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sábado, 28 de fevereiro de 2015

Evangelho do II Domingo da Quaresma - Ano B


São Mateus 17, 1-9

Naquele tempo, Jesus tomou consigo Pedro, Tiago e João seu irmão e levou-os, em particular, a um alto monte e transfigurou-Se diante deles: o seu rosto ficou resplandecente como o sol e as suas vestes tornaram-se brancas como a luz. E apareceram Moisés e Elias a falar com Ele. Pedro disse a Jesus: "Senhor, como é bom estarmos aqui! Se quiseres, farei aqui três tendas: uma para Ti, outra para Moisés e outra para Elias". Ainda ele falava, quando uma nuvem luminosa os cobriu com a sua sombra e da nuvem uma voz dizia: "Este é o meu Filho muito amado, no qual pus toda a minha complacência. Escutai-O". Ao ouvirem estas palavras, os discípulos caíram de rosto por terra e assustaram-se muito. Então Jesus aproximou-se e, tocando-os, disse: "Levantai-vos e não temais". Erguendo os olhos, eles não viram mais ninguém, senão Jesus. Ao descerem do monte, Jesus deu-lhes esta ordem: "Não conteis a ninguém esta visão, até o Filho do homem ressuscitar dos mortos".





Angelus com o Papa Francisco - 22.02.2015


Praça de São Pedro
I Domingo de Quaresma, 22 de Fevereiro de 2015








Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

Quarta-feira passada, com o rito das Cinzas, teve início a Quaresma, e hoje é o primeiro domingo deste tempo litúrgico que faz referência aos quarenta dias que Jesus passou no deserto, depois do batismo no rio Jordão. Escreve são Marcos no Evangelho de hoje: «O Espírito Santo levou Jesus para o deserto. Ali, durante quarenta dias, unicamente acompanhado pelos animais do deserto, sofreu as tentações de Satanás, que queria que cometesse pecado. E os anjos cuidavam dele» (1, 12-13). Com estas poucas palavras o evangelista descreve a prova enfrentada voluntariamente por Jesus, antes de começar a sua missão messiânica. É uma prova da qual o Senhor sai vitorioso e que o prepara para anunciar o Evangelho do Reino de Deus. Ele, naqueles quarenta dias de solidão, enfrentou Satanás «corpo a corpo», desmascarou as suas tentações e venceu-o. E n’Ele «todos vencemos, mas a nós cabe proteger no nosso dia-a-dia esta vitória.

A Igreja faz-nos recordar este mistério no início da Quaresma, porque ele nos dá a perspectiva e o sentido deste tempo, que é um tempo de combate— na Quaresma deve-se combater —um tempo de combate espiritual contra o espírito do mal (cf. Oração da colecta de Quarta-Feira de Cinzas). E ao atravessarmos o «deserto» quaresmal, nós mantemos o olhar dirigido para a Páscoa, que é a vitória definitiva de Jesus contra o Maligno, contra o pecado e a morte. Eis então o significado deste primeiro domingo de Quaresma: pormo-nos decididamente no caminho de Jesus, o caminho que conduz à vida. Olharmos para Jesus, para o que Ele fez, e andarmos com Ele.

E este caminho de Jesus passa através do deserto. O deserto é o lugar onde se pode ouvir a voz de Deus e a voz do tentador. No barulho, na confusão isto não se pode fazer; ouvem-se só as vozes superficiais. Ao contrário, no deserto podemos descer em profundidade, onde se joga deveras o nosso destino, a vida ou a morte. E como ouvimos a voz de Deus? Ouvimo-la na sua Palavra. Por isso é importante conhecer as Escrituras, porque de outro modo não sabemos responder às insídias do maligno. E volto a recordar o meu conselho de ler todos os dias o Evangelho: ler todos os dias o Evangelho, meditá-lo, um pouquinho, dez minutos; e levá-lo sempre connosco: no bolso, na bolsa... Tê-lo sempre connosco. O deserto quaresmal ajuda-nos a dizer não à mundanidade, aos «ídolos», ajuda-nos a fazer escolhas corajosas conformes com o Evangelho e que fortaleçam a solidariedade com os irmãos.

