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sábado, 27 de junho de 2015

Evangelho da Solenidade de São Pedro e São Paulo - Ano B


São Mateus 16, 13-19

Naquele tempo, Jesus foi para os lados de Cesareia de Filipe e perguntou aos seus discípulos: "Quem dizem os homens que é o Filho do homem?". Eles responderam: "Uns dizem que é João Batista, outros que é Elias, outros que é Jeremias ou algum dos profetas". Jesus perguntou: "E vós, quem dizeis que Eu sou?". Então, Simão Pedro tomou a palavra e disse: "Tu és o Messias, o Filho de Deus vivo". Jesus respondeu-lhe: "Feliz de ti, Simão, filho de Jonas, porque não foram a carne e o sangue que to revelaram, mas sim meu Pai que está nos Céus. Também Eu te digo: Tu és Pedro sobre esta pedra edificarei a minha Igreja e as portas do inferno não prevalecerão contra ela. Dar-te-ei as chaves do reino dos Céus: tudo o que ligares na terra será ligado nos Céus, e tudo o que desligares na terra será desligado nos Céus".







Catequese com o Papa Francisco - 24.06.2015


Quarta-feira, 24 de Junho de 2015








Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

Nas últimas catequeses falamos da família que vive as fragilidades da condição humana, a pobreza, a doença, a morte. Ao contrário, hoje reflectimos sobre as feridas que se abrem precisamente no seio da convivência familiar. Ou seja, quando na própria família nos magoamos reciprocamente. O aspecto mais negativo!

Sabemos bem que em nenhuma história familiar faltam momentos em que a intimidade dos afectos mais queridos é ofendida pelo comportamento dos seus membros. Palavras e acções (e omissões!) que, em vez de exprimir amor, o subtraem ou, pior ainda, o mortificam. Quando estas feridas, ainda remediáveis, são descuidadas, agravam-se: transformam-se em prepotência, hostilidade, desprezo. E a este ponto podem tornar-se lacerações profundas, que separam marido e esposa, que induzem a procurar alhures entendimentos, apoio e consolação. Mas frequentemente estes «apoios» não pensam no bem da família!

O esvaziamento do amor conjugal difunde ressentimento nas relações. E muitas vezes a desunião «desaba» sobre os filhos.

Então, os filhos. Gostaria de analisar um pouco este ponto. Não obstante a nossa sensibilidade aparentemente evoluída, e todas as nossas requintadas análises psicológicas, pergunto-me se não nos entorpecemos também em relação às feridas da alma das crianças. Quanto mais se procura compensar com presentes e docinhos, tanto mais se perde o sentido das feridas — mais dolorosas e profundas — da alma. Falamos muito sobre distúrbios de comportamento, saúde psíquica, bem-estar da criança, ansiedade dos pais e dos filhos... Mas sabemos porventura o que é uma ferida da alma? Sentimos o peso da montanha que esmaga a alma de uma criança, nas famílias onde as pessoas se magoam reciprocamente e causam mal umas às outras, até quebrar o vínculo da fidelidade conjugal? Que peso tem nas nossas escolhas — escolhas erradas, por exemplo — quanta importância tem a alma das crianças? Quando os adultos perdem o raciocínio, quando cada um só pensa em si mesmo, quando o pai e a mãe se ferem, a alma das crianças sofre muito, prova um sentido de desespero. E são feridas que deixam a marca para toda a vida.

Na família, tudo está interligado: quando a sua alma está ferida em qualquer ponto, a infecção contagia todos. E quando um homem e uma mulher, que se comprometeram a ser «uma só carne» e a formar uma família, pensam obsessivamente nas próprias exigências de liberdade e de gratificação, este desvio corrói profundamente o coração e a vida dos filhos. Muitas vezes as crianças escondem-se para chorar sozinhas... Devemos compreender bem isto. Marido e esposa são uma só carne. Mas as suas criaturas são carne da sua carne. Se pensarmos na severidade com a qual Jesus admoesta os adultos para que não escandalizassem os pequeninos — ouvimos o trecho do Evangelho — (cf. Mt 18, 6), podemos compreender melhor também a palavra sobre a grande responsabilidade de preservar o vínculo conjugal que dá início à família humana (cf. Mt 19, 6-9). Quando o homem e a mulher se tornam uma só carne, todas as feridas e todos os abandonos do pai e da mãe incidem sobre a carne viva dos filhos.

Por outro lado, é verdade que há casos em que a separação é inevitável. Por vezes, pode tornar-se até moralmente necessária, quando se trata de defender o cônjuge mais frágil, ou os filhos pequenos, das feridas mais graves causadas pela prepotência e a violência, pela humilhação e a exploração, pela alienação e a indiferença.

Graças a Deus não faltam aqueles que, apoiados pela fé e pelo amor aos filhos, testemunham a sua fidelidade e um vínculo no qual acreditaram, embora pareça impossível fazê-lo reviver. Contudo, nem todos os separados sentem esta vocação. Nem todos reconhecem, na solidão, um apelo que o lhes Senhor dirige. Ao nosso redor encontramos diversas famílias em situações chamadas irregulares — eu não gosto desta palavra — e colocamo-nos muitas interrogações. Como podemos ajudá-las? Como podemos acompanhá-las? Como podemos acompanhá-las para que as crianças não se tornem reféns do pai ou da mãe?

Peçamos ao Senhor uma fé grande, a fim de ver a realidade com o olhar de Deus; e uma grande caridade, para aproximar as pessoas ao seu Coração misericordioso.

Saudações

Queridos peregrinos de língua portuguesa, sede bem-vindos! A todos vos saúdo, especialmente aos fiéis brasileiros de Palmeira e às famílias de Sesimbra, convidando-vos a pedir ao Senhor uma fé grande para verdes a realidade com o olhar de Deus e uma grande caridade para vos aproximardes das pessoas com o seu coração misericordioso. Confiai em Deus, como a Virgem Maria! De bom grado abençoo a vós e aos vossos entes queridos.

Dirijo uma saudação especial aos jovens, aos doentes e aos recém-casados. Hoje celebramos a Natividade de São João Batista. Queridos jovens, em particular vós crismandos de Saluzzo e vós do Movimento Juvenil «São Francisco» de Piazza Armerina, a radicalidade evangélica do Precursor vos leve a fazer escolhas corajosas em prol do bem; queridos doentes, a sua força vos ajude a carregar a cruz na união espiritual com o coração de Cristo; queridos recém-casados, o seu vínculo com o Cordeiro vos ajude a unir a vossa família no amor.



