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domingo, 8 de outubro de 2017

Evangelho do XXVII Domingo do Tempo Comum – Ano A


São Mateus 21, 33-43

Naquele tempo, disse Jesus aos príncipes dos sacerdotes e aos anciãos do povo: "Ouvi outra parábola: Havia um proprietário que plantou uma vinha, cercou-a com uma sebe, cavou nela um lagar e levantou uma torre; depois, arrendou-a a uns vinhateiros e partiu para longe. Quando chegou a época das colheitas, mandou os seus servos aos vinhateiros para receber os frutos. Os vinhateiros, porém, lançando mão dos servos, espancaram um, mataram outro, e a outro apedrejaram-no. Tornou ele a mandar outros servos, em maior número que os primeiros. E eles trataram-nos do mesmo modo. Por fim, mandou-lhes o seu próprio filho, dizendo: ‘Respeitarão o meu filho’. Mas os vinhateiros, ao verem o filho, disseram entre si: ‘Este é o herdeiro; matemo-lo e ficaremos com a sua herança’. E, agarrando-o, lançaram-no fora da vinha e mataram-no. Quando vier o dono da vinha, que fará àqueles vinhateiros?" Eles responderam: "Mandará matar sem piedade esses malvados, e arrendará a vinha a outros vinhateiros, que lhe entreguem os frutos a seu tempo". Disse-lhes Jesus: "Nunca lestes na Escritura: ‘A pedra que os construtores rejeitaram tornou-se a pedra angular; tudo isto veio do Senhor e é admirável aos nossos olhos’? Por isso vos digo: Ser-vos-á tirado o reino de Deus e dado a um povo que produza os seus frutos. Quem cair sobre esta pedra ficará despedaçado e aquele sobre quem ela cair será esmagado".





Catequese com o Papa Francisco - 04.10.2017


Quarta-feira, 4 de outubro de 2017








Amados irmãos e irmãs, bom dia!

Desejo falar nesta catequese sobre o tema “Missionários de esperança hoje”. Sinto-me feliz por o fazer no início do mês de outubro, que na Igreja é dedicado de modo especial à missão, e também na festa de São Francisco de Assis, que foi um grande missionário de esperança!

Com efeito, o cristão não é um profeta de desventura. Nós não somos profetas de desventura. A essência do seu anúncio é o oposto, o contrário da desventura: é Jesus, morto por amor e que Deus ressuscitou na manhã de Páscoa. É este o núcleo da fé cristã. Se os Evangelhos se tivessem interrompido com a sepultura de Jesus, a história deste profeta iria juntar-se às tantas biografias de personagens heróicos que deram a vida por um ideal. Neste caso o Evangelho seria um livro edificante, até consolador, e não um anúncio de esperança.

Mas os Evangelhos não se encerram com a sexta-feira santa, vão além; e é precisamente este ulterior fragmento que transforma as nossas vidas. Os discípulos de Jesus estavam entristecidos naquele sábado depois da sua crucificação; aquela pedra colocada na entrada do sepulcro tinha fechado também os três anos entusiasmantes vividos por eles com o Mestre de Nazaré. Parecia que tudo tinha acabado, e alguns, desiludidos e amedrontados, já estavam a abandonar Jerusalém.

Mas Jesus ressuscita! Este facto inesperado inverte e subverte a mente e o coração dos discípulos. Porque Jesus não ressuscita só para si, como se o seu renascimento fosse uma prerrogativa da qual ser ciumentos: eleva-se ao Pai porque deseja que a sua ressurreição seja comunicada a cada ser humano, e que arrebate para o alto todas as criaturas. E no dia de Pentecostes os discípulos são transformados pelo sopro do Espírito Santo. Não receberão apenas uma boa notícia para levar a todos, mas eles mesmos se sentirão diferentes em relação a antes, como renascidos para uma vida nova. A ressurreição de Jesus transforma-nos com a força do Espírito Santo. Jesus está vivo, está vivo entre nós, está vivo e tem aquela força transformadora.

Como é bom pensar que somos anunciadores da ressurreição de Jesus não só com palavras, mas com os factos e com o testemunho da vida! Jesus não quer discípulos capazes unicamente de repetir fórmulas aprendidas de cor. Deseja testemunhas: pessoas que propaguem esperança com o seu modo de acolher, de sorrir, de amar. Principalmente de amar: porque a força da ressurreição torna os cristãos capazes de amar mesmo quando parece que o amor perdeu as suas razões. Há um “a mais” que habita a existência cristã, e que não se explica apenas com a força de ânimo ou com mais otimismo. A fé, a nossa esperança não é simplesmente um otimismo; é outra coisa, é mais! É como se os crentes fossem pessoas com um “pedaço de céu” a mais em cima da cabeça. Isto é bonito: nós somos pessoas com um pedaço de céu a mais em cima da cabeça, acompanhados por uma presença que alguns nem conseguem intuir.

Por conseguinte, é dever dos cristãos, neste mundo, abrir espaços de salvação, como células regeneradoras capazes de restituir linfa ao que parecia estar perdido para sempre. Quando o céu está totalmente enevoado, quem sabe falar do sol é uma bênção. Eis, o verdadeiro cristão é assim: não é lamentoso nem zangado, mas convicto, pela força da ressurreição, de que mal algum é infinito, noite alguma é sem fim, homem algum está definitivamente errado, ódio algum é invencível pelo amor.

Claro, por vezes os discípulos pagaram muito caro esta esperança que Jesus lhe doou. Pensemos nos tantos cristãos que não abandonaram o seu povo, quando chegou o momento da perseguição. Ficaram ali, onde havia a incerteza até do amanhã, onde não se podia fazer nenhum tipo de projeto, permaneceram esperando em Deus. E pensemos nos nossos irmãos, nas nossas irmãs do Médio Oriente que dão testemunho de esperança e oferecem inclusive a vida por este testemunho. Estes são verdadeiros cristãos! Estes trazem o céu no coração, olham além, sempre além. Quem teve a graça de abraçar a ressurreição de Jesus ainda pode esperar no inesperado. Os mártires de todos os tempos, com a sua fidelidade a Cristo, contam que a injustiça não tem a última palavra na vida. Em Cristo ressuscitado podemos continuar a esperar. Os homens e as mulheres que têm um “por que” viver resistem mais nos tempos de desventura do que os outros. Mas quem tem Cristo ao seu lado nada teme realmente. E por isso os cristãos, os verdadeiros cristãos, nunca são homens fáceis e condescendentes. A sua mansidão não deve ser confundida com um sentido de insegurança ou de submissão. São Paulo encoraja Timóteo a sofrer pelo evangelho, e diz assim: «Porque Deus não nos deu o espírito de temor, mas de fortaleza, de amor e de moderação» (2 Tm 1, 7). Se caem, levantam-se sempre.

Eis, queridos irmãos e irmãs, o motivo pelo qual o cristão é um missionário de esperança. Não por seu mérito, mas graças a Jesus, o grão de trigo que, ao cair na terra, morreu e deu muito fruto (cf. Jo 12, 24).


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Desejo anunciar que de 19 a 24 de março de 2018 está convocada pela Secretaria Geral do Sínodo dos Bispos uma Reunião pré-sinodal para a qual estão convidados jovens provenientes de todas as partes do mundo: católicos, de diversas confissões cristãs e de outras religiões, ou não-crentes.

Esta iniciativa insere-se no caminho de preparação da próxima Assembleia Geral do Sínodo dos Bispos que terá como tema Os jovens, a fé e o discernimento vocacional, em outubro de 2018. Com este caminho a Igreja pretende pôr-se à escuta da voz, da sensibilidade, da fé e também das dúvidas e das críticas da juventude. Por isso, as conclusões da Reunião de março serão transmitidas aos Padre sinodais.

Saudação

Saúdo cordialmente os peregrinos de língua portuguesa, com menção especial dos fiéis da paróquia da Ressurreição do Senhor, de Jardim, que aqui vieram movidos pelo desejo de afirmar e consolidar a sua fé e adesão a Cristo: o Senhor vos encha de alegria e o Espírito Santo ilumine as decisões da vossa vida, para realizardes fielmente a vontade do Pai celeste a vosso respeito. Rezai por mim. Não vos faltará a minha oração e a Bênção de Deus.




Fonte: Vaticano




Angelus com o Papa Francisco - 01.10.2017


Piazza Maggiore, Bolonha
Domingo, 1° de outubro de 2017









Queridos irmãos e irmãs!

Neste domingo culmina a semana dedicada de modo particular à Palavra de Deus, por ocasião da festa da memória de São Jerónimo, grande mestre da Sagrada Escritura. Demos graças a Deus pelo dom da sua Palavra e comprometamo-nos a ler e meditar a Bíblia, especialmente o Evangelho.

