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domingo, 27 de novembro de 2016

Evangelho do I Domingo do Advento - Ano A


São Mateus 24, 37-44

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: "Como aconteceu nos dias de Noé, assim sucederá na vinda do Filho do homem. Nos dias que precederam o dilúvio, comiam e bebiam, casavam e davam em casamento, até ao dia em que Noé entrou na arca; e não deram por nada, até que veio o dilúvio, que a todos levou. Assim será também na vinda do Filho do homem. Então, de dois que estiverem no campo, um será tomado e outro deixado; de duas mulheres que estiverem a moer com a mó, uma será tomada e outra deixada. Portanto, vigiai, porque não sabeis em que dia virá o vosso Senhor. Compreendei isto: se o dono da casa soubesse a que horas da noite viria o ladrão, estaria vigilante e não deixaria arrombar a sua casa. Por isso, estai vós também preparados, porque na hora em que menos pensais, virá o Filho do homem".





Catequese com o Papa Francisco - 23.11.2016


Sala Paulo VI
Quarta-feira, 23 de novembro de 2016








Queridos irmãos e irmãs bom dia!

Acabado o jubileu, hoje voltamos à normalidade, mas permanecem ainda algumas reflexões sobre as obras de misericórdia, e assim continuemos a falar sobre isto.

A reflexão sobre as obras de misericórdia espiritual hoje diz respeito a duas ações fortemente interligadas entre elas: aconselhar os duvidosos e ensinar aos ignorantes, ou seja, a quantos não sabem. A palavra ignorante é demasiado forte, mas quer dizer aqueles que não sabem algo e aos quais se deve ensinar. São obras que se podem viver quer numa dimensão simples, familiar, ao alcance de todos, quer — especialmente a segunda, a de ensinar — num plano mais institucional, organizado. Pensemos, por exemplo, em quantas crianças sofrem ainda de analfabetismo. Não se pode compreender isto: num mundo onde o progresso técnico-científico chegou a um patamar tão alto, há crianças analfabetas! É uma injustiça. Quantas crianças sofrem por falta de instrução. É uma condição de grande injustiça que mina a própria dignidade da pessoa. Além disso, sem instrução tornam-se facilmente reféns da exploração e de várias formas de degradação social.

A Igreja, ao longo dos séculos, sentiu a exigência de se comprometer no âmbito da instrução porque a sua missão de evangelização comporta o empenho de restituir dignidade aos mais pobres. Desde o primeiro exemplo de uma «escola» fundada precisamente aqui em Roma por São Justino, no segundo século, para que os cristãos conhecessem melhor a Sagrada Escritura, até São José de Calasanz, que abriu as primeiras escolas populares gratuitas da Europa, temos uma longa lista de santos e santas que em várias épocas levaram instrução aos mais desfavorecidos, sabendo que através deste caminho teriam ultrapassado a miséria e a discriminação. Quantos cristãos, leigos, irmãos e irmãs consagrados, sacerdotes dedicaram a própria vida à instrução, à educação das crianças e dos jovens. Isto é grande: convido-vos a prestar-lhe uma homenagem com uma calorosa salvas de palma! [aplauso dos fiéis]. Estes pioneiros da instrução tinham compreendido profundamente a obra de misericórdia, tornando-a um estilo de vida capaz de transformar a própria sociedade. Através de um trabalho simples e com poucas estruturas souberam restituir dignidade a muitas pessoas! E a instrução que proporcionavam era muitas vezes orientada também para o trabalho. Mas pensemos em São João Bosco, que preparava os meninos de rua para o trabalho, com o oratório e também com as escolas, os ofícios. Foi assim que surgiram muitas e diversas escolas profissionais, que habilitavam para o trabalho e educavam nos valores humanos e cristãos. Portanto, a instrução é deveras uma forma peculiar de evangelização.

Quanto mais cresce a instrução, mais as pessoas adquirem certezas e consciências, das quais todos necessitamos na vida. Uma boa instrução ensina-nos o método crítico, que inclui também um certo tipo de dúvida, útil para colocar perguntas e verificar os resultados alcançados, em vista de um conhecimento maior. Mas a obra de misericórdia de aconselhar os duvidosos não diz respeito a este tipo de dúvida. Ao contrário, expressar a misericórdia para com os duvidosos equivale a aliviar aquela dor e aquele sofrimento que provém do medo e da angustia que são consequências da dúvida. Portanto, é um ato de verdadeiro amor com o qual se tenciona apoiar uma pessoa na debilidade provocada pela incerteza.

Penso que alguém poderia questionar-me: «Padre, mas eu tenho tantas dúvidas sobre a fé, o que devo fazer? O senhor nunca tem dúvidas?». Tenho muitas... Certamente nalguns momentos as dúvidas surgem para todos! As dúvidas mexem com a fé, no sentido positivo, são o sinal de que queremos conhecer melhor e mais profundamente a Deus, Jesus, e o mistério do seu amor por nós. «Mas, tenho esta dúvida: procuro, estudo, vejo e peço conselhos sobre como agir». Estas são dúvidas que fazem crescer! Por conseguinte, é bom que façamos algumas perguntas sobre a nossa fé, porque deste modo somos impelidos a aprofundá-la. Todavia, as dúvidas devem ser também ultrapassadas. Por isso é necessário ouvir a Palavra de Deus, e compreender o que nos ensina. Um caminho importante que pode ajudar muito neste sentido é a catequese, com a qual o anúncio da fé vem ao nosso encontro no concreto da vida pessoal e comunitária. E há, ao mesmo tempo, outro caminho igualmente importante, o de viver o mais possível a fé. Não façamos da fé uma teoria abstrata onde as dúvidas se multiplicam. Ao contrário, façamos da fé a nossa vida. Procuremos praticá-la no serviço aos irmãos, especialmente dos mais necessitados. E então muitas dúvidas esvaecem, porque sentimos a presença de Deus e a verdade do Evangelho no amor que, sem o nosso mérito, habita em nós e compartilhemos com os outros.

