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domingo, 24 de abril de 2016

Evangelho do V Domingo da Páscoa - Ano C


São João 13, 31-33a.34-35



Quando Judas saiu do Cenáculo, disse Jesus aos seus discípulos: "Agora foi glorificado o Filho do homem e Deus foi glorificado n’Ele. Se Deus foi glorificado n’Ele, Deus também O glorificará em Si mesmo e glorificá-l’O-á sem demora. Meus filhos, é por pouco tempo que ainda estou convosco. Dou-vos um mandamento novo: que vos ameis uns aos outros. Como Eu vos amei, amai-vos também uns aos outros. Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos: se vos amardes uns aos outros".










sábado, 23 de abril de 2016

Catequese com o Papa Francisco - 20.04.2016


Quarta-feira, 20 de Abril de 2016








Bom dia, prezados irmãos e irmãs!

Hoje queremos meditar sobre um aspeto da misericórdia bem representado pelo trecho do Evangelho de Lucas que ouvimos. Trata-se de algo que aconteceu a Jesus, quando era hóspede de um fariseu chamado Simão. Ele quis convidar Jesus à sua casa porque tinha ouvido falar bem dele, como de um grande profeta. E enquanto se encontravam sentados para almoçar, entra uma mulher conhecida por todos na cidade como uma pecadora. Sem proferir palavra, ela lança-se aos pés de Jesus e começa a chorar; as suas lágrimas molham os pés de Jesus e ela enxuga-os com os seus cabelos; depois, beija-os e unge-se com um bálsamo perfumado que trouxera consigo.

Ressalta-se o confronto entre as duas figuras: Simão, o zeloso servidor da lei, e a pecadora anónima. Enquanto o primeiro julga os outros com base nas aparências, a segunda, com os seus gestos, exprime com sinceridade o que tem no seu coração. Não obstante tenha convidado Jesus, Simão, não quer comprometer-se nem empenhar a sua vida com o Mestre; a mulher, pelo contrário, confia-se plenamente a Ele, com amor e veneração.

O fariseu não concebe que Jesus se deixe «contaminar» pelos pecadores. Ele pensa que se fosse realmente um profeta deveria reconhecê-los e mantê-los à distância, para não ser manchado por eles, como se fossem leprosos. Esta atitude é típica de um certo modo de compreender a religião, e é motivada pela constatação de que Deus e o pecado se opõem radicalmente um ao outro. Mas a Palavra de Deus ensina-nos a distinguir entre o pecado e o pecador: não podemos ceder a compromissos com o pecado, enquanto os pecadores — isto é, todos nós! — somos como doentes, que devem ser curados, e para os curar é necessário que o médico se aproxime deles, que os examine, que os toque. E naturalmente, para ser curado o enfermo deve reconhecer que precisa do médico!

Entre o fariseu e a pecadora, Jesus escolhe esta última. Livre de preconceitos que impedem à misericórdia de se manifestar, Jesus deixa-a agir. Ele, o Santo de Deus, deixa-se tocar por ela sem ter medo de ser contaminado. Jesus é livre, porque está próximo de Deus, Pai misericordioso. É esta proximidade a Deus, Pai misericordioso, que confere a liberdade a Jesus. Aliás, entrando em relação com a pecadora, Jesus põe fim àquela condição de isolamento à qual o juízo impiedoso do fariseu e dos seus concidadãos — que a exploravam — a condenava: «Os teus pecados são-te perdoados» (v. 48). Portanto, agora a mulher pode ir «em paz». O Senhor viu a sinceridade da sua fé e da sua conversão; por isso, diante de todos Ele proclama: «A tua fé te salvou» (v. 50). De um lado, a hipocrisia do doutor da lei; do outro, a sinceridade, a humildade e a fé da mulher. Todos nós somos pecadores, mas muitas vezes caímos na tentação da hipocrisia de nos considerarmos melhores do que os outros, e dizemos: «Olha para o teu pecado...». Ao contrário, todos nós devemos olhar para os nossos pecados, as nossas quedas, os nossos erros, e olhar para o Senhor. Esta é a linha de salvação: a relação entre o «eu» pecador e o Senhor. Se me sinto justo, esta relação de salvação não se verifica.

Nesta altura, uma surpresa ainda maior acomete todos os comensais: «Quem é este homem que até perdoa os pecados?» (v. 49). Jesus não dá uma resposta explícita, mas a conversão da pecadora salta aos olhos de todos, demonstrando que nele resplandece o poder da misericórdia de Deus, capaz de transformar os corações.

A pecadora ensina-nos o vínculo entre fé, amor e reconhecimento. Foram-lhe perdoados «numerosos pecados» e por isso ela ama muito; «mas a quem pouco se perdoa, pouco ama» (v. 47). Até o próprio Simão deve admitir que ama mais quem mais foi perdoado. Deus incluiu todos no mesmo mistério de misericórdia; e deste amor, que sempre nos precede, todos nós aprendemos a amar. Como recorda são Paulo: «Em Cristo, pelo seu sangue temos a Redenção, a remissão dos pecados, segundo as riquezas da sua graça, que Ele derramou abundantemente sobre nós» (Ef 1, 7-8). Neste texto, o termo «graça» é praticamente sinónimo de misericórdia, e diz-se que é «abundante», ou seja, vai além da nossa expectativa, porque realiza o plano salvífico de Deus para cada um de nós.

Caros irmãos, reconheçamos o dom da fé, demos graças ao Senhor pelo seu amor tão grandioso e imerecido! Deixemos que o amor de Cristo seja derramado sobre nós: o discípulo haure deste amor e nele se funda; deste amor cada um pode nutrir-se, alimentar-se. Assim, no amor grato que por nossa vez derramamos sobre os nossos irmãos, as nossas casas, a família e a sociedade transmite-se a todos a misericórdia do Senhor.

