosenza e Rímini, ajude o querido povo italiano a reavivar o espírito de colaboração e de concórdia para o bem comum e a olhar com esperança para o futuro, na unidade, confiando na proximidade de Deus que nunca nos abandona, nem sequer nos momentos mais difíceis.

Por intercessão dos dois Santos indianos, provenientes do Kerala, grande terra de fé e de vocações sacerdotais e religiosas, o Senhor conceda um novo impulso missionário à Igreja que está na Índia — a qual é muito capaz! — a fim de que, inspirando-se no seu exemplo de concórdia e de reconciliação, os cristãos da Índia prossigam pelo caminho da solidariedade e da convivência fraternal.

Saúdo com afecto os Cardeais, os Bispos, os sacerdotes, assim como as famílias, os grupos paroquiais, as associações e as escolas aqui presentes. Com amor filial, dirijamo-nos agora à Virgem Maria, Mãe da Igreja, Rainha dos Santos e modelo de todos os cristãos.

Desejo-vos feliz domingo, em paz, com a alegria destes novos Santos. E peço-vos, por favor, que rezeis por mim. Bom almoço e até à vista!




Fonte: Vaticano




terça-feira, 25 de novembro de 2014

Evangelho da Solenidade de Cristo Rei


São Mateus 25, 31-46

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: "Quando o Filho do homem vier na sua glória com todos os seus Anjos, sentar-Se-á no seu trono glorioso. Todas as nações se reunirão na sua presença e Ele separará uns dos outros, como o pastor separa as ovelhas dos cabritos; e colocará as ovelhas à sua direita e os cabritos à sua esquerda. Então o Rei dirá aos que estiverem à sua direita: ‘Vinde, benditos de meu Pai; recebei como herança o reino que vos está preparado desde a criação do mundo. Porque tive fome e destes-Me de comer; tive sede e destes-Me de beber; era peregrino e Me recolhestes; não tinha roupa e Me vestistes; estive doente e viestes visitar-Me; estava na prisão e fostes ver-Me’. Então os justos Lhe dirão: ‘Senhor, quando é que Te vimos com fome e Te demos de comer, ou com sede e Te demos de beber? Quando é que Te vimos peregrino e Te recolhemos, ou sem roupa e Te vestimos? Quando é que Te vimos doente ou na prisão e Te fomos ver?’. E o Rei lhes responderá: ‘Em verdade vos digo: Quantas vezes o fizestes a um dos meus irmãos mais pequeninos, a Mim o fizestes’. Dirá então aos que estiverem à sua esquerda: ‘Afastai-vos de Mim, malditos, para o fogo eterno, preparado para o demônio e os seus anjos. Porque tive fome e não Me destes de comer; tive sede e não Me destes de beber; era peregrino e não Me recolhestes; estava sem roupa e não Me vestistes; estive doente e na prisão e não Me fostes visitar’. Então também eles Lhe hão-de perguntar: ‘Senhor, quando é que Te vimos com fome ou com sede, peregrino ou sem roupa, doente ou na prisão, e não Te prestamos assistência?’ E Ele lhes responderá: ‘Em verdade vos digo: Quantas vezes o deixastes de fazer a um dos meus irmãos mais pequeninos, também a Mim o deixastes de fazer’. Estes irão para o suplício eterno e os justos para a vida eterna".






Catequese com o Papa Francisco - 19.11.2014


Praça de São Pedro
Quarta-feira, 19 de Novembro de 2014








Prezados irmãos e irmãs, bom dia!

Um grande dom do Concílio Vaticano II foi ter recuperado uma visão de Igreja fundada na comunhão e ter voltado a entender também o princípio da autoridade e da hierarquia em tal perspectiva. Isto ajudou-nos a compreender melhor que, enquanto baptizados, todos os cristãos têm igual dignidade diante do Senhor e são irmanados pela mesma vocação, que é a santidade (cf. Const. Lumen gentium, 39-42). Agora, interroguemo-nos: em que consiste esta vocação universal a sermos santos? E como a podemos realizar?

Antes de tudo, devemos ter bem presente que a santidade não é algo que nos propomos sozinhos, que nós obtemos com as nossas qualidades e capacidades. A santidade é um dom, é a dádiva que o Senhor Jesus nos oferece, quando nos toma consigo e nos reveste de Si mesmo, tornando-nos como Ele é. Na Carta aos Efésios, o apóstolo Paulo afirma que «Cristo amou a Igreja e se entregou por ela para a santificar» (Ef 5, 25-26). Eis que, verdadeiramente, a santidade é o rosto mais bonito da Igreja, o aspecto mais belo: é redescobrir-se em comunhão com Deus, na plenitude da sua vida e do seu amor. Então, compreende-se que a santidade não é uma prerrogativa só de alguns: é um dom oferecido a todos, sem excluir ninguém, e por isso constitui o cunho distintivo de cada cristão.

Tudo isto nos leva a compreender que, para ser santo, não é preciso ser bispo, sacerdote ou religioso: não, todos somos chamados a ser santos! Muitas vezes somos tentados a pensar que a santidade só está reservada àqueles que têm a possibilidade de se desapegar dos afazeres normais, para se dedicar exclusivamente à oração. Mas não é assim! Alguns pensam que a santidade é fechar os olhos e fazer cara de santinho! Não, a santidade não é isto! A santidade é algo maior, mais profundo, que Deus nos dá. Aliás, somos chamados a tornar-nos santos precisamente vivendo com amor e oferecendo o testemunho cristão nas ocupações diárias. E cada qual nas condições e situação de vida em que se encontra. Mas tu és consagrado, consagrada? Sê santo vivendo com alegria a tua entrega e o teu ministério. És casado? Sê santo amando e cuidando do teu marido, da tua esposa, como Cristo fez com a Igreja. És baptizado solteiro? Sê santo cumprindo com honestidade e competência o teu trabalho e oferecendo o teu tempo ao serviço dos irmãos. «Mas padre, trabalho numa fábrica; trabalho como contabilista, sempre com os números, ali não se pode ser santo...». «Sim, pode! Podes ser santo lá onde trabalhas. É Deus quem te concede a graça de ser santo, comunicando-se a ti!». Sempre, em cada lugar, é possível ser santo, abrir-se a esta graça que age dentro de nós e nos leva à santidade. És pai, avô? Sê santo, ensinando com paixão aos filhos ou aos netos a conhecer e a seguir Jesus. E é necessária tanta paciência para isto, para ser um bom pai, um bom avô, uma boa mãe, uma boa avó; é necessária tanta paciência, e é nesta paciência que chega a santidade: exercendo a paciência! És catequista, educador, voluntário? Sê santo tornando-te sinal visível do amor de Deus e da sua presença ao nosso lado. Eis: cada condição de vida leva à santidade, sempre! Em casa, na rua, no trabalho, na igreja, naquele momento e na tua condição de vida foi aberto o caminho rumo à santidade. Não desanimeis de percorrer esta senda. É precisamente Deus quem nos dá a graça. O Senhor só pede isto: que permaneçamos em comunhão com Ele e ao serviço dos irmãos.

