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domingo, 29 de janeiro de 2017

Evangelho do IV Domingo do Tempo Comum - Ano A


São Mateus 5, 1-12a

Naquele tempo, ao ver as multidões, Jesus subiu ao monte e sentou-Se. Rodearam-n’O os discípulos e Ele começou a ensiná-los, dizendo: "Bem-aventurados os pobres em espírito, porque deles é o reino dos Céus. Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados. Bem-aventurados os humildes, porque possuirão a terra. Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados. Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia. Bem-aventurados os puros de coração, porque verão a Deus. Bem-aventurados os que promovem a paz, porque serão chamados filhos de Deus. Bem-aventurados os que sofrem perseguição por amor da justiça, porque deles é o reino dos Céus. Bem-aventurados sereis, quando, por minha causa, vos insultarem, vos perseguirem e, mentindo, disserem todo o mal contra vós. Alegrai-vos e exultai, porque é grande nos Céus a vossa recompensa".






Catequese com o Papa Francisco - 25.01.2017


Quarta-feira, 25 de janeiro de 2017








Bom dia, estimados irmãos e irmãs!

Entre as figuras femininas que o Antigo Testamento nos apresenta, sobressai a de uma grande heroína do povo: Judite. O Livro bíblico que tem o seu nome descreve a imponente campanha militar do rei Nabucodonosor que, reinando em Nínive, amplia os confins do império derrotando e subjugando todos os povos ao seu redor. O leitor entende que se encontra diante de um inimigo grande e invencível, que semeia morte e destruição, e chega até à Terra Prometida, pondo em perigo a vida dos filhos de Israel.

Com efeito, o exército de Nabucodonosor, sob a guia do general Holofernes, impõe o cerco a uma cidade da Judeia, Betúlia, interrompendo o fornecimento de água, minando assim a resistência da população.

A situação torna-se dramática, a tal ponto que os habitantes da cidade vão ter com os anciãos para lhes pedir que se rendam aos inimigos. As suas palavras são desesperadas: «Agora não há ninguém para nos socorrer, e Deus entregou-nos nas mãos deles, para morrermos de sede, na miséria extrema. Chegaram a dizer isto: “Deus entregou-nos nas mãos deles”; o desespero daquela gente era grande. Entregai toda a cidade em cativeiro ao povo de Holofernes e a todo o seu exército» (Jt 7, 25-26). O fim já parece iniludível, esgotou-se a capacidade de se confiar a Deus. E quantas vezes nós chegamos a situações limite, quando nem sequer sentimos a capacidade de ter confiança no Senhor. É uma tentação horrível! E, paradoxalmente, parece que para fugir da morte não há outra coisa a fazer, a não ser entregar-se nas mãos de quem mata. Sabem que estes soldados entrarão para saquear a cidade, raptar as mulheres como escravas e depois matar todos os outros. É exatamente este «o limite».

E diante de tanto desespero, o chefe do povo procura propor um pretexto de esperança: resistir mais cinco dias, à espera da intervenção salvífica de Deus. Mas é uma esperança frágil, que o leva a concluir: «Mas se esses cinco dias passarem sem que nos venha o socorro, então farei segundo o que dizeis» (7, 25). Pobrezinho: estava sem saída. Concedem cinco dias a Deus — e nisto consiste o pecado — são concedidos cinco dias a Deus para intervir; cinco dias de espera, mas já na perspetiva do fim. Concedem cinco dias a Deus para os salvar, mas sabem que não têm confiança, esperam o pior. Na realidade, no meio do povo já ninguém é capaz de esperar. Estavam desesperados.

É nesta situação que Judite entra em cena. Viúva, mulher de grande beleza e sabedoria, fala ao povo com a linguagem da fé. Corajosa, repreende o povo na cara (dizendo): «Agora tentais o Senhor Todo-Poderoso [...]. Não, irmãos, não provoqueis o Senhor nosso Deus! Se não quiser ajudar-nos nestes cinco dias, Ele tem o poder, nos dias que quiser, para nos ajudar ou então para nos exterminar diante dos nossos inimigos. [...] Por isso, aguardando a salvação da sua parte, supliquemos-lhe que venha em nosso auxílio e Ele escutará a nossa voz, se bem lhe aprouver» (8, 13.14-15.17). É a linguagem da esperança! Batamos à porta do Coração de Deus, Ele é Pai e pode salvar-nos! Aquela mulher, viúva, corre o risco de fazer má figura diante dos outros! Mas é corajosa, vai em frente! Esta é a minha opinião: as mulheres são mais corajosas do que os homens (aplausos na sala).

E com a força de um profeta, Judite repreende os homens do seu povo para os reconduzir à confiança em Deus; com o olhar de um profeta, ela vê mais além do horizonte limitado proposto pelos chefes e que o medo torna ainda mais restrito. Sem dúvida Deus intervirá — afirma ela — enquanto a proposta dos cinco dias de espera é um modo para o tentar e para se subtrair à sua vontade. O Senhor é Deus de salvação — e crê nisto — independentemente da forma que ela assuma. Libertar-se dos inimigos e deixar viver é salvação, mas nos seus planos insondáveis também a entrega à morte pode ser salvação. Como mulher de fé, ela sabe isto. Depois, conhecemos o fim, como termina a história: Deus salva.

Caros irmãos e irmãs, nunca coloquemos condições a Deus mas, ao contrário, deixemos que a esperança vença os nossos receios. Confiar em Deus quer dizer entrar nos seus desígnios sem nada pretender, aceitando inclusive que a sua salvação e o seu auxílio cheguem a nós de modo diverso das nossas expetativas. Pedimos ao Senhor vida, saúde, afetos, felicidade; e é justo fazê-lo, mas com a consciência de que até da morte Deus sabe haurir vida, que é possível experimentar a paz inclusive na doença e que até na solidão pode haver serenidade, e bem-aventurança no pranto. Não somos nós que podemos ensinar a Deus o que Ele deve fazer, aquilo de que temos necessidade. Ele sabe-o melhor do que nós e devemos ter confiança porque os seus caminhos e os seus pensamentos são diferentes dos nossos.

