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terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

Evangelho do VIII Domingo do Tempo Comum - Ano A


São Mateus 6, 24-34

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: "Ninguém pode servir a dois senhores, porque ou há-de odiar um e amar o outro, ou se dedicará a um e desprezará o outro. Vós não podeis servir a Deus e ao dinheiro. Por isso vos digo: "Não vos preocupeis, quanto à vossa vida, com o que haveis de comer ou de beber, nem, quanto ao vosso corpo, com o que haveis de vestir. Não é a vida mais do que o alimento e o corpo mais do que o vestuário? Olhai para as aves do céu: não semeiam nem ceifam nem recolhem em celeiros; o vosso Pai celeste as sustenta. Não valeis vós muito mais do que elas? Quem de entre vós, por mais que se preocupe, pode acrescentar um só côvado à sua estatura? E porque vos inquietais com o vestuário? Olhai como crescem os lírios do campo: não trabalham nem fiam; mas Eu vos digo: nem Salomão, em toda a sua glória, se vestiu como um deles. Se Deus assim veste a erva do campo, que hoje existe e amanhã é lançada ao forno, não fará muito mais por vós, homens de pouca fé? Não vos inquieteis, dizendo: ‘Que havemos de comer? Que havemos de beber? Que havemos de vestir?’ Os pagãos é que se preocupam com todas estas coisas. Bem sabe o vosso Pai celeste que precisais de tudo isso. Procurai primeiro o reino de Deus e a sua justiça, e tudo o mais vos será dado por acréscimo. Portanto, não vos inquieteis com o dia de amanhã, porque o dia de amanhã tratará das suas inquietações. A cada dia basta o seu cuidado".




Catequese com o Papa Francisco - 22.02.2017


Quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017








Bom dia, estimados irmãos e irmãs!

Muitas vezes somos tentados a pensar que a criação é uma nossa propriedade, uma posse a ser desfrutada a nosso bel-prazer e da qual não devemos prestar contas a ninguém. No trecho da Carta aos Romanos (8, 19-27) da qual há pouco ouvimos uma parte, o Apóstolo Paulo recorda-nos ao contrário que a criação é um dom maravilhoso que Deus colocou nas nossas mãos, para podermos entrar em relação com Ele e nela reconhecer o vestígio do seu desígnio de amor, para cuja realização todos nós somos chamados a colaborar, dia após dia.

No entanto, quando se deixa levar pelo egoísmo, o ser humano acaba por estragar até as coisas mais bonitas que lhe foram confiadas. E assim aconteceu inclusive no caso da criação. Pensemos na água. A água é um bem belíssimo e deveras importante; a água dá-nos vida, ajudando-nos em tudo, mas para explorar os minerais contamina-se a água, deturpa-se e destrói-se a criação. Este é apenas um exemplo. Há muitos outros. Com a trágica experiência do pecado, rompendo a comunhão com Deus, transgredimos a comunhão originária com tudo aquilo que nos circunda e acabamos por corromper a criação, tornando-a deste modo escrava, submetida à nossa caducidade. E infelizmente a consequência de tudo isto salta de maneira dramática aos nossos olhos, todos os dias. Quando rompe a comunhão com Deus, o homem perde a sua beleza originária e acaba por desfigurar tudo ao seu redor; e onde antes tudo remetia ao Pai Criador e ao seu amor infinito, agora tem o sinal triste e desolado do orgulho e da voracidade do homem. Explorando a criação, o orgulho humano destrói.

Contudo, o Senhor não nos deixa sozinhos e até nesta situação desoladora nos oferece uma nova perspetiva de libertação, de salvação universal. É aquilo que Paulo põe em evidência com alegria, convidando-nos a dar ouvidos aos gemidos de toda a criação. Com efeito, se prestarmos atenção, ao nosso redor tudo geme: a própria criação geme, nós seres humanos gememos, e até o Espírito geme dentro de nós, no nosso coração. Pois bem, estes gemidos não são uma lamentação estéril, desconsolada, mas — como esclarece o Apóstolo — são os gemidos de uma mulher em trabalho de parto; trata-se dos gemidos de quem sofre, mas sabe que está prestes a nascer uma nova vida. E no nosso caso é realmente assim. Nós ainda estamos a braços com as consequências do nosso pecado e, ao nosso redor, tudo ainda tem o sinal dos nossos esforços, das nossas faltas, dos nossos fechamentos. Mas ao mesmo tempo, sabemos que fomos salvos pelo Senhor e já nos é dado contemplar e prelibar, em nós e no que nos circunda, os sinais da Ressurreição, da Páscoa que atua uma nova criação.

Este é o conteúdo da nossa esperança. O cristão não vive fora do mundo, sabe reconhecer na sua vida e naquilo que o circunda os sinais do mal, do egoísmo e do pecado. É solidário com quantos sofrem, com que chora, com os marginalizados, com aqueles que se sentem desesperados... Mas ao mesmo tempo, o cristão aprendeu a ler tudo isto com os olhos da Páscoa, com os olhos de Cristo Ressuscitado. E então, sabe que vivemos o tempo da espera, o tempo de um anseio que vai além do presente, o tempo do cumprimento. Na esperança, nós sabemos que o Senhor quer purificar definitivamente com a sua misericórdia os corações feridos e humilhados, bem como tudo o que o homem deturpou na sua impiedade, e que deste modo Ele regenera um mundo novo e uma humanidade nova, finalmente reconciliados no seu amor.

Quantas vezes nós, cristãos, somos tentados pela desilusão, pelo pessimismo... Às vezes abanonamo-nos à lamentação inútil, ou então permanecemos sem palavras e nem sequer sabemos o que pedir, o que esperar... Mas vem de novo em nossa ajuda o Espírito Santo, suspiro da nossa esperança, que mantém vivos o gemido e a expetativa do nosso coração. O Espírito vê por nós além das aparências negativas do presente, revelando-nos desde já os novos céus, a nova terra que o Senhor continua a preparar para a humanidade.

Saudações

Amados peregrinos de língua portuguesa, uma saudação fraterna para todos vós, com votos de que a visita de hoje à Cátedra de Pedro infunda nos vossos corações uma grande coragem para abraçardes diariamente a vossa cruz, e um vivo anseio de santidade para poderdes encher de esperança a cruz dos outros. Confio nas vossas orações. Obrigado pela visita!