Saudações

De coração, saúdo os peregrinos brasileiros da Comunidade Obra de Maria e todos os presentes de língua portuguesa. Sede bem-vindos! Que nada vos impeça de viver e crescer na amizade do Senhor Jesus, e testemunhar a todos a sua grande bondade e misericórdia! Desça generosamente a sua Bênção sobre vós e vossas famílias.

Saúdo os peregrinos vindos da Ucrânia e da Bielo-Rússia, por ocasião da Conferência internacional no 30° aniversário da tragédia de Chernobyl.

Enquanto renovamos a oração pelas vítimas daquele desastre, manifestamos o nosso agradecimento aos socorristas, e por todas as iniciativas mediante as quais se procurou aliviar os sofrimentos e remediar os danos.

A população da Ucrânia sofre desde há tempos devido às consequências de um conflito armado, esquecido por muitos. Como sabeis, convidei a Igreja na Europa a apoiar a iniciativa por mim tomada para ir ao encontro desta emergência humanitária. Agradeço desde já a quantos contribuírem com generosidade para esta coleta, que terá lugar no próximo domingo, 24 de abril.

Dirijo uma saudação especial aos jovens, aos doentes e aos recém-casados. Amanhã celebraremos a festa de santo Anselmo de Aosta, bispo e doutor da Igreja. O seu exemplo de vida vos leve, estimados jovens, a ver em Jesus misericordioso o verdadeiro Mestre de vida; a sua intercessão vos obtenha, amados enfermos, a serenidade e a paz presentes no mistério da Cruz; e a sua doutrina vos sirva de encorajamento, caros recém-casados, para vos tornardes educadores dos vossos filhos com a sabedoria do coração.



Fonte: Vaticano



Regina Coeli com o Papa Francisco - 17.04.2016


Praça São Pedro
Domingo, 17 de Abril de 2016








Amados irmãos e irmãs, bom dia!

O Evangelho de hoje (Jo 10, 27-30) oferece-nos expressões pronunciadas por Jesus durante a festa da dedicação do templo de Jerusalém, que se celebrava no final de dezembro. Ele encontra-se precisamente na área do templo, e talvez aquele espaço sagrado recintado sugira a imagem do redil e do pastor. Jesus apresenta-se como «o bom pastor» e diz: «As minhas ovelhas ouvem a minha voz, eu as conheço e elas me seguem. Eu lhes dou a vida eterna; elas jamais hão de perecer, e ninguém as roubará da minha mão» (vv. 27-28). Estas palavras ajudam-nos a compreender que ninguém se pode considerar seguidor de Jesus, se não ouve a sua voz. E este «ouvir» não deve ser entendido de maneira superficial, mas arrebatadora, a ponto de tornar possível um verdadeiro conhecimento recíproco, do qual pode vir um seguimento generoso, expresso nas palavras «e elas seguem-me» (v. 27). Trata-se de uma escuta não só dos ouvidos, mas uma escuta do coração!

Por conseguinte, a imagem do pastor e das ovelhas indica a relação estreita que Jesus deseja estabelecer com cada um de nós. Ele é o nosso guia, o nosso mestre, o nosso amigo, o nosso modelo, mas sobretudo é o nosso Salvador. De facto, a frase seguinte do trecho evangélico afirma: «elas jamais hão de perecer, e ninguém as roubará da minha mão» (v. 28). Quem pode falar assim? Unicamente Jesus, porque a «mão» de Jesus é uma coisa só com a «mão» do Pai, e o Pai é «maior do que todos» (v. 29).

Estas palavras comunicam-nos um sentido de absoluta segurança e de imensa ternura. A nossa vida está plenamente segura nas mãos de Jesus e do Pai, que são uma só coisa: um único amor, uma única misericórdia, revelados de uma vez para sempre no sacrifício da cruz. Para salvar as ovelhas tresmalhadas que somos todos nós, o Pastor fez-se cordeiro e deixou-se imolar para assumir sobre si os pecados e tirá-los do mundo. Deste modo Ele doou-nos a vida, e vida em abundância (cf. Jo 10, 10)! Este mistério renova-se, numa humildade sempre surpreendente, na mesa eucarística. É ali que as ovelhas se reúnem para se nutrirem; é ali que se tornam uma só coisa, entre si e com o Bom Pastor.

Por isto já não temos receio: a nossa vida agora está salva da perdição. Nada e ninguém nos poderá arrancar das mãos de Jesus, porque nada e ninguém pode vencer o seu amor. O amor de Jesus é invencível! O maligno, o grande inimigo de Deus e das suas criaturas, procura de muitas maneiras arrancar-nos a vida eterna. Mas o maligno nada pode se nós não lhe abrirmos as portas da nossa alma, seguindo as suas lisonjas enganadoras.

A Virgem Maria ouviu e seguiu docilmente a voz do Bom Pastor. Que ela nos ajude a acolher com alegria o convite de Jesus a tornarmo-nos seus discípulos, e a viver sempre na certeza de estar nas mãos paternas de Deus.

Depois do Regina Coeli

Agradeço a quantos acompanharam com a oração a visita que fiz ontem à ilha de Lesbos, na Grécia. Aos refugiados e ao povo grego levei a solidariedade da Igreja. Estavam comigo o Patriarca Ecuménico Bartolomeu e o Arcebispo Jerónimo de Atenas e de toda a Grécia, para significar a unidade na caridade de todos os discípulos do Senhor. Visitámos um dos campos de refugiados: eles são provenientes do Iraque, da Síria, da África, de tantos países... Saudamos cerca de 300 destes refugiados, um por um. Os três: o Patriarca Bartolomeu, o arcebispo Jerónimo e eu. Muitos deles eram crianças; algumas destas crianças assistiram à morte dos pais e dos amigos, alguns morreram afogados no mar. Vi tanto sofrimento! E desejo contar um caso particular, de um jovem, não tem 40 anos. Encontrei-me com ele ontem, com os seus dois filhos. Ele é muçulmano e contou-me que era casado com uma jovem cristã, amavam-se e respeitavam-se reciprocamente. Mas infelizmente esta jovem foi degolada pelos terroristas, porque não quis renegar Cristo e abandonar a sua fé. É uma mártir! E aquele homem chorava tanto...

