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domingo, 30 de outubro de 2016

Evangelho do XXXI Domingo do Tempo Comum - Ano C


Lucas 19, 1-10

Naquele tempo, Jesus entrou em Jericó e começou a atravessar a cidade. Vivia ali um homem rico chamado Zaqueu, que era chefe de publicanos. Procurava ver quem era Jesus, mas, devido à multidão, não podia vê-l’O, porque era de pequena estatura. Então correu mais à frente e subiu a um sicômoro, para ver Jesus, que havia de passar por ali. Quando Jesus chegou ao local, olhou para cima e disse-lhe: "Zaqueu, desce depressa, que Eu hoje devo ficar em tua casa". Ele desceu rapidamente e recebeu Jesus com alegria. Ao verem isto, todos murmuravam, dizendo: "Foi hospedar-Se em casa dum pecador". Entretanto, Zaqueu apresentou-se ao Senhor, dizendo: "Senhor, vou dar aos pobres metade dos meus bens e, se causei qualquer prejuízo a alguém, restituirei quatro vezes mais". Disse-lhe Jesus: "Hoje entrou a salvação nesta casa, porque Zaqueu também é filho de Abraão. Com efeito, o Filho do homem veio procurar e salvar o que estava perdido".







Catequese com o Papa Francisco - 26.10.2016


Quarta-feira, 26 de outubro de 2016








Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

Prossigamos a reflexão sobre as obras de misericórdia corporais, que o Senhor Jesus nos confiou a fim de que a nossa fé se mantenha sempre viva e dinâmica. De facto, estas obras tornam evidente que os cristãos não estão cansados nem são preguiçosos na expetativa do encontro final com o Senhor, mas que todos os dias vão ter com Ele, reconhecendo o seu rosto naquele de tantas pessoas que pedem ajuda. Hoje meditemos sobre esta palavra de Jesus: «Era estrangeiro e acolhestes-me; estava nu e vestistes-me» (Mt 25, 35-36). No nosso tempo é atual como nunca a obra relativa aos estrangeiros. A crise econômica, os conflitos armados e as mudanças climáticas impelem muitas pessoas a emigrar. Contudo, as migrações não são um fenômeno novo, mas pertencem à história da humanidade. Consiste em falta de memória histórica pensar que elas sejam próprias apenas da nossa época.

A Bíblia oferece-nos muitos exemplos concretos de migração. É suficiente pensar em Abraão. A chamada de Deus impeliu-o a deixar o seu país e ir para outro: «Deixa a tua terra, a tua família e a casa de teu pai e vai para a terra que eu te mostrar» (Gn12, 1). E assim aconteceu também para o povo de Israel, que do Egito, onde era escravo, caminhou durante quarenta dias no deserto até alcançar a terra prometida por Deus. A própria Sagrada Família — Maria, José e o menino Jesus — foi obrigada a emigrar para fugir das ameaças de Herodes: «José levantou-se durante a noite, tomou o menino e sua mãe e partiu para o Egito. Ali permaneceu até à morte de Herodes» (Mt 2, 14-15). A história da humanidade é feita de migrações: em cada latitude não há povo que não tenha conhecido o fenômeno migratório.

A propósito, durante os séculos assistimos a grandes expressões de solidariedade, embora não tenham faltado também tensões sociais. Hoje, o contexto de crise econômica infelizmente favorece o emergir de comportamentos de fechamento e não acolhimento. Nalgumas partes do mundo erguem-se muros e barreiras. Às vezes parece que a obra silenciosa de muitos homens e mulheres que, de várias maneiras, se prodigalizam para ajudar e assistir os refugiados e os migrantes seja obscurecida pelo rumor de outros que dão voz a um egoísmo instintivo. Contudo o fechamento não é uma solução, pelo contrário, acaba por favorecer os tráficos criminosos. A única solução é a solidariedade. Solidariedade com o migrante, solidariedade com o estrangeiro...

Hoje o compromisso dos cristãos neste âmbito é urgente assim como era no passado. Observando só o século passado, recordamos a admirável figura de Santa Francisca Cabrini, que dedicou a sua vida juntamente com as suas companheiras aos migrantes rumo aos Estados Unidos da América. Também hoje precisamos destes testemunhos a fim de que a misericórdia possa alcançar muitos necessitados. É um compromisso que envolve todos, sem exclusão. As dioceses, as paróquias, os institutos de vida consagrada, as associações e os movimentos, assim como cada cristão, todos são chamados a acolher os irmãos e as irmãs que fogem da guerra, da fome, da violência e das condições de vida desumanas. Todos juntos somos uma grande força de apoio para quantos perderam pátria, família, trabalho e dignidade. Há alguns dias aconteceu uma pequena história urbana. Havia um refugiado à procura de uma rua e uma senhora aproximando-se dele, disse-lhe: «O senhor está a procurar algo?». O refugiado, que estava descalço, respondeu: «Gostaria de ir à praça de São Pedro para atravessar a Porta Santa». E a senhora pensou: «Mas sem sapatos como fará para caminhar?». E chamou um táxi. Mas o migrante, aquele refugiado cheirava mal e o motorista do táxi quase não o deixava entrar, mas no final aceitou levá-lo. E a senhora, ao lado dele, durante o percurso perguntou-lhe sobre a sua história de refugiado e de migrante: dez minutos para chegar à praça. O homem narrou a sua história de dor, de guerra, de fome e a razão pela qual fugiu da sua pátria para migrar para aqui. Quando chegaram, a senhora abriu a bolsa para pagar o táxi e o taxista, que no início não queria que o migrante entrasse porque cheirava mal, disse à senhora: «Não, senhora, sou eu que devo pagar-lhe porque me fez ouvir uma história que mudou o meu coração». Esta senhora sabia o que significa a dor de um migrante porque tem sangue arménio e conhece o sofrimento do seu povo. Quando fazemos algo deste tipo, no início não aceitamos porque nos incomoda um pouco, «... o mau cheiro...». Mas no final, a história perfuma-nos a alma e faz-nos mudar. Pensai nesta história e pensemos no que podemos fazer pelos refugiados.

Outro aspeto é vestir quem está nu: o que significa senão restituir dignidade a quem a perdeu? Certamente, dando roupas a quem não as tem; mas pensemos também nas mulheres vítimas do tráfico obrigadas a estar pelas ruas, ou noutras pessoas, são demasiados os modos de usar o corpo humano como mercadoria, até dos menores. E também não ter um trabalho, uma casa, um salário justo é uma forma de nudez, ou ser discriminados pela raça, pela fé, são todas formas de «nudez», diante das quais como cristãos somos chamados a estar atentos, vigilantes e prontos a agir.

