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sábado, 19 de setembro de 2015

Evangelho do XXV Domingo do Tempo Comum - Ano B


São Marcos 9, 30-37 (29-36)

Naquele tempo, Jesus e os seus discípulos caminhavam através da Galileia, mas Ele não queria que ninguém o soubesse; porque ensinava os discípulos, dizendo-lhes: "O Filho do homem vai ser entregue às mãos dos homens e eles vão matá-l’O; mas Ele, três dias depois de morto, ressuscitará". Os discípulos não compreendiam aquelas palavras e tinham medo de O interrogar. Quando chegaram a Cafarnaum e já estavam em casa, Jesus perguntou-lhes: "Que discutíeis no caminho?" Eles ficaram calados, porque tinham discutido uns com os outros sobre qual deles era o maior. Então, Jesus sentou-Se, chamou os Doze e disse-lhes: "Quem quiser ser o primeiro será o último de todos e o servo de todos". E, tomando uma criança, colocou-a no meio deles, abraçou-a e disse-lhes: "Quem receber uma destas crianças em meu nome é a Mim que recebe; e quem Me receber não Me recebe a Mim, mas Àquele que Me enviou".






Catequese com o Papa Francisco - 16.09.2015


Praça São Pedro
Quarta-feira, 16 de Setembro de 2015








Caros irmãos e irmãs, bom dia!

Esta é a nossa reflexão conclusiva sobre o tema do matrimónio e da família. Estamos na vigília de eventos bons e exigentes, que estão directamente ligados a este grande tema: o encontro mundial das famílias em Filadélfia e o Sínodo dos Bispos aqui em Roma. Ambos têm uma importância mundial, que corresponde à dimensão universal do cristianismo, mas também ao alcance universal desta comunidade humana fundamental e insubstituível, que é a família.

Esta passagem de civilização está marcada pelos efeitos a longo prazo de uma sociedade administrada pela tecnocracia económica. A subordinação da ética à lógica do lucro dispõe de meios consideráveis e de um enorme apoio mediático. Neste cenário, uma nova aliança do homem e da mulher torna-se não apenas necessária, mas estratégica para a emancipação dos povos da colonização do dinheiro. Esta aliança deve voltar a orientar a política, a economia e a convivência civil! Ela decide a habitabilidade da terra, a transmissão do sentimento da vida, os vínculos da memória e da esperança.

Desta aliança, a comunidade conjugal-familiar do homem e da mulher é a gramática generativa, o «nó de ouro», poderíamos dizer. A fé obtém-na da sabedoria da criação de Deus, que confiou à família não o cuidado de uma intimidade com o fim em si mesma, mas o emocionante desígnio de tornar o mundo «doméstico». A família está no início, na base desta cultura mundial que nos salva; ela salva-nos de muitos ataques, destruições e colonizações, como a do dinheiro ou das ideologias que ameaçam em grande medida o mundo. A família é a base para se defender!

Da Palavra bíblica da criação tiramos a nossa inspiração essencial, nas breves meditações de quarta-feira sobre a família. Desta Palavra podemos e devemos haurir novamente, com amplitude e profundidade. É um grande trabalho que nos espera, mas também muito entusiasmante. A criação de Deus não é uma simples premissa filosófica: é o horizonte universal da vida e da fé! Não existe um desígnio divino diferente da criação e da sua salvação. Foi para a salvação da criatura — de cada criatura — que Deus se fez homem: «Para nós, homens, e para a nossa salvação», como reza o Credo. E Jesus ressuscitado é «o primogénito de toda a criação» (Cl 1, 15).

O mundo criado foi confiado ao homem e à mulher: o que acontece entre eles marca tudo. A rejeição da bênção de Deus chega fatalmente a um delírio de omnipotência que arruína tudo. A isto chamamos «pecado original». E todos vimos ao mundo na herança desta doença.

Não obstante isto, não somos malditos, nem estamos abandonados a nós mesmos. A este propósito, a antiga narração do primeiro amor de Deus pelo homem e pela mulher já continha páginas escritas com o fogo! «Porei ódio entre ti e a mulher, entre a tua descendência e a dela» (Gn 3, 15a). Sãs as palavras que Deus dirige à serpente enganadora, encantadora. Mediante estas palavras, Deus marca a mulher com uma barreira protectora contra o mal, à qual ela pode recorrer — se quiser — em cada geração. Quer dizer que a mulher traz consigo uma bênção secreta e especial, para a defesa da sua criatura do Maligno! Assim como a Mulher do Apocalipse, que se apressa a esconder do Dragão o próprio filho. E Deus protege-a (cf. Ap 12, 6).

Pensai na profundidade que aqui se abre! Existem muitos lugares-comuns, às vezes até ofensivos, sobre a mulher tentadora que inspira o mal. Mas há espaço para uma teologia da mulher, à altura desta bênção de Deus, para ela e para a geração!

