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domingo, 27 de dezembro de 2015

Evangelho da Sagrada Família


São Lucas 2, 41-51a

Os pais de Jesus iam todos os anos a Jerusalém, pela festa da Páscoa. Quando Ele fez doze anos, subiram até lá, como era costume nessa festa. Quando eles regressavam, passados os dias festivos, o Menino Jesus ficou em Jerusalém, sem que seus pais o soubessem. Julgando que Ele vinha na caravana, fizeram um dia de viagem e começaram a procurá-l’O entre os parentes e conhecidos. Não O encontrando, voltaram a Jerusalém, à sua procura. Passados três dias, encontraram-n’O no templo, sentado no meio dos doutores, a ouvi-los e a fazer-lhes perguntas. Todos aqueles que O ouviam estavam surpreendidos com a sua inteligência e as suas respostas. Quando viram Jesus, seus pais ficaram admirados e sua Mãe disse-Lhe: "Filho, porque procedeste assim connosco? Teu pai e eu andávamos aflitos à tua procura". Jesus respondeu-lhes: "Porque Me procuráveis? Não sabíeis que Eu devia estar na casa de meu Pai?". Mas eles não entenderam as palavras que Jesus lhes disse. Jesus desceu então com eles para Nazaré e era-lhes submisso.




domingo, 20 de dezembro de 2015

Evangelho do IV Domingo do Advento - Ano C


São Lucas 1, 39-45

Naqueles dias, Maria pôs-se a caminho e dirigiu-se apressadamente para a montanha, em direção a uma cidade de Judá. Entrou em casa de Zacarias e saudou Isabel. Quando Isabel ouviu a saudação de Maria, o menino exultou-lhe no seio. Isabel ficou cheia do Espírito Santo e exclamou em alta voz: "Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre. Donde me é dado que venha ter comigo a Mãe do meu Senhor? Na verdade, logo que chegou aos meus ouvidos a voz da tua saudação, o menino exultou de alegria no meu seio. Bem-aventurada aquela que acreditou no cumprimento de tudo quanto lhe foi dito da parte do Senhor".










Catequese com o Papa Francisco - 16.12.2015


Quarta-feira, 16 de Dezembro de 2015








Prezados irmãos e irmãs, bom dia!

No domingo passado foi aberta a Porta Santa na Catedral de Roma, a Basílica de São João de Latrão, e abriu-se uma Porta da Misericórdia na Catedral de cada diocese do mundo, inclusive nos santuários e nas igrejas indicadas pelos bispos. O Jubileu realiza-se em todo o mundo, não apenas em Roma. Desejei que este sinal da Porta Santa estivesse presente em cada Igreja particular, para que o Jubileu da Misericórdia possa tornar-se uma experiência compartilhada por todas as pessoas. Deste modo, o Ano Santo teve início na Igreja inteira e é celebrado em cada uma das dioceses, como em Roma. Além disso, a primeira Porta Santa foi aberta precisamente no coração da África. Quanto a Roma, é o sinal visível da comunhão universal. Possa esta comunhão eclesial tornar-se cada vez mais intensa, a fim de que a Igreja seja no mundo o sinal vivo do amor e da misericórdia do Pai.

Também a data de 8 de Dezembro quis sublinhar esta exigência unindo, cinquenta anos mais tarde, o início do Jubileu com o encerramento do Concílio Ecuménico Vaticano ii. Com efeito, o Concílio contemplou e apresentou a Igreja à luz do mistério da comunhão. No entanto, espalhada pelo mundo inteiro e subdividida em numerosas Igrejas particulares, ela é sempre e exclusivamente a única Igreja de Jesus Cristo, aquela que Ele quis e pela qual se ofereceu a si mesmo. A Igreja «una» que vive da comunhão do próprio Deus.

Este mistério de comunhão, que faz da Igreja um sinal do amor do Pai, cresce e amadurece no nosso coração, quando o amor, que reconhecemos na Cruz de Cristo e na qual nos imergimos, nos leva a amar do mesmo modo como nós somos amados por Ele. Trata-se de um Amor sem fim, que tem o semblante do perdão e da misericórdia.

No entanto, a misericórdia e o perdão não devem permanecer só palavras, mas realizar-se na vida quotidiana. Amar e perdoar constituem o sinal concreto e visível de que a fé transformou os nossos corações, permitindo-nos expressar em nós a vida do próprio Deus. Amar e perdoar como o próprio Deus ama e perdoa. Trata-se de um programa de vida que não pode conhecer interrupções nem excepções, mas impele-nos a ir sempre mais além, sem nos cansarmos, com a certeza de que somos sustentados pela presença paternal de Deus. Este grandioso sinal da vida cristã transforma-se depois em muitos outros sinais que são característicos do Jubileu. Penso em quantos atravessarão uma das Portas Santas, que neste Ano constituem verdadeiras Portas da Misericórdia. A Porta indica o próprio Jesus, que disse: «Eu sou a porta. Se alguém entrar por mim será salvo; tanto entrará como sairá, e encontrará pastagem» (Jo 10, 9). Atravessar a Porta Santa é o sinal da nossa confiança no Senhor Jesus,que não veio para julgar, mas para salvar (cf. Jo 12, 47). Prestai atenção, para que não haja alguém um pouco dinâmico ou demasiado astuto, que vos diga que é preciso pagar: não! A salvação não se paga. A salvação não se compra. A Porta é Jesus, e Jesus é grátis! Ele mesmo fala de quantos fazem entrar não como se deve, e simplesmente afirma que são ladrões e salteadores. Repito-vos, estai atentos: a salvação é grátis! Atravessar a Porta Santa é sinal de uma verdadeira conversão do nosso coração. Quando atravessarmos aquela Porta, será bom recordar que devemos manter escancarada também a porta do nosso coração. Ponho-me diante da Porta Santa e peço: «Senhor, ajudai-me a abrir de par em par a porta do meu coração!». O Ano Santo não seria muito eficaz, se a porta do nosso coração não deixasse passar Cristo, que nos impele a ir ao encontro dos outros, para lhes levar Ele e o seu amor. Portanto, do mesmo modo como a Porta Santa permanece aberta, porque constitui o sinal da aceitação que o próprio Deus nos reserva, assim também a nossa porta, a porta do nosso coração, permaneça sempre aberta de par em par, para não excluir ninguém. Nem sequer aquele, ou aquela, que me aborrece: ninguém!

Um sinal importante do Jubileu é também a Confissão. Aproximar-se do Sacramento mediante o qual nos reconciliamos com Deus equivale a fazer uma experiência pessoal da sua misericórdia. Significa encontrar o Pai que perdoa: Deus perdoa tudo! Deus compreende-nos também nos nossos limites, entende-nos inclusive nas nossas contradições. E não só! Através do seu amor, diz-nos que precisamente quando reconhecemos os nossos pecados Ele faz-se ainda próximo de nós, encorajando-nos a olhar para a frente. E diz mais ainda: que quando reconhecemos os nossos pecados e pedimos perdão, faz-se festa no Céu. Jesus faz festa: nisto consiste a sua misericórdia, não desanimemos! Em frente, em frente com isto!

Quantas vezes ouvi dizer: «Padre, não consigo perdoar o meu vizinho, o colega de trabalho, a vizinha, a sogra, a cunhada». Todos nós ouvimos isto: «Não consigo perdoar!». Contudo, como podemos pedir a Deus que nos perdoe, se depois nós mesmos não somos capazes de conceder o nosso perdão? Perdoar é algo grandioso; e no entanto, não é fácil perdoar, porque o nosso coração é pobre, e unicamente com as suas forças não o conseguirá fazer. Contudo, se nos abrirmos ao acolhimento da misericórdia de Deus por nós, tornar-nos-emos por nossa vez capazes de perdão. Muitas vezes ouvi dizer: «Não podia ver aquela pessoa: sentia ódio por ela. Mas um dia aproximei-me do Senhor e pedi-lhe perdão pelos meus pecados, mas também perdoei aquela pessoa». São coisas de todos os dias. E temos esta oportunidade perto de nós!

Por conseguinte, ânimo! Vivamos o Jubileu a começar por estes sinais que exigem uma grande força de amor. O Senhor acompanhar-nos-á para nos levar a fazer a experiência de outros sinais importantes para a nossa vida. Coragem e em frente!

Saudações

Queridos peregrinos de língua portuguesa, bem-vindos! De coração vos desejo aquela misericórdia imensa e inesgotável que o Pai nos deu com o seu Filho feito Menino. Possam os vossos corações e as vossas famílias alegrar-se com a presença deste Deus feito Homem, a exemplo da Virgem Mãe que O concebeu por obra do Espírito Santo! Feliz Natal!

Dou cordiais boas-vindas aos peregrinos de língua árabe, de modo particular aos provenientes do Médio Oriente! Estimados irmãos e irmãs, permitamos que Jesus atravesse a porta do nosso coração para nos impelir a ir ao encontro dos outros e para lhes levar o Amor e a Misericórdia do Pai. Que o Senhor vos abençoe!

Dirijo uma saudação especial aos jovens, aos doentes e aos recém-casados. Confiemos em Maria, mestra de fé e modelo de obediência ao Senhor. Amados jovens, sabei viver o Natal com a mesma fé com a qual Maria aceitou o anúncio do Arcanjo Gabriel. Caros enfermos, pedi-lhe para alcançar aquela paz íntima que Jesus trouxe ao mundo. Diletos recém-casados, imitai o exemplo da Mãe de Jesus com a oração e as virtudes.




