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domingo, 29 de novembro de 2015

Evangelho do I Domingo do Advento - Ano C


São Lucas 21, 25-28.34-36

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: "Haverá sinais no sol, na lua e nas estrelas e, na terra, angústia entre as nações, aterradas com o rugido e a agitação do mar. Os homens morrerão de pavor, na expectativa do que vai suceder ao universo, pois as forças celestes serão abaladas. Então, hão-de ver o Filho do homem vir numa nuvem, com grande poder e glória. Quando estas coisas começarem a acontecer, erguei-vos e levantai a cabeça, porque a vossa libertação está próxima. Tende cuidado convosco, não suceda que os vossos corações se tornem pesados pela devassidão, a embriaguez e as preocupações da vida, e esse dia não vos surpreenda subitamente como uma armadilha, pois ele sobrevirá sobre todos os que habitam a terra inteira. Portanto, vigiai e orai em todo o tempo, para terdes a força de vos livrar de tudo o que vai acontecer e poderdes estar firmes na presença do Filho do homem".






Angelus com o Papa Francisco - 22.11.2015


Praça São Pedro
Domingo, 22 de Novembro de 2015








Prezados irmãos e irmãs, bom dia!

Neste último domingo do ano litúrgico, celebramos a solenidade de Cristo Rei do universo. E o Evangelho de hoje leva-nos a contemplar Jesus que se apresenta a Pilatos como Rei de um reino que «não é deste mundo» (Jo 18, 36). Isto não significa que Cristo é Rei de outro mundo, mas que é Rei de outro modo, e no entanto é Rei neste mundo. Trata-se de um contraste entre duas lógicas. A lógica mundana está assente sobre a ambição, sobre a competição, combate com as armas do medo, da chantagem e da manipulação das consciências. A lógica do Evangelho, ou seja a lógica de Jesus, ao contrário, exprime-se na humildade e na gratuitidade, afirma-se silenciosa mas eficazmente, com a força da verdade. Às vezes, os reinos deste mundo baseiam-se em prepotências, rivalidades e opressões; o reino de Cristo é um «reino de justiça, de amor e de paz» (Prefácio).

Quando se revelou Jesus como Rei? No evento da Cruz! Quem contempla a Cruz de Cristo não pode deixar de ver a surpreendente gratuitidade do amor. Um de vós pode dizer: «Mas Padre, isto foi um fracasso!». É precisamente na falência do pecado — o pecado é um fracasso — na falência das ambições humanas que há o triunfo da Cruz, a gratuitidade do amor. No fracasso da Cruz vê-se o amor, o amor que é gratuito, que Jesus nos oferece. Para o cristão, falar de poder e de força significa fazer referência ao poder da Cruz e à força do amor de Jesus: um amor que permanece firme e íntegro, inclusive diante da rejeição, e que se manifesta como o cumprimento de uma vida dedicada na oferta total de si a favor da humanidade. No Calvário, os transeuntes e os chefes zombam de Jesus crucificado, e lançam-lhe o desafio: «Salva-te a ti mesmo, desce da Cruz!» (Mc 15, 30). «Salva-te a ti mesmo!». No entanto, paradoxalmente, a verdade de Jesus é aquela que, em tom de escárnio, lhe lançam os seus adversários: «Não consegue salvar-se a si mesmo!» (v. 31). Se Jesus tivesse descido da Cruz, teria cedido à tentação do príncipe deste mundo; ao contrário, Ele não pode salvar-se a si mesmo precisamente para poder salvar os outros, porque entregou a sua vida por nós, por cada um de nós. Dizer: «Jesus deu a sua vida pelo mundo» é verdade, mas é mais bonito afirmar: «Jesus deu a sua vida por mim!». E hoje, aqui na praça, cada um de nós diga no seu coração: «Ele deu a sua vida por mim!», para poder salvar cada um de nós dos nossos pecados.

E quem compreendeu isto? Quem o entendeu bem foi um dos malfeitores crucificados juntamente com Ele, chamado o «bom ladrão», que o suplica: «Jesus, lembra-te de mim, quando entrares no teu Reino!» (Lc 23, 42). Ma ele era um malfeitor, um corrupto e fora condenado à morte precisamente por todas as brutalidades que tinha cometido durante a sua vida. No entanto, na atitude de Jesus, na mansidão de Jesus, ele viu o amor. Esta é a força do reino de Cristo: é o amor. Por isso, a realeza de Jesus não nos oprime, mas liberta-nos das nossas debilidades e misérias, encorajando-nos a percorrer os caminhos do bem, da reconciliação e do perdão. Contemplemos a Cruz de Jesus, olhemos para o bom ladrão e repitamos todos juntos aquilo que o bom ladrão disse: «Jesus, lembra-te de mim, quando entrares no teu Reino!». Todos juntos: «Jesus, lembra-te de mim, quando entrares no teu Reino!». Quando nos sentirmos frágeis, pecadores e derrotados, peçamos a Jesus que olhe para nós, dizendo-lhe: «Tu estás ali. Não te esqueças de mim!».

Diante das numerosas lacerações no mundo e das demasiadas feridas na carne dos homens, peçamos à Virgem Maria que nos ampare no nosso compromisso de imitar Jesus, nosso Rei, tornando presente o seu reino com gestos de ternura, de compreensão e de misericórdia.



Depois do Angelus

Saúdo todos vós, peregrinos, provenientes da Itália e de diversos países: as famílias, os grupos paroquiais e as associações. De maneira particular, saúdo quantos vieram do México, da Austrália e de Paderborn, na Alemanha. Saúdo depois os fiéis de Avola, Mestre, Foggia, Pozzallo, Campagna e Val di Non, no Trentino; assim como os grupos musicais — que ouvi — os quais celebram santa Cecília, padroeira do canto e da música. Após o Angelus, fazei-vos ouvir, porque tocais bem!

Na próxima quarta-feira começarei a viagem à África, para visitar o Quénia, o Uganda e a República Centro-Africana. Peço a todos vós que rezeis por esta viagem, a fim de que seja para todos aqueles amados irmãos, mas também para mim, um sinal de proximidade e de amor. Peçamos juntos a Nossa Senhora que abençoe aquelas queridas terras, para que nelas haja paz e prosperidade.

