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domingo, 20 de agosto de 2017

Evangelho da Assunção de Nossa Senhora


São Lucas 1, 39-56

Naqueles dias, Maria pôs-se a caminho e dirigiu-se apressadamente para a montanha, em direção a uma cidade de Judá. Entrou em casa de Zacarias e saudou Isabel. Quando Isabel ouviu a saudação de Maria, o menino exultou-lhe no seio. Isabel ficou cheia do Espírito Santo e exclamou em alta voz: "Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre. Donde me é dado que venha ter comigo a Mãe do meu Senhor? Na verdade, logo que chegou aos meus ouvidos a voz da tua saudação, o menino exultou de alegria no meu seio. Bem-aventurada aquela que acreditou no cumprimento de tudo quanto lhe foi dito da parte do Senhor". Maria disse então: "A minha alma glorifica o Senhor e o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador, porque pôs os olhos na humildade da sua serva: de hoje em diante me chamarão bem-aventurada todas as gerações. O Todo-Poderoso fez em mim maravilhas: Santo é o seu nome. A sua misericórdia se estende de geração em geração sobre aqueles que O temem. Manifestou o poder do seu braço e dispersou os soberbos. Derrubou os poderosos de seus tronos e exaltou os humildes. Aos famintos encheu de bens e aos ricos despediu de mãos vazias. Acolheu a Israel, seu servo, lembrado da sua misericórdia, como tinha prometido a nossos pais, a Abraão e à sua descendência para sempre". Maria ficou junto de Isabel cerca de três meses e depois regressou a sua casa.






domingo, 13 de agosto de 2017

Evangelho do XIX Domingo do Tempo Comum – Ano A


São Mateus 14, 22-33

Depois de ter saciado a fome à multidão, Jesus obrigou os discípulos a subir para o barco e a esperá-lo na outra margem, enquanto Ele despedia a multidão. Logo que a despediu, subiu a um monte, para orar a sós. Ao cair da tarde, estava ali sozinho. O barco ia já no meio do mar, açoitado pelas ondas, pois o vento era contrário. Na quarta vigília da noite, Jesus foi ter com eles, caminhando sobre o mar. Os discípulos, vendo-O a caminhar sobre o mar, assustaram-se, pensando que fosse um fantasma. E gritaram cheios de medo. Mas logo Jesus lhes dirigiu a palavra, dizendo: "Tende confiança. Sou Eu. Não temais". Respondeu-Lhe Pedro: "Se és Tu, Senhor, manda-me ir ter contigo sobre as águas". "Vem!" disse Jesus. Então, Pedro desceu do barco e caminhou sobre as águas, para ir ter com Jesus. Mas, sentindo a violência do vento e começando a afundar-se, gritou: "Salva-me, Senhor!" Jesus estendeu-lhe logo a mão e segurou-o. Depois disse-lhe: "Homem de pouca fé, porque duvidaste?" Logo que saíram para o barco, o vento amainou. Então, os que estavam no barco prostraram-se diante de Jesus, e disseram-Lhe: "Tu és verdadeiramente o Filho de Deus".





Catequese com o Papa Francisco - 09.08.2017


Sala Paulo VI
Quarta-feira, 9 de agosto de 2017









Bom dia, prezados irmãos e irmãs!

Ouvimos a reação dos comensais de Simão, o fariseu: «Quem é este homem que até perdoa os pecados?» (Lc 7, 49). Jesus acabou de fazer um gesto escandaloso. Uma mulher da cidade, que todos conheciam como uma pecadora, entrou na casa de Simão, inclinou-se aos pés de Jesus e derramou sobre os seus pés o óleo perfumado. Todos aqueles que estavam ali à mesa murmuravam: se Jesus é um profeta, não deveria aceitar gestos deste tipo de uma mulher como aquela. Estas mulheres, desventuradas, que só serviam para ser encontradas às escondidas, inclusive pelos chefes, ou para ser lapidadas. Segundo a mentalidade dessa época, entre o santo e o pecador, entre o puro e o impuro, a separação devia ser clara.

Mas a atitude de Jesus é diferente. Desde o início do seu ministério na Galileia, Ele aproxima-se dos leprosos, dos endemoninhados, de todos os doentes e dos marginalizados. Um comportamento deste tipo não era nada habitual, a ponto que esta simpatia de Jesus pelos excluídos, pelos “intocáveis”, será uma das atitudes que mais desconcertarão os seus contemporâneos. Onde há uma pessoa que sofre, Jesus cuida dela e aquele sofrimento torna-se seu. Jesus não apregoa que a condição de pena deve ser suportada com heroísmo, à maneira dos filósofos estoicos. Jesus compartilha a dor humana, e quando se depara com ela, do seu íntimo irrompe aquela atitude que caracteriza o cristianismo: a misericórdia. Diante da dor humana, Jesus sente misericórdia; o coração de Jesus é misericordioso. Jesus experimenta compaixão. Literalmente: Jesus sente tremer as suas entranhas. Quantas vezes nos Evangelhos encontramos reações deste género. O coração de Cristo encarna e revela o coração de Deus, e onde há um homem ou uma mulher que sofre, Ele quer a sua cura, a sua libertação, a sua vida plena.

É por isso que Jesus abre de par em par os braços aos pecadores. Quanta gente perdura ainda hoje numa vida errada, porque não encontra ninguém disposto a olhar para ele ou para ela de modo diverso, com os olhos, melhor, com o coração de Deus, ou seja, olhar para eles com esperança. Jesus, ao contrário, vê uma possibilidade de ressurreição até em quantos acumularam muitas escolhas equivocadas. Jesus está sempre ali, com o coração aberto; escancara aquela misericórdia que tem no coração; perdoa, abraça, compreende, aproxima-se: Jesus é assim!

Às vezes esquecemos que para Jesus não se tratou de um amor fácil, barato. Os Evangelhos frisam as primeiras reações negativas em relação a Jesus, precisamente quando Ele perdoa os pecados de um homem (cf. Mc 2, 1-12). Era um homem que sofria duplamente: porque não podia caminhar e porque se sentia “errado”. E Jesus entende que a segunda dor é maior do que a primeira, a ponto que o recebe imediatamente com um anúncio de libertação: «Filho, os teus pecados te são perdoados!» (v. 5). Liberta-o daquela sensação de opressão de se sentir errado. Então, alguns escribas — aqueles que se julgam perfeitos: penso em tantos católicos que se consideram perfeitos e desprezam os outros... isto é triste... — alguns escribas ali presentes escandalizam-se com aquelas palavras de Jesus, que soam como uma blasfémia, porque somente Deus pode perdoar os pecados.

Nós que estamos habituados a experimentar o perdão dos pecados, talvez “a um preço muito baixo”, deveríamos recordar-nos de vez em quando de quanto custamos ao amor de Deus. Cada um de nós custou bastante: a vida de Jesus! Ele tê-la-ia dado até por um só de nós. Jesus não vai para a cruz porque cura os enfermos, porque prega a caridade, porque proclama as bem-aventuranças. O Filho de Deus vai para a cruz sobretudo porque perdoa os pecados, porque quer a libertação total e definitiva do coração do homem. Porque não aceita que o ser humano consuma toda a sua existência com esta “tatuagem” indelével, com o pensamento de não poder ser recebido pelo coração misericordioso de Deus. E com estes sentimentos Jesus vai ao encontro dos pecadores, que somos todos nós.

Assim os pecadores são perdoados. Não só tranquilizados a nível psicológico, porque libertados do sentido de culpa. Jesus faz muito mais: oferece às pessoas que erraram, a esperança de uma vida nova. “Mas Senhor, eu sou um miserável” — “Olha para a frente e Eu dou-te um coração novo”. Esta é a esperança que Jesus nos oferece. Uma vida marcada pelo amor. Mateus, o publicano, torna-se apóstolo de Cristo: Mateus, que é um traidor da pátria, um explorador do povo. Zaqueu, rico corrupto — ele certamente tinha um diploma em suborno — de Jericó, transforma-se num benfeitor dos pobres. A mulher da Samaria, que teve cinco maridos e agora convive com outro, ouve a promessa da “água viva” que poderá jorrar para sempre dentro dela (cf. Jo 4, 14). Deste modo Jesus muda o coração; faz assim com todos nós.

É bom pensar que Deus não escolheu como primeira massa, para formar a sua Igreja, pessoas que nunca erravam. A Igreja é um povo de pecadores que experimentam a misericórdia e o perdão de Deus. Pedro entendeu mais verdades sobre si mesmo ao canto do galo, do que dos seus impulsos de generosidade, que lhe enchiam o peito, levando-o a sentir-se superior em relação aos outros.