Esta noite um violento terramoto atingiu o Equador, causando numerosas vítimas e danos enormes. Rezemos por aquelas populações; e também pelas do Japão, onde também se verificaram alguns terramotos nestes dias. A ajuda de Deus e dos irmãos lhes dê força e amparo.

Celebra-se hoje o Dia Mundial de Oração pelas Vocações. Somos convidados a rezar pelas vocações para o sacerdócio e para a vida consagrada. Na manhã deste Dia ordenei onze novos sacerdotes. Renovo a minha saudação aos novos presbíteros, aos familiares e aos amigos; e convido todos os jovens, moços e moças, que estais na Praça: refleti se o Senhor não vos chama a consagrar a vida ao seu serviço, quer no sacerdócio, quer na vida consagrada.

Saúdo com afeto todos vós, peregrinos provenientes da Itália e de tantas partes do mundo. Estão presentes famílias, grupos paroquiais, escolas e associações: a todos abençoo. Saúdo em particular os fiéis de Madrid, de São Paulo do Brasil e de Varsóvia...

Estou próximo das muitas famílias preocupadas com o problema do trabalho. Penso em particular na situação precária dos trabalhadores italianos dos Call Centers: faço votos de que acima de tudo prevaleça sempre a dignidade da pessoa humana e não os interesses particulares.

A todos desejo bom domingo. E por favor, não vos esqueçais de rezar por mim. Bom almoço e até à vista!




Fonte: Vaticano



Evangelho do IV Domingo da Páscoa - Ano C


São João 10, 27-30




Naquele tempo, disse Jesus: "As minhas ovelhas escutam a minha voz. Eu conheço as minhas ovelhas e elas seguem-Me. Eu dou-lhes a vida eterna e nunca hão-de perecer e ninguém as arrebatará da minha mão. Meu Pai, que Mas deu, é maior do que todos e ninguém pode arrebatar nada da mão do Pai. Eu e o Pai somos um só".

Catequese com o Papa Francisco - 13.04.2016


Quarta-feira, 13 de abril de 2016








Bom dia, prezados irmãos e irmãs!

Ouvimos o Evangelho da vocação de Mateus. Mateus era um «publicano», ou seja, um cobrador de impostos em nome do império romano, e por isso era considerado pecador público. Mas Jesus chama-o para o seguir e para se tornar seu discípulo. Mateus aceita e convida-o para jantar na sua casa juntamente com os discípulos. Então, começa um debate entre os fariseus e os discípulos de Jesus, porque estes compartilham a mesa com os publicanos e os pecadores. «Mas tu não podes ir à casa desta gente!», diziam eles. Com efeito, Jesus não os afasta mas, pelo contrário, frequenta as suas casas e senta-se ao seu lado; isto significa que também eles podem tornar-se seus discípulos. E é igualmente verdade que ser cristãos não nos torna impecáveis. Como o publicano Mateus, cada um de nós confia na graça do Senhor, não obstante os próprios pecados. Todos nós somos pecadores, todos cometemos pecados. Chamando Mateus, Jesus mostra aos pecadores que não tem em consideração o passado deles, nem a sua condição social, nem sequer as convenções exteriores mas, ao contrário, abre-lhes um novo futuro. Certa vez ouvi um bonito ditado: «Não há santo sem passado, nem pecador sem futuro». É isto que Jesus faz. Não há santo sem passado, nem pecador sem futuro. É suficiente responder ao convite com o coração humilde e sincero. A Igreja não é uma comunidade de pessoas perfeitas, mas de discípulos a caminho, que seguem o Senhor porque se reconhecem pecadores e necessitados do seu perdão. Por conseguinte, a vida cristã é escola de humildade que nos abre à graça.

Este comportamento não é compreendido por quantos têm a presunção de se julgar «justos», de achar que são melhores que os outros. Soberba e orgulho não nos permitem reconhecer-nos necessitados de salvação, aliás, impedem-nos de ver o rosto misericordioso de Deus e de agir com misericórdia. Elas são um muro. A soberba e o orgulho são um muro que impedem a relação com Deus. E no entanto, a missão de Jesus é precisamente esta: vir à procura de cada um de nós, para curar as nossas feridas e para nos chamar a segui-lo com amor. Di-lo claramente: «Não são os que têm saúde que precisam de médico, mas sim os doentes» (v. 12). Jesus apresenta-se como um bom médico! Anuncia o Reino de Deus, e os sinais da sua vinda são evidentes: Ele cura das doenças, liberta do medo, da morte e do demónio. Diante de Jesus, nenhum pecador deve ser excluído — nenhum pecador deve ser excluído! — porque o poder purificador de Deus não conhece enfermidades que não possam ser curadas; e isto deve dar-nos confiança e abrir o nosso coração ao Senhor, a fim de que venha e nos cure. Chamando os pecadores à sua mesa, Ele cura-os restabelecendo-os naquela vocação que eles julgavam perdida e que os fariseus tinham esquecido: a de convidados para o banquete de Deus. Segundo a profecia de Isaías: «O Senhor dos exércitos preparou para todos os povos, nesse monte, um banquete de carnes gordas, um festim de vinhos velhos, de carnes gordas, de vinhos velhos purificados... E naquele dia dirão: eis o nosso Deus, do qual esperamos a nossa libertação. Congratulemo-nos, rejubilemo-nos pelo seu socorro» (25, 6-9).