Contudo, a misericordiosa tutela de Deus em relação ao homem e à mulher nunca falta a ambos. Não nos esqueçamos disto! A linguagem simbólica da Bíblia diz-nos que antes de os afastar do jardim do Éden, Deus fez vestes de pele para o homem e para a mulher, e cobriu-os (cf. Gn 3, 21). Este gesto de ternura significa que até nas dolorosas consequências do nosso pecado Deus não quer que permaneçamos nus e abandonados ao nosso destino de pecadores. Esta ternura divina, este esmero por nós, vemo-lo encarnado em Jesus de Nazaré, Filho de Deus «nascido de mulher» (Gl 4, 4). E são Paulo diz ainda: «Quando ainda éramos pecadores, Cristo morreu por nós» (Rm 5, 8). Cristo, nascido de mulher, de uma mulher! É a carícia de Deus sobre as nossas feridas, erros e pecados. Mas Deus ama-nos tal como somos e quer fazer-nos progredir neste projecto; a mulher é mais forte e leva em frente este projecto.

A promessa que Deus faz ao homem e à mulher, na origem da história, inclui todos os seres humanos, até ao fim da história. Se tivermos fé suficiente, as famílias dos povos da terra reconhecer-se-ão nesta bênção. Contudo, quem se deixar comover por esta visão, independentemente do povo, nação ou religião de pertença, que se ponha a caminho connosco. Será nosso irmão e irmã, sem fazer proselitismo. Caminhemos juntos com esta bênção e com esta finalidade de Deus, de nos tornarmos todos irmãos na vida, num mundo que caminha em frente e que nasce precisamente da família, da união entre o homem e a mulher. Deus vos abençoe, famílias de todos os cantos da terra! Deus abençoe todos vós!

Saudação

Saúdo os peregrinos de língua portuguesa presentes nesta audiência, e através de cada um de vós, saúdo todas as famílias dos vossos países. Dirijo uma saudação particular aos membros da Fundação Fé e Cooperação de Portugal e aos grupos de brasileiros. Deixai-vos guiar pela ternura divina, para que possais transformar o mundo com a vossa fé. Deus vos abençoe!




Fonte: Vaticano




Angelus com o Papa Francisco - 13.09.2015


Praça de São Pedro
Domingo, 13 de Setembro de 2015








Amados irmãos, bom dia!

O Evangelho de hoje apresenta-nos Jesus que, a caminho para Cesareia de Filipe, pergunta aos discípulos: «Quem dizem os homens que Eu sou?» (Mc 8, 27). Eles respondem aquilo que o povo dizia: alguns consideravam-no João Baptista renascido, outros, Elias ou um dos grandes Profetas. O povo estimava Jesus, considerava-o um «enviado de Deus», mas ainda não conseguia reconhecê-lo como o Messias, aquele Messias prenunciado e esperado por todos. Jesus olha para os apóstolos e pergunta de novo: «Mas vós, quem dizeis que Eu sou?» (v. 29). Eis a pergunta mais importante, com a qual Jesus se dirige directamente a quantos o seguiam, para comprovar a sua fé. Pedro, em nome de todos, exclama com prontidão: «Tu és o Cristo» (v. 29). Jesus fica admirado com a fé de Pedro, reconhece que ela é fruto de uma graça, de uma graça especial de Deus Pai. E então revela abertamente aos discípulos o que o espera em Jerusalém, ou seja, que «o Filho do homem iria sofrer muito... ser morto e, depois de três dias, ressurgir» (v. 31).

Ao ouvir isto, o próprio Pedro, que acabara de professar a sua fé em Jesus como Messias, escandaliza-se. Desviando-se um pouco com o Mestre, repreende-o. E como reage Jesus? Por sua vez repreende Pedro por isto, com palavras muito severas: «Vai-te da minha frente, Satanás!» — chama-lhe Satanás! — «Pois não aprecias as coisas de Deus, mas só as dos homens» (v. 33). Jesus apercebe-se de que em Pedro, como nos outros discípulos — também em cada um de nós! — à graça do Pai se opõe a tentação do Maligno, que pretende distrair-nos da vontade de Deus. Anunciando que terá que sofrer e ser morto para depois ressuscitar, Jesus deseja fazer compreender a quantos o seguem que Ele é um Messias humilde e servo. É o Servo obediente à palavra e à vontade do Pai, até ao sacrifício completo da própria vida. Por isso, dirigindo-se a toda a multidão que estava ali, declara que quem quiser ser seu discípulo deve aceitar ser servo, como Ele se fez servo, e adverte: «Se alguém quiser vir após Mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-Me» (v. 34).

Pôr-se na sequela de Cristo significa carregar a própria cruz — todos temos uma... — para o acompanhar no seu caminho, um caminho desagradável que não é o do sucesso, da glória passageira, mas aquele que leva à liberdade verdadeira, que nos liberta do egoísmo e do pecado. Trata-se de rejeitar abertamente aquela mentalidade mundana que coloca o «eu» e os próprios interesses no centro da existência: não é isto que Jesus quer de nós! Ao contrário, Jesus convida a perder a vida por Ele, pelo Evangelho, a fim de a receber renovada, realizada e autêntica. Graças a Deus, estamos certos de que no final este caminho conduz à ressurreição, à vida plena e definitiva com Deus. Decidir segui-lo, o nosso Mestre e Senhor que se fez Servo de todos, exige que se caminhe depois d’Ele e se ouça atentamente a sua Palavra — recordai-vos: ler todos os dias um trecho do Evangelho — e os Sacramentos.