[Ave Maria...].

Desejo um feliz domingo a todos. E por favor, não vos esqueçais de rezar por mim. Bom almoço e até à vista!




Fonte: Vaticano




domingo, 22 de novembro de 2015

Evangelho da Solenidade de Cristo-Rei - Ano B


São João 18, 33b-37

Naquele tempo, disse Pilatos a Jesus: "Tu és o Rei dos judeus?" Jesus respondeu-lhe: "É por ti que o dizes, ou foram outros que to disseram de Mim?" Disse-Lhe Pilatos: "Porventura eu sou judeu? O teu povo e os sumos sacerdotes é que Te entregaram a mim. Que fizeste?" Jesus respondeu: "O meu reino não é deste mundo. Se o meu reino fosse deste mundo, os meus guardas lutariam para que Eu não fosse entregue aos judeus. Mas o meu reino não é daqui". Disse-Lhe Pilatos: "Então, Tu és Rei?" Jesus respondeu-lhe: "É como dizes: sou Rei. Para isso nasci e vim ao mundo, a fim de dar testemunho da verdade. Todo aquele que é da verdade escuta a minha voz".










Catequese com o Papa Francisco - 18.11.2015


Quarta-feira, 18 de Novembro de 2015








Estimados irmãos e irmãs, bom dia!

Com esta reflexão chegamos ao limiar do Jubileu, é iminente. À nossa frente está a porta, mas não só a porta santa, a outra: a grande porta da Misericórdia de Deus — e é uma porta bonita! — que recebe o nosso arrependimento oferecendo a graça do seu perdão. A porta é generosamente aberta, e devemos ter um pouco de coragem para cruzar o limiar. Cada um de nós tem dentro de si situações que pesam. Todos somos pecadores! Aproveitemos este momento que chega e cruzemos o limitar desta misericórdia de Deus, que nunca se cansa de perdoar, nunca se cansa de nos esperar! Observa-nos, está sempre ao nosso lado. Coragem! Entremos por esta esta porta!

Do Sínodo dos Bispos, que celebramos no passado mês de Outubro, todas as famílias e a Igreja inteira receberam um grande encorajamento a encontrar-se no limiar desta porta aberta. A Igreja foi animada a abrir as suas portas, para sair com o Senhor ao encontro dos filhos e das filhas a caminho, às vezes incertos, por vezes confusos, nestes tempos difíceis. As famílias cristãs, em particular, foram encorajadas a abrir a porta ao Senhor que espera entrar, trazendo a sua bênção e a sua amizade. E se a porta da misericórdia de Deus está sempre aberta, também as portas das nossas igrejas, das nossas comunidades, das nossas paróquias, das nossas instituições e das nossas dioceses devem estar abertas, a fim de que todos possamos sair para levar esta misericórdia de Deus. O Jubileu significa a grande porta da misericórdia de Deus, mas também as pequenas portas das nossas igrejas, abertas para permitir que o Senhor entre — ou muitas vezes que o Senhor saia — prisioneiro das nossas estruturas, do nosso egoísmo e de tantas situações.

O Senhor nunca força a porta: até Ele pede autorização para entrar. O Livro do Apocalipse diz: «Estou à porta e bato, se alguém ouvir a minha voz e me abrir a porta, entrarei na sua casa e cearemos, eu com ele e ele comigo» (3, 20). Mas imaginemos o Senhor que bate à porta do nosso coração! E na última grande visão deste Livro do Apocalipse, assim se profetiza sobre a Cidade de Deus: «As suas portas não se fecharão de dia», o que significa para sempre, porque «já não haverá noite» (21, 25). No mundo ainda há lugares onde não se fecham as portas à chave. Mas existem muitos onde as portas blindadas se tornaram normais. Não devemos render-nos à ideia de ter que aplicar este sistema à nossa vida inteira, à vida da família, da cidade, da sociedade. E muito menos à vida da Igreja. Seria terrível! Uma Igreja inóspita, assim como uma família fechada em si mesma, mortifica o Evangelho e torna o mundo árido. Não às portas blindadas na Igreja, não! Tudo aberto!

A gestão simbólica das «portas» — dos umbrais, das passagens, das fronteiras — tornou-se crucial. Sem dúvida, a porta deve preservar, mas não rejeitar. A porta não deve ser forçada, ao contrário, é preciso pedir autorização, porque a hospitalidade resplandece na liberdade do acolhimento e ofusca-se na prepotência da invasão. A porta abre-se frequentemente, para ver se fora há alguém que aguarda e talvez não tenha a coragem nem sequer a força para bater. Quantas pessoas perderam a confiança, não têm a coragem de bater à porta do nosso coração cristão, à porta das nossas igrejas... E estão ali, sem coragem, porque os privamos da confiança: por favor, que isto nunca se verifique! A porta diz muito da casa, e também da Igreja. A gestão da porta requer um discernimento atento e, ao mesmo tempo, deve inspirar grande confiança. Gostaria de dedicar uma palavra de gratidão a todos os guardiões das portas: dos nossos condomínios, das instituições cívicas, das próprias igrejas. Muitas vezes a prudência e a gentileza da portaria são capazes de conferir uma imagem de humanidade e de hospitalidade à casa inteira, já a partir da entrada. É preciso aprender destes homens e mulheres, que são guardiões dos lugares de encontro e de acolhimento da cidade do homem! Muito obrigado a todos vós, guardiões de tantas portas, quer sejam portas de habitações, quer de igrejas! Mas sempre com um sorriso, sempre mostrando a hospitalidade desta casa, dessa igreja, e assim as pessoas sentem-se felizes e bem-vindas naquele lugar.