Se os fariseus veem nos convidados somente pecadores e se recusam a sentar-se ao seu lado, Jesus ao contrário recorda-lhes que também aqueles são comensais de Deus. Deste modo, sentar-se à mesa com Jesus significa ser por Ele transformado e salvo. Na comunidade cristã, a mesa de Jesus é dupla: há a mesa da Palavra e a mesa da Eucaristia (cf. Dei Verbum, 21). São estes os remédios com que o Médico Divino nos cura e nos alimenta. Com o primeiro — a Palavra — Ele revela-se e convida-nos a um diálogo entre amigos. Jesus não tinha medo de dialogar com os pecadores, os publicanos, as prostitutas... Não, Ele não tinha receio: amava todos! A sua Palavra penetra-nos e, como um bisturi, age em profundidade para nos livrar do mal que se oculta na nossa vida. Às vezes esta Palavra é dolorosa porque incide sobre as hipocrisias, desmascara as falsas desculpas, revela as verdades escondidas; mas ao mesmo tempo ilumina e purifica, dá força e esperança, é um precioso reconstituinte no nosso caminho de fé. Por sua vez, a Eucaristia nutre-nos com a própria vida de Jesus e, com um remédio poderosíssimo, de modo misterioso renova continuamente a graça do nosso Batismo. Aproximando-nos da Eucaristia, nós alimentamo-nos com o Corpo e Sangue de Jesus; e no entanto, entrando em nós, é Jesus que nos une ao seu Corpo!

Concluindo aquele diálogo com os fariseus, Jesus recorda-lhes uma palavra do profeta Oseias (6, 6): «Ide e aprendei o que significam estas palavras: Eu quero a misericórdia e não o sacrifício» (Mt 9, 13). Dirigindo-se ao povo de Israel, o profeta repreendia-o porque as preces que elevava eram palavras vazias e incoerentes. Não obstante a aliança de Deus e a misericórdia, o povo vivia frequentemente segundo uma religiosidade «de fachada», sem viver em profundidade o mandamento do Senhor. Eis por que razão o profeta insiste: «Eu quero a misericórdia», ou seja, a lealdade de um coração que reconhece os próprios pecados, que se arrepende e volta a ser fiel à aliança com Deus: «E não o sacrifício»: sem um coração arrependido, todas as obras religiosas são ineficazes! Jesus aplica esta frase profética também aos relacionamentos humanos: aqueles fariseus eram muito observantes na forma, mas não estavam dispostos a compartilhar a mesa com os publicanos e os pecadoes; não reconheciam a possibilidade de um arrependimento e por isso de uma cura; não punham em primeiro lugar a misericórdia: embora fossem fiéis guardiões da Lei, demonstravam que não conheciam o Coração de Deus! É como se te oferecessem um pacote com um presente e tu, em vez de ir ver o dom, olhasses somente para o papel com o qual ele foi embrulhado: só as aparências, a forma, e não o núcleo da graça, do dom que é oferecido!

Caros irmãos e irmãs, todos nós somos convidados à mesa do Senhor. Façamos nosso o convite a sentar-nos ao seu lado, juntamente com os seus discípulos. Aprendamos a olhar com misericórdia e a reconhecer em cada um deles um nosso comensal. Somos todos discípulos necessitados de experimentar e viver a palavra consoladora de Jesus. Todos nós temos necessidade de nos alimentarmos da misericórdia de Deus, porque é desta fonte que brota a nossa salvação. Obrigado!

Saudações

De coração saúdo todos os peregrinos de língua portuguesa, particularmente os brasileiros de Uberaba e Uruaçu. Queridos amigos, abandonemos a presunção de nos crermos mais justos e melhores do que os outros; ao contrário, reconheçamos que somos todos discípulos e pecadores necessitados de ser tocados pela misericórdia de Deus. Sobre vós e sobre vossas comunidades, desça a Bênção do Senhor!

Estimados irmãos e irmãs, no próximo domingo celebraremos o Dia mundial de oração pelas vocações. Pedi a Cristo, Bom Pastor, que envie sempre novos trabalhadores ao seu serviço.

No próximo sábado irei à ilha de Lesbos, por onde nos meses passados transitaram numerosíssimos refugiados. Irei juntamente com os meus irmãos, o Patriarca de Constantinopla Bartolomeu e o Arcebispo de Atenas e de toda a Grécia, Hieronymos, para manifestar proximidade e solidariedade, tanto aos refugiados como aos cidadãos de Lesbos e a todo o povo grego, tão generoso na hospitalidade. Peço por favor que me acompanheis com a oração, invocando a luz e a força do Espírito Santo, bem como a intercessão maternal da Virgem Maria.

Dirijo uma saudação especial aos jovens, aos doentes e aos recém-casados. O anúncio pascal continue a fazer-nos viver o arrebatamento dos discípulos de Emaús: amados jovens, só o Senhor Jesus sabe responder completamente às aspirações de felicidade e de bem na vossa vida; caros enfermos, não há melhor consolação para o vosso sofrimento do que a certeza da Ressurreição de Cristo; e vós, queridos recém-casados, vivei o vosso matrimónio em adesão concreta a Cristo e aos ensinamentos do Evangelho.




Fonte: Vaticano




Regina Coeli com o Papa Francisco - 10.04.2016


Praça São Pedro
Domingo, 10 de Abril de 2016








Amados irmãos e irmãs, bom dia!

O Evangelho de hoje narra a terceira aparição de Jesus ressuscitado aos discípulos, nas margens do lago da Galileia, com a descrição da pesca milagrosa (cf. Jo 21, 1-19). A narração é inserida no âmbito da vida diária dos discípulos, que voltaram à sua terra e ao seu trabalho de pescadores, depois dos dias perturbadores da paixão, morte e ressurreição do Senhor. Para eles era difícil compreender o que tinha acontecido. Mas, quando tudo parecia ter terminado, é ainda Jesus quem «procura» de novo os seus discípulos. É Ele que os vai procurar. Desta vez encontra-os junto do lago, onde eles passaram a noite nos barcos sem pescar nada. As redes vazias são, num certo sentido, como que o balanço da sua experiência com Jesus: conheceram-no, tinham deixado tudo para o seguir, cheios de esperança... e agora? Sim, tinham-no visto ressuscitado, mas depois pensavam: «Foi embora e deixou-nos... Foi como que um sonho...».