Dou as cordiais boas-vindas aos peregrinos de língua árabe, em especial aos provenientes do Médio Oriente! Caros irmãos e irmãs, São Paulo recorda-nos que «fomos salvos na esperança». Portanto, aprendamos a ler tudo com os olhos de Cristo Ressuscitado, confiantes no Senhor que quer purificar com a sua misericórdia todos os corações feridos e humilhados, regenerando um mundo novo e uma humanidade nova, reconciliados no seu amor. Que o Senhor vos abençoe!

Suscitam particular apreensão as dolorosas notícias que chegam do martirizado Sudão do Sul, onde a um conflito fratricida se acrescenta uma grave crise alimentar que atinge a Região do Corno da África, condenando milhões de pessoas, entre as quais numerosas crianças, a morrer de fome. Neste momento é mais necessário do que nunca o esforço de todos a não se limitar apenas a declarações, mas a tornar concretas as ajudas alimentares e a permitir que elas possam chegar às populações que sofrem. O Senhor ajude estes nossos irmãos e quantos trabalham para os assistir.

Dirijo um pensamento particular aos jovens, aos doentes e aos recém-casados. Hoje celebramos a festa da Cátedra do Apóstolo São Pedro, dia de especial comunhão dos fiéis com o Sucessor de São Pedro e com a Santa Sé. Diletos jovens, animo-vos a intensificar a vossa oração pelo meu ministério petrino; amados enfermos, agradeço-vos o testemunho de vida dado no sofrimento pela edificação da comunidade eclesial; e vós, caros recém-casados, edificai a vossa família no mesmo amor que une o Senhor Jesus à sua Igreja.




Fonte: Vaticano




Angelus com o Papa Francisco - 19.02.2017


Praça São Pedro
Domingo, 19 de fevereiro de 2017









Amados irmãos e irmãs, bom dia!

No evangelho deste domingo (Mt 5, 38-48) — uma daquelas páginas que melhor exprimem a «revolução cristã» — Jesus mostra o caminho da verdadeira justiça mediante a lei do amor que supera a do talião, ou seja, «olho por olho, dente por dente». Esta antiga regra impunha que se infligisse aos transgressores penas equivalentes aos danos causados: a morte a quem tinha matado, a amputação a quem tinha ferido alguém, e assim por diante. Jesus não pede aos seus discípulos que suportem o mal, aliás, pede que reajam, e não com outro mal, mas com o bem. Só assim se interrompe a corrente do mal: um mal leva a outro mal, outro mal leva a mais outro... Interrompe-se esta corrente de mal, e as coisas mudam deveras. Com efeito o mal é um “vazio”, um vazio de bem, e um vazio não se pode encher com outro vazio, mas só com um “cheio”, ou seja, com o bem. A represália nunca leva à resolução dos conflitos. “Tu tramaste contra mim, vais pagar”: isto nunca resolve um conflito, nem sequer é cristão.

Para Jesus, a rejeição da violência pode exigir também a renúncia a um direito legítimo; e dá alguns exemplos: apresentar a outra face, ceder a própria veste ou o próprio dinheiro, aceitar outros sacrifícios (cf. vv. 39-42). Mas esta renúncia não significa dizer que as exigências da justiça são ignoradas ou contraditas; não, ao contrário, o amor cristão, que se manifesta de modo especial na misericórdia, representa uma realização superior da justiça. Aquilo que Jesus nos quer ensinar é a clara distinção que devemos fazer entre a justiça e a vingança. Distinguir entre justiça e vingança. A vingança nunca é justa. É-nos consentido pedir justiça; é nosso dever praticar a justiça. Ao contrário, é-nos proibido vingar-nos ou fomentar de qualquer forma a vingança, enquanto expressão do ódio e da violência.

Jesus não pretende propor um novo ordenamento civil, mas antes o mandamento do amor ao próximo, que inclui também o amor aos inimigos: «Amai os vossos inimigos e rezai por aqueles que vos perseguem» (v. 44). E isto não é fácil. Esta palavra não deve ser interpretada como aprovação do mal praticado pelo inimigo, mas como convite a uma perspetiva superior, a uma perspetiva magnânima, semelhante à do Pai celeste, o qual — diz Jesus — «faz que o seu sol se levante sobre maus e bons, e a chuva desça sobre justos e injustos» (v. 45). Com efeito, também o inimigo é uma pessoa humana, criada como tal à imagem de Deus, mesmo se atualmente esta imagem é ofuscada por uma conduta indigna.

Quando falamos de “inimigos” não devemos pensar em sabe-se lá quais pessoas diversas e distantes de nós; falamos também de nós mesmos, que podemos entrar em conflito com o nosso próximo, por vezes com os nossos familiares. Quantas inimizades nas famílias, quantas! Pensemos nisto. Inimigos são também aqueles que falam mal de nós, que nos caluniam e são injustos connosco. E não é fácil digerir isto. A todas estas pessoas estamos chamados a responder com o bem, que também ele tem as suas estratégias, inspiradas pelo amor.

A Virgem Maria nos ajude a seguir Jesus por este caminho exigente, que exalta deveras a dignidade humana e nos faz viver como filhos do nosso Pai que está nos céus. Nos ajude a praticar a paciência, o diálogo, o perdão, e a sermos artífices de comunhão e artífices de fraternidade na nossa vida diária, sobretudo na nossa família.

Depois do Angelus

Amados irmãos e irmãs!

Infelizmente continuam a chegar notícias de combates violentos e brutais na região de Kasai Central, na República Democrática do Congo. Sinto grande dor pelas vítimas, sobretudo pelas muitas crianças arrancadas às suas famílias e à escola para serem usadas como soldados. Trata-se de uma tragédia, as crianças-soldado. Garanto a minha proximidade e a minha prece, também pelo pessoal religioso e humanitário que trabalha naquela difícil região; e renovo um apelo urgente à consciência e à responsabilidade das Autoridades nacionais e da Comunidade internacional, a fim de que sejam tomadas decisões adequadas e imediatas para socorrer estes nossos irmãos e irmãs. Rezemos por eles e por todas as populações que também noutras partes do Continente africano e do mundo sofrem por causa da violência e da guerra. Penso, em particular, nas amadas populações do Paquistão e do Iraque, atingido por cruéis ações terroristas nos dias passados. Rezemos pelas vítimas, pelos feridos e pelos familiares. Rezemos fervorosamente para que cada coração empedernido pelo ódio se converta à paz, segundo a vontade de Deus. Oremos um momento em silêncio. [Ave-Maria]

A todos desejo bom domingo — que lindo dia! [indicou o céu]. E por favor, não vos esqueçais de rezar por mim. Bom almoço e até à vista!




