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domingo, 10 de dezembro de 2017

Evangelho do II Domingo do Advento – Ano B


São Marcos 1, 1-8

Princípio do Evangelho de Jesus Cristo, Filho de Deus. Está escrito no profeta Isaías: "Vou enviar à tua frente o meu mensageiro, que preparará o teu caminho. Uma voz clama no deserto: ‘Preparai o caminho do Senhor, endireitai as suas veredas’". Apareceu João Batista no deserto a proclamar um batismo de penitência para remissão dos pecados. Acorria a ele toda a gente da região da Judeia e todos os habitantes de Jerusalém e eram baptizados por ele no rio Jordão, confessando os seus pecados. João vestia-se de pelos de camelo, com um cinto de cabedal em volta dos rins, e alimentava-se de gafanhotos e mel silvestre. E, na sua pregação, dizia: "Vai chegar depois de mim quem é mais forte do que eu, diante do qual eu não sou digno de me inclinar para desatar as correias das suas sandálias. Eu batizo-vos na água, mas Ele baptizar-vos-á no Espírito Santo".





domingo, 3 de dezembro de 2017

Evangelho do I Domingo do Advento - Ano B


Mc 13,33-37

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: “Cuidado! Ficai atentos, porque não sabeis quando chegará o momento. É como um homem que, ao partir para o estrangeiro, deixou sua casa sob a responsabilidade de seus empregados, distribuindo a cada um sua tarefa. E mandou o porteiro ficar vigiando. Vigiai, portanto, porque não sabeis quando o dono da casa vem: à tarde, à meia-noite, de madrugada ou ao amanhecer. Para que não suceda que, vindo de repente, ele vos encontre dormindo. O que vos digo, digo a todos: Vigiai!”






Angelus com o Papa Francisco - 26.11.2017


Praça São Pedro
Domingo, 26 de novembro de 2017








Bom dia, queridos irmãos e irmãs!

Neste último domingo do ano litúrgico celebramos a solenidade de Cristo Rei do universo. A sua realeza é de guia, de serviço, e também uma realeza que no fim dos tempos se afirmará como o juízo. Hoje temos diante de nós Cristo como rei, pastor e juiz, que indica os critérios de pertença ao Reino de Deus. Aqui estão os critérios.

A página evangélica abre-se com uma visão grandiosa. Dirigindo-se aos seus discípulos, Jesus diz: «Quando o Filho do Homem voltar na sua glória, e todos os anjos com Ele, sentar-se-á no seu trono glorioso» (Mt 25, 31). Trata-se da solene introdução da narração do juízo universal. Depois de ter vivido a existência terrena em humildade e pobreza, Jesus apresenta-se agora na glória divina que lhe pertence, circundado pelos exércitos angélicos. A humanidade inteira é convocada perante Ele, e Ele exerce a sua autoridade separando uns dos outros, como o pastor separa as ovelhas dos cabritos.

Àqueles que colocou à sua direita, diz: «Vinde, benditos de meu Pai, tomai posse do Reino que vos foi preparado desde a criação do mundo, porque tive fome e destes-me de comer; tive sede e destes-me de beber; era peregrino e acolhestes-me; nu e vestistes-me; enfermo e visitastes-me; estava na prisão e viestes ter comigo» (vv. 34-36). Os justos ficam surpreendidos, porque não se recordam de um dia ter encontrado Jesus, e muito menos de o ter ajudado desse modo; mas Ele declara: «Todas as vezes que fizestes isto a um destes meus irmãos mais pequeninos, foi a mim mesmo que o fizestes» (v. 40). Esta palavra nunca deixa de nos impressionar, porque nos revela até que ponto chega o amor de Deus: a ponto de se identificar connosco, contudo não quando estamos bem, quando estamos sadios e felizes, não, mas quando estamos em necessidade. É desta forma escondida que Ele se deixa encontrar, que nos estende a mão como mendigo. É assim que Jesus revela o critério decisivo do seu juízo, ou seja, o amor concreto pelo próximo em dificuldade. Revela-se assim o poder do amor, a realeza de Deus: solidário com quantos sofrem, para suscitar em toda a parte atitudes e obras de misericórdia.

A parábola do juízo prossegue, apresentando o rei que afasta de si quantos, durante a própria vida, não se preocuparam com as necessidades dos irmãos. Também neste caso, eles ficam surpreendidos e perguntam: «Senhor, quando foi que te vimos com fome, com sede, peregrino, nu, enfermo, ou na prisão, e não te socorremos?» (v. 44). Está subentendido: “Se te tivéssemos visto, certamente ter-te-íamos ajudado!”. Mas o rei responderá: «Todas as vezes que deixastes de fazer isso a um destes pequeninos, foi a mim mesmo que o deixastes de fazer» (v. 45). No final da nossa vida, seremos julgados sobre o amor, ou seja, sobre o nosso compromisso concreto de amar e servir Jesus nos nossos irmãos mais pequeninos e necessitados. Aquele mendigo, esse necessitado que estende a mão é Jesus; aquele doente que devo visitar é Jesus; esse preso é Jesus; aquele faminto é Jesus. Pensemos nisto!

Jesus virá no fim dos tempos para julgar todas as nações, mas vem ter connosco todos os dias, de muitas maneiras, e pede-nos que o acolhamos. A Virgem Maria nos ajude a encontrá-lo e a recebê-lo na sua Palavra e na Eucaristia, e ao mesmo tempo nos irmãos e nas irmãs que sofrem a fome, a doença, a opressão e a injustiça. Que os nossos corações o acolham no hoje da nossa vida, para sermos por Ele recebidos na eternidade do seu Reino de luz e de paz.


Depois do Angelus

Causou-nos grande dor, na sexta-feira passada, a notícia do massacre ocorrido numa mesquita a norte do Sinai, no Egito. Continuo a rezar pelas numerosas vítimas, pelos feridos e por toda aquela comunidade, tão duramente atingida. Deus nos livre destas tragédias e sustente os esforços de todos aqueles que trabalham pela paz, a concórdia e a convivência. Naquele momento, as pessoas rezavam; também nós, em silêncio, oremos por elas.

Ontem, em Córdova, na Argentina, foi proclamada Beata a madre Catalina de María Rodríguez, fundadora da Congregação das Hermanas Esclavas del Corazón de Jesús, primeiro instituto religioso feminino de vida apostólica na Argentina. Tendo vivido no século xix, Catalina foi primeiro casada e, depois de ter ficado viúva, consagrou-se a Deus e dedicou-se ao cuidado espiritual e material das mulheres mais pobres e vulneráveis. Louvemos o Senhor por esta «mulher apaixonada pelo Coração de Jesus e pela humanidade».

Saúdo de modo especial a comunidade ucraniana, que recorda a tragédia do Holodomor, a morte por fome provocada pelo regime stalinista, com milhões de vítimas. Rezo pela Ucrânia, a fim de que a força da fé possa contribuir para curar as feridas do passado e promover hoje caminhos de paz.

Hoje à noite começarei a Viagem Apostólica ao Myanmar e ao Bangladesh. Peço-vos que me acompanheis com a oração, a fim de que a minha presença seja para aquelas populações um sinal de proximidade e de esperança.

Desejo bom domingo a todos. E, por favor, não vos esqueçais de rezar por mim. Bom almoço e até à vista!



Fonte: Vaticano




domingo, 26 de novembro de 2017

Evangelho da Solenidade de Cristo Rei


São Mateus 25, 31-46

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: "Quando o Filho do homem vier na sua glória com todos os seus Anjos, sentar-Se-á no seu trono glorioso. Todas as nações se reunirão na sua presença e Ele separará uns dos outros, como o pastor separa as ovelhas dos cabritos; e colocará as ovelhas à sua direita e os cabritos à sua esquerda. Então o Rei dirá aos que estiverem à sua direita: ‘Vinde, benditos de meu Pai; recebei como herança o reino que vos está preparado desde a criação do mundo. Porque tive fome e destes-Me de comer; tive sede e destes-Me de beber; era peregrino e Me recolhestes; não tinha roupa e Me vestistes; estive doente e viestes visitar-Me; estava na prisão e fostes ver-Me’. Então os justos Lhe dirão: ‘Senhor, quando é que Te vimos com fome e Te demos de comer, ou com sede e Te demos de beber? Quando é que Te vimos peregrino e Te recolhemos, ou sem roupa e Te vestimos? Quando é que Te vimos doente ou na prisão e Te fomos ver?’. E o Rei lhes responderá: ‘Em verdade vos digo: Quantas vezes o fizestes a um dos meus irmãos mais pequeninos, a Mim o fizestes’. Dirá então aos que estiverem à sua esquerda: ‘Afastai-vos de Mim, malditos, para o fogo eterno, preparado para o demônio e os seus anjos. Porque tive fome e não Me destes de comer; tive sede e não Me destes de beber; era peregrino e não Me recolhestes; estava sem roupa e não Me vestistes; estive doente e na prisão e não Me fostes visitar’. Então também eles Lhe hão-de perguntar: ‘Senhor, quando é que Te vimos com fome ou com sede, peregrino ou sem roupa, doente ou na prisão, e não Te prestamos assistência?’ E Ele lhes responderá: ‘Em verdade vos digo: Quantas vezes o deixastes de fazer a um dos meus irmãos mais pequeninos, também a Mim o deixastes de fazer’. Estes irão para o suplício eterno e os justos para a vida eterna".