Na verdade, sabemos que nós mesmos somos os guardiões e os servos da Porta de Deus, mas como se chama a Porta de Deus? Jesus! Ele ilumina-nos em todas as portas da vida, inclusive nas portas do nosso nascimento e da nossa morte. Ele mesmo afirmou: «Eu sou a porta: se alguém entrar por mim será salvo; tanto entrará como sairá, e encontrará pastagem» (Jo 10, 9). Jesus é a porta que nos faz entrar e sair, porque o redil de Deus é um abrigo, não uma prisão! A casa de Deus é um abrigo, não uma prisão, e a porta chama-se Jesus! E se a porta estiver fechada digamos: «Senhor, abre a porta!». Jesus é a porta e faz-nos entrar e sair. São os ladrões aqueles que procuram evitar a porta: é curioso, os ladrões procuram sempre entrar por outro lado, pela janela, pelo telhado, mas evitam a porta, porque têm más intenções e entram sorrateiramente no aprisco para enganar as ovelhas, para se aproveitar delas. Devemos passar pela porta e ouvir a voz de Jesus: se ouvirmos o tom da sua voz, estaremos seguros, seremos salvos. Podemos entrar sem medo e sair sem perigo. Neste bonito discurso de Jesus, fala-se também do guardião, que tem a tarefa de abrir ao bom Pastor (cf. Jo 10, 2). Quando o guardião ouve a voz do Pastor, então abre e faz entrar as ovelhas que o Pastor traz consigo, todas, inclusive aquelas que se perderam nos bosques, e que o bom Pastor foi resgatar. As ovelhas não são escolhidas pelo guardião, nem pelo secretário paroquial, nem sequer pela secretária da paróquia; as ovelhas são todas convidadas, escolhidas pelo bom Pastor. O guardião — também ele — obedece à voz do Pastor. Assim, poderíamos dizer que devemos ser como aquele guardião. A Igreja é a porteira da casa do Senhor, não a dona da casa do Senhor!

A Sagrada Família de Nazaré sabe bem o que significa uma porta aberta ou fechada, para quem espera um filho, para quantos não têm abrigo, para quem deve fugir do perigo! As famílias cristãs façam da sua soleira de casa um pequeno grande sinal da Porta da misericórdia e da hospitalidade de Deus. É precisamente assim que a Igreja deverá ser reconhecida em todos os recantos da terra: como a sentinela de um Deus que bate à porta, como o acolhimento de um Deus que não nos fecha a porta na cara, com a desculpa de que não somos de casa. Aproximemo-nos do Jubileu com este espírito: haverá a porta santa, mas também a porta da grande misericórdia de Deus! Haja também a porta do nosso coração, para recebermos todos o perdão de Deus e, por nossa vez, darmos o nosso perdão, recebendo todos aqueles que batem à nossa porta.

Saudações

Queridos peregrinos de língua portuguesa, em particular os brasileiros de Belém, João Pessoa, Olinda e Recife, de coração vos saúdo e desejo que a vossa vinda a Roma se cumpra com o espírito do verdadeiro peregrino que, sabendo de não possuir ainda o Bem maior, põe-se a caminho decidido a procurá-lo! Sabei que Deus se deixa encontrar por quantos assim O desejam. Sobre vós e vossas famílias desçam, em abundância, as bênçãos do Senhor!

Depois de amanhã será celebrado o Dia mundial dos direitos da infância. É um dever de todos proteger as crianças a antepor o seu bem a todos os outros critérios, para que nunca sejam submetidas a formas de servidão, de maus-tratos e de exploração. Desejo que a Comunidade internacional vigie atentamente sobre as condições de vida das crianças, de modo especial quando estão expostas ao recrutamento por parte de grupos armados; e também ajude as famílias a garantir a cada menino e menina o direito à escola e à educação.

Dirijo um pensamento especial aos jovens, aos doentes e aos recém-casados. Caros jovens e estudantes, o testemunho dos Apóstolos que deixaram tudo para seguir Jesus acenda também em vós o desejo de o amar com todas as forças; queridos doentes, os sofrimentos gloriosos dos Santos Pedro e Paulo confiram alívio e esperança à vossa oferta; amados recém-casados, as vossas casas possam ser templos do Amor do qual ninguém jamais nos poderá separar.




Fonte: Vaticano




Angelus com o Papa Francisco - 15.11.2015


Praça São Pedro
Domingo, 15 de Novembro de 2015







Amados irmãos e irmãs, bom dia!

O Evangelho deste penúltimo domingo do ano litúrgico propõe uma parte do sermão de Jesus sobre os últimos acontecimentos da história humana, orientada para o pleno cumprimento do reino de Deus (cf. Mc 13, 24-32). Trata-se de um sermão que Jesus proferiu em Jerusalém, antes da sua última Páscoa. Ele contém alguns elementos apocalípticos, como guerras, carestias, catástrofes cósmicas: «o Sol escurecer-se-á e a Lua não dará a sua claridade, as estrelas cairão do céu e as forças que estão nos céus serão abaladas» (vv. 24-25). Contudo, estes elementos não são o aspecto mais fundamental da mensagem. O núcleo em volta do qual se centra o discurso de Jesus é Ele mesmo, o mistério da sua pessoa e da sua morte e ressurreição, a sua vinda no fim dos tempos.

A nossa meta final é o encontro com o Senhor ressuscitado. E eu gostaria de vos perguntar: quantos de vós pensam nisto? Haverá um dia no qual me encontrarei de cara com o Senhor. É esta a nossa meta: este encontro. Nós não esperamos um tempo nem um lugar, mas vamos ao encontro de uma pessoa: Jesus. Por conseguinte, o problema não é «quando» acontecerão os sinais premonitórios dos últimos tempos, mas estar preparados para o encontro. E nem sequer se trata de saber «como» estas coisas acontecerão, mas «como» nos devemos comportar, hoje, na sua expectativa. Estamos chamados a viver o presente, construindo o nosso futuro com serenidade e confiança em Deus. A parábola da figueira que germina, como sinal do Verão já próximo (cf. vv. 28-29), diz que a perspectiva do fim não nos distrai da vida presente, mas nos faz olhar para os nossos dias numa óptica de esperança. É aquela virtude tão difícil de viver: a esperança, a virtude mais pequena, mas a mais forte. E a nossa esperança tem um rosto: o rosto do Senhor ressuscitado, que vem «com grande poder na glória» (v. 26), ou seja, que manifesta o seu amor crucificado, transfigurado na ressurreição. O triunfo de Jesus no fim dos tempos será o triunfo da Cruz, a demonstração que o sacrifício de si por amor do próximo, à imitação de Cristo, é a única potência vitoriosa e o único ponto firme no meio dos abalos e das tragédias do mundo.