Por fim, unamo-nos espiritualmente aos fiéis reunidos no Santuário de Pompeia para a tradicional Súplica a Nossa Senhora do Rosário, presidida hoje pelo Presidente da Conferência Episcopal Italiana, Cardeal Bassetti.

A todos vós, bolonheses nativos e “adotivos”, desejo um bom domingo. Por favor, não vos esqueçais de rezar por mim. Bom almoço e até à vista!



Fonte: Vaticano




domingo, 1 de outubro de 2017

Evangelho do XXVI Domingo do Tempo Comum – Ano A


São Mateus 21, 28-32

Naquele tempo, disse Jesus aos príncipes dos sacerdotes e aos anciãos do povo: "Que vos parece? Um homem tinha dois filhos. Foi ter com o primeiro e disse-lhe: ‘Filho,vai hoje trabalhar na vinha’. Mas ele respondeu-lhe: ‘Não quero’. Depois, porém, arrependeu-se e foi. O homem dirigiu-se ao segundo filho e falou-lhe do mesmo modo. Ele respondeu: ‘Eu vou, Senhor’. Mas de facto não foi. Qual dos dois fez a vontade ao pai?" Eles responderam-Lhe: "O primeiro". Jesus disse-lhes: "Em verdade vos digo: Os publicanos e as mulheres de má vida irão diante de vós para o reino de Deus. João Batista veio até vós, ensinando-vos o caminho da justiça, e não acreditastes nele; mas os publicanos e as mulheres de má vida acreditaram. E vós, que bem o vistes, não vos arrependestes, acreditando nele".








Catequese com o Papa Francisco - 27.09.2017


Quarta-feira, 27 de setembro de de 2017








Bom dia, prezados irmãos e irmãs!

Neste tempo falamos sobre a esperança; mas hoje eu gostaria de refletir convosco sobre os inimigos da esperança. Pois a esperança tem os seus inimigos: como cada bem neste mundo, ela tem os seus inimigos.

E veio-me à mente o antigo mito da caixa de Pandora: a abertura da caixa desencadeia muitas desgraças para a história do mundo. No entanto, poucos se recordam da última parte da história, que abre uma espiral de luz: depois que todos os males saíram da caixa, um minúsculo dom parece ter a desforra diante de todo o mal que se propaga. Pandora, a mulher que conservava o jarro, vê-o por último: os gregos chamam-lhe elpís que significa esperança.

Este mito narra-nos por que razão a esperança é tão importante para a humanidade. Não é verdade que “enquanto houver vida, haverá esperança”, como se costuma dizer. Talvez o contrário: é a esperança que mantém em pé a vida, que a protege, que a conserva, que a faz crescer. Se os homens não tivessem cultivado a esperança, se não tivessem sido animados por esta virtude, nunca teriam saído das cavernas, nem teriam deixado vestígios na história do mundo. É o que de mais divino possa existir no coração do homem.

Um poeta francês — Charles Péguy — deixou-nos páginas maravilhosas sobre a esperança (cf. O pórtico do mistério da segunda virtude). Ele diz poeticamente que Deus não se admira tanto com a fé dos seres humanos, e nem sequer com a sua caridade; mas o que realmente o enche de admiração e emoção é a esperança das pessoas: «Que aqueles pobres filhos — escreve — vejam como vão as coisas e que acreditem que será melhor amanhã de manhã». A imagem do poeta evoca o rosto de muitas pessoas que passaram por este mundo — camponeses, pobres operários, migrantes em busca de um futuro melhor — que lutaram tenazmente, não obstante a amargura de um presente difícil, cheio de numerosas provações, mas animada pela confiança de que os filhos teriam uma vida mais justa e mais tranquila. Pelejavam pelos filhos, lutavam na esperança.

A esperança é o impulso no coração de quem parte, deixando a casa, a terra, às vezes familiares e parentes — penso nos migrantes — em busca de uma vida melhor, mais digna para si e para os próprios entes queridos. E é também o ímpeto no coração de quem acolhe: o desejo de se encontrar, de se conhecer, de dialogar... A esperança é o impulso a “compartilhar a viagem”, porque a viagem se faz em dois: aqueles que vêm à nossa terra, e nós que vamos rumo ao seu coração, para os entender, para compreender a sua cultura, a sua língua. É uma viagem em dois, mas sem esperança aquela viagem não se pode realizar. A esperança é o ímpeto a compartilhar a viagem da vida, como nos recorda a Campanha da Cáritas que hoje inauguramos. Irmãos, não tenhamos receio de compartilhar a viagem! Não tenhamos medo! Não temamos compartilhar a esperança!

A esperança não é uma virtude para pessoas de barriga cheia. Eis por que motivo, desde sempre, os pobres são os primeiros portadores de esperança. E neste sentido podemos dizer que os pobres, até os mendigos, são os protagonistas da História. Para entrar no mundo, Deus teve necessidade deles: de José e de Maria, dos pastores de Belém. Na noite do primeiro Natal havia um mundo que dormia, acomodado em tantas certezas adquiridas. Mas em segredo os humildes preparavam a revolução da bondade. Eram totalmente pobres, alguns flutuavam pouco acima do limiar da sobrevivência, mas eram ricos do bem mais precioso que existe no mundo, ou seja, a vontade de mudança.

Por vezes, ter tudo na vida é uma desventura. Pensai num jovem ao qual não foi ensinada a virtude da espera e da paciência, que não teve de suar por nada, que queimou etapas e com vinte anos “já sabe como vai o mundo”; foi destinado à pior condenação: não desejar mais nada. Eis a pior condenação, fechar a porta aos desejos, aos sonhos. Parece um jovem, mas no seu coração o outono já chegou. São os jovens de outono.

Ter uma alma vazia é o pior obstáculo para a esperança. Trata-se de um risco do qual ninguém se pode dizer excluído; porque podemos ser tentados contra a esperança até quando se percorre o caminho da vida cristã. Os monges da antiguidade denunciavam um dos piores inimigos do fervor. Diziam assim: aquele “demónio do meio-dia” que vai debilitar uma vida de compromissos, exatamente quando o sol arde lá no alto. Esta tentação surpreende-nos, quando menos esperamos: os dias tornam-se monótonos e tediosos, quase nenhum valor parece digno de esforço. Esta atitude chama-se preguiça, que corrói a vida a partir de dentro, até a deixar como um invólucro vazio.

Quando isto acontece, o cristão sabe que aquela condição deve ser ser combatida, nunca aceite passivamente. Deus criou-nos para a alegria e a felicidade, não para nos remoermos em pensamentos melancólicos. Eis por que razão é importante preservar o próprio coração, opondo-nos às tentações de infelicidade, que certamente não derivam de Deus. E quando as nossas forças parecem frágeis e a batalha contra a angústia particularmente árdua, podemos recorrer sempre ao nome de Jesus. Podemos repetir aquela oração simples, da qual encontramos vestígios inclusive nos Evangelhos, e que se tornou o fulcro de muitas tradições espirituais cristãs: “Senhor Jesus Cristo, Filho de Deus vivo, tende piedade de mim, pecador!”. Uma linda oração! “Senhor Jesus Cristo, Filho de Deus vivo, tende piedade de mim, pecador!”. Trata-se de uma prece de esperança, porque me dirijo Àquele que pode abrir de par em par as portas e resolver o problema e levar-me a fitar o horizonte, o horizonte da esperança.

Irmãos e irmãs, não lutamos sozinhos contra o desespero. Se Jesus venceu o mundo, é capaz de derrotar em nós tudo aquilo que se opõe ao bem. Se Deus estiver connosco, ninguém nos roubará aquela virtude, da qual temos absolutamente necessidade para viver. Ninguém nos furtará a esperança. Vamos em frente!



Saudações

Peço-vos que hoje rezeis pelas vítimas e pelos prejudicados que deixa atrás de si o furacão que nestes dias se abateu sobre o Caribe e de modo especial sobre Porto Rico. Deus vos abençoe.

Saúdo todos os peregrinos de língua portuguesa, em particular os fiéis de Arruda dos Vinhos e Sobral, e os diversos grupos do Brasil. Queridos amigos, a esperança cristã nos leva a olhar para o futuro como homens e mulheres que não se cansam de sonhar com um mundo melhor. Que Maria, causa da nossa esperança, vos guie nesse caminho.

Apelo do Papa

É-me grato receber os representantes da Cáritas, aqui reunidos para dar início oficial à campanha «Compartilhemos a viagem» — bonito lema da vossa campanha: compartilhar a viagem — que eu quis fazer coincidir com esta audiência. Dou as boas-vindas aos migrantes, requerentes de asilo e refugiados que, ao lado dos agentes da Cáritas italiana e de outras organizações católicas, são sinal de uma Igreja que procura ser aberta, inclusiva e hospitaleira. Obrigado a todos vós pelo serviço incansável. Já os aplaudistes, mas todos eles realmente merecem um grande aplauso da parte de todos!