Fonte: Vaticano




Angelus com o Papa Francisco - 21.06.2015


Praça Vittorio
Domingo, 21 de Junho de 2015








No final desta celebração, o nosso pensamento dirige-se à Virgem Maria, mãe amorosa e cuidadosa para com todos os seus filhos, que Jesus lhe confiou da cruz, enquanto se oferecia a si mesmo no gesto de amor maior. Ícone deste amor é o Sudário, que também desta vez atraiu tanta gente aqui a Turim. O Sudário atrai para a Face martirizada de Jesus e, ao mesmo tempo, estimula para o rosto de cada pessoa sofredora e injustamente perseguida. Impulsiona-nos na mesma direção do dom de amor de Jesus: «O amor de Cristo nos constrange»: esta palavra de são Paulo era o mote de são Giuseppe Benedetto Cottolengo.

Recordando o fervor apostólico dos muitos sacerdotes santos desta terra, a partir de Dom Bosco, do qual recordamos o bicentenário do nascimento, saúdo com gratidão a vós, sacerdotes e religiosos. Vós dedicais-vos com coragem ao trabalho pastoral e estais próximos das pessoas e dos seus problemas. Encorajo-vos a levar por diante com alegria o vosso ministério, apostando sempre no que é essencial no anúncio do Evangelho. E ao agradecer-vos a vossa presença, irmãos Bispos do Piemonte e do Vale de Aosta, exorto-vos a estar ao lado dos vossos sacerdotes com afecto paterno e proximidade calorosa.

Recomendo à Virgem Santa esta cidade e o seu território e quantos aqui residem, para que possam viver na justiça, na paz e na fraternidade. Recomendo em particular as famílias, os jovens, os idosos, os presos e quantos sofrem, com um pensamento especial aos doentes de leucemia neste Dia nacional contra a leucemia, linfomas e mielomas. Maria da Consolata, rainha de Turim e do Piemonte, torne firme a vossa fé, segura a vossa esperança e fecunda a vossa caridade, para que sejais «sal e luz» desta terra abençoada, da qual eu sou neto.




Fonte: Vaticano




domingo, 21 de junho de 2015

Evangelho do XII Domingo do Tempo Comum - Ano B


São Marcos 4, 35-41

Naquele dia, ao cair da tarde, Jesus disse aos seus discípulos: "Passemos à outra margem do lago". Eles deixaram a multidão e levaram Jesus consigo na barca em que estava sentado. Iam com Ele outras embarcações. Levantou-se então uma grande tormenta e as ondas eram tão altas que enchiam a barca de água. Jesus, à popa, dormia com a cabeça numa almofada. Eles acordaram-no e disseram: "Mestre, não Te importas que pereçamos?" Jesus levantou-Se, falou ao vento imperiosamente e disse ao mar: "Cala-te e está quieto". O vento cessou e fez-se grande bonança. Depois disse aos discípulos: "Porque estais tão assustados? Ainda não tendes fé?" Eles ficaram cheios de temor e diziam uns para os outros: "Quem é este homem, que até o vento e o mar Lhe obedecem?"







Catequese com o Papa Francisco - 17.06.2015


Quarta-feira, 17 de Junho de 2015








Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

No percurso de catequeses sobre a família, hoje inspiramo-nos directamente no episódio narrado pelo evangelista Lucas, que há pouco ouvimos (cf. Lc 7, 11-15). Trata-se de uma cena muito comovedora, que nos mostra a compaixão de Jesus por quantos sofrem — neste caso, uma viúva que perdeu o seu único filho — e nos manifesta também o poder de Jesus sobre a morte.

A morte é uma experiência que diz respeito a todas as famílias, sem excepção alguma. Faz parte da vida; e no entanto, quando atinge os afectos familiares, a morte nunca consegue parecer-nos natural. Para os pais, sobreviver aos próprios filhos é algo de particularmente desolador, que contradiz a natureza elementar das relações que dão sentido à própria família. A perda de um filho ou de uma filha é como se o tempo parasse: abre-se um abismo que engole o passado e também o futuro. A morte, que leva embora o filho pequeno ou jovem, é uma bofetada às promessas, aos dons e aos sacrifícios de amor jubilosamente confiados à vida que fizemos nascer. Muitas vezes vêm à Missa em Santa Marta pais com a fotografia de um filho, filha, criança, rapaz, moça, e dizem-me: «Ele foi-se, ela foi-se!». E o seu olhar está cheio de dor. A morte acontece, e quando se trata de um filho, fere profundamente. A família inteira permanece como que paralisada, emudecida. E algo semelhante padece também a criança que permanece sozinha, com a perda de um dos pais, ou de ambos. E pergunta: «Mas onde está o meu pai? Onde está a minha mãe?» — Está no Céu!» — «Mas por que não o vejo?». Esta pergunta oculta uma angústia no coração da criança que permanece sozinha. O vazio do abandono que se abre dentro dela é ainda mais angustiante porque ela nem sequer tem a experiência suficiente para «dar um nome» àquilo que lhe aconteceu. «Quando volta o meu pai? Quando volta a minha mãe?». Que responder, quando a criança sofre? Assim é a morte em família.

Nestes casos, a morte é como um buraco negro que se abre na vida das famílias e ao qual não sabemos dar explicação alguma. E às vezes chega-se até a dar a culpa a Deus! Quantas pessoas — entendo-as — ficam com raiva de Deus e blasfemam: «Por que me tiraste o filho, a filha? Não há Deus, Deus não existe! Por que me fez Ele isto?». Muitas vezes ouvimos frases como esta. Mas a raiva é um pouco aquilo que provém do cerne de uma grande dor; a perda de um filho ou de uma filha, do pai ou da mãe, é uma dor enorme! Isto acontece continuamente nas famílias. Em tais casos, como eu disse, a morte é como que um buraco. Mas a morte física possui «cúmplices» que são até piores do que ela, e que se chamam ódio, inveja, soberba, avareza; em síntese, o pecado do mundo que trabalha para a morte, tornando-a ainda mais dolorosa e injusta. Os afectos familiares parecem as vítimas predestinadas e inermes destes poderes auxiliares da morte, que acompanham a história do homem. Pensemos na absurda «normalidade» com que, em certos momentos e lugares, os acontecimentos que acrescentam horror à morte são provocados pelo ódio e pela indiferença de outros seres humanos. O Senhor nos livre de nos habituarmos a isto!

No povo de Deus, com a graça da sua compaixão conferida em Jesus, muitas famílias demonstram concretamente que a morte não tem a última palavra: trata-se de um verdadeiro acto de fé. Todas as vezes que a família em luto — até terrível — encontra a força de conservar a fé e o amor que nos unem a quantos amamos, ela impede desde já que a morte arrebate tudo. A escuridão da morte deve ser enfrentada com um esforço de amor mais intenso. «Meu Deus, ilumina as minhas trevas!», é a invocação de liturgia da noite. À luz da Ressurreição do Senhor, que não abandona nenhum daqueles que o Pai lhe confiou, nós podemos privar a morte do seu «aguilhão», como dizia o apóstolo Paulo (1 Cor 15, 55); podemos impedir que ela envenene a nossa vida, que torne vãos os nossos afectos, que nos leve a cair no vazio mais obscuro.

