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domingo, 30 de abril de 2017

Evangelho do III Domingo da Páscoa - Ano A


São Lucas 24, 13–35

Dois dos discípulos de Jesus iam a caminho duma povoação chamada Emaús, que ficava a duas léguas de Jerusalém. Conversavam entre si sobre tudo o que tinha sucedido. Enquanto falavam e discutiam, Jesus aproximou-Se deles e pôs-Se com eles a caminho. Mas os seus olhos estavam impedidos de O reconhecerem. Ele perguntou-lhes: "Que palavras são essas que trocais entre vós pelo caminho?" Pararam, com ar muito triste, e um deles, chamado Cléofas, respondeu: "Tu és o único habitante de Jerusalém a ignorar o que lá se passou nestes dias". E Ele perguntou: "Que foi?" Responderam-Lhe: "O que se refere a Jesus de Nazaré, profeta poderoso em obras e palavras diante de Deus e de todo o povo; e como os príncipes dos sacerdotes e os nossos chefes O entregaram para ser condenado à morte e crucificado. Nós esperávamos que fosse Ele quem havia de libertar Israel. Mas, afinal, é já o terceiro dia depois que isto aconteceu. É verdade que algumas mulheres do nosso grupo nos sobressaltaram: foram de madrugada ao sepulcro, não encontraram o corpo de Jesus e vieram dizer que lhes tinham aparecido uns Anjos a anunciar que Ele estava vivo. Alguns dos nossos foram ao sepulcro e encontraram tudo como as mulheres tinham dito. Mas a Ele não O viram". Então Jesus disse-lhes: "Homens sem inteligência e lentos de espírito para acreditar em tudo o que os profetas anunciaram! Não tinha o Messias de sofrer tudo isso para entrar na sua glória?" Depois, começando por Moisés e passando pelos Profetas, explicou-lhes em todas as Escrituras o que Lhe dizia respeito. Ao chegarem perto da povoação para onde iam, Jesus fez menção de seguir para diante. Mas eles convenceram-n’O a ficar, dizendo: "Ficai connosco, porque o dia está a terminar e vem caindo a noite". Jesus entrou e ficou com eles. E quando Se pôs à mesa, tomou o pão, recitou a bênção, partiu-o e entregou-lho. Nesse momento abriram-se-lhes os olhos e reconheceram-n’O. Mas Ele desapareceu da sua presença. Disseram então um para o outro: "Não ardia cá dentro o nosso coração, quando Ele nos falava pelo caminho e nos explicava as Escrituras?" Partiram imediatamente de regresso a Jerusalém e encontraram reunidos os Onze e os que estavam com eles, que diziam: "Na verdade, o Senhor ressuscitou e apareceu a Simão". E eles contaram o que tinha acontecido no caminho e como O tinham reconhecido ao partir o pão.




Catequese com o Papa Francisco - 26.04.2017


Quarta-feira, 26 de abril de 2017









Bom dia, prezados irmãos e irmãs!

«Eu estou convosco todos os dias, até ao fim do mundo» (Mt 28, 20). Estas últimas palavras do Evangelho de Mateus evocam o anúncio profético que encontramos no início: «Ele chamar-se-á Emanuel, que significa Deus connosco» (Mt 1, 23; cf. Is 7, 14). Deus estará ao nosso lado todos os dias, até ao fim do mundo. Jesus caminhará ao nosso lado todos os dias, até ao fim do mundo. O Evangelho inteiro está encerrado entre estas duas citações, palavras que comunicam o mistério de Deus cujo nome, cuja identidade é estar-com: não é um Deus isolado, mas um Deus-com, de modo particular connosco, ou seja, com a criatura humana. O nosso Deus não é um Deus ausente, raptado por um céu remoto; ao contrário, é um Deus «apaixonado» pelo homem, tão ternamente amante que chega a ser incapaz de se separar dele. Nós, humanos, somos peritos em romper vínculos e pontes. Ele, ao contrário, não! Se o nosso coração arrefece, o seu permanece sempre incandescente. O nosso Deus acompanha-nos sempre, inclusive se, por desventura, nos esquecêssemos dele. No ponto que divide a incredulidade da fé, é decisiva a descoberta de que somos amados e acompanhados pelo nosso Pai, que Ele nunca nos deixa sozinhos.

A nossa existência é uma peregrinação, um caminho. Até aqueles que são impelidos por uma esperança simplesmente humana sentem a sedução do horizonte, que os leva a explorar mundos ainda desconhecidos. A nossa alma é uma alma migrante. A Bíblia está cheia de histórias de peregrinos e viajantes. A vocação de Abraão começa com esta exortação: «Deixa a tua terra» (Gn 12, 1). E o patriarca abandona aquele recanto de mundo que conhecia bem e que era um dos berços da civilização do seu tempo. Tudo conspirava contra a sensatez daquela viagem. E no entanto Abraão parte. Não nos tornamos homens e mulheres maduros, se não sentirmos a atração do horizonte: aquele limite entre o céu e a terra que pede para ser alcançado por um povo de caminhantes.

No seu caminhar no mundo, o homem nunca está sozinho. Sobretudo o cristão nunca se sente abandonado, porque Jesus nos garante que não nos aguardará apenas no final da nossa longa viagem, mas que nos acompanhará em cada um dos nossos dias.

Até quando perdurará a atenção de Deus pelo homem? Até quando o Senhor Jesus, que caminha connosco, até quando cuidará de nós? A resposta do Evangelho não deixa margem a dúvidas: até ao fim do mundo! Passarão os céus, passará a terra, serão anuladas as esperanças humanas, mas a Palavra de Deus é maior do que tudo e não passará. E Ele será o Deus connosco, o Deus Jesus que caminha ao nosso lado. Não haverá um dia da nossa vida em que cessaremos de ser uma solicitude para o Coração de Deus. Contudo, alguém poderia dizer: «Mas o que dizes?». Digo isto: não haverá um dia da nossa vida em que deixaremos de ser uma solicitude para o Coração de Deus. Ele preocupa-se connosco, caminha ao nosso lado. E por que faz isto? Simplesmente porque nos ama. Entendestes isto? Ele ama-nos! E sem dúvida Deus proverá a todas as nossas necessidades, não nos abandonará no tempo da prova e da escuridão. É preciso que esta certeza se aninhe no nosso espírito, para nunca mais se apagar. Há quem lhe dê o nome de «Providência». Ou seja, a proximidade de Deus, o amor de Deus, o caminhar de Deus ao nosso lado chama-se também «Providência de Deus»: Ele provê à nossa vida.

Não é por acaso que entre os símbolos cristãos da esperança existe um do qual eu gosto muito: a âncora. Ela exprime que a nossa esperança não é vaga; não deve ser confundida com o sentimento mutável de quem deseja aperfeiçoar as situações deste mundo de maneira irrealista, apostando unicamente na própria força de vontade. Com efeito, a esperança cristã encontra a sua raiz não na atração do futuro, mas na segurança daquilo que Deus nos prometeu e realizou em Jesus Cristo. Se Ele nos garantiu que nunca nos abandonará, se o princípio de cada vocação é um «Segue-me!», com o qual Ele nos assegura que permanecerá sempre à nossa frente, então por que devemos recear? Com esta promessa, os cristãos podem ir por toda a parte. Inclusive atravessando as regiões de um mundo ferido, onde a situação não é boa, nós estamos entre aqueles que até ali continuam a esperar. O salmo reza: «Ainda que eu atravesse um vale escuro, nada temerei, pois estais comigo» (Sl 23, 4). Exatamente onde se propaga a obscuridade é necessário manter acesa uma luz. Voltemos à âncora. A nossa fé é a âncora no céu. Mantemos a nossa vida ancorada no céu? Que devemos fazer? Segurar a corda: ela está sempre ali. E vamos em frente, porque estamos certos de que a nossa vida tem a sua âncora no céu, naquela margem onde chegaremos.

Sem dúvida, se confiássemos apenas nas nossas forças, teríamos razão de nos sentirmos desiludidos e derrotados, porque o mundo se demonstra muitas vezes refratário às leis do amor. Prefere frequentemente as leis do egoísmo. Mas se em nós sobreviver a certeza de que Deus não nos abandona, que Deus ama com ternura tanto a nós como a este mundo, então a perspetiva muda imediatamente. «Homo viator, spe erectus», diziam os antigos. Ao longo do caminho, a promessa de Jesus «Eu estou convosco» leva-nos a estar de pé, erguidos, com esperança, convictos de que o bom Deus já age para realizar aquilo que humanamente parece impossível, porque a âncora está na praia do céu.

