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domingo, 25 de dezembro de 2016

Evangelho do Natal do Senhor


São João 1, 1-18 

No princípio era o Verbo e o Verbo estava com Deus e o Verbo era Deus. No princípio, Ele estava com Deus. Tudo se fez por meio d’Ele e sem Ele nada foi feito. N’Ele estava a vida e a vida era a luz dos homens. A luz brilha nas trevas e as trevas não a receberam. (Apareceu um homem enviado por Deus, chamado João. Veio como testemunha, para dar testemunho da luz, a fim de que todos acreditassem por meio dele. Ele não era a luz, mas veio para dar testemunho da luz.). O Verbo era a luz verdadeira, que, vindo ao mundo, ilumina todo o homem. Estava no mundo e o mundo, que foi feito por Ele, não O conheceu. Veio para o que era seu e os seus não O receberam. Mas, àqueles que O receberam e acreditaram no seu nome, deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus. Estes não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus. E o Verbo fez-Se carne e habitou entre nós. Nós vimos a sua glória, glória que Lhe vem do Pai como Filho Unigênito, cheio de graça e de verdade. (João dá testemunho d’Ele, exclamando: "Era deste que eu dizia: ‘O que vem depois de mim passou à minha frente, porque existia antes de mim’". Na verdade, foi da sua plenitude que todos nós recebemos graça sobre graça. Porque, se a Lei foi dada por meio de Moisés, a graça e a verdade vieram por meio de Jesus Cristo. A Deus, nunca ninguém O viu. O Filho Unigênito, que está no seio do Pai, é que O deu a conhecer.)






Catequese com o Papa Francisco - 21.18.2016


Sala Paulo VI
Quarta-feira, 21 de dezembro de 2016








Caros irmãos e irmãs, bom dia!

Há pouco começamos um caminho de catequese sobre o tema da esperança, mais oportuno do que nunca no tempo de Advento. Quem nos orientou até agora foi o profeta Isaías. Hoje, a poucos dias do Natal, gostaria de meditar de modo mais específico sobre o momento em que, por assim dizer, a esperança entrou no mundo, com a encarnação do Filho de Deus. O próprio Isaías tinha prenunciado o nascimento do Messias nalguns trechos: «Eis que uma Virgem conceberá e dará à luz um filho, ao qual será dado o nome de Emanuel» (7, 14); e também: «Um renovo sairá do tronco de Jessé, um rebento brotará das suas raízes» (11, 1). Nestas passagens transparece o sentido do Natal: Deus cumpre a promessa, fazendo-se homem; não abandona o seu povo, aproxima-se a ponto de se despojar da sua divindade. De tal modo Deus demonstra a sua fidelidade e inaugura um Reino novo, que confere uma nova esperança à humanidade. E qual é esta esperança? A vida eterna.

Quando falamos de esperança, referimo-nos muitas vezes àquilo que não está no poder do homem e que não é visível. Com efeito, o que esperamos vai além das nossas forças e do nosso olhar. Mas o Natal de Cristo, inaugurando a redenção, fala-nos de uma esperança diferente, de uma esperança confiável, visível e compreensível, porque fundada em Deus. Ele entra no mundo e dá-nos a força de caminhar com Ele: Deus caminha ao nosso lado em Jesus, e caminhar com Ele rumo à plenitude da vida dá-nos a força de viver o presente de maneira nova, embora difícil. Então, para o cristão esperar significa a certeza de estar a caminho com Cristo rumo ao Pai que nos aguarda. A esperança nunca está parada, a esperança está sempre a caminho e leva-nos a caminhar. Esta esperança, que o Menino de Belém nos confere, oferece uma meta, um destino bom para o presente, a salvação à humanidade, a bem-aventurança a quantos confiam em Deus misericordioso. São Paulo resume tudo isto com a expressão: «Fomos salvos pela esperança» (Rm 8, 24). Ou seja, caminhando neste mundo, com esperança, fomos salvos. E aqui cada um de nós pode formular a pergunta: caminho com esperança ou a minha vida interior está parada, fechada? O meu coração é uma gaveta fechada ou uma gaveta aberta à esperança, que me faz caminhar não sozinho, mas com Jesus?

Nas casas dos cristãos, durante o tempo de Advento, prepara-se o presépio, segundo a tradição que remonta a São Francisco de Assis. Na sua simplicidade, o presépio transmite esperança; cada um dos personagens está imerso nesta atmosfera de esperança.

Antes de tudo, observamos o lugar em que Jesus nasce: Belém. Pequeno povoado da Judeia, onde mil anos antes tinha nascido David, o pequeno pastor escolhido por Deus como rei de Israel. Belém não é uma capital, e por isso é preferida pela providência divina, que gosta de agir através dos pequeninos e dos humildes. Naquele lugar nasce o «filho de David» tão esperado, Jesus, em quem se encontram a esperança de Deus e a esperança do homem.

Depois olhamos para Maria, Mãe da esperança. Com o seu «sim» abriu a Deus a porta do nosso mundo: o seu coração de jovem estava cheio de esperança, totalmente animada pela fé; e assim Deus escolheu-a e ela acreditou na sua palavra. Aquela que por nove meses foi a arca da nova e eterna Aliança, na gruta contempla o Menino e nele vê o amor de Deus, que vem para salvar o seu povo e a humanidade inteira. Ao lado de Maria está José, descendente de Jessé e de David; também ele acreditou nas palavras do anjo e, olhando para Jesus na manjedoura, medita que aquele Menino vem do Espírito Santo, e que o próprio Deus lhe ordenou que o chamassem assim, «Jesus». Naquele nome está a esperança para cada homem, porque mediante aquele filho de mulher, Deus salvará a humanidade da morte e do pecado. Por isso é importante olhar para o presépio!

E no presépio estão também os pastores, que representam os humildes e os pobres que esperavam o Messias, a «consolação de Israel» (Lc 2, 25) e a «libertação de Jerusalém» (Lc 2, 38). Naquele Menino veem o cumprimento das promessas e aguardam que a salvação de Deus finalmente chegue para cada um deles. Quem confia nas próprias seguranças, sobretudo materiais, não espera a salvação de Deus. Coloquemos isso na cabeça: as nossas seguranças não nos salvarão; a única segurança que nos salva é a esperança em Deus. Salva-nos porque é forte e nos leva a caminhar na vida com alegria, com o desejo de praticar o bem, com a vontade de ser felizes para a eternidade. Ao contrário, os pequeninos, os pastores, confiam em Deus, esperam n’Ele e alegram-se quando reconhecem naquele Menino o sinal indicado pelos anjos (cf. Lc 2, 12).

E precisamente o coro de anjos anuncia do alto o grande desígnio que aquele Menino realiza: «Glória a Deus no mais alto dos céus e na terra paz aos homens, que Ele ama» (Lc 2, 14). A esperança cristã manifesta-se no louvor e na ação de graças a Deus, que inaugurou o seu Reino de amor, de justiça e de paz.

Estimados irmãos e irmãs, nestes dias, contemplando o presépio, preparamo-nos para o Natal do Senhor. Será verdadeiramente uma festa, se recebermos Jesus, semente de esperança que Deus coloca nos sulcos da nossa história pessoal e comunitária. Cada «sim» a Jesus que vem é um rebento de esperança. Tenhamos confiança neste rebento de esperança, neste sim: «Sim, Jesus, Tu podes salvar-me, Tu podes salvar-me». Feliz Natal de esperança a todos!

Saudações

Queridos peregrinos de língua portuguesa, desejo um Natal verdadeiramente cristão a todos vós e às vossas famílias, de tal modo que os votos de «Boas Festas», que ides trocar uns com os outros, sejam expressão da alegria que sentis por saber que Deus está no meio de nós. Ele quer percorrer juntamente connosco o caminho da vida! Para todos, os meus votos de Santo Natal e feliz Ano Novo, repleto das bênçãos do Deus Menino.

Dou cordiais boas-vindas aos peregrinos de expressão árabe, em especial aos provenientes do Médio Oriente! Amados irmãos e irmãs, aproximai-vos do mistério de Belém com os mesmos sentimentos de fé e de humildade que teve Maria, hauri do presépio a alegria e a paz íntima que Jesus vem trazer ao mundo. Feliz Natal!

À luz de um encontro recente que tive com o Presidente e o Vice-Presidente da Conferência Episcopal da República Democrática do Congo, dirijo novamente um premente apelo a todos os congoleses para que, neste delicado momento da sua história, sejam artífices de reconciliação e de paz. Quem tem responsabilidades políticas ouça a voz da sua consciência, saiba ver os sofrimentos cruéis dos seus concidadãos e tenha a peito o bem comum. Garantindo o meu apoio e afeto ao amado povo daquele país, convido todos a deixar-se guiar pela luz do Redentor do mundo e rezo para que o Natal do Senhor abra caminhos de esperança.

Enfim, dirijo uma saudação especial aos jovens, aos doentes e aos recém-casados. Prezados jovens, preparai-vos para o mistério da Encarnação com a obediência de fé e a humildade que teve Maria. Vós, diletos doentes, hauri dela a força e o ardor por Jesus que vem entre nós. E vós, estimados recém-casados, contemplai o exemplo da sagrada Família de Nazaré, para praticar as mesmas virtudes no vosso caminho de vida familiar.




Fonte: Vaticano




Angelus com o Papa Francisco - 18.12.2016


Praça São Pedro
Domingo, 18 de dezembro de 2016








Bom dia, amados irmãos e irmãs!