A senda que Judite nos indica é a via da confiança, da espera na paz, da oração e da obediência. É o caminho da esperança. Sem fáceis resignações, fazendo tudo o que está ao nosso alcance, mas permanecendo sempre no sulco da vontade do Senhor, porque — bem sabemos — ela rezou muito, falou tanto ao povo e depois partiu com coragem para procurar o modo de se aproximar do chefe do exército e conseguiu cortar-lhe a cabeça, degolá-lo. É intrépida na fé e nas obras. E procura sempre o Senhor! Com efeito, Judite tem um plano, coloca-o em prática com sucesso e leva o povo à vitória, mas sempre com a atitude de fé de quem aceita tudo das mãos de Deus, convicta da sua bondade.

Deste modo, uma mulher cheia de fé e de coragem dá nova força ao seu povo em perigo mortal e leva-o pelos caminhos da esperança, apontando-o também a nós. Quanto a nós, se tivermos um pouco de memória, quantas vezes ouvimos palavras sábias e corajosas de pessoas humildes, de mulheres simples que na opinião de alguns — sem as desprezar — eram ignorantes... Mas são palavras da sabedoria de Deus! As palavras das avós... Quantas vezes as avós sabem pronunciar a palavra certa, uma palavra de esperança, porque têm a experiência da vida, sofreram muito, confiaram em Deus e o Senhor concede-nos a graça de nos dar o conselho da esperança. E, percorrendo estes caminhos, será alegria e luz pascal confiar-nos ao Senhor com as palavras de Jesus: «Pai, se é do teu agrado, afasta de mim este cálice! Contudo, não se faça a minha vontade, mas a tua» (Lc 22, 42). Esta é a prece da sabedoria, da confiança e da esperança.


Saudações

Dirijo uma cordial saudação aos peregrinos de língua portuguesa, especialmente a quantos vieram do Brasil, convidando todos a permanecer fiéis a Cristo Jesus. Ele desafia-nos a sair do nosso mundo limitado e estreito para o Reino de Deus e a verdadeira liberdade. O Espírito Santo vos ilumine para poderdes levar a Bênção de Deus a todos os homens. A Virgem Mãe vele sobre o vosso caminho e vos proteja!

Enfim dirijo um pensamento especial aos jovens, aos doentes e aos recém-casados. Hoje celebramos a Festa da Conversão de São Paulo. Amados jovens, a figura de Paulo seja para todos vós modelo do discipulado missionário. Prezados doentes, oferecei as vossas esperanças pela causa da unidade da Igreja de Cristo. E vós, diletos recém-casados, inspirai-vos no exemplo do Apóstolo das nações, reconhecendo na vossa vida familiar o primado de Deus e do amor.




Fonte: Vaticano




Angelus com o Papa Francisco - 22.01.2017


Praça São Pedro
Domingo, 22 de janeiro de 2017








Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

A hodierna página evangélica (cf. Mt 4, 12-23) narra o início da pregação de Jesus na Galileia. Ele deixa Nazaré, uma aldeia situada nos montes, e estabelece-se em Cafarnaum, importante centro nas margens do lago, habitado essencialmente por pagãos, ponto de cruzamento entre o Mediterrâneo e o interior da Mesopotâmia. Esta escolha indica que os destinatários da sua pregação não são apenas os seus conterrâneos, mas quantos desembarcam na cosmopolita «Galileia das gentes» (v. 15; cf. Is 8, 23): assim se chamava. Vista da capital Jerusalém, aquela terra é geograficamente periférica e religiosamente impura, porque estava cheia de pagãos, por causa da mistura com os que não pertenciam a Israel. Da Galileia não se esperavam certamente grandes coisas para a história da salvação. No entanto, precisamente dali — exatamente dali — se espalha aquela “luz” sobre a qual meditámos nos domingos passados: a luz de Cristo. Difunde-se precisamente da periferia.

A mensagem de Jesus imita a do Batista, anunciando o «reino dos céus» (v. 17). Este reino não comporta a instauração de um novo poder político, mas o cumprimento da aliança entre Deus e o seu povo que inaugurará uma época de paz e de justiça. Para realizar este pacto de aliança com Deus, cada um está chamado a converter-se, transformando a sua maneira de pensar e de viver. Isto é importante: converter-se não significa só mudar o modo de viver, mas também a forma de pensar. É uma transformação do pensamento. Não se trata de mudar de roupa, mas de costumes. O que diferencia Jesus de João Batista é o estilo e o método. Jesus escolhe ser um profeta itinerante. Não fica à espera das pessoas, mas vai ao seu encontro. Jesus está sempre na rua! As suas primeiras saídas missionárias dão-se ao longo das margens do lago de Galileia, em contacto com a multidão, sobretudo com os pescadores. Ali Jesus não só proclama a vinda do reino de Deus, mas procura companheiros para a sua missão de salvação. Neste mesmo lugar encontra dois pares de irmãos: Simão e André, Tiago e João; chama-os dizendo: «Segui-me, e far-vos-ei pescadores de homens» (v. 19). A chamada alcança-os no auge das suas atividades diárias: o Senhor revela-se a nós não de forma extraordinária ou sensacional, mas na quotidianidade das nossas vidas. Ali devemos encontrar o Senhor; e ali Ele revela-se, faz sentir ao nosso coração o seu amor; e ali — com este diálogo com Ele no dia a dia da vida — muda o nosso coração. A resposta dos quatro pescadores é imediata e pronta: «No mesmo instante eles deixaram as suas redes e o seguiram» (v. 20). Com efeito, sabemos que tinham sido discípulos do Batista e que, graças ao seu testemunho, já tinham iniciado a acreditar em Jesus como Messias (cf. Jo 1, 35-42).