Catequese com o Papa Francisco - 22.11.2017


Quarta-feira, 22 de novembro de 2017








Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

Prosseguindo as Catequeses sobre a Missa, podemos questionar-nos: o que é essencialmente a Missa? A Missa é o memorial do Mistério pascal de Cristo. Ela torna-nos partícipes da sua vitória sobre o pecado e a morte, e confere pleno significado à nossa vida.

Por esta razão, a fim de compreender o valor da Missa devemos então entender em primeiro lugar o significado bíblico do “memorial”. Ele «não é somente a lembrança dos acontecimentos do passado, mas... tornam-se de certo modo presentes e actuais. É assim que Israel entende a sua libertação do Egito: sempre que se celebrar a Páscoa, os acontecimentos do Êxodo tornam-se presentes à memória dos crentes, para que conformem com eles a sua vida» (Catecismo da Igreja Católica, 1363). Jesus Cristo, com a sua paixão, morte, ressurreição e ascensão ao céu levou a cumprimento a Páscoa. E a Missa é o memorial da sua Páscoa, do seu “êxodo”, que cumpriu por nós, para nos fazer sair da escravidão e nos introduzir na terra prometida da vida eterna. Não é somente uma lembrança, não, é mais do que isso: significa evocar o que aconteceu há vinte séculos.

A Eucaristia leva-nos sempre ao ápice da ação de salvação de Deus: o Senhor Jesus, tornando-se pão partido para nós, derrama sobre nós toda a sua misericórdia e o seu amor, como fez na cruz, de modo a renovar o nosso coração, a nossa existência e a nossa forma de nos relacionarmos com Ele e com os irmãos. O Concílio Vaticano II afirma: «Sempre que no altar se celebra o sacrifício da cruz, na qual Cristo, nossa Páscoa, foi imolado, realiza-se também a obra da nossa redenção» (Cost. dogm. Lumen gentium, 3).

Cada celebração da Eucaristia é um raio daquele sol sem ocaso que é Jesus ressuscitado. Participar na Missa, em particular aos domingos, significa entrar na vitória do Ressuscitado, ser iluminados pela sua luz, abrasados pelo seu calor. Através da celebração eucarística o Espírito Santo torna-nos partícipes da vida divina que é capaz de transfigurar todo o nosso ser mortal. E na sua passagem da morte para a vida, do tempo para a eternidade, o Senhor Jesus arrasta também a nós com Ele para fazer a Páscoa. Na Missa faz-se a Pascoa. Nós, na Missa, estamos com Jesus, morto e ressuscitado e Ele arrasta-nos em frente, para a vida eterna. Na Missa unimo-nos a Ele. Aliás, Cristo vive em nós e nós vivemos n’Ele: «Estou crucificado com Cristo — diz Paulo — , já não sou eu que vivo, mas é Cristo que vive em mim. A minha vida presente, na carne, eu a vivo na fé no Filho de Deus, que me amou e se entregou por mim» (Gl 2, 19-20). Paulo pensava desta forma.

Com efeito, o seu sangue liberta-nos da morte e do medo da morte. Liberta-nos não só do domínio da morte física, mas da morte espiritual que é o mal, o pecado, que se apodera de nós todas as vezes que somos vítimas do pecado nosso e alheio. E então a nossa vida é contaminada, perde beleza, perde significado, desflorece.

Ao contrário, Cristo restitui-nos a vida; Cristo é a plenitude da vida, e quando enfrentou a morte aniquilou-a para sempre: «ressuscitando dos mortos, venceu a morte e renovou vida», confessa a Igreja celebrando a Eucaristia (Oração eucarística IV). A Páscoa de Cristo é a vitória definitiva sobre a morte, porque Ele transformou a sua morte em ato supremo de amor. Morreu por amor! E na Eucaristia, Ele quer comunicar-nos este seu amor pascal, vitorioso. Se o recebermos com fé, também nós podemos amar verdadeiramente a Deus e ao próximo, podemos amar como Ele nos amou, oferecendo a vida.

Se o amor de Cristo estiver em mim, posso doar-me plenamente ao outro, na certeza interior que mesmo se o outro me ferir eu não morrerei; caso contrário, teria que me defender. Os mártires ofereceram a própria vida devido a esta certeza da vitória de Cristo sobre a morte. Só se experimentarmos este poder de Cristo, o poder do seu amor, seremos realmente livres de nos doarmos sem medo. É este o significado da Missa: entrar nesta paixão, morte, ressurreição, ascensão de Jesus; quando vamos à Missa é como se fôssemos ao calvário, a mesma coisa. Mas pensai: no momento da Missa vamos ao calvário — usemos a imaginação — e sabemos que aquele homem ali é Jesus. Mas, será que nos permitiríamos conversar, tirar fotografias, dar um pouco de espetáculo? Não! Porque é Jesus! Certamente estaríamos em silêncio, no pranto e também na alegria de sermos salvos. Quando entramos na Igreja para celebrar a Missa pensemos nisto: entro no calvário, onde Jesus oferece a sua vida por mim. E assim desaparece o espetáculo, desaparecem as tagarelices, os comentários e estas coisas que nos afastam de algo tão bonito que é a Missa, o triunfo de Jesus.

Penso que agora é mais claro que a Páscoa se torna presente e ativa todas as vezes que celebramos a Missa, ou seja, o sentido do memorial. A participação na Eucaristia faz-nos entrar no mistério pascal de Cristo, concedendo-nos a oportunidade de passar com Ele da morte para a vida, ou seja, no calvário. A Missa significa repercorrer o calvário, não é um espetáculo.


Saudações

Amados peregrinos de língua portuguesa, cordiais saudações a todos vós, de modo particular ao grupo de Nova Suíça, Belo Horizonte: convido-vos a olhar com confiança o vosso futuro em Deus, levando o fogo do seu amor ao mundo. É a graça da Páscoa que frutifica na Eucaristia e que desejo abundante nas vossas vidas, famílias e comunidades. De bom grado abençoo a vós e aos vossos entes queridos!

Dirijo um pensamento especial também aos jovens, aos doentes e aos recém casados. Hoje celebramos a memória de Santa Cecília. Queridos jovens, seguindo o seu exemplo, crescei na fé e na dedicação ao próximo; queridos doentes, no sofrimento experimentai a ajuda de Cristo que está sempre ao lado de quem vive a provação; e vós, queridos recém-casados, tende o mesmo olhar de amor puro que teve Santa Cecília, para aprender a amar incondicionalmente. E rezemos a todos Santa Cecília: que nos ensine a cantar com o coração, que nos ensine o júbilo de ser salvos.



Fonte: Vaticano




Angelus com o Papa Francisco - 19.11.2017


Praça São Pedro
Domingo, 19 de novembro de 2017








Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

Neste penúltimo domingo do ano litúrgico, o Evangelho apresenta-nos a parábola dos talentos (cf. Mt 25, 14-30). Um homem, tendo que viajar, antes de partir confia aos seus servos alguns bens, que naquele tempo eram moedas de grande valor: a um deu cinco talentos, a outro dois e a outro um, segundo as suas capacidades. O servo que recebeu cinco talentos era empreendedor e fê-los frutificar, ganhando outros cinco. Do mesmo modo se comporta o servo que recebeu dois, obtendo outros dois. Ao contrário, o servo que recebeu um, escava um buraco na terra e esconde a moeda do seu senhor.

É precisamente este servo que, quando o dono regressa, lhe explica o motivo do seu gesto, dizendo: «Senhor, sei que és um homem duro, que colhes onde não semeaste e recolhes onde não espalhaste. Por isso, tive medo e fui esconder o teu talento na terra» (vv. 24-25). Este servo não tem uma relação de confiança com o seu patrão, mas medo, e isso paralisa-o. O temor imobiliza sempre e, muitas vezes, leva a tomar decisões erradas. O medo dissuade de tomar iniciativa, induz a refugiar-se em soluções seguras e garantidas, e assim se acaba por não realizar nada de bom. Para ir em frente e crescer no caminho da vida, não se deve ter medo, é necessário ter confiança.

Esta parábola faz-nos compreender quanto é importante ter uma ideia verdadeira de Deus. Não devemos pensar que Ele é um senhor inclemente, duro e severo que quer castigar-nos. Se dentro de nós houver esta imagem errada de Deus, então a nossa vida não poderá ser fecunda, porque viveremos com o medo e isso não nos levará a nada construtivo, aliás, o medo paralisa-nos, autodestrói-nos. Somos chamados a refletir para descobrir qual é realmente a nossa ideia de Deus. Já no Antigo Testamento Ele se revelou como «Deus compassivo e misericordioso, lento para a cólera, rico em bondade e em fidelidade» (Êx 34, 6). E Jesus sempre nos mostrou que Deus não é um patrão severo e intolerante, mas um pai cheio de amor, de ternura, um pai repleto de bondade. Portanto, podemos e devemos ter uma confiança imensa n’Ele.

