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domingo, 30 de agosto de 2015

Evangelho do XXII Domingo do Tempo Comum - Ano B


São Marcos 7, 1-8a.14-15.21-23

Naquele tempo, reuniu-se à volta de Jesus um grupo de fariseus e alguns escribas que tinham vindo de Jerusalém. Viram que alguns dos discípulos de Jesus comiam com as mãos impuras, isto é, sem as lavar. Na verdade, os fariseus e os judeus em geral não comem sem ter lavado cuidadosamente as mãos, conforme a tradição dos antigos. Ao voltarem da praça pública, não comem sem antes se terem lavado. E seguem muitos outros costumes a que se prenderam por tradição, como lavar os copos, os jarros e as vasilhas de cobre. Os fariseus e os escribas perguntaram a Jesus: "Porque não seguem os teus discípulos a tradição dos antigos, e comem sem lavar as mãos?" Jesus respondeu-lhes: "Bem profetizou Isaías a respeito de vós, hipócritas, como está escrito: ‘Este povo honra-Me com os lábios, mas o seu coração está longe de Mim. É vão o culto que Me prestam, e as doutrinas que ensinam não passam de preceitos humanos’. a Vós deixais de lado o mandamento de Deus, para vos prenderdes à tradição dos homens". Depois, Jesus chamou de novo a Si a multidão e começou a dizer-lhe: "Ouvi-Me e procurai compreender. Não há nada fora do homem que ao entrar nele o possa tornar impuro. O que sai do homem é que o torna impuro; porque do interior dos homens é que saem os maus pensamentos: imoralidades, roubos, assassínios, adultérios, cobiças, injustiças, fraudes, devassidão, inveja, difamação, orgulho, insensatez. Todos estes vícios saem lá de dentro e tornam o homem impuro".





domingo, 23 de agosto de 2015

Evangelho do XXI Domingo do Tempo Comum - Ano B


São João 6, 60-69

Naquele tempo, muitos discípulos, ao ouvirem Jesus, disseram: "Estas palavras são duras. Quem pode escutá-las?" Jesus, conhecendo interiormente que os discípulos murmuravam por causa disso, perguntou-lhes: "Isto escandaliza-vos? E se virdes o Filho do homem subir para onde estava anteriormente? O espírito é que dá vida, a carne não serve de nada. As palavras que Eu vos disse são espírito e vida. Mas, entre vós, há alguns que não acreditam". Na verdade, Jesus bem sabia, desde o início, quais eram os que não acreditavam e quem era aquele que O havia de entregar. E acrescentou: "Por isso é que vos disse: Ninguém pode vir a Mim, se não lhe for concedido por meu Pai". A partir de então, muitos dos discípulos afastaram-se e já não andavam com Ele. Jesus disse aos Doze: "Também vós quereis ir embora?" Respondeu-Lhe Simão Pedro: "Para quem iremos, Senhor? Tu tens palavras de vida eterna. Nós acreditamos e sabemos que Tu és o Santo de Deus".






Catequese com o Papa Francisco - 19.08.2015


Quarta-feira, 19 de Agosto de 2015








Amados irmãos e irmãs, bom dia!

Depois de ter reflectido sobre o valor da festa na vida da família, hoje meditemos sobre o elemento complementar, que é o trabalho. Ambos fazem parte do desígnio criador de Deus, a festa e o trabalho.

O trabalho, diz-se normalmente, é necessário para manter a família, criar os filhos, garantir aos próprios entes queridos uma vida digna. De uma pessoa séria, honesta, o que de mais bonito se possa dizer é: «É um trabalhador», precisamente uma pessoa que trabalha, que na comunidade não vive às custas dos outros. Há muitos argentinos aqui, vejo-vos, e direi como dizemos nós: «No vive de arriba».

Com efeito, o trabalho nas suas mil formas, a partir daquele doméstico, cuida também do bem comum. E onde se aprende este estilo de vida laboriosa? Antes de mais aprende-se em família. A família educa para o trabalho com o exemplo dos pais: pai e mãe que trabalham para o bem da família e da sociedade.

