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domingo, 26 de março de 2017

Evangelho do IV Domingo da Quaresma - Ano A


São João 9, 1-41

Naquele tempo, Jesus encontrou no seu caminho um cego de nascença. Os discípulos perguntaram-Lhe: "Mestre, quem é que pecou para ele nascer cego? Ele ou os seus pais?" Jesus respondeu-lhes: "Isso não tem nada que ver com os pecados dele ou dos pais; mas aconteceu assim para se manifestarem nele as obras de Deus. É preciso trabalhar, enquanto é dia, nas obras d’Aquele que Me enviou. Vai chegar a noite, em que ninguém pode trabalhar. Enquanto Eu estou no mundo, sou a luz do mundo". Dito isto, cuspiu em terra, fez com a saliva um pouco de lodo e ungiu os olhos do cego. Depois disse-lhe: "Vai lavar-te à piscina de Siloé"; Siloé quer dizer "Enviado". Ele foi, lavou-se e ficou a ver. Entretanto, perguntavam os vizinhos e os que antes o viam a mendigar: "Não é este o que costumava estar sentado a pedir esmola?" Uns diziam: "É ele". Outros afirmavam: "Não é. É parecido com ele". Mas ele próprio dizia: "Sou eu". Perguntaram-lhe então: "Como foi que se abriram os teus olhos?" Ele respondeu: "Esse homem, que se chama Jesus, fez um pouco de lodo, ungiu-me os olhos e disse-me: ‘Vai lavar-te à piscina de Siloé’. Eu fui, lavei-me e comecei a ver". Perguntaram-lhe ainda: "Onde está Ele?" O homem respondeu: "Não sei". Levaram aos fariseus o que tinha sido cego. Era sábado esse dia em que Jesus fizera lodo e lhe tinha aberto os olhos. Por isso, os fariseus perguntaram ao homem como tinha recuperado a vista. Ele declarou-lhes: "Jesus pôs-me lodo nos olhos; depois fui lavar-me e agora vejo". Diziam alguns dos fariseus: "Esse homem não vem de Deus, porque não guarda o sábado". Outros observavam: "Como pode um pecador fazer tais milagres?" E havia desacordo entre eles. Perguntaram então novamente ao cego: "Tu que dizes d’Aquele que te deu a vista?" O homem respondeu: "É um profeta". Os judeus não quiseram acreditar que ele tinha sido cego e começara a ver. Chamaram então os pais dele e perguntaram-lhes: "É este o vosso filho? É verdade que nasceu cego? Como é que ele agora vê?" Os pais responderam: "Sabemos que este é o nosso filho e que nasceu cego; mas não sabemos como é que ele agora vê, nem sabemos quem lhe abriu os olhos. Ele já tem idade para responder; perguntai-lho vós". Foi por medo que eles deram esta resposta, porque os judeus tinham decidido expulsar da sinagoga quem reconhecesse que Jesus era o Messias. Por isso é que disseram: "Ele já tem idade para responder; perguntai-lho vós". Os judeus chamaram outra vez o que tinha sido curado e disseram-lhe: "Dá glória a Deus. Nós sabemos que esse homem é pecador". Ele respondeu: "Se é pecador, não sei. O que sei é que eu era cego e agora vejo". Perguntaram-lhe então: "Que te fez Ele? Como te abriu os olhos?" O homem replicou: "Já vos disse e não destes ouvidos. Porque desejais ouvi-lo novamente? Também quereis fazer-vos seus discípulos?" Então insultaram-no e disseram-lhe: "Tu é que és seu discípulo; nós somos discípulos de Moisés; mas este, nem sabemos de onde é". O homem respondeu-lhes: "Isto é realmente estranho: não sabeis de onde Ele é, mas a verdade é que Ele me deu a vista. Ora, nós sabemos que Deus não escuta os pecadores, mas escuta aqueles que O adoram e fazem a sua vontade. Nunca se ouviu dizer que alguém tenha aberto os olhos a um cego de nascença. Se Ele não viesse de Deus, nada podia fazer". Replicaram-lhe então eles: "Tu nasceste inteiramente em pecado e pretendes ensinar-nos?" E expulsaram-no. Jesus soube que o tinham expulsado e, encontrando-o, disse-lhe: "Tu acreditas no Filho do homem?" Ele respondeu-Lhe: "Senhor, quem é Ele, para que eu acredite?" Disse-lhe Jesus: "Já O viste: é Quem está a falar contigo". O homem prostrou-se diante de Jesus e exclamou: "Eu creio, Senhor". Então Jesus disse-lhe: "Eu vim para exercer um juízo: os que não vêem ficarão a ver; os que vêem ficarão cegos". Alguns fariseus que estavam com Ele, ouvindo isto, perguntaram-Lhe: "Nós também somos cegos?" Respondeu-lhes Jesus: "Se fôsseis cegos, não teríeis pecado. Mas como agora dizeis: ‘Nós vemos’, o vosso pecado permanece".




Catequese com o Papa Francisco - 22.03.2017


Quarta-feira, 22 de março de 2017








Bom dia, amados irmãos e irmãs!

Há já algumas semanas que o Apóstolo Paulo nos ajuda a compreender melhor em que consiste a esperança cristã. E dissemos que não era um otimismo, mas algo diferente. E o Apóstolo ajuda-nos a entender isto. Hoje fá-lo relacionando-a com duas atitudes importantes como nunca para a nossa vida e para a nossa experiência de fé: a «perseverança» e a «consolação» (vv. 4.5). No trecho da Carta aos Romanos, que há pouco ouvimos, elas são citadas duas vezes: primeiro em referência às Escrituras e depois ao próprio Deus. Qual é o seu significado mais profundo, mais verdadeiro? E de que modo elucidam a realidade da esperança? Estas duas atitudes: a perseverança e a consolação.

A perseverança, poderíamos defini-la também como paciência: é a capacidade de suportar, carregar às costas, «su-portar», permanecer fiel, até quando o peso parece tornar-se grande demais, insustentável, e teríamos a tentação de julgar negativamente e abandonar tudo e todos. Ao contrário, a consolação é a graça de saber ver e mostrar em todas as situações, até nas mais marcadas pela desilusão e pelo sofrimento, a presença e ação misericordiosa de Deus. Pois bem, São Paulo recorda-nos que a perseverança e a consolação nos são transmitidas de modo especial pelas Escrituras (v. 4), ou seja, pela Bíblia. Com efeito, em primeiro lugar a Palavra de Deus leva-nos a dirigir o olhar para Jesus, a conhecê-lo melhor e a conformar-nos com Ele, a assemelhar-nos cada vez mais a Ele. Em segundo lugar, a Palavra revela-nos que o Senhor é verdadeiramente «o Deus da perseverança e da consolação» (v. 5), que permanece sempre fiel ao seu amor por nós, ou seja, que é perseverante no seu amor por nós, não se cansa de nos amar! É perseverante: ama-nos sempre! E cuida de nós, cobrindo as nossas feridas com a carícia da sua bondade e da sua misericórdia, isto é, consola-nos. Não se cansa de nos consolar.

