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domingo, 25 de setembro de 2016

Evangelho do XXVI Domingo do Tempo Comum - Ano C


São Lucas 16, 19-31

Naquele tempo, disse Jesus aos fariseus: "Havia um homem rico, que se vestia de púrpura e linho fino e se banqueteava esplendidamente todos os dias. Um pobre, chamado Lázaro, jazia junto do seu portão, coberto de chagas. Bem desejava saciar-se do que caía da mesa do rico, mas até os cães vinham lamber-lhe as chagas. Ora sucedeu que o pobre morreu e foi colocado pelos Anjos ao lado de Abraão. Morreu também o rico e foi sepultado. Na mansão dos mortos, estando em tormentos, levantou os olhos e viu Abraão com Lázaro a seu lado. Então ergueu a voz e disse: ‘Pai Abraão, tem compaixão de mim. Envia Lázaro, para que molhe em água a ponta do dedo e me refresque a língua, porque estou atormentado nestas chamas’. Abraão respondeu-lhe: ‘Filho, lembra-te que recebeste os teus bens em vida e Lázaro apenas os males. Por isso, agora ele encontra-se aqui consolado, enquanto tu és atormentado. Além disso, há entre nós e vós um grande abismo, de modo que se alguém quisesse passar daqui para junto de vós, ou daí para junto de nós, não poderia fazê-lo’. O rico insistiu: ‘Então peço-te, ó pai, que mandes Lázaro à minha casa paterna – pois tenho cinco irmãos – para que os previna, a fim de que não venham também para este lugar de tormento’. Disse-lhe Abraão: ‘Eles têm Moisés e os Profetas: que os oiçam’. Mas ele insistiu: ‘Não, pai Abraão. Se algum dos mortos for ter com eles, arrepender-se-ão’. Abraão respondeu-lhe: ‘Se não dão ouvidos a Moisés nem aos Profetas, mesmo que alguém ressuscite dos mortos, não se convencerão’.





Catequese com o Papa Francisco - 21.09.2016


Praça São Pedro
Quarta-feira, 21 de setembro de 2016








Bom dia, estimados irmãos e irmãs!

Ouvimos o trecho do Evangelho de Lucas (6, 36-38), do qual foi tirado o lema deste Ano Santo Extraordinário: Misericordiosos como o Pai. A expressão completa é: «Sede misericordiosos como o vosso Pai é misericordioso» (v. 36). Não se trata de um slogan de efeito, mas de um compromisso de vida. Para compreender bem esta expressão, podemos confrontá-la com a paralela do Evangelho de Mateus, onde Jesus diz: «Sede, pois, perfeitos como é perfeito o vosso Pai que está nos Céus» (5, 48). No chamado sermão da montanha, que começa com as Bem-Aventuranças, o Senhor ensina que a perfeição consiste no amor, cumprimento de todos os preceitos da Lei. Nesta mesma ótica, são Lucas explicita que a perfeição é o amor misericordioso: ser perfeito significa ser misericordioso. Alguém que não é misericordioso é perfeito? Não! É boa a pessoa que não é misericordiosa? Não! A bondade e a perfeição radicam-se na misericórdia. Sem dúvida, Deus é perfeito. No entanto, se o considerarmos assim, para os homens será impossível tender para esta perfeição absoluta. Contudo, tê-lo diante dos olhos como misericordioso permite-nos entender melhor em que consiste a sua perfeição, impelindo-nos a ser como Ele, cheios de amor, compaixão, misericórdia. Mas questiono-me: são realistas as palavras de Jesus? É realmente possível amar como Deus ama, ser misericordioso como Ele?

Se olharmos para a história da salvação, veremos que toda a revelação de Deus é um amor incessante e incansável pelos homens: Deus é como um pai ou como uma mãe que ama com um amor insondável, derramando-o copiosamente sobre cada criatura. A morte de Jesus na cruz é o ápice da história de amor de Deus pelo homem. Um amor tão grande que só Deus o pode concretizar. É evidente que, comparado com este amor desmedido, o nosso amor será sempre imperfeito. Mas quando Jesus nos pede para ser misericordiosos como o Pai, não pensa na quantidade! Pede aos seus discípulos que se tornem sinal, canais, testemunhas da sua misericórdia.

E a Igreja não pode deixar de ser sacramento da misericórdia de Deus no mundo, em todos os tempos e para a humanidade inteira. Portanto, cada cristão está chamado a ser testemunha da misericórdia, e isto acontece no caminho da santidade. Pensemos em quantos santos se tornaram misericordiosos porque deixaram que seus corações se enchessem de misericórdia divina. Deram corpo ao amor do Senhor, derramando-o nas múltiplas necessidades da humanidade sofredora. Neste florescer de tantas formas de caridade é possível entrever os reflexos da face misericordiosa de Cristo.

Interroguemo-nos: para os discípulos, o que significa ser misericordiosos? Jesus explica-o com dois verbos: «perdoar» (v. 37) e «doar» (v. 38).

A misericórdia exprime-se antes de tudo no perdão: «Não julgueis e não sereis julgados; não condeneis e não sereis condenados; perdoai e sereis perdoados» (v. 37). Jesus não tenciona subverter o curso da justiça humana, mas recorda aos discípulos que para manter relações fraternas é preciso suspender o juízo e a condenação. Com efeito, o perdão é o pilar que sustenta a vida da comunidade cristã, porque é nele que se manifesta a gratuitidade do amor com que Deus nos amou primeiro. O cristão deve perdoar! Mas porquê? Porque foi perdoado. Todos nós que estamos hoje aqui, na praça, fomos perdoados. Todos nós, na nossa vida, tivemos necessidade do perdão de Deus. E dado que fomos perdoados, devemos perdoar. Recitamos todos os dias no Pai-Nosso: «Perdoai-nos os nossos pecados, perdoai-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido». Ou seja, perdoar as ofensas, perdoar tantas coisas, porque nós fomos perdoados de tantas ofensas, de tantos pecados. Assim, é fácil perdoar: se Deus me perdoou, por que razão não devo perdoar os outros? São maiores do que Deus? Este pilar do perdão mostra-nos a gratuitidade do amor de Deus, que nos amou primeiro. É errado julgar e condenar o irmão que peca. Não porque não queremos reconhecer o pecado, mas porque condenar o pecador interrompe o vínculo de fraternidade com ele e despreza a misericórdia de Deus, que no entanto não quer renunciar a nenhum dos seus filhos. Não temos o poder de condenar o nosso irmão que erra, não estamos acima dele: ao contrário, temos o dever de o resgatar para a dignidade de filho do Pai e de o acompanhar no seu caminho de conversão.

À sua Igreja, a nós, Jesus indica também um segundo pilar: «doar». Perdoar é o primeiro pilar; doar é o segundo. «Dai e ser-vos-á dado [...] também vós sereis julgados segundo a medida com a qual medirdes» (v. 38). Deus doa muito além dos nossos méritos, mas será ainda mais generoso com quantos, aqui na terra, tiverem sido generosos. Jesus não diz o que acontecerá com quantos não doam, mas a imagem da «medida» constitui uma admoestação: com a medida do amor que dermos, somos nós mesmos que decidimos como seremos julgados, como seremos amados. Observando bem, há uma lógica coerente: na medida em que se recebe de Deus, dá-se ao irmão; e na medida em que se dá ao irmão, recebe-se de Deus!