O Senhor Jesus não é só o ponto de chegada da peregrinação terrena, mas é uma presença constante na nossa vida: está sempre ao nosso lado, acompanha-nos sempre; por isso quando fala do futuro, e nos projecta para ele, é sempre para nos reconduzir ao presente. Ele põe-se contra os falsos profetas, contra os falsos videntes que prevêem que o fim do mundo está próximo, e contra o fatalismo. Ele está ao nosso lado, caminha connosco, ama-nos. Deseja tirar aos seus discípulos de todas as épocas a curiosidade das datas, as previsões, os horóscopos, e concentra a nossa atenção no hoje da história. E gostaria de vos perguntar — mas não respondais, cada qual responda para si — quantos de vós lêem o horóscopo do dia? Cada qual responda para si mesmo. E quando te vier vontade de ler o horóscopo, olha para Jesus, que está contigo. É melhor, far-te-á bem. Esta presença de Jesus convida-nos à expectativa e à vigilância, que excluem a impaciência, a sonolência, as fugas em frente e o permanecer aprisionados no tempo actual e na mundanidade.

Também nos nossos dias não faltam calamidades naturais e morais, nem sequer adversidades de todos os tipos. Tudo passa — recorda-nos o Senhor — só Ele, a sua Palavra permanece como luz que guia, e anima os nossos passos e nos perdoa sempre, porque está ao nosso lado. É necessário apenas olhar para ele, o qual muda o nosso coração. A Virgem Maria nos ajude a confiar em Jesus, o fundamento firme da nossa vida, e a perseverar com alegria no seu amor.

Depois do Angelus

Queridos irmãos e irmãs!

Desejo expressar a minha profunda dor pelos ataques terroristas que no início da noite de sexta-feira ensanguentaram a França, causando numerosas vítimas. Manifesto ao Presidente da República Francesa e a todos os cidadãos o meu fraterno pesar. Estou particularmente próximo dos familiares de quantos perderam a vida e dos feridos.

Tanta barbárie deixa-nos atónitos e perguntamos como pode o coração do homem pensar e concretizar acontecimentos tão horríveis, que abalaram não só a França mas o mundo inteiro. Diante de tais actos, não se pode deixar de condenar a afronta inqualificável contra a dignidade da pessoa humana. Desejo reafirmar com vigor que o caminho da violência e do ódio não resolve os problemas da humanidade e que utilizar o nome de Deus para justificar este caminho é uma blasfémia!

Convido-vos a unir-vos à minha oração: confiemos à misericórdia de Deus as vítimas inermes desta tragédia. A Virgem Maria, Mãe de misericórdia, suscite nos corações de todos pensamentos de sabedoria e propósitos de paz. A ela peçamos que proteja e vigie sobre a amada Nação francesa, a primeira filha da Igreja, sobre a Europa e sobre o mundo inteiro. Todos juntos rezemos um pouco em silêncio e depois recitemos a Ave-Maria.

A todos desejo bom domingo. E por favor, não vos esqueçais de rezar por mim. Bom almoço e até à próxima!




Fonte: Vaticano




domingo, 15 de novembro de 2015

Evangelho do XXXIII Domingo do Tempo Comum - Ano B


São Marcos 13, 24-32

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: "Naqueles dias, depois de uma grande aflição, o sol escurecerá e a lua não dará a sua claridade; as estrelas cairão do céu e as forças que há nos céus serão abaladas. Então, hão-de ver o Filho do homem vir sobre as nuvens, com grande poder e glória. Ele mandará os Anjos, para reunir os seus eleitos dos quatro pontos cardeais, da extremidade da terra à extremidade do céu. Aprendei a parábola da figueira: quando os seus ramos ficam tenros e brotam as folhas, sabeis que o Verão está próximo. Assim também, quando virdes acontecer estas coisas, sabei que o Filho do homem está perto, está mesmo à porta. Em verdade vos digo: Não passará esta geração sem que tudo isto aconteça. Passará o céu e a terra, mas as minhas palavras não passarão. Quanto a esse dia e a essa hora, ninguém os conhece: nem os Anjos do Céu, nem o Filho; só o Pai".





Catequese com o Papa Francisco - 11.11.2015


Quarta-feira, 11 de Novembro de 2015








Estimados irmãos e irmãs, bom dia!

Hoje reflectimos sobre uma qualidade característica da vida familiar que se aprende desde os primeiros anos de vida: o convívio, isto é, a atitude a partilhar os bens da vida e a sentir-se feliz por o poder fazer. Partilhar e saber partilhar é uma virtude preciosa! O seu símbolo, o seu «ícone», é a família reunida ao redor da mesa doméstica. A partilha da refeição — e portanto, além do alimento, também dos afectos, das narrações, dos eventos... — é uma experiência fundamental. Quando há uma festa, um aniversário, todos se reúnem à volta da mesa. Nalgumas culturas costuma-se fazê-lo inclusive para um luto, a fim de permanecer próximo de quem sofre pela perda de um familiar.

O convívio é um termómetro garantido para medir a saúde das relações: se em família tem algum problema, ou uma ferida escondida, à mesa compreende-se imediatamente. Uma família que raramente faz as refeições unida, ou na qual à mesa não se fala mas assiste-se à televisão, ou se olha para o smartphone, é uma família «pouco família». Quando os filhos à mesa continuam ligados ao computador, ao telemóvel, e não se ouvem entre si, isto não é família, é um pensionato.

O Cristianismo tem uma especial vocação para o convívio, todos o sabem. O Senhor Jesus ensinava de bom grado à mesa, e às vezes representava o reino de Deus como um banquete festivo. Jesus escolheu a mesa também para confiar aos discípulos o seu testamento espiritual — fê-lo durante uma ceia — condensado no gesto memorial do seu Sacrifício: dom do seu Corpo e do seu Sangue como Alimento e Bebida de salvação, que nutrem o amor verdadeiro e duradouro.