Fonte: Vaticano




domingo, 19 de fevereiro de 2017

Evangelho do VII Domingo do Tempo Comum - Ano A


São Mateus 5, 38-48

"Ouvistes que foi dito aos antigos: ‘Olho por olho e dente por dente’. Eu, porém, digo-vos: Não resistais ao homem mau. Mas se alguém te bater na face direita, oferece-lhe também a esquerda. Se alguém quiser levar-te ao tribunal, para ficar com a tua túnica, deixa-lhe também o manto. Se alguém te obrigar a acompanhá-lo durante uma milha, acompanha-o durante duas. Dá a quem te pedir e não voltes as costas a quem te pede emprestado. Ouvistes que foi dito: ‘Amarás o teu próximo e odiarás o teu inimigo’. Eu, porém, digo-vos: Amai os vossos inimigos e orai por aqueles que vos perseguem, para serdes filhos do vosso Pai que está nos Céus; pois Ele faz nascer o sol sobre bons e maus e chover sobre justos e injustos. Se amardes aqueles que vos amam, que recompensa tereis? Não fazem a mesma coisa os publicanos? E se saudardes apenas os vossos irmãos, que fazeis de extraordinário? Não o fazem também os pagãos? Portanto, sede perfeitos, como o vosso Pai celeste é perfeito".






Catequese com o Papa Francisco - 15.02.2017


Quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017








Bom dia, prezados irmãos e irmãs!

Desde a infância nos ensinam que não é bom orgulhar-se. Na minha terra, aqueles que se vangloriam são chamados «pavões». E é correto, porque orgulhar-nos daquilo que somos ou do que possuímos, além de uma certa soberba, revela também uma falta de respeito pelos outros, especialmente por quantos são mais desafortunados do que nós. Mas neste trecho da Carta aos Romanos, o Apóstolo Paulo surpreende-nos porque por duas vezes nos exorta a orgulhar-nos. Então, do que é correto orgulhar-se? Pois se ele exorta a orgulhar-se, é correto orgulhar-se de algo. E como é possível fazer isto, sem ofender o próximo, sem excluir ninguém?

No primeiro caso, somos convidados a orgulhar-nos da abundância da graça que nos permeia em Jesus Cristo, por meio da fé. Paulo deseja levar-nos a compreender que, se aprendermos a ver tudo na luz do Espírito Santo, compreenderemos que tudo é graça! Tudo é dom! Com efeito, se prestarmos atenção, quem age — tanto na história como na nossa vida — não somos nós, mas antes de tudo Deus. Ele é o protagonista absoluto, que cria tudo como dádiva de amor, que tece a trama do seu desígnio de salvação e que o leva a cumprimento por nós, mediante o seu Filho Jesus. A nós pede-se que reconheçamos tudo isto, que o recebamos com gratidão e que o levemos a tornar-se motivo de louvor, de bênção e de grande alegria. Se fizermos isto, estaremos em paz com Deus e faremos experiência da liberdade. E depois esta paz propaga-se a todos os âmbitos e a todos os relacionamentos da nossa vida: estamos em paz connosco mesmos, estamos em paz em família, na nossa comunidade, no trabalho e com as pessoas que encontramos todos os dias ao longo do nosso caminho.

Mas Paulo exorta a orgulhar-se também nas tribulações. Isto não é fácil de entender. Para nós isso é mais difícil e pode parecer que nada tem a ver com a condição de paz há pouco descrita. Ao contrário, constitui o seu pressuposto mais autêntico e mais verdadeiro. Com efeito, a paz que o Senhor nos oferece e nos garante não deve ser entendida como ausência de preocupações, de desilusões, de faltas, de motivos de sofrimento. Se fosse assim, caso conseguíssemos estar em paz, esse momento acabaria depressa e inevitavelmente cairíamos no desânimo. Ao contrário, a paz que brota da fé é um dom: é a graça de experimentar que Deus nos ama e que está sempre ao nosso lado, não nos deixa sós nem sequer um instante da nossa vida. E isto, como afirma o Apóstolo, gera paciência porque sabemos que, até nos momentos mais difíceis e desconcertantes, a misericórdia e a bondade do Senhor são maiores do que tudo e nada nos tirará das suas mãos e da comunhão com Ele.

Eis, então, por que a esperança cristã é sólida, eis por que não desilude. Nunca desilude. A esperança não desengana! Não está fundada no que nós podemos fazer ou ser, e nem sequer naquilo em que podemos acreditar. O seu fundamento, ou seja, o fundamento da esperança cristã, é o que de mais fiel e seguro pode existir, isto é, o amor que o próprio Deus alimenta por cada um de nós. É fácil dizer: Deus ama-nos. Todos o dizemos. Mas pensai um pouco: cada um de nós é capaz de dizer: estou convicto de que Deus me ama? Não é tão fácil dizê-lo. Mas é verdade. É um bom exercício, dizer a si mesmo: Deus ama-me. Esta é a raiz da nossa segurança, a raiz da esperança. E o Senhor infundiu abundantemente nos nossos corações o Espírito — que é o amor de Deus — como artífice, como garante, exatamente para que possa nutrir a fé dentro de nós e manter viva esta esperança. E esta segurança: Deus ama-me. «Mas neste momento difícil» — Deus ama-me. «E eu, que cometi esta ação feia e má?» — Deus ama-me. Ninguém nos priva desta segurança. E devemos repeti-lo como prece: Deus ama-me. Estou convicto de que Deus me ama. Estou convencida de que Deus me ama.

Agora compreendemos por que razão o Apóstolo nos exorta a orgulhar-nos sempre de tudo isto. Orgulho-me do amor de Deus, porque Ele me ama. A esperança que nos é oferecida não nos separa dos outros, e muito menos nos leva a desacreditá-los ou a marginalizá-los. Ao contrário, trata-se de uma dádiva extraordinária da qual somos chamados a tornar-nos «canais» para todos, com humildade e simplicidade. E então o nosso maior orgulho consistirá em ter como Pai um Deus que não tem preferências, que não exclui ninguém, mas que abre a sua casa a todos os seres humanos, a começar pelos últimos e pelos distantes a fim de que, como seus filhos, aprendamos a consolar-nos e a ajudar-nos uns aos outros. E não vos esqueçais: a esperança não desilude!

Saudações

Saúdo os peregrinos de língua portuguesa presentes nesta Audiência. Possa este encontro, que nos faz sentir membros da única família dos filhos de Deus, renovar a vossa esperança no Deus misericordioso que não exclui ninguém e nos convida a ser testemunhas do seu amor sobretudo para com os mais necessitados. Obrigado.




