Início

domingo, 28 de fevereiro de 2016

Evangelho do III Domingo da Quaresma - Ano C


São Lucas 13, 1-9

Naquele tempo, vieram contar a Jesus que Pilatos mandara derramar o sangue de certos galileus, juntamente com o das vítimas que imolavam. Jesus respondeu-lhes: "Julgais que, por terem sofrido tal castigo, esses galileus eram mais pecadores do que todos os outros galileus? Eu digo-vos que não. E se não vos arrependerdes, morrereis todos do mesmo modo. E aqueles dezoito homens, que a torre de Siloé, ao cair, atingiu e matou? Julgais que eram mais culpados do que todos os outros habitantes de Jerusalém? Eu digo-vos que não. E se não vos arrependerdes, morrereis todos de modo semelhante". Jesus disse então a seguinte parábola: "Certo homem tinha uma figueira plantada na sua vinha. Foi procurar os frutos que nela houvesse, mas não os encontrou. Disse então ao vinhateiro: ‘Há três anos que venho procurar frutos nesta figueira e não os encontro. Deves cortá-la. Porque há-de estar ela a ocupar inutilmente a terra?’ Mas o vinhateiro respondeu-lhe: ‘Senhor, deixa-a ficar ainda este ano, que eu, entretanto, vou cavar-lhe em volta e deitar-lhe adubo. Talvez venha a dar frutos. Se não der, mandá-la-ás cortar no próximo ano".





Catequese com o Papa Francisco - 24.02.2016


Praça São Pedro
Quarta-feira, 24 de Fevereiro de 2016








Bom dia, prezados irmãos e irmãs!

Prossigamos as catequeses sobre a misericórdia na Sagrada Escritura. Em vários trechos fala-se dos poderosos, dos reis, dos homens que estão «no alto», e também da sua arrogância e dos seus abusos. A riqueza e o poder são realidades que podem ser boas e úteis para o bem comum, se forem postas ao serviço dos pobres e de todos, com justiça e caridade. Mas quando, como muitas vezes acontece, são vividas como privilégio, egoísmo e prepotência, transformam-se em instrumentos de corrupção e morte. Foi o que aconteceu no episódio da vinha de Nabot, descrito no capítulo 21 do primeiro Livro dos Reis, sobre o qual hoje meditaremos.

Neste texto narra-se que o rei de Israel, Acab, quer comprar a vinha de um homem chamado Nabot, porque aquela vinha confina com o palácio real. A proposta parece legítima, até generosa, mas em Israel as propriedades rurais eram consideradas quase inalienáveis. Com efeito, o livro do Levítico prescreve: «A terra não se venderá para sempre, porque a terra é minha, e vós estais na minha casa como estrangeiros ou hóspedes» (Lv 25, 23). A terra é sagrada, porque constitui um dom do Senhor que, como tal, deve ser guardado e preservado, pois é sinal da bênção divina que passa de geração em geração, e garantia de dignidade para todos. Compreende-se assim a resposta negativa de Nabot ao rei: «Deus me livre de te ceder a herança dos meus pais!» (1 Rs21, 3).

O rei Acab reage a esta rejeição com amargura e indignação. Sente-se ofendido — ele é o rei, o poderoso — diminuído na sua autoridade de soberano e frustrado na possibilidade de satisfazer o seu desejo de posse. Vendo-o tão abatido, a sua esposa Jezabel, uma rainha pagã que tinha aumentado os cultos idolátricos e mandava matar os profetas do Senhor (cf. 1 Rs 18, 4) — não era feia, mas maldosa! — decide intervir. As palavras com as quais se dirige ao rei são muito significativas. Escutai a maldade que está por detrás dessa mulher: «Não és tu, porventura, o rei de Israel? Vamos! Come, não te incomodes. Eu dar-te-ei a vinha de Nabot de Jezrael» (v. 7). Ela põe em evidência o prestígio e o poder do rei que, segundo o seu modo de ver, são postos em discussão pela rejeição de Nabot. Um poder que, ao contrário, ela considera absoluto e mediante o qual todos os desejos do rei se tornam uma ordem. O grande santo Ambrósio escreveu um livrinho sobre este episódio. Chama-se «Nabot». Seria bom lê-lo neste tempo de Quaresma. É muito bonito e deveras concreto.

Recordando tudo isto, Jesus diz-nos: «Sabeis que os chefes das nações as subjugam, e que os grandes as governam com autoridade. Não seja assim entre vós. Todo aquele que quiser tornar-se grande entre vós, que se faça vosso servo. E o que quiser tornar-se o primeiro entre vós, que se faça vosso escravo» (Mt 20, 25-27). Se perdermos a dimensão do serviço, o poder transforma-se em arrogância, tornando-se domínio e opressão. É precisamente isto que acontece no episódio da vinha de Nabot. Sem escrúpulos, a rainha Jezabel decide eliminar Nabot e põe em acção o seu plano. Serve-se das aparências enganadoras de uma legalidade perversa: em nome do rei, envia cartas aos anciãos e aos notáveis da cidade, ordenando que falsas testemunhas acusem publicamente Nabot de ter amaldiçoado a Deus e ao rei, um crime que devia ser punido com a morte. Assim, assassinando Nabot, o rei pode apoderar-se da sua vinha. E não se trata de uma história de outros tempos, mas é uma história também dos nossos dias, dos poderosos que, por terem mais dinheiro, exploram os pobres, exploram o povo. É a história do tráfico de pessoas, do trabalho escravo, dos simples que labutam clandestinamente, com um salário mínimo, para enriquecer os poderosos. É a história dos políticos corruptos, que querem cada vez mais! Por isso eu dizia que seria bom ler este livro de santo Ambrósio, porque se trata de um livro de actualidade.

Eis para onde leva o exercício de uma autoridade sem respeito pela vida, sem justiça e sem misericórdia. E eis para onde leva a sede de poder: torna-se ganância que deseja possuir tudo. A este propósito, há um texto do profeta Isaías que é particularmente iluminador. Nele, o Senhor alerta contra a avidez os ricos latifundiários que querem possuir cada vez mais casas e terrenos. E assim diz o profeta Isaías:

«Ai de vós, que ajuntais casa a casa / e que acrescentais campo a campo / até que não haja mais lugar / e que sejais os únicos / proprietários da terra» (Is 5, 8).

E o profeta Isaías não era comunista! No entanto, Deus é maior do que a malvadez e os jogos sujos feitos pelos seres humanos. Na sua misericórdia envia o profeta Elias para ajudar Acab a converter-se. Agora viremos a página, e como continua a história? Deus vê este crime e bate também à porta do coração de Acab; e o rei, posto diante do seu pecado, compreende, humilha-se e pede perdão. Como seria bom se os poderosos exploradores de hoje fizessem o mesmo! O Senhor aceita o seu arrependimento; no entanto, um inocente foi assassinado, e a culpa cometida terá consequências inevitáveis. Com efeito, o mal praticado deixa os seus vestígios dolorosos, e a história dos homens traz as suas feridas.

Também neste caso, a misericórdia indica a via mestra que deve ser percorrida. A misericórdia pode curar as chagas e inclusive mudar a história. Abre o teu coração à misericórdia! A misericórdia divina é mais forte do que o pecado dos homens. É mais forte, este é o exemplo de Acab! Nós conhecemos o seu poder, quando recordamos a vinda do Inocente Filho de Deus que se fez homem para destruir o mal com o seu perdão. Jesus Cristo é o verdadeiro rei, mas o seu poder é completamente diferente. O seu trono é a cruz. Ele não é um rei que mata mas, ao contrário, dá a vida. O seu ir ao encontro de todos, sobretudo dos mais frágeis, derrota a solidão e o destino de morte para o qual leva o pecado. Com a sua proximidade e ternura, Jesus Cristo leva os pecadores ao espaço da graça e do perdão. É nisto que consiste a misericórdia de Deus.