Queridos irmãos e irmãs, não caiamos na armadilha de nos fecharmos em nós mesmos, indiferentes às necessidades dos irmãos e preocupados só com os nossos interesses. É precisamente na medida em que nos abrimos aos outros que a vida se torna fecunda, as sociedades restabelecem a paz e as pessoas recuperam a sua plena dignidade. E não vos esqueçais daquela senhora, do migrante que cheirava mal, nem do taxista ao qual o migrante mudou a alma.

Saudações

Dirijo uma saudação cordial aos peregrinos de língua portuguesa, particularmente aos fiéis das várias paróquias do Brasil e de Portugal. Queridos amigos, não deixemos de nos fazer solidários com os mais necessitados, lembrando que, quando os acolhemos, tocamos na carne sofredora de Cristo. Deus vos abençoe! Obrigado.



Fonte: Vaticano




Angelus com o Papa Francisco - 23.10.2016


Praça São Pedro
Domingo, 23 de outubro de 2016









Amados irmãos e irmãs, bom dia!

A segunda leitura da Liturgia do dia apresenta-nos a exortação de São Paulo a Timóteo, seu colaborador e filho dileto, na qual reconsidera a própria existência de apóstolo totalmente consagrado à missão (cf. 2 Tm 4, 6-8.16-18). Vendo já próximo o fim do seu caminho terreno, descreve-o com referência a três estações: o presente, o passado, o futuro.

O presente, interpreta-o com a metáfora do sacrifício: «a hora já chegou de eu ser sacrificado» (v. 6). No respeitante ao passado, Paulo indica a sua vida passada com as imagens do «bom combate» e da «corrida» de um homem que foi coerente com os próprios compromissos e responsabilidades (cf. v. 7); por conseguinte, para o futuro confia no reconhecimento por parte de Deus, que é «juiz justo» (v. 8). Mas a missão de Paulo só resultou eficaz, justa e fiel graças à proximidade e à força do Senhor, que fez dele um anunciador do Evangelho a todos os povos. Eis a sua expressão: «Mas o Senhor assistiu-me e fortaleceu-me, para que, por mim, fosse cumprida a pregação e todos os gentios a ouvissem» (v. 17).

Nesta narração autobiográfica de São Paulo reflete-se a Igreja, especialmente hoje, Dia Missionário Mundial, cujo tema é «Igreja missionária, testemunha de misericórdia». Em Paulo a comunidade cristã encontra o seu modelo, na convicção de que é a presença do Senhor que torna eficaz o trabalho apostólico e a obra de evangelização. A experiência do Apóstolo dos gentios recorda-nos que nos devemos comprometer nas atividades pastorais e missionárias, por um lado, como se o resultado dependesse dos nossos esforços, com o espírito de sacrifício do atleta que não pára nem sequer diante das derrotas; mas por outro lado, sabendo que o verdadeiro sucesso da nossa missão é dom da Graça: é o Espírito Santo que torna eficaz a missão da Igreja no mundo.

Hoje é tempo de missão e de coragem! Coragem para reforçar os passos vacilantes, de retomar o gosto de se consumir pelo Evangelho, de readquirir confiança na força que a missão tem em si. É tempo de coragem, mesmo se ter coragem não significa ter garantia de um sucesso. É-nos pedida a coragem para lutar, não necessariamente para vencer; para anunciar, não necessariamente para converter. É-nos pedida a coragem de sermos alternativos no mundo, sem contudo jamais sermos polémicos ou agressivos. É-nos pedida a coragem de nos abrirmos a todos, sem nunca diminuir o absoluto e a unicidade de Cristo, único salvador de todos. É-nos pedida a coragem para resistir à incredulidade, sem nos tornarmos arrogantes. É-nos pedida também a coragem do publicano do Evangelho de hoje, que com humildade nem sequer ousava erguer os olhos ao céu, mas batia a mão no peito dizendo: «Ó Deus, tem piedade de mim, que sou pecador». Hoje é tempo de coragem! Hoje é necessária coragem!

A Virgem Maria, modelo da Igreja «em saída» e dócil ao Espírito Santo, nos ajude a sermos todos, em virtude do nosso Batismo, discípulos missionários para levar a mensagem da salvação à inteira família humana.

Depois do Angelus

Nestas horas dramáticas, estou próximo da inteira população do Iraque, em particular da cidade de Mossul. Os nossos ânimos estão abalados pelos atos de violência atrozes que há demasiado tempo estão a ser cometidos contra os cidadãos inocentes, tanto muçulmanos, como cristãos, ou pertencentes a outras etnias e religiões. Estou consternado ao ouvir notícias do assassinato a sangue frio de numerosos filhos daquela amada terra, entre os quais tantas crianças. Esta crueldade faz-nos chorar, deixando-nos sem palavras. A manifestação da solidariedade é acompanhada com a certeza da minha recordação na oração, a fim de que o Iraque, mesmo se duramente atingido, seja forte e firme na esperança de poder caminhar rumo a um futuro de segurança, de reconciliação e de paz. Por isto peço a todos vós que vos unais à minha oração em silêncio.

Queridos irmãos e irmãs!

Saúdo com afeto todos vós, peregrinos provenientes da Itália e de vários países, começando pelos polacos, que recordam aqui em Roma e na Pátria o 1050º aniversário da presença do cristianismo na Polônia. Agradeço e saúdo a todos. Bom Domingo! E por favor, não vos esqueçais de rezar por mim. Bom almoço e até à vista!



Fonte: Vaticano




domingo, 23 de outubro de 2016

Evangelho do XXX Domingo do Tempo Comum - Ano C


Lucas 18, 9-14

Naquele tempo, Jesus disse a seguinte parábola para alguns que se consideravam justos e desprezavam os outros: "Dois homens subiram ao templo para orar; um era fariseu e o outro publicano. O fariseu, de pé, orava assim: ‘Meu Deus, dou-Vos graças por não ser como os outros homens, que são ladrões, injustos e adúlteros, nem como este publicano. Jejuo duas vezes por semana e pago o dízimo de todos os meus rendimentos’. O publicano ficou a distância e nem sequer se atrevia a erguer os olhos ao Céu; mas batia no peito e dizia: ‘Meu Deus, tende compaixão de mim, que sou pecador’. Eu vos digo que este desceu justificado para sua casa e o outro não. Porque todo aquele que se exalta será humilhado e quem se humilha será exaltado".







Catequese com o Papa Francisco - 19.10.2016


Quarta-feira, 19 de outubro de 2016








Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

Uma das consequências do chamado «bem-estar» é que as pessoas tendem a fechar-se em si mesmas, tornando-se insensíveis às exigências dos outros, iludindo-se com a apresentação de modelos de vida efémeros, que desaparecem depois de alguns anos, como se a nossa vida fosse uma moda para seguir e mudar em cada estação. Não é assim. A realidade deve ser recebida e enfrentada pelo que é, e com frequência nos deparamos com situações de necessidade urgente. É por isso que, entre as obras de misericórdia, encontramos a referência à fome e à sede: dar de comer aos famintos — há muitos hoje em dia — e de beber aos sedentos. Quantas vezes os meios de comunicação informam sobre populações que sofrem por falta de alimentos e de água, com graves consequências, especialmente para as crianças.

