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domingo, 18 de junho de 2017

Evangelho do XI Domingo do Tempo Comum - Ano A


São Mateus 9, 36 – 10, 8

Naquele tempo, Jesus, ao ver as multidões, encheu-Se de compaixão, porque andavam fatigadas e abatidas, como ovelhas sem pastor. Jesus disse então aos seus discípulos: "A seara é grande mas os trabalhadores são poucos. Pedi ao Senhor da seara que mande trabalhadores para a sua seara". Depois chamou a Si os seus Doze discípulos e deu-lhes poder de expulsar os espíritos impuros e de curar todas as doenças e enfermidades. São estes os nomes dos doze apóstolos: primeiro, Simão, chamado Pedro, e André, seu irmão; Tiago, filho de Zebedeu, e João, seu irmão; Filipe e Bartolomeu; Tomé e Mateus, o publicano; Tiago, filho de Alfeu, e Tadeu; Simão, o Cananeu, e Judas Iscariotes, que foi quem O entregou. "Jesus enviou estes Doze, dando-lhes as seguintes instruções: "Não sigais o caminho dos gentios, nem entreis em cidade de samaritanos. Ide primeiramente às ovelhas perdidas da casa de Israel. Pelo caminho, proclamai que está perto o reino dos Céus. Curai os enfermos, ressuscitai os mortos, sarai os leprosos, expulsai os demônios. Recebestes de graça, dai de graça".





domingo, 11 de junho de 2017

Evangelho da Solenidade da Santíssima Trindade


São João 3, 16-18

Deus amou tanto o mundo que entregou o seu Filho Unigênito, para que todo o homem que acredita n’Ele não pereça, mas tenha a vida eterna. Porque Deus não enviou o seu Filho ao mundo para condenar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por Ele. Quem não acredita n’Ele já está condenado, porque não acreditou no nome do Filho Unigênito de Deus.







Catequese com o Papa Francisco - 07.06.2017


Quarta-feira, 7 de junho de 2017










Bom dia, caros irmãos e irmãs!

Havia algo de fascinante na prece de Jesus, tão fascinante que certo dia os seus discípulos pediram para ser iniciados nela. O episódio encontra-se no Evangelho de Lucas, que entre os Evangelistas é aquele que mais documentou o mistério de Cristo “orante”: o Senhor rezava. Os discípulos de Jesus ficam impressionados porque Ele, especialmente de manhã e à noite, se retira em solidão e se “imerge” em oração. E por isso um dia pedem-lhe que, também a eles, lhes ensine a rezar (cf. Lc 11, 1).

É então que Jesus transmite aquela que se tornou a oração cristã por excelência: o “Pai-Nosso”. Na verdade Lucas, em comparação com Mateus, restitui-nos a prece de Jesus de uma forma um pouco abreviada, que começa com a simples invocação: «Pai» (v. 2).

Todo o mistério da oração cristã está resumido aqui, nesta palavra: ter a coragem de chamar Deus com o nome de Pai. Afirma-o até a liturgia quando, convidando-nos à recitação comunitária da oração de Jesus, utiliza a expressão «ousamos dizer».

Com efeito, chamar Deus com o nome de “Pai” não é de modo algum algo óbvio. Seríamos levados a usar os títulos mais elevados, que nos parecem mais respeitadores da sua transcendência. Ao contrário, invocá-lo como “Pai” coloca-nos numa relação de familiaridade com Ele, como uma criança se dirige ao seu pai, consciente de ser amado e cuidado por ele. Esta é a grande revolução que o cristianismo imprime na psicologia religiosa do homem. O mistério de Deus, que sempre nos fascina e nos faz sentir pequenos, mas não nos assusta, não nos esmaga, não nos angustia. Esta é uma revolução difícil de aceitar na nossa alma humana; a tal ponto que até nas narrações da Ressurreição se diz que as mulheres, depois de ter visto o túmulo vazio e o anjo, «fugiram [...], trémulas e amedrontadas» (Mc 16, 8). Mas Jesus revela-nos que Deus é Pai bom e diz-nos: “Não tenhais medo!”.

Pensemos na parábola do pai misericordioso (cf. Lc 15, 11-32). Jesus narra de um pai que só sabe ser amor para os seus filhos. Um pai que não castiga o filho pela sua arrogância e que é capaz até de lhe confiar a sua parte de herança, deixando-o ir embora de casa. Deus é Pai, diz Jesus, mas não à maneira humana, pois não há pai algum neste mundo que se comportaria como o protagonista dessa parábola. Deus é Pai a seu modo: bom, indefeso diante do livre arbítrio do homem, só capaz de conjugar o verbo “amar”. Quando o filho rebelde, depois de ter desperdiçado tudo, finalmente volta para a casa natal, aquele pai não aplica critérios de justiça humana, mas sente antes de tudo a necessidade de perdoar, e com o seu abraço leva o filho a entender que durante todo aquele longo tempo de ausência lhe fez falta, fez dolorosamente falta ao seu amor de pai.

Que mistério insondável é um Deus que nutre este tipo de amor pelos seus filhos!

Talvez seja por esta razão que, evocando o centro do mistério cristão, o apóstolo Paulo não tem coragem de traduzir em grego uma palavra que Jesus, em aramaico, pronunciava “abá”. No seu epistolário (cf. Rm 8, 15; Gl 4, 6), São Paulo aborda duas vezes este tema, e por duas vezes deixa aquela palavra não traduzida, da mesma forma como brotou dos lábios de Jesus, “abá”, um termo ainda mais íntimo do que “pai”, e que alguns traduzem “papá, papai”.

Caros irmãos e irmãs, nunca estamos sós. Podemos estar longe, ser hostis, podemos até professar-nos “sem Deus”. Mas o Evangelho de Jesus Cristo revela-nos que Deus não consegue estar sem nós: Ele nunca será um Deus “sem o homem”; é Ele que não pode estar sem nós, e este é um grande mistério! Deus não pode ser Deus sem o homem: este é um grande mistério! E esta certeza é a fonte da nossa esperança, que encontramos conservada em todas as invocações do Pai-Nosso. Quando temos necessidade de ajuda, Jesus não nos diz para nos resignarmos e nos fecharmos em nós mesmos, mas para nos dirigirmos ao Pai, pedindo a Ele com confiança. Todas as nossas necessidades, das mais evidentes e diárias, como a comida, a saúde e o trabalho, até àquela de sermos perdoados e ajudados nas tentações, não são o espelho da nossa solidão: ao contrário, há um Pai que nos fita sempre com amor, e que certamente não nos abandona.

Agora faço-vos uma proposta: cada um de nós tem muitos problemas e tantas necessidades. Pensemos um pouco, em silêncio, nestes problemas e nestas dificuldades. Pensemos também no Pai, no nosso Pai, que não pode estar sem nós, e que neste momento está a olhar para nós. E todos juntos, com confiança e esperança, oremos: “Pai nosso, que estais no Céu...”. Obrigado!


Saudações

Amados peregrinos vindos do Brasil e todos vós que aqui vos encontrais de língua portuguesa, sede bem-vindos! A ressurreição de Cristo abriu-nos a estrada para além da morte; e assim temos a estrada desimpedida até ao Céu. Que nada vos impeça de viver e crescer na amizade do Pai celeste, e testemunhar a todos a sua infinita bondade e misericórdia! Sobre vós e vossas famílias, desça abundante a sua Bênção!

Amanhã, às 13 horas, renova-se em diversos países a iniciativa “Um minuto pela paz”, ou seja, um breve momento de oração em recordação do encontro que teve lugar no Vaticano entre mim, o saudoso Presidente israelita Peres e o Presidente palestino Abbas. No nosso tempo há muita necessidade de rezar — cristãos, judeus e muçulmanos — a favor da paz.

Por fim, dirijo um pensamento aos jovens, aos doentes e aos recém-casados. O mês de junho, há pouco encetado, recorda-nos a devoção ao Sagrado Coração de Jesus: diletos jovens, na escola daquele Coração divino crescei na dedicação ao próximo; estimados doentes, no sofrimento uni o vosso coração ao do Filho de Deus; e vós, amados recém-casados, fixai o olhar no Coração de Jesus para aprender o amor incondicional.




Fonte: Vaticano




Regina Coeli com o Papa Francisco - 04.06.2017


Praça São Pedro
Domingo, 4 de junho de 2017








Estimados irmãos e irmãs!

Hoje, festividade de Pentecostes, é publicada a minha Mensagem para o próximo Dia Missionário Mundial, que se celebra todos os anos no mês de outubro. O tema é: A missão no coração da fé cristã. O Espírito Santo sustente a missão da Igreja no mundo inteiro e infunda força em todos os missionários e missionarias do Evangelho. O Espírito conceda paz ao mundo inteiro; e cure as chagas da guerra e do terrorismo, que também esta noite, em Londres, atingiu civis inocentes: oremos pelas vítimas e pelos familiares.

Saúdo todos vós, peregrinos provenientes da Itália e de muitas regiões do mundo, que participastes nesta celebração. De maneira particular, os grupos da Renovação carismática católica, que festeja o 50° aniversário de fundação, e também os irmãos e as irmãs de outras confissões cristãs que se unem à nossa oração. Saúdo as Filhas de Maria Auxiliadora, dos países latino-americanos.