Saudações

Saúdo os peregrinos de língua portuguesa, particularmente os fiéis de Leiria-Fátima, Nova Oeiras e Lisboa, bem como os fiéis vindos do Brasil. Faço votos de que a vossa peregrinação quaresmal a Roma fortaleça em todos a fé e consolide, no amor divino, os vínculos de cada um com a sua família, com a comunidade eclesial e com a sociedade. Que Nossa Senhora vos acompanhe e proteja!

Dou as cordiais boas-vindas aos peregrinos de língua árabe, em particular aos provenientes do Médio Oriente! Estimados irmãos e irmãs, recordai-vos sempre que a misericórdia divina é mais forte do que o nosso pecado; ela pode curar as nossas feridas e mudar a nossa história. Que o Senhor vos abençoe!

Enfim, saúdo os jovens, os enfermos e os recém-casados. A Quaresma é um tempo favorável para intensificar a vida espiritual: estimados jovens, a prática do jejum vos sirva de auxílio, para adquirir um maior domínio sobre vós mesmos; amados doentes, a oração seja para vós o instrumento para confiar a Deus os vossos sofrimentos e para o sentir sempre próximo; e finalmente, queridos recém-casados, que as obras de misericórdia vos ajudem a viver a vossa existência conjugal abrindo-a às necessidades dos irmãos.




Fonte: Vaticano




Angelus com o Papa Francisco - 21.02.2016


Praça São Pedro
II Domingo de Quaresma, 21 de Fevereiro de 2016









Amados irmãos e irmãs, bom dia!

O segundo domingo de Quaresma apresenta-nos o Evangelho da Transfiguração.

A viagem apostólica que realizei nos dias passados ao México foi uma experiência de transfiguração. Porquê? Porque o Senhor nos mostrou a luz da sua glória através do corpo da sua Igreja, do seu Povo tantas vezes oprimido, desesperado, violado na sua dignidade. Com efeito, os diversos encontros vividos no México foram cheios de luz: a luz da fé que transfigura os rostos e ilumina o caminho.

O «centro de gravidade» espiritual da minha peregrinação foi o Santuário de Nossa Senhora de Guadalupe. Permanecer em silêncio diante da imagem da Mãe era o que antes de tudo me propunha. E dou graças a Deus porque mo concedeu. Contemplei, e deixei-me olhar por aquela que tem impressos nos seus olhos os olhares de todos os seus filhos, e recolhe os sofrimentos devidos à violência, aos raptos, aos assassínios, aos abusos com dano para tanta pobre gente, tantas mulheres. Guadalupe é o Santuário mariano mais frequentado no mundo. De toda a América vão rezar ali onde a Virgen Morenita se mostrou ao índio são Juan Diego, dando início à evangelização do continente e à sua nova civilização, fruto do encontro entre as diversas culturas.

Foi precisamente esta a herança entregue pelo Senhor ao México: preservar a riqueza da diversidade e, ao mesmo tempo, manifestar a harmonia da fé comum, uma fé genuína e robusta, acompanhada por uma grande carga de vitalidade e de humanidade. Tal como os meus Predecessores, também eu fui para confirmar a fé do povo mexicano, mas contemporaneamente para ser confirmado; recolhi de mãos-cheias este dom para que seja em benefício da Igreja universal.

Um exemplo luminoso do que estou a dizer é dado pelas famílias: as famílias mexicanas acolheram-me com alegria como mensageiro de Cristo, Pastor da Igreja; mas por sua vez deram-me testemunhos límpidos e fortes, testemunhos de fé vivida, de fé que transfigura a vida, e isto para a edificação de todas as famílias cristãs do mundo. E o mesmo se pode dizer para os jovens, para os consagrados, para os sacerdotes, para os trabalhadores e para os presos.

Por isso dou graças ao Senhor e à Virgem de Guadalupe pelo dom desta peregrinação. Além disso, agradeço ao Presidente do México e às demais Autoridades civis pelo caloroso acolhimento: agradeço vivamente aos meus irmãos no Episcopado, e a todas as pessoas que colaboraram de tantas maneiras.

Elevemos um louvor especial à Santíssima Trindade por ter querido que, nesta ocasião, se realizasse em Cuba o encontro entre o Papa e o Patriarca de Moscovo e de toda a Rússia, o querido irmão Cirilo; um encontro tão desejado inclusive pelos meus Predecessores. Também este evento é uma luz profética de Ressurreição, da qual hoje o mundo precisa como nunca. A Santa Mãe de Deus continue a guiar-nos no caminho da unidade. Rezemos a Nossa Senhora de Kazan’, da qual o Patriarca Cirilo me ofereceu um ícone.



Depois do Angelus

Amados irmãos e irmãs!

Amanhã terá lugar em Roma um congresso internacional com o título: «Para um mundo sem a pena de morte», promovido pela Comunidade de Santo Egídio. Faço votos por que o simpósio possa dar renovado impulso ao compromisso pela abolição da pena capital. Um sinal de esperança é constituído pelo surgimento, na opinião pública, de uma contrariedade à pena de morte cada vez mais difundida, até como instrumento de legítima defesa social. Com efeito, as sociedades modernas têm a possibilidade de reprimir eficazmente o crime sem privar de modo definitivo aquele que o cometeu da possibilidade de se redimir. O problema deve ser visto na óptica de uma justiça penal que seja cada vez mais conforme com a dignidade do homem e com o desígnio de Deus sobre o homem e sobre a sociedade e também com uma justiça penal aberta à esperança da reinserção na sociedade. O mandamento «não matarás» tem valor absoluto e diz respeito quer ao inocente quer ao culpado.

O Jubileu extraordinário da Misericórdia é uma ocasião propícia para promover no mundo formas cada vez mais maduras de respeito da vida e da dignidade de cada pessoa. Também o criminoso mantém o direito inviolável à vida, dom de Deus. Faço apelo à consciência dos governantes, para que se alcance um consenso internacional para a abolição da pena de morte. E proponho a quantos deles são católicos que façam um gesto corajoso e exemplar: que nenhuma condenação seja executada neste Ano Santo da Misericórdia.

Todos os cristãos e homens de boa vontade estão chamados hoje não só a comprometer-se pela abolição da pena de morte, mas também a melhorar as condições carcerárias, no respeito pela dignidade humana das pessoas privadas da liberdade.

Dirijo uma cordial saudação às famílias, aos grupos paroquiais, às associações e a todos os peregrinos de Roma, da Itália e de diversos países.

A Quaresma é um tempo propício para percorrer um caminho de conversão que tem como centro a misericórdia. Por isso, hoje, pensei em oferecer a vós que estais aqui na praça um «remédio espiritual» chamado Misericordina. Já o fizemos uma vez, mas esta é de qualidade superior: é a Misericordina plus. Uma caixinha que contém a coroa do Rosário e a imagem de Jesus Misericordioso. Agora será distribuída pelos voluntários, entre os quais há pobres, desabrigados, prófugos e também religiosos. Aceitai esta oferta como uma ajuda espiritual para difundir, sobretudo neste Ano da Misericórdia, o amor, o perdão e a fraternidade.

A todos desejo bom domingo. Por favor, não vos esqueçais de rezar por mim. Bom almoço e até à próxima!




Fonte: Vaticano




sábado, 20 de fevereiro de 2016

Evangelho do II Domingo da Quaresma - Ano C


São Lucas 9, 28b-36

Naquele tempo, Jesus tomou consigo Pedro, João e Tiago e subiu ao monte, para orar. Enquanto orava, alterou-se o aspecto do seu rosto e as suas vestes ficaram de uma brancura refulgente. Dois homens falavam com Ele: eram Moisés e Elias, que, tendo aparecido em glória, falavam da morte de Jesus, que ia consumar-se em Jerusalém. Pedro e os companheiros estavam a cair de sono; mas, despertando, viram a glória de Jesus e os dois homens que estavam com Ele. Quando estes se iam afastando, Pedro disse a Jesus: "Mestre, como é bom estarmos aqui! Façamos três tendas: uma para Ti, outra para Moisés e outra para Elias". Não sabia o que estava a dizer. Enquanto assim falava, veio uma nuvem que os cobriu com a sua sombra; e eles ficaram cheios de medo, ao entrarem na nuvem. Da nuvem saiu uma voz, que dizia: "Este é o meu Filho, o meu Eleito: escutai-O". Quando a voz se fez ouvir, Jesus ficou sozinho. Os discípulos guardaram silêncio e, naqueles dias, a ninguém contaram nada do que tinham visto.