Nesta fé, podemos consolar-nos uns aos outros, conscientes de que o Senhor venceu a morte de uma vez para sempre. Os nossos entes queridos não desapareceram nas trevas do nada: a esperança assegura-nos que eles estão nas mãos bondosas e vigorosas de Deus. O amor é mais forte do que a morte. Por isso, o caminho consiste em fazer aumentar o amor, em torná-lo mais sólido, e o amor preservar-nos-á até ao dia em que todas as lágrimas serão enxugadas, quando «já não haverá morte, nem luto, nem grito, nem dor» (Ap 21, 4). Se nos deixarmos amparar por esta fé, a experiência do luto poderá gerar uma solidariedade de vínculos familiares mais forte, uma renovada abertura ao sofrimento das outras famílias, uma nova fraternidade com as famílias que nascem e renascem na esperança. Nascer e renascer na esperança, é isto que nos propicia a fé. Contudo, gostaria de ressaltar a última frase do Evangelho que ouvimos hoje (cf. Lc 7, 11-15). Depois que Jesus restituiu à vida este jovem, filho da mãe que era viúva, o Evangelho reza: «Jesus entregou-o à sua mãe». Esta é a nossa esperança! O Senhor restituir-nos-á todos os nossos entes queridos que já partiram, e encontrar-nos-emos todos juntos. Esta esperança não desilude! Recordemos bem este gesto de Jesus: «Jesus entregou-o à sua mãe», assim fará o Senhor com todos os nossos amados familiares!

Esta fé protege-nos da visão niilista da morte, assim como das falsas consolações do mundo, de tal maneira que a verdade cristã «não corra o risco de se misturar com mitologias de vários tipos», cedendo aos ritos da superstição, antiga ou moderna» (Bento XVI, Angelus de 2 de Novembro de 2008). Hoje é necessário que os Pastores e todos os cristãos exprimam de modo mais concreto o sentido da fé em relação à experiência familiar do luto. Não se deve negar o direito de chorar — devemos chorar no luto — pois até Jesus «começou a chorar» e sentiu-se «intensamente comovido» pelo grave luto de uma família que Ele amava (Jo11, 33-37). Ao contrário, podemos haurir do testemunho simples e vigoroso de numerosas famílias que souberam ver, na dificílima passagem da morte, também a passagem certa do Senhor, crucificado e ressuscitado, com a sua promessa irrevogável da ressurreição dos mortos. O esforço amoroso de Deus é mais forte do que a obra da morte. É deste amor, precisamente deste amor, que nos devemos tornar «cúmplices» laboriosos, com a nossa fé! E recordemos aquele gesto de Jesus: «Jesus entregou-o à sua mãe»; assim fará Ele com todos os nossos entes queridos e também connosco, quando nos encontrarmos, quando a morte for derrotada definitivamente em nós. Ela é vencida pela cruz de Jesus. Jesus restituir-nos-á todos à família!

Saudações

Queridos peregrinos de língua portuguesa, particularmente os membros do Movimento de Reintegração das Pessoas Atingidas pela Hanseníase e do Instituto Dom Hélder Câmara: sejam bem-vindos! Faço votos de que nos seus corações reine a certeza de que o amor misericordioso do Pai celeste não esquece ninguém e se revela especialmente próximo daqueles que são deixados para trás pela cultura do descarte. Que Deus abençoe a cada um de vocês e quantos lhes são queridos.

Amanhã, como sabeis, será publicada a Encíclica sobre o cuidado pela «casa comum» que é a criação. Esta nossa «casa» arruína-se e isto prejudica todos, especialmente os mais pobres. Portanto, lanço um apelo à responsabilidade, com base na tarefa que Deus confiou ao ser humano na criação: «cultivar e preservar» o «jardim» no qual foi inserido (cf. Gn 2, 15). Convido todos a receber com o espírito aberto este Documento, que se põe em sintonia com a doutrina social da Igreja.

No próximo sábado celebrar-se-á o Dia Mundial do Refugiado, promovido pela Onu. Oremos pelos numerosos irmãos e irmãs que buscam refúgio longe da própria terra, que procuram uma casa onde poder viver sem receio, para que sejam sempre respeitados na sua dignidade. Encorajo a obra de quantos lhes oferecem assistência e desejo que a comunidade internacional aja de maneira concorde e eficaz para prevenir as causas das migrações forçadas. Convido-vos todos a pedir perdão pelas pessoas e instituições que fecham a porta a esta gente em busca de uma família e de amparo.




Fonte: Vaticano




Angelus com o Papa Francisco - 14.06.2015


Praça São Pedro
Domingo, 14 de Junho de 2015







Amados irmãos e irmãs, bom dia!

O Evangelho de hoje é formado por duas parábolas muito breves: a da semente que germina e cresce sozinha, e a do grão de mostarda (cf. Mc 4, 26-34). Através destas imagens tiradas do mundo rural, Jesus apresenta a eficácia da Palavra de Deus e as exigências do seu Reino, mostrando as razões da nossa esperança e do nosso compromisso na história.

Na primeira parábola a atenção é dada ao facto de que a semente, lançada na terra, ganha raiz e se desenvolve sozinha, quer o camponês durma quer vigie. Ele tem confiança no poder interno da semente e na fertilidade do terreno. Na linguagem evangélica, a semente é símbolo da Palavra de Deus, cuja fecundidade é recordada por esta parábola. Do mesmo modo como a semente humilde se desenvolve na terra, também a Palavra age com o poder de Deus no coração de quem a ouve. Deus confiou a sua Palavra à nossa terra, ou seja, a cada um de nós com a nossa humanidade concreta. Podemos ser confiantes, porque a Palavra de Deus é palavra criadora, destinada a tornar-se «o grão abundante na espiga» (v. 28). Esta Palavra, se for aceite, certamente dará os seus frutos, porque o próprio Deus a faz germinar e maturar através de veredas que nem sempre podemos verificar e de um modo que nós não sabemos (cf. v. 27). Tudo isto faz compreender que é sempre Deus, é sempre Deus quem faz crescer o seu Reino — por isso rezamos tanto para que «venha a nós o vosso Reino» — é Ele quem o faz crescer, o homem é seu humilde colaborador, que contempla e rejubila pela criadora acção divina e aguarda paciente os seus frutos.

