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sábado, 28 de março de 2015

Evangelho do Domingo de Ramos - Ano B


São Marcos 14, 1-15, 47

Faltavam dois dias para a festa da Páscoa e dos Ázimos e os príncipes dos sacerdotes e os escribas procuravam maneira de se apoderarem de Jesus à traição para Lhe darem a morte. Mas diziam: "Durante a festa, não, para que não haja algum tumulto entre o povo". Jesus encontrava-Se em Betânia, em casa de Simão o Leproso, e, estando à mesa, veio uma mulher que trazia um vaso de alabastro com perfume de nardo puro de alto preço. Partiu o vaso de alabastro e derramou-o sobre a cabeça de Jesus. Alguns indignaram-se e diziam entre si: "Para que foi esse desperdício de perfume? Podia vender-se por mais de duzentos denários e dar o dinheiro aos pobres". E censuravam a mulher com aspereza. Mas Jesus disse: "Deixai-a. Porque estais a importuná-la? Ela fez uma boa ação para comigo. Na verdade, sempre tereis os pobres convosco e, quando quiserdes, podereis fazer-lhes bem; mas a Mim, nem sempre Me tereis. Ela fez o que estava ao seu alcance: ungiu de antemão o meu corpo para a sepultura. Em verdade vos digo: Onde quer que se proclamar o Evangelho, pelo mundo inteiro, dir-se-á também em sua memória, o que ela fez". Então, Judas Iscariotes um dos Doze, foi ter com os príncipes dos sacerdotes para lhes entregar Jesus. Quando o ouviram, alegraram-se e prometeram dar-lhe dinheiro. E ele procurava uma oportunidade para entregar Jesus. No primeiro dia dos Ázimos, em que se imolava o cordeiro pascal, os discípulos perguntaram a Jesus: "Onde queres que façamos os preparativos para comer a Páscoa?" Jesus enviou dois discípulos e disse-lhes: "Ide à cidade. Virá ao vosso encontro um homem com uma bilha de água. Segui-o e, onde ele entrar, dizei ao dono da casa: ‘O Mestre pergunta: Onde está a sala, em que hei-de comer a Páscoa com os meus discípulos?’ Ele vos mostrará uma grande sala no andar superior, alcatifada e pronta. Preparai-nos lá o que é preciso". Os discípulos partiram e foram à cidade. Encontraram tudo como Jesus lhes tinha dito e prepararam a Páscoa. Ao cair da tarde, chegou Jesus com os Doze. Enquanto estavam à mesa e comiam, Jesus disse: "Em verdade vos digo: Um de vós, que está comigo à mesa, há-de entregar-Me". Eles começaram a entristecer-se e a dizer um após outro: "Serei eu?" Jesus respondeu-lhes: "É um dos Doze, que mete comigo a mão no prato. O Filho do homem vai partir, como está escrito a seu respeito, mas ai daquele por quem o Filho do homem vai ser traído! Teria sido melhor para esse homem não ter nascido". Enquanto comiam, Jesus tomou o pão, recitou a bênção e partiu-o, deu-o aos discípulos e disse: "Tomai: isto é o meu Corpo". Depois tomou um cálice, deu graças e entregou-lho. E todos beberam dele. Disse Jesus: "Este é o meu Sangue, o Sangue da nova aliança, derramado pela multidão dos homens. Em verdade vos digo: Não voltarei a beber do fruto da videira, até ao dia em que beberei do vinho novo no reino de Deus". Cantaram os salmos e saíram para o Monte das Oliveiras. Disse-lhes Jesus: "Todos vós Me abandonareis, como está escrito: ‘Ferirei o pastor e dispersar-se-ão as ovelhas’. Mas depois de ressuscitar, irei à vossa frente para a Galileia". Disse-Lhe Pedro: "Embora todos Te abandonem, eu não". Jesus respondeu-lhe: "Em verdade te digo: Hoje, esta mesma noite, antes do galo cantar duas vezes, três vezes Me negarás". Mas Pedro continuava a insistir: "Ainda que tenha de morrer contigo, não Te negarei". E todos afirmaram o mesmo. Entretanto, chegaram a uma propriedade chamada Getsémani e Jesus disse aos seus discípulos: "Ficai aqui, enquanto Eu vou orar". Tomou consigo Pedro, Tiago e João e começou a sentir pavor e angústia. Disse-lhes então: "A minha alma está numa tristeza de morte. Ficai aqui e vigiai". Adiantando-Se um pouco, caiu por terra e orou para que, se fosse possível, se afastasse d’Ele aquela hora. Jesus dizia: "Abbá, Pai, tudo Te é possível: afasta de Mim este cálice. Contudo, não se faça o que Eu quero, mas o que Tu queres". Depois, foi ter com os discípulos, encontrou-os dormindo e disse a Pedro: "Simão, estás a dormir? Não pudeste vigiar uma hora? Vigiai e orai, para não entrardes em tentação. O espírito está pronto, mas a carne é fraca". Afastou-Se de novo e orou, dizendo as mesmas palavras. Voltou novamente e encontrou-os dormindo, porque tinham os olhos pesados e não sabiam que responder. Jesus voltou pela terceira vez e disse-lhes: "Dormi agora e descansai...Chegou a hora: o Filho do homem vai ser entregue às mãos dos pecadores. Levantai-vos. Vamos. Já se aproxima aquele que Me vai entregar". Ainda Jesus estava a falar, quando apareceu Judas, um dos Doze, e com ele uma grande multidão, com espadas e varapaus, enviada pelos príncipes dos sacerdotes, pelos escribas e os anciãos. O traidor tinha-lhes dado este sinal: "Aquele que eu beijar, é esse mesmo. Prendei-O e levai-O bem seguro". Logo que chegou, aproximou-se de Jesus e beijou-O, dizendo: "Mestre". Então deitaram-Lhe as mãos e prenderam-n’O. Um dos presentes puxou da espada e feriu o servo do sumo sacerdote, cortando-lhe a orelha. Jesus tomou a palavra e disse-lhes: "Vós saístes com espadas e varapaus para Me prender, como se fosse um salteador. Todos os dias Eu estava no meio de vós, a ensinar no templo, e não Me prendestes! Mas é para se cumprirem as Escrituras". Então os discípulos deixaram-n’O e fugiram todos. Seguiu-O um jovem, envolto apenas num lençol. Agarraram-no, mas ele, largando o lençol, fugiu nu. Levaram então Jesus à presença do sumo sacerdote, onde se reuniram todos os príncipes dos sacerdotes, os anciãos e os escribas. Pedro, que O seguira de longe, até ao interior do palácio do sumo sacerdote, estava sentado com os guardas, a aquecer-se ao lume. Entretanto, os príncipes dos sacerdotes e todo o Sinédrio procuravam um testemunho contra Jesus para Lhe dar a morte, mas não o encontravam. Muitos testemunhavam falsamente contra Ele, mas os seus depoimentos não eram concordes. Levantaram-se então alguns, para proferir contra