Angelus com o Papa Francisco - 14.02.2016


Área do Centro de Estudos de Ecatepec
Domingo, 14 de Fevereiro de 2016








Queridos irmãos!

Na primeira leitura deste domingo, Moisés recomenda ao povo: no momento da colheita, no momento da abundância, no momento das primícias, não te esqueças das tuas origens, não te esqueças donde vens. A acção de graças nasce e cresce numa pessoa e num povo que seja capaz de recordar: tem as suas raízes no passado, que, entre luzes e sombras, gerou o presente. No momento em que podemos dar graças a Deus porque a terra deu o seu fruto e assim é possível fazer o pão, Moisés convida o seu povo a fazer memória enumerando as situações difíceis pelas quais teve de passar (cf. Dt 26, 5-11).

Neste dia, neste dia de festa, podemos celebrar o Senhor que foi tão bom para connosco. Damos graças pela oportunidade de estarmos reunidos para apresentar ao Pai Bom as primícias dos nossos filhos e netos, dos nossos sonhos e projectos; as primícias das nossas culturas, das nossas línguas e das nossas tradições; as primícias do nosso compromisso...

Quanto teve de enfrentar, cada um de vós, para chegar aqui! Quanto tivestes de «caminhar» para fazer deste dia uma festa, uma acção de graças! E quanto caminharam outros que não puderam chegar, mas, graças a eles, pudemos continuar para diante.

Hoje, seguindo o convite de Moisés, queremos como povo fazer memória, queremos ser povo com a memória viva da passagem de Deus por meio do seu povo, no seu povo. Queremos olhar os nossos filhos, sabendo que herdarão não só uma terra, uma língua, uma cultura e uma tradição, mas herdarão também o fruto vivo da fé que recorda a passagem certa de Deus por esta terra; a certeza da sua proximidade e da sua solidariedade. Uma certeza que nos ajuda a levantar a cabeça e, com vivo desejo, esperar a aurora.

Também eu me uno convosco a esta memória agradecida, a esta recordação viva da passagem de Deus na vossa vida. Olhando os vossos filhos, tenho vontade de repetir as palavras que um dia o Beato Paulo VI dirigiu ao povo mexicano: «Um cristão não pode deixar de manifestar a sua solidariedade e de dar o melhor de si mesmo, para resolver a situação daqueles a quem ainda não chegou o pão da cultura ou a oportunidade de encontrar um trabalho honrado (...), não pode ficar insensível enquanto as novas gerações não encontrarem o caminho para realizar as suas legítimas aspirações». E imediatamente depois continua o Beato Paulo VI com um convite a estar «sempre na vanguarda em todos os esforços (…) para melhorar a situação daqueles que padecem necessidade», a ver «em cada homem um irmão e, em cada irmão, a Cristo» (Rádiomensagem no 75º aniversário da coroação de N.S. de Guadalupe, 12 de Outubro de 1970).

Desejo convidar-vos hoje a estar na vanguarda, a «primeirear» em todas as iniciativas que possam ajudar a fazer desta abençoada terra mexicana uma terra de oportunidades; onde não haja necessidade de emigrar para sonhar; onde não haja necessidade de se deixar explorar para ter emprego; onde não haja necessidade de fazer do desespero e da pobreza de muitos ocasião para o oportunismo de poucos.

Uma terra que não tenha de chorar homens e mulheres, jovens e crianças que acabam destruídos nas mãos dos traficantes da morte.

Esta terra tem o sabor da «Guadalupana», Aquela que sempre nos precedeu no amor; digamos-Lhe do fundo do coração: Virgem Santa, «ajudai-nos a refulgir com o testemunho da comunhão, do serviço, da fé ardente e generosa, da justiça e do amor aos pobres, para que a alegria do Evangelho chegue até aos confins da terra e nenhuma periferia fique privada da sua luz» (Exort. ap.Evangelii gaudium, 288).




Fonte: Vaticano


 

sábado, 13 de fevereiro de 2016

Evangelho do I Domingo da Quaresma - Ano C


São Lucas 4, 1-13

Naquele tempo, Jesus, cheio do Espírito Santo, retirou-Se das margens do Jordão. Durante quarenta dias, esteve no deserto, conduzido pelo Espírito, e foi tentado pelo diabo. Nesses dias não comeu nada e, passado esse tempo, sentiu fome. O diabo disse-Lhe: "Se és Filho de Deus, manda a esta pedra que se transforme em pão". Jesus respondeu-lhe: "Está escrito: ‘Nem só de pão vive o homem’". O diabo levou-O a um lugar alto e mostrou-Lhe num instante todos os reinos da terra e disse-Lhe: "Eu Te darei todo este poder e a glória destes reinos, porque me foram confiados e os dou a quem eu quiser. Se Te prostrares diante de mim, tudo será teu". Jesus respondeu-lhe: "Está escrito: ‘Ao Senhor teu Deus adorarás, só a Ele prestarás culto’". Então o demônio levou-O a Jerusalém, colocou-O sobre o pináculo do Templo e disse-Lhe: "Se és Filho de Deus, atira-Te daqui abaixo, porque está escrito: ‘Ele dará ordens aos seus Anjos a teu respeito, para que Te guardem’; e ainda: ‘Na palma das mãos te levarão, para que não tropeces em alguma pedra’". Jesus respondeu-lhe: "Está mandado: ‘Não tentarás o Senhor teu Deus’". Então o diabo, tendo terminado toda a espécie de tentação, retirou-se da presença de Jesus, até certo tempo.





Catequese com o Papa Francisco - 10.02.2016


Praça São Pedro
Quarta-feira, 10 de Fevereiro de 2016








Estimados irmãos e irmãs, bom dia e bom caminho de Quaresma!

É bom e também significativo realizar esta audiência precisamente nesta Quarta-Feira de Cinzas. Começamos o caminho da Quaresma e hoje meditaremos sobre a antiga instituição do «jubileu»; é antiga, já testemunhada na Sagrada Escritura. Encontramo-la de modo particular no Livro do Levítico, que a apresenta como um momento culminante da vida religiosa e social do povo de Israel.

A cada 50 anos, «no dia da expiação» (Lv 25, 9), quando a misericórdia do Senhor era invocada sobre todo o povo, o som da trombeta anunciava um grande acontecimento de libertação. Com efeito, no Livro do Levítico lemos: «Santificareis o quinquagésimo ano e anunciareis a liberdade na terra para todos os seus habitantes. Será o vosso jubileu. Voltareis cada um para a própria terra e para a sua família [...] Nesse ano jubilar, cada um voltará à sua propriedade» (25, 10.13). Segundo estas disposições, se alguém tivesse sido forçado a vender a sua terra ou a própria casa, no jubileu podia voltar a apoderar-se delas; e se alguém tivesse contraído dívidas e, impossibilitado de as pagar, tivesse sido obrigado a pôr-se ao serviço do credor, podia voltar livremente à própria família e reaver todas as suas propriedades.

Era uma espécie de «perdão geral», com o qual se permitia que todos voltassem à situação originária, com o cancelamento de todas as dívidas, a restituição da terra e a possibilidade de gozar novamente da liberdade, própria dos membros do povo de Deus. Um povo «santo», onde prescrições como aquela do jubileu serviam para combater a pobreza e a desigualdade, garantindo uma vida digna para todos e uma distribuição equitativa da terra onde habitar e da qual haurir o próprio sustento. A ideia central é que a terra pertence originariamente a Deus e foi confiada aos homens (cf. Gn 1, 28-29), e por isso ninguém pode reivindicar para si a sua posse exclusiva, criando situações de desigualdade. Hoje podemos reconsiderar isto; cada qual no seu coração pense se possui demasiados bens. Mas por que motivo não os deixar a quantos nada possuem? Dez por cento, cinquenta por cento... Digo: que o Espírito Santo inspire cada um de vós.