Jesus mostra-nos a generosidade e a solicitude do Pai de várias formas: com a sua palavra, com os seus gestos, com o seu acolhimento de todos, especialmente dos pecadores, dos pequeninos e dos pobres — como nos recorda hoje o primeiro Dia Mundial dos Pobres —; mas inclusive com as suas admoestações, que revelam o seu interesse a fim de que não desperdicemos inutilmente a nossa vida. Com efeito, é sinal que Deus tem grande estima por nós: esta consciência ajuda-nos a ser pessoas responsáveis em cada nossa ação. Por conseguinte, a parábola dos talentos convida-nos a uma responsabilidade pessoal e a uma fidelidade que se torna inclusive capacidade de se pôr constantemente a caminho percorrendo estradas novas, sem “enterrar os talentos”, ou seja, os dons que Deus nos confiou, e dos quais nos pedirá contas.

A Virgem Santa interceda por nós, a fim de que permaneçamos fiéis à vontade de Deus fazendo frutificar os talentos que nos doou. Assim seremos úteis aos outros e, no último dia, seremos acolhidos pelo Senhor, que nos convidará a participar na sua alegria.


Depois do Angelus

Caros irmãos e irmãs!

Ontem, em Detroit, nos Estados Unidos de América, foi proclamado Beato Francisco Solano, sacerdote dos Frades Menores Capuchinhos. Discípulo humilde e fiel de Cristo, distinguiu-se por um serviço incansável aos pobres. Possa o seu testemunho ajudar sacerdotes, religiosos e leigos a viver com alegria o vínculo entre anúncio do Evangelho e amor pelos pobres.

Foi o que quisemos evocar com o hodierno Dia Mundial dos Pobres, que em Roma e nas dioceses do mundo se exprime em numerosas iniciativas de oração e de partilha. Faço votos a fim de que os pobres estejam no centro das nossas comunidades não só em momentos como este, mas sempre; porque eles estão no coração do Evangelho, neles encontramos Jesus que nos fala e nos interpela através dos seus sofrimentos e das suas necessidades.

Gostaria de recordar hoje de maneira especial as populações que vivem uma dolorosa pobreza por causa da guerra e dos conflitos. Portanto, renovo à comunidade internacional um urgente apelo a envidar todos os esforços possíveis a fim de favorecer a paz, em particular no Médio Oriente. Dirijo um pensamento especial ao querido povo libanês e rezo pela estabilidade do país, a fim de que possa continuar a ser uma “mensagem” de respeito e convivência para toda a Região e para o mundo inteiro.

Rezo também pelos tripulantes do submarino militar argentino do qual se perdeu o rasto.

Hoje comemora-se também o Dia em memória das vítimas da estrada, instituído pela ONU. Encorajo as instituições públicas a comprometer-se no âmbito da prevenção e exorto os condutores à prudência e ao respeito das normas, como primeira forma de tutela de si mesmos e dos outros.

E saúdo todos vós, famílias, paróquias, associações e cada fiel, que viestes da Itália e de muitas partes do mundo. Em particular, saúdo os peregrinos da República Dominicana; os participantes na corrida de solidariedade de Košice (Eslováquia) em Roma; e a comunidade equatoriana residente em Roma, que festeja a Virgen del Quinche. Saúdo a fraternidade da Ordem secular Trinitário Italiano, os fiéis de Civitanova Marche, Sanzeno, Termoli, Capua e Nola, e os jovens crismandos de Mestrino (Pádua).

A todos vós desejo um bom domingo. E por favor, não vos esqueçais de rezar por mim. Bom almoço e até à vista!



Fonte: Vaticano




domingo, 19 de novembro de 2017

Evangelho do XXXIII Domingo do Tempo Comum – Ano A


São Mateus 25, 14-30

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos a seguinte parábola: "Um homem, ao partir de viagem, chamou os seus servos e confiou-lhes os seus bens. A um entregou cinco talentos, a outro dois e a outro um, conforme a capacidade de cada qual; e depois partiu. O que tinha recebido cinco talentos fê-los render e ganhou outros cinco. Do mesmo modo, o que recebera dois talentos ganhou outros dois. Mas, o que recebera um só talento foi escavar na terra e escondeu o dinheiro do seu senhor. Muito tempo depois, chegou o senhor daqueles servos e foi ajustar contas com eles. O que recebera cinco talentos aproximou-se e apresentou outros cinco, dizendo: ‘Senhor,confiaste-me cinco talentos: aqui estão outros cinco que eu ganhei’. Respondeu-lhe o senhor: ‘Muito bem, servo bom e fiel. Porque foste fiel em coisas pequenas, confiar-te-ei as grandes. Vem tomar parte na alegria do teu senhor’. Aproximou-se também o que recebera dois talentos e disse: ‘Senhor, confiaste-me dois talentos: aqui estão outros dois que eu ganhei’. Respondeu-lhe o senhor: ‘Muito bem, servo bom e fiel. Porque foste fiel em coisas pequenas, confiar-te-ei as grandes. Vem tomar parte na alegria do teu senhor’.Aproximou-se também o que recebera um só talento e disse: ‘Senhor, eu sabia que és um homem severo, que colhes onde não semeaste e recolhes onde nada lançaste. Por isso, tive medo e escondi o teu talento na terra. Aqui tens o que te pertence’. O senhor respondeu-lhe: ‘Servo mau e preguiçoso, sabias que ceifo onde não semeei e recolho onde nada lancei; devias, portanto, depositar no banco o meu dinheiro e eu teria, ao voltar, recebido com juro o que era meu. Tirai-lhe então o talento e dai-o àquele que tem dez. Porque, a todo aquele que tem, dar-se-á mais e terá em abundância; mas, àquele que não tem, até o pouco que tem lhe será tirado. Quanto ao servo inútil, lançai-o às trevas exteriores. Aí haverá choro e ranger de dentes’".





Catequese com o Papa Francisco - 15.11.2017


Quarta-feira, 15 de novembro de 2017








Amados irmãos e irmãs, bom dia!

Continuamos com as catequeses sobre a Santa Missa. Para compreender a beleza da celebração eucarística desejo iniciar com um aspeto muito simples: a Missa é oração, aliás, é a oração por excelência, a mais elevada, a mais sublime, e ao mesmo tempo a mais “concreta”. Com efeito é o encontro de amor com Deus mediante a sua Palavra e o Corpo e Sangue de Jesus. É um encontro com o Senhor.

Mas primeiro temos que responder a uma pergunta. O que é realmente a oração? Antes de tudo, ela é diálogo, relação pessoal com Deus. E o homem foi criado como ser em relação pessoal com Deus que tem a sua plena realização unicamente no encontro com o seu Criador. O caminho da vida é rumo ao encontro definitivo com o Senhor.

O Livro do Génesis afirma que o homem foi criado à imagem e semelhança de Deus, o qual é Pai e Filho e Espírito Santo, uma relação perfeita de amor que é unidade. Disto podemos compreender que todos nós fomos criados para entrar numa relação perfeita de amor, num contínuo doar-nos e receber-nos para assim podermos encontrar a plenitude do nosso ser.

Quando Moisés, diante da sarça ardente, recebeu a chamada de Deus, perguntou-lhe qual era o seu nome. E o que respondeu Deus? «Eu sou Aquele que sou» (Êx 3, 14). Esta expressão, no seu sentido originário, manifesta presença e favor, e com efeito imediatamente a seguir Deus acrescenta: «O Senhor, o Deus dos vossos pais, o Deus de Abraão, de Isaque e de Jacob» (v. 15). Assim também Cristo, quando chama os seus discípulos, os chama para que estejam com Ele. Eis, por conseguinte, a maior graça: poder experimentar que a Missa, a Eucaristia é o momento privilegiado para estar com Jesus e, através d’Ele, com Deus e com os irmãos.

Rezar, como qualquer diálogo verdadeiro, significa saber também ficar em silêncio — nos diálogos há momentos de silêncio — em silêncio juntamente com Jesus. E quando vamos à Missa, talvez cheguemos cinco minutos antes e comecemos a falar com quem está ao nosso lado. Mas não é o momento para falar: é o momento do silêncio a fim de nos prepararmos para o diálogo. É o momento de se recolher no coração a fim de se preparar para o encontro com Jesus. O silêncio é tão importante! Recordai-vos do que disse na semana passada: não vamos a um espetáculo, vamos ao encontro com o Senhor e o silêncio prepara-nos e acompanha-nos. Permanecer em silêncio juntamente com Jesus. E do misterioso silêncio de Deus brota a sua Palavra que ressoa no nosso coração. O próprio Jesus nos ensina como é possível “estar” realmente com o Pai e no-lo demonstra com a sua oração. Os Evangelhos mostram-nos Jesus que se retira em lugares afastados para rezar; os discípulos, ao ver esta sua relação íntima com o Pai, sentem o desejo de poder participar nela, e pedem-lhe: «Senhor, ensina-nos a rezar» (Lc 11, 1). Assim ouvimos há pouco, na primeira Leitura, no início da audiência. Jesus responde que a primeira coisa necessária para rezar é saber dizer “Pai”. Estejamos atentos: se eu não for capaz de dizer “Pai” a Deus, não sou capaz de rezar. Temos que aprender a dizer “Pai”, ou seja, de nos pormos na sua presença com confiança filial. Mas a fim de poder aprender, é preciso reconhecer humildemente que precisamos de ser instruídos, e dizer com simplicidade: Senhor, ensina-me a rezar.