Irmãos e irmãs, todos nós somos pobres pecadores, necessitados da misericórdia de Deus, que tem a força de nos transformar e restituir esperança, e isto todos os dias. E fá-lo! E às pessoas que entenderam esta verdade basilar, Deus confia a missão mais bonita do mundo, ou seja, o amor aos irmãos e às irmãs, e o anúncio de uma misericórdia que Ele não nega a ninguém. E esta é a nossa esperança. Vamos em frente com esta confiança no perdão, no amor misericordioso de Jesus.

Saudações

Dirijo uma cordial saudação aos peregrinos de língua portuguesa, convidando todos a permanecer fiéis a Cristo Jesus. Ele desafia-nos a sair do nosso mundo limitado e estreito para o Reino de Deus e a verdadeira liberdade. O Espírito Santo vos ilumine para poderdes levar a Bênção de Deus a todos os homens. A Virgem Mãe vele sobre o vosso caminho e vos proteja.

Fiquei profundamente amargurado com o massacre ocorrido no domingo passado na Nigéria, dentro de uma igreja, onde foram mortas pessoas inocentes. E infelizmente hoje de manhã chegou a notícia de violências homicidas contra as comunidades cristãs na República Centro-Africana. Faço votos a fim de que cessem todas as formas de ódio e de violência, e que não se voltem a repetir crimes tão vergonhosos, perpetrados em lugares de culto, onde os fiéis se congregam para rezar. Pensemos nos nossos irmãos e irmãs da Nigéria e da República Centro-Africana. Oremos por eles, todos juntos: Ave Maria...

Enfim, dirijo o meu cordial pensamento aos jovens, aos doentes e aos recém-casados, vindos a Roma neste período. Caros jovens, desejo que o encontro com tantos lugares repletos de cultura, arte e fé seja ocasião propícia para conhecer e imitar o exemplo que nos foi deixado por numerosas testemunhas do Evangelho que viveram aqui, como São Lourenço, cuja festa se celebra amanhã. Diletos doentes, encorajo-vos a unir-vos constantemente a Jesus sofredor, carregando com fé a cruz para a redenção do mundo. Amados recém-casados, faço votos por que construais a vossa nova família sobre o fundamento sólido da fidelidade ao Evangelho do Amor.




Fonte: Vaticano




Angelus com o Papa Francisco - 06.08.2017


Praça São Pedro
Domingo, 6 de agosto de 2017








Amados irmãos e irmãs, bom dia!

Neste domingo, a liturgia celebra a festa da Transfiguração do Senhor. A página evangélica de hoje narra que os apóstolos Pedro, Tiago e João foram testemunhas deste acontecimento extraordinário. Jesus levou-os consigo «e conduziu-os em particular a um alto monte» (Mt 17, 1) e, enquanto rezava, o seu rosto mudou de aspeto, brilhando como o sol, e as suas vestes tornaram-se cândidas como a luz. Apareceram então Moisés e Elias, e entraram em diálogo com Ele. A este ponto, Pedro disse a Jesus: «Senhor, bom é estarmos aqui; se queres, façamos aqui três tabernáculos, um para ti, um para Moisés, e um para Elias» (v. 4). Ainda não tinha acabado de falar, quando uma nuvem luminosa os cobriu.

O evento da Transfiguração do Senhor oferece-nos uma mensagem de esperança — assim seremos nós, com Ele — convida-nos a encontrar Jesus, para estar ao serviço dos irmãos.

A subida dos discípulos ao monte Tabor leva-nos a refletir acerca da importância de nos desapegarmos das coisas mundanas, a fim de fazer um caminho rumo ao alto e contemplar Jesus. Trata-se de nos pormos à escuta atenta e orante de Cristo, o Filho amado do Pai, procurando momentos de oração que permitem o acolhimento dócil e jubiloso da Palavra de Deus. Nesta ascensão espiritual, neste afastamento das coisas mundanas, somos chamados a redescobrir o silêncio pacificador e regenerante da meditação do Evangelho, da leitura da Bíblia, que leva rumo a uma meta rica de beleza, de esplendor e de alegria. E quando nos pomos assim, com a Bíblia na mão, em silêncio, começamos a sentir esta beleza interior, esta alegria que a palavra de Deus gera em nós. Nesta perspetiva, o tempo de verão é um momento providencial para aumentar o nosso compromisso de busca e de encontro com o Senhor. Neste período, os estudantes estão livres dos compromissos escolares e muitas famílias fazem as suas férias; é importante que no período do repouso e da pausa das ocupações diárias, se possam retemperar as forças do corpo e do espírito, aprofundando o caminho espiritual.

No final da admirável experiência da Transfiguração, os discípulos desceram do monte (cf. v. 9) com os olhos e o coração transfigurados pelo encontro com o Senhor. É o percurso que podemos realizar também nós. A redescoberta cada vez mais viva de Jesus não constitui um fim em si, mas induz-nos a «descer do monte», restaurados pela força do Espírito divino, para decidir novos passos de conversão e para testemunhar constantemente a caridade, como lei de vida diária. Transformados pela presença de Cristo e pelo fervor da sua palavra, seremos sinal concreto do amor vivificador de Deus por todos os nossos irmãos, sobretudo por quem sofre, por quantos se encontram na solidão e no abandono, pelos doentes e pela multidão de homens e mulheres que, em diversas partes do mundo, são humilhados pela injustiça, pela prepotência e pela violência.

Na Transfiguração ouve-se a voz do Pai que diz: «Este é o meu Filho muito amado. Ouvi-o!» (v. 5). Olhemos para Maria, a Virgem da escuta, sempre pronta para acolher e guardar no coração cada palavra do Filho divino (cf. Lc 1, 51). Queira a nossa Mãe e Mãe de Deus ajudar-nos a entrar em sintonia com a Palavra de Deus, de modo que Cristo se torne luz e guia de toda a nossa vida. A Ela confiemos as férias de todos, para que sejam serenas e proveitosas, mas sobretudo o verão de quantos não podem ir de férias porque a idade não permite, por motivos de saúde ou de trabalho, por dificuldades económicas ou por outros problemas, a fim de que seja contudo um tempo de distensão, alegrado por presenças amigas e por momentos felizes.

Depois do Angelus

Amados irmãos e irmãs!

Saúdo todos vós, romanos e peregrinos de vários países: famílias, associações e cada um dos fiéis.

Hoje encontram-se aqui diversos grupos de adolescentes e jovens. Saúdo-vos com grande afeto! Em particular, o grupo da pastoral juvenil de Verona; os jovens de Adria, Campodarsego e Offanengo.

A todos desejo bom domingo. Por favor, não vos esqueçais de rezar por mim. Bom almoço e até à vista!




Fonte: Vaticano




domingo, 6 de agosto de 2017

Evangelho da Transfiguração do Senhor – Ano A


São Mateus 17, 1-9

Naquele tempo, Jesus tomou consigo Pedro, Tiago e João seu irmão e levou-os, em particular, a um alto monte e transfigurou-Se diante deles: o seu rosto ficou resplandecente como o sol e as suas vestes tornaram-se brancas como a luz. E apareceram Moisés e Elias a falar com Ele. Pedro disse a Jesus: "Senhor, como é bom estarmos aqui! Se quiseres, farei aqui três tendas: uma para Ti, outra para Moisés e outra para Elias". Ainda ele falava, quando uma nuvem luminosa os cobriu com a sua sombra e da nuvem uma voz dizia: "Este é o meu Filho muito amado, no qual pus toda a minha complacência. Escutai-O". Ao ouvirem estas palavras, os discípulos caíram de rosto por terra e assustaram-se muito. Então Jesus aproximou-se e, tocando-os, disse: "Levantai-vos e não temais". Erguendo os olhos, eles não viram mais ninguém, senão Jesus. Ao descerem do monte, Jesus deu-lhes esta ordem: "Não conteis a ninguém esta visão, até o Filho do homem ressuscitar dos mortos".






Catequese com o Papa Francisco - 02.08.2017


Sala Paulo VI
Quarta-feira, 2 de agosto de 2017








Bom dia, diletos irmãos e irmãs!

Outrora as igrejas orientavam-se para o leste. Entrava-se no edifício sagrado por uma porta aberta para o ocidente e, caminhando pela nave, dirigia-se rumo ao oriente. Era um símbolo importante para o homem antigo, uma alegoria que ao longo da história decaiu progressivamente. Nós, homens da época moderna, muito menos habituados a captar os grandes sinais do cosmos, quase nunca nos damos conta de um pormenor deste tipo. O ocidente é o ponto cardeal do pôr do sol, onde a luz desfalece. O oriente, ao contrário, é o lugar onde as trevas são vencidas pela primeira luz da aurora, evocando-nos Cristo, Sol que surgiu do alto no horizonte do mundo (cf. Lc 1, 78).