Nós, cristãos de hoje, temos a alegria de proclamar e testemunhar a nossa fé porque houve aquele primeiro anúncio, porque houve aqueles homens humildes e corajosos que responderam generosamente à chamada de Jesus. Nas margens do lago, numa terra inimaginável, nasceu a primeira comunidade dos discípulos de Cristo. A consciência destes primórdios suscite em nós o desejo de levar a palavra, o amor e a ternura de Jesus a todos os contextos, inclusive ao mais inacessível e relutante. Levar a Palavra a todas as periferias! Todos os espaços de vivência humana são terreno no qual lançar a semente do Evangelho, a fim de qu e traga frutos de salvação.

A Virgem Maria nos ajude com a sua intercessão materna a responder com alegria à chamada de Jesus, a colocar-nos ao serviço do Reino de Deus.


Caros irmãos e irmãs!

Estamos na Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos. Este ano ela tem como tema uma expressão, tirada de São Paulo [Pablo], que nos indica o caminho a seguir. E diz assim: «É o amor de Cristo que nos impele para a reconciliação» (cf. 2 Cor 5, 14). Na próxima quarta-feira concluiremos a Semana de Oração com a celebração das Vésperas na Basílica de São Paulo Extramuros, na qual participarão os irmãos e as irmãs das outras Igrejas e Comunidades cristãs presentes em Roma. Convido-vos a perseverar na oração, a fim de que se cumpra o desejo de Jesus: «Para que todos sejam um» (cf. Jo 17, 21).

Nos últimos dias, o terramoto e as fortes nevadas submeteram a uma dura prova muitos nossos irmãos e irmãs da Itália central, especialmente nos Abruzos, Marcas e Lácio. Estou próximo das famílias que tiveram vítimas entres os seus entes queridos com a oração e o afeto. Encorajo quantos estão comprometidos com grande generosidade nas obras de socorro e de assistência; assim como as Igrejas locais, que se prodigalizam para aliviar os sofrimentos e as dificuldades. Muito obrigado por esta proximidade, pelo vosso trabalho e pela ajuda concreta que lhes levais. Obrigado! E convido-vos a rezar juntos a Nossa Senhora pelas vítimas e também por aqueles que se comprometem nas obras de socorro com grande generosidade.

[Oração da Ave-Maria]

No Extremo Oriente e em várias partes do mundo, milhões de homens e mulheres preparam-se para celebrar do ano novo lunar no dia 28 de janeiro. A minha cordial saudação chegue a todas as suas famílias, com os bons votos a fim de que eles se tornem cada vez mais uma escola onde se aprende a respeitar o próximo, a comunicar e a cuidar uns dos outros de forma desinteressada. Possa a alegria do amor propagar-se no seio das famílias e delas irradiar-se para toda a sociedade.

Saúdo todos vós, fiéis de Roma e peregrinos de vários países, em particular o grupo de jovens de Panamá e os estudantes do Instituto “Diego Sánchez” de Talavera la Real (Espanha).

Saúdo os sócios da União Católica de Professores, Dirigentes, Educadores e Formadores, que terminou o 25º Congresso nacional, e desejo-lhes um frutuoso trabalho educativo, em colaboração com as famílias. Sempre em colaboração com as famílias!

A todos desejo um bom domingo. E, por favor, não vos esqueçais de rezar por mim. Bom almoço e até à vista!




Fonte: Vaticano




domingo, 22 de janeiro de 2017

Evangelho do III Domingo do Tempo Comum - Ano A


São Mateus 4, 12-23

Quando Jesus ouviu dizer que João Batista fora preso, retirou-Se para a Galileia. Deixou Nazaré e foi habitar em Cafarnaum, terra à beira-mar, no território de Zabulão e Neftali. Assim se cumpria o que o profeta Isaías anunciara, ao dizer: "Terra de Zabulão e terra de Neftali, estrada do mar, além do Jordão, Galileia dos gentios: o povo que vivia nas trevas viu uma grande luz; para aqueles que habitavam na sombria região da morte, uma luz se levantou". Desde então, Jesus começou a pregar: "Arrependei-vos, porque o reino de Deus está próximo". Caminhando ao longo do mar da Galileia, viu dois irmãos: Simão, chamado Pedro, e seu irmão André, que lançavam as redes ao mar, pois eram pescadores. Disse-lhes Jesus: "Vinde e segui-Me e farei de vós pescadores de homens". Eles deixaram logo as redes e seguiram-n’O. Um pouco mais adiante, viu outros dois irmãos: Tiago, filho de Zebedeu, e seu irmão João, que estavam no barco, na companhia de seu pai Zebedeu, a consertar as redes. Jesus chamou-os e eles, deixando o barco e o pai, seguiram-n’O. Depois começou a percorrer toda a Galileia, ensinando nas sinagogas, proclamando o Evangelho do reino e curando todas as doenças e enfermidades entre o povo.





Catequese com o Papa Francisco - 18.01.2017


Quarta-feira, 18 de janeiro de 2017







Bom dia, caros irmãos e irmãs!

Na Sagrada Escritura, entre os profetas de Israel sobressai uma figura um pouco singular, um profeta que procura subtrair-se à chamada do Senhor, rejeitando pôr-se ao serviço do plano divino de salvação. Trata-se do profeta Jonas, cuja história se narra num livrinho de apenas quatro capítulos, uma espécie de parábola portadora de um grande ensinamento, o da misericórdia de Deus que perdoa.

Jonas é um profeta «em saída» e também um profeta em fuga! É um profeta em saída, que Deus envia «para a periferia», Nínive, para converter os habitantes daquela grande cidade. Mas para um israelita como Jonas, Nínive representava uma realidade insidiosa, o inimigo que punha em perigo a própria Jerusalém, e portanto devia ser destruída, certamente não salva. Por isso, quando Deus envia Jonas a pregar naquela cidade, o profeta que conhece a bondade do Senhor e o seu desejo de perdoar, procura subtrair-se à sua tarefa e foge.