Agora, invoquemos a intercessão maternal da Virgem Maria. Que Ela nos conceda a graça de ser vigorosamente animados pelo Espírito Santo, para darmos testemunho de Cristo com franqueza evangélica.



Fonte: Vaticano




domingo, 4 de junho de 2017

Evangelho da Solenidade de Pentecostes


São João 20, 19-23

Na tarde daquele dia, o primeiro da semana, estando fechadas as portas da casa onde os discípulos se encontravam, com medo dos judeus, veio Jesus, colocou-Se no meio deles e disse-lhes: "A paz esteja convosco". Dito isto, mostrou-lhes as mãos e o lado. Os discípulos ficaram cheios de alegria ao verem o Senhor. Jesus disse-lhes de novo: "A paz esteja convosco. Assim como o Pai Me enviou, também Eu vos envio a vós". Dito isto, soprou sobre eles e disse-lhes: "Recebei o Espírito Santo: àqueles a quem perdoardes os pecados ser-lhes-ão perdoados; e àqueles a quem os retiverdes serão retidos".












Catequese com o Papa Francisco - 31.05.2017


Quarta-feira, 31 de maio de 2017








Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

Na iminência da solenidade de Pentecostes não podemos deixar de falar da relação que há entre a esperança cristã e o Espírito Santo. O Espírito é o vento que nos impele para a frente, que nos mantém no caminho, que nos faz sentir peregrinos e forasteiros, e não permite que descansemos sobre os nossos próprios louros e que nos tornemos um povo “sedentário”.

A Carta aos Hebreus compara a esperança a uma âncora (cf. 6, 18-19); a esta imagem podemos acrescentar a da vela. Se a âncora é o que dá à barca a segurança e a mantém “ancorada” entre as ondas do mar, ao contrário a vela é o que a faz caminhar e avançar sobre as águas. A esperança é deveras como uma vela; ela recolhe o vento do Espírito Santo e transforma-o em força motriz que impele a barca, dependendo das circunstâncias, ao largo ou à beira-mar.

O apóstolo Paulo conclui a sua Carta aos Romanos com estes votos: ouvi bem, escutai bem que auspício bonito: «O Deus da esperança vos encha de toda a alegria e de toda a paz na vossa fé, para que pela virtude do Espírito Santo transbordeis de esperança» (15, 13). Reflitamos um pouco sobre o conteúdo desta belíssima palavra.

A expressão “Deus da esperança” não significa somente que Deus é o objeto da nossa esperança, ou seja, Aquele que esperamos alcançar um dia na vida eterna; quer dizer também que Deus é Aquele que já neste momento nos faz esperar, aliás, nos torna «alegres na esperança» (Rm 12, 12): alegres agora por esperar, e não só esperar para ser alegres. É a alegria de esperar e não esperar para ter alegria, já hoje. “Enquanto houver vida, haverá esperança”, diz o ditado popular; e é verdade também o contrário: enquanto houver esperança, há vida. Os homens necessitam de esperança para viver e precisam do Espírito Santo para esperar.

São Paulo — ouvimos — atribui ao Espírito Santo a capacidade de nos fazer até “transbordar de esperança”. Transbordar de esperança significa nunca desanimar; significa esperar «contra qualquer esperança» (Rm 4, 18), ou seja, esperar até quando falta qualquer motivo humano para esperar, como aconteceu com Abraão no momento em que Deus lhe pediu para sacrificar o único filho, Isac, e como sucedeu também, ainda mais, com a Virgem Maria aos pés da cruz de Jesus.

O Espírito Santo torna possível esta esperança invencível dando-nos o testemunho interior de que somos filhos de Deus e seus herdeiros (cf. Rm 8, 16). Como poderia Aquele que nos entregou o seu único Filho não nos dar também com Ele todas as coisas? (cf. Rm 8, 32). «A esperança — irmãos e irmãs — não desilude: a esperança não engana, porque o amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado» (Rm 5, 5). Portanto, não desilude, porque há o Espírito Santo dentro de nós que nos impele a ir em frente, sempre! E por esta razão, a esperança não desilude.

Há mais: o Espírito Santo não nos torna somente capazes de esperar, mas inclusive de ser semeadores de esperança, de ser também nós — como Ele e graças a Ele — “paráclitos”, ou seja, consoladores e defensores dos irmãos, semeadores de esperança. Um cristão pode semear amarguras, pode semear perplexidades, e isto não é cristão, e quem faz isto não é um bom cristão. Semeia a esperança: semeia óleo de esperança, semeia perfume de esperança e não vinagre de amargura e de desesperança. O Beato cardeal Newman, num seu discurso, dizia aos fiéis: «Instruídos pelo nosso próprio sofrimento, pela nossa própria dor, aliás, pelos nossos próprios pecados, teremos a mente e o coração treinados para qualquer obra de amor em relação aos necessitados. Seremos, conforme a nossa capacidade, consoladores à imagem do Paráclito — ou seja, do Espírito Santo — e em todos os sentidos que esta palavra comporta: advogados, assistentes, portadores de conforto. As nossas palavras e os nossos conselhos, o nosso modo de fazer, a nossa voz, o nosso olhar, serão gentis e tranquilizadores» (Parochial and Plain Sermons, vol. v, Londres 1870, pp. 300 s.). E são sobretudo os pobres, os excluídos, os desamados a precisar de alguém que para eles se torne “paráclito”, ou seja, consolador e defensor, como o Espírito Santo faz com cada um de nós, que estamos aqui na praça, consolador e defensor. Nós devemos fazer o mesmo com os mais necessitados, com os mais descartados, com aqueles que mais precisam, aqueles que mais sofrem. Defensores e consoladores!

O Espírito Santo alimenta a esperança não só no coração dos homens, mas também na criação inteira. Diz o Apóstolo Paulo — parece um pouco estranho, mas é verdade: que também a criação “aguarda ansiosamente” com a esperança de ser também ela libertada e “geme e sofre” como que dores de parto (cf. Rm 8, 20-22). «A energia capaz de mover o mundo não é uma força anónima e cega, mas é a ação do Espírito de Deus que “pairava sobre as águas” (Gn 1, 2) no início da criação» (Bento XVI, Homilia, 31 de maio de 2009). Também isto nos impele a respeitar a criação: não se pode manchar um quadro sem ofender o artista que o criou.

Irmãos e irmãs, a próxima festa de Pentecostes — que é o aniversário da Igreja — nos encontre concordes na oração, com Maria, Mãe de Jesus e nossa. E o dom do Espírito Santo nos faça transbordar de esperança. Dir-vos-ei algo mais: que nos faça prodigalizar esperança a todos aqueles que mais necessitam, que são mais descartados e a todos aqueles que dela precisam. Obrigado.


Saudações

Saúdo cordialmente todos os peregrinos de língua portuguesa, de modo particular os fiéis de Angola, Sendim, Serrinha, Florianópolis e Minas Gerais. Queridos amigos, nestes dias de preparação para a festa de Pentecostes, peçamos ao Senhor que derrame em nós abundantemente os dons do seu Espírito, para que possamos ser testemunhas de Jesus até os confins da terra. Obrigado pela vossa presença.

Dirijo um pensamento especial aos jovens, aos doentes e aos recém-casados. Queridos jovens, colocai em cima de tudo a busca de Deus e do seu amor; prezados doentes, o Paráclito vos seja de ajuda e conforto nos momentos de maior apreensão; e vós, queridos recém-casados, com a graça do Espírito Santo tornai a vossa união cada dia mais firme e profunda.




Fonte: Vaticano




Regina Coeli com o Papa Francisco - 28.05.2017


Praça São Pedro
Domingo, 28 de maio de 2017








Bom dia, prezados irmãos e irmãs!

Hoje, tanto na Itália como noutros países, celebra-se a Ascensão de Jesus ao Céu, ocorrida quarenta dias depois da Páscoa. A página evangélica (cf. Mt 28, 16-20), aquela que encerra o Evangelho de Mateus, apresenta-nos o momento da despedida definitiva do Ressuscitado aos seus discípulos. Esta cena é ambientada na Galileia, o lugar onde Jesus os tinha chamado para o seguir e formar o primeiro núcleo da sua nova comunidade. Agora, aqueles discípulos passaram através do “fogo” da paixão e da ressurreição; prostram-se diante do Senhor Ressuscitado, e no entanto alguns ainda estão duvidosos. A esta comunidade amedrontada, Jesus deixa a imensa tarefa de evangelizar o mundo; e concretiza esta responsabilidade com a ordem de ensinar e de batizar em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo (cf. v. 19).

Por conseguinte, a Ascensão de Jesus ao Céu constitui o fim da missão que o Filho tinha recebido do Pai, e o início da continuação de tal missão por parte da Igreja. Com efeito, a partir deste instante, desde o momento da Ascensão, a presença de Cristo no mundo é mediada pelos seus discípulos, por aqueles que acreditam n’Ele e que o anunciam. Esta missão durará até ao fim da história e beneficiará todos os dias da assistência do Senhor Ressuscitado, que lhes garante: «Eu estou convosco todos os dias, até ao fim do mundo» (v. 20).