Este é o primeiro ponto: ser humildes, reconhecer-se filhos, repousar no Pai, confiar n’Ele. Para entrar no Reino dos céus é necessário fazer-se pequeninos como as crianças. No sentido de que as crianças sabem confiar, sabem que alguém se preocupará com elas, com o que hão de comer, com o que vestirão e assim por diante (cf. Mt 6, 25-32). Esta é a primeira atitude: confiança e confidência, como a criança com os pais; saber que Deus se recorda de ti, cuida de ti, de ti, de mim, de todos.

A segunda predisposição, também ela própria das crianças, é deixar-se surpreender. A criança faz sempre muitas perguntas porque deseja descobrir o mundo; e admira-se até com coisas pequenas porque para ela tudo é novo. Para entrar no Reino dos céus é preciso deixar-se surpreender. Na nossa relação com o Senhor, na oração — eu pergunto — deixamo-nos surpreender ou pensamos que a oração é falar a Deus como fazem os papagaios? Não, é confiar e abrir o coração para se deixar surpreender. Deixamo-nos maravilhar por Deus que é sempre o Deus das surpresas? Porque o encontro com o Senhor é sempre um encontro vivo, não é um encontro de museu. É um encontro vivo e nós vamos à Missa e não a um museu. Vamos a um encontro vivo com o Senhor.

No Evangelho fala-se de um certo Nicodemos (cf. Jo 3, 1-21), um idoso, uma autoridade em Israel, que vai procurar Jesus para o conhecer; e o Senhor fala-lhe da necessidade de “renascer do alto” (cf. v. 3). Mas que significa isto? Pode-se “renascer”? Voltar a ter o gosto, a alegria, a maravilha da vida, é possível, mesmo face a tantas tragédias? Esta é uma pergunta fundamental da nossa fé e este é o desejo de qualquer crente verdadeiro: o desejo de renascer, a alegria de recomeçar. Nós temos este desejo? Cada um de nós tem vontade de renascer sempre para se encontrar com o Senhor? Tendes este desejo? Com efeito, pode-se perdê-lo facilmente porque, por causa de tantas atividades, de tantos projetos a concretizar, no final temos pouco tempo e perdemos de vista o que é fundamental: a nossa vida do coração, a nossa vida espiritual, a nossa vida que é encontro com o Senhor na oração.

Na verdade, o Senhor surpreende-nos ao mostrar-nos que Ele nos ama até com as nossas debilidades: «Jesus Cristo [...] é a propiciação pelos nossos pecados, e não somente pelos nossos, mas também pelos de todo o mundo» (1 Jo 2, 2). Este dom, fonte de verdadeira consolação — mas o Senhor perdoa-nos sempre — conforta, é uma verdadeira consolação, é um dom que nos é concedido através da Eucaristia, aquele banquete nupcial no qual o Esposo encontra a nossa fragilidade. Posso dizer que quando recebo a comunhão na Missa, o Senhor encontra a minha fragilidade? Sim! Podemos dizê-lo porque isto é verdade! O Senhor encontra a nossa fragilidade para nos reconduzir à nossa primeira chamada: ser à imagem e semelhança de Deus. É este o ambiente da Eucaristia, é esta a oração.


Saudação

Dirijo uma saudação cordial a todos os peregrinos de língua portuguesa, vindos de Portugal e do Brasil. Queridos amigos, sois chamados a ser testemunhas da alegria no mundo, transfigurados pela graça misericordiosa que Jesus nos dá na Santa Missa. Desça sobre vós e sobre vossas famílias a bênção de Deus.



Fonte: Vaticano




Angelus com o Papa Francisco - 12.11.2017


Praça São Pedro
Domingo, 12 de novembro de 2017











Bom dia, queridos irmãos e irmãs!

Neste domingo, o Evangelho (cf. Mt 25, 1-13) indica-nos a condição para entrar no Reino dos céus, e fá-lo com a parábola das dez virgens: trata-se daquelas donzelas que eram encarregadas de receber e acompanhar o esposo na cerimónia de casamento, e dado que naquela época se costumava celebrá-la à noite, as damas de honra levavam lâmpadas consigo.

A parábola diz que cinco daquelas virgens são sábias e cinco insensatas: com efeito, as sábias levaram consigo óleo para as lâmpadas, e as insensatas não. O esposo tarda a chegar e todas adormecem. À meia-noite é anunciada a chegada do esposo; então, as virgens insensatas dão-se conta de que não têm óleo para as lâmpadas, e pedem-no às sábias. Mas elas respondem que não podem dá-lo, porque não seria suficiente para todas. Portanto, enquanto as insensatas vão em busca do óleo, chega o esposo; as virgens sábias entram com ele na sala do banquete e a porte fecha-se. As cinco insensatas voltam tarde demais e batem à porta, mas a resposta é: «Não vos conheço» (v. 12), e permanecem fora.

O que Jesus nos quer ensinar com esta parábola? Recorda-nos que devemos estar prontos para o encontro com Ele. Muitas vezes, no Evangelho, Jesus exorta a vigiar, e fá-lo também no final desta narração. Reza assim: «Vigiai, pois, porque não sabeis nem o dia nem a hora» (v. 13). Mas com esta parábola diz-nos que vigiar não significa apenas não dormir, mas estar preparado; com efeito, todas as virgens dormem antes que o esposo chegue, mas quando se acordam algumas estão prontas e outras não. Portanto, este é o significado de ser sensato e prudente: trata-se de não esperar o último momento da nossa vida para colaborar com a graça de Deus, mas de o fazer já agora. Seria bom pensar um pouco: um dia será o último. Se fosse hoje, como estou preparado, preparada? Mas devo fazer isto e aquilo... Preparar-se como se fosse o último dia: isto faz bem.

A lâmpada é o símbolo da fé que ilumina a nossa vida, enquanto o óleo é o símbolo da caridade que alimenta, que torna fecunda e credível a luz da fé. A condição para estarmos prontos para o encontro com o Senhor não é apenas a fé, mas uma vida cristã rica de amor e de caridade pelo próximo. Se nos deixarmos guiar por aquilo que parece mais cómodo, pela busca dos nossos interesses, a nossa vida torna-se estéril, incapaz de dar vida aos outros, e não acumulamos reserva alguma de óleo para a lâmpada da nossa fé; e ela — a fé — apagar-se-á no momento da vinda do Senhor, ou ainda antes. Ao contrário, se formos vigilantes e procurarmos praticar o bem com gestos de amor, partilha e serviço ao próximo em dificuldade, poderemos permanecer tranquilos enquanto esperamos a vinda do esposo: o Senhor poderá chegar a qualquer momento, e nem sequer o sono da morte nos apavora, porque dispomos de uma reserva de óleo, acumulada com as boas obras de todos os dias. A fé inspira a caridade, e a caridade preserva a fé.

A Virgem Maria nos ajude a tornar a nossa fé cada vez mais ativa através da caridade; a fim de que a nossa lâmpada possa resplandecer já aqui, no caminho terreno, e depois para sempre, na festa de bodas no paraíso.

Depois do Angelus

Caros irmãos e irmãs!

Ontem, em Madrid, foram proclamados beatos Vicente Queralt LLoret e 20 companheiros mártires; e José Maria Fernández Sánchez e 38 companheiros mártires. Alguns dos novos beatos eram membros da Congregação da Missão: sacerdotes, irmãos coadjutores, noviços; outros eram leigos pertencentes à Associação da Medalha Milagrosa. Todos foram assassinados por ódio à fé, durante a perseguição religiosa ocorrida ao longo da guerra civil espanhola, de 1936 a 1937. Demos graças a Deus pela grande dádiva destas testemunhas exemplares de Cristo e do Evangelho.

Saúdo todos vós, famílias, paróquias, associações e fiéis individualmente, que viestes da Itália e de muitas regiões do mundo. Em particular, saúdo os peregrinos provenientes de Washington, Filadélfia, Brooklyn e Nova York; o coral paroquial Santa Maria Madalena, de Nuragus (Sardenha); os fiéis de Tuscania, Ercolano e Veneza; a Sociedade de boccia, de Rosta; e os crismandos de Galzignano.

Desejo bom domingo a todos. Por favor, não vos esqueçais de rezar por mim. Bom almoço e até à vista!



Fonte: Vaticano




domingo, 12 de novembro de 2017

Evangelho do XXXII Domingo do Tempo Comum – Ano A


Mt 25,1-13

Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos esta parábola: “O Reino dos Céus é como a história das dez jovens que pegaram suas lâmpadas de óleo e saíram ao encontro do noivo. Cinco delas eram imprevidentes, e as outras cinco eram previdentes. As imprevidentes pegaram as suas lâmpadas, mas não levaram óleo consigo. As previdentes, porém, levaram vasilhas com óleo junto com as lâmpadas. O noivo estava demorando, e todas elas acabaram cochilando e dormindo. No meio da noite, ouviu-se um grito: ‘O noivo está chegando. Ide ao seu encontro!’ Então as dez jovens se levantaram e prepararam as lâmpadas. As imprevidentes disseram às previdentes: ‘Dai-nos um pouco de óleo, porque nossas lâmpadas estão se apagando’. As previdentes responderam: ‘De modo nenhum, porque o óleo pode ser insuficiente para nós e para vós. É melhor irdes comprar dos vendedores’. Enquanto elas foram comprar óleo, o noivo chegou, e as que estavam preparadas entraram com ele para a festa de casamento. E a porta se fechou. Por fim, chegaram também as outras jovens e disseram: ‘Senhor! Senhor! Abre-nos a porta!’ Ele, porém, respondeu: ‘Em verdade eu vos digo: Não vos conheço!’ Portanto, ficai vigiando, pois não sabeis qual será o dia nem a hora”.




