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sábado, 31 de outubro de 2015

Evangelho da Solenidade de Todos os Santos


São Mateus 5, 1-12a

Naquele tempo, ao ver as multidões, Jesus subiu ao monte e sentou-Se. Rodearam-n’O os discípulos e Ele começou a ensiná-los, dizendo: "Bem-aventurados os pobres em espírito, porque deles é o reino dos Céus. Bem-aventurados os humildes, porque possuirão a terra. Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados. Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados. Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia. Bem-aventurados os puros de coração, porque verão a Deus. Bem-aventurados os que promovem a paz, porque serão chamados filhos de Deus. Bem-aventurados os que sofrem perseguição por amor da justiça, porque deles é o reino dos Céus. Bem-aventurados sereis, quando, por minha causa, vos insultarem, vos perseguirem e, mentindo, disserem todo o mal contra vós. Alegrai-vos e exultai, porque é grande nos Céus a vossa recompensa".





Catequese com o Papa Francisco - 28.10.2015


Praça São Pedro
Quarta-feira, 28 de Outubro de 2015








Estimados irmãos e irmãs, bom dia!

Nas Audiências Gerais participam com frequências pessoas ou grupos pertencentes a outras religiões; mas a audiência de hoje é totalmente especial, para recordarmos juntos o cinquentenário da Declaração do Concílio Vaticano II Nostra ætate, sobre as relações da Igreja católica com as religiões não cristãs. Este tema era muito importante para o beato Papa Paulo VI, que já na festa de Pentecostes do ano precedente ao fim do Concílio, tinha instituído o Secretariado para os não-cristãos, hoje Pontifício Conselho para o Diálogo Inter-Religioso. Por isso, manifesto a minha gratidão e dou as minhas calorosas boas-vindas a pessoas e grupos de várias religiões, que hoje quiseram estar presentes, especialmente a quantos vieram de longe.

O Concílio Vaticano II foi um tempo extraordinário de reflexão, diálogo e oração para renovar o olhar da Igreja católica sobre si mesma e sobre o mundo. Uma leitura dos sinais dos tempos em vista de uma actualização orientada por uma fidelidade dupla: fidelidade à tradição eclesial e fidelidade à história dos homens e das mulheres do nosso tempo. Com efeito Deus, que se revelou na criação e na história, que falou por meio dos profetas e ultimamente no seu Filho que se fez homem (cf. Hb 1, 1), dirige-se ao coração e ao espírito de cada ser humano que procura a verdade e os modos para a pôr em prática.

A mensagem da Declaração Nostra ætate é sempre actual. Evoquemos brevemente alguns dos seus pontos:

— a crescente interdependência dos povos (cf. n. 1);

— a busca humana de um sentido da vida, do sofrimento, da morte, interrogações que sempre acompanham o nosso caminho (cf. n. 1);

— a origem e o destino comuns da humanidade (cf. n. 1);

— a unicidade da família humana (cf. n. 1);

— as religiões como busca de Deus ou do Absoluto, no contexto das várias etnias e culturas (cf. n. 1);

— o olhar benévolo e atento da Igreja sobre as religiões: sem nada rejeitar daquilo que nelas existe de belo e de verdadeiro (cf. n. 2);

— a Igreja considera com estima os crentes de todas as religiões, apreciando o seu compromisso espiritual e moral (cf. n. 3);

— aberta ao diálogo com todos, a Igreja é ao mesmo tempo fiel às verdades em que crê, a começar por aquela segundo a qual a salvação oferecida a todos tem a sua origem em Jesus, único Salvador, e que o Espírito Santo está em acção, como fonte de paz e amor.

Houve numerosos eventos, iniciativas e relações institucionais ou pessoais com as religiões não cristãs ao longo destes últimos cinquenta anos, e é difícil recordá-los todos. Um acontecimento particularmente significativo é o Encontro de Assis, de 27 de Outubro de 1986. Ele foi desejado e promovido por são João Paulo II, que um ano antes, portanto há trinta anos, dirigindo-se aos jovens muçulmanos em Casablanca desejava que todos os crentes em Deus favorecessem a amizade e a união entre os homens e os povos (19 de Agosto de 1985). A chama acesa em Assis propagou-se no mundo inteiro e constitui um sinal de esperança permanente.

Merece uma especial acção de graças a Deus a verdadeira mudança que nestes cinquenta anos se verificou nas relações entre cristãos e judeus. Indiferença e oposição transformaram-se em colaboração e benevolência. De inimigos e estranhos, passamos a ser amigos e irmãos. Com a Declaração Nostra ætate o Concílio traçou o caminho: «sim» à redescoberta das raízes judaicas do cristianismo; «não» a todas as formas de anti-semitismo e condenação de qualquer injúria, discriminação e perseguição que delas derivam. O conhecimento, o respeito e a estima recíprocos constituem a senda que, se é válida de modo peculiar para a relação com os judeus, vale analogamente também para as relações com as demais religiões. Penso de maneira especial nos muçulmanos que — como recorda o Concílio — «adoram o Deus único, vivo e subsistente, misericordioso e todo-poderoso, criador do céu e da terra, que falou aos homens» (Nostra ætate, 3). Eles referem-se à paternidade de Abraão, veneram Jesus como profeta, honram a sua Virgem Mãe Maria, esperam o dia do juízo e praticam a oração, as esmolas e o jejum (cf. ibid.).

O diálogo de que temos necessidade não pode deixar de ser aberto e respeitoso, pois só assim se revela fecundo. O respeito recíproco é condição e, ao mesmo tempo, finalidade do diálogo inter-religioso: respeitar o direito dos outros à vida, à integridade física, às liberdades fundamentais, ou seja, de consciência, de pensamento, de expressão e de religião.

O mundo olha para nós, crentes, exorta-nos a colaborar entre nós e com os homens e as mulheres de boa vontade que não professam religião alguma, pede-nos respostas eficazes sobre numerosos temas: a paz, a fome e a miséria que afligem milhões de pessoas, a crise ambiental, a violência, em particular a cometida em nome da religião, a corrupção, a degradação moral, as crises da família, da economia, das finanças e sobretudo da esperança. Nós, crentes, não temos receitas para estes problemas, mas dispomos de um recurso enorme: a oração. E nós crentes, oramos. Devemos rezar. A oração é o nosso tesouro, no qual nos inspiramos segundo as respectivas tradições, para pedir os dons pelos quais a humanidade anseia.

Por causa da violência e do terrorismo difundiu-se uma atitude de suspeita ou até de condenação das religiões. Na realidade, não obstante religião alguma esteja imune do risco de desvios fundamentalistas ou extremistas em indivíduos ou grupos (cf. Discurso ao Congresso dos EUA, 24 de Setembro de 2015), é preciso considerar os valores positivos que elas vivem e propõem, e que constituem nascentes de esperança. Trata-se de elevar o olhar para ir mais além. O diálogo assente no respeito confiante pode produzir sementes de bem que, por sua vez, se tornam rebentos de amizade e de colaboração em muitos campos, e sobretudo no serviço aos pobres, aos mais pequeninos e aos idosos, na hospitalidade aos migrantes, na atenção a quantos vivem excluídos. Podemos caminhar juntos, cuidando uns dos outros e da criação. Todos os crentes de todas as religiões. Juntos, podemos louvar o Criador por nos ter oferecido o jardim do mundo, para o cultivar e preservar como um bem comum, e podemos realizar programas compartilhados para debelar a pobreza e garantir condições de vida digna a cada homem e mulher.

O Jubileu Extraordinário da Misericórdia, que está à nossa frente, é uma ocasião propícia para trabalharmos juntos no campo das obras de caridade. E neste sector, onde conta sobretudo a compaixão, podem unir-se a nós muitas pessoas que não se sentem crentes ou que vivem à procura de Deus e da verdade, pessoas que põem no centro o rosto do próximo, em particular o semblante do irmão ou da irmã em necessidade. Mas a misericórdia à qual somos chamados abrange toda a criação, que Deus nos confiou para sermos os seus administradores e não exploradores ou, pior ainda, destruidores. Deveríamos ter sempre o propósito de deixar o mundo melhor do que o encontramos (cf. Enc. Laudato si’, 194), a partir do ambiente em que vivemos, dos pequenos gestos da nossa vida quotidiana.

