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segunda-feira, 26 de junho de 2017

Evangelho do XII Domingo do Tempo Comum - Ano A


São Mateus 10, 26-33

Naquele tempo, disse Jesus aos seus apóstolos: "Não tenhais medo dos homens, pois nada há encoberto que não venha a descobrir-se, nada há oculto que não venha a conhecer-se. O que vos digo às escuras, dizei-o à luz do dia; e o que escutais ao ouvido proclamai-o sobre os telhados. Não temais os que matam o corpo, mas não podem matar a alma. Temei antes Aquele que pode lançar na geena a alma e o corpo. Não se vendem dois passarinhos por uma moeda? E nem um deles cairá por terra sem consentimento do vosso Pai. Até os cabelos da vossa cabeça estão todos contados. Portanto, não temais: valeis muito mais do que os passarinhos. A todo aquele que se tiver declarado por Mim diante dos homens também Eu Me declararei por ele diante do meu Pai que está nos Céus. Mas àquele que Me negar diante dos homens, também Eu o negarei diante do meu Pai que está nos Céus".






Catequese com o Papa Francisco - 21.06.2017


Quarta-feira, 21 de junho de 2017









Bom dia, prezados irmãos e irmãs!

No dia do nosso Batismo ressoou para nós a invocação dos santos. Naquele momento, muitos de nós eram crianças, levados no colo dos pais. Pouco antes de fazer a unção com o Óleo dos catecúmenos, símbolo da força de Deus na luta contra o mal, o sacerdote convidou toda a assembleia a rezar por aqueles que estavam prestes a receber o Batismo, invocando a intercessão dos santos. Era a primeira vez que, durante a nossa vida, nos concediam esta companhia de irmãos e irmãs “mais velhos” — os santos — que passaram pelo nosso próprio caminho, que conheceram as nossas mesmas dificuldades e vivem para sempre no abraço de Deus. A Carta aos Hebreus define esta companhia que nos circunda, com a expressão «multidão de testemunhas» (12, 1). Assim são os santos: uma multidão de testemunhas.

Na luta contra o mal, os cristãos não se desesperam. O cristianismo cultiva uma confiança incurável: não acredita que as forças negativas e desagregadoras possam predominar. A última palavra sobre a história do homem não é o ódio, não é a morte, não é a guerra. Em cada momento da vida somos ajudados pela mão de Deus, e também pela presença discreta de todos os crentes que «nos precederam com o sinal da fé» (Cânone Romano). A sua existência diz-nos antes de tudo que a vida cristã não é um ideal inacessível. E ao mesmo tempo conforta-nos: não estamos sozinhos, a Igreja é composta por inúmeros irmãos, muitas vezes anónimos, que nos precederam e que mediante a ação do Espírito Santo participam nas vicissitudes de quantos ainda vivem aqui na terra.

A do Batismo não é a única invocação dos santos que marca o caminho da vida cristã. Quando dois noivos consagram o seu amor no sacramento do Matrimónio, invoca-se de novo para eles — desta vez como casal — a intercessão dos santos. E esta invocação é fonte de confiança para os dois jovens que partem para a “viagem” da vida conjugal. Quem ama verdadeiramente tem o desejo e a coragem de dizer “para sempre” — “para sempre” — mas sabe que tem a necessidade da graça de Cristo e da ajuda dos santos para poder levar a vida matrimonial para sempre. Não como alguns dizem: “enquanto o amor durar”. Não: para sempre! Caso contrário, é melhor que não te cases. Ou para sempre ou nada. Por isso, na liturgia nupcial invoca-se a presença dos santos. E nos momentos difíceis é preciso ter a coragem de elevar o olhar para o céu, pensando nos numerosos cristãos que passaram através das tribulações e conservaram brancas as suas vestes batismais, lavando-as no sangue do Cordeiro (cf. Ap 7, 14): assim reza o Livro do Apocalipse. Deus nunca nos abandona: cada vez que tivermos necessidade virá um dos seus anjos para nos animar e para nos infundir a consolação. “Anjos” às vezes com um rosto e um coração humanos, porque os santos de Deus estão sempre aqui, escondidos no meio de nós. Isto é difícil de entender e até de imaginar, mas os santos estão presentes na nossa vida. E quando alguém invoca um santo ou uma santa, é precisamente porque se encontra próximo de nós.