Há jovens aqui na praça: rapazes e moças. Pergunto-vos: sentistes vontade de seguir Jesus mais de perto? Reflecti. Rezai. E deixai que o Senhor vos fale.

A Virgem Maria, que seguiu Jesus até ao Calvário, nos ajude a purificar sempre a nossa fé de falsas imagens de Deus, para aderir plenamente a Cristo e ao seu Evangelho.



Depois do Angelus:

Queridos irmãos e irmãs!

Hoje, na África do Sul, é proclamado Beato Samuel Benedict Daswa, pai de família, assassinado em 1990 — há só 25 anos — e foi morto pela sua fidelidade ao Evangelho. Na sua vida demonstrou sempre muita coerência, assumindo corajosamente atitudes cristãs e rejeitando hábitos mundanos e pagãos. O seu testemunho ajude especialmente as famílias a difundir a verdade e a caridade de Cristo. E o seu testemunho junta-se ao de tantos nossos irmãos e irmãs, jovens, idosos, adolescentes, crianças, perseguidos, expulsos, assassinados por confessarem Jesus Cristo. Agradeçamos a todos estes mártires, Samuel Benedict Daswa e todo eles, o seu testemunho e peçamos-lhes que intercedam por nós.

Saúdo com afecto todos vós, romanos e peregrinos provenientes de diversos países: famílias, grupos paroquiais, associações. Saúdo os fiéis da diocese de Freiburg, a associação «A Árvore de Zaqueu» de Aosta, os fiéis de Corte Franca e Orzinuovi, a Acção Católica Jovens de Alpago e o grupo de motociclistas de Ravena.

Saúdo o grupo de professores precários vindos da Sardenha, e faço votos de que os problemas do mundo do trabalho sejam enfrentados tendo concretamente em consideração a família e as suas exigências.

A todos desejo bom domingo. E por favor, não vos esqueçais de rezar por mim! Bom almoço e até à vista!




Fonte: Vaticano




domingo, 13 de setembro de 2015

Evangelho do XXIV Domingo do Tempo Comum - Ano B


São Marcos 8, 27-35

Naquele tempo, Jesus partiu com os seus discípulos para as povoações de Cesareia de Filipe. No caminho, fez-lhes esta pergunta: "Quem dizem os homens que Eu sou?" Eles responderam: "Uns dizem João Batista; outros, Elias; e outros, um dos profetas". Jesus então perguntou-lhes: "E vós, quem dizeis que Eu sou?" Pedro tomou a palavra e respondeu: "Tu és o Messias". Ordenou-lhes então severamente que não falassem d’Ele a ninguém. Depois, começou a ensinar-lhes que o Filho do homem tinha de sofrer muito, de ser rejeitado pelos anciãos, pelos sumos sacerdotes e pelos escribas; de ser morto e ressuscitar três dias depois. E Jesus dizia-lhes claramente estas coisas. Então, Pedro tomou-O à parte e começou a contestá-l’O. Mas Jesus, voltando-Se e olhando para os discípulos, repreendeu Pedro, dizendo: "Vai-te, Satanás, porque não compreendes as coisas de Deus, mas só as dos homens". E, chamando a multidão com os seus discípulos, disse-lhes: "Se alguém quiser seguir-Me, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e siga-Me. Na verdade, quem quiser salvar a sua vida perdê-la-á; mas quem perder a vida, por causa de Mim e do Evangelho, salvá-la-á".






Catequese com o Papa Francisco - 09.06.2015


Praça São Pedro
Quarta-feira, 9 de Setembro de 2015








Prezados irmãos e irmãs, bom dia!

Hoje gostaria de chamar a nossa atenção para o vínculo entre a família e a comunidade cristã. É um vínculo, por assim dizer, «natural» porque a Igreja é uma família espiritual e a família é uma pequena Igreja (cf. Lumen gentium, 9).

A comunidade cristã é a casa daqueles que acreditam em Jesus como a fonte da fraternidade entre todos os homens. A Igreja caminha no meio dos povos, na história dos homens e das mulheres, dos pais e das mães, dos filhos e das filhas: esta é a história que conta para o Senhor. Os grandes acontecimentos dos poderes mundanos escrevem-se nos livros de história, e ali permanecem. Mas a história dos afectos humanos inscreve-se directamente no Coração de Deus; e é a história que permanece para sempre. Este é o lugar da vida e da fé. A família é o lugar da nossa iniciação — insubstituível, indelével — nesta história. Nesta história de vida plena, que acabará na contemplação de Deus por toda a eternidade no Céu, mas começa na família! Por isso a família é tão importante.