No Evangelho, a Sagrada Família de Nazaré aparece como uma família de trabalhadores, e o próprio Jesus é chamado «filho do carpinteiro» (cf. Mt 13, 55) ou até «o carpinteiro» (cf. Mc 6, 3). São Paulo não deixa de advertir os cristãos: «Quem não quiser trabalhar, não tem o direito de comer» (2 Ts 3, 10). Esta é uma boa receita para emagrecer, não trabalhas, não comes! O apóstolo refere-se explicitamente ao falso espiritualismo de alguns que, de facto, vivem às custas dos seus irmãos e irmãs «ocupando-se de futilidades» (2 Ts 3, 11). O compromisso do trabalho e a vida do espírito, na concepção cristã, não estão absolutamente em contraste entre si. É muito importante entender isto! Oração e trabalho podem e devem estar juntos, em harmonia, como ensina são Bento. A falta de trabalho prejudica também o espírito, assim como a falta de oração deteriora inclusive a actividade prática.

Trabalhar — repito, nas suas mil formas — é próprio da pessoa humana. Exprime a sua dignidade de ter sido criada à imagem de Deus. Por isso, diz-se que o trabalho é sagrado. E portanto a gestão do emprego é uma grande responsabilidade humana e social, que não pode ser deixada nas mãos de poucos nem acabar num «mercado» divinizado. Causar uma perda de lugares de trabalho significa provocar um grave dano social. Entristeço-me quando vejo que há pessoas sem trabalho, que não encontram emprego e não têm a dignidade de levar o pão para casa. Alegro-me muito quando vejo que os governantes fazem grandes esforços para criar postos de trabalho a fim de que todos o tenham. Ele é sagrado, confere dignidade à família. Devemos rezar para que não falte trabalho na família.

Por conseguinte, também o trabalho, como a festa, faz parte do desígnio de Deus Criador. No livro do Génesis, o tema da terra como casa-jardim, confiada aos cuidados e ao trabalho do homem (cf. 2, 8.15), é antecipado com um trecho muito comovedor: «Quando o Senhor Deus fez a terra e os céus, não havia arbusto algum pelos campos, nem sequer uma planta germinara ainda, porque o Senhor Deus não tinha feito chover sobre a terra e não havia homem para a cultivar. Mas da terra elevava-se um vapor que regava toda a superfície» (2, 5-6). Não é romantismo, é revelação de Deus; e nós temos a responsabilidade de a compreender e assimilar até ao fundo. A Encíclica Laudato si’, que propõe uma ecologia integral, contém também esta mensagem: a beleza da terra e a dignidade do trabalho existem para estar juntas. Caminham juntas: a terra torna-se bonita quando é trabalhada pelo homem. Quando o trabalho se afasta da aliança de Deus com o homem e a mulher, quando se separa das suas qualidades espirituais, quando é refém só da lógica do lucro e despreza os afectos da vida, o aviltamento da alma contamina tudo: inclusive o ar, a água, as ervas, os alimentos... A vida civil corrompe-se e o habitat deteriora-se. E as consequências atingem sobretudo os mais pobres e as famílias mais pobres. A moderna organização do trabalho às vezes mostra uma perigosa tendência a considerar a família como um obstáculo, um peso, uma passividade, para a produtividade do trabalho. Mas esquecemo-nos: qual produtividade? E para quem? A chamada «cidade inteligente» sem dúvida é rica de serviços e organização; contudo, por exemplo, com frequência é hostil a crianças e idosos.

Às vezes quem projeta está interessado na gestão da força de trabalho individual, para montar e utilizar ou descartar de acordo com a conveniência econômica. A família é um grande teste. Quando a organização do trabalho a mantém refém, ou até lhe impede o caminho, então estamos certos de que a sociedade humana começou a agir contra si mesma!

As famílias cristãs recebem desta conjuntura um grande desafio e uma grande missão. Elas apresentam os fundamentos da criação de Deus: a identidade e o vínculo do homem e da mulher, a geração dos filhos, o trabalho que torna a terra doméstica e habitável. A perda desses fundamentos é um problema muito sério, e já temos demasiadas fendas na casa comum! A tarefa não é fácil. Às vezes as associações de famílias podem ter a impressão de ser como David diante de Golias... mas sabemos como se concluiu aquele desafio! São necessárias fé e astúcia. Deus nos conceda receber com alegria e esperança a sua chamada, neste momento difícil da nossa história, a chamada ao trabalho para dar dignidade a nós mesmos e à própria família.