Nesta altura, cada um de nós pode fazer um breve exame de consciência, podemos fazê-lo agora, e cada qual responda dentro de si mesmo, em silêncio: como respondemos até agora ao apelo do Senhor à santidade? Desejo ser um pouco melhor, mais cristão, mais cristã? Este é o caminho da santidade. Quando o Senhor nos convida a ser santos, não nos chama para algo pesado, triste... Ao contrário! É o convite a compartilhar a sua alegria, a viver e a oferecer com júbilo cada momento da nossa vida, levando-o a tornar-se ao mesmo tempo um dom de amor pelas pessoas que estão ao nosso lado. Se entendermos isto, tudo mudará, adquirindo um significado novo, bonito, um significado a começar pelas pequenas coisas de cada dia. Um exemplo. Uma senhora vai ao mercado para fazer as compras, encontra uma vizinha, começam a falar e então chegam as bisbilhotices, e a senhora diz: «Não, não falarei mal de ninguém!». Este é um passo rumo à santidade, ajuda-nos a ser santos! Depois, em casa, o filho pede para te falar das suas fantasias: «Oh, estou muito cansado, hoje trabalhei tanto...». «Mas acomoda-te e ouve o teu filho que precisa disto!». Acomoda-te e ouve-o com paciência: é um passo rumo à santidade. Depois, acaba o dia, todos estamos cansados, mas há a oração. Recitemos uma prece: também este é um passo para a santidade. Então, chega o domingo e vamos à Missa, recebamos a Comunhão, às vezes precedida por uma boa confissão, que nos purifica um pouco! Este é outro passo rumo à santidade. Depois, pensemos em Nossa Senhora, tão boa e bela, e recitemos o Rosário. Também este é um passo para a santidade. Então, vou pelo caminho, vejo um pobre, um necessitado, paro, faço-lhe uma pergunta, dou-lhe algo: é um passo rumo à santidade! São pequenas coisas, mas muitos pequenos passos para a santidade. Cada passo rumo à santidade fará de nós pessoas melhores, livres do egoísmo e do fechamento em nós mesmos, abertos aos irmãos e às suas necessidades.

Caros amigos, a primeira Carta de são Pedro dirige-nos esta exortação: «Como bons dispensadores das diversas graças de Deus, cada um de vós ponha à disposição dos outros o dom que recebeu: a palavra, para anunciar as mensagens de Deus; um ministério, para o exercer com uma força divina, a fim de que em todas as coisas Deus seja glorificado por Jesus Cristo» (4, 10-11). Eis o convite à santidade! Aceitemo-lo com alegria e sustentemo-nos uns aos outros porque o caminho para a santidade não o percorremos sozinhos, cada qual por sua conta, mas juntos, no único corpo que é a Igreja, amada e santificada pelo Senhor Jesus Cristo. Vamos em frente com ânimo, neste caminho da santidade.

Saudações

Dirijo uma saudação cordial aos peregrinos de língua portuguesa, particularmente aos fiéis das paróquias Nossa Senhora «Stella Maris» e Santa Rita de Cássia. Queridos amigos, recordem que nunca estamos sozinhos, mas caminhamos juntos, ajudando-nos uns aos outros a viver segundo o Evangelho de Jesus para nos tornarmos santos, fazendo da própria vida um dom de amor para as pessoas que nos rodeiam. Que Deus vos abençoe a vós e a vossos entes queridos!

Sigo com solicitude o alarmante aumento da tensão em Jerusalém e noutras regiões da Terra Santa, com inaceitáveis episódios de violência que não poupam nem sequer os lugares de culto. Garanto uma prece especial por todas as vítimas desta dramática situação e por quantos mais sofrem as suas consequências. Do íntimo do coração, lanço às partes implicadas um apelo para que se ponha fim à espiral de ódio e violência, tomando decisões intrépidas em prol da reconciliação e da paz. Construir a paz é difícil, mas viver sem paz é um tormento!

A 21 de Novembro, memória litúrgica da Apresentação de Maria Santíssima no Templo, celebraremos o Dia pro Orantibus, dedicado às comunidades religiosas de clausura. É uma ocasião oportuna para dar graças ao Senhor pelo dom de tantas pessoas que, nos mosteiros e eremitérios, se dedicam a Deus na oração e no silêncio operoso, reconhecendo-lhe o primado que só a Ele compete. Demos graças ao Senhor pelos testemunhos de vida claustral, sem lhes fazer faltar o nosso auxílio espiritual e material, para cumprir esta importante missão.

Dirijo um pensamento especial aos jovens, aos doentes e aos recém-casados.





Fonte: Vaticano




Angelus com o Papa Francisco - 16.11.2014


Praça de São Pedro
Domingo, 16 de Novembro de 2014








Amados irmãos e irmãs, bom dia!

O Evangelho deste domingo narra a parábola dos talentos, tirada de são Mateus (25, 14-30). Fala de um homem que, antes de partir para uma viagem, convoca os seus empregados e confia-lhes o seu património em talentos, moedas antigas de enorme valor. Aquele senhor confia ao primeiro servo cinco talentos; ao segundo, dois; e ao terceiro, um. Durante a sua ausência, os três servos devem fazer frutificar esse património. O primeiro e o segundo duplicam as respectivas quantias iniciais; o terceiro, ao contrário, tendo medo de perder tudo, enterra num buraco o talento recebido. Quando o senhor volta, os primeiros dois servos recebem a recompensa, enquanto o terceiro, que restitui apenas a moeda recebida, é repreendido e até punido.

O significado disto é claro. O homem da parábola representa Jesus; os servos somos nós; e os talentos são o património que o Senhor nos confia. Qual é o património». A sua Palavra, a Eucaristia, a fé no Pai celestial, o seu perdão... em síntese, muitas coisas, os seus bens mais preciosos. Este é o património que Ele nos confia. Que não devemos só conservar, mas também multiplicar! Enquanto, segundo o uso comum, o termo «talento» indica uma acentuada qualidade individual — por exemplo, talento na música, no desporto, etc. — na parábola os talentos representam os bens do Senhor, que Ele nos confia para os fazermos frutificar. O buraco escavado no terreno pelo «servo mau e preguiçoso» (v. 26) indica o medo do risco que bloqueia a criatividade e a fecundidade do amor. Sim, o medo dos ricos do amor bloqueia-nos! Jesus não nos pede que conservemos a sua graça num cofre! Jesus não nos pede isto, mas deseja que a utilizemos em vantagem do próximo. Todos os bens que recebemos devem, ser transmitidos aos outros, porque só assim crescem. É como se Ele nos dissesse: «Eis-te a minha misericórdia, a minha ternura, o meu perdão: toma-os e usa-os com magnanimidade». E nós, o que fazemos disto? Quem «contagiamos» com a nossa fé? Quantas pessoas encorajamos com a nossa esperança? Quanto amor compartilhamos com o nosso próximo? São perguntas que nos fará bem formular. Qualquer ambiente, até o mais distante e impraticável, pode tornar-se um lugar onde fazer frutificar os talentos. Não existem situações nem lugares fechados à presença e ao testemunho cristão. O testemunho que Jesus nos pede não é fechado, mas aberto, depende de nós.

Esta parábola anima-nos a não esconder a nossa fé nem a nossa pertença a Cristo, a não enterrar a Palavra do Evangelho, mas a fazê-la circular na nossa vida, nos relacionamentos, nas situações concretas, como uma força que põe em crise, que purifica e renova. Assim também o perdão, que o Senhor nos oferece especialmente no Sacramento da Reconciliação: não o conservemos fechado em nós mesmos, mas permitamos que ele transmita a sua força, que faça ruir aqueles muros elevados pelo nosso egoísmo, que nos leve a dar o primeiro passo nos relacionamentos bloqueados e retomar o diálogo onde já não há comunicação... E assim por diante. Devemos fazer com que estes talentos, estes presentes, estes dons que o Senhor nos concedeu cheguem aos outros, cresçam e dêem fruto através do nosso testemunho.