Durante a sua fuga, o profeta entra em contacto com alguns pagãos, os marinheiros da nau na qual tinha embarcado para se afastar de Deus e da sua missão. E foge para longe, porque Nínive estava situada na região do Iraque e ele foge para a Espanha, foge a sério. E é exatamente o comportamento daqueles homens pagãos, como depois será o dos habitantes de Nínive, que hoje nos permite refletir um pouco sobre a esperança que, diante do perigo e da morte, se exprime na oração.

Com efeito, durante a travessia do mar, abate-se uma tremenda tempestade e Jonas desce ao porão do navio, abandonando-se ao sono. Os marinheiros, ao contrário, vendo-se perdidos, «puseram-se a invocar cada qual o seu deus»: eram pagãos (Jn 1, 5). O capitão do navio acorda Jonas, dizendo-lhe: «O que fazes, dormes? Levanta-te e invoca o teu Deus, para ver se porventura Ele se lembra de nós e nos livra da morte» (Jn 1, 6).

A reação daqueles «pagãos» é a reação justa perante a morte, diante do perigo; porque é então que o homem faz uma experiência completa da sua fragilidade e da sua necessidade de salvação. O instintivo terror de morrer revela a necessidade de esperar no Deus da vida. «Para ver se porventura Ele se lembra de nós e nos livra da morte»: são as palavras da esperança que se torna oração, aquela súplica cheia de angústia que se eleva dos lábios do homem diante de um iminente perigo de morte.

Com muita facilidade desprezamos a súplica a Deus na necessidade, como se fosse apenas uma oração interessada e por isso imperfeita. Mas Deus conhece a nossa debilidade, sabe que nos recordamos dele para pedir ajuda, e com o sorriso indulgente de um pai, Deus responde benignamente.

Quando Jonas, reconhecendo as suas responsabilidades, se deixa lançar ao mar para salvar os seus companheiros de viagem, a tempestade aplaca-se. A morte incumbente impeliu aqueles homens pagãos à oração, fez com que o profeta, não obstante tudo, vivesse a sua vocação ao serviço dos outros aceitando sacrificar-se por eles, e agora leva os sobreviventes ao reconhecimento do verdadeiro Senhor e ao louvor. Os marinheiros que, tomados pelo medo, tinham rezado dirigindo-se aos próprios deuses, agora com sincero temor do Senhor reconhecem o verdadeiro Deus, oferecem sacrifícios e cumprem votos. A esperança que os tinha induzido a rezar para não morrer revela-se ainda mais poderosa e concretiza uma realidade que vai até além daquilo que eles esperavam: não só não perecem na tempestade, mas abrem-se ao reconhecimento do verdadeiro e único Senhor do céu e da terra.

Sucessivamente, também os habitantes de Nínive, diante da perspetiva de ser destruídos, rezarão impelidos pela esperança no perdão de Deus. Farão penitência, invocarão o Senhor e converter-se-ão a Ele, a começar pelo rei que, como o capitão do navio, dá voz à esperança dizendo: «Talvez Deus se arrependa [...] e não nos deixe perecer!» (Jn 3, 9). Inclusive para eles, assim como para a tripulação na tempestade, ter enfrentado a morte e dela ter saído vivos guiou-os à verdade. Assim, sob a misericórdia divina, e ainda mais à luz do mistério pascal, a morte pode tornar-se, como foi para São Francisco de Assis, «nossa irmã morte» e representar, para cada homem e para cada um de nós, a surpreendente ocasião de conhecer a esperança e de encontrar o Senhor. Que o Senhor nos leve a entender este vínculo entre oração e esperança. A oração leva-te em frente na esperança, e quando a situação se torna obscura, é preciso rezar mais! E haverá mais esperança.

Obrigado!

Saudações

Recordo com emoção a prece ecuménica em Lund, na Suécia, no dia 31 de outubro passado. No espírito daquela comemoração comum da Reforma, nós olhamos mais para o que nos une do que para quanto nos divide, e prosseguimos o caminho juntos para aprofundar a nossa comunhão e para lhe dar uma forma cada vez mais visível.

Na Europa esta fé comum em Cristo é como um fio verde de esperança: pertencemos uns aos outros. Comunhão, reconciliação e unidade são possíveis! Como cristãos, temos a responsabilidade desta mensagem e devemos testemunhá-la com a nossa vida. Deus abençoe esta vontade de união e preserve todas as pessoas que percorrem o caminho da unidade.

Com sentimentos de grata estima, vos saúdo, caríssimos peregrinos de língua portuguesa, em particular a vós, jovens do grupo «The Brazilian Tropical Violins», lembrando a todos que hoje tem início o Oitavário de Oração pela Unidade dos Cristãos, um motivo mais de apelo à nossa comunhão de preces e de esperanças. O movimento ecuménico vai frutificando, com a graça de Deus. O Pai do Céu continue a derramar as suas bênçãos sobre os passos de todos os seus filhos. Irmãs e irmãos muito amados, servi a causa da unidade e da paz!

Dirijo as cordiais boas-vindas aos peregrinos de língua árabe, em particular aos provenientes do Médio Oriente! Estimados irmãos e irmãs, a oração é a chave que abre o Coração misericordioso de Deus. É a maior força da Igreja, que nunca devemos abandonar. Sede «perseverantes e concordes na oração», como o foram Nossa Senhora e os Apóstolos. O Senhor vos abençoe!

