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domingo, 26 de junho de 2016

Evangelho do XIII Domingo do Tempo Comum - Ano C


Lc 9,51-62

Aproximando-se os dias de Jesus ser levado deste mundo, Ele tomou a decisão de Se dirigir a Jerusalém e mandou mensageiros à sua frente. Estes puseram-se a caminho e entraram numa povoação de samaritanos, a fim de Lhe prepararem hospedagem. Mas aquela gente não O quis receber, porque ia a caminho de Jerusalém. Vendo isto, os discípulos Tiago e João disseram a Jesus: "Senhor, queres que mandemos descer fogo do céu que os destrua?" Mas Jesus voltou-Se e repreendeu-os. E seguiram para outra povoação. Pelo caminho, alguém disse a Jesus: "Seguir-Te-ei para onde quer que fores". Jesus respondeu-lhe: "As raposas têm as suas tocas e as aves do céu os seus ninhos; mas o Filho do homem não tem onde reclinar a cabeça". Depois disse a outro: "Segue-Me". Ele respondeu: "Senhor, deixa-me ir primeiro sepultar meu pai". Disse-lhe Jesus: "Deixa que os mortos sepultem os seus mortos; tu, vai anunciar o reino de Deus". Disse-Lhe ainda outro: "Seguir-Te-ei, Senhor; mas deixa-me ir primeiro despedir-me da minha família". Jesus respondeu-lhe: "Quem tiver lançado as mãos ao arado e olhar para trás não serve para o reino de Deus".





Catequese com o Papa Francisco - 22.06.2016


Praça São Pedro
Quarta-feira, 22 de junho de 2016








Bom dia, amados irmãos e irmãs!

«Senhor, se quiseres, podes purificar-me!» (Lc 5, 12): é o pedido que ouvimos dirigir por um leproso a Jesus. Este homem não pede somente para ser curado, mas para ser «purificado», ou seja, sarado integralmente, no corpo e no coração. Com efeito, a lepra era considerada uma forma de maldição de Deus, de profunda impureza. O leproso devia permanecer distante de todos; não podia entrar no templo, nem participar no serviço divino. Longe de Deus, afastado dos homens. Estas pessoas levavam uma vida triste!

Não obstante, aquele leproso não se resigna à enfermidade, nem sequer às disposições que faziam dele um excluído. Para alcançar Jesus, não teve medo de violar a lei e entrou na cidade — o que não podia fazer, dado que lhe era proibido — e quando o encontrou, «lançou-se com o rosto por terra, suplicando-lhe: Senhor, se quiseres, podes purificar-me!» (v. 12). Tudo o que faz e diz este homem, considerado impuro, é a expressão da sua fé! Reconhece o poder de Jesus: está convicto de que Ele tem o poder de o curar, e que tudo depende da sua vontade. Esta fé foi a força que lhe permitiu violar todas as convenções e procurar ir ao encontro com Jesus; assim, ajoelhando-se diante dele, chama-lhe «Senhor». A súplica do leproso demonstra que quando nos apresentamos a Jesus não é necessário fazer longos discursos. São suficientes poucas palavras, contanto que sejam acompanhadas pela plena confiança no seu poder absoluto e na sua bondade. Efetivamente, confiar na vontade de Deus significa entregar-se à sua misericórdia infinita. Também eu vos contarei um segredo pessoal. À noite, antes de ir para a cama, recito esta breve oração: «Senhor, se quiseres, podes purificar-me!». E rezo cinco vezes o «Pai-Nosso», um para cada chaga de Jesus, porque Jesus nos purificou com as suas chagas. Mas se eu o faço, também vós o podeis fazer, em casa, dizendo: «Senhor, se quiseres, podes purificar-me!»; e, pensando nas chagas de Jesus, receitai um «Pai-Nosso» para cada uma delas. E Jesus ouve-nos sempre!

Jesus sente-se profundamente comovido por este homem. O Evangelho de Marcos realça que «Jesus se compadeceu dele, estendeu a mão, lhe tocou e lhe disse: “Eu quero, fica curado!”» (1, 41). O gesto de Jesus acompanha as suas palavras, tornando mais explícito o seu ensinamento. Contra as disposições da Lei de Moisés, que proibia a aproximação de um leproso (cf. Lv 13, 45-46), Jesus estende a mão e chega a tocá-lo. Quantas vezes nós encontramos um pobre que vem ao nosso encontro! Podemos até ser generosos, podemos ter compaixão dele, mas geralmente não o tocamos. Oferecemos-lhe uma moeda, lançamo-la mas evitamos de tocar a sua mão. E esquecemos que se trata do corpo de Cristo! Jesus ensina-nos a não ter medo de tocar o pobre e o excluído, pois é Ele que está neles. Tocar o pobre pode purificar-nos da hipocrisia, tornando-nos inquietos diante da sua condição. Tocai os excluídos. Hoje acompanham-me aqui estes jovens. Muitos pensam que seria melhor que eles permanecessem na sua terra, mas ali sofriam muito. São os nossos refugiados, mas por tantos são considerados excluídos. Por favor, eles são nossos irmãos! O cristão não exclui ninguém, deixa um lugar para todos, permite que todos venham!