Com o vosso esforço diário recordais-nos que o próprio Cristo nos pede para receber de braços bem abertos os nossos irmãos e irmãs migrantes e refugiados. Acolher assim, de braços bem abertos! Quando os braços estão abertos, estão prontos para um abraço sincero, um abraço carinhoso, um abraço aconchegante, um pouco como esta colunata na Praça, que representa a Igreja mãe que abraça todos na partilha da viagem comum.

Dou as boas-vindas também aos representantes de muitas organizações da sociedade civil comprometidas na assistência a migrantes e refugiados que, juntamente com a Cáritas, deram apoio à angariação de assinaturas para uma nova lei migratória mais adequada ao contexto atual. Sede todos bem-vindos!



Fonte: Vaticano




Angelus com o Papa Francisco - 24.09.2017


Praça São Pedro
Domingo, 24 de setembro de 2017








Bom dia, estimados irmãos e irmãs!

Na página evangélica de hoje (cf. Mt 20, 1-16) encontramos a parábola dos operários chamados a trabalhar ao dia, que Jesus narra para comunicar dois aspetos do Reino de Deus: o primeiro, que Deus quer chamar todos a trabalhar para o seu Reino; o segundo, que no final deseja oferecer a todos a mesma recompensa, ou seja, a salvação, a vida eterna.

O senhor da vinha, que representa Deus, sai ao romper da manhã e contrata um grupo de operários, concordando com eles o salário de um denário por dia: era um salário justo. Depois, sai também nas horas seguintes — ele sai cinco vezes naquele dia — até ao cair da tarde, para contratar outros operários que estão desempregados. No final do dia, o senhor ordena que seja dado um denário a todos, até àqueles que tinham trabalhado poucas horas. Naturalmente, os trabalhadores contratados primeiro queixam-se, porque veem que são pagos como aqueles que trabalharam menos. No entanto, o senhor recorda-lhes que receberam quanto tinham concordado; mas, se Ele quiser ser generoso com os demais, não devem sentir inveja.

Na realidade, esta “injustiça” do senhor serve para provocar, em quantos ouvem a parábola, um salto de nível, porque aqui Jesus não quer falar do problema do trabalho, nem do salário justo, mas do Reino de Deus! E a mensagem é esta: no Reino de Deus não existem desempregados, todos são chamados a desempenhar a sua parte; e no final haverá para todos a recompensa que deriva da justiça divina — não humana, por sorte! — ou seja, a salvação que Jesus Cristo nos conquistou com a sua morte e ressurreição. Uma salvação que não é merecida, mas concedida — a salvação é gratuita — e por isso, «os últimos serão os primeiros e os primeiros serão os últimos» (Mt 20, 16).

Com esta parábola, Jesus quer abrir o nosso coração à lógica do amor do Pai, que é gratuito e generoso. Trata-se de nos deixarmos surpreender e fascinar pelos «pensamentos» e pelos «caminhos» de Deus que, como recorda o profeta Isaías, não são os nossos pensamentos, não são os nossos caminhos (cf. Is 55, 8). Os pensamentos humanos são muitas vezes marcados por egoísmos e interesses pessoais, e as nossas veredas estreitas e tortuosas não são comparáveis com os caminhos largos e retos do Senhor. Ele é misericordioso — não nos esqueçamos disto: Ele é misericordioso — perdoa amplamente, está cheio de generosidade e de bondade, que derrama sobre cada um de nós, abrindo a todos os territórios ilimitados do seu amor e da sua graça, os únicos que podem conferir ao coração humano a plenitude da alegria.

Jesus quer levar-nos a contemplar o olhar daquele senhor: o olhar com que vê cada um dos operários à espera de um trabalho, chamando-os para a sua vinha. Trata-se de um olhar cheio de atenção e de benevolência; é um olhar que chama, que convida a erguer-se, a pôr-se a caminho, porque deseja a vida para cada um de nós, quer uma vida plena, comprometida, resgatada do vazio e da inércia. Deus não exclui ninguém e quer que cada um alcance a sua plenitude. Este é o amor do nosso Deus, do nosso Deus que é Pai.

Maria Santíssima nos ajude a acolher na nossa vida a lógica do amor, que nos liberta da presunção de merecer a recompensa de Deus e do juízo negativo sobre os outros.

Depois do Angelus

Ontem, em Oklahoma City (Estados Unidos da América), foi proclamado Beato Stanley Francis Rother, sacerdote missionário assassinado por ódio à fé, devido à sua obra de evangelização e promoção humana em benefício dos mais pobres na Guatemala. O seu exemplo heroico nos ajude a ser testemunhas corajosas do Evangelho, comprometendo-nos a favor da dignidade do homem.

Saúdo afetuosamente todos vós, romanos e peregrinos provenientes de vários países. Saúdo de modo particular o coro da Missão católica italiana de Berna, a comunidade romana de Comunhão e Libertação, bem como os fiéis de Villadossola, Offanengo e Nola.

Desejo bom domingo a todos! E, por favor, não vos esqueçais de rezar por mim. Bom almoço e até à vista!



Fonte: Vaticano




domingo, 24 de setembro de 2017

Evangelho do XXV Domingo do Tempo Comum – Ano A

 
São Mateus 20, 1-16a

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos a seguinte parábola: "O reino dos Céus pode comparar-se a um proprietário, que saiu muito cedo a contratar trabalhadores para a sua vinha. Ajustou com eles um denário por dia e mandou-os para a sua vinha. Saiu a meia manhã, viu outros que estavam na praça ociosos e disse-lhes: 4‘Ide vós também para a minha vinha e dar-vos-ei o que for justo’. E eles foram. Voltou a sair, por volta do meio-dia e pelas três horas da tarde, e fez o mesmo. Saindo ao cair da tarde, encontrou ainda outros que estavam parados e disse-lhes: ‘Porque ficais aqui todo o dia sem trabalhar?’ Eles responderam-lhe: ‘Ninguém nos contratou’. Ele disse-lhes: ‘Ide vós também para a minha vinha’. Ao anoitecer, o dono da vinha disse ao capataz: "Chama os trabalhadores e paga-lhes o salário, a começar pelos últimos e a acabar nos primeiros’.Vieram os do entardecer e receberam um denário cada um. Quando vieram os primeiros, julgaram que iam receber mais, mas receberam também um denário cada um. Depois de o terem recebido, começaram a murmurar contra o proprietário, dizendo: ‘Estes últimos trabalharam só uma hora e deste-lhes a mesma paga que a nós, que suportamos o peso do dia e o calor’. Mas o proprietário respondeu a um deles: ‘Amigo, em nada te prejudico. Não foi um denário que ajustaste comigo? Leva o que é teu e segue o teu caminho. Eu quero dar a este último tanto como a ti. Não me será permitido fazer o que quero do que é meu? Ou serão maus os teus olhos porque eu sou bom?’ Assim, os últimos serão os primeiros e os primeiros serão os últimos".




Catequese com o Papa Francisco - 20.09.2017


Quarta-feira, 20 de setembro de de 2017








Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

A catequese de hoje tem por tema: “educar para a esperança”. Por isso pronunciar-la-ei diretamente com o “tu”, imaginando que falo como educador, como pai a um jovem ou a qualquer pessoa aberta ao aprendizado.

Pensa, ali onde Deus te semeou, espera! Espera sempre.

Não te rendas à noite: recordas que o primeiro inimigo a vencer não está fora de ti: mas dentro. Por conseguinte, não concedas espaço aos pensamentos amargos, obscuros. Este mundo é o primeiro milagre que Deus realizou, Deus pôs nas nossas mãos a graça de novos prodígios. Fé e esperança procedem juntas. Crê na existência das verdades mais elevadas e bonitas. Confia no Deus Criador, no Espírito Santo que move tudo para o bem, no abraço de Cristo que espera cada homem no final da sua existência; crê, Ele espera-te. O mundo caminha graças ao olhar de tantos homens que abriram frestas, que construíram pontes, que sonharam e acreditaram; até quando ao redor deles ouviam palavras de escárnio.

Nunca penses que a luta que enfrentas na terra seja totalmente inútil. No final da existência não nos espera um naufrágio: em nós palpita uma semente de absoluto. Deus não desilude: se pôs uma esperança nos nossos corações, não a quer esmagar com frustrações contínuas. Tudo nasce para florescer numa primavera eterna. Também Deus nos criou para florescermos. Recordo aquele diálogo, quando o carvalho pediu à amendoeira: “Fala-me de Deus”. E a amendoeira floresceu.

Onde quer que estejas, constrói! Se estás no chão, levanta-te! Nunca permaneças caído, levanta-te, deixa-te ajudar para ficares em pé. Se estás sentado, começa a caminhar! Se o tédio te paralisa, derrota-o com as obras de bem! Se te sentes vazio ou desmoralizado, pede que o Espírito Santo possa encher de novo a tua carência.