Como podemos observar, queridos irmãos e irmãs, também estas duas obras de misericórdia não estão distantes da nossa vida. Cada um de nós pode comprometer-se em vivê-las para pôr em prática a palavra do Senhor quando diz que o mistério do amor de Deus não foi revelado aos sábios e aos inteligentes, mas aos pequeninos (cf. Lc 10, 21; Mt 11, 25-26). Portanto, o ensinamento mais profundo que somos chamados a transmitir e a certeza mais verdadeira para sair da dúvida, é o amor de Deus com o qual fomos amados (cf. 1 Jo 4, 10). Um grande amor, gratuito e concedido para sempre. Deus nunca retrocede com o seu amor! Vai sempre em frente e espera; doa para sempre o seu amor, do qual devemos sentir grande responsabilidade, para sermos o seu testemunho oferecendo misericórdia aos nossos irmãos. Obrigado.

Saudações

Saúdo cordialmente os fiéis brasileiros de Araguari, Lorena e Manaus e todos os peregrinos presentes de língua portuguesa: obrigado pela vossa presença e sobretudo pelas vossas orações! À Virgem Maria confio os vossos passos ao serviço do crescimento em dignidade humana e divina dos nossos irmãos e irmãs. Sobre vós, vossas famílias e paróquias desça a Bênção do Senhor!

Dirijo por fim um pensamento aos jovens, aos doentes e aos recém-casados. No domingo passado concluímos o Jubileu Extraordinário. Contudo não foi encerrado o coração misericordioso de Deus para nós pecadores, que não cessará de nos inundar com a sua graça. Do mesmo modos nunca se fechem os nossos corações e não deixemos de cumprir sempre as obras de misericórdia corporais e espirituais. A experiência do amor e do perdão de Deus que vivemos neste Ano Santo permaneça em nós como inspiração permanente à caridade em relação aos irmãos.




Fonte: Vaticano




Angelus com o Papa Francisco - 20.11.2016


Praça São Pedro
Domingo, 20 de novembro de 2016








No final desta Celebração, elevemos a Deus o louvor e a ação de graças pelo dom que o Ano Santo da Misericórdia foi para a Igreja e para tantas pessoas de boa vontade. Saúdo com deferência o Presidente da República italiana e as Delegações oficiais presentes. Exprimo profundo reconhecimento aos responsáveis do Governo italiano e às outras Instituições pela colaboração e pelo compromisso assumido. Dirijo um agradecimento caloroso às Forças da Ordem, aos agentes dos serviços de acolhimento, de informação e de saúde, bem como aos voluntários de todas as idades e proveniências. Agradeço de maneira particular ao Pontifício Conselho para a Promoção da Nova Evangelização, ao seu Presidente e àqueles que cooperaram nas suas diversas articulações.

Dirijo uma recordação grata a quantos contribuíram espiritualmente para o bom êxito do Jubileu: penso em tantas pessoas idosas e doentes, que rezaram incessantemente, oferecendo também os seus sofrimentos pelo Jubileu. De modo especial, gostaria de agradecer às monjas de clausura, na vigília do Dia Pro Orantibus, que se celebrará amanhã.

Convido todos a dedicar uma recordação especial a estas nossas Irmãs, que se dedicam totalmente à oração e têm necessidade de solidariedade espiritual e material.

Desejo saudar cordialmente todos vós, que de vários países viestes para o encerramento da Porta Santa da Basílica de São Pedro. A Virgem Maria ajude todos nós a conservar no coração e a fazer frutificar os dons espirituais do Jubileu da Misericórdia.




Fonte: Vaticano




domingo, 20 de novembro de 2016

Evangelho da Solenidade de Cristo Rei - Ano C


Lucas 23, 35-43

Naquele tempo, os chefes dos judeus zombavam de Jesus, dizendo: "Salvou os outros: salve-Se a Si mesmo, se é o Messias de Deus, o Eleito". Também os soldados troçavam d’Ele; aproximando-se para Lhe oferecerem vinagre, diziam:"Se és o Rei dos judeus, salva-Te a Ti mesmo". Por cima d’Ele havia um letreiro: "Este é o Rei dos judeus". Entretanto, um dos malfeitores que tinham sido crucificados insultava-O, dizendo: "Não és Tu o Messias? Salva-Te a Ti mesmo e a nós também". Mas o outro, tomando a palavra, repreendeu-o: "Não temes a Deus, tu que sofres o mesmo suplício? Quanto a nós, fez-se justiça, pois recebemos o castigo das nossas más ações. Mas Ele nada praticou de condenável". E acrescentou: "Jesus, lembra-Te de Mim, quando vieres com a tua realeza". Jesus respondeu-lhe: "Em verdade te digo: Hoje estarás comigo no Paraíso".







