Início

domingo, 26 de abril de 2015

Evangelho do IV Domingo de Páscoa - Ano B


São João 10, 11-18

Naquele tempo, disse Jesus: "Eu sou o Bom Pastor. O bom pastor dá a vida pelas suas ovelhas. O mercenário, como não é pastor, nem são suas as ovelhas, logo que vê vir o lobo, deixa as ovelhas e foge, enquanto o lobo as arrebata e dispersa. O mercenário não se preocupa com as ovelhas. Eu sou o Bom Pastor: conheço as minhas ovelhas e as minhas ovelhas conhecem-Me, Do mesmo modo que o Pai Me conhece e Eu conheço o Pai; Eu dou a vida pelas minhas ovelhas. Tenho ainda outras ovelhas que não são deste redil e preciso de as reunir; elas ouvirão a minha voz e haverá um só rebanho e um só Pastor. Por isso o Pai Me ama: porque dou a minha vida, para poder retomá-la. Ninguém Ma tira, sou Eu que a dou espontaneamente. Tenho o poder de a dar e de a retomar: foi este o mandamento que recebi de meu Pai".





sábado, 18 de abril de 2015

Catequese com o Papa Francisco - 15.04.2015


Quarta-feira, 15 de Abril de 2015








Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

A catequese de hoje é dedicada a um aspecto central do tema da família: o grande dom que Deus ofereceu à humanidade com a criação do homem e da mulher, e com o sacramento do matrimônio. Esta catequese e a próxima serão dedicadas à diferença e à complementaridade entre o homem e a mulher, que estão no ápice da criação divina; depois, nas duas que se seguirão, serão abordados outros temas do Matrimônio.

Comecemos com um breve comentário à primeira narração da criação, contida no Livro do Gênesis. Ali lemos que Deus, depois de ter criado o universo e todos os seres vivos, criou a obra-prima, isto é o ser humano, e fê-lo à sua própria imagem: «Criou-o à imagem de Deus; criou-os varão e mulher» (Gn 1, 27), assim reza o Livro do Gênesis.

E como todos nós sabemos, a diferença sexual está presente em muitas formas de vida, na longa escala dos seres vivos. Mas unicamente no homem e na mulher ela tem em si a imagem e a semelhança de Deus: o texto bíblico repete-o três vezes, em dois versículos (26-27): homem e mulher são imagem e semelhança de Deus. Isto diz-nos que não apenas o homem em si mesmo é imagem de Deus, não só a mulher em si mesma é imagem de Deus, mas também o homem e a mulher, como casal, são imagem de Deus. A diferença entre homem e mulher não é para a contraposição, nem para a subordinação, mas para a comunhão e a geração, sempre à imagem e semelhança de Deus.

É a experiência que no-lo ensina: para se conhecer bem e crescer harmoniosamente, o ser humano tem necessidade da reciprocidade entre homem e mulher. Quando isto não se verifica, as consequências são evidentes. Somos feitos para nos ouvir e ajudar reciprocamente. Podemos dizer que sem o enriquecimento mútuo neste relacionamento — no pensamento e na ação, nos afetos e no trabalho, mas também na fé — os dois não conseguem nem sequer entender até ao fundo o que significa ser homem e mulher.

A cultura moderna e contemporânea abriu novos espaços, outras liberdades e renovadas profundidades para o enriquecimento da compreensão desta diferença. Mas introduziu inclusive muitas dúvidas e um grande cepticismo. Por exemplo, pergunto-me se a chamada teoria do gender não é também expressão de uma frustração e resignação, que visa cancelar a diferença sexual porque já não sabe confrontar-se com ela. Sim, corremos o risco de dar um passo atrás. Com efeito, a remoção da diferença é o problema, não a solução. Ao contrário, para resolver as suas problemáticas de relação, o homem e a mulher devem falar mais entre si, ouvir-se e conhecer-se mais, amar-se mais. Devem tratar-se com respeito e cooperar com amizade. Só com estas bases humanas, sustentadas pela graça de Deus, é possível programar a união matrimonial e familiar para a vida inteira. O vínculo matrimonial e familiar é algo sério, e para todos, não apenas para os crentes. Gostaria de exortar os intelectuais a não desertar este tema, como se fosse secundário para o compromisso a favor de uma sociedade mais livre e mais justa.