É nesta perspetiva que se compreende também a afirmação inicial do Apóstolo: «Nós, que somos fortes, devemos suportar as fraquezas de quantos não o são, sem procurar o que nos é agradável» (v. 1). Esta expressão «nós, que somos fortes» poderia parecer presunçosa, contudo na lógica do Evangelho sabemos que não é assim mas, ao contrário, é exatamente o oposto, porque a nossa força não provém de nós mesmos, mas do Senhor. Quem experimenta na própria vida o amor fiel de Deus e a sua consolação é capaz, aliás, tem o dever de estar perto dos irmãos mais frágeis e de carregar as suas fragilidades. Se permanecermos próximos do Senhor, teremos a fortaleza para estar perto dos mais frágeis, dos mais necessitados, para os consolar e fortalecer. Este é o seu significado. E podemos fazer isto sem autossatisfação, mas sentindo-nos simplesmente como um «canal» que transmite os dons do Senhor; e assim tornamo-nos concretamente «semeadores» de esperança. É isto que o Senhor nos pede, com a fortaleza e a capacidade de consolar e de sermos semeadores de esperança. E hoje é necessário semear esperança, mas não é fácil...

O fruto deste estilo de vida não é uma comunidade em que alguns são de «série a», ou seja os fortes, e outros de «série b», isto é os fracos. Ao contrário, como diz Paulo, o fruto consiste em «ter os mesmos sentimentos uns para com os outros, segundo Jesus Cristo» (v. 5). A Palavra de Deus alimenta uma esperança que se traduz concretamente em partilha, em serviço recíproco. Pois até quem é «forte», mais cedo ou mais tarde experimenta a fragilidade e tem necessidade da consolação dos outros; e vice-versa, na debilidade podemos oferecer sempre um sorriso ou uma mão ao irmão em dificuldade. E é uma comunidade como esta que «glorifica a Deus com um só coração e uma só voz» (cf. v. 6). Mas tudo isto só é possível se no centro pusermos Cristo e a sua Palavra, porque Ele é o «forte», Ele é aquele que nos dá a força, a paciência, a esperança, a consolação. Ele é o «irmão forte» que cuida de cada um de nós: com efeito, todos nós temos necessidade de ser carregados às costas pelo Bom Pastor, de nos sentirmos contemplados pelo seu olhar terno e atencioso.

Caros amigos, nunca agradecemos suficientemente a Deus o dom da sua Palavra, que se torna presente nas Escrituras. É ali que o Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo se revela como «Deus da perseverança e da consolação». E é ali que nos tornamos conscientes de que a nossa esperança não se baseia nas nossas próprias capacidades nem nas nossas forças, mas na ajuda de Deus e na fidelidade do seu amor, ou seja, na força e na consolação de Deus. Obrigado!


Saudações

Dirijo a minha cordial saudação aos participantes no Congresso sobre o tema: «Watershed: Replenishing Water Values for a Thirsty World», promovido pelo Pontifício Conselho para a Cultura e pelo Capítulo argentino do Clube de Roma. Celebra-se precisamente hoje o Dia mundial da água, instituído há vinte e cinco anos pelas Nações Unidas, e ontem foi comemorad0 o Dia internacional das florestas. Alegro-me com este encontro, que marca uma nova etapa no compromisso comum de várias instituições, a fim de sensibilizar para a necessidade de tutelar a água como bem de todos, valorizando também os seus significados culturais e religiosos. Encorajo de modo especial o vosso esforço no campo educacional, com propostas a favor das crianças e dos jovens. Obrigado pelo que fazeis e que Deus vos abençoe!

Saúdo os peregrinos de língua portuguesa, do Brasil e de Portugal. Queridos amigos, somos chamados a estar sempre disponíveis para os outros, com um sorriso ou com uma mão estendida para quem está em dificuldade, tornando-nos assim verdadeiros semeadores de esperança. Que Deus vos abençoe a todos!

Convido todas as comunidades a viver com fé o encontro de 24 e 25 de março, para voltar a descobrir o sacramento da reconciliação: «24 horas pelo Senhor». Faço votos a fim de que também no corrente ano este momento privilegiado de graça do caminho quaresmal seja vivido em muitas igrejas do mundo para experimentar o alegre encontro com a misericórdia do Pai, que a todos acolhe e perdoa.

Saúdo os participantes na assembleia para os diretores de Migrantes, enquanto os animo a prosseguir no compromisso em prol do acolhimento e da hospitalidade aos migrantes e refugiados, favorecendo a sua integração e tendo em consideração os direitos e deveres recíprocos para quantos acolhem e para os que são acolhidos. Não nos esqueçamos que o atual problema dos refugiados e dos migrantes é a maior tragédia depois da segunda guerra mundial.

Dirijo uma saudação particular aos jovens, aos doentes e aos recém-casados. No próximo sábado celebraremos a Solenidade da Anunciação do Senhor à Virgem Maria. Estimados jovens, sabei estar à escuta da vontade de Deus, como Maria; diletos enfermos, não desanimeis nos momentos mais difíceis, conscientes de que o Senhor não dá uma cruz superior às vossas forças; e vós, prezados recém-casados, edificai a vossa vida matrimonial sobre a rocha firme da Palavra de Deus.




Fonte: Vaticano




Angelus com o Papa Francisco - 19.03.2017


Praça São Pedro
III Domingo de Quaresma, 19 de março de 2017








Amados irmãos e irmãs, bom dia!