Face a determinadas notícias e sobretudo a certas imagens, a opinião pública comove-se e têm início campanhas de ajuda para estimular a solidariedade. As doações são generosas e deste modo podemos contribuir para aliviar o sofrimento de muitos. Esta forma de caridade é importante, mas talvez não nos envolve diretamente. Quando, ao contrário, indo pelas ruas, nos cruzamos com uma pessoa em necessidade, ou um pobre bate à porta da nossa casa, é muito diferente porque já não estamos diante de uma imagem, mas somos envolvidos em primeira pessoa. Já não há distância alguma entre mim e ele ou ela, e sinto-me interpelado. A pobreza em abstrato não nos interpela, mas faz-nos pensar, faz-nos lamentar; contudo quando vemos a pobreza na carne de um homem, de uma mulher, de uma criança, isto nos interpela! E portanto, o hábito que temos de fugir dos necessitados, de não nos aproximarmos deles, colorindo um pouco a realidade dos necessitados com os hábitos da moda para nos afastar dela. Quando me cruzo com o pobre já não há distância alguma entre nós. Neste caso, qual é a minha reação? Desvio o olhar e sigo em frente? Ou paro para falar e interesso-me do seu estado? E se fizermos isto haverá alguém que diz «Este é louco porque fala com um pobre!». Verifico se posso acolher a pessoa de algum modo ou procuro livrar-me dela rapidamente? Mas talvez ela peça só o necessário: algo para comer e beber. Pensemos um momento: quantas vezes recitamos o «Pai-Nosso», e no entanto não prestamos atenção àquelas palavras: «O pão nosso de cada dia nos dai hoje».

Na Bíblia, um Salmo diz que Deus é aquele que «dá o alimento a todos os viventes» (136, 25). A experiência da fome é dura. Quantos viveram períodos de guerra ou carestia sabem-no. Entretanto esta experiência repete-se todos os dias e convive ao lado da abundância e do desperdício. São sempre atuais as palavras do apóstolo Tiago: «De que aproveitará, irmãos, a alguém dizer que tem fé, se não tiver obras? Acaso esta fé poderá salvá-lo? Se a um irmão ou a uma irmã faltarem roupas e o alimento quotidiano, e algum de vós lhes disser: “Ide em paz, aquecei-vos e fartai-vos”, mas não lhes der o necessário para o corpo, de que lhes aproveitará? Assim também a fé: se não tiver obras, está morta em si mesma» (2, 14-17) porque é incapaz de realizar obras, de praticar caridade, de amar. Há sempre alguém que sente fome e sede e precisa de mim. Não posso delegar outra pessoa. Este pobre precisa de mim, da minha ajuda, da minha palavra, do meu compromisso. Estamos todos envolvidos nisto.

Também este é o ensinamento daquela página do Evangelho na qual Jesus, vendo o povo que há horas o seguia, pergunta aos seus discípulos: «Onde compraremos pão para que todos estes tenham o que comer?» (cf. Jo 6, 5). E os discípulos respondem: «É impossível, é melhor que os dispense...», Mas Jesus diz-lhes: «Não. Dai-lhes vós mesmos de comer» (cf. Mc 14. 16). Então entregaram a Jesus os poucos pães e peixes que traziam consigo, e Ele benzeu-os, partiu-os e fez com que fossem distribuídos a todos. É uma lição muito importante para nós. Diz-nos que o pouco que temos, se nos confiarmos às mãos de Jesus e o partilharmos com fé, torna-se uma riqueza superabundante.

O Papa Bento XVI, na Encíclica Caritas in veritate, afirma: «Dar de comer aos famintos é um imperativo ético para toda a Igreja. [...] O direito à alimentação e à água revestem um papel importante para a consecução de outros direitos [...] É necessária a maturação duma consciência solidária que considere a alimentação e o acesso à água como direitos universais de todos os seres humanos, sem distinções nem discriminações» (n. 27). Não nos esqueçamos das palavras de Jesus: «Eu sou o pão da vida» (Jo 6, 35) e «Venha a mim quem tem sede» (Jo 7, 37). Para todos nós, crentes, estas palavras são uma provocação a reconhecer que, através do dar de comer aos famintos e de beber aos sedentos, passa a nossa relação com Deus, um Deus que revelou em Jesus o seu rosto de misericórdia.

Saudações

Queridos peregrinos de língua portuguesa, de coração vos saúdo a todos, nomeadamente aos grupos de Mogi Guaçu e de Pereiras, desejando-vos neste Ano Jubilar a graça de experimentar a grande força da Misericórdia, que nos faz entrar no coração de Deus e nos torna capazes de olhar o mundo com mais bondade. Assim Deus vos abençoe a vós e às vossas famílias.




Fonte: Vaticano




Angelus com o Papa Francisco - 16.10.2016


Praça São Pedro
Domingo, 16 de outubro de 2016









No final desta celebração, desejo saudar cordialmente todos vós, que viestes de vários países para prestar homenagem aos novos Santos. Dirijo de modo particular um pensamento deferente às Delegações oficiais da Argentina, Espanha, França, Itália e México. O exemplo e a intercessão destas testemunhas luminosas apoiem o compromisso de cada um nos respetivos âmbitos de trabalho e de serviço, para o bem da Igreja e da comunidade civil.

Celebra-se amanhã o Dia mundial contra a pobreza. Unamos as nossas forças, morais e económicas, para lutar juntos contra a pobreza que degrada, ofende e mata tantos irmãos e irmãs, atuando políticas sérias a favor das famílias e do trabalho.

Confiemos à Virgem Maria todas as nossas intenções, sobretudo a nossa oração insistente e urgente pela paz.



Fonte: Vaticano





domingo, 16 de outubro de 2016

Evangelho do XXIX Domingo do Tempo Comum - Ano C


Lucas 18, 1-8

Naquele tempo, Jesus disse aos seus discípulos uma parábola sobre a necessidade de orar sempre sem desanimar: "Em certa cidade vivia um juiz que não temia a Deus nem respeitava os homens. Havia naquela cidade uma viúva que vinha ter com ele e lhe dizia: ‘Faz-me justiça contra o meu adversário’. Durante muito tempo ele não quis atendê-la. Mas depois disse consigo: ‘É certo que eu não temo a Deus nem respeito os homens; mas, porque esta viúva me importuna, vou fazer-lhe justiça, para que não venha incomodar-me indefinidamente’". E o Senhor acrescentou: "Escutai o que diz o juiz iníquo!… E Deus não havia de fazer justiça aos seus eleitos, que por Ele clamam dia e noite, e iria fazê-los esperar muito tempo? Eu vos digo que lhes fará justiça bem depressa. Mas quando voltar o Filho do homem, encontrará fé sobre a terra?"