Mas eis que ao alvorecer Jesus se apresenta na margem do lago; e eles não o reconhecem (cf. v. 4). Àqueles pescadores, cansados e desiludidos, o Senhor diz: «Lançai a rede à direita do barco e achareis» (v. 6). Os discípulos confiaram em Jesus e o resultado foi uma pesca incrivelmente abundante. A este ponto João, dirigindo-se a Pedro, diz: «É o Senhor!» (v. 7). Imediatamente Pedro lança-se à água e nada até à margem, na direção de Jesus. Naquela exclamação: «É o Senhor!», há todo o entusiasmo da fé pascal, cheia de alegria e de admiração, que contrasta em grande medida com a desorientação, o desânimo, o sentido de impotência que se tinham acumulado no ânimo dos discípulos. A presença de Jesus ressuscitado transforma todas as coisas: a escuridão é vencida pela luz, o trabalho inútil torna-se de novo frutuoso e prometedor, o sentido de cansaço e de abandono deixa lugar a um novo impulso e à certeza de que Ele está connosco.

A partir de então, estes mesmos sentimentos animam a Igreja, a Comunidade do Ressuscitado. Todos nós somos a comunidade do Ressuscitado! Se por vezes, à primeira impressão, pode parecer que as trevas do mal e a fadiga do dia a dia têm a supremacia, a Igreja sabe com certeza que sobre quantos seguem o Senhor Jesus já resplandece a luz da Páscoa que não conhece ocaso. O grande anúncio da Ressurreição infunde nos corações dos crentes uma alegria íntima e uma esperança invencível. Verdadeiramente Cristo ressuscitou! Também hoje a Igreja continua a fazer ressoar este anúncio jubiloso: a alegria e a esperança continuam a escorrer nos corações, nos rostos, nos gestos, nas palavras. Todos nós, cristãos, estamos chamados a comunicar esta mensagem de ressurreição a quantos encontramos, sobretudo a quem sofre, aos que estão sozinhos, a quantos se encontram em condições precárias, aos doentes, aos refugiados, aos marginalizados. A todos façamos chegar um raio da luz de Cristo ressuscitado, um sinal do seu poder misericordioso.

Ele, o Senhor, renove também em nós a fé pascal. Nos torne cada vez mais conscientes da nossa missão ao serviço do Evangelho e dos irmãos; nos encha do seu Espírito Santo para que, amparados pela intercessão de Maria, com toda a Igreja possamos proclamar a grandeza do seu amor e a riqueza da sua misericórdia.

Depois do Regina Coeli

Amados irmãos e irmãs!

Na esperança que Cristo ressuscitado nos doou, renovo o meu apelo a favor da libertação de todas as pessoas raptadas em zonas de conflito armado; em particular desejo recordar o sacerdote salesiano Tom Uzhunnalil, raptado em Aden no Iémen a 4 de março passado.

Saúdo todos vós, romanos e peregrinos provenientes da Itália e de diversas partes do mundo. E dirijo uma saudação também aos que estão a fazer a Maratona. Agradeço a sua presença aos coros paroquiais, alguns dos quais prestaram serviço nestes dias na basílica de São Pedro. Muito obrigado!

E a todos desejo bom domingo. Por favor, não vos esqueçais de rezar por mim. Bom almoço e até à vista!



Fonte: Vaticano



domingo, 10 de abril de 2016

Evangelho do III Domingo de Páscoa - Ano C


São João 21, 1-19

Naquele tempo, Jesus manifestou-Se outra vez aos seus discípulos, junto do mar de Tiberíades. Manifestou-Se deste modo: Estavam juntos Simão Pedro e Tomé, chamado Dídimo, Natanael, que era de Caná da Galileia, os filhos de Zebedeu e mais dois discípulos de Jesus. Disse-lhes Simão Pedro: "Vou pescar". Eles responderam-lhe: "Nós vamos contigo". Saíram de casa e subiram para o barco, mas naquela noite não apanharam nada. Ao romper da manhã, Jesus apresentou-Se na margem, mas os discípulos não sabiam que era Ele. Disse-lhes Jesus: "Rapazes, tendes alguma coisa de comer?" Eles responderam: "Não". Disse-lhes Jesus: "Lançai a rede para a direita do barco e encontrareis". Eles lançaram a rede e já mal a podiam arrastar por causa da abundância de peixes. O discípulo predileto de Jesus disse a Pedro: "É o Senhor". Simão Pedro, quando ouviu dizer que era o Senhor, vestiu a túnica que tinha tirado e lançou-se ao mar. Os outros discípulos, que estavam apenas a uns duzentos côvados da margem, vieram no barco, puxando a rede com os peixes. Quando saltaram em terra, viram brasas acesas com peixe em cima, e pão. Disse-lhes Jesus: "Trazei alguns dos peixes que apanhastes agora". Simão Pedro subiu ao barco e puxou a rede para terra, cheia de cento e cinquenta e três grandes peixes; e, apesar de serem tantos, não se rompeu a rede. Disse-lhes Jesus: "Vinde comer". Nenhum dos discípulos se atrevia a perguntar-Lhe: "Quem és Tu?", porque bem sabiam que era o Senhor. Jesus aproximou-Se, tomou o pão e deu-lho, fazendo o mesmo com os peixes. Esta foi a terceira vez que Jesus Se manifestou aos seus discípulos, depois de ter ressuscitado dos mortos. Depois de comerem, Jesus perguntou a Simão Pedro: "Simão, filho de João, tu amas-Me mais do que estes?" Ele respondeu-Lhe: "Sim, Senhor, Tu sabes que Te amo". Disse-lhe Jesus: "Apascenta os meus cordeiros". Voltou a perguntar-lhe segunda vez: "Simão, filho de João, tu amas-Me?" Ele respondeu-Lhe: "Sim, Senhor, Tu sabes que Te amo". Disse-lhe Jesus: "Apascenta as minhas ovelhas". Perguntou-lhe pela terceira vez: "Simão, filho de João, tu amas-Me?". Pedro entristeceu-se por Jesus lhe ter perguntado pela terceira vez se O amava e respondeu-Lhe: "Senhor, Tu sabes tudo, bem sabes que Te amo". Disse-lhe Jesus: "Apascenta as minhas ovelhas. Em verdade, em verdade te digo: Quando eras mais novo, tu mesmo te cingias e andavas por onde querias; mas quando fores mais velho, estenderás a mão e outro te cingirá e te levará para onde não queres". Jesus disse isto para indicar o gênero de morte com que Pedro havia de dar glória a Deus. Dito isto, acrescentou: "Segue-Me".