Inclusive os presbíteros conservam a recordação de uma invocação dos santos, pronunciada sobre eles. É um dos momentos mais emocionantes da liturgia da ordenação. Os candidatos deitam-se no chão, com o rosto virado para baixo. E toda a assembleia, presidida pelo Bispo, invoca a intercessão dos santos. Um homem ficaria esmagado sob o peso da missão que lhe é confiada, mas ouvindo que o Paraíso inteiro o protege, que a graça de Deus não faltará porque Jesus permanece sempre fiel, então ele pode partir sereno e encorajado. Não estamos sozinhos.

E o que somos nós? Somos pó que aspira ao céu. Frágeis nas nossas forças, mas é poderoso o mistério da graça que está presente na vida dos cristãos. Somos fiéis a esta terra, que Jesus amou em cada instante da sua vida, mas sabemos e queremos esperar na transfiguração do mundo, no seu cumprimento definitivo onde finalmente já não haverá lágrimas, maldade, sofrimento.

Que o Senhor conceda a todos nós a esperança de ser santos. Mas alguns de vós poderão perguntar-me: “Padre, é possível ser santo na vida de todos os dias?”. Sim, é possível. “Mas isto significa que devemos rezar o dia inteiro?” Não, quer dizer que tu deves cumprir o teu dever ao longo do dia: rezar, ir ao trabalho, proteger os teus filhos. Mas é preciso fazer tudo com o coração aberto a Deus, de modo que o trabalho, até na enfermidade e no sofrimento, inclusive no meio das dificuldades, permaneça aberto a Deus. E assim é possível ser santo. Que o Senhor nos dê a esperança de ser santos. Não pensemos que é algo difícil, que é mais fácil sermos delinquentes do que santos! Não. Podemos ser santos, porque o Senhor nos ajuda; é Ele que nos assiste.

É o grande presente que cada um de nós pode oferecer ao mundo. Que o Senhor nos conceda a graça de crer tão profundamente nele, a ponto de nos tornarmos imagem de Cristo para este mundo. A nossa história tem necessidade de “místicos”: de pessoas que rejeitam qualquer domínio, que aspiram à caridade e à fraternidade. Homens e mulheres que vivem, aceitando até um quinhão de sofrimento, porque assumem o cansaço do próximo. Mas sem estes homens e mulheres, o mundo não teria esperança. Por isso, faço votos a fim de que vós — e também eu — recebamos do Senhor o dom da esperança de sermos santos.

Obrigado!


Saudações

Saúdo cordialmente todos os peregrinos de língua portuguesa, de modo particular os fiéis de Jundiaí, São Carlos e Santo André. Queridos amigos, o mundo precisa de santos e todos nós, sem exceção, somos chamados à santidade. Não tenhamos medo! Com a ajuda daqueles que já estão no céu, deixemo-nos transformar pela graça misericordiosa de Deus, que é mais forte do que qualquer pecado. E que Ele sempre vos abençoe!

Por ocasião do Dia Mundial do Refugiado, que a comunidade internacional celebrou ontem, na segunda-feira passada eu quis encontrar-me com uma representação de refugiados hospedados por paróquias e institutos religiosos romanos. Gostaria de aproveitar o ensejo do Dia de ontem para manifestar o meu sincero apreço pela campanha a favor de uma nova lei migratória: “Eu era estrangeiro — A humanidade que faz bem”, a qual beneficia do apoio oficial da Cáritas italiana, Fundação Migrantes e outras organizações católicas.

Dirijo um pensamento especial aos jovens, aos doentes e aos recém-casados. Na próxima sexta-feira celebra-se a Solenidade do Santíssimo Coração de Jesus, dia em que a Igreja sustém todos os sacerdotes com a oração e o afeto. Caros jovens, tirai do Coração de Jesus o alimento para a vossa vida espiritual e a fonte da vossa esperança; estimados enfermos, oferecei o vosso sofrimento ao Senhor, para que infunda o seu amor no coração dos homens; e vós, amados recém-casados, participai na Eucaristia para que, alimentados de Cristo, sejais famílias cristãs tocadas pelo amor daquele Coração divino.




Fonte: Vaticano




Angelus com o Papa Francisco - 18.06.2017


Solenidade de Corpus Christi
Praça São Pedro
Domingo, 18 de junho de 2017









Amados irmãos e irmãs, bom dia!

Na Itália e em muitos países celebra-se hoje a festa do Corpo e Sangue de Cristo — usa-se muitas vezes o nome latino: Corpus Domini ou Corpus Christi. Todos os domingos a comunidade eclesial reúne-se em volta da Eucaristia, sacramento instituído por Jesus na Última Ceia. Contudo, todos os anos temos a alegria de celebrar a festa dedicada a este Mistério central da fé, para expressar em plenitude a nossa adoração a Cristo que se doa como alimento e bebida de salvação.