Com o jubileu, quem se tinha tornado pobre, voltava a dispor do necessário para viver, e quantos se tinham tornado ricos restituíam ao pobre aquilo de que se tinham apoderado. A finalidade era uma sociedade fundamentada na igualdade e na solidariedade, onde a liberdade, a terra e o dinheiro voltassem a tornar-se um bem para todos e não apenas para alguns, como hoje acontece, se não me engano... Mais ou menos, os números não são exactos, mas oitenta por cento das riquezas da humanidade estão nas mãos de menos de vinte por centro da população. É um jubileu — e digo-o, recordando a nossa história de salvação — para a conversão, para que o nosso coração se torne maior, mais generoso e mais filho de Deus, com mais amor. Digo-vos algo: se este desejo, se o jubileu não chegar aos bolsos, não será um verdadeiro jubileu. Entendestes? E isto está na Bíblia! Não é este Papa que o inventa: está na Bíblia. A finalidade — como eu disse — era uma sociedade baseada na igualdade e na solidariedade, onde a liberdade, a terra e o dinheiro se tornassem um bem para todos, e não só para alguns. Com efeito, o jubileu tinha a função de ajudar o povo a viver uma fraternidade concreta, feita de ajuda recíproca. Podemos dizer que o jubileu bíblico era um «jubileu de misericórdia», porque era vivido na busca sincera do bem do irmão necessitado.

Nesta mesma perspectiva, também outras instituições e outras normas governavam a vida do povo de Deus, para que se pudesse experimentar a misericórdia do Senhor através da misericórdia dos homens. Naquelas normas encontramos indicações, ainda hoje válidas, que fazem meditar. Por exemplo, a lei bíblica prescrevia a oferta dos «dízimos» destinados aos levitas, encarregados do culto que não possuíam terrenos, e aos pobres, aos órfãos e às viúvas (cf. Dt 14, 22-29). Ou seja, previa-se que a décima parte da colheita, ou do lucro de outras actividades, fosse oferecida àqueles que não tinham tutela alguma e viviam em estado de necessidade, de modo a favorecer condições de relativa igualdade no interior de um povo, no qual todos deviam comportar-se como irmãos.

Além disso, havia a lei relativa às «primícias». Do que se trata? A primeira parte da colheita, a parte mais preciosa, devia ser dividida com os levitas e com os estrangeiros (cfr. Dt 18, 4-5; 26, 1-11), que não possuíam campos, de tal forma que também para ele a terra se tornasse fonte de alimento e de vida. «A terra é minha e vós estais na minha casa como estrangeiros ou hóspedes», oráculo do Senhor (Lv 25, 23). Somos todos hóspedes do Senhor, à espera da pátria celeste (cf. Hb 11, 13-16; 1 Pd 2, 11), chamados a tornar habitável e humano o mundo que nos acolhe. E quem é mais felizardo, quantas «primícias» poderia oferecer àqueles que vivem em dificuldade! Quantas primícias! Primícias não apenas dos frutos dos campos, mas de qualquer outro produto do trabalho, dos salários, das poupanças, de tudo aquilo que o homem possui e que às vezes desperdiça. Isto acontece também hoje. À Esmolaria apostólica chegam muitas cartas, com um pouco de dinheiro: «Esta é uma parte do meu salário, para ajudar o próximo». E isto é bom; ajudar o próximo, as instituições de beneficência, os hospitais, as casas de repouso...; dar também aos forasteiros, a quantos são estrangeiros e estão de passagem. Jesus foi estrangeiro no Egipto.

E pensando precisamente nisto, a Sagrada Escritura exorta com insistência a responder com generosidade aos pedidos de empréstimos, sem fazer cálculos mesquinhos e sem pretender juros impossíveis: «Se o teu irmão se tornar pobre junto de ti, e as suas mãos se enfraquecerem, sustentá-lo-ás, mesmo que se trate de um estrangeiro ou de um hóspede, a fim de que ele viva contigo. Não receberás dele juros nem lucro; mas temerás o teu Deus, para que o teu irmão viva contigo. Não lhe emprestarás com juros o teu dinheiro, e não lhe darás os teus víveres por amor ao lucro» (Lv 25, 35-37). Este ensinamento é sempre válido. Quantas famílias vivem na rua, vítimas da usura! Por favor, oremos a fim de que neste jubileu o Senhor tire do coração de todos nós este ganância de ter mais, a usura. Voltemos a ser generosos, magnânimos. Quantas situações de usura somos obrigados a ver e quanto sofrimento e angústia existem nas famílias! E muitas vezes, no desespero, quantos homens acabam no suicídio porque não aguentam, não têm esperança, não têm uma mão estendida que os ajude, mas só uma mão que os obriga a pagar os juros. A usura é um pecado grave, um pecado que clama diante de Deus. O Senhor, ao contrário, prometeu a sua bênção a quantos abrem a mão para dar com magnanimidade (cf. Dt 15, 10). Ele dar-te-á o duplo, talvez não em dinheiro, mas noutras coisas; contudo, o Senhor dar-te-á sempre o duplo.

Caros irmãos e irmãs, a mensagem bíblica é muito clara: abrir-se com coragem à partilha, e isto é misericórdia! E se nós quisermos a misericórdia de Deus, comecemos nós mesmos a concedê-la. É isto: comecemos a concedê-la entre concidadãos, entre famílias, entre povos, entre continentes. Contribuir para edificar uma terra sem pobres quer dizer construir sociedades sem discriminações, baseadas na solidariedade que leva a compartilhar quanto se possui, numa divisão de recursos assente na fraternidade e na justiça. Obrigado!

Saudações

Com ânimo feliz e agradecido, saúdo os professores e os alunos das diversas comunidades escolares de Barreiro, Bragança, Coimbra e Lisboa. Sobre vós e demais peregrinos de língua portuguesa, invoco a protecção da Virgem Maria. Que Ela vos tome pela mão durante os próximos quarenta dias, ajudando-vos a ficar mais parecidos com Jesus ressuscitado. Desejo-vos uma santa e frutuosa Quaresma!

Amanhã, memória da Bem-Aventurada Virgem Maria de Lourdes, celebra-se o XXIV Dia Mundial do Doente, que terá o seu apogeu em Nazaré. Na mensagem deste ano meditamos sobre o papel insubstituível de Maria nas bodas de Caná: «Fazei o que Ele vos disser» (Jo 2, 5). Na solicitude de Maria reflectem-se a ternura de Deus e a imensa bondade de Jesus misericordioso. Convido a rezar pelos enfermos e a fazer com que eles sintam o nosso amor. A mesma ternura de Maria esteja presente na vida de tantas pessoas que se encontram ao lado dos doentes, sabendo sentir as suas necessidades, até as mais imperceptíveis, porque vistas com olhos cheios de amor.




Fonte: Vaticano




Angelus com o Papa Francisco - 07.02.2016


Praça São Pedro
Domingo, 7 de Fevereiro de 2016








Bom dia, queridos irmãos e irmãs!

O Evangelho deste domingo descreve — na narração de são Lucas — a chamada dos primeiros discípulos de Jesus (Lc 5, 1-11). O acontecimento tem lugar num contexto de vida quotidiana: alguns pescadores encontram-se à margem do lago da Galileia e, depois de uma noite de trabalho passada sem nada pescar, põem-se a lavar e a consertar as redes. Jesus sobe ao barco de um deles, o de Simão chamado Pedro, pede-lhe que se afaste um pouco da margem e põe-se a pregar a Palavra de Deus ao povo que se tinha reunido em grande número. Quando acaba de falar, pede-lhe que se faça ao largo e que lance as redes. Simão já tinha conhecido Jesus, experimentando o poder prodigioso da sua palavra, e por isso responde: «Mestre, trabalhamos a noite inteira sem nada apanhar; mas por causa da tua palavra lançarei as redes» (v. 5). E esta sua fé não é desiludida: com efeito, as redes enchem-se com tanta quantidade de peixes, que quase se rompem (cf. v. 6).