O Filho de Deus aprendeu a história humana nesta via, e percorreu-a até ao fim (cf. Hb 2, 18; 5, 8). É bom voltar a contemplar Jesus e os sinais deste vínculo! Ele nasceu numa família e ali «aprendeu o mundo»: uma oficina, quatro casas, uma aldeia insignificante. No entanto, vivendo por trinta anos esta experiência, Jesus assimilou a condição humana, acolhendo-a na sua comunhão com o Pai e na sua própria missão apostólica. Depois, quando deixou Nazaré e começou a vida pública, Jesus formou ao seu redor uma comunidade, uma «assembleia», uma com-vocação de pessoas. Eis o significado da palavra «igreja».

Nos Evangelhos, a assembleia de Jesus tem a forma de uma família, e de uma família hospitaleira, não de uma seita exclusiva, fechada: nela encontramos Pedro e João, mas também o faminto e o sedento, o estrangeiro e o perseguido, a pecadora e o publicano, os fariseus e as multidões. E Jesus não cessa de acolher e falar com todos, até com quantos já não esperam encontrar Deus na sua vida. É uma lição forte para a Igreja! Os próprios discípulos são eleitos para cuidar desta assembleia, desta família dos hóspedes de Deus.

Para que seja viva no hoje desta realidade da assembleia de Jesus, é indispensável reavivar a aliança entre a família e a comunidade cristã. Poderíamos dizer que a família e a paróquia são os dois lugares onde se realiza aquela comunhão de amor que encontra a sua derradeira fonte no próprio Deus. Uma Igreja verdadeiramente segundo o Evangelho não pode deixar de ter a forma de uma casa hospitaleira, sempre de portas abertas. As igrejas, as paróquias e as instituições, com as portas fechadas, não devem chamar-se igrejas, mas museus!

E hoje esta é uma aliança crucial. «Contra os “centros de poder” ideológicos, financeiros e políticos, voltemos a pôr as nossas esperanças nestes centros do amor evangelizador, ricos de calor humano, assentes na solidariedade, na participação» (Pont. Cons. para a Família, Gli insegnamenti di J.M. Bergoglio — Papa Francesco sulla famiglia e sulla vita 1999-2014, LEV 2014, 189), e também no perdão entre nós.

Hoje é indispensável e urgente fortalecer o vínculo entre família e comunidade cristã. Sem dúvida, é necessária uma fé generosa para ter a inteligência e a coragem de renovar esta aliança. Às vezes, as famílias hesitam, dizendo que não estão à altura: «Padre, somos uma família pobre e até um pouco arruinada», «Não estamos à altura», «Já temos tantos problemas em casa», «Não temos força». Isto é verdade. Mas ninguém é digno, ninguém está à altura, ninguém tem força! Sem a graça de Deus, nada poderíamos fazer. Tudo nos é dado gratuitamente! E o Senhor nunca chega a uma nova família sem fazer algum milagre. Recordemos aquilo que Ele fez nas bodas de Caná! Sim, quando nos pomos nas suas mãos, o Senhor leva-nos a fazer milagres — aqueles milagres de todos os dias! — quando o Senhor está ali naquela família.

Naturalmente, também a comunidade cristã deve fazer a sua parte. Por exemplo, procurar superar atitudes demasiado directivas e funcionais, favorecendo o diálogo interpessoal, o conhecimento e a estima recíproca. As famílias tomem a iniciativa e sintam a responsabilidade de oferecer os seus dons preciosos em prol da comunidade. Todos nós devemos estar conscientes de que a fé cristã se vive no campo aberto da vida partilhada com todos; a família e a paróquia devem realizar o milagre de uma vida mais comunitária para a sociedade inteira.

Em Caná estava presente a Mãe de Jesus, a «Mãe do bom conselho». Ouçamos as suas palavras: «Fazei o que Ele vos disser» (cf. Jo 2, 5). Amadas famílias, estimadas comunidades paroquiais, deixemo-nos inspirar por esta Mãe, façamos tudo o que Jesus nos disser e encontrar-nos-emos diante do milagre, do milagre de cada dia. Obrigado!

Saudações

Amados peregrinos de língua portuguesa, saúdo-vos cordialmente a todos, de modo especial aos Bispos de Portugal que fazem a sua visita ad Limina: obrigado por terem vindo à Audiência. E com uma menção ainda dos fiéis das paróquias de Santo André, São Caetano do Sul, Pontinha e Mafamude. Nas Bodas de Caná, estava presente a Mãe de Jesus, que deu este conselho aos serventes: «Fazei aquilo que Ele vos disser». Irmãos e irmãs, deixai-vos inspirar por esta Mãe e encontrar-vos-eis perante o milagre. Assim Deus vos abençoe!

Dirijo um pensamento especial aos jovens, aos doentes e aos recém-casados. Hoje celebramos a memória litúrgica do jesuíta são Pedro Claver, padroeiro das missões da África. Caros jovens, o seu serviço incansável aos últimos vos anime a opções de solidariedade aos necessitados; o seu vigor espiritual vos ajude, amados doentes, a enfrentar a cruz com coragem; o seu amor a Cristo vos sirva de modelo, queridos recém-casados, a fim de que o amor seja o centro da vossa nova família.




