Início

domingo, 31 de julho de 2016

Angelus com o Papa Francisco - 31.07.2016


Cracóvia, Campus Misericordiae
Domingo, 31 de julho de 2016








Queridos irmãos e irmãs!

No final desta Celebração, desejo unir-me a todos vós em ação de graças a Deus, Pai de misericórdia infinita, porque nos concedeu viver esta Jornada Mundial da Juventude. Agradeço ao Cardeal Dziwisz e ao Cardeal Rylko – obreiros incansáveis desta Jornada – por tudo, nomeadamente pelas orações que fizeram em preparação deste evento; e agradeço a todos quantos contribuíram para o seu bom êxito. Um «obrigado» imenso digo-o a vós, queridos jovens! Enchestes Cracóvia com o entusiasmo contagiante da vossa fé. São João Paulo II rejubilou do Céu, e ajudar-vos-á a levar por todo o lado a alegria do Evangelho.

Nestes dias, experimentamos a beleza da fraternidade universal em Cristo, centro e esperança da nossa vida. Ouvimos a sua voz, a voz do Bom Pastor, vivo no meio de nós. Falou ao coração de cada um de vós: renovou-vos com o seu amor, fez-vos sentir a luz do seu perdão, a força da sua graça. Fez-vos experimentar a realidade da oração. Foi uma «oxigenação» espiritual, para poderdes viver e caminhar na misericórdia quando voltardes aos vossos países e às vossas comunidades.

Aqui, ao lado do altar, está a imagem da Virgem Maria venerada por São João Paulo II no Santuário de Kalwaria. Nossa Mãe, ensina-nos o modo como pode ser fecunda a experiência vivida aqui na Polónia; diz-nos para fazer como Ela: não perder o dom recebido, mas guardá-lo no coração, para que germine e dê fruto, com a ação do Espírito Santo. Assim, cada um de vós, com as suas limitações e fragilidades, poderá ser testemunha de Cristo no local onde vive, na família, na paróquia, nas associações e nos grupos, nos ambientes de estudo, trabalho, serviço, entretenimento, em todo o lado para onde vos guiar a Providência no vosso caminho.

A Providência de Deus sempre nos precede. Pensai que já decidiu qual será a próxima etapa desta grande peregrinação iniciada em 1985 por São João Paulo II! E, por isso, é com alegria que vos anuncio que a próxima Jornada Mundial da Juventude – depois das duas a nível diocesano – será em 2019, no Panamá.

Convido os bispos do Panamá a aproximar-se, para darem juntamente comigo a bênção.

Pela intercessão de Maria, invocamos o Espírito Santo para que ilumine e sustente o caminho dos jovens, na Igreja e no mundo, a fim de serdes discípulos e testemunhas da Misericórdia de Deus.

Rezemos agora juntos a oração do Angelus…




Fonte: Vaticano




Evangelho do XVIII Domingo do Tempo Comum - Ano C


São Lucas 12, 13-21

Naquele tempo, alguém, do meio da multidão, disse a Jesus: "Mestre, diz a meu irmão que reparta a herança comigo". Jesus respondeu-lhe: "Amigo, quem Me fez juiz ou árbitro das vossas partilhas?" Depois disse aos presentes: "Vede bem, guardai-vos de toda a avareza: a vida de uma pessoa não depende da abundância dos seus bens". E disse-lhes esta parábola: "O campo dum homem rico tinha produzido excelente colheita. Ele pensou consigo: ‘Que hei-de fazer, pois não tenho onde guardar a minha colheita? Vou fazer assim: Deitarei abaixo os meus celeiros para construir outros maiores, onde guardarei todo o meu trigo e os meus bens. Então poderei dizer a mim mesmo: Minha alma, tens muitos bens em depósito para longos anos. Descansa, come, bebe, regala-te’. Mas Deus respondeu-lhe: ‘Insensato! Esta noite terás de entregar a tua alma. O que preparaste, para quem será?’ Assim acontece a quem acumula para si, em vez de se tornar rico aos olhos de Deus".