Depois de ter curado o leproso, Jesus pediu-lhe que não falasse sobre isto com ninguém, e contudo disse-lhe: «Vai, mostra-te ao sacerdote e oferece pela tua purificação o que Moisés prescreveu, para lhes servir de testemunho» (v. 14). Esta disposição de Jesus indica pelo menos três aspetos. O primeiro: a graça que age em nós não busca o sensacionalismo. Em geral, ela move-se com discrição, sem clamores. Para curar as feridas e para nos guiar pelo caminho da santidade, ela trabalha modelando pacientemente o nosso coração segundo o Coração do Senhor, de maneira a assumir cada vez mais os seus pensamentos e sentimentos. O segundo: fazendo com que a cura ocorrida fosse averiguada oficialmente pelos sacerdotes e oferecendo um sacrifício de expiação, o leproso volta a ser admitido no seio da comunidade dos fiéis e na vida social. A sua reintegração completa é a cura. Como ele mesmo tinha suplicado, agora está completamente purificado! Enfim, apresentando-se aos sacerdotes o leproso presta-lhes testemunho acerca de Jesus e da sua autoridade messiânica. A força da compaixão com a qual Jesus curou o leproso levou a fé daquele homem a abrir-se à missão. Era um excluído e agora é um de nós.

Pensemos em nós, nas nossas misérias... Cada um tem as suas. Pensemos com sinceridade. Quantas vezes as encobrimos com a hipocrisia das «boas maneiras». E precisamente agora é necessário que fiquemos sozinhos, que nos ajoelhemos diante de Deus e rezemos: «Senhor, se quiseres, podes purificar-me!». Fazei-o, fazei-o antes de ir dormir, todas as noites. E agora recitemos juntos esta bonita oração: «Senhor, se quiseres, podes purificar-me!».

Saudações

Queridos amigos de língua portuguesa, que hoje tomais parte neste Encontro, obrigado pela vossa presença e sobretudo pelas vossas orações! A todos saúdo, especialmente aos membros da Comunidade brasileira Doce Mãe de Deus e ao grupo de Escuteiros de Leiria, encorajando-vos a apostar em ideais grandes de serviço, que engrandecem o coração e tornam fecundos os vossos talentos. Sobre vós e vossas famílias desça a Bênção do Senhor!

Dou as boas-vindas aos peregrinos de expressão árabe, de maneira particular aos provenientes do Médio Oriente! Estimados irmãos e irmãs, a única coisa de que temos realmente necessidade na nossa vida é de sermos perdoados, libertados do mal e das suas consequências mortais. Que por intercessão de Maria o Senhor nos conceda ser testemunhas da sua misericórdia, que purifica o coração e transforma a vida. O Senhor vos abençoe!

Finalmente, dirijo uma saudação especial aos jovens, aos doentes e aos recém-casados. Prezados jovens, Jesus chama-vos a ser «corações ardentes»: respondei com generosidade ao seu convite, cada qual segundo o seu próprio talento; caros enfermos, oferecei o vosso sofrimento a Cristo crucificado, cooperando assim para a redenção do mundo; e vós, diletos recém-casados, estai conscientes da missão insubstituível na qual vos compromete o sacramento do matrimónio!



Fonte: Vaticano




Angelus com o Papa Francisco - 19.06.2016


Praça São Pedro
Domingo, 19 de Junho de 2016








Bom dia, amados irmãos e irmãs!

O trecho evangélico deste domingo (cf. Lc 9, 18-24) chama-nos mais uma vez a confrontar-nos, por assim dizer, «face a face» com Jesus. Num dos raros momentos tranquilos em que se encontra a sós com os seus discípulos, Ele pergunta-lhes: «Quem dizem que eu sou?» (v. 18). E eles respondem-lhe: «Uns dizem que és João Batista; outros, Elias; outros ainda pensam que ressuscitou um dos antigos profetas» (v. 19). Portanto, as pessoas estimavam Jesus e consideravam-no um grande profeta, mas ainda não estavam conscientes da sua verdadeira identidade, ou seja que Ele era o Messias, o Filho de Deus enviado pelo Pai para a salvação de todos.

Então, Jesus dirige-se diretamente aos Apóstolos — porque é isto que mais lhe interessa — e pergunta: «E vós, quem dizeis que eu sou?». Imediatamente, em nome de todos, Pedro responde: «O Cristo de Deus» (v. 20), ou seja: Tu és o Messias, o Consagrado de Deus, por Ele enviado para salvar o seu povo segundo a Aliança e a promessa. Assim, Jesus dá-se conta de que os Doze e em especial Pedro receberam do Pai o dom da fé; e por isso começa a falar-lhes abertamente — assim diz o Evangelho: «abertamente» — daquilo que o espera em Jerusalém: «É necessário que o Filho do Homem — diz — padeça muitas coisas, seja rejeitado pelos anciãos, pelos príncipes dos sacerdotes e pelos escribas. É necessário que seja levado à morte e que ressuscite no terceiro dia» (v. 22).

Hoje, aquelas mesmas perguntas são repropostas a cada um de nós: «Quem é Jesus para as pessoas do nosso tempo». Mas a outra é mais importante: «Quem é Jesus para cada um de nós?». Para mim, para ti, para ti, para ti...? Quem é Jesus para cada um de nós? Somos chamados a fazer da resposta de Pedro a nossa resposta, professando com alegria que Jesus é o Filho de Deus, a Palavra eterna do Pai que se fez homem para redimir a humanidade, derramando sobre ela a abundância da misericórdia divina. O mundo precisa mais do que nunca de Cristo, da sua salvação, do seu amor misericordioso. Muitas pessoas sentem um vazio ao seu redor e dentro de si — talvez, às vezes, até nós — e outras vivem na inquietação e na insegurança por causa da precariedade e dos conflitos. Todos nós temos necessidade de respostas adequadas às nossas interrogações, às nossas perguntas concretas. Em Cristo, somente nele, é possível encontrar a paz verdadeira e o cumprimento de todas as aspirações humanas. Jesus conhece o coração do homem como ninguém. É por isso que o pode curar, instilando-lhe vida e consolação.