Fonte: Vaticano




Angelus com o Papa Francisco - 06.09.2015


Praça São Pedro
Domingo, 6 de Setembro de 2015








Amados irmãos e irmãs, bom dia!

O Evangelho de hoje (Mc 7, 31-37) narra a cura de um surdo-mudo por parte de Jesus, um evento prodigioso que mostra como Jesus restabelece a plena comunicação do homem com Deus e com os outros homens. O milagre ambienta-se na região da Decápole, ou seja em pleno território pagão; portanto aquele surdo-mudo que é levado a Jesus torna-se símbolo do não-crente que percorre um caminho rumo à fé. Com efeito, a sua surdez expressa a incapacidade de ouvir e de compreender não só as palavras dos homens, mas também a Palavra de Deus. E são Paulo recorda-nos que «a fé nasce da escuta da pregação» (Rm 10, 17).

A primeira coisa que Jesus faz é levar aquele homem para longe da multidão: não quer fazer publicidade ao gesto que está para realizar, mas também não quer que a sua palavra seja coberta pelo ruído das vozes e do falatório do ambiente. A Palavra de Deus que Cristo nos transmite precisa de silêncio para ser acolhida como Palavra que cura, reconcilia e restabelece a comunicação.

São também evidenciados dois gestos de Jesus. Ele toca os ouvidos e a língua do surdo-mudo. Para restabelecer a relação com aquele homem «bloqueado» na comunicação, procura primeiro restaurar o contacto. Mas o milagre é um dom do alto, que Jesus implora do Pai; por isso levanta os olhos ao céu e comanda: «abre-te!». E os ouvidos do surdo abrem-se, a língua desprende-se e começa a falar correctamente (cf. v. 35).

O ensinamento que nos advém deste episódio é que Deus não está fechado em si mesmo, mas abre-se e põe-se em comunicação com a humanidade. Na sua misericórdia imensa, supera o abismo da diferença infinita entre Ele e nós, vem ao nosso encontro. Para realizar esta comunicação com o homem, Deus faz-se homem: para Ele não é suficiente falar connosco mediante a lei e os profetas, mas torna-se presente na pessoa do seu Filho, a Palavra feita carne. Jesus é o grande «construtor de pontes», que constrói em si mesmo a grande ponte da comunhão plena com o Pai.

Mas este Evangelho fala-nos também de nós: muitas vezes estamos fechados em nós mesmos, e criamos muitas ilhas inacessíveis e inospitaleiras. Até as relações humanas mais elementares por vezes criam realidades incapazes de abertura recíproca: o casal fechado, a família fechada, o grupo fechado, a paróquia fechada, a pátria fechada... E isto não é de Deus! Isto é nosso, é o nosso pecado.

Contudo na origem da nossa vida cristã, no Baptismo, estão precisamente aquele gesto e aquela palavra de Jesus: «Effatá! — Abre-te!». E o milagre cumpriu-se: todos fomos curados da surdez do egoísmo e do mutismo do fechamento e do pecado, e fomos inseridos na grande família da Igreja; podemos ouvir Deus que nos fala e comunicar a sua Palavra a quantos nunca a ouviram, ou a quem a esqueceu e sepultou sob os espinhos das preocupações e dos enganos do mundo.

Peçamos à Virgem Santa, mulher da escuta e do testemunho jubiloso, que nos ampare no compromisso de professar a nossa fé e de comunicar as maravilhas do Senhor a quantos encontrarmos no nosso caminho.

APELO

Amados irmãos e irmãs!

A Misericórdia de Deus é reconhecida através das nossas obras, como nos testemunhou a vida da beata Madre Teresa de Calcutá, da qual ontem recordámos o aniversário da morte.

Face à tragédia de dezenas de milhares de refugiados que fogem da morte devido à guerra ou à fome, e estão a caminho rumo a uma esperança de vida, o Evangelho chama-nos, pede-nos que estejamos «próximos», dos mais pequeninos e abandonados. A dar-lhes uma esperança concreta. Não dizer apenas: «Coragem, paciência!...». A esperança cristã é combativa, com a tenacidade de quem caminha rumo a uma meta segura.

Portanto, ao aproximar-se o Jubileu da Misericórdia, dirijo um apelo às paróquias, às comunidades religiosas, aos mosteiros e aos santuários de toda a Europa a expressar o aspecto concreto do Evangelho e a acolher uma família de refugiados. Um gesto concreto em preparação para o Ano Santo da Misericórdia.

Cada paróquia, cada comunidade religiosa, cada mosteiro, cada santuário da Europa hospede uma família, começando pela minha diocese de Roma.

Dirijo-me aos meus irmãos Bispos da Europa, verdadeiros pastores, para que nas suas dioceses apoiem este meu apelo, recordando que Misericórdia é o segundo nome do Amor: «Tudo o que fizerdes a um só destes meus irmãos mais pequeninos, a Mim mesmo o fizestes» (Mt 25, 40).

Também as duas paróquias do Vaticano acolherão nestes dias duas famílias de refugiados.