Ele este falso testemunho: "Ouvimo-l’O dizer: ‘Destruirei este templo feito pelos homens e em três dias construirei outro que não será feito pelos homens’". Mas nem assim o depoimento deles era concorde. Então o sumo sacerdote levantou-se no meio de todos e perguntou a Jesus: "Não respondes nada ao que eles depõem contra Ti?" Mas Jesus continuava calado e nada respondeu. O sumo sacerdote voltou a interrogá-l’O: "És Tu o Messias, Filho do Deus Bendito?" Jesus respondeu: "Eu Sou. E vós vereis o Filho do homem sentado à direita do Todo-poderoso vir sobre as nuvens do céu". O sumo sacerdote rasgou as vestes e disse: "Que necessidade temos ainda de testemunhas? Ouvistes a blasfémia. Que vos parece?" Todos sentenciaram que Jesus era réu de morte. Depois, alguns começaram a cuspir-Lhe, a tapar-Lhe o rosto com um véu e a dar-Lhe punhadas, dizendo: "Adivinha". E os guardas davam-Lhe bofetadas. Pedro estava em baixo, no pátio, quando chegou uma das criadas do sumo sacerdote. Ao vê-lo a aquecer-se, olhou-o de frente e disse-lhe: "Tu também estavas com Jesus, o Nazareno". Mas ele negou: "Não sei nem entendo o que dizes". Depois saiu para o vestíbulo e o galo cantou. A criada, vendo-o de novo, começou a dizer aos presentes: "Este é um deles". Mas ele negou segunda vez. Pouco depois, os presentes diziam também a Pedro: "Na verdade, tu és deles, pois também és galileu". Mas ele começou a dizer imprecações e a jurar: "Não conheço esse homem de quem falais". E logo o galo cantou pela segunda vez. Então Pedro lembrou-se do que Jesus lhe tinha dito: "Antes do galo cantar duas vezes, três vezes Me negarás". E desatou a chorar. Logo de manhã, os príncipes dos sacerdotes reuniram-se em conselho com os anciãos e os escribas e todo o Sinédrio. Depois de terem manietado Jesus, foram entregá-l’O a Pilatos. Pilatos perguntou-Lhe: "Tu és o Rei dos judeus?" Jesus respondeu: "É como dizes". E os príncipes dos sacerdotes faziam muitas acusações contra Ele. Pilatos interrogou-O de novo: "Não respondes nada? Vê de quantas coisas Te acusam". Mas Jesus nada respondeu, de modo que Pilatos estava admirado. Pela festa da Páscoa, Pilatos costumava soltar-lhes um preso à sua escolha. Havia um, chamado Barrabás, preso com os insurrectos que numa revolta tinham cometido um assassínio. A multidão, subindo, começou a pedir o que era costume conceder-lhes. Pilatos respondeu: "Quereis que vos solte o Rei dos judeus?" Ele sabia que os príncipes dos sacerdotes O tinham entregado por inveja. Entretanto, os príncipes dos sacerdotes incitaram a multidão a pedir que lhes soltasse antes Barrabás. Pilatos, tomando de novo a palavra, perguntou-lhes: "Então que hei-de fazer d’Aquele que chamais o Rei dos judeus?" Eles gritaram de novo: "Crucifica-O!" Pilatos insistiu: "Que mal fez Ele?" Mas eles gritaram ainda mais: "Crucifica-O!" Então Pilatos, querendo contentar a multidão, soltou-lhes Barrabás e, depois de ter mandado açoitar Jesus, entregou-O para ser crucificado. Os soldados levaram-n’O para dentro do palácio, que era o pretório, e convocaram toda a corte. Revestiram-n’O com um manto de púrpura e puseram-Lhe na cabeça uma coroa de espinhos que haviam tecido. Depois começaram a saudá-l’O: "Salve, Rei dos judeus!" Batiam-Lhe na cabeça com uma cana, cuspiam-Lhe e, dobrando os joelhos, prostravam-se diante d’Ele. Depois de O terem escarnecido, tiraram-Lhe o manto de púrpura e vestiram-Lhe as suas roupas. Em seguida levaram-n’O dali para O crucificarem. Requisitaram, para Lhe levar a cruz, um homem que passava, vindo do campo, Simão de Cirene, pai de Alexandre e Rufo. E levaram Jesus ao lugar do Gólgota, quer dizer, lugar do Calvário. Queriam dar-Lhe vinho misturado com mirra, mas Ele não o quis beber. Depois crucificaram-n’O. E repartiram entre si as suas vestes, tirando-as à sorte, para verem o que levaria cada um. Eram nove horas da manhã quando O crucificaram. O letreiro que indicava a causa da condenação tinha escrito: "Rei dos Judeus". Crucificaram com Ele dois salteadores, um à direita e outro à esquerda. Os que passavam insultavam-n’O e abanavam a cabeça, dizendo: "Tu que destruías o templo e o reedificavas em três dias, salva-Te a Ti mesmo e desce da cruz". Os príncipes dos sacerdotes e os escribas troçavam uns com os outros, dizendo: "Salvou os outros e não pode salvar-Se a Si mesmo! Esse Messias, o Rei de Israel, desça agora da cruz, para nós vermos e acreditarmos". Até os que estavam crucificados com Ele O injuriavam. Quando chegou o meio-dia, as trevas envolveram toda a terra até às três horas da tarde. E às três horas da tarde, Jesus clamou com voz forte: "Eloí, Eloí, lamá sabachtháni?" que quer dizer: "Meu Deus, meu Deus, porque Me abandonastes?» Alguns dos presentes, ouvindo isto, disseram: "Está a chamar por Elias". Alguém correu a embeber uma esponja em vinagre e, pondo-a na ponta duma cana, deu-Lhe a beber e disse: "Deixa ver se Elias vem tirá-l’O dali". Então Jesus, soltando um grande brado, expirou. O véu do templo rasgou-se em duas partes de alto a baixo. O centurião que estava em frente de Jesus, ao vê-l’O expirar daquela maneira, exclamou: "Na verdade, este homem era Filho de Deus".Estavam também ali umas mulheres a observar de longe, entre elas Maria Madalena, Maria, mãe de Tiago e de José, e Salomé, que acompanhavam e serviam Jesus, quando estava na Galileia, e muitas outras que tinham subido com Ele a Jerusalém. Ao cair da tarde – visto ser a Preparação, isto é, a véspera do sábado – José de Arimateia, ilustre membro do Sinédrio, que também esperava o reino de Deus, foi corajosamente à presença de Pilatos e pediu-lhe o corpo de Jesus. Pilatos ficou admirado de Ele já estar morto e, mandando chamar o centurião, perguntou-lhe se Jesus já tinha morrido. Informado pelo centurião, ordenou que o corpo fosse entregue a José. José comprou um lençol, desceu o corpo de Jesus e envolveu-O no lençol; depois depositou-O num sepulcro escavado na rocha e rolou uma pedra para a entrada do sepulcro. Entretanto, Maria Madalena e Maria, mãe de José, observavam onde Jesus tinha sido depositado.