O Evangelho deste domingo, terceiro de Quaresma, apresenta-nos o diálogo de Jesus com a samaritana (cf. Jo 4, 5-42). O encontro aconteceu quando Jesus atravessava a Samaria, região entre a Judeia e a Galileia, habitada por pessoas que os judeus desprezavam, considerando-a cismática e herege. Mas será precisamente esta população uma das primeiras a aderir à pregação cristã dos Apóstolos. Enquanto os discípulos vão à aldeia procurar comida, Jesus permanece junto de um poço e pede de beber a uma mulher que ali tinha ido buscar água. E deste pedido começa um diálogo. «Como é que Tu, sendo judeu, te dignas pedir alguma coisa a uma samaritana?». Jesus responde: se soubesses quem sou, e o dom que tenho para ti, serias tu a pedir e eu te daria «água viva», uma água que sacia qualquer sede e se torna fonte inexaurível no coração de quem a bebe (cf. vv. 10-14).

Ir ao poço buscar água é cansativo e tedioso; seria bom ter à disposição uma fonte a jorrar! Mas Jesus fala de uma água diversa. Quando a mulher se apercebe que o homem com o qual está a falar é um profeta, confidencia-lhe a própria vida e apresenta-lhe questões religiosas. A sua sede de afeto e de vida plena não foi satisfeita pelos cinco maridos que tivera, aliás, viveu desilusões e enganos. Por isso a mulher fica admirada com o grande respeito que Jesus tem por ela e quando Ele lhe fala até da verdadeira fé, como relação com Deus Pai «em espírito e verdade», então ela intui que aquele homem poderia ser o Messias e Jesus — o que é raríssimo — confirma-o: «Sou Eu, que falo contigo» (v. 26). Ele diz que é o Messias a uma mulher com uma vida tão dissoluta.

Queridos irmãos! A água que dá a vida eterna foi infundida nos nossos corações no dia do nosso Batismo; nele Deus transformou-nos e encheu-nos da sua graça. Mas talvez este grande dom o tenhamos esquecido, ou reduzido a um mero dado civil; e talvez vamos à procura de «poços» cujas águas não nos matam a sede. Quando esquecemos a verdadeira água, vamos à procura de poços que não têm água limpa. Então este Evangelho é precisamente para nós! Não só para a samaritana, mas para nós. Jesus fala-nos como falou à samaritana. Certamente nós já o conhecemos, mas talvez ainda não o tenhamos encontrado pessoalmente. Sabemos quem é Jesus, mas talvez não o tenhamos encontrado pessoalmente, nem falado com Ele, e ainda não o reconhecemos como o nosso Salvador. Este tempo de Quaresma é a ocasião boa para nos aproximarmos d’Ele, encontrá-lo na oração num diálogo direto, falar com Ele, ouvi-lo; é a ocasião para ver o seu rosto também no rosto de um irmão ou de uma irmã que sofre. Deste modo podemos renovar em nós a graça do Batismo, matar a sede na fonte da Palavra de Deus e do seu Espírito Santo; e assim descobrir também a alegria de nos tornarmos artífices de reconciliação e instrumentos de paz na vida diária.

A Virgem Maria nos ajude a beber constantemente da graça, daquela água que brota da rocha que é Cristo Salvador, para que possamos professar com convicção a nossa fé e anunciar com alegria as maravilhas do amor de Deus misericordioso e fonte de todo o bem.

Depois do Angelus

Queridos irmãos e irmãs!

Desejo garantir a minha proximidade à amada população do Peru, duramente atingida por inundações devastadoras. Rezo pelas vítimas e por quantos estão comprometidos a prestar socorros.

Ontem em Bolzano, foi proclamado Beato Josef Mayr-Nusser, pai de família e representante da Ação Católica, martirizado porque recusou aderir ao nazismo por fidelidade ao Evangelho. Pela sua grande envergadura moral e espiritual ele constitui um modelo para os fiéis leigos, sobretudo para os pais, que hoje recordamos com grande afeto, mesmo se a festa litúrgica de São José se celebrará amanhã porque hoje é domingo. Saudemos todos os pais com um grande aplauso. [as pessoas aplaudem]

Dirijo uma cordial saudação a todos vós peregrinos de Roma, da Itália e de diversos países. Saúdo as comunidades neocatecumenais que vieram de Angola e da Lituânia; assim como os responsáveis da Comunidade de Santo Egídio da África e da América Latina.

Desejo a todos bom domingo. Não vos esqueçais de rezar por mim. Bom almoço e até à vista!




Fonte: Vaticano




domingo, 19 de março de 2017

Evangelho do III Domingo da Quaresma - Ano A


São João 4, 5-42

Naquele tempo, chegou Jesus a uma cidade da Samaria, chamada Sicar, junto da propriedade que Jacob tinha dado a seu filho José, onde estava a fonte de Jacob. Jesus, cansado da caminhada, sentou-Se à beira do poço. Era por volta do meio-dia. Veio uma mulher da Samaria para tirar água. Disse-lhe Jesus: "Dá-Me de beber". Os discípulos tinham ido à cidade comprar alimentos. Respondeu-Lhe a samaritana: "Como é que Tu, sendo judeu, me pedes de beber, sendo eu samaritana?" De facto, os judeus não se dão com os samaritanos. Disse-lhe Jesus: "Se conhecesses o dom de Deus e quem é Aquele que te diz: ‘Dá-Me de beber’, tu é que Lhe pedirias e Ele te daria água viva". Respondeu-Lhe a mulher: "Senhor, Tu nem sequer tens um balde, e o poço é fundo: donde Te vem a água viva? Serás Tu maior do que o nosso pai Jacob, que nos deu este poço, do qual ele mesmo bebeu, com os seus filhos e os seus rebanhos?" Disse-Lhe Jesus: "Todo aquele que bebe desta água voltará a ter sede. Mas aquele que beber da água que Eu lhe der nunca mais terá sede: a água que Eu lhe der tornar-se-á nele uma nascente que jorra para a vida eterna". "Senhor, – suplicou a mulher – dá-me dessa água, para que eu não sinta mais sede e não tenha de vir aqui buscá-la". Disse-lhe Jesus: "Vai chamar o teu marido e volta aqui". Respondeu-lhe a mulher: "Não tenho marido". Jesus replicou: "Disseste bem que não tens marido, pois tiveste cinco e aquele que tens agora não é teu marido. Neste ponto falaste verdade". Disse-lhe a mulher: "Senhor, vejo que és profeta. Os nossos antepassados adoraram neste monte, e vós dizeis que é em Jerusalém que se deve adorar". Disse-lhe Jesus: "Mulher, podes acreditar em Mim: Vai chegar a hora em que nem neste monte nem em Jerusalém adorareis o Pai. Vós adorais o que não conheceis; nós adoramos o que conhecemos, porque a salvação vem dos judeus. Mas vai chegar a hora – e já chegou – em que os verdadeiros adoradores hão-de adorar o Pai em espírito e verdade, pois são esses os adoradores que o Pai deseja. Deus é espírito e os seus adoradores devem adorá-l’O em espírito e verdade". Disse-Lhe a mulher: "Eu sei que há-de vir o Messias, isto é, Aquele que chamam Cristo. Quando vier, há-de anunciar-nos todas as coisas". Respondeu-lhe Jesus: "Sou Eu, que estou a falar contigo". Nisto, chegaram os discípulos e ficaram admirados por Ele estar a falar com aquela mulher, mas nenhum deles Lhe perguntou: "Que pretendes?" ou então: "Porque falas com ela?" A mulher deixou a bilha, correu à cidade e falou a todos: "Vinde ver um homem que me disse tudo o que eu fiz. Não será Ele o Messias?" Eles saíram da cidade e vieram ter com Jesus. Entretanto, os discípulos insistiam com Ele, dizendo: "Mestre, come". Mas Ele respondeu-lhes: "Eu tenho um alimento para comer que vós não conheceis". Os discípulos perguntavam uns aos outros: "Porventura alguém Lhe trouxe de comer?" Disse-lhes Jesus: "O meu alimento é fazer a vontade d’Aquele que Me enviou e realizar a sua obra. Não dizeis vós que dentro de quatro meses chegará o tempo da colheita? Pois bem, Eu digo-vos: Erguei os olhos e vede os campos, que já estão loiros para a ceifa. Já o ceifeiro recebe o salário e recolhe o fruto para a vida eterna e, deste modo, se alegra o semeador juntamente com o ceifeiro. Nisto se verifica o ditado: ‘Um é o que semeia e outro o que ceifa’. Eu mandei-vos ceifar o que não trabalhastes. Outros trabalharam e vós aproveitais-vos do seu trabalho". Muitos samaritanos daquela cidade acreditaram em Jesus, por causa da palavra da mulher, que testemunhava: "Ele disse-me tudo o que eu fiz". Por isso os samaritanos, quando vieram ao encontro de Jesus, pediram-Lhe que ficasse com eles. E ficou lá dois dias. Ao ouvi-l’O, muitos acreditaram e diziam à mulher: "Já não é por causa das tuas palavras que acreditamos. Nós próprios ouvimos e sabemos que Ele é realmente o Salvador do mundo".