Por isso, o amor misericordioso é o único caminho a percorrer. Quanta necessidade temos todos nós de ser um pouco mais misericordiosos, de não falar mal do próximo, de não julgar, de não «depenar» os outros com críticas, invejas e ciúmes. Devemos perdoar, ser misericordiosos, viver a nossa existência no amor. Este amor permite que os discípulos de Jesus não percam a identidade recebida dele, reconhecendo-se como filhos do mesmo Pai. Assim, no amor que eles puserem em prática na vida reflete-se a Misericórdia que não conhece ocaso (cf. 1 Cor 13, 1-12). Mas não nos esqueçamos disto: misericórdia e dom; perdão e dom. É assim que o coração se dilata, abrindo-se ao amor. Ao contrário, o egoísmo e a raiva reduzem o coração, que se endurece como uma pedra. O que preferis, um coração de pedra ou um coração repleto de amor? Se escolherdes um coração cheio de amor, sede misericordiosos!

Saudações

Dirijo uma saudação cordial aos peregrinos de língua portuguesa, em particular a todos os fiéis brasileiros. Queridos amigos, ser misericordioso significa saber estender a mão, oferecer um sorriso, realizar um gesto de amor para com todos os que necessitam. Quando somos generosos, nunca nos faltam as bênçãos de Deus. Obrigado!

Hoje celebra-se o 23º dia mundial da doença de Alzheimer, que tem como tema: «Recorda-te de mim». Convido todos os presentes a «recordar-se», com a solicitude de Maria e a ternura de Jesus Misericordioso, de quantos sofrem desta enfermidade e dos seus familiares, para que sintam a nossa proximidade. Oremos também pelas pessoas que estão ao lado dos doentes, para que saibam sentir as suas necessidades, até as mais imperceptíveis, porque vistas com olhos cheios de amor.



Fonte: Vaticano




Angelus com o Papa Francisco - 18.09.2016


Praça São Pedro
Domingo, 18 de setembro de 2016








Bom dia, amados irmãos e irmãs!

Hoje Jesus leva-nos a refletir sobre dois estilos de vida opostos entre si: o mundano e o evangélico. O espírito do mundo não é o espírito de Jesus. E fá-lo mediante a narração da parábola do administrador infiel e corrupto, que é elogiado por Jesus não obstante a sua desonestidade (cf. Lc 16, 1-13). É necessário esclarecer imediatamente que este administrador não é apresentado como modelo a seguir, mas como exemplo de astúcia. Este homem é acusado de má gestão dos negócios do seu patrão e, antes de ser afastado, procura astutamente conquistar a benevolência dos devedores, perdoando-lhes uma parte da dívida para assegurar assim um futuro. Comentando este comportamento, Jesus observa: «Os filhos deste mundo são mais prudentes do que os filhos da luz no tratamento dos seus semelhantes» (v. 8).

A esta astúcia mundana nós somos chamados a responder com a astúcia cristã, que constitui um dom do Espírito Santo. Trata-se de se afastar do espírito e dos valores do mundo, que tanto agradam ao diabo, para viver segundo o Evangelho. E come si manifesta a mundanidade? A mundanidade manifesta-se com atitudes de corrupção, de engano e de opressão, constituindo o caminho mais errado, a senda do pecado, porque uma leva à outra! É como uma corrente, não obstante geralmente — é verdade! — seja o caminho mais fácil de percorrer. Ao contrário, o espírito do Evangelho exige um estilo de vida sério — sério mas alegre, repleto de júbilo! — sério e exigente, caracterizado pela honestidade, pela justiça, pelo respeito dos outros e da sua dignidade, pelo sentido do dever. Eis no que consiste a astúcia cristã!

O percurso da vida comporta necessariamente uma opção entre dois caminhos: entre honestidade e desonestidade, entre fidelidade e infidelidade, entre egoísmo e altruísmo, entre bem e mal. Não se pode oscilar entre uma e outra, porque se movem segundo lógicas diferentes e contrastantes. Ao povo de Israel, que caminhava por estas duas veredas, o profeta Elias dizia: «Vós claudicais com os dois pés!» (cf. 1 Rs 18, 21). É uma imagem bonita! É importante decidir que rumo tomar e depois, uma vez escolhida a direção certa, caminhar com impulso e determinação, confiando-se à graça do Senhor e ao amparo do seu Espírito. A conclusão deste trecho evangélico é forte e categórica: «Nenhum servo pode servir a dois senhores: ou há de odiar a um e amar o outro, ou há de estimar um e desprezar o outro» (Lc 16, 13).

Com este ensinamento, hoje Jesus exorta-nos a fazer uma escolha clara entre Ele e o espírito do mundo, entre a lógica da corrupção, da opressão e da avidez, e aquela da retidão, da mansidão e da partilha. Alguns comportam-se com a corrupção como com a droga: pensa que a pode usar e abandonar quando quiser. Começa-se com pouco: uma gorjeta aqui, um suborno ali... E entre esta e aquela, lentamente, perde-se a própria liberdade. Também a corrupção produz dependência, gerando pobreza, exploração e sofrimento. E quantas vítimas existem no mundo de hoje! Quantas vítimas desta corrupção difundida! Ao contrário, quando procuramos seguir a lógica evangélica da integridade, da transparência de intenções e comportamentos, da fraternidade, tornamo-nos artífices de justiça e abrimos horizontes de esperança para a humanidade. Assim, na doação gratuita e na entrega de nós mesmos aos irmãos, servimos o Senhor justo: Deus!

A Virgem Maria nos ajude a escolher em cada ocasião, e custe o que custar, o caminho reto, encontrando também a coragem de ir contra a corrente, para seguir Jesus e o seu Evangelho.



Depois do Angelus

Caros irmãos e irmãs!

Ontem em Codrongianos (Sassari, Sardenha) foi proclamada beata Elisabetta Sanna, mãe de família. Depois de ter ficado viúva, dedicou-se totalmente à oração e ao serviço dos doentes e dos pobres. O seu testemunho é modelo de caridade evangélica animada pela fé.

Hoje conclui-se em Génova o Congresso eucarístico nacional. Dirijo uma saudação particular a todos os fiéis ali congregados, enquanto faço votos a fim de que este acontecimento de graça reavive no povo italiano a fé no Santíssimo Sacramento da Eucaristia, no qual nós adoramos Cristo, fonte de vida e de esperança para cada homem.

Na próxima terça-feira irei a Assis para o encontro de oração pela paz, trinta anos depois do histórico encontro convocado por são João Paulo II. Convido as paróquias, as associações eclesiais e todos os fiéis do mundo inteiro a viver aquele dia como uma Jornada de oração pela paz. Hoje mais do que nunca temos necessidade de paz nesta guerra que está presente em toda a parte no mundo. Oremos pela paz! Seguindo o exemplo de são Francisco, homem de fraternidade e de mansidão, somos todos chamados a oferecer ao mundo um forte testemunho do nosso compromisso comum em prol da paz e da reconciliação entre os povos. Assim terça-feira, permaneçamos todos unidos em oração: cada um dedique um pouco de tempo, quanto puder, para rezar pela paz. O mundo inteiro unido!