O santo povo fiel de Deus é um povo que está de pé — «homo viator» — e caminha, mas de pé, «erectus», caminha na esperança. E onde quer que vá, sabe que o amor de Deus o precedeu: não há região do mundo que evite a vitória de Cristo Ressuscitado. E qual é a vitória de Cristo Ressuscitado? A vitória do amor. Obrigado!



Saudações

Saúdo cordialmente os alunos e professores de Carcavelos e de Porto Alegre e os fiéis da paróquia de Queluz e da comunidade Obra de Maria; saúdo também os Presidentes das Câmaras e os Coordenadores da Região Vinícola da Bairrada, os ciclistas militares e civis e os restantes peregrinos de língua portuguesa. Obrigado pela vossa presença e sobretudo pelas vossas orações! À Virgem Maria confio os vossos passos ao serviço do crescimento dos nossos irmãos e irmãs. Sobre vós e vossas famílias desça a Bênção do Senhor!

Dou as cordiais boas-vindas aos peregrinos de expressão árabe, de modo especial aos provenientes do Médio Oriente! Caros irmãos e irmãs, recordai-vos sempre que a nossa existência é uma peregrinação e que a promessa de Cristo e o amor de Deus, que nos precede, servem de ajuda para o nosso caminhar. O Senhor vos abençoe!

Transmito uma saudação especial aos jovens, aos doentes e aos recém-casados. Ontem celebramos a festa do Evangelista São Marcos. O seu discipulado nos passos de São Paulo vos sirva de exemplo, amados jovens, para vos colocardes no sulco do Salvador; a sua intercessão vos sustente, estimados doentes, na dificuldade e na provação da enfermidade; e o seu Evangelho breve e incisivo vos recorde, diletos recém-casados, a importância da oração no percurso matrimonial que empreendestes.



Fonte: Vaticano




Regina Coeli com o Papa Francisco - 23.04.2017


Praça São Pedro
Domingo da Divina Misericórdia, 23 de abril de 2017









Amados irmãos e irmãs, bom dia!

Nós sabemos que todos os domingos recordamos a ressurreição do Senhor Jesus, mas neste período depois da Páscoa o domingo reveste-se de um significado ainda mais iluminador. Na tradição da Igreja, este domingo, o primeiro depois da Páscoa, era chamado «in albis». Que significa isto? A expressão pretendia recordar o rito que cumpriam quantos tinham recebido o batismo na Vigília de Páscoa. A cada um deles era entregue uma veste branca — «alba», branca» — para indicar a nova dignidade dos filhos de Deus. Ainda hoje se faz isto: aos recém-nascidos oferece-se uma pequena veste simbólica, enquanto os adultos vestem uma verdadeira, como vimos na Vigília pascal. E aquela veste branca, no passado, era usada durante uma semana, até este domingo, e disto deriva o nome in albis deponendis, que significa o domingo no qual se tira a veste branca. E assim, tirando a veste branca, os neófitos começavam a sua nova vida em Cristo e na Igreja.

Há outro aspeto. No Jubileu do Ano 2000, São João Paulo ii estabeleceu que este domingo seja dedicado à Divina Misericórdia. É verdade, foi uma boa intuição: quem inspirou isto foi o Espírito Santo. Concluímos há poucos meses o Jubileu extraordinário da Misericórdia e este domingo convida-nos a retomar com vigor a graça que provém da misericórdia de Deus. O Evangelho de hoje é a narração da aparição de Cristo ressuscitado aos discípulos reunidos no cenáculo (cf. Jo 20, 19-31). São João escreve que Jesus, depois de se ter despedido dos seus discípulos, lhes disse: «Assim como o Pai me enviou, também Eu vos envio a vós». Dito isto, soprou sobre eles e acrescentou: «Recebei o Espírito Santo. Àqueles a quem perdoardes os pecados, ser-lhes-ão perdoados» (vv. 21-23). Eis o sentido da misericórdia que se apresenta precisamente no dia da ressurreição de Jesus como perdão dos pecados. Jesus Ressuscitado transmitiu à sua Igreja, como primeira tarefa, a sua missão de levar a todos o anúncio do perdão. Esta é a primeira tarefa: anunciar o perdão. Este sinal visível da sua misericórdia traz consigo a paz do coração e a alegria do encontro renovado com o Senhor.

A misericórdia à luz da Páscoa deixa-se perceber como uma verdadeira forma de conhecimento. E isto é importante: a misericórdia é uma verdadeira forma de conhecimento. Sabemos que se conhece através de muitas formas. Conhece-se através dos sentidos, da intuição, da razão e ainda de muitas outras formas. Pois bem, pode-se conhecer também através da experiência da misericórdia, porque a misericórdia abre a porta da mente para compreender melhor o mistério de Deus e da nossa existência pessoal. A misericórdia faz-nos compreender que a violência, o rancor, a vingança não têm sentido algum, e a primeira vítima é quem vive estes sentimentos, porque se priva da própria dignidade. A misericórdia abre também a porta do coração e permite expressar a proximidade sobretudo a quantos estão sozinhos e marginalizados, porque os faz sentir irmãos e filhos de um só Pai. Ela favorece o reconhecimento de quantos têm necessidade de consolação e faz encontrar palavras adequadas para dar conforto.

Irmãos e irmãs, a misericórdia aquece o coração e torna-o sensível às necessidades dos irmãos com a partilha e a participação. Em síntese, a misericórdia compromete todos a serem instrumentos de justiça, de reconciliação e de paz. Nunca esqueçamos que a misericórdia é o remate na vida de fé e a forma concreta com a qual damos visibilidade à ressurreição de Jesus.

Maria, Mãe da Misericórdia, nos ajude a crer e a viver tudo isto com alegria.



Depois do Regina Caeli

Estimados irmãos e irmãs!

Ontem em Oviedo, na Espanha, foi proclamado Beato o sacerdote Luís António Rosa Ormières. Tendo vivido no século XIX, consumiu as suas tantas qualidades humanas e espirituais ao serviço da educação, e por isso fundou a Congregação das Irmãs do Santo Anjo da Guarda. O seu exemplo e a sua intercessão ajudem sobretudo quantos trabalham na escola e no campo educativo.

Saúdo de coração todos vós, fiéis romanos e peregrinos da Itália e de tantos países, em particular a Confraria de São Sebastião de Kerkrade (Holanda), o Nigerian Catholic Secretariat e a paróquia Liebfrauen de Bocholt (Alemanha).

Saúdo os peregrinos polacos e manifesto vivo apreço pela iniciativa da Cáritas da Polónia em apoio a tantas famílias na Síria. Uma saudação especial aos devotos da Divina Misericórdia reunidos hoje na igreja de Santo Espírito «in Sassia». Assim como aos participantes na «Corrida pela Paz»: uma corrida que hoje parte desta Praça e chegará a Wittenberg na Alemanha.

Saúdo os numerosos grupos de jovens, especialmente os crismandos ou crismados — sois tantos! — das Dioceses de Piacenza-Bobbio, Trento, Cuneo, Milão, Lodi, Cremona, Bergamo, Brescia e Vicenza. E também a Escola «Masaccio» de Treviso e o Instituto «San Carpoforo» de Como.

Por fim, agradeço a todos os que, neste período, me enviaram mensagens de bons votos de Páscoa. Retribuo de coração invocando sobre cada um e sobre cada família a graça do Senhor Ressuscitado. Bom domingo a todos e, por favor, não vos esqueçais de rezar por mim. Bom almoço e até à vista!



Fonte: Vaticano



domingo, 23 de abril de 2017

Evangelho do II Domingo da Páscoa - Ano A


São João 20, 19–31

Na tarde daquele dia, o primeiro da semana, estando fechadas as portas da casa onde os discípulos se encontravam, com medo dos judeus, veio Jesus, colocou–Se no meio deles e disse–lhes: "A paz esteja convosco". Dito isto, mostrou–lhes as mãos e o lado. Os discípulos ficaram cheios de alegria ao verem o Senhor. Jesus disse–lhes de novo: "A paz esteja convosco. Assim como o Pai Me enviou, também Eu vos envio a vós". Dito isto, soprou sobre eles e disse–lhes: "Recebei o Espírito Santo: àqueles a quem perdoardes os pecados ser–lhes–ão perdoados; e àqueles a quem os retiverdes serão retidos". Tomé, um dos Doze, chamado Dídimo, não estava com eles quando veio Jesus. Disseram–lhe os outros discípulos: "Vimos o Senhor". Mas ele respondeu–lhes: "Se não vir nas suas mãos o sinal dos cravos, se não meter o dedo no lugar dos cravos e a mão no seu lado, não acreditarei". Oito dias depois, estavam os discípulos outra vez em casa e Tomé com eles. Veio Jesus, estando as portas fechadas, apresentou–Se no meio deles e disse: "A paz esteja convosco". Depois disse a Tomé: "Põe aqui o teu dedo e vê as minhas mãos; aproxima a tua mão e mete–a no meu lado; e não sejas incrédulo, mas crente". Tomé respondeu–Lhe: "Meu Senhor e meu Deus!" Disse–lhe Jesus: "Porque Me viste acreditaste: felizes os que acreditam sem terem visto". Muitos outros milagres fez Jesus na presença dos seus discípulos, que não estão escritos neste livro. Estes, porém, foram escritos para acreditardes que Jesus é o Messias, o Filho de Deus, e para que, acreditando, tenhais a vida em seu nome.