Caros irmãos e irmãs, quanto ao futuro do diálogo inter-religioso, a primeira coisa que devemos fazer é rezar. E rezar uns pelos outros: somos irmãos! Sem o Senhor, nada é possível; com Ele, tudo se torna possível! Possa a nossa oração — cada qual segundo a sua tradição — aderir plenamente à vontade de Deus, o qual deseja que todos os homens se reconheçam irmãos e vivam como tais, formando a grande família humana na harmonia das diversidades.

Saudação

Dirijo uma saudação cordial aos peregrinos de língua portuguesa, em particular aos fiéis de Cacém e Lisboa, e aos peregrinos brasileiros do Rio de Janeiro, São Paulo, Alto Rodrigues e Catanduva. Queridos amigos, sois chamados a ser fermento também na promoção do diálogo com as outras religiões e pessoas de boa vontade, procurando construir juntos um mundo mais fraterno e justo. Deus vos abençoe.



APELO

Estamos próximos das populações do Paquistão e do Afeganistão, atingidas por um forte tremor de terra, que causou numerosas vítimas e prejuízos enormes. Oremos pelos defuntos e pelos seus familiares, por todos os feridos e desabrigados, implorando de Deus alívio no sofrimento e coragem na adversidade. Não falte a estes irmãos a nossa solidariedade concreta.

Agora, para terminar esta audiência convido todos, cada qual separadamente, a rezar em silêncio. Cada um o faça segundo a sua tradição religiosa. Peçamos ao Senhor que nos torne mais irmãos entre nós e mais servidores dos nossos irmãos mais necessitados. Rezemos em silêncio!

Que Deus nos abençoe a todos!




Fonte: Vaticano




Angelus com o Papa Francisco - 25.10.2015


Praça São Pedro
Domingo, 25 de Outubro de 2015







Amados irmãos e irmãs, bom dia!

Esta manhã, com a Santa Missa celebrada na Basílica de São Pedro, concluiu-se a Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos sobre a família. Convido todos a dar graças a Deus por estas três semanas de trabalho intenso, animado pela oração e por um espírito de comunhão verdadeira. Foi cansativo, mas tratou-se de um verdadeiro dom de Deus, que certamente dará muito fruto.

A palavra «sínodo» significa «caminhar juntos». E a que vivemos foi a experiência da Igreja a caminho, a caminho sobretudo com as famílias do Povo santo de Deus espalhado por todo o mundo. Por isso me surpreendeu a Palavra de Deus que hoje vem ao nosso encontro na profecia de Jeremias. Diz assim: «Eis que os trarei da terra do norte, e os congregarei das extremidades da terra; entre os quais haverá cegos e aleijados, mulheres grávidas e as de parto; em grande congregação voltarão para aqui». E o profeta acrescenta: «Virão com choro, e com súplicas os levarei; guiá-los-ei aos ribeiros de águas, por caminho direito, no qual não tropeçarão, porque sou um pai para Israel» (31, 8-9).

Esta Palavra de Deus diz-nos que o primeiro que quis caminhar juntamente connosco, que quis fazer «sínodo» connosco, foi precisamente Ele, o nosso Pai. O seu «sonho», desde sempre e para sempre, é o de formar um povo, reuni-lo, guiá-lo rumo à terra da liberdade e da paz. E este povo é feito de famílias: nele haverá «mulheres grávidas e as de parto»; é um povo que enquanto caminha leva por diante a vida, com a bênção de Deus.

É um povo que não exclui os pobres e os desfavorecidos, aliás, inclui-os. Diz o profeta: entre eles «haverá cegos e aleijados». É uma família de famílias, na qual quem tem dificuldades não se encontra marginalizado, deixado para trás, mas consegue estar ao passo com os outros, porque este povo caminha ao ritmo dos últimos; como se faz nas famílias, e como nos ensina o Senhor, que se fez pobre com os pobres, pequeno com os pequeninos, último com os últimos. Não o fez para excluir os ricos, os grandes e os primeiros, mas porque esta é a única maneira de salvar também a eles, de salvar todos: andar com os pequeninos, com os excluídos, com os últimos.

Confesso-vos que confrontei esta profecia do povo a caminho também com as imagens dos refugiados em marcha pelas estradas da Europa, uma realidade dramática dos nossos dias. Também a eles Deus diz: «Virão com choro, e com súplicas os levarei». Também estas famílias mais sofredoras, desenraizadas das suas terras, estiveram presentes connosco no Sínodo, na nossa oração e nos nossos trabalhos, através da voz de alguns dos seus Pastores presentes na Assembleia. Estas pessoas em busca de dignidade, estas famílias à procura de paz permanecem ainda connosco, a Igreja não as abandona, porque pertencem ao povo que Deus quer libertar da escravidão e guiar à liberdade.

Por conseguinte, nesta Palavra de Deus, reflete-se quer a experiência sinodal que vivemos, quer o drama dos refugiados a caminho pelas estradas da Europa. O Senhor, por intercessão da Virgem Maria, nos ajude também a concretizá-la no estilo da comunhão fraterna. Desejo a todos bom domingo. E, recomendo, não vos esqueçais de rezar por mim. Bom almoço e até à próxima.




Fonte: Vaticano



segunda-feira, 26 de outubro de 2015

Evangelho do XXX Domingo do Tempo Comum - Ano B


São Marcos 10, 46-52

Naquele tempo, quando Jesus ia a sair de Jericó com os discípulos e uma grande multidão, estava um cego, chamado Bartimeu, filho de Timeu, a pedir esmola à beira do caminho. Ao ouvir dizer que era Jesus de Nazaré que passava, começou a gritar: "Jesus, Filho de David, tem piedade de mim". Muitos repreendiam-no para que se calasse. Mas ele gritava cada vez mais: "Filho de David, tem piedade de mim". Jesus parou e disse: "Chamai-o". Chamaram então o cego e disseram-lhe: "Coragem! Levanta-te, que Ele está a chamar-te". O cego atirou fora a capa, deu um salto e foi ter com Jesus. Jesus perguntou-lhe: "Que queres que Eu te faça?" O cego respondeu-Lhe: "Mestre, que eu veja". Jesus disse-lhe: "Vai: a tua fé te salvou". Logo ele recuperou a vista e seguiu Jesus pelo caminho.










Catequese com o Papa Francisco - 21.10.2015


Quarta-feira, 21 de Outubro de 2015









Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

Na última meditação refletimos sobre as importantes promessas que os pais fazem às crianças, desde quando eles são pensados no amor e concebidos no ventre.

Podemos acrescentar que, observando bem, a inteira realidade familiar está fundada na promessa — pensai nisto: a identidade familiar está fundada na promessa — podemos dizer que a família vive da promessa de amor e de fidelidade que o homem e a mulher trocam reciprocamente. Ela inclui o compromisso de receber e educar os filhos; mas realiza-se também no cuidado dos pais idosos, na proteção e cura dos membros mais frágeis da família, na ajuda recíproca para realizar as próprias qualidades e na aceitação dos próprios limites. E a promessa conjugal alarga-se na partilha das alegrias e dos sofrimentos de todos os pais, mães, crianças, com abertura generosa em relação à convivência humana e ao bem comum. Uma família que se fecha em si mesma é uma contradição, uma mortificação da promessa que a fez nascer e a faz viver. Nunca esqueçais: a identidade da família é sempre uma promessa que se alarga, e estende-se a toda a família e também a toda a humanidade.