Depois de ter concluído o diálogo com os Apóstolos, Jesus dirige-se a todos dizendo: «Se alguém quer vir após mim, renegue-se a si mesmo, tome cada dia a sua cruz e siga-me» (v. 23). Não se trata de uma cruz ornamental, nem de uma cruz ideológica, mas da cruz da vida, da cruz do próprio dever, da cruz do sacrifício pelo próximo com amor — pelos pais, pelos filhos, pela família, pelos amigos e até pelos inimigos — da cruz da disponibilidade a sermos solidários com os pobres e a comprometer-nos a favor da justiça e da paz. Quando assumimos esta atitude, estas cruzes, perdemos sempre algo. Nunca devemos esquecer-nos que «quem perder a própria vida [por Cristo], salvá-la-á» (v. 24). Trata-se de um perder para ganhar. E recordemos todos os nossos irmãos que ainda hoje põem em prática estas palavras de Jesus, oferecendo-lhes o seu tempo, o seu trabalho, o seu cansaço e até a sua vida para não negar a própria fé em Cristo. Mediante o seu Espírito Santo, Jesus dá-nos a força de ir em frente no caminho da fé e do testemunho: fazer aquilo em que cremos; não dizer uma coisa e fazer outra. E ao longo deste caminho Nossa Senhora está sempre próxima de nós e precede-nos: deixemo-nos pegar pela sua mão, quando atravessamos os momentos mais obscuros e difíceis.

Depois do Angelus

Ontem em Foggia foi celebrada a beatificação de Maria Celeste Crostarosa, monja, fundadora da Ordem do Santíssimo Redentor. Que a nova beata, com o seu exemplo e a sua intercessão, nos ajudem a conformar toda a nossa vida com Jesus, nosso Salvador.

Hoje, solenidade de Pentecostes segundo o calendário juliano, seguido pela Igreja ortodoxa, com a celebração da Liturgia Divina teve início em Creta o Concílio pan-ortodoxo. Unamo-nos à oração dos nossos irmãos ortodoxos, invocando o Espírito Santo para que assista com os seus dons os Patriarcas, os Arcebispos e os Bispos reunidos em Concílio. E todos juntos oremos a Nossa Senhora, por todos os nossos irmãos ortodoxos: «Ave Maria...».

Amanhã celebrar-se-á o Dia Mundial do Refugiado, promovida pela ONU. O tema deste ano é: «Com os refugiados. Nós estamos com quantos são obrigados a fugir». Os refugiados são pessoas como todos, mas às quais a guerra tirou a casa, o trabalho, os parentes e os amigos. As suas histórias e os seus rostos exortam-nos a renovar o compromisso para construir a paz na justiça. É por isso que desejamos estar com eles: encontrá-los, recebê-los e ouvi-los, para nos tornarmos juntos artífices de paz segundo a vontade de Deus.

Dirijo a minha saudação a todos vós, romanos e peregrinos; de maneira particular aos estudantes da London Oratory School, aos fiéis de Estocolmo e às comunidades africanas francófonas da Itália. Saúdo os fiéis de Benevento, Gravina di Puglia, Corbetta e Cardano al Campo, assim como os voluntários do cárcere de Busto Arsizio e, através deles, os presos. Saúdo também os grupos de ciclistas «Acra» de Fermo, «Pedalando» de Roma e o de Codevigo, que transmitem pelas ruas mensagens de solidariedade. Eles são bons, são bons!

Desejo feliz domingo a todos vós; e, por favor, não vos esqueçais de rezar por mim. Bom almoço e até à vista!



Fonte: Vaticano




sábado, 18 de junho de 2016

Evangelho do XII Domingo do Tempo Comum - Ano C


São Lucas 9, 18-24

Um dia, Jesus orava sozinho, estando com Ele apenas os discípulos. Então perguntou-lhes: "Quem dizem as multidões que Eu sou?" Eles responderam: "Uns, João Batista; outros, que és Elias; e outros, que és um dos antigos profetas que ressuscitou". Disse-lhes Jesus: "E vós, quem dizeis que Eu sou?" Pedro tomou a palavra e respondeu: "És o Messias de Deus". Ele, porém, proibiu-lhes severamente de o dizerem fosse a quem fosse e acrescentou: "O Filho do homem tem de sofrer muito, ser rejeitado pelos anciãos, pelos príncipes dos sacerdotes e pelos escribas; tem de ser morto e ressuscitar ao terceiro dia". Depois, dirigindo-Se a todos, disse: "Se alguém quiser vir comigo, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz todos os dias e siga-Me. Pois quem quiser salvar a sua vida, há-de perdê-la; mas quem perder a sua vida por minha causa, salvá-la-á".







Catequese com o Papa Francisco - 15.06.2016


Quarta-feira, 15 de Junho de 2016








Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

Um dia Jesus, aproximando-se da cidade de Jericó, fez o milagre de restituir a vista a um cego que mendigava sentado à beira do caminho (cf. Lc 18, 35-43). Hoje queremos compreender o significado deste sinal porque diz respeito diretamente também a nós. O evangelista Lucas narra que aquele cego estava sentado à beira do caminho, pedindo esmola (cf. v. 35). Um cego naqueles tempos — mas também até há pouco tempo — podia viver só de esmola. A figura deste cego representa muitas pessoas que, inclusive hoje, se encontram marginalizadas por causa de uma deficiência física ou de outro tipo. Está afastado da multidão, está ali enquanto as pessoas passam atarefadas, absortas em seus pensamentos e em tantas coisas... E a estradas, que podem ser um lugar de encontro, para ele são ao contrário um lugar de solidão. Uma multidão que passa... E ele sozinho.