Entremos então no deserto sem medo, porque não estamos sozinhos: estamos com Jesus, com o Pai e com o Espírito Santo. Aliás, assim como para Jesus, é precisamente o Espírito Santo que nos guia no caminho quaresmal, aquele mesmo Espírito que desceu sobre Jesus e que nos foi doado no Baptismo. Por isso, a Quaresma é um tempo propício que deve levar-nos a tomar cada vez mais consciência de quanto o Espírito Santo, recebido no Baptismo, realizou em nós. E no fim do itinerário quaresmal, na Vigília pascal, poderemos renovar com maior consciência a aliança baptismal e os compromissos que dela derivam.

A Virgem Santa, modelo de docilidade ao Espírito, nos ajude a deixar-nos guiar por Ele, que de cada um quer fazer uma «criatura nova».

A ela confio, em particular, esta semana de Exercícios Espirituais, que terá início hoje à tarde, e na qual participarei juntamente com os meus colaboradores da Cúria Romana. Rezai para que neste «deserto» que são os Exercícios possamos ouvir a voz de Jesus e corrigir também os muitos defeitos que todos temos, e fazer face às tentações que cada dia nos insidiam. Portanto, peço-vos que nos acompanheis com a oração.

Depois do Angelus:

Dirijo uma cordial saudação às famílias, aos grupos paroquiais, às associações e a todos os peregrinos de Roma, da Itália e de vários países.

A Quaresma é um caminho de conversão que tem como centro o coração. O nosso coração deve converter-se ao Senhor. Por isso, neste primeiro domingo pensei em oferecer a vós que estais na praça um livro de bolso com o título «Salvaguarda o coração». É este [diz, mostrando-o]. Este livrinho reúne alguns ensinamentos de Jesus e os conteúdos essenciais da nossa fé, como por exemplo os sete Sacramentos, os dons do Espírito Santo, os dez mandamentos, as virtudes, as obras de misericórdia, etc. Vão agora distribuí-lo os voluntários, dos quais muitos são pessoas desabrigadas, que vieram em peregrinação. E como sempre também hoje aqui são os que estão em necessidade que nos dão uma grande riqueza: a riqueza da nossa doutrina, para conservar o coração. Pegai cada um num livrinho e levai-o convosco, como ajuda para a conversão e o crescimento espiritual, que parte sempre do coração: ali onde se disputa o jogo das escolhas diárias entre o bem e o mal, entre mundanidade e Evangelho, entre indiferença e partilha. A humanidade precisa de justiça, paz, amor e só os poderá ter voltando de todo o coração para Deus, Fonte de tudo isto. Levai todos o livrinho e lede-o.

Desejo bom domingo. Por favor, especialmente nesta semana dos Exercícios, não vos esqueçais de rezar por mim. Bom almoço e adeus!





Fonte: Vaticano




sábado, 21 de fevereiro de 2015

Evangelho do I Domingo da Quaresma - Ano B


São Marcos 1, 12-15




Naquele tempo, o Espírito Santo impeliu Jesus para o deserto. Jesus esteve no deserto quarenta dias e era tentado por Satanás. Vivia com os animais selvagens e os Anjos serviam-n’O. Depois de João ter sido preso, Jesus partiu para a Galileia e começou a pregar o Evangelho, dizendo: "Cumpriu-se o tempo e está próximo o reino de Deus. Arrependei-vos e acreditai no Evangelho".












sábado, 14 de fevereiro de 2015

Evangelho do VI Domingo do Tempo Comum - Ano B


São Marcos 1, 40-45



Naquele tempo, veio ter com Jesus um leproso. Prostrou-se de joelhos e suplicou-Lhe: "Se quiseres, podes curar-me". Jesus, compadecido, estendeu a mão, tocou-lhe e disse: "Quero: fica limpo". No mesmo instante o deixou a lepra e ele ficou limpo. Advertindo-o severamente, despediu-o com esta ordem: "Não digas nada a ninguém, mas vai mostrar-te ao sacerdote e oferece pela tua cura o que Moisés ordenou, para lhes servir de testemunho". Ele, porém, logo que partiu, começou a apregoar e a divulgar o que acontecera, e assim, Jesus já não podia entrar abertamente em nenhuma cidade. Ficava fora, em lugares desertos, e vinham ter com Ele de toda a parte.