Exerce a paz no meio dos homens e não escutes a voz de quem espalha ódio e divisões. Não escutes essas vozes. Os seres humanos, por mais que sejam diversos uns dos outros, foram criados para viver juntos. Nos contrastes, paciência: um dia descobrirás que cada um é depositário de um fragmento de verdade.

Ama as pessoas. Ama-as uma por uma. Respeita o caminho de todos, linear ou complicado que seja, porque cada um tem uma história para contar. Também cada um de nós tem a própria história para contar. Cada criança que nasce é a promessa de uma vida que de novo se demonstra mais forte do que a morte. Cada amor que brota é um poder de transformação que anseia pela felicidade.

Jesus entregou-nos uma luz que brilha nas trevas: defende-a, protege-a. Aquela luz única é a maior riqueza confiada à tua vida.

E sobretudo, sonha! Não tenhas medo de sonhar. Sonha! Sonha um mundo que ainda não se vê mas que certamente chegará. A esperança leva-nos a crer na existência de uma criação que se estende até ao seu cumprimento definitivo, quando Deus será tudo em todos. Os homens capazes de imaginação ofereceram ao homem descobertas científicas e tecnológicas. Sulcaram os oceanos, calcaram terras que ninguém jamais tinha pisado. Os homens que cultivaram esperanças são os mesmos que venceram a escravidão, e proporcionaram condições melhores de vida nesta terra. Pensai nestes homens.

Sê responsável por este mundo e pela vida de cada homem. Pensa que cada injustiça contra um pobre é uma ferida aberta, e diminui a tua dignidade. A vida não cessa com a tua existência, e neste mundo virão outras gerações que sucederão à nossa e muitas outras ainda. E todos os dias pede a Deus o dom da coragem. Recorda-te que Jesus venceu o medo por nós. Ele venceu o medo! O nosso inimigo mais pérfido nada pode contra a fé. E quando te encontrares amedrontado diante de alguma dificuldade da vida, recorda-te que não vives só por ti mesmo. No Batismo a tua vida já foi imersa no mistério da Trindade e tu pertences a Jesus. E se um dia te assustares, ou pensares que o mal é demasiado grande para ser derrotado, pensa simplesmente que Jesus vive em ti. E é Ele que, através de ti, com a sua mansidão quer submeter todos os inimigos do homem: o pecado, o ódio, o crime, a violência; todos os nossos inimigos.

Tem sempre a coragem da verdade, mas recorda-te: não és superior a ninguém. Recorda-te disto: não és superior a ninguém. Se tivesses permanecido o último a crer na verdade, não fujas por causa disso da companhia dos homens.

Mesmo se vivesses no silêncio de uma ermida, conserva no coração os sofrimentos de cada criatura. És cristão; e na oração restituis tudo a Deus.

Cultiva ideais. Vive por algo que supera o homem. E mesmo se um dia estes ideais apresentarem uma conta alta a pagar nunca deixes de os conservar no coração. A fidelidade obtém tudo.

Se erras, levanta-te: nada é mais humano do que cometer erros. E aqueles mesmos erros não se devem tornar para ti uma prisão. Não fiques preso nos teus erros. O Filho de Deus veio não para os sadios, mas para os doentes: portanto, veio também para ti. E se errares ainda no futuro, não temas, levanta-te! Sabes porquê? Porque Deus é teu amigo.

Se a amargura te atinge, crê firmemente em todas as pessoas que ainda trabalham pelo bem: na sua humildade está a semente de um mundo novo. Frequenta pessoas que conservaram o coração como o de uma criança. Aprende da maravilha, cultiva a admiração.

Vive, ama, sonha, crê. E, com a graça de Deus, nunca te desesperes.


Saudações

No final da audiência o Papa saudou os grupos de peregrinos presentes. Publicamos as palavras em português e a saudação em espanhol, na qual exprimiu proximidade à população mexicana atingida por um sismo devastador e garantiu a sua oração pelas vítimas, feridos e sobreviventes.

Ontem um terrível sismo assolou o México — vi que há muitos mexicanos entre vós — o qual causou numerosas vítimas e danos materiais. Neste momento de dor, desejo manifestar a minha proximidade e oração a toda a amada população mexicana.

Elevemos todos juntos a nossa prece a Deus para que acolha no seu seio quantos perderam a vida e conforte os feridos, os seus familiares e todos os danificados. Peçamos também por quantos prestam serviço e socorro, ajudando todas as pessoas atingidas.

A nossa Mãe, a Virgem de Guadalupe esteja com muita ternura ao lado da querida nação mexicana.

Saúdo cordialmente os peregrinos de língua portuguesa, em particular os fiéis brasileiros e o grupo de benfeitores, historiadores e editores da obra literária «Portugal Católico», e animo-os a procurar sempre o olhar de Nossa Senhora que conforta todos aqueles que estão na provação e mantém aberto o horizonte da esperança. Enquanto vos entrego, vós e as vossas famílias à sua proteção, invoco sobre todos a Bênção de Deus.



Fonte: Vaticano




Angelus com o Papa Francisco - 17.09.2017


Praça São Pedro
Domingo, 17 de setembro de 2017








Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

O trecho evangélico deste domingo (cf. Mt 18, 21-35) oferece-nos um ensinamento sobre o perdão, que não nega a ofensa sofrida mas reconhece que o ser humano, criado à imagem de Deus, é sempre maior que o mal que ele comete. São Pedro pergunta a Jesus: «Senhor, quantas vezes devo perdoar a meu irmão, quando ele pecar contra mim? Até sete vezes? (v. 21). Para Pedro parece ser já o máximo perdoar sete vezes a uma mesma pessoa; e talvez a nós pareça ser já muito perdoar duas vezes. Mas Jesus responde: «Não te digo até sete vezes, mas até setenta vezes sete» (v. 22), isto é, sempre: deves perdoar sempre. E confirma isto narrando a parábola do rei misericordioso e do servo impiedoso, na qual mostra a incoerência daquele que antes foi perdoado e depois se recusa a perdoar.

O rei da parábola é um homem generoso que, movido pela compaixão, perdoou-lhe uma dívida enorme — “dez mil talentos”: enorme — a um servo que o suplica. Mas aquele mesmo servo, ao encontrar logo a seguir outro servo como ele que lhe deve cem denários — ou seja, muito menos —, comporta-se de forma impiedosa, fazendo-o fechar na prisão. A atitude incoerente deste servo é também a nossa quando recusamos o perdão aos nossos irmãos. Enquanto o rei da parábola é a imagem de Deus que nos ama de um amor tão rico de misericórdia a ponto de nos acolher, amar e perdoar constantemente.

Desde o nosso Batismo Deus nos perdoou, condenando-nos a uma dívida insolúvel: o pecado original. Mas, isto acontece a primeira vez. Depois, com uma misericórdia sem limites, Ele perdoa-nos todas as culpas quando mostramos só um pequeno sinal de arrependimento. Deus é assim: misericordioso.

Quando somos tentados a fechar o nosso coração a quem nos ofendeu e nos pede desculpa, lembremo-nos das palavras do Pai celeste ao servo impiedoso: «Eu te perdoei toda a dívida porque me suplicaste. Não devias também tu compadecer-te de teu companheiro de serviço, como eu tive piedade de ti?» (vv. 32-33). Qualquer pessoa que tenha experimentado a alegria, a paz e a liberdade interior que vem do ser perdoado pode abrir-se por sua vez à possibilidade de perdoar.

Na oração do Pai-Nosso, Jesus quis inserir o mesmo ensinamento desta parábola. Pôs em relação direta o perdão que pedimos a Deus com o perdão que devemos conceder aos nossos irmãos: «Perdoai-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos aos que nos ofenderam» (Mt 6, 12). O perdão de Deus é o sinal do seu amor transbordante para cada um de nós: é o amor que nos deixa livres de nos afastar, como o filho pródigo, mas que espera todos os dias o nosso regresso; é o amor audaz do pastor pela ovelha perdida; é a ternura que acolhe cada pecador que bate à sua porta. O Pai celeste — nosso Pai — está cheio, cheio de amor e quer oferecê-lo a nós, mas não o pode fazer se fecharmos o nosso coração ao amor pelos outros.

A Virgem Maria nos ajude a estar cada vez mais cientes da gratuitidade e da grandiosidade do perdão recebido de Deus, para nos tornarmos misericordiosos como Ele, Pai bom, lento para a ira e grande no amor.


Caros irmãos e irmãs!

Saúdo com afeto todos vós, romanos e peregrinos provenientes de diversos países: famílias, grupos paroquiais, associações.

Saúdo os fiéis de La Plata (Argentina), os oficiais da Escola Militar da Colômbia, e as catequistas de Rho.

Saúdo os participantes na corrida Via Pacis, que englobou os lugares de culto das diversas confissões religiosas presentes em Roma. Faço votos a fim de que esta iniciativa cultural e desportiva possa favorecer o diálogo, a convivência e a paz.