Finalmente, saúdo os jovens, os doentes e os recém-casados. Hoje tem início a Semana de oração pela unidade dos cristãos, que este ano nos leva a meditar sobre o amor de Cristo que impele rumo à reconciliação. Amados jovens, rezai a fim de que todos os cristãos voltem a ser uma única família; estimados doentes, oferecei os vossos sofrimentos pela causa da unidade da Igreja; e vós, diletos recém-casados, vivei a experiência do amor gratuito, como é o de Deus pela unidade.




Fonte: Vaticano




Angelus com o Papa Francisco - 15.01.2017


Praça São Pedro
Domingo, 15 de janeiro de 2017










Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

No centro do Evangelho de hoje (Jo 1, 29-34) está essa palavra de João Batista: «Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo!» (v. 29). Uma palavra acompanhada pelo olhar e pelo gesto da mão que indicam Ele, Jesus.

Imaginemos a cena. Estamos na margem do rio Jordão. João está a batizar; há muita gente, homens e mulheres de várias idades, que ali chegaram, ao rio, para receber o batismo das mãos daquele homem que a muitos recordava Elias, o grande profeta que nove séculos antes tinha purificado os israelitas da idolatria, reconduzindo-os à verdadeira fé no Deus da aliança, o Deus de Abraão, de Isac e de Jacob.

João prega que o reino dos céus está próximo, que o Messias está para se manifestar e é necessário preparar-se, converter-se e comportar-se com justiça; e começa a batizar no Jordão para dar ao povo um meio concreto de penitência (cf. Mt 3, 1-6). Esta gente ia para se arrepender dos próprios pecados, para fazer penitência, para recomeçar a vida. Ele sabe, João sabe que o Messias, o Consagrado do Senhor já está próximo, e o sinal para o reconhecer será quando sobre Ele se pousar o Espírito Santo; com efeito, Ele trará o verdadeiro batismo, o batismo no Espírito Santo (cf. Jo 1, 33).

Eis que o momento chega: Jesus apresenta-se à margem do rio, no meio do povo, dos pecadores — como todos nós. É o seu primeiro ato público, a primeira coisa que faz quando deixa a casa de Nazaré, com trinta anos: desce à Judeia, vai ao Jordão e deixa-se batizar por João. Sabemos que algo acontece — celebrámo-lo no domingo passado: sobre Jesus desce o Espírito Santo em forma de uma pomba e a voz do Pai proclama-o Filho predileto (cf. Mt 3, 16-17). É o sinal que João esperava. É ele! Jesus é o Messias. João está desconcertado, porque se manifestou de um modo inimaginável: no meio dos pecadores, batizado como eles, aliás, por eles. Mas o Espírito ilumina João e faz-lhe compreender que deste modo se cumpre a justiça de Deus, se cumpre o seu desígnio de salvação: Jesus é o Messias, o Rei de Israel, não com a poder deste mundo, mas sim como Cordeiro de Deus, que assume sobre si e tira o pecado do mundo.

Assim João indica-o ao povo e aos seus discípulos. Porque João tinha um amplo círculo de discípulos, que o escolheram como guia espiritual, e precisamente alguns deles se tornaram os primeiros discípulos de Jesus. Conhecemos bem os seus nomes: Simão, depois chamado Pedro, seu irmão André, Tiago e seu irmão João. Todos pescadores; todos galileus, como Jesus.

Queridos irmãos e irmãs, porque nos detemos prolongadamente sobre esta cena? Porque é decisiva! Não é uma anedota. É um facto histórico decisivo! Esta cena é determinante para a nossa fé; e é crucial também para a missão da Igreja. A Igreja, em todas as épocas, é chamada a fazer aquilo que fez João Batista, indicar Jesus ao povo dizendo: «Eis o Cordeiro de Deus, Aquele que tira o pecado do mundo!». Ele é o único Salvador! Ele é o Senhor, humilde, no meio dos pecadores, mas é Ele, Ele: não é outro, poderoso, que vem; não, não, é Ele!

E estas são as palavras que nós sacerdotes repetimos todos os dias, durante a Missa, quando apresentamos ao povo o pão e o vinho que se tornam o Corpo e o Sangue de Cristo. Este gesto litúrgico representa toda a missão da Igreja, a qual não se anuncia a si mesma. Ai, ai da Igreja quando se anuncia a si mesma; perde a bússola, não sabe para onde vai! A Igreja anuncia Cristo; não se traz a si mesma, mas Cristo. Pois, é só Ele e unicamente Ele que salva o seu povo do pecado, que o liberta e o guia para a terra da verdadeira liberdade. Que a Virgem Maria, Mãe do Cordeiro de Deus, nos ajude a acreditar n’Ele e a segui-lo.

Depois do Angelus

Queridos irmãos e irmãs!

Hoje celebramos o Dia Mundial do Migrante e do Refugiado, dedicado ao tema «Migrantes menores de idade, vulneráveis e sem voz». Estes nossos pequenos irmãos, especialmente se não acompanhados, estão expostos e muitos perigos. E digo-vos que são tantos! É necessário tomar todas as medidas possíveis para garantir aos migrantes menores a proteção e a defesa, mas também a sua integração.

Dirijo uma saudação especial às representações de diversas comunidades étnicas aqui congregadas. Caros amigos, faço votos para que possais viver serenamente nas localidades que vos acolherem, respeitando as suas leis e tradições e, ao mesmo tempo, preservando os valores das vossas culturas de origem. O encontro entre várias culturas é sempre um enriquecimento para todos! Agradeço ao Secretariado para os Migrantes da Diocese de Roma e a quantos se dedicam aos migrantes para os acolher e acompanhar nas suas dificuldades, e encorajo-os a prosseguir nesta obra, recordando o exemplo de Santa Francisca Xavier Cabrini, padroeira dos migrantes, cujo centenário da morte se comemora este ano. Esta irmã corajosa dedicou a sua vida para levar o amor de Cristo a quantos estavam longe da pátria e da família. O seu testemunho nos ajude a cuidar do irmão estrangeiro, no qual está presente Jesus, muitas vezes sofredor, rejeitado e humilhado. Quantas vezes na Bíblia o Senhor nos pediu para acolher os migrantes e os forasteiros, recordando-nos que também nós somos forasteiros!