Catequese com o Papa Francisco - 15.03.2017


Praça São Pedro
Quarta-feira, 15 de março de 2017








Bom dia, estimados irmãos e irmãs!

Sabemos bem que o grande mandamento que o Senhor Jesus nos deixou é o de amar: amar a Deus com todo o coração, com toda a alma e com toda a mente, e amar o próximo como a nós mesmos (cf. Mt 22, 37-39), ou seja, somos chamados ao amor, à caridade. E esta é a nossa vocação mais sublime, a nossa vocação por excelência; e a ela está vinculado também o júbilo da esperança cristã. Quem ama tem a alegria da esperança, de chegar a encontrar o grande amor que é o Senhor.

No trecho da Carta aos Romanos que há pouco ouvimos, o Apóstolo Paulo alerta-nos: existe o risco de que a nossa caridade seja hipócrita, que o nosso amor seja hipócrita. Então, devemos interrogar-nos: quando se verifica esta hipocrisia? E como podemos estar certos de que o nosso amor é sincero, que a nossa caridade é autêntica? Que não fingimos que praticamos a caridade ou que o nosso amor não é uma telenovela: amor sincero, forte...

A hipocrisia pode insinuar-se em toda a parte, até no nosso modo de amar. Isto verifica-se quando o nosso amor é interesseiro, impelido por interesses pessoais; e quantos amores interesseiros existem... quando os serviços de caridade nos quais parece que trabalhamos são realizados para nos mostrarmos ou para nos sentirmos satisfeitos: «Mas como sou bom!». Não, isto é hipocrisia! Ou então quando visamos situações que tenham «visibilidade» para mostrar a nossa inteligência ou a nossa capacidade. Por detrás de tudo isto existe uma ideia falsa, enganadora, ou seja, se amamos é porque somos bons; como se a caridade fosse uma criação do homem, um produto do nosso coração. Ao contrário, a caridade é antes de tudo uma graça, um presente; poder amar é uma dádiva de Deus, que devemos pedir. E Ele concede-o de bom grado, se lho pedirmos. A caridade é uma graça: não consiste em fazer transparecer o que nós somos, mas aquilo que o Senhor nos oferece e que nós recebemos livremente; e não se pode expressar no encontro com o próximo, se antes não for gerado pelo encontro com o semblante manso e misericordioso de Jesus.

Paulo convida-nos a reconhecer que somos pecadores e que até o nosso modo de amar é marcado pelo pecado. No entanto, ao mesmo tempo faz-se portador de um anúncio novo, um anúncio de esperança: o Senhor abre-nos um caminho de libertação, uma vereda de salvação. É a possibilidade de vivermos, também nós, o grande mandamento do amor, de nos tornamos instrumentos da caridade de Deus. E isto acontece quando nos deixamos curar e renovar o coração por Cristo ressuscitado. O Senhor ressuscitado que vive no meio de nós, que vive ao nosso lado, é capaz de curar o nosso coração: e fá-lo se lho pedirmos. É Ele quem nos permite, não obstante a nossa pequenez e pobreza, experimentar a compaixão do Pai e celebrar as maravilhas do seu amor. Então, compreende-se que tudo o que podemos ver e fazer pelos irmãos é apenas a resposta àquilo que Deus fez e continua a fazer por nós. Aliás, é o próprio Deus que, fazendo morada no nosso coração e na nossa vida, continua a aproximar-se e a servir todos aqueles que encontramos todos os dias no nosso caminho, a começar pelos últimos e pelos mais necessitados, nos quais Ele é o primeiro que se reconhece.

Então, com estas palavras o Apóstolo Paulo não quer tanto repreender-nos, como ao contrário encorajar-nos e reavivar a nossa esperança. Com efeito, todos nós fazemos a experiência de não viver o mandamento do amor plenamente ou como deveríamos. Mas também isto é uma graça, porque nos leva a compreender que sozinhos não somos capazes de amar de maneira autêntica: temos necessidade de que o Senhor renove continuamente este dom no nosso coração, através da experiência da sua misericórdia infinita. Só assim voltaremos a apreciar as pequenas coisas, as coisas simples, ordinárias; só assim voltaremos a valorizar todas estas pequenas coisas de todos os dias e seremos capazes de amar os outros como Deus os ama, desejando o seu bem, isto é, que sejam santos, amigos de Deus; e ficaremos contentes com a possibilidade de nos tornarmos próximos de quantos são pobres e humildes, como Jesus faz com cada um de nós quando nos afastamos dele, de nos inclinarmos aos pés dos irmãos como Ele, Bom Samaritano, faz com cada um de nós, mediante a sua compaixão e o seu perdão.