Deus confiou a terra à aliança do homem e da mulher: a sua falência torna árido o mundo dos afectos e ofusca o céu da esperança. Os sinais já são preocupantes, como podemos ver. Gostaria de indicar, entre muitos, dois pontos que na minha opinião devem comprometer-nos com maior urgência.

Primeiro. É indubitável que devemos fazer muito mais a favor da mulher, se quisermos dar nova força à reciprocidade entre homens e mulheres. Com efeito, é necessário que a mulher não seja só mais ouvida, mas que a sua voz tenha um peso real, uma autoridade reconhecida tanto na sociedade como na Igreja. O próprio modo como Jesus considerava a mulher num contexto menos favorável que o nosso, porque naquela época a mulher ocupava realmente o segundo lugar, e Jesus considerou-a de uma maneira que lança uma luz poderosa, que ilumina um caminho que vai longe, do qual percorrermos apenas um breve trecho. Ainda não entendemos em profundidade aquilo que nos pode proporcionar o génio feminino, o que a mulher pode oferecer à sociedade e também a nós: a mulher sabe ver tudo com outros olhos, que completam o pensamento dos homens. Trata-se de uma senda que devemos percorrer com mais criatividade e audácia.

Uma segunda reflexão diz respeito ao tema do homem e da mulher criados à imagem de Deus. Pergunto-me se a crise de confiança colectiva em Deus, que nos causa tantos males, nos faz adoecer de resignação à incredulidade e ao cinismo, não esteja também relacionada com a crise da aliança entre homem e mulher. Com efeito, a narração bíblica, com o grande afresco simbólico no paraíso terrestre e o pecado original, diz-nos precisamente que a comunhão com Deus se reflete na comunhão do casal humano e a perda da confiança no Pai celeste gera divisão e conflito entre homem e mulher.

Eis a grande responsabilidade da Igreja, de todos os crentes, e antes de tudo das famílias crentes, para redescobrir a beleza do desígnio criador que inscreve a imagem de Deus também na aliança entre o homem e a mulher. A terra enche-se de harmonia e de confiança quando a aliança entre homem e mulher é vivida no bem. E se o homem e a mulher a procuram juntos entre si e com Deus, sem dúvida encontram-na. Jesus encoraja-nos explicitamente ao testemunho desta beleza que é a imagem de Deus.

Saudações:

Queridos peregrinos de língua portuguesa, bem-vindos! Saúdo cordialmente os fiéis da paróquia de Torrão e o grupo de sacerdotes de Portugal. O Senhor vos abençoe, para serdes em toda a parte farol de luz do Evangelho para todos. Possa esta peregrinação fortalecer nos vossos corações o sentir e o viver com a Igreja. Nossa Senhora acompanhe e proteja a vós todos e aos vossos entes queridos!

Dirijo cordiais boas-vindas aos fiéis de língua árabe, em particular aos provenientes do Líbano e do Médio Oriente. Deus criou o homem, varão e mulher, à sua imagem, atribuindo a ambos a mesma dignidade e igualdade: trabalhemos, na Igreja e na sociedade, para que esta igualdade seja respeitada, recusando qualquer forma de abuso ou de injustiça, em particular contra as mulheres. O Senhor vos abençoe a todos e vos proteja do maligno.


Fonte: Vaticano




Regina Coeli com o Papa Francisco - 12.04.2015


Praça São Pedro
II Domingo de Páscoa (ou da Divina Misericórdia), 12 de Abril de 2015








Prezados irmãos e irmãs, bom dia!

Hoje é o oitavo dia depois da Páscoa, e o Evangelho de João documenta-nos as duas aparições de Jesus Ressuscitado aos Apóstolos reunidos no Cenáculo: na tarde de Páscoa, quando Tomé estava ausente, e oito dias mais tarde, na presença de Tomé. Na primeira vez, o Senhor mostrou aos discípulos as feridas do seu corpo, fez o sinal de soprar sobre eles e disse: «Assim como o Pai me enviou, também Eu vos envio» (Jo 20, 21). Transmite-lhes a sua própria missão, com a força do Espírito Santo.