Depois do Angelus:

Direi agora algumas palavras em espanhol sobre a situação entre Venezuela e Colômbia. Nestes dias, os Bispos da Venezuela e da Colômbia reuniram-se para examinar juntos a dolorosa situação que se veio a criar na fronteira entre ambos os países. Vejo neste encontro um sinal claro de esperança. Convido todos, em particular os amados povos venezuelano e colombiano, a rezar para que, com um espírito de solidariedade e fraternidade, se possam superar as actuais dificuldades.

Ontem, em Gerona na Espanha, foram proclamadas Beatas Fidelia Oller, Giuseppa Monrabal e Faconda Margenat, religiosas do Instituto das Irmãs de São José de Gerona, mortas pela fidelidade a Cristo e à Igreja. Apesar das ameaças e das intimidações, estas mulheres permaneceram corajosamente no seu lugar para assistir os doentes, confiando em Deus. O seu testemunho heróico, até à efusão do sangue, dê força e esperança a quantos hoje são perseguidos por causa da fé cristã. E nós sabemos que são tantos.

Há dois dias foram inaugurados em Brazzaville, capital da República do Congo, os décimos primeiros Jogos Africanos, nos quais participam milhares de atletas de todo o Continente. Faço votos de que esta grande festa do desporto contribua para a paz, a fraternidade e o desenvolvimento de todos os países africanos. Saudamos os africanos que estão a realizar estes décimos primeiros Jogos.

Saúdo cordialmente todos vós, queridos peregrinos vindos da Itália e de vários países: em particular, o coral «Harmonia Nova» de Molvena, as Irmãs Filhas da Cruz, os fiéis de S. Martino Buon Albergo e Caldogno, e os jovens da diocese de Ivrea, que vieram a Roma a pé percorrendo a via Francígena.

A todos desejo bom domingo. E, por favor, não vos esqueçais de rezar por mim. Bom almoço e até à vista!




Fonte: Vaticano




sábado, 5 de setembro de 2015

Evangelho do XXIII Domingo do Tempo Comum - Ano B


São Marcos 7, 31-37

Naquele tempo, Jesus deixou de novo a região de Tiro e, passando por Sidônia, veio para o mar da Galileia, atravessando o território da Decápole. Trouxeram-Lhe então um surdo que mal podia falar e suplicaram-Lhe que impusesse as mãos sobre ele. Jesus, afastando-Se com ele da multidão, meteu-lhe os dedos nos ouvidos e com saliva tocou-lhe a língua. Depois, erguendo os olhos ao Céu, suspirou e disse-lhe: "Effathá", que quer dizer "Abre-te". Imediatamente se abriram os ouvidos do homem, soltou-se-lhe a prisão da língua e começou a falar corretamente. Jesus recomendou que não contassem nada a ninguém. Mas, quanto mais lho recomendava, tanto mais intensamente eles o apregoavam. Cheios de assombro, diziam: "Tudo o que faz é admirável: faz que os surdos oiçam e que os mudos falem".






Catequese com o Papa Francisco - 02.09.2015


Praça São Pedro
Quarta-feira, 2 de Setembro de 2015









Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

Neste último trecho do nosso caminho de catequese sobre a família, abramos o olhar sobre o modo como ela vive a responsabilidade de comunicar a fé, de transmitir a fé, quer no seu seio quer fora.

Num primeiro momento, pode vir-nos à mente algumas expressões evangélicas que parecem contrapor os laços da família com o seguimento de Jesus. Por exemplo, aquelas palavras fortes que todos conhecemos e ouvimos: «Quem ama seu pai ou sua mãe mais que a mim, não é digno de mim. Quem ama seu filho mais que a mim, não é digno de mim; quem não toma a sua cruz e não me segue, não é digno de mim» (Mt 10, 37-38)

Naturalmente, com isso Jesus não quer cancelar o quarto mandamento, que é o primeiro grande mandamento para as pessoas. Os primeiros três estão em relação com Deus, este em relação com as pessoas. E nem podemos pensar que o Senhor, depois de ter realizado o seu milagre pelos esposos de Caná, depois de ter consagrado o vínculo conjugal entre o homem e a mulher, depois de ter restituído filhos e filhas à vida familiar, nos peça para ser insensíveis a estes vínculos! Esta não é a explicação. Ao contrário, quando Jesus afirma a primazia da fé em Deus, não encontra um termo de comparação mais significativo dos afectos familiares. E, aliás, estes mesmos laços familiares, dentro da experiência da fé e do amor de Deus, são transformados, são «repletos» de um sentido maior e tornam-se capazes de ir além de si mesmos, para criar uma paternidade e uma maternidade mais amplas, e para acolher como irmãos e irmãs também aqueles que estão nas margens de cada vínculo. Um dia, a quem lhe disse que fora a sua mãe e os seus irmãos andavam à sua procura, Jesus respondeu, indicando os seus discípulos: «Eis aqui minha mãe e meus irmãos! Aquele que faz a vontade de Deus, esse é meu irmão, minha irmã e minha mãe» (Mc 3, 34-35)

A sabedoria dos afectos que não se compram e não se vendem é o melhor talento do génio familiar. Precisamente em família aprendemos a crescer naquela atmosfera de sabedoria dos afectos. A sua «gramática» aprende-se ali, caso contrário é muito difícil aprendê-la. E é exactamente esta a linguagem através da qual Deus se faz compreender por todos.