Catequese com o Papa Francisco - 06.04.2016


Quarta-feira, 6 de Abril de 2016








Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

Depois de ter refletido sobre a misericórdia de Deus no Antigo Testamento, hoje iniciamos a meditar sobre o modo como o próprio Jesus a levou ao seu pleno cumprimento. Uma misericórdia que Ele expressou, realizou e comunicou sempre, em cada momento da sua vida terrena. Encontrando-se com as multidões, anunciando o Evangelho, curando os doentes, aproximando-se dos últimos, perdoando os pecadores, Jesus torna visível um amor aberto a todos: sem excluir ninguém! Aberto a todos sem confins. Um amor puro, gratuito e absoluto. Um amor que alcança o seu ápice no Sacrifício da cruz. Sim, o Evangelho é deveras o «Evangelho da Misericórdia», porque Jesus é a Misericórdia!

Os quatro Evangelhos afirmam que Jesus, antes de empreender o seu ministério, quis receber o batismo de João Batista (cf. Mt 3, 13-17; Mc 1, 9-11; Lc 3, 21-22; Jo 1, 29-34). Este evento imprime uma orientação decisiva a toda a missão de Cristo. Com efeito, Ele não se apresentou ao mundo no esplendor do templo: podia fazê-lo. Não se fez anunciar pelo retumbar de trombas: podia fazê-lo. E nem sequer veio nas vestes de um juiz: podia fazê-lo. Ao contrário, depois de trinta anos de vida escondida em Nazaré, Jesus foi até ao rio Jordão, juntamente com muitas pessoas do seu povo e pôs-se em fila com os pecadores. Não sentiu vergonha: estava ali com todos, com os pecadores, para ser batizado. Portanto, desde o início do seu ministério, Ele manifestou-se como Messias que assume a condição humana, movido pela solidariedade e pela compaixão. Como Ele mesmo afirma na sinagoga de Nazaré, identificando-se com a profecia de Isaías: «O Espírito do Senhor está sobre mim, porque me ungiu; e enviou-me para anunciar a boa nova aos pobres, para sarar os contritos de coração, para anunciar aos cativos a redenção, aos cegos a restauração da vista, para pôr em liberdade os cativos, para publicar o ano da graça do Senhor» (Lc 4, 18-19). Tudo o que Jesus realizou depois do batismo foi o cumprimento do programa inicial: anunciar a todos o amor de Deus que salva. Jesus não anunciou o ódio nem a inimizade: anunciou-nos o amor! Um amor grande, um coração aberto a todos, a todos nós! Um amor que salva!

Ele fez-se próximo aos últimos, comunicando-lhes a misericórdia de Deus que é perdão, alegria e vida nova. Jesus, o Filho enviado pelo Pai, é realmente o início do tempo da misericórdia para toda a humanidade! Quantos estavam presentes nas margens do Jordão não compreenderam imediatamente a importância do gesto de Jesus. O próprio João Batista admirou-se com a sua decisão (cf. Mt 3, 14). Mas não o Pai celeste! Ele fez ouvir a sua voz do alto: «Tu és o meu Filho muito amado; em ti ponho minha afeição» (Mc 1, 11). De tal modo o Pai confirma o caminho que o Filho empreendeu como Messias, enquanto sobre Ele desce como uma pomba o Espírito Santo. Então o coração de Jesus bate, por assim dizer, em uníssono com o coração do Pai e do Espírito, mostrando a todos os homens que a salvação é fruto da misericórdia de Deus.

Podemos contemplar ainda mais claramente o grande mistério deste amor dirigindo o olhar para Jesus crucificado. Enquanto inocente está para morrer por nós, pecadores, suplica ao Pai: «Pai, perdoa-lhes; porque não sabem o que fazem» (Lc 23, 34). É na cruz que Jesus apresenta à misericórdia do Pai o pecado do mundo: o pecado de todos, os meus, os teus, os vossos. É na cruz que Ele os apresenta ao Pai. E com o pecado do mundo todos os nossos pecados são perdoados. Nada e ninguém permanece excluído desta oração sacrifical de Jesus. Isto significa que não devemos temer reconhecer-nos e confessar-nos pecadores. Quantas vezes dizemos: «Mas, ele é um pecador, fez isto e aquilo...», e julgamos os outros. E tu? Cada um de nós deveria perguntar-se: «Sim, ele é um pecador. E eu?». Todos somos pecadores, mas todos fomos perdoados: temos a possibilidade de receber este perdão que é a misericórdia de Deus. Portanto, não devemos temer reconhecer-nos e confessar-nos pecadores, porque todo o pecado foi levado à Cruz pelo Filho. E quando nos confessamos arrependidos confiando-nos a Ele, temos a certeza de que somos perdoados. O sacramento da Reconciliação torna atual para cada um a força do perdão que brota da Cruz e renova na nossa vida a graça da misericórdia que Jesus nos conquistou! Não devemos temer as nossas misérias: cada um tem as próprias. O poder do amor do Crucificado não conhece obstáculos e nunca se esgota. E esta misericórdia cancela as nossas misérias.