Catequese com o Papa Francisco - 16.11.2016


Praça São Pedro
Quarta-feira, 16 de novembro de 2016








Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

Dedicamos a catequese de hoje a uma obra de misericórdia que todos conhecemos muito bem, mas que talvez não a ponhamos em prática como deveríamos: suportar pacientemente as pessoas inoportunas. Todos somos capazes de identificar uma presença que pode incomodar: acontece quando encontramos alguém pela rua, ou quando recebemos um telefonema... Imediatamente pensamos: «Por quanto tempo tenho que ouvir as lamentações, as conversas, as solicitações ou as ostentações desta pessoa?». Às vezes acontece até que as pessoas inoportunas são as mais próximas de nós: entre os parentes há sempre alguma; no lugar de trabalho nunca faltam; e nem no tempo livre ficamos isentos delas. O que devemos fazer com as pessoas inoportunas? Mas também nós muitas vezes somos inoportunos para os outros. Por que entre as obras de misericórdia também ela está inserida?Suportar pacientemente as pessoas inoportunas?

Na Bíblia vemos que o próprio Deus deve usar misericórdia para suportar as lamentações do seu povo. Por exemplo no livro do Êxodo o povo resulta deveras insuportável: primeiro chora porque é escravo no Egito, e Deus liberta-o; depois, no deserto, lamenta-se porque não tem o que comer (cf. 16, 3), e Deus manda-lhe o maná (cf. 16, 13-16), e não obstante tudo as lamentações não cessam. Moisés era o mediador entre Deus e o povo, e também ele às vezes foi inoportuno para o Senhor. Mas Deus teve paciência e assim ensinou a Moisés e ao povo esta dimensão essencial da fé.

Portanto, surge espontânea uma primeira pergunta: às vezes fazemos o exame de consciência para verificar se também nós resultamos inoportunos aos outros? É fácil apontar o dedo contra defeitos e falhas dos outros, mas devemos aprender a pôr-nos no lugar dos outros.

Olhemos sobretudo para Jesus: quanta paciência teve nos três anos da sua vida pública! Certa vez, enquanto caminhava com os discípulos, foi interpelado pela mãe de Tiago e João, a qual lhe disse: «Ordena que estes meus dois filhos se sentem no teu Reino, um à tua direita e outro à tua esquerda» (Mt 20, 21). A mãe fazia a lobby pelos seus filhos, mas era a mãe... Jesus aproveita também esta situação para oferecer um ensinamento fundamental: o seu não é um reino de poder, e não é um reino de glória como os terrenos, mas de serviço e doação aos outros. Jesus ensina a ir sempre ao essencial e a olhar mais longe para assumir com responsabilidade a própria missão. Poderíamos ver aqui a evocação a outras duas obras de misericórdia espiritual: advertir os pecadores e ensinar os ignorantes. Pensemos no grande compromisso que podemos assumir quando ajudamos as pessoas a crescer na fé e na vida. Por exemplo, os catequistas — entre os quais se inserem muitas mães e religiosas — que dedicam tempo para ensinar aos jovens os elementos basilares da fé. Quanto esforço sobretudo quando os jovens prefeririam divertir-se a ouvir o catecismo!

Acompanhar na busca do essencial é bom e importante, porque nos faz partilhar a alegria de saborear o sentido da vida. Com frequência, acontece que nos encontramos com pessoas que dão importância a aspetos superficiais, efémeros e banais; muitas vezes porque não encontraram alguém que as estimulasse a procurar outra coisa, a apreciar os tesouros verdadeiros. Ensinar a olhar para o essencial é uma ajuda determinante, especialmente numa época como a nossa que parece ter perdido a orientação e persegue satisfações a curto prazo. Ensinar a descobrir o que o Senhor quer de nós e como lhes podemos corresponder significa pôr-nos a caminho para crescer na própria vocação, na vereda da alegria autêntica. Assim, as palavras de Jesus à mãe de Tiago e João, e depois ao grupo inteiro dos discípulos, indicam o caminho para evitar a queda na inveja, na ambição e na adulação, tentações que estão sempre à espreita também entre nós cristãos. A exigência de aconselhar, advertir e ensinar não nos deve fazer sentir superiores aos outros, mas obriga-nos antes de tudo a penetrar em nós mesmos para verificar se somos coerentes com quanto exigimos dos outros. Não nos esqueçamos das palavras de Jesus: «Por que vês tu o argueiro no olho do teu irmão e não reparas na trave que está no teu olho?» (Lc 6, 41). O Espírito Santo nos ajude a ser pacientes no suportar e humildes e simples no aconselhar.



Saudações

Saúdo a todos os peregrinos de língua portuguesa, em particular aos sacerdotes e fiéis do Rio de Janeiro, bem como os de Votuporanga e Patos de Minas. Queridos amigos, nesta última semana do Jubileu Extraordinário da Misericórdia, Jesus nos chama a levar a alegria e a consolação do Evangelho a todos os homens, como suas autênticas testemunhas misericordiosas! Que Deus vos abençoe a todos!