A liturgia de hoje, que é o quarto e último domingo de Advento, caracteriza-se pelo tema da proximidade, a proximidade de Deus à humanidade. O trecho do Evangelho (cf. Mt 1, 18-24) mostra-nos as duas pessoas, as duas pessoas que, mais do que qualquer outra, participaram neste mistério de amor: a Virgem Maria e o seu esposo José. Mistério de amor, mistério de proximidade de Deus à humanidade.

Maria é apresentada à luz da profecia, que reza: «Eis que a Virgem conceberá e dará à luz um Filho» (v. 23). O evangelista Mateus reconhece que isto aconteceu em Maria, a qual concebeu Jesus por obra do Espírito Santo (cf. v. 18). O Filho de Deus «vem» ao seu ventre para se tornar homem e Ela aceita-o. Assim, de modo singular, Deus aproximou-se do ser humano assumindo a carne de uma mulher: Deus aproximou-se de nós e encarnou numa mulher. Também de nós, de outra maneira, Deus se aproxima com a sua graça para entrar na nossa vida e para nos oferecer o dom do seu Filho. E nós, como reagimos? Acolhemo-lo, deixamo-lo aproximar-se ou preferimos rejeitá-lo, afastá-lo? Do mesmo modo como Maria, oferecendo-se livremente ao Senhor da história, lhe permitiu mudar o destino da humanidade, assim também nós, recebendo Jesus e procurando segui-lo todos os dias, podemos cooperar no seu desígnio de salvação sobre nós mesmos e sobre o mundo. Portanto, Maria aparece como modelo para o qual olhar e sustentáculo com o qual contar na nossa busca de Deus, na nossa proximidade a Deus, neste gesto de deixar que Deus se aproxime de nós e no nosso compromisso a fim de construir a civilização do amor.

O outro protagonista do Evangelho de hoje é são José. O evangelista evidencia que José, sozinho, não pode encontrar uma explicação do acontecimento que vê verificar-se diante dos seus olhos, ou seja, a gravidez de Maria. Precisamente então, naquele momento de dúvida e inclusive de angústia, Deus aproxima-se dele — também dele — mediante um seu mensageiro, esclarecendo-lhe a natureza daquela maternidade: «O Menino que nela foi concebido vem do Espírito Santo» (v. 20). Assim, diante deste acontecimento extraordinário, que certamente suscita muitas interrogações no seu coração, confia de maneira total em Deus que se aproxima dele e, aceitando o seu convite, não rejeita a sua noiva, mas permanece com Ela, desponsando Maria. Acolhendo Maria, José acolhe consciente e amorosamente Aquele que nela foi concebido por obra admirável de Deus, para quem nada é impossível. José, homem humilde e justo (cf. v. 19), ensina-nos a confiar sempre em Deus, que se aproxima de nós: quando Deus se aproxima de nós, temos o dever de nos confiarmos a Ele. José ensina-nos a deixar-nos orientar por Ele com obediência voluntária.

Estas duas figuras, Maria e José, os quais foram os primeiros a receber Jesus mediante a fé, introduzem-nos no mistério do Natal. Maria ajuda-nos a colocar-nos em atitude de disponibilidade para receber o Filho de Deus na nossa vida concreta, na nossa própria carne. José estimula-nos a procurar sempre a vontade de Deus e a segui-la com plena confiança. Ambos se deixaram aproximar por Deus.

«Eis que a Virgem conceberá e dará à luz um Filho que se chamará Emanuel, que significa: Deus connosco» (Mt 1, 23). Assim diz o anjo: «Chamar-se-á Emanuel, que significa: Deus connosco», isto é, Deus perto de nós. E a Deus que se aproxima, abro a porta — ao Senhor — quando sinto uma inspiração interior, quando sinto que me pede que faça algo mais pelo próximo, quando me convoca para a oração? Deus connosco, Deus que se aproxima. Este anúncio de esperança, que se realiza no Natal, leve a cumprimento a expetativa de Deus inclusive em cada um de nós, na Igreja inteira e em numerosos pequeninos que o mundo despreza, mas que Deus ama e dos quais Deus se aproxima.

Depois do Angelus

Saúdo todos vós, fiéis romanos e peregrinos provenientes de vários países, as famílias, os grupos paroquiais e as associações.

Peço a todos vós que oreis para que o diálogo na República Democrática do Congo se realize com serenidade, evitando qualquer tipo de violência para o bem do país inteiro.

Saúdo de modo especial o numeroso grupo da Unitalsi de Roma — como é boa a obra que levais a cabo, muito obrigado! — que deu vida a um presépio vivo, incluindo pessoas portadoras de deficiência; bem como os estudantes do Instituto calabrês de políticas internacionais.

Gostaria de agradecer a todas as pessoas e instituições que ontem quiseram transmitir-me os seus parabéns. Muito obrigado!

Desejo bom domingo a todos: o tempo está bom!

No próximo domingo já será Natal. Durante esta semana — recomendo-vos! — procuremos encontrar alguns momentos para fazer uma pausa, um pouco de silêncio, e imaginar Nossa Senhora e São José que estão a caminho de Belém. Imaginar como andam: a vereda, o cansaço, mas também a alegria, a emoção e depois a ansiedade de encontrar um lugar, a preocupação... e assim por diante. Nisto o presépio ajuda-nos em grande medida. Procuremos entrar no verdadeiro Natal, no Natal de Jesus, que se aproxima de nós — Deus connosco, perto de nós — para receber a graça desta festividade, que é uma graça de proximidade, de amor, de humildade e de ternura.

E naqueles momentos recordai-vos de rezar também por mim. Bom almoço e até à vista!




Fonte: Vaticano




domingo, 18 de dezembro de 2016

Evangelho do IV Domingo do Advento - Ano A


São Mateus 1, 18-24

O nascimento de Jesus deu-se do seguinte modo: Maria, sua Mãe, noiva de José, antes de terem vivido em comum, encontrara-se grávida por virtude do Espírito Santo. Mas José, seu esposo, que era justo e não queria difamá-la, resolveu repudiá-la em segredo. Tinha ele assim pensado, quando lhe apareceu num sonho o Anjo do Senhor, que lhe disse: "José, filho de David, não temas receber Maria, tua esposa, pois o que nela se gerou é fruto do Espírito Santo. Ela dará à luz um Filho e tu pôr-Lhe-ás o nome de Jesus, porque Ele salvará o povo dos seus pecados". Tudo isto aconteceu para se cumprir o que o Senhor anunciara por meio do Profeta, que diz: "A Virgem conceberá e dará à luz um Filho, que será chamado ‘Emanuel’, que quer dizer ‘Deus connosco’". Quando despertou do sono, José fez como o Anjo do Senhor lhe ordenara e recebeu sua esposa.





Catequese com o Papa Francisco - 14.12.2016


Quarta-feira, 14 de dezembro de 2016








Bom dia, amados irmãos e irmãs!

Aproximamo-nos do Natal e, mais uma vez, o profeta Isaías nos ajuda a abrir-nos à esperança recebendo a Boa Nova da vinda da salvação.

O capítulo 52 de Isaías começa com o convite dirigido a Jerusalém para que desperte, sacuda a poeira que a cobre, se livre das cadeias que a prendem e vista trajes de gala, porque o Senhor veio para libertar o seu povo (vv. 1-3). E acrescenta: «O meu povo conhecerá o meu nome, naquele dia compreenderá que sou Eu quem diz: Eis-me!» (v. 6).

A este «eis-me!» pronunciado por Deus, que resume toda a sua vontade de salvação e de proximidade a nós, responde o cântico de júbilo de Jerusalém, segundo o convite do profeta. É um momento histórico muito importante. É o fim do exílio da Babilónia, é para Israel a possibilidade de voltar a encontrar Deus e, na fé, de se encontrar a si mesmo. O Senhor faz-se próximo e o «pequeno resto», ou seja, o pequeno povo que permanecer depois do exílio e que no exílio perseverou na fé, que atravessou a crise e continuou a crer e a esperar até no meio da escuridão, aquele «pequeno resto» poderá ver as maravilhas de Deus.

Nesta altura o profeta insere um cântico de exultação: «Como são belos sobre as montanhas / os pés do mensageiro que anuncia a paz, / do mensageiro que traz as boas novas e anuncia a libertação, / que diz a Sião: “O teu Deus reina!”. / [...] / Prorrompei todos em brados de alegria, / ruínas de Jerusalém / porque o Senhor se compadeceu do seu povo, / e resgatou Jerusalém! / O Senhor descobriu o seu braço santo / aos olhares das nações; / e todos os confins da terra verão / o triunfo do nosso Deus» (Is 52, 7.9-10).

Estas palavras de Isaías, sobre as quais queremos meditar um pouco, referem-se ao milagre da paz, e fazem-no de uma maneira muito especial, pondo o olhar não no mensageiro mas nos seus pés que correm rápidos: «Como são belos sobre as montanhas os pés do mensageiro...».

Parece o esposo do Cântico dos Cânticos, que corre para a sua amada: «Ei-lo que vem, saltando sobre os montes, pulando sobre as colinas» (Ct 2, 8). Assim também corre o mensageiro de paz, para anunciar a feliz notícia de libertação, de salvação, proclamando que Deus reina.