Fonte: Vaticano



Angelus com o Papa Francisco - 13.12.2015


Praça São Pedro
Domingo, 13 de Dezembro de 2015








Amados irmãos e irmãs, bom dia!

No Evangelho de hoje há uma pergunta que se repete três vezes: «Que devemos fazer?» (Lc 3, 10.12.14). Interpelam João Baptista três categorias de pessoas: primeiro, a multidão em geral; segundo, os publicanos, isto é, os cobradores de impostos; e, terceiro, alguns soldados. Cada um destes grupos questiona o profeta sobre o que deve fazer para pôr em prática a conversão que ele está a pregar. A resposta de João à pergunta da multidão é a partilha dos bens de primeira necessidade. Ou seja, ao primeiro grupo, a multidão, diz para partilhar os bens de primeira necessidade, afirmando: «Quem tem duas túnicas, reparta com quem não tem nenhuma, e quem tem mantimentos faça o mesmo» (v. 11). Depois, ao segundo grupo, aos cobradores de impostos, diz que não exijam nada mais do que foi estabelecido (v. 13). Que significa isto? Não pedir «comissões ilegais», João Baptista é claro. E ao terceiro grupo, aos soldados, pede para não extorquir nada a ninguém mas que se contentem com o seu salário (cf. v 14). São as três respostas às três perguntas destes grupos. Três respostas para um idêntico caminho de conversão, que se manifesta em compromissos concretos de justiça e de solidariedade. É o caminho que Jesus indica em toda a sua pregação: o caminho do amor concreto ao próximo.

Destas admoestações de João Baptista compreendemos quais eram as tendências gerais de quem, naquela época, detinha o poder, sob diversas formas. As coisas não mudaram muito. Contudo, nenhuma categoria de pessoas está excluída de percorrer o caminho da conversão para alcançar a salvação, nem os publicanos considerados pecadores por definição: nem sequer eles estão excluídos da salvação. Deus não priva ninguém da possibilidade de se salvar. Ele está — por assim dizer — ansioso por praticar a misericórdia, praticá-la em relação a todos, e acolher cada um no abraço terno da reconciliação e do perdão.

Esta pergunta — que devemos fazer? — ainda a sentimos nossa. A liturgia de hoje repete-nos, com as palavras de João, que é preciso converter-se, que é preciso mudar o rumo das situações e empreender o caminho da justiça, da solidariedade, da sobriedade: são os valores imprescindíveis de uma existência plenamente humana e autenticamente cristã. Convertei-vos! É a síntese da mensagem do Baptista. E a liturgia deste terceiro domingo de Advento ajuda-nos a redescobrir uma dimensão particular da conversão: a alegria. Quem se converte e se aproxima do Senhor, sente alegria. O profeta Sofonias diz-nos hoje: «Rejubila, filha de Sião!», dirigindo-se a Jerusalém (Sf 3, 14); e o apóstolo Paulo exorta assim os cristãos de Filipos: «Alegrai-vos sempre no Senhor» (Fl 4, 4). Hoje é preciso ter coragem para falar de alegria, é necessário sobretudo fé! O mundo está assolado por tantos problemas, o futuro obscurecido por incógnitas e receios. Contudo o cristão é uma pessoa jubilosa, e a sua alegria não é algo superficial e efémero, mas profundo e estável, porque é uma dádiva do Senhor que enche a vida. A nossa alegria deriva da certeza de que «o Senhor está próximo» (Fl 4, 5): está próximo com a sua ternura, com a sua misericórdia, com o seu perdão e o seu amor.

A Virgem Maria nos ajude a fortalecer a nossa fé, para que saibamos acolher o Deus da alegria, o Deus da misericórdia, que deseja habitar sempre no meio dos seus filhos. E a nossa Mãe nos ensine a partilhar as lágrimas com quem chora, a fim de poder partilhar também o sorriso.

Depois do Angelus

A Conferência sobre o clima há pouco concluiu-se em Paris com a adopção de um acordo, por muitos definido histórico. A sua concretização exigirá um compromisso coral e uma generosa dedicação da parte de cada um. Fazendo votos de que seja garantida uma atenção particular às populações mais vulneráveis, exorto a inteira comunidade internacional a prosseguir com solicitude o caminho empreendido, no sinal de uma solidariedade que se torne cada vez mais efectiva.

Na terça-feira próxima, 15 de Dezembro, em Nairobi terá início a Conferência Ministerial da Organização Internacional do Comércio. Dirijo-me aos países que nela participam, para que as decisões que forem tomadas tenham em consideração as necessidades dos pobres e das pessoas mais vulneráveis, assim como as legítimas aspirações dos países menos desenvolvidos e o bem comum de toda a família humana.

Em todas as catedrais do mundo, são abertas as Portas Santas, para que o Jubileu da Misericórdia possa ser vivido plenamente nas Igrejas particulares. Faço votos de que este momento forte estimule muitos a fazerem-se instrumentos da ternura de Deus. A este propósito, saúdo os presos dos cárceres de todo o mundo, sobretudo da prisão de Pádua, que hoje estão espiritualmente unidos a nós para este momento de oração, e agradeço-lhes o dom do concerto.

Saúdo todos vós, peregrinos vindos de Roma, da Itália e de muitas partes do mundo. Em particular saúdo quantos provêm de Varsóvia e de Madrid. Dirijo um pensamento especial às crianças da Fundação Dispensário de Santa Marta no Vaticano: aos pais com as suas crianças, aos voluntários e às irmãs Filhas da Caridade; obrigado pelo vosso testemunho de solidariedade e de acolhimento! E saúdo também os membros do Movimento dos Focolares juntamente com os amigos e algumas comunidades islâmicas. Ide em frente! Ide em frente com coragem no vosso percurso de diálogo e de fraternidade, porque todos somos filhos de Deus!

Desejo cordialmente a todos bom domingo e bom almoço. Não vos esqueçais, por favor, de rezar por mim. Até à vista!




Fonte: Vaticano




domingo, 13 de dezembro de 2015

Evangelho do III Domingo do Advento - Ano C


São Lucas 3, 10-18

Naquele tempo, as multidões perguntavam a João Batista: "Que devemos fazer?" Ele respondia-lhes: "Quem tiver duas túnicas reparta com quem não tem nenhuma; e quem tiver mantimentos faça o mesmo". Vieram também alguns publicanos para serem baptizados e disseram: "Mestre, que devemos fazer?" João respondeu-lhes: "Não exijais nada além do que vos foi prescrito". Perguntavam-lhe também os soldados: "E nós, que devemos fazer?" Ele respondeu-lhes: "Não pratiqueis violência com ninguém nem denuncieis injustamente; e contentai-vos com o vosso soldo". Como o povo estava na expectativa e todos pensavam em seus corações se João não seria o Messias, ele tomou a palavra e disse a todos: "Eu batizo-vos com água, mas está a chegar quem é mais forte do que eu, e eu não sou digno de desatar as correias das suas sandálias. Ele batizar-vos-á com o Espírito Santo e com o fogo. Tem na mão a pá para limpar a sua eira e recolherá o trigo no seu celeiro; a palha, porém, queimá-la-á num fogo que não se apaga". Assim, com estas e muitas outras exortações, João anunciava ao povo a Boa Nova".







Catequese com o Papa Francisco - 09.12.2015


Quarta-feira, 9 de Dezembro de 2015








Amados irmãos e irmãs, bom dia!

Ontem abri aqui na Basílica de São Pedro a Porta Santa do Jubileu da Misericórdia, depois de a ter já aberto na Catedral de Bangui, na África Central. Hoje gostaria de meditar convosco sobre o significado deste Ano Santo, respondendo à pergunta: por que um Jubileu da Misericórdia? O que significa isto?

A Igreja tem necessidade deste momento extraordinário. Não digo: é bom para a Igreja este momento extraordinário. Digo: a Igreja tem necessidade deste momento extraordinário. Na nossa época de profundas mudanças, a Igreja é chamada a oferecer a sua contribuição peculiar, tornando visíveis os sinais da presença e da proximidade de Deus. E o Jubileu é um tempo favorável para todos nós a fim de que, contemplando a Misericórdia Divina que supera todos os limites humanos e resplandece na obscuridade do pecado, possamos tornar-nos testemunhas mais convictas e eficazes.

Dirigir o olhar para Deus, Pai misericordioso, e para os irmãos necessitados de misericórdia, significa prestar atenção ao conteúdo essencial do Evangelho: Jesus, Misericórdia que se fez carne, que torna visível aos nossos olhos o grande mistério do Amor trinitário de Deus. Celebrar um Jubileu da Misericórdia equivale a pôr de novo no centro da nossa vida pessoal e das nossas comunidades o específico da fé cristã, ou seja Jesus Cristo, o Deus misericordioso.

Portanto, um Ano Santo para viver a misericórdia. Sim, caros irmãos e irmãs, este Ano Santo é-nos oferecido para experimentar na nossa vida o toque dócil e suave do perdão de Deus, a sua presença ao nosso lado e a sua proximidade sobretudo nos momentos de maior privação.