Amados irmãos, o que o Apóstolo Paulo nos recordou é o segredo para sermos — uso as suas palavras — o segredo para sermos «alegres na esperança» (Rm 12, 12): alegres na esperança. O júbilo da esperança, pois sabemos que em cada circunstância, até na mais adversa e inclusive através dos nossos próprios fracassos, o amor de Deus não esmorece. Então, com coração visitado e habitado pela sua graça e pela sua fidelidade, vivamos na jubilosa esperança de partilhar com os irmãos, no pouco que podemos, aquilo que recebemos dele todos os dias. Obrigado!


Saudações

Saúdo cordialmente os peregrinos de língua portuguesa, em particular o grupo da Amadora e os cidadãos lisboetas de Santo António guiados pelo Presidente da Junta de Freguesia. O Senhor vos abençoe e encha de alegria, e o Espírito Santo ilumine as decisões da vossa vida, para realizardes fielmente a vontade do Pai celeste. Sobre todos vós e sobre as vossas famílias e comunidades, vele a Virgem Mãe de Deus e da Igreja.

Dirijo um pensamento especial aos trabalhadores da «Sky Itália», enquanto faço votos a fim de que a sua situação de trabalho possa encontrar uma rápida solução, no respeito pelos direitos de todos, particularmente das famílias. O trabalho dá dignidade, e os responsáveis dos povos e os governantes têm a obrigação de fazer tudo a fim de que cada homem e cada mulher possam trabalhar e assim erguer a cabeça e olhar os outros na cara com dignidade. Quem, com manobras financeiras e para fazer negociações não totalmente claras, fecha fábricas e empresas, privando os homens do seu trabalho, comete um pecado gravíssimo.

Finalmente, dirijo uma saudação aos jovens, aos doentes e aos recém-casados. O tempo litúrgico da Quaresma favoreça a reaproximação de Deus: jejuai não apenas das refeições, mas sobretudo dos maus hábitos, diletos jovens, para adquirir maior domínio sobre vós mesmos; a oração seja para vós, prezados doentes, o instrumento para sentir Deus próximo de vós, particularmente no sofrimento; e a prática das obras de misericórdia vos ajude todos, caros recém-casados, a viver a vossa existência conjugal abrindo-a à necessidade dos irmãos.



Fonte: Vaticano




Angelus com o Papa Francisco - 12.03.2017


Praça São Pedro
II Domingo de Quaresma, 12 de março de 2017








Amados irmãos e irmãs, bom dia!

O Evangelho deste segundo domingo de Quaresma apresenta-nos a narração da Transfiguração de Jesus (cf. Mt 17, 1-9). Tomou consigo em particular três apóstolos, Pedro, Tiago e João, subiu com eles a um alto monte, e lá deu-se este singular fenómeno: o rosto de Jesus «brilhou como o sol e as suas vestes tornaram-se brancas como a luz» (v. 2). Deste modo o Senhor fez resplandecer na sua própria pessoa aquela glória divina que se podia obter com a fé na sua pregação e nos seus gestos milagrosos. E a transfiguração, no monte, é acompanhada pela aparição de Moisés e Elias, «que conversavam com Ele» (v. 3).

A «luminosidade» que caracteriza este evento extraordinário simboliza a sua finalidade: iluminar as mentes e os corações dos discípulos para que possam compreender claramente quem é o seu Mestre. É um raio de luz que se abre de repente sobre o mistério de Jesus e ilumina toda a sua pessoa e toda a sua vicissitude.

Agora decididamente encaminhado para Jerusalém, onde deverá sofrer a condenação à morte por crucificação, Jesus quer preparar os seus para este escândalo — o escândalo da cruz — para este escândalo demasiado forte para a sua fé e, ao mesmo tempo, prenunciar a sua ressurreição, manifestando-se como o Messias, o Filho de Deus. Com efeito, Jesus estava a demonstrar-se um Messias diverso em relação às expetativas, àquilo que eles imaginavam acerca do Messias, como era o Messias: não um rei poderoso e glorioso, mas um servo humilde e desarmado; não um senhor de grandes riquezas, sinal de bênção, mas um homem pobre, que não tem onde reclinar a cabeça; não um patriarca com descendência numerosa, mas um solteiro sem casa nem refúgio. É deveras uma revelação invertida de Deus, e o sinal mais desconcertante desta escandalosa inversão é a cruz. Mas precisamente através da cruz Jesus chegará à ressurreição gloriosa, que será definitiva, não como esta transfiguração que durou um momento, um instante.

Jesus transfigurado no monte Tabor quis mostrar aos seus discípulos a sua glória, não para evitar que eles passassem através da cruz, mas para indicar onde carregar a cruz. Quem morre com Cristo, com Cristo ressuscitará. E a cruz é a porta da ressurreição. Quem luta juntamente com Ele, com Ele triunfará. Eis a mensagem de esperança que a cruz de Jesus contém, exortando à fortaleza na nossa existência. A Cruz cristã não é um adorno de casa nem um ornamento pessoal, mas a cruz cristã é uma chamada ao amor com o qual Jesus se sacrificou para salvar a humanidade do mal e do pecado. Neste tempo de Quaresma, contemplemos com devoção a imagem do crucificado, Jesus na cruz: ele é o símbolo da fé cristã, é o emblema de Jesus, morto e ressuscitado por nós. Façamos com que a Cruz ritme as etapas do nosso itinerário quaresmal para compreender cada vez mais a gravidade do pecado e o valor do sacrifício com o qual o Redentor salvou todos nós.

A Virgem Santa soube contemplar a glória de Jesus escondida na sua humildade. Que ela nos ajude a estar com Ele na oração silenciosa, a deixarmo-nos iluminar pela sua presença, para trazer ao coração, através das noites mais escuras, um reflexo da sua glória.


Depois do Angelus

Queridos irmãos e irmãs!

Expresso a minha proximidade ao povo da Guatemala, que vive em luta pelo grave e triste incêndio que rebentou dentro da Casa Refúgio Virgem da Assunção, causando vítimas e feridos entre as jovens que ali habitavam. O Senhor acolha as suas almas, cure os feridos, conforte as suas famílias angustiadas e toda a nação.