Angelus com o Papa Francisco - 24.07.2016


Praça São Pedro
Domingo, 24 de julho de 2016







Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

O Evangelho deste domingo (Lc 11, 1-13) tem início com o episódio no qual Jesus reza sozinho, separadamente; quando acaba, os discípulos pedem-lhe: «Senhor, ensina-nos a rezar» (v. 1); e Ele responde: «Quando orardes, dizei: “Pai...”» (v. 2). Esta palavra é o «segredo» da oração de Jesus, é a chave que Ele mesmo nos oferece a fim de podermos entrar também nós na relação de diálogo confidencial com o Pai que acompanhou e amparou toda a sua vida.

Ao apelativo «Pai» Jesus associa duas solicitações: «santificado seja o vosso nome, venha a nós o vosso reino» (v. 2). Portanto a oração de Jesus — a oração cristã — é antes de tudo dar lugar a Deus, deixando que ele manifeste a sua santidade em nós, fazendo com que se aproxime o seu reino, a partir da possibilidade de exercer o seu senhorio de amor na nossa vida.

Outros três pedidos completam esta oração que Jesus ensina, o «Pai-Nosso». Três solicitações que exprimem as nossas necessidades fundamentais: o pão, o perdão e a ajuda contra as tentações (cf. vv. 3-4). Não podemos viver sem pão, sem perdão, sem a ajuda de Deus contra as tentações. O pão que Jesus nos ensina a pedir é o necessário, não o supérfluo; o pão dos peregrinos, o justo, um pão que não se acumula nem se desperdiça, que não pesa durante a nossa marcha. O perdão, antes de tudo, é aquele que nós mesmos recebemos de Deus: só a consciência de sermos pecadores perdoados pela infinita misericórdia divina pode tornar-nos capazes de realizar gestos concretos de reconciliação fraterna. Se uma pessoa não se sente pecadora perdoada, nunca poderá fazer um gesto de perdão nem de reconciliação. Começa-se pelo coração, onde nos sentimos pecadores perdoados. O último pedido, «não nos deixeis cair em tentação», exprime a consciência da nossa condição, sempre exposta às insídias do mal e da corrupção. Todos sabemos o que é uma tentação!

O ensinamento de Jesus sobre a oração prossegue com duas parábolas, com as quais Ele cita a atitude de um amigo em relação a outro amigo e a de um pai em relação ao seu filho (cf. vv. 5-12). Ambas pretendem ensinar-nos a ter plena confiança em Deus, que é Pai. Ele conhece melhor do que nós as nossas necessidades, mas quer que lhas apresentemos com audácia e com insistência, porque este é o nosso modo de participar na sua obra de salvação. A oração é o primeiro e principal «instrumento de trabalho» nas nossas mãos! Insistir com Deus não serve para o convencer mas para fortalecer a nossa fé e a nossa paciência, isto é, a nossa capacidade de lutar juntamente com Deus pelo que é deveras importante e necessário. Na oração somos dois: Deus e eu, lutando juntos pelo que é importante.

Entre as coisas mais importantes que Jesus diz hoje no Evangelho, há uma, na qual quase nunca pensamos, é o Espírito Santo. «Concedei-me o Espírito Santo!». E Jesus diz: «Se vós, pois, sendo maus, sabeis dar boas coisas aos vossos filhos, quanto mais o vosso Pai celestial dará o Espírito Santo aos que lho pedirem!» (v. 13). O Espírito Santo! Devemos pedir que o Espírito Santo venha a nós. Mas para que serve o Espírito Santo? Para viver bem, com sabedoria e amor, fazendo a vontade de Deus. Que bonita oração seria, nesta semana, se cada um de nós pedisse ao Pai: «Pai, concedei-me o Espírito Santo!». Nossa Senhora demonstra-o com a sua existência, inteiramente animada pelo Espírito de Deus. Que ela nos ajude a pedir ao Pai, unidos a Jesus, para viver não de maneira mundana, mas segundo o Evangelho, guiados pelo Espírito Santo.

APELO

Nestas horas o nosso espírito foi de novo abalado por tristes notícias relativas a deploráveis atos de terrorismo e de violência, que causaram dor e morte. Penso nos dramáticos eventos de Munique na Alemanha e de Kabul no Afeganistão, nos quais perderam a vida numerosas pessoas inocentes.