É triste a imagem de um marginalizado, sobretudo no pano de fundo da cidade de Jericó, o maravilhoso e luxuriante oásis no deserto. Sabemos que precisamente a Jericó chegou o povo de Israel no final de um longo êxodo do Egito: aquela cidade representa a porta de entrada na terra prometida. Recordemos as palavras que Moisés pronuncia naquela circunstância: «Se houver no meio de ti um pobre entre os teus irmãos, em uma de tuas cidades, na terra que te dá o Senhor, teu Deus, não endurecerás o teu coração e não fecharás a mão diante de teu irmão pobre; pois nunca faltarão pobres na terra, e por isso dou-te esta ordem: abre tua mão ao teu irmão necessitado ou pobre que vive em tua terra» (Dt 15, 7.11). É estridente o contraste entre esta recomendação da Lei de Deus e a situação descrita pelo Evangelho: enquanto o cego gritava invocando Jesus, as pessoas repreendiam-no para que calasse, como se não tivesse direito de falar. Não têm compaixão por ele, aliás, ficam incomodados com os seus gritos. Quantas vezes nós, ao ver muita gente na estrada — gente necessitada, doente, que não tem o que comer — ficamos incomodados. Quantas vezes, quando nos deparamos com numerosos migrantes e refugiados, ficamos incomodados. É uma tentação que todos temos. Todos, até eu! É por isso que a Palavra de Deus nos admoesta recordado-nos que a indiferença e a hostilidade tornam cegos e surdos, impedem que vejamos os irmãos e não permitem que reconheçamos o Senhor neles. Indiferença e hostilidade. E por vezes esta indiferença e hostilidade transformam-se também em agressões e insultos: «mandai embora toda esta gente!», «ponde-os noutro lugar!». Esta agressão é a mesma que faziam as pessoas quando o cego gritava: «mas, vai-te embora, por favor, não fales, não grites».

Observemos um pormenor interessante. O Evangelista diz que alguém no meio da multidão explicou ao cego o motivo da presença de toda aquelas pessoas dizendo: «Passa Jesus, o Nazareno!» (v. 37). A passagem de Jesus está indicando com o mesmo verbo com o qual no livro do Êxodo se fala da passagem do anjo exterminador que salva os Israelitas na terra do Egito (cf. Êx. 12, 23). É a «passagem» da Páscoa, o início da libertação: quando Jesus passa, há sempre libertação, sempre salvação! Portanto, ao cego é como se fosse anunciada a sua Páscoa. Sem se deixar atemorizar, o cego grita várias vezes em direção a Jesus reconhecendo-o como o Filho de David, o Messias esperado que, secundo o profeta Isaías, teria aberto os olhos aos cegos (cf. Is 35, 5). Diferentemente da multidão, este cego vê com os olhos da fé. Graças a ela a sua súplica tem grande eficácia. Com efeito, ao ouvir a sua voz, «Jesus parou e mandou que lho trouxessem» (v. 40). Deste modo, Jesus tira o cego da beira do caminho e coloca-o no centro da atenção dos seus discípulos e da multidão. Pensemos também nós, quando estivemos em situações difíceis, inclusive em situações de pecado, como foi o próprio Jesus quem nos pegou pela mão e nos tirou da beira da estrada para nos doar a salvação. Realiza-se assim uma dúplice passagem. Primeiro: as pessoas tinham anunciado uma boa nova ao cego, mas não queriam ter nada a ver com ele; agora Jesus obriga todos a tomar consciência de que o bom samaritano implica pôr no centro do próprio caminho aquele que estava excluído. Segundo: por sua vez, o cego não via, mas a sua fé abre-lhe o caminho da salvação, e ele depara-se no meio de quantos desciam pelas ruas para ver Jesus. Irmãos e irmãs, a passagem do Senhor é um encontro de misericórdia que une todos à volta d’Ele para permitir que reconheçamos quem necessita de ajuda e de conforto. Jesus passa também na nossa vida; e quando passa Jesus, eu dou-me conta, é um convite a aproximar-me d’Ele, a ser mais bondoso, a ser um cristão melhor, a seguir Jesus.

Jesus dirige-se ao cego e pergunta-lhe: «Que queres que eu faça por ti?» (v. 41). Estas palavras de Jesus são surpreendentes: o Filho de Deus agora está em frente do cego como um servo humilde. Ele, Jesus, Deus, diz: «Mas, que queres que eu faça por ti? Como queres que eu te sirva?». Deus faz-se servo do homem pecador. E o cego responde a Jesus já não chamando-lhe «Filho de David», mas «Senhor», o título que a Igreja desde o início aplica a Jesus Ressuscitado. O cego pede para poder voltar a ver e o seu desejo é atendido: «Recupera a vista! Vai, a tua fé te salvou» (v. 42). Ele mostrou a sua fé invocando Jesus e querendo absolutamente encontrá-lo, isto trouxe-lhe em dom a salvação. Graças à fé agora pode ver e, sobretudo, sente-se amado por Jesus. Por esta razão, a narração termina referindo que o cego «começou a segui-lo glorificando Deus» (v. 43): torna-se discípulo. De mendigo a discípulo, também este é o nosso caminho: todos nós somos mendigos, todos. Precisamos sempre de salvação. E todos nós, todos os dias, devemos dar este passo: de mendigos a discípulos. Deste modo, seguindo o Senhor entra a fazer parte da usa comunidade. Aquele que queriam silenciar, agora testemunha em voz alta o seu encontro com Jesus de Nazaré, e «todo o povo, vendo isto, deu louvor a Deus» (v. 43). Acontece um segundo milagre: o que ocorreu ao cego faz com que também o povo veja. A mesma luz ilumina todos unindo-nos na oração de louvor. Assim Jesus infunde a sua misericórdia sobre todos os que encontra: chama-os, faz com que venham ter com ele, reúne-os, cura-os e ilumina-os, criando um novo povo que celebra as maravilhas do seu amor misericordioso. Deixemo-nos também nós chamar por Jesus, e deixemo-nos curar por Jesus, perdoar por Jesus, e vamos atrás de Jesus louvando a Deus. Assim seja!