Saudações

Dirijo uma saudação cordial a todos os peregrinos de língua portuguesa, particularmente os fiéis de Portugal e do Brasil. Faço votos de que esta peregrinação possa reforçar em vós a fé em Jesus Cristo, que chama todas as famílias a colaborarem na construção de um mundo mais justo e belo. Que Deus abençoe a cada um de vós!




Fonte: Vaticano



Angelus com o Papa Francisco - 16.08.2015


Praça São Pedro
Domingo, 16 de Agosto de 2015







Estimados irmãos e irmãs, bom dia!

Ao longo destes domingos, a Liturgia vai propondo-nos, do Evangelho de João, o discurso de Jesus sobre o Pão da vida, que é Ele mesmo e que constitui também o sacramento da Eucaristia. O trecho hodierno (cf. Jo 6, 51-58) apresenta a última parte de tal discurso e fala sobre algumas pessoas do meio do povo que se escandalizam ao ouvirem Jesus dizer: «Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna; e Eu ressuscitá-lo-ei no último dia» (Jo 6, 54). O assombro dos ouvintes é compreensível; com efeito, Jesus recorre ao estilo típico dos profetas, para provocar nas pessoas — e também em nós — interrogações e, afinal, suscitar uma decisão. Antes de tudo, interrogações: o que significa «comer a carne e beber o sangue» de Jesus? É apenas uma imagem, um modo de dizer, um símbolo, ou indica algo de real? Para responder, é necessário intuir o que acontece no Coração de Jesus, ao partir os pães para os distribuir à multidão faminta. Consciente de que deverá morrer na cruz por nós, Jesus identifica-se com aquele pão partido e compartilhado, tornando-se para Ele o «sinal» do Sacrifício que o espera. Este processo encontra o seu ápice na última Ceia, onde o pão e o vinho se tornam realmente o seu Corpo e o Sangue. É a Eucaristia, que Jesus nos deixa com uma finalidade específica: que nós possamos tornar-nos um só com Ele. Efectivamente, Ele diz: «Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim e Eu nele» (v. 56). «Permanecer»: Jesus em nós, e nós em Jesus. Comunhão é assimilação: comendo a sua carne, tornamo-nos como Ele. Contudo, isto requer o nosso «sim», a nossa adesão de fé!

Às vezes, a propósito da Santa Missa, ouve-se a seguinte objecção: «Mas para que serve a Missa? Vou à igreja quando tenho vontade, ou rezo melhor quando estou sozinho». Mas a Eucaristia não é uma oração particular, nem uma bonita experiência espiritual; não é uma simples comemoração daquilo que Jesus realizou na última Ceia. Para entender bem, nós dizemos que a Eucaristia é um «memorial», ou seja, um gesto que actualiza e torna presente o acontecimento da morte e da ressurreição de Jesus: o pão é realmente o seu Corpo entregue por nós; o vinho é deveras o seu Sangue derramado por nós.

A Eucaristia é o próprio Jesus que se entrega inteiramente por nós. Alimentar-nos dele e permanecermos nele mediante a Comunhão eucarística, se o fizermos com fé, transforma a nossa vida, transforma-a num dom a Deus e aos irmãos. Alimentar-nos daquele «Pão da vida» significa entrar em sintonia com o Coração de Cristo, assimilar as suas escolhas, os seus pensamentos e os seus comportamentos. Significa entrar num dinamismo de amor oblativo, tornando-nos pessoas de paz, pessoas de perdão, de reconciliação e de partilha solidária. Aquilo que Jesus fez.

Jesus conclui o seu discurso com as seguintes palavras: «Quem comer deste pão viverá eternamente» (Jo 6, 58). Sim, viver em comunhão concreta, real, com Jesus nesta terra já nos faz passar da morte para a vida. O Céu começa precisamente nesta comunhão com Jesus, e deste modo fechamos os olhos para o mundo presente, na certeza de que no último dia ouviremos a voz de Jesus Ressuscitado que nos há-de chamar, e despertaremos para permanecer sempre com Ele e com a grande família de santos.

E no Céu já nos espera Maria, nossa Mãe — ontem pudemos celebrar este mistério. Que Ela nos alcance a graça de nos alimentarmos sempre com fé de Jesus, Pão da vida!