Sinto-me próximo dos familiares das vítimas e dos feridos. Convido-vos a unir-vos à minha oração a fim de que o Senhor inspire propósitos de bem e de fraternidade em todos. Quanto mais insuperáveis parecerem as dificuldades e obscuras as perspetivas de segurança e paz, tanto mais insistente deve ser a nossa oração.


Depois do Angelus

Queridos irmãos e irmãs!

Nestes dias muitos jovens, de todas as partes do mundo, encaminham-se rumo a Cracóvia, onde terá lugar a trigésima primeira Jornada Mundial da Juventude. Também eu partirei na próxima quarta-feira para me encontrar com estes jovens e celebrar com eles e para eles o Jubileu da Misericórdia, com a intercessão de são João Paulo II. Peço-vos que me acompanheis com a oração. Desde já saúdo e agradeço a quantos estão a trabalhar para receber os jovens peregrinos, com numerosos bispos, sacerdotes, religiosos, religiosas e leigos.

Dirijo um pensamento especial aos seus numerosos coetâneos que, não podendo estar presentes, seguirão o evento através dos meios de comunicação. Estaremos todos unidos na oração!

E agora saúdo-vos, queridos peregrinos provenientes da Itália e de outros países. Em particular os de São Paulo e de São João da Boa Vista, no Brasil; o Coro «Giuseppe Denti» de Cremona; e os participantes na peregrinação de bicicleta de Piumazzo a Roma, enriquecida pelo compromisso de solidariedade. Saúdo os jovens de Valperga e Pertusio Canavese, Turim: continuai a viver e não a ir vivendo, como escrevestes na vossa t-shirt.

A todos desejo um bom domingo. E por favor não vos esqueçais de rezar por mim. Bom almoço e até à vista!




Fonte: Vaticano



domingo, 24 de julho de 2016

Evangelho do XVII Domingo do Tempo Comum - Ano C


São Lucas 11, 1-13

Naquele tempo, estava Jesus em oração em certo lugar. Ao terminar, disse-Lhe um dos discípulos: "Senhor, ensina-nos a orar, como João Batista ensinou também os seus discípulos". Disse-lhes Jesus: "Quando orardes, dizei: ‘Pai, santificado seja o vosso nome; venha o vosso reino; dai-nos em cada dia o pão da nossa subsistência; perdoai-nos os nossos pecados, porque também nós perdoamos a todo aquele que nos ofende; e não nos deixeis cair em tentação’". Disse-lhes ainda: "Se algum de vós tiver um amigo, poderá ter de ir a sua casa à meia-noite, para lhe dizer: ‘Amigo, empresta-me três pães, porque chegou de viagem um dos meus amigos e não tenho nada para lhe dar’. Ele poderá responder lá de dentro: ‘Não me incomodes; a porta está fechada, eu e os meus filhos estamos deitados e não posso levantar-me para te dar os pães’. Eu vos digo: Se ele não se levantar por ser amigo, ao menos, por causa da sua insistência, levantar-se-á para lhe dar tudo aquilo de que precisa. Também vos digo: Pedi e dar-se-vos-á; procurai e encontrareis; batei à porta e abrir-se-vos-á. Porque quem pede recebe; quem procura encontra e a quem bate à porta, abrir-se-á. Se um de vós for pai e um filho lhe pedir peixe, em vez de peixe dar-lhe-á uma serpente? E se lhe pedir um ovo, dar-lhe-á um escorpião? Se vós, que sois maus, sabeis dar coisas boas aos vossos filhos, quanto mais o Pai do Céu dará o Espírito Santo àqueles que Lho pedem!".




Angelus com o Papa Francisco - 17.07.2016


Praça São Pedro
Domingo, 17 de julho de 2016








Amados irmãos e irmãs, bom dia!