No próximo domingo, 20 de novembro, celebrar-se-á o Dia mundial dos direitos da infância e da adolescência. Faço apelo à consciência de todos, instituições e famílias, a fim de que as crianças sejam sempre protegidas e o seu bem-estar tutelado, para que nunca caiam em formas de escravidão, recrutamento em grupos armados e maus-tratos. Faço votos por que a Comunidade internacional possa vigiar sobre a sua vida, garantindo a cada menino e menina o direito à escola e à educação, para que o seu crescimento seja sereno e olhem confiantes para o futuro.

Saúdo de modo especial os jovens, os doentes e os novos casais. No mês de novembro a liturgia convida-nos à oração pelos defuntos. Não esqueçamos todos os que nos amaram e nos precederam na fé, assim como também aqueles dos quais ninguém se recorda: o sufrágio na Celebração Eucarística é a melhor ajuda espiritual que podemos oferecer às suas almas. Recordemos com afeto especial as vítimas do recente terramoto na Itália central: rezemos por elas e pelos familiares e continuemos a ser solidários com quantos sofreram danos.




Fonte: Vaticano




Angelus com o Papa Francisco - 13.11.2016


Praça São Pedro
Domingo, 13 de novembro de 2016








Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

O trecho evangélico de hoje (Lc 21, 5-19) contém a primeira parte do sermão de Jesus sobre os últimos tempos, na redação de São Lucas. Jesus pronuncia-o quando se encontra diante do templo de Jerusalém, partindo das expressões de admiração do povo pela beleza do santuário e das suas decorações (cf. v. 5). Então Jesus diz: «Dias virão em que se não deixará pedra sobre pedra que não seja derrubada» (v. 6). Podemos imaginar o efeito destas palavras sobre os discípulos de Jesus! Contudo, ele não queria ofender o templo, mas fazer compreender, a eles e também a nós hoje, que as construções humanas, até as mais sagradas, são passageiras e não se deve pôr nelas a nossa segurança. Quantas certezas presumíveis na nossa vida pensávamos que fossem definitivas e depois revelaram-se efémeras! Por outro lado, quantos problemas nos pareciam sem solução e depois foram superados!

Jesus sabe que há sempre quem especula sobre a necessidade humana de certezas. Por isso diz: «Vede que não vos enganem» (v. 8), e adverte contra os muitos falsos messias que se teriam apresentado (v. 9). Também hoje! E acrescenta que não se deixem aterrorizar e desorientar por guerras, revoluções e calamidades, porque também elas fazem parte da realidade deste mundo (cf. vv. 10-11). A história da Igreja é rica de exemplos de pessoas que enfrentaram tribulações e sofrimentos terríveis com serenidade, porque sabiam que estavam firmemente nas mãos de Deus. Ele é um Pai fiel, um Pai cuidadoso, que nunca abandona os seus filhos. Deus nunca nos abandona! Devemos ter esta certeza no coração: Deus nunca nos abandona!

Permanecer firmes no Senhor, nesta certeza que Ele nunca nos abandona, caminhar na esperança, trabalhar para construir um mundo melhor, não obstante as dificuldades e os acontecimentos tristes que marcam a existência pessoal e coletiva, é o que deveras conta; é quanto a comunidade cristã está chamada a fazer para ir ao encontro do «dia do Senhor». Precisamente nesta perspetiva queremos enquadrar o empenho que brota destes meses nos quais vivemos com fé o Jubileu Extraordinário da Misericórdia, que hoje se conclui nas Dioceses de todo o mundo com o encerramento das Portas Santas nas igrejas catedrais. O Ano Santo solicitou-nos, por um lado, a manter o olhar fixo no cumprimento do Reino de Deus e, por outro, a construir o futuro nesta terra, trabalhando para evangelizar o presente, de modo a fazer dele um tempo de salvação para todos.

No Evangelho, Jesus exorta-nos a ter muito firme na mente e no coração a certeza de que Deus conduz a nossa história e conhece o fim último das coisas e dos eventos. Sob o olhar misericordioso do Senhor desdobra-se a história no seu fluir incerto e no seu entrelaçar-se de bem e de mal. Mas tudo o que acontece está conservado n’Ele; a nossa vida não se pode perder porque está nas suas mãos. Rezemos à Virgem Maria, para que nos ajude, através das vicissitudes felizes e tristes deste mundo, a manter firme a esperança da eternidade e do Reino de Deus. Rezemos à Virgem Maria, para que nos ajude a compreender profundamente esta verdade: Deus nunca abandona os seus filhos!

Depois do Angelus

Amados irmãos e irmãs!

Nesta semana foi restituído à devoção dos fiéis o crucifixo mais antigo da Basílica de São Pedro, que remonta ao século xiv. Depois de um laborioso restauro foi-lhe restituído o antigo esplendor e será colocado na capela do Santíssimo Sacramento, em recordação do Jubileu da Misericórdia.

Celebra-se hoje na Itália o tradicional Dia de ação de graças pelos frutos da terra e do trabalho do homem. Associo-me aos Bispos ao desejar que a mãe terra seja sempre cultivada de maneira sustentável. A Igreja está ao lado do mundo agrícola com simpatia e reconhecimento e exorta a não esquecer quantos, em várias partes do mundo, não dispõem dos bens essenciais como a alimentação e a água.