Nesta perspectiva, podemos dizer que a família é «de casa» na Missa, precisamente porque leva à Eucaristia a própria experiência de convívio e a abre à graça de uma convivência universal, do amor de Deus pelo mundo. Participando na Eucaristia, a família é purificada da tentação de se fechar em si mesma, fortalecida no amor e na fidelidade, e amplia os confins da própria fraternidade segundo o coração de Cristo.

Neste nosso tempo, marcado por tantos fechamentos e por demasiados muros, a convivência, gerada pela família e dilatada pela Eucaristia, torna-se uma oportunidade crucial. A Eucaristia e as famílias nutridas por ela podem vencer os fechamentos e construir pontes de acolhimento e de caridade. Sim, a Eucaristia de uma Igreja de famílias, capazes de restituir à comunidade o fermento diligente da convivência e da hospitalidade recíproca, é uma escola de inclusão humana que não teme confrontos! Não há pequeninos, órfãos, débeis, indefesos, feridos e desiludidos, desesperados e abandonados, que o convívio eucarístico das famílias não possa nutrir, fortalecer, proteger e hospedar.

A memória das virtudes familiares ajuda-nos a compreender. Nós mesmos já conhecemos, e ainda conhecemos, quantos milagres podem acontecer quando uma mãe tem olhar e atenção, assistência e cuidado pelos filhos dos outros, além dos próprios. Até recentemente, era suficiente uma mãe para todas as crianças da praça! E ainda: sabemos bem que força adquire um povo cujos pais estão prontos a mover-se em protecção dos filhos de todos, porque consideram os filhos um bem indivisível, que são felizes e orgulhosos de proteger.

Hoje muitos contextos sociais põem obstáculos ao convívio familiar. É verdade, hoje não é fácil. Devemos encontrar o modo de a recuperar. À mesa fala-se, à mesa ouve-se. Nada de silêncio, aquele silêncio que não é o silêncio das monjas mas o silêncio do egoísmo, onde cada um está sozinho, ou a televisão ou o computador... e não se fala. Não, nada de silêncio. É preciso recuperar aquele convívio familiar adaptando-o aos tempos. A convivência parece que se tornou algo que se compra e se vende, mas assim é outra coisa. E o nutrimento não é sempre o símbolo de uma partilha justa dos bens, capaz de alcançar quem não tem pão nem afectos. Nos países ricos somos induzidos a gastar por uma alimentação excessiva e depois de novo somos induzidos a remediar o excesso. E este «negócio» insensato distrai a nossa atenção da fome verdadeira, do corpo e da alma. Quando não há convivência há egoísmo, cada um pensa em si mesmo. Tanto que a publicidade a reduziu a uma apatia de lanches e a uma vontade de docinhos. Enquanto tantos, demasiados irmãos e irmãs permanecem longe da mesa. É um pouco vergonhoso!

Olhemos para o mistério do Banquete eucarístico. O Senhor parte o seu Corpo e derrama o seu Sangue por todos. Deveras não há divisão que possa resistir a este Sacrifício de comunhão; só a atitude de falsidade, de cumplicidade com o mal pode excluir dele. Qualquer outra distância não pode resistir ao poder indefeso deste pão partido e deste vinho derramado, Sacramento do único Corpo do Senhor. A aliança viva e vital das famílias cristãs, que precede, apoia e abraça no dinamismo da sua hospitalidade as dificuldades e as alegrias diárias, coopera com a graça da Eucaristia, que é capaz de criar comunhão sempre nova com a sua força que inclui e salva.

A família cristã mostrará precisamente assim a amplidão do seu verdadeiro horizonte, que é o horizonte da Igreja-Mãe de todos os homens, de todos os abandonados e excluídos, em todos os povos. Rezemos para que este convívio familiar possa crescer e amadurecer no tempo de graça do próximo Jubileu da Misericórdia.

Saudações

Saúdo os peregrinos de língua portuguesa, particularmente os fiéis brasileiros de Aracaju, Divinópolis, Pernambuco e São Paulo. Faço votos que este encontro que nos faz sentir membros da única família dos filhos de Deus vos ajude a renovar em vossos lares o desejo de valorizar ainda mais os momentos de convívio junto com as vossas famílias. Que Deus vos abençoe.

Hoje celebramos a memória litúrgica de são Martinho, bispo de Tours, figura muito popular especialmente na Europa, modelo de partilha com os pobres. No próximo ano, em feliz coincidência com o Jubileu da Misericórdia, comemorar-se-á o 17º centenário do seu nascimento.

Dirijo uma saudação aos jovens, aos doentes e aos recém-casados. O Senhor vos ajude, queridos jovens, a ser promotores de misericórdia e reconciliação; apoie-vos a vós, enfermos, para que não percais a confiança, nem sequer nos momentos de dura provação; e vos conceda, queridos recém-casados, encontrar no Evangelho a alegria de acolher qualquer vida humana, sobretudo a débil e indefesa.




Fonte: Vaticano




Angelus com o Papa Francisco - 08.11.2015


Praça São Pedro
Domingo, 8 de Novembro de 2015







Amados irmãos e irmãs, bom dia com este bonito sol!

O trecho do Evangelho deste domingo é composto por duas partes: uma, na qual se descreve como não devem ser os seguidores de Cristo; a outra, na qual se propõe um ideal exemplar de cristão.

Comecemos da primeira: o que não devemos fazer. Na primeira parte, Jesus atribui aos escribas, mestres da lei, três defeitos que se manifestam no seu estilo de vida: soberba, avidez e hipocrisia. Eles — diz Jesus — gostam «de ser cumprimentados nas praças públicas, e de se sentar nas primeiras cadeiras nas sinagogas e de ocupar os primeiros lugares nos banquetes» (Mc 12, 38-39). Mas por detrás de aparências tão solenes escondem-se falsidades e injustiças. Enquanto se ostentam em público, usam a sua autoridade para «devorar os bens das viúvas» (cf. v. 40) que, juntamente com os órfãos e os estrangeiros, eram consideradas as pessoas mais indefesas e menos tuteladas. Além disso, os escribas «rezam prolongadamente para se mostrar» (v. 40). Ainda hoje existe o risco de assumir estas atitudes. Por exemplo, quando se separa a oração da justiça, porque não se pode prestar culto a Deus e prejudicar os pobres. Ou então quando dizemos que amamos a Deus mas, ao contrário, antepomos a Ele a nossa vanglória, a nossa vantagem.