No Evangelho de hoje o evangelista Lucas narra acerca de Jesus que, enquanto está a caminho rumo a Jerusalém, entra numa aldeia e é acolhido na casa de duas irmãs: Marta e Maria (cf. Lc 10, 38-42). Ambas oferecem acolhimento ao Senhor, mas fazem-no de maneiras diferentes. Maria senta-se aos pés de Jesus e ouve a sua palavra (cf. v. 39), enquanto que Marta estava ocupada com todo o trabalho da casa; e a um certo ponto diz a Jesus: «Senhor, não te importas que a minha irmã me deixe sozinha a servir? Diz-lhe, pois, que me ajude» (v. 40). E Jesus responde: «Marta, Marta, estás ansiosa e afadigada com muitas coisas, mas uma só é necessária; e Maria escolheu a boa parte, a qual não lhe será tirada» (vv. 41-42).

No seu afadigar-se e cansar-se, Marta corre o risco de esquecer — e é este o problema — o mais importante, ou seja, a presença do hóspede, que neste caso era Jesus. Esquece-se da presença do hóspede. E o hóspede não deve ser simplesmente servido, alimentado, cuidado de todos os modos. É necessário sobretudo que seja ouvido. Recordai-vos bem desta palavra: ouvir! Porque o hóspede deve ser acolhido como pessoa, com a sua história, com o seu coração rico de sentimentos e de pensamentos, de modo que se possa sentir deveras em família. Mas se tu acolheres um hóspede em tua casa e continuares a desempenhar as tuas tarefas, mandas que se sente ali, tu e ele calados, é como se fosse de pedra: o hóspede de pedra. Não. O hóspede deve ser ouvido. Sem dúvida, a resposta que Jesus dá a Marta — quando lhe diz que uma só coisa é importante — encontra o seu significado pleno em referência à escuta da palavra do próprio Jesus, aquela palavra que ilumina e ampara tudo aquilo que somos e fazemos. Se vamos rezar — por exemplo — diante do Crucifixo, e falamos, falamos, falamos e depois vamos embora, não ouvimos Jesus! Não deixamos que ele fale ao nosso coração. Ouvir: esta é a palavra-chave. Não vos esqueçais! E não devemos esquecer que na casa de Marta e Maria, Jesus, antes de ser Senhor e Mestre, é peregrino e hóspede. Por conseguinte, a sua resposta tem este primeiro e mais imediato significado: «Marta, Marta, porque te cansas tanto a fazer coisas para o teu hóspede a ponto de esquecer a sua presença? — o hóspede de pedra! — Para o receber não são necessárias muitas coisas; aliás, é necessária uma só: ouvi-lo — eis a palavra: ouvi-lo — demonstrar-lhe uma atitude fraterna, de modo que se sinta em família, e não numa hospedaria provisória».

Entendida deste modo, a hospitalidade, que é uma das obras de misericórdia, parece ser deveras uma virtude humana e cristã, uma virtude que no mundo de hoje arrisca ser descuidada. Com efeito, multiplicam-se as casas de internação e os lares, mas nem sempre nestes ambientes é praticada uma hospitalidade real. Dá-se vida a várias instituições que assistem a muitas formas de doença, de solidão, de marginalização, mas diminui a probabilidade para quem é estrangeiro, marginalizado e excluído de encontrar alguém disposto a ouvi-lo: porque é estrangeiro, refugiado, migrante, ouvir aquela história dolorosa. Até na própria casa, entre os familiares, pode acontecer que se encontrem mais facilmente serviços e cuidados de vários géneros em vez da escuta e acolhimento. Hoje andamos totalmente ocupados, com frenesi, com tantos problemas — alguns dos quais não importantes — que deixamos de ter a capacidade de ouvir. Andamos continuamente atarefados e assim não temos tempo para ouvir. E eu gostaria de vos perguntar, de vos apresentar uma questão, cada qual responda no seu coração: tu, marido, tens tempo para ouvir a tua esposa? E tu, esposa, tens tempo para ouvir o teu marido? Vós, pais, «perdeis» tempo a ouvir os vossos filhos? Ou os vossos avós, os idosos? — «Mas os avós dizem sempre as mesmas coisas, são tediosos...» — Mas têm necessidade de ser ouvidos! Ouvir. Peço-vos que aprendais a ouvir e a dedicar tempo à escuta. Na capacidade da escuta está a raiz da paz.

A Virgem Maria, Mãe da escuta e do serviço solícito, nos ensine a ser acolhedores e hospitaleiros para com os nossos irmãos e as nossas irmãs.