Mas naquela tarde não estava presente Tomé, que não queria acreditar no testemunho dos outros. «Se eu não vir nem tocar as suas chagas — disse — não acreditarei» (cf. Jo 20, 25). Oito dias depois — ou seja, precisamente como hoje — Jesus volta a apresentar-se no meio dos seus e dirige-se imediatamente a Tomé, convidando-o a tocar as feridas das suas mãos e do seu lado. Ele vai ao encontro da sua incredulidade para que, através dos sinais da paixão, ele possa alcançar a plenitude da fé pascal, isto é, a fé na Ressurreição de Jesus.

Tomé é alguém que não se contenta e procura, tenciona averiguar pessoalmente, realizar uma sua experiência pessoal. Após as resistências e inquietações iniciais, no final também ele consegue crer; não obstante proceda com dificuldade, alcança a fé. Jesus espera-o pacientemente e oferece-se às dificuldades e às inseguranças daquele que chegou por último. O Senhor proclama «bem-aventurados» aqueles que crêem sem ver (cf. v. 29) — e a primeira é Maria, sua Mãe — mas vai também ao encontro da exigência do discípulo incrédulo: «Introduz aqui o teu dedo, e vê as minhas mãos...» (v. 27). Ao contacto salvífico com as chagas do Ressuscitado, Tomé mostra as suas feridas, as suas chagas, as suas dilacerações, a sua humilhação; no sinal dos pregos encontra a prova decisiva de que era amado, esperado e entendido. Encontra-se diante de um Messias cheio de docilidade, de misericórdia e de ternura. Era aquele o Senhor que ele procurava, Ele, nas profundidades secretas do próprio ser, porque sempre soubera que era assim. E quantos de nós procuram, no profundo do coração, encontrar Jesus como Ele é: dócil, misericordioso e terno! Pois no íntimo nós sabemos que Ele é assim! Tendo recuperado o contacto pessoal com a amabilidade e a paciência misericordiosa de Cristo, Tomé compreende o significado profundo da sua Ressurreição e, intimamente transformado, declara a sua fé completa e total n’Ele, exclamando: «Meu Senhor e meu Deus!» (v. 28). Como é bonita esta expressão de Tomé!

Ele conseguiu tocar» o Mistério pascal que manifesta plenamente o amor salvífico de Deus, rico de misericórdia (cf. Ef 2, 4). E como Tomé, também todos nós: neste segundo Domingo de Páscoa, somos convidados a contemplar nas feridas do Ressuscitado a Misericórdia Divina, que ultrapassa qualquer limite humano e resplandece sobre a obscuridade do mal e do pecado. Um tempo intenso e prolongado para receber as imensas riquezas do amor misericordioso de Deus será o próximo Jubileu Extraordinário da Misericórdia, cuja Bula de proclamação promulguei ontem à tarde, aqui na Basílica de São Pedro. A Bula começa com as palavras «Misericordiae vultus»: o Rosto da Misericórdia é Jesus Cristo. Mantenhamos o nosso olhar voltado para Ele, que sempre nos procura, espera e perdoa; Ele é deveras misericordioso e não se assusta com as nossas misérias. Nas suas chagas, Ele cura-nos e perdoa todos os nossos pecados. Que a Virgem Mãe nos ajude a ser misericordiosos com o próximo, como Jesus é com cada um de nós.

Depois do Regina Coeli:

Dirijo uma cordial saudação a todos vós, fiéis de Roma, e a vós que viestes de muitas regiões do mundo inteiro.

Saúdo as comunidades neocatecumenais de Roma, que hoje começam uma missão especial nas praças da Cidade, para rezar e dar testemunho da fé.

Cordiais bons votos aos fiéis das Igrejas do Oriente que, em conformidade com o seu calendário, celebram hoje a Santa Páscoa. Uno-me à alegria do seu anúncio de Cristo Ressuscitado: Christós anésti! Saudemos todos com um aplauso os nossos irmãos do Oriente neste dia da sua Páscoa!