sábado, 7 de fevereiro de 2015

Evangelho do V Domingo do Tempo Comum - Ano B


São Marcos 1, 29-39

Naquele tempo, Jesus saiu da sinagoga e foi, com Tiago e João, a casa de Simão e André. A sogra de Simão estava de cama com febre e logo Lhe falaram dela. Jesus aproximou-Se, tomou-a pela mão e levantou-a. A febre deixou-a e ela começou a servi-los. Ao cair da tarde, já depois do sol-posto, trouxeram-Lhe todos os doentes e possessos e a cidade inteira ficou reunida diante da porta. Jesus curou muitas pessoas, que eram atormentadas por várias doenças, e expulsou muitos demônios. Mas não deixava que os demônios falassem, porque sabiam quem Ele era. De manhã, muito cedo, levantou-Se e saiu. Retirou-Se para um sítio ermo e aí começou a orar. Simão e os companheiros foram à procura d’Ele e, quando O encontraram, disseram-Lhe: "Todos Te procuram". Ele respondeu-lhes: "Vamos a outros lugares, às povoações vizinhas, a fim de pregar aí também, porque foi para isso que Eu vim". E foi por toda a Galileia, pregando nas sinagogas e expulsando os demônios.





Catequese com o Papa Francisco - 04.02.2015


Sala Paulo VI
Quarta-feira, 4 de Fevereiro de 2015








Estimados irmãos e irmãs, bom dia!

Hoje gostaria de apresentar a segunda parte da reflexão sobre a figura do pai de família. Na última catequese falei sobre o perigo dos pais «ausentes», e hoje quero considerar acima de tudo o aspecto positivo. Também são José teve a tentação de deixar Maria, quando descobriu que ela estava grávida; mas interveio o anjo do Senhor, que lhe revelou o desígnio de Deus e a sua missão de pai putativo; e José, homem justo, «recebeu em casa a sua esposa» (Mt 1, 24), tornando-se o pai da família de Nazaré.

Todas as famílias têm necessidade do pai. Hoje meditamos sobre o valor do seu papel, e gostaria de começar com algumas expressões que se encontram no Livro dos Provérbios, palavras que um pai dirige ao próprio filho, dizendo assim: «Meu filho, se o teu espírito for sábio, o meu coração alegrar-se-á contigo! Os meus rins estremecerão de alegria, quando os teus lábios proferirem palavras rectas» (Pr 23, 15-16). Não se poderia expressar melhor o orgulho e a emoção de um pai que reconhece que transmitiu ao seu filho aquilo que realmente conta na vida, ou seja, um coração sábio. Este pai não diz: «Sinto-me orgulhoso de ti, porque és precisamente igual a mim, repetes as palavras que pronuncio e aquilo que faço». Não, não se limita simplesmente a dizer-lhe algo. Diz-lhe uma coisa muito mais importante, que poderíamos interpretar assim: «Serei feliz cada vez que te vir agir com sabedoria e comover-me-ei todas as vezes que te ouvir falar com retidão. Foi isto que desejei deixar-te, para que se tornasse algo teu: a atitude de ouvir e agir, de falar e julgar com sabedoria e retidão. E para que pudesses ser assim, ensinei-te coisas que não sabias, corrigi erros que não vias. Fiz-te sentir um afago profundo e ao mesmo tempo discreto, que talvez não tenhas reconhecido plenamente quando eras jovem e incerto. Dei-te um testemunho de rigor e de firmeza que talvez não entendesses, quando só querias cumplicidade e tutela. Fui o primeiro que tive de me pôr à prova da sabedoria do coração e velar sobre os excessos do sentimento e do ressentimento, para poder carregar o peso das incompreensões inevitáveis e encontrar as palavras certas para me fazer entender. Agora — continua o pai — comovo-me quando vejo que tu procuras comportar-te assim com os teus filhos e com todos. Estou feliz por ser teu pai!». É isto que diz um pai sábio, um pai maduro.