Saúdo os numerosos jovens que vieram de Loreto, acompanhados pelos Frades Capuchinhos que iniciaram hoje um dia de reflexão e meditação: vós trazeis-nos o “perfume” do Santuário da Santa Casa, obrigado! Saúdo também os voluntários Pro Loco e os caminhantes que iniciam hoje a estafeta para Assis. Boa caminhada!

Desejo a todos bom domingo. Por favor, não vos esqueçais de rezar por mim. Bom almoço e até à vista.



Fonte: Vaticano




domingo, 17 de setembro de 2017

Evangelho do XXIV Domingo do Tempo Comum – Ano A


São Mateus 18, 21-35

Naquele tempo, Pedro aproximou-se de Jesus e perguntou-Lhe: "Se meu irmão me ofender, quantas vezes deverei perdoar-lhe? Até sete vezes?" Jesus respondeu: "Não te digo até sete vezes, mas até setenta vezes sete. Na verdade, o reino de Deus pode comparar-se a um rei que quis ajustar contas com os seus servos. Logo de começo, apresentaram-lhe um homem que devia dez mil talentos. Não tendo com que pagar, o senhor mandou que fosse vendido, com a mulher, os filhos e tudo quanto possuía, para assim pagar a dívida. Então o servo prostrou-se a seus pés, dizendo: ‘Senhor, concede-me um prazo e tudo te pagarei’. Cheio de compaixão, o senhor daquele servo deu-lhe a liberdade e perdoou-lhe a dívida. Ao sair, o servo encontrou um dos seus companheiros que lhe devia cem denários. Segurando-o, começou a apertar-lhe o pescoço, dizendo: ‘Paga o que me deves’. Então o companheiro caiu a seus pés e suplicou-lhe, dizendo: ‘Concede-me um prazo e pagar-te-ei’. Ele, porém, não consentiu e mandou-o prender, até que pagasse tudo quanto devia. Testemunhas desta cena, os seus companheiros ficaram muito tristes e foram contar ao senhor tudo o que havia sucedido. Então, o senhor mandou-o chamar e disse: ‘Servo mau, perdoei-te, porque me pediste. Não devias, também tu, compadecer-te do teu companheiro, como eu tive compaixão de ti?’ E o senhor, indignado, entregou-o aos verdugos, até que pagasse tudo o que lhe devia. Assim procederá convosco meu Pai celeste, se cada um de vós não perdoar a seu irmão de todo o coração".





Catequese com o Papa Francisco - 13.09.2017


Praça São Pedro
Quarta-feira, 13 de setembro de de 2017








Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

Como sabeis, nos dias passados realizei a viagem apostólica à Colômbia. De todo o coração dou graças ao Senhor por este grande dom; e desejo renovar a expressão do meu reconhecimento ao Senhor Presidente da República, que me recebeu com tanta cortesia, aos Bispos colombianos que muito trabalharam — para preparar esta visita, assim como às Autoridades do país, e a quantos colaboraram com a realização desta visita. Transmito um agradecimento especial ao povo colombiano que me acolheu com muito afeto e tanta alegria! Um povo jubiloso entre os muitos sofrimentos, mas alegre; um povo com esperança. Um dos aspetos que mais me impressionaram em todas as cidades, no meio da multidão, foram os pais e as mães com os filhos, que os erguiam para que o Papa os abençoasse, mas também com orgulho mostravam os próprios filhos como se dissessem: “Este é o nosso orgulho! Esta é a nossa esperança”. Pensei: um povo capaz de ter filhos e de os mostrar com orgulho, como esperança: este povo tem futuro. Gostei muito disto.

De modo particular nesta viagem senti a continuidade com os dois Papas que antes de mim visitaram a Colômbia: o beato Paulo VI, em 1968, e São João Paulo II, em 1986. Uma continuidade fortemente animada pelo Espírito, que guia os passos do povo de Deus nos caminhos da história.

O lema da viagem foi “Demos el primer paso”, isto é, “Demos o primeiro passo”, referido ao processo de reconciliação que a Colômbia vive para sair de meio século de conflito interno, que semeou sofrimentos e inimizades, causando tantas feridas, difíceis de cicatrizar. Mas com a ajuda de Deus o caminho já começou. Com a minha visita quis abençoar o esforço daquele povo, confirmá-lo na fé e na esperança, e receber o seu testemunho, que é uma riqueza para o meu ministério e para toda a Igreja. O testemunho deste povo é uma riqueza para toda a Igreja.

A Colômbia — como a maior parte das nações latino-americanas — é um país no qual as raízes cristãs são fortíssimas. E se este facto torna ainda mais aguda a dor pela tragédia da guerra que o dilacerou, ao mesmo tempo constitui a garantia da paz, o firme fundamento da sua reconstrução, a linfa da sua esperança invencível. É evidente que o maligno quis dividir o povo para destruir a obra de Deus, mas também é evidente que o amor de Cristo, a sua infinita Misericórdia é mais forte do que o pecado e a morte.

Esta viagem levou a bênção de Cristo, a bênção da Igreja ao desejo de vida e de paz que transborda do coração daquela nação: pude observar isto nos olhos dos milhares e milhares de crianças, adolescentes e jovens que encheram a praça de Bogotá e que encontrei em toda parte; aquela força de vida que também a própria natureza proclama com a sua exuberância e a sua biodiversidade. A Colômbia é o segundo país do mundo pela biodiversidade. Em Bogotá pude encontrar-me com os Bispos do país e também com o Comité Diretivo da Conferência Episcopal Latino-americana. Dou graças a Deus por os ter podido abraçar e lhes ter dado o meu encorajamento pastoral, para a sua missão ao serviço da Igreja, sacramento de Cristo nossa paz e nossa esperança.

O dia dedicado de modo particular ao tema da reconciliação, momento culminante de toda a viagem, foi realizado em Villavicencio. Na parte da manhã houve a grande celebração eucarística, com a beatificação dos mártires Jesús Emilio Jaramillo Monsalve, bispo, e Pedro María Ramírez Ramos, sacerdote; à tarde, a especial Liturgia de Reconciliação, simbolicamente orientada para o Cristo de Bocayá, sem braços nem pernas, mutilado como o seu povo.

A beatificação dos dois mártires recordou plasticamente que a paz se funda também e talvez sobretudo, no sangue de tantas testemunhas do amor, da verdade, da justiça, e de mártires verdadeiros, assassinados pela fé, como os dois que acabei de citar. Ouvir as suas biografias foi comovedor até às lágrimas: lágrimas de dor e de alegria ao mesmo tempo. Diante das relíquias e das suas imagens, o santo povo fiel de Deus sentiu com força a própria identidade, com dor, pensando nas muitas, demasiadas vítimas, e com alegria, pela misericórdia de Deus que se estende sobre os que o temem (cf. Lc 1, 50).

«Misericórdia e verdade encontrar-se-ão, / justiça e paz beijar-se-ão» (Sl 85, 11), escutámos no início. Este versículo do salmo contém a profecia do que aconteceu deveras na última sexta-feira na Colômbia; a profecia e a graça de Deus por aquele povo ferido, a fim de que possa ressurgir e caminhar numa vida nova. Vimos estas palavras proféticas cheias de graça encarnadas nas histórias das testemunhas, que falaram em nome de muitos e muitos que, a partir das suas feridas, com a graça de Cristo, saíram de si mesmos e abriram-se ao encontro, ao perdão, à reconciliação.

Em Medellín a perspetiva foi a da vida cristã como discipulado: a vocação e a missão. Quando os cristãos se esforçam até ao fim no caminho do seguimento de Jesus Cristo, tornam-se deveras sal, luz e fermento no mundo, e veem-se frutos abundantes. Um destes frutos são os Hogares, isto é as casas onde crianças e adolescentes feridos pela vida podem encontrar uma nova família na qual são amados, acolhidos, protegidos e acompanhados. Outros frutos, abundantes como cachos, são as vocações à vida sacerdotal e consagrada, que pude abençoar e encorajar com alegria num encontro inesquecível com os consagrados e os seus familiares.

Por fim, em Cartagena, a cidade de São Pedro Claver, apóstolo dos escravos, o “focus” foi sobre a promoção da pessoa humana e dos seus direitos fundamentais. São Pedro Claver, e também mais recentemente santa Maria Bernarda Bütler, deram a vida pelos mais pobres e marginalizados, mostrando assim a via da verdadeira revolução, a evangélica, não ideológica, que liberta deveras as pessoas e as sociedades das escravidões de ontem e, infelizmente, também de hoje. Neste sentido, “dar o primeiro passo” — o lema da viagem — significa aproximar-se, inclinar-se, tocar a carne do irmão ferido e abandonado. E fazê-lo com Cristo, o Senhor que se tornou escravo por nós. Graças a Ele há esperança, porque Ele é a misericórdia e a paz.