Catequese com o Papa Francisco - 19.04.2017


Praça São Pedro
Quarta-feira, 19 de abril de 2017







Bom dia, prezados irmãos e irmãs!

Hoje encontramo-nos na luz da Páscoa, que celebramos e continuamos a celebrar mediante a Liturgia. Por isso, no nosso itinerário de catequese sobre a esperança cristã, hoje desejo falar-vos de Cristo Ressuscitado, nossa esperança, assim como no-lo apresenta São Paulo na primeira Carta aos Coríntios (cf. cap. 15).

O apóstolo quer resolver uma problemática que, certamente, na comunidade de Corinto estava no centro dos debates. A ressurreição é o último dos argumentos enfrentados na Carta mas, provavelmente, em ordem de importância, é o primeiro: com efeito, tudo depende deste pressuposto.

Falando aos seus cristãos, Paulo começa a partir de um dado incontestável, que não é o êxito de uma reflexão de um sábio qualquer, mas um acontecimento, um simples evento que teve lugar na vida de algumas pessoas. É daqui que nasce o cristianismo. Não é uma ideologia, nem sequer um sistema filosófico, mas um caminho de fé, que tem início num acontecimento, testemunhado pelos primeiros discípulos de Jesus. Paulo resume-o deste modo: Jesus morreu pelos nossos pecados, foi sepultado, ressuscitou no terceiro dia e apareceu a Pedro e aos Doze (cf. 1 Cor 15, 3-5). Eis o acontecimento: Ele morreu, foi sepultado, ressuscitou e apareceu. Ou seja, Jesus está vivo! É este o cerne da mensagem cristã.

Anunciando este evento, que constitui o núcleo fulcral da fé, Paulo insiste acima de tudo sobre o último elemento do mistério pascal, ou seja, sobre a constatação de que Jesus ressuscitou. Com efeito, se tudo tivesse acabado com a morte, nele teríamos um exemplo de dedicação suprema, mas isto não poderia gerar a nossa fé. Ele foi um herói. Não! Morreu, mas ressuscitou. Porque a fé brota da ressurreição. Aceitar que Cristo morreu, e morreu crucificado, não constitui um gesto de fé, mas um acontecimento histórico. Ao contrário, crer que ressuscitou, sim. A nossa fé nasce na manhã de Páscoa. Paulo faz um elenco de pessoas às quais Jesus Ressuscitado apareceu (cf. vv. 5-7). Aqui temos uma breve síntese de todas as narrações pascais e de todas as pessoas que entraram em contacto com o Ressuscitado. No topo da lista está Cefas, ou seja Pedro, e o grupo dos Doze; depois, «quinhentos irmãos», muitos dos quais ainda podiam dar o seu próprio testemunho; em seguida, é mencionado Tiago. O última da lista — como o menos digno de todos — é ele mesmo. Acerca de si próprio, Paulo diz: «Como um aborto» (cf. v. 8).

Paulo utiliza esta expressão porque a sua história pessoal é dramática: ele não era um ministrante, mas um perseguidor da Igreja, orgulhoso das próprias convicções; sentia-se um homem bem sucedido, com uma ideia muito límpida do que era a vida com os seus deveres. Contudo, neste quadro perfeito — em Paulo tudo era perfeito, ele sabia tudo — neste quadro de vida perfeito, certo dia acontece algo que era absolutamente imprevisível: o encontro com Jesus Ressuscitado no caminho de Damasco. Ali não havia apenas um homem caído no chão: havia uma pessoa arrebatada por um acontecimento que teria invertido o sentido da sua vida. E o perseguidor tornou-se apóstolo, mas porquê? Porque eu vi Jesus vivo! Vi Jesus Cristo Ressuscitado! Eis o fundamento da fé de Paulo, assim como da fé dos demais apóstolos, da fé da Igreja, da nossa própria fé.

Como é bom pensar que o cristianismo é essencialmente isto! Não é tanto a nossa busca em relação a Deus — na verdade, uma procura tão vacilante — como sobretudo a busca de Deus em relação a nós. Jesus alcançou-nos, arrebatou-nos, conquistou-nos para nunca mais nos deixar. O cristianismo é graça, é surpresa, e por este motivo pressupõe um coração capaz de admiração. Um coração fechado, um coração racionalista, é incapaz de admiração, e não consegue entender o que é o cristianismo, porque o cristianismo é graça, e a graça só se sente, e além disso só se encontra, no enlevo do encontro.

E então, não obstante sejamos pecadores — todos nós o somos — e se os nossos propósitos de bem permanecerem letra-morta, ou então se, olhando para a nossa vida, nos dermos conta de ter acumulado tantas derrotas... Na manhã de Páscoa podemos agir como aquelas pessoas das quais fala o Evangelho: ir ao sepulcro de Cristo, ver a grande pedra removida e pensar que Deus continua a preparar para mim, para todos nós, um futuro inesperado. Ir ao nosso sepulcro: todos nós temos um pouco dele dentro de nós. Ir ali e ver que dali Deus é capaz de ressurgir. É nisto que consiste a felicidade, a alegria e a vida, onde todos pensavam que havia unicamente tristeza, derrota e trevas. Deus faz crescer as suas flores mais bonitas no meio das pedras mais áridas.

Ser cristão significa não começar a partir da morte, mas do amor de Deus por nós, que derrotou a nossa acérrima inimiga. Deus é maior do que o nada, e é suficiente uma vela acesa para vencer a noite mais escura. Fazendo eco aos profetas, Paulo clama: «Onde está, ó morte, a tua vitória? Onde está, ó morte, o teu aguilhão» (v. 55). Nestes dias de Páscoa, conservemos este brado no coração. E se nos perguntarem o porquê do nosso sorriso concedido e da nossa partilha paciente, então poderemos responder que Jesus ainda está aqui, que Ele permanece vivo entre nós, que Jesus está ao nosso lado aqui na praça: vivo e ressuscitado!


Saudações

De coração saúdo todos os peregrinos de língua portuguesa, particularmente os grupos vindos de Portugal e do Brasil. Queridos amigos, deixai-vos iluminar e transformar pela força da Ressurreição de Cristo, para que as vossas existências se convertam no testemunho da vida que é mais forte do que o pecado e a morte. Feliz Páscoa para todos!

Dou as cordiais boas-vindas aos peregrinos de expressão árabe, em especial aos provenientes do Egito e do Médio Oriente! Diletos irmãos e irmãs, Jesus Cristo nossa esperança ressuscitou! Exorto-vos a olhar constantemente para Aquele que venceu a morte e que nos ajuda a aceitar os sofrimentos como uma preciosa oportunidade de redenção e salvação. O Senhor vos abençoe!

Enfim, saúdo os jovens, os doentes e os recém-casados. Caros jovens, especialmente vós da Profissão de fé das Dioceses de Milão e Cremona, vivei em plenitude a mensagem pascal, testemunhando em toda a parte a paz, dom de Cristo Ressuscitado. Prezados enfermos, olhai continuamente para Aquele que derrotou a morte e que nos ajuda a aceitar os sofrimentos como momento privilegiado de redenção e salvação. Queridos recém-casados, vivei a experiência familiar diária, conscientes da presença vivificante de Jesus no vosso lar.