Dirijo uma saudação calorosa também aos fiéis armênios, que vieram a Roma e participaram na Santa Missa na presença dos meus irmãos, os três Patriarcas, e de numerosos Bispos.

Nas semanas passadas recebi de todas as partes do mundo muitas mensagens de bons votos pascais. É com gratidão que os retribuo a todos. Desejo agradecer de coração às crianças, aos idosos, às famílias, às dioceses, às comunidades paroquiais e religiosas, às entidades e às diversas associações que quiseram manifestar-me o seu carinho e a sua proximidade. Por favor, continuai a rezar por mim!

Desejo um feliz domingo a todos vós. Bom almoço e até à próxima!




Fonte: Vaticano




sábado, 11 de abril de 2015

Evangelho do II Domingo de Páscoa - Ano B


São João 20, 19-31

Na tarde daquele dia, o primeiro da semana, estando fechadas as portas da casa onde os discípulos se encontravam, com medo dos judeus, veio Jesus, colocou-Se no meio deles e disse-lhes: "A paz esteja convosco". Dito isto, mostrou-lhes as mãos e o lado. Os discípulos ficaram cheios de alegria ao verem o Senhor. Jesus disse-lhes de novo: "A paz esteja convosco. Assim como o Pai Me enviou, também Eu vos envio a vós". Dito isto, soprou sobre eles e disse-lhes: "Recebei o Espírito Santo: àqueles a quem perdoardes os pecados ser-lhes-ão perdoados; e àqueles a quem os retiverdes serão retidos". Tomé, um dos Doze, chamado Dídimo, não estava com eles quando veio Jesus. Disseram-lhe os outros discípulos: "Vimos o Senhor". Mas ele respondeu-lhes: "Se não vir nas suas mãos o sinal dos cravos, se não meter o dedo no lugar dos cravos e a mão no seu lado, não acreditarei". Oito dias depois, estavam os discípulos outra vez em casa, e Tomé com eles. Veio Jesus, estando as portas fechadas, apresentou-Se no meio deles e disse: "A paz esteja convosco". Depois disse a Tomé: "Põe aqui o teu dedo e vê as minhas mãos; aproxima a tua mão e mete-a no meu lado; e não sejas incrédulo, mas crente". Tomé respondeu-Lhe: "Meu Senhor e meu Deus!" Disse-lhe Jesus: "Porque Me viste acreditaste: felizes os que acreditam sem terem visto". Muitos outros milagres fez Jesus na presença dos seus discípulos, que não estão escritos neste livro. Estes, porém, foram escritos para acreditardes que Jesus é o Messias, o Filho de Deus, e para que, acreditando, tenhais a vida em seu nome.






Catequese com o Papa Francisco - 08.04.2015


Quarta-feira, 8 de Abril de 2015








Caros irmãos e irmãs, bom dia!

Nas catequeses sobre a família, hoje completamos a reflexão sobre as crianças, que são o fruto mais bonito da bênção que o Criador concedeu ao homem e à mulher. Já pudemos falar sobre o grande dom que são as crianças, e hoje infelizmente devemos falar sobre as «histórias de paixão» que muitas delas vivem.

Desde o início, numerosas crianças são rejeitadas, abandonadas e subtraídas à sua infância e ao seu futuro. Alguns ousam dizer, como que para se justificar, que foi um erro tê-las feito vir ao mundo. Isto é vergonhoso! Por favor, não descarreguemos as nossas culpas sobre as crianças! Elas nunca são «um erro». A sua fome não é um erro, como não o é a sua pobreza, a sua fragilidade, o seu abandono — muitas crianças abandonadas pelas ruas; e não o é nem sequer a sua ignorância, ou a sua incapacidade — numerosas crianças que não sabem o que é uma escola. Eventualmente, estes são motivos para as amar mais, com maior generosidade. Que fazemos das solenes declarações dos direitos do homem e dos direitos da criança, se depois punimos as crianças pelos erros dos adultos?