Rezo também e peço-vos que rezeis comigo por todas as moças e jovens vítimas de violências, de maus-tratos, de exploração e de guerras. Esta é uma chaga, este é um grito abafado que deve ser ouvido por todos nós e que não podemos continuar a fingir que não vemos nem ouvimos.

Dirijo uma cordial saudação a todos vós aqui presentes, fiéis de Roma e de tantas partes do mundo.

A todos desejo bom domingo. Por favor não vos esqueçais de rezar por mim. Bom almoço e até à vista!




Fonte: Vaticano




domingo, 12 de março de 2017

Evangelho do II Domingo da Quaresma - Ano A


São Mateus 17, 1-9

Naquele tempo, Jesus tomou consigo Pedro, Tiago e João seu irmão e levou-os, em particular, a um alto monte e transfigurou-Se diante deles: o seu rosto ficou resplandecente como o sol e as suas vestes tornaram-se brancas como a luz. E apareceram Moisés e Elias a falar com Ele. Pedro disse a Jesus: "Senhor, como é bom estarmos aqui! Se quiseres, farei aqui três tendas: uma para Ti, outra para Moisés e outra para Elias". Ainda ele falava, quando uma nuvem luminosa os cobriu com a sua sombra e da nuvem uma voz dizia: "Este é o meu Filho muito amado, no qual pus toda a minha complacência. Escutai-O". Ao ouvirem estas palavras, os discípulos caíram de rosto por terra e assustaram-se muito. Então Jesus aproximou-se e, tocando-os, disse: "Levantai-vos e não temais". Erguendo os olhos, eles não viram mais ninguém, senão Jesus. Ao descerem do monte, Jesus deu-lhes esta ordem: "Não conteis a ninguém esta visão, até o Filho do homem ressuscitar dos mortos".






Angelus com o Papa Francisco - 05.03.2017


Praça São Pedro
I Domingo de Quaresma, 5 de março de 2017









Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

Neste primeiro domingo de Quaresma, o Evangelho introduz-nos no caminho rumo à Páscoa, mostrando Jesus que permanece por quarenta dias no deserto, submetido às tentações do diabo (cf. Mt 4, 1-11). Este episódio coloca-se num momento específico da vida de Jesus: imediatamente depois do batismo no rio Jordão e antes do ministério público. Ele acabou de receber a solene investidura: o Espírito de Deus desceu sobre Ele, o Pai do céu declarou-o «Meu Filho muito amado» (Mt 3, 17). Jesus já está pronto para iniciar a sua missão; e dado que ela tem um inimigo declarado, ou seja, Satanás, Ele enfrenta-o imediatamente, “corpo a corpo”. O diabo recorre precisamente ao título de “Filho de Deus” para afastar Jesus do cumprimento da sua missão: «Se tu és o Filho de Deus...», repete (vv. 3.6), e propõe-lhe que faça gestos milagrosos — que seja “feiticeiro” — como por exemplo transformar as pedras em pão para saciar a sua fome, e lançar-se abaixo dos muros do templo para ser salvo pelos anjos. A estas duas tentações, segue-se a terceira: adorar a ele, o diabo, para ter o domínio sobre o mundo (cf. v. 9).

Mediante esta tríplice tentação, Satanás quer desviar Jesus do caminho da obediência e da humilhação — porque sabe que assim, por esta via, o mal será derrotado — e levá-lo pelo falso atalho do sucesso e da glória. Mas as flechas venenosas do diabo são todas «detidas» por Jesus com o escudo da Palavra de Deus (vv. 4.7.10.) que exprime a vontade do Pai. Jesus não profere qualquer palavra própria: responde somente com a Palavra de Deus. E assim o Filho, repleto da força do Espírito Santo, sai vitorioso do deserto.

Durante os quarenta dias da Quaresma, como cristãos somos convidados a seguir os passos de Jesus e a enfrentar o combate espiritual contra o Maligno com a força da Palavra de Deus. Não com a nossa palavra, não serve. A palavra de Deus: ela tem a força para derrotar Satanás. Por esta razão, é necessário familiarizar-se com a Bíblia: lê-la frequentemente, meditá-la, assimilá-la. A Bíblia contém a Palavra de Deus, que é sempre atual e eficaz. Alguém disse: o que aconteceria se tratássemos a Bíblia como tratamos o nosso telemóvel? Se a trouxéssemos sempre connosco, ou pelo menos o pequeno Evangelho de bolso, o que aconteceria? Se voltássemos atrás quando o esquecemos: te esqueces do telemóvel — oh, não o tenho, volto atrás para o procurar; se a abríssemos várias vezes por dia; se lêssemos as mensagens de Deus contidas na Bíblia como lemos as mensagens do telemóvel, o que aconteceria? Obviamente a comparação é paradoxal, mas faz refletir. Com efeito, se tivéssemos sempre a Palavra de Deus no coração, nenhuma tentação poderia afastar-nos de Deus e nenhum obstáculo nos poderia fazer desviar do caminho do bem; saberíamos vencer as insinuações quotidianas do mal que está em nós e fora de nós; seríamos mais capazes de levar uma vida ressuscitada segundo o Espírito, acolhendo e amando os nossos irmãos, especialmente os mais débeis e necessitados, e também os nossos inimigos.

A Virgem Maria, ícone perfeito da obediência a Deus e da confiança incondicional à sua vontade, nos sustente no caminho quaresmal, para que nos coloquemos à escuta dócil da Palavra de Deus a fim de realizar uma verdadeira conversão do coração.



Depois do Angelus

Caros irmãos e irmãs,

Dirijo uma cordial saudação às famílias, aos grupos paroquiais, às associações e a todos os peregrinos vindos da Itália e de diversos países.

Saúdo os fiéis provenientes das dioceses de Madrid, Córdoba e Varsóvia; assim como de Belluno e Mestre. Saúdo os jovens do decanato de Baggio (Milão) e quantos participam no encontro promovido pelas Professoras Pias Filipinas.

Há alguns dias começamos a Quaresma, que é o caminho do Povo de Deus rumo à Páscoa, um caminho de conversão, de luta contra o mal com as armas da oração, do jejum e das obras de caridade. Desejo a todos que o caminho quaresmal seja rico de frutos; e peço-vos uma recordação na oração por mim e pelos colaboradores da Cúria Romana, que esta noite iniciarão a semana de Exercícios Espirituais. Obrigado de coração por esta oração que fareis.