A página evangélica de hoje, tirada de São João, é uma parte do discurso sobre o «pão de vida» (cf. 6, 51-58). Jesus afirma: «Eu sou o pão vivo que desceu do céu [...] o pão que eu darei pela vida do mundo» (v. 51). Ele pretende dizer que o Pai o enviou ao mundo como alimento de vida eterna, e que por isso Ele se sacrificará a si mesmo, a sua carne. Com efeito Jesus, na cruz, doou o seu corpo e derramou o seu sangue. O Filho do homem crucificado é o verdadeiro Cordeiro pascal, que faz sair da escravidão do pecado e apoia no caminho rumo à terra prometida. A Eucaristia é sacramento da sua carne dada para fazer viver o mundo; quem se nutre com este alimento permanece em Jesus e vive por Ele. Assemelhar-se a Jesus significa estar n’Ele, tornar-se filho no Filho.

Jesus, na Eucaristia, como fez com os discípulos de Emaús, põe-se ao nosso lado, peregrino na história, para alimentar em nós a fé, a esperança e a caridade; para nos confortar nas provas; para nos amparar no compromisso pela justiça e a paz. Esta presença solidária do Filho de Deus está em toda a parte: na cidade e nos campos, no Norte e no Sul do mundo, nos países de tradição cristã e nos de primeira evangelização. E na Eucaristia Ele oferece-se a si mesmo como força espiritual para nos ajudar a pôr em prática o seu mandamento — amar-nos como Ele nos amou — construindo comunidades acolhedoras e abertas às necessidades de todos, sobretudo das pessoas mais frágeis, pobres e carenciadas.

Alimentar-nos de Jesus Eucaristia significa também abandonar-nos com confiança a Ele e deixar-nos guiar por Ele. Trata-se de acolher Jesus no lugar do próprio «eu». Desta forma o amor gratuito recebido de Cristo na Comunhão eucarística, por obra do Espírito Santo alimenta o amor a Deus e aos irmãos e irmãs que encontramos no caminho de cada dia. Alimentados com o Corpo de Cristo, tornamo-nos cada vez mais concretamente o Corpo místico de Cristo. No-lo recorda o apóstolo Paulo: «Porventura o cálice de bênção, que abençoamos, não é a comunhão do sangue de Cristo? O pão que partimos não é porventura a comunhão do corpo de Cristo? Porque nós, sendo muitos, somos um só pão e um só corpo, porque todos participamos do mesmo pão» (1 Cor 10, 16-17).

A Virgem Maria, que esteve sempre unida a Jesus, Pão de vida, nos ajude a redescobrir a beleza da Eucaristia, a alimentar-nos com fé, para viver em comunhão com Deus e com os irmãos.



Depois do Angelus

Queridos irmãos e irmãs!

Celebra-se depois de amanhã o Dia Mundial do Refugiado proclamado pelas Nações Unidas. O tema deste ano é «Com os refugiados. Hoje como nunca devemos estar do lado dos refugiados». É este o tema. A atenção concreta deve ser para as mulheres, homens, crianças em fuga de conflitos, violências e perseguições. Recordamos também na oração quantos deles perderam a vida no mar ou em extenuantes viagens por terra. As suas histórias de dor e de esperança podem tornar-se oportunidades de encontro fraterno e de verdadeiro conhecimento recíproco. Com efeito, o encontro pessoal com os refugiados dissipa medos e ideologias deturpadas, e torna-se fator de crescimento em humanidade, capaz de dar espaço a sentimentos de abertura e à construção de pontes.

Expresso a minha proximidade ao amado povo português devido ao incêndio devastador que atingiu os bosques em volta de Pedrógão Grande causando numerosas vítimas e feridos. Rezemos em silêncio.

Dirijo uma saudação especial à qualificada representação da República Centro-Africana e das Nações Unidas, que nestes dias se encontra em Roma para um encontro promovido pela Comunidade de Santo Egídio. Trago no coração a visita que fiz em novembro de 2015 àquele país e faço votos de que, com a ajuda de Deus e a boa vontade de todos, seja plenamente relançado e reforçado o processo de paz, condição necessária para o desenvolvimento.

Desejo bom domingo a todos. E, por favor, não vos esqueçais de rezar por mim. Bom almoço e até à vista!