Catequese com o Papa Francisco - 25.03.2015


Quarta-feira, 25 de Março de 2015








Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

No nosso caminho das catequeses sobre a família, hoje temos uma etapa um pouco especial: será um momento de oração.

De facto, no dia 25 de Março a Igreja celebra solenemente a Anunciação, início do mistério da Encarnação. O Arcanjo Gabriel visitou a jovem humilde de Nazaré e anunciou-lhe que teria concebido e dado à luz o Filho de Deus. Com este anúncio o Senhor ilumina e fortalece a fé de Maria, como depois fará também para o seu esposo José, a fim de que Jesus possa nascer numa família humana. Isto é muito bonito: mostra-nos como o mistério da Encarnação, tal como Deus o desejou, abrange de modo profundo não só a concepção no ventre da mãe mas também o acolhimento numa família verdadeira. Hoje gostaria de contemplar convosco a beleza deste vínculo, a beleza desta condescendência de Deus; e podemos fazê-lo recitando juntos a Ave-Maria, que na primeira parte retoma precisamente as palavras do Anjo, as que dirigiu à Virgem. Convido-vos a rezarmos juntos:

«Ave, Maria, cheia de graça,
o Senhor é convosco.
Bendita sois vós entre as mulheres,
bendito é o fruto do vosso ventre, Jesus.
Santa Maria, Mãe de Deus,
rogai por nós pecadores
agora e na hora da nossa morte.
Amém».

E agora, um segundo aspecto: a 25 de Março, solenidade da Anunciação, celebra-se em muitos países o Dia pela Vida. Por isso, há vinte anos, são João Paulo II nesta data assinou a Encíclica Evangelium vitae. Para recordar tal aniversário hoje estão presentes na praça muitos adeptos do Movimento pela Vida. Na Evangelium vitae a família ocupa um lugar central, enquanto é o ventre da vida humana. A palavra do meu venerado Predecessor recorda-nos que o casal humano foi abençoado por Deus desde o princípio para formar uma comunidade de amor e de vida, à qual está confiada a missão da procriação. Os esposos cristãos, celebrando o sacramento do Matrimónio, tornam-se disponíveis a honrar esta bênção, com a graça de Cristo, por toda a vida. A Igreja, por sua vez, compromete-se solenemente a ocupar-se da família que nasce dele, como dom de Deus para a sua própria vida, na alegria e na tristeza: o vínculo entre Igreja e família é sagrado e inviolável. A Igreja, como mãe, nunca abandona a família, inclusive quando ela é aviltada, ferida e mortificada de muitos modos. Nem quando incorre no pecado, ou se afasta da Igreja; fará sempre de tudo para procurar curá-la, convidá-la à conversão e reconciliá-la com o Senhor.

Pois bem, se esta é a tarefa, é evidente que a Igreja tem necessidade de muita oração para ser capaz, em todos os tempos, de cumprir esta missão! Uma oração cheia de amor pela família e pela vida. Uma oração que saiba rejubilar com quem se alegra e com quem sofre.

Eis então que, juntamente com os meus colaboradores, pensamos propor hoje: renovar a oração para o Sínodo dos Bispos sobre a família. Relançamos este compromisso até Outubro próximo, quando terá lugar a Assembleia sinodal ordinária dedicada à família. Gostaria que esta oração, assim como todo o caminho sinodal, fosse animada pela compaixão do Bom Pastor pelo seu rebanho, especialmente pelas pessoas e famílias que por vários motivos estão «cansadas e abatidas, como ovelhas sem pastor» (Mt 9, 36). Desta forma, apoiada e animada pela graça de Deus, a Igreja poderá comprometer-se e estar ainda mais unida, no testemunho da verdade, do amor de Deus e da sua misericórdia pelas famílias do mundo, sem excluir nenhuma, tanto fora quanto dentro do redil.

Peço-vos por favor que não façais faltar a vossa oração. Todos — Papa, Cardeais, Bispos, sacerdotes, religiosos, religiosas e fiéis leigos — todos estamos chamados a orar pelo Sínodo. Disto temos necessidade, não de mexericos! Convido a rezar também quantos se sentem distantes ou não estão acostumados a fazê-lo. Esta oração pelo Sínodo sobre a família é para o bem de todos. Sei que esta manhã recebestes uma pequena imagem. Exorto-vos a conservá-la e a levá-la convosco, para que possais recitá-la com frequência nos próximos meses, com santa insistência, como nos pediu Jesus. Agora, recitemo-la juntos:

Jesus, Maria e José,
Em vós, contemplamos
o esplendor do verdadeiro amor,
a Vós, com confiança, nos dirigimos.

Sagrada Família de Nazaré,
tornai também as nossas famílias
lugares de comunhão
e cenáculos de oração,
escolas autênticas do Evangelho
e pequenas Igrejas domésticas.

Sagrada Família de Nazaré,
que nunca mais se faça,
nas famílias,
experiência de violência, 
egoísmo e divisão:
quem ficou ferido ou escandalizado
depressa conheça consolação e cura.

Sagrada Família de Nazaré,
o próximo Sínodo dos Bispos 
possa despertar, em todos,
a consciência 
do carácter sagrado 
e inviolável da família,
a sua beleza no projecto de Deus.

Jesus, Maria e José,
escutai, atendei a nossa súplica. Amém.




Fonte: Vaticano




Angelus com o Papa Francisco - 22.03.2015


Praça São Pedro
V Domingo de Quaresma, 22 de Março de 2015








Queridos irmãos e irmãs!

Neste Quinto Domingo de Quaresma, o evangelista João chama a nossa atenção com um pormenor curioso: alguns «gregos», de religião hebraica, vindos de Jerusalém para a festa da Páscoa, dirigem-se ao apóstolo Filipe, dizendo-lhe: «Senhor, queremos ver Jesus» (Jo 12, 21). Na cidade santa, onde Jesus foi pela última vez, há muitas pessoas. Estão presentes os pequeninos e os simples, que acolheram alegremente o profeta de Nazaré reconhecendo Nele o Enviado do Senhor. Estão presentes os sumos sacerdotes e os chefes do povo, que o querem eliminar porque o consideram herético e perigoso. Há também muitas pessoas, como por exemplo aqueles «gregos», que estão curiosos para o ver e saber mais sobre a sua pessoa e as obras cumpridas por Ele, a última dos quais — a ressurreição de Lázaro — causou grande alarido.

«Queremos ver Jesus»: estas palavras, como muitas outras nos Evangelhos, vão para além do episódio particular e exprimem algo universal; revelam um desejo que atravessa as épocas e as culturas, um desejo presente no coração de muitas pessoas que ouviram falar de Jesus, mas ainda não o encontraram. «Eu desejo ver Jesus», assim sente o coração desta Gente.

Respondendo indiretamente, de maneira profética, àquele pedido de o poder ver, Jesus pronuncia uma profecia que desvela a sua identidade e indica o caminho para o conhecer verdadeiramente: «É chegada a hora para o Filho do Homem ser glorificado» (Jo 12, 23). Chegou a hora da Cruz! Chegou a hora da derrota de Satanás, príncipe do mal, e do triunfo definitivo do amor misericordioso de Deus. Cristo declara que será «levantado da terra» (32), uma expressão que tem um duplo significado: «levantado» porque crucificado, e «levantado» porque exaltado pelo Pai na Ressurreição, para atrair todos a si e reconciliar os homens com Deus e entre eles. A hora da cruz, a mais obscura da história, é também a fonte da salvação para quantos acreditam Nele.