Quantos têm a tarefa de governar e educar, mas diria todos nós adultos, somos responsáveis pelas crianças e por fazer cada qual o que pode para mudar esta situação. Refiro-me à «paixão» das crianças. Cada criança marginalizada, abandonada, que vive pelas ruas a pedir esmola com todos os tipos de expedientes, sem ir à escola, sem cuidados médicos, é um clamor que sobe até Deus e acusa o sistema que nós, adultos, construímos. E infelizmente estas crianças são presas dos criminosos, que as exploram para tráficos ou comércios indignos, ou que as treinam para a guerra e a violência. Mas também nos países chamados ricos muitas crianças vivem dramas que as marcam de maneira pesada, por causa da crise da família, dos vazios educativos e de condições de vida por vezes desumanas. Contudo, são infâncias violadas no corpo e na alma. Mas nenhuma destas crianças é esquecida pelo Pai que está nos céus! Nenhuma das suas lágrimas deve ser perdida! Como não se pode extraviar a nossa responsabilidade, a responsabilidade social das pessoas, de cada um de nós e dos países.

Certa vez, Jesus repreendeu os seus discípulos porque afastavam as crianças que os pais lhe traziam para ser abençoadas. A narração evangélica é comovedora: «Foram-lhe, então, apresentadas algumas criancinhas para que lhes impusesse as mãos e orasse por elas. Os discípulos, porém, afastavam-nas. Disse-lhes então Jesus: “Deixai vir a mim estas criancinhas e não as impeçais, porque o Reino dos céus é para aqueles que se lhe assemelham!”. E, depois de lhes impor as mãos, continuou pelo seu caminho» (Mt 19, 13-15). Como são bonitas esta confiança dos pais e a resposta de Jesus! Como gostaria que esta página se tornasse a história normal de todas as crianças! É verdade que, graças a Deus, as crianças com graves dificuldades têm muitas vezes pais extraordinários, prontos a qualquer sacrifício e e generosidade! Mas estes pais não deveriam ser abandonados a si mesmos! Deveríamos acompanhá-los nas suas canseiras, mas também oferecer-lhes momentos de alegria compartilhada e de júbilo descontraído, para que não se ocupem unicamente da rotina terapêutica.

Contudo, quando se trata de crianças não se deveriam ouvir aquelas fórmulas oficiais de defesa legal, como por exemplo: «Em última análise, não somos uma entidade de beneficência»; ou então: «Na vida particular, cada um é livre de fazer o que quiser»; ou ainda: «Lamentamos, mas nada podemos fazer». Estas palavras não são úteis, quando se trata de crianças.

Muitas vezes recaem sobre as crianças os efeitos de vidas desgastadas por um trabalho precário e mal pago, por horários insustentáveis, por transportes ineficazes... Mas as crianças pagam também o preço de uniões imaturas e de separações irresponsáveis: elas são as primeiras vítimas; padecem os resultados da cultura dos direitos subjectivos exasperados e depois tornam-se os seus filhos mais precoces. Absorvem frequentemente violências que não são capazes de «liquidar» e, aos olhos dos adultos, são obrigados a habituar-se à degradação.

Inclusive nesta nossa época, como no passado, a Igreja põe a sua maternidade ao serviço das crianças e das suas famílias. Aos pais e aos filhos deste nosso mundo leva a bênção de Deus, a ternura materna, a reprovação firme e a condenação decidida. Não se brinca com as crianças!

Pensai no que seria uma sociedade que decidisse, de uma vez para sempre, estabelecer este princípio. É verdade que não somos perfeitos, e que cometemos muitos erros. Mas quando se trata de crianças que vêm ao mundo, nenhum sacrifício dos adultos será julgado demasiado oneroso ou grande, contanto que se evite que uma criança chegue a pensar que é um erro, que não vale nada e que está abandonada às feridas da vida e à prepotência dos homens». Como seria bonita uma sociedade assim! Digo que a tal sociedade muitos dos seus inúmeros erros seriam perdoados. Verdadeiramente muitos!