Saudação

Queridos peregrinos de língua portuguesa, de coração vos saúdo a todos, nomeadamente ao grupo da diocese de Limeira, desejando-vos neste Ano Jubilar a graça de experimentar a força do Evangelho da misericórdia que transforma, que faz entrar no coração de Deus, que nos torna capazes de perdoar e olhar o mundo com mais bondade. Assim Deus vos abençoe a vós e às vossas famílias.




Fonte: Vaticano




Angelus com o Papa Francisco - 12.06.2016


Praça São Pedro
Domingo, 12 de junho de 2016








Amados irmãos e irmãs!

Ontem, em Vercelli, foi proclamado Beato o sacerdote Giacomo Abbondo, que viveu no século XVIII, apaixonado por Deus, culto, sempre disponível para os seus paroquianos. Unamo-nos à alegria e à ação de graças da Diocese de Vercelli. E também à de Monreale, onde hoje é beatificada a irmã Carolina Santocanale, fundadora das Irmãs Capuchinhas da Imaculada de Lourdes. Nascida numa família nobre de Palermo, abandonou os confortos e fez-se pobre entre os pobres. De Cristo, sobretudo na Eucaristia, hauriu a força para a sua maternidade espiritual e a sua ternura para com os mais débeis.

No contexto do Jubileu dos doentes realizou-se nos dias passados em Roma um Congresso internacional dedicado aos cuidados das pessoas atingidas pelo mal de Hansen. Saúdo com gratidão os organizadores e os participantes e desejo uma frutuosa dedicação à luta contra esta doença.

Celebra-se hoje o Dia mundial contra o trabalho infantil. Renovemos todos unidos o esforço para remover as causas desta escravidão moderna, que priva milhões de crianças de alguns direitos fundamentais e as expõe a graves perigos. Hoje há no mundo tantas crianças escravas!

Saúdo com afeto todos os peregrinos que vieram da Itália e de vários países para este dia jubilar. Agradeço de modo especial a vós, que quisestes estar presentes na vossa condição de doença ou deficiência. Dirijo um sentido obrigado também aos médicos e aos agentes da saúde que, nos «Postos de saúde» preparados junto das quatro Basílicas Papais, estão a oferecer consultas especializadas a centenas de pessoas que vivem nas margens da cidade de Roma. Muito obrigado!

A Virgem Maria, à qual nos dirigimos agora em oração, nos acompanhe sempre no nosso caminho.




Fonte: Vaticano



domingo, 12 de junho de 2016

Evangelho do XI Domingo do Tempo Comum - Ano C


São Lucas 7, 36 – 8, 3

Naquele tempo, um fariseu convidou Jesus para comer com ele. Jesus entrou em casa do fariseu e tomou lugar à mesa. Então, uma mulher – uma pecadora que vivia na cidade – ao saber que Ele estava à mesa em casa do fariseu, trouxe um vaso de alabastro com perfume; pôs-se atrás de Jesus e, chorando muito, banhava-Lhe os pés com as lágrimas e enxugava-lhos com os cabelos, beijava-os e ungia-os com o perfume. Ao ver isto, o fariseu que tinha convidado Jesus pensou consigo: "Se este homem fosse profeta, saberia que a mulher que O toca é uma pecadora". Jesus tomou a palavra e disse-lhe: "Simão, tenho uma coisa a dizer-te". Ele respondeu: "Fala, Mestre". Jesus continuou: "Certo credor tinha dois devedores: um devia-lhe quinhentos denários e o outro cinquenta. Como não tinham com que pagar, perdoou a ambos. Qual deles ficará mais seu amigo?" Respondeu Simão: "Aquele – suponho eu – a quem mais perdoou". Disse-lhe Jesus: "Julgaste bem". E voltando-Se para a mulher, disse a Simão: "Vês esta mulher? Entrei em tua casa e não Me deste água para os pés; mas ela banhou-Me os pés com as lágrimas e enxugou-os com os cabelos. Não Me deste o ósculo; mas ela, desde que entrei, não cessou de beijar-Me os pés. Não Me derramaste óleo na cabeça; mas ela ungiu-Me os pés com perfume. Por isso te digo: São-lhe perdoados os seus muitos pecados, porque muito amou; mas aquele a quem pouco se perdoa, pouco ama". Depois disse à mulher: "Os teus pecados estão perdoados". Então os convivas começaram a dizer entre si: "Quem é este homem, que até perdoa os pecados?" Mas Jesus disse à mulher: "A tua fé te salvou. Vai em paz". Depois disso, Jesus ia caminhando por cidades e aldeias, a pregar e a anunciar a boa nova do reino de Deus. Acompanhavam-n’O os Doze, bem como algumas mulheres que tinham sido curadas de espíritos malignos e de enfermidades. Eram Maria, chamada Madalena, de quem tinham saído sete demônios, Joana, mulher de Cusa, administrador de Herodes, Susana e muitas outras, que serviam Jesus com os seus bens.