Prosseguindo a profecia sobre a sua Páscoa já iminente, Jesus usa uma imagem simples e sugestiva, a do «grão de trigo» que, ao cair na terra, morre para produzir fruto (cf. 24). Nesta imagem encontramos outro aspecto da Cruz de Cristo: o da fecundidade. A cruz de Cristo é fecunda. Com efeito, a morte de Jesus é uma fonte inesgotável de vida nova, porque traz em si a força regeneradora do amor de Deus. Imergidos neste amor pelo Batismo, os cristãos podem tornar-se «grãos de trigo» e dar muito fruto se, como Jesus, «perderem a própria vida» por amor de Deus e dos irmão (cf. 25).

Por esta razão, a quantos hoje «querem ver Jesus», a quantos estão à procura do rosto de Deus; a quem recebeu uma catequese quando era pequeno e depois não a aprofundou e talvez perdeu a fé; aos numerosos que ainda não encontraram Jesus pessoalmente...; a todas estas pessoas podemos oferecer três coisas: o Evangelho; o crucifixo e o testemunho da nossa fé, pobre, mas sincera. O Evangelho: ali podemos encontrar Jesus, ouvi-lo, conhecê-lo. O crucifixo: sinal do amor de Jesus que se entregou a si mesmo por nós. E também uma fé que se traduz em gestos simples de caridade fraterna. Mas principalmente na coerência de vida entre o que dizemos e o que vivemos, coerência entre a nossa fé e a nossa vida, entre as nossas palavras e as nossas acções. Evangelho, crucifixo, testemunho. Que Nossa Senhora nos ajude a carregar estas três coisas.

Depois do Angelus

Queridos irmãos e irmãs

Não obstante o mau tempo viestes numerosos, felicitações. Sois muito corajosos, também os atletas são corajosos, saúdo-os com afeto. Ontem estive em Nápoles em visita pastoral, desejo agradecer a todos os napolitanos o caloroso acolhimento, tão bons. Muito obrigado!

Hoje celebra-se a Jornada Mundial da Água, promovida pelas Nações Unidas. A água é o elemento mais essencial para a vida, e o futuro da humanidade depende da nossa capacidade de a preservar e de a compartilhar. Portanto, encorajo a Comunidade internacional a vigiar a fim de que as águas do planeta sejam protegidas adequadamente e ninguém seja excluído ou discriminado na utilização deste bem, que é um bem comum por excelência. Com são Francisco de Assis digamos: «Louvado sejas, meu Senhor, pela irmã água, útil e humilde, preciosa e casta» (Cântico do Irmão Sol).

Agora vamos repetir um gesto já feito no ano passado: segundo a antiga tradição da Igreja, durante a Quaresma entrega-se o Evangelho a quantos se preparam para o Batismo; assim hoje eu ofereço a vós que estais na Praça um presente, um Evangelho de bolso. Ser-vos-á distribuído gratuitamente por algumas pessoas desabrigadas que vivem em Roma. Também nisso vemos um gesto muito bonito, que Jesus gosta: os mais necessitados são aqueles que oferecem a palavra de Deus. Aceitai-o e levai-o convosco, para o ler frequentemente, levá-lo todos os dias na bolsa, no bolso e ler um trecho todos os dias. A palavra de Deus é luz para o nosso caminho! É bom que o façais.

Desejo a todos bom domingo. Por favor, não vos esqueçais de rezar por mim. Bom almoço e até à próxima.




Fonte: Vaticano




domingo, 22 de março de 2015

Evangelho do V Domingo da Quaresma - Ano B


São João 12, 20-33

Naquele tempo, alguns gregos que tinham vindo a Jerusalém para adorar nos dias da festa, foram ter com Filipe, de Betsaida da Galileia, e fizeram-lhe este pedido: "Senhor, nós queríamos ver Jesus". Filipe foi dizê-lo a André; e então André e Filipe foram dizê-lo a Jesus. Jesus respondeu-lhes: "Chegou a hora em que o Filho do homem vai ser glorificado. Em verdade, em verdade vos digo: Se o grão de trigo, lançado à terra, não morrer, fica só; mas se morrer, dará muito fruto. Quem ama a sua vida, perdê-la-á, e quem despreza a sua vida neste mundo conservá-la-á para a vida eterna. Se alguém Me quiser servir, que Me siga, e onde Eu estiver, ali estará também o meu servo. E se alguém Me servir, meu Pai o honrará. Agora a minha alma está perturbada. E que hei-de dizer? Pai, salva-Me desta hora? Mas por causa disto é que Eu cheguei a esta hora. Pai, glorifica o teu nome". Veio então do Céu uma voz que dizia: "Já O glorifiquei e tornarei a glorificá-l’O". A multidão que estava presente e ouvira dizia ter sido um trovão. Outros afirmavam: "Foi um Anjo que Lhe falou". Disse Jesus: "Não foi por minha causa que esta voz se fez ouvir; foi por vossa causa. Chegou a hora em que este mundo vai ser julgado. Chegou a hora em que vai ser expulso o príncipe deste mundo. E quando Eu for elevado da terra, atrairei todos a Mim". Falava deste modo, para indicar de que morte ia morrer.





terça-feira, 17 de março de 2015

Evangelho do IV Domingo da Quaresma - Ano B


São João 3, 14-21

Naquele tempo, disse Jesus a Nicodemos: "Assim como Moisés elevou a serpente no deserto, também o Filho do homem será elevado, para que todo aquele que acredita tenha n’Ele a vida eterna. Deus amou tanto o mundo que entregou o seu Filho Unigênito, para que todo o homem que acredita n’Ele não pereça, mas tenha a vida eterna. Porque Deus não enviou o Filho ao mundo para condenar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por Ele. Quem acredita n’Ele não é condenado, mas quem não acredita já está condenado, porque não acreditou no nome do Filho Unigênito de Deus. E a causa da condenação é esta: a luz veio ao mundo e os homens amaram mais as trevas do que a luz, porque eram más as suas obras. Todo aquele que pratica más ações odeia a luz e não se aproxima dela, para que as suas obras não sejam denunciadas. Mas quem pratica a verdade aproxima-se da luz, para que as suas obras sejam manifestas, pois são feitas em Deus.






Catequese com o Papa Francisco - 11.03.2015


Quarta-feira, 11 de Março de 2015








Caros irmãos e irmãs, bom dia!

Na catequese de hoje continuemos a meditar sobre os avós, considerando o valor e a importância do seu papel na família. Faço-o identificando-me com estas pessoas, porque também eu pertenço a esta faixa etária.