Catequese com o Papa Francisco - 12.10.2016


Praça São Pedro
Quarta-feira, 12 de outubro de 2016








Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

Nas catequeses precedentes entramos gradualmente no grande mistério da misericórdia de Deus. Meditamos sobre a ação do Pai no Antigo Testamento e depois, através das narrações evangélicas, vimos que Jesus, nas suas palavras e nos seus gestos, é a encarnação da Misericórdia. Ele, por sua vez, ensinou aos seus discípulos: «Sede misericordiosos como o Pai» (Lc 6, 36). É um compromisso que interpela a consciência e a ação de cada cristão. Com efeito, não é suficiente experimentar a misericórdia de Deus na própria vida; é necessário que quem a recebe se torne também sinal e instrumento para os outros. Além disso, a misericórdia não está reservada só para alguns momentos particulares, mas abraça toda a nossa existência diária.

Por conseguinte, como podemos ser testemunhas de misericórdia? Não pensemos que se trata de realizar grandes esforços nem gestos sobre-humanos. Não, não é assim. O Senhor indica-nos um caminho muito simples, feito de pequenos gestos que contudo aos seus olhos têm um grande valor, a tal ponto que nos disse que com base neles seremos julgados. De facto, uma das páginas mais bonitas do Evangelho de Mateus oferece-nos o ensinamento que poderíamos considerar, de qualquer maneira, como «o testamento de Jesus» por parte do evangelista, que experimentou diretamente sobre si a ação da Misericórdia. Jesus diz que todas as vezes que damos de comer a quem tem fome e de beber a quem tem sede, que vestimos uma pessoa nua e acolhemos um estrangeiro, que visitamos um doente ou um preso, é a Ele que o fazemos (cf. Mt 25, 31-46). A Igreja definiu estes gestos «obras de misericórdia corporal», porque socorrem as pessoas nas suas necessidades materiais.

Contudo, há também outras sete obras de misericórdia chamadas «espirituais», relativas a outras exigências igualmente importantes, sobretudo hoje, porque tocam o íntimo das pessoas e com frequência fazem sofrer mais. Certamente todos se recordam de uma que entrou na linguagem comum: «Suportar pacientemente as pessoas inoportunas». E há; há muitas pessoas inoportunas! Poderia parecer algo sem importância, que nos faz sorrir, mas contém um sentimento de caridade profunda; e assim é também para as outras seis, que é bom recordar: aconselhar os que têm dúvidas, ensinar os ignorantes, advertir os pecadores, consolar os aflitos, perdoar as ofensas, rezar a Deus pelos vivos e pelos mortos. São ações diárias! «Sinto-me aflito...» — «Mas Deus ajudar-te-á, não tenho tempo...». Não! Paro, ouço, perco o meu tempo e consolo a pessoa, este é um gesto de misericórdia que é feito não só a ela mas também a Jesus!

Nas próximas Catequeses refletiremos sobre estas obras, que a Igreja nos apresenta como o modo concreto de viver a misericórdia. Ao longo dos séculos, muitas pessoas simples as puseram em prática, dando assim testemunho genuíno da fé. Por outro lado, a Igreja, fiel ao seu Senhor, nutre um amor preferencial pelos mais débeis. Frequentemente são as pessoas mais próximas de nós que precisam da nossa ajuda. Não devemos ir em busca de sabe-se lá quais feitos a realizar. É melhor iniciar pelas mais simples, que o Senhor nos indica como as mais urgentes. Infelizmente num mundo atingido pelo vírus da indiferença, as obras de misericórdia são o melhor antídoto. De facto, orientam a nossa atenção para as exigências mais elementares dos nossos «irmãos mais necessitados» (Mt 25, 40), nos quais Jesus está presente. Jesus está sempre presente neles. Onde houver uma necessidade, uma pessoa carente, quer material quer espiritualmente, Jesus está ali. Reconhecer o seu rosto no de quem é carente é um verdadeiro desafio contra a indiferença. Permite que estejamos sempre vigilantes, evitando que Cristo passe ao nosso lado sem que o reconheçamos. Vem à mente a frase de Santo Agostinho: «Timeo Iesum transeuntem» (Serm., 88, 14, 13), «Temo que o Senhor passe» e eu não o reconheça, que o Senhor passe ao meu lado numa dessas pessoas simples, necessitadas e eu não me dê conta de que é Jesus. Tenho medo de que o Senhor passe e não o reconheça! Perguntei-me por que Santo Agostinho disse que temia a passagem de Jesus. Infelizmente, a resposta está nos nossos comportamentos: porque com frequência estamos distraídos, somos indiferentes, e quando o Senhor passa ao nosso lado nós perdemos a ocasião do encontro com Ele.

As obras de misericórdia despertam em nós a exigência e a capacidade de tornar viva e operante a fé com a caridade. Estou convicto de que através destes simples gestos diários podemos realizar uma verdadeira revolução cultural, como aconteceu no passado. Se cada um de nós, todos os dias, realizar uma delas, isto será uma revolução no mundo! Mas todos, cada um de nós! Quantos Santos ainda hoje são recordados não pelas grandes obras que realizaram mas pela caridade que souberam transmitir! Pensemos na Madre Teresa de Calcutá, que foi canonizada recentemente: não nos lembramos dela por tantas casas que abriu no mundo mas porque se inclinava sobre cada pessoa que encontrava no meio da rua para lhe restituir a dignidade. Quantas crianças abandonadas abraçou; quantos moribundos acompanhou até ao limiar da eternidade, segurando-os pela mão! Estas obras de misericórdia são os traços do Rosto de Jesus Cristo que cuida dos seus irmãos mais débeis para levar a cada um a ternura e a proximidade de Deus. Que o Espírito Santo nos ajude, que o Espírito Santo acenda em nós o desejo de viver este estilo de vida: pelo menos de fazer uma por dia, pelo menos! Memorizemos de novo as obras de misericórdia corporais e espirituais e peçamos ao Senhor que nos ajude a pô-las em prática diariamente e no momento em que vemos Jesus numa pessoa carente.



APELO PELA SÍRIA

Gostaria de frisar e confirmar a minha proximidade a todas as vítimas do desumano conflito na Síria. É com um sentido de urgência que renovo o meu apelo, implorando, com todas as minhas forças, os responsáveis, a fim de que se providencie a um imediato cessar-fogo, que seja imposto e respeitado pelo menos durante o tempo necessário para permitir a retirada dos civis, sobretudo das crianças, que ainda estão encurralados sob os sangrentos bombardeamentos.