Saúdo todos vós, famílias, paróquias, associações e fiéis individualmente, que viestes da Itália e de tantas partes do mundo. Em particular, saúdo e agradeço às associações que nestes dias animaram o Jubileu das pessoas marginalizadas. Muito obrigado pelo trabalho e pela ajuda! Saúdo os peregrinos provenientes do Rio de Janeiro, Salerno, Piacenza, Veroli e Acri, assim como o consultório «La famiglia» de Milão e as Confrarias italianas da Ordem secular trinitária.

A todos desejo bom domingo. Por favor, não vos esqueçais de rezar por mim. Bom almoço e até à vista!



Fonte: Vaticano




domingo, 13 de novembro de 2016

Evangelho do XXXIII Domingo do Tempo Comum - Ano C


Lucas 21, 5-19

Naquele tempo, comentavam alguns que o templo estava ornado com belas pedras e piedosas ofertas. Jesus disse-lhes: "Dias virão em que, de tudo o que estais a ver, não ficará pedra sobre pedra: tudo será destruído". Eles perguntaram-Lhe: "Mestre, quando sucederá isto? Que sinal haverá de que está para acontecer?" Jesus respondeu: "Tende cuidado; não vos deixeis enganar, pois muitos virão em meu nome e dirão: ‘Sou eu’; e ainda: ‘O tempo está próximo’. Não os sigais. Quando ouvirdes falar de guerras e revoltas, não vos alarmeis: é preciso que estas coisas aconteçam primeiro, mas não será logo o fim". Disse-lhes ainda: "Há-de erguer-se povo contra povo e reino contra reino. Haverá grandes terramotos e, em diversos lugares, fomes e epidemias. Haverá fenômenos espantosos e grandes sinais no céu. Mas antes de tudo isto, deitar-vos-ão as mãos e hão-de perseguir-vos, entregando-vos às sinagogas e às prisões, conduzindo-vos à presença de reis e governadores, por causa do meu nome. Assim tereis ocasião de dar testemunho. Tende presente em vossos corações que não deveis preparar a vossa defesa. Eu vos darei língua e sabedoria a que nenhum dos vossos adversários poderá resistir ou contradizer. Sereis entregues até pelos vossos pais, irmãos, parentes e amigos. Causarão a morte a alguns de vós e todos vos odiarão por causa do meu nome; mas nenhum cabelo da vossa cabeça se perderá. Pela vossa perseverança salvareis as vossas almas.





Catequese com o Papa Francisco - 09.10.2016


Praça São Pedro
Quarta-feira, 9 de novembro de 2016








Bom dia, prezados irmãos e irmãs!

A vida de Jesus, sobretudo nos três anos do seu ministério público, foi um encontro incessante com as pessoas. Entre elas, ocuparam um lugar especial os doentes. Quantas páginas dos Evangelhos narram estes encontros! O paralítico, o cego, o leproso, o endemoninhado, o epilético e numerosos enfermos de todos os tipos... Jesus fez-se próximo de cada um deles e curou-os com a sua presença e com o poder da sua força purificadora. Portanto, não pode faltar entre as obras de misericórdia a de visitar e assistir as pessoas enfermas.

Juntamente com ela podemos inserir também a de estar próximo das pessoas que se encontram na prisão. Com efeito, quer os doentes quer os presos vivem uma condição que limita a sua liberdade. E exatamente quando ela nos falta, sentimos como é preciosa! Jesus deu-nos a possibilidade de ser livres, não obstante os limites da doença e as restrições. Oferece-nos a liberdade que deriva do encontro com Ele e do sentido novo que este encontro confere à nossa condição pessoal.

Com estas obras de misericórdia o Senhor convida-nos a um gesto de grande humanidade: a partilha. Recordemos esta palavra: a partilha. Quem está doente, sente-se muitas vezes só. Não podemos esconder que, sobretudo nos nossos dias, é exatamente na doença que experimentamos de maneira mais profunda a solidão, que permeia uma grande parte da vida. Uma visita pode levar a pessoa doente a sentir-se menos só e um pouco de companhia é um ótimo remédio! Um sorriso, uma carícia, um aperto de mão, são gestos simples, mas muito importantes para quem se sente abandonado a si mesmo. Quantas pessoas se dedicam a visitar os enfermos nos hospitais ou nas casas! É uma impagável obra de voluntariado! Quando ela é feita em nome do Senhor, então torna-se inclusive expressão eloquente e eficaz de misericórdia. Não deixemos sós as pessoas doentes! Não impeçamos que elas encontrem alívio, e que nós sejamos enriquecidos pela proximidade a quantos sofrem. Os hospitais são verdadeiras «catedrais da dor», onde contudo se torna evidente também a força da caridade que sustém e sente compaixão.

Penso igualmente em quantos se encontram presos no cárcere. Jesus não se esqueceu também deles. Inserindo a visita aos encarcerados entre as obras de misericórdia, Ele quis convidar-nos antes de tudo a não sermos juízes de ninguém. Sem dúvida, se alguém está na prisão é porque errou, não respeitou a lei e a convivência civil. É por isso que se encontra na prisão, para cumprir a sua pena. Mas independentemente do que tiver feito, o preso continua a ser sempre amado por Deus. Quem pode entrar no íntimo da sua consciência, para compreender o que ele sente? Quem pode entender a sua dor e o seu remorso? É demasiado fácil lavar as mãos, afirmando que ele errou. Ao contrário, o cristão está chamado a responsabilizar-se por ele, para que quem errou compreenda o mal cometido e volte a cair em si mesmo. A falta de liberdade é indubitavelmente uma das maiores privações para o ser humano. Se a ela se acrescentar a degradação devida às condições muitas vezes desprovidas de humanidade nas quais estas pessoas se encontram a viver, então é verdadeiramente o caso em que o cristão se sente provocado a fazer de tudo para lhes restituir a dignidade.