O convite a pôr os vínculos familiares no âmbito da obediência da fé e da aliança com o Senhor não os mortifica; pelo contrário, protege-os, liberta-os do egoísmo, preserva-os da degradação, põe-nos em salvo para a vida que não morre. A circulação de um estilo familiar nas relações humanas é uma bênção para os povos: traz de novo a esperança sobre a terra. Quando os afectos familiares se deixam converter ao testemunho do Evangelho, tornam-se capazes de coisas impensáveis, que fazem tocar com mão as obras de Deus, aquelas obras que Deus realiza na história, como as que Jesus realizou em prol dos homens, das mulheres, das crianças que encontrou. Um só sorriso roubado milagrosamente ao desespero de uma criança abandonada, que recomeça a viver, explica-nos o agir de Deus no mundo mais de mil tratados de teologia. Um só homem e uma só mulher, capazes de arriscar e de se sacrificar por um filho de outros, e não só pelo próprio, explicam-nos coisas do amor que muitos cientistas já não compreendem. E onde há estes afectos familiares, nascem estes gestos do coração que são mais eloquentes do que as palavras. O gesto do amor... Isto faz-nos reflectir.

A família que responde à chamada de Jesus devolve a guia do mundo à aliança do homem e da mulher com Deus. Pensai no desenvolvimento deste testemunho, hoje. Imaginemos que o timão da história (da sociedade, da economia, da política) seja entregue — finalmente! — à aliança do homem e da mulher, para que o governe com o olhar dirigido para a geração vindoura. Os temas da terra e da casa, da economia e do trabalho, tocariam uma música muito diferente!

Se voltarmos a dar protagonismo — a partir da Igreja — à família que ouve a palavra de Deus e a põe em prática, tornar-nos-emos como o vinho bom das bodas de Caná, fermentar-nos-emos como a levedura de Deus!

Com efeito, a aliança da família com Deus está hoje chamada a contrastar a desertificação comunitária da cidade moderna. Mas as nossas cidades estão desertificadas por falta de amor, por falta de sorriso. Muitos divertimentos, numerosas coisas com as quais perder tempo, rir, mas falta o amor. O sorriso de uma família é capaz de vencer esta desertificação das nossas cidades. E esta é a vitória do amor da família. Nenhuma engenharia económica e política é capaz de substituir esta relação das famílias. O projecto de Babel edifica arranha-céus sem vida. O Espírito de Deus, ao contrário, faz florescer os desertos (cf. Is 32, 15). Devemos sair das torres e das câmaras blindadas das elites, para frequentar de novo as casas e os espaços abertos das multidões, abertos ao amor da família.

A comunhão dos carismas — os doados ao Sacramento do matrimónio e os concedidos à consagração pelo Reino de Deus — está destinada a transformar a Igreja num lugar totalmente familiar para o encontro com Deus. Vamos em frente por esta estrada, não percamos a esperança. Onde há uma família com amor, aquela família é capaz de aquecer o coração de toda uma cidade com o seu testemunho de amor.

Rezai por mim, rezemos uns pelos outros, para que nos tornemos capazes de reconhecer e de apoiar as visitas de Deus. O Espírito levará uma boa agitação nas família cristãs, e a cidade do homem sairá da depressão!

Saudação

Dirijo uma saudação cordial a todos os peregrinos de língua portuguesa, particularmente aos escuteiros e fiéis de Portugal e aos marinheiros brasileiros. Nunca esqueçais que tendes, junto com vossas famílias, um papel essencial na missão evangelizadora da Igreja: é preciso sair dos espaços de comodidade e dar ao mundo o testemunho do amor cristão que supera todas as barreiras e preconceitos. Que Deus vos abençoe.



Fonte: Vaticano




Angelus com o Papa Francisco - 30.08.2015


Praça São Pedro
Domingo, 30 de Agosto de 2015








Estimados irmãos e irmãs, bom dia!

O Evangelho deste domingo apresenta um debate entre Jesus e alguns fariseus e escribas. A discussão refere-se ao valor da «tradição dos antigos» (Mc 7, 3) que Jesus, inspirando-se no profeta Isaías, define como «preceitos humanos» (v. 7) e que nunca deve tomar o lugar do «mandamento de Deus» (v. 8). As antigas prescrições em questão abrangiam não apenas os preceitos de Deus revelados a Moisés, mas uma série de regras que especificavam as indicações da lei mosaica. Os interlocutores aplicavam tais normas de modo bastante escrupuloso, apresentando-as como expressão de religiosidade autêntica. Portanto, a Jesus e aos seus discípulos repreendem a transgressão daquelas normas, em particular no que se refere à purificação exterior do corpo (cf. v. 5). A resposta de Jesus tem a força de um pronunciamento profético: «Descuidando o mandamento de Deus — afirma — apegais-vos à tradição dos homens» (v. 8). São palavras que nos enchem de admiração pelo nosso Mestre: sentimos que nele há verdade e que a sua sabedoria nos liberta dos preconceitos.