Fonte: Vaticano




Angelus com o Papa Francisco - 12.02.2017


Praça São Pedro
Domingo, 12 de fevereiro de 2017








Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

A liturgia hodierna apresenta-nos outra página do Sermão da montanha, que encontramos no Evangelho de Mateus (cf. 5, 17-37). Neste trecho, Jesus quer ajudar os seus ouvintes a fazer uma releitura da lei mosaica. O que foi dito na antiga aliança era verdadeiro, mas não era tudo: Jesus veio para dar cumprimento e para promulgar de forma definitiva a lei de Deus, até ao último jota (cf. v. 18). Ele manifesta as suas finalidades originárias e cumpre os seus aspectos autênticos, e faz tudo isto mediante a sua pregação e mais ainda com o dom de si mesmo na cruz. Assim Jesus ensina como fazer plenamente a vontade de Deus e usa esta palavra: com uma “justiça superior” em relação à dos escribas e dos fariseus (cf. v. 20). Uma justiça animada pelo amor, pela caridade, pela misericórdia, e portanto capaz de realizar a substância dos mandamentos, evitando o risco do formalismo. O formalismo: isto posso, isto não posso; até aqui posso, até aqui não posso... Não: mais, mais.

Em particular, no Evangelho de hoje Jesus examina três aspetos, três mandamentos: o homicídio, o adultério e o juramento.

Relativamente ao mandamento “não matar”, Ele afirma que foi violado não só pelo homicídio efetivo, mas também por aqueles comportamentos que ofendem a dignidade da pessoa humana, inclusive as palavras injuriosas (cf. v. 22). Certamente, estas palavras injuriosas não têm a mesma gravidade e culpabilidade do assassínio, mas estão na mesma linha, porque são premissas destes e revelam a mesma malevolência. Jesus convida-nos a não estabelecer uma classificação das ofensas, mas a considerá-las todas prejudiciais, pois são movidas pelo intento de fazer mal ao próximo. E Jesus dá o exemplo. Insultar: estamos acostumados a insultar, é como dizer “bom dia”. E isto está na mesma linha do homicídio. Quem insulta o irmão, mata no próprio coração o irmão. Por favor, não insulteis! Não ganhamos nada...

Outro cumprimento é relativo à lei matrimonial. O adultério era considerado uma violação do direito de propriedade do homem sobre a mulher. Ao contrário, Jesus vai à raiz do mal. Assim como se chega ao homicídio por meio de injúrias, ofensas e insultos, também se chega ao adultério mediante as intenções de posse em relação a uma mulher que não é a própria esposa. O adultério, como o furto, a corrupção e todos os outros pecados, são concebidos primeiro no nosso íntimo e, depois de o coração ter feito a escolha errada, ganham forma no comportamento concreto. E Jesus diz: quem olha para uma mulher que não é a própria com sentimentos de posse é um adúltero no seu coração, começou o caminho rumo ao adultério. Pensemos um pouco sobre isto: sobre os maus pensamentos que vêm nesta linha.

Depois, Jesus diz aos seus discípulos para não jurar, pois o juramento é sinal da insegurança e da duplicidade mediante a qual se desenrolam as relações humanas. Instrumentaliza-se a autoridade de Deus para dar garantia às nossas vicissitudes humanas. Pelo contrário, fomos chamados para instaurar entre nós, nas nossas famílias e nas nossas comunidades um clima de clareza e de confiança recíproca, para que possamos ser considerados sinceros sem recorrer a intervenções superiores a fim de sermos credíveis. A desconfiança e a suspeita recíproca sempre ameaçam a serenidade!

Que a Virgem Maria, mulher da dócil escuta e da obediência jubilosa, nos ajude a aproximar-nos cada vez mais do Evangelho, para sermos cristãos não “de fachada”, mas de substância! E isto é possível com a graça do Espírito Santo, que nos permite fazer tudo com amor, e assim realizar plenamente a vontade de Deus.

Depois do Angelus

Caros irmãos e irmãs!

Saúdo todos vós peregrinos presentes, as famílias, os grupos paroquiais, as associações. Em particular, saúdo os alunos do Instituto “Carolina Coronado” de Almendralejo e os fiéis de Tarragona, na Espanha; assim como os grupos de Caltanissetta, Valgoglio, Ancona, Pesaro, Torino e Pisa, e a comunidade neocatecumenal de São Francisco de Paula de Turim.

A todos desejo um bom domingo. E não vos esqueçais: não insulteis; não olheis com maus olhos, com olhos de posse a mulher do próximo, não jureis. Três coisas que Jesus diz. É muito fácil! Por favor, não vos esqueçais de rezar por mim. Bom almoço e até à vista.




Fonte: Vaticano




domingo, 12 de fevereiro de 2017

Evangelho do VI Domingo do Tempo Comum - Ano A


São Mateus 5, 17-37

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: "Não penseis que vim revogar a Lei ou os Profetas; não vim revogar, mas completar. Em verdade vos digo: Antes que passem o céu e a terra, não passará da Lei a mais pequena letra ou o mais pequeno sinal, sem que tudo se cumpra. Portanto, se alguém transgredir um só destes mandamentos, por mais pequenos que sejam, e ensinar assim aos homens, será o menor no reino dos Céus. Mas aquele que os praticar e ensinar será grande no reino dos Céus. Porque Eu vos digo: Se a vossa justiça não superar a dos escribas e fariseus, não entrareis no reino dos Céus. Ouvistes que foi dito aos antigos: ‘Não matarás; quem matar será submetido a julgamento’. Eu, porém, digo-vos: Todo aquele que se irar contra o seu irmão será submetido a julgamento. Quem chamar imbecil a seu irmão será submetido ao Sinédrio, e quem lhe chamar louco será submetido à Geena de fogo. Portanto, se fores apresentar a tua oferta sobre o altar e ali te recordares que o teu irmão tem alguma coisa contra ti, deixa lá a tua oferta diante do altar, vai primeiro reconciliar-te com o teu irmão e vem depois apresentar a tua oferta. Reconcilia-te com o teu adversário, enquanto vais com ele a caminho, não seja caso que te entregue ao juiz, o juiz ao guarda, e sejas metido na prisão. Em verdade te digo: Não sairás de lá, enquanto não pagares o último centavo. Ouvistes que foi dito: ‘Não cometerás adultério’. Eu, porém, digo-vos: Todo aquele que olhar para uma mulher desejando-a, já cometeu adultério com ela no seu coração. Se o teu olho é para ti ocasião de pecado, arranca-o e lança-o para longe de ti, pois é melhor perder-se um dos teus membros do que todo o corpo ser lançado na Geena. E se a tua mão direita é para ti ocasião de pecado, corta-a e lança-a para longe de ti, porque é melhor que se perca um só dos teus membros, do que todo o corpo ser lançado na Geena. Também foi dito: ‘Quem repudiar sua mulher dê-lhe certidão de repúdio’. Eu, porém, digo-vos: Todo aquele que repudiar sua mulher, salvo em caso de união ilegal, fá-la cometer adultério. Ouvistes ainda que foi dito aos antigos: ‘Não faltarás ao que tiveres jurado, mas cumprirás os teus juramentos para com o Senhor’. Eu, porém, digo-vos que não jureis em caso algum: nem pelo Céu, que é o trono de Deus; nem pela terra, que é o escabelo dos seus pés; nem por Jerusalém, que é a cidade do grande Rei. Também não jures pela tua cabeça, porque não podes fazer branco ou preto um só cabelo. A vossa linguagem deve ser: ‘Sim, sim; não, não’. O que passa disto vem do Maligno".