Acho que hoje seria um bonito gesto se cada um de vós pegasse no Evangelho em casa, no Evangelho de São Mateus, capítulo 25, versículos 14-30 — Mateus 25, 14-30 — o lesse e meditasse um pouco: «Os talentos, as riquezas, tudo aquilo que Deus me concedeu de espiritual, de bondade, a Palavra de Deus: como levo isto a crescer nos outros? Ou limito-me a conservá-lo no cofre?».

Além disso, o Senhor não concede a todos as mesmas coisas e do mesmo modo: Ele conhece-nos pessoalmente e confia-nos aquilo que é bom para nós; mas em todos, em todos há algo de igual: uma única, imensa confiança. Deus confia em nós, Deus espera em nós! E isto é igual para todos. Não o decepcionemos! Não nos deixemos enganar pelo medo, mas retribuamos a confiança com a confiança! A Virgem Maria encarna esta atitude do modo mais excelso e completo. Ela recebeu e acolheu a dádiva mais sublime, Jesus em Pessoa e, por sua vez, ofereceu-o à humanidade com um Coração generoso. Peçamos-lhe que nos ajude a ser «servos bons e fiéis», para participarmos na «alegria de nosso Senhor».

Depois do Angelus

Caros irmãos e irmãs

Durante estes dias, em Roma, houve tensões bastante fortes entre residentes e imigrantes. Trata-se de episódios que se verificam em várias cidades europeias, especialmente em bairros periféricos marcados por outras dificuldades. Convido as instituições de todos os níveis a assumir como prioridade aquela que já representa uma emergência social e que, se não for enfrentada quanto antes e de modo adequado, corre o risco de degenerar cada vez mais. A comunidade cristã compromete-se de modo concreto para que não haja desencontro, mas encontro. Cidadãos e imigrantes, juntamente com os representantes das instituições, podem encontrar-se até num salão paroquial para enfrentar esta situação. O importante é não ceder à tentação do conflito, evitando qualquer violência. É possível dialogar, ouvir uns aos outros, fazer programas conjuntos e deste modo superar a suspeita e o preconceito e construir uma convivência cada vez mais segura, pacífica e inclusiva.

Saúdo todos vós, famílias, paróquias, associações e fiéis individualmente, provenientes da Itália e de muitas regiões do mundo. Desejo um feliz domingo a todos! Por favor, não vos esqueçais de rezar por mim. Bom almoço e até à vista!




Fonte: Vaticano




segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Evangelho do XXXIII Domingo do Tempo Comum – Ano A


São Mateus 25, 14-30

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos a seguinte parábola: "Um homem, ao partir de viagem, chamou os seus servos e confiou-lhes os seus bens. A um entregou cinco talentos, a outro dois e a outro um, conforme a capacidade de cada qual; e depois partiu. O que tinha recebido cinco talentos fê-los render e ganhou outros cinco. Do mesmo modo, o que recebera dois talentos ganhou outros dois. Mas, o que recebera um só talento foi escavar na terra e escondeu o dinheiro do seu senhor. Muito tempo depois, chegou o senhor daqueles servos e foi ajustar contas com eles. O que recebera cinco talentos aproximou-se e apresentou outros cinco, dizendo: ‘Senhor,confiaste-me cinco talentos: aqui estão outros cinco que eu ganhei’. Respondeu-lhe o senhor: ‘Muito bem, servo bom e fiel. Porque foste fiel em coisas pequenas, confiar-te-ei as grandes. Vem tomar parte na alegria do teu senhor’. Aproximou-se também o que recebera dois talentos e disse: ‘Senhor, confiaste-me dois talentos: aqui estão outros dois que eu ganhei’. Respondeu-lhe o senhor: ‘Muito bem, servo bom e fiel. Porque foste fiel em coisas pequenas, confiar-te-ei as grandes. Vem tomar parte na alegria do teu senhor’. Aproximou-se também o que recebera um só talento e disse: ‘Senhor, eu sabia que és um homem severo, que colhes onde não semeaste e recolhes onde nada lançaste. Por isso, tive medo e escondi o teu talento na terra. Aqui tens o que te pertence’. O senhor respondeu-lhe: ‘Servo mau e preguiçoso, sabias que ceifo onde não semeei e recolho onde nada lancei; devias, portanto, depositar no banco o meu dinheiro e eu teria, ao voltar, recebido com juro o que era meu. Tirai-lhe então o talento e dai-o àquele que tem dez. Porque, a todo aquele que tem, dar-se-á mais e terá em abundância; mas, àquele que não tem, até o pouco que tem lhe será tirado. Quanto ao servo inútil, lançai-o às trevas exteriores. Aí haverá choro e ranger de dentes’".





Catequese com o Papa Francisco - 12.11.2014


Praça de São Pedro
Quarta-feira, 12 de Novembro de 2014








Prezados irmãos e irmãs, bom dia!

Na catequese precedente pusemos em evidência como o Senhor continua a apascentar a sua grei através do ministério dos bispos, coadjuvados pelos presbíteros e diáconos. É neles que Jesus se faz presente, no poder do seu Espírito, e continua a servir a Igreja alimentando nela a fé, a esperança e o testemunho da caridade. Portanto, estes ministérios constituem um grande dom do Senhor para cada comunidade cristã e para a Igreja inteira, pois são um sinal vivo da sua presença e amor.

Hoje queremos perguntar-nos: o que se pede a estes ministros da Igreja, para que possam viver o seu serviço de modo genuíno e fecundo?

Nas «Cartas pastorais» enviadas aos seus discípulos Timóteo e Tito, o apóstolo Paulo pondera atentamente sobre a figura dos bispos, dos presbíteros e dos diáconos — e também sobre a figura dos fiéis, dos idosos e dos jovens. Descreve cada cristão na Igreja, delineando o objecto da chamada dos bispos, presbíteros e diáconos, e as prerrogativas que devem ser reconhecidas em quantos são escolhidos e investidos de tais ministérios. Pois bem, é emblemático que para além dos dotes inerentes à fé e à vida espiritual — que não podem ser desatendidas, porque são a própria vida — sejam enumeradas algumas qualidades requintadamente humanas: acolhimento, sobriedade, paciência, mansidão, confiança e magnanimidade. Este é o alfabeto, a gramática básica de cada ministério! Deve ser a gramática básica de cada bispo, sacerdote, diácono. Sim, porque sem esta predisposição boa e genuína para encontrar, conhecer, dialogar, apreciar e relacionar-se com os irmãos de modo respeitoso e sincero, não é possível oferecer um serviço e um testemunho deveras jubilosos e credíveis.