Deus não abandonou o seu povo e não se deixou derrotar pelo mal, porque Ele é fiel e a sua graça é maior do que o pecado. É isto que devemos aprender, porque nós somos teimosos e não o aprendemos. Mas farei uma pergunta: quem é maior, Deus ou o pecado? Deus! E quem vence no final, Deus ou o pecado? Deus! É Ele capaz de derrotar o maior pecado, o mais vergonhoso, o mais terrível, o pior pecado? Com que arma vence Deus o pecado? Com o amor! Isto quer dizer que «Deus reina»; são estas as palavras da fé num Senhor cujo poder se inclina sobre a humanidade, abaixando-se para oferecer a misericórdia e libertar o homem daquilo que nele deturpa a bonita imagem de Deus, porque quando vivemos no pecado a imagem de Deus é desfigurada. E o cumprimento de tanto amor será precisamente o Reino instaurado por Jesus, aquele Reino de perdão e de paz que nós celebramos com o Natal e que se realiza definitivamente na Páscoa. E a alegria mais linda do Natal é este júbilo interior de paz: o Senhor cancelou os meus pecados, o Senhor perdoou-me, o Senhor teve misericórdia de mim, veio para me salvar. Eis a alegria do Natal!

Irmãos e irmãs, são estas as razões da nossa esperança. Quando parece que tudo terminou, quando diante de tantas realidades negativas a fé se torna cansativa e temos a tentação de dizer que já nada tem sentido, eis ao contrário a boa notícia trazida por aqueles pés velozes: Deus vem realizar algo de novo, instaurar um reino de paz; Deus «descobriu o seu braço» e vem trazer liberdade e consolação. O mal não triunfará para sempre, há um fim para a dor. O desespero é derrotado porque Deus está no meio de nós.

E também nós somos estimulados a despertar um pouco, como Jerusalém, segundo o convite que lhe dirige o profeta; somos chamados a tornar-nos homens e mulheres de esperança, colaborando para a vinda deste Reino feito de luz e destinado a todos, homens e mulheres de esperança. Como é desagradável quando encontramos o cristão que perdeu a esperança! «Eu não espero nada, tudo acabou para mim»: assim diz o cristão que não é capaz de fitar horizontes de esperança e, diante do seu coração, só tem um muro. Mas Deus destrói estes muros com o perdão! Por isso devemos rezar para que Deus nos dê a esperança cada dia, a nós e a todos, aquela esperança que nasce quando vemos Deus no presépio em Belém. A mensagem da Boa Nova que nos foi confiada é urgente, e também nós devemos correr como o mensageiro sobre as montanhas, porque o mundo não pode esperar, a humanidade tem fome e sede de justiça, de verdade e de paz.

E vendo o pequeno Menino de Belém, os pequeninos do mundo descobrirão que a promessa se cumpriu, que a mensagem se realizou. Num Menino recém-nascido, necessitado de tudo, envolto em panos e colocado numa manjedoura, está encerrado todo o poder do Deus que salva. O Natal é um dia para abrir o coração: é preciso abrir o coração a tanta pequenez, que se encontra ali naquele Menino, e tanta maravilha. É a maravilha do Natal, para o qual nos preparamos com esperança neste tempo de Advento. É a surpresa de um Deus Menino, de um Deus pobre, de um Deus frágil, de um Deus que abandona a sua grandeza para se fazer próximo de cada um de nós.



Saudações

Amados peregrinos de língua portuguesa, saúdo-vos cordialmente a todos, com votos de um santo Natal de Jesus, vivido com a mesma fé humilde e obediente de Maria e José, que vos faça ver, na força inerme daquele Menino, a vitória final sobre os poderes arrogantes e rumorosos da terra. Bom Natal!

Nestes dias de jubilosa preparação para o Natal, dou as cordiais boas-vindas aos peregrinos de língua italiana. Agradeço a todos vós os bons votos pelo meu iminente aniversário: muito obrigado! Mas dir-vos-ei algo que vos fará rir: na minha terra apresentar as felicitações com antecedência dá azar! E quem dá os parabéns antes do tempo é uma «ave de mau agouro»! É-me grato receber-vos, neo-sacerdotes dos Legionários de Cristo com os vossos familiares, e também vós seminaristas de Brescia: faço votos a fim de que possais viver o vosso sacerdócio com autenticidade, espírito de serviço e capacidade de mediação entre a graça de Deus e a fragilidade da condição humana. Capacidade de mediação: deveis ser mediadores, nunca intermediários.

Enfim, dirijo um pensamento aos jovens, aos doentes e aos recém-casados. Hoje a liturgia faz memória de São João da Cruz, pastor zeloso e místico doutor da Igreja: caros jovens, meditai a grandeza do amor de Jesus, que nasce e morre por nós; prezados doentes, aceitai com mansidão a vossa cruz em união com Cristo pela conversão dos pecadores; e vós, diletos recém-casados, reservai mais espaço à oração, sobretudo neste tempo de Advento, para que a vossa vida se torne um caminho de perfeição cristã.




Fonte: Vaticano




Angelus com o Papa Francisco - 11.12.2016


Praça São Pedro
Domingo, 11 de dezembro de 2016








Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

Celebramos hoje o terceiro domingo de Advento, caracterizado pelo convite de São Paulo: «Alegrai-vos sempre no Senhor. Repito: alegrai-vos! O Senhor está próximo» (Fl 4, 4-5). A alegria à qual o Apóstolo nos exorta não é superficial ou meramente emotiva, nem sequer a mundana, ou aquela alegria do consumismo. Não, não é esta, mas trata-se de uma alegria mais autêntica, da qual estamos chamados a redescobrir o sabor. O sabor da verdadeira alegria. É um júbilo que toca o íntimo do nosso ser, enquanto aguardamos Jesus que já veio trazer a salvação ao mundo, o Messias prometido, nascido da Virgem Maria em Belém. A liturgia da Palavra oferece-nos o contexto adequado para compreender e viver esta alegria. Isaías fala de deserto, de terra árida, de estepe (cf. 35, 1); o profeta tem diante de si mãos débeis, joelhos vacilantes, corações desorientados, cegos, surdos e mudos (cf. vv. 3-6). É o quadro de uma situação de desolação, de um destino inexorável sem Deus.

Mas finalmente a salvação é anunciada: «Tomai ânimo, não temais! — diz o Profeta — [...] Eis o vosso Deus! [...] ele mesmo vem salvar-vos» (cf. Is 35, 4). E imediatamente tudo se transforma: o deserto floresce, a consolação e a alegria invadem os corações (cf. vv. 5-6). Estes sinais anunciados por Isaías como reveladores da salvação já presente, realizam-se em Jesus. Ele mesmo o afirma respondendo aos mensageiros enviados por João Batista. O que diz Jesus a estes mensageiros? «Os cegos veem, os coxos andam, os leprosos são limpos, os surdos ouvem, os mortos ressuscitam» (Mt 11, 5). Não são palavras, mas factos que demonstram como a salvação, que Jesus trouxe, abrange todo o ser humano e o regenera. Deus entrou na história para nos libertar da escravidão do pecado; montou a sua tenda no meio de nós para partilhar a nossa existência, curar as nossas chagas, ligar as nossas feridas e doar-nos a vida nova. A alegria é o fruto desta intervenção de salvação e de amor de Deus.

Somos chamados a deixar-nos arrebatar pelo sentimento de exultação. Esta exultação, esta alegria... Mas ao cristão que não rejubila, falta-lhe alguma coisa, ou então não é cristão! A alegria do coração, a alegria dentro que nos leva por diante e nos incute coragem. O Senhor vem, vem à nossa vida como libertador, vem libertar-nos de todas as escravidões interiores e exteriores. É Ele que nos indica o caminho da fidelidade, da paciência e da perseverança porque, quando ele voltar, a nossa alegria será plena. O Natal está próximo, os sinais do seu aproximar-se são evidentes pelas estradas e nas nossas casas; também aqui na Praça foi colocado o presépio ao lado da árvore. Estes sinais externos convidam-nos a acolher o Senhor que vem sempre e bate à nossa porta, bate ao nosso coração, para estar ao nosso lado; convidam-nos a reconhecer os seus passos entre aqueles dos irmãos que passam ao nosso lado, sobretudo os mais débeis e necessitados.

Hoje somos convidados a rejubilar pela vinda iminente do nosso Redentor; e estamos chamados a partilhar esta alegria com os outros, oferecendo conforto e esperança aos pobres, aos doentes, às pessoas sozinhas e infelizes. A Virgem Maria, a «serva do Senhor», nos ajude a ouvir a voz de Deus na oração e a servi-lo nos irmãos com compaixão, para chegar prontos ao encontro com o Natal, preparando o nosso coração para acolher Jesus.



Depois do Angelus

Amados irmãos e irmãs!

Estou próximo todos os dias, sobretudo com a oração, das pessoas de Alepo. Não devemos esquecer que Alepo é uma cidade, que ali há pessoas: famílias, crianças, idosos, doentes... Infelizmente já nos habituamos à guerra, à destruição, mas não devemos esquecer que a Síria é um país cheio de história, de cultura e de fé. Não podemos aceitar que isto seja negado pela guerra, que é um acúmulo de abusos e de falsidades. Faço apelo ao compromisso de todos, para que seja feita uma escolha de civilização: não à destruição, sim à paz, sim ao povo de Alepo e da Síria.

E rezemos também pelas vítimas de alguns desumanos ataques terroristas que nas últimas horas atingiram vários países. São diversos os lugares, mas infelizmente única é a violência que semeia morte e destruição, e única é também a resposta: fé em Deus e unidade nos valores humanos e civis. Gostaria de expressar uma particular proximidade ao meu amado irmão Papa Tawadros II [Patriarca da Igreja Copta Ortodoxa] e à sua comunidade, rezando pelos mortos e feridos.

