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domingo, 28 de agosto de 2016

Evangelho do XXII Domingo do Tempo Comum - Ano C


São Lucas 14, 1.7-14

Naquele tempo, Jesus entrou, a um sábado, em casa de um dos principais fariseus para tomar uma refeição. Todos O observavam. Ao notar como os convidados escolhiam os primeiros lugares, Jesus disse-lhes esta parábola: "Quando fores convidado para um banquete nupcial, não tomes o primeiro lugar. Pode acontecer que tenha sido convidado alguém mais importante do que tu; então, aquele que vos convidou a ambos, terá que te dizer: ‘Dá o lugar a este’; e ficarás depois envergonhado, se tiveres de ocupar o último lugar. Por isso, quando fores convidado, vai sentar-te no último lugar; e quando vier aquele que te convidou, dirá: ‘Amigo, sobe mais para cima’; ficarás então honrado aos olhos dos outros convidados. Quem se exalta será humilhado e quem se humilha será exaltado". Jesus disse ainda a quem O tinha convidado: "Quando ofereceres um almoço ou um jantar, não convides os teus amigos nem os teus irmãos, nem os teus parentes nem os teus vizinhos ricos, não seja que eles por sua vez te convidem e assim serás retribuído. Mas quando ofereceres um banquete, convida os pobres, os aleijados, os coxos e os cegos; e serás feliz por eles não terem com que retribuir-te: ser-te-á retribuído na ressurreição dos justos.





Catequese com o Papa Francisco - 24.08.2016


Praça São Pedro
Quarta-feira, 24 de agosto de 2016








Tinha preparado a catequese de hoje, como em todas as quartas-feiras deste Ano da Misericórdia, sobre o tema da proximidade de Jesus, mas diante da notícia do terremoto que atingiu o centro da Itália, devastando zonas inteiras e deixando mortos e feridos, não posso deixar de manifestar a minha grande dor e a minha proximidade a todas as pessoas presentes nos lugares atingidos pelo sismo, a todas as pessoas que perderam os seus caros e aquelas que ainda se sentem abaladas pelo medo e pelo terror. Ouvir o Prefeito de Amatrice dizer: «A cidade não existe mais», e saber que entre os mortos há também crianças, realmente comove-me muito.

Por isso, quero garantir a todas essas pessoas nos entornos de Accumoli, Amatrice e outras localidades, na Diocese de Rieti e de Ascoli Piceno e em todo o Lácio, na Umbra e nas Marcas, da minha oração e dizer-lhes que estejam certos da carícia e do abraço de toda a Igreja, que neste momento deseja abraçar-vos com o seu amor materno e também do nosso abraço aqui na Praça.

Ao agradecer a todos os voluntários e aos agentes da proteção civil que estão socorrendo estas populações, peço-vos que vos unais comigo na oração para que o Senhor Jesus, que sempre se comoveu diante da dor humana, console estes corações aflitos e lhes conceda a paz pela intercessão da Beata Virgem Maria.

Deixemo-nos comover com Jesus!

Assim deixemos para a próxima semana a catequese desta quarta-feira. E convido-vos a recitar comigo uma parte do Santo Rosário: os Mistérios dolorosos.

Saudações

Dirijo uma saudação especial aos membros do Comité Paralímpico Internacional e aos atletas que se preparam para participar nos próximos Jogos Paralímpicos no Rio de Janeiro. Além disso, saúdo os participantes na Assembleia geral promovida pela Conferência Mundial dos Institutos Seculares. Com fervorosos bons votos de que o atual Jubileu da Misericórdia seja para vós e para as vossas famílias um tempo de graça e de renovação espiritual, invoco sobre vós a alegria e a paz do Senhor Jesus!

Saúdo os peregrinos de língua portuguesa, do Brasil e de Portugal. Queridos amigos, Jesus vos chama a levar aos outros a alegria do Evangelho, que nos ensina que homens e mulheres participam da mesma dignidade, porque somos todos uma só coisa em Cristo Jesus! Que Deus vos abençoe a todos!

Dirijo uma cordial saudação aos peregrinos de língua árabe, de maneira particular aos provenientes do Egito, do Iraque e do Médio Oriente. Que o Senhor abençoe todos vós e vos proteja do maligno!


Apelo pela Ucrânia

Durante estas últimas semanas, os Observadores internacionais manifestaram preocupação pela recrudescência da situação na Ucrânia Oriental. Hoje, enquanto aquela querida Nação celebra a sua festa nacional, que este ano coincide com o vigésimo quinto aniversário da independência, garanto a minha oração pela paz e renovo o meu apelo a todas as partes comprometidas e às instâncias internacionais, a fim de revigorar as iniciativas para resolver o conflito, para libertar os reféns e para responder à emergência humanitária.