Fonte: Vaticano




domingo, 16 de abril de 2017

Evangelho do Domingo de Páscoa


São Lucas 24, 13-35

Dois dos discípulos de Jesus iam a caminho duma povoação chamada Emaús, que ficava a duas léguas de Jerusalém. Conversavam entre si sobre tudo o que tinha sucedido. Enquanto falavam e discutiam, Jesus aproximou-Se deles e pôs-Se com eles a caminho. Mas os seus olhos estavam impedidos de O reconhecerem. Ele perguntou-lhes: "Que palavras são essas que trocais entre vós pelo caminho?" Pararam, com ar muito triste, e um deles, chamado Cléofas, respondeu: "Tu és o único habitante de Jerusalém a ignorar o que lá se passou nestes dias". E Ele perguntou: "Que foi?" Responderam-Lhe: "O que se refere a Jesus de Nazaré, profeta poderoso em obras e palavras diante de Deus e de todo o povo; e como os príncipes dos sacerdotes e os nossos chefes O entregaram para ser condenado à morte e crucificado. Nós esperávamos que fosse Ele quem havia de libertar Israel. Mas, afinal, é já o terceiro dia depois que isto aconteceu. É verdade que algumas mulheres do nosso grupo nos sobressaltaram: foram de madrugada ao sepulcro, não encontraram o corpo de Jesus e vieram dizer que lhes tinham aparecido uns Anjos a anunciar que Ele estava vivo. Alguns dos nossos foram ao sepulcro e encontraram tudo como as mulheres tinham dito. Mas a Ele não O viram". Então Jesus disse-lhes: "Homens sem inteligência e lentos de espírito para acreditar em tudo o que os profetas anunciaram! Não tinha o Messias de sofrer tudo isso para entrar na sua glória?" Depois, começando por Moisés e passando pelos Profetas, explicou-lhes em todas as Escrituras o que Lhe dizia respeito. Ao chegarem perto da povoação para onde iam, Jesus fez menção de seguir para diante. Mas eles convenceram-n’O a ficar, dizendo: "Ficai connosco, porque o dia está a terminar e vem caindo a noite". Jesus entrou e ficou com eles. E quando Se pôs à mesa, tomou o pão, recitou a bênção, partiu-o e entregou-lho. Nesse momento abriram-se-lhes os olhos e reconheceram-n’O. Mas Ele desapareceu da sua presença. Disseram então um para o outro: "Não ardia cá dentro o nosso coração, quando Ele nos falava pelo caminho e nos explicava as Escrituras?" Partiram imediatamente de regresso a Jerusalém e encontraram reunidos os Onze e os que estavam com eles, que diziam: "Na verdade, o Senhor ressuscitou e apareceu a Simão". E eles contaram o que tinha acontecido no caminho e como O tinham reconhecido ao partir o pão.