Em síntese, este Jubileu é um momento privilegiado para que a Igreja aprenda a escolher unicamente «o que mais agrada a Deus». E, que «mais agrada a Deus»? Perdoar os seus filhos, ter misericórdia deles a fim de que, por sua vez, também eles possam perdoar os irmãos, resplandecendo como tochas da misericórdia de Deus no mundo. É isto que mais agrada a Deus! Num livro de teologia que tinha escrito acerca de Adão, santo Ambrósio medita sobre a história da criação do mundo e diz que cada dia, depois de ter criado algo — a lua, o sol ou os animais — Deus diz: «E Deus viu que isto era bom!». Mas quando criou o homem e a mulher, a Bíblia diz: «Viu que era muito bom». E santo Ambrósio interroga-se: «Mas por que motivo Deus diz que é “muito bom”? Por que se sente Deus tão feliz depois da criação do homem e da mulher?». Porque no final tinha alguém a quem perdoar. E isto é bonito: a alegria de Deus é perdoar, o ser de Deus é a misericórdia. Por isso, neste ano devemos abrir o nosso coração para que este amor, esta alegria de Deus, nos encha todos desta misericórdia. O Jubileu será um «tempo favorável» para a Igreja, se aprendermos a escolher «o que mais agrada a Deus», sem ceder à tentação de pensar que existe algo mais importante ou prioritário. Nada é mais importante do que escolher «o que mais agrada a Deus», ou seja a sua misericórdia, o seu amor, a sua ternura, o seu abraço, as suas carícias!

Inclusive a necessária obra de renovação das instituições e das estruturas da Igreja é um meio que deve levar-nos a fazer a experiência viva e vivificante da misericórdia de Deus, a única que pode garantir que a Igreja seja aquela cidade posta sobre um monte que não pode permanecer escondida (cf. Mt 5, 14). Só resplandece uma Igreja misericordiosa! Se, por um só momento, nos esquecêssemos de que a misericórdia é «o que mais agrada a Deus», todos os nossos esforços seriam vãos, porque nos tornaríamos escravos das nossas instituições e das nossas estruturas, por mais renovadas que possam ser. Mas seríamos sempre escravos!

«Sentirmos intensamente em nós a alegria de ter sido reencontrados por Jesus que veio, como Bom Pastor, à nossa procura, porque nos tínhamos extraviado» (Homilia nas Primeiras Vésperas do Domingo da Divina Misericórdia, 11 de Abril de 2015): eis a finalidade que a Igreja se propõe neste Ano Santo. Assim fortaleceremos em nós a certeza de que a misericórdia pode contribuir realmente para a edificação de um mundo mais humano. Especialmente nesta nossa época, em que o perdão é um hóspede raro nos âmbitos da vida humana, a exortação à misericórdia faz-se mais urgente, e isto em todos os lugares: na sociedade, nas instituições, no trabalho e também na família.

Sem dúvida, alguém poderia objectar: «Mas Padre, neste Ano a Igreja não deveria fazer algo mais? É bom contemplar a misericórdia de Deus, mas há muitas necessidades urgentes!». É verdade, há muito para fazer, e eu sou o primeiro que não me canso de o recordar. Mas é preciso ter em consideração que, na raiz do esquecimento da misericórdia está sempre o amor-próprio. No mundo, ele assume a forma da busca exclusiva dos próprios interesses, de prazeres e honras unidas ao desejo de acumular riquezas, enquanto na vida dos cristãos se disfarça muitas vezes de hipocrisia e mundanidade. Tudo isto é contrário à misericórdia. Os impulsos do amor-próprio, que tornam alheia a misericórdia no mundo, são tantos e tão numerosos que muitas vezes nem sequer somos capazes de os reconhecer como limites e como pecado. Eis porque é necessário reconhecer que somos pecadores, para revigorar em nós a certeza da misericórdia divina. «Senhor, sou um pecador; Senhor, sou uma pecadora: vem com a tua misericórdia!». É uma oração muito bonita. É uma prece fácil de recitar todos os dias: «Senhor, sou um pecador; Senhor, sou uma pecadora: vem com a tua misericórdia!».

Queridos irmãos e irmãs, faço votos de que neste Ano Santo cada um de nós viva a experiência da misericórdia de Deus, para ser testemunha do que «mais agrada a Ele». É ingénuo crer que isto possa mudar o mundo? Sim, humanamente falando é uma loucura, mas «a loucura de Deus é mais sábia do que os homens, e a fraqueza de Deus é mais forte do que os homens» (1 Cor 1, 25).



Saudações

Queridos peregrinos de língua portuguesa, saúdo-vos cordialmente a todos, nomeadamente aos membros da «Obra dos Filhos da Ressurreição», com votos de que, neste Ano Santo, possais fazer experiência da misericórdia de Deus para serdes testemunhas daquilo que mais lhe agrada. Rezai também por mim! Deus vos abençoe!

Dou cordiais boas-vindas aos peregrinos de língua árabe, em particular aos provenientes do Médio Oriente! Caros irmãos e irmãs, o Jubileu é um tempo favorável para vivermos todos a misericórdia, para experimentarmos na nossa vida o perdão de Deus e para perdoarmos por nossa vez os irmãos, resplandecendo como tochas da misericórdia divina no mundo. O Senhor vos abençoe!

Ontem, Solenidade da Imaculada Conceição, demos início ao Jubileu da Misericórdia. A Virgem Maria interceda por nós para que este Ano Santo seja rico de frutos copiosos e, vivendo todos a experiência da solicitude de Deus por nós, guie o nosso agir segundo as obras de misericórdia corporais e espirituais, que todos nós somos chamados a viver.

Dirijo uma saudação aos jovens, aos enfermos e aos recém-casados. Estimados jovens, a Mãe de Jesus vos ensine a receber no vosso coração o nascimento do Salvador; vos ajude, amados doentes, a confiar-vos sempre aos braços da Providência Divina; e vos conceda, prezados recém-casados, que façais da misericórdia o critério da vossa vida esponsal.




Fonte: Vaticano




Angelus com o Papa Francisco - 08.12.2015


Praça São Pedro
Terça-feira, 8 de Dezembro de 2015








Prezados irmãos e irmãs bom dia e boa festa!

Hoje, a solenidade da Imaculada leva-nos a contemplar Nossa Senhora que, graças a um privilégio singular, foi preservada do pecado original desde a sua concepção. Não obstante tenha vivido no mundo marcado pelo pecado, não foi atingida por ele: Maria é nossa irmã no sofrimento, mas não no mal nem no pecado. Aliás, nela o mal foi derrotado antes ainda de a ter tocado, porque Deus a encheu de graça (cf. Lc 1, 28). A Imaculada Conceição significa que Maria foi a primeira a ser salva pela misericórdia infinita do Pai, como primícia da salvação que Deus quer conceder a cada homem e mulher, em Cristo. Por isso, a Imaculada tornou-se ícone sublime da misericórdia divina que venceu o pecado. E nós hoje, no início do Jubileu da Misericórdia, queremos admirar este ícone com amor confiante e contemplá-lo em todo o seu esplendor, imitando a sua fé.

Na concepção imaculada de Maria somos convidados a reconhecer a autora do mundo novo, transformado pela obra salvífica do Pai e do Filho e do Espírito Santo. A aurora da nova criação levada a cabo pela misericórdia divina. Por isso a Virgem Maria, nunca contagiada pelo pecado e sempre repleta de Deus, é mãe de uma nova humanidade. É mãe do mundo criado de novo.

Celebrar esta festividade exige dois elementos. Primeiro: receber plenamente Deus e a sua graça misericordiosa na nossa vida. Segundo: tornar-nos, por nossa vez, artífices de misericórdia mediante um caminho evangélico. Então, a solenidade da Imaculada torna-se a festa de todos nós se, com o nosso «sim» quotidiano, conseguirmos vencer o nosso egoísmo e tornar mais jubilosa a vida dos nossos irmãos, dando-lhes esperança, enxugando algumas lágrimas e conferindo um pouco de alegria. À imitação de Maria, somos chamados a tornar-nos portadores de Cristo e testemunhas do seu amor, considerando antes de tudo aqueles que são os privilegiados aos olhos de Jesus. São aqueles que Ele mesmo nos indicou: «Tive fome e destes-me de comer, tive sede e destes-me de beber, era peregrino e acolhestes-me, nu e vestistes-me, enfermo e visitastes-me, estava na prisão e viestes ter comigo» (Mt 25, 35-36).

A hodierna solenidade da Imaculada Conceição tem uma mensagem específica para nos comunicar: ela recorda-nos que na nossa vida tudo é dom, tudo é misericórdia. A Virgem Santa, primícias de quantos foram salvos, modelo da Igreja, esposa santa e imaculada, amada pelo Senhor, nos ajude a descobrir de novo, cada vez mais, a misericórdia divina como sinal distintivo do cristão. Não se pode entender um cristão verdadeiro que não seja misericordioso, do mesmo modo que não se pode compreender Deus sem a sua misericórdia. Eis a palavra-síntese do Evangelho: misericórdia. Trata-se da característica fundamental da Face de Cristo: aquele Rosto que nós reconhecemos nos vários aspectos da sua existência: quando vai ao encontro de todos, quando cura os doentes, quando se senta à mesa com os pecadores e sobretudo quando, pregado na cruz, perdoa; é ali que vemos o semblante da misericórdia divina. Não tenhamos medo: deixemo-nos abraçar pela misericórdia de Deus que nos espera e que perdoa tudo. Nada é mais dócil do que a sua misericórdia. Deixemo-nos acariciar por Deus: o Senhor é deveras bom, Ele perdoa tudo!