O Senhor julga a nossa vida, ouvindo aquilo que lhe dizem os anjos das crianças, anjos que «contemplam sem cessar a face do Pai que está nos céus» (cf. Mt 18, 10). Perguntemo-nos sempre: que dirão de nós a Deus, estes anjos das crianças?

Saudações

Saúdo os peregrinos de língua portuguesa, particularmente os fiéis vindos de Portugal e do Brasil. Queridos amigos, cuidar das crianças significa crer que cada uma delas é um dom de Deus para o mundo. Não poupemos esforços para que elas possam sentir-se sempre acolhidas e amadas nas nossas famílias e nas nossas comunidades. Uma feliz Páscoa para todos!

Dirijo cordiais boas-vindas aos fiéis de língua árabe, em particular aos provenientes do Iraque e do Médio ‎Oriente. As crianças são muitas vezes as primeiras vítimas dos problemas familiares, dos conflitos, das guerras e das perseguições. Oremos por todas as crianças que sofrem, pedindo ao Senhor que as preserve de todo o mal, desperte as consciências adormecidas e converta os corações de pedra, a fim de que a nenhuma criança venha a faltar o amor e a atenção. O Senhor abençoe todas as crianças, protegendo-as do maligno!

Dirijo um pensamento especial aos jovens, aos doentes e aos recém-casados. O anúncio pascal continue a fazer arder o nosso coração, como aos discípulos de Emaús: estimados jovens, só o Senhor pode responder completamente às aspirações de felicidade e de bem na vossa vida; queridos enfermos, não há consolação mais excelsa para o vosso padecimento do que a certeza da Ressurreição de Cristo; e vós, amados recém-casados, que possais viver o vosso matrimônio em adesão concreta a Cristo e aos ensinamentos do Evangelho.




Fonte: Vaticano




Regina Coeli com o Papa Francisco - 06.04.2015


Praça São Pedro
Segunda-feira do Anjo, 6 de Abril de 2015








Queridos irmãos e irmãs bom dia e ainda feliz Páscoa!

Nesta segunda-feira depois da Páscoa o Evangelho (cf. Mt 28, 8-15) apresenta-nos a narração das mulheres que, tendo ido ao sepulcro de Jesus, encontram-no vazio e vêem um Anjo que lhes anuncia que Ele ressuscitou. E enquanto elas correm para dar a notícia aos discípulos, encontram-se com o próprio Jesus que lhes diz: «Ide dizer aos meus irmãos que partam para a Galileia e lá me verão» (v. 10). A Galileia é a «periferia» onde Jesus tinha iniciado a sua pregação; e dali partirá de novo o Evangelho da Ressurreição, para que seja anunciado a todos, e cada um se possa encontrar com Ele, o Ressuscitado, presente e activo na história. Também hoje Ele está connosco, aqui na praça.

Portanto, este é o anúncio que a Igreja repete desde o primeiro dia: «Cristo ressuscitou!». E, n’Ele, pelo Baptismo, também nós ressuscitamos, passámos da morte para a vida, da escravidão do pecado para a liberdade do amor. Eis a boa nova que somos chamados a anunciar aos outros e em todos os ambientes, animados pelo Espírito Santo. A fé na ressurreição de Jesus e a esperança que Ele nos trouxe é o dom mais bonito que o cristão pode e deve oferecer aos irmãos. Por conseguinte, a todos e a cada um não nos cansemos de repetir: Cristo ressuscitou! Repitamos todos juntos, hoje aqui na praça: Cristo ressuscitou! Repitamos com as palavras, mas sobretudo com o testemunho da nossa vida. A jubilosa notícia da Ressurreição deveria transparecer no nosso rosto, nos nossos sentimentos e atitudes, no modo com que tratamos os outros.

Anunciamos a ressurreição de Cristo quando a sua luz ilumina os momentos obscuros da nossa existência e podemos partilhá-la com os outros; quando sabemos sorrir com quem sorri e chorar com quem chora; quando caminhamos ao lado de quem está triste e corre o risco de perder a esperança; quando narramos a nossa experiência de fé a quem está em busca de sentido e de felicidade. Com o nosso comportamento, com o nosso testemunho, com a nossa vida, dizemos: Jesus ressuscitou! Digamos com toda a alma.