Nos nossos dias, a honra da fidelidade à promessa da vida familiar parece muito enfraquecida. Por um lado, porque um direito mal compreendido de procurar a própria satisfação, a qualquer preço e em qualquer relação, é exaltado como um princípio inegociável de liberdade. Por outro, porque os vínculos da vida de relação e do compromisso pelo bem comum se confiam exclusivamente à constrição da lei. Mas, na realidade, ninguém quer ser amado só pelos próprios bens nem por obrigação. O amor, assim como a amizade, devem a sua força e beleza precisamente a este facto: que geram um vínculo sem privar da liberdade. O amor é livre, a promessa da família é livre e esta é a beleza. Sem liberdade não há amizade, sem liberdade não há amor, sem liberdade não há matrimónio.

Portanto, liberdade e fidelidade não se opõem uma à outra, aliás, apoiam-se reciprocamente, nas relações quer interpessoais quer sociais. De facto, pensemos nos danos que produzem, na civilização da comunicação global, o aumento de promessas não mantidas, em vários campos, a indulgência à infidelidade à palavra dada e aos compromissos assumidos!

Sim, queridos irmãos e irmãs, a fidelidade é uma promessa de compromisso que se auto-realiza, crescendo na obediência livre à palavra dada. A fidelidade é uma confiança que «quer» ser realmente partilhada, e uma esperança que «quer» ser cultivada em conjunto. E falando de fidelidade vem-me à mente o que os nossos idosos e avós narravam: «Naquele tempo, quando se estabelecia um acordo, um aperto de mão era suficiente, porque havia a fidelidade às promessas. E também isto, que é um facto social, tem origem na família, no dar-se a mão do homem e da mulher para ir em frente juntos, por toda a vida.

A fidelidade às promessas é uma verdadeira obra-prima de humanidade! Se olharmos para a sua beleza audaz, sentimos temor, mas se desprezarmos a sua tenacidade corajosa, estaremos perdidos. Relação de amor alguma — amizade alguma, forma alguma de querer bem, felicidade alguma do bem comum — chega à altura do nosso desejo e da nossa esperança, se não conseguir habitar este milagre da alma. E digo «milagre», porque a força e a persuasão da fidelidade, em detrimento de tudo, não acabam por nos encantar e admirar. A honra à palavra dada, à promessa, não se podem comprar nem vender. Não podem ser obrigadas com a força nem guardadas sem sacrifício.

Nenhuma escola pode ensinar a verdade do amor, se a família não o fizer. Nenhuma lei pode impor a beleza e a herança deste tesouro da dignidade humana, se o vínculo pessoal entre amor e geração não for escrito na nossa carne.

Irmãos e irmãs, é necessário restituir honra social à fidelidade do amor: restituir honra social à fidelidade do amor! É necessário tirar da clandestinidade o milagre diário de milhões de homens e mulheres que regeneram o seu fundamento familiar, do qual hoje a sociedade vive, sem ser capaz de o garantir de modo algum. Não por acaso, este princípio da fidelidade à promessa do amor e da geração está inscrito na criação de Deus como uma bênção perene, à qual o mundo está confiado.

Se são Paulo pôde afirmar que no vínculo familiar se revela misteriosamente uma verdade decisiva também para o vínculo do Senhor e da Igreja, significa que a própria Igreja encontra nela uma bênção a ser conservada e da qual aprender sempre, antes ainda de a ensinar e disciplinar. A nossa fidelidade à promessa está sempre confiada à graça e à misericórdia de Deus. O amor pela família humana, na boa e má sorte, é um ponto de honra para a Igreja! Deus nos conceda que estejamos à altura desta promessa. E rezemos também pelos Padres do Sínodo: o Senhor abençoe o seu trabalho, desempenhado com fidelidade criativa, na confiança de que Ele em primeiro lugar, o Senhor — Ele em primeiro lugar! — é fiel às suas promessas. Obrigado.


Saudação

Queridos peregrinos de Portugal, Brasil e outros países de língua portuguesa, bem-vindos! Saúdo-vos cordialmente a todos, confiando ao bom Deus a vossa vida e a dos vossos familiares. Com alegria, acolho a delegação da Comunidade Hebraica de São Paulo, acompanhada pelo Cardeal Odilo Scherer. Esta visita a Roma vos ajude a estar prontos, como Abraão, a sair cada dia para a terra de Deus e do homem, revelando-vos um sinal do amor de Deus por todos os seus filhos. Obrigado!




Fonte: Vaticano




Angelus com o Papa Francisco - 18.10.2015


Praça São Pedro
Domingo, 18 de Outubro de 2015







Amados irmãos e irmãs!

Sigo com grande preocupação a situação de forte tensão e de violência que aflige a Terra Santa. Neste momento há necessidade de muita coragem e de grande força de vontade para dizer não ao ódio e à vingança e realizar gestos de paz. Por isto rezemos, a fim de que Deus fortaleça em todos, governantes e cidadãos, a coragem para se opor à violência e dar passos concretos de distensão: no actual contexto do Médio Oriente é decisivo como nunca que se faça a paz na Terra Santa: é isto que nos pedem Deus e o bem da humanidade.

No final desta celebração desejo saudar todos vós que viestes prestar homenagem aos novos Santos, de modo particular as Delegações oficiais da Itália, Espanha e França.

Saúdo os fiéis das dioceses de Lodi e de Cremona, assim como as Filhas do Oratório. O exemplo de são Vicente Grossi ampare o compromisso da educação cristã das novas gerações.

Saúdo os peregrinos que vieram da Espanha, em particular de Sevilha, e as Irmãs da Companhia da Cruz. O testemunho de santa Maria da Imaculada Conceição nos ajude a viver a solidariedade e a proximidade aos mais necessitados.

Saúdo os fiéis provenientes da França, sobretudo de Bayeux, Lisieux e Sées: confiemos à intercessão dos santos cônjuges Luís Martin e Maria Zélia Guérin as alegrias, as expectativas e as dificuldades das famílias francesas e de todo o mundo.

Agradeço aos Cardeais, aos Bispos, aos sacerdotes, às pessoas consagradas, assim como às famílias, aos grupos paroquiais e às associações.

Dirijamo-nos agora com amor filial à Virgem Maria.



Fonte: Vaticano




sábado, 17 de outubro de 2015

Evangelho do XXIX Domingo do Tempo Comum - Ano B


São Marcos 10, 35-45
 

Naquele tempo, Tiago e João, filhos de Zebedeu, aproximaram-se de Jesus e disseram-Lhe: "Mestre, nós queremos que nos faças o que Te vamos pedir". Jesus respondeu-lhes: "Que quereis que vos faça?" Eles responderam: "Concede-nos que, na tua glória, nos sentemos um à tua direita e outro à tua esquerda". Disse-lhes Jesus: "Não sabeis o que pedis. Podeis beber o cálice que Eu vou beber e receber o batismo com que Eu vou ser baptizado?" Eles responderam-Lhe: "Podemos". Então Jesus disse-lhes: "Bebereis o cálice que Eu vou beber e sereis baptizados com o batismo com que Eu vou ser baptizado. Mas sentar-se à minha direita ou à minha esquerda não Me pertence a Mim concedê-lo; é para aqueles a quem está reservado". Os outros dez, ouvindo isto, começaram a indignar-se contra Tiago e João. Jesus chamou-os e disse-lhes: "Sabeis que os que são considerados como chefes das nações exercem domínio sobre elas e os grandes fazem sentir sobre elas o seu poder. Não deve ser assim entre vós: quem entre vós quiser tornar-se grande, será vosso servo, e quem quiser entre vós ser o primeiro, será escravo de todos; porque o Filho do homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a vida pela redenção de todos".





Catequese com o Papa Francisco - 14.10.2015


Praça São Pedro
Quarta-feira, 14 de Outubro de 2015








Estimados irmãos e irmãs, bom dia!

Dado que hoje as previsões do tempo eram um pouco incertas, previa-se a chuva, esta audiência realiza-se contemporaneamente em dois lugares: nós aqui na praça e, na sala Paulo VI, setecentos enfermos que seguem a audiência através de um grande ecrã. Todos nós estamos unidos; saudemo-los com um aplauso!