Além disso, há uma atitude de fundo que Paulo recomenda aos seus discípulos e, por conseguinte, a todos aqueles que são investidos deste ministério pastoral, quer sejam bispos, sacerdotes, presbíteros ou diáconos. O apóstolo exorta a reavivar continuamente o dom recebido (cf. 1 Tm 4, 14; 2 Tm 1, 6). Isto significa que deve ser sempre viva a consciência de que não somos bispos, sacerdotes ou diáconos porque somos mais inteligentes, capazes, melhores que os outros, mas só em virtude de um dom, de uma dádiva de amor conferida por Deus no poder do seu Espírito, para o bem do seu povo. Esta consciência é deveras importante e constitui uma graça que devemos pedir cada dia! Com efeito, o Pastor consciente de que o seu ministério brota unicamente da misericórdia e do Coração de Deus, nunca poderá assumir uma atitude autoritária, como se todos estivessem aos seus pés, como se a comunidade fosse sua propriedade, seu reino pessoal.

A consciência de que tudo é dom, tudo é graça, ajuda o pastor também a não cair na tentação de se pôr no centro da atenção e de confiar só em si mesmo. São as tentações da vaidade, do orgulho, da suficiência, da soberba. Deus não permita que um bispo, um sacerdote ou um diácono pense que sabe tudo, que tem sempre a resposta certa para tudo e que não precisa de ninguém! Ao contrário, a consciência de ser o primeiro objecto da misericórdia e da compaixão de Deus deve levar o ministro da Igreja a ser sempre humilde e compreensivo em relação ao próximo. Embora tenha a consciência de ser chamado a preservar com coragem o depósito da fé (cf. 1 Tm 6, 20), ele deve pôr-se à escuta do povo. Com efeito, está consciente de ter sempre algo a aprender, inclusive daqueles que ainda podem estar longe da fé e da Igreja. Depois, com os seus irmãos de hábito tudo isto deve levar a assumir uma atitude nova, caracterizada pela partilha, co-responsabilidade e comunhão.

Caros amigos, devemos estar sempre gratos ao Senhor, porque na pessoa e no ministério dos bispos, dos sacerdotes e dos diáconos Ele continua a guiar e formar a sua Igreja, levando-a a crescer ao longo do caminho da santidade. Ao mesmo tempo, devemos continuar a rezar, para que os pastores das nossas comunidades possam ser imagens vivas da comunhão e do amor de Deus.

Saudações

Amados peregrinos de língua portuguesa, saúdo-vos cordialmente a todos, com menção especial para os paroquianos de Nossa Senhora de Guadalupe de Curitiba e os diocesanos de Tubarão, os fiéis da Capela Militar Nossa Senhora da Conceição e da paróquia Jardim da Imaculada. Não nos cansemos de vigiar sobre os nossos pensamentos e atitudes para saborear desde já o calor e o esplendor do rosto de Deus, que havemos de contemplar em toda a sua beleza na vida eterna. Desça, generosa, a sua Bênção sobre vós e vossas famílias!

Acompanho com grande trepidação as dramáticas vicissitudes dos cristãos que, em várias regiões do mundo, são perseguidos e assassinados por causa do seu credo religioso. Sinto a necessidade de manifestar a minha profunda proximidade espiritual às comunidades cristãs duramente atingidas por uma violência absurda que não dá sinais de diminuir, enquanto encorajo os pastores e os fiéis a ser fortes e firmes na esperança. Mais uma vez, dirijo um forte apelo a quantos têm responsabilidades políticas à nível local e internacional, assim como a todas as pessoas de boa vontade, a fim de que haja uma vasta mobilização das consciências a favor dos cristãos perseguidos. Eles têm o direito de reencontrar a segurança e a tranquilidade nos seus países, professando livremente a nossa fé. Agora convido-vos a recitar o Pai-Nosso por todos os cristãos, perseguidos porque são cristãos.

Os fiéis que participam nesta audiência estão em dois lugares: uns aqui na praça — todos podemos ver-nos uns aos outros — e outros na sala Paulo VI, onde se encontram mais de duzentos enfermos. E dado que o tempo era tão incerto, não se sabia se havia perigo de chuva ou não, eles estão lá, abrigados, e acompanham a audiência através de uma grande tela. Convido-vos a saudar com um aplauso os nossos irmãos que estão na sala Paulo VI.

Dirijo um pensamento aos jovens, aos doentes e aos recém-casados. Ontem pudemos celebrar a memória de São Martinho, Bispo de Tours. A sua grande caridade sirva de exemplo para vós, amados jovens, para levardes a vida como uma oferta; o seu abandono em Cristo Salvador vos sustente, queridos doentes, nos momentos obscuros do sofrimento; e o seu vigor espiritual vos recorde, estimados recém-casados, a centralidade da fé no caminho conjugal.




Fonte: Vaticano




Angelus com o Papa Francisco - 09.11.2014


Praça de São Pedro
Domingo, 9 de Novembro de 2014








Amados irmãos e irmãs!

Hoje a liturgia recorda a Dedicação da Basílica Lateranense, que é a catedral de Roma e que a tradição define «mãe de todas as igrejas da Urbe e do Orbe». Com a palavra «mãe» referimo-nos não tanto ao edifício sagrado da Basílica, quanto à obra do Espírito Santo que neste edifício se manifesta, frutificando mediante o ministério do Bispo de Roma, em todas as comunidades que permanecem na unidade com a Igreja à qual ele preside.

Todas as vezes que celebramos a dedicação de uma igreja, é-nos recordada uma verdade essencial: o templo material feito de pedra é sinal da Igreja viva e activa na história, ou seja, daquele «templo espiritual», como diz o apóstolo Pedro, do qual o próprio Cristo é «pedra viva, rejeitada pelos homens mas escolhida e preciosa aos olhos de Deus» (1 Pd 2, 4-8). Jesus, no Evangelho da liturgia de hoje, falando do templo, revelou uma verdade perturbante: ou seja, que o templo de Deus não é só o edifício feito de pedra, mas é o seu corpo, feito de pedras vivas. Em virtude do Baptismo, cada cristão faz parte do «edifício de Deus» (1 Cor 3, 9), aliás, torna-se a Igreja de Deus. O edifício espiritual, a Igreja comunidade dos homens santificados pelo sangue de Cristo e pelo Espírito do Senhor ressuscitado, pede a cada um de nós que sejamos coerentes com o dom da fé e realizemos um caminho de testemunho cristão. E não é fácil, todos o sabemos, a coerência na vida entre a fé e o testemunho; mas nós devemos ir em frente e fazer na nossa vida esta coerência diária. «Este é um cristão!», não tanto por aquilo que diz, mas por aquilo que faz, pelo modo como se comporta. Esta coerência, que nos dá vida, é uma garantia do Espírito Santo que devemos pedir. A Igreja, na origem da sua vida e da sua missão no mundo, mais não foi do que uma comunidade constituída para confessar a fé em Jesus Cristo Filho de Deus e Redentor do homem, uma fé que se torna activa por meio da caridade. Caminham juntas! Também hoje a Igreja está chamada a ser no mundo a comunidade que, radicada em Cristo por meio do Baptismo, professa com humildade e coragem a fé n’Ele, testemunhando-a na caridade.

Para esta finalidade essencial devem ser orientados também os elementos institucionais, as estruturas e os organismos pastorais; para esta finalidade essencial: testemunhar a fé na caridade. A caridade é precisamente a expressão da fé e também a fé é a explicação e o fundamento da caridade. A festa de hoje convida-nos a meditar sobre a comunhão de todas as Igrejas, ou seja, desta comunidade cristã, estimula-nos por analogia a comprometer-nos para que a humanidade possa superar as fronteiras da inimizade e da indiferença, a construir pontes de compreensão e de diálogo, para fazer do mundo inteiro uma família de povos reconciliados entre eles, fraternos e solidários. Desta nova humanidade a própria Igreja é sinal e antecipação, quando vive e difunde com o seu testemunho o Evangelho, mensagem de esperança e de reconciliação para todos os homens. Invoquemos a intercessão de Maria Santíssima, para que nos ajude a ser, como ela, «casa de Deus», templo vivo do seu amor.