Saúdo com afeto todos vós, romanos e peregrinos provenientes de vários países. Em particular, saúdo os fiéis da diocese de Colónia e aqueles de Marianopoli.

Desejo feliz domingo a todos. E, por favor, não vos esqueçais de rezar por mim. Bom almoço e até à próxima!



Fonte: Vaticano




domingo, 18 de setembro de 2016

Evangelho do XXV Domingo do Tempo Comum - Ano C


São Lucas 16, 1-13

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: "Um homem rico tinha um administrador que foi denunciado por andar a desperdiçar os seus bens. Mandou chamá-lo e disse-lhe: ‘Que é isto que ouço dizer de ti? Presta contas da tua administração, porque já não podes continuar a administrar’. O administrador disse consigo: ‘Que hei-de fazer, agora que o meu senhor me vai tirar a administração? Para cavar não tenho força, de mendigar tenho vergonha. Já sei o que hei-de fazer, para que, ao ser despedido da administração, alguém me receba em sua casa’. Mandou chamar um por um os devedores do seu senhor e disse ao primeiro: ‘Quanto deves ao meu senhor?’. Ele respondeu: ‘Cem talhas de azeite’. O administrador disse-lhe: ‘Toma a tua conta: senta-te depressa e escreve cinquenta’. A seguir disse a outro: ‘E tu quanto deves?’ Ele respondeu: ‘Cem medidas de trigo’. Disse-lhe o administrador: ‘Toma a tua conta e escreve oitenta’. E o senhor elogiou o administrador desonesto, por ter procedido com esperteza. De facto, os filhos deste mundo são mais espertos do que os filhos da luz, no trato com os seus semelhantes. Ora Eu digo-vos: Arranjai amigos com o vil dinheiro, para que, quando este vier a faltar, eles vos recebam nas moradas eternas.Quem é fiel nas coisas pequenas também é fiel nas grandes; e quem é injusto nas coisas pequenas, também é injusto nas grandes. Se não fostes fiéis no que se refere ao vil dinheiro, quem vos confiará o verdadeiro bem? E se não fostes fiéis no bem alheio, quem vos entregará o que é vosso? Nenhum servo pode servir a dois senhores, porque, ou não gosta de um deles e estima o outro, ou se dedicará a um e desprezará o outro. Não podeis servir a Deus e ao dinheiro".



Catequese com o Papa Francisco - 14.09.2016


Praça São Pedro
Quarta-feira, 14 de setembro de 2016









Bom dia, prezados irmãos e irmãs!

Durante este Jubileu refletimos várias vezes sobre o modo como Jesus se exprime com uma ternura singular, sinal da presença e da bondade de Deus. Hoje meditamos sobre um trecho comovedor do Evangelho (cf. Mt 11, 28-30), no qual Jesus diz: «Vinde a mim, vós todos que estais aflitos, e Eu aliviar-vos-ei [...] Aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração, e encontrareis o repouso para as vossas almas» (vv. 28-29). O convite do Senhor é surpreendente: chama a segui-lo pessoas simples e oprimidas por uma vida difícil, chama a segui-lo pessoas com tantas necessidades, prometendo-lhes que nele encontrarão repouso e alívio. O convite é dirigido de forma imperativa: «Vinde a mim», «tomai o meu jugo», «aprendei de mim». Se todos os líderes do mundo pudessem dizer isto! Procuremos entender o significado destas palavras.

O primeiro imperativo é: «Vinde a mim». Dirigindo-se àqueles que estão cansados e oprimidos, Jesus apresenta-se como o Servo do Senhor, descrito no livro do profeta Isaías. Assim reza o trecho de Isaías: «O Senhor Deus deu-me a língua de discípulo para que eu saiba confortar pela palavra o que está abatido» (50, 4). Ao lado destes abatidos da vida, o Evangelho põe muitas vezes também os pobres (cf. Mt 11, 5), os mais pequeninos (cf. Mt 18, 6). Trata-se de quantos não podem contar com os próprios meios, nem com amizades importantes. Eles podem confiar só em Deus. Conscientes da sua condição humilde e miserável, sabem que dependem da misericórdia do Senhor e dele esperam a única ajuda possível. No convite de Jesus finalmente encontram resposta à sua expetativa: tornando-se seus discípulos recebem a promessa de encontrar alívio para toda a sua vida. Uma promessa que no final do Evangelho é ampliada a todos: «Ide, pois — diz Jesus aos Apóstolos — e ensinai a todas as nações...» (Mt 28, 19). Aceitando o convite a celebrar este ano de graça do Jubileu, no mundo inteiro os peregrinos passam pela Porta da Misericórdia aberta nas catedrais, nos santuários, em muitas igrejas do mundo, nos hospitais, nas prisões. Por que passam pela Porta da Misericórdia? Para encontrar Jesus, a amizade de Jesus, o alívio que só Jesus oferece. Este caminho exprime a conversão de cada discípulo que se põe no seguimento de Jesus. E a conversão consiste sempre em descobrir a misericórdia do Senhor. Ela é infinita e inesgotável: é grande a misericórdia do Senhor! Portanto, atravessando a Porta Santa professamos «que o amor está presente no mundo e que o amor é mais forte do que todo mal em que o homem, a humanidade e o mundo estão envolvidos» (João Paulo II, Enc. Dives in misericordia, 7).

O segundo imperativo diz: «Tomai o meu jugo». No contexto da Aliança, a tradição bíblica usa a imagem do fardo para indicar o vínculo estreito que une o povo a Deus e, portanto, a submissão à sua vontade expressa na Lei. Na controvérsia com os escribas e os doutores da lei, Jesus põe sobre os seus discípulos o seu jugo, no qual a Lei encontra o seu cumprimento. Quer ensinar-lhes a descobrir a vontade de Deus, mediante a sua pessoa: através de Jesus, não por meio de leis e prescrições frias que o próprio Jesus condena. É suficiente ler o capítulo 23 de Mateus! Ele está no centro da sua relação com Deus, no núcleo das relações entre os discípulos e põe-se como fulcro da vida de cada um. Recebendo o «jugo de Jesus», cada discípulo entra em comunhão com Ele e participa no mistério da sua cruz e do seu destino de salvação.