Hoje, em Vientiane, no Laos, são proclamados Beatos Mario Borzaga, sacerdote dos Missionários Oblatos de Maria Imaculada, Paulo Thoj Xyooj, fiel leigo catequista e catorze companheiros assassinados por ódio à fé. A sua heróica fidelidade a Cristo possa servir de encorajamento e de exemplo aos missionários e sobretudo aos catequistas, que nas terras de missão desempenham uma preciosa e insubstituível obra apostólica, pela qual toda a Igreja lhes está grata. E pensemos nos nossos catequistas; fazem tanto trabalho, um trabalho tão bom! Ser catequista é uma coisa muito boa: significa levar a mensagem do Senhor para que cresça em nós. Um aplauso aos catequistas, todos!

Saúdo com afeto todos vós, queridos peregrinos provenientes de vários países. Hoje a primeira saudação destina-se às crianças e jovens de Roma, que vieram para a tradicional bênção das estátuas do Meninos Jesus organizada pelos Oratórios paroquiais e pelas Escolas católicas romanas. Queridos jovens, quando rezardes diante do vosso presépio com os vossos pais, pedi ao Menino Jesus que nos ajude a todos a amar Deus e o próximo. E recordai-vos de rezar também por mim, como eu me recordo de vós. Obrigado.

Saúdo os professores da Universidade Católica de Sidney, o coro do Mosteiro de Grijó em Portugal, os fiéis de Barbianello e Campobasso.

A todos um bom domingo. E não vos esqueçais de rezar por mim. E gostaria de dizer uma coisa às crianças e aos jovens: queremos ouvir uma vossa canção! Até à vista e bom almoço! Cantai!




Fonte: Vaticano




domingo, 11 de dezembro de 2016

Evangelho do III Domingo do Advento - Ano A


São Mateus 11, 2-11

Naquele tempo, João Batista ouviu falar, na prisão, das obras de Cristo e mandou-Lhe dizer pelos discípulos: "És Tu Aquele que há-de vir ou devemos esperar outro?" Jesus respondeu-lhes: "Ide contar a João o que vedes e ouvis: os cegos vêem, os coxos andam, os leprosos são curados, os surdos ouvem, os mortos ressuscitam e a boa nova é anunciada aos pobres. E bem-aventurado aquele que não encontrar em Mim motivo de escândalo". Quando os mensageiros partiram, Jesus começou a falar de João às multidões: "Que fostes ver ao deserto? Uma cana agitada pelo vento? Então que fostes ver? Um homem vestido com roupas delicadas? Mas aqueles que usam roupas delicadas encontram-se nos palácios dos reis. Que fostes ver então? Um profeta? Sim, Eu vo-lo digo, e mais que profeta. É dele que está escrito: ‘Vou enviar à tua frente o meu mensageiro, para te preparar o caminho’. Em verdade vos digo: Entre os filhos de mulher, não apareceu ninguém maior do que João Batista. Mas o menor no reino dos Céus é maior do que ele".





domingo, 4 de dezembro de 2016

Evangelho do II Domingo do Advento - Ano A


São Mateus 3, 1-12


Naqueles dias, apareceu João Batista a pregar no deserto da Judeia, dizendo: "Arrependei-vos, porque está perto o reino dos Céus. Foi dele que o profeta Isaías falou, ao dizer: "Uma voz clama no deserto: ‘Preparai o caminho do Senhor, endireitai as suas veredas’". João tinha uma veste tecida com pêlos de camelo e uma cintura de cabedal à volta dos rins. O seu alimento eram gafanhotos e mel silvestre. Acorria a ele gente de Jerusalém, de toda a Judeia e de toda a região do Jordão; e eram baptizados por ele no rio Jordão, confessando os seus pecados. Ao ver muitos fariseus e saduceus que vinham ao seu batismo, disse-lhes: "Raça de víboras, quem vos ensinou a fugir da ira que está para vir? Praticai ações que se conformem ao arrependimento que manifestais. Não penseis que basta dizer: ‘Abraão é o nosso pai’, porque eu vos digo: Deus pode suscitar, destas pedras, filhos de Abraão. O machado já está posto à raiz das árvores. Por isso, toda a árvore que não dá fruto será cortada e lançada ao fogo. Eu batizo-vos com água, para vos levar ao arrependimento. Mas Aquele que vem depois de mim é mais forte do que eu e não sou digno de levar as suas sandálias. Ele batizar-vos-á no Espírito Santo e no fogo. Tem a pá na sua mão: há-de limpar a eira e recolher o trigo no celeiro. Mas a palha, queimá-la-á num fogo que não se apaga".

Catequese com o Papa Francisco - 30.11.2016


Sala Paulo VI
Quarta-feira, 30 de novembro de 2016








Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

Com a catequese de hoje concluímos o ciclo dedicado à misericórdia. As catequeses acabam mas a misericórdia deve continuar! Demos graças a Deus por tudo isto, conservando-o no coração como consolação e conforto.

A última obra de misericórdia espiritual pede que se reze pelos vivos e pelos defuntos. Ao seu lado podemos pôr também a última obra de misericórdia corporal que exorta a sepultar os mortos. Este último pedido pode parecer estranho, mas nalgumas regiões do mundo nas quais se vive sob o flagelo da guerra, com bombardeamentos que dia e noite semeiam medo e vítimas inocentes, esta obra é tristemente atual. A Bíblia oferece um bonito exemplo a este propósito: o do velho Tobit, o qual, arriscando a própria vida, sepultava os mortos apesar da proibição do rei (cf. Tb 1, 17-19; 2, 2-4). Também hoje há quem põe em risco a vida para dar sepultura às pobres vítimas das guerras. Por conseguinte, esta obra de misericórdia corporal não está distante da nossa existência diária. E faz-nos pensar no que acontece na Sexta-Feira Santa, quando a Virgem Maria, com João e algumas mulheres estavam ao pé da cruz de Jesus. Depois da sua morte, veio José de Arimateia, um homem rico, membro do Sinédrio que se tornou discípulo de Jesus, e ofereceu-lhe o seu sepulcro novo, escavado na rocha. Foi pessoalmente ter com Pilatos e pediu o corpo de Jesus: uma verdadeira obra de misericórdia realizada com grande coragem (cf. Mt 27, 57-60)! Para os cristãos, a sepultura é um ato de piedade e também de grande fé. Depomos no túmulo o corpo dos nossos entes queridos com a esperança da sua ressurreição (cf. 1 Cor 15, 1-34). Este rito permanece muito forte e sentido no nosso povo, e encontra ressonâncias especiais no mês de novembro dedicado em particular à recordação e à oração pelos defuntos.

Rezar pelos defuntos, antes de tudo, é um sinal de gratidão pelo testemunho que nos deixaram e pelo bem que praticaram. É uma ação de graças ao Senhor por no-los ter doado e pelo seu amor e amizade. A Igreja reza pelos defuntos de modo particular durante a Santa Missa. O sacerdote diz: «Recordai Senhor dos vossos fiéis que nos precederam com o sinal da fé e dormem o sono da paz. Doai, Senhor, a eles e a todos os que repousam em Cristo, a beatitude, a luz e a paz» (Cânone romano). Uma recordação simples, eficaz, cheia de significado, porque confia os nossos entes queridos à misericórdia de Deus. Rezemos com esperança cristã para que estejam com Ele no paraíso, na expectativa de nos encontrarmos naquele mistério de amor que não compreendemos, mas que sabemos ser verdadeiro porque é uma promessa que Jesus fez. Todos ressuscitaremos e permaneceremos para sempre com Jesus, com Ele.

A recordação dos fiéis defuntos não deve fazer com que nos esqueçamos de rezar também pelos vivos, que connosco diariamente enfrentam as provações da vida. A necessidade desta oração é ainda mais evidente se a pusermos à luz da profissão de fé que diz: «Creio na comunhão dos santos». É o mistério que exprime a beleza da misericórdia que Jesus nos revelou. De facto, a comunhão dos santos indica que todos estamos imersos na vida de Deus e vivemos no seu amor. Todos, vivos e defuntos, estamos na comunhão, isto é, como uma união; unidos na comunidade de quantos receberam o Batismo, e de quantos se nutriram do Corpo de Cristo e fazem parte da grande família de Deus. Todos somos a mesma família, unidos. E por isso rezemos uns pelos outros.