A Palavra de Deus faz crescer, dá vida. E aqui gostaria de vos recordar mais uma vez a importância de ter o Evangelho, a Bíblia, ao alcance — o Evangelho pequeno na bolsa, no bolso — e de nos alimentarmos todos os dias com esta Palavra viva de Deus: ler todos os dias um excerto do Evangelho, um trecho da Bíblia. Nunca vos esqueçais disto, por favor. Porque é esta a força que faz germinar em nós a vida do Reino de Deus.

A segunda parábola utiliza a imagem do grão de mostarda. Apesar de ser a mais pequenina de todas as sementes, está cheia de vida e cresce até se tornar «a planta mais frondosa do horto» (Mc 4, 32). É assim o Reino de Deus: uma realidade humanamente pequena e de aparência irrelevante. Para fazer parte dele é preciso ser pobre de coração; não confiar nas próprias capacidades, mas no poder do amor de Deus; não agir para ser importante aos olhos do mundo, mas precioso aos olhos de Deus, que tem predilecção pelos simples e humildes. Quando vivemos assim, através de nós irrompe a força de Cristo e transforma o que é pequenino e modesto numa realidade que faz fermentar toda a massa do mundo e da história.

Obtemos destas duas parábolas um ensinamento importante: o Reino de Deus requer a nossa colaboração, mas é sobretudoiniciativa e dom do Senhor. A nossa obra frágil, aparentemente pequenina face à complexidade dos problemas do mundo, se for inserida na de Deus não receia as dificuldades. A vitória do Senhor é certa: o seu amor fará germinar e crescer todas as sementes de bem presentes na terra. Isto abre-nos à confiança e à esperança, não obstante os dramas, as injustiças, os sofrimentos que encontramos. A semente do bem e da paz germina e desenvolve-se, porque o amor misericordioso de Deus a faz amadurecer.

A Virgem Santa, que acolheu como «terra fecunda» a semente da Palavra divina, nos ampare nesta esperança que nunca nos desilude.

Depois do Angelus

Queridos irmãos e irmãs!

Celebra-se hoje o Dia Mundial dos Doadores de Sangue, milhões de pessoas que contribuem, de modo silencioso, para ajudar os irmãos em dificuldade. A todos os doadores expresso o meu apreço e convido especialmente os jovens a seguir o seu exemplo.

Saúdo o grupo que recorda todas as pessoas falecidas e garanto a minha oração. Estou próximo também de todos os trabalhadores que defendem de maneira solidária o direito ao trabalho, que é um direito à dignidade!

Como foi anunciado, quinta-feira próxima será publicada uma Carta Encíclica sobre o cuidado pela criação. Convido a acompanhar este acontecimento com uma atenção renovada às situações de degradação ambiental, mas também de recuperação, nos próprios territórios. Esta Encíclica destina-se a todos: rezemos para que todos possam receber a sua mensagem e crescer na responsabilidade em relação à casa comum que Deus nos confiou.

Desejo-vos bom domingo: e por favor, não vos esqueçais de rezar por mim. Bom almoço e até à próxima!




Fonte: Vaticano




sábado, 13 de junho de 2015

Evangelho do XI Domingo do Tempo Comum - Ano B


São Marcos 4, 26-34

Naquele tempo, dizia Jesus às multidões: "O Reino de Deus é como um homem que lançou a semente à terra. Dorme e levanta-se, de noite e de dia, enquanto a semente germina e cresce, sem ele saber como. A terra produz por si, primeiro o pé, depois a espiga, por fim o trigo maduro na espiga. E, mal o trigo o permite, logo ele mete a foice; a seara está pronta. Jesus dizia também: "A que havemos de comparar o Reino de Deus? Em que parábola o havemos de apresentar? É como o grão de mostarda que, ao ser semeado no terreno, é a menor de todas as sementes que há na terra. Mas, depois de semeado, começa a crescer, torna-se a maior de todas as plantas da horta e deita ramos tão grandes que as aves do céu vêm abrigar-se à sua sombra." Jesus pregava-lhes a palavra Deus com muitas parábolas destas, conforme eram capazes entender. E não lhes falava senão por meio de parábolas, e, em particular, tudo explicava aos discípulos.







Catequese com o Papa Francisco - 10.06.2015


Quarta-feira, 10 de Junho de 2015








Estimados irmãos e irmãs, bom dia!

Continuemos com as catequeses sobre a família, e nesta audiência gostaria de me referir a um aspecto muito comum na vida das nossas famílias, a doença. Trata-se de uma experiência da nossa fragilidade, que vivemos principalmente em família, desde a infância e depois sobretudo na velhice, quando chegam os achaques. No âmbito dos vínculos familiares, a enfermidade das pessoas que amamos é padecida com um «suplemento» de dor e de angústia. É o amor que nos faz sentir este «suplemento». Muitas vezes para um pai e uma mãe é mais difícil suportar o mal de um filho, de uma filha, do que uma dor pessoal. Podemos dizer que a família foi desde sempre o «hospital» mais próximo. Ainda hoje, em muitas regiões do mundo, o hospital é um privilégio para poucos, e muitas vezes fica distante. São a mãe, o pai, os irmãos, as irmãs, as avós que garantem os cuidados e ajudam a curar.

Nos Evangelhos, muitas páginas narram os encontros de Jesus com os doentes e o seu compromisso por cuidar deles. Ele apresenta-se publicamente como alguém que luta contra a enfermidade e que veio para curar o homem de todos os males: o mal do espírito e o mal do corpo. É verdadeiramente comovedora a cena evangélica recém-narrada pelo Evangelho de Marcos. Reza assim: «À tarde, depois do pôr-do-sol, levaram-lhe todos os enfermos e endemoninhados» (1, 32). Se penso nas grandes cidades contemporâneas, pergunto-me onde estão as portas ao limiar das quais levar os enfermos, na esperança de que sejam curados! Jesus nunca se subtraiu aos seus cuidados. Jamais passou além, nunca virou o rosto para o outro lado. E quando um pai ou uma mãe, ou então até simplesmente pessoas amigas traziam um doente à sua presença para que o tocasse e curasse, não perdia tempo; a cura vinha antes da lei, até daquela tão sagrada como o descanso do sábado (cf. Mc 3, 1-6). Os doutores da lei repreendiam Jesus porque Ele curava no dia de sábado, fazia o bem no dia de sábado. Mas o amor de Jesus consistia em dar a saúde, em fazer o bem: e isto vem sempre em primeiro lugar!