Perante este acontecimento extraordinário, os pescadores enchem-se de grande admiração. Simão Pedro lança-se aos pés de Jesus, dizendo: «Afasta-te de mim, Senhor, porque sou um homem pecador» (v. 8). Aquele sinal milagroso convenceu-o de que Jesus não é apenas um Mestre formidável, cuja palavra é genuína e poderosa, mas que Ele é o Senhor, a manifestação de Deus. E esta presença aproximada suscita em Pedro uma forte sensação da própria mesquinhez e indignidade. Sob um ponto de vista humano, pensa que deve haver distância entre o pecador e o Santo. Na verdade, precisamente a sua condição de pecador exige que o Senhor não se afaste dele, do mesmo modo como um médico não se pode distanciar de quem está doente.

A resposta de Jesus a Simão Pedro é reconfortante e decisiva: «Não temas; doravante serás pescador de homens» (v. 10). E de novo o pescador da Galileia, depositando a sua confiança nesta palavra, deixa tudo e segue Aquele que se tornou o seu Mestre e Senhor. E assim agiram também Tiago e João, companheiros de trabalho de Simão. Esta é a lógica que orienta a missão de Jesus e a missão da Igreja: ir à procura, «pescar» homens e mulheres, não para fazer proselitismo mas para restituir a todos a plena dignidade e liberdade, mediante o perdão dos pecados. Eis a essência do cristianismo: propagar o amor regenerante e gratuito de Deus, com atitude de acolhimento e de misericórdia para com todos, a fim de que cada um possa encontrar a ternura de Deus e receber a plenitude de vida. E aqui penso de maneira particular nos confessores: eles são os primeiros que devem transmitir a misericórdia do Pai, seguindo o exemplo de Jesus, como fizeram também os dois frades santos, padre Leopoldo e padre Pio.

O Evangelho de hoje interpela-nos: sabemos nós confiar verdadeiramente na palavra do Senhor? Ou então nos deixamos desanimar pelos nossos fracassos? Durante este Ano Santo da Misericórdia somos chamados a confortar quem se sentir pecador e indigno diante do Senhor, e abatido por causa dos próprios erros, dizendo-lhe as mesmas palavras de Jesus: «Não temas». «A misericórdia do Pai é maior do que os teus pecados! É maior, não tenhas medo!». Que a Virgem Maria nos ajude a compreender cada vez mais que ser discípulos significa colocar os nossos pés nas pegadas deixadas pelo Mestre: são os passos da graça divina, que volta a gerar a vida para todos.

Depois do Angelus

É com profunda preocupação que acompanho o destino dramático das populações civis atingidas pelos combates violentos na amada Síria e obrigadas a abandonar tudo para escapar dos horrores da guerra. Faço votos a fim de que, com solidariedade generosa, se preste a assistência necessária para lhes assegurar sobrevivência e dignidade, enquanto lanço um apelo à Comunidade internacional a fim de que não poupe esforço algum para levar urgentemente as partes em causa à mesa das negociações. Somente uma solução política do conflito será capaz de garantir um futuro de reconciliação e de paz àquele amado e martirizado país, pelo qual vos convido a rezar intensamente; e também agora, todos juntos, oremos a Nossa Senhora pela amada Síria: Ave Maria...

Hoje, na Itália, celebra-se o Dia da Vida, sobre o tema: «A misericórdia faz florescer a vida». Uno-me aos Bispos italianos para desejar da parte dos vários organismos institucionais, educacionais e sociais um renovado compromisso a favor da vida humana, desde a concepção até ao seu ocaso natural. A nossa sociedade deve ser ajudada a sarar de todos os atentados contra a vida, ousando uma mudança interior, que se manifesta também através de obras de misericórdia. Saúdo e encorajo os professores universitários de Roma e quantos estão comprometidos em dar testemunho da cultura da vida.

Amanhã celebra-se o Dia de oração e reflexão contra o tráfico de pessoas, que oferece a todos a oportunidade de ajudar os novos escravos de hoje a romper as pesadas correntes da exploração para voltar a apoderar-se da sua liberdade e dignidade. Penso de modo particular em tantas mulheres e homens, em tantas crianças! É preciso envidar todos os esforços para debelar este crime e esta vergonha intolerável.

E ainda amanhã, no Extremo Oriente e em várias regiões do mundo, milhões de homens e mulheres celebram o ano novo lunar. Desejo a todos que experimentem a serenidade e a paz no seio das suas famílias, que constituem o primeiro lugar onde se vivem e se transmitem os valores do amor e da fraternidade, da convivência e da partilha, da atenção e do cuidado pelo próximo. Possa o novo ano dar frutos de compaixão, misericórdia e solidariedade. E estes nossos irmãos e irmãs do Extremo Oriente, que amanhã festejarão o novo ano lunar, saudemo-los daqui com um aplauso!

Saúdo todos os peregrinos, os grupos paroquiais e as associações provenientes da Itália, Espanha, Portugal, Equador, Eslováquia e de outros países. São demasiados para os enumerar todos! Cito apenas os crismandos, das dioceses de Treviso, Pádua, Cuneo, Lodi, Como e Crotone. Vejo que estão todos aqui! E saúdo a comunidade sacerdotal do Colégio Mexicano de Roma, com outros mexicanos: obrigado pelo vosso compromisso de acompanhar com a oração a viagem apostólica ao México, que realizarei daqui a poucos dias, e também o encontro que terei em Havana com o meu amado irmão Cirilo.

Desejo bom domingo a todos. E por favor, não vos esqueçais de rezar por mim. Bom almoço e até à próxima!




Fonte: Vaticano



domingo, 7 de fevereiro de 2016

Evangelho do V Domingo do Tempo Comum - Ano C


São Lucas 5, 1-11

Naquele tempo, estava a multidão aglomerada em volta de Jesus, para ouvir a palavra de Deus. Ele encontrava-Se na margem do lago de Genesaré e viu dois barcos estacionados no lago. Os pescadores tinham deixado os barcos e estavam a lavar as redes. Jesus subiu para um barco, que era de Simão, e pediu-lhe que se afastasse um pouco da terra. Depois sentou-Se e do barco pôs-Se a ensinar a multidão. Quando acabou de falar, disse a Simão: "Faz-te ao largo e lançai as redes para a pesca". Respondeu-Lhe Simão: "Mestre, andamos na faina toda a noite e não apanhamos nada. Mas, já que o dizes, lançarei as redes". Eles assim fizeram e apanharam tão grande quantidade de peixes que as redes começavam a romper-se. Fizeram sinal aos companheiros que estavam no outro barco para os virem ajudar; eles vieram e encheram ambos os barcos de tal modo que quase se afundavam. Ao ver o sucedido, Simão Pedro lançou-se aos pés de Jesus e disse-Lhe: "Senhor, afasta-Te de mim, que sou um homem pecador". "Na verdade, o temor tinha-se apoderado dele e de todos os seus companheiros, por causa da pesca realizada. Isto mesmo sucedeu a Tiago e a João, filhos de Zebedeu, que eram companheiros de Simão. Jesus disse a Simão: "Não temas. Daqui em diante serás pescador de homens". Tendo conduzido os barcos para terra, eles deixaram tudo e seguiram Jesus.