Hoje a palavra de Jesus é forte: «Ai do mundo por causa dos escândalos!». Jesus é realista e diz: «É inevitável que haja escândalos, mas ai do homem por causa do qual se verifica o escândalo». Antes de dar início à catequese, em nome da Igreja, gostaria de vos pedir perdão pelos escândalos que nestes últimos tempos ocorreram tanto em Roma como no Vaticano; eu peço-vos perdão!

Hoje meditaremos sobre um tema muito importante: as promessas que fazemos às crianças. Não me refiro tanto às promessas que fazemos aqui e ali, durante o dia, para os contentar ou para que se comportem bem (talvez com algum pequeno truque inocente: dou-te um doce, e promessas semelhantes...), para os encorajar a aplicar-se na escola ou para os dissuadir de algum capricho. Refiro-me a outras promessas, às promessas mais importantes e decisivas para as suas expectativas em relação à vida, para a sua confiança nos seres humanos, para a sua capacidade de conceber o nome de Deus como uma bênção. São promessas que nós lhes fazemos.

Nós adultos estamos prontos para falar das crianças como de uma promessa de vida. Todos nós dizemos: as crianças são uma promessa de vida. E também nos comovemos facilmente, dizendo que os jovens são o nosso porvir; é verdade! Mas às vezes pergunto-me se somos igualmente sérios em relação ao seu futuro, ao porvir das crianças, ao futuro dos jovens! Eis uma pergunta que deveríamos fazer com frequência: quão leais somos às promessas que fazemos às crianças, permitindo-lhes que venham ao nosso mundo? Nós fazemo-las vir ao mundo, e esta é uma promessa; mas o que lhes prometemos?

Acolhimento e cuidado, proximidade e atenção, confiança e esperança são outras promessas básicas, que se podem resumir numa só: amor. Nós prometemos amor, ou seja, amor que se expressa no acolhimento, no cuidado, na proximidade, na atenção, na confiança e na esperança, mas a grande promessa é o amor. Este é o modo mais recto de receber um ser humano que vem ao mundo, e todos nós o aprendemos ainda antes de adquirirmos consciência acerca disto. Quando passo entre vós, gosto muito de ver os pais e as mães que me trazem um menino, uma menina pequeninos e pergunto: «Qual é a sua idade?» — «Três, quatro semanas... peço a bênção do Senhor!». Também isto se chama amor. O amor é a promessa que o homem e a mulher fazem a cada filho: desde que o concebem no pensamento. As crianças vêm ao mundo e esperam o cumprimento desta promessa: esperam-no de modo total, confiante, indefeso. É suficiente observá-las: em todas as etnias, em todas as culturas, em todas as condições de vida! Quando acontece o contrário, as crianças são feridas por um «escândalo», por um escândalo insuportável, ainda mais grave porque não dispõem dos meios para o decifrar. Não conseguem entender o que acontece. Deus vela sobre esta promessa, desde o primeiro instante. Recordais o que diz Jesus? Os Anjos das crianças reflectem o olhar de Deus, e Deus nunca perde de vista as crianças (cf. Mt 18, 10). Ai daqueles que traem a sua confiança, ai deles! O seu abandono confiante à nossa promessa, que nos compromete desde o primeiro instante, julga-nos.

E gostaria de acrescentar mais um aspecto, com muito respeito por todos, mas também com muita franqueza. A sua confiança espontânea em Deus nunca deveria ser ferida, sobretudo quando isto acontece por causa de uma certa presunção (mais ou menos inconsciente) de se substituir a Ele. A relação terna e misteriosa de Deus com a alma das crianças nunca deveria ser violada. Trata-se de uma relação real, que Deus deseja e preserva. A criança está pronta desde o seu nascimento para se sentir amada por Deus; está pronta para isto. Assim que se torna capaz de sentir que é amado por si mesmo, o filho sente também que existe um Deus que ama as crianças.

Recém-nascidas, as crianças começam a receber em dom, juntamente com o alimento e os cuidados, a confirmação das qualidades espirituais do amor. Os gestos de amor passam através do dom do seu nome pessoal, da partilha da linguagem, das intenções dos olhares, das iluminações dos sorrisos. Assim, aprendem que a beleza do vínculo entre os seres humanos aposta na nossa alma, procura a nossa liberdade, aceita a diversidade do outro, reconhece-o e respeita-o como interlocutor. Um segundo milagre, uma segunda promessa: nós — pai e mãe — entregamo-nos a ti, para te doar a ti mesmo! E isto é amor, que contém uma centelha do amor de Deus! Mas vós, pais e mães, tendes em vós esta centelha de Deus, que transmitis aos vossos filhos; vós sois instrumento do amor Deus, e isto é deveras bonito!

Somente se fitarmos as crianças com o olhar de Jesus conseguiremos compreender deveras em que sentido, defendendo a família, salvaguardamos a humanidade! O ponto de vista das crianças é o ponto de vista do Filho de Deus. No Baptismo, a própria Igreja faz grandes promessas às crianças, comprometendo assim os pais e a comunidade cristã. A santa Mãe de Jesus — por meio da qual o Filho de Deus veio até nós, amado e gerado como um Menino — torne a Igreja capaz de seguir o caminho da sua maternidade e da sua fé. E são José — homem justo, que o acolheu e protegeu, honrando intrepidamente a bênção e a promessa de Deus — nos torne todos capazes e dignos de hospedar Jesus em cada criança que Deus envia à terra.

Saudação

Amados peregrinos de língua portuguesa, saúdo-vos cordialmente a todos, em particular aos fiéis brasileiros de Bom Despacho, Mogi das Cruzes, Montenegro e Santo Amaro, e peço-vos que acompanheis com a oração o Sínodo em curso. A Virgem Mãe nos ajude a seguir a vontade de Deus, tomando as decisões que melhor convenham à família. Rezai também por mim! Deus vos abençoe!

Quero saudar de modo especial os 33 mineiros chilenos que ficaram presos nas vísceras da terra durante 70 dias; acho que qualquer um de vós seria capaz de vir aqui e dizer-nos o que significa a esperança. Obrigado por terdes esperança em Deus! A Virgem Maria e são José, que tiveram sob a sua guarda o Filho de Deus, nos ensinem a receber Jesus em cada criança. Muito obrigado!

APELO

No próximo sábado, 17 de Outubro, será celebrado o Dia Mundial de Rejeição da Miséria. Este Dia propõe-se aumentar os esforços para eliminar a pobreza extrema e a discriminação, e para assegurar que cada um possa exercer plenamente os seus direitos fundamentais. Todos estamos convidados a fazer nossa esta intenção, a fim de que a caridade de Cristo alcance e dê alívio aos irmãos e às irmãs mais pobres e abandonados.

* * *

Penso de forma especial nos jovens, nos doentes e nos recém-casados. Neste mês de Outubro, todos nós somos chamados a contribuir para as missões com a oração e a solidariedade. Prezados jovens, respondei com alegria ao convite do Senhor a empregar as melhores energias no anúncio do Evangelho; queridos enfermos, agradeço-vos porque a oferta do vosso sacrifício é deveras preciosa para quantos ainda não conhecem o amor de Deus; prezados esposos, continuai a proclamar com a vida o afeto fiel do Senhor!




Fonte: Vaticano 




Angelus com o Papa Francisco - 11.10.2015


Praça São Pedro
Domingo, 11 de Outubro de 2015









Estimados irmãos e irmãs, bom dia!

O Evangelho de hoje, tirado do capítulo 10 de Marcos, subdivide-se em três cenas, cadenciadas por três olhares de Jesus.