Jesus manda os discípulos realizar a obra que Ele mesmo faz, conferindo-lhes o poder de curar, ou seja, de se aproximar dos enfermos e de cuidar deles até ao fim (cf. Mt 10, 1). Devemos ter presente aquilo que Ele disse aos discípulos no episódio do cego de nascença (cf. Jo 9, 1-5). Os discípulos — com o cego ali em frente! — debatiam sobre quem tivesse pecado por ter nascido cego, ele ou os seus pais, para provocar a sua cegueira. O Senhor disse claramente: nem ele, nem os seus pais; é assim para que nele se manifestem as obras de Deus. E curou-o. Eis a glória de Deus! Eis a tarefa da Igreja! Ajudar os doentes, sem se perder em bisbilhotices, assistir sempre, consolar, aliviar, estar próximo dos doentes; esta é a sua tarefa.

A Igreja convida à oração incessante pelos nossos entes queridos, atingidos pelo mal. A prece pelos doentes nunca deve faltar. Aliás, temos que rezar ainda mais, tanto pessoalmente como em comunidade. Pensemos no episódio evangélico da mulher cananeia (cf. Mt 15, 21-28). Trata-se de uma mulher pagã, não pertence ao povo de Israel, mas é uma pagã que suplica a Jesus a cura da própria filha. Para pôr à prova a sua fé, Jesus primeiro responde duramente: «Não posso, devo pensar primeiro nas ovelhas de Israel!». A mulher não desiste — quando pede ajuda para a sua criatura, uma mãe nunca cede; todos nós sabemos que as mães lutam pelos seus filhos — e responde: «Até os cachorrinhos comem as migalhas que caem da mesa dos seus donos!», como se dissesse: «Trata-me pelo menos como uma cachorrinha!». Então, Jesus diz-lhe: «Ó mulher, grande é a tua fé! Seja feito como tu desejas» (v. 28).

Diante da doença, até em família surgem dificuldades, por causa da debilidade humana. Mas em geral o tempo da enfermidade faz aumentar a força dos vínculos familiares. E penso como é importante educar desde crianças os filhos para a solidariedade na hora da doença. Uma educação que mantenha à distância a sensibilidade pela enfermidade humana torna árido o coração. E leva os jovens a ser «anestesiados» em relação ao sofrimento do próximo, incapazes de se confrontar com o sofrimento e de viver a experiência do limite. Quantas vezes nós vemos chegar ao trabalho um homem, uma mulher com o rosto cansado, com uma atitude fatigada, e quando lhe perguntamos: «O que acontece?», responde: «Eu dormi só duas horas, porque em casa nos revezamos para estar próximos do filho, da filha, do doente, do avô, da avó». E o dia continua com o trabalho. São coisas heróicas, é a heroicidade das famílias! Estas formas de heroicidade escondida verificam-se com ternura e com coragem, quando em casa alguém está doente.

A debilidade e o sofrimento dos nossos afectos mais queridos e mais sagrados podem ser, para os nossos filhos e os nossos netos, uma escola de vida — é importante educar os filhos, os netos, para que compreendam esta proximidade na doença em família — e tornam-se tal quando os momentos de enfermidade são acompanhados pela oração e pela proximidade carinhosa e cheia de esmero dos familiares. A comunidade cristã sabe bem que, na prova da doença, a família não deve ser deixada sozinha. E temos que dar graças ao Senhor pelas lindas experiências de fraternidade eclesial que ajudam as famílias a atravessar o árduo momento da dor e do sofrimento. Esta proximidade cristã, de uma família em relação à outra, é um verdadeiro tesouro para a paróquia; um tesouro de sabedoria, que assiste as famílias nas fases difíceis, levando-as a compreender o Reino de Deus melhor do que muitos discursos! São carícias de Deus!

Saudações

Queridos peregrinos de língua portuguesa, sede bem-vindos! De coração vos saúdo a todos, em particular a «Fazenda Esperança» e os grupos paroquiais do Brasil, encorajando-vos a ser por todo o lado testemunhas de esperança e caridade. E, se alguma vez a vida fizer desencadear turbulências espirituais na vossa alma, ide procurar refúgio sob o manto da Virgem Mãe de Deus; somente lá encontrareis paz. Sobre vós, vossas famílias e paróquias desça a Bênção do Senhor.

Dou cordiais boas-vindas aos peregrinos de expressão árabe, de modo particular aos provenientes do Médio Oriente! Queridos irmãos e irmãs, peçamos com fé viva ao Espírito Santo que nos conceda a graça de compreender o valor do acompanhamento de uma pessoa enferma, recordando-nos que a experiência da doença e do sofrimento pode tornar-se um lugar privilegiado da transmissão da graça e fonte para adquirir e fortalecer a sabedoria do coração! O Senhor vos abençoe!

Dirijo de coração as boas-vindas aos fiéis de língua italiana. Saúdo de modo particular a Ordem dos Frades Servos de Maria e os Salesianos da Obra de São José de Nazaré, em Angola, enquanto os convido a mostrar a todos a Face misericordiosa do Pai, em fidelidade aos respectivos carismas. Saúdo os militares do Corpo Florestal do Estado e agradeço-lhes a apreciada oferta destinada às obras de caridade do Papa; a sociedade Groma; os fiéis de Recanati e os refugiados cristãos do Gana e da Nigéria, hóspedes da Cooperativa Auxilium de Potenza. A todos desejo que a visita aos Túmulos dos Apóstolos dê novo impulso à fé e à solidariedade, especialmente para com os mais necessitados.

E finalmente dirijo o meu pensamento aos jovens, aos doentes e aos recém-casados. No próximo sábado celebraremos a memória do Coração Imaculado de Maria. Que isto vos leve a entender, amados jovens, a importância do amor puro; seja o vosso sustentáculo, diletos enfermos, nos momentos de grande dificuldade; e vos assista, estimados recém-casados, no vosso caminho conjugal.




Fonte: Vaticano




Angelus com o Papa Francisco - 07.06.2015


Praça São Pedro
Domingo, 7 de Junho de 2015







Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

Celebra-se hoje em muitos países, entre os quais a Itália, a solenidade do Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo, ou, segundo a expressão latina, mais conhecida, a solenidade do Corpus Christi.

O Evangelho apresenta a narração da instituição da Eucaristia, feita por Jesus durante a Última Ceia, no cenáculo de Jerusalém. Na vigília da sua morte redentora na cruz, Ele realizou o que tinha predito: «Eu sou o Pão Vivo que desceu do céu; se alguém comer deste pão, viverá eternamente; e o pão que deverei dar pela vida do mundo é a minha carne... Aquele que come a minha carne e bebe meu sangue permanece em mim, e Eu nele» (Jo 6, 51.56). Jesus toma nas mãos o pão e diz: «Tomai, isto é o meu corpo» (Mc 14, 22). Com este gesto e com estas palavras, Ele atribui ao pão uma função que já não é a de simples alimento físico, mas de tornar presente a sua Pessoa no meio da comunidade dos crentes.