Catequese com o Papa Francisco - 08.11.2017


Quarta-feira, 8 de novembro de 2017








Amados irmãos e irmãs, bom dia!

Iniciamos hoje uma nova série de catequeses, que fixará o olhar no “coração” da Igreja, ou seja, na Eucaristia. Para nós cristãos, é fundamental compreender bem o valor e o significado da Santa Missa, a fim de viver cada vez mais plenamente a nossa relação com Deus.

Não podemos esquecer o grande número de cristãos que, no mundo inteiro, em dois mil anos de história, resistiram até à morte para defender a Eucaristia; e quantos, ainda hoje, arriscam a vida para participar na Missa dominical. No ano de 304, durante as perseguições de Diocleciano, um grupo de cristãos, do norte de África, foram surpreendidos a celebrar a Missa numa casa e foram aprisionados. O procônsul romano, no interrogatório, perguntou-lhes por que o fizeram, sabendo que era absolutamente proibido. E eles responderam: «Sem o domingo não podemos viver», que significava: se não podemos celebrar a Eucaristia, não podemos viver, a nossa vida cristã morreria.

Com efeito, Jesus disse aos seus discípulos: «se não comerdes a carne do Filho do homem, e não beberdes o seu sangue, não tereis vida em vós mesmos. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna, e eu o ressuscitarei no último dia» (Jo 6, 53-54).

Aqueles cristãos do norte de África foram assassinados porque celebravam a Eucaristia. Deixaram o testemunho de que se pode renunciar à vida terrena pela Eucaristia, porque ela nos dá a vida eterna, tornando-nos partícipes da vitória de Cristo sobre a morte. Um testemunho que nos interpela a todos e exige uma resposta acerca do que significa para cada um de nós participar no Sacrifício da Missa e aproximarmo-nos da Mesa do Senhor. Estamos à procura daquela nascente da qual “jorra água viva” para a vida eterna?, que torna a nossa vida um sacrifício espiritual de louvor e de agradecimento e faz de nós um só corpo com Cristo? É este o sentido mais profundo da sagrada Eucaristia, que significa “agradecimento”: agradecimento a Deus Pai, Filho e Espírito Santo que nos abrange e nos transforma na sua comunhão de amor.

Nas próximas catequeses gostaria de responder a algumas perguntas importantes sobre a Eucaristia e a Missa, a fim de redescobrir, ou descobrir, como o amor de Deus resplandece através deste mistério da fé.

O Concílio Vaticano II foi fortemente animado pelo desejo de levar os cristãos a compreender a grandeza da fé e a beleza do encontro com Cristo. Por este motivo era necessário antes de mais realizar, com a ajuda do Espírito Santo, uma adequada renovação da Liturgia, porque a Igreja vive continuamente dela e renova-se graças a ela.

Um tema central que os Padres conciliares frisaram foi a formação litúrgica dos fiéis, indispensável para uma verdadeira renovação. E é precisamente esta também a finalidade deste ciclo de catequeses que hoje iniciamos: crescer no conhecimento do grande dom que Deus nos concedeu na Eucaristia.

A Eucaristia é um acontecimento maravilhoso no qual Jesus Cristo, nossa vida, se faz presente. Participar na Missa «é viver outra vez a paixão e a morte redentora do Senhor. É uma teofania: o Senhor torna-se presente no altar para ser oferecido ao Pai pela salvação do mundo» (Homilia, Santa Marta, 10 de fevereiro de 2014). O Senhor está ali connosco, presente. Muitas vezes nós vamos ali, olhamos para as coisas, falamos entre nós enquanto o sacerdote celebra a Eucaristia... e não celebramos ao lado d’Ele. Mas é o Senhor! Se hoje viesse aqui o Presidente da República ou qualquer pessoa muito importante do mundo, certamente todos estaríamos perto dela, e gostaríamos de a saudar. Mas repara: quando tu vais à missa, o Senhor está lá! E tu distrais-te. É o Senhor! Devemos pensar nisto. “Padre, mas as missas são tediosas" — “Que dizes, o Senhor é tedioso?" — Não, a Missa não, os sacerdotes" — "Ah, que os sacerdotes se convertam, mas é o Senhor quem está ali!”. Está claro? Não o esqueçais. «Participar na Missa é como viver outra vez a paixão e a morte redentora do Senhor».

Procuremos agora fazer-nos algumas perguntas simples. Por exemplo, por que fazemos o sinal da cruz e o ato penitencial no início da Missa? E aqui gostaria de fazer outro parêntese. Vistes como fazem as crianças o sinal da cruz? Não se sabe o que fazem, se é o sinal da cruz ou um desenho. Fazem assim [o Papa fez um gesto desajeitado]. É preciso ensinar bem às crianças a fazer o sinal da cruz. Assim começa a Missa, assim começa a vida, assim começa o dia. Isto significa que somos remidos com a cruz do Senhor. Olhai para as crianças e ensinai-lhes a fazer bem o sinal da cruz. E aquelas Leituras, na Missa, porque se fazem? Por que se lêem ao domingo três Leituras e nos outros dias duas? Por que estão ali, o que significa a Leitura da Missa? Por que se lêem e o que têm a ver? Ou então, por que a um certo ponto o sacerdote que preside à celebração diz: “Corações ao alto?”. Não diz: “Telefones ao alto para fazer fotografias!”. Não, não é agradável! E digo-vos que me causa muita tristeza quando celebro aqui na Praça ou na Basílica e vejo tantos telefones elevados, não só dos fiéis, mas até de alguns sacerdotes e bispos. Por favor! A Missa não é um espetáculo: significa ir encontrar a paixão e a ressurreição do Senhor. Por isso o sacerdote diz: “Corações ao alto”. Que significa isto? Recordai-vos: não levanteis os telefones.

É muito importante voltar aos fundamentos, redescobrir aquilo que é essencial, através do que se toca e se vê na celebração dos Sacramentos. O pedido do apóstolo São Tomé (cf. Jo 20, 25), para poder ver e tocar as chagas dos pregos no corpo de Jesus, é o desejo de poder de alguma forma “tocar” Deus para acreditar nele. O que São Tomé pede ao Senhor é aquilo de que todos nós precisamos: vê-lo e tocar nele para o poder reconhecer. Os Sacramentos vêm ao encontro desta exigência humana. Os Sacramentos, e a celebração eucarística de maneira especial, são os sinais do amor de Deus, os caminhos privilegiados para nos encontrarmos com Ele.

Assim, através destas catequeses que hoje começam, gostaria de redescobrir juntamente convosco a beleza que se esconde na celebração eucarística, e que, quando é revelada, dá pleno sentido à vida de cada um. Nossa Senhora nos acompanhe neste novo percurso. Obrigado.


Saudações

Saúdo cordialmente os peregrinos de língua portuguesa, em particular os fiéis da diocese de Santo Ângelo, desejando-vos que cresçais sempre mais no amor e na adoração da Eucaristia, para que este Sacramento possa continuar a plasmar as vossas comunidades.

Por fim, saúdo os jovens, os doentes e os recém-casados. A hodierna memória dos Santos Mártires, cujas relíquias estão conservadas aqui na Basílica de São Pedro, aumente em vós, queridos jovens, a atenção ao testemunho cristão até nos contextos difíceis; ajude a vós, amados doentes, a oferecer os vossos sofrimentos em apoio dos tantos cristãos perseguidos; encoraje a vós, estimados recém-casados, a confiar na ajuda de Deus e não só nas vossas capacidades.



Fonte: Vaticano




Angelus com o Papa Francisco - 05.11.2017


Praça São Pedro
Domingo, 5 de novembro de 2017








Amados irmãos e irmãs, bom dia!

O Evangelho de hoje (cf. Mt 23, 1-12) ambienta-se nos últimos dias da vida de Jesus, em Jerusalém; dias cheios de expetativas e também de tensões. Por um lado Jesus dirige críticas severas aos escribas e aos fariseus, e por outro faz importantes recomendações aos cristãos de todos os tempos, e portanto também a nós.