Depois do Angelus

Amados irmãos e irmãs!

Está vivo nos nossos corações a dor pelo massacre que, na noite de quinta-feira passada em Nice, ceifou tantas vidas inocentes, até muitas crianças. Estou próximo de cada família e da inteira nação francesa em luto. Deus, Pai bondoso, acolha todas as vítimas na sua paz, ampare os feridos e conforte os familiares; Ele disperse qualquer projeto de terror e de morte, para que nenhum homem volte a ousar derramar o sangue do irmão. Um abraço paterno e fraterno a todos os habitantes de Nice e à inteira a nação francesa. E agora, todos juntos, rezemos pensando neste massacre, nas vítimas, nos familiares. Rezemos primeiro em silêncio...

[Ave Maria...]

Saúdo com afeto todos vós, fiéis de Roma e de vários países. Em particular, da Irlanda, saúdo os peregrinos das dioceses de Armagh e Derry, e os candidatos ao Diaconado Permanente da diocese de Elphin, com as suas esposas.

E vejo ali os bons irmãos chineses: uma grande saudação a vós, chineses!

Desejo bom domingo a todos. Por favor, não vos esqueçais de rezar por mim. Bom almoço e até à vista!



Fonte: Vaticano




domingo, 17 de julho de 2016

Evangelho do XVI Domingo do Tempo Comum - Ano C


São Lucas 10, 38-42



Naquele tempo, Jesus entrou em certa povoação e uma mulher chamada Marta recebeu-O em sua casa. Ela tinha uma irmã chamada Maria, que, sentada aos pés de Jesus, ouvia a sua palavra. Entretanto, Marta atarefava-se com muito serviço. Interveio então e disse: "Senhor, não Te importas que minha irmã me deixe sozinha a servir? Diz-lhe que venha ajudar-me". O Senhor respondeu-lhe: "Marta, Marta, andas inquieta e preocupada com muitas coisas, quando uma só é necessária. Maria escolheu a melhor parte, que não lhe será tirada".








Angelus com o Papa Francisco - 10.07.2016


Praça São Pedro
Domingo, 10 de julho de 2016







Bom dia, caros irmãos e irmãs!

A liturgia hodierna propõe-nos a parábola chamada do «bom samaritano», tirada do Evangelho de Lucas (10, 25-37). Na sua narração simples e estimuladora, ela indica um estilo de vida, cujo baricentro não somos nós mesmos, mas os outros, com as suas dificuldades, que encontramos no nosso caminho e que nos interpelam. Os outros interpelam-nos! E quando os outros não nos interpelam, então algo não funciona; naquele coração alguma coisa não é cristã. Jesus utiliza esta parábola no diálogo com um doutor da lei, a propósito do duplo mandamento que permite entrar na vida eterna: amar a Deus com todo o coração e o próximo como a nós mesmos (vv. 25-28). «Sim — responde aquele doutor da lei — mas, diz-me, quem é o meu próximo?» (v. 29). Também nós podemos formular esta pergunta: quem é o meu próximo? A quem devo amar como a mim mesmo? Os meus parentes, os meus amigos, os meus compatriotas, aqueles da minha mesma religião? ... Quem é o meu próximo?

E Jesus responde com esta parábola. Ao longo do caminho de Jerusalém para Jericó um homem foi assaltado por bandidos, espancado e depois abandonado. Por aquela estrada passaram primeiro um sacerdote e em seguida um levita; não obstante tenham visto o homem ferido, eles não pararam e foram em frente (vv. 31-32). Depois passou um samaritano, ou seja um habitante de Samaria e como tal desprezado pelos judeus porque não observante da verdadeira religião; e no entanto ele, precisamente ele, quando viu aquele pobre desventurado, «encheu-se de compaixão. Aproximando-se, atou-lhe as feridas [...] levou-o para uma hospedaria e cuidou dele» (vv. 33-34); e no dia seguinte confiou-o aos cuidados do hospedeiro, pagou por ele e disse que teria pago também tudo o resto (cf. v. 35).