A Última Ceia representa o ponto de chegada de toda a vida de Cristo. Não é apenas antecipação do seu sacrifício que se cumprirá na cruz, mas também síntese de uma existência oferecida pela salvação da humanidade inteira. Por conseguinte, não é suficiente afirmar que Jesus está presente na Eucaristia, mas é necessário ver nela a presença de uma vida oferecida e participar nela. Quando tomamos e comemos aquele Pão, somos associados à vida de Jesus, entramos em comunhão com Ele, comprometemo-nos a realizar a comunhão entre nós, a transformar a nossa vida em dom, sobretudo aos mais pobres.

A festa de hoje evoca esta mensagem solidária e incentiva-nos a aceitar o seu íntimo convite à conversão e ao serviço, ao amor e ao perdão. Estimula-nos a tornarmo-nos, com a vida, imitadores daquilo que celebramos na liturgia. Cristo, que nos alimenta sob as espécies consagradas do pão e do vinho, é o mesmo que vem ao nosso encontro nos acontecimentos diários; está no pobre que estende a mão, no sofredor que implora ajuda, no irmão que pede a nossa disponibilidade e aguarda o nosso acolhimento. Está na criança que nada sabe de Jesus, da salvação, que não tem a fé. Está em cada ser humano, até no mais pequenino e indefeso.

A Eucaristia, fonte de amor para a vida da Igreja, é escola de caridade e de solidariedade. Quem se alimenta do Pão de Cristo não pode ficar indiferente diante de quantos não têm o pão de cada dia. E hoje, sabemo-lo, é um problema cada vez mais grave.

A festa do Corpus Christi inspire e alimente cada vez mais em cada um de nós o desejo e o compromisso por uma sociedade acolhedora e solidária. Deponhamos estes auspícios no coração da Virgem Maria, Mulher eucarística. Que ela suscite em todos a alegria de participar na Santa Missa, sobretudo aos domingos, e a coragem jubilosa de testemunhar a caridade infinita de Cristo.

Depois do Angelus

Amados irmãos e irmãs!

Leio acolá: Bem-vindo! Obrigado, porque ontem fui a Sarajevo, na Bósnia e Herzegovina, como peregrino de paz e de esperança. Sarajevo é uma cidade símbolo. Durante séculos foi lugar de convivência entre povos, religiões, a ponto de ser chamada «Jerusalém do Ocidente!». No passado recente tornou-se símbolo das destruições da guerra. Agora está a decorrer um bom processo de reconciliação, e eu fui lá sobretudo para isto: encorajar este caminho de convivência pacífica entre populações diversas; um caminho cansativo, difícil, mas possível! E estão a fazê-lo bem! Renovo o meu agradecimento às Autoridades e a todos os habitantes o caloroso acolhimento. Agradeço à querida comunidade católica, à qual quis levar o afecto da Igreja universal e agradeço em particular também a todos os fiéis: ortodoxos, muçulmanos, judeus e os de outras minorias religiosas. Apreciei o compromisso de colaboração e solidariedade entre estas pessoas que pertencem a religiões diversas, estimulando todos a levar por diante a obra de reconstrução espiritual e moral da sociedade. Trabalham juntos como verdadeiros irmãos. O Senhor abençoe Sarajevo e a Bósnia Herzegovina.

Na próxima sexta-feira, Solenidade do Sagrado Coração de Jesus pensemos ao amor de Jesus, em como nos amou; no seu coração está todo este amor. Sexta-feira próxima celebra-se também o Dia Mundial contra o trabalho infantil. Muitas crianças no mundo não têm a liberdade de brincar, de ir à escola, e acabam por ser explorados como mão-de-obra. Desejo o compromisso solícito e constante da Comunidade internacional em prol da promoção do reconhecimento efetivo dos direitos da infância. E agora saúdo todos vós, queridos peregrinos provenientes da Itália e de diversos países. Vejo várias bandeiras. Saúdo em particular os fiéis de Madrid, Brasília e Curitiba; e os de Chiavari, Catânia e Gottolengo (Bréscia). Desejo a todos bom domingo. Por favor, não vos esqueçais de rezar por mim. Bom almoço e até à vista!




Fonte: Vaticano



domingo, 7 de junho de 2015

Evangelho do X Domingo do Tempo Comum - Ano B


São Marcos 3,20 35

Naquele tempo, Jesus chegou a casa com os seus discípulos. E de novo acorreu tanta gente, de modo que nem sequer podiam comer. Ao saberem disto, os parentes de Jesus puseram-se a caminho para O deter, pois diziam: "Está fora de Si". Os escribas que tinham descido de Jerusalém diziam: "Está possesso de Belzebu", e ainda: "É pelo chefe dos demônios que Ele expulsa os demônios". Mas Jesus chamou-os e começou a falar-lhes em parábolas: "Como pode Satanás expulsar Satanás? Se um reino estiver dividido contra si mesmo, tal reino não pode aguentar-se. E se uma casa estiver dividida contra si mesma, essa casa não pode aguentar-se. Portanto, se Satanás se levanta contra si mesmo e se divide, não pode subsistir: está perdido. Ninguém pode entrar em casa de um homem forte e roubar-lhe os bens, sem primeiro o amarrar: só então poderá saquear a casa. Em verdade vos digo: Tudo será perdoado aos filhos dos homens: os pecados e blasfêmias que tiverem proferido; mas quem blasfemar contra o Espírito Santo nunca terá perdão: será réu de pecado eterno". Referia-Se aos que diziam: "Está possesso dum espírito impuro". Entretanto, chegaram sua Mãe e seus irmãos que, ficando fora, mandaram-n’O chamar. A multidão estava sentada em volta d’Ele, quando Lhe disseram: "Tua Mãe e teus irmãos estão lá fora à tua procura". Mas Jesus respondeu-lhes: "Quem é minha Mãe e meus irmãos?" E, olhando para aqueles que estavam à sua volta, disse: "Eis minha Mãe e meus irmãos. Quem fizer a vontade de Deus esse é meu irmão, minha irmã e minha Mãe".





quarta-feira, 3 de junho de 2015

Evangelho da Solenidade da Santíssima Trindade - Ano B


São Mateus 28, 16-20




Naquele tempo, os onze discípulos partiram para a Galileia, em direção ao monte que Jesus lhes indicara. Quando O viram, adoraram-n’O; mas alguns ainda duvidaram. Jesus aproximou-Se e disse-lhes: "Todo o poder Me foi dado no Céu e na terra. Ide e fazei discípulos de todas as nações, baptizando-as em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, ensinando-as a cumprir tudo o que vos mandei. Eu estou sempre convosco até ao fim dos tempos".










Catequese com o Papa Francisco - 27.05.2015


Quarta-feira, 27 de Maio de 2015








Amados irmãos e irmãs, bom dia!