* * *

Finalmente, dirijo o meu pensamento aos jovens, aos doentes e aos recém-casados. Hoje celebra-se a festa do Apóstolo São Bartolomeu. Diletos jovens, aprendei dele que a verdadeira força é a humildade; amados enfermos, não vos canseis de pedir a ajuda do Senhor mediante a oração; e vós, estimados recém-casados, competi na estima e na ajuda mútuas.



Fonte: Vaticano




Angelus com o Papa Francisco - 21.08.2016


Praça São Pedro
Domingo, 21 de agosto de 2016








Bom dia, estimados irmãos e irmãs!

A página evangélica de hoje exorta-nos a meditar sobre o tema da salvação. O evangelista Lucas narra que Jesus está em viagem rumo a Jerusalém, e durante o percurso aproxima-se uma pessoa que lhe faz a seguinte pergunta: «Senhor, são poucos os homens que se salvam?» (Lc 13, 23). Jesus não dá uma resposta direta, mas desvia o debate para outro plano, com uma linguagem sugestiva, que no início os discípulos talvez não tenham entendido: «Procurai entrar pela porta estreita; porque, digo-vos, muitos procurarão entrar e não conseguirão» (v. 24). Mediante a imagem da porta, Ele quer levar os seus ouvintes a entender que não se trata de uma questão de número — quantos se salvarão — não importa saber quantos, mas é importante que todos saibam qual é o caminho que leva à salvação.

Este percurso prevê que atravessemos uma porta. Mas onde está a porta? Como é a porta? Quem é a porta? O próprio Jesus é a porta, como Ele mesmo diz no Evangelho de João: «Eu sou a porta» (Jo 10, 9). Ele guia-nos para a comunhão com o Pai, onde encontramos amor, compreensão e amparo. Mas podemos interrogar-nos por que motivo esta porta é estreita? Por que diz Ele que ela é estreita? Trata-se de uma porta estreita, não porque é opressiva, mas porque exige que limitemos e contenhamos o nosso orgulho e o nosso medo, para nos abrirmos a Ele com coração humilde e confiante, reconhecendo-nos pecadores, necessitados do seu perdão. Por isso é estreita: para conter o nosso orgulho, que nos incha. A porta da misericórdia de Deus é estreita, mas permanece sempre escancarada para todos! Deus não tem preferências, mas acolhe sempre todos, sem distinções. Uma porta estreita para restringir o nosso orgulho e o nosso medo, uma porta aberta de par em par, porque Deus nos recebe sem distinções. E a salvação que Ele nos concede é um fluxo incessante de misericórdia, que derruba qualquer barreira e abre surpreendentes perspetivas de luz e de paz. Porta estreita, mas sempre escancarada: não vos esqueçais disto!

Hoje Jesus dirige-nos, mais uma vez, um convite urgente a ir ao seu encontro, a passar pela porta da vida plena, reconciliada e feliz. Ele espera cada um de nós, independentemente de qualquer pecado que tenhamos cometido, para nos abraçar e para nos conceder o seu perdão. Só Ele pode transformar o nosso coração, somente Ele pode dar sentido pleno à nossa existência, oferecendo-nos a verdadeira alegria. Entrando pela porta de Jesus, pela porta da fé e do Evangelho, podemos sair das atitudes mundanas, dos maus hábitos, dos egoísmos e dos fechamentos. Quando existe o contato com o amor e a misericórdia de Deus, verifica-se a mudança autêntica. E a nossa vida é iluminada pela luz do Espírito Santo: uma luz inextinguível!

Gostaria de vos fazer uma proposta. Pensemos agora, em silêncio por um instante, naquilo que temos dentro de nós e que nos impede de atravessar a porta: o meu orgulho, a minha soberba, os meus pecados. E depois pensemos na outra porta, naquela porta aberta de par em par, da misericórdia de Deus, que do outro lado nos espera para nos conceder o perdão.

O Senhor oferece-nos muitas ocasiões para nos salvar e nos fazer passar pela porta da salvação. Esta porta é uma ocasião que não deve ser desperdiçada: não podemos proferir discursos académicos sobre a salvação, como aquela pessoa que se dirigiu a Jesus, mas devemos aproveitar as ocasiões de salvação. Porque num determinado momento «o Senhor entrará e fechará a porta» (v. 25), como nos recordou o Evangelho. Mas se Deus é bom e nos ama, por que razão numa certa altura fechará a porta? Porque a nossa vida não é um videojogo, nem uma telenovela; a nossa vida é séria, e o objetivo a alcançar é importante: a salvação eterna.