Por intercessão de Maria Imaculada, a misericórdia tome posse dos nossos corações e transforme a nossa vida inteira.



Depois do Angelus

Saúdo todos vós carinhosamente, de modo especial as famílias, os grupos paroquiais e as associações. Dirijo um pensamento particular aos sócios da Acção Católica Italiana, que hoje renovam a adesão à Associação: desejo-vos um bom caminho de formação e de serviço, sempre animado pela oração.

Hoje à tarde irei à Praça de Espanha, para rezar aos pés do monumento à Imaculada. E depois irei a Santa Maria Maior. Peço-vos que vos unais espiritualmente a mim nesta peregrinação, que é um gesto de devoção filial a Maria, Mãe de Misericórdia. A ela confiarei a Igreja e a humanidade inteira, mas de modo especial a cidade de Roma.

Hoje, também o Papa Bento atravessou a Porta da Misericórdia. Daqui, transmitamos todos juntos uma saudação ao Papa Bento!

Desejo a todos boa festa e um Ano Santo rico de frutos, sob a guia e com a intercessão da nossa Mãe. Um Ano Santo repleto de misericórdia para vós e, através de vós, para os outros. Por favor, pedi-o ao Senhor também para mim, pois preciso muito dela. Bom almoço e até à vista!




Fonte: Vaticano




Angelus com o Papa Francisco - 06.12,2015


Praça São Pedro
Domingo, 6 de Dezembro de 2015








Amados irmãos e irmãs, bom dia!

Neste segundo domingo de Advento, a liturgia coloca-nos na escola de João Baptista, que pregava «um baptismo de conversão para o perdão dos pecados» (Lc 3, 3). E talvez nós nos perguntemos: «Por que nos devemos converter? A conversão diz respeito a quem de ateu se torna crente, de pecador se faz justo, mas nós não precisamos, nós já somos cristãos! Por conseguinte somos justos». E isto não é verdade. Pensando assim, damo-nos conta de que é precisamente desta presunção — que somos cristãos, todos bons, justos — que nos devemos converter: da suposição que, no fim de contas, está bem assim e não precisamos de conversão alguma. Mas procuremos questionar-nos: é deveras verdade que nas várias situações e circunstâncias da vida temos em nós os mesmos sentimentos de Jesus? É verdade que sentimos como Jesus sente? Por exemplo, quando sofremos alguma injustiça ou afronta, conseguimos reagir sem animosidade e perdoar de coração a quem nos pede desculpa? Quanto é difícil perdoar! Quanto é difícil! «Vais-me pagar!»: estas palavras vêm de dentro! Quando somos chamados a partilhar alegrias e sofrimentos, sabemos chorar sinceramente com quem chora e rejubilar com quem se alegra? Quando devemos expressar a nossa fé, sabemos fazê-lo com coragem e simplicidade, sem nos envergonharmos do Evangelho? E assim podemos fazer-nos muitas perguntas. Não estamos tranquilos, devemos converter-nos sempre, ter os sentimentos que Jesus tinha.

A voz do Baptista ainda brada nos actuais desertos da humanidade, que são — quais são os desertos de hoje? — as mentes fechadas e os corações empedernidos, e provoca-nos a questionar-nos se estamos efectivamente a percorrer o caminho justo, vivendo uma vida segundo o Evangelho. Hoje como naquela época, ele admoesta-nos com as palavras do profeta Isaías: «Preparai os caminhos do Senhor!» (v. 4). É um convite urgente a abrir o coração e a acolher a salvação que Deus nos oferece incessantemente, quase com teimosia, porque quer que todos sejamos livres da escravidão do pecado. Mas o texto do profeta dilata aquela voz, prenunciando que «cada homem verá a salvação de Deus» (v. 6). E a salvação é oferecida a cada homem e povo, sem excluir ninguém, a cada um de nós. Ninguém pode dizer: «Eu sou santo, eu sou perfeito, eu já estou salvo». Não. Devemos acolher sempre esta oferta da salvação. Eis o motivo do Ano da Misericórdia: para ir mais além neste caminho da salvação, aquele caminho que Jesus nos ensinou. Deus quer que todos os homens sejam salvos por meio de Jesus Cristo, o único mediador (cf. 1 Tm 2, 4-6).

Portanto cada um de nós está chamado a fazer conhecer Jesus a quantos ainda o não conhecem. Mas isto não significa fazer proselitismo. Não, significa abrir uma porta. «Ai de mim se não anunciar o Evangelho!» (1 Cor 9, 16), declarava são Paulo. Se o Senhor Jesus mudou a nossa vida, e no-la muda todas as vezes que estamos diante d’Ele, como não sentir a paixão de o dar a conhecer a quantos encontramos no trabalho, na escola, no nosso prédio, no hospital, nos lugares de encontro? Se olharmos à nossa volta, encontramos pessoas que estariam dispostas a começar ou a recomeçar um caminho de fé, se encontrassem cristãos apaixonados por Jesus. Não deveríamos e não poderíamos ser nós aqueles cristãos? Faço-vos esta pergunta: «Mas eu estou deveras apaixonado por Jesus? Estou convicto de que Jesus me oferece e me concede a salvação?». E, se estou apaixonado, devo dá-lo a conhecer. Mas devemos ser corajosos: derrubar as montanhas do orgulho e da rivalidade, encher os precipícios escavados pela indiferença e pela apatia, endireitar as veredas das nossas preguiças e dos nossos compromissos.

A Virgem Maria, que é Mãe e sabe como fazê-lo, nos ajude a abater as barreiras e os obstáculos que impedem a nossa conversão, ou seja, o nosso caminho rumo ao Senhor. Só Ele, só Jesus pode dar cumprimento a todas as esperanças do homem!


Depois do Angelus

Sigo com grande atenção os trabalhos da Conferência sobre o clima que decorre em Paris, e volta à minha mente uma pergunta que escrevi na Encíclica Laudato si’: «Que tipo de mundo queremos deixar a quem vai suceder-nos, às crianças que estão a crescer?» (n. 160). Para o bem da casa comum, de todos nós e das gerações futuras, em Paris todos os esforços deveriam ser para atenuar os impactos das mudanças climáticas e, ao mesmo tempo, para contrastar a pobreza e fazer florescer a dignidade humana. As suas opções caminham juntas: deter as mudanças climáticas e contrastar a pobreza para que floresça a dignidade humana. Rezemos a fim de que o Espírito Santo ilumine quantos estão chamados a tomar decisões tão importantes e lhes conceda a coragem de ter sempre como critério de opção o maior bem para a inteira família humana.

Celebra-se amanhã o cinquentenário de um memorável evento entre católicos e ortodoxos. A 7 de Dezembro de 1965, vigília da conclusão do Concílio Vaticano II, com uma Declaração conjunta do Papa Paulo VI e do Patriarca Atenágoras, foram canceladas da memória as sentenças de excomunhão permutadas entre a Igreja de Roma e a de Constantinopla em 1054. É deveras providencial que aquele gesto histórico de reconciliação, que criou as condições para um novo diálogo entre ortodoxos e católicos no amor e na verdade, seja recordado precisamente no início do Jubileu da Misericórdia. Não há caminho autêntico rumo à unidade sem pedido de perdão a Deus e entre nós pelo pecado da divisão. Recordemos na nossa oração o querido Patriarca Ecuménico Bartolomeu e os outros Chefes das Igrejas Ortodoxas, e peçamos ao Senhor que as relações entre católicos e ortodoxos sejam sempre inspiradas pelo amor fraterno.

Desejo a todos bom domingo e uma ótima preparação para o início do Ano da Misericórdia. Por favor, não vos esqueçais de rezar por mim. Bom almoço e até à vista!




Fonte: Vaticano




domingo, 6 de dezembro de 2015

Evangelho do II Domingo do Advento - Ano C


São Lucas 3, 1-6

No décimo quinto ano do reinado do imperador Tibério, quando Pôncio Pilatos era governador da Judeia, Herodes tetrarca da Galileia, seu irmão Filipe tetrarca da região da Itureia e Traconítide e Lisânias tetrarca de Abilene, no pontificado de Anás e Caifás, foi dirigida a palavra de Deus a João, filho de Zacarias, no deserto. E ele percorreu toda a zona do rio Jordão, pregando um batismo de penitência para a remissão dos pecados, como está escrito no livro dos oráculos do profeta Isaías: "Uma voz clama no deserto: ‘Preparai o caminho do Senhor, endireitai as suas veredas. Sejam alteados todos os vales e abatidos os montes e as colinas; endireitem-se os caminhos tortuosos e aplanem-se as veredas escarpadas; e toda a criatura verá a salvação de Deus’".










Catequese com o Papa Francisco - 02.12.2015


Quarta-feira, 2 de Dezembro de 2015








Prezados irmãos e irmãs, bom dia!

Nos dias passados realizei a minha primeira Viagem Apostólica à África. A África é linda! Dou graças ao Senhor por esta sua grande dádiva, que me permitiu visitar três países: em primeiro lugar o Quénia, depois o Uganda e enfim a República Centro-Africana. Exprimo novamente o meu reconhecimento às Autoridades civis e aos Bispos daquelas Nações por me terem hospedado, enquanto agradeço a todos aqueles que, de muitas maneiras, colaboraram. Obrigado de coração!