E a sua presença infunde fortaleza na hora das perseguições, alívio nas tribulações, sustento nas situações de dificuldade encontradas pela missão e pelo anúncio do Evangelho. A Ascensão recorda-nos esta assistência de Jesus e do seu Espírito que instila confiança, dando segurança ao nosso testemunho cristão no mundo. Ela revela-nos o motivo pelo qual a Igreja existe: a Igreja existe para anunciar o Evangelho, unicamente para isto! Além disso, a alegria da Igreja consiste em anunciar o Evangelho. A Igreja somos todos nós batizados. Hoje somos convidados a compreender melhor que Deus nos concedeu a grandiosa dignidade e a responsabilidade de o anunciar ao mundo, de o tornar acessível à humanidade. Nisto consiste a nossa dignidade, esta é a maior honra de cada um de nós, de todos os batizados!

Nesta festa da Ascensão, enquanto dirigimos o nosso olhar para o Céu, onde Cristo subiu e está sentado à direita do Pai, fortaleçamos os nossos passos na terra para prosseguir com entusiasmo e coragem o nosso caminho, a nossa missão de dar testemunho e de viver o Evangelho em todos os ambientes. No entanto, estamos perfeitamente conscientes de que ela não depende antes de tudo das nossas forças, das capacidades organizacionais e dos recursos humanos. Unicamente com a luz e a força do Espírito Santo podemos cumprir de maneira eficaz a nossa missão de dar a conhecer e de fazer experimentar cada vez mais aos outros o amor e a ternura de Jesus.

Peçamos à Virgem Maria que nos ajude a contemplar os bens celestiais, que o Senhor nos promete, e a tornar-nos testemunhas cada vez mais credíveis da sua Ressurreição, da verdadeira Vida.


Depois do Regina Coeli

Estimados irmãos e irmãs!

Desejo manifestar mais uma vez a minha proximidade ao meu amado Irmão, Papa Tawadros II, assim como a toda a Nação egípcia, que há dois dias foi de novo alvo de um ato de violência feroz. As vítimas, entre as quais havia inclusive crianças, eram fiéis que iam a um santuário para rezar, e foram assassinados porque não quiseram renegar a sua fé cristã. Que o Senhor recebe na sua paz estas testemunhas corajosas, estes mártires, e converta o coração dos terroristas.

E oremos também pelas vítimas do horrível atentado ocorrido na segunda-feira passada em Manchester, onde numerosas jovens vidas foram cruelmente interrompidas. Estou próximo dos familiares e de quantos choram a sua morte.

Celebra-se hoje o Dia Mundial das Comunicações Sociais, sobre o tema: «Não tenhas medo, porque Eu estou contigo» (Is 43, 5). Os meios de comunicação social oferecem a possibilidade de compartilhar e de difundir instantaneamente as notícias de maneira capilar; estas notícias podem ser boas ou más, verdadeiras ou falsas; rezemos a fim de que a comunicação, em todas as suas formas, seja efetivamente construtiva, ao serviço da verdade, rejeitando os preconceitos, e difunda esperança e confiança no nosso tempo.

Saúdo todos vós, estimados romanos e peregrinos: as famílias, os grupos paroquiais, as associações e as escolas.

E saúdo de maneira particular os fiéis provenientes do Colorado; os grupos folclóricos bávaros, vindos para o grandioso desfile no centenário da festividade da Patrona Bavariae; saúdo os fiéis polacos, e concedo a bênção inclusive aos participantes na peregrinação ao Santuário de Piekary.

Quero saudar os Missionários Combonianos, que festejam o sesquicentenário de fundação; a peregrinação das Irmãs Hospitaleiras de Ascoli Piceno; os grupos de Nápoles, Scandicci, Thiesi e Nonantola; bem como os alunos da escola «Sagrado Coração do Verbo Encarnado», de Palermo.

Dirijo um pensamento particular e um encorajamento aos representantes das associações de voluntariado que promovem a doação de órgãos, «gesto nobre e meritório» (Catecismo da Igreja Católica, n. 2.296).

Saúdo também os empregados da «Mediaset» de Roma, com os votos de que a sua situação de trabalho possa ser resolvida, tendo como finalidade o verdadeiro bem da empresa, sem se limitar unicamente ao mero lucro, mas respeitando os direitos de todas as pessoas interessadas: e o primeiro deles é o direito ao trabalho.

Desejo concluir, dirigindo uma grande saudação aos genoveses e um profundo agradecimento pela calorosa hospitalidade que me reservaram ontem. Que o Senhor os abençoe copiosamente e que Nossa Senhora da Guarda os preserve.

Desejo bom domingo a todos! Por favor, não vos esqueçais de rezar por mim. Bom almoço e até à próxima!




Fonte: Vaticano




domingo, 28 de maio de 2017

Evangelho da Solenidade da Ascensão do Senhor - Ano A


São Mateus 28, 16–20

Naquele tempo, os onze discípulos partiram para a Galileia, em direção ao monte que Jesus lhes indicara. Quando O viram, adoraram-n’O; mas alguns ainda duvidaram. Jesus aproximou-Se e disse-lhes: "Todo o poder Me foi dado no Céu e na terra. Ide e ensinai todas as nações, batizando-as em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, ensinando-as a cumprir tudo o que vos mandei. Eu estou sempre convosco até ao fim dos tempos".










domingo, 21 de maio de 2017

Evangelho do VI Domingo da Páscoa - Ano A


São João 14, 15–21

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: "Se Me amardes, guardareis os meus mandamentos. E Eu pedirei ao Pai, que vos dará outro Defensor, para estar sempre convosco: o Espírito da verdade, que o mundo não pode receber, porque não O vê nem O conhece, mas que vós conheceis, porque habita convosco e está em vós. Não vos deixarei órfãos: voltarei para junto de vós. Daqui a pouco o mundo já não Me verá, mas vós ver-me-eis, porque Eu vivo e vós vivereis. Nesse dia reconhecereis que Eu estou no Pai e que vós estais em Mim e Eu em vós. Se alguém aceita os meus mandamentos e os cumpre, esse realmente Me ama. E quem Me ama será amado por meu Pai e Eu amá-lo-ei e manifestar-me-ei a ele".








sábado, 20 de maio de 2017

Catequese com o Papa Francisco - 17.05.2017


Quarta-feira, 17 de maio de 2017








Bom dia, amados irmãos e irmãs!

Durante estas semanas a nossa reflexão move-se, por assim dizer, na órbita do mistério pascal. Hoje encontramos aquela que, segundo os Evangelhos, foi a primeira que viu Jesus ressuscitado: Maria Madalena. Há pouco tinha terminado o repouso do sábado. No dia da paixão não houve tempo para completar os ritos fúnebres; por isso, naquela aurora cheia de tristeza, as mulheres vão ao sepulcro de Jesus com o bálsamo perfumado. A primeira que chega é ela: Maria de Magdala, uma das discípulas que tinham acompanhado Jesus desde a Galileia, colocando-se ao serviço da Igreja nascente. No seu trajeto rumo ao túmulo reflete-se a fidelidade de muitas mulheres que durante anos são devotas às vielas dos cemitérios, em recordação de alguém que já não está entre nós. Os vínculos mais autênticos não são interrompidos nem sequer pela morte: alguns continuam a amar, não obstante a pessoa amada tenha partido para sempre.

O Evangelho (cf. Jo 20, 1-2.11-18) descreve Maria Madalena, pondo de imediato em evidência que ela não era uma mulher que se entusiasmava facilmente. Com efeito, depois da primeira visita ao sepulcro, volta desiludida ao lugar onde os discípulos se escondiam; refere que a pedra foi removida da entrada do túmulo, e a sua primeira hipótese é a mais simples que se possa formular: alguém deve ter roubado o corpo de Jesus. Assim, o primeiro anúncio que Maria faz não é o da Ressurreição, mas de um furto perpetrado por pessoas desconhecidas, enquanto toda a Jerusalém dormia.

Em seguida, os Evangelhos descrevem uma segunda visita de Maria Madalena ao sepulcro de Jesus. Ela era teimosa! Foi, voltou... porque não se convencia! Desta vez o seu andar é lento, extremamente pesado. Maria sofre duplamente: antes de tudo pela morte de Jesus, e depois pelo inexplicável desaparecimento do seu corpo.

Enquanto está inclinada perto do túmulo, com os olhos rasos de água, Deus surpreende-a da maneira mais inesperada. O evangelista João sublinha como a sua cegueira é persistente: não se dá conta da presença de dois anjos que a interrogam, e nem sequer desconfia vendo o homem atrás de si, que ela julga ser o guardião do jardim. E, ao contrário, descobre o acontecimento mais surpreendente da história humana, quando finalmente é chamada por nome: «Maria!» (v. 16).

Como é bonito pensar que a primeira aparição do Ressuscitado — segundo os Evangelhos — teve lugar de um modo tão pessoal! Que há alguém que nos conhece, que vê o nosso sofrimento e a nossa desilusão, que se comove por nós e nos chama pelo nome. É uma lei que encontramos esculpida em muitas páginas do Evangelho. Em volta de Jesus há muitas pessoas que procuram Deus; mas a realidade mais prodigiosa é que, muito antes, há sobretudo Deus que se preocupa com a nossa vida, que a quer reanimar, e para fazer isto chama-nos pelo nome, reconhecendo o semblante pessoal de cada um. Cada homem é uma história de amor que Deus escreve nesta terra. Cada um de nós é uma história de amor de Deus. Deus chama cada um de nós pelo nome: conhece-nos pelo nome, olha para nós, está à nossa espera, perdoa-nos, tem paciência com cada um de nós. É verdade ou não? Cada um de nós vive esta experiência.