À Virgem Maria, Porta do Céu, peçamos que nos ajude a aproveitar as ocasiões que o Senhor nos oferece para passar pela porta da fé e assim entrar num caminho largo: é a vereda da salvação, capaz de acolher todos aqueles que se deixam envolver pelo amor. É o amor que nos salva, o amor que já na terra constitui a fonte de bem-aventuranças de quantos, na mansidão, na paciência e na justiça, se esquecem de si mesmos e se oferecem aos outros, especialmente aos mais frágeis.

Depois do Angelus

Recebi a triste notícia do atentado sanguinolento que ontem atingiu a amada Turquia. Oremos pelas vítimas, pelos defuntos e pelos feridos, e peçamos o dom da paz para todos.

Ave Maria...

Saúdo cordialmente todos os peregrinos romanos e os provenientes de vários países, em particular os fiéis de Kalisz (Polónia) e Gondomar (Portugal); gostaria de saudar também de maneira particular os novos seminaristas do Pontifício Colégio Norte-Americano. Bem-vindos a Roma!

Saúdo a Associação do Santíssimo Redentor de Manfredonia, os motociclistas da região de Polesine, os fiéis de Delianuova e de Verona, que vieram em peregrinação a pé! Saúdo os jovens de Padulle, vindos para prestar serviço no refeitório da Cáritas de Roma.

Feliz domingo a todos! E, por favor, não vos esqueçais de rezar por mim. Bom almoço e até à vista!




Fonte: Vaticano



domingo, 21 de agosto de 2016

Evangelho da Assunção de Nossa Senhora


São Lucas 1, 39-56

Naqueles dias, Maria pôs-se a caminho e dirigiu-se apressadamente para a montanha, em direção a uma cidade de Judá. Entrou em casa de Zacarias e saudou Isabel. Quando Isabel ouviu a saudação de Maria, o menino exultou-lhe no seio. Isabel ficou cheia do Espírito Santo e exclamou em alta voz: "Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre. Donde me é dado que venha ter comigo a Mãe do meu Senhor? Na verdade, logo que chegou aos meus ouvidos a voz da tua saudação, o menino exultou de alegria no meu seio. Bem-aventurada aquela que acreditou no cumprimento de tudo quanto lhe foi dito da parte do Senhor". Maria disse então: "A minha alma glorifica o Senhor e o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador, porque pôs os olhos na humildade da sua serva: de hoje em diante me chamarão bem-aventurada todas as gerações. O Todo-Poderoso fez em mim maravilhas: Santo é o seu nome. A sua misericórdia se estende de geração em geração sobre aqueles que O temem. Manifestou o poder do seu braço e dispersou os soberbos. Derrubou os poderosos de seus tronos e exaltou os humildes. Aos famintos encheu de bens e aos ricos despediu de mãos vazias. Acolheu a Israel, seu servo, lembrado da sua misericórdia, como tinha prometido a nossos pais, a Abraão e à sua descendência para sempre". Maria ficou junto de Isabel cerca de três meses e depois regressou a sua casa.





domingo, 14 de agosto de 2016

Evangelho do XX Domingo do Tempo Comum - Ano C


Lucas 12, 49-53



Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: "Eu vim trazer o fogo à terra e que quero Eu senão que ele se acenda? Tenho de receber um batismo e estou ansioso até que ele se realize. Pensais que Eu vim estabelecer a paz na terra? Não. Eu vos digo que vim trazer a divisão. A partir de agora, estarão cinco divididos numa casa: três contra dois e dois contra três. Estarão divididos o pai contra o filho e o filho contra o pai, a mãe contra a filha e a filha contra a mãe, a sogra contra a nora e a nora contra a sogra".







Catequese com o Papa Francisco - 10.08.2016


Quarta-feira, 10 de agosto de 2016







Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

O trecho do Evangelho de Lucas que acabámos de ouvir (7, 11-17) apresenta-nos um milagre de Jesus deveras grandioso: a ressurreição de um jovem. No entanto, o núcleo desta narração não é o milagre mas a ternura de Jesus para com a mãe deste jovem. Aqui a misericórdia assume o nome de grande compaixão por uma mulher que tinha perdido o marido e que agora leva ao cemitério o seu único filho. Esta grande dor da mãe comove Jesus e provoca o milagre da ressurreição.