A primeira cena apresenta o encontro entre o Mestre e uma pessoa que — segundo o trecho paralelo de Mateus — é identificado como «jovem». O encontro de Jesus com um jovem. Ele corre ao encontro de Jesus, ajoelha-se e chama-lhe: «Bom Mestre». E depois, pergunta-lhe: «Que devo fazer para alcançar a vida eterna?», ou seja, a felicidade (v. 17). «Vida eterna» não é somente a vida do além, mas é a vida plena, completa, sem limites. Que devemos fazer para a alcançar? A resposta de Jesus resume os mandamentos que se referem ao amor pelo próximo. A este respeito, nada se pode repreender àquele jovem; mas evidentemente a observância dos preceitos não lhe é suficiente, não satisfaz o seu desejo de plenitude. E Jesus intui este desejo que o jovem traz no coração; por isso, a sua resposta traduz-se num olhar intenso, repleto de ternura e carinho. Assim diz o Evangelho: «Fixou nele o olhar, amou-o» (v. 21). Compreendeu que era um jovem bom... Mas Jesus entende também qual é o ponto fraco do seu interlocutor, e apresenta-lhe uma proposta concreta: distribuir todos os seus bens aos pobres e segui-lo. No entanto, aquele jovem tem um coração dividido entre dois senhores: Deus e o dinheiro, e por isso vai embora entristecido. Isto demonstra que fé e apego às riquezas não podem conviver. Assim, no fim, o impulso inicial do jovem dilui-se na infelicidade de um seguimento malogrado.

Na segunda cena, o evangelista enquadra o olhar de Jesus, e desta vez trata-se de um olhar pensativo, de admoestação: «Olhando ao seu redor, disse aos discípulos: “Como é difícil para os ricos entrarem no Reino de Deus!”» (v. 23). Diante da admiração dos seus discípulos, que se interrogavam: «Então, quem pode salvar-se?» (v. 26), Jesus responde com um olhar de encorajamento — é o terceiro olhar — e diz: sim, a salvação é «impossível para os homens, mas não para Deus!» (v. 27). Se confiarmos no Senhor, poderemos superar todos os obstáculos que nos impedem de o seguir pelo caminho da fé. Confiar no Senhor! Ele infunde-nos a força, dá-nos a salvação, acompanha-nos ao longo do caminho!

E assim chegamos à terceira cena, aquela da solene declaração de Jesus: Em verdade vos digo: quem deixa tudo para me seguir, terá a vida eterna no futuro e o cêntuplo já no presente (cf. vv. 29-30). Este «cêntuplo» é composto pelos bens antes possuídos e depois deixados, mas que se encontram multiplicados ao infinito. Privando-nos dos bens, recebemos o benefício do verdadeiro bem; libertamo-nos da escravidão dos bens e adquirimos a liberdade do serviço por amor; renunciamos à posse e alcançamos a alegria do dom. Aquilo que Jesus dizia: «Há maior felicidade em dar do que em receber» (cf. At 20, 35).

O jovem não se deixou conquistar pelo olhar de amor de Jesus, e deste modo não conseguiu mudar. Somente acolhendo o amor do Senhor com gratidão humilde poderemos libertar-nos da sedução dos ídolos e da cegueira das nossas ilusões. O dinheiro, o prazer e o sucesso deslumbram, mas depois decepcionam: prometem a vida mas causam a morte. O Senhor pede-nos que nos desapeguemos destas falsas riquezas para entrar na vida verdadeira, na vida plena, autêntica, luminosa. E eu pergunto-vos, a vós jovens, rapazes e moças, que agora vos encontrais na praça: «Sentistes o olhar de Jesus em vós? O que desejais responder-lhe? Preferis deixar esta praça com a alegria que nos dá Jesus, ou com a tristeza no coração que a mundanidade nos oferece?»...

A Virgem Maria nos ajude a abrir o coração ao amor de Jesus, ao olhar de Jesus, o Único que pode saciar a nossa sede de felicidade.

Feliz domingo a todos! E, por favor, não vos esqueçais de rezar por mim. Bom almoço e até à próxima!




Fonte: Vaticano




domingo, 11 de outubro de 2015

Evangelho do XXVIII Domingo do Tempo Comum - Ano B


São Marcos 10, 17-30

Naquele tempo, ia Jesus pôr-Se a caminho, quando um homem se aproximou correndo, ajoelhou diante d’Ele e Lhe perguntou: "Bom Mestre, que hei-de fazer para alcançar a vida eterna?" Jesus respondeu: "Porque Me chamas bom? Ninguém é bom senão Deus. Tu sabes os mandamentos: ‘Não mates; não cometas adultério; não roubes; não levantes falso testemunho; não cometas fraudes; honra pai e mãe’". O homem disse a Jesus: "Mestre, tudo isso tenho eu cumprido desde a juventude". Jesus olhou para ele com simpatia e respondeu: "Falta-te uma coisa: vai vender o que tens, dá o dinheiro aos pobres, e terás um tesouro no Céu. Depois, vem e segue-Me". Ouvindo estas palavras, anuviou-se-lhe o semblante e retirou-se pesaroso, porque era muito rico. Então Jesus, olhando à volta, disse aos discípulos: "Como será difícil para os que têm riquezas entrar no reino de Deus!" Os discípulos ficaram admirados com estas palavras. Mas Jesus afirmou-lhes de novo: "Meus filhos, como é difícil entrar no reino de Deus! É mais fácil passar um camelo pelo fundo de uma agulha do que um rico entrar no reino de Deus". Eles admiraram-se ainda mais e diziam uns aos outros: "Quem pode então salvar-se?" Fitando neles os olhos, Jesus respondeu: "Aos homens é impossível, mas não a Deus, porque a Deus tudo é possível". Pedro começou a dizer-Lhe: "Vê como nós deixamos tudo para Te seguir". Jesus respondeu: "Em verdade vos digo: Todo aquele que tenha deixado casa, irmãos, irmãs, mãe, pai, filhos ou terras, por minha causa e por causa do Evangelho, receberá cem vezes mais, já neste mundo, em casas, irmãos, irmãs, mães, filhos e terras, juntamente com perseguições, e, no mundo futuro, a vida eterna".






Catequese com o Papa Francisco - 07.10.2015


Quarta-feira, 7 de Outubro de 2015








Amados irmãos e irmãs, bom dia!

Há poucos dias começou o Sínodo dos Bispos sobre o tema «A vocação e missão da família na Igreja e no mundo contemporâneo». A família que caminha na vereda do Senhor é fundamental no testemunho do amor de Deus e por isso merece toda a dedicação da qual a Igreja é capaz. O Sínodo é chamado a interpretar, hoje, esta solicitude e este cuidado da Igreja. Acompanhemos todo o percurso sinodal antes de tudo com a nossa oração e atenção. E neste período as catequeses serão reflexões inspiradas por alguns aspectos da relação — que podemos dizer indissolúvel! — entre a Igreja e a família, com o horizonte aberto para o bem de toda a comunidade humana.

Um olhar atento à vida quotidiana d0s homens e das mulheres de hoje demonstra imediatamente a necessidade que há, em toda a parte, de uma vigorosa injecção de espírito familiar. Com efeito, o estilo das relações — civis, económicas, jurídicas, profissionais, de cidadania — parece muito racional, formal, organizado, mas também muito «desidratado», árido, anónimo. Às vezes torna-se insuportável. Não obstante deseje ser inclusivo nas suas formas, na realidade abandona à solidão e ao descarte um número cada vez maior de pessoas.

Eis por que razão a família abre à sociedade inteira uma perspectiva muito mais humana: abre os olhos dos filhos para a vida — e não apenas a vista, mas também todos os outros sentidos — representando uma visão da relação humana edificada sobre a livre aliança de amor. A família introduz na necessidade de vínculos de fidelidade, sinceridade, confiança, cooperação e respeito; encoraja a programar um mundo habitável e a crer nos relacionamentos de confiança, até em condições difíceis; ensina a honrar a palavra dada, o respeito pelas pessoas na sua individualidade, a partilha dos limites pessoais e dos outros. E todos nós estamos conscientes da insubstituibilidade da atenção familiar aos membros mais pequeninos, mais vulneráveis, mais feridos e inclusive mais desastrados nos comportamentos da sua vida. Na sociedade, quem pratica estas atitudes, assimilou-as a partir do espírito familiar, certamente não da competição nem do desejo de auto-realização.