Quantos modos diversos temos para rezar pelo nosso próximo! Todos são válidos e aceites por Deus se feitos com o coração. Penso de maneira particular nas mães e pais que abençoam os seus filhos de manhã e à noite. Ainda permanece este hábito nalgumas famílias: abençoar o filho é uma oração; penso na oração pelos doentes, quando vamos visitá-los e rezamos por eles; na intercessão silenciosa, às vezes com as lágrimas, em muitas situações difíceis pelas quais rezar. Ontem veio à Missa em Santa Marta um homem bom, um empresário. Aquele homem jovem deve fechar a sua fábrica porque não consegue mantê-la e chorava dizendo: «Não tenho coragem de deixar sem trabalho mais de cinquenta famílias. Poderia declarar a falência da empresa: volto para casa com o meu dinheiro, mas o meu coração chorará a vida inteira por estas cinquenta famílias». Eis um bom cristão que reza com as obras: veio à missa para rezar a fim de que o senhor lhe indique uma solução, não só para ele, mas para as cinquenta famílias. Este é um homem que sabe rezar, com o coração e com as ações, sabe orar pelo próximo. Está numa situação difícil. E não procura a saída mais fácil: «Que se arranjem eles». Este é um cristão. Fez-me muito bem ouvi-lo! E talvez haja tantos como ele, hoje, neste momento em que muitas pessoas sofrem pela falta de trabalho; penso também no agradecimento por uma boa notícia sobre um amigo, um parente, um colega... «Obrigado, Senhor, por esta boa coisa!», também isto é rezar pelos outros! Agradecer ao Senhor quando as coisas correm bem. Às vezes, como diz São Paulo, «não sabemos como rezar de modo conveniente, mas o próprio Espírito intercede com gemidos inexprimíveis» (Rm 8, 26). É o Espírito que ora dentro de nós. Portanto, abramos o nosso coração de maneira que o Espírito Santo, perscrutando os desejos que estão no mais profundo de nós, possa purificá-los e realizá-los. Contudo, por nós e pelos outros, peçamos sempre que se faça a vontade de Deus, como no Pai-Nosso, porque a sua vontade é certamente o maior bem, o bem de um Pai que nunca nos abandona: rezar e deixar que o Espírito Santo reze em nós. Isto é bonito na vida: rezar agradecendo, louvando a Deus, pedindo algo, chorando quando há uma dificuldade, como aquele homem. Mas o coração esteja sempre aberto ao Espírito para que reze em nós, connosco e por nós.

Concluindo estas catequeses sobre a misericórdia, comprometamo-nos a rezar uns pelos outros para que as obras de misericórdia corporais e espirituais se tornem cada vez mais o estilo da nossa vida. As catequeses, como disse no início, acabam aqui. Fizemos o percurso das catorze obras de misericórdia mas a misericórdia continua e devemos exercê-la nestes catorze modos. Obrigado.

Saudação

Dirijo uma cordial saudação aos peregrinos de língua portuguesa aqui presentes. Neste início de Advento, somos convidados a ir ao encontro de Jesus que nos espera em todos os necessitados, aos quais podemos levar ajuda com as obras de misericórdia. Também eu quero recordar hoje a dor do povo brasileiro pela tragédia do time de futebol e rezar pelos jogadores defuntos, pelas suas famílias. Na Itália sabemos bem o que isso significa, pois lembramos o acidente aéreo de Superga em 1949. São tragédias duras. Rezemos por eles!



Fonte: Vaticano




Angelus com o Papa Francisco - 27.11.2016


Praça São Pedro
Domingo, 27 de novembro de 2016








Amados irmãos e irmãs, bom dia!

Hoje a Igreja começa um novo ano litúrgico, ou seja, um novo caminho de fé do povo de Deus. E como sempre iniciamos com o Advento. A página do Evangelho (cf. Mt 24, 37-44) introduz-nos num dos temas mais sugestivos do tempo do Advento: a visita do Senhor à humanidade. A primeira visita — todos o sabemos — foi a Encarnação, o nascimento de Jesus na gruta de Belém; a segunda acontece no presente: o Senhor visita-nos continuamente, todos os dias, caminha ao nosso lado e é uma presença de consolação; por fim, teremos a terceira, a última visita, que professamos todas as vezes que recitamos o Credo: «Virá de novo na glória para julgar os vivos e os mortos». Hoje o Senhor fala-nos desta sua última visita, que acontecerá no fim dos tempos, e diz-nos onde o nosso caminho nos conduzirá.

A Palavra de Deus evidencia o contraste entre o normal andamento das coisas, a rotina diária, e a vinda imprevista do Senhor. Jesus diz: «assim como, nos dias anteriores ao dilúvio, comiam, bebiam, casavam e se davam em casamento, até ao dia em que Noé entrou na arca, e não o perceberam, até que veio o dilúvio, e os levou a todos» (vv. 38-39): assim diz Jesus. Surpreende-nos sempre pensar nas horas que precedem uma grande calamidade: todos estão tranquilos, fazem as coisas de costume sem se dar conta de que a sua vida está para ser transtornada. Certamente o Evangelho não nos quer assustar, mas abrir o nosso horizonte à dimensão ulterior, maior, que por um lado relativiza as coisas de cada dia mas ao mesmo tempo as torna preciosas, decisivas. A relação com o Deus que vem visitar-nos confere a cada gesto, a todas as coisas uma luz diversa, uma importância, um valor simbólico.

Desta perspetiva vem também um convite à sobriedade, a não sermos dominados pelas coisas deste mundo, pelas realidades materiais, mas antes a governá-las. Se, ao contrário, nos deixarmos condicionar e dominar por elas, não podemos perceber que há algo muito mais importante: o nosso encontro final com o Senhor: e isto é importante. Aquele, aquele encontro. E as coisas de todos os dias devem ter este horizonte, devem ser orientadas para aquele horizonte. Este encontro com o Senhor que vem por nós. Naquele momento, como diz o Evangelho, «naquele dia dois homens estarão no campo: um será levado, e o outro, deixado» (v. 40). É um convite à vigilância, porque não sabendo quando Ele virá, é preciso estar sempre pronto para partir.

Neste tempo de Advento, estamos chamados a alargar o horizonte do nosso coração, a deixar-nos surpreender pela vida que se apresenta todos os dias com as suas novidades. Para fazer isto, é preciso aprender a não depender das nossas seguranças, dos nossos esquemas consolidados, porque o Senhor vem na hora em que não imaginamos. Vem para nos introduzir numa dimensão mais bela e maior.

Nossa Senhora, Virgem do Advento, nos ajude a não nos considerarmos proprietários da nossa vida, a não opormos resistência quando o Senhor vem para a mudar, mas a estar preparados para nos deixarmos visitar por Ele, hóspede esperado e agradável mesmo se transtorna os nossos planos.

Depois do Angelus

Queridos irmãos e irmãs!

Gostaria de garantir a minha oração pelas populações da América Central, sobretudo da Costa Rica e da Nicarágua, atingidas por um furacão e, a segunda, também por um forte sismo. E rezo ainda pelas do norte da Itália que sofrem devido às inundações.

Saúdo todos vós, peregrinos vindos da Itália e de diversos países: as famílias, os grupos paroquiais, as associações. Em particular, saúdo os fiéis provenientes do Líbano, do Egito, da Eslováquia e o coro de Limburg (Alemanha). Saúdo com afeto a comunidade equatoriana, aqui presente.

A todos desejo bom domingo e bom caminho de Advento para encontrar o Senhor. Que seja um tempo de esperança! Ir rumo ao Senhor que vem ao nosso encontro. A esperança verdadeira, fundada na fidelidade de Deus e sobre a nossa responsabilidade. E por favor, não vos esqueçais de rezar por mim. Bom almoço e até à vista!




Fonte: Vaticano




domingo, 27 de novembro de 2016

Evangelho do I Domingo do Advento - Ano A


São Mateus 24, 37-44

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: "Como aconteceu nos dias de Noé, assim sucederá na vinda do Filho do homem. Nos dias que precederam o dilúvio, comiam e bebiam, casavam e davam em casamento, até ao dia em que Noé entrou na arca; e não deram por nada, até que veio o dilúvio, que a todos levou. Assim será também na vinda do Filho do homem. Então, de dois que estiverem no campo, um será tomado e outro deixado; de duas mulheres que estiverem a moer com a mó, uma será tomada e outra deixada. Portanto, vigiai, porque não sabeis em que dia virá o vosso Senhor. Compreendei isto: se o dono da casa soubesse a que horas da noite viria o ladrão, estaria vigilante e não deixaria arrombar a sua casa. Por isso, estai vós também preparados, porque na hora em que menos pensais, virá o Filho do homem".





Catequese com o Papa Francisco - 23.11.2016


Sala Paulo VI
Quarta-feira, 23 de novembro de 2016








Queridos irmãos e irmãs bom dia!

Acabado o jubileu, hoje voltamos à normalidade, mas permanecem ainda algumas reflexões sobre as obras de misericórdia, e assim continuemos a falar sobre isto.

A reflexão sobre as obras de misericórdia espiritual hoje diz respeito a duas ações fortemente interligadas entre elas: aconselhar os duvidosos e ensinar aos ignorantes, ou seja, a quantos não sabem. A palavra ignorante é demasiado forte, mas quer dizer aqueles que não sabem algo e aos quais se deve ensinar. São obras que se podem viver quer numa dimensão simples, familiar, ao alcance de todos, quer — especialmente a segunda, a de ensinar — num plano mais institucional, organizado. Pensemos, por exemplo, em quantas crianças sofrem ainda de analfabetismo. Não se pode compreender isto: num mundo onde o progresso técnico-científico chegou a um patamar tão alto, há crianças analfabetas! É uma injustiça. Quantas crianças sofrem por falta de instrução. É uma condição de grande injustiça que mina a própria dignidade da pessoa. Além disso, sem instrução tornam-se facilmente reféns da exploração e de várias formas de degradação social.