Ao introduzir este episódio, o Evangelista hesita sobre muitos pormenores. Na porta da cidade de Naim — uma aldeia — encontram-se dois grupos numerosos que provêm de direções opostas e que nada têm em comum. Jesus, seguido pelos discípulos e por uma multidão prepara-se para entrar no povoado, enquanto sai o triste cortejo que acompanha o defunto, com a mãe viúva e muitas pessoas. Junto da porta os dois grupos cruzam-se cada um indo pela própria estrada, mas é então que são Lucas comenta o sentimento de Jesus: «Vendo-a, o Senhor, movido de compaixão para com ela, disse-lhe: Não chores! E aproximando-se, tocou no esquife, e os que o levavam pararam» (vv. 13-14). Grande compaixão guia as ações de Jesus: é Ele que para o cortejo ao tocar o esquife e, movido por profunda misericórdia por esta mãe, decide enfrentar a morte, por assim dizer, cara a cara. E enfrentá-la-á definitivamente, face a face, na Cruz.

Durante este Jubileu, seria bom que, ao atravessar a Porta Santa, a Porta da Misericórdia, os peregrinos se recordassem deste episódio do Evangelho, ocorrido na porta de Naim. Quando Jesus vê esta mãe em lágrimas, ela entrou no seu coração! Cada um chega à Porta Santa trazendo a própria vida, com as suas alegrias e sofrimentos, os projetos e as falências, as dúvidas e os temores, para a apresentar à misericórdia do Senhor. Estamos certos de que, junto da Porta Santa, o Senhor se faz próximo para encontrar cada um de nós, para trazer e oferecer a sua poderosa palavra consoladora: «Não chores!» (v. 13). Esta é a Porta do encontro entre a dor da humanidade e a compaixão de Deus. Atravessando o limiar realizamos a nossa peregrinação dentro da misericórdia de Deus que, como ao jovem morto, repete a todos: «Ordeno-te, levanta-te!» (v. 14). A cada um de nós diz: «Levanta-te». Deus quer-nos em pé. Criou-nos para estar em pé: por isso, a compaixão de Jesus leva àquele gesto da cura, a sarar-nos, do qual a palavra-chave é: «Levanta-te! Põe-te em pé, como Deus te criou!». Em pé. «Mas, padre, caímos tantas vezes» — «Em frente, levanta-te!». Esta é a palavra de Jesus, sempre. Ao atravessar a Porta Santa, procuremos ouvir no nosso coração esta palavra: «Levanta-te!». A palavra poderosa de Jesus pode fazer com que nos levantemos e provocar também em nós a passagem da morte para a vida. A sua palavra faz-nos reviver, doa esperança, encoraja os corações cansados, abre para uma visão de mundo e de vida que vai além do sofrimento e da morte. Na Porta Santa está gravado para cada um o inesgotável tesouro da misericórdia de Deus!

Ao ouvir a palavra de Jesus, «sentou-se o que estivera morto e começou a falar, e Jesus entregou-o à sua mãe» (v. 15). Esta frase é muito bonita: indica a ternura de Jesus: «Entregou-o à sua mãe». A mãe reencontra o filho. Recebendo-o das mãos de Jesus ela torna-se mãe pela segunda vez, mas o filho que agora lhe foi restituído não recebeu a vida dela. Mãe e filho recebem assim a respetiva identidade graças à palavra poderosa de Jesus e ao seu gesto amoroso. Deste modo, especialmente no Jubileu, a mãe Igreja recebe os seus filhos reconhecendo neles a vida doada pela graça de Deus. É em virtude desta graça, a graça do Batismo, que a Igreja se torna mãe e que cada um de nós se tornar seu filho.

Diante do jovem ressuscitado e restituído à mãe, «apoderou-se de todos o temor, e glorificavam a Deus, dizendo: um grande profeta surgiu entre nós: Deus dirigiu o olhar para o seu povo». Por conseguinte, quanto Jesus fez não é uma ação de salvação destinada à viúva e ao seu filho, nem um gesto de bondade limitado àquela cidadezinha. No socorro misericordioso de Jesus, Deus vai ao encontro do seu povo, n’Ele aparece e continuará a aparecer à humanidade toda a graça de Deus. Celebrando este Jubileu, que desejei que fosse vivido em todas as Igrejas particulares, isto é em todas as Igrejas do mundo, e não só em Roma, é como se toda a Igreja espalhada pelo mundo se unisse no único canto de louvor ao Senhor. Também hoje a Igreja reconhece que recebe a visita de Deus. Por isso, encaminhando-se rumo à Porta da Misericórdia, cada um sabe que se encaminha para a porta do coração misericordioso de Jesus: de facto é Ele a verdadeira Porta que leva à salvação e nos restitui a uma vida nova. A misericórdia, quer em Jesus quer em nós, é um caminho que começa do coração para chegar às mãos. O que isto significa? Jesus olha para ti, cura-te com a sua misericórdia, dizendo-te: «Levanta-te!» e o teu coração renova-se. O que significa realizar um caminho a partir do coração até às mãos? Quer dizer que com o coração novo, sarado por Jesus, posso realizar as obras de misericórdia através das mãos, procurando ajudar, curar muitos necessitados. A misericórdia é um caminho que tem início no coração e chega às mãos, isto é, às obras de misericórdia.