É nesta linha que se insere a segunda parte do Evangelho de hoje. A cena é ambientada no templo de Jerusalém, precisamente no lugar onde as pessoas lançavam as moedas como oferta. Há tantos ricos que oferecem muitas moedas, e há uma mulher pobre, viúva, que só oferece dois tostões, duas pequenas moedas. Jesus observa atentamente aquela mulher e chama a atenção dos discípulos para o contraste evidente da cena. Os ricos deram com grande ostentação aquilo que para eles era supérfluo, enquanto a viúva, com discrição e humildade, ofereceu «tudo o que tinha para o seu sustento» (v. 44); por isso — diz Jesus — ela deu mais do que todos. Por causa da sua pobreza extrema, poderia ter oferecido uma única moeda para o templo e conservado a outra para si. Mas ela não quer dividir a meio com Deus: priva-se de tudo. Na sua pobreza ela entendeu que, se tiver Deus, tem tudo; sente-se amada totalmente por Ele e, por sua vez, ama-o também de modo total. Que bonito exemplo, aquela velhinha!

Hoje Jesus diz-nos, também a nós, que a medida de juízo não é a quantidade, mas a plenitude. Existe uma diferença entre quantidade e plenitude. Podes ter muito dinheiro, mas ser vazio: não há plenitude no teu coração. Durante esta semana, meditai sobre a diferença que existe entre quantidade e plenitude. Não é questão de porta-moedas, mas de coração. Há diferença entre porta-moedas e coração... Existem doenças cardíacas que levam o coração a descer até ao porta-moedas... E isto não é bom! Amar a Deus «com todo o coração» significa confiar nele, na sua Providência, e servi-lo nos irmãos mais pobres sem esperar nada em troca.

Permiti que vos conte uma anedota, que aconteceu na minha diocese precedente. Uma mãe estava à mesa com os seus três filhos; o pai estava no trabalho; e comiam bifes à milanesa... Naquele momento batem à porta e um dos filhos — pequenino, de 5 ou 6 anos, o maior de 7 anos — vai ver quem é, volta e diz: «Mãe, há um mendigo que pede para comer». E a mãe, uma boa cristã, pergunta-lhes: «Que fazemos?» — «Demos-lhe algo, mãe...» — «Muito bem». Pega no garfo e na faca e corta metade de cada um dos bifes. «Ah, não, mãe, não! Assim não! Tira-o do frigorífico» — «Não, façamos três sanduíches assim!». E os filhos aprenderam que a verdadeira caridade se oferece, não com aquilo que nos sobra, mas com o que nos é necessário. Estou convicto de que naquela tarde eles sentiram um pouco de fome... Mas é assim que se faz!

Diante das necessidades do próximo, somos chamados a privar-nos — como aquelas crianças, de metade do bife — de algo que nos é indispensável, não apenas do supérfluo; somos chamados a dar o tempo necessário, não só aquele que nos sobeja; somos chamados a oferecer um nosso talento imediatamente e de modo incondicional, e não depois de o ter utilizado para as nossas finalidades pessoais ou de grupo.

Peçamos ao Senhor que nos admita na escola desta pobre viúva que Jesus, diante da perplexidade dos discípulos, faz subir à cátedra e apresenta como mestra do Evangelho vivo. Mediante a intercessão de Maria, a pobre mulher que ofereceu a sua vida inteira a Deus por nós, peçamos o dom de um coração pobre, mas rico de uma generosidade jubilosa e gratuita.

Depois do Angelus

Sei que muitos de vós ficaram perturbados com as notícias que circularam nos últimos dias, a propósito de documentos reservados da Santa Sé, que foram subtraídos e publicados.

Por isso, gostaria de vos dizer antes de tudo que roubar aqueles documentos é um crime. É um gesto deplorável que não ajuda. Eu mesmo pedi que se fizesse este estudo, e tanto eu como os meus colaboradores já os conhecíamos bem; e foram tomadas algumas medidas que começaram a dar os seus frutos, alguns dos quais já visíveis.

Portanto, quero assegurar-vos que este triste acontecimento não me distrai do trabalho de reforma que levo em frente com os meus colaboradores e com a ajuda de todos vós. Sim, com o apoio da Igreja inteira, porque a Igreja se renova com a oração e com a santidade quotidiana de cada baptizado.

Por conseguinte, agradeço-vos e peço-vos que continueis a rezar pelo Papa e pela Igreja, sem vos deixar perturbar mas indo em frente com confiança e esperança.

Hoje celebra-se na Itália o Dia de Ação de Graças, que este ano tem como tema: «O solo, bem comum». Associo-me aos Bispos formulando votos a fim de que todos trabalhem como administradores responsáveis de um bem colectivo inestimável, a terra, cujos frutos têm um destino universal. É com gratidão que estou próximo do mundo agrícola, enquanto encorajo a cultivar a terra de maneira a preservar a sua fertilidade, a fim de que produza alimento para todos, tanto hoje como para as gerações vindouras. É neste contexto que se celebra em Roma o Dia diocesano para a salvaguarda da criação, que este ano é enriquecida pela «Marcha pela terra».

Saúdo carinhosamente todos vós, romanos e peregrinos. De modo particular, os estudantes franceses da região parisiense, os fiéis provenientes do Japão e da Polônia, assim como os fiéis de Scandicci. Saúdo os representantes da Ordem dos Pregadores — Dominicanos — que ontem inaugurou as celebrações para o oitavo centenário de fundação. Que o Senhor vos abençoe abundantemente nesta celebração. E muito obrigado por tudo o que fazeis na e pela Igreja!

Desejo feliz domingo a todos! E não vos esqueçais de rezar por mim. Bom almoço e até à vista!