Catequese com o Papa Francisco - 08.06.2016


Praça São Pedro
Quarta-feira, 8 de Junho de 2016








Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

Antes de dar início à catequese, gostaria de saudar um grupo de casais que celebram as bodas de ouro. Este sim que é «o vinho bom» da família! O vosso é um testemunho que os recém-casados — que saudarei mais tarde — e os jovens devem aprender. É um bonito testemunho. Obrigado pelo vosso testemunho. Depois de ter comentado algumas parábolas da misericórdia, hoje reflitamos sobre o primeiro dos milagres de Jesus, que o evangelista João chama «sinais», porque Jesus não os realizou para suscitar admiração, mas para revelar o amor do Pai. O primeiro destes sinais prodigiosos é narrado precisamente por João (2, 1-11) e realiza-se em Caná da Galileia. Trata-se de uma espécie de «portal de entrada», no qual são esculpidas palavras e expressões que iluminam o inteiro mistério de Cristo e abrem o coração dos discípulos à fé. Vejamos algumas delas.

Na introdução encontramos a expressão «Jesus com os seus discípulos» (v. 2). Aqueles que Jesus tinha chamado para o seguir, uniu-os a si numa comunidade e então, como uma família única, tinham sido convidados para as núpcias. Dando início ao seu ministério público nas bodas de Caná, Jesus manifesta-se como o esposo do povo de Deus, anunciado pelos profetas, e revela-nos a profundidade da relação que nos une a Ele: é uma nova Aliança de amor. Qual é o fundamento da nossa fé? Um ato de misericórdia com o qual Jesus nos uniu a si. E a vida cristã é a resposta a este amor, é como a história de dois namorados. Deus e o homem encontram-se, procuram-se, acham-se, celebram-se e amam-se: exatamente como o amado e a amada no Cântico dos Cânticos. Todo o resto vem como consequência desta relação. A Igreja é a família de Jesus sobre a qual derrama o seu amor; é este amor que a Igreja conserva e deseja doar a todos.

No contexto da Aliança compreende-se também a observação de Nossa Senhora: «Já não têm vinho» (v. 3). Como é possível celebrar as núpcias e festejar se falta o que os profetas indicam como um elemento típico do banquete messiânico (cf. Am 9, 13-14; Gl 2, 24; Is 25, 6)? A água é necessária para viver, mas o vinho exprime a abundância do banquete e a alegria da festa. É uma festa de casamento na qual falta o vinho; os noivos envergonham-se disto. Mas imaginai terminar uma festa de casamento bebendo chá; seria uma vergonha. O vinho é necessário para a festa. Transformando em vinho a água das ânforas utilizadas «para a purificação ritual dos judeus» (v. 6), Jesus realiza um sinal eloquente: transforma a Lei de Moisés em Evangelho, portador de alegria. Como disse o próprio João noutro excerto: «A Lei foi dada por Moisés, a graça e a verdade vieram por Jesus Cristo» (1, 17).

As palavras que Maria dirige aos servos coroam o quadro esponsal de Caná: «Fazei o que ele vos disser» (v. 5). É curioso: são as suas últimas palavras narradas pelos Evangelhos. São a sua herança que entregou a todos nós. Também hoje Nossa Senhora diz a todos nós: «Fazei o que ele — Jesus — vos disser». Eis a herança que nos deixou: é bonito! Trata-se de uma expressão que evoca a fórmula de fé utilizada pelo povo de Israel no Sinai em resposta às promessas da aliança: «Faremos tudo o que o Senhor disser!» (Êx 19, 8). E com efeito em Caná os servos obedeceram. «Jesus ordena-lhes: Enchei as ânforas de água. Eles encheram-nas até cima. Tirai agora, disse-lhes Jesus, e levai ao chefe dos serventes. E levaram» (vv. 7-8). Nestas núpcias, foi deveras estabelecida uma Nova Aliança e aos servos do Senhor, isto é a toda a Igreja, foi confiada a nova missão: «Fazei o que ele vos disser!». Servir o Senhor significa ouvir e praticar a sua Palavra. Foi a recomendação simples mas essencial da Mãe de Jesus e é o programa de vida do cristão. Para cada um de nós, beber da ânfora equivale a confiar-nos à Palavra de Deus para sentir a sua eficácia na vida. Então, juntamente com o chefe dos serventes que experimentou a água que se transformou em vinho, que também nós possamos exclamar: «Guardaste o vinho melhor até agora» (v. 10). Sim, o Senhor continua a reservar aquele vinho bom para a nossa salvação, assim como continua a brotar do lado trespassado do Senhor.

A conclusão da narração soa como uma sentença: «Este foi o primeiro milagre de Jesus; realizou-o em Caná da Galileia. Manifestou a sua glória, e os seus discípulos creram nele» (v. 11). As bodas de Caná representam muito mais do que a simples narração do primeiro milagre de Jesus. Como um relicário, Ele conserva o segredo da sua pessoa e a finalidade da sua vinda: o esperado Esposo dá início às núpcias que se realizam no Mistério pascal. Nestas bodas Jesus une a si os seus discípulos com uma Aliança nova e definitiva. Em Caná os discípulos de Jesus tornam-se a sua família e em Caná nasce a fé da Igreja. Para aquelas bodas todos somos convidados, a fim de que o vinho novo já não venha a faltar!