Disse que a misericórdia é um caminho que vai do coração às mãos. No coração recebemos a misericórdia de Jesus que nos doa o perdão de tudo, porque Deus perdoa tudo e levanta-nos, dá-nos a vida nova e contagia-nos com a sua compaixão. Do coração perdoado e com a compaixão de Jesus, começa o caminho rumo às mãos, isto é, para as obras de misericórdia. Dizia-me um bispo outro dia que na sua catedral e noutras igrejas fez portas de misericórdia de entrada e de saída. Perguntei o porquê e a resposta foi: «Porque uma porta é para entrar, pedir perdão e obter a misericórdia de Jesus; a outra é a porta da misericórdia em saída, para levar a misericórdia aos outros, com as nossas obras de misericórdia». Como é inteligente este bispo! Também nós façamos o mesmo com o caminho que vai do coração às mãos: entremos na igreja pela porta da misericórdia, a fim de receber o perdão de Jesus, que nos diz «Levanta-te! Vai, vai!»; e com este «vai!» — em pé — saiamos pela porta de saída. É a Igreja em saída: o caminho da misericórdia que vai do coração às mãos. Percorrei este caminho!

* * *

Dirijo uma saudação cordial aos peregrinos de língua portuguesa, em particular aos fiéis de Portugal e do Brasil. Queridos amigos, a experiência da compaixão misericordiosa de Deus nos deve impelir a levar os outros ao encontro com Jesus que espera a cada homem e mulher nas Portas da Misericórdia espalhadas por todas as Igrejas particulares do mundo. Que Deus vos abençoe!

Dirijo uma cordial saudação de boas-vindas aos peregrinos de língua árabe, em particular aos que provêm do Médio Oriente! Queridos irmãos e irmãs, a Porta Santa é a Porta do encontro entre a dor da humanidade e a compaixão de Deus; ao atravessar o limiar realizamos a nossa peregrinação dentro da misericórdia de Deus que a todos repete: «Ordeno-te, levanta-te!». O Senhor vos abençoe!

Por fim, dirijo uma saudação aos jovens, aos doentes e aos recém-casados. Na segunda-feira passada recordamos a figura de são Domingos de Gusmão, cuja Ordem dos Pregadores celebra o oitavo centenário de fundação. A palavra iluminada deste grande santo vos estimule, queridos jovens, a ouvir e a viver os ensinamentos de Jesus; a sua fortaleza interior vos apoie, estimados doentes, nos momentos de dificuldade; e a sua dedicação apostólica, recorde, caros jovens casais, a importância da educação cristã na vossa família.



Fonte: Vaticano



Angelus com o Papa Francisco - 07.08.2016


Praça São Pedro
Domingo, 7 de agosto de 2016








Bom dia, estimados irmãos e irmãs!

Na página do Evangelho de hoje (cf. Lc 12, 32-48), Jesus fala aos seus discípulos sobre a atitude que devem assumir em vista do encontro final com Ele, explicando que a expetativa de tal encontro deve impelir a uma vida rica de obras boas. Entre outras coisas, diz: «Vendei o que possuís e dai-o de esmola; fazei para vós bolsas que não se gastam, um tesouro inesgotável nos céus, onde o ladrão não chega e a traça não o destrói» (v. 33). Trata-se de um convite a dar valor à esmola como obra de misericórdia, a não colocar a confiança nos bens efémeros e a utilizar as coisas sem apego nem egoísmo, mas segundo a lógica de Deus, a lógica da atenção ao próximo, a lógica do amor. Nós podemos viver muito apegados ao dinheiro e possuir grandes bens, mas no final não os poderemos levar connosco. Recordai-vos que «o sudário não tem bolsos».