Fonte: Vaticano




sábado, 7 de novembro de 2015

Evangelho XXXII Domingo do Tempo Comum - Ano B


São Marcos 12, 38-44

Naquele tempo, Jesus ensinava a multidão, dizendo: "Acautelai-vos dos escribas, que gostam de exibir longas vestes, de receber cumprimentos nas praças, de ocupar os primeiros assentos nas sinagogas e os primeiros lugares nos banquetes. Devoram as casas das viúvas com pretexto de fazerem longas rezas. Estes receberão uma sentença mais severa". Jesus sentou-Se em frente da arca do tesouro a observar como a multidão deitava o dinheiro na caixa. Muitos ricos deitavam quantias avultadas. Veio uma pobre viúva e deitou duas pequenas moedas, isto é, um quadrante. Jesus chamou os discípulos e disse-lhes: "Em verdade vos digo: Esta pobre viúva deitou na caixa mais do que todos os outros. Eles deitaram do que lhes sobrava, mas ela, na sua pobreza, ofereceu tudo o que tinha, tudo o que possuía para viver".








Catequese com o Papa Francisco - 04.11.2015


Quarta-feira, 4 de Novembro de 2015








Caros irmãos e irmãs, bom dia!

Na Assembleia do Sínodo dos Bispos, há pouco encerrada, meditou-se profundamente sobre a vocação e a missão da família na vida da Igreja e da sociedade contemporânea. Foi um evento de graça! No final, os Padres sinodais entregaram-me o texto das suas conclusões. Eu quis que este texto fosse publicado, para que todos se tornassem partícipes do trabalho que nos viu caminhar juntos por dois anos. Não é este o momento de examinar tais conclusões, sobre as quais eu mesmo devo meditar.

Entretanto, a vida não pára, em particular a vida das famílias não se detém! Vós, amadas famílias, estais sempre a caminho. E inscreveis constantemente já nas páginas da vida concreta a beleza do Evangelho da família. Num mundo que às vezes se torna árido de vida e de amor, vós falais todos os dias do grande dom que são o matrimónio e a família.

Hoje gostaria de sublinhar este aspecto: que a família é uma grande escola de preparação para o dom e para o perdão recíproco,sem o qual nenhum amor pode ser duradouro. Sem se doar e sem se perdoar, o amor não subsiste, não perdura. Na oração que Ele mesmo nos ensinou — ou seja, o Pai-Nosso — Jesus leva-nos a pedir ao Pai: «Perdoai-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido». E no fim comenta: «Porque se perdoardes aos homens as suas ofensas, o vosso Pai celeste também vos perdoará. Mas se não perdoardes aos homens, tampouco o vosso Pai vos perdoará» (Mt 6, 12.14-15). Não se pode viver sem se perdoar, ou pelo menos não se pode viver bem, especialmente em família. Todos os dias cometemos injustiças uns contra os outros. Devemos ter em consideração estas injustiças, devidas à nossa fragilidade e ao nosso egoísmo. No entanto, o que nos pedem é que curemos imediatamente as feridas que causamos uns aos outros, que voltemos a tecer imediatamente os fios que dilaceramos em família. Se esperarmos demais, tudo se tornará mais difícil. E existe um segredo simples para curar as feridas e para resolver as acusações. É este: não deixar que o dia termine sem pedir perdão, sem fazer as pazes entre marido e esposa, entre pais e filhos, entre irmãos e irmãs... entre nora e sogra! Se aprendermos imediatamente a pedir e a conceder o perdão recíproco, as feridas curam-se, o matrimónio fortalece-se e a família se torna um lar cada vez mais sólido, que resiste aos abalos das nossas pequenas e grandes maldades. E para isto não é necessário pronunciar um grande discurso, mas é suficiente uma carícia: uma carícia e tudo acaba e recomeça. Mas nunca termineis o dia em guerra!

Se aprendermos a viver assim em família, façamo-lo também fora, onde quer que nos encontremos. É fácil ser cépticos acerca disto. Muitos — inclusive entre os cristãos — pensam que é um exagero. Diz-se: sim, são palavras bonitas, mas é impossível pô-las em prática. Mas graças a Deus não é assim. De facto, é precisamente ao receber o perdão de Deus que. por nossa vez, somos capazes de perdão em relação aos outros. Por isso, Jesus faz-nos repetir estas palavras cada vez que recitamos a oração do Pai-Nosso, isto é, todos os dias. E é indispensável que, numa sociedade muitas vezes impiedosa, existam lugares, como a família, onde nós aprendemos a perdoar-nos uns aos outros.

O Sínodo reavivou a nossa esperança também nisto: a capacidade de perdoar e de se perdoar faz parte da vocação e da missão da família. A prática do perdão não só salva as famílias da divisão, mas torna-as capazes de ajudar a sociedade a ser menos malvada e menos cruel. Sim, cada gesto de perdão repara a casa das fendas e solidifica as suas paredes. A Igreja, queridas famílias, está sempre ao vosso lado para vos ajudar a construir a vossa casa sobre a rocha da qual Jesus falou. E não nos esqueçamos estas palavras que precedem imediatamente a parábola da casa: «Não quem diz Senhor, Senhor, entrará no reino dos céus mas aquele que faz a vontade do Pai». E acrescenta: «Muitos me dirão naquele dia: Senhor, Senhor, não profetizamos o teu nome e exorcizamos demónios em teu nome? Eu porém declararei a eles: nunca vos conheci» (cfr Mt 7, 21-23). É uma palavra forte, sem dúvida, que tem a finalidade de nos chocar e nos chamar à conversão.

Garanto-vos, queridas famílias, que se fordes capazes de caminhar sempre cada vez mais decididamente na via das bem-aventuranças, aprendendo e ensinando a perdoar-vos reciprocamente, em toda a grande família da Igreja crescerá a capacidade de dar testemunho da força renovadora do perdão de Deus. Diversamente, fazemos pregações lindíssimas, e talvez até esmagamos algum diabo, mas no final o Senhor não nos reconhecerá como os seus discípulos, porque não tivemos a capacidade de perdoar e de nos fazer perdoar pelos outros!