domingo, 9 de abril de 2017

Evangelho do Domingo de Ramos - Ano A


São Mateus 26, 14 – 27, 66


Naquele tempo, um dos doze, chamado Judas Iscariotes, foi ter com os príncipes dos sacerdotes e disse-lhes: "Que estais dispostos a dar-me para vos entregar Jesus?" Eles garantiram-lhe trinta moedas de prata. E a partir de então, Judas procurava uma oportunidade para O entregar. No primeiro dia dos Ázimos, os discípulos foram ter com Jesus e perguntaram-Lhe: "Onde queres que façamos os preparativos para comer a Páscoa?" Ele respondeu: "Ide à cidade, a casa de tal pessoa, e dizei-lhe: ‘O Mestre manda dizer: O meu tempo está próximo. É em tua casa que Eu quero celebrar a Páscoa com os meus discípulos’". Os discípulos fizeram como Jesus lhes tinha mandado, e prepararam a Páscoa. Ao cair da noite, sentou-Se à mesa com os Doze. Enquanto comiam, declarou: "Em verdade vos digo: Um de vós há-de entregar-Me". Profundamente entristecidos, começou cada um a perguntar-Lhe: "Serei eu, Senhor? "Jesus respondeu: "Aquele que meteu comigo a mão no prato é que há-de entregar-Me. O Filho do homem vai partir, como está escrito acerca d’Ele. Mas ai daquele por quem o Filho do homem vai ser entregue! Melhor seria para esse homem não ter nascido". Judas, que O ia entregar, tomou a palavra e perguntou: "Serei eu, Mestre? "Respondeu Jesus: "Tu o disseste". Enquanto comiam, Jesus tomou o pão, recitou a bênção, partiu-o e deu-o aos discípulos, dizendo: "Tomai e comei: Isto é o meu Corpo". Tomou em seguida um cálice, deu graças e entregou-lho, dizendo: "Bebei dele todos, porque este é o meu Sangue, o Sangue da aliança, derramado pela multidão, para remissão dos pecados. Eu vos digo que não beberei mais deste fruto da videira, até ao dia em que beberei convosco o vinho novo no reino de meu Pai". Cantaram os salmos e seguiram para o Monte das Oliveiras. Então, Jesus disse-lhes: "Todos vós, esta noite, vos escandalizareis por minha causa, como está escrito: ‘Ferirei o pastor e dispersar-se-ão as ovelhas do rebanho’. Mas, depois de ressuscitar, preceder-vos-ei a caminho da Galileia". Pedro interveio, dizendo: "Ainda que todos se escandalizem por tua causa, eu não me escandalizarei". Jesus respondeu-lhe: "Em verdade te digo: Esta mesma noite, antes do galo cantar, Me negarás três vezes". Pedro disse-lhe: "Ainda que tenha de morrer contigo, não Te negarei". E o mesmo disseram todos os discípulos. Então, Jesus chegou com eles a uma propriedade, chamada Getsémani e disse aos discípulos: "Ficai aqui, enquanto Eu vou além orar". E, tomando consigo Pedro e os dois filhos de Zebedeu, começou a entristecer-Se e a angustiar-Se. Disse-lhes então: "A minha alma está numa tristeza de morte. Ficai aqui e vigiai comigo". E adiantando-Se um pouco mais, caiu com o rosto por terra, enquanto orava e dizia: "Meu Pai, se é possível, passe de Mim este cálice. Todavia, não se faça como Eu quero, mas como Tu queres". Depois, foi ter com os discípulos, encontrou-os a dormir e disse a Pedro: "Nem sequer pudestes vigiar uma hora comigo! Vigiai e orai, para não cairdes em tentação. O espírito está pronto, mas a carne é fraca". De novo Se afastou, pela segunda vez, e orou, dizendo: "Meu Pai, se este cálice não pode passar sem que Eu o beba, faça-se a tua vontade". Voltou novamente e encontrou-os a dormir, pois os seus olhos estavam pesados de sono. Deixou-os e foi de novo orar, pela terceira vez, repetindo as mesmas palavras. Veio então ao encontro dos discípulos e disse-lhes: "Dormi agora e descansai. Chegou a hora em que o Filho do homem vai ser entregue às mãos dos pecadores. Levantai-vos, vamos. Aproxima-se aquele que Me vai entregar". Ainda Jesus estava a falar, quando chegou Judas, um dos Doze, e com ele uma grande multidão, com espadas e varapaus, enviada pelos príncipes dos sacerdotes e pelos anciãos do povo. O traidor tinha-lhes dado este sinal: "Aquele que eu beijar, é esse mesmo. Prendei-O". Aproximou-se imediatamente de Jesus e disse-Lhe: "Salve, Mestre!" E beijou-O. Jesus respondeu- lhe: "Amigo, a que vieste?" Então avançaram, deitaram as mãos a Jesus e prenderam-n’O. Um dos que estavam com Jesus levou a mão à espada, desembainhou-a e feriu um servo do sumo sacerdote, cortando-lhe a orelha. Jesus disse-lhe: "Mete a tua espada na bainha, pois todos os que puxarem da espada morrerão à espada. Pensas que não posso rogar a meu Pai que ponha já ao meu dispor mais de doze legiões de Anjos? Mas como se cumpririam as Escrituras, segundo as quais assim tem de acontecer?" Voltando-Se depois para a multidão, Jesus disse: "Viestes com espadas e varapaus para Me prender como se fosse um salteador! Eu estava todos os dias sentado no templo a ensinar e não Me prendestes... Mas, tudo isto aconteceu para se cumprirem as Escrituras dos profetas". Então todos os discípulos O abandonaram e fugiram. Os que tinham prendido Jesus levaram-n’O à presença do sumo sacerdote Caifás, onde os escribas e os anciãos se tinham reunido. Pedro foi-O seguindo de longe, até ao palácio do sumo sacerdote. Aproximando-se, entrou e sentou-se com os guardas, para ver como acabaria tudo aquilo. Entretanto, os príncipes dos sacerdotes e todo o Sinédrio procuravam um testemunho falso contra Jesus para O condenarem à morte, mas não o encontravam, embora se tivessem apresentado muitas testemunhas falsas. Por fim, apresentaram-se duas que disseram: "Este homem afirmou: ‘Posso destruir o templo de Deus e reconstruí-lo em três dias’". Então, o sumo sacerdote levantou-se e disse a Jesus: "Não respondes nada? Que dizes ao que depõem contra Ti?" Mas Jesus continuava calado. Disse-Lhe o sumo sacerdote: "Eu Te conjuro pelo Deus vivo, que nos declares se és Tu o Messias, o Filho de Deus". Jesus respondeu-lhe: "Tu o disseste. E Eu digo-vos: vereis o Filho do homem sentado à direita do Todo-poderoso, vindo sobre as nuvens do céu". Então, o sumo sacerdote rasgou as vestes, dizendo: "Blasfemou. Que necessidade temos de mais testemunhas? Acabais de ouvir a blasfêmia. Que vos parece?" Eles responderam: "É réu de morte". Cuspiram-Lhe então no rosto e deram-Lhe punhadas. Outros esbofeteavam-n’O, dizendo: "Adivinha, Messias: quem foi que Te bateu?" Entretanto, Pedro estava sentado no pátio. Uma criada aproximou-se dele e disse-lhe: "Tu também estavas com Jesus, o galileu". Mas ele negou diante de todos, dizendo: "Não sei o que dizes". Dirigindo-se para a porta, foi visto por outra criada que disse aos circunstantes: "Este homem estava com Jesus de Nazaré". E, de novo, ele negou com juramento: "Não conheço tal homem". Pouco depois, aproximaram-se os que ali estavam e disseram a Pedro: "Com certeza tu és deles, pois até a fala te denuncia". Começou então a dizer imprecações e a jurar: "Não conheço tal homem". E, imediatamente, um galo cantou. Então, Pedro lembrou-se das palavras que Jesus dissera: "Antes do galo cantar, tu Me negarás três vezes". E, saindo, chorou amargamente. Ao romper da manhã, todos os príncipes dos sacerdotes e os anciãos do povo se reuniram em conselho contra Jesus, para Lhe darem a morte. Depois de Lhe atarem as mãos, levaram-n’O e entregaram-n’O ao governador Pilatos. Então Judas, que entregara Jesus, vendo que Ele tinha sido condenado, tocado pelo remorso, devolveu as trinta moedas de prata aos príncipes dos sacerdotes e aos anciãos, dizendo: "Pequei, entregando sangue inocente". Mas eles replicaram: "Que nos importa? É lá contigo". Então arremessou as moedas para o santuário, saiu dali e foi-se enforcar. Mas os príncipes dos sacerdotes apanharam as moedas e disseram: "Não se podem lançar no tesouro, porque são preço de sangue. E, depois de terem deliberado, compraram com elas o Campo do Oleiro. Por este motivo se tem chamado àquele campo, até ao dia de hoje, "Campo de Sangue". Cumpriu-se então o que fora dito pelo profeta: "Tomaram trinta moedas de prata, preço em que foi avaliado Aquele que os filhos de Israel avaliaram e deram-nas pelo Campo do Oleiro, como o Senhor me tinha ordenado". Entretanto, Jesus foi levado à presença do governador, que lhe perguntou: "Tu és o Rei dos judeus?" Jesus respondeu: "É como dizes". Mas, ao ser acusado pelos príncipes dos sacerdotes e pelos anciãos, nada respondeu. Disse-Lhe então Pilatos: "Não ouves quantas acusações levantam contra Ti?" Mas Jesus não respondeu coisa alguma, a ponto de o governador ficar muito admirado. Ora, pela festa da Páscoa, o governador costumava soltar um preso, à escolha do povo. Nessa altura, havia um preso famoso, chamado Barrabás. E, quando eles se reuniram, disse-lhes: "Qual quereis que vos solte? Barrabás, ou Jesus, chamado Cristo? "Ele bem sabia que O tinham entregado por inveja. Enquanto estava sentado no tribunal, a mulher mandou-lhe dizer: "Não te prendas com a causa desse justo, pois hoje sofri muito em sonhos por causa d’Ele". Entretanto, os príncipes dos sacerdotes e os anciãos persuadiram a multidão a que pedisse Barrabás e fizesse morrer Jesus. O governador tomou a palavra e perguntou-lhes: "Qual dos dois quereis que vos solte?" Eles responderam: "Barrabás". Disse-lhes Pilatos: "E que hei-de fazer de Jesus, chamado Cristo?" Responderam todos: "Seja crucificado". Pilatos insistiu: "Que mal fez Ele?" Mas eles gritavam cada vez mais: "Seja crucificado". Pilatos, vendo que não conseguia nada e aumentava o tumulto, mandou vir água e lavou as mãos na presença da multidão, dizendo: "Estou inocente do sangue deste homem. Isso é lá convosco". E todo o povo respondeu: "O seu sangue caia sobre nós e sobre os nossos filhos". Soltou-lhes então Barrabás. E, depois de ter mandado açoitar Jesus, entregou-lh’O para ser crucificado. Então os soldados do governador levaram Jesus para o pretório e reuniram à volta d’Ele toda a coorte. Tiraram-Lhe a roupa e envolveram-n’O num manto vermelho. Teceram uma coroa de espinhos e puseram-Lha na cabeça e colocaram uma cana na sua mão direita. Ajoelhando diante d’Ele, escarneciam-n’O, dizendo: "Salve, Rei dos judeus!" Depois, cuspiam-Lhe no rosto e, pegando na cana, batiam-Lhe com ela na cabeça. Depois de O terem escarnecido, tiraram-Lhe o manto, vestiram-Lhe as suas roupas e levaram-n’O para ser crucificado. Ao saírem, encontraram um homem de Cirene, chamado Simão, e requisitaram-no para levar a cruz de Jesus. Chegados a um lugar chamado Gólgota, que quer dizer lugar do Calvário, deram-Lhe a beber vinho misturado com fel. Mas Jesus, depois de o provar, não quis beber. Depois de O terem crucificado, repartiram entre si as suas vestes, tirando-as à sorte, e ficaram ali sentados a guardá-l’O. Por cima da sua cabeça puseram um letreiro, indicando a causa da sua condenação: "Este é Jesus, o Rei dos judeus". Foram crucificados com Ele dois salteadores, um à direita e outro à esquerda. Os que passavam insultavam-n’O e abanavam a cabeça, dizendo: "Tu, que destruías o templo e o reedificavas em três dias, salva-Te a Ti mesmo; se és Filho de Deus, desce da cruz". Os príncipes dos sacerdotes, juntamente com os escribas e os anciãos, também troçavam d’Ele, dizendo: "Salvou os outros e não pode salvar-Se a Si mesmo! Se é o Rei de Israel, desça agora da cruz e acreditaremos n’Ele. Confiou em Deus: Ele que O livre agora, se O ama, porque disse: ‘Eu sou Filho de Deus’". Até os salteadores crucificados com Ele O insultavam. Desde o meio-dia até às três horas da tarde, as trevas envolveram toda a terra. E, pelas três horas da tarde, Jesus clamou com voz forte: "Eli, Eli, lema sabachtani!", que quer dizer: "Meu Deus, meu Deus, porque Me abandonastes?" Alguns dos presentes, ouvindo isto, disseram: "Está a chamar por Elias". Um deles correu a tomar uma esponja, embebeu-a em vinagre, pô-la na ponta duma cana e deu-Lhe a beber. Mas os outros disseram: "Deixa lá. Vejamos se Elias vem salvá-l’O". E Jesus, clamando outra vez com voz forte, expirou. Então, o véu do templo rasgou-se em duas partes, de alto a baixo; a terra tremeu e as rochas fenderam-se. Abriram-se os túmulos e muitos dos corpos de santos que tinham morrido ressuscitaram; e, saindo do sepulcro, depois da ressurreição de Jesus, entraram na cidade santa e apareceram a muitos. Entretanto, o centurião e os que com ele guardavam Jesus, ao verem o tremor de terra e o que estava a acontecer, ficaram aterrados e disseram: "Este era verdadeiramente Filho de Deus". Estavam ali, a observar de longe, muitas mulheres que tinham seguido Jesus desde a Galileia, para O servirem. Entre elas encontrava-se Maria Madalena, Maria, mãe de Tiago e de José, e a mãe dos filhos de Zebedeu. Ao cair da tarde, veio um homem rico de Arimateia, chamado José, que também se tinha tornado discípulo de Jesus. Foi ter com Pilatos e pediu-lhe o corpo de Jesus. E Pilatos ordenou que lho entregassem. José tomou o corpo, envolveu-o num lençol limpo e depositou-o no seu sepulcro novo que tinha mandado escavar na rocha. Depois rolou uma grande pedra para a entrada do sepulcro, e retirou-se. Entretanto, estavam ali Maria Madalena e a outra Maria, sentadas em frente do sepulcro. No dia seguinte, isto é, depois da Preparação, os príncipes dos sacerdotes e os fariseus foram ter com Pilatos e disseram-lhe: "Senhor, lembramo-nos do que aquele impostor disse quando ainda era vivo: ‘Depois de três dias ressuscitarei’. Por isso, manda que o sepulcro seja mantido em segurança até ao terceiro dia, para que não venham os discípulos roubá-lo e dizer ao povo: ‘Ressuscitou dos mortos’. E a última impostura seria pior do que a primeira'. Pilatos respondeu: "Tendes à vossa disposição a guarda: ide e guardai-o como entenderdes". Eles foram e guardaram o sepulcro, selando a pedra e pondo a guarda.