Um pai sabe bem quanto custa transmitir esta herança: quanta proximidade, quanta meiguice e quanta firmeza. No entanto, que consolação e recompensa se recebe, quando os filhos honram esta herança! É uma alegria que compensa todos os esforços, que supera qualquer incompreensão e cura todas as feridas.

Portanto, a primeira necessidade é precisamente esta: que o pai esteja presente na família. Que se encontre próximo da esposa, para compartilhar tudo, alegrias e dores, dificuldades e esperanças. E que esteja perto dos filhos no seu crescimento: quando brincam e quando se aplicam, quando estão descontraídos e quando se sentem angustiados, quando se exprimem e quando permanecem calados, quando ousam e quando têm medo, quando dão um passo errado e quando voltam a encontrar o caminho; pai presente, sempre. Estar presente não significa ser controlador, porque os pai demasiado controladores anulam os filhos e não os deixam crescer.

O Evangelho fala-nos da exemplaridade do Pai que está nos céus — o único, diz Jesus, que pode chamar-se verdadeiramente «Pai bom» (cf. Mc 10, 18). Todos conhecem a extraordinária parábola denominada do «filho pródigo», ou melhor, do «pai misericordioso», que se lê no capítulo 15 do Evangelho de Lucas (cf. 15, 11-32). Quanta dignidade e quanta ternura na expectativa daquele pai que está à porta de casa, à espera do regresso do filho! Os pais devem ser pacientes. Muitas vezes nada se pode fazer, a não ser esperar; rezar e esperar com paciência, doçura, generosidade e misericórdia.

Um pai bom sabe esperar e perdoar, do profundo do coração. Sem dúvida, também sabe corrigir com firmeza: não se trata de um pai fraco, complacente, sentimental. O pai que sabe corrigir sem aviltar é o mesmo que sabe proteger sem se poupar. Certa vez ouvi numa festa de casamento um pai dizer: «Às vezes tenho que bater um pouco nos filhos... mas nunca no rosto, para não os humilhar». Que bonito! Tem o sentido da dignidade. Deve punir, mas fá-lo de modo correcto e vai em frente.

Por conseguinte, se alguém pode explicar até ao fundo a oração do «Pai-Nosso» ensinada por Jesus, é precisamente quem vive pessoalmente a paternidade. Sem a graça do Pai que está nos céus, os pais perdem a coragem e abandonam o campo. Mas os filhos têm necessidade de encontrar um pai que os espera quando voltam dos seus fracassos. Farão de tudo para não o admitir, para não o revelar, mas precisam dele; quando não o encontram, abrem-se-lhes feridas difíceis de cicatrizar.

A Igreja, nossa mãe, está comprometida em apoiar com todas as suas forças a presença boa e generosa dos pais nas famílias, porque para as novas gerações eles são guardiões e mediadores insubstituíveis da fé na bondade, da fé na justiça e da salvaguarda de Deus, como são José.

Saudações:

Amados peregrinos de língua portuguesa, saúdo-vos cordialmente a todos. Esta visita a Roma vos ajude a estar prontos, como Abraão, a sair cada dia para a terra de Deus e do homem, revelando-vos uma bênção e um sinal do amor de Deus por todos os seus filhos. A Virgem Santa vos guie e proteja!

APELO

Mais uma vez, dirijo o meu pensamento ao amado povo ucraniano. Infelizmente, a situação continua a piorar e agrava-se a oposição entre as partes. Oremos principalmente pelas vítimas, entre as quais numerosíssimos civis, bem como pelas suas famílias, e supliquemos ao Senhor que cesse quanto antes esta horrível violência fratricida. Renovo um apelo veemente a fim de que se envidem todos os esforços — inclusive no plano internacional — a favor da retomada do diálogo, único caminho possível para restabelecer a paz e a concórdia naquela terra atormentada. Irmãos e irmãs, quando ouço as palavras «vitória» ou «derrota» sinto uma dor enorme, uma grande amargura no coração. Não são palavras corretas; a única palavra certa é «paz». Esta é a única palavra certa! Penso em vós, irmãos e irmãs ucranianos... Pensai, trata-se de uma guerra entre cristãos! Todos vós tendes o mesmo batismo! É uma luta entre cristãos. Pensai neste escândalo! E rezemos todos, porque a oração é o nosso protesto diante de Deus em tempo de guerra.