Saúdo com afeto todos vós, queridos irmãos provenientes de diversas paróquias da Itália e de outros países, assim como as associações e os vários grupos. Em particular, os estudantes do Instituto Meléndez Valdés de Villafranca de los Barros, Espanha.

A todos desejo bom domingo e bom almoço. E, por favor, não vos esqueçais de rezar por mim. Obrigado.




Fonte: Vaticano




domingo, 15 de janeiro de 2017

Evangelho do II Domingo do Tempo Comum - Ano A


São João 1, 29-34

Naquele tempo, João Batista viu Jesus, que vinha ao seu encontro, e exclamou: "Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo. Era d’Ele que eu dizia: ‘Depois de mim virá um homem, que passou à minha frente, porque existia antes de mim’. Eu não O conhecia, mas para Ele Se manifestar a Israel é que eu vim batizar em água". João deu mais este testemunho: "Eu vi o Espírito Santo descer do Céu como uma pomba e repousar sobre Ele. Eu não O conhecia, mas quem me enviou a baptizar em água é que me disse: ‘Aquele sobre quem vires o Espírito Santo descer e repousar é que baptiza no Espírito Santo’. Ora, eu vi e dou testemunho de que Ele é o Filho de Deus".









Catequese com o Papa Francisco - 11.01.2017


Quarta-feira, 11 de janeiro de 2017








Amados irmãos e irmãs, bom dia!

No passado mês de dezembro e na primeira parte de janeiro celebrámos o tempo do Advento e depois o do Natal: um período do ano litúrgico que desperta a esperança no povo de Deus. Esperar é uma necessidade primária do homem: esperar no futuro, acreditar na vida, o chamado «pensar positivo».

Mas é importante que esta esperança seja posta naquilo que pode deveras ajudar a viver e a dar sentido à nossa existência. É por isso que a Sagrada Escritura nos admoesta contra as falsas esperanças que o mundo nos apresenta, desmascarando a sua inutilidade e mostrando a sua insensatez. E faz isto de várias maneiras, mas sobretudo denunciando a falsidade dos ídolos nos quais o homem é continuamente tentado a pôr a sua confiança, fazendo deles objeto da sua esperança.

Em particular os profetas e sábios insistem sobre isto, tocando um ponto nevrálgico do caminho de fé do crente. Porque fé significa confiar em Deus — quem tem fé, confia em Deus — mas chega o momento em que, confrontando-se com as dificuldades da vida, o homem experimenta a fragilidade daquela confiança e sente a necessidade de certezas diversas, de seguranças tangíveis, concretas. Confio em Deus, mas a situação é um pouco crítica e eu preciso de uma certeza um pouco mais concreta. E está ali o perigo! Então somos tentados a procurar consolações até efémeras, que parecem preencher o vazio da solidão e aliviar a fadiga do crer. E pensamos que as devemos encontrar na segurança que o dinheiro pode dar, nas alianças com os poderosos, na mundanidade, nas falsas ideologias. Por vezes procuramo-las num deus que se possa submeter aos nossos pedidos e magicamente intervir para mudar a realidade e torná-la como a queremos; um ídolo, precisamente, que como tal nada pode fazer, impotente e mentiroso. Mas nós gostamos dos ídolos, gostamos tanto! Certa vez, em Buenos Aires, devia ir de uma igreja para outra, mil metros, mais ou menos. E fi-lo a pé. Há um parque no meio, e no parque havia pequenas mesinhas, mas muitas, tantas, onde estavam sentados os videntes. Estava cheio de gente, que faziam até a fila. Tu davas-lhe a mão e ele começava, mas, a conversa era sempre a mesma: há uma mulher na tua vida, há uma sombra que vem mas tudo vai correr bem... E depois, pagavas. E isto dá-te segurança? É a segurança de uma — permiti-me a palavra — de uma estupidez. Ir ter com o vidente ou a vidente que leem as cartas: isto é um ídolo! Isto é o ídolo, e quando nós lhes estamos tão afeiçoados: compramos falsas esperanças. Enquanto que na esperança da gratuitidade, que Jesus Cristo nos trouxe, gratuitamente dando a vida por nós, por vezes não confiamos muito nela.

Um salmo cheio de sabedoria apresenta-nos de modo muito sugestivo a falsidade destes ídolos que o mundo oferece à nossa esperança e na qual os homens de todas as épocas são tentados a confiar. É o Salmo 115, que recita assim:

«Os ídolos deles são prata e ouro, obra das mãos dos homens. / Têm boca, mas não falam; olhos têm, mas não veem. / Têm ouvidos, mas não ouvem; narizes têm, mas não cheiram. / Têm mãos, mas não apalpam; pés têm, mas não andam; nem som algum sai da sua garganta. / A eles se tornem semelhantes os que os fazem, assim como todos os que neles confiam!» (vv. 4-8)

O salmista apresenta-nos, de maneira também um pouco irónica, a realidade absolutamente efémera destes ídolos. E devemos compreender que não se trata só de representações feitas de metal ou de outro material, mas também das que são construídas com a nossa mente, quando confiamos em realidades limitadas que transformamos em absolutas, ou quando reduzimos Deus aos nossos esquemas e às nossas ideias de divindade; um deus que se parece connosco, compreensível, previsível, precisamente como os ídolos dos quais fala o Salmo. O homem, imagem de Deus, fabrica para si mesmo um deus à sua própria imagem, e é até uma imagem mal feita: não ouve, não age e sobretudo não pode falar. Mas, nós ficamos mais contentes por ir ter com os ídolos do que com o Senhor. Muitas vezes sentimo-nos mais felizes com a esperança efémera que este falso ídolo nos dá, do que com a grande esperança certa que dá o Senhor.