Catequese com o Papa Francisco - 03.02.2016


Quarta-feira, 3 de Fevereiro de 2016








Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

A Sagrada Escritura apresenta-nos Deus como misericórdia infinita, mas também como justiça perfeita. Como conciliar os dois aspectos? De que modo se articula a realidade da misericórdia com as exigências da justiça? Poderia parecer que são duas realidades que se contradizem; na verdade não é assim, porque é precisamente a misericórdia de Deus que leva ao cumprimento da justiça autêntica. Mas de que justiça se trata?

Se pensarmos na administração legal da justiça, vemos que quem se considera vítima de um abuso, dirige-se ao juiz no tribunal e pede que seja feita justiça. Trata-se de uma justiça retributiva, que inflige uma pena ao culpado, segundo o princípio que a cada um deve ser dado o que lhe é devido. Como recita o livro dos Provérbios: «Quem pratica a justiça está destinado à vida, mas quem persegue o mal está destinado à morte» (cf. 11, 19). Também Jesus fala sobre isto na parábola da viúva que repetidamente ia ter com o juiz e lhe pedia: «Faz-me justiça contra o meu adversário» (cf. Lc 18, 3).

Contudo, este caminho não leva à verdadeira justiça porque na realidade não vence o mal, simplesmente limita-o. Mas é só respondendo com o bem que o mal pode ser deveras vencido.

Eis então outro modo de fazer justiça que a Bíblia nos apresenta como via mestra a percorrer. Trata-se de um procedimento que evita o recurso ao tribunal e prevê que a vítima se dirija directamente ao culpado para o exortar à conversão, ajudando-o a compreender que está a praticar o mal, fazendo apelo à sua consciência. Deste modo, finalmente vendo e reconhecendo o próprio erro, ele pode abrir-se ao perdão que a parte lesada lhe está a oferecer. E isto é bom: depois da persuasão do que é o mal, o coração abre-se ao perdão que lhe é oferecido. Este é o modo de resolver os contrastes nas famílias, nas relações entre esposos ou entre pais e filhos, onde o ofendido ama o culpado e deseja salvar a relação que o une ao outro. Não se interrompa a relação, aquele relacionamento.

Certamente, é um caminho difícil. Requer que quem recebeu a ofensa esteja pronto a perdoar e deseje a salvação e o bem de quem o ofendeu. Mas só assim a justiça pode triunfar, porque se o culpado reconhecer o mal praticado e deixar de o fazer, eis que o mal já não existe, e aquele que era injusto torna-se justo, porque foi perdoado e ajudado a reencontrar a via do bem. E isto tem a ver precisamente com o perdão, com a misericórdia.

É assim que Deus age em relação a nós, pecadores. O Senhor oferece-nos continuamente o seu perdão e ajuda-nos a acolhê-lo e a tomar consciência do nosso mal para nos podermos libertar dele. Porque Deus não quer a nossa condenação, mas a nossa salvação. Deus não deseja a condenação de ninguém! Algum de vós poderia perguntar-me: «Mas Padre, Pilatos merecia a condenação? Deus queria isto?» — Não! Deus queria salvar Pilatos e também Judas, todos! O Senhor da misericórdia queria salvar todos! O problema é deixar que Ele entre no coração. Todas as palavras dos profetas são um apelo apaixonado e cheio de amor que procura a nossa conversão. Eis o que o Senhor diz através do profeta Ezequiel: «Porventura comprazer-me-ei com a morte do pecador [...] ou com a sua conversão, de maneira que ele tenha vida?» (cf. 18, 23; e 33, 11), é isto que agrada a Deus!

Este é o coração de Deus, um coração de Pai que ama e deseja que os seus filhos vivam no bem e na justiça e portanto vivam em plenitude e sejam felizes. Um coração de Pai que vai além do nosso pequeno conceito de justiça para nos abrir aos horizontes infinitos da misericórdia. Um coração de Pai que não nos trata segundo os nossos pecados e não nos repreende, nem conserva a sua ira, como diz o Salmo (cf. 103, 9-10). É precisamente um coração de pai que queremos encontrar quando vamos ao confessionário. Talvez nos diga algo para nos ajudar a entender melhor o mal, mas ao confessionário vamos todos para encontrar um pai que nos ajude a mudar de vida; um pai que nos dê a força para continuar; um pai que nos perdoe em nome de Deus. E por isso ser confessor é uma responsabilidade tão grande, porque o filho, a filha que vai ter contigo espera encontrar um pai. E tu, sacerdote, que estás ali no confessionário, estás no lugar do Pai que faz justiça com a sua misericórdia.

Saudações

Saúdo cordialmente todos os peregrinos de língua portuguesa. Queridos amigos, devemos deixar para trás o nosso pobre conceito de justiça e abrir o nosso coração à infinita misericórdia de Deus, que nunca se cansa de nos perdoar, para que possamos buscar a reconciliação com todos, começando pelos nossos familiares. Que Deus vos abençoe.

Dirijo cordiais saudações de boas-vindas aos peregrinos de língua árabe, em particular aos que provêm do Médio Oriente! Queridos irmãos e irmãs, a justiça de Deus é o seu perdão! Portanto, acolhamos este perdão divino para poder perdoar por nossa vez os irmãos. O Senhor vos abençoe!

De coração dou as boas-vindas aos peregrinos polacos. Caríssimos, a justiça de Deus é o seu perdão. E nós como filhos deste Pai bom, somos chamados a acolher o perdão divino e perdoar por nossa vez os irmãos. Rezemos a fim de que o Senhor nos torne capazes de pedir a Ele que «perdoe as nossas ofensas assim como nós perdoamos a quem nos têm ofendido» e de lhe poder chamar, em plena verdade, «Pai nosso». Louvado seja Jesus Cristo!

Dirijo um pensamento afectuoso aos jovens, aos doentes e aos recém-casados. Hoje comemoramos São Brás, mártir da Arménia. Este santo bispo recorda-nos o compromisso de anunciar o Evangelho até em condições difíceis. Queridos jovens, sede corajosas testemunhas da vossa fé; amados doentes, oferecei a vossa cruz quotidiana pela conversão dos que se afastaram da luz de Cristo; e vós, queridos recém-casados, sede anunciadores do seu amor a partir da vossa família.




Fonte: Vaticano




Angelus com o Papa Francisco - 31.01.2016


Praça São Pedro
Domingo, 31 de Janeiro de 2016








Bom dia, queridos irmãos e irmãs!

A narração evangélica de hoje leva-nos mais uma vez, como no domingo passado, à sinagoga de Nazaré, o povoado da Galileia onde Jesus cresceu em família e é conhecido por todos. Ele, que tinha partido há pouco tempo para dar início à sua vida pública, agora retorna pela primeira vez e apresenta-se à comunidade congregada na sinagoga no dia de sábado. Lê a passagem do profeta Isaías, que fala do Messias futuro e no final declara: «Hoje cumpriu-se este oráculo que vós acabastes de ouvir» (Lc 4, 21). Os concidadãos de Jesus, primeiro surpreendidos e admirados, depois começam a fazer caretas, a murmurar entre si e a dizer: por que motivo Ele, que tenciona ser o Consagrado do Senhor, não repete aqui na sua aldeia os prodígios que se afirma ter realizado em Cafarnaum e nos povoados dos arredores? Então, Jesus diz: «Nenhum profeta é bem aceite na sua pátria» (v. 24), apelando-se aos grandes profetas do passado, Elias e Eliseu, que realizam milagres em benefício dos pagãos, para denunciar a incredulidade do seu povo. Nesta altura, os presentes sentem-se ofendidos, levantam-se cheios de indignação, expulsam Jesus e gostariam de o lançar do alto do pináculo. Mas Ele, com a força da sua paz, «passou pelo meio deles e retirou-se» (v. 30). A sua hora ainda não chegou.