Os antigos ritos do Batismo previam que os catecúmenos emitissem a primeira parte da sua profissão de fé, com o olhar voltado para o ocidente. E naquela postura, eram interrogados: “Renunciais a Satanás, ao seu serviço e às suas obras?” — E os futuros cristãos repetiam em coro: “Renuncio!”. Depois, iam rumo à abside, na direção do oriente, onde nasce a luz, e os candidatos ao Batismo eram novamente interrogados: “Acreditais em Deus Pai, Filho e Espírito Santo?”. E desta vez, respondiam: “Creio!”.

Nos tempos modernos perdeu-se parcialmente o fascínio deste rito: perdemos a sensibilidade à linguagem do cosmos. Naturalmente, permaneceu-nos a profissão de fé, feita segundo a interrogação batismal, que é própria da celebração de alguns sacramentos. Contudo, ela conserva-se intacta no seu significado. O que quer dizer ser cristão? Significa olhar para a luz, continuar a fazer a profissão de fé na luz, enquanto o mundo estiver envolvido pela noite e pelas trevas.

Os cristãos não estão isentos das trevas, externas e inclusive internas. Não vivem fora do mundo, mas pela graça de Cristo, recebida no Batismo, são homens e mulheres “orientados”: não acreditam na escuridão, mas na luminosidade do dia; não sucumbem à noite, mas esperam na aurora; não são derrotados pela morte, mas anseiam por ressuscitar; não são vencidos pelo mal, porque confiam sempre nas possibilidades infinitas do bem. E esta é a nossa esperança cristã. A luz de Jesus, a salvação que nos traz Jesus com a sua luz que nos salva das trevas.

Nós somos aqueles que acreditam que Deus é Pai: esta é a luz! Não somos órfãos, temos um Pai, e o nosso Pai é Deus. Cremos que Jesus desceu ao meio de nós, caminhou na nossa própria vida, tornando-se companheiro sobretudo dos mais pobres e frágeis: esta é a luz! Cremos que o Espírito Santo age incessantemente para o bem da humanidade e do mundo, e até as maiores dores da história serão superadas: esta é a esperança que nos desperta todas as manhãs! Cremos que cada afeto, cada amizade, cada desejo bom, cada amor, até os mais ténues e descuidados, um dia encontrarão o seu cumprimento em Deus: esta é a força que nos leva a abraçar com entusiasmo a nossa vida de todos os dias! E esta é a nossa esperança: viver na esperança, na luz, na luz de Deus Pai, na luz de Jesus Salvador, na luz do Espírito Santo que nos impele a ir em frente na vida.

Além disso, há outro sinal muito bonito da liturgia batismal que nos recorda a importância da luz. No final do rit0, aos pais — se se trata de uma criança — ou ao próprio batizado — se for um adulto — é entregue uma vela, cuja chama se acende no círio pascal. Trata-se do grande círio que, na noite de Páscoa, entra na igreja completamente escura para manifestar o mistério da Ressurreição de Jesus; daquele círio todos acendem a própria candeia e transmitem a chama aos vizinhos: neste sinal está a lenta propagação da Ressurreição de Jesus na vida de todos os cristãos. A vida da Igreja — direi uma palavra um pouco forte — é contaminação de luz. Quanto mais luz de Jesus nós cristãos tivermos, quanto mais luz de Jesus houver na vida da Igreja, tanto mais ela será viva. A vida da Igreja é contaminação de luz.

A exortação mais bonita que podemos dirigir uns aos outros é a de nos recordarmos do nosso Batismo. Gostaria de vos perguntar: quantos de vós se recordam da data do seu Batismo? Não respondais, porque alguns terão vergonha! Pensai, e se não vos recordais, hoje tendes uma tarefa para fazer em casa: vai ter com a tua mãe, o teu pai, a tua tia, o teu tio, a tua avó, o teu avô e pergunta-lhes: “Qual é a data do meu Batismo?”. E não voltes a esquecê-la! Está claro? Fareis isto? O compromisso de hoje é aprender a recordar-se da data do Batismo, que é o dia do renascimento, é a data da luz, o dia em que — permiti-me esta palavra — fomos contaminados pela luz de Cristo. Nós nascemos duas vezes: a primeira, para a vida natural; a segunda, graças ao encontro com Cristo, na pia batismal. Ali morremos para a morte, a fim de vivermos como filhos de Deus neste mundo. Ali tornamo-nos humanos, como nunca o teríamos imaginado. Eis por que razão todos nós devemos propagar o perfume do Crisma, com o qual fomos marcados no dia do nosso Batismo. Em nós vive e age o Espírito de Jesus, primogénito de muitos irmãos, de todos aqueles que se opõem à inevitabilidade das trevas e da morte.

Como é grande a graça, quando um cristão se torna verdadeiramente um “cristo-foros”, ou seja, “portador de Jesus” no mundo! Sobretudo para aqueles que atravessam situações de luto, de desespero, de trevas e de ódio. E isto pode ser entendido a partir de muitos pequenos detalhes: da luz que o cristão conserva nos olhos, do fundo de serenidade que não é manchado nem sequer nos dias mais complicados, do desejo de recomeçar a amar, até quando experimentamos muitas desilusões. No futuro, quando for escrita a história dos nossos dias, o que se dirá de nós? Que fomos capazes de esperança, ou então que pusemos a nossa luz debaixo do alqueire? Se formos fiéis ao nosso Batismo, propagaremos a luz da esperança, o Batismo é o início da esperança, aquela esperança de Deus, e poderemos transmitir razões de vida às gerações vindouras.


Saudações

Dirijo uma cordial saudação aos peregrinos de língua portuguesa, concretamente aos membros da Fraternidade dos Irmãozinhos de Assis aqui presentes. Queridos amigos, ser batizado significa ser chamado à santidade. Imploremos a graça de poder viver os nossos compromissos batismais como verdadeiros imitadores de Jesus, nossa esperança e nossa paz. Que Deus vos abençoe!




Fonte: Vaticano




Angelus com o Papa Francisco - 30.07.2017


Praça São Pedro
Domingo, 30 de julho de 2017









Amados irmãos e irmãs, bom dia!

O discurso parabólico de Jesus, que reúne sete parábolas no capítulo treze do Evangelho de Mateus, conclui-se com as três semelhanças hodiernas: o tesouro escondido (v. 44), a pérola preciosa (v. 45-46) e a rede da pesca (v. 47-48). Analiso as primeiras duas que frisam a decisão dos protagonistas de vender tudo para obter o que descobriram. No primeiro caso trata-se de um camponês que encontrou por acaso um tesouro escondido no campo onde está a trabalhar. Por não ser um campo de sua propriedade, se quiser ficar com o tesouro tem que o comprar: portanto decide arriscar todos os seus bens para não perder aquela ocasião deveras excepcional. No segundo caso encontramos um mercador de pérolas preciosas; sendo um conhecedor perito, encontrou uma pérola de grande valor. Também ele decide investir tudo naquela pérola, a ponto de vender todas as outras.

Estas semelhanças põem em evidência duas características relativas à posse do Reino de Deus; a busca e o sacrifício. É verdade que o Reino de Deus é oferecido a todos — é um dom, é uma prenda, é graça — mas não é servido num tabuleiro de prata, exige um dinamismo: trata-se de procurar, caminhar, trabalhar. A atitude da busca é a condição essencial para encontrar; é preciso que o coração arda com o desejo de alcançar o bem precioso, ou seja, o Reino de Deus que se faz presente na pessoa de Jesus. É Ele o tesouro escondido, é Ele a pérola de grande valor. Ele é a descoberta fundamental, que pode fazer uma mudança decisiva na nossa vida, enchendo-a de significado.

Face à descoberta inesperada, quer o camponês quer o mercador dão-se conta de ter uma ocasião única que não querem perder, e por isso vendem tudo o que possuem. A avaliação do valor inestimável do tesouro leva a uma decisão que implica também sacrifícios, desprendimentos e renúncias. Quando o tesouro e a pérola foram descobertos, ou seja, quando encontrámos o Senhor, é necessário que esta descoberta não seja estéril, mas deve-se sacrificar por ela qualquer outra coisa. Não se trata de desprezar o resto, mas de o subordinar a Jesus, pondo-O em primeiro lugar. A graça do primeiro lugar. O discípulo de Cristo não é alguém que se privou de algo essencial; é uma pessoa que encontrou muito mais: encontrou a alegria plena que só o Senhor pode doar. É a alegria evangélica dos doentes curados; dos pecadores perdoados; do ladrão para o qual se abre a porta do paraíso.