Catequese com o Papa Francisco - 08.02.2017


Quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017









Bom dia, amados irmãos e irmãs!

Na quarta-feira passada vimos que São Paulo, na primeira Carta aos Tessalonicenses, exorta a permanecermos radicados na esperança da ressurreição (cf. 5, 4-11), com a bonita expressão «estaremos sempre com o Senhor» (4, 17). No mesmo contexto, o Apóstolo mostra que a esperança cristã não tem apenas um alcance pessoal, individual, mas comunitário, eclesial. Todos nós esperamos; todos nós temos esperança, inclusive de modo comunitário.

Por isso, o olhar é imediatamente ampliado por Paulo, abrangendo todas as realidades que compõem a comunidade cristã, pedindo-lhes que rezem umas pelas outras e que se ajudem reciprocamente. Ajudar-nos uns aos outros! E ajudar-nos não apenas nas necessidades, nas numerosas dificuldades da vida quotidiana, mas ajudar-nos na esperança, apoiar-nos na esperança. E não é por acaso que ele comece referindo-se precisamente àqueles aos quais foram confiados a responsabilidade e o governo pastoral. São os primeiros chamados a alimentar a esperança, e isto não porque são melhores que os outros, mas em virtude de um ministério divino que vai muito além das suas forças. Por este motivo, têm mais necessidade do que nunca do respeito, da compreensão e do apoio benévolo de todos.

Depois, presta-se atenção aos irmãos que mais correm o risco de perder a esperança, de cair no desespero. Nós recebemos sempre notícias de pessoas que caem no desespero e cometem gestos tremendos... O desespero leva-os a muitas ações negativas. Referimo-nos a quem está desanimado, àquele que é frágil, a quantos se sentem abatidos pelo peso da vida e pelas próprias culpas, e já não consegue levantar-se. Nestes casos, a proximidade e o afeto de toda a Igreja devem tornar-se ainda mais intensos e amorosos, assumindo a forma requintada da compaixão, que não quer dizer ter pena: compaixão significa padecer com o outro, sofrer com o próximo, aproximar-se de quem sofre; uma palavra, uma carícia, mas que venha do coração; isto é compaixão. Por quantos têm necessidade do conforto e da consolação. Isto é mais importante do que nunca: a esperança cristã não pode renunciar à caridade genuína e concreta. Na Carta aos Romanos, o próprio Apóstolo das nações afirma com o coração na mão: «Nós, que somos os fortes — que temos fé, esperança, ou que não temos muitas dificuldades — devemos suportar as fraquezas dos que são frágeis, e não agir à nossa maneira» (15, 1). Suportar as debilidades do próximo. Depois, este testemunho não permanece fechado nos confins da comunidade cristã: ressoa em todo o seu vigor também fora, no contexto social e civil, como apelo a não criar muros mas pontes, a não pagar o mal com o mal, a vencer o mal com o bem, a ofensa com o perdão — o cristão nunca pode dizer: vais pagar, nunca; este não é um gesto cristão; a ofensa vence-se com o perdão — a viver em paz com todos. Assim é a Igreja! E é isto que faz a esperança cristã, quando assume os lineamentos fortes, e ao mesmo tempo ternos, do amor. O amor é forte e terno. É bonito!

Então, compreende-se que não aprendemos a esperar sozinhos. Ninguém aprende a esperar sozinho. Não é possível! Para se alimentar, a esperança precisa necessariamente de um «corpo», no qual os vários membros se ajudem e se reavivem uns aos outros. Então, isto quer dizer que se nós esperamos é porque muitos dos nossos irmãos e irmãs nos ensinaram a esperar, mantendo viva a nossa esperança. E entre eles, distinguem-se os pequeninos, os pobres, os simples, os marginalizados. Sim, pois quem se fecha no próprio bem-estar não conhece a esperança: só espera no seu bem-estar, e isto não é esperança, mas segurança relativa; quem se fecha na própria satisfação, quem se sente sempre à vontade não conhece a esperança... Quem espera, ao contrário, são aqueles que experimentam cada dia a provação, a precariedade e o próprio limite. São estes nossos irmãos que nos dão o testemunho mais bonito, mais vigoroso, porque permanecem firmes na confiança no Senhor, conscientes de que, para além da tristeza, da opressão e da inevitabilidade da morte, a última palavra será sua, e será uma palavra de misericórdia, de vida e de paz. Quem aguarda, espera um dia ouvir esta expressão: «Vem, vem a mim, irmão; vem, vem a mim, irmã, para toda a eternidade!».

Caros amigos, se — como dissemos — a morada natural da esperança é um «corpo» solidário, no caso da esperança cristã este corpo é a Igreja, enquanto o sopro vital, a alma desta esperança é o Espírito Santo. Sem o Espírito Santo não se pode ter esperança. Então, eis por que razão no final o Apóstolo Paulo nos convida a invocá-lo incessantemente. Se não é fácil acreditar, ainda menos é esperar. É mais difícil esperar do que acreditar, é mais difícil! Mas quando o Espírito Santo habita nos nossos corações, é Ele quem nos leva a entender que não devemos temer, que o Senhor está próximo e cuida de nós; Ele molda as nossas comunidades, num Pentecostes perene, como sinais vivos de esperança para a família humana. Obrigado!


Saudações

Amados peregrinos de língua portuguesa, sede bem-vindos! Quando Deus decidiu vir à terra, valeu-se do «sim» da Virgem Imaculada. Ela viveu como todas as mulheres do seu tempo; mas, na sua vida simples de cada dia, deu livre trânsito a Deus. Fazei como Maria: dai a Deus livre trânsito na vossa vida, e sereis abençoados!