Fonte: Vaticano



domingo, 18 de junho de 2017

Evangelho do XI Domingo do Tempo Comum - Ano A


São Mateus 9, 36 – 10, 8

Naquele tempo, Jesus, ao ver as multidões, encheu-Se de compaixão, porque andavam fatigadas e abatidas, como ovelhas sem pastor. Jesus disse então aos seus discípulos: "A seara é grande mas os trabalhadores são poucos. Pedi ao Senhor da seara que mande trabalhadores para a sua seara". Depois chamou a Si os seus Doze discípulos e deu-lhes poder de expulsar os espíritos impuros e de curar todas as doenças e enfermidades. São estes os nomes dos doze apóstolos: primeiro, Simão, chamado Pedro, e André, seu irmão; Tiago, filho de Zebedeu, e João, seu irmão; Filipe e Bartolomeu; Tomé e Mateus, o publicano; Tiago, filho de Alfeu, e Tadeu; Simão, o Cananeu, e Judas Iscariotes, que foi quem O entregou. "Jesus enviou estes Doze, dando-lhes as seguintes instruções: "Não sigais o caminho dos gentios, nem entreis em cidade de samaritanos. Ide primeiramente às ovelhas perdidas da casa de Israel. Pelo caminho, proclamai que está perto o reino dos Céus. Curai os enfermos, ressuscitai os mortos, sarai os leprosos, expulsai os demônios. Recebestes de graça, dai de graça".





domingo, 11 de junho de 2017

Evangelho da Solenidade da Santíssima Trindade


São João 3, 16-18

Deus amou tanto o mundo que entregou o seu Filho Unigênito, para que todo o homem que acredita n’Ele não pereça, mas tenha a vida eterna. Porque Deus não enviou o seu Filho ao mundo para condenar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por Ele. Quem não acredita n’Ele já está condenado, porque não acreditou no nome do Filho Unigênito de Deus.







Catequese com o Papa Francisco - 07.06.2017


Quarta-feira, 7 de junho de 2017










Bom dia, caros irmãos e irmãs!

Havia algo de fascinante na prece de Jesus, tão fascinante que certo dia os seus discípulos pediram para ser iniciados nela. O episódio encontra-se no Evangelho de Lucas, que entre os Evangelistas é aquele que mais documentou o mistério de Cristo “orante”: o Senhor rezava. Os discípulos de Jesus ficam impressionados porque Ele, especialmente de manhã e à noite, se retira em solidão e se “imerge” em oração. E por isso um dia pedem-lhe que, também a eles, lhes ensine a rezar (cf. Lc 11, 1).

É então que Jesus transmite aquela que se tornou a oração cristã por excelência: o “Pai-Nosso”. Na verdade Lucas, em comparação com Mateus, restitui-nos a prece de Jesus de uma forma um pouco abreviada, que começa com a simples invocação: «Pai» (v. 2).

Todo o mistério da oração cristã está resumido aqui, nesta palavra: ter a coragem de chamar Deus com o nome de Pai. Afirma-o até a liturgia quando, convidando-nos à recitação comunitária da oração de Jesus, utiliza a expressão «ousamos dizer».

Com efeito, chamar Deus com o nome de “Pai” não é de modo algum algo óbvio. Seríamos levados a usar os títulos mais elevados, que nos parecem mais respeitadores da sua transcendência. Ao contrário, invocá-lo como “Pai” coloca-nos numa relação de familiaridade com Ele, como uma criança se dirige ao seu pai, consciente de ser amado e cuidado por ele. Esta é a grande revolução que o cristianismo imprime na psicologia religiosa do homem. O mistério de Deus, que sempre nos fascina e nos faz sentir pequenos, mas não nos assusta, não nos esmaga, não nos angustia. Esta é uma revolução difícil de aceitar na nossa alma humana; a tal ponto que até nas narrações da Ressurreição se diz que as mulheres, depois de ter visto o túmulo vazio e o anjo, «fugiram [...], trémulas e amedrontadas» (Mc 16, 8). Mas Jesus revela-nos que Deus é Pai bom e diz-nos: “Não tenhais medo!”.

Pensemos na parábola do pai misericordioso (cf. Lc 15, 11-32). Jesus narra de um pai que só sabe ser amor para os seus filhos. Um pai que não castiga o filho pela sua arrogância e que é capaz até de lhe confiar a sua parte de herança, deixando-o ir embora de casa. Deus é Pai, diz Jesus, mas não à maneira humana, pois não há pai algum neste mundo que se comportaria como o protagonista dessa parábola. Deus é Pai a seu modo: bom, indefeso diante do livre arbítrio do homem, só capaz de conjugar o verbo “amar”. Quando o filho rebelde, depois de ter desperdiçado tudo, finalmente volta para a casa natal, aquele pai não aplica critérios de justiça humana, mas sente antes de tudo a necessidade de perdoar, e com o seu abraço leva o filho a entender que durante todo aquele longo tempo de ausência lhe fez falta, fez dolorosamente falta ao seu amor de pai.