Mas atenção! Com estas palavras Jesus quer alertar-nos também a nós, hoje, para não pensarmos que a observância exterior da lei é suficiente para sermos bons cristãos. Do mesmo modo como outrora para os fariseus, também para nós existe o perigo de nos considerarmos rectos ou, pior ainda, melhores do que os outros, só porque observamos certas regras e costumes, embora não amemos o nosso próximo, sejamos duros de coração, soberbos e orgulhosos. A observância literal dos preceitos é algo estéril, se não muda o coração nem se traduz em atitudes concretas: abrir-se ao encontro com Deus e à sua Palavra na oração, procurar a justiça e a paz, socorrer os pobres, os mais frágeis, os oprimidos. Nas nossas comunidades, nas nossas paróquias e nos nossos bairros todos nós sabemos quanto mal fazem à Igreja e quanto escândalo dão as pessoas que se dizem muito católicas e vão com frequência à igreja mas depois, na sua vida quotidiana, descuidam a família, falam mal dos outros e assim por diante. É isto que Jesus condena, porque este é um contratestemunho cristão.

Dando continuidade à sua exortação, Jesus concentra a atenção num aspecto mais profundo, afirmando: «Nada há fora do homem que, entrando nele, o possa manchar; mas é o que sai do homem que o torna impuro» (v. 15). Deste modo, Ele salienta o primado da interioridade, ou seja a supremacia do «coração»: não são as realidades externas que nos fazem santos ou não santos, mas é o coração que exprime as nossas intenções, as nossas opções e o desejo de fazer tudo por amor a Deus. As atitudes exteriores constituem a consequência daquilo que já decidimos no nosso coração, e não o contrário: com a atitude exterior, se o coração não muda, não somos cristãos autênticos. A fronteira entre o bem e o mal não passa fora de nós mas, ao contrário, dentro. Então podemos interrogar-nos: onde está o meu coração? Jesus dizia: «Onde está o teu tesouro, lá também está o teu coração». Qual é o meu tesouro? É Jesus, é a sua doutrina? Então, o coração é bom. Ou o tesouro é outra coisa? Portanto, é o coração que se deve purificar e converter. Sem um coração purificado, não podemos ter mãos verdadeiramente limpas, nem lábios que pronunciam palavras de amor sinceras — tudo é falso, uma vida ambígua — lábios que pronunciam palavras de misericórdia, de perdão. Isto só pode ser feito por um coração sincero e purificado.

Peçamos ao Senhor, por intercessão da Virgem Santa, que nos conceda um coração puro, livre de toda a hipocrisia. É com este adjectivo que Jesus se dirige aos fariseus: «hipócritas», porque eles dizem uma coisa e fazem outra. Um coração livre de qualquer hipocrisia, de modo a sermos capazes de viver segundo o espírito da lei e de alcançar a sua finalidade, que é o amor.

Depois do Angelus

Ontem em Harissa, no Líbano, foi proclamado Beato o Bispo sírio-católico Flavien Mikhaiel Melki, mártir. No contexto de uma tremenda perseguição contra os cristãos, ele foi defensor indefesso dos direitos do seu povo, exortando todos a permanecer firmes na fé. Amados irmãos e irmãs, no Médio Oriente e noutras regiões do mundo, ainda hoje os cristãos são perseguidos. Hoje há mais mártires do que nos primeiros séculos. A beatificação deste Bispo mártir infunda neles a consolação, a coragem e a esperança, mas sirva também de estímulo aos legisladores e governantes a fim de que, em toda a parte, seja corroborada a liberdade religiosa. E à comunidade internacional, peço que faça algo para pôr fim às violências e aos abusos.

Infelizmente, inclusive nos dias passados numerosos migrantes perderam a vida nas suas viagens terríveis. Por todos estes irmãos e irmãs, rezo e convido a rezar. De modo particular, uno-me ao Cardeal Schönborn — que hoje está aqui presente — e a toda a Igreja na Áustria, em oração pelas setenta e uma vítimas, entre as quais quatro crianças, que foram encontradas num camião na rodovia entre Budapeste e Viena. Confiemos cada uma delas à misericórdia de Deus; e peçamos-lhe que nos ajude a cooperar com eficácia para impedir estes crimes, que ofendem toda a família humana. Oremos em silêncio por todos os migrantes que sofrem e por quantos perderam a vida.

Saúdo os peregrinos provenientes da Itália e de muitas regiões do mundo, em especial os escoteiros de Lisboa e os fiéis de Zara, na Croácia. Saúdo os fiéis de Verona e Bagnolo di Nogarole; os jovens da diocese de Vicenza, de Rovato e da paróquia de San Galdino, de Milão; assim como as crianças de Salzano e de Arconate.

Desejo feliz domingo a todos. E, por favor, não vos esqueçais de rezar por mim. Bom almoço e até à próxima!




Fonte: Vaticano




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