Pois bem, mesmo ciente de tudo isto, não se dá à família o devido peso — reconhecimento e apoio — na organização política e económica da sociedade contemporânea. Gostaria de dizer algo mais: a família não só não recebe um reconhecimento adequado, mas não gera ulterior aprendizagem! Às vezes poder-se-ia dizer que, com toda a sua ciência e técnica, a sociedade moderna ainda não é capaz de traduzir estes conhecimentos em formas melhores de convivência civil. Não só a organização da vida comum se encalha cada vez mais numa burocracia totalmente alheia aos vínculos humanos fundamentais, mas até o costume social e político dá frequentemente sinais de degradação — agressividade, vulgaridade, desprezo... — que estão muito abaixo do limite de uma educação familiar até mínima. Nesta conjuntura, os extremos opostos desta brutalização das relações — ou seja, a obtusidade tecnocrática e o familismo amoral — unem-se e alimentam-se reciprocamente. Este é um paradoxo!

Hoje, neste ponto exacto, a Igreja identifica o sentido histórico da sua missão a respeito da família e do autêntico espírito familiar: começando por uma atenta revisão de vida, que se refere a si mesma. Poder-se-ia dizer que o «espírito familiar» é uma carta constitucional para a Igreja: assim o cristianismo deve parecer e deve ser. Está escrito claramente: «Vós que estáveis longe — diz são Paulo — [...] já não sois hóspedes nem peregrinos, mas concidadãos dos santos e membros da família de Deus» (Ef 2, 17.19). A Igreja é e deve ser a família de Deus.

Quando chamou Pedro a segui-lo, Jesus disse-lhe que o levaria a tornar-se «pescador de homens»; e para isto é preciso um novo tipo de rede. Poderíamos dizer que hoje as famílias são uma das redes mais importantes para a missão de Pedro e da Igreja. Esta não é uma rede que aprisiona! Pelo contrário, liberta das águas negativas do abandono e da indiferença, que afogam muitos seres humanos no mar da solidão e da indiferença. As famílias sabem bem o que é a dignidade do sentir-se filhos, não escravos nem estrangeiros, nem sequer só um número de bilhete de identidade.

A partir daqui, da família, Jesus recomeça a sua passagem entre os seres humanos, para os persuadir que Deus não se esqueceu deles. Daqui Pedro adquire vigor para o seu ministério. Daqui a Igreja, obedecendo à palavra do Mestre, sai para pescar no lago convicta de que, se o fizer, a pesca será milagrosa. Possa o entusiasmo dos Padres sinodais, animados pelo Espírito Santo, fomentar o impulso de uma Igreja que abandona as velhas redes, voltando a pescar com confiança na palavra do seu Senhor. Oremos intensamente por isto! Aliás, Cristo prometeu e encoraja-nos: se nem sequer os maus pais deixam de dar o pão aos filhos famintos, muito menos Deus deixará de infundir o Espírito em quantos — mesmo imperfeitos como são — lho pedirem com insistência apaixonada (cf. Lc 11, 9-13)!

Saudações

Saúdo os peregrinos de língua portuguesa, particularmente os fiéis da paróquia da Graça. Unidos na oração pelo Sínodo dos Bispos, faço votos de que a vossa peregrinação a Roma fortaleça, no amor divino, os vínculos de cada um com a sua família, com a comunidade eclesial e com a sociedade. Que Nossa Senhora vos acompanhe e proteja!

Dou as cordiais boas-vindas aos peregrinos de língua árabe, particularmente aos fiéis provenientes do Médio Oriente e de modo especial ao grupo de refugiados iraquianos hoje aqui presentes connosco. Estimados irmãos e irmãs, oremos a fim de que os Padres sinodais saibam haurir do tesouro da Tradição viva palavras de consolação e orientações de esperança para as famílias chamadas a construir o porvir da comunidade eclesial. Que o Senhor vos abençoe!

Dirijo um pensamento especial aos jovens, aos doentes e aos recém-casados. Hoje, celebramos a memória da Bem-Aventurada Virgem Maria do Rosário. Queridos jovens, a esperança que habita o coração de Maria vos instile coragem perante as grandes escolhas da vida; amados enfermos, a fortaleza da Mãe aos pés da Cruz vos sustente nos momentos mais difíceis; caros recém-casados, a ternura maternal daquela que acolheu no seu seio Jesus, acompanhe a nova vida familiar à qual há pouco destes início.




Fonte: Vaticano




Angelus com o papa Francisco - 04.10.2015


Praça São Pedro
Domingo, 4 de Outubro de 2015








Prezados irmãos e irmãs, bom dia!

Concluiu-se há pouco, na Basílica de São Pedro, a celebração eucarística mediante a qual demos início à Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos. Provenientes de todas as partes do mundo e congregados ao redor do Sucessor de Pedro, os Padres sinodais meditarão durante três semanas sobre a vocação e a missão da família na Igreja e na sociedade, para um atento discernimento espiritual e pastoral. Manteremos o olhar fixo em Jesus para identificar, com base no seu ensinamento de verdade e de misericórdia, os caminhos mais oportunos para um compromisso adequado da Igreja com as famílias e em prol das famílias, a fim de que o desígnio originário do Criador sobre o homem e a mulher possa realizar-se e desenvolver-se em toda a sua beleza e força no mundo de hoje.

A liturgia deste domingo volta a propor precisamente o texto fundamental do Livro do Génesis sobre a complementaridade e reciprocidade entre o homem e a mulher (cf. Gn 2, 18-24). Por isso — diz a Bíblia — o homem deixa o seu pai e a sua mãe e une-se à sua esposa, e os dois tornam-se uma só carne, ou seja uma única vida, uma só existência (cf. v. 24). Em tal unidade, os cônjuges transmitem a vida a novos seres humanos: tornam-se pais. Participam no poder criador do próprio Deus. Mas atenção! Deus é amor, e nós participamos na sua obra quando amamos com Ele e como Ele. Tendo em vista esta finalidade — diz são Paulo — o amor foi derramado nos nossos corações por meio do Espírito Santo, que nos foi conferido (cf. Rm 5, 5). E este é também o amor oferecido aos esposos no Sacramento do matrimónio. É o amor que alimenta o seu relacionamento, através de alegrias e dores, de momentos tranquilos e difíceis. É o amor que suscita o desejo de gerar filhos, de os esperar, acolher, criar e educar. É o próprio amor que, no Evangelho de hoje, Jesus manifesta às crianças: «Deixai vir a mim os pequeninos e não os impeçais, porque o Reino de Deus é daqueles que se lhes assemelham» (Mc 10, 14).

Hoje, peçamos ao Senhor que todos os pais e educadores do mundo, assim como a sociedade inteira, se tornem instrumentos daquele acolhimento e daquele amor com os quais Jesus abraça os mais pequeninos. Ele fita os seus corações com a ternura e a solicitude de um pai e, ao mesmo tempo, de uma mãe. Penso nas numerosas crianças famintas, abandonadas, exploradas, obrigadas à guerra, desprezadas. É doloroso ver imagens de crianças infelizes, com o olhar perdido, que fogem da pobreza e dos conflitos, que batem às nossas portas, à porta dos nossos corações implorando ajuda. Que o Senhor nos ajude a não ser sociedades-fortaleza, mas sociedades-família, capazes de acolher, com regras adequadas, mas acolher, acolher sempre com amor!

Convido-vos a sustentar com a oração os trabalhos do Sínodo, a fim de que o Espírito Santo torne os Padres sinodais plenamente dóceis às suas inspirações. Invoquemos a intercessão maternal da Virgem Maria, unindo-nos espiritualmente a quantos, neste momento, no Santuário de Pompeia, recitam a «Súplica a Nossa Senhora do Rosário».