Segue-se o terceiro imperativo: «Aprendei de mim». Aos seus discípulos Jesus indica um caminho de conhecimento e imitação. Jesus não é um mestre que impõe severamente a outros, pesos que Ele não carrega: era esta a acusação que fazia aos doutores da lei. Ele dirige-se aos humildes, frágeis, pobres, necessitados, porque Ele mesmo se fez pequenino e humilde. Entende os pobres e sofredores porque Ele mesmo é pobre, provado pelas dores. Para salvar a humanidade Jesus não trilhou um caminho fácil; ao contrário, a sua senda foi dolorosa e árdua. Como recorda a Carta aos Filipenses: «Humilhou-se, tornando-se obediente até à morte, e morte de cruz» (2, 8). O fardo dos pobres e oprimidos é o mesmo jugo que Ele carregou antes deles: por isso é suave. Ele carregou nos ombros as dores e os pecados da humanidade inteira. Para o discípulo, portanto, carregar o jugo de Jesus significa receber a sua revelação e aceitá-la: nele a misericórdia de Deus assumiu a pobreza do homem, oferecendo assim a todos a possibilidade da salvação. Mas por que é capaz Jesus de dizer isto? Porque Ele se fez tudo por todos, aproximou-se de todos, dos mais pobres! Era um pastor no meio do povo, dos pobres: labutava o dia inteiro com eles. Jesus não era um príncipe. É negativo para a Igreja, quando os pastores se tornam príncipes, longe do povo, distantes dos mais pobres: este não é o espírito de Jesus. Jesus repreendia estes pastores, dizendo ao povo: «Fazei o que eles dizem, não o que fazem».

Caros irmãos e irmãs, também nós temos momentos de fadiga e desilusão. Então, recordemos estas palavras do Senhor; elas dão-nos muita consolação e fazem-nos entender se pomos as nossas forças ao serviço do bem. Com efeito, às vezes o cansaço deriva da nossa confiança em coisas que não são essenciais, porque nos afastamos do que realmente tem valor na vida. O Senhor ensina-nos a não ter medo de o seguir, porque a esperança que temos nele não será desiludida. Assim, somos chamados a aprender dele o que significa viver de misericórdia para sermos instrumentos de compaixão. Viver de misericórdia para sermos instrumentos de compaixão: viver de misericórdia é sentir-se necessitado da misericórdia de Jesus, e quando nos sentimos carentes de perdão e consolação, aprendemos a ser misericordiosos com o próximo. Manter o olhar fixo no Filho de Deus faz-nos entender como é longo o caminho que ainda devemos percorrer; ao mesmo tempo, infunde-nos a alegria de saber que caminhamos com Ele e nunca estamos sozinhos. Ânimo, pois, coragem! Não deixemos que nos tirem a alegria de ser discípulos do Senhor. «Mas Padre, sou pecador, como posso fazer?» — «Deixa que o Senhor olhe para ti, abre o teu coração, sente sobre ti o seu olhar, a sua misericórdia, e o teu coração será cheio de alegria, do júbilo do perdão, se te aproximares para pedir perdão». Não permitamos que nos roubem a esperança de levar esta vida com Ele e com a força da sua consolação. Obrigado!

Saudações

Queridos peregrinos de língua portuguesa, sede bem-vindos! A todos vos saúdo, especialmente aos fiéis do Rio de Janeiro e de São José do Rio Pardo, convidando-vos a pedir ao Senhor uma fé grande para verdes a realidade com o olhar de Jesus e uma grande caridade para vos aproximardes das pessoas com o seu coração misericordioso. Confiai em Deus, como a Virgem Maria! De bom grado abençoo a vós e aos vossos entes queridos.

Enfim, dirijo um pensamento aos jovens, aos doentes e aos recém-casados. Hoje celebramos a Festa da Exaltação da Santa Cruz. Amados jovens, retomando depois das férias as atividades habituais, revigorai também o vosso diálogo com Deus, difundindo a sua luz e paz; diletos enfermos, encontrai alívio na Cruz do Senhor Jesus, que continua a sua obra de redenção na vida de cada homem; e vós, queridos recém-casados, procurai ter uma relação permanente com Cristo Crucificado, a fim de que o vosso amor seja cada vez mais genuíno, fecundo e duradouro.



Fonte: Vaticano



Angelus com o Papa Francisco - 11.09.2015


Praça São Pedro 
Domingo, 11 de setembro de 2016








Amados irmãos e irmãs, bom dia!

A liturgia de hoje propõe-nos o capítulo 15 do Evangelho de Lucas, considerado o capítulo da misericórdia, que reúne três parábolas com as quais Jesus responde aos murmúrios dos escribas e dos fariseus. Eles criticam o seu comportamento e dizem: «Este homem recebe e come com pessoas de má vida» (v. 2). Com estas três narrações, Jesus deseja fazer compreender que Deus Pai é o primeiro a ter uma atitude acolhedora e misericordiosa com os pecadores. Deus tem esta atitude. Na primeira parábola Deus é apresentado como um pastor que deixa as noventa e nove ovelhas para ir à procura da tresmalhada. Na segunda é comparado com uma mulher que perdeu uma moeda e a procura até a encontrar. Na terceira parábola Deus é imaginado como um pai que acolhe o filho que se tinha afastado; a figura do pai revela o coração de Deus, de Deus misericordioso, manifestado em Jesus.

Um elemento comum a estas parábolas é aquele expresso pelos verbos que significam alegrar-se juntos, fazer festa. O pastor chama amigos e vizinhos e diz-lhes: «Regozijai-vos comigo, achei a minha ovelha que se havia perdido» (v. 6); a mulher chama as amigas e as vizinhas e diz-lhes: «Regozijai-vos comigo, achei a dracma que tinha perdido» (v. 9); o pai diz ao outro filho: «Convinha, porém, fazermos festa, pois este teu irmão estava morto, e reviveu; estava perdido, e foi achado» (v. 32). Nas duas primeiras parábolas é ressaltada a alegria tão grande que era necessário partilhá-la com «amigos e vizinhos». Na terceira parábola é realçada a festa que parte do coração do pai misericordioso e se expande a toda a sua casa. Esta festa de Deus para quantos a Ele voltam arrependidos enquadra-se bem no Ano jubilar que estamos a viver, como diz o próprio termo «jubileu»!

Com estas três parábolas, Jesus apresenta-nos o rosto verdadeiro de Deus: um Pai de braços abertos, que trata os pecadores com ternura e compaixão. A parábola que mais comove — comove todos — porque manifesta o amor infinito de Deus, é a do pai que vai ao encontro e abraça o filho reencontrado. E o que admira não é tanto a história triste de um jovem que precipita na degradação, mas as suas palavras decisivas: «Levantar-me-ei e irei a meu pai» (v. 18). O caminho do regresso para casa é o da esperança e da vida nova. Deus espera sempre que recomecemos a viagem, espera por nós com paciência, vê-nos quando ainda estamos longe, vem ao nosso encontro, abraça-nos, beija-nos, perdoa-nos. Deus é assim! O nosso Pai é assim! E o seu perdão cancela o passado e regenera-nos no amor. Esquece o passado: esta é a debilidade de Deus. Quando nos abraça e nos perdoa, perde a memória, não tem memória! Esquece o passado. Quando nós pecadores nos convertemos e nos deixamos reencontrar por Deus não nos esperam reprovações e insensibilidades, porque Deus salva, volta a receber em casa com alegria e faz festa. O próprio Jesus, no Evangelho de hoje, diz assim: «Digo-vos que assim haverá maior júbilo no céu por um só pecador que fizer penitência do que por noventa e nove justos que não necessitam de arrependimento» (Lc 15, 7). Faço-vos uma pergunta: alguma vez pensastes que todas as vezes que nos aproximamos do confessionário há alegria e festa no céu? Pensastes nisto? É bom!