O Quénia é um país que representa bem o desafio planetário da nossa época: salvaguardar a criação, reformando o modelo de desenvolvimento para que seja equitativo, inclusivo e sustentável. Tudo isto se reflecte em Nairobi, a maior cidade da África Oriental, onde a riqueza e a miséria convivem: mas isto é um escândalo! E não só na África: também aqui, em toda a parte. A convivência entre riqueza e miséria é um escândalo, uma vergonha para a humanidade. Precisamente em Nairobi está a sede do Departamento das Nações Unidas para o Meio Ambiente, que eu visitei. No Quénia encontrei-me com as Autoridades e os Diplomatas, mas também com os habitantes de um bairro popular; detive-me com os chefes das várias Confissões cristãs e das outras Religiões, com os sacerdotes e os consagrados, e encontrei-me com os jovens, deveras numerosos! Em cada ocasião encorajei a valorizar a grandiosa riqueza daquele país: a riqueza natural e espiritual, constituída pelos recursos da terra, pelas novas gerações e pelos valores que formam a sabedoria do povo. Neste contexto, tão dramaticamente actual, tive a alegria de anunciar a palavra de esperança de Jesus: «Permanecei firmes na fé, não tenhais medo!». Foi este o lema da visita. Uma palavra que é vivida no dia-a-dia por numerosas pessoas humildes e simples, com nobre dignidade; uma palavra testemunhada de modo trágico e heróico pelos jovens da Universidade de Garissa, assassinados no dia 2 do passado mês de Abril, porque eram cristãos. O seu sangue é semente de paz e de fraternidade para o Quénia, para a África e para o mundo inteiro.

Depois, no Uganda, a minha visita desenrolou-se no sinal dos Mártires daquele país, a cinquenta anos da sua histórica canonização feita pelo beato Paulo VI. Por isso, o lema foi: «Sereis minhas testemunhas» (At 1, 8). Um lema que pressupõe as palavras imediatamente precedentes: «Recebereis a força do Espírito Santo», porque é o Espírito que anima o coração e as mãos dos discípulos missionários. E no Uganda a visita inteira realizou-se no fervor do testemunho animado pelo Espírito Santo. Em sentido explícito, o testemunho é o serviço dos catequistas, aos quais agradeci e encorajei pelo seu compromisso, que muitas vezes abrange até as suas famílias. Testemunho é o da caridade, que toquei com a mão na Casa de Nalukolongo, mas que conta com a participação de numerosas comunidades e associações ao serviço dos mais pobres, dos portadores de deficiência e dos enfermos. Testemunho é o dos jovens que, apesar das dificuldades, conservam o dom da esperança e procuram viver em conformidade com o Evangelho, e não segundo o mundo, indo contra a corrente. Testemunhas são os sacerdotes, os consagrados e as consagradas, que renovam dia após dia o seu «sim» total a Cristo, dedicando-se com alacridade ao serviço do santo povo de Deus. E há mais um grupo de testemunhas, mas deles falarei mais tarde. Todo este testemunho multiforme, animado pelo mesmo Espírito Santo, é fermento para a sociedade inteira, como demonstra a obra eficaz levada a cabo no Uganda na luta contra a sida e no acolhimento dos refugiados.

A terceira etapa da viagem foi a República Centro-Africana, no coração geográfico do continente: trata-se precisamente do coração da África! Na realidade, na minha intenção esta visita era a primeira, porque aquele país procura sair de um período muito difícil, de conflitos violentos e de tanto sofrimento para a população. Foi por isto que desejei abrir precisamente ali, em Bangui, com uma semana de antecipação, a primeira Porta Santa do Jubileu da Misericórdia, como sinal da fé e de esperança para aquele povo e, simbolicamente, para todas as populações africanas, as mais necessitadas de resgate e de alívio. O convite de Jesus aos discípulos: «Passemos à outra margem» (Lc 8, 22), foi o lema para a República Centro-Africana. Em sentido civil, «passar à outra margem» significa deixar atrás de si a guerra, as divisões e a miséria, e escolher a paz, a reconciliação e o desenvolvimento. Contudo, isto pressupõe uma «passagem» que se verifica nas consciências, nas atitudes e nas intenções das pessoas. E neste plano, a contribuição das comunidades religiosas é determinante. Por isso, encontrei-me com as Comunidades evangélicas e com a muçulmana, compartilhando a oração e o compromisso a favor da paz. Com os sacerdotes e os consagrados, mas também com os jovens, pudemos partilhar a alegria de sentir que o Senhor ressuscitado está ao nosso lado na barca, é Ele quem a guia rumo à outra margem. E finalmente na última Missa, no estádio de Bangui, na festa do apóstolo André, pudemos renovar o compromisso a seguir Jesus, nossa esperança, nossa paz, Rosto da Misericórdia Divina. Esta última Missa foi maravilhosa: nela participaram muitíssimos jovens, um estádio de juventude! No entanto, mais de metade da população da República Centro-Africana são menores de idade, têm menos de 18 anos: uma promessa para ir em frente!

Gostaria de dizer uma palavra sobre os missionários. Homens e mulheres que deixaram a pátria, tudo... Quando eram jovens, partiram para lá, levando uma vida de trabalho muito árduo, e às vezes até dormindo no chão. A uma certa altura, encontrei-me em Bangui com uma religiosa italiana. Via-se que era idosa: «Quantos anos tem?», perguntei-lhe: «81». «Mas não eram muitos, era dois mais mais velha do que eu». Aquela irmã estava lá desde quando tinha 23-24 anos: a vida inteira! E como ela, muitas! Estava com uma criança. Em italiano, a menina dizia: «Avó!». Então, a religiosa disse-me: «Eu não sou daqui, mas do país vizinho, do Congo; e vim de canoa, com esta menina». Os missionários são assim: intrépidos! «E o que a senhora faz, irmã?». «Eu sou enfermeira, também estudei um pouco aqui e tornei-me parteira: fiz nascer 3.280 crianças!». Eis quanto ela me disse. A vida inteira a favor da vida, da vida dos outros. E como esta religiosa, há muitas outras: numerosas irmãs, sacerdotes, religiosos que consomem a própria vida para anunciar Jesus Cristo. É bonito ver isto. É lindo!

Gostaria de dizer uma palavra aos jovens. Mas há poucos, porque parece que na Europa a natalidade é um luxo: natalidade zero, natalidade 1%. Mas dirijo-me aos jovens: pensai no que fazeis da vossa vida. Pensai naquela religiosa e em muitas outras como ela, que deram a vida e tantas morreram lá. A missionariedade não consiste em fazer proselitismo: aquela irmã dizia-me que as mulheres muçulmanas vão ter com elas porque as religiosas são boas enfermeiras que as curam bem, sem fazer catequese alguma para as converter! Dão testemunho; depois, às que quiserem fazem a catequese. Mas o testemunho: nisto consiste a missionariedade, grandiosa e heróica, da Igreja. Anunciar Jesus Cristo com a própria vida! Dirijo-me aos jovens: pensa tu o que queres fazer da tua vida. É o momento de pensar e de pedir ao Senhor que te faça sentir a sua vontade. Mas por favor, não excluas a possibilidade de te tornares missionário, para levar o amor, a humanidade e a fé a outros países. Não para fazer proselitismo: não! Quantos o fazem procuram algo diferente. A fé prega-se em primeiro lugar com o testemunho e depois com a palavra. Lentamente.

Juntos louvemos o Senhor por esta peregrinação à terra da África, e deixemo-nos orientar pelas suas palavras-chave: «Permanecei firmes na fé, não tenhais medo!»; «Sereis minhas testemunhas»; «Passemos à outra margem».

Saudações

Dirijo uma cordial saudação aos peregrinos de língua portuguesa aqui presentes. Neste início de Advento, perguntemo-nos como viver mais profundamente o nosso compromisso de seguir o Rosto da Misericórdia Divina que é Jesus, nossa esperança e nossa paz. Que Deus vos abençoe!




Fonte: Vaticano




domingo, 29 de novembro de 2015

Evangelho do I Domingo do Advento - Ano C


São Lucas 21, 25-28.34-36

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: "Haverá sinais no sol, na lua e nas estrelas e, na terra, angústia entre as nações, aterradas com o rugido e a agitação do mar. Os homens morrerão de pavor, na expectativa do que vai suceder ao universo, pois as forças celestes serão abaladas. Então, hão-de ver o Filho do homem vir numa nuvem, com grande poder e glória. Quando estas coisas começarem a acontecer, erguei-vos e levantai a cabeça, porque a vossa libertação está próxima. Tende cuidado convosco, não suceda que os vossos corações se tornem pesados pela devassidão, a embriaguez e as preocupações da vida, e esse dia não vos surpreenda subitamente como uma armadilha, pois ele sobrevirá sobre todos os que habitam a terra inteira. Portanto, vigiai e orai em todo o tempo, para terdes a força de vos livrar de tudo o que vai acontecer e poderdes estar firmes na presença do Filho do homem".






Angelus com o Papa Francisco - 22.11.2015


Praça São Pedro
Domingo, 22 de Novembro de 2015








Prezados irmãos e irmãs, bom dia!