Novamente confio a Colômbia e o seu amado povo à Mãe, Nossa Senhora de Chiquinquirá, que pude venerar na catedral de Bogotá. Com a ajuda de Maria, cada colombiano todos os dias possa dar o primeiro passo em direção do irmão e da irmã, e assim construir juntos, dia após dia, a paz no amor, na justiça e na verdade.

Saudação

Queridos peregrinos de língua portuguesa, em particular os numerosos grupos de fiéis vindos do Brasil e de Portugal

Faço votos de que esta romaria possa reforçar em vós a fé em Jesus Cristo, que nos chama a dar o primeiro passo na direção dos nossos irmãos e irmãs necessitados. Retornai a casa certos de que, quando somos generosos, nunca faltam as bênçãos de Deus. Obrigado pelas vossas orações.



Fonte: Vaticano




Angelus com o Papa Francisco - 10.09.2017


Igreja de São Pedro Claver, Cartagena das Índias
Domingo, 10 de setembro de 2017








Queridos irmãos e irmãs!

Pouco antes de entrar nesta igreja, onde se conservam as relíquias de São Pedro Claver, benzi as «primeiras pedras» de duas instituições destinadas a cuidar de pessoas com graves necessidades e visitei a casa da senhora Lorenza, onde todos os dias recebe muitos dos nossos irmãos e irmãs para lhes dar alimento e carinho. Estes encontros ajudaram-me muito, porque lá se pode palpar o amor de Deus que se torna concreto e diário.

Todos juntos, vamos rezar o Angelus, recordando a encarnação do Verbo. Pensamos em Maria que concebeu Jesus e O trouxe ao mundo. Contemplamo-La, nesta manhã, sob a invocação de Nossa Senhora de Chiquinquirá. Como sabeis, durante um longo período de tempo, esta imagem esteve abandonada, perdeu a cor e encontrava-se rota e esburacada. Era tratada como um pedaço de saco velho, usada sem qualquer respeito até que acabou entre as coisas descartadas.

Foi então que uma mulher simples (chamada, segundo a tradição, Maria Ramos), a primeira devota da Virgem de Chiquinquirá, viu naquela tela algo de diferente. Teve a coragem e a fé de colocar aquela imagem arruinada e corroída num lugar de destaque, devolvendo-lhe a sua dignidade perdida. Soube encontrar e honrar Maria, segurando o Filho nos seus braços, precisamente naquilo que, para os outros, era desprezível e inútil.

E, assim, fez-se paradigma de todos aqueles que, de várias maneiras, procuram recuperar a dignidade do irmão prostrado pelo sofrimento das feridas da vida, daqueles que não se conformam e trabalham por lhes construir uma morada decente, assisti-los nas suas impelentes necessidades e sobretudo rezam com perseverança para que possam recuperar o esplendor de filhos de Deus que lhes fora arrebatado.

O Senhor ensina-nos através do exemplo dos humildes e dos que não contam. Se à Maria Ramos, uma mulher simples, concedeu a graça de acolher a imagem da Virgem na pobreza daquela tela rota, à Isabel, uma mulher indígena, e ao seu filho Miguel deu-lhes a capacidade de serem os primeiros a ver transformada e renovada aquela tela da Virgem. Foram os primeiros a ver, com olhos simples, este pedaço de pano inteiramente novo e, nele, o esplendor da luz divina, que transforma e faz novas todas as coisas. É aos pobres, aos humildes, aos que contemplam a presença de Deus, que se revela com maior nitidez o Mistério do amor de Deus. Eles, pobres e simples, foram os primeiros a ver a Virgem de Chinquinquirá e tornaram-se seus missionários, arautos da beleza e santidade da Virgem.

E, nesta igreja, rezaremos a Maria, que de Si própria disse ser «a escrava do Senhor», e a São Pedro Claver, o «escravo dos negros para sempre», como a si mesmo se designou desde o dia da sua profissão solene. Ele esperava os navios que chegavam da África ao principal mercado de escravos no Novo Mundo. Muitas vezes recebia-os apenas com gestos, gestos evangelizadores, devido à impossibilidade de comunicar pela diferença das línguas. Mas uma carícia ultrapassa todas as línguas; e São Pedro Claver sabia que a linguagem da caridade, da misericórdia era entendida por todos. Na verdade, a caridade ajuda a compreender a verdade, e a verdade reclama gestos de caridade: as duas caminham juntas, não se podem separar. Quando sentia repugnância deles – aqueles infelizes chegavam num estado que era repugnante – Pedro Claver beijava-lhes as feridas.

Austero e caritativo até ao heroísmo, depois de ter confortado a solidão de centenas de milhares de pessoas, não acabou rodeado de honras; pelo contrário, esqueceram-se dele e passou os últimos quatro anos da sua vida doente e na sua cela num estado espantoso de abandono. Assim paga o mundo; Deus pagou-o doutra maneira.

Realmente São Pedro Claver testemunhou, de forma estupenda, a responsabilidade e a solicitude que cada um de nós deve ter pelos seus irmãos. Apesar disso, este santo foi injustamente acusado, pelos outros, de ser indiscreto no seu zelo e teve que enfrentar duras críticas e uma tenaz oposição da parte de quantos temiam que o seu ministério ameaçasse o lucrativo comércio dos escravos.

Ainda hoje, na Colômbia e no mundo, milhões de pessoas são vendidas como escravos, ou então mendigam um pouco de humanidade, uma migalha de ternura, fazem-se ao mar ou metem-se a caminho porque perderam tudo, a começar pela sua dignidade e os seus direitos.

Maria de Chiquinquirá e Pedro Claver convidam-nos a trabalhar pela dignidade de todos os nossos irmãos, especialmente os pobres e descartados da sociedade, aqueles que estão abandonados, os emigrantes, as vítimas da violência e do tráfico humano. Todos eles têm a sua dignidade, e são imagem viva de Deus. Todos fomos criados à imagem e semelhança de Deus, e a todos nos sustenta a Virgem nos seus braços como filhos amados.

Dirijamos agora a nossa oração à Virgem Mãe, para que nos faça descobrir em cada um dos homens e mulheres do nosso tempo o rosto de Deus.

Angelus Domini…

Depois do Angelus

Queridos irmãos e irmãs!

Daqui, quero assegurar a minha oração por cada um dos países da América Latina, em particular pela vizinha Venezuela. Expresso a minha proximidade a cada um dos filhos e filhas desta amada nação, e também aos venezuelanos que encontraram guarida nesta terra colombiana. Daqui, desta cidade sede dos direitos humanos, faço apelo para que se rejeite todo o tipo de violência na vida política e se encontre uma solução para a grave crise que se está a viver e afeta a todos, especialmente aos mais pobres e desfavorecidos da sociedade. A Santíssima Virgem interceda por todas as necessidades do mundo e de cada um dos seus filhos.

E saúdo também a vós, aqui presentes, vindos de diferentes lugares, bem como a quantos acompanham esta visita pelo rádio e a televisão. A todos, desejo um domingo feliz. Por favor, não se esqueçam de rezar por mim.

E agora gostaria de vos dar a bênção. Cada um de nós, antes de receber a bênção, durante uns momentos de silêncio, coloque no próprio coração os nomes das pessoas que mais amamos, e também os nomes das pessoas que não amamos; o nome das pessoas que gostam de nós, e os nomes das pessoas que sabemos que não gostam de nós; para todas e cada uma delas, peçamos a bênção… para todos.

[oração em silêncio. A Bênção].



Fonte: Vaticano




domingo, 10 de setembro de 2017

Evangelho do XXIII Domingo do Tempo Comum – Ano A


São Mateus 18, 15-20

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: "Se o teu irmão te ofender, vai ter com ele e repreende-o a sós. Se te escutar, terás ganho o teu irmão. Se não te escutar, toma contigo mais uma ou duas pessoas, para que toda a questão fique resolvida pela palavra de duas ou três testemunhas. Mas se ele não lhes der ouvidos, comunica o caso à Igreja; e se também não der ouvidos à Igreja, considera-o como um pagão ou um publicano. Em verdade vos digo: Tudo o que ligardes na terra será ligado no Céu; e tudo o que desligardes na terra será desligado no Céu. Digo-vos ainda: Se dois de vós se unirem na terra para pedirem qualquer coisa, ser-lhes-á concedida por meu Pai que está nos Céus. Na verdade, onde estão dois ou três reunidos em meu nome, Eu estou no meio deles".