Depois do Angelus

Há 25 anos, a 9 de Novembro de 1989, o Muro de Berlim era derrocado, o qual, por tanto tempo, dividiu em duas partes a cidade e foi símbolo da divisão ideológica da Europa e do mundo inteiro. A derrocada deu-se imprevistamente, mas foi tornada possível pelo longo e cansativo compromisso de tantas pessoas que para isso lutaram, rezaram, sofreram, alguns até com o sacrifício da vida. Entre estes, desempenhou um papel de protagonista o santo João Paulo II. Rezemos para que, com a ajuda do Senhor e a colaboração de todos os homens de boa vontade, se difunda cada vez mais uma cultura do encontro, capaz de fazer cair todos os muros que ainda dividem o mundo, e nunca mais aconteça que pessoas inocentes sejam perseguidas e até assassinadas por causa do seu credo ou religião. Onde há um muro, há o fechamento do coração. Servem pontes, não muros!

Desejo a todos, neste lindo dia, bom domingo. Por favor, não vos esqueçais de rezar por mim. Bom almoço e até à próxima!




Fonte: Vaticano




sábado, 8 de novembro de 2014

Evangelho da Dedicação da Basílica do Latrão


Jo 2,13-22

Estava próxima a Páscoa dos judeus; Jesus, então, subiu a Jerusalém. No templo, encontrou os que vendiam bois, ovelhas e pombas, e os cambistas nas suas bancas. Então fez um chicote com cordas e a todos expulsou do templo, juntamente com os bois e as ovelhas; jogou no chão o dinheiro dos cambistas e derrubou suas bancas, e aos vendedores de pombas disse: “Tirai daqui essas coisas. Não façais da casa de meu Pai um mercado!” Os discípulos se recordaram do que está escrito: “O zelo por tua casa me há de devorar”. Então os judeus perguntaram a Jesus: “Que sinal nos mostras para agires assim?” Jesus respondeu: “Destruí vós este templo, e em três dias eu o reerguerei”. Os judeus, então, disseram: “A construção deste templo levou quarenta e seis anos, e tu serias capaz de erguê-lo em três dias?” Ora, ele falava isso a respeito do templo que é seu corpo. Depois que Jesus fora reerguido dos mortos, os discípulos se recordaram de que ele tinha dito isso, e creram na Escritura e na palavra que Jesus havia falado.




Catequese com o Papa Francisco - 05.11.2014


Praça de São Pedro
Quarta-feira, 5 de Novembro de 2014








Prezados irmãos e irmãs, bom dia!

Ouvimos o que o apóstolo Paulo diz ao bispo Tito. Mas quantas virtudes nós bispos devemos ter? Todos nós ouvimos, não? Não é fácil, porque nós somos pecadores. Mas confiamos na vossa oração, para que pelo menos nos aproximemos daquilo que o apóstolo Paulo aconselha a todos os Bispos. Concordais? Rezareis por nós?

Já pudemos salientar, nas catequeses precedentes, que o Espírito Santo cumula sempre, abundantemente, a Igreja com os seus dons. Pois bem, no poder e na graça do seu Espírito, Cristo não deixa de suscitar ministérios, com a finalidade de edificar as comunidades cristãs como seu corpo. Entre tais ministérios distingue-se o episcopal. No Bispo, coadjuvado pelos presbíteros e pelos diáconos, é o próprio Cristo que se faz presente e continua a cuidar da sua Igreja, assegurando a sua salvaguarda e orientação.

Na presença e no ministério dos Bispos, dos presbíteros e dos diáconos podemos reconhecer o rosto autêntico da Igreja: é a Santa Mãe Igreja Hierárquica. E verdadeiramente, através destes irmãos escolhidos pelo Senhor e consagrados com o sacramento da Ordem, a Igreja exerce a sua maternidade: gera-nos no Baptismo como cristãos, levando-nos a renascer em Cristo; vela sobre o nosso crescimento na fé; acompanha-nos rumo aos braços do Pai para receber o seu perdão; prepara-nos a mesa eucarística, onde nos nutre com a Palavra de Deus, com o Corpo e o Sangue de Jesus; invoca sobre nós a Bênção de Deus e a força do seu Espírito, sustentando-nos durante todo o percurso da nossa vida e afagando-nos com a sua ternura e carinho, sobretudo nos momentos mais delicados da provação, do sofrimento e da morte.

Esta maternidade da Igreja exprime-se em especial na pessoa do Bispo e no seu ministério. Com efeito, assim como Jesus escolheu os Apóstolos e os enviou para anunciar o Evangelho e apascentar a grei, também os Bispos, seus sucessores, são postos à frente das comunidades cristãs como garantes da sua fé e sinal vivo da presença do Senhor no meio delas. Portanto, entendemos que não se trata de uma posição de prestígio, de um cargo honorífico. O episcopado não é uma honorificência, mas um serviço. Jesus quis assim! Na Igreja não deve haver lugar para a mentalidade mundana. A mentalidade mundana diz: «Este homem fez a carreira eclesiástica, tornou-se bispo!». Não, não, na Igreja não deve haver lugar para esta mentalidade. O episcopado é um serviço, não uma honorificência para se vangloriar. Ser Bispo quer dizer ter sempre diante dos olhos o exemplo de Jesus que, como Bom Pastor, veio não para ser servido, mas para servir (cf. Mt 20, 28; Mc 10, 45) e dar a vida pelas suas ovelhas (cf. Jo 10, 11). Os santos Bispos — na história da Igreja há muitos santos Bispos! — mostram-nos que este ministério não se procura, não se pede nem se compra, mas acolhe-se em obediência, não para se elevar, mas para se abaixar, como Jesus que «se humilhou a si mesmo, fazendo-se obediente até à morte, e morte de cruz» (Fl 2, 8). É triste quando se vê um homem que procura este ofício e faz muitas coisas para o alcançar, e quando o alcança não serve, mas pavoneia-se, vive só para a sua vaidade.

Existe outro elemento precioso, que merece ser frisado. Quando Jesus escolheu e chamou os Apóstolos, não os pensou separados uns dos outros, cada qual por conta própria, mas juntos, para estar com Ele, unidos como uma só família. Também os Bispos constituem um único Colégio, reunido ao redor do Papa, que é guardião e garante desta profunda comunhão, a qual era muito importante para Jesus e para os seus Apóstolos. Então, como é bom quando os Bispos com o Papa exprimem esta colegialidade e procuram ser cada vez mais e melhores servidores dos fiéis na Igreja! Pudemos experimentá-lo recentemente, na Assembleia sinodal sobre a família. Mas pensemos em todos os bispos espalhados pelo mundo que, embora vivam em localidades, culturas, sensibilidades e tradições diferentes e distantes entre si, em toda a parte — um dia um bispo disse-me que para chegar a Roma de onde ele vive são necessárias mais de trinta horas de avião — sentem-se parte uns dos outros e tornam-se expressão do vínculo íntimo em Cristo, entre as comunidades. E na comum oração eclesial todos os bispos juntos se põem à escuta do Senhor e do Espírito, e assim podem prestar profunda atenção ao homem e aos sinais dos tempos (cf. Const. Gaudium et spes, 4).