APELO

Amanhã, 13 de outubro, decorre o Dia internacional para a redução dos desastres naturais, que neste ano propõe o tema: «Reduzir a mortalidade». De facto os desastres naturais poderiam ser evitados ou pelo menos limitados, porque os seus efeitos muitas vezes se devem às faltas de cuidados do meio ambiente por parte do homem. Portanto, encorajo a unir os esforços de modo clarividente na tutela da nossa casa comum, promovendo uma cultura de prevenção, com a ajuda também dos novos conhecimentos, reduzindo os riscos para as populações mais vulneráveis.

Saudações

Amados peregrinos de língua portuguesa, saúdo-vos cordialmente a todos, com menção especial para o grupo de Cabanelas e Cervães, de São Paulo e para os membros da Comunidade Shalom. Voltemos a aprender de cor as obras de misericórdia e peçamos ao Senhor que nos ajude a pô-las em prática. Sobre vós e vossas famílias, desça, misericordiosa, a Bênção de Deus.




Fonte: Vaticano




Angelus com o Papa Francisco - 09.10.2016


Praça São Pedro
Domingo, 9 de outubro de 2016








Amados irmãos e irmãs!

É com tristeza que recebo as notícias acerca das graves consequências causadas pelo furacão que nos dias passados atingiu as Caraíbas, em particular o Haiti, deixando numerosas vítimas e desalojados, além de enormes danos materiais. Garanto a minha proximidade às populações e expresso confiança no sentido de solidariedade da Comunidade internacional, das instituições católicas e das pessoas de boa vontade. Convido-vos a unir-vos à minha oração por estes irmãos e irmãs, tão duramente provados.

Ontem em Oviedo (Espanha) foram proclamados Beatos o sacerdote Genaro Fueyo Castañón e três fiéis leigos. Louvemos ao Senhor por estas heróicas testemunhas da fé, agregados à multidão dos mártires que ofereceram a sua vida em nome de Cristo.

Dirijo a minha saudação muito cordial a todos vós, queridos peregrinos, que participastes neste Jubileu Mariano. Obrigado pela vossa presença! Convosco gostaria de repetir as palavras que são João Paulo II pronunciou a 8 de outubro de 2000, no Ato de consagração jubilar a Maria: «Queremos, hoje, consagrar-Te o futuro que nos espera. A humanidade pode fazer deste mundo um jardim, ou reduzi-lo a um amontoado de ruínas». Nesta encruzilhada, a Virgem nos ajude a escolher a vida, acolhendo e praticando o Evangelho de Cristo Salvador.



Amados irmãos e irmãs!

Sinto-me feliz por anunciar que no sábado 19 de novembro, na vigília do encerramento da Porta Santa da Misericórdia, terei um Consistório para a nomeação de 13 novos Cardeais dos cinco Continentes. A sua proveniência de 11 Nações expressa a universalidade da Igreja que anuncia e testemunha a Boa Nova da Misericórdia de Deus em todos os ângulos da terra. Além disso, a inserção dos novos Cardeais na diocese de Roma, manifesta o vínculo inseparável entre a Sé de Pedro e as Igrejas particulares difundidas no mundo.

Domingo, 20 de novembro, Solenidade de Cristo Rei, na conclusão do Ano Santo Extraordinário da Misericórdia, concelebrarei a Santa Missa com os novos Cardeais, com o Colégio Cardinalício, com os Arcebispos, com os Bispos e com os Presbíteros.

Eis os nomes dos novos Cardeais:

1- D. Mario Zenari, que permanece Núncio Apostólico na amada e martirizada Síria (Itália)

2- D. Dieudonné Nzapalainga, C.S.Sp., Arcebispo de Bangui (República Centro-africana)

3- D. Carlos Osoro Sierra, Arcebispo de Madrid (Espanha)

4- D. Sérgio da Rocha, Arcebispo de Brasília (Brasil)

5- D. Blase J. Cupich, Arcebispo de Chicago (EUA)

6- D. Patrick D’Rozario, C.S.C., Arcebispo de Dhaka (Bangladesh)

7- D. Baltazar Enrique Porras Cardozo, Arcebispo de Mérida (Venezuela)

8- D. Jozef De Kesel, Arcebispo de Malinas-Bruxelas (Bélgica)

9- D. Maurice Piat, Bispo de Port Louis (Ilha Maurício)

10- D. Kevin Joseph Farrell, Prefeito do Dicastério para os Leigos, a Família e a Vida (EUA)

11- D. Carlos Aguiar Retes, Arcebispo de Tlalnepantla (México)

12- D. John Ribat, M.S.C., Arcebispo de Port Moresby (Papua-Nova Guiné)

13- D. Joseph William Tobin, C.SS.R., Arcebispo de Indianapolis (EUA).

Aos Membros do Colégio Cardinalício unirei também dois Arcebispos e um Bispo Eméritos que se distinguiram no seu serviço pastoral e um Presbítero que deu claro testemunho cristão. Eles representam tantos Bispos e sacerdotes que em toda a Igreja edificam o Povo de Deus, anunciando o amor misericordioso de Deus no cuidado diário da grei do Senhor e na confissão da fé.

Eles são:

1- D. Anthony Soter Fernandez, Arcebispo Emérito de Kuala Lumpur (Malásia)

2- D. Renato Corti, Arcebispo Emérito de Novara (Itália)

3- D. Sebastian Koto Khoarai, O.M.I, Bispo Emérito de Mohale’s Hoek (Lesoto)

4- Rev.do Pe. Ernest Simoni, Presbítero da Arquidiocese de Shkodrë-Pult (Escútari — Albânia).




Fonte: Vaticano




domingo, 9 de outubro de 2016

Evangelho do XXVIII Domingo do Tempo Comum - Ano C


Lucas 17, 11-19

Naquele tempo, indo Jesus a caminho de Jerusalém, passava entre a Samaria e a Galileia. Ao entrar numa povoação, vieram ao seu encontro dez leprosos. Conservando-se a distância, disseram em alta voz: "Jesus, Mestre, tem compaixão de nós". Ao vê-los, Jesus disse-lhes: "Ide mostrar-vos aos sacerdotes". E sucedeu que no caminho ficaram limpos da lepra. Um deles, ao ver-se curado, voltou atrás, glorificando a Deus em alta voz, e prostrou-se de rosto por terra aos pés de Jesus para Lhe agradecer. Era um samaritano. Jesus, tomando a palavra, disse: "Não foram dez que ficaram curados? Onde estão os outros nove? Não se encontrou quem voltasse para dar glória a Deus senão este estrangeiro?" E disse ao homem: "Levanta-te e segue o teu caminho; a tua fé te salvou".







Catequese com o Papa Francisco - 05.10.2016


Praça São Pedro
Quarta-feira, 5 de outubro de 2016








Bom dia, prezados irmãos e irmãs!