A Igreja, ao longo dos séculos, sentiu a exigência de se comprometer no âmbito da instrução porque a sua missão de evangelização comporta o empenho de restituir dignidade aos mais pobres. Desde o primeiro exemplo de uma «escola» fundada precisamente aqui em Roma por São Justino, no segundo século, para que os cristãos conhecessem melhor a Sagrada Escritura, até São José de Calasanz, que abriu as primeiras escolas populares gratuitas da Europa, temos uma longa lista de santos e santas que em várias épocas levaram instrução aos mais desfavorecidos, sabendo que através deste caminho teriam ultrapassado a miséria e a discriminação. Quantos cristãos, leigos, irmãos e irmãs consagrados, sacerdotes dedicaram a própria vida à instrução, à educação das crianças e dos jovens. Isto é grande: convido-vos a prestar-lhe uma homenagem com uma calorosa salvas de palma! [aplauso dos fiéis]. Estes pioneiros da instrução tinham compreendido profundamente a obra de misericórdia, tornando-a um estilo de vida capaz de transformar a própria sociedade. Através de um trabalho simples e com poucas estruturas souberam restituir dignidade a muitas pessoas! E a instrução que proporcionavam era muitas vezes orientada também para o trabalho. Mas pensemos em São João Bosco, que preparava os meninos de rua para o trabalho, com o oratório e também com as escolas, os ofícios. Foi assim que surgiram muitas e diversas escolas profissionais, que habilitavam para o trabalho e educavam nos valores humanos e cristãos. Portanto, a instrução é deveras uma forma peculiar de evangelização.

Quanto mais cresce a instrução, mais as pessoas adquirem certezas e consciências, das quais todos necessitamos na vida. Uma boa instrução ensina-nos o método crítico, que inclui também um certo tipo de dúvida, útil para colocar perguntas e verificar os resultados alcançados, em vista de um conhecimento maior. Mas a obra de misericórdia de aconselhar os duvidosos não diz respeito a este tipo de dúvida. Ao contrário, expressar a misericórdia para com os duvidosos equivale a aliviar aquela dor e aquele sofrimento que provém do medo e da angustia que são consequências da dúvida. Portanto, é um ato de verdadeiro amor com o qual se tenciona apoiar uma pessoa na debilidade provocada pela incerteza.

Penso que alguém poderia questionar-me: «Padre, mas eu tenho tantas dúvidas sobre a fé, o que devo fazer? O senhor nunca tem dúvidas?». Tenho muitas... Certamente nalguns momentos as dúvidas surgem para todos! As dúvidas mexem com a fé, no sentido positivo, são o sinal de que queremos conhecer melhor e mais profundamente a Deus, Jesus, e o mistério do seu amor por nós. «Mas, tenho esta dúvida: procuro, estudo, vejo e peço conselhos sobre como agir». Estas são dúvidas que fazem crescer! Por conseguinte, é bom que façamos algumas perguntas sobre a nossa fé, porque deste modo somos impelidos a aprofundá-la. Todavia, as dúvidas devem ser também ultrapassadas. Por isso é necessário ouvir a Palavra de Deus, e compreender o que nos ensina. Um caminho importante que pode ajudar muito neste sentido é a catequese, com a qual o anúncio da fé vem ao nosso encontro no concreto da vida pessoal e comunitária. E há, ao mesmo tempo, outro caminho igualmente importante, o de viver o mais possível a fé. Não façamos da fé uma teoria abstrata onde as dúvidas se multiplicam. Ao contrário, façamos da fé a nossa vida. Procuremos praticá-la no serviço aos irmãos, especialmente dos mais necessitados. E então muitas dúvidas esvaecem, porque sentimos a presença de Deus e a verdade do Evangelho no amor que, sem o nosso mérito, habita em nós e compartilhemos com os outros.

Como podemos observar, queridos irmãos e irmãs, também estas duas obras de misericórdia não estão distantes da nossa vida. Cada um de nós pode comprometer-se em vivê-las para pôr em prática a palavra do Senhor quando diz que o mistério do amor de Deus não foi revelado aos sábios e aos inteligentes, mas aos pequeninos (cf. Lc 10, 21; Mt 11, 25-26). Portanto, o ensinamento mais profundo que somos chamados a transmitir e a certeza mais verdadeira para sair da dúvida, é o amor de Deus com o qual fomos amados (cf. 1 Jo 4, 10). Um grande amor, gratuito e concedido para sempre. Deus nunca retrocede com o seu amor! Vai sempre em frente e espera; doa para sempre o seu amor, do qual devemos sentir grande responsabilidade, para sermos o seu testemunho oferecendo misericórdia aos nossos irmãos. Obrigado.

Saudações

Saúdo cordialmente os fiéis brasileiros de Araguari, Lorena e Manaus e todos os peregrinos presentes de língua portuguesa: obrigado pela vossa presença e sobretudo pelas vossas orações! À Virgem Maria confio os vossos passos ao serviço do crescimento em dignidade humana e divina dos nossos irmãos e irmãs. Sobre vós, vossas famílias e paróquias desça a Bênção do Senhor!

Dirijo por fim um pensamento aos jovens, aos doentes e aos recém-casados. No domingo passado concluímos o Jubileu Extraordinário. Contudo não foi encerrado o coração misericordioso de Deus para nós pecadores, que não cessará de nos inundar com a sua graça. Do mesmo modos nunca se fechem os nossos corações e não deixemos de cumprir sempre as obras de misericórdia corporais e espirituais. A experiência do amor e do perdão de Deus que vivemos neste Ano Santo permaneça em nós como inspiração permanente à caridade em relação aos irmãos.




Fonte: Vaticano




Angelus com o Papa Francisco - 20.11.2016


Praça São Pedro
Domingo, 20 de novembro de 2016








No final desta Celebração, elevemos a Deus o louvor e a ação de graças pelo dom que o Ano Santo da Misericórdia foi para a Igreja e para tantas pessoas de boa vontade. Saúdo com deferência o Presidente da República italiana e as Delegações oficiais presentes. Exprimo profundo reconhecimento aos responsáveis do Governo italiano e às outras Instituições pela colaboração e pelo compromisso assumido. Dirijo um agradecimento caloroso às Forças da Ordem, aos agentes dos serviços de acolhimento, de informação e de saúde, bem como aos voluntários de todas as idades e proveniências. Agradeço de maneira particular ao Pontifício Conselho para a Promoção da Nova Evangelização, ao seu Presidente e àqueles que cooperaram nas suas diversas articulações.

Dirijo uma recordação grata a quantos contribuíram espiritualmente para o bom êxito do Jubileu: penso em tantas pessoas idosas e doentes, que rezaram incessantemente, oferecendo também os seus sofrimentos pelo Jubileu. De modo especial, gostaria de agradecer às monjas de clausura, na vigília do Dia Pro Orantibus, que se celebrará amanhã.

Convido todos a dedicar uma recordação especial a estas nossas Irmãs, que se dedicam totalmente à oração e têm necessidade de solidariedade espiritual e material.

Desejo saudar cordialmente todos vós, que de vários países viestes para o encerramento da Porta Santa da Basílica de São Pedro. A Virgem Maria ajude todos nós a conservar no coração e a fazer frutificar os dons espirituais do Jubileu da Misericórdia.




Fonte: Vaticano




domingo, 20 de novembro de 2016

Evangelho da Solenidade de Cristo Rei - Ano C


Lucas 23, 35-43

Naquele tempo, os chefes dos judeus zombavam de Jesus, dizendo: "Salvou os outros: salve-Se a Si mesmo, se é o Messias de Deus, o Eleito". Também os soldados troçavam d’Ele; aproximando-se para Lhe oferecerem vinagre, diziam:"Se és o Rei dos judeus, salva-Te a Ti mesmo". Por cima d’Ele havia um letreiro: "Este é o Rei dos judeus". Entretanto, um dos malfeitores que tinham sido crucificados insultava-O, dizendo: "Não és Tu o Messias? Salva-Te a Ti mesmo e a nós também". Mas o outro, tomando a palavra, repreendeu-o: "Não temes a Deus, tu que sofres o mesmo suplício? Quanto a nós, fez-se justiça, pois recebemos o castigo das nossas más ações. Mas Ele nada praticou de condenável". E acrescentou: "Jesus, lembra-Te de Mim, quando vieres com a tua realeza". Jesus respondeu-lhe: "Em verdade te digo: Hoje estarás comigo no Paraíso".







Catequese com o Papa Francisco - 16.11.2016


Praça São Pedro
Quarta-feira, 16 de novembro de 2016








Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

Dedicamos a catequese de hoje a uma obra de misericórdia que todos conhecemos muito bem, mas que talvez não a ponhamos em prática como deveríamos: suportar pacientemente as pessoas inoportunas. Todos somos capazes de identificar uma presença que pode incomodar: acontece quando encontramos alguém pela rua, ou quando recebemos um telefonema... Imediatamente pensamos: «Por quanto tempo tenho que ouvir as lamentações, as conversas, as solicitações ou as ostentações desta pessoa?». Às vezes acontece até que as pessoas inoportunas são as mais próximas de nós: entre os parentes há sempre alguma; no lugar de trabalho nunca faltam; e nem no tempo livre ficamos isentos delas. O que devemos fazer com as pessoas inoportunas? Mas também nós muitas vezes somos inoportunos para os outros. Por que entre as obras de misericórdia também ela está inserida?Suportar pacientemente as pessoas inoportunas?

Na Bíblia vemos que o próprio Deus deve usar misericórdia para suportar as lamentações do seu povo. Por exemplo no livro do Êxodo o povo resulta deveras insuportável: primeiro chora porque é escravo no Egito, e Deus liberta-o; depois, no deserto, lamenta-se porque não tem o que comer (cf. 16, 3), e Deus manda-lhe o maná (cf. 16, 13-16), e não obstante tudo as lamentações não cessam. Moisés era o mediador entre Deus e o povo, e também ele às vezes foi inoportuno para o Senhor. Mas Deus teve paciência e assim ensinou a Moisés e ao povo esta dimensão essencial da fé.