Dirijo um pensamento especial aos jovens, aos enfermos e aos recém-casados. Amanhã celebraremos a memória de santa Águeda, virgem e mártir. A sua jovem existência vos leve a compreender, queridos jovens, o valor de uma vida vivida para Deus; a sua fé inabalável vos ajude, amados doentes, a confiar no Senhor nos momentos de desalento; e a sua fortaleza no martírio vos indique, prezados recém-casados, os valores que verdadeiramente contam para a vida familiar. Obrigado!




Fonte: Vaticano





Angelus com o Papa Francisco - 01.02.2015


Praça de São Pedro
Domingo, 1º de Fevereiro de 2015








Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

O trecho evangélico deste domingo (cf. Mc 1, 21-28) apresenta Jesus que, com a sua pequena comunidade de discípulos, entra em Cafarnaum, a cidade onde vivia Pedro e que naquele tempo era a maior da Galileia. E Jesus entra naquela cidade.

Narra o evangelista Marcos que Jesus, sendo aquele dia um sábado, foi imediatamente à sinagoga e pôs-se a ensinar (cf. v. 21). Isto faz pensar na primazia da palavra de Deus, Palavra que deve ser ouvida, Palavra que deve ser acolhida, Palavra que deve ser anunciada. Ao chegar a Cafarnaum, Jesus não adia o anúncio do Evangelho, não pensa primeiro onde hospedar, certamente necessário, a sua pequena comunidade, não perde tempo com a organização. A sua principal preocupação é comunicar a Palavra de Deus com a força do Espírito Santo. E as pessoas na sinagoga ficam admiradas, porque Jesus «lhes ensinava como alguém que tem autoridade, e não como os escribas» (v. 22).

Que significa «com autoridade»? Significa que nas palavras humanas de Jesus se sentia toda a força da Palavra de Deus, se sentia a própria autoridade de Deus, inspirador das Sagradas Escrituras. E uma das características da Palavra de Deus é que realiza aquilo que diz. Porque a Palavra de Deus corresponde à sua vontade. Enquanto que nós, muitas vezes, pronunciamos palavras vãs, sem raiz ou palavras supérfluas, palavras que não correspondem à verdade. Ao contrário a Palavra de Deus corresponde à verdade, é unidade com a sua vontade e realiza o que diz. Com efeito Jesus, depois de ter pregado, demonstra imediatamente a sua autoridade libertando um homem, presente na sinagoga, que estava possuído pelo demónio (cf. Mc 1, 23-26). Precisamente a autoridade divina de Cristo tinha suscitado a reacção de satanás, escondido naquele homem; Jesus, por sua vez, reconheceu imediatamente a voz do maligno e «disse severamente: "Cala-te e sai deste homem"!» (v. 25). Com a força da sua palavra, Jesus liberta a pessoa do maligno. E mais uma vez os presentes permanecem admirados: «comanda até os espíritos malignos e eles obedecem-lhe!» (v. 27). A Palavra de Deus faz-nos admirar. Possui a força de nos deixar surpreender.

O Evangelho é palavra de vida: não oprime as pessoas, ao contrário, liberta quantos são escravos de muitos espíritos malignos deste mundo: o espírito da vaidade, o apego ao dinheiro, o orgulho, a sensualidade... O Evangelho muda o coração, muda a vida, transforma as inclinações ao mal em propósitos de bem. O Evangelho é capaz de mudar as pessoas! É portanto tarefa dos cristãos difundir em toda a parte a sua força redentora, tornando-se missionários e arautos da Palavra de Deus. Também no-lo sugere o trecho de hoje o qual termina com uma abertura missionária e diz assim: «E a sua fama — a fama de Jesus — logo se espalhou por toda a parte, em toda a região da Galileia» (v. 28). A nova doutrina ensinada com autoridade por Jesus é a que a Igreja leva ao mundo, juntamente com os sinais eficazes da sua presença: o ensinamento influente e a acção libertadora do Filho de Deus tornam-se as palavras de salvação e os gestos de amor da Igreja missionária. Recordai-vos sempre de que o Evangelho tem a força de mudar a vida! Não vos esqueçais disto. Ele é a Boa Nova, que nos transforma unicamente se nos deixarmos transformar por ela. Eis por que vos peço sempre que tenhais um contacto diário com o Evangelho, que o leiais todos os dias, um trecho, um excerto, que o mediteis e que o leveis convosco por toda a parte: no bolso, na bolsa... Ou seja, alimentai-vos todos os dias nesta fonte inexaurível de salvação. Não vos esqueçais! Lede um trecho do Evangelho todos os dias. É a força que nos muda, que nos transforma: muda a vida, muda o coração.