Isto infunde-nos grande esperança porque não há pecado em que tenhamos caído do qual, com a graça de Deus, não possamos ressurgir; não há uma pessoa irrecuperável, ninguém é irrecuperável! Porque Deus nunca deixa de querer o nosso bem, até quando pecamos! E que a Virgem Maria, Refúgio dos pecadores, faça brotar nos nossos corações a confiança que se acendeu no coração do filho pródigo: «Levantar-me-ei e irei a meu pai, e dir-lhe-ei: Meu pai, pequei» (v. 18). Por esta vereda, podemos dar alegria a Deus, e a sua alegria pode tornar-se a sua e a nossa festa.

Depois do Angelus

Queridos irmãos e irmãs!

Gostaria de convidar a fazer uma prece especial pelo Gabão, que está a atravessar um momento de grave crise política. Confio ao Senhor as vítimas dos confrontos e os seus familiares. Associo-me aos Bispos daquele amado país africano para convidar as partes a rejeitar qualquer violência e a ter sempre como objetivo o bem comum. Encorajo todos, em particular os católicos, a ser construtores de paz no respeito da legalidade, no diálogo e na fraternidade.

Hoje em Karaganda, no Cazaquistão, é proclamado beato Ladislau Bukowinski, sacerdote e pároco, perseguido por causa da sua fé. Quanto sofreu este homem! Quanto! Na sua vida demonstrou sempre grande amor aos mais débeis e necessitados e o seu testemunho é como um condensado das obras de misericórdia espirituais e corporais.

Saúdo com afeto todos vós, romanos e peregrinos provenientes de diversos países: famílias, grupos paroquiais, associações. A todos desejo bom domingo.

E por favor, não vos esqueçais de rezar por mim. Bom almoço e até à vista!




Fonte: Vaticano



domingo, 11 de setembro de 2016

Evangelho do XXIV Domingo do Tempo Comum - Ano C


São Lucas 15, 1-32

Naquele tempo, os publicanos e os pecadores aproximavam-se todos de Jesus, para O ouvirem. Mas os fariseus e os escribas murmuravam entre si, dizendo: "Este homem acolhe os pecadores e come com eles". Jesus disse-lhes então a seguinte parábola: "Quem de vós, que possua cem ovelhas e tenha perdido uma delas, não deixa as outras noventa e nove no deserto, para ir à procura da que anda perdida, até a encontrar? Quando a encontra, põe-na alegremente aos ombros e, ao chegar a casa, chama os amigos e vizinhos e diz-lhes: ‘Alegrai-vos comigo, porque encontrei a minha ovelha perdida’. Eu vos digo: Assim haverá mais alegria no Céu por um só pecador que se arrependa, do que por noventa e nove justos, que não precisam de arrependimento. Ou então, qual é a mulher que, possuindo dez dracmas e tendo perdido uma, não acende uma lâmpada, varre a casa e procura cuidadosamente a moeda até a encontrar? Quando a encontra, chama as amigas e vizinhas e diz-lhes: ‘Alegrai-vos comigo, porque encontrei a dracma perdida’. Eu vos digo: Assim haverá alegria entre os Anjos de Deus por um só pecador que se arrependa". Jesus disse-lhes ainda: "Um homem tinha dois filhos. O mais novo disse ao pai: ‘Pai, dá-me a parte da herança que me toca’. O pai repartiu os bens pelos filhos. Alguns dias depois, o filho mais novo, juntando todos os seus haveres, partiu para um país distante e por lá esbanjou quanto possuía, numa vida dissoluta. Tendo gasto tudo, houve uma grande fome naquela região e ele começou a passar privações. Entrou então ao serviço de um dos habitantes daquela terra, que o mandou para os seus campos guardar porcos. Bem desejava ele matar a fome com as alfarrobas que os porcos comiam, mas ninguém lhas dava. Então, caindo em si, disse: ‘Quantos trabalhadores de meu pai têm pão em abundância, e eu aqui a morrer de fome! Vou-me embora, vou ter com meu pai e dizer-lhe: Pai, pequei contra o Céu e contra ti. Já não mereço ser chamado teu filho, mas trata-me como um dos teus trabalhadores’. Pôs-se a caminho e foi ter com o pai. Ainda ele estava longe, quando o pai o viu: encheu-se de compaixão e correu a lançar-se-lhe ao pescoço, cobrindo-o de beijos. Disse-lhe o filho: ‘Pai, pequei contra o Céu e contra ti. Já não mereço ser chamado teu filho’. Mas o pai disse aos servos: ‘Trazei depressa a melhor túnica e vesti-lha. Ponde-lhe um anel no dedo e sandálias nos pés. Trazei o vitelo gordo e matai-o. Comamos e festejamos, porque este meu filho estava morto e voltou à vida, estava perdido e foi reencontrado’. E começou a festa. Ora o filho mais velho estava no campo. Quando regressou, ao aproximar-se da casa, ouviu a música e as danças. Chamou um dos servos e perguntou-lhe o que era aquilo. O servo respondeu-lhe: ‘O teu irmão voltou e teu pai mandou matar o vitelo gordo, porque ele chegou são e salvo’. Ele ficou ressentido e não queria entrar. Então o pai veio cá fora instar com ele. Mas ele respondeu ao pai: ‘Há tantos anos que eu te sirvo, sem nunca transgredir uma ordem tua, e nunca me deste um cabrito para fazer uma festa com os meus amigos. E agora, quando chegou esse teu filho, que consumiu os teus bens com mulheres de má vida, mataste-lhe o vitelo gordo’. Disse-lhe o pai: ‘Filho, tu estás sempre comigo e tudo o que é meu é teu. Mas tínhamos de fazer uma festa e alegrar-nos, porque este teu irmão estava morto e voltou à vida, estava perdido e foi reencontrado’".




Catequese com o Papa Francisco - 07.09.2016


Praça São Pedro
Quarta-feira, 7 de setembro de 2016









Bom dia, prezados irmãos e irmãs!

Ouvimos um trecho do Evangelho de Mateus (11, 2-6). A intenção do evangelista consiste em fazer-nos entrar mais profundamente no mistério de Jesus, para compreender a sua bondade e a sua misericórdia. O episódio é o seguinte: João Batista manda os seus discípulos ao encontro de Jesus — João estava na prisão — para lhe dirigir uma pergunta muito clara: «És Tu aquele que deve vir, ou devemos esperar por outro?» (v. 3). Era precisamente o momento da escuridão... João Batista esperava ansiosamente o Messias e, na sua pregação, já o descrevera com expressões fortes, como um juiz que finalmente teria instaurado o reino de Deus e purificado o seu povo, recompensando os bons e castigando os maus. E pregava assim: «O machado já está posto à raiz das árvores: toda a árvore que não produzir bons frutos será cortada e lançada ao fogo» (Mt 3, 10). Agora Jesus dá início à sua missão pública com um estilo diferente; João sofre porque se encontra numa dupla obscuridade: na escuridão do cárcere e de uma cela, e naquela do coração. Não entende o estilo de Jesus e quer saber se é precisamente Ele o Messias, ou então se deve esperar por outro.