Ontem em Osaka, no Japão, foi proclamado beato Justus Takayama Ukon, fiel leigo japonês, martirizado em Manila em 1615. Em vez de ceder a compromissos, renunciou a honras e à opulência, aceitando a humilhação e o exílio. Permaneceu fiel a Cristo e ao Evangelho; por isso, representa um admirável exemplo de fortaleza na fé e de dedicação na caridade.

Hoje celebra-se o Dia de oração e reflexão contra o tráfico de pessoas, este ano dedicado em especial às crianças e aos adolescentes. Encorajo todos aqueles que, de vários modos, ajudam os menores escravizados e abusados a libertar-se desta opressão. Faço votos a fim de que quantos têm responsabilidades de governo combatam com decisão este flagelo, dando voz aos nossos irmãos mais pequeninos, humilhados na sua dignidade. É preciso envidar todos os esforços para debelar este crime vergonhoso e intolerável.

No próximo sábado, memória da Bem-Aventurada Virgem Maria de Lourdes, será celebrado o 25º Dia Mundial do Doente. A comemoração principal terá lugar em Lourdes e será presidida pelo Cardeal Secretário de Estado. Convido a rezar, por intercessão da nossa Santa Mãe, por todos os enfermos, especialmente pelos mais graves e sós, e inclusive por quantos cuidam deles.

Volto a falar da celebração de hoje, Dia de oração e reflexão contra o tráfico de pessoas, que se celebra neste dia porque hoje é a festa de Santa Josefina Bakhita [mostra um opúsculo que fala dela]. Esta jovem escravizada na África, explorada e humilhada, não perdeu a esperança, levou em frente a fé e acabou por chegar à Europa como migrante. Aqui sentiu a chamada do Senhor e fez-se religiosa. Oremos a Santa Josefina Bakhita por todos os migrantes, refugiados e explorados que sofrem tanto!

E falando de migrantes expulsos e explorados, hoje gostaria de rezar convosco de modo especial pelos nossos irmãos e irmãs Rohinya: expulsos do Myanmar, vão de um lado para outro porque não os querem... É um povo bom, pacífico. Não são cristãos, são bons, são nossos irmãos e irmãs! Sofrem há anos! Foram torturados, assassinados, simplesmente porque conservam as suas tradições, a sua fé muçulmana. Oremos por eles. Convido-vos a rezar por eles ao nosso Pai que está nos Céus, todos juntos, pelos nossos irmãos e irmãs Rohinya. «Pai nosso...».

Santa Josefina Bakhita, intercede por nós. Um aplauso a Santa Josefina Bakhita!




Fonte: Vaticano




Angelus com o Papa Francisco - 05.02.2017


Praça São Pedro
Domingo, 5 de fevereiro de 2017








Amados irmãos e irmãs, bom dia!

Nestes domingos a liturgia propõe-nos o chamado Sermão da Montanha, no Evangelho de Mateus. Depois de ter apresentado no domingo passado as Bem-Aventuranças, hoje põe em relevo as palavras de Jesus que descrevem a missão dos seus discípulos no mundo (cf. Mt 5, 13-16). Ele utiliza as metáforas do sal e da luz e as suas palavras dirigem-se aos discípulos de todos os tempos, por conseguinte também a nós.

Jesus convida-nos a ser um reflexo da sua luz, através do testemunho das boas obras. E diz: «Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai, que está nos céus» (Mt 5, 16). Estas palavras frisam que nós somos reconhecíveis como verdadeiros discípulos d’Aquele que é a Luz do mundo, não pelas palavras, mas pelas nossas obras. Com efeito, é sobretudo o nosso comportamento que — no bem e no mal — deixa um sinal nos outros. Por conseguinte, temos uma tarefa e uma responsabilidade pelo dom recebido: a luz da fé, que está em nós por meio de Cristo e da ação do Espírito Santo, não a devemos reter como se fosse nossa propriedade. Ao contrário, estamos chamados a fazê-la resplandecer no mundo, a doá-la aos outros mediante as boas obras. E quanta necessidade tem o mundo da luz do Evangelho que transforma, cura e garante a salvação a quem o acolhe! Devemos levar esta luz com as nossas boas obras.

A luz da nossa fé, doando-se, não se apaga mas reforça-se. Ao contrário, pode vir a faltar se não a alimentarmos com o amor e com as obras de caridade. Assim a imagem da luz encontra-se com a do sal. Com efeito, a página evangélica diz-nos que, como discípulos de Cristo, somos também «o sal da terra» (v. 13). O sal é um elemento que, ao dar sabor, preserva os alimentos da alteração e da corrupção — na época de Jesus não havia frigoríficos! Por conseguinte, a missão dos cristãos na sociedade é dar «sabor» à vida com a fé e com o amor que Cristo nos doou, e ao mesmo tempo manter distantes os germes poluidores do egoísmo, da inveja, da difamação, e assim por diante. Estes germes corroem o tecido das nossas comunidades que, ao contrário, devem resplandecer como lugares de acolhimento, solidariedade e reconciliação. Para desempenhar esta missão, é preciso que nós mesmos sejamos os primeiros a libertar-nos da degeneração destruidora das influências mundanas, contrárias a Cristo e ao Evangelho; e esta purificação nunca termina, deve ser feita continuamente, todos os dias!

Cada um de nós está chamado a ser luz e sal no próprio ambiente de vida diária, perseverando na terefa de regenerar a realidade humana no espírito do Evangelho e na perspetiva do reino de Deus. Nos sirva sempre de ajuda a proteção de Maria Santíssima, primeira discípula de Jesus e modelo dos crentes que vivem todos os dias na história a sua vocação e missão. A nossa Mãe nos ajude a deixar-nos sempre purificar e iluminar pelo Senhor, para nos tornarmos, por nossa vez, “sal da terra” e “luz do mundo”.




Fonte: Vaticano




domingo, 5 de fevereiro de 2017

Evangelho do V Domingo do Tempo Comum - Ano A


São Mateus 5, 13-16

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: "Vós sois o sal da terra. Mas se ele perder a força, com que há-de salgar-se? Não serve para nada, senão para ser lançado fora e pisado pelos homens. Vós sois a luz do mundo. Não se pode esconder uma cidade situada sobre um monte; nem se acende uma lâmpada para a colocar debaixo do alqueire, mas sobre o candelabro, onde brilha para todos os que estão em casa. Assim deve brilhar a vossa luz diante dos homens, para que, vendo as vossas boas obras, glorifiquem o vosso Pai que está nos Céus".