Quando estive nas Filipinas, o povo filipino saudava-me dizendo: «Lolo Kiko» — ou seja, avô Francisco — «Lolo Kiko», diziam! Em primeiro lugar, é importante sublinhar algo: é verdade que a sociedade tende a descartar-nos, mas certamente não o Senhor. O Senhor nunca nos descarta! Ele chama-nos a segui-lo em todas as fases da vida, e inclusive a velhice recebe uma graça e uma missão, uma verdadeira vocação do Senhor. A velhice é uma vocação! Ainda não chegou o momento de «nos resignarmos». Sem dúvida, este período da vida é diferente dos precedentes; devemos também «inventá-lo» um pouco porque, espiritual e moralmente, as nossas sociedades não estão prontas para lhe conferir, a este momento da vida, o seu pleno valor. Com efeito, outrora não era tão normal ter tempo à disposição; hoje é-o muito mais. E inclusive a espiritualidade cristã foi um pouco surpreendida, e trata-se de delinear uma espiritualidade das pessoas idosas. Mas graças a Deus não faltam testemunhos de santos e santas idosos!

Fiquei muito surpreendido com o «Dia dos idosos», que pudemos celebrar aqui na praça de São Pedro no ano passado: a praça estava apinhada! Ouvi histórias de idosos que se prodigalizam pelo próximo, mas também histórias de casais que me diziam: «Celebramos 50 anos de matrimónio, festejamos o sexagésimo aniversário de casamento». É importante mostrá-lo aos jovens, que se cansam depressa; é importante o testemunho dos idosos na fidelidade. E nesta praça havia um grande número deles naquele dia. Trata-se de uma reflexão que deve prosseguir, tanto em âmbito eclesial como civil. O Evangelho vem ao nosso encontro com uma imagem muito bonita, comovente e encorajadora. É a imagem de Simeão e Ana, dos quais nos fala o Evangelho da infância de Jesus, composto por são Lucas. Certamente eram idosos, o «velho» Simeão e a «profetisa» Ana, que tinha 84 anos. Aquela mulher não escondia a sua idade! O Evangelho diz-nos que todos os dias esperavam a vinda de Deus, com grande fidelidade, havia muitos anos. Queriam realmente ver aquele dia, captar os seus sinais, intuir o seu início. Talvez já se tivessem um pouco resignado a morrer antes: no entanto, aquela longa expectativa continuava a ocupar toda a vida deles, e não tinham compromissos mais importantes do que este: esperar o Senhor e rezar. Pois bem, quando Maria e José chegaram ao templo para cumprir os preceitos da Lei, Simeão e Ana apressaram-se, animados pelo Espírito Santo (cf. Lc 2, 27). O peso da idade e da espera esvaeceu num instante. Eles reconheceram o Menino e descobriram uma nova força, para uma renovada tarefa: dar graças e testemunhar este Sinal de Deus. Simeão improvisou um lindo hino de júbilo (cf. Lc 2, 29-32) — naquele momento foi um poeta — e Ana tornou-se a primeira pregadora de Jesus: «Falava de Jesus a todos aqueles que, em Jerusalém, esperavam a libertação» (Lc 2, 38).

Estimados avós, amados idosos, coloquemo-nos no sulco destes anciãos extraordinários! Tornemo-nos, também nós um pouco poetas da oração: adquiramos o gosto de procurar palavras que nos são próprias, voltando a apoderar-nos daquelas que a Palavra de Deus nos ensina. É um grande dom para a Igreja, a oração dos avós e dos idosos! A oração dos anciãos e dos avós é uma dádiva para a Igreja uma riqueza! Uma grande dose de sabedoria também para toda a sociedade humana: sobretudo para aquela que vive demasiado ocupada, absorvida, distraída. Contudo, também por eles alguém deve cantar os sinais de Deus, proclamar os sinais de Deus, rezar por eles! Observemos Bento XVI,que quis passar na oração e na escuta de Deus a última fase da sua vida! Isto é bonito! Um grande crente de tradição ortodoxa do século passado, Olivier Clément, dizia: «Uma civilização na qual já não se reza é uma civilização onde a velhice não tem mais sentido. E isto é terrificante! Antes de tudo, temos necessidade de idosos que rezem, porque a velhice nos é concedida para isto». Precisamos de anciãos que orem, pois a velhice nos é oferecida precisamente para isto. A oração dos idosos é bonita!

Podemos dar graças ao Senhor pelos benefícios recebidos, e preencher o vazio da ingratidão que o circunda. Podemos intercederpelas expectativas das novas gerações e conferir dignidade à memória e aos sacrifícios das passadas. Podemos recordar aos jovens ambiciosos que uma existência sem amor é uma vida árida. Podemos dizer aos jovens medrosos que a angústia em relação ao futuro pode ser derrotada. Podemos ensinar aos jovens demasiado apaixonados por si mesmos que há mais alegria em dar do que em receber. Os avôs e as avós formam o «coral» permanente de um grande santuário espiritual, onde a oração de súplica e o canto de louvor sustentam a comunidade que trabalha e luta no campo da vida.

Enfim, a oração purifica incessantemente o coração. O louvor e a súplica a Deus evitam o endurecimento do coração no ressentimento e no egoísmo. Como é desagradável o cinismo de um idoso que perdeu o sentido do seu testemunho, despreza os jovens e não comunica uma sabedoria de vida! Ao contrário, como é bonito o encorajamento que o ancião consegue transmitir ao jovem em busca do sentido da fé e da vida! Esta é verdadeiramente a missão dos avós, a vocação dos idosos! As palavras dos avós têm algo de especial para os jovens. E eles sabem-no! As palavras que a minha avó me confiou por escrito no dia da minha ordenação sacerdotal, ainda as tenho comigo, sempre no breviário; leio-as com frequência e isto faz-me bem.

Como gostaria de uma Igreja que desafia a cultura do descartável com a alegria transbordante de um novo abraço entre jovens e idosos! E é isto, este abraço, que hoje peço ao Senhor!

Saudações

Queridos peregrinos de língua portuguesa: sede bem-vindos! Faço votos de que as comunidades cristãs ofereçam ao mundo um testemunho de respeito e veneração pelos idosos, conscientes de que eles podem transmitir de um modo privilegiado o sentido da fé e da vida! Obrigado pela vossa presença!

Dou as mais cordiais boas-vindas aos peregrinos de língua árabe, de modo particular aos provenientes do Médio Oriente! Queridos irmãos e irmãs, a velhice possui em si uma graça e uma missão, uma verdadeira vocação do Senhor. Os avôs e as avós formam o «coral» permanente de um grande santuário espiritual, onde a oração de súplica e o canto de louvor sustentam a comunidade que trabalha e luta no campo da vida. Que o Senhor vos abençoe!

Dirijo um pensamento especial aos jovens, aos doentes e aos recém-casados. Durante este mês nós recordamos o quinto centenário do nascimento, em Ávila, de santa Teresa de Jesus. Queridos jovens, o seu vigor espiritual vos estimule a testemunhar com alegria a fé na vossa vida; a sua confiança em Cristo Salvador vos sustente, estimados enfermos, nos momentos de maior desânimo; e o seu apostolado incansável vos convide, prezados recém-casados, a pôr Cristo no âmago do vosso lar conjugal.