Naquela altura, Jesus dirige-se ao doutor da lei e pergunta-lhe: «Qual destes três — o sacerdote, o levita, o samaritano — parece ter sido o próximo daquele que caiu nas mãos dos ladrões?». E ele, naturalmente — porque era inteligente — responde: «Aquele que teve misericórdia dele» (vv. 36-37). Deste modo, Jesus inverteu completamente a perspetiva inicial do doutor da lei, e também a nossa: não devo catalogar os outros para decidir quem é o meu próximo e quem não é. Depende de mim, ser ou não ser próximo — a decisão é minha — depende de mim, ser ou não ser próximo da pessoa com a qual me encontro e que tem necessidade de ajuda, mesmo que seja desconhecida, ou talvez até hostil. E Jesus conclui: «Vai, e também tu faz o mesmo» (v. 37). Uma boa lição! E repete-o a cada um de nós: «Vai, e também tu faz o mesmo», tornando-te próximo do irmão e da irmã que tu vês em dificuldade. «Vai, e também tu faz o mesmo». Praticar boas obras, não apenas pronunciar palavras que se perdem no vento. Vem-me ao pensamento uma canção: «Palavras, palavras, palavras...». Não! É preciso fazer, agir. E mediante as boas obras que praticamos com amor e alegria a favor do próximo, a nossa fé germina e dá fruto. Questionemo-nos — cada qual responda no próprio coração — interroguemo-nos: é fecunda a nossa fé? Produz boas obras a nossa fé? Ou então é bastante estéril e portanto mais morta do que viva? Faço-me próximo, ou simplesmente passo ao lado? Sou daqueles que seleciono as pessoas a bel-prazer? É bom fazer estas perguntas, e fazê-las frequentemente, porque no fim seremos julgados pelas obras de misericórdia. O Senhor poderá dizer-nos: e tu, recordas aquela vez ao longo do caminho de Jerusalém para Jericó? Aquele homem meio morto era eu. Recordas? Aquele menino faminto era eu. Recordas? Era eu aquele migrante que muitos querem expulsar. Era eu aqueles avós sozinhos, abandonados nas casas de repouso. Era eu aquele doente no hospital, que ninguém vai visitar.

Que a Virgem Maria nos ajude a caminhar pela vereda do amor, amor generoso pelo próximo, a senda do bom samaritano. Que Ela nos ajude a viver o principal mandamento que Cristo nos deixou. Este é o caminho para entrar na vida eterna.

Depois do Angelus

Hoje celebra-se o «Domingo do Mar», para favorecer o cuidado pastoral da gente do mar. Encorajo os marítimos e os pescadores no seu trabalho, muitas vezes árduo e arriscado, assim como os capelães e os voluntários no seu serviço precioso. Maria, Estrela do Mar, vele sobre vós!

E saúdo todos vós, fiéis de Roma e de muitas regiões da Itália e do mundo.

Dirijo uma saudação particular aos peregrinos de Porto Rico, aos polacos que realizaram uma corrida de revezamento desde Cracóvia até Roma — muito bem! — e aos participantes na grandiosa peregrinação da Família da Rádio Maria ao Santuário de Częstochowa, que chegou à sua 25ª edição. Mas ali ouvi também alguns meus concidadãos, que não se calam. Aos argentinos que se encontram aqui, e que fazem barulho — que hacen lío — dirijo uma saudação especial!

Saúdo ainda as famílias da Diocese de Adria-Rovigo, as Irmãs Filhas da Caridade do Preciosíssimo Sangue, a Ordem Secular Teresiana, os fiéis de Limbiate e a Comunidade Missionária João Paulo II.

Desejo a todos feliz domingo, um domingo quente! E por favor, não vos esqueçais de rezar por mim. Bom almoço e até à vista!