Caros amigos, tudo isto nos faz entender por que as comunidades cristãs reconhecem no Bispo um grande dom e são chamadas a nutrir uma comunhão sincera e profunda com ele, a partir dos presbíteros e dos diáconos. Não existe uma Igreja sadia se os fiéis, os diáconos e os presbíteros não estiverem unidos ao bispo. Uma Igreja não unida ao Bispo está doente. Jesus quis esta união de todos os fiéis com o Bispo, e também dos diáconos e dos presbíteros. E fazem-no conscientes de que é precisamente o Bispo que se torna visível no vínculo de cada Igreja com os Apóstolos e com todas as outras comunidades, unidas com os seus Bispos e o Papa na única Igreja do Senhor Jesus, que é a nossa Santa Mãe Igreja Hierárquica. Obrigado!

Saudação

Dirijo uma saudação cordial aos peregrinos de língua portuguesa, particularmente aos presbíteros da diocese de Jundiaí com o seu bispo e os grupos de fiéis de Aracaju, Brotas e Bom Fim. Queridos irmãos, rezai pelos vossos Bispos, que são garantes da verdadeira fé e sinal vivo da presença do Senhor no meio de vós. Rezai também por mim. Agradeço-vos de coração. Deus vos abençoe!

Nesta audiência estamos unidos aos nossos irmãos doentes, pois dado que havia perigo de chuva, eles estão na sala Paulo vi, ligados a nós através de ecrãs gigantes.

Enfim, dirijo um pensamento aos jovens, aos doentes e aos recém-casados.




Fonte: Vaticano




Angelus com o Papa Francisco - 02.11.2014


Praça de São Pedro
Domingo, 2 de Novembro de 2014








Caros irmãos e irmãs, bom dia!

Ontem pudemos celebrar a Solenidade de todos os Santos e hoje a liturgia convida-nos a recordar os fiéis defuntos. Estas duas comemorações estão intimamente ligadas entre si, assim como a alegria e as lágrimas encontram em Jesus Cristo uma síntese que é fundamento da nossa fé e da nossa esperança. Com efeito, por um lado a Igreja, peregrina na história, alegra-se pela intercessão dos Santos e dos Beatos que a corroboram na missão de anunciar o Evangelho; por outro, como Jesus, ela compartilha o pranto de quantos sofrem a separação das pessoas amadas, e como Ele e graças a Ele, faz ressoar a acção de graças ao Pai que nos libertou do domínio do pecado e da morte.

Entre ontem e hoje, muitas pessoas vão em visita ao cemitério que, como diz esta mesma palavra, é o «lugar do descanso», à espera do derradeiro despertar. É bom pensar que o próprio Jesus nos acordará! Foi precisamente Jesus que nos revelou que a morte do corpo é como um sono do qual Ele nos desperta. É com esta fé que nos detemos — também espiritualmente — perante o túmulo dos nossos entes queridos, de quantos nos amaram e nos fizeram o bem. Mas hoje somos chamados a recordar todos, inclusive aqueles dos quais ninguém se lembra. Recordemos as vítimas das guerras e das violências; tantos «pequeninos» do mundo, esmagados pela fome e pela miséria; recordemos os anónimos, que descansam no ossário comum; recordemos os irmãos e as irmãs assassinados por serem cristãos; e recordemos quantos sacrificaram a vida para servir o próximo. Confiemos ao Senhor de maneira particular quantos nos deixaram durante este último ano.

A tradição da Igreja sempre exortou a rezar pelos finados, de maneira especial oferecendo por eles a Celebração eucarística: esta é a melhor ajuda espiritual que nós podemos oferecer pelas suas almas, particularmente por aquelas mais abandonadas. O fundamento da oração de sufrágio encontra-se na comunhão do Corpo Místico. Como reitera o Concílio Vaticano II, «reconhecendo claramente esta comunicação de todo o Corpo Místico de Cristo, a Igreja dos que ainda peregrinam cultivou com muita piedade desde os primeiros tempos do Cristianismo a memória dos defuntos» (Lumen gentium, 50).

A comemoração dos finados, o cuidado pelos sepulcros e os sufrágios são testemunho de esperança confiante, radicada na certeza de que a morte não é a última palavra sobre o destino humano, porque o homem está destinado a uma vida sem limites, que encontra a sua raiz e o seu cumprimento em Deus. Dirijamos a Deus a seguinte prece: «Deus de misericórdia infinita, confiamos à vossa bondade imensa quantos deixaram este mundo para a eternidade, onde Vós esperais a humanidade inteira, redimida pelo sangue precioso de Cristo, vosso Filho, morto em resgate pelos nossos pecados. Senhor, não olheis para as numerosas formas de pobreza, miséria e debilidade humanas, quando nos apresentarmos diante do vosso Tribunal, para sermos julgados para a felicidade ou a condenação. Dirigi-nos o vosso olhar piedoso, que nasce da ternura do vosso Coração, e ajudai-nos a caminhar pela senda de uma purificação completa. Que nenhum dos vossos filhos se perca no fogo eterno do inferno, onde já não há lugar para o arrependimento. Senhor, confiamos-vos as almas dos nossos entes queridos, das pessoas que morreram sem o alívio sacramental, ou que não tiveram a possibilidade de se arrepender nem sequer no termo da própria vida. Que ninguém tenha medo de se encontrar convosco, depois da peregrinação terrena, na esperança de ser recebido nos braços da vossa misericórdia infinita. Que a irmã morte corporal nos encontre vigilantes na oração e repletos de todo o bem praticado ao longo da nossa existência, breve ou longa que tenha sido. Senhor, nada nos afaste de Vós nesta terra, mas tudo e todos nos sustentem no desejo abrasador de descansar tranquila e eternamente em Vós. Assim seja!» (Pe. Antonio Rungi, passionista, Oração dos finados).

Com esta fé no destino supremo do homem, dirijamo-nos agora a Nossa Senhora, que aos pés da Cruz padeceu o drama da morte de Cristo e depois participou na alegria da sua Ressurreição. Que Ela, Porta do Céu, nos ajude a compreender cada vez mais o valor da oração de sufrágio pelos defuntos. Eles estão próximos de nós! Que Ela nos conforte na peregrinação quotidiana na terra e nos ajude a nunca perder de vista a meta derradeira da vida, que é o Paraíso. E nós vamos em frente com esta esperança, que nunca desilude!

Depois do Angelus

Saúdo as famílias, os grupos paroquiais, as associações e todos os peregrinos provenientes de Roma, da Itália e de muitas regiões do mundo. Saúdo em particular os fiéis da diocese de Sevilha (Espanha), de Case Finali em Cesena e os voluntários de Oppeano e Granzette que exercem a clownterapia nos hospitais. Vejo-os ali presentes: dai continuidade a este serviço, que ajuda muito os doentes. Saudemos estas boas pessoas!

Desejo bom domingo a todos, na recordação cristã dos nossos amados defuntos. Por favor, não vos esqueçais de rezar por mim.

Bom almoço e até à vista!