Ele diz à multidão: «Na cadeira de Moisés estão assentados os escribas e fariseus. Todas as coisas, pois, que vos disserem que observeis, observai-as e fazei-as». Isto significa que eles têm a autoridade para ensinar o que é conforme com a lei de Deus. Contudo, imediatamente a seguir, Jesus acrescenta: «mas não procedais em conformidade com as suas obras, porque dizem e não fazem» (v. 2-3). Irmãos e irmãs, um defeito frequente em quantos têm uma autoridade, quer se trate de autoridade civil quer eclesiástica, é exigir dos outros coisas, mesmo justas, que contudo eles não praticam em primeira pessoa. Fazem vida dupla. Diz Jesus: «Pois atam fardos pesados e difíceis de suportar, e os põem aos ombros dos homens; eles, porém, nem com seu dedo querem movê-los» (v. 4). Esta atitude é uma má prática da autoridade, que ao contrário deveria haurir a sua primeira força, precisamente do bom exemplo. A autoridade nasce do bom exemplo, para ajudar os outros a praticar o que é justo e necessário, apoiando-os nas provações que se encontram no caminho do bem. A autoridade é uma ajuda, mas se for exercida mal, torna-se opressiva, não deixa crescer as pessoas, causa um clima de desconfiança e de hostilidade e leva também à corrupção.

Jesus denuncia abertamente alguns comportamentos negativos dos escribas e de alguns fariseus: «E amam os primeiros lugares nas ceias e as primeiras cadeiras nas sinagogas, e as saudações nas praças» (vv. 6-7). Esta é uma tentação que corresponde à soberba humana e que nem sempre é fácil de vencer. Trata-se da atitude de viver só para a aparência.

Depois Jesus recomenda aos seus discípulos: «Vós, porém, não queirais ser chamados Rabi, porque um só é o vosso Mestre, a saber, o Cristo, e todos vós sois irmãos [...] Nem vos chameis mestres, porque um só é o vosso Mestre, que é o Cristo. O maior dentre vós será vosso servo» (vv. 8-11).

Nós, discípulos de Jesus, não devemos procurar títulos de honra, de autoridade ou de supremacia. E digo-vos que a mim pessoalmente me causa tanto sofrimento ver pessoas que vivem psicologicamente correndo atrás da vaidade das honorificências. Nós, discípulos de Jesus não devemos fazer isto, porque entre nós deve haver uma atitude simples e fraterna. Somos todos irmãos e não devemos de maneira alguma subjugar os outros e olhar para eles de cima para baixo. Não. Somos todos irmãos. Se recebemos qualidades do Pai celeste, devemos pô-las ao serviço dos irmãos, e não aproveitar delas para a nossa satisfação e interesse pessoal. Não nos devemos considerar superiores aos demais; a modéstia é essencial para uma existência que queira ser conforme com o ensinamento de Jesus, o qual é manso e humilde de coração e não veio para ser servido mas para servir.

A Virgem Maria, «humilde e alta mais que criatura» (Dante, Paraíso, XXXIII, 2), nos ajude, com a sua materna intercessão, a evitar o orgulho e a vaidade, e a ser mansos e dóceis ao amor que vem de Deus, para o serviço dos nossos irmãos e para a sua alegria, que será também a nossa.




Fonte: Vaticano




Evangelho do XXXI Domingo do Tempo Comum – Solenidade de Todos os Santos – Ano A


São Mateus 5, 1-12a

Naquele tempo, ao ver as multidões, Jesus subiu ao monte e sentou-Se. Rodearam-n’O os discípulos e Ele começou a ensiná-los, dizendo: "Bem-aventurados os pobres em espírito, porque deles é o reino dos Céus. Bem-aventurados os humildes, porque possuirão a terra. Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados. Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados. Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia. Bem-aventurados os puros de coração, porque verão a Deus. Bem-aventurados os que promovem a paz, porque serão chamados filhos de Deus. Bem-aventurados os que sofrem perseguição por amor da justiça, porque deles é o reino dos Céus. Bem-aventurados sereis, quando, por minha causa, vos insultarem, vos perseguirem e, mentindo, disserem todo o mal contra vós. Alegrai-vos e exultai, porque é grande nos Céus a vossa recompensa".




Angelus com o Papa Francisco - 29.10.2017


Praça São Pedro
Domingo, 29 de outubro de 2017








Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

Neste domingo, a liturgia apresenta-nos um breve trecho evangélico, mas muito importante (cf. Mt 22, 34-40). O evangelista Mateus narra que os fariseus se reuniram para pôr à prova Jesus. Um deles, um doutor da Lei, dirigiu-lhe esta pergunta: «Mestre, qual é o maior mandamento da Lei?» (v. 36). É uma pergunta insidiosa, porque na Lei de Moisés são mencionados mais de seiscentos preceitos. Como distinguir, entre todos, o grande mandamento? Mas Jesus não hesita e responde: «Amarás o Senhor teu Deus de todo teu coração, de toda tua alma e de todo teu espírito». E acrescenta: «Amarás teu próximo como a ti mesmo» (vv. 37.39).

Esta resposta de Jesus não é óbvia, porque, entre os múltiplos preceitos da lei judaica, os mais importantes eram os dez Mandamentos, comunicados diretamente por Deus a Moisés, como condições do pacto de aliança com o povo. Mas Jesus quer que compreendamos que sem o amor a Deus e ao próximo não há verdadeira fidelidade a esta aliança com o Senhor. Podes fazer muitas coisa boas, cumprir tantos preceitos, tantas coisas boas, mas se não tiveres amor, isto não serve.

Confirma-o um outro texto do Livro do Êxodo, chamado “código da aliança”, onde se afirma que não se pode estar na Aliança com o Senhor e maltratar quantos gozam da sua proteção. E quem são aqueles que gozam da sua proteção? A Bíblia diz: a viúva, o órfão, o estrangeiro, o migrante, ou seja, as pessoas mais sozinhas e indefesas (cf. Êx 22, 20-21). Respondendo a estes fariseus que o tinham questionado, Jesus tenta também ajudá-los a pôr ordem na sua religiosidade, a estabelecer de novo o que conta realmente e o que é menos importante. Jesus diz: «Nesses dois mandamentos se resumem toda a lei e os profetas» (Mt 22, 40). São os mais importantes, e os outros dependem destes dois. E Jesus viveu precisamente assim a sua vida: pregando e fazendo o que conta realmente e é essencial, ou seja, o amor. O amor dá impulso e fecundidade à vida e ao caminho de fé: sem amor, quer a vida quer a fé permanecem estéreis.

O que Jesus propõe nesta página evangélica é um ideal maravilhoso, que corresponde ao desejo mais autêntico do nosso coração. Com efeito, fomos criados para amar e ser amados. Deus, que é Amor, criou-nos para nos tornarmos partícipes da sua vida, para sermos amados por Ele, para o amar e para amar juntamente com Ele todas as pessoas. Este é o “sonho” de Deus para o homem. E a fim de o realizar precisamos da sua graça, necessitamos receber em nós a capacidade de amar, que provém do próprio Deus. Jesus oferece-se a nós na Eucaristia exatamente por isso. Nela recebemos o seu Corpo e o seu Sangue, ou seja, recebemos Jesus na expressão máxima do seu amor, quando Ele se ofereceu ao Pai para a nossa salvação.

A Virgem Santa nos ajude a acolher na nossa vida o “grande mandamento” do amor a Deus e ao próximo. Com efeito, mesmo conhecendo-o desde quando éramos crianças, nunca nos converteremos totalmente a ele nem pomos em prática o suficiente nas diversas situações nas quais nos encontramos.

Depois do Angelus

Ontem em Caxias do Sul, no Brasil, foi proclamado Beato João Schiavo, sacerdote dos Josefinos de Murialdo. Nascido nas colinas de Vicenza no início do século XX, ainda muito jovem foi enviado como sacerdote para o Brasil, onde trabalhou com zelo ao serviço do povo de Deus e da formação dos religiosos e das religiosas. O seu exemplo nos ajude a viver na plenitude a nossa adesão a Cristo e ao Evangelho.

Saúdo a comunidade togolesa na Itália, assim como a venezuelana com a imagem de Nossa Senhora de Chiquinquirà, a “Chinita”. Confiemos à Virgem Maria as esperanças e as legítimas expetativas destas duas Nações!

A todos desejo um bom domingo. Por favor, não vos esqueçais de rezar por mim. Bom almoço e até à vista.



Fonte: Vaticano




domingo, 29 de outubro de 2017

Evangelho do XXX Domingo do Tempo Comum – Ano A


São Mateus 22, 34-40

Naquele tempo, os fariseus, ouvindo dizer que Jesus tinha feito calar os saduceus, reuniram-se em grupo, e um doutor da Lei perguntou a Jesus, para O experimentar: "Mestre, qual é o maior mandamento da Lei?" Jesus respondeu: "‘Amarás o Senhor teu Deus com todo o teu coração, com toda a tua alma e com todo o teu espírito’. Este é o maior e o primeiro mandamento. O segundo, porém, é semelhante a este: ‘Amarás o teu próximo como a ti mesmo’. Nestes dois mandamentos se resumem toda a Lei e os Profetas".








Catequese com o Papa Francisco - 25.10.2017


Quarta-feira, 25 de outubro de 2017








Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

Esta é a última catequese sobre o tema da esperança cristã, que nos acompanhou desde o início do presente ano litúrgico. E vou concluir falando do paraíso, como meta da nossa esperança.

«Paraíso» é uma das últimas palavras pronunciadas por Jesus na cruz, dirigida ao bom ladrão. Detenhamo-nos um momento sobre aquela cena. Na cruz, Jesus não está sozinho. Ao seu lado, à direita e à esquerda, há dois malfeitores.