Deveras as famílias cristãs podem fazer muito pela sociedade de hoje, e também pela Igreja. Por isso, desejo que no Jubileu da Misericórdia as famílias redescubram o tesouro do perdão recíproco. Rezemos para que as famílias sejam casa vez mais capazes de viver e construir estradas concretas de reconciliação, nas quais ninguém se sinta abandonado ao peso das suas ofensas.

Com esta intenção, rezemos juntos: «Pai nosso, perdoai as nossas ofensas assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido».

Saudações

Com cordial afeto, saúdo todos os peregrinos de língua portuguesa, em particular o grupo brasileiro de Mogi das Cruzes. O Senhor vos abençoe, para serdes em toda a parte farol de luz do Evangelho para todos. Possa esta peregrinação fortalecer nos vossos corações o sentir e o viver com a Igreja. Nossa Senhora acompanhe e proteja a vós todos e aos vossos entes queridos!

Dirijo um pensamento aos jovens, aos doentes e aos recém-casados. Ontem celebramos a memória de são Martinho de Porres. A sua grande caridade seja exemplo a vós, queridos jovens, para viver a vida como doação; o seu abandono em Cristo Salvador vos apoie, queridos doentes, nos momentos difíceis do sofrimento; e o seu vigor espiritual vos dê força, queridos casais, no vosso caminho conjugal.




Fonte: Vaticano




Angelus com o Papa Francisco - 01.11.2015


Praça São Pedro
Domingo, 1° de Novembro de 2015








Amados irmãos e irmãs, bom dia e boa festa!

Na celebração de hoje, festa de Todos os Santos, sentimos particularmente viva a realidade da comunhão dos santos, a nossa grande família, formada por todos os membros da Igreja, quer pelos que ainda são peregrinos na terra, quer por aqueles — imensamente mais numerosos — que já a deixaram e foram para o Céu. Estamos todos unidos, e isto chama-se «comunhão dos santos», ou seja, a comunidade de todos os baptizados.

Na liturgia, o Livro do Apocalipse recorda a característica essencial dos santos e diz assim: eles são pessoas que pertencem totalmente a Deus. Apresenta-os como uma multidão imensa de «eleitos», vestidos de branco e marcados pelo «selo de Deus» (cf. 7, 2-4.9-14). Mediante este último pormenor, com linguagem alegórica é frisado que os santos pertencem a Deus de modo pleno e exclusivo, são sua propriedade. E que significa ter o selo de Deus na própria vida e pessoa? No-lo diz ainda o apóstolo João: significa que em Jesus Cristo nos tornamos verdadeiramente filhos de Deus (cf. 1 Jo 3, 1-3).

Estamos cientes deste grande dom? Todos somos filhos de Deus! Recordamo-nos de que no Baptismo recebemos o «selo» do nosso Pai celeste e tornamo-nos seus filhos? Para o dizer de maneira simples: temos o sobrenome de Deus, o nosso sobrenome é Deus, porque somos filhos de Deus. Encontra-se aqui a raiz da vocação para a santidade! E os santos que hoje recordamos são precisamente aqueles que viveram na graça do seu Baptismo, conservaram íntegro o «selo» comportando-se como filhos de Deus, procurando imitar Jesus; e agora alcançaram a meta, porque finalmente «vêem Deus tal como ele é».

Uma segunda característica típica dos santos é que são exemplos para imitar. Prestemos atenção: não só os que foram canonizados, mas os santos, por assim dizer, «da porta ao lado», que, com a graça de Deus, se esforçaram por praticar o Evangelho na normalidade da sua vida. Santos assim também nós os encontramos; talvez tenhamos tido algum na família, ou entre os amigos e conhecidos. Devemos estar-lhes gratos, e sobretudo devemos estar gratos a Deus que no-los doou, que os colocou próximos de nós, como exemplos vivos e contagiosos do modo de viver e de morrer na fidelidade ao Senhor Jesus e ao seu Evangelho. Quantas pessoas boas encontrámos e conhecemos, e dizemos: «Mas esta pessoa é um santo!», dizemo-lo, vem-nos espontâneo. Estes são os santos da porta ao lado, os não canonizados mas que vivem connosco.

Imitar os seus gestos de amor e de misericórdia é um pouco como perpetuar a sua presença neste mundo. E com efeito aqueles gestos evangélicos são os únicos que resistem à destruição da morte: um acto de ternura, uma ajuda generosa, um tempo passado a ouvir, uma visita, uma boa palavra, um sorriso... Aos nossos olhos estes gestos podem parecer insignificantes, mas aos olhos de Deus são eternos, porque o amor e a compaixão são mais fortes que a morte.

A Virgem Maria, Rainha de Todos os Santos, nos ajude a ter mais confiança na graça de Deus, para caminhar com entusiasmo pela vereda da santidade. Confiemos à nossa Mãe o nosso compromisso diário, e peçamos-lhe também pelos nossos queridos defuntos, com a profunda esperança de nos encontrarmos um dia, todos juntos, na comunhão gloriosa do Céu.

APELO

Amados irmãos e irmãs!

Os dolorosos episódios que nestes últimos dias exacerbaram a delicada situação da República Centro-Africana suscitam profunda preocupação no meu coração. Faço apelo às partes envolvidas para que se ponha fim a este ciclo de violências. Estou espiritualmente próximo dos Padres combonianos da paróquia de Nossa Senhora de Fátima em Bangui, que acolhem numerosos refugiados. Expresso a minha solidariedade à Igreja, às outras confissões religiosas e a toda a nação Centro-Africana, tão duramente provada enquanto fazem todos os esforços para superar as divisões e retomar o caminho da paz. Para manifestar a proximidade orante de toda a Igreja a esta Nação tão assolada e atormentada e exortar todos os centro-africanos a serem cada vez mais testemunhas de misericórdia e de reconciliação, no domingo 29 de Novembro tenciono abrir a porta santa da catedral de Bangui, durante a Viagem apostólica que espero poder realizar àquela Nação.

Desejo a todos paz e serenidade na companhia espiritual dos Santos. Bom domingo e por favor, não vos esqueçais de rezar por mim. Bom almoço e até à próxima!




Fonte: Vaticano




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