Neste último domingo do ano litúrgico, celebramos a solenidade de Cristo Rei do universo. E o Evangelho de hoje leva-nos a contemplar Jesus que se apresenta a Pilatos como Rei de um reino que «não é deste mundo» (Jo 18, 36). Isto não significa que Cristo é Rei de outro mundo, mas que é Rei de outro modo, e no entanto é Rei neste mundo. Trata-se de um contraste entre duas lógicas. A lógica mundana está assente sobre a ambição, sobre a competição, combate com as armas do medo, da chantagem e da manipulação das consciências. A lógica do Evangelho, ou seja a lógica de Jesus, ao contrário, exprime-se na humildade e na gratuitidade, afirma-se silenciosa mas eficazmente, com a força da verdade. Às vezes, os reinos deste mundo baseiam-se em prepotências, rivalidades e opressões; o reino de Cristo é um «reino de justiça, de amor e de paz» (Prefácio).

Quando se revelou Jesus como Rei? No evento da Cruz! Quem contempla a Cruz de Cristo não pode deixar de ver a surpreendente gratuitidade do amor. Um de vós pode dizer: «Mas Padre, isto foi um fracasso!». É precisamente na falência do pecado — o pecado é um fracasso — na falência das ambições humanas que há o triunfo da Cruz, a gratuitidade do amor. No fracasso da Cruz vê-se o amor, o amor que é gratuito, que Jesus nos oferece. Para o cristão, falar de poder e de força significa fazer referência ao poder da Cruz e à força do amor de Jesus: um amor que permanece firme e íntegro, inclusive diante da rejeição, e que se manifesta como o cumprimento de uma vida dedicada na oferta total de si a favor da humanidade. No Calvário, os transeuntes e os chefes zombam de Jesus crucificado, e lançam-lhe o desafio: «Salva-te a ti mesmo, desce da Cruz!» (Mc 15, 30). «Salva-te a ti mesmo!». No entanto, paradoxalmente, a verdade de Jesus é aquela que, em tom de escárnio, lhe lançam os seus adversários: «Não consegue salvar-se a si mesmo!» (v. 31). Se Jesus tivesse descido da Cruz, teria cedido à tentação do príncipe deste mundo; ao contrário, Ele não pode salvar-se a si mesmo precisamente para poder salvar os outros, porque entregou a sua vida por nós, por cada um de nós. Dizer: «Jesus deu a sua vida pelo mundo» é verdade, mas é mais bonito afirmar: «Jesus deu a sua vida por mim!». E hoje, aqui na praça, cada um de nós diga no seu coração: «Ele deu a sua vida por mim!», para poder salvar cada um de nós dos nossos pecados.

E quem compreendeu isto? Quem o entendeu bem foi um dos malfeitores crucificados juntamente com Ele, chamado o «bom ladrão», que o suplica: «Jesus, lembra-te de mim, quando entrares no teu Reino!» (Lc 23, 42). Ma ele era um malfeitor, um corrupto e fora condenado à morte precisamente por todas as brutalidades que tinha cometido durante a sua vida. No entanto, na atitude de Jesus, na mansidão de Jesus, ele viu o amor. Esta é a força do reino de Cristo: é o amor. Por isso, a realeza de Jesus não nos oprime, mas liberta-nos das nossas debilidades e misérias, encorajando-nos a percorrer os caminhos do bem, da reconciliação e do perdão. Contemplemos a Cruz de Jesus, olhemos para o bom ladrão e repitamos todos juntos aquilo que o bom ladrão disse: «Jesus, lembra-te de mim, quando entrares no teu Reino!». Todos juntos: «Jesus, lembra-te de mim, quando entrares no teu Reino!». Quando nos sentirmos frágeis, pecadores e derrotados, peçamos a Jesus que olhe para nós, dizendo-lhe: «Tu estás ali. Não te esqueças de mim!».

Diante das numerosas lacerações no mundo e das demasiadas feridas na carne dos homens, peçamos à Virgem Maria que nos ampare no nosso compromisso de imitar Jesus, nosso Rei, tornando presente o seu reino com gestos de ternura, de compreensão e de misericórdia.



Depois do Angelus

Saúdo todos vós, peregrinos, provenientes da Itália e de diversos países: as famílias, os grupos paroquiais e as associações. De maneira particular, saúdo quantos vieram do México, da Austrália e de Paderborn, na Alemanha. Saúdo depois os fiéis de Avola, Mestre, Foggia, Pozzallo, Campagna e Val di Non, no Trentino; assim como os grupos musicais — que ouvi — os quais celebram santa Cecília, padroeira do canto e da música. Após o Angelus, fazei-vos ouvir, porque tocais bem!

Na próxima quarta-feira começarei a viagem à África, para visitar o Quénia, o Uganda e a República Centro-Africana. Peço a todos vós que rezeis por esta viagem, a fim de que seja para todos aqueles amados irmãos, mas também para mim, um sinal de proximidade e de amor. Peçamos juntos a Nossa Senhora que abençoe aquelas queridas terras, para que nelas haja paz e prosperidade.

[Ave Maria...].

Desejo um feliz domingo a todos. E por favor, não vos esqueçais de rezar por mim. Bom almoço e até à vista!




Fonte: Vaticano




domingo, 22 de novembro de 2015

Evangelho da Solenidade de Cristo-Rei - Ano B


São João 18, 33b-37

Naquele tempo, disse Pilatos a Jesus: "Tu és o Rei dos judeus?" Jesus respondeu-lhe: "É por ti que o dizes, ou foram outros que to disseram de Mim?" Disse-Lhe Pilatos: "Porventura eu sou judeu? O teu povo e os sumos sacerdotes é que Te entregaram a mim. Que fizeste?" Jesus respondeu: "O meu reino não é deste mundo. Se o meu reino fosse deste mundo, os meus guardas lutariam para que Eu não fosse entregue aos judeus. Mas o meu reino não é daqui". Disse-Lhe Pilatos: "Então, Tu és Rei?" Jesus respondeu-lhe: "É como dizes: sou Rei. Para isso nasci e vim ao mundo, a fim de dar testemunho da verdade. Todo aquele que é da verdade escuta a minha voz".










Catequese com o Papa Francisco - 18.11.2015


Quarta-feira, 18 de Novembro de 2015








Estimados irmãos e irmãs, bom dia!

Com esta reflexão chegamos ao limiar do Jubileu, é iminente. À nossa frente está a porta, mas não só a porta santa, a outra: a grande porta da Misericórdia de Deus — e é uma porta bonita! — que recebe o nosso arrependimento oferecendo a graça do seu perdão. A porta é generosamente aberta, e devemos ter um pouco de coragem para cruzar o limiar. Cada um de nós tem dentro de si situações que pesam. Todos somos pecadores! Aproveitemos este momento que chega e cruzemos o limitar desta misericórdia de Deus, que nunca se cansa de perdoar, nunca se cansa de nos esperar! Observa-nos, está sempre ao nosso lado. Coragem! Entremos por esta esta porta!

Do Sínodo dos Bispos, que celebramos no passado mês de Outubro, todas as famílias e a Igreja inteira receberam um grande encorajamento a encontrar-se no limiar desta porta aberta. A Igreja foi animada a abrir as suas portas, para sair com o Senhor ao encontro dos filhos e das filhas a caminho, às vezes incertos, por vezes confusos, nestes tempos difíceis. As famílias cristãs, em particular, foram encorajadas a abrir a porta ao Senhor que espera entrar, trazendo a sua bênção e a sua amizade. E se a porta da misericórdia de Deus está sempre aberta, também as portas das nossas igrejas, das nossas comunidades, das nossas paróquias, das nossas instituições e das nossas dioceses devem estar abertas, a fim de que todos possamos sair para levar esta misericórdia de Deus. O Jubileu significa a grande porta da misericórdia de Deus, mas também as pequenas portas das nossas igrejas, abertas para permitir que o Senhor entre — ou muitas vezes que o Senhor saia — prisioneiro das nossas estruturas, do nosso egoísmo e de tantas situações.

O Senhor nunca força a porta: até Ele pede autorização para entrar. O Livro do Apocalipse diz: «Estou à porta e bato, se alguém ouvir a minha voz e me abrir a porta, entrarei na sua casa e cearemos, eu com ele e ele comigo» (3, 20). Mas imaginemos o Senhor que bate à porta do nosso coração! E na última grande visão deste Livro do Apocalipse, assim se profetiza sobre a Cidade de Deus: «As suas portas não se fecharão de dia», o que significa para sempre, porque «já não haverá noite» (21, 25). No mundo ainda há lugares onde não se fecham as portas à chave. Mas existem muitos onde as portas blindadas se tornaram normais. Não devemos render-nos à ideia de ter que aplicar este sistema à nossa vida inteira, à vida da família, da cidade, da sociedade. E muito menos à vida da Igreja. Seria terrível! Uma Igreja inóspita, assim como uma família fechada em si mesma, mortifica o Evangelho e torna o mundo árido. Não às portas blindadas na Igreja, não! Tudo aberto!