Invoquemos a intercessão materna da Virgem Maria, Aquela que acolheu a Palavra e a gerou para o mundo, para todos os homens. Que ela nos ensine a ser ouvintes assíduos e anunciadores influentes do Evangelho de Jesus.

Depois do Angelus

Desejo anunciar que no sábado 6 de Junho, se Deus quiser, irei a Sarajevo, capital da Bósnia e Herzegovina. Peço-vos desde já que rezeis para que a minha visita àquelas queridas populações sirva de encorajamento para os fiéis católicos, suscite fermentos de bem e contribua para a consolidação da fraternidade, da paz, do diálogo inter-religioso e da amizade.




Fonte: Vaticano




domingo, 1 de fevereiro de 2015

Evangelho do IV Domingo do Tempo Comum - Ano B


São Marcos 1, 21-28

Jesus chegou a Cafarnaum e quando, no sábado seguinte, entrou na sinagoga e começou a ensinar, todos se maravilhavam com a sua doutrina, porque os ensinava com autoridade e não como os escribas. Encontrava-se na sinagoga um homem com um espírito impuro, que começou a gritar: "Que tens Tu a ver connosco, Jesus Nazareno? Vieste para nos perder? Sei quem Tu és: o Santo de Deus". Jesus repreendeu-o, dizendo: "Cala-te e sai desse homem". O espírito impuro, agitando-o violentamente, soltou um forte grito e saiu dele. Ficaram todos tão admirados, que perguntavam uns aos outros: "Que vem a ser isto? Uma nova doutrina, com tal autoridade, que até manda nos espíritos impuros e eles obedecem-Lhe!" E logo a fama de Jesus se divulgou por toda a parte, em toda a região da Galileia.






Catequese com o Papa Francisco - 28.01.2015


Sala Paulo VI
Quarta-feira, 28 de Janeiro de 2015








Amados irmãos e irmãs, bom dia!

Retomamos o caminho das catequeses sobre a família. Hoje deixamo-nos guiar pela palavra «pai». Uma palavra que a nós cristãos é muito querida, porque é o nome com o qual Jesus nos ensinou a dirigir-nos a Deus: pai. O sentido deste nome recebeu uma nova profundidade precisamente a partir do momento em que Jesus o usava para se dirigir a Deus e manifestar a sua relação especial com Ele. O mistério bendito da intimidade de Deus, Pai, Filho e Espírito, revelado por Jesus, é o coração da nossa fé cristã.

«Pai» é uma palavra que todos conhecem, é uma palavra universal. Ela indica uma relação fundamental cuja realidade é antiga como a história do homem. Contudo, hoje chegou-se a afirmar que a nossa seria «uma sociedade sem pais». Noutros termos, sobretudo na cultura ocidental, a figura do pai estaria simbolicamente ausente, esvaecida, removida. Num primeiro momento, isto foi sentido como uma libertação: libertação do pai-patrão, do pai como representante da lei que se impõe de fora, do pai como censor da felicidade dos filhos e impedimento à emancipação e à autonomia dos jovens. Por vezes havia casas em que no passado reinava o autoritarismo, em certos casos até a prepotência: pais que tratavam os filhos como servos, sem respeitar as exigências pessoais do seu crescimento; pais que não os ajudavam a empreender o seu caminho com liberdade — mas não é fácil educar um filho em liberdade —; pais que não os ajudavam a assumir as próprias responsabilidades para construir o seu futuro e o da sociedade.