No fim de semana passado realizei a viagem apostólica à Geórgia e ao Azerbaijão. Dou graças ao Senhor que mo concedeu e renovo a expressão do meu reconhecimento às Autoridades civis e religiosas destes dois países, de maneira particular ao Patriarca de toda a Geórgia, Elias II — o seu testemunho fez muito bem ao meu coração e à minha alma — e ao Xeque dos Muçulmanos do Cáucaso. Um agradecimento fraternal aos Bispos, aos sacerdotes, aos religiosos e a todos os fiéis que me fizeram sentir o seu carinho caloroso.

Esta viagem foi a continuação e a conclusão daquela que fiz à Arménia, no mês de junho. Deste modo — graças a Deus! — pude realizar o projeto de visitar os três países caucásicos, para confirmar a Igreja católica que vive ali e para encorajar o caminho daquelas populações rumo à paz e à fraternidade. Evidenciavam-no também os dois lemas desta última viagem: «Pax vobis» para a Geórgia e «Somos todos irmãos» para o Azerbaijão.

Ambos estes países têm raízes históricas, culturais e religiosas muito antigas, mas ao mesmo tempo vivem uma fase nova: efetivamente, os dois celebram este ano o 25º aniversário da própria independência, tendo vivido durante uma boa parte do século XX sob o regime soviético. E nesta fase enfrentam diversas dificuldades nos vários âmbitos da vida social. A Igreja católica é chamada a estar presente e próxima, especialmente no sinal da caridade e da promoção humana; e ela procura fazê-lo em comunhão com as outras Igrejas e Confissões cristãs e em diálogo com as demais comunidades religiosas, na certeza de que Deus é Pai de todos, e nós somos irmãos e irmãs.

Na Geórgia, esta missão naturalmente passa através da colaboração com os irmãos ortodoxos, que formam a grande maioria da população. Por isso, foi um sinal muito importante o facto de que, quando cheguei a Tbilisi, encontrei à minha espera no aeroporto, além do Presidente da República, também o venerável Patriarca Elias II. O encontro com ele naquela tarde foi comovedor, como o foi igualmente no dia seguinte a visita à Catedral patriarcal, onde se venera a relíquia da túnica de Cristo, símbolo da unidade da Igreja. Esta unidade é corroborada pelo sangue de numerosos mártires das várias Confissões cristãs. Entre as comunidades mais provadas encontra-se a assírio-caldeia, com a qual vivi em Tbilisi um intenso momento de oração pela paz na Síria, no Iraque e em todo o Médio Oriente.

A Missa com os fiéis católicos da Geórgia — latinos, arménios e assírio-caldeus — foi celebrada na memória de santa Teresa do Menino Jesus, padroeira das missões: ela recorda-nos que a missão autêntica nunca é proselitismo, mas atração a Cristo a partir da forte união com Ele na oração, na adoração e na caridade concreta, que é serviço a Jesus presente no mais pequenino dos irmãos. É o que fazem os religiosos e as religiosas com os quais me encontrei em Tbilisi, e sucessivamente também em Baku: fazem-no com a oração e com as obras de caridade e de promoção. Encorajei-os a permanecer firmes na fé, com memória, coragem e esperança. E além disso há as famílias cristãs: como é preciosa a sua presença de acolhimento, acompanhamento, discernimento e integração na comunidade!

Este estilo de presença evangélica como semente do Reino de Deus é, se possível, ainda mais necessário no Azerbaijão, onde a maioria da população é muçulmana e os católicos são poucas centenas, mas graças a Deus têm boas relações com todos e, em particular, mantêm vínculos fraternais com os cristãos ortodoxos. Por isso em Baku, capital do Azerbaijão, vivemos dois momentos que a fé sabe manter na justa relação: a Eucaristia e o encontro inter-religioso. A Eucaristia com a pequena comunidade católica, onde o Espírito harmoniza as diferentes línguas, infundindo a força do testemunho; e esta comunhão em Cristo não impede, ao contrário, impele a buscar o encontro e o diálogo com todos aqueles que acreditam em Deus, para construir juntos um mundo mais justo e fraterno. Nesta perspetiva, dirigindo-me às Autoridades azerbaijanas, fiz votos de que as questões abertas possam encontrar soluções positivas e todas as populações caucásicas vivam na paz e no respeito recíproco.

Deus abençoe a Arménia, a Geórgia e o Azerbaijão, acompanhando o caminho do seu povo santo, peregrino naqueles países.

Saudações

Dirijo uma saudação cordial aos peregrinos de língua portuguesa, particularmente aos fiéis de Angola, Brasil e Portugal. Queridos amigos, obrigado pela vossa presença e sobretudo pelas vossas orações! Peçamos ao Espírito Santo, artífice da unidade da Igreja e entre os homens, que nos ajude a buscar sempre o diálogo com as pessoas de boa vontade, para que possamos construir um mundo de paz e solidariedade. Que Deus vos abençoe a vós e a vossos entes queridos!

Saúdo cordialmente todos os polacos presentes e de modo especial os ex-prisioneiros do campo de concentração de Auschwitz. Hoje celebramos a memória de santa Faustina Kowalska. Ela recordou ao mundo que Deus é rico de misericórdia e que o seu amor é maior do que a morte, o pecado e o mal. Esta mensagem de Jesus misericordioso, a ela confiada, frutifique na vossa vida com o aprofundamento da união com Deus e com as obras de misericórdia. Confiando-nos, bem como os difíceis problemas do mundo ao Senhor, repitamos com frequência: «Jesus, confio em Vós!». Louvado seja Jesus Cristo.

Enfim penso nos jovens, nos doentes e nos recém-casados. Outubro é o mês missionário, durante o qual somos convidados a rezar intensamente à Virgem Maria, Rainha das Missões: caros jovens, sede missionários do Evangelho nos vossos ambientes com a misericórdia e a ternura de Jesus; amados enfermos, oferecei o vosso sofrimento pela conversão dos distantes e dos indiferentes; e vós, diletos recém-casados, sede missionários na vossa família, anunciando o Evangelho da salvação com a Palavra e o exemplo.




Fonte: Vaticano




Angelus com o Papa Francisco - 02.10.2016


Igreja da Imaculada, Baku
Domingo, 2 de outubro de 2016








Amados irmãos e irmãs!

Nesta Celebração Eucarística, dei graças a Deus convosco, mas também por vós: aqui, depois dos anos da perseguição, a fé realizou maravilhas. Desejo recordar tantos cristãos corajosos, que tiveram confiança no Senhor e mantiveram-se fiéis nas adversidades. Como fez São João Paulo II, dirijo a todos vós as palavras do apóstolo Pedro: «Honra… a vós que credes!» [1 Ped2, 7; cf. Homilia, Baku, 23 de maio de 2002: Insegnamenti XXV/1 (2002), 852].

O nosso pensamento volta-se agora para a Virgem Maria, venerada neste país, e não só pelos cristãos. A Ela nos dirigimos com as palavras do Anjo Gabriel quando Lhe trouxe a boa notícia da salvação, preparada por Deus para a humanidade.