A alegria do Evangelho enche o coração e a vida inteira de quantos se encontram com Jesus. Aqueles que se deixam salvar por Ele são libertados do pecado, da tristeza, do vazio interior, do isolamento. Com Jesus Cristo a alegria nasce e renasce sempre (cf. Ex. ap. Evangelii Gaudium, 1). Hoje somos exortados a contemplar a alegria do camponês e do mercador das parábolas. É a alegria de cada um de nós quando descobrimos a proximidade e a presença confortadora de Jesus na nossa vida. Uma presença que transforma o coração e nos abre às necessidades e ao acolhimento dos irmãos, sobretudo dos mais débeis.

Rezemos, pela intercessão da Virgem Maria, para que cada um de nós saiba testemunhar, com as palavras e com os gestos diários, a alegria de ter encontrado o tesouro do Reino de Deus, ou seja, o amor que o Pai nos doou mediante Jesus.


Depois do Angelus

Queridos irmãos e irmãs!

Celebra-se hoje o Dia mundial contra o tráfico de pessoas, promovida pelas Nações Unidas. Todos os anos milhares de homens, mulheres e crianças são vítimas inocentes da exploração laboral e sexual e do tráfico de órgãos, e parece que nos habituamos de tal maneira que a consideramos normal. Isto é mau, é cruel, é criminoso! Desejo chamar todos a comprometer-se para que esta chaga aberrante, esta forma de escravidão moderna, seja adequadamente contrastada. Rezemos juntos à Virgem Maria para que ampare as vítimas do tráfico e converta os corações dos traficantes. Oremos juntos a Nossa Senhora: Ave Maria...

Saúdo agora todos os peregrinos provenientes da Itália e de diversos países, em particular as Irmãs Murialdinas de São José, as Noviças das Irmãs de Maria Auxiliadora, os Ministrantes de diversas paróquias italianas e o clube italiano de Hóquei Feminino de Buenos Aires.

A todos desejo bom domingo e, por favor, não vos esqueçais de rezar por mim. Bom almoço e até à vista!




Fonte: Vaticano




domingo, 30 de julho de 2017

Evangelho do XVII Domingo do Tempo Comum – Ano A


São Mateus 13, 44-52 

Naquele tempo, disse Jesus às multidões: "O reino dos Céus é semelhante a um tesouro escondido num campo. O homem que o encontrou tornou a escondê-lo e ficou tão contente que foi vender tudo quanto possuía e comprou aquele campo. O reino dos Céus é semelhante a um negociante que procura pérolas preciosas. Ao encontrar uma de grande valor, foi vender tudo quanto possuía e comprou essa pérola. O reino dos Céus é semelhante a uma rede que, lançada ao mar, apanha toda a espécie de peixes. Logo que se enche, puxam-na para a praia e, sentando-se, escolhem os bons para os cestos e o que não presta deitam-no fora. Assim será no fim do mundo: os Anjos sairão a separar os maus do meio dos justos e a lançá-los na fornalha ardente. Aí haverá choro e ranger de dentes. Entendestes tudo isto?" Eles responderam-Lhe: "Entendemos". Disse-lhes então Jesus: Por isso, todo o escriba instruído sobre o Reino dos Céus é semelhante a um pai de família que tira do seu tesouro coisas novas".







Angelus com o Papa Francisco - 23.07.2017


Praça São Pedro
Domingo, 23 de julho de 2017








Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

A página evangélica de hoje propõe três parábolas com as quais Jesus fala às multidões sobre o Reino de Deus. Analiso a primeira: a do grão bom e da erva daninha, que ilustra o problema do mal no mundo e ressalta a paciência de Deus (cf. Mt 13, 24-30.36-43). Quanta paciência tem Deus! Também cada um de nós pode dizer isto: «Quanta paciência tem Deus comigo!». A narração situa-se num campo com dois protagonistas opostos. Por um lado, o dono do campo que representa Deus e espalha a semente boa; por outro, o inimigo que representa Satanás e espalha a erva daninha.

Com o passar do tempo, no meio do trigo cresce também o joio, e face a esta realidade o dono e os seus servos têm atitudes diferentes. Os servos queriam intervir arrancando o joio; mas o dono, que se preocupa sobretudo com a salvação do trigo, opõe-se dizendo: «Não; para que, ao colher o joio, não arranqueis também o trigo com ele» (v. 29). Com esta imagem, Jesus diz-nos que neste mundo o bem e o mal estão tão interligados, que é impossível separá-los e arrancar todo o mal. Só Deus pode fazer isto e fá-lo-á no juízo final. Com as suas ambiguidades e com o seu carácter multifacetado, a situação presente é o campo da liberdade, o campo da liberdade dos cristãos, no qual se cumpre o difícil exercício do discernimento entre o bem e o mal.

E, por conseguinte, trata-se de conjugar neste âmbito, com grande confiança em Deus e na sua providência, duas atitudes aparentemente contraditórias: a decisão e a paciência. A decisão consiste em querer ser grão bom — todos o queremos —, com todas as nossas forças, e portanto afastarmo-nos do maligno e das suas seduções. A paciência significa preferir uma Igreja que é fermento na massa, que não teme sujar as mãos lavando as roupas dos seus filhos, e não uma Igreja de «puros», que pretende julgar antes do tempo quem está no Reino de Deus e quem não.

O Senhor, que é a Sabedoria encarnada, ajuda-nos hoje a compreender que o bem e o mal não se podem identificar com territórios definidos ou determinados grupos humanos: «Estes são os bons, este são os maus». Ele diz-nos que a linha de fronteira entre o bem e o mal passa pelo coração de cada pessoa, passa pelo coração de cada um de nós, ou seja: somos todos pecadores. Sinto vontade de vos perguntar: «Quem não é pecador levante a mão». Ninguém! Porque todos o somos, somos todos pecadores. Jesus Cristo, com a sua morte na cruz e a sua ressurreição, libertou-nos da escravidão do pecado e concedeu-nos a graça de caminhar rumo a uma nova vida; mas com o Batismo concedeu-nos também a Confissão, porque temos sempre necessidade de ser perdoados dos nossos pecados. Olhar sempre e unicamente para o mal que está fora de nós, significa não querer reconhecer o pecado que está também em nós.

E depois Jesus ensina-nos um modo diverso de olhar para o campo do mundo, de observar a realidade. Somos chamados a aprender os tempos de Deus — que não são os nossos tempos — e também o “olhar” de Deus: graças à influência benéfica de uma expectativa trepidante, aquilo que era joio ou parecia joio, pode tornar-se um produto bom. É a realidade da conversão. É a perspetiva da esperança!

Que a Virgem Maria nos ajude a colher na realidade que nos circunda não só a sujidade e o mal, mas também o que é bem e bom; a desmascarar a obra de Satanás, mas sobretudo a confiar na ação de Deus que fecunda a história.



Depois do Angelus

Amados irmãos e irmãs!

Sigo com apreensão as graves tensões e violências destes dias em Jerusalém. Sinto necessidade de expressar um urgente apelo à moderação e ao diálogo. Convido-vos a unir-vos a mim na oração, para que o Senhor inspire em todos propósitos de reconciliação e paz.

Saúdo todos vós, fiéis de Roma e peregrinos de várias partes do mundo: as famílias, os grupos paroquiais, as associações. Em particular, saúdo os fiéis de Munster (Irlanda); as Irmãs Franciscanas Elisabetinas Cinzentas; o coro lírico sinfónico de Enna; os jovens de Casamassima que desempenharam um serviço de voluntariado em Roma. Dirijo o meu pensamento e encorajamento aos jovens participantes no «Cantiere Hombre Mundo», que estão empenhados a testemunhar a alegria do Evangelho nas periferias mais desfavorecidas dos vários Continentes.

A todos desejo bom domingo. E por favor não vos esqueçais de rezar por mim. Bom almoço e até à vista!