Fonte: Vaticano



domingo, 10 de julho de 2016

Evangelho do XV Domingo do Tempo Comum - Ano C


São Lucas 10, 25-37

Naquele tempo, levantou-se um doutor da lei e perguntou a Jesus para O experimentar: "Mestre, que hei-de fazer para receber como herança a vida eterna?" Jesus disse-lhe: "Que está escrito na lei? Como lês tu?" Ele respondeu: "Amarás o Senhor teu Deus com todo o teu coração e com toda a tua alma, com todas as tuas forças e com todo o teu entendimento; e ao próximo como a ti mesmo". Disse-lhe Jesus: "Respondeste bem. Faz isso e viverás". Mas ele, querendo justificar-se, perguntou a Jesus: "E quem é o meu próximo?" Jesus, tomando a palavra, disse: "Um homem descia de Jerusalém para Jericó e caiu nas mãos dos salteadores. Roubaram-lhe tudo o que levava, espancaram-no e foram-se embora, deixando-o meio morto. Por coincidência, descia pelo mesmo caminho um sacerdote; viu-o e passou adiante. Do mesmo modo, um levita que vinha por aquele lugar, viu-o e passou também adiante. Mas um samaritano, que ia de viagem, passou junto dele e, ao vê-lo, encheu-se de compaixão. Aproximou-se, ligou-lhe as feridas deitando azeite e vinho, colocou-o sobre a sua própria montada, levou-o para uma estalagem e cuidou dele. No dia seguinte, tirou duas moedas, deu-as ao estalajadeiro e disse: ‘Trata bem dele; e o que gastares a mais eu to pagarei quando voltar’. Qual destes três te parece ter sido o próximo daquele homem que caiu nas mãos dos salteadores?" O doutor da lei respondeu: "O que teve compaixão dele". Disse-lhe Jesus: Então vai e faz o mesmo".





Angelus com o Papa Francisco - 03.07.2016


Praça São Pedro
Domingo, 3 de julho de 2016








Bom dia, prezados irmãos e irmãs!

A página evangélica de hoje, tirada do capítulo 10 do Evangelho de Lucas (vv. 1-12.17-20), faz-nos entender como é necessário rogar a Deus, «Senhor da messe, que mande operários para a sua messe» (v. 2). Os «operários» de que Jesus fala são os missionários do Reino de Deus, que Ele mesmo chamava e enviava, «dois a dois, adiante de si, por todas as cidades e lugares para onde Ele tinha de ir» (v. 1). A sua tarefa é anunciar uma mensagem de salvação destinada a todos. Os missionários anunciam sempre uma mensagem de salvação a todos; não somente os missionários que partem para terras longínquas, mas também nós, missionários cristãos que dizemos uma boa palavra de salvação. E este é o dom que Jesus nos confere mediante o Espírito Santo. Este anúncio consiste em dizer: «O Reino de Deus está próximo» (v. 9), porque Jesus «aproximou» Deus de nós; Deus fez-se um de nós; em Jesus, Deus reina no meio de nós, o seu amor misericordioso derrota o pecado e a miséria humana.

E esta é a Boa Notícia que os «operários» devem anunciar a todos: uma mensagem de esperança e consolação, de paz e caridade. Quando envia os discípulos adiante de si, pelos povoados, Jesus recomenda-lhes: «Dizei primeiro: “Paz a esta casa!”. [...] Curai os enfermos que nela houver» (vv. 5.9). Tudo isto significa que o Reino de Deus se edifica dia após dia, oferecendo já nesta terra os seus frutos de conversão, de purificação, de amor e de consolação no meio dos homens. Isto é bonito! Construir no dia a dia este Reino de Deus, que se vai formando. Não destruir, mas construir!

Com que espírito o discípulo de Jesus deverá desempenhar esta missão? Antes de tudo, deve estar consciente da realidade difícil e às vezes hostil que o espera. Jesus não poupa palavras sobre isto! Ele diz: «Eis que vos envio como cordeiros entre lobos» (v. 3). Extremamente claro! A hostilidade encontra-se sempre no início das perseguições dos cristãos, porque Jesus sabe que a missão é impedida pela obra do maligno. Por isso, o operário do Evangelho deve esforçar-se para viver livre de condicionamentos humanos de qualquer tipo, sem levar bolsa, nem mochila, nem calçado (cf. v. 4), como recomendou Jesus, para confiar unicamente no poder da Cruz de Cristo. Isto significa abandonar todos os motivos de orgulho pessoal, de carreirismo ou de fome de poder, fazendo-se humildemente instrumentos da salvação realizada pelo sacrifício de Jesus.