Depois do Angelus

Saúdo-vos todos carinhosamente, romanos e peregrinos: as famílias, os grupos paroquiais, as associações e os jovens.

Saúdo o grupo folclórico denominado «Organización de arte y cultura mexicana», os jovens de Verona que vivem uma experiência de fé em Roma e os fiéis provenientes de Beverare.

Dirijo uma saudação especial aos numerosos jovens do Movimento juvenil salesiano, congregados em Turim, nos lugares de são João Bosco para celebrar o bicentenário do seu nascimento; encorajo-os a viver a alegria do Evangelho na existência diária, para gerar esperança no mundo.

Feliz domingo a todos! E por favor, não vos esqueçais de rezar por mim. Bom almoço e até à vista!




Fonte: Vaticano




sábado, 15 de agosto de 2015

Evangelho da Assunção de Nossa Senhora


São Lucas 1, 39-56

Naqueles dias, Maria pôs-se a caminho e dirigiu-se apressadamente para a montanha, em direção a uma cidade de Judá. Entrou em casa de Zacarias e saudou Isabel. Quando Isabel ouviu a saudação de Maria, o menino exultou-lhe no seio. Isabel ficou cheia do Espírito Santo e exclamou em alta voz: "Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre. Donde me é dado que venha ter comigo a Mãe do meu Senhor? Na verdade, logo que chegou aos meus ouvidos a voz da tua saudação, o menino exultou de alegria no meu seio. Bem-aventurada aquela que acreditou no cumprimento de tudo quanto lhe foi dito da parte do Senhor". Maria disse então: "A minha alma glorifica o Senhor e o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador, porque pôs os olhos na humildade da sua serva: de hoje em diante me chamarão bem-aventurada todas as gerações. O Todo-Poderoso fez em mim maravilhas: Santo é o seu nome. A sua misericórdia se estende de geração em geração sobre aqueles que O temem. Manifestou o poder do seu braço e dispersou os soberbos. Derrubou os poderosos de seus tronos e exaltou os humildes. Aos famintos encheu de bens e aos ricos despediu de mãos vazias. Acolheu a Israel, seu servo, lembrado da sua misericórdia, como tinha prometido a nossos pais, a Abraão e à sua descendência para sempre". Maria ficou junto de Isabel cerca de três meses e depois regressou a sua casa.




domingo, 9 de agosto de 2015

Evangelho do XIX Domingo do Tempo Comum - Ano B


São João 6, 41-51

Naquele tempo, os judeus murmuravam de Jesus, por Ele ter dito: "Eu sou o pão que desceu do Céu". E diziam: "Não é Ele Jesus, o filho de José? Não conhecemos o seu pai e a sua mãe? Como é que Ele diz agora: ‘Eu desci do Céu’?" Jesus respondeu-lhes: "Não murmureis entre vós. Ninguém pode vir a Mim, se o Pai, que Me enviou, não o trouxer; e Eu ressuscitá-lo-ei no último dia. Está escrito no livro dos Profetas: ‘Serão todos instruídos por Deus’. Todo aquele que ouve o Pai e recebe o seu ensino vem a Mim. Não porque alguém tenha visto o Pai; só Aquele que vem de junto de Deus viu o Pai. Em verdade, em verdade vos digo: Quem acredita tem a vida eterna. Eu sou o pão da vida. No deserto, os vossos pais comeram o maná e morreram. Mas este pão é o que desce do Céu para que não morra quem dele comer. Eu sou o pão vivo que desceu do Céu. Quem comer deste pão viverá eternamente. E o pão que Eu hei-de dar é a minha carne, que Eu darei pela vida do mundo".





Catequese com o Papa Francisco - 05.08.2015


Quarta-feira, 5 de Agosto de 2015








Amados irmãos e irmãs, bom dia!

Com esta catequese retomemos a nossa reflexão sobre a família. Depois de ter falado, na última vez, das famílias feridas por causa da incompreensão dos cônjuges, hoje gostaria de chamar a nossa atenção para outra realidade: como ocupar-nos daqueles que, depois do fracasso irreversível do seu vínculo matrimonial, empreenderam uma nova união.