Fonte: Vaticano




domingo, 23 de julho de 2017

Evangelho do XVI Domingo do Tempo Comum – Ano A


São Mateus 13, 24-43 

"Naquele tempo, Jesus disse às multidões mais esta parábola: "O reino dos Céus pode comparar-se a um homem que semeou boa semente no seu campo. Enquanto todos dormiam, veio o inimigo, semeou joio no meio do trigo e foi-se embora. Quando o trigo cresceu e deu fruto, apareceu também o joio. Os servos do dono da casa foram dizer-lhe: ‘Senhor, não semeaste boa semente no teu campo? Donde vem então o joio?’ Ele respondeu-lhes: ‘Foi um inimigo que fez isso’. Disseram-lhe os servos: ‘Queres que vamos arrancar o joio?’ ‘Não! – disse ele – não suceda que, ao arrancardes o joio, arranqueis também o trigo. Deixai-os crescer ambos até à ceifa e, na altura da ceifa, direi aos ceifeiros: Apanhai primeiro o joio e atai-o em molhos para queimar; e ao trigo, recolhei-o no meu celeiro’". Jesus disse-lhes outra parábola: "O reino dos Céus pode comparar-se a um grão de mostarda que um homem tomou e semeou no seu campo. Sendo a menor de todas as sementes, depois de crescer, é a maior de todas as hortaliças e torna-se árvore, de modo que as aves do céu vêm abrigar-se nos seus ramos". Disse-lhes outra parábola: "O reino dos Céus pode comparar-se ao fermento que uma mulher toma e mistura em três medidas de farinha, até ficar tudo levedado". Tudo isto disse Jesus em parábolas, e sem parábolas nada lhes dizia, a fim de se cumprir o que fora anunciado pelo profeta, que disse: "Abrirei a minha boca em parábolas e proclamarei verdades ocultas desde a criação do mundo". Jesus deixou então as multidões e foi para casa. Os discípulos aproximaram-se d’Ele e disseram-Lhe: "Explica-nos a parábola do joio no campo". Jesus respondeu: "Aquele que semeia a boa semente é o Filho do homem e o campo é o mundo. A boa semente são os filhos do reino, o joio são os filhos do Maligno e o inimigo que o semeou é o Demônio. A ceifa é o fim do mundo e os ceifeiros são os Anjos. Como o joio é apanhado e queimado no fogo, assim será no fim do mundo: o Filho do homem enviará os seus Anjos, que tirarão do seu reino todos os escandalosos e todos os que praticam a iniquidade, e hão-de lançá-los na fornalha ardente; aí haverá choro e ranger de dentes. Então, os justos brilharão como o sol no reino do seu Pai. Quem tem ouvidos, oiça".





Angelus com o Papa Francisco - 16.07.2017


Praça São Pedro
Domingo, 16 de julho de 2017









Amados irmãos e irmãs, bom dia!

Jesus, quando falava, usava uma linguagem simples e servia-se também de imagens, que eram exemplos tirados da vida diária, a fim de poder ser compreendido facilmente por todos. Por isso gostavam de o ouvir e apreciavam a sua mensagem que ia diretamente ao coração; e não era aquela linguagem difícil de compreender, a que usavam os doutores da Lei da época, que não se entendia bem, era rígida e afastava o povo. E com esta linguagem Jesus fazia compreender o mistério do Reino de Deus; não era uma teologia complicada. E o Evangelho de hoje dá-nos um exemplo: a parábola do semeador (cf. Mt 13, 1-23).

O semeador é Jesus. Observamos que, com esta imagem, Ele se apresenta como alguém que não se impõe, mas se propõe; não nos atrai conquistando-nos, mas doando-se: lança a semente. Ele espalha com paciência e generosidade a sua Palavra, que não é uma gaiola nem uma armadilha, mas uma semente que pode dar fruto. E como pode dar fruto? Se a acolhermos.

Por isso, a parábola diz respeito sobretudo a nós: com efeito, ela fala mais do terreno que do semeador. Jesus faz, por assim dizer, uma «radiografia espiritual» do nosso coração, que é o terreno sobre o qual a semente da Palavra cai. O nosso coração, como um terreno, pode ser bom e então a Palavra dá fruto — e muito — mas pode também ser duro, impermeável. Isto acontece quando ouvimos a Palavra, mas ela escorrega, precisamente como numa estrada: não entra.

Entre o terreno bom e a estrada, o asfalto — se lançarmos uma semente na «calçada», nada cresce — há contudo dois terrenos intermédios que, de maneiras diversas, podemos ter em nós. O primeiro, diz Jesus, é o pedregoso. Tentemos imaginar: um terreno pedregoso é um terreno «onde não há muita terra» (cf. v. 5), e portanto a semente germina, mas não consegue ganhar raízes profundas. É assim o coração superficial, que acolhe o Senhor, quer rezar, amar e testemunhar, mas não persevera, cansa-se e não cresce. É um coração sem consistência, no qual as pedrinhas da preguiça prevalecem sobre a terra boa, onde o amor é inconstante e passageiro. Mas quem acolhe o Senhor só quando lhe apetece, não dá fruto.

Depois, há o último terreno, aquele espinhoso, cheio de sarças que sufocam as plantas boas. O que representam estas sarças? «A preocupação do mundo e a sedução da riqueza» (v. 22), assim diz Jesus, explicitamente. As sarças são os vícios que estão em contraste com Deus, que sufocam a sua presença: antes de tudo os ídolos da riqueza mundana, viver avidamente, para si mesmos, pelo ter e pelo poder. Se cultivarmos estas sarças, sufocamos o crescimento de Deus em nós. Cada um pode reconhecer as suas sarças pequenas ou grandes, os vícios que habitam no seu coração, aqueles arbustos mais ou menos radicados que não agradam a Deus e impedem que se tenha o coração limpo. É necessário arrancá-los, senão a Palavra não dará fruto, a semente não crescerá.

Queridos irmãos e irmãs, Jesus convida-nos hoje a olhar para dentro de nós: a agradecer pelo nosso terreno bom e a trabalhar nos terrenos que ainda o não são. Perguntemo-nos se o nosso coração está aberto para acolher com fé a semente da Palavra de Deus. Questionemo-nos se os nossos pedregulhos da preguiça ainda são muitos e grandes; encontremos e chamemos pelo nome as sarças dos vícios. Encontremos a coragem para limpar o terreno, uma boa limpeza do nosso coração, levando ao Senhor na Confissão e na oração as nossas pedrinhas e as nossas sarças. Fazendo assim, Jesus, o bom samaritano, será feliz de realizar mais um trabalho: purificar o nosso coração, tirando as pedras e os espinhos que sufocam a Palavra.

A Mãe de Deus, que hoje recordamos com o título de Bem-Aventurada Virgem do monte Carmelo, insuperável no acolhimento da Palavra de Deus e em pô-la em prática (cf. Lc 8, 21), nos ajude a purificar o coração e vos mantenha na presença do Senhor.


Queridos irmãos e irmãs!

Saúdo de coração todos vós, fiéis de Roma e peregrinos de várias partes do mundo; as famílias, os grupos paroquiais, as associações.

Em particular saúdo as Irmãs Filhas da Virgem das Dores, cinquenta anos depois da aprovação pontifícia do Instituto; as Irmãs Franciscanas de São José a 150 anos da fundação; os dirigentes e os hóspedes da «Domus Croata» de Roma, no trigésimo aniversário da sua instituição.

Gostaria de saudar de modo especial as irmãs e os frades carmelitas no dia da sua festa. Faço votos de que possam continuar decididamente pelo caminho da contemplação.

Dirijo uma saudação especial à comunidade católica venezuelana, renovando a oração pelo vosso querido país.

E a todos desejo bom domingo. Por favor, não vos esqueçais de rezar por mim. Bom almoço e até à vista!




Fonte: Vaticano




domingo, 16 de julho de 2017

Evangelho do XV Domingo do Tempo Comum – Ano A


São Mateus 13, 1-23

Naquele dia, Jesus saiu de casa e foi sentar-Se à beira-mar. Reuniu-se à sua volta tão grande multidão que teve de subir para um barco e sentar-Se, enquanto a multidão ficava na margem. Disse muitas coisas em parábolas, nestes termos: "Saiu o semeador a semear. Quando semeava, caíram algumas sementes ao longo do caminho: vieram as aves e comeram-nas. Outras caíram em sítios pedregosos, onde não havia muita terra, e logo nasceram porque a terra era pouco profunda; mas depois de nascer o sol, queimaram-se e secaram, por não terem raiz. Outras caíram entre espinhos e os espinhos cresceram e afogaram-nas. Outras caíram em boa terra e deram fruto: umas, cem; outras, sessenta; outras, trinta por um. Quem tem ouvidos, oiça". Os discípulos aproximaram-se de Jesus e disseram-Lhe: "Porque lhes falas em parábolas?". Jesus respondeu-lhes: "Porque a vós é dado conhecer os mistérios do reino dos Céus, mas a eles não. Pois àquele que tem dar-se-á e terá em abundância; mas àquele que não tem, até o pouco que tem lhe será tirado. É por isso que lhes falo em parábolas, porque vêem sem ver e ouvem sem ouvir nem entender. Neles se cumpre a profecia de Isaías que diz: ‘Ouvindo ouvireis, mas sem compreender; olhando olhareis, mas não vereis. Porque o coração deste povo tornou-se duro: endureceram os seus ouvidos e fecharam os seus olhos, para não acontecer que, vendo com os olhos e ouvindo com os ouvidos e compreendendo com o coração, se convertam e Eu os cure’. Quanto a vós, felizes os vossos olhos porque vêem e os vossos ouvidos porque ouvem! Em verdade vos digo: muitos profetas e justos desejaram ver o que vós vedes e não viram e ouvir o que vós ouvis e não ouviram. Vós, portanto, escutai o que significa a parábola do semeador: Quando um homem ouve a palavra do reino e não a compreende, vem o Maligno e arrebata o que foi semeado no seu coração. Este é o que recebeu a semente ao longo do caminho. Aquele que recebeu a semente em sítios pedregosos é o que ouve a palavra e a acolhe de momento, mas não tem raiz em si mesmo, porque é inconstante, e, ao chegar a tribulação ou a perseguição por causa da palavra, sucumbe logo. Aquele que recebeu a semente entre espinhos é o que ouve a palavra, mas os cuidados deste mundo e a sedução da riqueza sufocam a palavra, que assim não dá fruto. E aquele que recebeu a palavra em boa terra é o que ouve a palavra e a compreende. Esse dá fruto e produz ora cem, ora sessenta, ora trinta por um".