E, por favor, não vos esqueçais — não esqueçais! — o que aconteceria se tratássemos a Bíblia como tratamos o nosso telemóvel. Pensai nisto. A Bíblia está sempre connosco, próxima de nós!

Desejo-vos bom domingo! Bom almoço! Até à vista!




Fonte: Vaticano




domingo, 5 de março de 2017

Evangelho do I Domingo da Quaresma - Ano A


São Mateus 4, 1-11

Naquele tempo, Jesus foi conduzido pelo Espírito ao deserto, a fim de ser tentado pelo Demônio. Jejuou quarenta dias e quarenta noites e, por fim, teve fome. O tentador aproximou-se e disse-lhe: "Se és Filho de Deus, diz a estas pedras que se transformem em pães". Jesus respondeu-lhe: "Está escrito: ‘Nem só de pão vive o homem, mas de toda a palavra que sai da boca de Deus’". Então o Demônio conduziu-O à cidade santa, levou-O ao pináculo do templo e disse-Lhe: 6«Se és Filho de Deus, lança-Te daqui abaixo, pois está escrito: ‘Deus mandará aos seus Anjos que te recebam nas suas mãos, para que não tropeces em alguma pedra’". Respondeu-lhe Jesus: "Também está escrito: ‘Não tentarás o Senhor teu Deus’". De novo o Demônio O levou consigo a um monte muito alto, mostrou-Lhe todos os reinos do mundo e a sua glória, e disse-Lhe: "Tudo isto Te darei, se, prostrado, me adorares". Respondeu-lhe Jesus: "Vai-te, Satanás, porque está escrito: ‘Adorarás o Senhor teu Deus e só a Ele prestarás culto’". Então o Demônio deixou-O e logo os Anjos se aproximaram e serviram Jesus.





Catequese com Papa Francisco - 01.03.2017


Quarta-feira, 1º de março de 2017









Bom dia, prezados irmãos e irmãs!

Neste dia, Quarta-Feira de Cinzas, entramos no Tempo litúrgico da Quaresma. E dado que prosseguimos o ciclo de catequeses sobre a esperança cristã, hoje gostaria de vos apresentar a Quaresma como caminho de esperança.

Com efeito, esta perspetiva é imediatamente evidente se pensarmos que a Quaresma foi instituída na Igreja como tempo de preparação para a Páscoa, e portanto todo o sentido deste período de quarenta dias adquire luz do mistério pascal para o qual está orientado. Podemos imaginar o Senhor Ressuscitado que nos chama a sair das nossas trevas, e nós caminhamos rumo a Ele, que é a Luz. E a Quaresma é um caminho rumo a Jesus Ressuscitado, um período de penitência e até de mortificação, contudo não é um fim em si mesmo, mas visa levar-nos a ressuscitar em Cristo, a renovar a nossa identidade batismal, ou seja, a nascer novamente «do alto», do amor de Deus (cf. Jo 3, 3). Eis por que motivo, por sua natureza, a Quaresma é tempo de esperança.

Para compreender melhor o que isto significa, devemos referir-nos à experiência fundamental do êxodo dos israelitas do Egito, descrita pela Bíblia no livro que tem este nome: Êxodo. O ponto de partida é a condição de escravidão no Egito, a opressão, os trabalhos forçados. Mas o Senhor não se esqueceu do seu povo, nem da sua promessa: chama Moisés e, com braço poderoso, leva os israelitas a sair do Egito, guiando-os através do deserto rumo à Terra da liberdade. Durante este caminho da escravidão para a liberdade, o Senhor dá a lei aos israelitas para os educar a amá-lo, a Ele que é o único Senhor, e a amar-se entre si como irmãos. A Escritura demonstra que o êxodo é longo e difícil: simbolicamente dura quarenta anos, ou seja, o tempo de vida de uma geração. Uma geração que, perante as provas do caminho, é sempre tentada a sentir saudade do Egito e a voltar atrás. Também todos nós conhecemos a tentação de voltar atrás, todos! Mas o Senhor permanece fiel e aqueles coitados, guiados por Moisés, chegam à Terra prometida. Todo este caminho é percorrido na esperança: a esperança de chegar à Terra, e exatamente neste sentido constitui um «êxodo», uma saída da escravidão para a liberdade. E estes quarenta dias são também para todos nós uma saída da escravidão e do pecado para a liberdade, ao encontro com Cristo Ressuscitado. Cada passo, cada esforço, cada provação, cada queda e cada retomada, tudo tem sentido somente no contexto do desígnio de salvação de Deus, que para o seu povo deseja a vida e não a morte, a alegria e não a dor.

A Páscoa de Jesus é o seu êxodo, mediante o qual Ele nos abriu o caminho para alcançar a vida plena, terna e bem-aventurada. Para abrir este caminho, esta passagem, Jesus teve que se despojar da sua glória, humilhar-se, tornar-se obediente até à morte, e morte de cruz. Abrir o nosso caminho para a vida eterna custou-lhe todo o seu sangue, e foi graças a Ele que nós fomos salvos da escravidão do pecado. Mas isto não quer dizer que Ele fez tudo e nós não devemos fazer nada, que Ele passou através da cruz e nós «vamos para o Paraíso de carruagem». Não é assim! Sem dúvida, a nossa salvação é sua dádiva, mas por ser uma história de amor, exige o nosso «sim» e a nossa participação no seu amor, como nos demonstra a nossa Mãe Maria, e depois dela todos os santos.

A Quaresma vive desta dinâmica: Cristo precede-nos com o seu êxodo e nós atravessamos o deserto graças a Ele e atrás dele. Ele é tentado por nós e derrotou o Tentador por nós, mas também nós devemos enfrentar e superar as tentações com Ele. Ele oferece-nos a água viva do seu Espírito, e a nós compete haurir da sua fonte e beber dos Sacramentos, da oração e da adoração; Ele é a luz que derrota as trevas, e a nós pede-se que alimentemos a pequena chama que nos foi confiada no dia do nosso Batismo.

Neste sentido, a Quaresma é «sinal sacramental da nossa conversão» (Missal Romano, Oração da Coleta do 1º Domingo de Quaresma); quem percorre o caminho da Quaresma está sempre na vereda da conversão. A Quaresma é sinal sacramental do nosso itinerário da escravidão para a liberdade, que deve ser sempre renovado. Um caminho certamente exigente, como é justo que seja, porque o amor é exigente, mas um caminho repleto de esperança. Aliás, diria mais: o êxodo quaresmal é o caminho em que a própria esperança se forma. O esforço de atravessar o deserto — todas as provas, as tentações, as ilusões, as miragens... — tudo isto serve para forjar uma esperança forte, firme, segundo o modelo da Virgem Maria que, no meio das trevas da paixão e da morte do seu Filho, continuou a acreditar e a esperar na sua Ressurreição, na vitória do amor de Deus.