Fonte: Vaticano




Angelus com o Papa Francisco - 08.03.2015


Praça de São Pedro
III Domingo de Quaresma, 8 de Março de 2015









Amados irmão e irmãs, bom dia!

O Evangelho de hoje (Jo2, 13-25) apresenta-nos o episódio da expulsão dos vendedores do templo, Jesus «fez um chicote com cordões e afastou todos para fora do templo, com as ovelhas e os bois» (v. 15), o dinheiro, tudo. Este gesto suscitou grande impressão nas pessoas e nos discípulos. Claramente pareceu um gesto profético, a ponto que alguns dos presentes perguntaram a Jesus: «Que sinal nos dás para fazer estas coisas?» (v. 18), quem és tu para fazer estas coisas? Dá-nos um sinal de que tens autoridade para as fazer. Procuravam um sinal divino, prodigioso que acreditasse Jesus como enviado de Deus. E Ele respondeu: «Destruí este templo e eu em três dias levantá-lo-ei» (v. 19). Responderam-lhe: «Este templo foi construído em quarenta e seis anos e tu em três dias fá-lo-ás ressurgir?» (v. 20). Não tinham entendido que o Senhor se referia ao templo vivo do seu corpo, que teria sido destruído na morte de cruz, mas teria ressuscitado ao terceiro dia. Por isso, «em três dias». «Depois quando ressuscitou dos mortos — escreve o Evangelista — os seus discípulos recordaram-se que tinha dito isto, e acreditaram na Escritura e na palavra dita por Jesus» (v. 22).

Com efeito, este gesto de Jesus e a sua mensagem profética compreendem-se plenamente à luz da sua Páscoa. Temos aqui, segundo o evangelista João, o primeiro anúncio da morte e ressurreição de Cristo: o seu corpo, destruído na cruz pela violência do pecado, tornar-se-á na Ressurreição o lugar do encontro universal entre Deus e os homens. E Cristo Ressuscitado é precisamente o lugar do encontro universal — de todos! — entre Deus e os homens. Por isso a sua humanidade é o verdadeiro templo, no qual Deus se revela, fala, se deixa encontrar; os verdadeiros adoradores, os verdadeiros adoradores de Deus não são os guardas do templo material, os detentores do poder ou do saber religioso, são os que adoram Deus «em espírito e verdade» (Jo 4, 23).

Neste tempo de Quaresma estamos a preparar-nos para a celebração da Páscoa, quando renovaremos as promessas do nosso Baptismo. Caminhemos no mundo como Jesus e façamos de toda a nossa existência um sinal do seu amor pelos nossos irmãos, especialmente os mais débeis e pobres, assim edificamos para Deus um templo na nossa vida. E assim fazemos com que ele possa ser «encontrado» por tantas pessoas que vemos no nosso caminho. Se formos testemunhas deste Cristo vivo, muitas pessoas encontrarão Jesus em nós, no nosso testemunho. Mas — perguntemo-nos, e cada um de nós se pode questionar: o Senhor sente-se deveras em casa na nossa vida? Permitimos que ele faça «limpeza» no nosso coração e afaste os ídolos, ou seja, aquelas atitudes de cupidez, ciúmes, mundanidade, inveja, ódio, aquele hábito de falar mal dos outros pelas «costas»? Permitimos-lhe que limpe todos os comportamentos contra Deus, contra o próximo e contra nós mesmos, como ouvimos hoje na primeira Leitura? Cada um pode responder a si mesmo, em silêncio, no seu coração. «Permito que Jesus faça um pouco de limpeza no meu coração?». «Oh, padre, eu tenho medo que me fustigue!». Mas Jesus nunca fustiga. Jesus fará limpeza com ternura, com misericórdia, com amor. A misericórdia é o seu modo de fazer limpeza. Deixemos — cada um de nós — deixemos que o Senhor entre com a sua misericórdia — não com o chicote, não, mas com a sua misericórdia — para limpar os nossos corações. O chicote de Jesus para connosco é a sua misericórdia. Abramos-lhe a porta para que faça um pouco de limpeza.

Cada Eucaristia que celebramos com fé nos faz crescer como templo vivo do Senhor, graças à comunhão com o seu Corpo crucificado e ressuscitado. Jesus conhece o que há em cada um de nós, e conhece também o nosso desejo mais fervoroso: sermos habitados por Ele, só por Ele. Deixemo-lo entrar na nossa vida, na nossa família, nos nossos corações. Maria Santíssima, habitação privilegiada do Filho de Deus, nos acompanhe e nos ampare no percurso quaresmal, para que possamos redescobrir a beleza do encontro com Cristo, que nos liberta e nos salva.

Depois do Angelus

Dou as cordiais boas-vindas aos fiéis de Roma e a todos os peregrinos provenientes de várias partes do mundo. Saúdo os fiéis de Curitiba (Brasil).

Durante esta Quaresma procuremos estar mais próximos das pessoas que vivem momentos de dificuldade: próximos com o afeto, com a oração e com a solidariedade.

Hoje, 8 de Março, uma saudação a todas as mulheres! Toda as mulheres que dia após dia procuram construir uma sociedade mais humana e acolhedora. E um obrigado fraterno também às que de mil maneiras testemunham o Evangelho e trabalham na Igreja. E esta é para nós uma ocasião para reafirmar a importância e a necessidade da sua presença na vida. Um mundo no qual as mulheres são marginalizadas é um mundo estéril, porque as mulheres não só dão a vida mas transmitem-nos a capacidade de ver além — elas vêem além — transmitem-nos a capacidade de compreender o mundo com um olhar diverso, sentir as coisas com um coração mais criativo, paciente, terno. Uma oração e uma bênção particulares a todas as mulheres presentes aqui na praça e a todas as mulheres! Uma saudação!

Desejo a todos bom domingo. Por favor, não vos esqueçais de rezar por mim.

Bom almoço e até à próxima!




Fonte: Vaticano



sábado, 7 de março de 2015

Evangelho do III Domingo da Quaresma - Ano B


São João 2, 13-25

Estava próxima a Páscoa dos judeus e Jesus subiu a Jerusalém. Encontrou no templo os vendedores de bois, de ovelhas e de pombas e os cambistas sentados às bancas. Fez então um chicote de cordas e expulsou-os a todos do templo, com as ovelhas e os bois; deitou por terra o dinheiro dos cambistas e derrubou-lhes as mesas; e disse aos que vendiam pombas: "Tirai tudo isto daqui; não façais da casa de meu Pai casa de comércio". Os discípulos recordaram-se do que estava escrito: "Devora-me o zelo pela tua casa". Então os judeus tomaram a palavra e perguntaram-Lhe: "Que sinal nos dás de que podes proceder deste modo?" Jesus respondeu-lhes: "Destruí este templo e em três dias o levantarei". Disseram os judeus: "Foram precisos quarenta e seis anos para se construir este templo e Tu vais levantá-lo em três dias?" Jesus, porém, falava do templo do seu corpo. Por isso, quando Ele ressuscitou dos mortos, os discípulos lembraram-se do que tinha dito e acreditaram na Escritura e nas palavras que Jesus dissera. Enquanto Jesus permaneceu em Jerusalém pela festa da Páscoa, muitos, ao verem os milagres que fazia, acreditaram no seu nome. Mas Jesus não se fiava deles, porque os conhecia a todos e não precisava de que Lhe dessem informações sobre ninguém: Ele bem sabia o que há no homem.