Visitar as pessoas na prisão é uma obra de misericórdia que, sobretudo hoje, adquire um valor especial para as variadas formas de justicialismo às quais estamos submetidos. Portanto, ninguém aponte o dedo contra alguém. Ao contrário, todos nos tornemos instrumentos de misericórdia, com atitudes de partilha e de respeito. Penso com frequência nos presos... penso muitas vezes neles e trago-os no coração. Interrogo-me sobre o que os levou a cometer crimes e como puderam ceder às várias formas de mal. E no entanto, juntamente com tais pensamentos, sinto que todos precisam de proximidade e de ternura, porque a misericórdia de Deus realiza prodígios. Quantas lágrimas vi escorrer no rosto de prisioneiros que talvez nunca tinham chorado na sua vida; e isto só porque se sentiram acolhidos e amados.

E não nos esqueçamos que também Jesus e os Apóstolos fizeram a experiência da prisão. Nas narrações da Paixão, conhecemos os sofrimentos aos quais o Senhor foi submetido: capturado, arrastado como malfeitor, escarnecido, coroado de espinhos... Ele, o único Inocente! E inclusive são Pedro e são Paulo estiveram no cárcere (cf. At 12, 5; Fl 1, 12-17). Na tarde do domingo passado — dedicado ao Jubileu dos Presos — veio visitar-me um grupo de encarcerados paduanos. Perguntei-lhes o que teriam feito no dia seguinte, antes de voltar para Pádua. Disseram-me: «Iremos ao cárcere Mamertino para compartilhar a experiência de são Paulo». Foi bom, fez-me bem ouvir isto. Aqueles presos queriam encontrar Paulo prisioneiro. É algo bom, fez-me bem. E também ali, no cárcere, rezaram e evangelizaram. É comovedora a página dos Atos dos Apóstolos, onde se descreve o aprisionamento de Paulo: ele sentia-se só e desejava que alguns dos seus amigos o visitassem (cf. 2 Tm 4, 9-15). Sentia-se só, porque a grande maioria o tinha abandonado... o grande Paulo.

Como se vê, estas obras de misericórdia são antigas, e no entanto sempre atuais. Jesus deixou aquilo que fazia para ir visitar a sogra de Pedro; uma antiga obra de caridade. Jesus cumpriu-a. Não caiamos na indiferença, mas tornemo-nos instrumentos da misericórdia de Deus. Todos nós podemos ser instrumentos da misericórdia de Deus, e isto fará mais bem a nós do que aos outros, porque a misericórdia passa através de um gesto, de uma palavra, de uma visita, e esta misericórdia é um ato para restituir alegria e dignidade a quem a perdeu.



Saudações

Queridos peregrinos de língua portuguesa, sede bem-vindos! A todos vos saúdo, especialmente aos membros dos grupos e entes vindos do Brasil e de Portugal, convidando-vos a pedir ao Senhor uma fé grande para verdes a realidade com o olhar de Jesus e uma caridade generosa para vos aproximardes das pessoas com o seu coração misericordioso. Assim Deus vos abençoe a vós e às vossas famílias!

Dirijo uma cordial saudação aos peregrinos de expressão árabe, de maneira particular aos provenientes da Jordânia e da Terra Santa. A visita aos doentes e aos encarcerados infunde-lhes muito alívio e encorajamento, a fim de que não sintam a amargura da solidão. A visita proporciona uma grande riqueza também a quantos a realizam e leva a dar graças a Deus pela bênção da saúde e da liberdade. Somos nós que nos enriquecemos, quando nos aproximamos daqueles que sofrem, porque quem sofre desperta em nós a certeza da nossa pequenez e da nossa necessidade de Deus e dos outros. Que o Senhor abençoe todos vós e vos proteja do maligno!

Dirijo uma especial saudação aos jovens, aos doentes e aos recém-casados. Hoje celebramos a Dedicação da Basílica de São João de Latrão, Catedral de Roma. Rezai pelo Sucessor do Apóstolo Pedro, amados jovens, a fim de que ele confirme sempre os irmãos na fé; senti a proximidade do Papa na oração, estimados enfermos, para enfrentar a prova da enfermidade; ensinai com simplicidade a fé aos vossos filhos, diletos recém-casados, alimentando-a com o amor pela Igreja e pelos seus Pastores.




Fonte: Vaticano




Angelus com o Papa Francisco - 06.11.2016


Praça São Pedro
Domingo, 6 de novembro de 2016








Amados irmãos e irmãs, bom dia!