Catequese com o Papa Francisco - 05.04.2017


Quarta-feira, 5 de abril de 2017









Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

A Primeira Carta do apóstolo Pedro tem em si uma carga extraordinária! É preciso lê-la uma, duas, três vezes para compreender esta carga extraordinária: ela consegue infundir grande consolação e paz, fazendo entender como o Senhor está sempre ao nosso lado e nunca nos abandona, sobretudo nos momentos mais delicados e difíceis da nossa vida. Mas qual é o «segredo» desta Carta, e de modo particular do trecho que acabámos de ouvir (cf. 1 Pd 3, 8-17)? Esta é uma pergunta. Sei que hoje abrireis o Novo Testamento, procurareis a primeira Carta de Pedro, lereis devagarinho, para entender o segredo e a força desta Carta. Qual é o segredo desta Carta?

O segredo consiste no facto que este escrito afunda as suas raízes diretamente na Páscoa, no coração do mistério que estamos para celebrar, fazendo com que compreendamos toda a luz e a alegria que brotam da morte e ressurreição de Cristo, que ressuscitou verdadeiramente, e esta é uma linda saudação para fazermos no dia da Páscoa: «Cristo ressuscitou! Cristo ressuscitou!», como muitos povos fazem. Recordar-nos de que Cristo ressuscitou, está vivo entre nós e habita em cada um de nós. É por isso que São Pedro nos convida com vigor a adorá-lo nos nossos corações (cf. v. 16). O Senhor começou a habitar ali no momento do nosso Batismo, e dali continua a renovar a nós e à nossa vida, enchendo-nos com o seu amor e a plenitude do seu Espírito. Eis então porque o Apóstolo nos recomenda a dizer a razão da esperança que está em nós (cf. v. 16): a nossa esperança não é um conceito, nem um sentimento, não é um telemóvel, nem uma porção de riquezas! A nossa esperança é uma Pessoa, é o Senhor Jesus que reconhecemos vivo e presente em nós e nos nossos irmãos, porque Cristo ressuscitou. Os povos eslavos quando se cumprimentam, em vez de dizer «bom dia», «boa noite», nos dias de Páscoa saúdam-se com a expressão «Cristo ressuscitou!», «Christos voskrese!» dizem entre si; e sentem-se felizes por isso! Este é o «bom dia» e a «boa noite» que se desejam: «Cristo ressuscitou!».

Compreendemos então que desta esperança não se deve dizer só a razão teórica, com palavras, mas sobretudo com o testemunho da vida, e isto deve acontecer quer no âmbito da comunidade cristã, quer fora dela. Se Cristo está vivo e habita em nós, no nosso coração, então devemos também deixar que se torne visível, sem escondê-lo, e que aja em nós. Isto significa que o Senhor Jesus deve tornar-se cada vez mais o nosso modelo: modelo de vida e que devemos aprender a comportar-nos como Ele se comportou. Fazer o que fez Jesus. Portanto, a esperança que habita em nós não pode permanecer escondida dentro de nós, no nosso coração: seria uma esperança débil, que não tem a coragem de sair e se mostrar: mas a nossa esperança, como se lê no Salmo 33 citado por Pedro, deve necessariamente desabrochar e sair, tomando a forma bonita e inconfundível da doçura, do respeito e da benevolência pelo próximo, chegando até a perdoar quem nos faz mal. Uma pessoa que não tem esperança não consegue perdoar, não consegue dar a consolação do perdão nem obter a consolação de perdoar. Sim, porque assim fez Jesus, e assim continua a fazer através de quantos lhes oferecem espaço no próprio coração e na vida, na consciência de que o mal não se vence com o mal, mas com a humildade, a misericórdia e a mansidão. Os mafiosos pensam que o mal pode ser derrotado com o mal, e assim praticam a vingança e muitas outras coisas que todos sabemos. Mas não sabem o que é a humildade, a misericórdia e a mansidão. E por quê? Porque os mafiosos não têm esperança. Pensai nisto.

Eis por que São Pedro afirma que «é melhor sofrer praticando o bem do que fazendo o mal» (v. 17): não significa que é bom sofrer, mas que quando sofremos pelo bem, estamos em comunhão com o Senhor, o qual aceitou sofrer e ser crucificado pela nossa salvação.

Quando também nós, nas situações mais simples e nas mais importantes da nossa vida, aceitamos sofrer pelo bem, é como se espalhássemos ao nosso redor as sementes da ressurreição, sementes de vida e fizéssemos resplandecer na escuridão a luz da Páscoa. É por isso que o Apóstolo nos exorta a responder sempre «desejando o bem» (v. 9): a bênção não é uma formalidade, não é só um sinal de cortesia, mas um grande dom que nós primeiro recebemos e depois temos a possibilidade de partilhar com os irmãos. É o anúncio do amor de Deus, um amor sem medida, que não se esgota, que nunca falta e que constitui o fundamento verdadeiro da nossa esperança.

Queridos amigos, compreendamos também porque o Apóstolo Pedro nos chama «bem-aventurados», se devêssemos sofrer pela justiça (cf. v. 13). Não é só por uma razão moral nem ascética, mas porque cada vez que desempenhamos a parte dos últimos e dos marginalizados ou não respondemos ao mal com o mal, mas perdoando, sem vingança, perdoando e abençoando, sempre que fazemos isto resplandecemos como sinais vivos e luminosos de esperança, tornando-nos assim instrumentos de consolação e de paz, segundo o coração de Deus. E assim vamos em frente com a doçura, a mansidão, com o ser amável e praticando o bem também àqueles que não nos querem bem ou nos fazem mal. Em frente!

Saudações

Dou as boas-vindas a todos os peregrinos de língua portuguesa, particularmente aos fiéis da Estrela e aos estudantes de Perafita. Queridos amigos, a fé na Ressurreição nos leva a olhar para o futuro, fortalecidos pela esperança na vitória de Cristo sobre o pecado e a morte que celebramos na Páscoa. Deus vos abençoe!

O meu pensamento neste momento dirige-se ao grave atentado dos dias passados no metropolitano de São Petersburgo, que provocou vítimas e desorientação na população. Enquanto confio à misericórdia de Deus quantos desapareceram tragicamente, exprimo a minha proximidade espiritual aos seus familiares e a quantos sofrem por causa deste evento dramático.

Assistimos horrorizados aos últimos acontecimentos na Síria. Exprimo a minha firme deploração pelo inaceitável massacre ocorrido ontem na província de Idlib, onde foram assassinadas dezenas de pessoas inermes, entre os quais muitas crianças. Rezo pelas vítimas e pelos seus familiares e apelo à consciência de quantos têm responsabilidades políticas, a nível local e internacional, a fim de que cesse esta tragédia e se leve alívio àquela amada população há muito tempo extenuada pela guerra. Encorajo, também, os esforços de quem, mesmo na insegurança e na dificuldade, emprega todas as forças para fazer chegar ajuda aos habitantes daquela região.




Fonte: Vaticano




Angelus com o Papa Francisco - 02.04.2017


V Domingo de Quaresma, 2 de abril de 2017









Amados irmãos e irmãs!

Desejo agradecer-vos por terdes vindo aqui, a esta Missa. Quero agradecer a todos, a todos os que trabalharam para esta dupla «maratona»: no domingo passado [para a inauguração da Catedral restaurada] e neste. Muito obrigado! E gostaria de agradecer a vós, doentes. Estão aqui 4.500 doentes! Obrigado a vós, que com os vossos sofrimentos ajudais a Igreja, ajudais a carregar a Cruz de Cristo. Obrigado! Muito obrigado!

E no final desta celebração, o nosso pensamento dirige-se à Virgem Santa, que venerais na igreja catedral a ela dedicada. A Maria ofereçamos as nossas alegrias, os nossos sofrimentos e as nossas esperanças. Peçamos-lhe que volte o seu olhar misericordioso sobre quantos se encontram no sofrimento, sobretudo os doentes, os pobres e quem está privado de um trabalho digno.

Recordando o fervor apostólico de duas figuras leigas da vossa terra, o Beato Odoardo Focherini e a Venerável Marianna Saltini, testemunhas da caridade de Cristo, saúdo-vos com gratidão, fiéis leigos. Encorajo-vos a ser protagonistas da vida das vossas comunidades, em comunhão com os vossos sacerdotes: apostai sempre naquilo que é essencial no anúncio e no testemunho do Evangelho.