Catequese com o Papa Francisco - 04.03.2014


Quarta-feira, 4 de Março de 2015








Prezados irmãos e irmãs, bom dia!

A catequese de hoje e da próxima quarta-feira são dedicadas aos idosos que, no âmbito da família, são os avós, os tios. Agora ponderemos sobre a problemática condição dos idosos de hoje, e na próxima vez, ou seja na próxima quarta-feira, mais em positivo, sobre a vocação contida nesta idade da vida.

Graças aos progressos da medicina, a vida prolongou-se: mas a sociedade não se «ampliou» à vida! O número de idosos multiplicou-se, mas as nossas sociedades não se organizaram suficientemente para lhes deixar espaço, com o justo respeito e a concreta consideração pela sua fragilidade e dignidade. Enquanto somos jovens, somos levados a ignorar a velhice, como se fosse uma enfermidade da qual nos devemos manter à distância; depois, quando envelhecemos, especialmente se somos pobres, doentes e sós, experimentamos as lacunas de uma sociedade programada sobre a eficácia que, consequentemente, ignora os idosos. Mas os idosos são uma riqueza, não podem ser ignorados!

Quando visitou uma casa para idosos, Bento XVI usou palavras claras e proféticas; dizia assim: «A qualidade de uma sociedade, gostaria de dizer de uma civilização, julga-se também pelo modo como se tratam os idosos e pelo lugar que lhes reservam na vida comum» (12 de Novembro de 2012). É verdade, a atenção aos idosos distingue uma civilização. Numa civilização presta-se atenção ao idoso? Há lugar para o idoso? Esta civilização irá em frente se souber respeitar a sabedoria, a experiência dos idosos. Numa civilização em que não há espaço para os idosos ou onde eles são descartados porque criam problemas, tal sociedade traz em si o vírus da morte.

No Ocidente, os estudiosos apresentam o século contemporâneo como o século do envelhecimento: os filhos diminuem, os anciãos aumentam. Este desequilíbrio interpela-nos, aliás, é um grande desafio para a sociedade contemporânea. E no entanto, uma cultura do lucro insiste em fazer com que os idosos pareçam um peso, um «fardo». Esta cultura pensa que não só não produzem, mas chegam a ser uma carga: em síntese, qual é o resultado de um pensamento como este? Devem ser descartados. É feio ver os idosos descartados, é algo desagradável, é pecado! Não se ousa dizê-lo abertamente, mas fazem-no! Há algo de vil nestehabituar-se à cultura do descartável. E nós habituamo-nos a descartar as pessoas. Queremos remover o nosso elevado medo da debilidade e da vulnerabilidade; mas agindo deste modo, aumentamos nos anciãos a angústia de serem mal tolerados e até abandonados.

Já no meu ministério em Buenos Aires eu sentia pessoalmente esta realidade com os seus problemas: «Os idosos são abandonados, e não apenas na precariedade material. São abandonados na incapacidade egoísta de aceitar os seus limites, que reflectem os nossos limites, nas numerosas dificuldades que hoje devem superar para sobreviver numa civilização que não lhes permite participar, expressar a sua opinião, ser um ponto de referência segundo o modelo consumista do «só os jovens podem ser úteis e devem gozar». Ao contrário, estes idosos deveriam ser para toda a sociedade a reserva sapiencial do nosso povo. Os anciãos são a reserva sapiencial do nosso povo! Com quanta facilidade se adormece a consciência quando não há amor!» (Solo l’amore ci può salvare, Cidade do Vaticano 2013, pág. 83). E acontece assim. Recordo que quando visitava as casas de repouso, eu falava com cada um e muitas vezes ouvia isto: «Como está o senhor? E os seus filhos? — Bem! — Quantos tem? — Muitos! — E vêm visitá-lo? — Sim, sempre! — Quando vieram a última vez?». Recordo que uma senhora idosa me disse: «Bem no Natal!». Estávamos em Agosto! Oito meses sem ter sido visitada pelos filhos, oito meses abandonada! Isto chama-se pecado mortal, compreendestes? Quando eu era criança, um dia a minha avó narrou-me a história de um avô que se sujava quando comia, porque não conseguia levar bem a colher de sopa à própria boca. E o filho, ou seja o pai de família, decidiu tirá-lo da mesa comum e mandou fazer-lhe uma mesinha na cozinha, onde não se via, para ali comer sozinho. Assim, não faria má figura quando os amigos viessem almoçar ou jantar. Poucos dias depois, chegou a casa e encontrou o seu filho mais pequenino a brincar com um pedaço de madeira, um martelo e alguns pregos; construía algo, e o pai disse-lhe: «Mas o que fazes? — Faço uma mesa, pai. — Uma mesa, porquê? — Para que esteja pronta quando tu envelheceres, assim poderás comer aí!». As crianças têm mais consciência que nós!

Na tradição da Igreja existe uma bagagem de sapiência que sempre sustentou uma cultura deproximidade aos anciãos, uma disposição ao acompanhamento carinhoso e solidário na parte final da vida. Esta tradição está arraigada na Sagrada Escritura, como testemunham por exemplo estas expressões contidas no Livro do Sirácide: «Não desprezes os ensinamentos dos anciãos, dado que eles os aprenderam com os seus pais. Estudarás com eles o conhecimento e a arte de responder de modo oportuno» (Eclo 8, 11-12).

A Igreja não pode e não quer conformar-se com uma mentalidade de intolerância, e muito menos de indiferença e de desprezo, em relação à velhice. Devemos despertar o sentido comunitário de gratidão, de apreço e de hospitalidade, que levem o idoso a sentir-se parte viva da sua comunidade.

Os anciãos são homens e mulheres, pais e mães que antes de nós percorreram o nosso próprio caminho, estiveram na nossa mesma casa, combateram a nossa mesma batalha diária por uma vida digna. São homens e mulheres dos quais recebemos muito. O idoso não é um alieno. O idoso somos nós: daqui a pouco, daqui a muito tempo, contudo inevitavelmente, embora não pensemos nisto. E se não aprendermos a tratar bem os anciãos, também nós seremos tratados assim.

Nós, idosos, somos todos um pouco frágeis. No entanto, alguns são particularmente débeis, muitos vivem sozinhos, marcados por uma enfermidade. Outros dependem de curas indispensáveis e da atenção dos outros. Daremos por isso um passo atrás, abandonando-os ao seu destino? Uma sociedade sem proximidade, onde a gratuitidade e o afago sem retribuição — inclusive entre estranhos — começam a desaparecer, é uma sociedade perversa. Fiel à Palavra de Deus, a Igreja não pode tolerar estas degenerações. Uma comunidade cristã em que a proximidade e a gratuitidade deixassem de ser consideradas indispensáveis perderia juntamente com elas também a sua alma. Onde não há honra pelos idosos não há porvir para os jovens.