À esperança num Senhor da vida que com a sua Palavra criou o mundo e conduz as nossas existências, contrapõe-se a confiança em simulacros mudos. As ideologias com a sua pretensão de absoluto, as riquezas — e isto é um grande ídolo — o poder e o sucesso, a vaidade, com a sua ilusão de eternidade e de omnipotência, valores como a beleza física e a saúde, quando se tornam ídolos aos quais sacrificar tudo, são realidades que confundem a mente e o coração, e em vez de favorecer a vida conduzem à morte. É mau e faz mal à alma ouvir aquilo que uma vez, há anos, escutei, na diocese de Buenos Aires: uma mulher bondosa, muito bonita, gabava-se da beleza, comentava, como se fosse natural: “Ah, sim, tive que abortar porque a minha figura é muito importante”. São estes os ídolos, e levam-te pelo caminho errado e não te dão a felicidade.

A mensagem do Salmo é muito clara: se pusermos a esperança nos ídolos, tornamo-nos como eles: imagens vazias com mãos que não tocam, pés que não caminham, lábios que não podem falar. Não temos mais nada a dizer, tornamo-nos incapazes de ajudar, de mudar as coisas, incapazes de sorrir, de nos doarmos, incapazes de amar. E também nós, homens de Igreja, corremos este risco quando nos “mundanizamos”. É necessário permanecer no mundo mas defender-se das ilusões do mundo, que são estes ídolos que mencionei.

Como prossegue o Salmo, é preciso confiar e esperar em Deus, e Deus concederá a bênção. Diz assim o Salmo:

«Israel, confia no Senhor [...] / Casa de Aarão, confia no Senhor [...] / Vós, os que temeis ao Senhor, confiai no Senhor [...] / O Senhor lembrou-se de nós; ele nos abençoará» (vv. 9.10.11.12).

O Senhor recorda-se sempre. Até nos maus momentos ele se recorda de nós. E esta é a nossa esperança. E a esperança não desilude. Nunca. Nunca. Os ídolos desiludem sempre: são fantasias, não são realidades.

Eis a maravilhosa realidade da esperança: se confiarmos no Senhor tornamo-nos como Ele, a sua bênção transforma-nos em seus filhos, que partilham a sua vida. A esperança em Deus faz-nos entrar, por assim dizer, no raio de ação da sua recordação, da sua memória que nos bendiz e nos salva. E então pode brotar o aleluia, o louvor ao Deus vivo e verdadeiro, que por nós nasceu de Maria, morreu na cruz e ressuscitou na glória. E neste Deus nós temos esperança, e este Deus — que nunca é um ídolo — nunca desilude.

Saudação

Quero dizer-vos agora uma coisa que não gostaria de dizer, mas tenho que o fazer. Para entrar nas audiências há bilhetes nos quais está escrito numa, duas, três, quatro, cinco e seis línguas que «O bilhete é totalmente gratuito». Para entrar na audiência, quer na sala [Paulo VI] quer na praça, não se deve pagar, é uma visita gratuita que se faz ao Papa para falar com o Papa, com o bispo de Roma. Mas soube que há espertalhões, que pedem dinheiro pelos bilhetes. Se alguém disser que para aceder à audiência com o Papa é preciso pagar alguma quantia, está a burlar-te: está atento, está atenta! A entrada é gratuita. Aqui entra-se sem pagar, porque esta é casa de todos. Se alguém pretender que pagueis para entrar na audiência comete um crime, como um delinquente, e faz algo que não se deve fazer!

Amados peregrinos de língua portuguesa, cordiais saudações para todos vós, de modo especial para os membros do Grupo de Cavaquinhos de Passos de Silgueiros. Cantais bem! Sobre os vossos passos, invoco a graça do encontro com Deus: Jesus Cristo é a Tenda divina no meio de nós. Ide até Ele, vivei na sua amizade e tereis a vida eterna. Sobre vós e vossas famílias desça a Bênção de Deus!




Fonte: Vaticano




Angelus com o Papa Francisco - 08.01.2017


Praça São Pedro
Domingo, 8 de janeiro de 2017









Prezados irmãos e irmãs, bom dia!

Hoje, festa do Batismo de Jesus, o Evangelho (Mt 3, 13-17) apresenta-nos a cena ocorrida na margem do rio Jordão: no meio da multidão penitente que caminha rumo a João Batista para receber o batismo encontra-se também Jesus. Estava na fila. João gostaria de o impedir, dizendo: «Eu devo ser batizado por ti!» (Mt 3, 14). Com efeito, João Batista está consciente da grande distância que existe entre ele e Jesus. Mas Jesus veio exatamente para preencher a lacuna entre o homem e Deus: se Ele está inteiramente da parte de Deus, está também totalmente da parte do homem, reunindo o que estava dividido. É por isso que pede a João que o batize, a fim de que se cumpra toda a justiça (cf. v. 15), ou seja, que se realize o desígnio do Pai que passa através do caminho da obediência e da solidariedade para com o homem frágil e pecador, da vereda da humildade e da plena proximidade de Deus aos seus filhos. Porque Deus está muito próximo de nós, muito!

No momento em que Jesus, batizado por João, sai das águas do rio Jordão, a voz de Deus Pai faz-se ouvir do alto: «Eis o meu Filho muito amado, em quem depositei a minha complacência» (v. 17). E ao mesmo tempo o Espírito Santo, em forma de pomba, pousa sobre Jesus, que dá publicamente início à sua missão de salvação; missão caracterizada por um estilo, o estilo do servo humilde e manso, munido unicamente da força da verdade, como Isaías tinha profetizado: «Ele não gritatá, nunca elevará a sua voz, [...] Não quebrará o caniço rachado, não extinguirá a mecha que ainda fumega. Anunciará com toda a franqueza a verdadeira religião» (42, 2-3). Servo humilde e manso.