Este trecho do evangelista Lucas não é simplesmente a narração de um desacordo entre concidadãos, como às vezes acontece inclusive nos nossos bairros, suscitado por invejas e por ciúmes, mas põe em evidência uma tentação à qual o homem religioso está sempre exposto — todos nós estamos expostos — e da qual é necessário distanciar-se com decisão. E qual é esta tentação? É a tentação de considerar a religião como um investimento humano e, por conseguinte, pôr-se a «negociar» com Deus, procurando o próprio interesse. Ao contrário, na religião autêntica, trata-se de aceitar a revelação de um Deus que é Pai e que cuida de todas as suas criaturas, até da mais pequenina e insignificante aos olhos dos homens. Precisamente nisto consiste o ministério profético de Jesus: no anúncio de que nenhuma condição humana pode ser motivo de exclusão — nenhuma condição humana pode ser motivo de exclusão! — do Coração do Pai, e que o único privilégio aos olhos de Deus consiste em não ter privilégios. O único privilégio aos olhos de Deus consiste em não ter privilégios, em não ter padrinhos, em abandonar-se nas suas mãos.

«Hoje cumpriu-se este oráculo que vós acabastes de ouvir» (Lc 4, 21). O «hoje» proclamado por Cristo naquele dia vale para todas as épocas; e ressoa também para nós nesta praça, recordando-nos da actualidade e da necessidade da salvação que Jesus trouxe à humanidade. Deus vem ao encontro dos homens e das mulheres de todos os tempos e lugares na situação concreta em que se encontram. Vem também ao nosso encontro. É sempre Ele que dá o primeiro passo: vem visitar-nos com a sua misericórdia e tirar-nos da poeira dos nossos pecados; vem estender-nos a mão para nos fazer sair do abismo em que o nosso orgulho nos fez cair, convidando-nos a aceitar a verdade consoladora do Evangelho e a caminhar pelas veredas do bem. Ele vem sempre visitar-nos, procurar-nos.

Voltemos à sinagoga. Certamente naquele dia, na sinagoga de Nazaré estava presente também Maria, a Mãe. Podemos imaginar as ressonâncias do seu Coração, uma pequena antecipação daquilo que Ele viria a padecer aos pés da Cruz, vendo Jesus ali na sinagoga, primeiro admirado e depois desafiado, insultado e ameaçado de morte. No seu Coração, cheio de fé, Ela conservava tudo isto. Que Ela nos ajude a converter-nos de um deus dos milagres para o milagre de Deus, que é Jesus Cristo.

Depois do Angelus

Hoje celebra-se o Dia mundial dos doentes de lepra. Não obstante se encontre em fase de regressão, esta enfermidade ainda atinge sobretudo as pessoas mais pobres e marginalizadas. É importante manter viva a solidariedade para com estes irmãos e irmãs, que permaneceram inválidos a seguir à contracção deste mal. Queremos assegurar-lhes a nossa oração, garantindo o nosso apoio a quantos os assistem. Muito bem, leigos, religiosas e sacerdotes!

Saúdo com carinhos todos vós, estimados peregrinos vindos de diversas paróquias da Itália e de outros países, assim como as associações e os grupos presentes.

Saúdo os jovens e as jovens da Acção católica da Diocese de Roma! Agora entendo por que motivo havia tanto barulho na Praça! Prezados jovens, também este ano, acompanhados pelo Cardeal Vigário e pelos vossos Assistentes, viestes em grande número para participar na conclusão da vossa «Caravana da Paz».

Este ano, o vosso testemunho de paz, animado pela fé em Jesus, será ainda mais jubiloso e consciente, porque enriquecido pelo gesto que acabastes de realizar, atravessando a Porta Santa. Encorajo-vos a ser instrumentos de paz e de misericórdia no meio dos vossos coetâneos! Agora ouçamos a mensagem que os vossos amigos, que estão aqui ao meu lado, nos lerão.

[leitura da mensagem]

E agora os jovens na praça lançarão os balões, símbolo de paz.

Desejo a todos feliz domingo e bom almoço. E, por favor, não vos esqueçais de rezar por mim. Até logo!



Fonte: Vaticano




Evangelho do IV Domingo do Tempo Comum - Ano C


São Lucas 4, 21-30

Naquele tempo, Jesus começou a falar na sinagoga de Nazaré, dizendo: "Cumpriu-se hoje mesmo esta passagem da Escritura que acabais de ouvir". Todos davam testemunho em seu favor e se admiravam das palavras cheias de graça que saíam da sua boca. E perguntavam: "Não é este o filho de José?" Jesus disse-lhes: "Por certo Me citareis o ditado: ‘Médico, cura-te a ti mesmo’. Faz também aqui na tua terra o que ouvimos dizer que fizeste em Cafarnaum". E acrescentou: "Em verdade vos digo: Nenhum profeta é bem recebido na sua terra. Em verdade vos digo que havia em Israel muitas viúvas no tempo do profeta Elias, quando o céu se fechou durante três anos e seis meses e houve uma grande fome em toda a terra; contudo, Elias não foi enviado a nenhuma delas, mas a uma viúva de Sarepta, na região da Sidónia. Havia em Israel muitos leprosos no tempo do profeta Eliseu; contudo, nenhum deles foi curado, mas apenas o sírio Naamã". Ao ouvirem estas palavras, todos ficaram furiosos na sinagoga. Levantaram-se, expulsaram Jesus da cidade e levaram-n’O até ao cimo da colina sobre a qual a cidade estava edificada, a fim de O precipitarem dali abaixo. Mas Jesus, passando pelo meio deles, seguiu o seu caminho.




Catequese com o Papa Francisco - 27.01.2016


Quarta-feira, 27 de Janeiro de 2016








Prezados irmãos e irmãs, bom dia!

Na Sagrada Escritura, a misericórdia de Deus está presente ao longo de toda a história do povo de Israel.

Com a sua misericórdia, o Senhor acompanha o caminho dos Patriarcas, concede-lhes filhos não obstante a condição de esterilidade, conduzindo-os por veredas de graça e de reconciliação, como demonstra a história de José e dos seus irmãos (cf. Gn37-50). E penso nos numerosos irmãos que vivem afastados numa família e não falam entre si. Mas este Ano da Misericórdia é uma boa ocasião para voltar a encontrar-se, para se abraçar, para se perdoar e para esquecer as situações desagradáveis. Contudo, como sabemos, no Egipto a vida do povo torna-se árdua. E é precisamente quando os israelitas estão prestes a sucumbir, que o Senhor intervém e realiza a salvação.

No Livro do Êxodo lê-se: «Muito tempo depois morreu o rei do Egipto. Os israelitas, que ainda gemiam sob o peso da servidão, clamaram e, do fundo da sua escravidão, o seu clamor subiu até Deus. Deus ouviu os seus gemidos e lembrou-se da sua aliança com Abraão, Isaac e Jacob. Olhou para os israelitas e reconheceu-os» (2, 23-25). A misericórdia não pode permanecer indiferente diante do sofrimento dos oprimidos, do grito de quantos estão submetidos à violência, reduzidos à escravidão, condenados à morte. É uma realidade dolorosa que aflige todas as épocas, inclusive a nossa, e que nos faz sentir muitas vezes impotentes, tentados a empedernecer o coração e a pensar noutras coisas. Deus, ao contrário, «não é indiferente» (Mensagem para o Dia Mundial da Paz de 2016, 1), nunca afasta o seu olhar da dor humana. O Deus de misericórdia responde e cuida dos pobres, daqueles que clamam o próprio desespero. Deus ouve e intervém para salvar, suscitando homens capazes de ouvir o gemido do sofrimento e de agir em benefício dos oprimidos.

É assim que começa a história de Moisés, como mediador de libertação para o povo. Ele enfrenta o Faraó para o convencer a permitir que Israel parta; e depois guiará o povo através do mar Vermelho e do deserto, rumo à liberdade. Moisés, que a misericórdia divina salvou recém-nascido da morte nas águas do Nilo, faz-se mediador daquela mesma misericórdia, permitindo que povo nascesse para a liberdade, salvo das águas do mar Vermelho. E também nós, neste Ano da Misericórdia, podemos cumprir esta tarefa de ser mediadores de misericórdia com obras de misericórdia, para aproximar, para dar alívio, para promover a unidade. É possível realizar muitas obras boas!