Caríssimos, neste Ano jubilar peçamos a Deus a graça de fazer a experiência do poder do Evangelho: Evangelho da misericórdia que transforma, que faz entrar no coração de Deus, que nos torna capazes de perdoar e olhar para o mundo com mais bondade. Se acolhermos o Evangelho do Crucificado Ressuscitado, toda a nossa vida será plasmada pela força do seu amor que renova.

Saudações

Queridos peregrinos de língua portuguesa, de coração vos saúdo a todos, nomeadamente ao grupo de São Sebastião do Pontal, desejando-vos neste Ano Jubilar a graça de experimentar a força do Evangelho da misericórdia que transforma, que faz entrar no coração de Deus, que nos torna capazes de perdoar e olhar o mundo com mais bondade. Assim Deus vos abençoe a vós e às vossas famílias.

Hoje decorre o Terceiro Dia Mundial do Desporto pela Paz e o Desenvolvimento, promovido pelas Nações Unidas. O desporto é uma linguagem universal, que aproxima os povos e pode contribuir para fazer encontrar as pessoas e superar os conflitos. Por isso encorajo a viver a dimensão desportiva como exercício de virtude no crescimento integral dos indivíduos e das comunidades.




Fonte: Vaticano




Regina Coeli com o Papa Francisco - 03.04.2016


Praça São Pedro
Domingo, 3 de Abril de 2016








Neste dia, que é como que o coração do Ano Santo da Misericórdia, o meu pensamento dirige-se a todas as populações que mais têm sede de reconciliação e de paz. Penso, em particular, aqui na Europa, no drama de quem sofre as consequências da violência na Ucrânia: de quantos permanecem em terras assoladas pelas hostilidades que já causaram vários milhares de mortos, e de quantos — mais de um milhão — foram obrigados a deixá-las devido à grave situação que perdura. Ficam envolvidos sobretudo idosos e crianças. Além de os acompanhar com o meu pensamento constante e com a minha oração, quis decidir promover um apoio humanitário a seu favor. Para esta finalidade, terá lugar uma coleta especial em todas as igrejas católicas da Europa no domingo 24 de abril. Convido os fiéis a unir-se a esta iniciativa com uma generosa contribuição. Este gesto de caridade, além dos sofrimentos materiais, quer expressar a proximidade e a solidariedade minha pessoal e de toda a Igreja. Faço votos sinceros de que ele possa ajudar a promover sem ulteriores demoras a paz e o respeito do direito naquela terra tão provada.

E ao rezarmos pela paz, recordamos que amanhã se celebra o Dia Mundial contra as minas antipessoal. Demasiadas pessoas continuam a morrer ou ficam mutiladas por estas armas terríveis, e homens e mulheres corajosos arriscam a vida para bonificar os terrenos minados. Renovemos, por favor, o compromisso por um mundo sem minas!

Por fim, dirijo a minha saudação a todos vós que participastes nesta celebração, em particular aos grupos que cultivam a espiritualidade da Divina Misericórdia.

Dirijamo-nos todos juntos em oração à nossa Mãe.




Fonte: Vaticano



domingo, 3 de abril de 2016

Evangelho do II Domingo de Páscoa - Ano C


São João 20, 19-31

Na tarde daquele dia, o primeiro da semana, estando fechadas as portas da casa onde os discípulos se encontravam, com medo dos judeus, veio Jesus, colocou-Se no meio deles e disse-lhes: "A paz esteja convosco". Dito isto, mostrou-lhes as mãos e o lado. Os discípulos ficaram cheios de alegria ao verem o Senhor. Jesus disse-lhes de novo: "A paz esteja convosco. Assim como o Pai Me enviou, também Eu vos envio a vós". Dito isto, soprou sobre eles e disse-lhes: "Recebei o Espírito Santo: àqueles a quem perdoardes os pecados ser-lhes-ão perdoados; e àqueles a quem os retiverdes serão retidos". Tomé, um dos Doze, chamado Dídimo, não estava com eles quando veio Jesus. Disseram-lhe os outros discípulos: "Vimos o Senhor". Mas ele respondeu-lhes: "Se não vir nas suas mãos o sinal dos cravos, se não meter o dedo no lugar dos cravos e a mão no seu lado, não acreditarei". Oito dias depois, estavam os discípulos outra vez em casa, e Tomé com eles. Veio Jesus, estando as portas fechadas, apresentou-Se no meio deles e disse: "A paz esteja convosco". Depois disse a Tomé: "Põe aqui o teu dedo e vê as minhas mãos; aproxima a tua mão e mete-a no meu lado; e não sejas incrédulo, mas crente". Tomé respondeu-Lhe: "Meu Senhor e meu Deus!" Disse-lhe Jesus: "Porque Me viste acreditaste: felizes os que acreditam sem terem visto". Muitos outros milagres fez Jesus na presença dos seus discípulos, que não estão escritos neste livro. Estes, porém, foram escritos para acreditardes que Jesus é o Messias, o Filho de Deus, e para que, acreditando, tenhais a vida em seu nome.




Catequese com o Papa Francisco - 30.03.2016


Quarta-feira, 30 de Março de 2016








Amados irmãos e irmãs, bom dia!

Terminamos hoje as catequeses sobre a misericórdia no Antigo Testamento, e fazemo-lo meditando sobre o Salmo 51, chamadoMiserere. Trata-se de uma oração penitencial na qual o pedido de perdão é precedido pela confissão da culpa e na qual o orante, deixando-se purificar pelo amor do Senhor, se torna uma nova criatura, capaz de obediência, de firmeza e de louvor sincero.