Fonte: Vaticano




sábado, 1 de novembro de 2014

Evangelho do dia de Finados


Jo 11,32-45

Maria foi para o lugar onde estava Jesus. Quando o viu, caiu de joelhos diante dele e disse-lhe: “Senhor, se tivesses estado aqui, meu irmão não teria morrido”. Quando Jesus a viu chorar, e os que estavam com ela, comoveu-se interiormente e perturbou-se. Ele perguntou: “Onde o pusestes?” Responderam: “Vem ver, Senhor!” Jesus teve lágrimas. Os judeus então disseram: “Vede como ele o amava!” Alguns deles, porém, diziam: “Este, que abriu os olhos ao cego, não podia também ter feito com que Lázaro não morresse?” De novo, Jesus ficou interiormente comovido. Chegou ao túmulo. Era uma gruta fechada com uma pedra. Jesus disse: “Tirai a pedra!” Marta, a irmã do morto, disse-lhe: “Senhor, já cheira mal, é o quarto dia”. Jesus respondeu: “Não te disse que, se creres, verás a glória de Deus?” Tiraram então a pedra. E Jesus, levantando os olhos para o alto, disse: “Pai, eu te dou graças porque me ouviste! Eu sei que sempre me ouves, mas digo isto por causa da multidão em torno de mim, para que creia que tu me enviaste”. Dito isso, exclamou com voz forte: “Lázaro, vem para fora!” O que estivera morto saiu, com as mãos e os pés amarrados com faixas e um pano em volta do rosto. Jesus, então, disse-lhes: “Desamarrai-o e deixai-o ir!” Muitos judeus que tinham ido à casa de Maria e viram o que Jesus fizera, creram nele.






Catequese com o Papa Francisco - 29.10.2014


Praça de São Pedro
Quarta-feira, 29 de Outubro de 2014








Prezados irmãos e irmãs, bom dia!

Nas catequeses precedentes tivemos a oportunidade de evidenciar que a Igreja tem uma natureza espiritual: é o corpo de Cristo, edificado no Espírito Santo. No entanto, quando nos referimos à Igreja, o pensamento dirige-se imediatamente para as nossas comunidades, paróquias, dioceses e estruturas, nas quais em geral, estamos habituados a reunir-nos e, obviamente, também ao componente e às figuras mais institucionais que a regem, que a governam. Nisto consiste a realidade visível da Igreja. Devemos perguntar-nos: trata-se de duas realidades diferentes, ou de uma única Igreja? E, se é sempre uma só Igreja, como podemos entender a relação entre a sua realidade visível e a espiritual?

Antes de tudo, quando falamos da realidade visível da Igreja, não devemos pensar exclusivamente no Papa, nos Bispos, nos sacerdotes, nas religiosas e em todas as pessoas consagradas. A realidade visível da Igreja é constituída por numerosos irmãos e irmãs baptizados que, no mundo, crêem, esperam e amam. Todavia, muitas vezes ouvimos dizer: «Mas a Igreja não faz isto, a Igreja não faz aquilo...» — «Mas diz-me, quem é a Igreja?» — «São os presbíteros, os Bispos, o Papa...» — A Igreja somos todos nós! Todos os baptizados somos a Igreja, a Igreja de Jesus! Todos aqueles que seguem o Senhor Jesus e que, no seu nome, se fazem próximos dos últimos e dos sofredores, procurando oferecer um pouco de alívio, de conforto e de paz. Todos aqueles que fazem o que o Senhor mandou são a Igreja. Então, compreendemos que também a realidade visível da Igreja não é comensurável, nem é conhecível em toda a sua plenitude: como se pode conhecer todo o bem que é feito? Tantas obras de amor, tantos gestos de fidelidade nas famílias, tanto trabalho para educar os filhos e para transmitir a fé, tanto padecimento nos doentes que oferecem os seus sofrimentos ao Senhor... Tudo isto não se pode medir, porque é deveras grande! Como se podem conhecer todas as maravilhas que, através de nós, Cristo consegue realizar no coração e na vida de cada pessoa? Vede: inclusive a realidade visível da Igreja vai além do nosso controle, ultrapassa as nossas forças e é uma realidade misteriosa, porque provém de Deus.

Para compreender na Igreja a relação entre a sua realidade visível e a espiritual, não há outro modo, a não ser olhar para Cristo, de Quem a Igreja constitui o corpo e por Quem ela é gerada, num gesto de amor infinito. Com efeito, em virtude do mistério da Encarnação, também em Cristo nós reconhecemos uma natureza humana e uma divina, unidas na mesma Pessoa de modo admirável e indissolúvel. Isto é válido de maneira análoga inclusive para a Igreja. E assim como em Cristo a natureza humana coadjuva plenamente a divina, pondo-se ao seu serviço, em função do cumprimento da salvação, do mesmo modo acontece na Igreja pela sua realidade visível, em relação à espiritual. Portanto, também a Igreja é um mistério, no qual o que não se vê é mais importante do que aquilo que é visível, e só pode ser reconhecido com os olhos da fé (cf. Const. dogm. sobre a Igreja Lumen gentium, 8).

Porém, no caso da Igreja devemos interrogar-nos: como pode a realidade visível pôr-se ao serviço da espiritual? Mais uma vez, só o podemos compreender fitando Cristo. Ele é o modelo da Igreja, porque a Igreja é o seu corpo. É o modelo de todos os cristãos, de todos nós. Quando fitamos Cristo, não nos enganamos! No Evangelho de Lucas narra-se que Jesus, tendo voltado para Nazaré onde crescera, entrou na sinagoga e, referindo-se a si mesmo, leu o trecho do profeta Isaías onde está escrito: «O Espírito do Senhor está sobre mim, porque me ungiu; e enviou-me para anunciar a boa nova aos pobres, para sarar os contritos de coração, para anunciar aos cativos a redenção, aos cegos a recuperação da vista, para pôr em liberdade os prisioneiros, para proclamar o ano da graça do Senhor» (4, 18-19). Eis: assim como Cristo se serviu da sua humanidade — porque Ele era também homem — para anunciar e cumprir o desígnio divino de redenção e de salvação — porque era Deus — do mesmo modo deve ser também a Igreja. Através da sua realidade visível, de tudo aquilo que se vê, os sacramentos e o testemunho de todos nós, cristãos, a Igreja é chamada todos os dias a fazer-se próxima de cada homem, a começar por quantos são pobres, por quem sofre e por aqueles que vivem marginalizados, de maneira a continuar a fazer sentir sobre todos o olhar compassivo e misericordioso de Jesus.

Caros irmãos e irmãs, muitas vezes como Igreja nós fazemos a experiência da nossa fragilidade e dos nossos limites. Todos somos limitados. Todos somos pecadores. Nenhum de nós pode dizer: «Eu não sou pecador!». Ma se algum de nós sentir que não não é pecador, levante a mão. Todos nós somos pecadores. E esta fragilidade, estes limites, estes nossos pecados, é natural que suscitem em nós um profundo desgosto, sobretudo quando damos mau exemplo e compreendemos que somos motivo de escândalo. Quantas vezes ouvimos dizer, no bairro: «Aquela pessoa lá vai sempre à igreja, mas fala mal de todos...». Isto não é cristão, é um mau exemplo: é pecado. É assim que damos mau exemplo: «Em suma, se aquele ou aquela é cristão, eu torno-me ateu!». O nosso testemunho consiste em fazer compreender o que significa ser cristão. Peçamos para não ser motivo de escândalo. Peçamos o dom da fé para podermos entender como, não obstante a nossa pequenez e a nossa pobreza, o Senhor nos transformou verdadeiramente em instrumentos de graça e sinais visíveis do seu amor por toda a humanidade. Sim, podemos tornar-nos motivo de escândalo! Contudo, podemos também tornar-nos motivo de testemunho, transmitindo com a nossa vida aquilo que Jesus deseja de nós.