Saudações

Dirijo uma saudação cordial aos peregrinos de língua portuguesa, em particular aos fiéis de Curitiba e ao grupo de magistrados brasileiros. Queridos amigos, sois chamados a ser testemunhas do Evangelho no mundo, transfigurados pela alegria e pela graça misericordiosa de Deus. Desça sobre vós e vossas famílias a bênção de Deus.

Amados peregrinos de língua italiana: sede bem-vindos!

Saúdo com particular afeto a Associação Internacional das Universidades Lassalianas; os Delegados da Sociedade de S. Vivente de Paulo reunidos em Assembleia Geral; assim como os Padres Brancos, durante o seu capítulo geral. Exorto-vos a viver com alegria a missão em fidelidade ao Evangelho e aos respetivos carismas.

Dirijo uma saudação especial à Ação Católica Italiana que hoje relança a experiência de oração «Um minuto pela paz», que culmina na celebração Eucarística na Basílica de Santo Espírito em Sassia.

E exorto os jovens, os doentes e os recém-casados a rezar com particular intensidade aos Sagrados Corações de Jesus e de Maria, a fim de que nos ensinem a amar com dedicação total a Deus e ao próximo.



Fonte: Vaticano




domingo, 5 de junho de 2016

Evangelho do X Domingo do Tempo Comum - Ano C


São Lucas 7, 11-17

Naquele tempo, dirigia-Se Jesus para uma cidade chamada Naim; iam com Ele os seus discípulos e uma grande multidão. Quando chegou à porta da cidade, levavam um defunto a sepultar, filho único de sua mãe, que era viúva. Vinha com ela muita gente da cidade. Ao vê-la, o Senhor compadeceu-Se dela e disse-lhe: "Não chores". Jesus aproximou-Se e tocou no caixão; e os que o transportavam pararam. Disse Jesus: "Jovem, Eu te ordeno: levanta-te". O morto sentou-se e começou a falar; e Jesus entregou-o à sua mãe. Todos se encheram de temor e davam glória a Deus, dizendo: "Apareceu no meio de nós um grande profeta; Deus visitou o seu povo". E a fama deste acontecimento espalhou-se por toda a Judeia e pelas regiões vizinhas.








Catequese com o Papa Francisco - 01.06.2016


Praça São Pedro
Quarta-feira, 1° de Junho de 2016








Bom dia, amados irmãos e irmãs!

Na quarta-feira passada ouvimos a parábola do juiz e da viúva, sobre a necessidade de rezar com perseverança. Hoje, com outra parábola, Jesus quer ensinar-nos qual é a atitude certa para rezar e invocar a misericórdia do Pai; como devemos rezar; a atitude correta para orar. É a parábola do fariseu e do publicano (cf. Lc 18, 9-14).

Ambos os protagonistas vão ao templo para orar, mas agem de modos muitos diferentes, obtendo êxitos opostos. O fariseu reza «de pé» (v. 11) e usa muitas palavras. A sua é uma prece de ação de graças a Deus, mas na realidade é uma manifestação dos próprios méritos, com sentido de superioridade em relação aos «outros homens», qualificados como «ladrões, injustos, adúlteros», como por exemplo — e indica aquele outro que estava ali — «o publicano» (v. 11). Mas este é o problema: o fariseu reza a Deus, mas na verdade olha para si mesmo. Ora por si mesmo! Em vez de ter diante dos olhos o Senhor, tem um espelho. Não obstante esteja no templo, não sente a necessidade de se prostrar diante da majestade de Deus; está de pé, sente-se seguro, como se fosse o dono do templo! E enumera as boas obras realizadas: é irrepreensível, observa a Lei mais do que lhe é devido, jejua «duas vezes por semana» e paga o «dízimo» de tudo o que possui. Em síntese, mais do que rezar, o fariseu deleita-se com a sua observância dos preceitos. E no entanto, a sua atitude e as suas palavras estão longe do modo de agir e de falar de Deus, que ama todos os homens, sem desprezar os pecadores. Ao contrário, o fariseu despreza os pecadores, inclusive quando indica o outro ali presente. Em suma, o fariseu que se sente justo descuida o mandamento mais importante: o amor a Deus e ao próximo.

Portanto, não é suficiente perguntar-nos quanto oramos, mas devemos interrogar-nos também como rezamos, melhor, como é o nosso coração: é importante examiná-lo para avaliar os pensamentos, os sentimentos, e extirpar a arrogância e a hipocrisia. Mas eu pergunto: é possível rezar com arrogância? Não! Com hipocrisia? Não! Só devemos orar pondo-nos diante de Deus tais como somos. Não como o fariseu, que rezava com arrogância e hipocrisia. Vivemos todos arrebatados pelo delírio do ritmo diário, muitas vezes à mercê de sensações, atordoados, confusos. É preciso aprender a encontrar o caminho do nosso coração, recuperar o valor da intimidade e do silêncio, pois é ali que Deus nos encontra e nos fala. Só a partir dali podemos por nossa vez encontrar os outros e falar com eles. O fariseu vai ao templo, sente-se seguro de si mesmo, mas não se dá conta de ter perdido o caminho do seu coração.