Angelus com o Papa Francisco - 03.09.2017


Praça São Pedro
Domingo, 3 de setembro de 2017








Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

O trecho evangélico hodierno (cf. Mt 16, 21-27) é a continuação do de domingo passado, no qual se realçava a profissão de fé de Pedro, “rocha” sobre a qual Jesus quer construir a sua Igreja. Hoje, em estridente contraste, Mateus mostra-nos a reação do próprio Pedro quando Jesus revela aos discípulos que deverá padecer em Jerusalém, ser assassinado, ressuscitar (cf. v. 21). Pedro chamou de parte o Mestre e repreende-o, porque isto — diz-lhe — não poderá acontecer com Ele, com Cristo. Mas Jesus, por sua vez, repreende Pedro com palavras duras: «Afasta-te, Satanás! Tu és para mim um escândalo; os teus pensamentos não são de Deus, mas dos homens!» (v. 23). Pouco antes, o apóstolo tinha sido abençoado pelo Pai, tinha recebido d’Ele aquela revelação, era uma «pedra» sólida a fim de que Jesus pudesse construir sobre ela a sua comunidade; e logo a seguir torna-se um obstáculo, uma pedra mas não para construir, uma pedra de tropeço no caminho do Messias. Jesus sabe bem que Pedro e os outros têm ainda muita estrada a percorrer para se tornarem seus apóstolos!

Neste ponto, o Mestre dirige-se a todos os que o seguiam, apresentando-lhes com clareza o caminho que devem percorrer: «Se alguém quiser vir comigo, renuncie a si mesmo, carregue a sua cruz e siga-me» (v. 24). Também hoje, há a tentação de querer sempre seguir um Cristo sem cruz, aliás, de ensinar a Deus a estrada certa, como fez Pedro: “Não, não Senhor, isto não, nunca acontecerá”. Mas Jesus recorda-nos que o seu caminho é o do amor, e não há amor verdadeiro sem o sacrifício de si mesmo. Somos chamados a não nos deixarmos absorver pela visão deste mundo, mas a estar cada vez mais cientes da necessidade e da fadiga para nós cristãos de caminhar contracorrente e em subida.

Jesus contempla a sua proposta com palavras que exprimem uma grande sabedoria sempre válida, porque desafiam a mentalidade e os comportamentos egocêntricos. Ele exorta: «Aquele que quiser salvar a sua vida, perdê-la-á; mas aquele que tiver sacrificado a sua vida por minha causa, recobrá-la-á» (v. 25). Neste paradoxo está contida a regra de ouro que Deus inscreveu na natureza humana criada em Cristo: a regra que só o amor dá sentido e felicidade à vida. Dedicar os próprios talentos, as próprias energias e o próprio tempo só para salvar, proteger e realizar-se a si mesmos, leva na realidade a perder-se, ou seja, a uma existência triste e estéril. Ao contrário, vivamos pelo Senhor e construamos a nossa vida no amor, como fez Jesus: poderemos saborear a alegria autêntica, e a nossa vida não será estéril, será fecunda.

Na celebração da Eucaristia revivemos o mistério da cruz; não só recordamos, mas compreendemos o memorial do Sacrifício redentor, em que o Filho de Deus se perde completamente a Si mesmo para se receber de novo do Pai e assim nos reecontrar, a nós que estávamos perdidos, juntamente com todas as criaturas. Todas as vezes que participamos na Santa Missa, o amor de Cristo crucificado e ressuscitado comunica-se a nós como alimento e bebida, para que possamos segui-Lo no caminho de cada dia, no serviço concreto dos irmãos.

Maria Santíssima, que seguiu Jesus até ao Calvário, nos acompanhe também a nós e nos ajude a não ter medo da cruz, mas com Jesus crucificado, e não uma cruz sem Jesus, a cruz com Jesus, ou seja, a cruz de sofrer por amor de Deus e dos irmãos, porque esse sofrimento, pela graça de Cristo, é fecundo de ressurreição.

Caros irmãos e irmãos!

Enquanto renovo a minha proximidade espiritual às populações da Ásia Meridional, que ainda padecem as consequências das enchentes, desejo expressar também a minha viva participação nos sofrimentos dos habitantes do Texas e da Luisiana atingidos por um furacão e por chuvas torrenciais, que causaram vítimas, milhares de pessoas deslocadas e grandes prejuízos materiais. Peço a Maria Santíssima, consoladora dos aflitos, que obtenha do Senhor a graça do conforto para estes nossos irmãos duramente provados.

Saúdo todos vós, queridos peregrinos provenientes da Itália e de vários países. Especialmente, os peregrinos das paróquias de Sarmede, Anzano e Cappella Maggiore da diocese de Vittorio Veneto, os fiéis das Ilhas Canárias, a banda de Pontevico, os crismandos de Mariano al Brembo, de Padria e de Prevalle, os jovens de Chizzola, de Cagliari e de Bellagio. E quero agradecer a vós, que me desejais um boa viagem. Obrigado, obrigado!

A todos desejo um bom domingo. E, por favor, não vos esqueçais de rezar por mim. Bom almoço e até à vista.



Fonte: Vaticano




domingo, 3 de setembro de 2017

Evangelho do XXII Domingo do Tempo Comum – Ano A


São Mateus 16, 21-27

Naquele tempo, Jesus começou a explicar aos seus discípulos que tinha de ir a Jerusalém e sofrer muito da parte dos anciãos, dos príncipes dos sacerdotes e dos escribas; que tinha de ser morto e ressuscitar ao terceiro dia. Pedro, tomando-O à parte, começou a contestá-l’O, dizendo: "Deus Te livre de tal, Senhor! Isso não há-de acontecer!" Jesus voltou-Se para Pedro e disse-lhe: "Vai-te daqui, Satanás. Tu és para mim uma ocasião de escândalo, pois não tens em vista as coisas de Deus, mas dos homens". Jesus disse então aos seus discípulos: "Se alguém quiser seguir-Me, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e siga-Me. Porque, quem quiser salvar a sua vida há-de perdê-la; mas quem perder a sua vida por minha causa, há-de encontrá-la. Na verdade, que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro, se perder a sua vida? Que poderá dar o homem em troca da sua vida? O Filho do homem há-de vir na glória de seu Pai, com os seus Anjos, e então dará a cada um segundo as suas obras".





Catequese com o Papa Francisco - 30.08.2017


Quarta-feira, 30 de agosto de 2017








Estimados irmãos e irmãs, bom dia!

Hoje gostaria de voltar a falar sobre um tema importante: a relação entre a esperança e a memória, com particular referência à memória da vocação. E tomo como ícone a chamada dos primeiros discípulos de Jesus. Esta experiência permaneceu tão impressa na sua memória que um deles até registou a hora: «Eram cerca das quatro da tarde» (Jo 1, 39), O evangelista João narra o episódio como uma recordação nítida de juventude, que permaneceu intacta na sua memória de idoso: porque João escreveu isto quando já era idoso.

O encontrou deu-se perto do rio Jordão, onde João Batista batizava; e aqueles jovens galileus tinham escolhido o Batista como guia espiritual. Um dia veio Jesus, e fez-se batizar no rio. No dia seguinte passou novamente e então o Batizador — isto é, João o Batista — disse a dois dos seus discípulos: «Eis o cordeiro de Deus!» (v. 36).

E para aqueles dois foi a “centelha”. Deixam o seu primeiro mestre e põem-se no seguimento de Jesus. No caminho, Ele volta-se para eles e formula a pergunta decisiva: «O que procurais?» (v. 38). Jesus aparece nos Evangelhos como um perito do coração humano. Naquele momento encontrara dois jovens em busca, sadiamente inquietos. Com efeito, não há uma juventude satisfeita, sem uma pergunta acerca do sentido? Os jovens que nada procuram não são jovens, estão na reforma, envelheceram antes do tempo. É triste ver jovens aposentados... E Jesus, no Evangelho inteiro, em todos os encontros que lhe aconteceram ao longo da estrada, aparece como um “incendiário” de corações. Eis aquela sua pergunta que procura fazer emergir o desejo de vida e de felicidade que cada jovem tem dentro: “o que buscas?”. Também eu hoje gostaria de perguntar aos jovens presentes na praça e aos que ouvem através dos meios de comunicação: “Tu, que és jovem, o que procuras? O que buscas no teu coração?”.

A vocação de João e de André começa assim: é o início de uma amizade com Jesus tão forte que impõe uma comunhão de vida e de paixões com Ele. Os dois discípulos começam a ficar com Jesus e de repente se transformam em missionários, porque quando acaba o encontro não voltam tranquilos para casa: de maneira que os seus respetivos irmãos — Simão e Tiago — logo são envolvidos no seguimento. Foram ter com eles e disseram: “Encontrámos o Messias, encontrámos um grande profeta”: dão a notícia. São missionários daquele encontro. Foi um encontro tão comovedor, tão feliz que os discípulos recordarão para sempre aquele dia que iluminou e orientou a sua juventude.

Como se descobre a própria vocação neste mundo? Ela pode ser descoberta de muitos modos, mas esta página do Evangelho diz-nos que o primeiro indicador é a alegria do encontro com Jesus. Matrimónio, vida consagrada, sacerdócio: cada vocação verdadeira tem início com um encontro com Jesus que nos oferece uma alegria e uma esperança nova; e nos conduz inclusive através de provações e dificuldades, a um encontro cada vez mais pleno, que cresce, torna-se maior, o encontro com Ele e a plenitude de alegria.