E à primeira vista a resposta de Jesus não parece corresponder à interrogação de João Batista. Com efeito, Jesus diz: «Ide e contai a João o que ouvistes e o que vistes: os cegos veem, os coxos andam, os leprosos são limpos, os surdos ouvem, os mortos ressuscitam, o Evangelho é anunciado aos pobres... Bem-aventurado aquele para quem eu não for ocasião de escândalo!» (vv. 4-6). Aqui a intenção do Senhor Jesus torna-se clara: Ele responde que é o instrumento concreto da misericórdia do Pai, que vai ao encontro de todos, levando a consolação e a salvação, e deste modo manifesta o juízo de Deus. Os cegos, os coxos, os leprosos e os surdos recuperam a sua dignidade e já não vivem excluídos por causa da sua enfermidade, os mortos voltam a viver, enquanto aos pobres é anunciada a Boa Notícia. E esta torna-se a síntese do agir de Jesus, que desta forma torna visível e tangível a ação do próprio Deus.

A mensagem que a Igreja recebe desta narração da vida de Cristo é muito clara. Deus não mandou o seu Filho ao mundo para punir os pecadores, nem para aniquilar os malvados. Pelo contrário, é-lhes dirigido o convite à conversão, a fim de que, vendo os sinais da bondade divina, possam encontrar o caminho de volta. Como diz o Salmo: «Se tiverdes em conta os nossos pecados, Senhor / Senhor, quem poderá subsistir diante de vós? / Mas é em Vós que se encontra o perdão... / e é assim que vos temeremos» (130, 3-4).

A justiça que João Batista punha no centro da sua pregação, em Jesus manifesta-se em primeiro lugar como misericórdia. E as dúvidas do Precursor simplesmente antecipam a perplexidade que Jesus suscitará em seguida com os seus gestos e com as suas palavras. Então compreende-se a conclusão da resposta de Jesus. Ele diz: «Bem-aventurado aquele para quem eu não for ocasião de escândalo!» (v. 6). Escândalo significa «obstáculo». Por isso, Jesus chama a atenção para um perigo particular: se os obstáculos à crença são sobretudo as suas ações de misericórdia, isto significa que temos uma imagem falsa do Messias. Ao contrário, bem-aventurados aqueles que, diante dos gestos e das palavras de Jesus, dão glória ao Pai que está no Céu.

A admoestação de Jesus é sempre atual: ainda hoje o homem constrói imagens de Deus que lhe impedem de sentir a sua presença real. Alguns modelam uma fé «particular» que reduz Deus ao espaço limitado dos próprios desejos e das próprias convicções. Mas esta fé não é conversão ao Senhor que se revela; ao contrário, impede-lhe de estimular a nossa vida e a nossa consciência. Outros reduzem Deus a um ídolo falso; usam o seu nome santo para justificar os seus interesses ou até o ódio e a violência. Para outros ainda, Deus é somente um refúgio psicológico no qual se sentir seguro nos momentos difíceis: trata-se de uma fé fechada em si mesma, impermeável à força do amor misericordioso de Jesus que impele rumo aos irmãos. E outros ainda consideram Cristo apenas um bom mestre de ensinamentos éticos, um dos tantos da história. Há finalmente aqueles que sufocam a fé numa relação puramente intimista com Jesus, anulando o seu impulso missionário, capaz de transformar o mundo e a história. Nós cristãos acreditamos no Deus de Jesus Cristo, e o nosso desejo consiste em crescer na experiência viva do seu mistério de amor.

Por conseguinte, comprometamo-nos a não opor obstáculo algum à ação misericordiosa do Pai, mas peçamos o dom de uma fé grande para nos tornarmos, também nós, sinais e instrumentos de misericórdia.

Saudações

Dirijo uma saudação cordial aos peregrinos vindos de Portugal, de Moçambique e do Brasil, particularmente os grupos de Faro, Funchal, Maputo e Aparecida, acompanhados pelos seus respetivos Bispos. Queridos amigos, faço votos de que esta romaria possa reavivar em vós a fé no Deus de Jesus Cristo, que nos ensina que a misericórdia é mais forte que qualquer pecado! Que Deus abençoe a cada um de vós!

Uma cordial saudação aos peregrinos de língua árabe, de modo particular aos provenientes da Síria, do Líbano e do Médio Oriente. Deus não enviou o seu Filho para condenar o mundo, nem para punir os malvados, mas para convidar todos à conversão e à salvação. A justiça, que representava o cerne da pregação de João Batista, revelou-se nas obras e nas palavras de Jesus, antes de tudo como misericórdia. Portanto, «bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia» (Mt 5, 7). O Senhor abençoe todos e vos proteja do maligno!

Uma saudação especial aos jovens, aos doentes e aos recém-casados. No domingo passado pudemos celebrar a canonização de madre Teresa de Calcutá. Prezados jovens, tornai-vos como ela, artífices de misericórdia; amados doentes, senti a sua proximidade compassiva, de modo particular na hora da cruz; e vós, caros recém-casados sede generosos: invocai-a para que nas famílias nunca falte esmero e atenção aos mais frágeis.




Fonte: Vaticano




Angelus com o Papa Francisco - 04.09.2016


Praça São Pedro
Domingo, 4 de setembro de 2016








Prezados irmãos e irmãs!

Enquanto nos preparamos para encerrar esta celebração, desejo saudar e agradecer a todos vós que nela participastes.

Antes de tudo às Missionárias e aos Missionários da Caridade, que constituem a família espiritual de Madre Teresa. A vossa santa Fundadora vele sempre sobre o vosso caminho e vos conceda ser fiéis a Deus, à Igreja e aos pobres.

Saúdo com grata deferência as altas Autoridades aqui presentes, de modo particular as provenientes dos países mais ligados à figura da nova Santa, assim como as Delegações oficiais e os numerosos peregrinos vindos de tais países para esta feliz circunstância. Deus abençoe as vossas Nações!

É com carinho que saúdo todos vós, estimados voluntários e agentes de misericórdia. Confio-vos à proteção de Madre Teresa: ela vos ensine a contemplar e adorar todos os dias Jesus Crucificado, para o reconhecer e servir nos irmãos em necessidade. Peçamos esta graça também para aqueles que estão unidos a nós através dos mass media, de todas as partes do mundo.

Neste momento gostaria de recordar aqueles que se dedicam ao serviço dos irmãos em contextos difíceis e arriscados. Penso especialmente nas numerosas religiosas que consagram a sua vida sem se poupar. Oremos de maneira particular pela religiosa missionária espanhola, Irmã Isabel, que há dois dias foi assassinada na capital do Haiti, um país profundamente provado, para o qual desejo que cessem tais gestos de violência e haja maior segurança para todos. Recordemos também outras religiosas que, recentemente, padeceram violências noutros países.

Façamo-lo, dirigindo-nos em oração à Virgem Maria, Mãe e Rainha de todos os santos.