Com o coração aberto a este horizonte, hoje nós entramos na Quaresma. Sentindo-nos parte do povo santo de Deus, empreendamos com alegria este caminho de esperança.

Saudações

Saúdo os peregrinos de língua portuguesa, particularmente os diversos grupos vindos de Portugal. Ao iniciar a Quaresma, faço votos de que a vossa peregrinação a Roma fortaleça em todos a esperança e consolide, no amor divino, os vínculos de cada um com a sua família, com a comunidade eclesial e com a sociedade. Que Nossa Senhora vos acompanhe e proteja!

Dirijo uma cordial saudação aos peregrinos de língua árabe, em particular aos provenientes do Iraque, da Jordânia e do Médio Oriente. A Quaresma é um caminho de esperança: a esperança de chegar à Páscoa através do deserto do jejum e da mortificação; um itinerário de fé, onde se experimenta a fidelidade do amor de Deus que nunca nos abandona; um percurso de penitência em que a salvação se realiza e se cumpre mediante a resposta livre do homem; uma vereda de libertação dos ídolos do mundo para alcançar a liberdade dos filhos de Deus; uma senda de vitória sobre as tentações, com a ajuda da oração e dos Sacramentos. Desejo-vos boa Quaresma! Que o Senhor abençoe todos vós e vos proteja do maligno!

E dirijo um pensamento especial aos jovens, aos doentes e aos recém-casados. Caros irmãos, hoje, Quarta-Feira de Cinzas, o Senhor indica-vos o caminho de esperança a seguir. O Espírito Santo vos leve a percorrer uma verdadeira senda de conversão, para descobrir de novo o dom da Palavra de Deus, ser purificados do pecado e servir Cristo presente nos irmãos.




Fonte: Vaticano




Angelus com o Papa Francisco - 26.02.2017


Praça São Pedro
Domingo, 26 de fevereiro de 2017









Amados irmãos e irmãs, bom dia!

A página evangélica de hoje (cf Mt 6, 24-34) é uma forte chamada a confiar em Deus — não esquecer: confiar em Deus — o qual se ocupa dos seres vivos da criação. Ele providencia alimentos a todos os animais, preocupa-se pelos lírios e pela erva dos campos (cf. vv. 26-28); o seu olhar benéfico e solícito vigia diariamente sobre a nossa vida. Ela desenrola-se sob os tormentos das tantas preocupações, que correm o risco de privar da serenidade e do equilíbrio; mas esta angústia muitas vezes é inútil, porque não consegue mudar o andamento dos acontecimentos. Jesus exorta com insistência a não nos preocuparmos com o amanhã (cf. vv. 25.28.31), recordando que acima de tudo há um Pai amoroso que nunca se esquece dos seus filhos: confiar nele não resolve magicamente os problemas, mas permite enfrentá-los com o espírito justo, corajosamente, sou corajoso porque confio em meu Pai que se ocupa de tudo e me ama muito.

Deus não é um ser distante e anónimo: é o nosso refúgio, a fonte da nossa serenidade e da nossa paz. É a rocha da nossa salvação, à qual nos podemos agarrar certos de que não caímos; quem se agarra a Deus nunca cai! É a nossa defesa do mal que está sempre à espreita. Deus é para nós o grande amigo, o aliado, o pai, mas nem sempre nos damos conta disto. Não nos apercebemos de que temos um amigo, um aliado, um pai que nos ama, e preferimos apoiar-nos em bens imediatos que podemos tocar, em bens contingentes, esquecendo, e por vezes rejeitando, o bem supremo, ou seja, o amor paterno de Deus. Senti-lo como Pai, nesta época de orfandade, é tão importante! Neste mundo órfão, senti-lo como Pai. Nós afastamo-nos do amor de Deus quando vamos em busca dos bens terrenos e das riquezas, manifestando assim um amor exagerado a estas realidades.

Jesus diz-nos que esta busca ofegante é ilusória e motivo de infelicidade. E dá aos seus discípulos uma regra de vida fundamental: «Mas, buscai primeiro o reino de Deus» (v. 33). Trata-se de realizar o projeto que Jesus anunciou no Sermão da montanha, confiando em Deus que não desilude — tantos amigos ou muitos que consideramos amigos, nos desiludiram; Deus nunca desilude! — preocupar-se como administradores fiéis dos bens que Ele nos concedeu, também os terrenos, mas sem “exagerar” como se tudo, até a nossa salvação, dependesse só de nós. Esta atitude evangélica exige uma escolha clara, que o trecho de hoje indica com clareza: «Não podeis servir a Deus e à riqueza» (v. 24). Ou o Senhor, ou os ídolos fascinantes mas ilusórios. Esta escolha que somos chamados a realizar repercute-se depois em muitas das nossas ações, programas e compromissos. É uma escolha a ser feita de modo claro e renovado continuamente, porque as tentações de reduzir tudo a dinheiro, prazer e poder são insistentes. Há tantas tentações por isso.

Honrar estes ídolos leva a resultados tangíveis mesmo se fugazes, enquanto que escolher Deus e o seu Reino nem sempre mostra imediatamente os seus frutos. É uma decisão que se toma na esperança e que deixa a Deus a realização plena. A esperança cristã projeta-se no cumprimento futuro da promessa de Deus e não se detém diante de dificuldade alguma, porque se funda na fidelidade de Deus, que nunca falta. É fiel, é um pai fiel, é um amigo fiel, é um aliado fiel.

A Virgem Maria nos ajude a confiar no amor e na liberdade do Pai celeste, a viver n’Ele e com Ele. Este é o pressuposto para superar os tormentos e as adversidades da vida, e também as perseguições, como nos demonstra o testemunho de tantos nossos irmãos e irmãs.

Depois do Angelus

Saúdo o grupo vindo por ocasião do «Dia das doenças raras» — obrigado, obrigado pelo que fazeis — e faço votos de que os doentes e as suas famílias sejam adequadamente amparados no difícil percurso, quer a nível médico quer legislativo.

A todos desejo bom domingo. Por favor, não vos esqueçais de rezar por mim. Bom almoço e até à vista!



Fonte: Vaticano




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