O Senhor não quer homens e mulheres que caminham atrás d’Ele de má vontade, sem ter no coração o vento da alegria. A vós, que estais na praça, pergunto — cada um responda a si mesmo — tendes o vento da alegria no coração? Cada um se questione: “Tenho dentro de mim, no coração, o vento da alegria?”. Jesus quer pessoas que sentiram o facto de que estar com Ele provoca uma felicidade imensa, que se pode renovar todos os dias da vida. Um discípulo do Reino de Deus que não é alegre não evangeliza este mundo, é alguém triste. Não nos tornamos pregadores de Jesus afinando as armas da retórica: podes falar, falar, falar mas se não tens algo... Como se tornar pregadores de Jesus? — Conservando nos olhos o brilho da felicidade verdadeira. Vemos muitos cristãos, até no meio de nós, que com os olhos nos transmitem a alegria da fé: com os olhos!

Por este motivo o cristão — assim como a Virgem Maria — conserva a chama do seu amor: apaixonados por Jesus. Certamente, há provações na vida, momentos em que é preciso ir em frente não obstante o frio e os ventos contrários, apesar de tantas amarguras. Contudo os cristãos conhecem a estrada que conduz àquele fogo sagrado que os acendeu de uma vez para sempre.

Mas por favor, recomendo: não nos deixemos levar por pessoas desiludidas e infelizes; não escutemos quem aconselha cinicamente não cultivar esperanças na vida; não confiemos em quem abafa o surgir de qualquer entusiasmo, dizendo que empreendimento algum vale o sacrifício de uma vida inteira; não escutemos os “velhos” de coração que sufocam a euforia juvenil. Vamos ter com velhos que têm os olhos brilhantes de esperança! Cultivemos utopias sadias: Deus quer que sejamos capazes de sonhar como Ele e com Ele, enquanto caminhamos muito atentos à realidade. Sonhar um mundo diferente. E se um sonho se apaga, voltar a sonhá-lo de novo, sorvendo com esperança da memória das origens, aquelas brasas, que talvez depois de uma vida não tão boa, se esconderam sob as cinzas do primeiro encontro com Jesus.

Portanto, eis uma dinâmica fundamental da vida cristã: recordar-se de Jesus. Paulo dizia ao seu discípulo: «Recorda-te de Jesus Cristo» (2 Tm 2, 8); este é o conselho do grande São Paulo: «Recorda-te de Jesus Cristo». Recordar-se de Jesus, do fogo de amor com o qual um dia concebemos a nossa vida como um projeto de bem, e com esta chama reavivar a nossa esperança.

Saudações e Apelo

Depois de amanhã, 1 de setembro, será celebrado o Dia de oração pelo cuidado da criação. Para essa ocasião, eu e o meu irmão Bartolomeu, Patriarca Ecuménico de Constantinopla preparamos juntos uma Mensagem. Nela convidamos todos a assumir uma atitude respeitadora e responsável em relação à criação. Além disso fazemos apelo, a quantos desempenham papéis influentes, a ouvir o grito da terra e dos pobres, que mais sofrem por causa dos desequilíbrios ecológicos.

Queridos peregrinos de língua portuguesa, sede bem-vindos!

A todos vos saúdo, especialmente aos membros da Associação Chapecoense de Futebol e aos alunos tanto do Colégio de São Paulo como do Colégio Pio Brasileiro de Roma, desejando que prospereis na sabedoria que vem de Deus, a fim de que, tornando-vos peritos das coisas de Deus, possais comunicar aos outros a sua doçura e o seu amor. Desça, sobre vós e vossas famílias, a abundância das suas bênçãos.



Fonte: Vaticano




Angelus com o Papa Francisco - 27.08.2017


Praça São Pedro
Domingo, 27 de agosto de 2017








Amados irmãos e irmãs, bom dia!

O Evangelho deste domingo (Mt 16, 13-20) narra um excerto-chave no caminho de Jesus com os seus discípulos: o momento em que Ele quer verificar a que ponto está a fé deles. Primeiro quer saber o que pensa d’Ele o povo; e o povo pensa que Jesus é um profeta, o que é verdade, mas não compreende o cerne da sua Pessoa, não capta o centro da sua missão. Depois, faz aos discípulos a pergunta que deveras lhe está mais a peito, ou seja, questiona-os diretamente: «E vós, quem dizeis que eu sou?» (v. 15). E com aquele «e vós» Jesus separa definitivamente os Apóstolos da multidão, como quem diz: e vós, que andais comigo todos os dias e me conheceis de perto, compreendestes algo mais? O Mestre espera dos seus uma resposta de uma certa envergadura e diversa em relação à da opinião pública. Com efeito, precisamente essa resposta brota do coração de Simão, chamado Pedro: «Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo» (v. 16). Dos lábios de Simão Pedro saem palavras maiores do que ele, palavras que não vêm das suas capacidades naturais. Talvez ele não tenha frequentado a escola primária, e é capaz de proferir estas palavras, mais fortes do que ele! Mas são inspiradas pelo Pai celeste (cf. v. 17), o qual revela ao primeiro dos Doze a verdadeira identidade de Jesus: Ele é o Messias, o Filho enviado por Deus para salvar a humanidade. E desta resposta, Jesus compreende que, graças à fé doada pelo Pai, há uma base sólida sobre a qual pode construir a sua comunidade, a sua Igreja. Por isso diz a Simão: «Tu, Simão, és Pedro — ou seja, pedra, rocha — e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja» (v. 18).

Também connosco, hoje, Jesus quer continuar a construir a sua Igreja, esta casa com fundamentos sólidos mas onde não faltam fendas, e que precisa continuamente de ser concertada. Sempre. A Igreja tem sempre necessidade de ser reformada, concertada. Sem dúvida não nos sentimos rochas, mas apenas pequenas pedras. Contudo, nenhuma pequena pedra é inútil, aliás, nas mãos de Jesus a pedra mais pequenina torna-se preciosa, porque Ele a recolhe, a conserva com grande ternura, a trabalha com o seu Espírito, e a coloca no lugar certo, que Ele desde sempre pensou e onde pode ser mais útil para toda a construção. Cada um de nós é uma pequena pedra, mas nas mãos de Jesus toma parte na construção da Igreja. E todos nós, por mais pequenos que sejamos, somos transformados em «pedras vivas», porque quando Jesus pega na sua pedra, a faz sua, a torna viva, cheia de vida, cheia de vida do Espírito Santo, cheia de vida do seu amor, e assim temos um lugar e uma missão na Igreja: ela é comunidade de vida, feita de tantíssimas pedras, todas diversas, que formam um único edifício no sinal da fraternidade e da comunhão.

Além disso, o Evangelho de hoje recorda-nos que Jesus quis para a sua Igreja também um centro visível de comunhão em Pedro — também ele, não é uma grande pedra, é uma pedra pequenina, mas nas mãos de Jesus torna-se centro de comunhão — em Pedro e em quantos lhe teriam sucedido na mesma responsabilidade primacial, que desde as origens foram identificados nos Bispos de Roma, a cidade onde Pedro e Paulo deram o testemunho do sangue.

Recomendemo-nos a Maria, Rainha dos Apóstolos, Mãe da Igreja. Ela estava no cenáculo, ao lado de Pedro, quando o Espírito Santo desceu sobre os Apóstolos e os impulsionou a sair, a anunciar a todos que Jesus é o Senhor. Hoje a nossa Mãe nos ampare e nos acompanhe com a sua intercessão, para que realizemos plenamente aquela unidade e comunhão pelas quais Cristo e os Apóstolos rezaram e deram a vida.

Depois do Angelus

Amados irmãos e irmãs!

Nos dias passados, grandes enchentes atingiram o Bangladesh, o Nepal e a Índia. Expresso a minha proximidade às populações e rezo pelas vítimas e por quantos sofrem por causa desta calamidade.

Chegaram tristes notícias sobre as perseguições da minoria religiosa dos nossos irmãos rohingya. Gostaria de lhes expressar a minha proximidade; e todos nós peçamos ao Senhor que os salve e suscite homens e mulheres de boa vontade que os ajudem, que lhes concedam plenos direitos. Rezemos também pelos irmãos rohingya.

Saúdo todos vós, fiéis de Roma e peregrinos da Itália e de vários países: as famílias, os grupos paroquiais, as associações. Em particular, saúdo os membros da Terceira Ordem Carmelita; os jovens de Tombelle, diocese de Pádua... — como sois numerosos, vós! — que receberam de recente a Crisma; e o grupo de Lodivecchio: estes são corajosos porque percorreram a pé, em forma de peregrinação, a última parte da Via Francígena. Sede igualmente corajosos na vossa vida!

A todos desejo bom domingo. Não vos esqueçais de rezar por mim. Bom almoço e até à vista!



Fonte: Vaticano




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