Depois do Angelus

Desejo dedicar uma oração ao Senhor pelas vítimas do desabamento de terra que atingiu um povoado inteiro na Guatemala, assim como pelas vítimas das enchentes ocorridas na França, na Costa Azul. Permaneçamos próximos das populações duramente feridas, também com a solidariedade concreta.

Agradeço a todos vós que viestes numerosos de Roma, da Itália e de muitas partes do mundo. Saúdo os fiéis da Arquidiocese de Paderborn na Alemanha, do Porto em Portugal e o grupo do Colégio Mequitarista, de Roma.

No dia de são Francisco de Assis, padroeiro da Itália, saúdo com especial carinho os peregrinos italianos.

Feliz domingo a todos! E, por favor, não vos esqueçais de rezar por mim. Bom almoço e até à vista!




Fonte: Vaticano




domingo, 4 de outubro de 2015

Evangelho do XXVII Domingo do Tempo Comum - Ano B


São Marcos 10, 2-16

Naquele tempo, aproximaram-se de Jesus uns fariseus para O porem à prova e perguntaram-Lhe: "Pode um homem repudiar a sua mulher?" Jesus disse-lhes: «Que vos ordenou Moisés?" Eles responderam: "Moisés permitiu que se passasse um certificado de divórcio, para se repudiar a mulher". Jesus disse-lhes: "Foi por causa da dureza do vosso coração que ele vos deixou essa lei. Mas, no princípio da criação, ‘Deus fê-los homem e mulher. Por isso, o homem deixará pai e mãe para se unir à sua esposa, e os dois serão uma só carne’. Deste modo, já não são dois, mas uma só carne. Portanto, não separe o homem o que Deus uniu". Em casa, os discípulos interrogaram-n’O de novo sobre este assunto. Jesus disse-lhes então: "Quem repudiar a sua mulher e casar com outra, comete adultério contra a primeira. E se a mulher repudiar o seu marido e casar com outro, comete adultério". Apresentaram a Jesus umas crianças para que Ele lhes tocasse, mas os discípulos afastavam-nas. Jesus, ao ver isto, indignou-Se e disse-lhes: "Deixai vir a Mim as criancinhas, não as estorveis: dos que são como elas é o reino de Deus. Em verdade vos digo: Quem não acolher o reino de Deus como uma criança, não entrará nele". E, abraçando-as, começou a abençoá-las, impondo as mãos sobre elas.





quinta-feira, 1 de outubro de 2015

Catequese com o Papa Francisco - 30.09.2015

Quarta-feira, 30 de Setembro de 2015








Palavras do Papa Francisco aos doentes reunidos na Sala Paulo VI no início da Audiência Geral

Bom dia! Saúdo todos vós! A audiência de hoje será em dois lugares: aqui e na praça. Dado que o tempo parecia um pouco mau, decidimos que vós ficareis aqui, tranquilos, mais cómodos, e podereis participar na audiência através do grande ecrã. Estou-vos deveras grato por esta visita e peço-vos que oreis por mim. A doença é algo desagradável; há médicos — são bons! — enfermeiros, enfermeiras, remédios, tudo, mas é sempre algo desagradável. E há a fé, a fé que nos encoraja, e aquele pensamento que todos vós tendes: Deus fez-se enfermo por nós, ou seja, enviou o seu Filho, que assumiu sobre si todas as nossas enfermidades, até à Cruz. E fixando o nosso olhar em Jesus, com a sua paciência, a nossa fé revigora-se.

E com a nossa doença, tendo Jesus ao nosso lado, caminhemos sempre de mãos dadas com Jesus. Ele sabe o que significa o sofrimento, Ele entende-nos, consola-nos e fortalece-nos.

E agora concedo-vos a todos a Bênção, pedindo que o Senhor vos abençoe e acompanhe. Mas antes, oremos a Nossa Senhora.

[Ave Maria... Bênção]

CATEQUESE DO SANTO PADRE

Amados irmãos e irmãs, bom dia!

A audiência de hoje será em dois lugares: aqui na praça e também na sala Paulo VI, onde se encontram numerosos doentes que a seguem através de um grande ecrã. Visto que o tempo é um pouco mau, preferimos que eles ficassem abrigados e mais tranquilos ali. Unamo-nos uns aos outros e saudemo-nos!

Nos últimos dias realizei a viagem apostólica a Cuba e aos Estados Unidos da América. Ela nasceu da vontade de participar no Encontro Mundial das Famílias, há tempos programado em Filadélfia. Este «núcleo originário» ampliou-se a uma visita aos Estados Unidos da América e à Sede central da Organização das Nações Unidas, e depois também a Cuba, que se tornou a primeira etapa do itinerário. Exprimo novamente o meu reconhecimento ao Presidente Castro, ao Presidente Obama e ao Secretário-Geral Ban Ki-moon pela hospitalidade que me reservaram. Agradeço de coração aos irmãos Bispos e a todos os colaboradores, o grande trabalho levado a cabo e o amor à Igreja que o animou.

«Misionero de la Misericordia»: foi assim que me apresentei em Cuba, uma terra rica de beleza natural, de cultura e de fé. A misericórdia de Deus é maior do que qualquer ferida, conflito e ideologia; e com este olhar de misericórdia consegui abraçar todo o povo cubano, na pátria e fora, para além de qualquer divisão. Símbolo desta profunda unidade da alma cubana é a Virgem da Caridade do Cobre, que precisamente há cem anos foi proclamada Padroeira de Cuba. Fui como peregrino ao Santuário desta Mãe de esperança, Mãe que guia pelo caminho de justiça, paz, liberdade e reconciliação.

Pude compartilhar com o povo cubano a esperança da realização da profecia de são João Paulo II: que Cuba se abra ao mundo, e o mundo se abra a Cuba. Não mais fechamentos, nem exploração da pobreza, mas liberdade na dignidade. Este é o caminho que faz vibrar o coração de numerosos jovens cubanos: não um percurso de evasão, de lucro fácil, mas de responsabilidade, de serviço ao próximo e de cuidado pela fragilidade. Um caminho que encontra forças nas raízes cristãs daquele povo, que sofreu em grande medida. Um caminho no qual encorajei de modo particular os sacerdotes e todos os consagrados, os estudantes e as famílias. Com a intercessão de Maria Santíssima, o Espírito Santo faça crescer as sementes que pudemos lançar.

De Cuba para os Estados Unidos da América: foi uma passagem emblemática, uma ponte que, graças a Deus, se vai reconstruindo. Deus sempre deseja construir pontes; somos nós que levantamos muros. E os muros desabam sempre!

E nos Estados Unidos fiz três etapas: Washington, Nova Iorque e Filadélfia.

Em Washington encontrei-me com as Autoridades políticas, com as pessoas simples, os Bispos, os sacerdotes, os consagrados e os mais pobres e marginalizados. Recordei que a grande riqueza daquele país e do seu povo está no património espiritual e ético. E assim desejei encorajar a dar continuidade à construção social, em fidelidade ao seu princípio fundamental, isto é, que todos os homens são criados iguais por Deus e dotados de direitos inalienáveis como a vida, a liberdade e a busca da felicidade. Este valores, compartilháveis por todos, encontram no Evangelho o seu pleno cumprimento, como evidenciou oportunamente a canonização de frei franciscano Junípero Serra, grande evangelizador da Califórnia. São Junípero indica o caminho da alegria: ir e partilhar com os outros o amor de Cristo. Esta é a senda do cristão, mas também de cada homem que conheceu o amor: não o conservar para si, mas dividi-lo com os outros. Foi a partir desta base religiosa e moral que nasceram e cresceram os Estados Unidos da América, e com esta base eles podem continuar a ser terra de liberdade e acolhimento, cooperando para um mundo mais justo e fraterno.