Saudações:

Com grande afeto, saúdo os peregrinos de língua portuguesa, com votos de que possais vós todos dar-vos sempre conta do dom maravilhoso que é a vida. Vele sobre o vosso caminho a Virgem Maria e vos ajude a ser sinal de confiança e esperança no meio dos vossos irmãos. Sobre vós e vossas famílias desça a Bênção de Deus.

Dirijo uma saudação cordial aos peregrinos de língua árabe, de modo particular aos provenientes do Médio Oriente! Caros irmãos e irmãs, respeitemos os nossos idosos, eles são a nossa memória e a nossa sabedoria. O Senhor vos abençoe!

Saúdo os jovens, os doentes e os recém-casados. Amados jovens, o caminho quaresmal que percorremos seja ocasião de conversão autêntica para poderdes alcançar a maturidade da fé em Cristo. Diletos doentes, participando com amor no mesmo sofrimento do Filho de Deus encarnado, possais compartilhar desde já a alegria da sua Ressurreição. E vós, estimados recém-casados, encontrai na aliança que, à custa do seu sangue, Cristo estreitou com a sua Igreja, a base da vossa união conjugal.




Fonte: Vaticano




Angelus com o Papa Francisco - 01.03.2014


Praça de São Pedro
II Domingo de Quaresma, 1° de Março de 2015








Estimados irmãos e irmãs, bom dia!

No domingo passado a liturgia apresentou-nos Jesus tentado por Satanás no deserto, mas vitorioso sobre a tentação. À luz deste Evangelho, voltamos a ter consciência da nossa condição de pecadores, e também da vitória sobre o mal, oferecida a quantos empreendem o caminho de conversão e, como Jesus, desejam cumprir a vontade do Pai. Neste segundo domingo de Quaresma, a Igreja indica-nos a meta de tal itinerário de conversão, ou seja, a participação na glória de Cristo, que resplandece no seu rosto de Servo obediente, morto e ressuscitado por nós.

A página evangélica narra o acontecimento da Transfiguração, que se insere no ápice do ministério público de Jesus. Ele encontra-se a caminho de Jerusalém, onde se hão-de cumprir as profecias do «Servo de Deus» e onde se consumirá o seu sacrifício redentor. Mas as multidões não entendiam isto: perante a perspectiva de um Messias que se opõe às suas expectativas terrenas, abandonam-no. Contudo, pensam que o Messias seria um libertador do domínio dos romanos, um libertador da pátria, e portanto esta perspectiva de Jesus não lhes agrada e deixam-no. Nem sequer os Apóstolos compreendem as palavras com as quais Jesus anuncia o êxito da sua missão na paixão gloriosa, não entendem! Então, Jesus toma a decisão de mostrar a Pedro, Tiago e João uma antecipação da sua glória, aquela que Ele terá depois da ressurreição, para os confirmar na fé e para os encorajar a segui-lo pelo caminho da prova, pela vereda da Cruz. E assim, sobre um alto monte, imerso na oração, transfigura-se diante deles: o seu rosto e toda a sua pessoa irradiam uma luz resplandecente. Os três discípulos sentem-se amedrontados, enquanto uma nuvem os encobre e do alto ressoa — como no Baptismo no Jordão — a voz do Pai: «Este é o meu Filho muito amado. Ouvi-o!» (Mc 9, 7). Jesus é o Filho que se fez Servo, enviado ao mundo para realizar através da Cruz o desígnio da salvação, para salvar todos nós. A sua plena adesão à vontade do Pai torna a sua humanidade transparente à glória de Deus, que é Amor.

É assim que Jesus se revela como o Ícone perfeito do Pai, a irradiação da sua glória. É o cumprimento da revelação; por isso, ao lado da sua figura transfigurada aparecem Moisés e Elias, que representam a Lei e os Profetas, como que para significar que tudo termina e começa em Jesus, na sua paixão e na sua glória.

Para os discípulos e para nós, a exortação é a seguinte: «Ouvi-o!». Escutai Jesus. Ele é o Salvador: segui-o! Com efeito, ouvir Cristo exige que assumamos da lógica do seu mistério pascal, que nos ponhamos a caminho com Ele para fazer da nossa existência uma dádiva de amor ao próximo, em dócil obediência à vontade de Deus, com uma atitude de desapego das realidades mundanas e de liberdade interior. Em síntese, devemos estar prontos a «perder a nossa vida» (cf. Mc 8, 35), oferecendo-a a fim de que todos os homens sejam salvos: é assim que nos encontraremos na felicidade eterna. O caminho de Jesus sempre nos leva rumo à felicidade, não vos esqueçais disto! O caminho de Jesus sempre nos leva rumo à felicidade! No percurso haverá sempre uma cruz, provações, mas no final sempre nos leva para a felicidade. Jesus não nos engana, pois prometeu-nos a felicidade e no-la concederá se caminharmos pelas suas sendas.

Com Pedro, Tiago e João, hoje subamos também nós a montanha da Transfiguração e detenhamo-nos em contemplação da face de Jesus, para receber a sua mensagem e para a traduzir na nossa vida, a fim de que também nós possamos ser transfigurados no Amor. Na realidade, o amor consegue transfigurar tudo. O amor transfigura tudo! Credes nisto? Que nos sustenha neste caminho a Virgem Maria, a qual agora invocaremos com a oração do Angelus.

Depois do Angelus:

Infelizmente continuam a chegar notícias dramáticas da Síria e do Iraque, relativas a violências, raptos de pessoas e abusos contra cristãos e outros grupos. Desejamos garantir a quantos são atingidos por estas situações que não os esquecemos, mas estamos próximos deles e rezamos insistentemente para que se ponha termo quanto antes à brutalidade intolerável da qual são vítimas. Juntamente com os membros da Cúria Romana ofereci segundo esta intenção a última Santa Missa dos Exercícios Espirituais na sexta-feira passada. Ao mesmo tempo peço a todos, de acordo com as vossas possibilidades, que vos prodigalizeis para aliviar os sofrimentos de quantos vivem na provação, muitas vezes unicamente por causa da fé que professam. Oremos por estes irmãos e por estas irmãs que sofrem devido à fé na Síria e no Iraque... Rezemos em silêncio...

Desejo recordar também a Venezuela, que vive novamente momentos de forte tensão. Rezo pelas vítimas e, de modo especial, pelo jovem assassinado há poucos dias em San Cristobal. Exorto todos a rejeitar a violência e a respeitar a dignidade de cada pessoa e a sacralidade da vida humana, e encorajo a retomar um caminho comum para o bem do país, voltando a abrir espaços de encontro e de diálogo sinceros e construtivos. E confio aquela amada Nação à intercessão maternal de Nossa Senhora de Coromoto.

Dirijo uma saudação cordial a todos vós — famílias, grupos paroquiais e associações — peregrinos de Roma, da Itália e de diferentes países.

Desejo-vos um bom domingo a todos. E, por favor, não vos esqueçais de rezar por mim. Bom almoço e até à vista!




Fonte: Vaticano




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