Portanto, surge espontânea uma primeira pergunta: às vezes fazemos o exame de consciência para verificar se também nós resultamos inoportunos aos outros? É fácil apontar o dedo contra defeitos e falhas dos outros, mas devemos aprender a pôr-nos no lugar dos outros.

Olhemos sobretudo para Jesus: quanta paciência teve nos três anos da sua vida pública! Certa vez, enquanto caminhava com os discípulos, foi interpelado pela mãe de Tiago e João, a qual lhe disse: «Ordena que estes meus dois filhos se sentem no teu Reino, um à tua direita e outro à tua esquerda» (Mt 20, 21). A mãe fazia a lobby pelos seus filhos, mas era a mãe... Jesus aproveita também esta situação para oferecer um ensinamento fundamental: o seu não é um reino de poder, e não é um reino de glória como os terrenos, mas de serviço e doação aos outros. Jesus ensina a ir sempre ao essencial e a olhar mais longe para assumir com responsabilidade a própria missão. Poderíamos ver aqui a evocação a outras duas obras de misericórdia espiritual: advertir os pecadores e ensinar os ignorantes. Pensemos no grande compromisso que podemos assumir quando ajudamos as pessoas a crescer na fé e na vida. Por exemplo, os catequistas — entre os quais se inserem muitas mães e religiosas — que dedicam tempo para ensinar aos jovens os elementos basilares da fé. Quanto esforço sobretudo quando os jovens prefeririam divertir-se a ouvir o catecismo!

Acompanhar na busca do essencial é bom e importante, porque nos faz partilhar a alegria de saborear o sentido da vida. Com frequência, acontece que nos encontramos com pessoas que dão importância a aspetos superficiais, efémeros e banais; muitas vezes porque não encontraram alguém que as estimulasse a procurar outra coisa, a apreciar os tesouros verdadeiros. Ensinar a olhar para o essencial é uma ajuda determinante, especialmente numa época como a nossa que parece ter perdido a orientação e persegue satisfações a curto prazo. Ensinar a descobrir o que o Senhor quer de nós e como lhes podemos corresponder significa pôr-nos a caminho para crescer na própria vocação, na vereda da alegria autêntica. Assim, as palavras de Jesus à mãe de Tiago e João, e depois ao grupo inteiro dos discípulos, indicam o caminho para evitar a queda na inveja, na ambição e na adulação, tentações que estão sempre à espreita também entre nós cristãos. A exigência de aconselhar, advertir e ensinar não nos deve fazer sentir superiores aos outros, mas obriga-nos antes de tudo a penetrar em nós mesmos para verificar se somos coerentes com quanto exigimos dos outros. Não nos esqueçamos das palavras de Jesus: «Por que vês tu o argueiro no olho do teu irmão e não reparas na trave que está no teu olho?» (Lc 6, 41). O Espírito Santo nos ajude a ser pacientes no suportar e humildes e simples no aconselhar.



Saudações

Saúdo a todos os peregrinos de língua portuguesa, em particular aos sacerdotes e fiéis do Rio de Janeiro, bem como os de Votuporanga e Patos de Minas. Queridos amigos, nesta última semana do Jubileu Extraordinário da Misericórdia, Jesus nos chama a levar a alegria e a consolação do Evangelho a todos os homens, como suas autênticas testemunhas misericordiosas! Que Deus vos abençoe a todos!

No próximo domingo, 20 de novembro, celebrar-se-á o Dia mundial dos direitos da infância e da adolescência. Faço apelo à consciência de todos, instituições e famílias, a fim de que as crianças sejam sempre protegidas e o seu bem-estar tutelado, para que nunca caiam em formas de escravidão, recrutamento em grupos armados e maus-tratos. Faço votos por que a Comunidade internacional possa vigiar sobre a sua vida, garantindo a cada menino e menina o direito à escola e à educação, para que o seu crescimento seja sereno e olhem confiantes para o futuro.

Saúdo de modo especial os jovens, os doentes e os novos casais. No mês de novembro a liturgia convida-nos à oração pelos defuntos. Não esqueçamos todos os que nos amaram e nos precederam na fé, assim como também aqueles dos quais ninguém se recorda: o sufrágio na Celebração Eucarística é a melhor ajuda espiritual que podemos oferecer às suas almas. Recordemos com afeto especial as vítimas do recente terramoto na Itália central: rezemos por elas e pelos familiares e continuemos a ser solidários com quantos sofreram danos.




Fonte: Vaticano




Angelus com o Papa Francisco - 13.11.2016


Praça São Pedro
Domingo, 13 de novembro de 2016








Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

O trecho evangélico de hoje (Lc 21, 5-19) contém a primeira parte do sermão de Jesus sobre os últimos tempos, na redação de São Lucas. Jesus pronuncia-o quando se encontra diante do templo de Jerusalém, partindo das expressões de admiração do povo pela beleza do santuário e das suas decorações (cf. v. 5). Então Jesus diz: «Dias virão em que se não deixará pedra sobre pedra que não seja derrubada» (v. 6). Podemos imaginar o efeito destas palavras sobre os discípulos de Jesus! Contudo, ele não queria ofender o templo, mas fazer compreender, a eles e também a nós hoje, que as construções humanas, até as mais sagradas, são passageiras e não se deve pôr nelas a nossa segurança. Quantas certezas presumíveis na nossa vida pensávamos que fossem definitivas e depois revelaram-se efémeras! Por outro lado, quantos problemas nos pareciam sem solução e depois foram superados!

Jesus sabe que há sempre quem especula sobre a necessidade humana de certezas. Por isso diz: «Vede que não vos enganem» (v. 8), e adverte contra os muitos falsos messias que se teriam apresentado (v. 9). Também hoje! E acrescenta que não se deixem aterrorizar e desorientar por guerras, revoluções e calamidades, porque também elas fazem parte da realidade deste mundo (cf. vv. 10-11). A história da Igreja é rica de exemplos de pessoas que enfrentaram tribulações e sofrimentos terríveis com serenidade, porque sabiam que estavam firmemente nas mãos de Deus. Ele é um Pai fiel, um Pai cuidadoso, que nunca abandona os seus filhos. Deus nunca nos abandona! Devemos ter esta certeza no coração: Deus nunca nos abandona!

Permanecer firmes no Senhor, nesta certeza que Ele nunca nos abandona, caminhar na esperança, trabalhar para construir um mundo melhor, não obstante as dificuldades e os acontecimentos tristes que marcam a existência pessoal e coletiva, é o que deveras conta; é quanto a comunidade cristã está chamada a fazer para ir ao encontro do «dia do Senhor». Precisamente nesta perspetiva queremos enquadrar o empenho que brota destes meses nos quais vivemos com fé o Jubileu Extraordinário da Misericórdia, que hoje se conclui nas Dioceses de todo o mundo com o encerramento das Portas Santas nas igrejas catedrais. O Ano Santo solicitou-nos, por um lado, a manter o olhar fixo no cumprimento do Reino de Deus e, por outro, a construir o futuro nesta terra, trabalhando para evangelizar o presente, de modo a fazer dele um tempo de salvação para todos.

No Evangelho, Jesus exorta-nos a ter muito firme na mente e no coração a certeza de que Deus conduz a nossa história e conhece o fim último das coisas e dos eventos. Sob o olhar misericordioso do Senhor desdobra-se a história no seu fluir incerto e no seu entrelaçar-se de bem e de mal. Mas tudo o que acontece está conservado n’Ele; a nossa vida não se pode perder porque está nas suas mãos. Rezemos à Virgem Maria, para que nos ajude, através das vicissitudes felizes e tristes deste mundo, a manter firme a esperança da eternidade e do Reino de Deus. Rezemos à Virgem Maria, para que nos ajude a compreender profundamente esta verdade: Deus nunca abandona os seus filhos!

Depois do Angelus

Amados irmãos e irmãs!

Nesta semana foi restituído à devoção dos fiéis o crucifixo mais antigo da Basílica de São Pedro, que remonta ao século xiv. Depois de um laborioso restauro foi-lhe restituído o antigo esplendor e será colocado na capela do Santíssimo Sacramento, em recordação do Jubileu da Misericórdia.

Celebra-se hoje na Itália o tradicional Dia de ação de graças pelos frutos da terra e do trabalho do homem. Associo-me aos Bispos ao desejar que a mãe terra seja sempre cultivada de maneira sustentável. A Igreja está ao lado do mundo agrícola com simpatia e reconhecimento e exorta a não esquecer quantos, em várias partes do mundo, não dispõem dos bens essenciais como a alimentação e a água.

Saúdo todos vós, famílias, paróquias, associações e fiéis individualmente, que viestes da Itália e de tantas partes do mundo. Em particular, saúdo e agradeço às associações que nestes dias animaram o Jubileu das pessoas marginalizadas. Muito obrigado pelo trabalho e pela ajuda! Saúdo os peregrinos provenientes do Rio de Janeiro, Salerno, Piacenza, Veroli e Acri, assim como o consultório «La famiglia» de Milão e as Confrarias italianas da Ordem secular trinitária.

A todos desejo bom domingo. Por favor, não vos esqueçais de rezar por mim. Bom almoço e até à vista!