A Igreja sabe bem que tal situação contradiz o Sacramento cristão. Contudo, o seu olhar de mestra haure sempre de um coração de mãe; um coração que, animado pelo Espírito Santo, procura sempre o bem e a salvação das pessoas. Eis o motivo pelo qual sente o dever, «por amor à verdade», de «discernir bem as situações». Assim se expressava João Paulo II, na Exortação apostólica Familiaris consortio (n. 84), dando como exemplo a diferença entre quem sofreu a separação em relação a quem a causou. Este discernimento deve ser feito.

Se considerarmos depois também estes novos vínculos com o olhar dos filhos pequenos — e os pequeninos vêem — com o olhar das crianças, vermos ainda mais a urgência de desenvolver nas nossas comunidades um acolhimento real para com as pessoas que vivem essas situações. Por isso é importante que o estilo da comunidade, a sua linguagem, as suas atitudes, estejam sempre atentas às pessoas, a partir dos pequeninos. São eles que mais sofrem, nestas situações. De resto, como poderíamos recomendar a estes pais que façam de tudo para educar os filhos na vida cristã, dando-lhes o exemplo de uma fé convicta e praticada, se os mantivéssemos à distância da vida da comunidade, como se estivessem excomungados? Devemos fazer de maneira que não se acrescentem outros pesos além dos que os filhos, nestas situações, já se encontram a ter que suportar! Infelizmente, o número destas crianças e jovens é deveras grande. É importante que eles sintam a Igreja como mãe atenta a todos, sempre disposta à escuta e ao encontro.

Na realidade, nestes decénios a Igreja não foi nem insensível nem indolente. Graças ao aprofundamento realizado pelos Pastores, guiado e confirmado pelos meus Predecessores, aumentou muito a consciência de que é necessário um acolhimento fraterno e atento, no amor e na verdade, em relação aos baptizados que estabeleceram uma nova convivência depois da falência do matrimónio sacramental: não estão excomungados; com efeito, estas pessoas não devem absolutamente ser tratadas como tais: elas fazem parte da Igreja.

O Papa Bento XVI interveio sobre esta questão, solicitando um discernimento atento e um acompanhamento pastoral sábio, consciente que não existem «receitas simples » (Discurso no VII Encontro Mundial das Famílias, Milão, 2 de Junho de 2012, resposta n. 5).

Eis o motivo do repetido convite dos Pastores a manifestar aberta e coerentemente a disponibilidade da comunidade a acolhê-los e a encorajá-los, para que vivam e desenvolvam cada vez mais a sua pertença a Cristo e à Igreja com a oração, com a escuta da Palavra de Deus, com a frequência da liturgia, com a educação cristã dos filhos, com a caridade e o serviço aos pobres, com o compromisso pela justiça e a paz.

O ícone bíblico do Bom Pastor (Jo 10, 11-18) resume a missão que Jesus recebeu do Pai: dar a vida pelas ovelhas. Esta atitude é um modelo também para a Igreja, que acolhe os seus filhos como uma mãe que oferece a sua vida por elas. «A Igreja está chamada a ser sempre a casa aberta do Pai [...]» — Não às portas fechadas! Não às portas fechadas! — «todos podem participar de alguma forma na vida eclesial, todos podem fazer parte da comunidade. A Igreja [...] é a casa paterna, onde há lugar para todos com a sua vida fatigante» (Exort. ap. Evangelii gaudium, 47).

Do mesmo modo todos os cristãos estão chamados a imitar o Bom Pastor. Sobretudo as famílias cristãs podem colaborar com Ele ocupando-se das famílias feridas, acompanhando-as na vida de fé da comunidade. Cada qual faça a sua parte assumindo a atitude do Bom Pastor, o qual conhece cada uma das suas ovelhas e não exclui nenhuma do seu amor infinito!

Saudações

Queridos peregrinos de língua portuguesa, nomeadamente os acólitos e escutas de Portugal, bem como os fiéis brasileiros: sede bem-vindos! Saúdo-vos como membros desta família que é a Igreja, pedindo-vos que renoveis o vosso compromisso para que as vossas comunidades sejam lugares sempre mais acolhedores, onde se faz experiência da misericórdia e do amor de Deus. Que o Senhor vos abençoe a todos!