Agradeço-te, querido bispo Francesco, e a todos vós, Bispos da Região da Emília-Romanha, pela vossa presença, e sobretudo ao Pastor desta diocese, D. Francesco Cavina: exorto-vos a estar ao lado dos vossos sacerdotes com a escuta, a ternura e a proximidade solícita.

Por fim, gostaria de agradecer a todos e a cada um de vós, queridos fiéis, aos sacerdotes, aos religiosos e religiosas, às Autoridades e de modo especial a quantos colaboraram para organizar esta visita, com um pensamento particular à Agesci e ao coro, composto por todos os corais da diocese, que animou esta liturgia. Recomendemos a nossa vida e o destino da Igreja e do mundo a Maria, recitando juntos a oração do Angelus.




Fonte: Vaticano





sábado, 8 de abril de 2017

Evangelho do V Domingo da Quaresma - Ano A


São João 11, 1-45

Naquele tempo, estava doente certo homem, Lázaro de Betânia, aldeia de Marta e de Maria, sua irmã. Maria era aquela que tinha ungido o Senhor com perfume e Lhe tinha enxugado os pés com os cabelos. Era seu irmão Lázaro que estava doente. As irmãs mandaram então dizer a Jesus: "Senhor, o teu amigo está doente". Ouvindo isto, Jesus disse: "Essa doença não é mortal, mas é para a glória de Deus, para que por ela seja glorificado o Filho do homem". Jesus era amigo de Marta, de sua irmã e de Lázaro. Entretanto, depois de ouvir dizer que ele estava doente, ficou ainda dois dias no local onde Se encontrava. Depois disse aos discípulos: "Vamos de novo para a Judeia". Os discípulos disseram-Lhe: "Mestre, ainda há pouco os judeus procuravam apedrejar-Te e voltas para lá?" Jesus respondeu: "Não são doze as horas do dia? Se alguém andar de dia, não tropeça, porque vê a luz deste mundo. Mas se andar de noite, tropeça, porque não tem luz consigo". Dito isto, acrescentou: "O nosso amigo Lázaro dorme, mas Eu vou despertá-lo". Disseram então os discípulos: "Senhor, se dorme, estará salvo". Jesus referia-se à morte de Lázaro, mas eles entenderam que falava do sono natural. Disse-lhes então Jesus abertamente: "Lázaro morreu; por vossa causa, alegro-Me de não ter estado lá, para que acrediteis. Mas vamos ter com ele". Tomé, chamado Dídimo, disse aos companheiros: "Vamos nós também, para morrermos com Ele". Ao chegar, Jesus encontrou o amigo sepultado havia quatro dias. Betânia distava de Jerusalém cerca de três quilômetros. Muitos judeus tinham ido visitar Marta e Maria, para lhes apresentar condolências pela morte do irmão. Quando ouviu dizer que Jesus estava a chegar, Marta saiu ao seu encontro, enquanto Maria ficou sentada em casa. Marta disse a Jesus: "Senhor, se tivesses estado aqui, meu irmão não teria morrido. Mas sei que, mesmo agora, tudo o que pedires a Deus, Deus To concederá". Disse-lhe Jesus: "Teu irmão ressuscitará". Marta respondeu: "Eu sei que há-de ressuscitar na ressurreição, no último dia". Disse-lhe Jesus: "Eu sou a ressurreição e a vida. Quem acredita em Mim, ainda que tenha morrido, viverá; e todo aquele que vive e acredita em Mim, nunca morrerá. Acreditas nisto?" Disse-Lhe Marta: "Acredito, Senhor, que Tu és o Messias, o Filho de Deus, que havia de vir ao mundo". Dito isto, retirou-se e foi chamar Maria, a quem disse em segredo: "O Mestre está ali e manda-te chamar". Logo que ouviu isto, Maria levantou-se e foi ter com Jesus. Jesus ainda não tinha chegado à aldeia, mas estava no lugar em que Marta viera ao seu encontro. Então os judeus que estavam com Maria em casa para lhe apresentar condolências, ao verem-na levantar-se e sair rapidamente, seguiram-na, pensando que se dirigia ao túmulo para chorar. Quando chegou aonde estava Jesus, Maria, logo que O viu, caiu-Lhe aos pés e disse-Lhe: "Senhor, se tivesses estado aqui, meu irmão não teria morrido". Jesus, ao vê-la chorar, e vendo chorar também os judeus que vinham com ela, comoveu-Se profundamente e perturbou-Se. Depois perguntou: "Onde o pusestes?" Responderam-Lhe: "Vem ver, Senhor". E Jesus chorou. Diziam então os judeus: "Vede como era seu amigo". Mas alguns deles observaram: "Então Ele, que abriu os olhos ao cego, não podia também ter feito que este homem não morresse?" Entretanto, Jesus, intimamente comovido, chegou ao túmulo. Era uma gruta, com uma pedra posta à entrada. Disse Jesus: "Tirai a pedra". Respondeu Marta, irmã do morto: "Já cheira mal, Senhor, pois morreu há quatro dias". Disse Jesus: "Eu não te disse que, se acreditasses, verias a glória de Deus?" Tiraram então a pedra. Jesus, levantando os olhos ao Céu, disse: "Pai, dou-Te graças por Me teres ouvido. Eu bem sei que sempre Me ouves, mas falei assim por causa da multidão que nos cerca, para acreditarem que Tu Me enviaste". Dito isto, bradou com voz forte: "Lázaro, sai para fora". O morto saiu, de mãos e pés enfaixados com ligaduras e o rosto envolvido num sudário. Disse-lhes Jesus: "Desligai-o e deixai-o ir". Então muitos judeus, que tinham ido visitar Maria, ao verem o que Jesus fizera, acreditaram n’Ele.





Catequese com o Papa Francisco - 29.03.2017


Quarta-feira, 29 de março de 2017








Bom dia, prezados irmãos e irmãs!

O trecho da Carta de São Paulo aos Romanos, que há pouco ouvimos, oferece-nos um grande dom. Com efeito, estamos habituados a reconhecer em Abraão o nosso pai na fé; hoje, o Apóstolo leva-nos a compreender que para nós Abraão é pai na esperança; não apenas pai da fé, mas pai na esperança. E isto porque na sua vicissitude já podemos ver um anúncio da Ressurreição, da vida nova que vence o mal e até a morte.

No texto diz-se que Abraão acreditou no Deus «que dá vida aos mortos e chama à existência o que está no vazio» (Rm 4, 17); e depois esclarece: «Ele não vacilou na fé, embora tenha reconhecido que o seu corpo estava sem vigor e o seio de Sara amortecido» (Rm 4, 19). Eis, esta é a experiência que também nós somos chamados a viver. O Deus que se revela a Abraão é o Deus que salva e faz sair do desespero e da morte, o Deus que chama à vida. Na vicissitude de Abraão tudo se torna um hino ao Deus que liberta e regenera, tudo se faz profecia. E assim se torna para nós, para nós que agora reconhecemos e celebramos o cumprimento de tudo isto no mistério da Páscoa. Com efeito, Deus «que dos mortos ressuscitou Jesus» (Rm 4, 24), a fim de que também nós, nele, possamos passar da morte para a vida. Assim, na verdade Abraão pode dizer-se justamente «pai de muitos povos», pois resplandece como anúncio de uma nova humanidade — nós! — por Cristo resgatada do pecado e da morte, e introduzida de uma vez para sempre no abraço do amor de Deus.

Nesta altura, Paulo ajuda-nos a elucidar o vínculo profundamente estreito entre a fé e a esperança. Com efeito, Ele afirma que Abraão, «esperando contra toda a esperança, teve fé» (Rm 4, 18). A nossa esperança não se baseia em raciocínios, previsões nem seguranças humanas; e manifesta-se quando já não há esperança, onde não há mais nada no que esperar, exatamente como aconteceu com Abraão, diante da sua morte iminente e da esterilidade da sua esposa Sara. Aproxima-se o fim para ambos, não podiam ter filhos, e naquela situação Abraão acreditou, esperando contra toda a esperança. E isto é grandioso! A profunda esperança radica-se na fé, e precisamente por isso é capaz de ir além de toda a esperança. Sim, porque não se fundamenta na nossa palavra, mas na Palavra de Deus. Então, inclusive neste sentido somos chamados a seguir o exemplo de Abraão que, não obstante a evidência de uma realidade que parece destinada à morte, confia em Deus e «estava plenamente convencido de que Deus era poderoso e podia cumprir o que prometera» (Rm 4, 21). Gostaria de vos fazer uma pergunta: nós, todos nós, estamos persuadidos disto? Estamos convictos de que Deus nos ama e que está disposto a cumprir tudo aquilo que nos prometeu? Mas padre, quanto temos que pagar por isto? Só há um preço: «abrir o coração». Abri os vossos corações e esta força de Deus levar-vos-á em frente, fará milagres e ensinar-vos-á o que é a esperança. Eis o único preço: abri o coração à fé e Ele fará o resto.