E Jesus chama-a: «Maria!». A revolução da sua vida, a revolução destinada a transformar a existência de cada homem e mulher, começa com um nome que ressoa no jardim do sepulcro vazio. Os Evangelhos descrevem-nos a felicidade de Maria: a Ressurreição de Jesus não é uma alegria concedida a conta-gotas, mas é uma cascata que abrange a vida inteira. A existência cristã não é constituída por pequenas felicidades, mas por ondas que subvertem tudo. Procurai pensar também vós, neste instante, com a bagagem de desilusões e de reveses que cada qual tem no seu coração, que há um Deus perto de nós que nos chama pelo nome, dizendo: «Ergue-te, para de chorar, porque Eu vim libertar-te!». Isto é bonito!

Jesus não é alguém que se adapta ao mundo, tolerando que nele perdurem a morte, a tristeza, o ódio, a destruição moral das pessoas... O nosso Deus não é inerte, mas o nosso Deus — permiti-me esta palavra — é um sonhador: sonha a transformação do mundo, tendo-a já realizada no mistério da Ressurreição.

Maria gostaria de abraçar o seu Senhor, mas Ele já está orientado para o Pai celestial, enquanto ela é enviada a levar o anúncio aos irmãos. E assim aquela mulher, que antes de encontrar Jesus estava à mercê do maligno (cf. Lc 8, 2), agora torna-se apóstola de uma esperança nova e maior. A sua intercessão nos ajude a viver, também nós, esta experiência: na hora do pranto e na hora do abandono, ouvir Jesus Ressuscitado que nos chama pelo nome e, com o coração repleto de júbilo, partir para anunciar: «Eu vi o Senhor!» (cf. Jo 20, 18). Mudei de vida porque vi o Senhor! Agora sou diferente de outrora, sou outra pessoa. Mudei porque vi o Senhor — esta é a nossa força e a nossa esperança.


Saudações

De coração saúdo todos os peregrinos de língua portuguesa, particularmente os brasileiros vindos da Bahia, de Fortaleza e Brasília. Queridos amigos, o Senhor sempre está ao nosso lado, mesmo nos momentos mais escuros da nossa vida. Deixemo-nos iluminar pela presença do Senhor Ressuscitado e tornemo-nos suas testemunhas no mundo. Que Deus vos abençoe!

Saúdo cordialmente os peregrinos de expressão árabe, de maneira especial os provenientes do Líbano, da Jordânia do Médio Oriente. Maria Madalena anunciou aos discípulos a esperança da Ressurreição, a fim de que também eles pudessem levar esta Boa Nova ao mundo inteiro. Maria Madalena ensina-nos a perseverar na busca do encontro com o Ressuscitado; a não permitir que a amargura da morte e do luto definhem em nós o desejo de encontrar Jesus; e a deixar que o seu encontro transforme a nossa tristeza em alegria, convertendo-nos em suas testemunhas. O encontro com o Ressuscitado leva-nos a ressurgir e ajuda-nos a fazer ressuscitar também os outros dos sepulcros obscuros da incredulidade. Que o Senhor abençoe todos vós e vos proteja do ‎maligno!‎‎‎‎‎

Dirijo uma saudação particular aos jovens, aos doentes e aos recém-casados. Hoje celebramos a memória litúrgica de São Pascoal Bailão, padroeiro das Associações Eucarísticas. O seu amor pela Eucaristia vos indique, prezados jovens, a importância da fé na presença real de Jesus. O Pão eucarístico vos ajude, amados enfermos, a enfrentar com serenidade a provação; e seja o alimento para vós, caros recém-casados, no crescimento humano e espiritual da vossa nova família.




Fonte: Vaticano




Regina Coeli com o Papa Francisco - 14.05.2017


Praça São Pedro
Domingo, 14 de maio de 2017








Bom dia, prezados irmãos e irmãs!

Ontem à noite voltei da peregrinação a Fátima — saudemos Nossa Senhora de Fátima! — e a nossa prece mariana de hoje adquire um significado especial, repleto de memória e de profecia para quantos contemplam a história com os olhos da fé. Em Fátima imergi-me na prece do santo povo fiel, uma oração que lá escorre há cem anos como um rio, para implorar a proteção maternal de Maria sobre o mundo inteiro. Dou graças ao Senhor que me concedeu ir aos pés da Virgem Mãe como peregrino de esperança e de paz. E agradeço de coração aos Bispos, ao Bispo de Leiria-Fátima, às Autoridades do Estado, ao Presidente da República e a todos aqueles que ofereceram a sua colaboração.

Desde o início, quando na Capelinha das Aparições permaneci por muito tempo em oração, acompanhado pelo silêncio orante de todos os peregrinos, criou-se um clima de recolhimento e contemplação, no qual tiveram lugar os vários momentos de prece. E no centro de tudo estava e está o Senhor Ressuscitado, presente no meio do seu Povo mediante a Palavra e a Eucaristia; presente no meio dos numerosos enfermos, que são protagonistas da vida litúrgica e pastoral de Fátima, assim como de todos os santuários marianos.

Em Fátima a Virgem escolheu o coração inocente e a simplicidade dos pequeninos, Francisco, Jacinta e Lúcia, como depositários da sua mensagem. Estas crianças receberam-na com dignidade, a ponto de serem reconhecidas como testemunhas confiáveis das aparições, tornando-se modelos de vida cristã. Com a canonização de Francisco e Jacinta, eu quis propor à Igreja inteira o seu exemplo de adesão a Cristo e o seu testemunho evangélico, mas também desejei convidar toda a Igreja a cuidar das crianças. A sua santidade não é consequência das aparições, mas da fidelidade e do ardor com que corresponderam ao privilégio recebido, de poder ver a Virgem Maria. Após o encontro com a «bela Senhora» — assim lhe chamavam — elas recitavam frequentemente o Rosário, faziam penitência e ofereciam sacrifícios para alcançar o fim da guerra e pelas almas mais necessitadas da misericórdia divina.

E até hoje há muita necessidade de oração e de penitência para implorar a graça da conversão, para suplicar o fim de tantas guerras que existem em toda a parte no mundo e que se difundem cada vez mais, assim como o fim dos conflitos absurdos, grandes e pequenos, que desfiguram o semblante da humanidade.

Deixemo-nos guiar pela luz que provém de Fátima. O Coração Imaculado de Maria seja sempre o nosso refúgio, a nossa consolação e o caminho que nos há de conduzir a Cristo.


Após o Regina Coeli

Confio a Maria, Rainha da paz, o destino das populações angustiadas por guerras e conflitos, de modo especial no Médio Oriente. Muitas pessoas inocentes são duramente provadas, quer cristãs quer muçulmanas, quer ainda as pertencentes às minorias, como os yazidis, que padecem trágicas violências e discriminações. A minha solidariedade é acompanhada pela recordação orante, enquanto agradeço a quantos se dedicam a ir ao encontro das suas necessidades humanitárias. Encorajo as diferentes comunidades a percorrer o caminho do diálogo e da amizade social para construir um porvir de respeito, de segurança e de paz, distante de qualquer tipo de guerra.

Ontem, em Dublim, foi proclamado Beato o sacerdote jesuíta John Sullivan. Tendo vivido na Irlanda entre os séculos XIX e XX, ele dedicou a própria vida ao ensino e à formação espiritual dos jovens, e era muito amado e procurado como um pai pelos pobres e pelos sofredores. Demos graças a Deus pelo seu testemunho.

Saúdo todos vós, fiéis de Roma e peregrinos da Itália e de vários países. Em particular, os fiéis de Ivrea, Salerno, Valmontone e Rimini; os alunos de Potenza e de Mozzo (Bergamo). Saúdo os participantes na iniciativa denominada «Carrinhos de criança vazios» e o grupo das mães de Bordighera: o futuro das nossas sociedades exige da parte de todos, especialmente das instituições, uma atenção concreta à vida e à maternidade. Eis que este apelo é particularmente significativo hoje, que em muitos países se celebra a festa das mães; recordemos com gratidão e carinho todas as mães, inclusive as nossas mães no Céu, confiando-as a Maria, Mãe de Jesus. E agora faço-vos uma proposta: permaneçamos alguns instantes em silêncio, e cada qual reze pela sua própria mãe.

Desejo bom domingo a todos. Por favor, não vos esqueçais de rezar por mim. Bom almoço e até à vista!