Ao contrário, o publicano — o outro — vai ao templo com espírito humilde e arrependido: «Mantendo-se à distância, não ousava sequer levantar os olhos ao céu, mas batia no peito» (v. 13). A sua prece é muito breve, não longa como a do fariseu: «Ó Deus, tende piedade de mim, que sou pecador!». Nada mais. Uma linda oração! Com efeito, os cobradores de impostos — chamados precisamente «publicanos» — eram considerados pessoas impuras, submetidas aos dominadores estrangeiros, eram desprezados pelo povo e em geral associados aos «pecadores». A parábola ensina que a pessoa é justa ou pecadora não pela sua pertença social, mas pelo seu modo de se relacionar com Deus, pelo seu modo de se comportar com os irmãos. Os gestos de penitência e as poucas e simples palavras do publicano atestam a consciência acerca da sua condição miserável. A sua prece é essencial. Age com humildade, só está seguro de ser um pecador necessitado de piedade. Se o fariseu nada pedia porque já possuía tudo, o publicano só pode implorar a misericórdia de Deus. E isto é bonito: suplicar a misericórdia de Deus! Apresentando-se «de mãos vazias», com o coração despojado e reconhecendo-se pecador, o publicano mostra a todos nós a condição necessária para receber o perdão do Senhor. No final é precisamente ele, tão desprezado, que se torna um ícone do autêntico crente.

Jesus conclui a parábola com uma sentença: «Digo-vos: ele — ou seja, o publicano — ao contrário do outro, voltou para casa justificado. Pois todo o que se exaltar será humilhado, e quem se humilhar será exaltado» (v. 14). Qual deles é o corrupto? O fariseu. Ele é precisamente o ícone do corrupto que faz de conta que reza, mas só consegue pavonear-se diante de um espelho. É um corrupto e finge que reza. Assim, na vida quem se considera justo e julga o próximo desprezando-o é um corrupto, um hipócrita. A soberba compromete todas as boas ações, esvazia a oração, afasta de Deus e do próximo. Se Deus prefere a humildade não é para nos aviltar: a humildade é sobretudo uma condição necessária para sermos elevados por Ele, de modo a experimentarmos a misericórdia que preenche os nossos vazios. Se a prece do soberbo não alcançar a Coração de Deus, a humildade do miserável abre-o de par em par. Deus tem uma fragilidade: a debilidade pelos humildes. Diante de um coração humilde, Deus abre totalmente o seu Coração. É esta humildade que a Virgem Maria exprime no cântico do Magnificat: «Olhou para a humildade da sua serva [...] A sua misericórdia estende-se, de geração em geração, sobre os que o temem» (Lc 1, 48.50). Que Ela, nossa Mãe, nos ajude a rezar com um coração humilde. E nós repitamos três vezes esta linda prece: «Ó Deus, tende piedade de mim, que sou pecador!».

Saudações

Saúdo cordialmente os alunos e professores da Escola Eça de Queirós, os fiéis da paróquia da Lapa e do Estado do Paraná, e restantes peregrinos de língua portuguesa: a todos recordo que a oração abre a porta da nossa vida a Deus. Ele ensina-nos a sair de nós mesmos para ir ao encontro dos outros que vivem na provação, levando-lhes consolação, luz e esperança. Sobre vós e vossas famílias, desça a bênção do Senhor.

Sexta-feira celebra-se a Solenidade do Santíssimo Coração de Jesus, este ano enriquecida pelo Jubileu dos Sacerdotes. Convido todos a rezar durante todo o mês de junho ao Coração de Jesus e a apoiar com a proximidade e o carinho os vossos presbíteros a fim de que sejam sempre imagem daquele Coração repleto de amor misericordioso.

Dirijo um pensamento especial aos jovens, aos doentes e aos recém-casados. Caros jovens, hauri do Coração de Jesus o alimento da vossa vida e a fonte da vossa esperança; diletos enfermos, oferecei o vosso sofrimento ao Senhor, para que continue a instilar o seu amor no coração dos homens; e vós, queridos recém-casados, aproximai-vos frequentemente da Eucaristia para ser, alimentados de Cristo, famílias cristãs tocadas pelo amor do Coração divino.




Fonte: Vaticano




Angelus com o Papa Francisco - 29.05.2016


Praça São Pedro
Domingo, 29 de Maio de 2016








No final desta celebração, desejo dirigir uma saudação especial a vós, amados Diáconos, que viestes da Itália e de vários países. Obrigado pela vossa presença hoje aqui, mas acima de tudo pela vossa presença na Igreja!

Saúdo todos os peregrinos, de modo particular a Associação europeia dos Schützen históricos; os participantes no «Caminho do Perdão», promovido pelo Movimento Celestiniano; e a Associação Nacional para a Tutela das Energias Renováveis, comprometida numa obra de educação para o cuidado da criação.

Além disso, recordo o corrente Dia Nacional do Alívio, que tem como finalidade ajudar as pessoas a viver bem a fase final da existência terrena; assim como a tradicional peregrinação que se realiza no dia de hoje na Polónia, no Santuário mariano de Piekary: a Mãe da Misericórdia sustente as famílias e os jovens a caminho da Jornada Mundial em Cracóvia.

Na próxima quarta-feira, 1 de junho, por ocasião do Dia Internacional da Criança, as comunidades cristãs da Síria, tanto católicas como ortodoxas, viverão juntas um momento de oração especial pela paz, que terá como protagonistas precisamente os mais pequeninos. As crianças da Síria convidam as crianças do mundo inteiro a unir-se a elas na sua oração pela paz.

Tendo em vista estas intenções, invoquemos a intercessão da Virgem Maria, enquanto lhe confiamos a vida e o ministério de todos os Diáconos do mundo.




Fonte: Vaticano




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