O ensinamento de Jesus continua com três breves parábolas sobre o tema da vigilância. Isto é importante: a vigilância, estar atento, ser vigilante na vida. A primeira é a parábola dos servos que de noite aguardam a volta do seu senhor. «Bem-aventurados os servos aos quais o senhor encontrar vigiando, quando vier!» (v. 37): é a bem-aventurança de esperar o Senhor com fé, permanecendo pronto, em atitude de serviço. Ele faz-se presente cada dia, bate à porta do nosso coração. E bem-aventurado será aquele que lhe abrir a porta, porque receberá uma grande recompensa: com efeito, o próprio Senhor será o Servo dos seus servos — é uma bonita recompensa! — e no grandioso banquete do seu Reino Ele mesmo passará a servi-los. Mediante esta parábola, ambientada de noite, Jesus apresenta a vida como uma vigília de espera ativa, um prelúdio ao dia resplandecente da eternidade. Para podermos aceder a ela é preciso que estejamos prontos, acordados e comprometidos no serviço ao próximo, na consoladora perspetiva de que no «além” já não seremos nós que serviremos a Deus, mas será Ele mesmo que nos acolherá à sua mesa. Pensando bem, isto já acontece hoje, cada vez que encontramos o Senhor na oração, ou então quando servimos os pobres, mas sobretudo na Eucaristia, onde Ele prepara um banquete para nos alimentar com a sua Palavra e com o seu Corpo.

A segunda parábola tem como imagem a vinda imprevisível do ladrão. Isto exige a vigilância; com efeito, Jesus exorta: «Estai, pois, preparados, porque na hora em que não pensais virá o Filho do Homem» (v. 40). O discípulo é aquele que espera o Senhor e o seu Reino. O Evangelho esclarece esta perspetiva com a terceira parábola: o administrador de uma casa, depois da partida do patrão. No primeiro caso, o administrador cumpre fielmente os seus deveres e recebe a recompensa. No segundo caso, o administrador abusa da sua autoridade e bate nos seus servos; por isso, quando o patrão voltar repentinamente, será punido. Esta cena descreve uma situação frequente inclusive nos dias de hoje: muitas injustiças, violências e maldades quotidianas brotam da ideia de nos comportarmos como senhores da vida dos outros. Nós temos um único Senhor, que não gosta de ser chamado «patrão», mas sim «Pai». Todos nós somos servos, pecadores e filhos: Ele é o único Pai.

Hoje Jesus recorda-nos que a expetativa da bem-aventurança eterna não nos dispensa do compromisso de tornar o mundo mais justo e mais habitável. Aliás, é exatamente esta nossa esperança de possuir o Reino na eternidade que nos impele a agir para melhorar as condições da vida terrena, de maneira especial dos irmãos mais frágeis. A Virgem Maria nos ajude a ser pessoas e comunidades não niveladas no presente ou, pior, nostálgicas do passado, mas orientadas para o futuro de Deus, para o encontro com Ele, nossa vida e nossa esperança.

Depois do Angelus

Caros irmãos e irmãs!

Infelizmente, da Síria continuam a chegar notícias de vítimas civis da guerra, de modo particular em Alepo. É inaceitável que tantas pessoas inermes — inclusive numerosas crianças — devam pagar o preço do conflito, o preço do fechamento de coração e da falta de vontade de paz dos poderosos. Mediante a oração e a solidariedade estamos próximos dos irmãos e irmãs sírios, enquanto os confiamos à proteção maternal da Virgem Maria. Oremos todos juntos, um pouco em silêncio e depois uma Ave-Maria.

Saúdo todos vós, romanos e peregrinos de vários países! Veem-se diversas bandeiras!

Hoje estão presentes vários grupos de adolescentes e de jovens. Saúdo-vos com grande afeto! Em particular, o grupo da pastoral juvenil de Verona; os jovens de Pádua, Sandrigo e Brembilla; e o grupo dos jovens de Fasta, provenientes da Argentina. Mas estes argentinos fazem barulho em toda a parte!

Saúdo também os adolescentes de Campogalliano e de San Matteo della Decima, que vieram a Roma para desempenhar um serviço de voluntariado nalguns centros de acolhimento. Enfim, saúdo os fiéis de Sforzatica, na diocese de Bergamo.

Desejo feliz domingo a todos. E, por favor, não vos esqueçais de rezar por mim. Bom almoço e até à próxima!