Na luz que resplandece do rosto materno de Maria, dirijo uma cordial saudação a vós, queridos fiéis do Azerbaijão, encorajando cada um a testemunhar com alegria a fé, a esperança e a caridade, unidos entre vós mesmos e com os vossos pastores. Saúdo e agradeço, em particular, à Família Salesiana, que cuida intensamente de vós e promove várias obras beneméritas, e às Irmãs Missionárias da Caridade: continuai com entusiasmo a vossa obra ao serviço de todos!

Confiemos estes votos à intercessão da Santíssima Mãe de Deus e invoquemos a sua proteção para as vossas famílias, os doentes e os idosos, para quantos sofrem no corpo e no espírito.

[Oração do Angelus; e a Bênção final]

Alguém pode pensar que o Papa perde muito tempo: fazer tantos quilómetros de viagem para visitar uma pequena comunidade de 700 pessoas, num país de 2 milhões! E uma comunidade que não é uniforme sequer, porque entre vós fala-se o azerbaijano, o italiano, o inglês, o espanhol... Tantas línguas! Mas é uma comunidade de periferia; e, nisto, o Papa imita o Espírito Santo: também Ele desceu do Céu para vir a uma pequena comunidade de periferia, fechada no Cenáculo. E àquela comunidade que tinha medo, sentia-se pobre e talvez perseguida, ou posta de lado, dá a coragem, a força, a ousadia para continuar a proclamar o nome de Jesus. E as portas daquela comunidade de Jerusalém, que estavam fechadas pelo medo ou a vergonha, abriram-se de par em par fazendo sair a força do Espírito. O Papa perde o tempo como o perdeu o Espírito Santo naquele tempo!

Só duas coisas são necessárias: naquela comunidade, estava a Mãe – não esqueçais a Mãe! – e, naquela comunidade, havia a caridade, o amor fraterno que o Espírito Santo derramou neles. Coragem! Avante! Continuai para diante! Sem medo, avante!



Fonte: Vaticano




domingo, 2 de outubro de 2016

Evangelho do XXVII Domingo do Tempo Comum - Ano C


Lucas 17, 5-10

Naquele tempo, os Apóstolos disseram ao Senhor: "Aumenta a nossa fé". O Senhor respondeu: "Se tivésseis fé como um grão de mostarda, diríeis a esta amoreira: ‘Arranca-te daí e vai plantar-te no mar’, e ela obedecer-vos-ia. Quem de vós, tendo um servo a lavrar ou a guardar gado, lhe dirá quando ele volta do campo: ‘Vem depressa sentar-te à mesa’? Não lhe dirá antes: ‘Prepara-me o jantar e cinge-te para me servires, até que eu tenha comido e bebido. Depois comerás e beberás tu. Terá de agradecer ao servo por lhe ter feito o que mandou? Assim também vós, quando tiverdes feito tudo o que vos foi ordenado, dizei: ‘Somos inúteis servos: fizemos o que devíamos fazer’".






Catequese com o Papa Francisco - 28.09.2016


Praça São Pedro
Quarta-feira, 28 de setembro de 2016








Bom dia, amados irmãos e irmãs!

As palavras que Jesus pronuncia durante a sua Paixão encontram o seu ápice no perdão. Jesus perdoa: «Perdoa-lhes, ó Pai, porque não sabem o que fazem» (Lc 23, 34). Não são apenas palavras, porque se tornam um gesto concreto no perdão oferecido ao «bom ladrão», que estava ao seu lado. São Lucas fala de dois malfeitores crucificados com Jesus, que se dirigem a Ele com atitudes opostas.

O primeiro insulta-o, assim como o insulta todo o povo, e como fazem os chefes do povo, mas este pobre homem, impelido pelo desespero, diz: «Se és o Cristo, salva-te a ti mesmo e salva-nos a nós!» (Lc 23, 39). Este grito dá testemunho da angústia do homem diante do mistério da morte e da trágica consciência de que só Deus pode ser a resposta libertadora: por isso, é impensável que o Messias, o Enviado de Deus, possa estar na cruz sem fazer nada para se salvar. Não compreendiam isto. Não entendiam o mistério do sacrifício de Jesus. E no entanto, Jesus salvou-nos permanecendo na cruz. Todos nós sabemos que não é fácil «permanecer na cruz», nas nossas pequenas cruzes de cada dia. Mas Ele permaneceu naquela grande cruz, naquele enorme sofrimento, e foi ali que nos salvou; foi ali que nos mostrou o seu poder supremo e que nos perdoou. É ali que se cumpre o seu dom de amor e que brota para sempre a nossa salvação. Morrendo na cruz, inocente entre dois criminosos, Ele testemunha que a salvação de Deus pode alcançar qualquer homem, em todas as condições, até na mais negativa e dolorosa. A salvação de Deus é para todos, sem excluir ninguém. É oferecida a todos. Por isso, o Jubileu constitui um tempo de graça e de misericórdia para todos, bons e maus, quantos são saudáveis e aqueles que sofrem. Recordai-vos daquela parábola que Jesus narra sobre a festa de casamento do filho de um poderoso da terra: quando os convidados não queriam participar, disse aos seus empregados: «Ide às encruzilhadas e convidai para as bodas todos aqueles que encontrardes» (Mt 22, 9). Todos nós somos chamados: bons e maus. A Igreja não existe só para os bons ou para quantos parecem bons ou para aqueles que se julgam bons; a Igreja existe para todos, e até de preferência para os maus, porque a Igreja é misericórdia. E este tempo de graça e de misericórdia faz-nos recordar que nada nos pode separar do amor de Cristo! (cf. Rm 8, 39). A quem está bloqueado num leito de hospital, a quantos vivem fechados numa prisão, àqueles que se encontram impedidos pelas guerras, digo: olhai para o Crucifixo; Deus está convosco, permanece convosco na cruz e oferece-se como Salvador a todos, a todos nós. A vós que sofreis tanto, digo: Jesus foi crucificado por vós, por nós, por todos. Deixai que o vigor do Evangelho penetre no vosso coração e vos console, dando-vos esperança e a íntima certeza de que ninguém está excluído do seu perdão. Contudo, podeis perguntar-me: «Mas diga-me, Padre, quem fez as piores coisas na vida, tem a possibilidade de ser perdoado?» — «Sim, sim!»: ninguém está excluído do perdão de Deus. Deve simplesmente aproximar-se arrependido de Jesus, com a vontade de ser abraçado por Ele!».