Fonte: Vaticano




domingo, 4 de setembro de 2016

Evangelho do XXIII Domingo do Tempo Comum - Ano C


São Lucas 14, 25-33

Naquele tempo, seguia Jesus uma grande multidão. Jesus voltou-Se e disse-lhes: "Se alguém vem ter comigo, sem Me preferir ao pai, à mãe, à esposa, aos filhos, aos irmãos, às irmãs e até à própria vida, não pode ser meu discípulo. Quem não toma a sua cruz para Me seguir, não pode ser meu discípulo. Quem de vós, que, desejando construir uma torre, não se senta primeiro a calcular a despesa, para ver se tem com que terminá-la? Não suceda que, depois de assentar os alicerces, se mostre incapaz de a concluir e todos os que olharem comecem a fazer troça, dizendo: ‘Esse homem começou a edificar, mas não foi capaz de concluir’. E qual é o rei que parte para a guerra contra outro rei e não se senta primeiro a considerar se é capaz de se opor, com dez mil soldados, àquele que vem contra ele com vinte mil? Aliás, enquanto o outro ainda está longe, manda-lhe uma delegação a pedir as condições de paz. Assim, quem de entre vós não renunciar a todos os seus bens, não pode ser meu discípulo".




Catequese com o Papa Francisco - 31.08.2016


Praça São Pedro
Quarta-feira, 31 de agosto de 2016








Bom dia, queridos irmãos e irmãs!

O Evangelho que ouvimos apresenta-nos uma figura que sobressai pela sua fé e coragem. Trata-se da mulher que Jesus curou da sua perda de sangue (cf. Mt 9, 20-22). Passando pelo meio da multidão, aproxima-se de Jesus pelas costas para tocar a orla do seu manto. «Dizia consigo mesma: se eu tocar a sua túnica, serei curada» (v. 21). Quanta fé! Como era grande a fé desta mulher! Ela raciocina assim porque se sente animada por tanta fé e tanta esperança e, com um pouco de astúcia, realiza o que tem no seu coração. O desejo de ser salva por Jesus é tão grande que a impele além das prescrições estabelecidas pela lei de Moisés. Com efeito, desde há muitos anos esta pobre mulher não só está doente, mas é também considerada impura, porque sofre de hemorragias (cf. Lv 15, 19-30). Por isso, é excluída das liturgias, da vida conjugal, dos relacionamentos normais com o próximo. O evangelista Marcos acrescenta que ela já tinha consultado muitos médicos, esgotando os seus meios para os pagar e suportando curas dolorosas, mas só tinha piorado. Era uma mulher descartada da sociedade. É importante considerar esta condição — de descarte — para compreender o seu estado de espírito: ela sente que Jesus pode libertá-la da enfermidade e da condição de marginalização e de indignidade em que se encontra há anos. Em síntese: sabe, sente que Jesus pode salvá-la.

Este caso faz refletir sobre o modo como esta mulher é muitas vezes vista e representada. Todos estamos alertados, inclusive as comunidades cristãs, contra visões da feminilidade deturpadas por preconceitos e suspeitas lesivas da sua dignidade intangível. Neste sentido, são precisamente os Evangelhos que restabelecem a verdade e reconduzem a um ponto de vista liberatório. Jesus admirou a fé desta mulher que todos evitavam, transformando a sua esperança em salvação. Não sabemos qual é o seu nome, mas as poucas linhas com que os Evangelhos descrevem o seu encontro com Jesus delineiam um itinerário de fé capaz de restabelecer a verdade e a grandeza da dignidade de cada pessoa. No encontro com Cristo abre-se para todos, homens e mulheres de qualquer lugar e tempo, o caminho da libertação e da salvação.

O Evangelho de Mateus diz que quando a mulher tocou o manto de Jesus, Ele «virou-se», «viu-a» (v. 22) e depois dirigiu-lhe a palavra. Como dizíamos, devido à sua condição de exclusão, a mulher agiu às escondidas, por detrás de Jesus, com um pouco de medo, para não ser vista porque era uma descartada. Mas Jesus vê-a e o seu olhar não é de reprovação, Ele não diz: «Vai embora, és uma descartada!», como se dissesse: «Tu és uma leprosa, vai embora!». Não, não a repreende, mas o olhar de Jesus é cheio de misericórdia e ternura. Ele sabe o que aconteceu e procura o encontro pessoal com ela, aquilo que no fundo a própria mulher desejava. Isto significa que Jesus não apenas a recebe, mas também a considera digna de tal encontro, a ponto de lhe conceder a sua palavra e a sua atenção.

Na parte central da narração, o termo salvação é repetido três vezes. «Se eu tocar a sua túnica, serei curada. Jesus virou-se, viu-a e disse: “Ânimo, minha filha, a tua fé te salvou!”. E a partir daquele instante, a mulher foi salva» (vv. 21-22). A expressão «Ânimo, minha filha» manifesta toda a misericórdia de Deus por aquela pessoa e por cada pessoa descartada. Quantas vezes nos sentimos interiormente descartados por causa dos nossos pecados, pois cometemos muitos, tantos... E o Senhor diz-nos: «Coragem, vem! Para mim tu não és um descartado, uma descartada. Ânimo, minha filha! Tu és um filho, uma filha!». E este é o momento da graça, o instante do perdão, o tempo da inclusão na existência de Jesus, na vida da Igreja. É o momento da misericórdia. Hoje a todos nós, pecadores, que somos grandes ou pequenos pecadores, mas todos o somos, a todos o Senhor diz: «Coragem, vem! Já não és um descartado, já não és uma descartada: eu perdoo-te, abraço-te!». Esta é a misericórdia de Deus. Devemos ter a coragem de ir ao seu encontro, pedir perdão pelos nossos pecados e seguir em frente, com coragem, a exemplo desta mulher. Depois, a «salvação» adquire múltiplas conotações: antes de tudo, restitui a saúde à mulher; em seguida, liberta-a das discriminações sociais e religiosas; além disso, realiza a esperança que ela trazia no coração, anulando os seus temores e o seu desânimo; finalmente, restitui-a à comunidade, livrando-a da necessidade de agir às escondidas. E este último elemento é importante: uma pessoa descartada age sempre às escondidas, de vez em quanto ou durante a vida inteira: pensemos nos leprosos daquela época, nos desabrigados de hoje... pensemos nos pecadores, em nós, pecadores: fazemos sempre algo às escondidas, temos necessidade de fazer alguma coisa secretamente, porque nos envergonhamos daquilo que somos... Ele livra-nos disto, Jesus liberta-nos, põe-nos de pé: «Levanta-te, vem, permanece em pé!». Do mesmo modo como Deus nos criou: Deus criou-nos de pé, não humilhados. De pé. A salvação que Jesus oferece é total, reintegra a vida da mulher na esfera do amor de Deus e, ao mesmo tempo, restabelece-a na sua plena dignidade.

Em síntese, não é o manto tocado pela mulher que lhe confere a salvação, mas a palavra de Jesus recebida na fé, capaz de a consolar, curar e restabelecer na relação com Deus e com o seu povo. Jesus é a única nascente de bênçãos da qual brota a salvação para todos os homens, e a fé constitui a disposição fundamental para a acolher. Com o seu comportamento cheio de misericórdia, Jesus indica mais uma vez à Igreja a senda a percorrer para ir ao encontro de cada pessoa, para que cada um possa ser curado no corpo e no espírito, recuperando a dignidade de filho de Deus. Obrigado!

