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domingo, 9 de julho de 2017

Angelus com o Papa Francisco - 02.07.2017


Praça São Pedro
Domingo, 2 de julho de 2017








Amados irmãos e irmãs, bom dia!

A liturgia de hoje apresenta-nos as últimas frases do discurso missionário do capítulo 10 do Evangelho de Mateus (cf. 10, 37-42), com o qual Jesus instrui os doze apóstolos no momento em que pela primeira vez os envia em missão às aldeias da Galileia e da Judeia. Nesta parte final Jesus frisa dois aspetos essenciais para a vida do discípulo missionário: o primeiro, que o seu vínculo com Jesus é mais forte do que qualquer outro; o segundo, que o missionário não se leva a si mesmo, mas a Jesus, e mediante Ele o amor do Pai celeste. Estes dois aspetos estão interligados, porque quanto mais Jesus está no centro do coração e da vida do discípulo, tanto mais este discípulo é «transparente» na sua presença. Caminham juntos, ambos.

«Quem ama seu pai ou sua mãe mais que a mim, não é digno de mim» (v. 37), diz Jesus. O afeto de um pai, a ternura de uma mãe, a amizade meiga entre irmãos e irmãs, tudo isto, mesmo sendo muito bom e legítimo, não pode ser anteposto a Cristo. Não significa que Ele nos quer sem coração ou privados de reconhecimento, ao contrário, mas que a condição do discípulo requer uma relação prioritária com o mestre. Qualquer discípulo, seja ele um leigo, uma leiga, um sacerdote, um bispo: a relação prioritária. Talvez a primeira pergunta que devemos fazer a um cristão seja: «Mas tu encontras-te com Jesus? Tu rezas a Jesus?». A relação. Quase se poderia parafrasear o Livro do Génesis: por isso o homem deixará seu pai e sua mãe e unir-se-á a Jesus Cristo e os dois serão uma só coisa (cf. Gn 2, 24).

Quem se deixa atrair por este vínculo de amor e de vida com o Senhor Jesus, torna-se um seu representante, um seu «embaixador», sobretudo com a maneira de ser, de viver. A ponto que o próprio Jesus, ao enviar os discípulos em missão, lhes diz: «Quem vos recebe, a mim recebe. E quem me recebe, recebe aquele que me enviou» (Mt 10, 40). É preciso que as pessoas possam sentir que para aquele discípulo Jesus é deveras «o Senhor», é realmente o centro da sua vida, o tudo da vida. Não é importante se depois, como qualquer pessoa humana, tem os seus limites e também os seus erros — sob a condição de que tenha a humildade de os reconhecer — o importante é que não tenha o coração duplo — e isto é perigoso. Eu sou cristão, sou discípulo de Jesus, sou sacerdote, sou bispo, mas tenho o coração duplo. Não, isto não está bem. Não se pode ter um coração duplo, mas um coração simples, unido; que não tenha o pé em dois estribos, mas que seja honesto consigo mesmo e com os outros. Ser duplo não é de cristão. Por isso Jesus reza ao Pai para que os discípulos não caiam no espírito do mundo. Ou estás com Jesus, com o espírito de Jesus, ou estás com o espírito do mundo.

E aqui a nossa experiência de sacerdotes ensina-nos uma coisa muito bela, muito importante: é precisamente esta aceitação do santo povo fiel de Deus, é precisamente aquele «copo de água fresca» (v. 42) do qual o Senhor fala no Evangelho de hoje, dado com fé afetuosa, que te ajuda a ser bom sacerdote! Há uma reciprocidade também na missão: se deixas tudo por Jesus, as pessoas reconhecem em ti o Senhor; mas ao mesmo tempo ajudam-te a converter-te todos os dias a Ele, a renovar-te e a purificar-te das condescendências e a superar as tentações. Quanto mais um sacerdote estiver próximo do povo de Deus, tanto mais se sentirá próximo de Jesus, e quanto mais um sacerdote estiver próximo de Jesus, tanto mais se sentirá próximo do povo de Deus.

A Virgem Maria experimentou em primeira pessoa o que significa amar Jesus desapegando-se de si mesma, dando um novo sentido aos vínculos familiares, a partir da fé n’Ele. Com a sua materna intercessão, nos ajude a ser missionários livres e jubilosos do Evangelho.


Depois do Angelus

A 5 de julho celebra-se a festa da independência da Venezuela. Garanto a minha oração por esta amada Nação e expresso a minha proximidade às famílias que perderam os seus filhos nas manifestações de rua. Faço apelo para que se ponha fim à violência e se encontre uma solução pacífica e democrática para a crise. Nossa Senhora de Coromoto interceda pela Venezuela! E todos nós rezemos a Nossa Senhora de Coromoto pela Venezuela: «Ave Maria...».

Dirijo uma saudação a todos vós, romanos e peregrinos! A todos desejo bom domingo. Por favor, não vos esqueçais de rezar por mim. Bom almoço e até à vista!



Fonte: Vaticano




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