Angelus com o Papa Francisco - 09.07.2017


Praça São Pedro
Domingo, 9 de julho de 2017








Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

No Evangelho de hoje Jesus diz: «Vinde a mim, vós todos que estais aflitos sob o fardo, e eu vos aliviarei» (Mt 11, 28). O Senhor não reserva esta frase a alguns dos seus amigos, não, dirige-a a “todos” aqueles que estão cansados e oprimidos pela vida. E então quem pode sentir-se excluído deste convite? O Senhor sabe quanto a vida pode ser difícil. Sabe que muitas coisas cansam o coração: desilusões e feridas do passado, pesos a serem carregados e injustiças a suportar no presente, incertezas e preocupações para com o futuro.

Perante tudo isto, a primeira palavra de Jesus é um convite, um convite a mover-se e a reagir: «Vinde». O erro que cometemos, quando as coisas não correm bem, é permanecer ali onde estamos, deitados ali. Parece evidente, mas quanto é difícil reagir e abrir-se! Não é fácil. Nos momentos obscuros é natural querer estar sozinho consigo mesmo, remoer sobre quanto é injusta a vida, sobre quão ingratos são os outros e como é maldoso o mundo, e assim por diante. Todos sabemos isto. Por vezes, sofremos esta experiência negativa. Mas assim, fechados dentro de nós mesmos, vemos tudo escuro. Então chegamos até a familiarizar-nos com a tristeza, que encontra demora em nós: aquela tristeza desmoraliza-nos, esta tristeza é algo ruim. Ao contrário, Jesus quer tirar-nos destas “areias movediças” e, portanto, diz a cada um: «Vinde!” — “Quem?” — “Tu, tu, tu...”. A via de saída encontra-se na relação, em estender a mão e em levantar o olhar para quem nos ama verdadeiramente.

Com efeito, sair de si mesmo não é suficiente, é necessário saber para onde ir. Porque muitas metas são ilusórias: prometem alívio e distraem só um pouco, garantem paz e proporcionam divertimento, deixando depois na solidão anterior, são “fogos de artifício”. Por esta razão, Jesus indica para onde ir: “Vinde a mim”. E muitas vezes, diante de um peso da vida ou de uma situação que nos faz sofrer, tentemos falar com alguém que nos escute, com um amigo, com um perito na matéria... É muito bom fazer isto, mas não esqueçamos Jesus! Não esqueçamos de nos abrirmos a Ele e de lhe contar a nossa vida, de lhe confiar as pessoas e as situações. Talvez haja algumas “áreas” da nossa vida que nunca lhe abrimos e que permaneceram obscuras, porque nunca viram a luz do Senhor. Cada um de nós tem a própria história. E se alguém tiver esta zona obscura, procurai Jesus, ide ter com um sacerdote, ide... Mas ide ter com Jesus, e contai isto a Jesus. Hoje Ele diz a cada um de nós: “Coragem, não sucumbas sob os pesos da vida, não te feches diante dos medos e dos pecados, mas vem a mim!”.

Ele espera por nós, espera-nos sempre, não para resolver magicamente os nossos problemas, mas para nos tornar mais fortes em relação aos nossos problemas. Jesus não nos tira os pesos da vida, mas sim a angústia do coração; não nos suprime a cruz, mas carrega-a juntamente connosco. E com Ele, todo o peso se torna leve (cf. v. 30), porque Ele é o repouso que nós buscamos. Quando Jesus entra na vida, chega a paz, a que permanece também nas provações, nos sofrimentos. Vamos ter com Jesus, demos-lhe o nosso tempo, encontremo-lo todos os dias na oração, num diálogo confiante, pessoal; familiarizando-nos com a sua Palavra redescubramos sem temor o seu perdão, saciemo-nos com o seu Pão de vida: sentir-nos-emos amados, sentir-nos-emos consolados por Ele.

É Ele mesmo que no-lo pede, quase com uma certa insistência. Reitera-o ainda no final do Evangelho de hoje: “Tomai o meu jugo sobre vós […] achareis o repouso para as vossas almas” (v. 29). E deste modo, aprendamos a ir ter com Jesus e, quando nos meses de verão procurarmos um pouco de repouso de tudo aquilo que cansa o nosso corpo, não esqueçamos de encontrar o repouso verdadeiro no Senhor. Nos ajude nisto a Virgem Maria nossa Mãe, que sempre cuida de nós quando estamos cansados e oprimidos e nos acompanha ao encontro com Jesus.



Depois do Angelus

Caros irmãos e irmãs!

Saúdo cordialmente todos vós, romanos e peregrinos da Itália e de vários países. Sois corajosos para estar, com este sol, com este calor, na praça. Bravos!

Em particular, saúdo os fiéis polacos que vieram de bicicleta de Chełm, arquidiocese de Lublin (Polónia), recordando também a grande peregrinação que hoje a Família polaca da Rádio Maria realiza ao Santuário de Częstochowa. Acompanhemos esta peregrinação do povo polaco todos juntos com uma Ave-Maria

[Ave Maria…]

Recebo com alegria as Irmãs Servas da Bem-Aventurada Virgem Imaculada e abençoo os trabalhos do seu Capítulo Geral, que inicia hoje; assim como os sacerdotes de diversos países que participam no curso para formadores de seminário organizado pelo InstitutoSacerdos de Roma.

Uma saudação especial aos jovens do Coro “Puzangalan” — que significa “esperança” — de Taiwan. Obrigado pelo vosso canto! E também ao Coro Alpino de Palazzolo sull’Oglio; e aos fiéis de Conversano.

Desejo a todos vós um bom domingo. Por favor, não vos esqueçais de rezar por mim. Bom almoço e até à vista!




Fonte: Vaticano




domingo, 9 de julho de 2017

Evangelho do XIV Domingo do Tempo Comum - Ano A


São Mateus 11, 25-30

Naquele tempo, Jesus exclamou: "Eu Te bendigo, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste estas verdades aos sábios e inteligentes e as revelaste aos pequeninos. Sim, Pai, porque assim foi do teu agrado. Tudo me foi entregue por meu Pai. E ninguém conhece o Filho senão o Pai e ninguém conhece o Pai senão o Filho e aquele a quem o Filho o quiser revelar. Vinde a Mim, todos os que andais cansados e oprimidos, e Eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de Mim, que sou manso e humilde de coração, e encontrareis descanso para as vossas almas. Porque o meu jugo é suave e a minha carga é leve".












Angelus com o Papa Francisco - 02.07.2017


Praça São Pedro
Domingo, 2 de julho de 2017








Amados irmãos e irmãs, bom dia!

A liturgia de hoje apresenta-nos as últimas frases do discurso missionário do capítulo 10 do Evangelho de Mateus (cf. 10, 37-42), com o qual Jesus instrui os doze apóstolos no momento em que pela primeira vez os envia em missão às aldeias da Galileia e da Judeia. Nesta parte final Jesus frisa dois aspetos essenciais para a vida do discípulo missionário: o primeiro, que o seu vínculo com Jesus é mais forte do que qualquer outro; o segundo, que o missionário não se leva a si mesmo, mas a Jesus, e mediante Ele o amor do Pai celeste. Estes dois aspetos estão interligados, porque quanto mais Jesus está no centro do coração e da vida do discípulo, tanto mais este discípulo é «transparente» na sua presença. Caminham juntos, ambos.

«Quem ama seu pai ou sua mãe mais que a mim, não é digno de mim» (v. 37), diz Jesus. O afeto de um pai, a ternura de uma mãe, a amizade meiga entre irmãos e irmãs, tudo isto, mesmo sendo muito bom e legítimo, não pode ser anteposto a Cristo. Não significa que Ele nos quer sem coração ou privados de reconhecimento, ao contrário, mas que a condição do discípulo requer uma relação prioritária com o mestre. Qualquer discípulo, seja ele um leigo, uma leiga, um sacerdote, um bispo: a relação prioritária. Talvez a primeira pergunta que devemos fazer a um cristão seja: «Mas tu encontras-te com Jesus? Tu rezas a Jesus?». A relação. Quase se poderia parafrasear o Livro do Génesis: por isso o homem deixará seu pai e sua mãe e unir-se-á a Jesus Cristo e os dois serão uma só coisa (cf. Gn 2, 24).