Catequese com o Papa Francisco - 01.02.2017


Quarta-feira, 1° de fevereiro de 2017









Bom dia, amados irmãos e irmãs!

Nas catequeses passadas demos início ao nosso percurso sobre o tema da esperança, relendo nesta perspetiva algumas páginas do Antigo Testamento. Agora desejamos começar a esclarecer o alcance extraordinário que esta virtude assume no Novo Testamento, quando encontra a novidade representada por Jesus Cristo e pelo evento pascal: a esperança cristã. Nós, cristãos, somos mulheres e homens de esperança.

É quanto sobressai de modo claro desde o primeiro texto que foi escrito, ou seja, a Primeira Carta de São Paulo aos Tessalonicenses. No trecho que ouvimos, podemos sentir todo o vigor e a beleza do primeiro anúncio cristão. A comunidade de Tessalonica é jovem, recém-fundada; e no entando, não obstante as dificuldades e as numerosas provações, está radicada na fé e celebra com entusiasmo e com alegria a ressurreição do Senhor Jesus. Então, o Apóstolo alegra-se de coração com todos, dado que quantos renascem na Páscoa se tornam verdadeiramente «filhos da luz e filhos do dia» (5, 5), em virtude da plena comunhão com Cristo.

Quando Paulo lhe escreve, a comunidade de Tessalonica tinha acabado de ser fundada, e só poucos anos a separam da Páscoa de Cristo. Por isso, o Apóstolo procura explicar todos os efeitos e consequências que este acontecimento singular e decisivo, isto é, a ressurreição do Senhor, comporta para a história e para a vida de cada um. Em particular, a dificuldade da comunidade não consistia tanto em reconhecer a ressurreição de Jesus, todos acreditavam, quanto em crer na ressurreição dos mortos. Sim, Jesus ressuscitou, mas a dificuldade consistia em crer que os mortos ressuscitam. Em tal sentido, esta carta revela-se atual como nunca. Cada vez que nos encontramos diante da nossa morte, ou da de uma pessoa querida, sentimos que a nossa fé é posta à prova. Sobressaem todas as nossas dúvidas, toda a nossa fragilidade, e questionamo-nos: «Mas realmente haverá vida depois da morte...? Ainda poderei ver e reabraçar as pessoas que amei...?». Eis a pergunta que há poucos dias, durante uma audiência, uma senhora me dirigiu manifestando uma dúvida: «Encontrarei os meus?”. Também nós, no contexto atual, temos necessidade de voltar à raiz e aos fundamentos da nossa fé, de maneira a adquirir a consciência sobre aquilo que Deus fez por nós em Jesus Cristo e o que significa a nossa morte. Todos nós temos um pouco de medo desta incerteza da morte. Vem-me à memória um velhinho, um bom idoso que dizia: «Não temo a morte. Tenho um pouco de medo de a ver aproximar-se». Temia isto.

Perante os temores e as perplexidades da comunidade, Paulo convida a manter firme sobre a cabeça, como um elmo, sobretudo nas provações e nos momentos mais difíceis da nossa vida, «a esperança da salvação». É um elmo. Eis o que é a esperança cristã. Quando se fala de esperança, podemos ser levados a entendê-la segundo o significado comum deste termo, ou seja, em referência a algo de bom que desejamos, mas que pode realizar-se ou não. Esperamos que aconteça, é como um desejo. Por exemplo, dizemos: «Espero que amanhã «Espero que amanhã o tempo seja bom!»; mas sabemos que, ao contrário, no dia seguinte o tempo pode ser mau... A esperança cristã não é assim. A esperança cristã é a espera de algo que já se cumpriu; ali está a porta, e espero chegar à porta. Que devo fazer? Caminhar rumo à porta! Tenho a certeza que chegarei à porta. Assim é a esperança cristã: ter a certeza de que estou a caminho de algo que existe, não de algo que eu desejo que exista. Esta é a esperança cristã. A esperança cristã é a expetativa de algo que já se cumpriu e que certamente se há de realizar para cada um de nós. Portanto, também a nossa ressurreição e a dos nossos amados defuntos não é algo que poderá realizar-se ou não, mas constitui uma realidade certa, dado que está radicada no evento da ressurreição de Cristo. Portanto, esperar significa aprender a viver na expetativa. Aprender a viver à espera e encontrar a vida. Quando uma mulher compreende que está grávida, cada dia aprende a viver na expetativa de fitar o olhar daquela criança que há de vir. Assim, também nós devemos viver e aprender destas expetativas humanas e viver à espera de fitar o Senhor, de encontrar o Senhor. Isto não é fácil, mas aprende-se: viver na na expetativa. Esperar significa e implica um coração humilde, um coração pobre. Somente o pobre sabe esperar. Quem já está repleto de si e dos seus pertences, não sabe depositar a própria confiança em nenhum outro, a não ser em si mesmo.

Escreve ainda São Paulo: «[Jesus] morreu por nós, a fim de que nós, quer em estado de vigília, quer de sono, vivamos em união com Ele» (1 Ts 5, 10). Estas palavras são sempre motivo de grande consolação e de paz. Portanto, somos chamados a rezar também pelas pessoas amadas que nos deixaram, a fim de que elas vivam em Cristo e permaneçam em plena comunhão connosco. Algo que me toca profundamente o coração é uma expressão de São Paulo, ainda dirigida aos Tessalonicenses. Ela enche-me da segurança da esperança. Reza assim: «Assim estaremos para sempre com o Senhor» (1 Ts 4, 17). Uma coisa boa: tudo passa, mas depois da morte estaremos para sempre com o Senhor. É a certeza total da esperança, a mesma que, muito tempo antes, levava Job a exclamar: «Sei que o meu redentor está vivo [...] Eu mesmo o contemplarei, vê-lo-ão os meus olhos e não os olhos de outrem» (Job 19, 25.27). E assim estaremos para sempre com o Senhor. Vós acreditais nisto? Pergunto-vos: credes nisto? Para terdes um pouco de força, convido-vos a dizê-lo três vezes comigo: «Assim estaremos para sempre com o Senhor». Encontrar-nos-emos lá, com o Senhor.

Saudações

Dirijo uma saudação especial a todos os peregrinos de língua portuguesa, nominalmente aos estudantes vindos de Portugal. Queridos amigos, que a fé na Ressurreição nos leve a olhar para o futuro, fortalecidos pela esperança na vitória de Cristo sobre o pecado e a morte. Deus vos abençoe!