Certamente, esta não é uma boa atitude; mas, como acontece muitas vezes, passa-se de um extremo ao outro. O problema nos nossos dias não parece ser tanto a presença invadente dos pais, mas ao contrário a sua ausência, o seu afastamento. Por vezes os pais estão tão concentrados em si mesmos e no próprio trabalho ou então nas próprias realizações pessoais, que se esquecem até da família. E deixam as crianças e os jovens sozinhos. Quando eu era bispo de Buenos Aires apercebia-me do sentido de orfandade que vivem os jovens de hoje; e muitas vezes perguntava aos pais se brincavam com os seus filhos, se tinham a coragem e o amor de perder tempo com os filhos. E a resposta era feia, na maioria dos casos: «Mas, não posso, porque tenho tanto trabalho...». E o pai estava ausente daquele filho que crescia, não brincava com ele, não, não perdia tempo com ele.

Mas, neste caminho comum de reflexão sobre a família, gostaria de dizer a todas as comunidades cristãs que devemos estar mais atentos: a ausência da figura paterna da vida das crianças e dos jovens causa lacunas e feridas que podem até ser muito graves. Com efeito os desvios das crianças e dos adolescentes em grande parte podem estar relacionados com esta falta, com a carência de exemplos e de guias respeitáveis na sua vida de todos os dias, com a falta de proximidade, com a carência de amor por parte dos pais. É mais profundo de quanto pensamos o sentido de orfandade que vivem tantos jovens.

São órfãos na família, não dão aos filhos, com o seu exemplo acompanhado pelas palavras, aqueles princípios, aqueles valores, aquelas regras de vida das quais precisam como do pão. A qualidade educativa da presença paterna é tanto mais necessária quanto mais o pai é obrigado pelo trabalho a estar distante de casa. Por vezes parece que os pais não sabem bem que lugar ocupar na família e como educar os filhos. E então, na dúvida, abstêm-se, retiram-se e descuidam as suas responsabilidades, talvez refugiando-se numa relação improvável «ao nível» dos filhos. É verdade que deves ser «companheiro» do teu filho, mas sem esquecer que és o pai! Se te comportas só como um companheiro igual ao teu filho, isto não será bom para o jovem. E vemos este problema também na comunidade civil. A comunidade civil com as suas instituições, tem uma certa responsabilidade — podemos dizer paterna — em relação aos jovens, uma responsabilidade que por vezes descuida e exerce mal. Também ela muitas vezes os deixa órfãos e não lhes propõe uma verdadeira perspectiva. Assim, os jovens permanecem órfãos de caminhos seguros para percorrer, órfãos de mestres nos quais confiar, órfãos de ideais que aqueçam o coração, órfãos de valores e de esperanças que os amparem diariamente. Talvez sejam ídolos em abundância mas é-lhes roubado o coração; são estimulados a sonhar divertimentos e prazeres, mas não lhes é dado trabalho; são iludidos com o deus dinheiro, mas são-lhes negadas as verdadeiras riquezas.

E então fará bem a todos, aos pais e aos filhos, ouvir de novo a promessa que Jesus fez aos seus discípulos: «Não vos deixarei órfãos» (Jo 14, 18). De facto, Ele é o Caminho a percorrer, o Mestre a ouvir, a Esperança de que o mundo pode mudar, de que o amor vence o ódio, que pode haver um futuro de fraternidade e de paz para todos. Algum de vós poderia dizer-me: «Mas Padre, hoje foi demasiado negativo. Só falou da ausência dos pais, do que acontece quando os pais não acompanham o crescimento dos filhos... É verdade, quis frisar isto, porque na próxima quarta-feira continuarei esta catequese pondo em evidência a beleza da paternidade. Por isso escolhi começar pela escuridão para chegar à luz. Que o Senhor nos ajude a compreender bem estas coisas. Obrigado.

Saudações

Saúdo cordialmente todos os peregrinos de língua portuguesa, de modo particular ao grupo do Colégio São José, de Coimbra, e aos fiéis da Arquidiocese de Brasília, acompanhados pelos seus pastores. Rezemos por todas as famílias, especialmente por aquelas que passam por dificuldades, na certeza de que elas são um dom de Deus nas nossas comunidades cristãs. Que Deus vos abençoe!