Quem se deixa atrair por este vínculo de amor e de vida com o Senhor Jesus, torna-se um seu representante, um seu «embaixador», sobretudo com a maneira de ser, de viver. A ponto que o próprio Jesus, ao enviar os discípulos em missão, lhes diz: «Quem vos recebe, a mim recebe. E quem me recebe, recebe aquele que me enviou» (Mt 10, 40). É preciso que as pessoas possam sentir que para aquele discípulo Jesus é deveras «o Senhor», é realmente o centro da sua vida, o tudo da vida. Não é importante se depois, como qualquer pessoa humana, tem os seus limites e também os seus erros — sob a condição de que tenha a humildade de os reconhecer — o importante é que não tenha o coração duplo — e isto é perigoso. Eu sou cristão, sou discípulo de Jesus, sou sacerdote, sou bispo, mas tenho o coração duplo. Não, isto não está bem. Não se pode ter um coração duplo, mas um coração simples, unido; que não tenha o pé em dois estribos, mas que seja honesto consigo mesmo e com os outros. Ser duplo não é de cristão. Por isso Jesus reza ao Pai para que os discípulos não caiam no espírito do mundo. Ou estás com Jesus, com o espírito de Jesus, ou estás com o espírito do mundo.

E aqui a nossa experiência de sacerdotes ensina-nos uma coisa muito bela, muito importante: é precisamente esta aceitação do santo povo fiel de Deus, é precisamente aquele «copo de água fresca» (v. 42) do qual o Senhor fala no Evangelho de hoje, dado com fé afetuosa, que te ajuda a ser bom sacerdote! Há uma reciprocidade também na missão: se deixas tudo por Jesus, as pessoas reconhecem em ti o Senhor; mas ao mesmo tempo ajudam-te a converter-te todos os dias a Ele, a renovar-te e a purificar-te das condescendências e a superar as tentações. Quanto mais um sacerdote estiver próximo do povo de Deus, tanto mais se sentirá próximo de Jesus, e quanto mais um sacerdote estiver próximo de Jesus, tanto mais se sentirá próximo do povo de Deus.

A Virgem Maria experimentou em primeira pessoa o que significa amar Jesus desapegando-se de si mesma, dando um novo sentido aos vínculos familiares, a partir da fé n’Ele. Com a sua materna intercessão, nos ajude a ser missionários livres e jubilosos do Evangelho.


Depois do Angelus

A 5 de julho celebra-se a festa da independência da Venezuela. Garanto a minha oração por esta amada Nação e expresso a minha proximidade às famílias que perderam os seus filhos nas manifestações de rua. Faço apelo para que se ponha fim à violência e se encontre uma solução pacífica e democrática para a crise. Nossa Senhora de Coromoto interceda pela Venezuela! E todos nós rezemos a Nossa Senhora de Coromoto pela Venezuela: «Ave Maria...».

Dirijo uma saudação a todos vós, romanos e peregrinos! A todos desejo bom domingo. Por favor, não vos esqueçais de rezar por mim. Bom almoço e até à vista!



Fonte: Vaticano




domingo, 2 de julho de 2017

Evangelho da Solenidade de São Pedro e São Paulo


São Mateus 16, 13-19

Naquele tempo, Jesus foi para os lados de Cesareia de Filipe e perguntou aos seus discípulos: Quem dizem os homens que é o Filho do homem?". Eles responderam: "Uns dizem que é João Batista, outros que é Elias, outros que é Jeremias ou algum dos profetas". Jesus perguntou: "E vós, quem dizeis que Eu sou?". Então, Simão Pedro tomou a palavra e disse: "Tu és o Messias, o Filho de Deus vivo". Jesus respondeu-lhe: "Feliz de ti, Simão, filho de Jonas, porque não foram a carne e o sangue que to revelaram, mas sim meu Pai que está nos Céus. Também Eu te digo: Tu és Pedro sobre esta pedra edificarei a minha Igreja e as portas do inferno não prevalecerão contra ela. Dar-te-ei as chaves do reino dos Céus: tudo o que ligares na terra será ligado nos Céus, e tudo o que desligares na terra será desligado nos Céus".








segunda-feira, 26 de junho de 2017

Evangelho do XII Domingo do Tempo Comum - Ano A


São Mateus 10, 26-33

Naquele tempo, disse Jesus aos seus apóstolos: "Não tenhais medo dos homens, pois nada há encoberto que não venha a descobrir-se, nada há oculto que não venha a conhecer-se. O que vos digo às escuras, dizei-o à luz do dia; e o que escutais ao ouvido proclamai-o sobre os telhados. Não temais os que matam o corpo, mas não podem matar a alma. Temei antes Aquele que pode lançar na geena a alma e o corpo. Não se vendem dois passarinhos por uma moeda? E nem um deles cairá por terra sem consentimento do vosso Pai. Até os cabelos da vossa cabeça estão todos contados. Portanto, não temais: valeis muito mais do que os passarinhos. A todo aquele que se tiver declarado por Mim diante dos homens também Eu Me declararei por ele diante do meu Pai que está nos Céus. Mas àquele que Me negar diante dos homens, também Eu o negarei diante do meu Pai que está nos Céus".






Catequese com o Papa Francisco - 21.06.2017


Quarta-feira, 21 de junho de 2017









Bom dia, prezados irmãos e irmãs!

No dia do nosso Batismo ressoou para nós a invocação dos santos. Naquele momento, muitos de nós eram crianças, levados no colo dos pais. Pouco antes de fazer a unção com o Óleo dos catecúmenos, símbolo da força de Deus na luta contra o mal, o sacerdote convidou toda a assembleia a rezar por aqueles que estavam prestes a receber o Batismo, invocando a intercessão dos santos. Era a primeira vez que, durante a nossa vida, nos concediam esta companhia de irmãos e irmãs “mais velhos” — os santos — que passaram pelo nosso próprio caminho, que conheceram as nossas mesmas dificuldades e vivem para sempre no abraço de Deus. A Carta aos Hebreus define esta companhia que nos circunda, com a expressão «multidão de testemunhas» (12, 1). Assim são os santos: uma multidão de testemunhas.

Na luta contra o mal, os cristãos não se desesperam. O cristianismo cultiva uma confiança incurável: não acredita que as forças negativas e desagregadoras possam predominar. A última palavra sobre a história do homem não é o ódio, não é a morte, não é a guerra. Em cada momento da vida somos ajudados pela mão de Deus, e também pela presença discreta de todos os crentes que «nos precederam com o sinal da fé» (Cânone Romano). A sua existência diz-nos antes de tudo que a vida cristã não é um ideal inacessível. E ao mesmo tempo conforta-nos: não estamos sozinhos, a Igreja é composta por inúmeros irmãos, muitas vezes anónimos, que nos precederam e que mediante a ação do Espírito Santo participam nas vicissitudes de quantos ainda vivem aqui na terra.

A do Batismo não é a única invocação dos santos que marca o caminho da vida cristã. Quando dois noivos consagram o seu amor no sacramento do Matrimónio, invoca-se de novo para eles — desta vez como casal — a intercessão dos santos. E esta invocação é fonte de confiança para os dois jovens que partem para a “viagem” da vida conjugal. Quem ama verdadeiramente tem o desejo e a coragem de dizer “para sempre” — “para sempre” — mas sabe que tem a necessidade da graça de Cristo e da ajuda dos santos para poder levar a vida matrimonial para sempre. Não como alguns dizem: “enquanto o amor durar”. Não: para sempre! Caso contrário, é melhor que não te cases. Ou para sempre ou nada. Por isso, na liturgia nupcial invoca-se a presença dos santos. E nos momentos difíceis é preciso ter a coragem de elevar o olhar para o céu, pensando nos numerosos cristãos que passaram através das tribulações e conservaram brancas as suas vestes batismais, lavando-as no sangue do Cordeiro (cf. Ap 7, 14): assim reza o Livro do Apocalipse. Deus nunca nos abandona: cada vez que tivermos necessidade virá um dos seus anjos para nos animar e para nos infundir a consolação. “Anjos” às vezes com um rosto e um coração humanos, porque os santos de Deus estão sempre aqui, escondidos no meio de nós. Isto é difícil de entender e até de imaginar, mas os santos estão presentes na nossa vida. E quando alguém invoca um santo ou uma santa, é precisamente porque se encontra próximo de nós.