Estamos nos dias da Oitava de Páscoa, durante os quais o clima jubiloso da Ressurreição nos acompanha. É curioso: a Liturgia considera a inteira Oitava como um único dia, para nos ajudar a entrar no mistério, para que a sua graça se imprima no nosso coração e na nossa vida. A Páscoa é o evento que trouxe a novidade radical para cada ser humano, para a história e para o mundo: é triunfo da vida sobre a morte; é festa do despertar e da regeneração. Deixemos que a nossa existência seja conquistada e transformada pela Ressurreição!

Peçamos à Virgem Maria, silenciosa testemunha da morte e ressurreição do seu Filho, que acrescente em nós a alegria pascal. Faremos isto agora com a recitação do Regina Caeli, que no tempo pascal substitui a oração do Angelus. Nesta oração, ritmada pelo aleluia, dirijamo-nos a Maria convidando-a a rejubilar-se, para que Aquele que acolheu no ventre ressuscitou como tinha prometido e nos confiemos à sua intercessão. Na realidade, a nossa alegria é um reflexo da alegria de Maria, porque Ela guardou e guarda com fé os eventos de Jesus. Então, recitemos esta oração com a comoção dos filhos que estão felizes porque a sua Mãe está feliz.

Depois do Regina Coeli:

Neste bonito clima pascal, saúdo cordialmente todos vós, queridos peregrinos provenientes da Itália e de várias partes do mundo para participar neste momento de oração. Em particular, sinto-me feliz por receber a delegação do Movimento Shalom, que chegou à última etapa do revezamento solidário para sensibilizar a opinião pública sobre as perseguições dos cristãos no mundo. O vosso itinerário nas ruas acabou, mas o caminho espiritual de oração intensa, de participação concreta e de ajuda tangível em defesa e proteção dos nossos irmãos e irmãs perseguidos, exilados, assassinados, decapitados só porque são cristãos, deve continuar por parte de todos. Eles são os nossos mártires de hoje, e são muitos, podemos dizer que são mais numerosos que nos primeiros séculos. Faço votos para que a Comunidade Internacional não permaneça muda e inerte diante de tal crime inaceitável, que constitui um preocupante desvio dos direitos humanos mais elementares. Desejo deveras que a Comunidade Internacional não desvie o olhar para o outro lado.

A cada um de vós, faço votos de que passeis na alegria e na serenidade esta Semana na qual se prolonga a alegria da Ressurreição de Cristo. Para viver mais intensamente este período — e volto sempre ao mesmo tema — far-nos-á bem ler todo dia um trecho do Evangelho no qual se fala do evento da Ressurreição. Todos os dias um pequeno trecho.

Feliz e Santa Páscoa a todos! Por favor, não vos esqueçais de rezar por mim. Bom almoço e até à próxima!




Fonte: Vaticano




domingo, 5 de abril de 2015

Evangelho do Domingo de Páscoa - Ano B


São João 20, 1-9


No primeiro dia da semana, Maria Madalena foi de manhãzinha, ainda escuro, ao sepulcro e viu a pedra retirada do sepulcro. Correu então e foi ter com Simão Pedro e com o discípulo predileto de Jesus e disse-lhes: "Levaram o Senhor do sepulcro e não sabemos onde O puseram". Pedro partiu com o outro discípulo e foram ambos ao sepulcro. Corriam os dois juntos, mas o outro discípulo antecipou-se, correndo mais depressa do que Pedro, e chegou primeiro ao sepulcro. Debruçando-se, viu as ligaduras no chão, mas não entrou. Entretanto, chegou também Simão Pedro, que o seguira. Entrou no sepulcro e viu as ligaduras no chão e o sudário que tinha estado sobre a cabeça de Jesus, não com as ligaduras, mas enrolado à parte. Entrou também o outro discípulo que chegara primeiro ao sepulcro: viu e acreditou. Na verdade, ainda não tinham entendido a Escritura, segundo a qual Jesus devia ressuscitar dos mortos.




Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...