Dirijo um pensamento particular aos jovens, aos doentes e aos recém-casados. Hoje, celebramos a Dedicação da Basílica de Santa Maria Maior, onde se venera o ícone da Salus populi Romani. Amados jovens, invocai a Mãe de Deus para sentir a docilidade do seu amor; estimados enfermos, rogai a Ela nos momentos da cruz e do sofrimento, de maneira especial vós, Anjos da Liberdade de Siracusa; e queridos recém-casados, contemplai-a como modelo do vosso caminho conjugal de dedicação e fidelidade.




Fonte: Vaticano




Angelus com o Papa Francisco - 02.08.2015


Praça São Pedro
Domingo, 2 de Agosto de 2015








Amados irmãos e irmãs, bom dia!

Prosseguimos neste domingo a leitura do capítulo seis do Evangelho de João. Depois da multiplicação dos pães, o povo pôs-se à procura de Jesus e finalmente encontra-o junto de Cafarnaum. Ele compreende bem o motivo de tanto entusiasmo em segui-lo e revela-o com clareza: «Vós me procurais, não porque vistes sinais, mas porque comestes dos pães e vos saciastes» (Jo 6, 26). Na realidade, aquelas pessoas seguem-no pelo pão material que no dia anterior lhes tinha saciado a fome, quando Jesus fizera a multiplicação dos pães; não compreenderam que aquele pão, partido para tantos, para muitos, era a expressão do amor do próprio Jesus. Deram mais valor àquele pão do que ao seu doador. Diante desta cegueira espiritual, Jesus evidencia a necessidade de ir além da doação e descobrir, conhecer o doador. O próprio Deus é o dom e também o doador. E assim daquele pão, daquele gesto, as pessoas podem encontrar Quem o dá, que é Deus. Convida a abrir-se a uma perspectiva que não é só das preocupações diárias do comer, do vestir, do sucesso, da carreira. Jesus fala de outro alimento, fala de um alimento que não é corruptível e que é bom procurar e acolher. Ele exorta: «Trabalhai não pelo alimento que perece, mas pelo alimento que permanece até à vida eterna, e que o Filho do homem vos dará» (v. 27). Ou seja, procurai a salvação, o encontro com Deus.

E com estas palavras, quer-nos fazer compreender que, além da fome física o homem tem em si outra fome — todos nós temos esta fome — uma fome mais importante, que não pode ser saciada com um alimento qualquer. Trata-se da fome de vida, da fome de eternidade que só Ele pode satisfazer, porque é «o pão da vida» (v. 35). Jesus não elimina a preocupação nem a busca do alimento diário, não, não elimina a preocupação de tudo o que pode tornar a vida mais progredida. Mas Jesus recorda-nos que o verdadeiro significado da nossa existência terrena consiste no fim, na eternidade, consiste no encontro com Ele, que é dom e doador, e recorda-nos também que a história humana com os seus sofrimentos e as suas alegrias deve ser considerada numhorizonte de eternidade, ou seja, no horizonte do encontro definitivo com Ele. E este encontro ilumina todos os dias da nossa vida. Se pensarmos neste encontro, neste grande dom, os pequenos dons da vida, também os sofrimentos, as preocupações serão iluminadas pela esperança deste encontro. «Eu sou o pão da vida. Quem vem a mim não terá mais fome, e quem crê em mim nunca mais terá sede» (v. 35). E esta é uma referência à Eucaristia, o maior dom que sacia a alma e o corpo. Encontrar e acolher Jesus, «pão de vida», em nós, confere significado e dá esperança ao caminho muitas vezes sinuoso da vida. Mas este «pão de vida» é-nos dado com uma tarefa, ou seja, para que possamos por nossa vez saciar a fome espiritual e material dos irmãos, anunciando o Evangelho por toda a parte. Com o testemunho da nossa atitude fraterna e solidária para com o próximo, tornamos Cristo e o seu amor presentes no meio dos homens.

A Virgem Santa nos ampare na busca e no seguimento do seu Filho Jesus, o pão verdadeiro, o pão vivo que não se corrompe e dura eternamente.



Depois do Angelus

Amados irmãos e irmãs!

Dirijo uma saudação a todos vós fiéis de Roma e peregrinos de diversos países.