Saudações

Saúdo a todos os peregrinos de língua portuguesa, em particular aos sacerdotes do Pontifício Colégio Pio Brasileiro em Roma, aos tripulantes da Marinha do Brasil e aos fiéis de Vitória. Queridos amigos, Jesus vos chama a levar a alegria e a consolação do Evangelho a todos os homens e mulheres, como suas autênticas testemunhas! Que Deus vos abençoe a todos!

Dirijo uma saudação particular aos jovens, aos doentes e aos recém-casados. O martírio heróico de são João Batista — que recordamos segunda-feira — vos inspire, caros jovens, a projetar o vosso porvir sem comprometimentos com o Evangelho; vos ajude, amados doentes, a ser intrépidos, encontrando a tranquilidade e o alívio em Cristo crucificado; e vos leve, diletos recém-casados, a um profundo amor a Deus e entre vós, para experimentardes cada dia a alegria consoladora que brota do dom recíproco de si.




Fonte: Vaticano




Angelus com o Papa Francisco - 28.08.2016


Praça São Pedro
Domingo, 28 de agosto de 2016








Bom dia, diletos irmãos e irmãs!

O episódio do Evangelho de hoje mostra-nos Jesus na casa de um dos chefes dos fariseus, que observava com atenção como os convidados para o almoço se preocupam em escolher os primeiros lugares. É uma cena que vimos muitas vezes: procurar o melhor lugar, até «com os cotovelos». Ao ver esta cena, ele narra duas breves parábolas com as quais oferece duas indicações: uma relativa ao lugar e a outra à recompensa.

A primeira semelhança é ambientada num banquete nupcial. Jesus diz: «Quando fores convidado para as bodas, não te ponhas no primeiro lugar, pois pode ser que seja convidada outra pessoa mais importante do que tu, e aquele que te convidou te diga: “Cede o lugar a este!”... Mas, quando fores convidado, ocupa o último lugar» (Lc 14, 8-10). Com esta recomendação, Jesus não tenciona dar normas de comportamento social, mas uma lição sobre o valor da humildade. A história ensina que o orgulho, o arrivismo, a vaidade e a ostentação são causas de muitos males. E Jesus faz-nos compreender a necessidade de escolher o último lugar, ou seja, de procurar a pequenez e o escondimento: a humildade. Quando nos colocamos diante de Deus nesta dimensão de humildade, Deus exalta-nos, debruça-se sobre nós para nos elevar a Si; «porque todo aquele que se exaltar será humilhado, e todo o que se humilhar será exaltado» (v. 11).

As palavras de Jesus sublinham atitudes completamente diferentes e opostas: a atitude daquele que escolhe o próprio lugar e a atitude de quem deixa que Deus lho atribua e dele espera a recompensa. Não o esqueçamos: Deus paga muito mais do que os homens! Ele reserva-nos um lugar muito melhor do que aquele que nos dão os homens! O lugar que Deus nos dá está próximo do seu coração, e a sua recompensa é a vida eterna. «Serás feliz... — diz Jesus — receberás a tua recompensa na ressurreição dos justos» (v. 14).

É quanto se descreve na segunda parábola, na qual Jesus indica a atitude de abnegação que deve caracterizar a hospitalidade; Ele diz assim: «Quando ofereceres uma ceia, convida os pobres, os aleijados, os coxos e os cegos. Serás feliz porque eles não podem retribuir-te» (vv. 13-14). Trata-se de escolher a gratuitidade, em vez do cálculo oportunista que deseja alcançar uma recompensa, que busca o interesse e que procura enriquecer-se ulteriormente. Com efeito os pobres, os simples e aqueles que não contam nunca poderão retribuir o convite para uma ceia. Assim Jesus demonstra a sua preferência pelos pobres e excluídos, que são os privilegiados do Reino de Deus, e lança a mensagem fundamental do Evangelho, que consiste em servir o próximo por amor a Deus. Hoje Jesus faz-se voz de quantos não a têm, dirigindo a cada um de nós um apelo urgente a abrir o coração e a fazer nossos os sofrimentos e os anseios dos pobres, famintos, marginalizados, refugiados, derrotados da vida e daqueles que são descartados pela sociedade e pela prepotência dos mais fortes. E na realidade estes descartados representam a esmagadora maioria da população.

Neste momento, penso com gratidão nos refeitórios onde tantos voluntários oferecem o próprio serviço, dando de comer a pessoas sozinhas, deserdadas, desempregadas ou desabrigadas. Estes refeitórios e outras obras de misericórdia — como visitar os doentes, os presos... — são escolas de caridade que propagam a cultura da gratuitidade, porque aqueles que aí trabalham são impelidos pelo amor a Deus e iluminados pela sabedoria do Evangelho. Assim o serviço aos irmãos torna-se testemunho de amor, que torna crível e visível o amor de Cristo.

Peçamos à Virgem Maria que nos conduza todos os dias pelo caminho da humildade, Ela que foi humilde durante a sua vida inteira, e que nos torne capazes de fazer gestos gratuitos de acolhimento e de solidariedade a favor dos marginalizados, para nos tornarmos dignos da recompensa divina.



Depois do Angelus

Desejo renovar a minha proximidade espiritual aos habitantes do Lácio, das Marcas e da Úmbria, duramente atingidas pelo tremor de terra destes dias. Penso de modo particular nas populações de Amatrice, Accumoli, Arquata e Pescara del Tronto, Norcia. Digo mais uma vez àquelas amadas populações que a Igreja compartilha o seu sofrimento e as suas preocupações. Oremos pelos falecidos e pelos sobreviventes. A solicitude com a qual as autoridades, as forças da ordem, a proteção civil e os voluntários continuam a trabalhar demonstra como a solidariedade é importante para superar provações tão dolorosas. Estimados irmãos e irmãs, assim que for possível também eu espero poder visitar-vos, para vos levar pessoalmente o conforto da fé, o abraço de pai e de irmão, o amparo da esperança cristã. Todos juntos, rezemos por estes irmãos e irmãs:

Ave Maria...

Ontem, em Santiago del Estero, na Argentina, foi proclamada Beata a Irmã Maria Antonia de San José; que o povo chama «Mama Antula». O seu exemplar testemunho cristão, especialmente o seu apostolado na promoção dos Exercícios espirituais, possam suscitar o desejo de aderir cada vez mais a Cristo e ao Evangelho.

Na próxima quinta-feira, 1 de setembro, celebraremos o Dia mundial de oração pelo cuidado da Criação, juntamente com os irmãos ortodoxos e de outras Igrejas: será uma ocasião para fortalecer o compromisso comum em prol da salvaguarda da vida, no respeito pelo meio ambiente e pela natureza.

Saúdo agora todos os peregrinos provenientes da Itália e de vários países, de maneira especial os ministrantes de Kleinraming (Áustria); os Marinheiros do Navio-Escola «Fragata Libertad», eu disse-o em espanhol, porque a terra atrai; os fiéis de Gonzaga, Spirano, Brembo, Cordenons e Daverio; e os jovens de Venaria, Val Liona, Angarano, Moncalieri e Tombelle.

Desejo feliz domingo a todos e, por favor, não vos esqueçais de rezar por mim. Bom almoço e até à próxima!




Fonte: Vaticano



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