Em Nova Iorque pude visitar a Sede central da ONU e saudar os funcionários que aí trabalham. Dialoguei com o Secretário-Geral e com os Presidentes das últimas Assembleias Gerais e do Conselho de Segurança. Dirigindo-me aos Representantes das Nações, no sulco dos meus Predecessores, renovei o encorajamento da Igreja católica àquela Instituição e ao papel que desempenha na promoção do desenvolvimento e da paz, evocando de modo particular a necessidade do compromisso concorde e concreto no cuidado da criação. Reiterei também o apelo a pôr fim e a prevenir as violências contra as minorias étnicas e religiosas, e contra as populações civis.

Pela paz e pela fraternidade pudemos rezar no Memorial do Ground Zero, juntamente com os representantes das religiões, com os parentes de numerosas vítimas e com a população de Nova Iorque, tão rica de variedades culturais. E no Madison Square Garden celebrei a Eucaristia pela paz e pela justiça.

Tanto em Washington como em Nova Iorque pude encontrar-me com algumas realidades caritativas e educativas, emblemáticas do enorme serviço que as comunidades católicas — sacerdotes, religiosas, religiosos e leigos — oferecem nestes campos.

O apogeu da viagem foi o Encontro Mundial das Famílias, em Filadélfia, onde o horizonte se ampliou para o mundo inteiro, através do «prisma», por assim dizer, da família. A família, ou seja, a aliança fecunda entre o homem e a mulher, é a resposta ao grande desafio do nosso mundo, que constitui um duplo desafio: a fragmentação e a massificação, dois extremos que convivem e que se sustêm reciprocamente e, ao mesmo tempo, apoiam o modelo económico consumista. A família é a resposta porque representa a célula de uma sociedade que equilibra as dimensões pessoal e comunitária, e que ao mesmo tempo pode ser o modelo de uma gestão sustentável dos bens e dos recursos da criação. A família é a protagonista de uma ecologia integral, porque constitui o sujeito social primário, que contém no seu interior os dois princípios-base da civilização humana sobre a terra: o princípio decomunhão e o princípio de fecundidade. O humanismo bíblico apresenta-nos este ícone: o casal humano, unido e fecundo, posto por Deus no jardim do mundo, para o cultivar e preservar.

Desejo dirigir um agradecimento fraternal e caloroso a D. Chaput, Arcebispo de Filadélfia, pelo seu compromisso, piedade e entusiasmo, e pelo seu grande amor à família na organização deste evento. Vendo bem, não é um caso, mas é providencial que a mensagem, aliás o testemunho do Encontro Mundial das Famílias, tenha vindo neste momento dos Estados Unidos da América, ou seja, do país que no século passado alcançou o máximo desenvolvimento económico e tecnológico, sem renegar as suas raízes religiosas. Agora, estas raízes pedem para recomeçar a partir da família, para repensar e mudar o modelo de desenvolvimento, a bem de toda a família humana.

Saudação

Queridos peregrinos de língua portuguesa, sede bem-vindos! De coração vos saúdo a todos, em particular os fiéis brasileiros vindos de São Paulo, Rio de Janeiro, Itu e Campo Grande, lembrando-vos que a resposta ao grave desafio da divisão e massificação no mundo atual é a família. Sobre vós e as vossas famílias, desça a bênção de Deus!




Fonte: Vaticano



Evangelho do XXVI Domingo do Tempo Comum - Ano B


São Marcos 9, 38-48

Naquele tempo, João disse a Jesus: "Mestre, nós vimos um homem a expulsar os demônios em teu nome e procuramos impedir-lho, porque ele não anda connosco". Jesus respondeu: "Não o proibais; porque ninguém pode fazer um milagre em meu nome e depois dizer mal de Mim. Quem não é contra nós é por nós. Quem vos der a beber um copo de água, por serdes de Cristo, em verdade vos digo que não perderá a sua recompensa. Se alguém escandalizar algum destes pequeninos que creem em Mim, melhor seria para ele que lhe atassem ao pescoço uma dessas mós movidas por um jumento e o lançassem ao mar. Se a tua mão é para ti ocasião de escândalo, corta-a; porque é melhor entrar mutilado na vida do que ter as duas mãos e ir para a Geena, para esse fogo que não se apaga. E se o teu pé é para ti ocasião de escândalo, corta-o; porque é melhor entrar coxo na vida do que ter os dois pés e ser lançado na Geena. E se um dos teus olhos é para ti ocasião de escândalo, deita-o fora; porque é melhor entrar no reino de Deus só com um dos olhos do que ter os dois olhos e ser lançado na Geena, onde o verme não morre e o fogo não se apaga".






Angelus com o Papa Francisco - 20.09.2015


Praça da Revolução, Havana 
Domingo, 20 de Setembro de 2015









Agradeço ao Cardeal Jaime Ortega y Alamino, Arcebispo de Havana, as suas palavras fraternais, bem como aos meus irmãos bispos, sacerdotes, religiosos e fiéis leigos. Saúdo também o Senhor Presidente e todas as autoridades presentes.

Ouvimos, no Evangelho, como os discípulos tinham medo de interrogar Jesus quando Ele lhes falava da sua paixão e da sua morte. Assustava-os, não podiam compreender, a ideia de ver Jesus sofrer na Cruz. Também nós temos a tentação de fugir das cruzes próprias e das dos outros, afastar-nos daquele que sofre. Concluída a Santa Missa, na qual Jesus Se entregou de novo a nós com o seu corpo e o seu sangue, voltemos agora o nosso olhar para a Virgem, nossa Mãe. E peçamos-Lhe que nos ensine a permanecer junto da cruz do irmão que sofre; que aprendamos a ver Jesus em cada homem caído no caminho da vida, em cada irmão que tem fome ou sede, que está nu, encarcerado ou enfermo. Junto da Mãe, na Cruz, podemos entender quem é verdadeiramente «o mais importante» e que significa estar ao lado do Senhor e participar na sua glória.

Aprendamos de Maria a ter o coração desperto e atento às necessidades dos outros. Como nos ensinou nas bodas de Caná, sejamos solícitos nos pequenos detalhes da vida e não cessemos de rezar uns pelos outros, para que a ninguém falte o vinho do amor novo, da alegria que Jesus nos traz.

Neste momento, sinto-me no dever de dirigir o meu pensamento para a amada terra da Colômbia, «consciente da importância crucial do momento presente, em que os seus filhos, com renovado esforço e movidos pela esperança, estão procurando construir uma sociedade em paz». Que o sangue derramado por milhares de inocentes, durante tantas décadas de conflito armado, unido ao sangue do Senhor Jesus Cristo na Cruz, sustente todos os esforços que se estão a fazer, inclusivamente aqui nesta bela Ilha, para uma reconciliação definitiva. E assim a longa noite de dor e violência, com a vontade de todos os colombianos, se possa transformar num dia sem ocaso de concórdia, justiça, fraternidade e amor, no respeito das instituições e do direito nacional e internacional, para que a paz seja duradoura. Por favor, ajudemo-nos! Não temos direito a permitir-nos mais um fracasso neste caminho de paz e reconciliação. Obrigado, Senhor Presidente, por tudo o que faz neste trabalho de reconciliação!

Peço agora que nos unamos em oração a Maria para que deponha todas as nossas preocupações e aspirações junto do Coração de Cristo. E, de uma maneira especial, peçamos-Lhe pelos que perderam a esperança, não encontrando motivo para continuar a lutar; pelos que sofrem a injustiça, o abandono, a solidão; peçamos pelos idosos, os doentes, as crianças e os jovens, por todas as famílias em dificuldade para que Maria enxugue as suas lágrimas, os console com o seu amor de Mãe, lhes devolva a esperança e a alegria. Mãe Santa, encomendo-Vos estes vossos filhos de Cuba. Nunca os abandoneis!

Depois da Bênção final

E peço-vos, por favor, que não vos esqueçais de rezar por mim. Obrigado!




Fonte: Vaticano




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