Recorda-se hoje o «Perdão de Assis». É uma forte chamada a aproximar-nos do Senhor no Sacramento da Misericórdia e também a receber a Comunhão. Há pessoas que têm medo de se aproximar da Confissão, esquecendo que lá não encontramos um juiz severo, mas o Pai imensamente misericordioso. É verdade que quando vamos ao confessionário, sentimos um pouco de vergonha. Isto acontece a todos, a todos nós, mas devemos recordar que também esta vergonha é uma graça que nos prepara para o abraço do Pai, que perdoa sempre, perdoa tudo.

A todos vós desejo bom domingo. E por favor, não vos esqueçais de rezar por mim. Bom almoço e até à próxima!




Fonte: Vaticano



sábado, 1 de agosto de 2015

Evangelho do XVIII Domingo do Tempo Comum - Ano B


São João 6, 24-35

Naquele tempo, quando a multidão viu que nem Jesus nem os seus discípulos estavam à beira do lago, subiram todos para as barcas e foram para Cafarnaum, à procura de Jesus. Ao encontrá-l’O no outro lado do mar, disseram-Lhe: "Mestre, quando chegaste aqui?" Jesus respondeu-lhes: "Em verdade, em verdade vos digo: vós procurais-Me, não porque vistes milagres, mas porque comestes dos pães e ficastes saciados. Trabalhai, não tanto pela comida que se perde, mas pelo alimento que dura até à vida eterna e que o Filho do homem vos dará. A Ele é que o Pai, o próprio Deus, marcou com o seu selo". Disseram-Lhe então: "Que devemos nós fazer para praticar as obras de Deus?" Respondeu-lhes Jesus: "A obra de Deus consiste em acreditar n’Aquele que Ele enviou". Disseram-Lhe eles: "Que milagres fazes Tu, para que nós vejamos e acreditemos em Ti? Que obra realizas? No deserto os nossos pais comeram o maná, conforme está escrito: ‘Deu-lhes a comer um pão que veio do céu’". Jesus respondeu-lhes: "Em verdade, em verdade vos digo: Não foi Moisés que vos deu o pão do Céu; meu Pai é que vos dá o verdadeiro pão do Céu. O pão de Deus é o que desce do Céu para dar a vida ao mundo". Disseram-Lhe eles: "Senhor, dá-nos sempre desse pão". Jesus respondeu-lhes: "Eu sou o pão da vida: quem vem a Mim nunca mais terá fome, quem acredita em Mim nunca mais terá sede".





Angelus com o Papa Francisco - 26.07.2015


Praça São Pedro
Domingo, 26 de Julho de 2015








Amados irmãos e irmãs, bom dia!

O Evangelho deste domingo (Jo 6, 1-15) apresenta o grande sinal da multiplicação dos pães, na narração do evangelista João. Jesus está na margem do lago da Galileia, circundado por «uma grande multidão», atraída pelos «sinais que realizava em favor dos doentes» (v. 2). Nele age o poder misericordioso de Deus, que cura todos os males do corpo e do espírito. Mas Jesus não é só alguém que cura, é também mestre: com efeito sobe ao monte e senta-se, na típica atitude do mestre quando ensina: sobe a esta «cátedra» natural criada pelo seu Pai celeste. A este ponto Jesus, que bem sabe o que está para fazer, põe os seus discípulos à prova. Que fazer para matar a fome a toda aquela gente? Filipe, um dos Doze, faz um cálculo rápido: organizando uma colecta, poder-se-ão no máximo recolher duzentos denários para comprar pão, que contudo não seria suficiente para matar a fome a cinco mil pessoas.

Os discípulos raciocinam em termos de «mercado», mas Jesus substitui a lógica do comprar com a outra lógica, a lógica do doar. E eis que André, outro Apóstolo, irmão de Simão Pedro, apresenta um jovem que põe à disposição tudo aquilo que possui: cinco pães e dois peixes; mas — diz André — que é isso para tanta gente (cf. v. 9). Jesus esperava precisamente isto. Ordena aos discípulos que façam sentar aquela multidão, depois tomou aqueles pães e peixes, deu graças ao Pai e distribuiu-os (cf. v. 11). Estes gestos antecipam os da Última Ceia, que conferem ao pão de Jesus o seu significado mais verdadeiro. O pão de Deus é o próprio Jesus. Tomando a Comunhão com Ele, recebemos a sua vida em nós e tornamo-nos filhos do Pai celeste e irmãos entre nós. Recebendo a comunhão encontramo-nos com Jesus realmente vivo e ressuscitado! Participar na Eucaristia significa entrar na lógica de Jesus, a lógica da gratuitidade, da partilha. E por mais pobres que sejamos, todos podemos oferecer alguma coisa. «Receber a Comunhão» significa também obter de Cristo a graça que nos torna capazes de partilhar com os outros aquilo que somos e o que possuímos.