Dou as cordiais boas-vindas à delegação do Movimento Católico Mundial pelo Clima e agradeço-lhe o compromisso a favor da nossa casa comum nesta época de grave crise socioambiental. Encorajo a continuar a tecer redes a fim de que as Igrejas locais respondam com determinação ao clamor da terra e dos pobres.

Dirijo uma saudação aos jovens, aos doentes e aos recém-casados. Amanhã celebraremos a festa da Apresentação do Senhor e o Dia Mundial da Vida Consagrada. Confio às vossas preces quantos foram chamados a professar os conselhos evangélicos a fim de que, com o seu testemunho de vida, possam irradiar no mundo o amor de Cristo e a graça do Evangelho.




Fonte: Vaticano




Angelus com o Papa Francisco - 29.01.2017


Praça São Pedro
Domingo, 29 de janeiro de 2017







Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

A liturgia deste domingo faz-nos meditar sobre as Bem-Aventuranças (cf. Mt 5, 1-12a), que abrem o grande sermão chamado “da montanha”, a “magna charta” do Novo Testamento. Jesus manifesta a vontade de Deus de conduzir os homens à felicidade. Esta mensagem já estava presente na pregação dos profetas: Deus está próximo dos pobres e dos oprimidos e liberta-os de quantos os maltratam. Mas nesta sua pregação Jesus segue um caminho particular: começa com o termo «bem-aventurados», ou seja, felizes; prossegue com a indicação da condição para ser tais; e conclui fazendo uma promessa. O motivo da bem-aventurança, ou seja, da felicidade, não consiste na condição exigida — por exemplo, «pobres em espírito», «aflitos», «famintos de justiça», «perseguidos»... — mas na promessa sucessiva, que deve ser acolhida com fé como dom de Deus. Parte-se da condição de mal-estar para se abrir ao dom de Deus e aceder ao mundo novo, o «reino» anunciado por Jesus. Este não é um mecanismo automático, mas um caminho de vida na esteira do Senhor, motivo pelo qual a realidade de mal-estar e de aflição é considerada numa perspetiva nova e experimentada segundo a conversão que se realiza. Não podemos ser bem-aventurados se não nos convertermos, se não formos capazes de apreciar e viver os dons de Deus.

Quero meditar sobre a primeira bem-aventurança: «Bem-aventurados os pobres em espírito, porque deles é o Reino dos Céus» (v. 4). O pobre em espírito é quem assumiu os sentimentos e as atitudes daqueles pobres que na sua condição não se rebelam, mas sabem ser humildes, dóceis, disponíveis à graça de Deus. A felicidade dos pobres — dos pobres em espírito — tem uma dúplice dimensão: em relação aos bens e em relação a Deus. Relativamente aos bens, aos bens materiais, esta pobreza em espírito é sobriedade: não necessariamente renúncia, mas capacidade de apreciar o essencial, de partilhar; capacidade de renovar todos os dias a admiração pela bondade das coisas, sem sucumbir à opacidade do consumo voraz. Quanto mais tenho, mais quero; quanto mais tenho, mais quero: esse é o consumo voraz. E isso mata a alma. E o homem ou a mulher que faz isso, que tem essa atitude “quanto mais tenho, mais quero”, não é feliz e não alcançará a felicidade. Em relação a Deus é louvor e reconhecimento que o mundo é bênção e que na sua origem está o amor criador do Pai. Mas é também abertura a Ele, docilidade à sua senhoria: Ele é o Senhor, Ele é o Grande, eu não sou grande porque tenho muitas coisas! É Ele: Ele que quis o mundo para todos os homens e o quis para que os homens fossem felizes.

O pobre em espírito é o cristão que não confia em si mesmo, nas riquezas materiais, não se obstina nas suas opiniões pessoais, mas escuta com respeito e aceita de bom grado as decisões de outros. Se nas nossas comunidades existissem mais pobres em espírito, haveria menos divisões, contrastes e polémicas! A humildade, como a caridade, é uma virtude essencial para a convivência nas comunidades cristãs. Os pobres, nesse sentido evangélico, parecem-se com aqueles que mantêm viva a meta do Reino dos céus, fazendo entrever que este é antecipado de forma germinal na comunidade fraterna, que à posse privilegia a partilha. Gostaria de sublinhar isto: à posse privilegiar a partilha. Ter sempre o coração e as mãos abertas (faz o gesto), não fechadas (faz o gesto). Quando o coração está fechado (faz o gesto), é um coração apertado: nem sequer sabe como amar. Quando o coração está aberto (faz o gesto), se encaminha para a senda do amor.

A Virgem Maria, modelo e primícia dos pobres em espírito, porque totalmente dócil à vontade do Senhor, nos ajude a abandonar-nos a Deus, rico em misericórdia, a fim de que nos enche dos seus dons, especialmente da abundância do seu perdão.

Depois do Angelus

Queridos irmãos e irmãs!

Como vedes, chegaram os invasores... estão aqui! Celebra-se hoje o Dia mundial dos doentes de lepra. Esta doença, apesar do seu declínio, ainda está entre as mais temidas e atinge os mais pobres e marginalizados. É importante lutar contra esta enfermidade, mas também contra as discriminações que gera. Encorajo quantos estão comprometidos no socorro e na reinserção social de pessoas atingidas pelo mal de Hansen, às quais garantimos a nossa oração.

Saúdo com afeto todos vós, que viestes de diversas paróquias da Itália e de outros países, assim como as associações e os grupos. Saúdo em particular os estudantes de Murcia e Badajoz, os jovens de Bilbao e os fiéis de Castellón. Saúdo os peregrinos de Reggio Calabria, Castelliri, e o grupo siciliano da Associação Nacional de Pais. Gostaria também de renovar a minha proximidade às populações da Itália Central que ainda sofrem as consequências do terramoto e das difíceis condições atmosféricas. E por favor, que nenhum tipo de burocracia os faça esperar e sofrer ulteriormente!

Agora dirijo-me a vós, aos jovens e às moças da Ação católica, das paróquias e das escolas católicas de Roma. Este ano, acompanhados pelo Cardeal Vigário, viestes após a «Caravana da Paz», cujo lema é Circundados pela paz: bonito, este lema. Obrigado pela vossa presença e pelo vosso compromisso generoso na construção de uma sociedade de paz. Agora, todos ouçamos a mensagem que os vossos amigos, aqui ao meu lado, nos vão ler.

[leitura da mensagem]

E agora serão lançados os balões, símbolo de paz. Símbolo de paz...

A todos desejo bom domingo, desejo paz, humildade, partilha nas vossas famílias. Por favor, não vos esqueçais de rezar por mim. Bom almoço e até à vista!




Fonte: Vaticano




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