Talvez, passando diante daquelas três cruzes erguidas no Gólgota, alguém suspirou aliviado, pensando que finalmente a justiça tinha sido feita entregando à morte pessoas como elas.

Ao lado de Jesus há também um réu confesso: alguém que reconhece ter merecido aquele terrível suplício. Chamamo-lo “bom ladrão”, o qual, opondo-se ao outro, diz: recebemos o que mereceram os nossos crimes (cf. Lc 23, 41)

No Calvário, naquela sexta-feira trágica e santa, Jesus chega ao extremo da sua encarnação, da sua solidariedade com nós pecadores. Ali realiza-se quanto o profeta Isaías tinha dito sobre o Servo sofredor: «E foi contado entre os malfeitores» (Is 53, 12; cf. Lc 22, 37).

É precisamente no Calvário que Jesus tem o último encontro com um pecador, para abrir de par em par as portas do seu Reino. Isto é interessante: é a única vez que a palavra “paraíso” aparece nos evangelhos. Jesus promete-o a um “pobre diabo” que no madeiro da cruz teve a coragem de lhe dirigir o mais humilde dos pedidos: «Lembra-te de mim, quando entrares no teu Reino!» (Lc 23, 42). Não tinha boas obras para apresentar, nada possuía, mas confia-se a Deus, que reconhece como inocente, bom, tão diferente dele (v. 41). Foi suficiente aquela palavra de arrependimento humilde, para sensibilizar o coração de Jesus.

O bom ladrão faz-nos lembrar a nossa verdadeira condição diante de Deus: que somos seus filhos, que Ele sente compaixão por nós, que Ele está desarmado todas as vezes que lhe manifestamos a nostalgia do seu amor. Nos quartos de muitos hospitais ou nas celas das prisões este milagre repete-se inúmeras vezes: não há pessoa alguma, por quanto tenha vivido mal, à qual só lhe resta o desespero e à qual seja proibida a graça. Diante de Deus apresentamo-nos todos de mãos vazias, um pouco como o publicano da parábola que tinha parado para rezar no fundo do templo (cf. Lc 18,13). E todas as vezes que um homem, fazendo o último exame de consciência da sua vida, descobre que as faltas superam de forma considerável as boas obras, não deve desanimar, mas entregar-se à misericórdia de Deus. E isto dá-nos esperança, abre-nos o coração!

Deus é Pai, e até ao último instante espera o nosso retorno. E ao filho pródigo, que regressando começa a confessar as suas culpas, o pai fecha-lhe a boca com um abraço (cf. Lc 15, 20). Este é Deus: ama-nos deste modo!

O paraíso não é um lugar de fábula, nem sequer um jardim encantado. O paraíso é o abraço com Deus, Amor infinito, e entramos nele graças a Jesus, que morreu na cruz por nós. Onde há Jesus, há misericórdia e felicidade; sem Ele há frio e trevas. Na hora da morte, o cristão repete a Jesus: “Recorda-te de mim”. E mesmo se não houvesse mais ninguém que se recorda de nós, Jesus está ali, ao nosso lado. Quer levar-nos para o lugar mais bonito que existe. Deseja levar-nos lá com aquele pouco ou tanto de bom que houve na nossa vida, para que nada seja perdido do que Ele já tinha redimido. E para a casa do Pai levará também tudo o que em nós ainda precisa de ser resgatado: as faltas e os erros de uma vida inteira. Esta é a meta da nossa existência: que tudo se cumpra, e seja transformado em amor.

Se acreditarmos nisto, a morte deixa de nos amedrontar, e podemos também ter a esperança de partir deste mundo de maneira serena, com muita confiança. Quem conheceu Jesus, já nada teme. E poderemos repetir também nós as palavras do Velho Simeão, também ele abençoado pelo encontro com Cristo, depois de uma vida inteira consumida em expetativa: «Agora, Senhor, deixai o vosso servo ir em paz, segundo a vossa palavra. Porque os meus olhos viram a vossa salvação» (Lc 2, 29-30).

E naquele instante, finalmente, já não teremos necessidade de nada, já não veremos de maneira confusa. Já não choraremos inutilmente, porque tudo passou; também as profecias, inclusive o conhecimento. Mas o amor não, esse permanece. Porque «a caridade jamais acabará» (cf. 1 Cor 13,8).


Saudação

Dirijo a minha saudação aos jovens, aos doentes e aos recém-casados. No fim do mês de outubro, desejo recomendar a oração do Santo Rosário. Esta prece mariana seja para vós, queridos jovens, ocasião para compreender mais profundamente o mistério de Cristo que age na vossa vida; amai o Rosário, queridos doentes, para que dê consolação e significado aos vossos sofrimentos. Possa ser para vós, queridos recém-casados, uma oportunidade privilegiada a fim de experimentar aquela intimidade espiritual com Deus que funda uma nova família.

Uma saudação especial para todos os peregrinos de língua portuguesa, nominalmente os fiéis de Roraima acompanhados pelo seu Pastor e os diversos grupos do Brasil. Queridos amigos, a fé na vida eterna nos leva a não ter medo dos desafios desta vida presente, fortalecidos pela esperança na vitória de Cristo sobre a morte. Que Deus vos abençoe.



Fonte: Vaticano




Angelus com o Papa Francisco - 22.10.2017


Praça São Pedro
Domingo, 22 de outubro de 2017







Bom dia prezados irmãos e irmãs!

O Evangelho deste domingo (Mt 22, 15-21) apresenta-nos um novo encontro direto entre Jesus e os seus opositores. O tema enfrentado é o do tributo a César: uma questão “espinhosa”, a respeito da legalidade ou não de pagar o imposto ao imperador de Roma, a quem estava submetida a Palestina na época de Jesus. As posições eram diversas. Portanto, a pergunta que lhe foi dirigida pelos fariseus: «É permitido ou não pagar o imposto a César?» (v. 17) constitui uma cilada para o Mestre. Com efeito, de acordo com a resposta que tivesse dado, seria acusado de ser a favor ou contra Roma.

Mas também neste caso, Jesus responde com calma e aproveita a pergunta maliciosa para dar um ensinamento importante, elevando-se acima da polémica e das posições opostas. Diz aos fariseus: «Mostrai-me a moeda do tributo». Eles mostram-lhe um denário e Jesus, observando a moeda, pergunta: «De quem é esta imagem e esta inscrição?». Os fariseus respondem: «De César». Então Jesus conclui: «Dai, pois, a César o que é de César e a Deus o que é de Deus» (cf. vv. 19-21). Por um lado, intimando que se restitua ao imperador aquilo que lhe pertence, Jesus declara que pagar o imposto não é um gesto de idolatria, mas um ato devido à autoridade terrena; por outro — e é aqui que Jesus dá o “golpe de asa” — evocando o primado de Deus, pede que se lhe dê aquilo que lhe pertence como Senhor da vida do homem e da história.

A referência à imagem de César, gravada na moeda, diz que é justo sentir-se a pleno título — com direitos e deveres — cidadãos do Estado; mas simbolicamente faz pensar na outra imagem que está gravada em cada homem: a imagem de Deus. Ele é o Senhor de tudo, e nós, que fomos criados “à sua imagem”, pertencemos sobretudo a Ele. Da pergunta que lhe fazem os fariseus, Jesus extrai uma interrogação mais radical e vital para cada um de nós, uma pergunta que podemos fazer a nós mesmos: a quem pertenço? À família, à cidade, aos amigos, à escola, ao trabalho, à política, ao Estado? Sim, sem dúvida. Mas antes de tudo — recorda-nos Jesus — tu pertences a Deus. Esta é a pertença fundamental. Foi Ele que te deu tudo aquilo que és e que tens. Por conseguinte, podemos e devemos levar a nossa vida, dia após dia, no reconhecimento desta nossa pertença fundamental e na gratidão do coração ao nosso Pai, que cria cada um de nós singularmente, irrepetível, mas sempre segundo a imagem do seu amado Filho Jesus. É um mistério maravilhoso!

O cristão é chamado a comprometer-se concretamente nas realidades humanas e sociais, sem opor “Deus” a “César”; contrapor Deus a César seria uma atitude fundamentalista. O cristão é chamado a empenhar-se concretamente nas realidades terrenas, mas iluminando-as com a luz que deriva de Deus. A confiança prioritária a Deus e a esperança nele não requerem uma fuga da realidade mas, ao contrário, um dar industriosamente a Deus aquilo que lhe pertence. É por isso que o crente olha para a realidade futura, a de Deus, a fim de levar a vida terrena em plenitude e enfrentar com coragem os seus desafios.

A Virgem Maria nos ajude a viver sempre em conformidade com a imagem de Deus que trazemos dentro de nós, oferecendo também a nossa contribuição para a construção da cidade terrena.


Depois do Angelus


Ontem, em Barcelona, foram beatificados Mateus Casals, Teófilo Casajús, Fernando Saperas e 106 companheiros mártires, pertencentes à Congregação religiosa dos Claretianos e assassinados por ódio à fé durante a guerra civil espanhola. O seu exemplo heroico e a sua intercessão ajudem os cristãos que até nos dias de hoje — e são muitos! — padecem discriminações e perseguições em várias partes do mundo.