Que mistério insondável é um Deus que nutre este tipo de amor pelos seus filhos!

Talvez seja por esta razão que, evocando o centro do mistério cristão, o apóstolo Paulo não tem coragem de traduzir em grego uma palavra que Jesus, em aramaico, pronunciava “abá”. No seu epistolário (cf. Rm 8, 15; Gl 4, 6), São Paulo aborda duas vezes este tema, e por duas vezes deixa aquela palavra não traduzida, da mesma forma como brotou dos lábios de Jesus, “abá”, um termo ainda mais íntimo do que “pai”, e que alguns traduzem “papá, papai”.

Caros irmãos e irmãs, nunca estamos sós. Podemos estar longe, ser hostis, podemos até professar-nos “sem Deus”. Mas o Evangelho de Jesus Cristo revela-nos que Deus não consegue estar sem nós: Ele nunca será um Deus “sem o homem”; é Ele que não pode estar sem nós, e este é um grande mistério! Deus não pode ser Deus sem o homem: este é um grande mistério! E esta certeza é a fonte da nossa esperança, que encontramos conservada em todas as invocações do Pai-Nosso. Quando temos necessidade de ajuda, Jesus não nos diz para nos resignarmos e nos fecharmos em nós mesmos, mas para nos dirigirmos ao Pai, pedindo a Ele com confiança. Todas as nossas necessidades, das mais evidentes e diárias, como a comida, a saúde e o trabalho, até àquela de sermos perdoados e ajudados nas tentações, não são o espelho da nossa solidão: ao contrário, há um Pai que nos fita sempre com amor, e que certamente não nos abandona.

Agora faço-vos uma proposta: cada um de nós tem muitos problemas e tantas necessidades. Pensemos um pouco, em silêncio, nestes problemas e nestas dificuldades. Pensemos também no Pai, no nosso Pai, que não pode estar sem nós, e que neste momento está a olhar para nós. E todos juntos, com confiança e esperança, oremos: “Pai nosso, que estais no Céu...”. Obrigado!


Saudações

Amados peregrinos vindos do Brasil e todos vós que aqui vos encontrais de língua portuguesa, sede bem-vindos! A ressurreição de Cristo abriu-nos a estrada para além da morte; e assim temos a estrada desimpedida até ao Céu. Que nada vos impeça de viver e crescer na amizade do Pai celeste, e testemunhar a todos a sua infinita bondade e misericórdia! Sobre vós e vossas famílias, desça abundante a sua Bênção!

Amanhã, às 13 horas, renova-se em diversos países a iniciativa “Um minuto pela paz”, ou seja, um breve momento de oração em recordação do encontro que teve lugar no Vaticano entre mim, o saudoso Presidente israelita Peres e o Presidente palestino Abbas. No nosso tempo há muita necessidade de rezar — cristãos, judeus e muçulmanos — a favor da paz.

Por fim, dirijo um pensamento aos jovens, aos doentes e aos recém-casados. O mês de junho, há pouco encetado, recorda-nos a devoção ao Sagrado Coração de Jesus: diletos jovens, na escola daquele Coração divino crescei na dedicação ao próximo; estimados doentes, no sofrimento uni o vosso coração ao do Filho de Deus; e vós, amados recém-casados, fixai o olhar no Coração de Jesus para aprender o amor incondicional.




Fonte: Vaticano




Regina Coeli com o Papa Francisco - 04.06.2017


Praça São Pedro
Domingo, 4 de junho de 2017








Estimados irmãos e irmãs!

Hoje, festividade de Pentecostes, é publicada a minha Mensagem para o próximo Dia Missionário Mundial, que se celebra todos os anos no mês de outubro. O tema é: A missão no coração da fé cristã. O Espírito Santo sustente a missão da Igreja no mundo inteiro e infunda força em todos os missionários e missionarias do Evangelho. O Espírito conceda paz ao mundo inteiro; e cure as chagas da guerra e do terrorismo, que também esta noite, em Londres, atingiu civis inocentes: oremos pelas vítimas e pelos familiares.

Saúdo todos vós, peregrinos provenientes da Itália e de muitas regiões do mundo, que participastes nesta celebração. De maneira particular, os grupos da Renovação carismática católica, que festeja o 50° aniversário de fundação, e também os irmãos e as irmãs de outras confissões cristãs que se unem à nossa oração. Saúdo as Filhas de Maria Auxiliadora, dos países latino-americanos.

Agora, invoquemos a intercessão maternal da Virgem Maria. Que Ela nos conceda a graça de ser vigorosamente animados pelo Espírito Santo, para darmos testemunho de Cristo com franqueza evangélica.