Assim era o primeiro malfeitor. O outro é o chamado «bom ladrão». As suas palavras são um maravilhoso modelo de arrependimento, uma catequese concentrada para aprender a pedir perdão a Jesus. Primeiro, ele dirige-se ao seu companheiro: «Nem sequer temes a Deus, tu que sofres o mesmo suplício?» (Lc 23, 40). Deste modo, põe em evidência o ponto de partida do arrependimento: o temor de Deus. Mas não o medo de Deus, não: o temor filial de Deus. Não é receio, mas aquele respeito que se deve a Deus, porque Ele é Deus. Trata-se de um respeito filial, porque Ele é Pai. O bom ladrão evoca a atitude fundamental que abre à confiança em Deus: a consciência do seu poder supremo e da sua bondade infinita. É este respeito confiante que ajuda a deixar espaço a Deus e a confiar na sua misericórdia.

Depois, o bom ladrão declara a inocência de Jesus e confessa abertamente a sua culpa: «Para nós isto é justo: recebemos o que mereceram os nossos crimes, mas Ele não cometeu mal algum» (Lc 23, 41). Portanto, Jesus está ali na cruz para permanecer com os culpados: através desta proximidade, Ele oferece-lhes a salvação. Aquilo que é escândalo para os chefes, para o primeiro ladrão e para quantos se encontravam ali e zombavam de Jesus, na realidade é o fundamento da sua fé. E assim o bom ladrão torna-se testemunha da Graça; aconteceu o impensável: Deus amou-me a tal ponto que morreu na cruz por mim. A própria fé deste homem é fruto da graça de Cristo: os seus olhos contemplam no Crucificado o amor de Deus por ele, pobre pecador. É verdade, era ladrão, tinha roubado durante a vida inteira. Mas no fim, arrependido daquilo que fizera, olhando para Jesus, tão bom e misericordioso, conseguiu roubar o céu: ele é um bom ladrão!

Por fim, o bom ladrão dirige-se diretamente a Jesus, invocando a sua ajuda: «Jesus, lembra-te de mim, quando entrares no teu Reino» (Lc 23, 42). Chama-o pelo nome, «Jesus», com confiança, e assim confessa o que aquele nome indica: «O Senhor salva»: é isto que significa «Jesus». Aquele homem pede a Jesus que se recorde dele. Quanta ternura naquela expressão, quanto humanidade! É a necessidade que o ser humano tem de não ser abandonado, que Deus esteja sempre perto dele. Deste modo, um condenado à morte torna-se modelo do cristão que se confia a Jesus. Um condenado à morte é um modelo para nós, um modelo para o homem, para o cristão que confia em Jesus; e também modelo da Igreja que, na liturgia, muitas vezes invoca o Senhor, rezando: «Recorda-te... Recorda-te do teu amor...».

Enquanto o bom ladrão fala no futuro: «Quando entrares no teu Reino», a resposta de Jesus não se faz esperar; mas Ele fala no presente: «Hoje estarás comigo no Paraíso» (v. 43). Na hora da cruz, a salvação de Cristo alcança o seu apogeu; e a sua promessa ao bom ladrão revela o cumprimento da sua missão, ou seja, salvar os pecadores. No início do seu ministério, na sinagoga de Nazaré, Jesus tinha proclamado «a liberdade aos cativos» (Lc 4, 18); em Jericó, na casa do pecador público Zaqueu, proclamou que «o Filho do homem — isto é, Ele mesmo — veio procurar e salvar o que estava perdido» (Lc 19, 10). Na cruz, o derradeiro ato confirma a realização deste desígnio salvífico. Do início ao fim, Ele revelou-se como misericórdia, revelou-se como encarnação definitiva e irrepetível do amor do Pai. Jesus é verdadeiramente o semblante da misericórdia do Pai. E o bom ladrão chamou-o pelo nome: «Jesus». Trata-se de uma invocação breve, e todos nós podemos fazê-la muitas vezes durante o dia: «Jesus». Simplesmente «Jesus». E assim, fazei-a durante o dia inteiro.


Saudações

Queridos peregrinos de língua portuguesa, saúdo-vos cordialmente a todos, nomeadamente aos membros da «Comunidade católica de língua portuguesa na Alemanha», com votos de que, neste Ano Santo, possais fazer experiência da misericórdia de Deus para serdes testemunhas daquilo que mais lhe agrada: perdoar aos seus filhos e filhas. Rezai também por mim! Deus vos abençoe!

Dirijo mais uma vez o meu pensamento à amada e martirizada Síria. Continuo a receber notícias dramáticas sobre o destino das populações de Alepo, às quais me sinto unido no sofrimento, através da oração e da proximidade espiritual. Enquanto manifesto profunda dor e sentida preocupação pelo que continua a acontecer naquela cidade já martitizada, onde morrem crianças, idosos, doentes, jovens, idosos, tantos... renovo a todos o apelo, a fim de que se comprometam com todas as forças a favor da tutela dos civis, como obrigação imperativa e urgente. Apelo à consciência dos responsáveis pelos bombardeamentos, que deverão prestar contas a Deus!

Enfim, dirijo a minha saudação aos jovens, aos doentes e aos recém-casados. O exemplo de caridade de são Vicente de Paulo — que ontem recordamos como padroeiro das associações de caridade — vos leve, amados jovens, a realizar os projetos do vosso futuro com um alegre e abnegado serviço ao próximo; vos ajude, caros doentes, a enfrentar o sofrimento com o olhar fixo em Cristo; e vos anime, diletos recém-casados, a construir uma família sempre aberta aos pobres e ao dom da vida.




Fonte: Vaticano




Angelus com o Papa Francisco - 25.09.2016


Praça São Pedro
Domingo, 25 de setembro de 2016








Amados irmãos e irmãs!

Ontem, em Würzburg (Alemanha), foi proclamado beato Engelmar Unzeitig, sacerdote da Congregação dos Missionários de Mariannhill. Morto por ódio à fé no campo de concentração de Dachau, ele contrapôs ao ódio o amor, respondeu à ferocidade com a mansidão. O seu exemplo nos ajude a ser testemunhas de caridade e de esperança também no meio das tribulações.

Associo-me de bom grado aos Bispos do México na defesa do compromisso da Igreja e da sociedade civil a favor da família e da vida, que neste tempo requerem uma especial atenção pastoral e cultural em todo o mundo. E além disso, garanto a minha oração pelo querido povo mexicano, para que cesse a violência que nestes dias atingiu também alguns sacerdotes.

Celebra-se hoje o Dia Mundial do Surdo. Desejo saudar todas as pessoas surdas, também aqui representadas, e encorajá-las a dar a sua contribuição para uma Igreja e uma sociedade cada vez mais capazes de acolher todos.

Por fim, dirijo a minha saudação especial a todos vós, caríssimos catequistas! Obrigado pelo vosso compromisso na Igreja ao serviço da evangelização, na transmissão da fé. Nossa Senhora vos ajude a perseverar no caminho da fé e a testemunhar com a vida aquilo que vocês transmitem na catequese.



Fonte: Vaticano




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