Prosseguindo estas catequeses sobre a família, gostaria de falar hoje do noivado. O noivado — percebe-se pela palavra — relaciona-se com a confiança, a confidência, a fiabilidade. Confidência com a vocação que Deus concede, porque o matrimônio é antes de tudo a descoberta de uma chamada de Deus. Certamente é positivo que os jovens hoje possam optar por casar com base num amor recíproco. Mas precisamente a liberdade do vínculo exige uma harmonia consciente da decisão, não só um simples entendimento da atração ou do sentimento, de um momento, de um tempo breve... requer um caminho.

Por outras palavras, o noivado é o tempo durante o qual os dois estão chamados a fazer um bom trabalho sobre o amor, um trabalho partícipe e partilhado, que vai em profundidade. Descobrimo-nos a pouco e pouco reciprocamente: ou seja, o homem «aprende» a mulher aprendendo esta mulher, a sua noiva; e a mulher «aprende» o homem aprendendo este homem, o seu noivo. Não subestimemos a importância desta aprendizagem: é um compromisso bom, e o próprio amor o exige, porque não é apenas uma felicidade despreocupada, uma emoção encantada... A narração bíblica fala da criação inteira como de um bom trabalho de amor de Deus; o livro do Gênesis diz que «Deus viu o que fizera, e era coisa muito boa» (Gn 1, 31). Só no final, Deus «repousou». Desta imagem compreendemos que o amor de Deus, que deu origem ao mundo, não foi uma decisão extemporânea. Não! Foi um trabalho bom. O amor de Deus criou as condições concretas de uma aliança irrevogável, sólida, destinada a durar.

A aliança de amor entre o homem e a mulher, aliança para a vida, não se improvisa, não se faz de um dia para outro. Não há o matrimônio rápido: é preciso trabalhar sobre o amor, é necessário caminhar. A aliança do amor do homem e da mulher aprende-se e aperfeiçoa-se. Permiti que eu diga que é uma aliança artesanal. Fazer de duas vidas uma só, é quase um milagre, um milagre da liberdade e do coração, confiado à fé. Talvez devêssemos comprometer-nos mais neste ponto, porque as nossas «coordenadas sentimentais» entraram um pouco em confusão. Quem pretende tudo e imediatamente, depois também cede sobre tudo — e já — na primeira dificuldade (ou na primeira ocasião). Não há esperança para a confiança e a fidelidade da doação de si, se prevalece o hábito de consumir o amor como uma espécie de «integrador» do bem-estar psicofísico. Não é isto o amor! O noivado focaliza a vontade de preservar juntos algo que nunca deverá ser comprado ou vendido, atraiçoado ou abandonado, por muito aliciadora que seja a oferta. Mas também Deus, quando fala da aliança com o seu povo, algumas vezes fá-lo em termos de noivado. No Livro de Jeremias, ao falar ao povo que se tinha afastado d’Ele, recorda-lhe quando o povo era a «noiva» de Deus e diz assim: «Lembro-me da tua afeição quando eras jovem, de teu amor de noivado» (2, 2). E Deus fez este percurso de noivado; depois faz também uma promessa: ouvimo-la no início da audiência, no Livro de Oseias: «Então te desposarei para sempre; desposar-te-ei conforme a justiça e o direito, com misericórdia e amor» (2, 21-22). É um longo caminho o que o Senhor faz com o seu povo neste percurso de noivado. No final Deus desposa o seu povo em Jesus Cristo: em Jesus desposa a Igreja. O Povo de Deus é a esposa de Jesus. Mas quanto caminho! E vós, italianos, na vossa literatura tendes uma obra-prima sobre o noivado [Os Noivos]. É necessário que os jovens a conheçam, que a leiam; é uma obra-prima na qual se narra a história dos noivos que sofreram tanto, percorreram um caminho cheio de tantas dificuldades até chegar, no final, ao matrimônio. Não ponhais de parte esta obra-prima sobre o noivado que a literatura italiana ofereceu precisamente a vós. Ide em frente, lei-a e vereis a beleza, o sofrimento, mas também a fidelidade dos noivos.

A Igreja, na sua sabedoria, conserva a distinção entre ser noivos e ser esposos — não é o mesmo — precisamente em vista da delicadeza e da profundidade desta verificação. Estejamos atentos a não desprezar com superficialidade este ensinamento sábio, que se nutre também da experiência do amor conjugal felizmente vivido. Os símbolos fortes do corpo possuem as chaves da alma: não podemos tratar os vínculos da carne com superficialidade, sem causar ao espírito alguma ferida perene (1 Cor 6, 15-20).

Sem dúvida, a cultura e a sociedade de hoje tornaram-se bastante indiferentes à delicadeza e à seriedade desta passagem. E por outro lado, não se pode dizer que sejam generosas com os jovens que estão seriamente intencionados a constituir uma família e a ter filhos! Ao contrário, muitas vezes levantam numerosos impedimentos, mentais e práticos. O noivado é um percurso de vida que deve maturar como a fruta, é um caminho de maturação no amor, até ao momento que se torna matrimônio.

Os cursos pré-matrimoniais são uma expressão especial da preparação. E nós vemos tantos casais, que talvez chegam ao curso um pouco contra a vontade, «Mas estes padres obrigam-nos a fazer um curso! Mas porquê? Nós sabemos!»... e vão contra a vontade. Mas depois ficam contentes e agradecem, porque com efeito encontraram ali a ocasião — muitas vezes única — para refletir sobre a sua experiência em termos não banais. Sim, muitos casais estão juntos muito tempo, talvez até na intimidade, por vezes convivendo, mas não se conhecem deveras. Parece estranho, mas a experiência demonstra que é assim. Por isso deve ser reavaliado o noivado como tempo de conhecimento recíproco e de partilha de um projeto. O caminho de preparação para o matrimônio deve ser organizado nesta perspectiva, servindo-se também do testemunho simples mas intenso de casais cristãos. E apostando também aqui no essencial: a Bíblia, que deve ser redescoberta juntos, de modo consciente; a oração, na sua dimensão litúrgica, mas também na «oração doméstica», vivida em família, nos sacramentos, na vida sacramental — a Confissão... na qual o Senhor vem habitar nos noivos e os prepara para se acolherem deveras um ao outro «com a graça de Cristo»; e a fraternidade com os pobres, com os necessitados, que nos chamam à sobriedade e à partilha. Os noivos que se comprometem nisto crescem ambos e tudo isto leva a preparar uma boa celebração do Matrimônio de maneira diversa, não mundana mas cristã! Pensemos nestas palavras de Deus que ouvimos quando Ele fala ao seu povo como o noivo à noiva: «Então te desposarei para sempre; desposar-te-ei conforme a justiça e o direito, com misericórdia e amor. Desposar-te-ei com fidelidade e tu conhecerás o Senhor» (Os 2, 21-22). Cada casal de noivos pense nisto e diga um ao outro: «Desposar-te-ei com fidelidade». Esperar aquele momento; é um momento, um percurso que vai em frente lentamente, mas é um percurso de maturação. As etapas do caminho não devem ser queimadas. A maturação faz-se assim, passo a passo.