Fonte: Vaticano




domingo, 4 de junho de 2017

Evangelho da Solenidade de Pentecostes


São João 20, 19-23

Na tarde daquele dia, o primeiro da semana, estando fechadas as portas da casa onde os discípulos se encontravam, com medo dos judeus, veio Jesus, colocou-Se no meio deles e disse-lhes: "A paz esteja convosco". Dito isto, mostrou-lhes as mãos e o lado. Os discípulos ficaram cheios de alegria ao verem o Senhor. Jesus disse-lhes de novo: "A paz esteja convosco. Assim como o Pai Me enviou, também Eu vos envio a vós". Dito isto, soprou sobre eles e disse-lhes: "Recebei o Espírito Santo: àqueles a quem perdoardes os pecados ser-lhes-ão perdoados; e àqueles a quem os retiverdes serão retidos".












Catequese com o Papa Francisco - 31.05.2017


Quarta-feira, 31 de maio de 2017








Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

Na iminência da solenidade de Pentecostes não podemos deixar de falar da relação que há entre a esperança cristã e o Espírito Santo. O Espírito é o vento que nos impele para a frente, que nos mantém no caminho, que nos faz sentir peregrinos e forasteiros, e não permite que descansemos sobre os nossos próprios louros e que nos tornemos um povo “sedentário”.

A Carta aos Hebreus compara a esperança a uma âncora (cf. 6, 18-19); a esta imagem podemos acrescentar a da vela. Se a âncora é o que dá à barca a segurança e a mantém “ancorada” entre as ondas do mar, ao contrário a vela é o que a faz caminhar e avançar sobre as águas. A esperança é deveras como uma vela; ela recolhe o vento do Espírito Santo e transforma-o em força motriz que impele a barca, dependendo das circunstâncias, ao largo ou à beira-mar.

O apóstolo Paulo conclui a sua Carta aos Romanos com estes votos: ouvi bem, escutai bem que auspício bonito: «O Deus da esperança vos encha de toda a alegria e de toda a paz na vossa fé, para que pela virtude do Espírito Santo transbordeis de esperança» (15, 13). Reflitamos um pouco sobre o conteúdo desta belíssima palavra.

A expressão “Deus da esperança” não significa somente que Deus é o objeto da nossa esperança, ou seja, Aquele que esperamos alcançar um dia na vida eterna; quer dizer também que Deus é Aquele que já neste momento nos faz esperar, aliás, nos torna «alegres na esperança» (Rm 12, 12): alegres agora por esperar, e não só esperar para ser alegres. É a alegria de esperar e não esperar para ter alegria, já hoje. “Enquanto houver vida, haverá esperança”, diz o ditado popular; e é verdade também o contrário: enquanto houver esperança, há vida. Os homens necessitam de esperança para viver e precisam do Espírito Santo para esperar.

São Paulo — ouvimos — atribui ao Espírito Santo a capacidade de nos fazer até “transbordar de esperança”. Transbordar de esperança significa nunca desanimar; significa esperar «contra qualquer esperança» (Rm 4, 18), ou seja, esperar até quando falta qualquer motivo humano para esperar, como aconteceu com Abraão no momento em que Deus lhe pediu para sacrificar o único filho, Isac, e como sucedeu também, ainda mais, com a Virgem Maria aos pés da cruz de Jesus.

O Espírito Santo torna possível esta esperança invencível dando-nos o testemunho interior de que somos filhos de Deus e seus herdeiros (cf. Rm 8, 16). Como poderia Aquele que nos entregou o seu único Filho não nos dar também com Ele todas as coisas? (cf. Rm 8, 32). «A esperança — irmãos e irmãs — não desilude: a esperança não engana, porque o amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado» (Rm 5, 5). Portanto, não desilude, porque há o Espírito Santo dentro de nós que nos impele a ir em frente, sempre! E por esta razão, a esperança não desilude.