Este é o paradoxo e, ao mesmo tempo, o elemento mais forte, mais excelso na nossa esperança! Uma esperança fundada numa promessa que, do ponto de vista humano, parece incerta e imprevisível, mas que não esmorece nem sequer diante da morte, quando quem promete é o Deus da Ressurreição e da vida. Isto não é prometido por qualquer um! Aquele que faz a promessa é o Deus da Ressurreição e da vida.

Caros irmãos e irmãs, peçamos hoje ao Senhor a graça de permanecer firmes não tanto nas nossas seguranças, nas nossas capacidades, mas na esperança que deriva da promessa de Deus, como verdadeiros filhos de Abraão. Quando Deus promete, leva a cumprimento a sua promessa. Nunca falta à sua palavra. E então a nossa vida assumirá uma nova luz, na consciência de que Aquele que ressuscitou o seu Filho, há de ressuscitar também a nós, tornando-nos na realidade um só com Ele, juntamente com todos os nossos irmãos na fé. Todos nós cremos. Hoje estamos todos na praça, louvemos o Senhor, cantemos ao nosso Pai e depois receberemos a Bênção... Mas isto passa. Todavia, também esta é uma promessa de esperança. Se hoje mantivermos o coração aberto, garanto-vos que todos nós nos encontraremos na praça do Céu, que nunca passa para sempre. Esta é a promessa de Deus, esta é a nossa esperança, se abrirmos os nossos corações. Obrigado!


Saudações

Com particular afeto, saúdo o grupo de «Amigos dos Museus de Portugal» e também os professores e os alunos do «Colégio Cedros», desejando a todos os peregrinos presentes de língua portuguesa e respetivas famílias uma renovada vitalidade espiritual na fiel e generosa adesão a Cristo e à Igreja. Olhai o futuro com esperança e não vos canseis de trabalhar na vinha do Senhor. Vele sobre o vosso caminho a Virgem Maria.

É-me grato saudar a delegação de superintendências iraquianas, composta por representantes de vários grupos religiosos, acompanhada por Sua Eminência o Cardeal Tauran, Presidente do Pontifício Conselho para o Diálogo Inter-Religioso. A riqueza da amada nação iraquiana encontra-se precisamente neste mosaico que representa a unidade na diversidade, a força na união, a prosperidade na harmonia. Diletos irmãos, encorajo-vos a prosseguir por este caminho e convido-vos a rezar a fim de que o Iraque encontre na reconciliação e na harmonia entre os seus diversos componentes étnicos e religiosos, a paz, a unidade e a prosperidade. Dirijo o meu pensamento às populações civis sitiadas nos bairros ocidentais de Mosul e aos deslocados por causa da guerra, aos quais me sinto unido no sofrimento, através da oração e da proximidade espiritual. Enquanto exprimo a minha profunda dor pelas vítimas do conflito sangrento, renovo a todos o apelo a comprometer-se com todas as forças na proteção dos civis, como obrigação imperativa e urgente.

Dirijo por fim uma saudação especial aos jovens, aos doentes e aos recém-casados. Caros jovens, o tempo quaresmal é precioso para redescobrir a importância da fé na vida diária; amados doentes, uni os vossos sofrimentos à cruz de Cristo para a construção da civilização do amor; e vós, prezados recém-casados, favorecei a presença de Deus na vossa nova família.




Fonte: Vaticano




Angelus com o Papa Francisco - 26.03.2017


Praça São Pedro
IV Domingo de Quaresma, 26 de março de 2017








Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

No centro do Evangelho deste quarto domingo de Quaresma encontram-se Jesus e um cego de nascença (cf. Jo 9, 1-41). Cristo restitui-lhe a vista e realiza este milagre com uma espécie de rito simbólico: primeiro mistura a terra com a saliva, em seguida aplica-a sobre os olhos do cego; depois diz- lhe para se ir lavar no tanque de Siloé. O homem vai, lava-se e readquire a visão. Era cego desde o nascimento. Com este milagre Jesus manifesta-se e manifesta-se a nós como luz do mundo; e o cego de nascença representa cada um de nós, que fomos criados para conhecer Deus, mas por causa do pecado somos como cegos, temos necessidade de uma luz nova; todos precisamos de uma luz nova: a da fé, que Jesus nos concedeu. De facto, ao readquirir a visão o cego do Evangelho abre-se para o mistério de Cristo. Jesus pergunta-lhe: «Tu acreditas no Filho do homem?» (v. 35). «E quem é ele, Senhor, para que eu creia nele?», responde o cego curado (v. 36). «Viste-o: é aquele que fala contigo» (v. 37). «Creio, Senhor!» e prostra-se diante de Jesus.

Este episódio leva-nos a refletir sobre a nossa fé, a nossa fé em Cristo, o Filho de Deus e, ao mesmo tempo, refere-se também ao Batismo, que é o primeiro Sacramento da fé: o Sacramento que nos faz «vir à luz», mediante o renascimento pela água e pelo Espírito Santo; assim como aconteceu ao cego de nascença, ao qual se abriram os olhos depois de se ter lavado na água do tanque de Siloé. O cego de nascença curado representa-nos quando não nos damos conta de que Jesus é a luz, é «a luz do mundo», quando olhamos para outro lado, quando preferimos entregar-nos a pequenas luzes, quando vamos às apalpadelas na escuridão. O facto que aquele cego não tenha um nome ajuda-nos a contemplar-nos com o nosso rosto e o nosso nome na história. Também nós fomos «iluminados» por Cristo no Batismo e por conseguinte somos chamados a comportarmo-nos como filhos da luz. E comportar-se como filhos da luz exige uma mudança radical de mentalidade, uma capacidade de julgar homens e situações segundo outra escala de valores, que vem de Deus. Com efeito, o sacramento do Batismo exige a escolha de viver como filhos da luz e de caminhar na luz. Se agora eu vos perguntasse: «Acreditais que Jesus é o Filho de Deus? Que vos pode mudar o coração? Que pode fazer ver a realidade como Ele a vê, não como nós a vemos? Acreditais que Ele é luz, que nos doa a verdadeira luz?». O que responderíeis? Cada um responda no seu coração.

O que significa ter a luz verdadeira, caminhar na luz? Antes de tudo, significa abandonar as luzes falsas: a luz fria e fátua do preconceito contra os outros, porque o preconceito deturpa a realidade e enche-nos de aversão contra aqueles que julgamos sem misericórdia e condenamos sem apelação. Este é pão de todos os dias! Quando se fala mal dos outros, não se caminha na luz, caminha-se nas trevas. Outra luz falsa, por ser sedutora e ambígua, é a do interesse pessoal: se avaliarmos homens e aspetos com base no critério da nossa utilidade, do nosso prazer, do nosso prestígio, não exercemos a verdade nas relações e nas situações. Se formos pelo caminho da procura só do interesse pessoal, caminhamos nas trevas.

A Virgem Santa, que foi a primeira a receber Jesus, luz do mundo, nos obtenha a graça de acolher novamente nesta Quaresma a luz da fé, redescobrindo o dom inestimável do Batismo, que todos nós recebemos. E esta nova iluminação nos transforme nas atitudes e nas ações, para sermos também nós, a partir da nossa pobreza, das nossas insuficiências, portadores de um raio de luz de Cristo.

Depois do Angelus

Estimados irmãos e irmãs!

Ontem em Almería (Espanha) foram proclamados beatos José Álvarez-Benavides y de la Torre e 114 companheiros mártires. Esses sacerdotes, religiosos e leigos foram testemunhas heróicas de Cristo e do seu Evangelho de paz e de reconciliação fraterna. O seu exemplo e a sua intercessão apoiem o compromisso da Igreja na edificação da civilização do amor.

Saúdo todos vós, provenientes da Itália e de outros países, em particular os peregrinos de Córdova (Espanha), os jovens do colégio Saint-Jean de Passy de Paris, os fiéis de Loreto, os fiéis de Quartu Sant’Elena, Rende, Maiori, Poggiomarino e os adolescentes do decanato «Romana-Vittoria» de Milão. E a propósito de Milão gostaria de agradecer ao Cardeal Arcebispo e a todo o povo milanês o caloroso acolhimento de ontem. Senti-me deveras em casa, e isto com todos, crentes e não-crentes. Agradeço-vos muito, queridos milaneses, e revelo-vos isto: constatei que é verdade o que dizem: «Em Milão recebe-se com o coração na mão!».

Desejo a todos um bom domingo. Por favor, não vos esqueçais de rezar por mim. Bom almoço e até à vista!



Fonte: Vaticano




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