Fonte: Vaticano




domingo, 13 de novembro de 2016

Evangelho do XXXIII Domingo do Tempo Comum - Ano C


Lucas 21, 5-19

Naquele tempo, comentavam alguns que o templo estava ornado com belas pedras e piedosas ofertas. Jesus disse-lhes: "Dias virão em que, de tudo o que estais a ver, não ficará pedra sobre pedra: tudo será destruído". Eles perguntaram-Lhe: "Mestre, quando sucederá isto? Que sinal haverá de que está para acontecer?" Jesus respondeu: "Tende cuidado; não vos deixeis enganar, pois muitos virão em meu nome e dirão: ‘Sou eu’; e ainda: ‘O tempo está próximo’. Não os sigais. Quando ouvirdes falar de guerras e revoltas, não vos alarmeis: é preciso que estas coisas aconteçam primeiro, mas não será logo o fim". Disse-lhes ainda: "Há-de erguer-se povo contra povo e reino contra reino. Haverá grandes terramotos e, em diversos lugares, fomes e epidemias. Haverá fenômenos espantosos e grandes sinais no céu. Mas antes de tudo isto, deitar-vos-ão as mãos e hão-de perseguir-vos, entregando-vos às sinagogas e às prisões, conduzindo-vos à presença de reis e governadores, por causa do meu nome. Assim tereis ocasião de dar testemunho. Tende presente em vossos corações que não deveis preparar a vossa defesa. Eu vos darei língua e sabedoria a que nenhum dos vossos adversários poderá resistir ou contradizer. Sereis entregues até pelos vossos pais, irmãos, parentes e amigos. Causarão a morte a alguns de vós e todos vos odiarão por causa do meu nome; mas nenhum cabelo da vossa cabeça se perderá. Pela vossa perseverança salvareis as vossas almas.





Catequese com o Papa Francisco - 09.10.2016


Praça São Pedro
Quarta-feira, 9 de novembro de 2016








Bom dia, prezados irmãos e irmãs!

A vida de Jesus, sobretudo nos três anos do seu ministério público, foi um encontro incessante com as pessoas. Entre elas, ocuparam um lugar especial os doentes. Quantas páginas dos Evangelhos narram estes encontros! O paralítico, o cego, o leproso, o endemoninhado, o epilético e numerosos enfermos de todos os tipos... Jesus fez-se próximo de cada um deles e curou-os com a sua presença e com o poder da sua força purificadora. Portanto, não pode faltar entre as obras de misericórdia a de visitar e assistir as pessoas enfermas.

Juntamente com ela podemos inserir também a de estar próximo das pessoas que se encontram na prisão. Com efeito, quer os doentes quer os presos vivem uma condição que limita a sua liberdade. E exatamente quando ela nos falta, sentimos como é preciosa! Jesus deu-nos a possibilidade de ser livres, não obstante os limites da doença e as restrições. Oferece-nos a liberdade que deriva do encontro com Ele e do sentido novo que este encontro confere à nossa condição pessoal.

Com estas obras de misericórdia o Senhor convida-nos a um gesto de grande humanidade: a partilha. Recordemos esta palavra: a partilha. Quem está doente, sente-se muitas vezes só. Não podemos esconder que, sobretudo nos nossos dias, é exatamente na doença que experimentamos de maneira mais profunda a solidão, que permeia uma grande parte da vida. Uma visita pode levar a pessoa doente a sentir-se menos só e um pouco de companhia é um ótimo remédio! Um sorriso, uma carícia, um aperto de mão, são gestos simples, mas muito importantes para quem se sente abandonado a si mesmo. Quantas pessoas se dedicam a visitar os enfermos nos hospitais ou nas casas! É uma impagável obra de voluntariado! Quando ela é feita em nome do Senhor, então torna-se inclusive expressão eloquente e eficaz de misericórdia. Não deixemos sós as pessoas doentes! Não impeçamos que elas encontrem alívio, e que nós sejamos enriquecidos pela proximidade a quantos sofrem. Os hospitais são verdadeiras «catedrais da dor», onde contudo se torna evidente também a força da caridade que sustém e sente compaixão.

Penso igualmente em quantos se encontram presos no cárcere. Jesus não se esqueceu também deles. Inserindo a visita aos encarcerados entre as obras de misericórdia, Ele quis convidar-nos antes de tudo a não sermos juízes de ninguém. Sem dúvida, se alguém está na prisão é porque errou, não respeitou a lei e a convivência civil. É por isso que se encontra na prisão, para cumprir a sua pena. Mas independentemente do que tiver feito, o preso continua a ser sempre amado por Deus. Quem pode entrar no íntimo da sua consciência, para compreender o que ele sente? Quem pode entender a sua dor e o seu remorso? É demasiado fácil lavar as mãos, afirmando que ele errou. Ao contrário, o cristão está chamado a responsabilizar-se por ele, para que quem errou compreenda o mal cometido e volte a cair em si mesmo. A falta de liberdade é indubitavelmente uma das maiores privações para o ser humano. Se a ela se acrescentar a degradação devida às condições muitas vezes desprovidas de humanidade nas quais estas pessoas se encontram a viver, então é verdadeiramente o caso em que o cristão se sente provocado a fazer de tudo para lhes restituir a dignidade.

Visitar as pessoas na prisão é uma obra de misericórdia que, sobretudo hoje, adquire um valor especial para as variadas formas de justicialismo às quais estamos submetidos. Portanto, ninguém aponte o dedo contra alguém. Ao contrário, todos nos tornemos instrumentos de misericórdia, com atitudes de partilha e de respeito. Penso com frequência nos presos... penso muitas vezes neles e trago-os no coração. Interrogo-me sobre o que os levou a cometer crimes e como puderam ceder às várias formas de mal. E no entanto, juntamente com tais pensamentos, sinto que todos precisam de proximidade e de ternura, porque a misericórdia de Deus realiza prodígios. Quantas lágrimas vi escorrer no rosto de prisioneiros que talvez nunca tinham chorado na sua vida; e isto só porque se sentiram acolhidos e amados.

E não nos esqueçamos que também Jesus e os Apóstolos fizeram a experiência da prisão. Nas narrações da Paixão, conhecemos os sofrimentos aos quais o Senhor foi submetido: capturado, arrastado como malfeitor, escarnecido, coroado de espinhos... Ele, o único Inocente! E inclusive são Pedro e são Paulo estiveram no cárcere (cf. At 12, 5; Fl 1, 12-17). Na tarde do domingo passado — dedicado ao Jubileu dos Presos — veio visitar-me um grupo de encarcerados paduanos. Perguntei-lhes o que teriam feito no dia seguinte, antes de voltar para Pádua. Disseram-me: «Iremos ao cárcere Mamertino para compartilhar a experiência de são Paulo». Foi bom, fez-me bem ouvir isto. Aqueles presos queriam encontrar Paulo prisioneiro. É algo bom, fez-me bem. E também ali, no cárcere, rezaram e evangelizaram. É comovedora a página dos Atos dos Apóstolos, onde se descreve o aprisionamento de Paulo: ele sentia-se só e desejava que alguns dos seus amigos o visitassem (cf. 2 Tm 4, 9-15). Sentia-se só, porque a grande maioria o tinha abandonado... o grande Paulo.

Como se vê, estas obras de misericórdia são antigas, e no entanto sempre atuais. Jesus deixou aquilo que fazia para ir visitar a sogra de Pedro; uma antiga obra de caridade. Jesus cumpriu-a. Não caiamos na indiferença, mas tornemo-nos instrumentos da misericórdia de Deus. Todos nós podemos ser instrumentos da misericórdia de Deus, e isto fará mais bem a nós do que aos outros, porque a misericórdia passa através de um gesto, de uma palavra, de uma visita, e esta misericórdia é um ato para restituir alegria e dignidade a quem a perdeu.



Saudações

Queridos peregrinos de língua portuguesa, sede bem-vindos! A todos vos saúdo, especialmente aos membros dos grupos e entes vindos do Brasil e de Portugal, convidando-vos a pedir ao Senhor uma fé grande para verdes a realidade com o olhar de Jesus e uma caridade generosa para vos aproximardes das pessoas com o seu coração misericordioso. Assim Deus vos abençoe a vós e às vossas famílias!

Dirijo uma cordial saudação aos peregrinos de expressão árabe, de maneira particular aos provenientes da Jordânia e da Terra Santa. A visita aos doentes e aos encarcerados infunde-lhes muito alívio e encorajamento, a fim de que não sintam a amargura da solidão. A visita proporciona uma grande riqueza também a quantos a realizam e leva a dar graças a Deus pela bênção da saúde e da liberdade. Somos nós que nos enriquecemos, quando nos aproximamos daqueles que sofrem, porque quem sofre desperta em nós a certeza da nossa pequenez e da nossa necessidade de Deus e dos outros. Que o Senhor abençoe todos vós e vos proteja do maligno!

Dirijo uma especial saudação aos jovens, aos doentes e aos recém-casados. Hoje celebramos a Dedicação da Basílica de São João de Latrão, Catedral de Roma. Rezai pelo Sucessor do Apóstolo Pedro, amados jovens, a fim de que ele confirme sempre os irmãos na fé; senti a proximidade do Papa na oração, estimados enfermos, para enfrentar a prova da enfermidade; ensinai com simplicidade a fé aos vossos filhos, diletos recém-casados, alimentando-a com o amor pela Igreja e pelos seus Pastores.




Fonte: Vaticano




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