Fonte: Vaticano




Evangelho do V Domingo da Páscoa - Ano A


São João 14, 1–12

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: "Não se perturbe o vosso coração. Se acreditais em Deus, acreditai também em Mim. Em casa de meu Pai há muitas moradas; se assim não fosse, Eu vo-lo teria dito. Vou preparar-vos um lugar e virei novamente para vos levar comigo, para que, onde Eu estou, estejais vós também. Para onde Eu vou, conheceis o caminho". Disse-Lhe Tomé: "Senhor, não sabemos para onde vais: como podemos conhecer o caminho?" Respondeu-lhe Jesus: "Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém vai ao Pai senão por Mim. Se Me conhecêsseis, conheceríeis também o meu Pai. Mas desde agora já O conheceis e já O vistes". Disse-Lhe Filipe: "Senhor, mostra-nos o Pai e isto nos basta". Respondeu-lhe Jesus: "Há tanto tempo que estou convosco e não Me conheces, Filipe? Quem Me vê, vê o Pai. Como podes tu dizer: ‘Mostra-nos o Pai’? Não acreditas que Eu estou no Pai e o Pai está em Mim? As palavras que Eu vos digo, não as digo por Mim próprio; mas é o Pai, permanecendo em Mim, que faz as obras. Acreditai-Me: Eu estou no Pai e o Pai está em Mim; acreditai ao menos pelas minhas obras. Em verdade, em verdade vos digo: quem acredita em Mim fará também as obras que Eu faço e fará ainda maiores que estas, porque Eu vou para o Pai".





Catequese com o Papa Francisco - 10.05.2017


Quarta-feira, 10 de maio de 2017








Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

No nosso itinerário de catequeses sobre a esperança cristã, hoje meditamos sobre Maria, Mãe da esperança. Maria atravessou mais de uma noite no seu caminho de mãe. Desde a primeira menção na história dos evangelhos, a sua figura destaca-se como se fosse o personagem de um drama. Não foi simples responder com um «sim» ao convite do anjo: e no entanto, ainda na flor da idade, ela respondeu com coragem, não obstante nada soubesse do destino que a esperava. Maria, naquele instante, parece uma das muitas mães do nosso mundo, corajosas até ao extremo quando se trata de acolher no próprio ventre a história de um novo homem que nasce.

Aquele «sim» foi o primeiro passo de uma longa lista de obediências — longa lista de obediências! — que acompanharão todo o seu itinerário de mãe. Assim, nos evangelhos Maria aparece como uma mulher silenciosa, que com frequência não compreende tudo o que acontece ao seu redor, mas medita cada palavra e acontecimento no seu coração.

Nesta perspetiva, podemos ver um perfil belíssimo da psicologia de Maria: não é uma mulher que se deprime face às incertezas da vida, especialmente quando nada parece correr bem. Nem sequer uma mulher que protesta com violência, que se enfurece contra o destino da vida que muitas vezes nos revela um semblante hostil. Ao contrário, é uma mulher que ouve: não vos esqueçais que existe sempre uma grande relação entre a esperança e a escuta, e Maria é uma mulher que ouve. Maria acolhe a existência do modo como se apresenta a nós, com os seus dias felizes, mas também com as suas tragédias que nunca gostaríamos de ter encontrado. Até à noite suprema de Maria, quando o seu Filho foi pregado na cruz.

Até àquele dia, Maria tinha quase desaparecido da trama dos evangelhos: os escritores sagrados deixam entender este lento escondimento da sua presença, o seu permanecer muda diante do mistério de um Filho que obedece ao Pai. Contudo, Maria reaparece precisamente no momento crucial: quando grande parte dos amigos fogem por terem medo. As mães não traem, e naquele instante, aos pés da cruz, nenhum de nós pode dizer qual tenha sido a paixão mais cruel: se a de um homem inocente que morre no patíbulo da cruz, ou a agonia de uma mãe que acompanha os últimos instantes da vida do seu filho. Os evangelhos são lacónicos e extremamente discretos. Mencionam com um simples verbo a presença da Mãe: «estava» (Jo 19, 25). Ela estava. Nada dizem sobre a sua reação: se chorou ou não... nada; nem uma pincelada para descrever a sua dor: sobre esses pormenores mais tarde teria irrompido a imaginação de poetas e pintores que nos deixaram imagens que entraram na história da arte e da literatura. Contudo, os evangelhos dizem só: ela «estava». Estava ali, no momento mais triste, mais cruel, e sofria com o filho. «Estava».

Maria «estava», simplesmente estava lá. Ei-la novamente, a jovem de Nazaré, agora com cabelos brancos pelo passar dos anos, ainda ocupada com um Deus que só deve ser abraçado, e com uma vida que chegou ao limiar da escuridão mais densa. Maria «estava» na escuridão mais espessa, mas «estava». Não foi embora. Maria está fielmente presente, cada vez que surge a necessidade de manter uma vela acesa num lugar de bruma e neblina. Nem ela conhece o destino de ressurreição que o seu Filho estava a abrir naquele instante para todos nós, homens: está ali por fidelidade ao plano de Deus do qual se proclamou serva no primeiro dia da sua vocação, mas também por causa do seu instinto de mãe que simplesmente sofre, cada vez que um filho atravessa uma paixão. Os sofrimentos das mães: todos nós conhecemos mulheres fortes que enfrentaram muitos sofrimentos dos filhos!

Encontrá-la-emos no primeiro dia da Igreja, ela, mãe de esperança, no meio daquela comunidade de discípulos tão frágeis: um negou, muitos fugiram, todos sentiram medo (cf. At 1, 14). Mas ela simplesmente estava ali, do modo mais normal, como se fosse algo totalmente natural: na primeira Igreja envolvida pela luz da Ressurreição, mas também pelos tremores dos primeiros passos que devia dar no mundo.

Por isso, todos nós a amamos como Mãe. Não somos órfãos: temos uma mãe no céu, que é a Santa Mãe de Deus. Porque nos ensina a virtude da esperança, até quando tudo parece sem sentido: ela permanece sempre confiante no mistério de Deus, até quando Ele parece desaparecer por culpa do mal do mundo. Que nos momentos de dificuldade, Maria, a Mãe que Jesus ofereceu a todos nós, possa sempre amparar os nossos passos e dizer ao nosso coração: «Levanta-te! Olha em frente, olha para o horizonte», porque Ela é Mãe de esperança. Obrigado.


Saudações

Amados peregrinos de língua portuguesa, saúdo-vos a todos, especialmente aos fiéis de Belo Horizonte e ao grupo «Obra de Maria». Sexta-feira e sábado próximos, se Deus quiser, irei como peregrino a Fátima, para confiar a Nossa Senhora as sortes temporais e eternas da humanidade e suplicar sobre os seus caminhos as bênçãos do Céu. Peço a todos que me acompanhem, como peregrinos da esperança e da paz: as vossas mãos em prece continuem a sustentar as minhas. Oxalá a maior e a melhor das Mães vele por cada um de vós, ao longo de todos os vossos dias até à eternidade!

Dou as cordiais boas-vindas aos peregrinos de língua italiana. Saúdo os participantes na semana ecuménica promovida pelo Movimento dos Focolares e exorto-os a prosseguir o caminho comum da unidade, do diálogo e da amizade entre as religiões e os povos.

Dirijo um pensamento especial aos jovens, aos doentes e aos recém-casados. Sábado próximo celebra-se o centenário das aparições aos três pastorinhos da Bem-Aventurada Virgem Maria de Fátima. Queridos jovens, aprendei a cultivar a devoção à Mãe de Deus, com a recitação diária do Terço; caros doentes, senti a presença de Maria na hora da cruz; e vós, estimados recém-casados, rezai a ela para que nunca falte na vossa casa o amor e o respeito recíproco.




Fonte: Vaticano




Regina Coeli com o Papa Francisco - 07.05.2017


Praça São Pedro
Domingo, 7 de maio de 2017








Amados irmãos e irmãs, bom dia!

No Evangelho deste domingo (cf. Jo 10, 1-10), chamado «domingo do bom pastor», Jesus apresenta-se com duas imagens que se completam reciprocamente. A imagem do pastor e a da porta do redil. O rebanho, que somos todos nós, tem como habitação um redil que serve de refúgio, onde as ovelhas vivem e repousam depois da fadiga do caminho. E o redil tem uma vedação com uma porta, onde está um guarda. Aproximam-se do rebanho diversas pessoas: há quem entra no recinto passando pela porta e quem «nele entra por outro lado» (v. 1). O primeiro é o pastor, o segundo um desconhecido, que não gosta das ovelhas, quer entrar por outros interesses. Jesus identifica-se com o primeiro e manifesta uma relação de familiaridade com as ovelhas, expressa através da voz, com que as chama e que elas reconhecem e seguem (cf. v. 3). Ele chama-as a fim de as levar para fora, para os prados verdejantes onde encontram bom alimento.

A segunda imagem com que Jesus se apresenta é a «porta das ovelhas» (v. 7). Com efeito, diz: se alguém entrar através de mim, será salvo» (v. 9), isto é, terá vida em abundância (cf. v. 10). Cristo, Bom Pastor, tornou-se a porta da salvação da humanidade, porque ofereceu a vida pelas suas ovelhas.

Jesus, bom pastor e porta das ovelhas, é um chefe cuja autoridade se expressa no serviço, um chefe que para comandar doa a vida e não pede a outros que a sacrifiquem. Podemos confiar num chefe como este, como as ovelhas que ouvem a voz do seu pastor porque sabem que com ele se vai para prados bons e abundantes. É suficiente um sinal, uma chamada e elas seguem-no, obedecem, encaminham-se guiadas pela voz daquele que sentem como presença amiga, ao mesmo tempo forte e meiga, que orienta, protege, conforta e cura.