Fonte: Vaticano




Angelus com o Papa Francisco - 25.01.2015


Praça de São Pedro
Domingo, 25 de Janeiro de 2015








Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

O Evangelho de hoje apresenta-nos o início da pregação de Jesus na Galileia. São Marcos frisa que Jesus começou a pregar «depois que João [o Batista] foi preso» (1, 14). Precisamente no momento em que a voz profética do Baptizador, que anunciava a vinda do Reino de Deus, é abafada por Herodes, Jesus começa a percorrer os caminhos da sua terra para levar a todos, sobretudo aos pobres, «o Evangelho de Deus» (ibid.). O anúncio de Jesus é semelhante ao de João, mas distingue-se pelo facto de que Jesus já não indica para o alto quem deve vir: Jesus é Ele mesmo o cumprimento das promessas; é Ele mesmo a «boa nova» a acreditar, acolher e comunicar aos homens e mulheres de todos os tempos, para que também eles Lhe confiem a sua existência. Jesus Cristo em pessoa é a Palavra viva e activa na história: quem o ouve e segue entra no Reino de Deus.

Jesus é o cumprimento das promessas divinas porque é Aquele que doa ao homem o Espírito Santo, a «água viva» que mata a sede do nosso coração inquieto, sedento de vida, de amor, de liberdade, de paz: sedento de Deus. Quantas vezes sentimos o nosso coração sequioso! Foi Ele mesmo quem o revelou à mulher samaritana, que encontrou no poço de Jacó, à qual disse: «Dá-me de beber» (Jo 4, 7). Precisamente estas palavras de Cristo, dirigidas à samaritana, constituíram o tema da Semana anual de oração pela unidade dos Cristãos que hoje se conclui. Esta tarde, com os fiéis da diocese de Roma e com os representantes das diversas Igrejas e comunidades, reunir-nos-emos na Basílica de São Paulo extramuros para rezar intensamente ao Senhor, para que fortaleça o nosso compromisso pela unidade plena de todos. É muito desagradável que os cristãos estejam divididos! Jesus quer-nos unidos: um só corpo. Os nossos pecados, a história, dividiram-nos e por isso devemos rezar muito a fim de que o próprio Espírito Santo nos una de novo.

Deus, tornando-se homem, fez sua a nossa sede, não só da água material, mas sobretudo a sede de uma vida plena, de uma vida livre da escravidão do mal e da morte. Ao mesmo tempo, com a sua encarnação Deus colocou a sua sede — porque também Deus tem sede — no coração de um homem: Jesus de Nazaré. Deus tem sede de nós, dos nossos corações, do nosso amor, e colocou esta sede no coração de Jesus. Por conseguinte, no coração de Cristo encontram-se a sede humana e a sede divina. E o desejo da unidade dos seus discípulos pertence a esta sede. Encontramos isto expresso na oração elevada ao Pai antes da Paixão. «Para que todos sejam um» (Jo 17, 21). O que Jesus queria: a unidade de todos! O diabo — sabemo-lo — é o pai das divisões, é um que divide sempre, que faz sempre guerras, faz muito mal.

Que esta sede de Jesus se torne cada vez mais também a nossa sede! Continuemos, portanto, a rezar e a comprometer-nos pela plena unidade dos discípulos de Cristo, na certeza de que Ele mesmo está ao nosso lado e nos ampara com a força do seu Espírito para que esta meta se aproxime. E confiamos esta nossa oração à materna intercessão de Maria Virgem, Mãe de Cristo, e Mãe da Igreja, para que Ela nos una a todos como uma boa mãe.

APELO PELA PAZ NA UCRÂNIA

Sigo com profunda preocupação o exasperar-se dos confrontos na Ucrânia oriental, que continuam a causar numerosas vítimas entre a população civil. Ao garantir a minha oração por quantos sofrem, renovo um urgente apelo para que sejam retomadas as tentativas de diálogo e se ponha fim a qualquer hostilidade.




Fonte: Vaticano





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