A gestão simbólica das «portas» — dos umbrais, das passagens, das fronteiras — tornou-se crucial. Sem dúvida, a porta deve preservar, mas não rejeitar. A porta não deve ser forçada, ao contrário, é preciso pedir autorização, porque a hospitalidade resplandece na liberdade do acolhimento e ofusca-se na prepotência da invasão. A porta abre-se frequentemente, para ver se fora há alguém que aguarda e talvez não tenha a coragem nem sequer a força para bater. Quantas pessoas perderam a confiança, não têm a coragem de bater à porta do nosso coração cristão, à porta das nossas igrejas... E estão ali, sem coragem, porque os privamos da confiança: por favor, que isto nunca se verifique! A porta diz muito da casa, e também da Igreja. A gestão da porta requer um discernimento atento e, ao mesmo tempo, deve inspirar grande confiança. Gostaria de dedicar uma palavra de gratidão a todos os guardiões das portas: dos nossos condomínios, das instituições cívicas, das próprias igrejas. Muitas vezes a prudência e a gentileza da portaria são capazes de conferir uma imagem de humanidade e de hospitalidade à casa inteira, já a partir da entrada. É preciso aprender destes homens e mulheres, que são guardiões dos lugares de encontro e de acolhimento da cidade do homem! Muito obrigado a todos vós, guardiões de tantas portas, quer sejam portas de habitações, quer de igrejas! Mas sempre com um sorriso, sempre mostrando a hospitalidade desta casa, dessa igreja, e assim as pessoas sentem-se felizes e bem-vindas naquele lugar.

Na verdade, sabemos que nós mesmos somos os guardiões e os servos da Porta de Deus, mas como se chama a Porta de Deus? Jesus! Ele ilumina-nos em todas as portas da vida, inclusive nas portas do nosso nascimento e da nossa morte. Ele mesmo afirmou: «Eu sou a porta: se alguém entrar por mim será salvo; tanto entrará como sairá, e encontrará pastagem» (Jo 10, 9). Jesus é a porta que nos faz entrar e sair, porque o redil de Deus é um abrigo, não uma prisão! A casa de Deus é um abrigo, não uma prisão, e a porta chama-se Jesus! E se a porta estiver fechada digamos: «Senhor, abre a porta!». Jesus é a porta e faz-nos entrar e sair. São os ladrões aqueles que procuram evitar a porta: é curioso, os ladrões procuram sempre entrar por outro lado, pela janela, pelo telhado, mas evitam a porta, porque têm más intenções e entram sorrateiramente no aprisco para enganar as ovelhas, para se aproveitar delas. Devemos passar pela porta e ouvir a voz de Jesus: se ouvirmos o tom da sua voz, estaremos seguros, seremos salvos. Podemos entrar sem medo e sair sem perigo. Neste bonito discurso de Jesus, fala-se também do guardião, que tem a tarefa de abrir ao bom Pastor (cf. Jo 10, 2). Quando o guardião ouve a voz do Pastor, então abre e faz entrar as ovelhas que o Pastor traz consigo, todas, inclusive aquelas que se perderam nos bosques, e que o bom Pastor foi resgatar. As ovelhas não são escolhidas pelo guardião, nem pelo secretário paroquial, nem sequer pela secretária da paróquia; as ovelhas são todas convidadas, escolhidas pelo bom Pastor. O guardião — também ele — obedece à voz do Pastor. Assim, poderíamos dizer que devemos ser como aquele guardião. A Igreja é a porteira da casa do Senhor, não a dona da casa do Senhor!

A Sagrada Família de Nazaré sabe bem o que significa uma porta aberta ou fechada, para quem espera um filho, para quantos não têm abrigo, para quem deve fugir do perigo! As famílias cristãs façam da sua soleira de casa um pequeno grande sinal da Porta da misericórdia e da hospitalidade de Deus. É precisamente assim que a Igreja deverá ser reconhecida em todos os recantos da terra: como a sentinela de um Deus que bate à porta, como o acolhimento de um Deus que não nos fecha a porta na cara, com a desculpa de que não somos de casa. Aproximemo-nos do Jubileu com este espírito: haverá a porta santa, mas também a porta da grande misericórdia de Deus! Haja também a porta do nosso coração, para recebermos todos o perdão de Deus e, por nossa vez, darmos o nosso perdão, recebendo todos aqueles que batem à nossa porta.

Saudações

Queridos peregrinos de língua portuguesa, em particular os brasileiros de Belém, João Pessoa, Olinda e Recife, de coração vos saúdo e desejo que a vossa vinda a Roma se cumpra com o espírito do verdadeiro peregrino que, sabendo de não possuir ainda o Bem maior, põe-se a caminho decidido a procurá-lo! Sabei que Deus se deixa encontrar por quantos assim O desejam. Sobre vós e vossas famílias desçam, em abundância, as bênçãos do Senhor!

Depois de amanhã será celebrado o Dia mundial dos direitos da infância. É um dever de todos proteger as crianças a antepor o seu bem a todos os outros critérios, para que nunca sejam submetidas a formas de servidão, de maus-tratos e de exploração. Desejo que a Comunidade internacional vigie atentamente sobre as condições de vida das crianças, de modo especial quando estão expostas ao recrutamento por parte de grupos armados; e também ajude as famílias a garantir a cada menino e menina o direito à escola e à educação.

Dirijo um pensamento especial aos jovens, aos doentes e aos recém-casados. Caros jovens e estudantes, o testemunho dos Apóstolos que deixaram tudo para seguir Jesus acenda também em vós o desejo de o amar com todas as forças; queridos doentes, os sofrimentos gloriosos dos Santos Pedro e Paulo confiram alívio e esperança à vossa oferta; amados recém-casados, as vossas casas possam ser templos do Amor do qual ninguém jamais nos poderá separar.




Fonte: Vaticano




Angelus com o Papa Francisco - 15.11.2015


Praça São Pedro
Domingo, 15 de Novembro de 2015







Amados irmãos e irmãs, bom dia!

O Evangelho deste penúltimo domingo do ano litúrgico propõe uma parte do sermão de Jesus sobre os últimos acontecimentos da história humana, orientada para o pleno cumprimento do reino de Deus (cf. Mc 13, 24-32). Trata-se de um sermão que Jesus proferiu em Jerusalém, antes da sua última Páscoa. Ele contém alguns elementos apocalípticos, como guerras, carestias, catástrofes cósmicas: «o Sol escurecer-se-á e a Lua não dará a sua claridade, as estrelas cairão do céu e as forças que estão nos céus serão abaladas» (vv. 24-25). Contudo, estes elementos não são o aspecto mais fundamental da mensagem. O núcleo em volta do qual se centra o discurso de Jesus é Ele mesmo, o mistério da sua pessoa e da sua morte e ressurreição, a sua vinda no fim dos tempos.

A nossa meta final é o encontro com o Senhor ressuscitado. E eu gostaria de vos perguntar: quantos de vós pensam nisto? Haverá um dia no qual me encontrarei de cara com o Senhor. É esta a nossa meta: este encontro. Nós não esperamos um tempo nem um lugar, mas vamos ao encontro de uma pessoa: Jesus. Por conseguinte, o problema não é «quando» acontecerão os sinais premonitórios dos últimos tempos, mas estar preparados para o encontro. E nem sequer se trata de saber «como» estas coisas acontecerão, mas «como» nos devemos comportar, hoje, na sua expectativa. Estamos chamados a viver o presente, construindo o nosso futuro com serenidade e confiança em Deus. A parábola da figueira que germina, como sinal do Verão já próximo (cf. vv. 28-29), diz que a perspectiva do fim não nos distrai da vida presente, mas nos faz olhar para os nossos dias numa óptica de esperança. É aquela virtude tão difícil de viver: a esperança, a virtude mais pequena, mas a mais forte. E a nossa esperança tem um rosto: o rosto do Senhor ressuscitado, que vem «com grande poder na glória» (v. 26), ou seja, que manifesta o seu amor crucificado, transfigurado na ressurreição. O triunfo de Jesus no fim dos tempos será o triunfo da Cruz, a demonstração que o sacrifício de si por amor do próximo, à imitação de Cristo, é a única potência vitoriosa e o único ponto firme no meio dos abalos e das tragédias do mundo.

O Senhor Jesus não é só o ponto de chegada da peregrinação terrena, mas é uma presença constante na nossa vida: está sempre ao nosso lado, acompanha-nos sempre; por isso quando fala do futuro, e nos projecta para ele, é sempre para nos reconduzir ao presente. Ele põe-se contra os falsos profetas, contra os falsos videntes que prevêem que o fim do mundo está próximo, e contra o fatalismo. Ele está ao nosso lado, caminha connosco, ama-nos. Deseja tirar aos seus discípulos de todas as épocas a curiosidade das datas, as previsões, os horóscopos, e concentra a nossa atenção no hoje da história. E gostaria de vos perguntar — mas não respondais, cada qual responda para si — quantos de vós lêem o horóscopo do dia? Cada qual responda para si mesmo. E quando te vier vontade de ler o horóscopo, olha para Jesus, que está contigo. É melhor, far-te-á bem. Esta presença de Jesus convida-nos à expectativa e à vigilância, que excluem a impaciência, a sonolência, as fugas em frente e o permanecer aprisionados no tempo actual e na mundanidade.

Também nos nossos dias não faltam calamidades naturais e morais, nem sequer adversidades de todos os tipos. Tudo passa — recorda-nos o Senhor — só Ele, a sua Palavra permanece como luz que guia, e anima os nossos passos e nos perdoa sempre, porque está ao nosso lado. É necessário apenas olhar para ele, o qual muda o nosso coração. A Virgem Maria nos ajude a confiar em Jesus, o fundamento firme da nossa vida, e a perseverar com alegria no seu amor.