Eis o estilo de Jesus, e também o estilo missionário dos discípulos de Cristo: anunciar o Evangelho com mansidão e firmeza, sem gritar, sem repreender ninguém, mas com mansidão e firmeza, sem arrogância nem imposição. A verdadeira missão nunca é proselitismo mas atração a Cristo. Mas como? Como se faz esta atração a Cristo? Com o próprio testemunho, a partir da vigorosa união com Ele na oração, na adoração e na caridade concreta, que é serviço a Jesus presente no mais pequenino dos irmãos. À imitação de Jesus, Pastor bom e misericordioso, e animados pela sua graça, somos chamados a fazer da nossa vida um testemunho jubiloso que ilumina o caminho, que anuncia esperança e amor.

Esta festa leva-nos a redescobrir o dom e a beleza de ser um povo de batizados, isto é de pecadores — todos o somos — de pecadores salvos pela graça de Cristo, inseridos realmente, por obra do Espírito Santo, na relação filial de Jesus com o Pai, acolhidos no seio da Mãe Igreja e tornados capazes de uma fraternidade que não conhece confins nem barreiras.

A Virgem Maria ajude todos nós, cristãos, a conservar uma consciência sempre viva e reconhecida pelo nosso Batismo, e a percorrer com fidelidade o caminho inaugurado por este Sacramento do nosso renascimento. E sempre com humildade, mansidão e firmeza.



Depois do Angelus

No contexto da festa do Batismo do Senhor, hoje de manhã batizei um bonito grupo de recém-nascidos: vinte e oito. Oremos por eles e pelas suas famílias. Ontem à tarde batizei também um jovem catecúmeno. E gostaria de incluir na minha oração todos os pais que neste período se preparam para o Batismo de um seu filho, ou que acabam de o celebrar. Invoco o Espírito Santo sobre eles e sobre as crianças, a fim de que este Sacramento, tão simples e ao mesmo tempo tão importante, seja vivido com fé e alegria.

Além disso, gostaria de vos convidar a unir-vos à Rede Mundial de Oração do Papa que difunde, inclusive através das redes sociais, as intenções de oração que proponho todos os meses à Igreja inteira. É assim que se leva em frente o apostolado da oração, fazendo crescer a comunhão.

Nestes dias de grande frio, penso e convido-vos a pensar em todas as pessoas que vivem na rua, atingidas pelo frio e muitas vezes pela indiferença. Infelizmente, algumas destas pessoas não sobreviveram. Oremos por elas e peçamos ao Senhor que aqueça o nosso coração para as poder ajudar.

Saúdo todos vós, fiéis de Roma e peregrinos da Itália e de vários países, de maneira particular o grupo de jovens de Cagliari, que encorajo a prosseguir no caminho iniciado através do Sacramento da Confirmação. E agradeço-lhes, porque me oferecem a oportunidade de sublinhar que a Confirmação, ou Crisma, não é apenas um ponto de chegada — como alguns dizem, o «sacramento do adeus», não, não! — mas é sobretudo um ponto de partida na vida cristã. Avante, com a alegria do Evangelho!

Desejo bom domingo a todos! Por favor, peço-vos que não vos esqueçais de rezar por mim. Bom almoço e até à vista!





Fonte: Vaticano 





domingo, 8 de janeiro de 2017

Evangelho da Epifania do Senhor


São Mateus 2, 1-12

Tinha Jesus nascido em Belém da Judeia, nos dias do rei Herodes, quando chegaram a Jerusalém uns Magos vindos do Oriente. "Onde está – perguntaram eles – o rei dos judeus que acaba de nascer? Nós vimos a sua estrela no Oriente e viemos adorá-l’O". Ao ouvir tal notícia, o rei Herodes ficou perturbado e, com ele, toda a cidade de Jerusalém. Reuniu todos os príncipes dos sacerdotes e escribas do povo e perguntou-lhes onde devia nascer o Messias. Eles responderam: "Em Belém da Judeia, porque assim está escrito pelo profeta: ‘Tu, Belém, terra de Judá, não és de modo nenhum a menor entre as principais cidades de Judá, pois de ti sairá um chefe, que será o Pastor de Israel, meu povo’". Então Herodes mandou chamar secretamente os Magos e pediu-lhes informações precisas sobre o tempo em que lhes tinha aparecido a estrela. Depois enviou-os a Belém e disse-lhes: "Ide informar-vos cuidadosamente acerca do Menino; e, quando O encontrardes, avisai-me, para que também eu vá adorá-l’O". Ouvido o rei, puseram-se a caminho. E eis que a estrela que tinham visto no Oriente seguia à sua frente e parou sobre o lugar onde estava o Menino. Ao ver a estrela, sentiram grande alegria. Entraram na casa, viram o Menino com Maria, sua Mãe, e, caindo de joelhos, prostraram-se diante d’Ele e adoraram-n’O. Depois, abrindo os seus tesouros, ofereceram-Lhe presentes: ouro, incenso e mirra. E, avisados em sonhos para não voltarem à presença de Herodes, regressaram à sua terra por outro caminho.






domingo, 1 de janeiro de 2017

Evangelho da Solenidade de Santa Maria, Mãe de Deus


São Lucas 2, 16-21

Naquele tempo, os pastores dirigiram-se apressadamente para Belém e encontraram Maria, José e o Menino deitado na manjedoura. Quando O viram, começaram a contar o que lhes tinham anunciado sobre aquele Menino. E todos os que ouviam admiravam-se do que os pastores diziam. Maria conservava todas estas palavras, meditando-as em seu coração. Os pastores regressaram, glorificando e louvando a Deus por tudo o que tinham ouvido e visto, como lhes tinha sido anunciado. Quando se completaram os oito dias para o Menino ser circuncidado, deram-Lhe o nome de Jesus, indicado pelo Anjo, antes de ter sido concebido no seio materno.










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