Fonte: Vaticano




sábado, 6 de agosto de 2016

Evangelho do XIX Domingo do Tempo Comum - Ano C


São Lucas 12, 32-48


Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: "Não temas, pequenino rebanho, porque aprouve ao vosso Pai dar-vos o reino. Vendei o que possuís e dai-o em esmola. Fazei bolsas que não envelheçam, um tesouro inesgotável nos Céus, onde o ladrão não chega nem a traça rói. Porque onde estiver o vosso tesouro, aí estará também o vosso coração. Tende os rins cingidos e as lâmpadas acesas. Sede como homens que esperam o seu senhor voltar do casamento, para lhe abrirem logo a porta, quando chegar e bater. Felizes esses servos, que o senhor, ao chegar, encontrar vigilantes. Em verdade vos digo: cingir-se-á e mandará que se sentem à mesa e, passando diante deles, os servirá. Se vier à meia-noite ou de madrugada, felizes serão se assim os encontrar. Compreendei isto: se o dono da casa soubesse a que hora viria o ladrão, não o deixaria arrombar a sua casa. Estai vós também preparados, porque na hora em que não pensais virá o Filho do homem". Disse Pedro a Jesus: "Senhor, é para nós que dizes esta parábola, ou também para todos os outros?" O Senhor respondeu: "Quem é o administrador fiel e prudente que o senhor estabelecerá à frente da sua casa, para dar devidamente a cada um a sua ração de trigo? Feliz o servo a quem o senhor, ao chegar, encontrar assim ocupado. Em verdade vos digo que o porá à frente de todos os seus bens. Mas se aquele servo disser consigo mesmo: ‘O meu senhor tarda em vir’; e começar a bater em servos e servas, a comer, a beber e a embriagar-se, o senhor daquele servo chegará no dia em que menos espera e a horas que ele não sabe; ele o expulsará e fará que tenha a sorte dos infiéis. O servo que, conhecendo a vontade do seu senhor, não se preparou ou não cumpriu a sua vontade, levará muitas vergastadas. Aquele, porém, que, sem a conhecer, tenha feito ações que mereçam vergastadas, levará apenas algumas. A quem muito foi dado, muito será exigido; a quem muito foi confiado, mais se lhe pedirá".





Catequese com o Papa Francisco - 03.08.2016


Sala Paulo VI
Quarta-feira, 3 de agosto de 2016








Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

Hoje gostaria de refletir brevemente sobre a Viagem Apostólica que realizei recentemente à Polónia.

A ocasião da visita foi a Jornada mundial da juventude, 25 anos depois daquela histórica celebrada em Częstochowa após a queda da «cortina de ferro». Nestes 25 anos a Polónia mudou, a Europa mudou e também o mundo mudou, e esta JMJ tornou-se um sinal profético para a Polónia, a Europa e o mundo. A nova geração de jovens, herdeiros e continuadores da peregrinação iniciada por são João Paulo II, ofereceram a resposta ao desafio de hoje, deram um sinal de esperança e este sinal chama-sefraternidade. Porque, precisamente neste mundo de guerra, são necessários fraternidade, proximidade, diálogo e amizade. E este é o sinal da esperança: quando existe fraternidade.

Iniciemos precisamente dos jovens, que foram o primeiro motivo desta Viagem. Mais uma vez responderam ao chamado: provenientes de todo o mundo — alguns deles ainda estão aqui! [indicou os peregrinos na Sala] — uma festa de cor, de rostos diversos, de línguas, de histórias diferentes. Não sei como fazeis: falais línguas diferentes mas conseguis compreender-vos! E porquê? Porque sentem a mesma vontade de caminhar juntos, de construir pontes de fraternidade. Trouxeram inclusive as suas feridas, com as suas dúvidas, mas sobretudo com a alegria de se encontrar; e mais uma vez formaram um mosaico de fraternidade. Podemos falar de um mosaico de fraternidade. Uma imagem emblemática das Jornadas mundiais da juventude é a extensão multicor de bandeiras que tremulam: com efeito, na JMJ, as bandeiras das nações ficam ainda mais bonitas, por assim dizer «purificam-se», e até as bandeiras de nações em conflito entre si tremulam uma ao lado da outra. Isto é lindo! Também aqui há bandeiras... mostrai-as!

Deste modo, no seu grande encontro jubilar, os jovens do mundo acolheram a mensagem da Misericórdia para a levar a toda parte em obras espirituais e corporais. Agradeço a todos os jovens que foram a Cracóvia! Agradeço também aos que se uniram a nós de todas as partes da Terra! Porque em muitos países se realizaram pequenas JMJ em ligação com Cracóvia. O dom que recebestes se torne resposta diária à chamada do Senhor. Dirijo uma recordação cheia de afeto a Susanna, a jovem romana que faleceu imediatamente depois de ter participado na JMJ, em Viena. O Senhor, que certamente a recebeu no Céu, conforte os seus familiares e amigos.

Nesta Viagem visitei o Santuário de Częstochowa. Diante da imagem de Nossa Senhora, recebi o dom do olhar da Mãe, que de maneira particular é Mãe do povo polaco, daquela nobre nação que tanto sofreu e, com a força da fé e da sua mão materna, sempre se levantou. Acabei de cumprimentar alguns polacos aqui. Sois muito bons! Lá, sob aquele olhar, compreende-se o sentido espiritual do caminho deste povo, cuja história está ligada de modo inseparável à Cruz de Cristo. Lá sente-se a fé do santo povo fiel de Deus, que conserva a esperança através das provações; e preserva também aquela sabedoria que é equilíbrio entre tradição e inovação, entre memória e futuro. E hoje a Polónia recorda a toda a Europa que não pode existir um futuro para o continente sem os seus valores fundantes, os quais por sua vez põem no centro a visão cristã do homem. Entre tais valores está a misericórdia, da qual foram apóstolos especiais dois grandes filhos da terra polaca: santa Faustina Kowalska e são João Paulo II.