O «título» que a antiga tradição judaica deu a este Salmo refere-se ao rei David e ao seu pecado com Betsabé, a esposa de Urias, o Hitita. Conhecemos bem a história. O rei David, chamado por Deus para apascentar o povo e para o guiar pelos caminhos da obediência à Lei divina, atraiçoa a própria missão e, depois de ter cometido adultério com Betsabé, manda matar o seu marido. Pecado horrível! O profeta Natan revela-lhe a sua culpa e ajuda-o a reconhecê-la. É o momento da reconciliação com Deus, na confissão do próprio pecado. E aqui David foi humilde, foi grande! Quem reza com este Salmo é convidado a ter os mesmos sentimentos de arrependimento e de confiança em Deus que David teve quando se arrependeu e, mesmo sendo rei, se humilhou sem ter receio de confessar a culpa e mostrar a própria miséria ao Senhor, convicto contudo da certeza da sua misericórdia. E não era um pecado de pouca importância, o que ele tinha cometido: um adultério e um assassínio!

O Salmo começa com estas palavras de súplica: «Tende piedade de mim, Senhor, / segundo a Vossa misericórdia, / segundo a vossa grande misericórdia, apagai os meus pecados. / Lavai-me totalmente das minhas iniquidades» (vv. 3-4).

A invocação é dirigida ao Deus de misericórdia para que, movido por um amor grande como o de um pai ou de uma mãe, tenha piedade, isto é, conceda a graça, mostre o seu favor com benevolência e compreensão. É um apelo urgente a Deus, o único que pode libertar do pecado. São usadas imagens muito plásticas: cancela, lava-me, purifica-me. Manifesta-se, nesta oração, a verdadeira necessidade do homem: a única coisa da qual temos deveras necessidade na nossa vida é ser perdoados, libertados do mal e das suas consequências de morte. Infelizmente, a vida faz-nos experimentar muitas vezes estas situações; e antes de tudo devemos confiar na misericórdia. Deus é maior do que o nosso pecado. Não esqueçamos isto: Deus é maior do que o nosso pecado! «Padre, não sei, fiz tantas, grandes!». Deus é maior que todos os pecados que podemos cometer. Deus é maior do que o nosso pecado. Digamos juntos? Todos juntos: «Deus é maior do que o nosso pecado!». Outra vez: «Deus é maior do que o nosso pecado!». Mais uma vez: «Deus é maior do que o nosso pecado!». E o seu amor é um oceano no qual nos podemos imergir sem receio de ser subjugados: para Deus, perdoar significa dar-nos a certeza de que Ele nunca nos abandona. Independentemente do que nos reprovemos, Ele é ainda e sempre maior do que tudo (cf. 1 Jo 3, 20), porque Deus é maior do que o nosso pecado.

Neste sentido, quem reza com este Salmo procura o perdão, confessa a própria culpa, mas reconhecendo-a celebra a justiça e a santidade de Deus. E depois pede ainda graça e misericórdia. O salmista confia na bondade de Deus, sabe que o perdão divino é sumamente eficaz, porque cria aquilo que diz. Não esconde o pecado, mas detrói-o e cancela-o; mas cancela-o precisamente pela raiz, não como fazem na lavandaria quando levamos uma veste e tiram uma nódoa. Não! Deus cancela o nosso pecado precisamente pela raiz, todo! Por isso o penitente volta a ser puro, toda a mancha é eliminada e agora ele está mais branco que a neve incontaminada. Todos nós somos pecadores. É verdade isto? Se algum de vós não se sente pecador que levante a mão... Ninguém! Todos o somos.

Nós, pecadores, com o perdão, tornamo-nos criaturas novas, repletas do espírito e cheias de alegria. Agora começa para nós uma nova realidade: um coração novo, um espírito novo, uma vida nova. Nós, pecadores perdoados, que acolhemos a graça divina, podemos até ensinar aos outros a não voltar a pecar. «Mas Padre, eu sou débil, caio, caio». «Mas se caíres, levanta-te! Levanta-te!». Quando uma criança cai, o que faz? Levanta a mão para a mãe, para o pai, para que a ajude a levantar-se. Façamos o mesmo! Se caíres por debilidade no pecado, levanta a tua mão: o Senhor pega nela para te ajudar a levantar. Esta é a dignidade do perdão de Deus! A dignidade que o perdão de Deus nos confere é a de nos levantarmos, de nos pormos sempre de pé, porque Ele criou o homem e a mulher para que estejam de pé.

Diz o Salmista: «Ó Senhor, criai em mim um coração puro, / e renovai ao meu interior um espírito reto. [...] Então ensinarei aos iníquos os Vossos caminhos / e converter-se-ão a Vós os pecadores» (vv. 12. 15).

Amados irmãos e irmãs, o perdão de Deus é aquilo de que todos precisamos, e é o maior sinal da sua misericórdia. Um dom que cada pecador perdoado está chamado a partilhar com cada irmão e irmã que encontra. Todos os que o Senhor colocou ao nosso lado, os familiares, os amigos, os colegas, os paroquianos... todos são, como nós, necessitados da misericórdia de Deus. É bom ser perdoado, mas também tu, se quiseres ser perdoado, perdoa por tua vez. Perdoa! Que o Senhor nos conceda, por intercessão de Maria, Mãe de misericórdia, ser testemunhas do seu perdão, que purifica o coração e transforma a vida. Obrigado.

Saudações

De coração saúdo todos os peregrinos de língua portuguesa, particularmente os jovens vindos de Portugal e do Brasil. Neste Ano Santo da Misericórdia, somos chamados a reconhecer que necessitamos do perdão que Deus nos oferece gratuitamente, pois quando somos humildes, o Senhor nos torna mais fortes e alegres na nossa fé cristã. Desça, generosa, pela intercessão da Virgem Maria, a Bênção de Deus sobre cada um de vós e vossas famílias. Obrigado.



Fonte: Vaticano



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