Assim é Cristo para nós. Há uma dimensão da experiência cristã que talvez deixemos um pouco encoberta: a dimensão espiritual e afetiva. Sentir-nos ligados ao Senhor por um vínculo especial como as ovelhas ao seu pastor. Por vezes racionalizamos demasiado a fé e arriscamos perder a perceção do timbre daquela voz, da voz de Jesus bom pastor, que estimula e fascina. Como aconteceu com os dois discípulos de Emaús, aos quais ardia o coração enquanto o Ressuscitado falava ao longo do caminho. É a maravilhosa experiência de se sentir amado por Jesus. Perguntai-vos: «Sinto-me amado por Jesus? Eu sinto-me amada por Jesus?». Para Ele nunca somos desconhecidos, mas amigos e irmãos. Contudo, nem sempre é fácil distinguir a voz do bom pastor. Estai atentos. Há sempre o risco de se distrair com o barulho de tantas vozes. Hoje somos convidados a não nos deixarmos distrair pelas falsas sabedorias deste mundo, mas a seguir Jesus, o Ressuscitado, como única guia segura que dá sentido à nossa vida.

Neste Dia mundial de oração pelas vocações — em particular pelas vocações sacerdotais, para que o Senhor nos envie bons pastores — invoquemos a Virgem Maria: ela acompanhe os dez novos sacerdotes que ordenei há pouco. Pedi a quatro deles da diocese de Roma para virem comigo à janela dar a bênção juntamente comigo. Nossa Senhora ampare com a sua ajuda quantos são chamados por Ele, a fim de que estejam prontos e sejam generosos ao seguir a sua voz.

Depois do Regina Coeli

Dirigiremos amanhã a Súplica a Nossa Senhora do Rosário de Pompeia; neste mês de maio recitemos o Rosário em particular pela paz. Recomendo-vos: recitemos o Rosário pela paz, como pediu a Virgem em Fátima, onde irei em peregrinação daqui a poucos dias, por ocasião do centenário da primeira aparição.

Desejo a todos bom domingo. E por favor não vos esqueçais de rezar por mim. Bom almoço e até à vista!



Fonte: Vaticano




domingo, 7 de maio de 2017

Evangelho do IV Domingo da Páscoa – Domingo do Bom Pastor - Ano A


São João 10, 1–10


Naquele tempo, disse Jesus: "Em verdade, em verdade vos digo: Aquele que não entra no aprisco das ovelhas pela porta, mas entra por outro lado, é ladrão e salteador. Mas aquele que entra pela porta é o pastor das ovelhas. O porteiro abre-lhe a porta e as ovelhas conhecem a sua voz. Ele chama cada uma delas pelo seu nome e leva-as para fora. Depois de ter feito sair todas as que lhe pertencem, caminha à sua frente e as ovelhas seguem-no, porque conhecem a sua voz. Se for um estranho, não o seguem, mas fogem dele, porque não conhecem a voz dos estranhos". Jesus apresentou-lhes esta comparação, mas eles não compreenderam o que queria dizer. Jesus continuou: "Em verdade, em verdade vos digo: Eu sou a porta das ovelhas. Aqueles que vieram antes de Mim são ladrões e salteadores, mas as ovelhas não os escutaram. Eu sou a porta. Quem entrar por Mim será salvo: é como a ovelha que entra e sai do aprisco e encontra pastagem. O ladrão não vem senão para roubar, matar e destruir. Eu vim para que as minhas ovelhas tenham vida e a tenham em abundância".





Catequese com o Papa Francisco - 03.05.2017


Praça São Pedro
Quarta-feira, 3 de maio de 2017








Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

Hoje desejo falar-vos sobre a Viagem apostólica que, com a ajuda de Deus, realizei recentemente ao Egito. Fui àquele país na sequência de um quádruplo convite: do Presidente da República, de Sua Santidade o Patriarca Copto-ortodoxo, do Grande Imã de Al-Azhar e do Patriarca Copto-Católico. Agradeço a cada um deles o acolhimento que me reservaram, verdadeiramente caloroso. E agradeço a todo o povo egípcio a participação e o afeto com que viveu esta visita do Sucessor de Pedro.

O Presidente e as Autoridades civis empenharam-se de forma extraordinária para que este evento pudesse desenrolar-se da melhor maneira possível; para que fosse um sinal de paz, um sinal de paz para o Egito e para toda aquela região, que infelizmente sofre pelos conflitos e pelo terrorismo. Com efeito, o lema da Viagem foi «O Papa da paz num Egito de paz».

A minha visita à Universidade Al-Azhar, a mais antiga universidade islâmica e máxima instituição académica do Islão sunita, teve um duplo horizonte: o diálogo entre os cristãos e os muçulmanos e, ao mesmo tempo, a promoção da paz no mundo. Em Al-Azhar teve lugar o encontro com o Grande Imã, encontro que depois abrangeu a Conferência Internacional pela Paz. Neste contexto apresentei uma reflexão que valorizou a história do Egito como terra de civilização e terra de aliança. Para toda a humanidade o Egito é sinónimo de civilização antiga, de tesouros de arte e de conhecimento; e isto recorda-nos que a paz se constrói mediante a educação, a formação da sabedoria, de um humanismo que engloba como parte integrante a dimensão religiosa, a relação com Deus, como recordou o Grande Imã no seu discurso. A paz constrói-se também partindo novamente da aliança entre Deus e o homem, fundamento da aliança entre todos os homens, baseada no Decálogo escrito nas tábuas de pedra do Sinai, mas muito mais profundamente no coração de cada homem de todos os tempos e lugares, lei que se resume nos dois mandamentos do amor de Deus e do próximo.

Este mesmo fundamento está na base da construção da ordem social e civil, em que são chamados a colaborar todos os cidadãos, de todas as origens, culturas e religiões. Esta visão de laicidade sadia emergiu durante o intercâmbio de discursos com o Presidente da República do Egito, na presença das autoridades do país e do Corpo diplomático. O grande património histórico e religioso do Egito e o seu papel na região do Médio Oriente conferem-lhe uma tarefa peculiar no caminho rumo a uma paz estável e duradoura, que não se apoie no direito da força, mas na força do direito.

Os cristãos, no Egito assim como em cada nação da terra, estão chamados a ser fermento de fraternidade. E isto só é possível se viverem em si mesmos a comunhão em Cristo. Um forte sinal de comunhão, graças a Deus, foi possível oferecê-lo juntamente com o meu querido irmão Papa Tawadros II, Patriarca dos Coptas ortodoxos. Renovamos o compromisso, assinando inclusive uma Declaração Conjunta, de caminhar juntos e de nos comprometermos a fim de que não se repita o Batismo administrado nas respetivas Igrejas. Rezamos juntos pelos mártires dos recentes atentados que atingiram tragicamente aquela Igreja venerável; e o seu sangue fecundou aquele encontro ecuménico, no qual participou também o Patriarca de Constantinopla Bartolomeu: o Patriarca ecuménico, meu querido irmão.

O segundo dia da viagem foi dedicado aos fiéis católicos. A Santa Missa celebrada no Estádio disponibilizado pelas autoridades egípcias foi uma festa de fé e de fraternidade, em que sentimos a presença viva do Senhor Ressuscitado. Ao comentar o Evangelho, exortei a pequena comunidade católica no Egito a reviver a experiência dos discípulos de Emaús: a encontrar sempre em Cristo, Palavra e Pão de vida, a alegria da fé, o fervor da esperança e a força de testemunhar no amor que «encontramos o Senhor!».

Vivi o último momento juntamente com os sacerdotes, os religiosos, as religiosas e os seminaristas, no Seminário Maior. Há muitos seminaristas: esta é uma consolação! Foi uma liturgia da Palavra, na qual foram renovadas as promessas de vida consagrada. Nesta comunidade de homens e mulheres que escolheram oferecer a vida a Cristo pelo Reino de Deus, vi a beleza da Igreja no Egito, e rezei por todos os cristãos no Médio Oriente, para que, guiados pelos seus pastores e acompanhados pelos consagrados, sejam sal e luz naquelas terras, no meio daqueles povos. O Egito, para nós, foi sinal de esperança, de refúgio, de ajuda. Quando aquela parte do mundo estava faminta, Jacob, com os seus filhos, foi lá ter; depois, quando Jesus foi perseguido, foi para lá. Por isso, narrar-vos esta viagem significa percorrer o caminho da esperança: para nós o Egito é aquele sinal de esperança tanto para o passado como para o presente, desta fraternidade que eu quis contar-vos.

Agradeço novamente a quantos tornaram possível esta Viagem e aqueles que de diversas maneiras deram a própria contribuição, especialmente as muitas pessoas que ofereceram as suas orações e os seus sofrimentos. A Sagrada Família de Nazaré, que emigrou para as margens do Nilo fugindo da violência de Herodes, abençoe e proteja sempre o povo egípcio e o guie pelas sendas da prosperidade, da fraternidade e da paz.

Obrigado!