À distância de poucos dias da solenidade de Todos os Santos e da Comemoração dos fiéis defuntos, a Liturgia deste domingo convida-nos ainda a refletir sobre o mistério da ressurreição dos mortos. O Evangelho de Lucas (cf. 20, 27-38) apresenta-nos Jesus que se confronta com alguns saduceus, os quais não acreditavam na ressurreição e concebiam a relação com Deus só na dimensão da vida terrena. E por conseguinte, para ridicularizar a ressurreição e pôr Jesus em dificuldade, submeteram-lhe um caso paradoxal e absurdo: uma mulher que tivera sete maridos, todos irmãos, os quais morreram um depois do outro. Eis então a pergunta maliciosa dirigida a Jesus: aquela mulher, na ressurreição, de quem será esposa? (v. 33)?

Jesus não cai na cilada e reafirma a verdade da ressurreição, explicando que a existência depois da morte será diversa da terrena. Ele faz compreender aos seus interlocutores que não é possível aplicar as categorias deste mundo às realidades que vão além e são maiores daquilo que vemos nesta vida. Com efeito diz: «Os filhos deste mundo casam-se e dão-se em casamento, mas as pessoas que merecem alcançar a ressurreição e a vida futura nem hão de casar, nem ser dados em casamento» (v. 34-35). Com estas palavras, Jesus pretende explicar que neste mundo vivemos de realidades provisórias, que acabam; ao contrário no além, depois da ressurreição, já não teremos a morte como horizonte e viveremos tudo, também os vínculos humanos, na dimensão de Deus, de modo transfigurado. Inclusive o matrimónio, sinal e instrumento do amor de Deus neste mundo, resplandecerá transformado em plena luz na comunhão gloriosa dos santos no Paraíso.

Os «filhos do céu e da ressurreição» não são poucos privilegiados, mas são todos os homens e todas as mulheres, porque a salvação que Jesus trouxe é para cada um de nós. E a vida dos ressuscitados será semelhante à dos anjos (cf. v. 36), ou seja, toda imersa na luz de Deus, toda dedicada ao seu louvor, numa eternidade cheia de júbilo e de paz. Mas atenção! A ressurreição não é só o facto de ressuscitar depois da morte, mas é um novo género de vida que já experimentamos no hoje; é a vitória sobre o nada que já podemos antegozar. A ressurreição é o fundamento da fé e da esperança cristã! Se não houvesse a referência ao Paraíso e à vida eterna, o cristianismo reduzir-se-ia a uma ética, a uma filosofia de vida. Ao contrário, a mensagem da fé cristã vem do céu, é revelada por Deus e vai além deste mundo. Acreditar na ressurreição é essencial, para que cada um dos nossos atos de amor cristão não seja efémero nem um fim em si mesmo, mas se torne uma semente destinada a desabrochar no jardim de Deus, e produzir frutos de vida eterna.

A Virgem Maria, rainha do céu e da terra, nos confirme na esperança da ressurreição e nos ajude a fazer frutificar em obras boas a palavra do seu Filho semeada nos nossos corações.

Depois do Angelus

Amados irmãos e irmãs!

Por ocasião do hodierno Jubileu dos reclusos, gostaria de dirigir um apelo a favor do melhoramento das condições de vida nas prisões de todo o mundo, a fim de que seja respeitada plenamente a dignidade humana dos reclusos. Além disso, desejo reafirmar a importância de refletir sobre a necessidade de uma justiça penal que não seja exclusivamente punitiva, mas aberta à esperança e à perspectiva de reinserção do réu na sociedade. De maneira especial, submeto à consideração das competentes Autoridades civis de cada país a possibilidade de realizar, neste Ano Santo da Misericórdia, um ato de clemência em relação àqueles reclusos que forem considerados idôneos para beneficiar de tal medida.

Há dois dias entrou em vigor o Acordo de Paris sobre o clima do Planeta. Este importante passo em frente demonstra que a humanidade tem a capacidade de colaborar para a salvaguarda da criação (cf. Laudato si’, 13), a fim de pôr a economia ao serviço das pessoas e de construir a paz e a justiça. Depois, amanhã terá início em Marrakech, Marrocos, a nova sessão da Conferência sobre o clima, que tem por finalidade, entre outras, a aplicação deste Acordo. Faço votos por que todo este processo seja guiado pela consciência da nossa responsabilidade pelo cuidado da casa comum.

Desejo a todos bom domingo. Por favor, não vos esqueçais de rezar por mim. Bom almoço e até à vista!




Fonte: Vaticano




domingo, 6 de novembro de 2016

Evangelho da Solenidade de Todos os Santos


São Mateus 5, 1-12

Naquele tempo, ao ver as multidões, Jesus subiu ao monte e sentou-Se. Rodearam-n’O os discípulos e Ele começou a ensiná-los, dizendo: "Bem-aventurados os pobres em espírito, porque deles é o reino dos Céus. Bem-aventurados os humildes, porque possuirão a terra. Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados. Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados. Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia. Bem-aventurados os puros de coração, porque verão a Deus. Bem-aventurados os que promovem a paz, porque serão chamados filhos de Deus. Bem-aventurados os que sofrem perseguição por amor da justiça, porque deles é o reino dos Céus. Bem-aventurados sereis, quando, por minha causa, vos insultarem, vos perseguirem e, mentindo, disserem todo o mal contra vós. Alegrai-vos e exultai, porque é grande nos Céus a vossa recompensa".