Inclusive os presbíteros conservam a recordação de uma invocação dos santos, pronunciada sobre eles. É um dos momentos mais emocionantes da liturgia da ordenação. Os candidatos deitam-se no chão, com o rosto virado para baixo. E toda a assembleia, presidida pelo Bispo, invoca a intercessão dos santos. Um homem ficaria esmagado sob o peso da missão que lhe é confiada, mas ouvindo que o Paraíso inteiro o protege, que a graça de Deus não faltará porque Jesus permanece sempre fiel, então ele pode partir sereno e encorajado. Não estamos sozinhos.

E o que somos nós? Somos pó que aspira ao céu. Frágeis nas nossas forças, mas é poderoso o mistério da graça que está presente na vida dos cristãos. Somos fiéis a esta terra, que Jesus amou em cada instante da sua vida, mas sabemos e queremos esperar na transfiguração do mundo, no seu cumprimento definitivo onde finalmente já não haverá lágrimas, maldade, sofrimento.

Que o Senhor conceda a todos nós a esperança de ser santos. Mas alguns de vós poderão perguntar-me: “Padre, é possível ser santo na vida de todos os dias?”. Sim, é possível. “Mas isto significa que devemos rezar o dia inteiro?” Não, quer dizer que tu deves cumprir o teu dever ao longo do dia: rezar, ir ao trabalho, proteger os teus filhos. Mas é preciso fazer tudo com o coração aberto a Deus, de modo que o trabalho, até na enfermidade e no sofrimento, inclusive no meio das dificuldades, permaneça aberto a Deus. E assim é possível ser santo. Que o Senhor nos dê a esperança de ser santos. Não pensemos que é algo difícil, que é mais fácil sermos delinquentes do que santos! Não. Podemos ser santos, porque o Senhor nos ajuda; é Ele que nos assiste.

É o grande presente que cada um de nós pode oferecer ao mundo. Que o Senhor nos conceda a graça de crer tão profundamente nele, a ponto de nos tornarmos imagem de Cristo para este mundo. A nossa história tem necessidade de “místicos”: de pessoas que rejeitam qualquer domínio, que aspiram à caridade e à fraternidade. Homens e mulheres que vivem, aceitando até um quinhão de sofrimento, porque assumem o cansaço do próximo. Mas sem estes homens e mulheres, o mundo não teria esperança. Por isso, faço votos a fim de que vós — e também eu — recebamos do Senhor o dom da esperança de sermos santos.

Obrigado!


Saudações

Saúdo cordialmente todos os peregrinos de língua portuguesa, de modo particular os fiéis de Jundiaí, São Carlos e Santo André. Queridos amigos, o mundo precisa de santos e todos nós, sem exceção, somos chamados à santidade. Não tenhamos medo! Com a ajuda daqueles que já estão no céu, deixemo-nos transformar pela graça misericordiosa de Deus, que é mais forte do que qualquer pecado. E que Ele sempre vos abençoe!

Por ocasião do Dia Mundial do Refugiado, que a comunidade internacional celebrou ontem, na segunda-feira passada eu quis encontrar-me com uma representação de refugiados hospedados por paróquias e institutos religiosos romanos. Gostaria de aproveitar o ensejo do Dia de ontem para manifestar o meu sincero apreço pela campanha a favor de uma nova lei migratória: “Eu era estrangeiro — A humanidade que faz bem”, a qual beneficia do apoio oficial da Cáritas italiana, Fundação Migrantes e outras organizações católicas.

Dirijo um pensamento especial aos jovens, aos doentes e aos recém-casados. Na próxima sexta-feira celebra-se a Solenidade do Santíssimo Coração de Jesus, dia em que a Igreja sustém todos os sacerdotes com a oração e o afeto. Caros jovens, tirai do Coração de Jesus o alimento para a vossa vida espiritual e a fonte da vossa esperança; estimados enfermos, oferecei o vosso sofrimento ao Senhor, para que infunda o seu amor no coração dos homens; e vós, amados recém-casados, participai na Eucaristia para que, alimentados de Cristo, sejais famílias cristãs tocadas pelo amor daquele Coração divino.




Fonte: Vaticano




Angelus com o Papa Francisco - 18.06.2017


Solenidade de Corpus Christi
Praça São Pedro
Domingo, 18 de junho de 2017









Amados irmãos e irmãs, bom dia!

Na Itália e em muitos países celebra-se hoje a festa do Corpo e Sangue de Cristo — usa-se muitas vezes o nome latino: Corpus Domini ou Corpus Christi. Todos os domingos a comunidade eclesial reúne-se em volta da Eucaristia, sacramento instituído por Jesus na Última Ceia. Contudo, todos os anos temos a alegria de celebrar a festa dedicada a este Mistério central da fé, para expressar em plenitude a nossa adoração a Cristo que se doa como alimento e bebida de salvação.

A página evangélica de hoje, tirada de São João, é uma parte do discurso sobre o «pão de vida» (cf. 6, 51-58). Jesus afirma: «Eu sou o pão vivo que desceu do céu [...] o pão que eu darei pela vida do mundo» (v. 51). Ele pretende dizer que o Pai o enviou ao mundo como alimento de vida eterna, e que por isso Ele se sacrificará a si mesmo, a sua carne. Com efeito Jesus, na cruz, doou o seu corpo e derramou o seu sangue. O Filho do homem crucificado é o verdadeiro Cordeiro pascal, que faz sair da escravidão do pecado e apoia no caminho rumo à terra prometida. A Eucaristia é sacramento da sua carne dada para fazer viver o mundo; quem se nutre com este alimento permanece em Jesus e vive por Ele. Assemelhar-se a Jesus significa estar n’Ele, tornar-se filho no Filho.

Jesus, na Eucaristia, como fez com os discípulos de Emaús, põe-se ao nosso lado, peregrino na história, para alimentar em nós a fé, a esperança e a caridade; para nos confortar nas provas; para nos amparar no compromisso pela justiça e a paz. Esta presença solidária do Filho de Deus está em toda a parte: na cidade e nos campos, no Norte e no Sul do mundo, nos países de tradição cristã e nos de primeira evangelização. E na Eucaristia Ele oferece-se a si mesmo como força espiritual para nos ajudar a pôr em prática o seu mandamento — amar-nos como Ele nos amou — construindo comunidades acolhedoras e abertas às necessidades de todos, sobretudo das pessoas mais frágeis, pobres e carenciadas.

Alimentar-nos de Jesus Eucaristia significa também abandonar-nos com confiança a Ele e deixar-nos guiar por Ele. Trata-se de acolher Jesus no lugar do próprio «eu». Desta forma o amor gratuito recebido de Cristo na Comunhão eucarística, por obra do Espírito Santo alimenta o amor a Deus e aos irmãos e irmãs que encontramos no caminho de cada dia. Alimentados com o Corpo de Cristo, tornamo-nos cada vez mais concretamente o Corpo místico de Cristo. No-lo recorda o apóstolo Paulo: «Porventura o cálice de bênção, que abençoamos, não é a comunhão do sangue de Cristo? O pão que partimos não é porventura a comunhão do corpo de Cristo? Porque nós, sendo muitos, somos um só pão e um só corpo, porque todos participamos do mesmo pão» (1 Cor 10, 16-17).

A Virgem Maria, que esteve sempre unida a Jesus, Pão de vida, nos ajude a redescobrir a beleza da Eucaristia, a alimentar-nos com fé, para viver em comunhão com Deus e com os irmãos.



Depois do Angelus

Queridos irmãos e irmãs!

Celebra-se depois de amanhã o Dia Mundial do Refugiado proclamado pelas Nações Unidas. O tema deste ano é «Com os refugiados. Hoje como nunca devemos estar do lado dos refugiados». É este o tema. A atenção concreta deve ser para as mulheres, homens, crianças em fuga de conflitos, violências e perseguições. Recordamos também na oração quantos deles perderam a vida no mar ou em extenuantes viagens por terra. As suas histórias de dor e de esperança podem tornar-se oportunidades de encontro fraterno e de verdadeiro conhecimento recíproco. Com efeito, o encontro pessoal com os refugiados dissipa medos e ideologias deturpadas, e torna-se fator de crescimento em humanidade, capaz de dar espaço a sentimentos de abertura e à construção de pontes.

Expresso a minha proximidade ao amado povo português devido ao incêndio devastador que atingiu os bosques em volta de Pedrógão Grande causando numerosas vítimas e feridos. Rezemos em silêncio.

Dirijo uma saudação especial à qualificada representação da República Centro-Africana e das Nações Unidas, que nestes dias se encontra em Roma para um encontro promovido pela Comunidade de Santo Egídio. Trago no coração a visita que fiz em novembro de 2015 àquele país e faço votos de que, com a ajuda de Deus e a boa vontade de todos, seja plenamente relançado e reforçado o processo de paz, condição necessária para o desenvolvimento.

Desejo bom domingo a todos. E, por favor, não vos esqueçais de rezar por mim. Bom almoço e até à vista!



Fonte: Vaticano



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