Saudações

Queridos peregrinos de língua portuguesa, sede bem-vindos! A todos saúdo com grande afeto e alegria, de modo especial os grupos vindos do Brasil: os membros da Federação brasileira de Academias de Medicina, bem como os fiéis de Ribeirão Preto, Londrina e Caratinga. Desça sobre vós e vossas famílias a bênção de Deus.

No dia da Festa dos Santos Filipe e Tiago desejo a cada um de vós que a recordação dos Apóstolos, anunciadores jubilosos do Ressuscitado, aumente a fé e encoraje o testemunho do Evangelho.

Enfim, saúdo os jovens, os doentes e os recém-casados. No início do mês mariano invoquemos a intercessão celeste de Maria, Mãe de Jesus. Queridos jovens, aprendei a rezar por ela com a oração simples e eficaz do Rosário; queridos doentes, Nossa Senhora seja o vosso apoio nas provações da dor; queridos recém-casados, imitai o seu amor por Deus e pelos irmãos!




Fonte: Vaticano



Regina Coeli com Papa Francisco - 30.04.2017


Praça São Pedro
Domingo, 30 de abril de 2017








Não param de chegar notícias dramáticas a respeito da situação na Venezuela e do agravar-se dos conflitos, com numerosos mortos, feridos e presos. Enquanto me uno à dor dos familiares das vítimas, pelas quais asseguro as minhas preces de sufrágio, dirijo um apelo urgente ao Governo e a todos os componentes da sociedade venezuelana a fim de que sejam evitadas todas as ulteriores formas de violência, no respeito pelos direitos humanos, e para que se procurem soluções concordadas para a grave crise humanitária, social, política e económica que extenua a população. Confiemos à Santíssima Virgem Maria a intenção da paz, da reconciliação e da democracia naquele amado país. E oremos por todos os países que atravessam graves dificuldades; nestes dias penso em particular na ex-República da Macedónia.

Ontem, em Verona, foi proclamada Beata Leopoldina Naudet, fundadora das Irmãs da Sagrada Família. Cresceu na corte de Habsburgo, primeiro em Florença e depois em Viena, e desde a meninice teve uma forte vocação para a oração, mas também para o serviço educativo. Consagrou-se a Deus e, através de várias experiências, conseguiu formar em Verona uma nova comunidade religiosa, sob a proteção da Sagrada Família, ainda hoje viva na Igreja. Unamo-nos à sua alegria e à sua ação de graças!



Fonte: Vaticano




domingo, 30 de abril de 2017

Evangelho do III Domingo da Páscoa - Ano A


São Lucas 24, 13–35

Dois dos discípulos de Jesus iam a caminho duma povoação chamada Emaús, que ficava a duas léguas de Jerusalém. Conversavam entre si sobre tudo o que tinha sucedido. Enquanto falavam e discutiam, Jesus aproximou-Se deles e pôs-Se com eles a caminho. Mas os seus olhos estavam impedidos de O reconhecerem. Ele perguntou-lhes: "Que palavras são essas que trocais entre vós pelo caminho?" Pararam, com ar muito triste, e um deles, chamado Cléofas, respondeu: "Tu és o único habitante de Jerusalém a ignorar o que lá se passou nestes dias". E Ele perguntou: "Que foi?" Responderam-Lhe: "O que se refere a Jesus de Nazaré, profeta poderoso em obras e palavras diante de Deus e de todo o povo; e como os príncipes dos sacerdotes e os nossos chefes O entregaram para ser condenado à morte e crucificado. Nós esperávamos que fosse Ele quem havia de libertar Israel. Mas, afinal, é já o terceiro dia depois que isto aconteceu. É verdade que algumas mulheres do nosso grupo nos sobressaltaram: foram de madrugada ao sepulcro, não encontraram o corpo de Jesus e vieram dizer que lhes tinham aparecido uns Anjos a anunciar que Ele estava vivo. Alguns dos nossos foram ao sepulcro e encontraram tudo como as mulheres tinham dito. Mas a Ele não O viram". Então Jesus disse-lhes: "Homens sem inteligência e lentos de espírito para acreditar em tudo o que os profetas anunciaram! Não tinha o Messias de sofrer tudo isso para entrar na sua glória?" Depois, começando por Moisés e passando pelos Profetas, explicou-lhes em todas as Escrituras o que Lhe dizia respeito. Ao chegarem perto da povoação para onde iam, Jesus fez menção de seguir para diante. Mas eles convenceram-n’O a ficar, dizendo: "Ficai connosco, porque o dia está a terminar e vem caindo a noite". Jesus entrou e ficou com eles. E quando Se pôs à mesa, tomou o pão, recitou a bênção, partiu-o e entregou-lho. Nesse momento abriram-se-lhes os olhos e reconheceram-n’O. Mas Ele desapareceu da sua presença. Disseram então um para o outro: "Não ardia cá dentro o nosso coração, quando Ele nos falava pelo caminho e nos explicava as Escrituras?" Partiram imediatamente de regresso a Jerusalém e encontraram reunidos os Onze e os que estavam com eles, que diziam: "Na verdade, o Senhor ressuscitou e apareceu a Simão". E eles contaram o que tinha acontecido no caminho e como O tinham reconhecido ao partir o pão.




Catequese com o Papa Francisco - 26.04.2017


Quarta-feira, 26 de abril de 2017









Bom dia, prezados irmãos e irmãs!

«Eu estou convosco todos os dias, até ao fim do mundo» (Mt 28, 20). Estas últimas palavras do Evangelho de Mateus evocam o anúncio profético que encontramos no início: «Ele chamar-se-á Emanuel, que significa Deus connosco» (Mt 1, 23; cf. Is 7, 14). Deus estará ao nosso lado todos os dias, até ao fim do mundo. Jesus caminhará ao nosso lado todos os dias, até ao fim do mundo. O Evangelho inteiro está encerrado entre estas duas citações, palavras que comunicam o mistério de Deus cujo nome, cuja identidade é estar-com: não é um Deus isolado, mas um Deus-com, de modo particular connosco, ou seja, com a criatura humana. O nosso Deus não é um Deus ausente, raptado por um céu remoto; ao contrário, é um Deus «apaixonado» pelo homem, tão ternamente amante que chega a ser incapaz de se separar dele. Nós, humanos, somos peritos em romper vínculos e pontes. Ele, ao contrário, não! Se o nosso coração arrefece, o seu permanece sempre incandescente. O nosso Deus acompanha-nos sempre, inclusive se, por desventura, nos esquecêssemos dele. No ponto que divide a incredulidade da fé, é decisiva a descoberta de que somos amados e acompanhados pelo nosso Pai, que Ele nunca nos deixa sozinhos.

A nossa existência é uma peregrinação, um caminho. Até aqueles que são impelidos por uma esperança simplesmente humana sentem a sedução do horizonte, que os leva a explorar mundos ainda desconhecidos. A nossa alma é uma alma migrante. A Bíblia está cheia de histórias de peregrinos e viajantes. A vocação de Abraão começa com esta exortação: «Deixa a tua terra» (Gn 12, 1). E o patriarca abandona aquele recanto de mundo que conhecia bem e que era um dos berços da civilização do seu tempo. Tudo conspirava contra a sensatez daquela viagem. E no entanto Abraão parte. Não nos tornamos homens e mulheres maduros, se não sentirmos a atração do horizonte: aquele limite entre o céu e a terra que pede para ser alcançado por um povo de caminhantes.

No seu caminhar no mundo, o homem nunca está sozinho. Sobretudo o cristão nunca se sente abandonado, porque Jesus nos garante que não nos aguardará apenas no final da nossa longa viagem, mas que nos acompanhará em cada um dos nossos dias.

Até quando perdurará a atenção de Deus pelo homem? Até quando o Senhor Jesus, que caminha connosco, até quando cuidará de nós? A resposta do Evangelho não deixa margem a dúvidas: até ao fim do mundo! Passarão os céus, passará a terra, serão anuladas as esperanças humanas, mas a Palavra de Deus é maior do que tudo e não passará. E Ele será o Deus connosco, o Deus Jesus que caminha ao nosso lado. Não haverá um dia da nossa vida em que cessaremos de ser uma solicitude para o Coração de Deus. Contudo, alguém poderia dizer: «Mas o que dizes?». Digo isto: não haverá um dia da nossa vida em que deixaremos de ser uma solicitude para o Coração de Deus. Ele preocupa-se connosco, caminha ao nosso lado. E por que faz isto? Simplesmente porque nos ama. Entendestes isto? Ele ama-nos! E sem dúvida Deus proverá a todas as nossas necessidades, não nos abandonará no tempo da prova e da escuridão. É preciso que esta certeza se aninhe no nosso espírito, para nunca mais se apagar. Há quem lhe dê o nome de «Providência». Ou seja, a proximidade de Deus, o amor de Deus, o caminhar de Deus ao nosso lado chama-se também «Providência de Deus»: Ele provê à nossa vida.