Hoje celebra-se o Dia Missionário Mundial, sobre o tema “A missão no coração da Igreja”. Exorto todos a viver o júbilo da missão dando testemunho do Evangelho nos ambientes onde cada qual vive e trabalha. Ao mesmo tempo, somos chamados a ajudar afetuosamente, com a assistência concreta e a oração, os missionários que partem para anunciar Cristo a quantos ainda não o conhecem. Recordo também a minha intenção de promover um Mês Missionário Extraordinário em outubro de 2019, com a finalidade de nutrir o ardor da atividade evangelizadora da Igreja ad gentes. No dia em que se comemora a memória litúrgica de São João Paulo II, Papa missionário, confiemos à sua intercessão a missão da Igreja no mundo.

Peço-vos que vos unais à minha oração pela paz no mundo. Nestes dias acompanho com particular atenção a situação no Quénia, que visitei em 2015, e pelo qual rezo a fim de que o país inteiro saiba enfrentar as dificuldades atuais num clima de diálogo construtivo, interessando-se pela busca do bem comum.

Agora saúdo todos vós, peregrinos provenientes da Itália e de vários países. De modo especial, os fiéis de Luxemburgo e de Ibiza, o Movimento Família do Coração Imaculado de Maria, do Brasil, as Irmãs da Santíssima Mãe das Dores. Saúdo e abençoo carinhosamente a comunidade peruana de Roma, aqui congregada com a sagrada Imagem do Señor de los Milagros.

Saúdo os grupos de fiéis de diversas paróquias italianas, enquanto os encorajo a prosseguir com alegria pelo seu caminho de fé.

E a todos desejo feliz domingo. Por favor, não vos esqueçais de rezar por mim. Bom almoço e até à vista!


Fonte: Vaticano




domingo, 22 de outubro de 2017

Evangelho do XXIX Domingo do Tempo Comum – Ano A


São Mateus 22, 15-21

Naquele tempo, os fariseus reuniram-se para deliberar sobre a maneira de surpreender Jesus no que dissesse. Enviaram-Lhe alguns dos seus discípulos, juntamente com os herodianos, e disseram-Lhe: "Mestre, sabemos que és sincero e que ensinas, segundo a verdade, o caminho de Deus, sem te preocupares com ninguém, pois não fazes acepção de pessoas. Diz-nos o teu parecer: É lícito ou não pagar tributo a César?" Jesus, conhecendo a sua malícia, respondeu: "Porque Me tentais, hipócritas? Mostrai-me a moeda do tributo". Eles apresentaram-Lhe um denário e Jesus perguntou: "De quem é esta imagem e esta inscrição?" Eles responderam: "De César". Disse-Lhes Jesus: "Então, dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus".








Catequese com o Papa Francisco - 18.10.2017


Quarta-feira, 18 de outubro de 2017








Caríssimos irmãos e irmãs, bom dia!

Hoje gostaria de pôr em confronto a esperança cristã com a realidade da morte, uma realidade que a nossa civilização moderna tende a cancelar cada vez mais. Assim, quando a morte chega, seja para quem está próximo seja para nós mesmos, não estamos preparados, privados até de um “alfabeto” adequado para esboçar palavras com sentido acerca do seu mistério, que contudo permanece. Mesmo se os primeiros sinais de civilização humana transitaram precisamente através deste enigma. Poderíamos dizer que o homem nasceu com o culto dos mortos.

Outras civilizações, antes da nossa, tiveram a coragem de a encarar. Era um acontecimento contado pelos idosos às novas gerações, como uma realidade iniludível que obrigava o homem a viver para algo absoluto. O salmo 90 recita: «Ensinai-nos a contar assim os nossos dias, para que guiemos o coração na sabedoria» (v. 12). Contar os próprios dias faz com que o coração se torne sábio! Palavras que nos reconduzem a um realismo sadio, afastando o delírio da omnipotência. O que somos? Somos «quase nada», diz outro salmo (cf. 88, 48); os nossos dias passam velozes: mesmo se vivêssemos cem anos, no final teremos a impressão de que tudo foi um sopro. Muitas vezes ouvi idosos dizerem: “Para mim a vida passou como um sopro...”.

Assim a morte põe a nossa vida a nu. Faz-nos descobrir que as nossas ações de orgulho, ira e ódio eram vaidade: pura vaidade. Apercebemo-nos, desapontados, que não amámos o suficiente e que não procurámos o que era essencial. E, ao contrário, vemos o que de verdadeiramente bom semeamos: os afetos pelos quais nos sacrificamos, e que agora nos levam pela mão.

Jesus iluminou o mistério da nossa morte. Com o seu comportamento, autoriza-nos a sentir-nos pesarosos quando uma pessoa querida falece. Ele ficou «profundamente» perturbado diante do túmulo do amigo Lázaro, e «desatou a chorar» (Jo 11, 35). Nesta sua atitude sentimos Jesus muito próximo, nosso irmão. Ele chorou pelo seu amigo Lázaro. E então Jesus reza ao Pai, fonte da vida, e ordena a Lázaro que saia do sepulcro. E assim acontece. A esperança cristã alimenta-se nesta atitude que Jesus assume contra a morte humana: mesmo estando presente na criação, ela é contudo uma cicatriz que deturpa o desígnio de amor de Deus, e o Salvador quer curar-nos dela.

Outros evangelhos narram acerca de um pai que tem a filha muito doente, e dirige-se com fé a Jesus para que a salve (cf. Mc 5, 21-24.35-43). E não há figura mais comovedora do que a de um pai ou de uma mãe com um filho doente. E Jesus encaminha-se imediatamente com aquele homem, que se chamava Jairo. A um certo ponto chega alguém da casa de Jairo, dizendo que a menina morreu, e que não há mais necessidade de incomodar o Mestre. Mas Jesus diz a Jairo: «Não tenhas receio, crê somente» (Mc 5, 36). Jesus sabe que aquele homem sente a tentação de reagir com raiva e desespero, porque a menina morreu, e recomenda-lhe que preserve a pequena chama que está acesa no seu coração: a fé. «Não tenhas receio, crê somente». “Não receies, unicamente continua a manter acesa aquela chama!”. E depois, quando chegaram a casa, despertará a menina da morte e restituí-la-á viva aos seus entes queridos.

Jesus põe-nos neste “ápice” da fé. Ao choro de Marta pela morte do irmão Lázaro contrapõe a luz de um dogma: «Eu sou a Ressurreição e a Vida; quem crê em Mim, ainda que esteja morto, viverá; e todo aquele que vive e crê em Mim nunca morrerá. Crês tu nisto?» (Jo 11, 25-26). É o que Jesus repete a cada um de nós, todas as vezes que a morte vem arrancar o tecido da vida e dos afetos. Toda a nossa existência se joga aqui, entre a vertente da fé e o precipício do medo. Jesus diz: “Eu não sou a morte, eu sou a ressurreição e a vida, crês tu nisto?, crês tu nisto?”. Nós, que hoje estamos aqui na Praça, cremos nisto?

Todos somos pequeninos e indefesos diante do mistério da morte. Contudo, que graça se naquele momento guardarmos no coração a pequena chama da fé! Jesus guiar-nos-á pela mão, assim como guiou pela mão a filha de Jairo, e repetirá mais uma vez: “Talitá kum”, “Menina, levanta-te!” (Mc 5, 41). Di-lo-á a nós, a cada um de nós: “Levanta-te, ressurge!”. Agora, eu convido-vos a fechar os olhos e a pensar naquele momento: da nossa morte. Cada um de nós pense na própria morte, e imagine aquele momento que acontecerá, quando Jesus nos pegará na mão e nos disser: “Vem, vem comigo, levanta-te”. Terminará ali a esperança e será a realidade, a realidade da vida. Refleti bem: o próprio Jesus virá ter com cada um de nós e pegar-nos-á pela mão, com a sua ternura, a sua mansidão, o seu amor. E cada um repita no seu coração a palavra de Jesus: “Levanta-te, vem. Levanta-te, vem. Levanta-te, ressurge!”.

Esta é a nossa esperança diante da morte. Para quem crê, é uma porta que se abre de par em par; para quem duvida é uma brecha de luz que filtra por uma porta que não se fechou completamente. Mas será para todos nós uma graça, quando esta luz, do encontro com Jesus, nos iluminar.



Saudações

Desejo expressar o meu sofrimento pelo massacre ocorrido há alguns dias em Mogadíscio, Somália, que causou mais de trezentos mortos, entre os quais algumas crianças. Esta ação terrorista merece a mais firme deploração, também porque se enfurece contra uma população já tão provada. Rezo pelos defuntos e pelos feridos, pelos seus familiares e por todo o povo da Somália. Imploro a conversão dos violentos e encorajo quantos, com enormes dificuldades, trabalham pela paz naquela terra martirizada.

Dirijo uma cordial saudação aos peregrinos de língua portuguesa, com destaque para os diversos grupos vindos do Brasil, em particular os fiéis da arquidiocese de Natal com o seu Pastor e os da arquidiocese de Londrina, convidando todos a permanecer fiéis a Cristo Jesus, como os Protomártires do Brasil. O Espírito Santo vos ilumine para poderdes levar a Bênção de Deus a todos os homens. A Virgem Mãe vele sobre o vosso caminho e vos proteja.



Fonte: Vaticano




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