Há mais: o Espírito Santo não nos torna somente capazes de esperar, mas inclusive de ser semeadores de esperança, de ser também nós — como Ele e graças a Ele — “paráclitos”, ou seja, consoladores e defensores dos irmãos, semeadores de esperança. Um cristão pode semear amarguras, pode semear perplexidades, e isto não é cristão, e quem faz isto não é um bom cristão. Semeia a esperança: semeia óleo de esperança, semeia perfume de esperança e não vinagre de amargura e de desesperança. O Beato cardeal Newman, num seu discurso, dizia aos fiéis: «Instruídos pelo nosso próprio sofrimento, pela nossa própria dor, aliás, pelos nossos próprios pecados, teremos a mente e o coração treinados para qualquer obra de amor em relação aos necessitados. Seremos, conforme a nossa capacidade, consoladores à imagem do Paráclito — ou seja, do Espírito Santo — e em todos os sentidos que esta palavra comporta: advogados, assistentes, portadores de conforto. As nossas palavras e os nossos conselhos, o nosso modo de fazer, a nossa voz, o nosso olhar, serão gentis e tranquilizadores» (Parochial and Plain Sermons, vol. v, Londres 1870, pp. 300 s.). E são sobretudo os pobres, os excluídos, os desamados a precisar de alguém que para eles se torne “paráclito”, ou seja, consolador e defensor, como o Espírito Santo faz com cada um de nós, que estamos aqui na praça, consolador e defensor. Nós devemos fazer o mesmo com os mais necessitados, com os mais descartados, com aqueles que mais precisam, aqueles que mais sofrem. Defensores e consoladores!

O Espírito Santo alimenta a esperança não só no coração dos homens, mas também na criação inteira. Diz o Apóstolo Paulo — parece um pouco estranho, mas é verdade: que também a criação “aguarda ansiosamente” com a esperança de ser também ela libertada e “geme e sofre” como que dores de parto (cf. Rm 8, 20-22). «A energia capaz de mover o mundo não é uma força anónima e cega, mas é a ação do Espírito de Deus que “pairava sobre as águas” (Gn 1, 2) no início da criação» (Bento XVI, Homilia, 31 de maio de 2009). Também isto nos impele a respeitar a criação: não se pode manchar um quadro sem ofender o artista que o criou.

Irmãos e irmãs, a próxima festa de Pentecostes — que é o aniversário da Igreja — nos encontre concordes na oração, com Maria, Mãe de Jesus e nossa. E o dom do Espírito Santo nos faça transbordar de esperança. Dir-vos-ei algo mais: que nos faça prodigalizar esperança a todos aqueles que mais necessitam, que são mais descartados e a todos aqueles que dela precisam. Obrigado.


Saudações

Saúdo cordialmente todos os peregrinos de língua portuguesa, de modo particular os fiéis de Angola, Sendim, Serrinha, Florianópolis e Minas Gerais. Queridos amigos, nestes dias de preparação para a festa de Pentecostes, peçamos ao Senhor que derrame em nós abundantemente os dons do seu Espírito, para que possamos ser testemunhas de Jesus até os confins da terra. Obrigado pela vossa presença.

Dirijo um pensamento especial aos jovens, aos doentes e aos recém-casados. Queridos jovens, colocai em cima de tudo a busca de Deus e do seu amor; prezados doentes, o Paráclito vos seja de ajuda e conforto nos momentos de maior apreensão; e vós, queridos recém-casados, com a graça do Espírito Santo tornai a vossa união cada dia mais firme e profunda.




Fonte: Vaticano




Regina Coeli com o Papa Francisco - 28.05.2017


Praça São Pedro
Domingo, 28 de maio de 2017








Bom dia, prezados irmãos e irmãs!

Hoje, tanto na Itália como noutros países, celebra-se a Ascensão de Jesus ao Céu, ocorrida quarenta dias depois da Páscoa. A página evangélica (cf. Mt 28, 16-20), aquela que encerra o Evangelho de Mateus, apresenta-nos o momento da despedida definitiva do Ressuscitado aos seus discípulos. Esta cena é ambientada na Galileia, o lugar onde Jesus os tinha chamado para o seguir e formar o primeiro núcleo da sua nova comunidade. Agora, aqueles discípulos passaram através do “fogo” da paixão e da ressurreição; prostram-se diante do Senhor Ressuscitado, e no entanto alguns ainda estão duvidosos. A esta comunidade amedrontada, Jesus deixa a imensa tarefa de evangelizar o mundo; e concretiza esta responsabilidade com a ordem de ensinar e de batizar em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo (cf. v. 19).

Por conseguinte, a Ascensão de Jesus ao Céu constitui o fim da missão que o Filho tinha recebido do Pai, e o início da continuação de tal missão por parte da Igreja. Com efeito, a partir deste instante, desde o momento da Ascensão, a presença de Cristo no mundo é mediada pelos seus discípulos, por aqueles que acreditam n’Ele e que o anunciam. Esta missão durará até ao fim da história e beneficiará todos os dias da assistência do Senhor Ressuscitado, que lhes garante: «Eu estou convosco todos os dias, até ao fim do mundo» (v. 20).