Saudações

Saúdo cordialmente os peregrinos de língua portuguesa, em particular os Amigos do Museu do Oriente, o grupo de sacerdotes de São Sebastião do Rio de Janeiro, bem como os membros das Comunidades Canção Nova, em festa pelo reconhecimento eclesial, eDoce Mãe de Deus e Copiosa Redenção, pelo jubileu de fundação. O Senhor vos encha de alegria e o Espírito Santo ilumine as decisões da vossa vida, para realizardes fielmente a vontade do Pai celeste. Sobre todos vós e vossas famílias e comunidades, vele a Santa Mãe da Igreja.

Dirijo cordiais boas-vindas aos peregrinos de língua árabe, de modo especial aos provenientes do Médio Oriente! Amados irmãos e irmãs, nós somos a realidade visível da Igreja! Peçamos ao Senhor que nos torne sempre instrumentos da sua graça e sinais visíveis do seu amor. Que o Senhor vos abençoe!

Diante do agravar-se da epidemia do vírus do ebola, desejo manifestar a minha profunda preocupação por esta doença implacável que se propaga particularmente no Continente africano, sobretudo entre as populações mais necessitadas. Com o carinho e a oração estou próximo das pessoas atingidas, assim como dos médicos, dos enfermeiros, dos voluntários, das instituições religiosas e das associações, que se prodigalizam heroicamente para socorrer estes nossos irmãos e irmãs doentes. Renovo o meu apelo a fim de que a Comunidade internacional envide todos os esforços necessários para debelar este vírus, aliviando de maneira concreta as dificuldades e os sofrimentos de quantos são provados tão duramente.

Convido-vos todos a rezar por eles e por quantos perderam a vida!

Finalmente, dirijo um pensamento especial aos jovens, aos enfermos e aos recém-casados. Aproximamo-nos da Solenidade de todos os Santos. Caros jovens, olhai para os Santos como modelos de vida; estimados doentes, oferecei o vosso sofrimento por quantos têm necessidade de conversão; e vós, diletos recém-casados, esmerai-vos pelo crescimento da fé no nosso lar conjugal.




Fonte: Vaticano




Angelus com o Papa Francisco - 26.10.2014


Praça de São Pedro
Domingo, 26 de Outubro de 2014








Amados irmãos e irmãs, bom dia!

O Evangelho de hoje recorda-nos que toda a Lei divina se resume no amor a Deus e ao próximo. O Evangelista Mateus narra que alguns fariseus concordaram em pôr Jesus à prova (cf. 22, 34-35). Um deles, um doutor da lei, dirige-lhe a seguinte pergunta: «Mestre, qual é o maior mandamento da lei?» (v. 36). Citando o Livro do Deuteronómio, Jesus responde: «Amarás o Senhor teu Deus com todo o teu coração, toda a tua alma e todo o teu espírito. Este é o maior e o primeiro mandamento» (vv. 37-38). E teria podido parar aqui. Ao contrário, Jesus acrescenta algo que não tinha sido questionado pelo doutor da lei. Com efeito, diz: «E o segundo, semelhante a este, é: amarás o teu próximo como a ti mesmo» (v. 39). Também Jesus não inventa este segundo mandamento, mas tira-o do Livro do Levítico. A sua novidade consiste precisamente em unir estes dois mandamentos — o amor a Deus e o amor ao próximo — revelando que eles são inseparáveis e complementares, constituem os dois lados de uma mesma medalha. Não se pode amar a Deus sem amar o próximo, e não se pode amar o próximo sem amar a Deus. A este propósito, o Papa Bento XVI deixou-nos um comentário muito bonito na sua primeira Encíclica, Deus caritas est (nn. 16-18).

Com efeito, o sinal visível que o cristão pode manifestar para testemunhar o amor de Deus ao mundo, aos outros e à sua família é o amor pelos irmãos. O mandamento do amor a Deus e ao próximo é o primeiro, mas não porque está no início do elenco dos mandamentos. Jesus não o coloca no vértice, mas no centro, porque é o coração do qual tudo deve começar, para o qual tudo deve voltar e ao qual tudo deve fazer referência.

Já no Antigo Testamento a exigência de ser santo, à imagem de Deus que é Santo, incluía também o dever de cuidar das pessoas mais frágeis, como o estrangeiro, o órfão e a viúva (cf. Êx 22, 20-26). Jesus cumpre esta lei de aliança, Ele que resume em Si mesmo, na sua carne, a divindade e a humanidade, num único mistério de amor.

À luz desta palavra de Jesus, o amor já é a medida da fé, e a fé constitui a alma do amor. Não podemos mais separar a vida religiosa, a existência de piedade do serviço aos irmãos, àqueles irmãos concretos com os quais nos encontramos. Já não podemos dividir a oração, o encontro com Deus nos Sacramentos, da escuta do outro e da proximidade à sua vida, de forma especial às suas feridas. Recordai-vos disto: o amor é a medida da fé! E tu, quanto amas? Cada um responda pessoalmente. Como é a tua fé? A minha fé é como eu amo. E a fé é a alma do amor.

No meio da densa selva de preceitos e prescrições — dos legalismos de ontem e de hoje — Jesus faz uma abertura que permite vislumbrar dois semblantes: o rosto do Pai e a face do irmão. Não nos confia duas fórmulas ou preceitos: não se trata de preceitos e fórmulas; Ele confia-nos dois semblantes, aliás, um único rosto, o rosto de Deus que se reflecte em numerosos outros rostos, porque na face de cada irmão, especialmente do mais pequenino, frágil, indefeso e necessitado está presente a imagem do próprio Deus. E deveríamos interrogar-nos, quando encontramos um destes irmãos, se somos capazes de reconhecer nele o rosto de Deus: somos capazes disto?

Deste modo, Jesus oferece a cada homem o critério fundamental sobre o qual devemos delinear a nossa própria vida. Mas, sobretudo, Ele concedeu-nos o Espírito Santo, que nos permite amar a Deus e o próximo como Ele, com o coração livre e generoso. Por intercessão de Maria, nossa Mãe, abramo-nos ao acolhimento desta dádiva do amor, para caminhar sempre nesta lei dos dois semblantes, que constituem um só: a lei do amor.

Depois do Angelus

Estimados irmãos e irmãs!

Ontem em São Paulo, no Brasil, foi proclamada Beata Madre Assunta Marchetti, nascida na Itália, co-Fundadora das Irmãs Missionárias de São Carlos Borromeu — Scalabrinianas. Ela foi uma religiosa exemplar no serviço aos órfãos dos emigrantes italianos; e via Jesus presente nos pobres, nos órfãos, nos enfermos e nos migrantes. Demos graças a Deus por esta mulher, modelo de missionariedade incansável e de dedicação intrépida no serviço de caridade. Esta é uma exortação e acima de tudo uma confirmação daquilo que já dissemos antes, em relação à busca do rosto de Deus no irmão e na irmã necessitados.

Agradeço e saúdo todos carinhosamente!

Por favor, não vos esqueçais de rezar por mim! Desejo-vos feliz domingo e bom almoço. Até à vista!




Fonte; Vaticano




Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...