Depois do Angelus

Queridos irmãos e irmãs!

Desejo expressar a minha profunda dor pelos ataques terroristas que no início da noite de sexta-feira ensanguentaram a França, causando numerosas vítimas. Manifesto ao Presidente da República Francesa e a todos os cidadãos o meu fraterno pesar. Estou particularmente próximo dos familiares de quantos perderam a vida e dos feridos.

Tanta barbárie deixa-nos atónitos e perguntamos como pode o coração do homem pensar e concretizar acontecimentos tão horríveis, que abalaram não só a França mas o mundo inteiro. Diante de tais actos, não se pode deixar de condenar a afronta inqualificável contra a dignidade da pessoa humana. Desejo reafirmar com vigor que o caminho da violência e do ódio não resolve os problemas da humanidade e que utilizar o nome de Deus para justificar este caminho é uma blasfémia!

Convido-vos a unir-vos à minha oração: confiemos à misericórdia de Deus as vítimas inermes desta tragédia. A Virgem Maria, Mãe de misericórdia, suscite nos corações de todos pensamentos de sabedoria e propósitos de paz. A ela peçamos que proteja e vigie sobre a amada Nação francesa, a primeira filha da Igreja, sobre a Europa e sobre o mundo inteiro. Todos juntos rezemos um pouco em silêncio e depois recitemos a Ave-Maria.

A todos desejo bom domingo. E por favor, não vos esqueçais de rezar por mim. Bom almoço e até à próxima!




Fonte: Vaticano




domingo, 15 de novembro de 2015

Evangelho do XXXIII Domingo do Tempo Comum - Ano B


São Marcos 13, 24-32

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: "Naqueles dias, depois de uma grande aflição, o sol escurecerá e a lua não dará a sua claridade; as estrelas cairão do céu e as forças que há nos céus serão abaladas. Então, hão-de ver o Filho do homem vir sobre as nuvens, com grande poder e glória. Ele mandará os Anjos, para reunir os seus eleitos dos quatro pontos cardeais, da extremidade da terra à extremidade do céu. Aprendei a parábola da figueira: quando os seus ramos ficam tenros e brotam as folhas, sabeis que o Verão está próximo. Assim também, quando virdes acontecer estas coisas, sabei que o Filho do homem está perto, está mesmo à porta. Em verdade vos digo: Não passará esta geração sem que tudo isto aconteça. Passará o céu e a terra, mas as minhas palavras não passarão. Quanto a esse dia e a essa hora, ninguém os conhece: nem os Anjos do Céu, nem o Filho; só o Pai".





Catequese com o Papa Francisco - 11.11.2015


Quarta-feira, 11 de Novembro de 2015








Estimados irmãos e irmãs, bom dia!

Hoje reflectimos sobre uma qualidade característica da vida familiar que se aprende desde os primeiros anos de vida: o convívio, isto é, a atitude a partilhar os bens da vida e a sentir-se feliz por o poder fazer. Partilhar e saber partilhar é uma virtude preciosa! O seu símbolo, o seu «ícone», é a família reunida ao redor da mesa doméstica. A partilha da refeição — e portanto, além do alimento, também dos afectos, das narrações, dos eventos... — é uma experiência fundamental. Quando há uma festa, um aniversário, todos se reúnem à volta da mesa. Nalgumas culturas costuma-se fazê-lo inclusive para um luto, a fim de permanecer próximo de quem sofre pela perda de um familiar.

O convívio é um termómetro garantido para medir a saúde das relações: se em família tem algum problema, ou uma ferida escondida, à mesa compreende-se imediatamente. Uma família que raramente faz as refeições unida, ou na qual à mesa não se fala mas assiste-se à televisão, ou se olha para o smartphone, é uma família «pouco família». Quando os filhos à mesa continuam ligados ao computador, ao telemóvel, e não se ouvem entre si, isto não é família, é um pensionato.

O Cristianismo tem uma especial vocação para o convívio, todos o sabem. O Senhor Jesus ensinava de bom grado à mesa, e às vezes representava o reino de Deus como um banquete festivo. Jesus escolheu a mesa também para confiar aos discípulos o seu testamento espiritual — fê-lo durante uma ceia — condensado no gesto memorial do seu Sacrifício: dom do seu Corpo e do seu Sangue como Alimento e Bebida de salvação, que nutrem o amor verdadeiro e duradouro.

Nesta perspectiva, podemos dizer que a família é «de casa» na Missa, precisamente porque leva à Eucaristia a própria experiência de convívio e a abre à graça de uma convivência universal, do amor de Deus pelo mundo. Participando na Eucaristia, a família é purificada da tentação de se fechar em si mesma, fortalecida no amor e na fidelidade, e amplia os confins da própria fraternidade segundo o coração de Cristo.

Neste nosso tempo, marcado por tantos fechamentos e por demasiados muros, a convivência, gerada pela família e dilatada pela Eucaristia, torna-se uma oportunidade crucial. A Eucaristia e as famílias nutridas por ela podem vencer os fechamentos e construir pontes de acolhimento e de caridade. Sim, a Eucaristia de uma Igreja de famílias, capazes de restituir à comunidade o fermento diligente da convivência e da hospitalidade recíproca, é uma escola de inclusão humana que não teme confrontos! Não há pequeninos, órfãos, débeis, indefesos, feridos e desiludidos, desesperados e abandonados, que o convívio eucarístico das famílias não possa nutrir, fortalecer, proteger e hospedar.

A memória das virtudes familiares ajuda-nos a compreender. Nós mesmos já conhecemos, e ainda conhecemos, quantos milagres podem acontecer quando uma mãe tem olhar e atenção, assistência e cuidado pelos filhos dos outros, além dos próprios. Até recentemente, era suficiente uma mãe para todas as crianças da praça! E ainda: sabemos bem que força adquire um povo cujos pais estão prontos a mover-se em protecção dos filhos de todos, porque consideram os filhos um bem indivisível, que são felizes e orgulhosos de proteger.

Hoje muitos contextos sociais põem obstáculos ao convívio familiar. É verdade, hoje não é fácil. Devemos encontrar o modo de a recuperar. À mesa fala-se, à mesa ouve-se. Nada de silêncio, aquele silêncio que não é o silêncio das monjas mas o silêncio do egoísmo, onde cada um está sozinho, ou a televisão ou o computador... e não se fala. Não, nada de silêncio. É preciso recuperar aquele convívio familiar adaptando-o aos tempos. A convivência parece que se tornou algo que se compra e se vende, mas assim é outra coisa. E o nutrimento não é sempre o símbolo de uma partilha justa dos bens, capaz de alcançar quem não tem pão nem afectos. Nos países ricos somos induzidos a gastar por uma alimentação excessiva e depois de novo somos induzidos a remediar o excesso. E este «negócio» insensato distrai a nossa atenção da fome verdadeira, do corpo e da alma. Quando não há convivência há egoísmo, cada um pensa em si mesmo. Tanto que a publicidade a reduziu a uma apatia de lanches e a uma vontade de docinhos. Enquanto tantos, demasiados irmãos e irmãs permanecem longe da mesa. É um pouco vergonhoso!

Olhemos para o mistério do Banquete eucarístico. O Senhor parte o seu Corpo e derrama o seu Sangue por todos. Deveras não há divisão que possa resistir a este Sacrifício de comunhão; só a atitude de falsidade, de cumplicidade com o mal pode excluir dele. Qualquer outra distância não pode resistir ao poder indefeso deste pão partido e deste vinho derramado, Sacramento do único Corpo do Senhor. A aliança viva e vital das famílias cristãs, que precede, apoia e abraça no dinamismo da sua hospitalidade as dificuldades e as alegrias diárias, coopera com a graça da Eucaristia, que é capaz de criar comunhão sempre nova com a sua força que inclui e salva.

A família cristã mostrará precisamente assim a amplidão do seu verdadeiro horizonte, que é o horizonte da Igreja-Mãe de todos os homens, de todos os abandonados e excluídos, em todos os povos. Rezemos para que este convívio familiar possa crescer e amadurecer no tempo de graça do próximo Jubileu da Misericórdia.

Saudações

Saúdo os peregrinos de língua portuguesa, particularmente os fiéis brasileiros de Aracaju, Divinópolis, Pernambuco e São Paulo. Faço votos que este encontro que nos faz sentir membros da única família dos filhos de Deus vos ajude a renovar em vossos lares o desejo de valorizar ainda mais os momentos de convívio junto com as vossas famílias. Que Deus vos abençoe.

Hoje celebramos a memória litúrgica de são Martinho, bispo de Tours, figura muito popular especialmente na Europa, modelo de partilha com os pobres. No próximo ano, em feliz coincidência com o Jubileu da Misericórdia, comemorar-se-á o 17º centenário do seu nascimento.

Dirijo uma saudação aos jovens, aos doentes e aos recém-casados. O Senhor vos ajude, queridos jovens, a ser promotores de misericórdia e reconciliação; apoie-vos a vós, enfermos, para que não percais a confiança, nem sequer nos momentos de dura provação; e vos conceda, queridos recém-casados, encontrar no Evangelho a alegria de acolher qualquer vida humana, sobretudo a débil e indefesa.




Fonte: Vaticano




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