Angelus com o Papa Francisco - 30.10.2016


Praça São Pedro
Domingo, 30 de outubro de 2016








Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

O Evangelho de hoje apresenta-nos um episódio acontecido em Jericó, quando Jesus chegou à cidade e foi acolhido pela multidão (cf. Lc 19, 1-10). Em Jericó vivia Zaqueu, o chefe dos «publicanos», ou seja, dos cobradores de impostos. Zaqueu era um rico colaborador dos odiados ocupantes romanos, um explorador do seu povo. Também ele, por curiosidade, queria ver Jesus, mas a sua condição de público pecador não lhe permitia aproximar-se do Mestre; além disso, era de baixa estatura, e por isso resolveu subir numa árvore, um sicómoro, ao longo do caminho onde Jesus ia passar.

Quando Jesus chegou perto daquela árvore levantou os olhos e disse-lhe: «Zaqueu, desça depressa. Quero ficar em sua casa hoje» (v. 5). Podemos imaginar a estupefação de Zaqueu! Mas porque Jesus disse «devo ficar em sua casa»? De qual dever se trata? Sabemos que o seu dever supremo é atuar o desígnio do Pai sobre toda a humanidade, que se cumpre em Jerusalém com a sua condenação à morte, a crucificação e, no terceiro dia, a ressurreição. É o desígnio de salvação da misericórdia do Pai. E neste desígnio há também a salvação de Zaqueu, um homem desonesto e desprezado por todos, e que portanto necessitava de se converter. Com efeito, o Evangelho narra que, quando Jesus o chamou, «todos murmuravam: “Ele hospedou-se na casa de um pecador” (v. 7). O povo considerava-o um ladrão, que se enriqueceu à custa dos outros. E se Jesus tivesse dito: “Desce tu, explorador, traidor do povo! Vem falar comigo para ajustar as contas!”. Certamente o povo teria aplaudido. Ao contrário, começaram a murmurar: “Jesus vai à casa dele, do pecador, do explorador”».

Jesus, guiado pela misericórdia, procurava precisamente por ele. E ao entrar na casa de Zaqueu disse-lhe: «Hoje houve salvação nesta casa, porque este também é filho de Abraão. Pois o filho do homem veio buscar e salvar o que estava perdido» (vv. 9-10). O olhar de Jesus vai para além dos pecados e dos preconceitos. Isto é importante! Devemos aprendê-lo. O olhar de Jesus vai além dos pecados e dos preconceitos; ele vê a pessoa com os olhos de Deus, que não se detém no mal passado, mas entrevê o bem futuro; Jesus não se resigna aos fechamentos, mas sempre abre, sempre abre novos espaços de vida; não se detém nas aparências, mas olha para o coração. E neste caso olhou para o coração ferido deste homem: ferido pelo pecado da cupidez, pelas numerosas coisas más que este Zaqueu tinha cometido. Olha para aquele coração ferido e vai ali.

Por vezes, procuramos corrigir ou converter um pecador repreendendo-o, criticando os seus erros e o seu comportamento injusto. A atitude de Jesus com Zaqueu indica-nos outro caminho: o de mostrar a quem erra o seu valor, aquele valor que Deus continua a ver não obstante tudo, apesar de todas as nossas faltas. Isto pode provocar uma surpresa positiva, que enternece o coração e impele a pessoa a tirar o bem que tem dentro de si. É dando confiança às pessoas que as fazemos crescer e mudar. É assim que Deus se comporta com todos nós: não está bloqueado pelo nosso pecado, mas supera-o com o amor e faz-nos sentir a nostalgia do bem. Todos sentimos esta nostalgia do bem depois de um erro. E assim faz o nosso Deus Pai, assim faz Jesus. Não existe uma pessoa que não tenha algo de bom. E Deus olha para isto, para o tirar do mal.

A Virgem Maria nos ajude a ver o bem que há nas pessoas que encontramos todos os dias, a fim de que todos sejamos encorajados a fazer sobressair a imagem de Deus impressa no seu coração. E assim podemos rejubilar pelas surpresas da misericórdia de Deus! O nosso Deus, que é o Deus das surpresas!



Depois do Angelus

Ontem, em Madrid, foram proclamados Beatos José Antón Gómez, Antolín Pablos Villanueva, Juan Rafael Mariano Alcocer Martínez e Luis Vidaurrázaga Gonzáles, mártires, assassinados na Espanha no século passado, durante a perseguição contra a Igreja. Eram monges beneditinos. Louvemos o Senhor e confiemos à sua intercessão os irmãos e as irmãs que infelizmente ainda hoje, em várias partes do mundo, são perseguidos devido à fé em Cristo.

Expresso a minha proximidade às populações da Itália Central atingidas pelo terramoto. Também esta manhã houve um forte tremor de terra. Rezo pelos feridos e pelas famílias que sofreram os maiores prejuízos, assim como pelas pessoas empenhadas nos socorros e na assistência. O Senhor Ressuscitado lhes dê a força e Nossa Senhora os proteja.

Nos próximos dois dias realizarei uma Viagem apostólica à Suécia, por ocasião da comemoração da Reforma, durante a qual católicos e luteranos se reunirão em recordação e oração. Peço a todos vós para rezar a fim de que esta viagem seja uma nova etapa no caminho de fraternidade rumo à plena comunhão.

Desejo a todos um bom domingo — há um bonito sol... — e uma boa comemoração da solenidade de Todos os Santos. E, por favor, não vos esqueçais de rezar por mim. Bom almoço e até à vista!




Fonte: Vaticano




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