A multidão fica admirada com o prodígio da multiplicação dos pães; mas o dom que Jesus oferece é a plenitude de vida para o homem faminto. Jesus sacia não só a fome material, mas aquela mais profunda, a fome do sentido da vida, a fome de Deus. Perante o sofrimento, a solidão, a pobreza e as dificuldades de tantas pessoas, o que podemos fazer? Lamentar-nos nada resolve, mas podemos oferecer aquele pouco que temos, como o jovem do Evangelho. Certamente temos algumas horas à disposição, algum talento, competência... Quem não tem os seus «cinco pães e dois peixes»? Todos os temos! Se estivermos dispostos a pô-los nas mãos do Senhor, serão suficientes para que no mundo haja um pouco mais de amor, paz, justiça e sobretudo alegria. Como é necessária a alegria no mundo! Deus é capaz de multiplicar os nossos pequenos gestos de solidariedade e tornar-nos participantes do seu dom.

Que a nossa oração ampare o compromisso comum para que nunca falte a ninguém o Pão do céu que dá vida eterna e o necessário para uma vida digna, e se afirme a lógica da partilha e do amor. A Virgem Maria nos acompanhe com a sua materna intercessão.



Depois do Angelus

Queridos irmãos e irmãs!

Abrem-se hoje as inscrições para a trigésima primeira Jornada Mundial da Juventude, que terá lugar no próximo ano na Polónia. Quis abrir eu mesmo as inscrições e por isso fiz questão que estivessem aqui ao meu lado um jovem e uma moça, no momento de abrir as inscrições, aqui diante de vós. E eis que me inscrevi para a Jornada como peregrino mediante este dispositivo electrónico. Celebrada durante o Ano da Misericórdia, esta Jornada será, num certo sentido, um jubileu da juventude, chamado a reflectir sobre o tema «Bem-aventurados os misericordiosos, porque encontrarão misericórdia» (Mt 5, 7). Convido os jovens de todo o mundo a viver esta peregrinação quer indo a Cracóvia, quer participando neste momento de graça nas próprias comunidades.

Daqui a alguns dias ocorrerá o segundo aniversário desde quando, na Síria, foi raptado o padre Paolo Dall’Oglio. Dirijo um apelo consternado e urgente a favor da libertação deste estimado religioso. Não posso esquecer também os Bispos ortodoxos raptados na Síria e todas as demais pessoas que, nas áreas de conflito, foram sequestradas. Faço votos pelo renovado compromisso das competentes Autoridades locais e internacionais, para que a estes nossos irmãos seja restituída depressa a liberdade. Com afecto e participação nos seus sofrimentos, recordemo-los na oração e rezemos todos juntos a Nossa Senhora. Ave Maria...

Saúdo todos vós, peregrinos provenientes da Itália e de outros países. Saúdo a peregrinação internacional das Irmãs de São Félix, os fiéis de Salamanca, os jovens de Bréscia que estão a prestar serviço no refeitório dos pobres da Cáritas de Roma, e os jovens de Ponte San Giovanni (Perúgia).

Hoje, 26 de Julho, a Igreja recorda os Santos Joaquim e Ana, pais da Bem-Aventurada Virgem Maria e por conseguinte avós de Jesus. Nesta ocasião gostaria de saudar todos os avós, agradecendo-lhes a sua preciosa presença nas famílias e para as novas gerações. Por todos os avós vivos, mas também pelos que olham para nós do Céu, façamos uma saudação e bom aplauso...

Desejo-vos bom domingo. E por favor não vos esqueçais de rezar por mim. Bom almoço e até à vista!




Fonte: Vaticano




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