Não é por acaso que entre os símbolos cristãos da esperança existe um do qual eu gosto muito: a âncora. Ela exprime que a nossa esperança não é vaga; não deve ser confundida com o sentimento mutável de quem deseja aperfeiçoar as situações deste mundo de maneira irrealista, apostando unicamente na própria força de vontade. Com efeito, a esperança cristã encontra a sua raiz não na atração do futuro, mas na segurança daquilo que Deus nos prometeu e realizou em Jesus Cristo. Se Ele nos garantiu que nunca nos abandonará, se o princípio de cada vocação é um «Segue-me!», com o qual Ele nos assegura que permanecerá sempre à nossa frente, então por que devemos recear? Com esta promessa, os cristãos podem ir por toda a parte. Inclusive atravessando as regiões de um mundo ferido, onde a situação não é boa, nós estamos entre aqueles que até ali continuam a esperar. O salmo reza: «Ainda que eu atravesse um vale escuro, nada temerei, pois estais comigo» (Sl 23, 4). Exatamente onde se propaga a obscuridade é necessário manter acesa uma luz. Voltemos à âncora. A nossa fé é a âncora no céu. Mantemos a nossa vida ancorada no céu? Que devemos fazer? Segurar a corda: ela está sempre ali. E vamos em frente, porque estamos certos de que a nossa vida tem a sua âncora no céu, naquela margem onde chegaremos.

Sem dúvida, se confiássemos apenas nas nossas forças, teríamos razão de nos sentirmos desiludidos e derrotados, porque o mundo se demonstra muitas vezes refratário às leis do amor. Prefere frequentemente as leis do egoísmo. Mas se em nós sobreviver a certeza de que Deus não nos abandona, que Deus ama com ternura tanto a nós como a este mundo, então a perspetiva muda imediatamente. «Homo viator, spe erectus», diziam os antigos. Ao longo do caminho, a promessa de Jesus «Eu estou convosco» leva-nos a estar de pé, erguidos, com esperança, convictos de que o bom Deus já age para realizar aquilo que humanamente parece impossível, porque a âncora está na praia do céu.

O santo povo fiel de Deus é um povo que está de pé — «homo viator» — e caminha, mas de pé, «erectus», caminha na esperança. E onde quer que vá, sabe que o amor de Deus o precedeu: não há região do mundo que evite a vitória de Cristo Ressuscitado. E qual é a vitória de Cristo Ressuscitado? A vitória do amor. Obrigado!



Saudações

Saúdo cordialmente os alunos e professores de Carcavelos e de Porto Alegre e os fiéis da paróquia de Queluz e da comunidade Obra de Maria; saúdo também os Presidentes das Câmaras e os Coordenadores da Região Vinícola da Bairrada, os ciclistas militares e civis e os restantes peregrinos de língua portuguesa. Obrigado pela vossa presença e sobretudo pelas vossas orações! À Virgem Maria confio os vossos passos ao serviço do crescimento dos nossos irmãos e irmãs. Sobre vós e vossas famílias desça a Bênção do Senhor!

Dou as cordiais boas-vindas aos peregrinos de expressão árabe, de modo especial aos provenientes do Médio Oriente! Caros irmãos e irmãs, recordai-vos sempre que a nossa existência é uma peregrinação e que a promessa de Cristo e o amor de Deus, que nos precede, servem de ajuda para o nosso caminhar. O Senhor vos abençoe!

Transmito uma saudação especial aos jovens, aos doentes e aos recém-casados. Ontem celebramos a festa do Evangelista São Marcos. O seu discipulado nos passos de São Paulo vos sirva de exemplo, amados jovens, para vos colocardes no sulco do Salvador; a sua intercessão vos sustente, estimados doentes, na dificuldade e na provação da enfermidade; e o seu Evangelho breve e incisivo vos recorde, diletos recém-casados, a importância da oração no percurso matrimonial que empreendestes.



Fonte: Vaticano




Regina Coeli com o Papa Francisco - 23.04.2017


Praça São Pedro
Domingo da Divina Misericórdia, 23 de abril de 2017









Amados irmãos e irmãs, bom dia!

Nós sabemos que todos os domingos recordamos a ressurreição do Senhor Jesus, mas neste período depois da Páscoa o domingo reveste-se de um significado ainda mais iluminador. Na tradição da Igreja, este domingo, o primeiro depois da Páscoa, era chamado «in albis». Que significa isto? A expressão pretendia recordar o rito que cumpriam quantos tinham recebido o batismo na Vigília de Páscoa. A cada um deles era entregue uma veste branca — «alba», branca» — para indicar a nova dignidade dos filhos de Deus. Ainda hoje se faz isto: aos recém-nascidos oferece-se uma pequena veste simbólica, enquanto os adultos vestem uma verdadeira, como vimos na Vigília pascal. E aquela veste branca, no passado, era usada durante uma semana, até este domingo, e disto deriva o nome in albis deponendis, que significa o domingo no qual se tira a veste branca. E assim, tirando a veste branca, os neófitos começavam a sua nova vida em Cristo e na Igreja.

Há outro aspeto. No Jubileu do Ano 2000, São João Paulo ii estabeleceu que este domingo seja dedicado à Divina Misericórdia. É verdade, foi uma boa intuição: quem inspirou isto foi o Espírito Santo. Concluímos há poucos meses o Jubileu extraordinário da Misericórdia e este domingo convida-nos a retomar com vigor a graça que provém da misericórdia de Deus. O Evangelho de hoje é a narração da aparição de Cristo ressuscitado aos discípulos reunidos no cenáculo (cf. Jo 20, 19-31). São João escreve que Jesus, depois de se ter despedido dos seus discípulos, lhes disse: «Assim como o Pai me enviou, também Eu vos envio a vós». Dito isto, soprou sobre eles e acrescentou: «Recebei o Espírito Santo. Àqueles a quem perdoardes os pecados, ser-lhes-ão perdoados» (vv. 21-23). Eis o sentido da misericórdia que se apresenta precisamente no dia da ressurreição de Jesus como perdão dos pecados. Jesus Ressuscitado transmitiu à sua Igreja, como primeira tarefa, a sua missão de levar a todos o anúncio do perdão. Esta é a primeira tarefa: anunciar o perdão. Este sinal visível da sua misericórdia traz consigo a paz do coração e a alegria do encontro renovado com o Senhor.

A misericórdia à luz da Páscoa deixa-se perceber como uma verdadeira forma de conhecimento. E isto é importante: a misericórdia é uma verdadeira forma de conhecimento. Sabemos que se conhece através de muitas formas. Conhece-se através dos sentidos, da intuição, da razão e ainda de muitas outras formas. Pois bem, pode-se conhecer também através da experiência da misericórdia, porque a misericórdia abre a porta da mente para compreender melhor o mistério de Deus e da nossa existência pessoal. A misericórdia faz-nos compreender que a violência, o rancor, a vingança não têm sentido algum, e a primeira vítima é quem vive estes sentimentos, porque se priva da própria dignidade. A misericórdia abre também a porta do coração e permite expressar a proximidade sobretudo a quantos estão sozinhos e marginalizados, porque os faz sentir irmãos e filhos de um só Pai. Ela favorece o reconhecimento de quantos têm necessidade de consolação e faz encontrar palavras adequadas para dar conforto.

Irmãos e irmãs, a misericórdia aquece o coração e torna-o sensível às necessidades dos irmãos com a partilha e a participação. Em síntese, a misericórdia compromete todos a serem instrumentos de justiça, de reconciliação e de paz. Nunca esqueçamos que a misericórdia é o remate na vida de fé e a forma concreta com a qual damos visibilidade à ressurreição de Jesus.

Maria, Mãe da Misericórdia, nos ajude a crer e a viver tudo isto com alegria.



Depois do Regina Caeli

Estimados irmãos e irmãs!

Ontem em Oviedo, na Espanha, foi proclamado Beato o sacerdote Luís António Rosa Ormières. Tendo vivido no século XIX, consumiu as suas tantas qualidades humanas e espirituais ao serviço da educação, e por isso fundou a Congregação das Irmãs do Santo Anjo da Guarda. O seu exemplo e a sua intercessão ajudem sobretudo quantos trabalham na escola e no campo educativo.

Saúdo de coração todos vós, fiéis romanos e peregrinos da Itália e de tantos países, em particular a Confraria de São Sebastião de Kerkrade (Holanda), o Nigerian Catholic Secretariat e a paróquia Liebfrauen de Bocholt (Alemanha).

Saúdo os peregrinos polacos e manifesto vivo apreço pela iniciativa da Cáritas da Polónia em apoio a tantas famílias na Síria. Uma saudação especial aos devotos da Divina Misericórdia reunidos hoje na igreja de Santo Espírito «in Sassia». Assim como aos participantes na «Corrida pela Paz»: uma corrida que hoje parte desta Praça e chegará a Wittenberg na Alemanha.

Saúdo os numerosos grupos de jovens, especialmente os crismandos ou crismados — sois tantos! — das Dioceses de Piacenza-Bobbio, Trento, Cuneo, Milão, Lodi, Cremona, Bergamo, Brescia e Vicenza. E também a Escola «Masaccio» de Treviso e o Instituto «San Carpoforo» de Como.

Por fim, agradeço a todos os que, neste período, me enviaram mensagens de bons votos de Páscoa. Retribuo de coração invocando sobre cada um e sobre cada família a graça do Senhor Ressuscitado. Bom domingo a todos e, por favor, não vos esqueçais de rezar por mim. Bom almoço e até à vista!



Fonte: Vaticano



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