O tempo do noivado pode tornar-se deveras um tempo de iniciação, no quê? Na surpresa! Na surpresa dos dons espirituais com os quais o Senhor, através da Igreja, enriquece o horizonte da nova família que se predispõe para viver na sua bênção. Agora convido-vos a rezar à Sagrada Família de Nazaré: Jesus, José e Maria. Rezai para que a família percorra este caminho de preparação; rezai pelos noivos. Peçamos a Nossa Senhora todos juntos uma Ave-Maria por todos os noivos, para que possam compreender a beleza deste caminho rumo ao Matrimônio Ave Maria.... E aos noivos que estão aqui na praça: «Bom percurso de noivado!».

Saudações:

Saúdo com grande afeto os peregrinos de língua portuguesa, particularmente os fiéis da Catedral de Bragança do Pará e demais grupos do Brasil, com votos de que possais vós todos dar-vos sempre conta do dom maravilhoso que é a vida. Vele sobre o vosso caminho a Virgem Maria e vos ajude a ser sinal de confiança e esperança no meio dos vossos irmãos. Sobre vós e vossas famílias desça a Bênção de Deus.




Fonte: Vaticano



Regina Coeli com o Papa Francisco - 24.05.2015


Praça São Pedro
Domingo, 24 de Maio de 2015








Prezados irmãos e irmãs, bom dia!

A solenidade do Pentecostes leva-nos a reviver os primórdios da Igreja. O livro dos Atos dos Apóstolos narra que, cinquenta dias depois da Páscoa, na casa onde se encontravam os discípulos de Jesus, «de repente, veio do céu um fragor, como se soprasse um vento impetuoso... e ficaram todos cheios do Espírito Santo» (2, 2-4). Os discípulos ficaram completamente transformados por esta efusão: o medo é substituído pela coragem, o fechamento cede o lugar ao anúncio e cada dúvida é afugentada pela fé repleta de amor. É o «batismo» da Igreja, que assim encetava o seu caminho na história, orientada pelo vigor do Espírito Santo.

Aquele acontecimento, que transforma o coração e a vida dos Apóstolos e dos outros discípulos, repercute-se imediatamente fora do Cenáculo. Com efeito, aquela porta que ficou fechada durante cinquenta dias, finalmente foi aberta de par em par, e a primeira Comunidade cristã, não mais fechada em si mesma, começa a falar às multidões de diferentes proveniências sobre as maravilhas de Deus (cf. v. 11), ou seja, sobre a Ressurreição de Jesus, que fora crucificado. E cada um dos presentes ouve os discípulos falarem na sua própria língua. O dom do Espírito restabelece a harmonia das línguas que se tinha perdido em Babel e prefigura a dimensão universal da missão dos Apóstolos. A Igreja não nasce isolada, mas universal, una, católica, com uma identidade específica mas aberta a todos, não fechada, com uma identidade que abrange o mundo inteiro, sem excluir ninguém. A mãe Igreja não fecha a porta na cara de ninguém! Nem sequer ao maior pecador, a ninguém! E isto devido à força, à graça do Espírito Santo. A mãe Igreja abre de par em par as suas portas a todos, porque é mãe.

O Espírito Santo derramado durante o Pentecostes no coração dos discípulos é o começo de uma nova estação: a estação do testemunho e da fraternidade. É uma estação que vem do alto, vem de Deus, como as chamas de fogo que pousaram sobre a cabeça de cada discípulo. Era a chama do amor que queima toda a aspereza; era a língua do Evangelho que ultrapassa os confins postos pelos homens e sensibiliza os corações da multidão, sem qualquer distinção de língua, raça ou nacionalidade. Como naquele dia de Pentecostes, o Espírito Santo é derramado continuamente também hoje sobre a Igreja e sobre cada um de nós, para que abandonemos as nossas mediocridades e os nossos egoísmos e comuniquemos ao mundo inteiro o amor misericordioso do Senhor. Comunicar o amor misericordioso do Senhor: eis a nossa missão! Também nós recebemos o dom da «língua» do Evangelho e do «fogo» do Espírito Santo para que, enquanto anunciamos Jesus ressuscitado vivo e presente no meio de nós, aqueçamos o nosso coração e também o coração dos povos, aproximando-os d’Aquele que é Caminho, Verdade e Vida.

Confiemo-nos à intercessão maternal de Maria Santíssima, que estava presente como Mãe no meio dos discípulos no Cenáculo: é a mãe da Igreja, a mãe de Jesus que se tornou mãe da Igreja. Confiemo-nos a Ela a fim de que o Espírito Santo desça abundantemente sobre a Igreja do nosso tempo, encha os corações de todos os fiéis e faça arder neles o fogo do seu amor.

Depois do Regina Coeli:

Continuo a acompanhar com profunda preocupação e dor no coração as vicissitudes dos numerosos refugiados no Golfo de Bengala e no Mar de Andamão. Manifesto o meu apreço pelos esforços envidados pelos países que lhes ofereceram a disponibilidade a receber estas pessoas quem continuam a enfrentar graves sofrimentos e perigos. Encorajo a Comunidade internacional a oferecer-lhes assistência humanitária.

Como hoje, há cem anos a Itália entrou na grande guerra do «massacre inútil»: oremos pelas vítimas, pedindo ao Espírito Santo o dom da paz.

Ontem, em El Salvador e no Quênia, foram proclamados Beatos um Bispo e uma Religiosa. O primeiro é D. Óscar Romero, Arcebispo de São Salvador, morto por ódio à fé enquanto celebrava a Eucaristia. Este Pastor zeloso, a exemplo de Jesus, preferiu estar no meio do seu povo, especialmente dos pobres e oprimidos, até à custa da sua vida. A Religiosa é a irmã italiana Irene Stefani, das Missionárias da Consolata, que serviu a população queniana com alegria, misericórdia e terna compaixão. O exemplo heroico destes Beatos suscite em cada um de nós o desejo vivo de testemunhar o Evangelho com ânimo e abnegação.

Hoje, dia da festa de Maria Auxiliadora, saúdo a comunidade salesiana: o Senhor lhe dê a força para difundir o espírito de São João Bosco.

E a todos vós desejo feliz domingo de Pentecostes! Por favor, não vos esqueçais de rezar por mim. Bom almoço e até à vista!




Fonte: Vaticano




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