Por fim, esta viagem teve o horizonte do mundo, um mundo chamado a responder ao desafio de uma guerra «aos pedaços» que o está a ameaçar. O grande silêncio da visita a Auschwitz-Birkenau foi mais eloquente do que qualquer palavra. Naquele silêncio ouvi, senti a presença de todas as almas que por lá passaram; senti a compaixão, a misericórdia de Deus, que algumas almas santas souberam levar até àquele abismo. Naquele grande silêncio rezei por todas as vítimas da violência e da guerra. Naquele lugar compreendi mais do que nunca o valor da memória, não só como lembrança de eventos passados, mas como advertência e responsabilidade para o hoje e o amanhã, a fim de que a semente do ódio e da violência não brote nos sulcos da história. E nesta memória das guerras e das muitas feridas, de tantos sofrimentos vividos, há muitos homens e mulheres de hoje que sofrem as guerras, tantos nossos irmãos e irmãs. Observando tal crueldade no campo de concentração, pensei nas crueldades de hoje, que são semelhantes: não tão concentradas como ali, mas em todo o mundo; este mundo que está doente de crueldade, de sofrimento, de guerra, de ódio, de tristeza. É por isso que sempre vos peço a oração: que o Senhor nos dê a paz!

Por tudo isto, agradeço ao Senhor e à Virgem Maria. Exprimo novamente a minha gratidão ao Presidente da Polónia e às demais Autoridades, ao Cardeal Arcebispo de Cracóvia e a todo o Episcopado polaco, a todos os que, de mil modos, tornaram possível este evento que ofereceu um sinal de fraternidade e paz à Polónia, à Europa e ao mundo. Gostaria de agradecer também aos jovens voluntários, que durante mais de um ano trabalharam a fim de preparar este evento; e também aos que trabalham nos meios de comunicação: obrigado por terdes feito com que esta Jornada fosse vista em todo o mundo. E não me posso esquecer da Anna Maria Jacobini, uma jornalista italiana que perdeu a vida lá. De repente. Rezemos por ela, que faleceu quando desempenhava o seu serviço. Obrigado!

Saudações

Amanhã visitarei a Basílica Papal de Santa Maria dos Anjos, a Porciúncula, por ocasião do VIII centenário do «Perdão de Assis». Será uma peregrinação muito simples mas significativa neste Ano Santo da Misericórdia. Peço a todos que me acompanhem com a oração, invocando a luz e a força do Espírito Santo e a celeste intercessão de São Francisco.

Saúdo cordialmente os peregrinos de língua portuguesa, em particular os fiéis do Rio de Janeiro e as Irmãs de Santa Marcelina, desejando-vos o dom daquele olhar de Nossa Senhora que tive pousado sobre mim em Częstochowa: Ela conforta todos aqueles que estão na provação e mantém aberto o horizonte da esperança. Enquanto vos entrego, a vós e às vossas famílias à sua proteção, invoco sobre todos a Bênção de Deus.

Bons votos em vista dos Jogos Olímpicos no Rio de Janeiro

Queria agora dirigir uma saudação afetuosa ao povo brasileiro, em particular à cidade do Rio de Janeiro, que acolhe atletas e torcedores do mundo inteiro por ocasião das Olimpíadas. Diante de um mundo que está sedento de paz, tolerância e reconciliação, faço votos de que o espírito dos Jogos Olímpicos possa inspirar a todos, participantes e espectadores, a combater o bom combate e a terminar juntos a corrida (cf. 2 Tm 4, 7-8), almejando alcançar como prêmio não uma medalha, mas algo muito mais valioso: a realização de uma civilização onde reine a solidariedade, fundada no reconhecimento de que todos somos membros de uma única família humana, independentemente das diferenças de cultura, cor da pele ou religião. E aos brasileiros, que com sua característica alegria e hospitalidade organizam a Festa do Esporte, desejo que esta seja uma oportunidade para superar os momentos difíceis e comprometer-se a «trabalhar em equipe» para a construção de um país mais justo e mais seguro, apostando num futuro cheio de esperança e alegria! Que Deus abençoe a todos!




Fonte: Vaticano




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