A misericórdia de Deus age sempre para salvar. É totalmente oposta à obra de quantos agem sempre para matar: por exemplo, aqueles que promovem as guerras. Mediante o seu servo Moisés, o Senhor orienta Israel no deserto como se fosse um filho, educa-o para a fé e estabelece uma aliança com ele, criando um vínculo de amor extremamente forte, como aquele do pai com o filho, do esposo com a esposa.

A misericórdia divina chega até a este ponto. Deus propõe uma relação de amor particular, exclusivo, privilegiado. Quando dá instruções a Moisés, a respeito da aliança, Ele diz: «Se obedecerdes à minha voz e guardardes a minha aliança, sereis o meu povo particular entre todos os povos. Toda a terra é minha, mas para mim vós sereis um reino de sacerdotes e uma nação santa» (Êx19, 5-6).

Sem dúvida, Deus já possui a terra inteira, porque foi Ele que a criou; mas o povo torna-se para Ele uma posse diferente, especial: a sua pessoal «reserva de ouro e prata», como aquela que o rei David afirmava ter concedido para a construção do templo.

Pois bem, assim nos tornamos para Deus, quando acolhemos a sua aliança e nos deixamos salvar por Ele. A misericórdia do Senhor faz com que o homem seja precioso, como uma riqueza pessoal que lhe pertence, que Ele conserva e na qual se deleita.

São estas as maravilhas da misericórdia divina, que alcançam o seu pleno cumprimento no Senhor Jesus, naquela «nova e eterna aliança» consumida no seu sangue que, mediante o perdão, destrói o nosso pecado e nos torna definitivamente filhos de Deus (cf.1 Jo 3, 1), jóias inestimáveis nas mãos do Pai bom e misericordioso. E se nós somos filhos de Deus e temos a possibilidade de receber esta herança — de bondade e de misericórdia — em relação aos outros, peçamos ao Senhor que neste Ano da Misericórdia também nós realizemos obras de misericórdia; abramos o nosso coração para chegar a todos com as obras de misericórdia, a herança misericordiosa que Deus Pai nos concedeu.

Saudações

Queridos peregrinos de língua portuguesa, sede bem-vindos! A todos vos saúdo, especialmente aos fiéis de Brasília e de São José dos Campos, desejando-vos que nada e ninguém possa impedir-vos de viver e crescer na amizade de Deus Pai; mas deixai que o seu amor sempre vos regenere como filhos e vos reconcilie com Ele e com os irmãos. Desça, sobre vós e vossas famílias a abundância das suas bênçãos.

Por ocasião do Jubileu da Misericórdia, o Pontifício Conselho «Cor Unum» promoveu uma jornada de retiro espiritual para as pessoas e os grupos comprometidos ao serviço da caridade. A jornada, que terá lugar nas várias dioceses durante a próxima Quaresma, será uma ocasião para meditar sobre o apelo a sermos misericordiosos como o Pai. Convido todos a aceitar esta proposta, utilizando as indicações e os subsídios preparados por «Cor Unum».

Dirijo um pensamento especial aos jovens, aos doentes e aos recém-casados. Amanhã celebra-se a memória litúrgica de S. Tomás de Aquino, padroeiro das escolas católicas. O seu exemplo vos leve, caros jovens, a ver em Jesus misericordioso, o único Mestre de vida; a sua intercessão vos dê, amados doentes, a serenidade e a paz presentes no mistério da Cruz; e a sua doutrina vos sirva de encorajamento, prezados recém-casados, para confiar na sabedoria do coração e cumprir a vossa missão.




Fonte: Vaticano




Angelus com o Papa Francisco - 24.01.2016


Praça São Pedro
Domingo, 24 de Janeiro de 2016








Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

No evangelho de hoje, o evangelista Lucas antes de apresentar o discurso programático de Jesus em Nazaré, sintetiza brevemente a sua atividade evangelizadora. É uma atividade que Ele cumpre com a potência do Espírito Santo: a sua palavra é original, porque revela o sentido das Escrituras; é uma palavra influente, porque comanda até aos espíritos impuros e eles obedecem (cf. Mc 1, 27). Jesus é diferente dos mestres do seu tempo: por exemplo, não abriu uma escola para o estudo da Lei, mas andava por toda parte pregando e ensinando: nas sinagogas, pelas estradas, nas casas, sempre a caminho! Jesus é diferente também em comparação com João Baptista, o qual proclama o julgamento iminente de Deus, ao passo que Jesus anuncia o seu perdão de Pai.

E agora imaginemos que entramos também nós na sinagoga de Nazaré, a aldeia onde Jesus cresceu até cerca de trinta anos. O que ali acontece é um evento importante, que delineia a missão de Jesus. Ele levanta-se para ler a Sagrada Escritura. Abre o rolo do profeta Isaías e lê o trecho onde está escrito: «O Espírito do Senhor está sobre mim, porque me ungiu; e enviou-me para anunciar a boa nova aos pobres» (Lc 4, 18). Em seguida, após um momento de silêncio cheio de expectativa por parte de todos, diz, entre a estupefacção geral: «Hoje se cumpriu este oráculo que vós acabais de ouvir» (v. 21).

Evangelizar os pobres: esta é a missão de Jesus, segundo quanto Ele diz; esta é inclusive a missão da Igreja, e de cada baptizado na Igreja. Ser cristão e ser missionário é a mesma coisa. Anunciar o Evangelho, com a palavra e, antes ainda, com a vida, é a finalidade principal da comunidade cristã e de cada seu membro. Observa-se aqui que Jesus dirige a Boa Nova a todos, sem excluir ninguém, aliás privilegiando os mais distantes, os sofredores, os doentes, os descartados da sociedade.

Questionamo-nos: o que significa evangelizar os pobres? Significa em primeiro lugar aproximar-nos deles, significa ter a alegria de os servir, de os libertar da opressão, e tudo isto em nome e com o Espírito de Cristo, porque é Ele o Evangelho de Deus, é Ele a Misericórdia de Deus, é Ele a libertação de Deus, é Ele quem se fez pobre para nos enriquecer com a sua pobreza. O texto de Isaías, enriquecido com pequenos ajustes introduzidos por Jesus, indica que o anúncio messiânico do Reino de Deus que veio entre nós se destina de maneira preferencial aos marginalizados, aos prisioneiros, aos oprimidos.

Provavelmente no tempo de Jesus estas pessoas não estavam no centro da comunidade de fé. Podemos perguntar-nos: hoje, nas nossas comunidades paroquiais, nas associações, nos movimentos, somos fiéis ao programa de Cristo? A evangelização dos pobres, levar-lhes a boa nova, é a prioridade? Atenção: não se trata só de fazer assistência social, tão-pouco actividade política. Trata-se de oferecer a força do Evangelho de Deus, que converte o coração, sara as feridas, transforma as relações humanas e sociais segundo a lógica do amor. Com efeito, os pobres estão no centro do Evangelho.

A Virgem Maria, Mãe dos evangelizadores, nos ajude a sentir fortemente a fome e a sede do Evangelho que existe no mundo, especialmente no coração e na carne dos pobres. E conceda a cada um de nós e a cada comunidade cristã de testemunhar concretamente a misericórdia, a grande misericórdia que Cristo nos doou.

Depois do Angelus

Queridos irmãos e irmãs!

Saúdo com afecto todos vós, que viestes de diversas paróquias da Itália e de outros países, assim como as associações e as famílias.

Em particular, saúdo os estudantes de Zafra e os fiéis de Cervellò (são espanhóis); os participantes no congresso promovido pela «Comunidade mundial para a meditação cristã»; e os grupos de fiéis que vieram da Arquidiocese de Bari-Bitonto, Tarcento, Marostica, Prato, Abbiategrasso e Pero-Cerchiate.

Desejo a todos bom domingo e, por favor, não vos esqueçais de rezar por mim! Bom almoço e até à vista!



Fonte: Vaticano




Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...