E a sua presença infunde fortaleza na hora das perseguições, alívio nas tribulações, sustento nas situações de dificuldade encontradas pela missão e pelo anúncio do Evangelho. A Ascensão recorda-nos esta assistência de Jesus e do seu Espírito que instila confiança, dando segurança ao nosso testemunho cristão no mundo. Ela revela-nos o motivo pelo qual a Igreja existe: a Igreja existe para anunciar o Evangelho, unicamente para isto! Além disso, a alegria da Igreja consiste em anunciar o Evangelho. A Igreja somos todos nós batizados. Hoje somos convidados a compreender melhor que Deus nos concedeu a grandiosa dignidade e a responsabilidade de o anunciar ao mundo, de o tornar acessível à humanidade. Nisto consiste a nossa dignidade, esta é a maior honra de cada um de nós, de todos os batizados!

Nesta festa da Ascensão, enquanto dirigimos o nosso olhar para o Céu, onde Cristo subiu e está sentado à direita do Pai, fortaleçamos os nossos passos na terra para prosseguir com entusiasmo e coragem o nosso caminho, a nossa missão de dar testemunho e de viver o Evangelho em todos os ambientes. No entanto, estamos perfeitamente conscientes de que ela não depende antes de tudo das nossas forças, das capacidades organizacionais e dos recursos humanos. Unicamente com a luz e a força do Espírito Santo podemos cumprir de maneira eficaz a nossa missão de dar a conhecer e de fazer experimentar cada vez mais aos outros o amor e a ternura de Jesus.

Peçamos à Virgem Maria que nos ajude a contemplar os bens celestiais, que o Senhor nos promete, e a tornar-nos testemunhas cada vez mais credíveis da sua Ressurreição, da verdadeira Vida.


Depois do Regina Coeli

Estimados irmãos e irmãs!

Desejo manifestar mais uma vez a minha proximidade ao meu amado Irmão, Papa Tawadros II, assim como a toda a Nação egípcia, que há dois dias foi de novo alvo de um ato de violência feroz. As vítimas, entre as quais havia inclusive crianças, eram fiéis que iam a um santuário para rezar, e foram assassinados porque não quiseram renegar a sua fé cristã. Que o Senhor recebe na sua paz estas testemunhas corajosas, estes mártires, e converta o coração dos terroristas.

E oremos também pelas vítimas do horrível atentado ocorrido na segunda-feira passada em Manchester, onde numerosas jovens vidas foram cruelmente interrompidas. Estou próximo dos familiares e de quantos choram a sua morte.

Celebra-se hoje o Dia Mundial das Comunicações Sociais, sobre o tema: «Não tenhas medo, porque Eu estou contigo» (Is 43, 5). Os meios de comunicação social oferecem a possibilidade de compartilhar e de difundir instantaneamente as notícias de maneira capilar; estas notícias podem ser boas ou más, verdadeiras ou falsas; rezemos a fim de que a comunicação, em todas as suas formas, seja efetivamente construtiva, ao serviço da verdade, rejeitando os preconceitos, e difunda esperança e confiança no nosso tempo.

Saúdo todos vós, estimados romanos e peregrinos: as famílias, os grupos paroquiais, as associações e as escolas.

E saúdo de maneira particular os fiéis provenientes do Colorado; os grupos folclóricos bávaros, vindos para o grandioso desfile no centenário da festividade da Patrona Bavariae; saúdo os fiéis polacos, e concedo a bênção inclusive aos participantes na peregrinação ao Santuário de Piekary.

Quero saudar os Missionários Combonianos, que festejam o sesquicentenário de fundação; a peregrinação das Irmãs Hospitaleiras de Ascoli Piceno; os grupos de Nápoles, Scandicci, Thiesi e Nonantola; bem como os alunos da escola «Sagrado Coração do Verbo Encarnado», de Palermo.

Dirijo um pensamento particular e um encorajamento aos representantes das associações de voluntariado que promovem a doação de órgãos, «gesto nobre e meritório» (Catecismo da Igreja Católica, n. 2.296).

Saúdo também os empregados da «Mediaset» de Roma, com os votos de que a sua situação de trabalho possa ser resolvida, tendo como finalidade o verdadeiro bem da empresa, sem se limitar unicamente ao mero lucro, mas respeitando os direitos de todas as pessoas interessadas: e o primeiro deles é o direito ao trabalho.

Desejo concluir, dirigindo uma grande saudação aos genoveses e um profundo agradecimento pela calorosa hospitalidade que me reservaram ontem. Que o Senhor os abençoe copiosamente e que Nossa Senhora da Guarda os preserve.

Desejo bom domingo a todos! Por favor, não vos esqueçais de rezar por mim. Bom almoço e até à próxima!




Fonte: Vaticano




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