A missão do cristão no mundo é maravilhosa e está destinada a todos, é uma missão de serviço, sem excluir ninguém; ela exige muita generosidade, mas acima de tudo o olhar e o coração voltados para o alto, a fim de invocar a ajuda do Senhor. Há grande necessidade de cristãos que testemunhem com alegria o Evangelho na vida de todos os dias. Enviados por Jesus, os discípulos «voltaram cheios de alegria» (v. 17). Quando nós agimos assim, o nosso coração enche-se de júbilo. E esta expressão faz-me pensar no modo como a Igreja se rejubila, se alegra quando os seus filhos recebem a Boa Notícia graças à dedicação de numerosos homens e mulheres que, quotidianamente, anunciam o Evangelho: sacerdotes — os bons párocos que todos nós conhecemos — religiosas, consagradas, missionárias, missionários... E pergunto-me, escutai esta pergunta: quantos de vós, jovens, que agora estais presentes na praça, sentis o chamamento do Senhor para o seguir? Não tenhais medo! Sede intrépidos e levai aos outros esta tocha do zelo apostólico que nos foi transmitida por estes discípulos exemplares.

Oremos ao Senhor, por intercessão da Virgem Maria, para que nunca faltem na Igreja corações generosos que trabalhem para levar a todos o amor e a ternura do Pai celeste.

Depois do Angelus

Exprimo a minha proximidade aos familiares das vítimas e dos feridos no atentado ocorrido ontem em Daca, e também aquele que foi perpetrado em Bagdad. Oremos juntos! Rezemos juntos por eles, pelos defuntos, e peçamos ao Senhor que converta o coração dos violentos, obcecados pelo ódio. Ave Maria...

Saúdo todos vós, fiéis de Roma e peregrinos provenientes da Itália e de vários países. Saúdo de maneira particular o grupo vindo de Bergamo, guiado pelo Bispo — os bergamascos não economizaram para fazer o cartaz. Vê-se bem! Saúdo o grupo de Bragança-Miranda, em Portugal; as Irmãs Missionárias do Sagrado Coração, vindas da Coreia em companhia de alguns fiéis; os jovens de Ibiza que se preparam para a Crisma; e um grupo de peregrinos venezuelanos. Gostaria de saudar também os meus compatriotas de La Rioja, de Chilecito: vê-se bem a bandeira ali!

Saúdo algumas peregrinações especiais, no sinal da Misericórdia: a dos fiéis de Ascoli Piceno, vindos a pé ao longo da antiga via Salária; a dos sócios da Federação italiana de turismo equestre, que vieram a cavalo, alguns até de Cracóvia; e a dos que vieramde bicicleta e motocicleta, de Cardito, em Nápoles.

No Ano Santo da Misericórdia apraz-me recordar que na próxima quarta-feira celebraremos a memória de santa Maria Goretti, a menina mártir que antes de morrer perdoou o seu assassino. Esta jovem intrépida merece um aplauso de toda a praça!

Desejo feliz domingo a todos. Por favor, não vos esqueçais de rezar por mim. Bom almoço e até à próxima!




Fonte: Vaticano




domingo, 3 de julho de 2016

Evangelho da Solenidade de São Pedro e São Paulo


São Mateus 16, 13-19

Naquele tempo, Jesus foi para os lados de Cesareia de Filipe e perguntou aos seus discípulos: "Quem dizem os homens que é o Filho do homem?". Eles responderam: "Uns dizem que é João Batista, outros que é Elias, outros que é Jeremias ou algum dos profetas". Jesus perguntou: "E vós, quem dizeis que Eu sou?". Então, Simão Pedro tomou a palavra e disse: "Tu és o Messias, o Filho de Deus vivo". Jesus respondeu-lhe: "Feliz de ti, Simão, filho de Jonas, porque não foram a carne e o sangue que to revelaram, mas sim meu Pai que está nos Céus. Também Eu te digo: Tu és Pedro sobre esta pedra edificarei a minha Igreja e as portas do inferno não prevalecerão contra ela. Dar-te-ei as chaves do reino dos Céus: tudo o que ligares na terra será ligado nos Céus, e tudo o que desligares na terra será desligado nos Céus".







Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...